EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

União Europeia: Intolerância e xenofobia versus integração e inserção

Nos últimos anos a União Europeia foi testemunha da eclosão de uma série de processos sociais e culturais que são frutos da tensão acumulada ao longo do tempo e que foram negligenciados pelo Bloco, bem como sepultados pelos discursos de integração. A radicalização da sociedade é o pior reflexo dessa negligência, gerando uma divisão da mesma e dando espaço para o surgimento de movimentos extremistas ou a adesão de vários jovens europeus a causas fundamentalistas, tais como o Estado Islâmico (EI).

Mesmo que esteja presente desde a sua fundação, a multiculturalidade da União Europeia não levou em consideração a própria formação demográfica dos países membros e os efeitos da ampliação do Bloco, assim como outros processos humanos, tais como a migração e a mobilidade internacional.

Policiais franceses obrigam mulher a tirar seu véu na praia

Atualmente, a região é um mosaico de culturas, povos, etnias e religiões, com fortes avanços em algumas áreas e grandes retrocessos em outras, principalmente no que tange as minorias.

Se por um lado a Alemanha aprovou o casamento LGBT, por outro, países como a França proíbem o uso de algumas das vestimentas típicas da cultura islâmica (ainda que o país possua uma considerável comunidade muçulmana). No entanto, o atrito entre culturas não afeta somente a convivência na União Europeia, mas também se reflete em setores cuja principal característica é justamente essa confluência de pessoas diferentes e o turismo é um deles. A turismofobia é crescente em cidades com um elevado fluxo de turistas. Cidades como Barcelona, cujo turismo representa mais de 15% do PIB e recebe mais de 11 milhões de turistas ao ano, consideram paradoxalmente que a atividade turística é um dos seus principais problemas. A inflação dos preços é um dos essenciais motivos para esse repúdio crescente, mas também a vinda de turistas não tradicionais como indianos, russos e até mesmo cidadãos de outros países da União, que são acusados de deteriorar o patrimônio público e afetam a rotina da cidade.

Manifestações contra os turistas em Barcelona

A sociedade europeia, talvez pelo fato de ser testemunha de diversos processos sociais e centro de mudanças e revoluções importantes, é uma das regiões do mundo onde se refletem as principiais questões globais, desde os benefícios do processo de globalização como também dos paradigmas mundiais. E mesmo com um discurso de construção de uma identidade europeia desde a concepção do Tratado de Roma, observa-se que, na prática, ainda existem pontos conflitivos e que alguns casos chegam a evidenciar essa multipolaridade cultural, como atualmente o fez o processo de cisão entre o Reino Unido e a União Europeia (Brexit), sendo um dos principais argumentos a situação da migração interna. A mesma situação se dá também em outros países da União que recebem migrantes de nações do Bloco.

No caso das minorias, todo avanço ou recesso é potencializado pelos holofotes da mídia e rapidamente ganha as redes sociais, porém não existe um movimento da própria União Europeia de analisar esses processos como parte integrante de uma contínua mudança pela qual ela passa e que, sem dúvidas, irá refletir na criação de uma identidade europeia.

Da mesma forma que a microeconomia reflete processos macroeconômicos e vice-versa, tal vez seja interessante tomar esse exemplo como parâmetro e analisar como as mudanças em pequenos grupos impactam em toda a sociedade, seja para aumentar a equidade e igualdade, seja para gerar maiores cisões.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Espaço Schegem” (Fonte):

https://urbanismoguerra.files.wordpress.com/2015/09/rotas_migratorias_europa.jpg

Imagem 2Policiais franceses obrigam mulher a tirar seu véu na praia” (Fonte):

http://mercadopopular.org/wp-content/uploads/2016/08/mundo-franca-praia-mulher-vestida-burca-policia-20160825-01.jpg

Imagem 3Manifestações contra os turistas em Barcelona” (Fonte):

https://static.hosteltur.com/web/uploads_c/2016/04/B_1a8a090c67464a4cef512393faab7b42.jpg

NOTAS ANALÍTICASSociedade Internacional

Aspectos globais da aprovação do casamento homossexual na Alemanha

Com 393 votos a favor e 226 em contra a Alemanha se une ao conjunto de países ocidentais que aprovam o casamento homossexual. A chanceler alemã Angela Merkel do partido União Cristã democrata, cedeu à pressão do partido social-democrata da Alemanha do qual é aliada, permitindo com que a votação fosse realizada este ano antes das eleições (ao contrário do que ela planejava) e que os integrantes de seu partido pudessem votar livremente. O projeto também teve apoio da Esquerda Alemã e dos Verdes, sendo festejado pela comunidade LGBT em todo o mundo.

75,8% dos alemães segundo um estudo realizado em 2016 são a favor da união entre pessoas do mesmo sexo e, embora alguns temas ainda sejam considerados sensíveis à opinião pública, o clima é bastante tolerante. O estudo também demonstrou que 95% da população é a favor da criminalização da homofobia criando uma lei específica para este crime.

A Holanda foi o primeiro país da Europa a aprovar o casamento homossexual em 2001, seguida pela Bélgica (2003), Espanha (2005), Canadá (2005), África do Sul (2006), Noruega (2009), Suécia (2009), Portugal (2010), Islândia (2010), Argentina (2010), Uruguai (2013), França (2013), Nova Zelândia (2013), Brasil (2013), Reino Unido (2014), Luxemburgo (2015), Estados Unidos (2015), Irlanda (2015) e Colômbia em 2016.  Outros países tais como o México possuem leis estaduais ou sistemas de reconhecimento da união estável. Apesar disso, não são todos os que aceitam a adoção de crianças por casais homossexuais e em alguns existem até mesmo restrições para esta parcela da população, tais como doar sangue.

Embora as relações homossexuais sejam comuns em mais de 800 espécies animais, não existe consenso entre os seres humanos em relação a natureza e normalidade das mesmas, sendo um tema elevado a uma questão de Estado em muitos países e uma fonte de controvérsias usada por partidos conservadores e outras forças políticas para formar a opinião pública e influenciar a formulação das leis. Questões religiosas, políticas, culturais e até mesmo médicas são usadas para restringir os direitos dessa parcela da população.

A comunidade médica internacional em sua grande maioria advoga pela normalidade das relações homossexuais dentro do complexo sistema de reconhecimento sexual do ser humano em relação ao gênero, identidade, opção e expressão sexual, cujo conhecimento foi se desenvolvendo ao longo do século XX com estudos nas áreas de genética, sexologia, psicologia e sociologia.

Apesar de que as relações entre indivíduos do mesmo sexo são descritas ao longo de toda história e da relevância que o tema suscita além de sua continua exposição, somente em 1990 a OMS retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, sendo o casamento uma realidade jurídica muito recente, havendo inclusive países onde persiste a proibição e até mesmo existe punição para essas relações.

Acredita-se que com a aprovação do casamento homossexual na Alemanha o país fortalece seu sistema democrático ao conceder igualdade de direitos aos seus cidadãos, uma lição que sem dúvidas muitos países da região devem emular nos próximos anos, sendo ainda considerado por analistas uma vitória para a comunidade LGBT mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Situação da população LGBT ILGA maio 2017” (Fonte):

http://ilga.org/wp-content/uploads/2017/05/ILGA_WorldMap_SPANISH_Overview_2017_ok.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

As novas metas da União Europeia

A União Europeia (UE) continua seu projeto de integração e reformulação visando sair fortalecida e preparada para um novo posicionamento geopolítico. Tal postura está sendo mantida, mesmo após 10 anos de crise econômica e de enfrentar uma crescente instabilidade política e social, causada tanto pelos reflexos das políticas de austeridade como por assuntos sociais, tais como a imigração e o terrorismo. Além disso, deve-se acrescentar a crise provocada pela saída de uma das principais economias da região, bem como ter de enfrentar a ameaça de outras desistências, alimentadas por um crescente populismo.

A saída do Reino Unido, os atritos com a gestão Trump e com a Rússia, as novas tendências globais e as novas ameaças promoveram uma reflexão e reposicionamento da União. Atualmente, o Bloco voltou a negociar com o Mercosul e acredita que um acordo seja assinado até o final de 2017; as negociações com o Canadá também evoluem rapidamente; assim como a retomada das solicitações de adesão ao Bloco Europeu.

A retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris fortaleceu a posição da União Europeia como maior promotor de cooperação internacional para o desenvolvimento, sendo o grupo responsável por mais de 60% de todos os recursos dedicados a esta atuação.

Conselho Europeu

A Comissão Europeia e o Parlamento Europeu assinaram na semana passada o chamado Consenso Europeu sobre o desenvolvimento”, no qual os países membros do Bloco se comprometem em manter o fluxo de recursos e ações para a cooperação internacional e intensificar as atividades que promovem o desenvolvimento das regiões mais carentes. Dessa forma, grupo europeu deseja transmitir ao mundo uma mensagem de coesão e futuro, focados no desenvolvimento e preservação do meio ambiente.

Atualmente, a Europa oferece subvenções e financiamentos, além de projetos de investimento social para todas as regiões do planeta, destacando-se que empresas e instituições interessadas podem participar em seus editais disponíveis no site da Europeaid.

O discurso da UE surge na semana de aniversário do maior projeto de mobilidade acadêmica do planeta, o programa Erasmus, que, após 30 anos, teve mais de 9 milhões de participantes e 1 milhão de bebês que nasceram entre os participantes durante o programa, sendo o mesmo ampliado para terceiros países, tais como o Brasil.

O Erasmus, assim como os projetos de cooperação internacional compõem a agenda estratégica da União Europeia e os pontos chaves do Programa Horizon 2020, nos quais se planeja superar as metas e compromissos contraídos na comunidade internacional e na agenda internacional.

Mapa das áreas do EuropeAID. Confirmadas a cada 17 anos

A Europa, dessa forma, busca voltar à liderança, mas através do softpower de suas ações, tomando a iniciativa em setores promissores e inovadores que aos poucos estão ganhando notoriedade mundial e que, no futuro, podem pautar novamente a balança de poder, tais como a distribuição de recursos hídricos, o desenvolvimento agropecuário, o meio ambiente e as energias renováveis.

Embora o cenário político de alguns países continue instável, como no caso da Espanha, o crescimento econômico da região e os resultados das eleições na França ajudaram a retomada da agenda internacional do Bloco, e mesmo com as futuras eleições na Alemanha, a União Europeia aos poucos parece encontrar seu novo caminho no panorama mundial que se desenha, ou, ao menos indica que nas altas esferas do grupo europeu já existe um consenso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Parlamento Europeu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/11/European-parliament-strasbourg-inside.jpg

Imagem 2Conselho Europeu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/84/European_Commission.svg/2000px-European_Commission.svg.png

Imagem 3Mapa das áreas do EuropeAID. Confirmadas a cada 17 anos” (Fonte):

https://ec.europa.eu/europeaid/sites/devco/files/blending-worldmap-2015_2285x1405_300dpi_v2.jpg

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

Smartcity III, o profissional do setor

Os projetos de Smartcities são uma tendência crescente no cenário internacional e nacional. Ainda assim, existem diversas dúvidas em relação a natureza desses projetos e aos órgãos implicados, bem como aos profissionais que atuam no setor.

Alguns centros de formação no Brasil já oferecem instrução na área, porém, apesar da excelente qualificação dos professores, poucos são os que realmente possuem experiência profissional ou empírica, refletindo novamente as próprias dúvidas que geram os projetos de Smartcity.

Inovação, tecnologia e política são os setores nos quais os centros acadêmicos concentram sua oferta formativa, o que acaba limitando todo o potencial da área e gera uma especialização excessiva e perniciosa, já que, mesmo sendo importante contar com profissionais qualificados para a gestão desses projetos, os mesmos não podem ser limitados a apenas algumas áreas.

É vital compreender que o projeto de uma cidade inteligente envolve a todos os profissionais que atuam nas dinâmicas internas e intrínsecas da cidade, pois é dessa interação entre os diferentes atores presentes no espaço urbano que surge a inteligência e conhecimento para promover mudanças reais e obter resultados. De forma que é preciso separar a figura do especialista ou gestor de projetos de Smartcity dos demais profissionais que participam ativamente dos projetos Smart e que são de outras áreas.

Um médico pode estar envolvido em um projeto de Smartcity da mesma forma que um advogado ou um funcionário público, pois todos formam parte da dinâmica da cidade e todos podem contribuir para a implementação de novos processos, desenvolver novas soluções, gerar sinergia com outras áreas, gerar inteligência. 

BID – Smartcities

Os setores nos quais se desenvolvem as ações dos projetos de Smartcity (E-government, E-Health, inovação, meio ambiente, energias renováveis, mobilidade etc.) contemplam essa multidisciplinaridade e dependem da mesma, de modo que todo profissional pode atuar em um projeto de Smartcity.

No caso daqueles que desejam atuar na gestão ou como especialista em projetos de Smartcity é fundamental reiterar a necessidade de uma visão global, multidisciplinar e integradora, além da capacidade de planejamento a longo prazo.

Mais do que formação, o profissional deve compreender as dinâmicas que existem na cidade, suas interações, reconhecer seu potencial, seus desafios, deve possuir ferramentas capazes de lhe colocar em contato com a inteligência gerada pelos atores e fatores próprios da cidade.

Cursos são importantes para lhe oferecer formação teórica sobre o assunto, além de lhe proporcionar ferramentas e metodologias científicas de análises quantitativas e qualitativas. Porém, a visão do implicado em relação a sua cidade e suas dinâmicas e processos é um fator chave nessa transformação derivada dos projetos de Smartcity, já que da mesma pende a diferenciação entre uma intervenção isolada e uma dinâmica inteligente que irá impactar em toda a cidade.

Projeto de ação Smartcity

O profissional interessado em projetos de Smartcity deve conhecer vários fatores, a citar: conhecer bem a economia da região analisada, suas dinâmicas (social, política, cultural), fatores externos e internos que impactam na mesma, dentre vários. Dessa forma, ele pode desenvolver a intervenção indicada, a qual pode ser um projeto de startup, uma parceria pública privada, um curso de formação, a criação de um cluster das empresas locais, a inovação de uma tramitação pública, a gestão de uma política pública ou de um projeto privado etc. Tudo depende do nível de participação e da área de atuação do mesmo. Caso seja um gestor, seu papel será justamente o de organizar, desenvolver e fomentar esses fluxos inovadores que existem ou que podem vir a existir.

Ao contrário do que muitos acreditam, os projetos de Smartcity não são projetos unicamente focados na política, inovação, tecnologia ou engenharia, mas projetos cuja multidisciplinaridade é fundamental. Não é um setor para especialistas exclusivos, mas sim para todos aqueles que saibam integrar, promover, estimular, criar um projeto funcional, transformando as dinâmicas de uma cidade em um processo inteligente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Foto de Smartcity” (Fonte):

https://www.pexels.com/search/smart%20city/

Imagem 2BID Smartcities” (Fonte):

http://servicesaws.iadb.org/wmsfiles/images/0x0/-39723.jpg

Imagem 3Projeto de ação Smartcity” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Smart_City_Roadmap_by_Dr._Sam_Musa.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

SMARTCITY I, a diferença entre serviços básicos e processos inteligentes

O termo Smartcity ou “Cidade Inteligente” se popularizou nos últimos anos sendo utilizado em diversos artigos, projetos e discursos. Porém, existem muitas dúvidas em relação ao significado do termo e problemas em sua aplicação nos projetos atuais, sejam estes públicos ou privados.

Cidade Inteligente. Fonte: Wikipedia

Uma cidade inteligente é um espaço no qual se desenvolvem dinâmicas que visam gerar a melhoria na qualidade de vida de seus cidadãos, fazendo um melhor uso de seus recursos, aplicando novas soluções para resolver os problemas que enfrentam a sociedade e criando novas ferramentas e estruturas para desenvolver um espaço inteligente que molde a realidade de um determinado local.

Embora essa definição possa ser ampla e abranja diversos processos, já que a mesma se adapta a realidade do espaço urbano, existem projetos que não deveriam ser caracterizados como um projeto de Smartcity, ou que talvez deveriam ser contemplados como um passo prévio ao projeto de Smartcity.

Um empreendimento, como por exemplo um condomínio nas aforas da cidade, não pode ser considerado outra coisa que um espaço urbanizado ou um bairro planejado, pois, para que o mesmo seja considerado uma Smartcity, este deveria integrar a realidade da região. Por mais serviços que possa oferecer, a existência desses espaços gera apenas polos isolados e não um processo inteligente integrante da realidade de uma cidade. São uma versão evoluída dos condomínios que existem no Brasil, onde, no lado de dentro, a qualidade de vida pode ser muito elevada, mas contrasta com a realidade externa, pois o mesmo não se integra a ela. Dessa forma, não é inteligente, mas um potencial gerador de desigualdades ou uma nova “ilha” desenvolvida, incapaz de transformar seu entorno.

Estrutura da Cidade Inteligente. Fonte: Wikipedia

Outro processo que muitos confundem com projetos de Smartcity são os projetos de serviços públicos básicos. Oferecer saneamento e iluminação para uma localidade não necessariamente transforma a cidade em uma Smartcity, caso não exista um processo inteligente por detrás dessa intervenção, capaz de desenvolver uma nova dinâmica social, produtiva ou econômica que integre o espaço urbano e prepare o mesmo para uma nova realidade global, pois, caso contrário, é uma simples intervenção que, mesmo promovendo o desenvolvimento, já deveria ter sido feita com anterioridade, de modo que uma Smartcity não é um empreendimento isolado, não é a prestação de serviços públicos, mas a geração de processos inteligentes dentro do espaço urbano que integram a sociedade, o sistema produtivo e o sistema de gestão, fomentando uma nova realidade.

Por esse motivo, existem pilares nos quais se fundamentam as Smartcities. Os principais são:

–               Inovação

–               Meio Ambiente e Sustentabilidade

–               E-government e Participação Social

–               Tecnologia e Telecomunicações

–               Empreendedorismo e Educação

–               Mobilidade e Transporte

–               Segurança

–               Economia Criativa e Circular

–               Novas Energias

–               Tratamento de Resíduos e Reciclagem

É certo que cada cidade, devido a sua própria evolução, apresentará setores mais desenvolvidos que outros, além de outras possibilidades, mas, em termos gerais, estas são as áreas nas quais se desenvolvem os projetos de Cidades Inteligentes e nas quais devem se envolver tanto a gestão pública como a privada e a sociedade, de modo que não sejam projetos isolados, mas dinâmicas capazes de integrar o espaço urbano.

Cidade Inteligente Nansha. Fonte: Wikipedia

Cidades como Barcelona ou Singapura são exemplos mundiais de Smartcity (ressaltando-se que Singapura é uma Cidade-Estado constituída por 63 ilhas), já que ambas fomentaram a criação de um espaço urbano inteligente, o que se reflete nos índices de desenvolvimento das mesmas. No mundo, em outras cidades também existem projetos de Smartcity, sejam elas grandes capitais ou pequenas cidades, mas não como uma intervenção isolada e sim como um gerador de mudanças para toda a cidade.

No Brasil, algumas capitais já possuem os seus projetos do gênero, tais como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife, embora as desigualdades sociais, os problemas de gestão e a deficiência de infraestrutura dificultem a realização desses projetos, pois, ao final, só podemos falar de um processo inteligente quando o mesmo for uma realidade para toda a cidade e não para um pequeno grupo.

Essas cidades – como muitas outras no Brasil – ainda possuem deficiências histórias e o desafio de equilibrar as intervenções que a cidade precisa com a geração de processos inteligentes capazes não somente de abranger essas intervenções, como também, a partir das mesmas, promover a criação de um espaço inteligente, caso contrário será somente a concessão de um serviço básico, revestida como projeto de Smartcity e não será uma inovação para a cidade e sim o seu desenvolvimento para um patamar aceitável em comparação com as cidades já desenvolvidas dos países mais ricos

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O que faz uma Smartcity Smart” (Fonte):

https://www.linkedin.com/pulse/smart-city-heading-towards-better-future-harikrishna-patel

Imagem 2 Estrutura da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/IoT-Enabled_Smart_City_Framework_White_Paper_Image_2.png

Imagem 3 Gráfico da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/Smart_City_Graph.jpg (Copiar e colar no navegador)

Imagem 4 Cidade Inteligente Nansha” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Smart_City_Nansha.jpg/1280px-Smart_City_Nansha.jpg

BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Tempo de reavaliação na política da União Europeia[:]

[:pt]

Apesar da ampla vantagem obtida pelo candidato francês Emmanuel Macron frente a sua adversária Marine Le Pen nas eleições, a situação política da França e da União Europeia ainda estão longe de uma resolução final, sendo esta vitória apenas um tempo de prorrogação, no qual a União Europeia deve fazer uma reavaliação tanto do cenário interno como externo e analisar os fatores que levaram o Bloco a situação atual e promover as mudanças necessárias para recuperar a credibilidade do projeto europeu e da integração da Europa.  

As eleições na França não foram as únicas que evidenciaram a instabilidade política da região. A situação já se havia repetido na Espanha, na Itália, na Áustria e nos Países Baixos. Assim mesmo, os processos sociais e políticos presentes em todos os comícios realizados no Bloco ao longo dos últimos dois anos possuem raízes comuns ou formação similar.

Por um lado, a pressão econômica fruto da austeridade imposta pelo Banco Central Europeu como forma de superar a crise econômica internacional, forçou os países da Europa a realizarem uma série de reformas que impactaram nos índices sociais e na prestação de serviços; por outro lado a instabilidade regional colocou em evidência as divergências e assimetrias intrínsecas do Bloco, promovendo uma onda de discursos nacionalistas e manifestações populares, somando-se a esse cenário as modificações no panorama regional e internacional, como as tensões com a Rússia, a saída do Reino Unido do Bloco, a gestão de Donald Trump, a Guerra na Síria e as pressões migratórias, além do próprio realinhamento global.

Nem mesmo na França a palavra final foi dada, já que as eleições legislativas que vão ocorrer no próximo mês de junho podem reduzir a força do candidato eleito e lhe obrigar a estabelecer alianças políticas.

As eleições na Alemanha apresentam certa estabilidade e, segundo as últimas pesquisas, o candidato da Presidência será eleito. Ainda assim, cabe analisar se o posicionamento da maior economia da Europa continuará sendo o mesmo, tanto a nível interno como em sua interlocução com os Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.

Outro fator que pode afetar o cenário europeu é a chegada do verão e o aumento substancial no fluxo de imigrantes e refugiados que atravessam as aguas do Mediterrâneo e geram discussões entre os países receptores e os demais países da União Europeia (UE), além de uma crescente pressão internacional.

Sendo assim, o futuro da Europa em pleno aniversário de 60 anos do Bloco ainda é incerto. A vitória da França não supõe o fim das tensões e desafios, mas sim uma prorrogação de 5 anos na qual a União Europeia deve avaliar sua situação e buscar soluções capazes de viabilizar seu projeto de integração.

A Europa deve avaliar sua política em relação aos fluxos de financiamento interno. Analisar os exemplos de reformas que funcionaram em alguns países como Portugal, mas em outros produziram uma profunda crise social e política, como no caso da Grécia. Deve repensar seu posicionamento no mundo e nos fluxos globais, assim como sua participação em temas de interesse humanitário como a Guerra da Síria ou o avanço do Estado Islâmico nos países do Norte da África. Deve buscar um equilíbrio dentro de uma realidade poli segmentada com diversas rupturas e tensões.

Parece que uma das vias que encontrou o Bloco europeu de aumentar sua credibilidade foi apoiando a restruturação do Mercosul e negociando um Acordo de Livre Comércio entre ambos, promovendo, dessa forma, um aumento dos investimentos europeus nos países da América do Sul e, ao mesmo tempo, facilitando o trânsito de mercadorias. Segundo autoridades de ambos lados, o Acordo deve ser publicado no final deste ano (2017).

A gestão dos Estados Unidos se transformou na antítese do projeto europeu, pois o isolacionismo e unilateralismo defendido por Donald Trump é contrário aos princípios que condicionam a União Europeia, algo que está forçando o grupo a reavaliar suas relações com a potência americana. Por outro lado, o Reino Unido começa a dar sinais de divisões entre aqueles que votaram a favor da cisão com a União Europeia. Os fatores que pressionam a UE são muitos e o Bloco possui 5 anos para avaliar cada um deles, bem como promover mudanças, caso contrário será um território fértil para o acirramento dos nacionalistas e eurocéticos.

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Imagem 1 Macron festejando a vitória” (Fonte):

http://static.euronews.com/articles/364195/640x360_364195.jpg

Imagem 2 Parlamento Europeu” (Fonte):

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Imagem 3 Blocos Econômicos” (Fonte):

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

[:pt] Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para…

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