NOTAS ANALÍTICASSociedade Internacional

Aspectos globais da aprovação do casamento homossexual na Alemanha

Com 393 votos a favor e 226 em contra a Alemanha se une ao conjunto de países ocidentais que aprovam o casamento homossexual. A chanceler alemã Angela Merkel do partido União Cristã democrata, cedeu à pressão do partido social-democrata da Alemanha do qual é aliada, permitindo com que a votação fosse realizada este ano antes das eleições (ao contrário do que ela planejava) e que os integrantes de seu partido pudessem votar livremente. O projeto também teve apoio da Esquerda Alemã e dos Verdes, sendo festejado pela comunidade LGBT em todo o mundo.

75,8% dos alemães segundo um estudo realizado em 2016 são a favor da união entre pessoas do mesmo sexo e, embora alguns temas ainda sejam considerados sensíveis à opinião pública, o clima é bastante tolerante. O estudo também demonstrou que 95% da população é a favor da criminalização da homofobia criando uma lei específica para este crime.

A Holanda foi o primeiro país da Europa a aprovar o casamento homossexual em 2001, seguida pela Bélgica (2003), Espanha (2005), Canadá (2005), África do Sul (2006), Noruega (2009), Suécia (2009), Portugal (2010), Islândia (2010), Argentina (2010), Uruguai (2013), França (2013), Nova Zelândia (2013), Brasil (2013), Reino Unido (2014), Luxemburgo (2015), Estados Unidos (2015), Irlanda (2015) e Colômbia em 2016.  Outros países tais como o México possuem leis estaduais ou sistemas de reconhecimento da união estável. Apesar disso, não são todos os que aceitam a adoção de crianças por casais homossexuais e em alguns existem até mesmo restrições para esta parcela da população, tais como doar sangue.

Embora as relações homossexuais sejam comuns em mais de 800 espécies animais, não existe consenso entre os seres humanos em relação a natureza e normalidade das mesmas, sendo um tema elevado a uma questão de Estado em muitos países e uma fonte de controvérsias usada por partidos conservadores e outras forças políticas para formar a opinião pública e influenciar a formulação das leis. Questões religiosas, políticas, culturais e até mesmo médicas são usadas para restringir os direitos dessa parcela da população.

A comunidade médica internacional em sua grande maioria advoga pela normalidade das relações homossexuais dentro do complexo sistema de reconhecimento sexual do ser humano em relação ao gênero, identidade, opção e expressão sexual, cujo conhecimento foi se desenvolvendo ao longo do século XX com estudos nas áreas de genética, sexologia, psicologia e sociologia.

Apesar de que as relações entre indivíduos do mesmo sexo são descritas ao longo de toda história e da relevância que o tema suscita além de sua continua exposição, somente em 1990 a OMS retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, sendo o casamento uma realidade jurídica muito recente, havendo inclusive países onde persiste a proibição e até mesmo existe punição para essas relações.

Acredita-se que com a aprovação do casamento homossexual na Alemanha o país fortalece seu sistema democrático ao conceder igualdade de direitos aos seus cidadãos, uma lição que sem dúvidas muitos países da região devem emular nos próximos anos, sendo ainda considerado por analistas uma vitória para a comunidade LGBT mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Situação da população LGBT ILGA maio 2017” (Fonte):

http://ilga.org/wp-content/uploads/2017/05/ILGA_WorldMap_SPANISH_Overview_2017_ok.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Brexit e União Europeia: novos desafios e dúvidas

Existem mais de 3,3 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido, sendo sua situação jurídica uma preocupação, após a ativação do Artigo 50 do Tratado da União Europeia*.

Primeira Ministra do Reino Unido, Theresa May, e o Presidente dos EUA, Donald Trump

A imigração foi um dos temas chaves para a aprovação do Referendum e motivo de pressões internas e externas que dividiram a sociedade britânica. Porém, conforme avança o processo de separação da União Europeia (UE), muitas dúvidas vão surgindo, principalmente após o enfraquecimento da líder britânica Theresa May e o aumento das tensões com a Escócia.

A cisão britânica ocorre em um cenário de recuperação europeia e de um Reino Unido ameaçado pelo terrorismo e sem uma relação clara com seu histórico parceiro, os Estados Unidos, motivo que levou ao Governo britânico a buscar soluções mais diplomáticas com a União Europeia, oferecendo aos cidadãos europeus 5 anos para estarem em igualdade de direitos com os cidadãos britânicos.

A União Europeia, por outro lado, continua com o processo de separação, retirando de Londres a sede da Agência Europeia de Medicamentos e a Autoridade Bancaria Europeia, embora as opiniões dos países membros em relação ao Brexit sejam diversas.

A Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da União Europeia, realizada ao longo da semana passada, foi utilizada pelos britânicos como uma ponte para apresentar suas propostas, mesmo não participando do encontro como país membro. Autoridades da França e da Alemanha acolheram com cautela as propostas britânicas e preferem falar do futuro da União Europeia sem a participação do Reino Unido, mas o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, mostrou sua esperança de que o Brexit não chegue a se concretizar. Outras nações como a Holanda instaram o Reino Unido a se decidir de forma imediata sobre o que realmente deseja.

Tudo indica que o processo de separação será mais dilatado do que o planejado e apresentará novos desafios e dúvidas. Essa incerteza também paira sobre o Governo britânico, cuja formação após as eleições já começa a ser questionada, o que dificulta o avanço do processo e a internalização jurídica dos acordos realizados com a Europa.

Em azul os partidários do Brexit em amarelo os contrários

Em relação a possibilidade de uma desistência britânica, não seria um processo simples e deveria ser altamente legitimado, tanto pela população europeia quanto pela população britânica, assim como inserido em uma nova conjuntura jurídica que, de fato, não existe. Além disso, deveria analisar seu impacto no próprio projeto europeu e no discurso da União Europeia, sendo mais viável a formulação de uma parceria sem adesão ao Bloco, tal como fez a Suíça e outras nações vizinhas, ou inclusive gerar um novo modelo.

De qualquer forma, acredita-se que a decisão britânica de se separar da União Europeia talvez tenha sido precipitada e, assim como em um processo de divórcio, mesmo se houver uma reconciliação dificilmente ela poderá ocorrer em condição similar.

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Nota:

* TRATADO DA UNIÃO EUROPEIA (versão consolidada disponível no Parlamento)

ARTIGO 50o

  1. Qualquer Estado-Membro pode decidir, em conformidade com as respetivas normas constitucionais, retirar-se da União.
  2. Qualquer Estado-Membro que decida retirar-se da União notifica a sua intenção ao Conselho Europeu. Em função das orientações do Conselho Europeu, a União negocia e celebra com esse Estado um acordo que estabeleça as condições da sua saída, tendo em conta o quadro das suas futuras relações com a União. Esse acordo é negociado nos termos do no 3 do artigo 218o do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. O acordo é celebrado em nome da União pelo Conselho, deliberando por maioria qualificada, após aprovação do Parlamento Europeu.
  3. Os Tratados deixam de ser aplicáveis ao Estado em causa a partir da data de entrada em vigor do acordo de saída ou, na falta deste, dois anos após a notificação referida no no 2, a menos que o Conselho Europeu, com o acordo do Estado-Membro em causa, decida, por unanimidade, prorrogar esse prazo.
  4. Para efeitos dos no 2 e 3, o membro do Conselho Europeu e do Conselho que representa o Estado-Membro que pretende retirar-se da União não participa nas deliberações nem nas decisões do Conselho Europeu e do Conselho que lhe digam respeito. A maioria qualificada é definida nos termos da alínea b) do no 3 do artigo 238.o do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.
  5. Se um Estado que se tenha retirado da União voltar a pedir a adesão, é aplicável a esse pedido o processo referido no artigo 49o.

Conferir:

http://eur-lex.europa.eu/resource.html?uri=cellar:9e8d52e1-2c70-11e6-b497-01aa75ed71a1.0019.01/DOC_2&format=PDF

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Brexit” (Fonte):

https://pixabay.com/p-2070857/?no_redirect

Imagem 2Theresa May e Donald Trump” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/5/4181/34617656122_05a96300ab_b.jpg

Imagem 3Em azul os partidários do Brexit em amarelo os contrários” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Referendo_sobre_a_perman%C3%AAncia_do_Reino_Unido_na_Uni%C3%A3o_Europeia_em_2016#/media/File:United_Kingdom_EU_referendum_2016_area_results_2-tone.svg

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

Smartcity III, o profissional do setor

Os projetos de Smartcities são uma tendência crescente no cenário internacional e nacional. Ainda assim, existem diversas dúvidas em relação a natureza desses projetos e aos órgãos implicados, bem como aos profissionais que atuam no setor.

Alguns centros de formação no Brasil já oferecem instrução na área, porém, apesar da excelente qualificação dos professores, poucos são os que realmente possuem experiência profissional ou empírica, refletindo novamente as próprias dúvidas que geram os projetos de Smartcity.

Inovação, tecnologia e política são os setores nos quais os centros acadêmicos concentram sua oferta formativa, o que acaba limitando todo o potencial da área e gera uma especialização excessiva e perniciosa, já que, mesmo sendo importante contar com profissionais qualificados para a gestão desses projetos, os mesmos não podem ser limitados a apenas algumas áreas.

É vital compreender que o projeto de uma cidade inteligente envolve a todos os profissionais que atuam nas dinâmicas internas e intrínsecas da cidade, pois é dessa interação entre os diferentes atores presentes no espaço urbano que surge a inteligência e conhecimento para promover mudanças reais e obter resultados. De forma que é preciso separar a figura do especialista ou gestor de projetos de Smartcity dos demais profissionais que participam ativamente dos projetos Smart e que são de outras áreas.

Um médico pode estar envolvido em um projeto de Smartcity da mesma forma que um advogado ou um funcionário público, pois todos formam parte da dinâmica da cidade e todos podem contribuir para a implementação de novos processos, desenvolver novas soluções, gerar sinergia com outras áreas, gerar inteligência. 

BID – Smartcities

Os setores nos quais se desenvolvem as ações dos projetos de Smartcity (E-government, E-Health, inovação, meio ambiente, energias renováveis, mobilidade etc.) contemplam essa multidisciplinaridade e dependem da mesma, de modo que todo profissional pode atuar em um projeto de Smartcity.

No caso daqueles que desejam atuar na gestão ou como especialista em projetos de Smartcity é fundamental reiterar a necessidade de uma visão global, multidisciplinar e integradora, além da capacidade de planejamento a longo prazo.

Mais do que formação, o profissional deve compreender as dinâmicas que existem na cidade, suas interações, reconhecer seu potencial, seus desafios, deve possuir ferramentas capazes de lhe colocar em contato com a inteligência gerada pelos atores e fatores próprios da cidade.

Cursos são importantes para lhe oferecer formação teórica sobre o assunto, além de lhe proporcionar ferramentas e metodologias científicas de análises quantitativas e qualitativas. Porém, a visão do implicado em relação a sua cidade e suas dinâmicas e processos é um fator chave nessa transformação derivada dos projetos de Smartcity, já que da mesma pende a diferenciação entre uma intervenção isolada e uma dinâmica inteligente que irá impactar em toda a cidade.

Projeto de ação Smartcity

O profissional interessado em projetos de Smartcity deve conhecer vários fatores, a citar: conhecer bem a economia da região analisada, suas dinâmicas (social, política, cultural), fatores externos e internos que impactam na mesma, dentre vários. Dessa forma, ele pode desenvolver a intervenção indicada, a qual pode ser um projeto de startup, uma parceria pública privada, um curso de formação, a criação de um cluster das empresas locais, a inovação de uma tramitação pública, a gestão de uma política pública ou de um projeto privado etc. Tudo depende do nível de participação e da área de atuação do mesmo. Caso seja um gestor, seu papel será justamente o de organizar, desenvolver e fomentar esses fluxos inovadores que existem ou que podem vir a existir.

Ao contrário do que muitos acreditam, os projetos de Smartcity não são projetos unicamente focados na política, inovação, tecnologia ou engenharia, mas projetos cuja multidisciplinaridade é fundamental. Não é um setor para especialistas exclusivos, mas sim para todos aqueles que saibam integrar, promover, estimular, criar um projeto funcional, transformando as dinâmicas de uma cidade em um processo inteligente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Foto de Smartcity” (Fonte):

https://www.pexels.com/search/smart%20city/

Imagem 2BID Smartcities” (Fonte):

http://servicesaws.iadb.org/wmsfiles/images/0x0/-39723.jpg

Imagem 3Projeto de ação Smartcity” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Smart_City_Roadmap_by_Dr._Sam_Musa.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

Smartcity II, a geração de projetos e de espaços inteligentes

No primeiro artigo sobre a série Smartcities analisamos as diferenças entre a prestação de serviços básicos e os processos inteligentes nos centros urbanos. Ao longo deste artigo o objetivo é observar a formulação de projetos e a implementação dos mesmos para a geração de novos espaços e processos inteligentes.

É importante ressaltar que embora a gestão pública seja um dos principais vetores na promoção e implementação das Smartcities, ela não é exclusiva e a iniciativa privada possui um importante papel no processo.

Dinâmicas Smart.

As empresas podem e devem participar da criação dos espaços inteligentes através da inovação e do desenvolvimento. O que não necessariamente indica a necessidade de aplicar elevados recursos em pesquisa, mas avaliar seus processos internos e promover uma reformulação dos mesmos, além de participar das transformações da cidade.

Cada centro urbano possui suas próprias dinâmicas e desafios, e as empresas inseridas nesse contexto não podem permanecer inertes, aguardando apenas as ações governamentais, mas devem participar na formulação de novas soluções e na transformação do meio.

As relações laborais e os processos produtivos também devem ser reformulados dentro de uma dinâmica inteligente e não somente como resposta a uma mudança na legislação. As empresas devem gerar valor não somente para seus produtos, mas também para o meio no qual operam, já que a competitividade global alcançou tal ponto que a especialização de uma região se transformou em um fator de competitividade e a integração dos diferentes setores promove polos ou clusters de cooperação local, onde o desenvolvimento de um dos atores influencia no resto.

Para gerar processos inteligentes é necessário contemplar a realidade e atuar sob a mesma de forma ativa. Por esse motivo as bases dos projetos de Smartcity vão além das políticas públicas e se concentram nas dinâmicas dos próprios espaços urbanos.

Sendo assim, a implementação desses projetos está sujeita a:

– Conhecer as dinâmicas sociais e econômicas do espaço urbano;

– Detectar os desafios e problemas;

– Identificar o potencial dos diferentes atores;

– Estimular a reformulação e a inovação dos processos.

Mapa Smartcities.

Desse modo, um projeto de Smartcity não necessariamente significa um alto investimento público ou privado, mas sim uma reformulação da própria dinâmica das cidades e um conhecimento mais aprofundado dos seus processos, de modo que, ao alterar um deles, toda a dinâmica da cidade é afetada (Algo diferente do que acontece com intervenções isoladas, tais como os bairros e condomínios inteligentes, ou a instalação de serviços básicos em pontos determinados, por exemplo).

Tanto o setor público quanto o setor privado possuem um papel importante nesse processo, porém a base de toda essa transformação é o próprio conhecimento que cada um dos atores detém da cidade, ou seja, é a inteligência por detrás desses processos.

E desse modo, uma cidade pode ser inteligente sem necessariamente ser um polo de alta tecnologia, ou uma metrópole, mas sim um espaço urbano onde suas dinâmicas estão integradas e harmonizadas, direcionadas para o desenvolvimento. O setor público pode incentivar a interação dos diferentes atores do cenário urbano e promover estímulos, tais como o empreendedorismo ou parcerias; já o setor privado pode promover a colaboração, novas demandas e novos processos para a cidade. A verdadeira inteligência surge da interação dos atores urbanos e não da ação isolada de um deles.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Processos inteligentes” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/44/Creative_and_Smart_City.jpg

Imagem 2 Dinâmicas Smart” (Fonte):

http://2.bp.blogspot.com/-e1xqVy7XHT8/VZ03eyqvIzI/AAAAAAAADik/zQHpfowa3mo/s320/smart%2Bcity%2B8%2Bparameters.jpg

Imagem 3 Mapa Smartcities” (Fonte):

http://icity.hccg.gov.tw/userfiles/2300/images/icf.jpg

BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Tempo de reavaliação na política da União Europeia[:]

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Apesar da ampla vantagem obtida pelo candidato francês Emmanuel Macron frente a sua adversária Marine Le Pen nas eleições, a situação política da França e da União Europeia ainda estão longe de uma resolução final, sendo esta vitória apenas um tempo de prorrogação, no qual a União Europeia deve fazer uma reavaliação tanto do cenário interno como externo e analisar os fatores que levaram o Bloco a situação atual e promover as mudanças necessárias para recuperar a credibilidade do projeto europeu e da integração da Europa.  

As eleições na França não foram as únicas que evidenciaram a instabilidade política da região. A situação já se havia repetido na Espanha, na Itália, na Áustria e nos Países Baixos. Assim mesmo, os processos sociais e políticos presentes em todos os comícios realizados no Bloco ao longo dos últimos dois anos possuem raízes comuns ou formação similar.

Por um lado, a pressão econômica fruto da austeridade imposta pelo Banco Central Europeu como forma de superar a crise econômica internacional, forçou os países da Europa a realizarem uma série de reformas que impactaram nos índices sociais e na prestação de serviços; por outro lado a instabilidade regional colocou em evidência as divergências e assimetrias intrínsecas do Bloco, promovendo uma onda de discursos nacionalistas e manifestações populares, somando-se a esse cenário as modificações no panorama regional e internacional, como as tensões com a Rússia, a saída do Reino Unido do Bloco, a gestão de Donald Trump, a Guerra na Síria e as pressões migratórias, além do próprio realinhamento global.

Nem mesmo na França a palavra final foi dada, já que as eleições legislativas que vão ocorrer no próximo mês de junho podem reduzir a força do candidato eleito e lhe obrigar a estabelecer alianças políticas.

As eleições na Alemanha apresentam certa estabilidade e, segundo as últimas pesquisas, o candidato da Presidência será eleito. Ainda assim, cabe analisar se o posicionamento da maior economia da Europa continuará sendo o mesmo, tanto a nível interno como em sua interlocução com os Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.

Outro fator que pode afetar o cenário europeu é a chegada do verão e o aumento substancial no fluxo de imigrantes e refugiados que atravessam as aguas do Mediterrâneo e geram discussões entre os países receptores e os demais países da União Europeia (UE), além de uma crescente pressão internacional.

Sendo assim, o futuro da Europa em pleno aniversário de 60 anos do Bloco ainda é incerto. A vitória da França não supõe o fim das tensões e desafios, mas sim uma prorrogação de 5 anos na qual a União Europeia deve avaliar sua situação e buscar soluções capazes de viabilizar seu projeto de integração.

A Europa deve avaliar sua política em relação aos fluxos de financiamento interno. Analisar os exemplos de reformas que funcionaram em alguns países como Portugal, mas em outros produziram uma profunda crise social e política, como no caso da Grécia. Deve repensar seu posicionamento no mundo e nos fluxos globais, assim como sua participação em temas de interesse humanitário como a Guerra da Síria ou o avanço do Estado Islâmico nos países do Norte da África. Deve buscar um equilíbrio dentro de uma realidade poli segmentada com diversas rupturas e tensões.

Parece que uma das vias que encontrou o Bloco europeu de aumentar sua credibilidade foi apoiando a restruturação do Mercosul e negociando um Acordo de Livre Comércio entre ambos, promovendo, dessa forma, um aumento dos investimentos europeus nos países da América do Sul e, ao mesmo tempo, facilitando o trânsito de mercadorias. Segundo autoridades de ambos lados, o Acordo deve ser publicado no final deste ano (2017).

A gestão dos Estados Unidos se transformou na antítese do projeto europeu, pois o isolacionismo e unilateralismo defendido por Donald Trump é contrário aos princípios que condicionam a União Europeia, algo que está forçando o grupo a reavaliar suas relações com a potência americana. Por outro lado, o Reino Unido começa a dar sinais de divisões entre aqueles que votaram a favor da cisão com a União Europeia. Os fatores que pressionam a UE são muitos e o Bloco possui 5 anos para avaliar cada um deles, bem como promover mudanças, caso contrário será um território fértil para o acirramento dos nacionalistas e eurocéticos.

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Imagem 1 Macron festejando a vitória” (Fonte):

http://static.euronews.com/articles/364195/640x360_364195.jpg

Imagem 2 Parlamento Europeu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Hemicycle_of_Louise_Weiss_building_of_the_European_Parliament%2C_Strasbourg.jpg

Imagem 3 Blocos Econômicos” (Fonte):

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[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

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Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para a internacionalização das empresas, reiterando que o conceito de internacionalizar uma organização não é apenas a realização de uma transação internacional (comércio exterior), mas um processo de adaptação da mesma para sua inserção no mercado internacional.

Desenvolver uma estratégia de mercado é fundamental nesse processo, além de preparar a empresa em todas as suas esferas. Desde o produto aos recursos humanos, toda a infraestrutura da empresa deverá se adaptar a essa nova realidade, mas muitas corporações não sabem quais são os primeiros passos que devem realizar e como devem proceder perante essas mudanças.

Cabe ressaltar que a aprendizagem empresarial é algo fundamental para o processo de internacionalização e que as empresas devem estar dispostas a realizar as mudanças necessárias, ao mesmo tempo que devem adaptar suas atividades, seus valores e seus objetivos à realidade internacional. Aquela que não realiza essas adaptações está condenando o futuro de todos seus projetos e limitando suas próprias possiblidades.

Atuar no mercado internacional é como começar do zero. Um novo mercado, uma nova legislação, padrões de consumo distintos, uma nova realidade. Nesse sentido, a informação se transforma em um recurso importante, assim como a capacidade de absorção das empresas.

Certo é que cada setor possui suas próprias características e que muitas delas irão se refletir ao longo do processo de internacionalização, porém existe uma série de passos que toda empresa pode realizar para facilitar o processo, dentre os quais podemos destacar:

– Definir metas e objetivos: uma empresa que deseja desenvolver uma estratégia internacional deve ter muito claro quais são seus objetivos. Embora seja importante a busca de novas oportunidades ao redor do mundo, ela deve manter sempre o controle de seus objetivos e, dessa forma, não ceder aos ditados do mercado internacional.

– Buscar orientação e assessoria: A empresa dificilmente irá conseguir realizar o processo de internacionalização sem a orientação de um profissional especializado ou de uma assessoria externa. Existem organismos tanto públicos quanto privados que lhes auxiliam durante todas as etapas do processo de internacionalização.

– Adaptação da empresa: Uma organização que deseja se internacionalizar deve se adaptar à realidade internacional. Precisa disponibilizar sua página web, catálogos e apresentações em um segundo idioma, pois é algo prioritário para se apresentar ao mundo; tem de capacitar seus recursos humanos na aprendizagem de uma nova língua, ou realizar a contratação de novo pessoal; deve avaliar os processos internos e como estes serão afetados pela internacionalização da empresa; além disso, adaptar seus valores, objetivos e a missão da empresa a nova realidade; bem como de ampliar sua rede de informações e networking.

– Benchmarking: Conhecer a atuação de outras empresas do setor no mercado internacional pode ser importante. Da mesma forma, é fundamental conhecer a atuação das empresas do setor nos países ou nos mercados que deseja acessar. A corporação não pode se alimentar somente das informações cedidas pelas assessorias e por órgãos oficiais, ou por publicações, é necessário que a mesma realize diversas prospecções de mercado – que podem ser orientadas pelo consultor ou assessor que está lhe auxiliando no processo de internacionalização – sendo esta uma forma de obter uma perspectiva personalizada do mercado internacional.

Essa ferramenta será importante não somente na adaptação da empresa, mas também no processo de reconhecimento do mercado e das especificidades da demanda. As missões empresariais realizadas por algumas empresas, consultorias e agências públicas são eficientes nesse sentido, já as feiras de negócios possuem um caráter mais comercial, embora também sejam uma fonte importante de conhecimento de mercado.

– Buscar orientação jurídica: Uma empresa deverá realizar uma série de adaptações para poder atuar no mercado internacional. Cada país possui suas próprias exigências, assim como as autoridades brasileiras possuem ferramentas próprias destinadas às empresas que operam no exterior. Desde a exportação, à remessa de dividendos, todos esses conceitos supõem uma nova realidade para a corporação.

– Aprendizagem interna e externa: Muitas empresas falham no processo de internacionalização devido a uma má assessoria ou a falta de adaptação de sua estrutura. Várias não concluem o processo e acabam se transformando em “aventureiras internacionais” que vivem na busca contínua de oportunidades de mercado, permanecendo sob as rédeas das oscilações do mercado global, das divisas e das mudanças geopolíticas.

É importante para empresa promover um sistema de aprendizagem tanto interno quanto externo. Interno no que se refere a adaptação da mesma e a sua capacidade de resposta e definição de uma estratégia; externa no que se refere aos próprios desafios da internacionalização e aos atores que atuam no processo.

Entre todos esses passos talvez seja importante reiterar que as empresas saibam, desde já, que, mesmo solicitando assessoria, existem perfis diferentes de profissionais e poucas são as firmas ou organizações que oferecem uma assessoria completa. A corporação necessita de pessoas que conheçam o processo de internacionalização (consultores internacionais e assessorias especializadas), em alguns casos que dominem conhecimentos sobre o processo de exportação e importação (profissionais experientes em comércio exterior), e pessoas com competência para atuar no direito internacional (advogados e consultores jurídicos). Infelizmente, o que muitas acabam fazendo é concentrar todo o projeto em apenas um profissional, algo pouco funcional e por vezes arriscado.

Embora à primeira vista possa parecer um projeto complexo e demorado, na verdade se trata de um processo contínuo, uma forma de promover um maior controle estratégico para a organização e consequentemente melhores resultados. Do contrário – que infelizmente ainda acontece com muitas ocasiões – o que temos são empresas pouco preparadas que devem sobreviver não somente às oscilações do mercado nacional, como também do mercado internacional. No caso brasileiro, essa situação é numerosa e faz com que o número de casos de êxito de empresas brasileiras internacionalizadas seja ainda pouco expressivo, se comparado com outros países em desenvolvimento, como a China ou a Índia.

O Brasil está classificado no ranking internacional realizado pelo Banco Mundial como um dos países mais burocráticos do mundo, sendo assim, se as empresas conseguem sobreviver a este mercado, sem dúvidas, com preparação, orientação e adaptação certamente vão conseguir conquistar o mercado internacional.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Internacionalização Compondo o Mundo” (Fonte):

http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/Image/ascom/noticias/internacionalizacion.jpg

Imagem 3 Internacionalização Processo” (Fonte Autor):

Slide próprio

Imagem 4 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro uma poucas as empresas brasileiras que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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