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[:pt]A Europa e os ecos do Oriente[:]

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A parte oriental do continente Europeu – Mais conhecida pela denominação geopolítica de Europa do Leste – sempre foi um ponto de tensões e instabilidade devido ao atrito entre povos e nações que passaram pela região. Desde tempos remotos, ela tem sido utilizada como porta de acesso terrestre ao continente, além de cenário de guerras entre diversas culturas e civilizações, a citar os hunos, otomanos, mongóis, russos e outros povos categorizados como bárbaros, demonstrando que foram muitos os que usaram esse caminho.

Por esse motivo, a formação territorial da região reflete bem seu passado de tensões e atritos, oscilando sempre entre dois mundos, o ocidental e o oriental, e reunindo em um pequeno território grande parte da dualidade que paira sobre todo o globo, bastando apenas uma pequena fagulha para começar uma guerra na região ou aumentar tensões históricas muitas vezes esquecidas, ou negligenciadas pela comunidade internacional.

Por diversas ocasiões foi na Europa do Leste onde o mundo enfrentou o dualismo e rivalidade entre as nações. Foi nesta área onde Roma foi atacada por diversas vezes e depois dividida; onde, posteriormente, Constantinopla fora travada e depois foi convertida ao islã, tentando ampliar sua influência e dando fama aos embates por diversas regiões, sendo uma delas a Transilvânia. Foi lá onde o império mongol – maior império da história da humanidade – conheceu seus limites. É a região onde começou a primeira Guerra Mundial e onde o mundo construiu uma fronteira humana, dividindo-se – tanto como em Berlim – entre capitalismo e comunismo, reforçando mais uma vez o dualismo que vive e deu forma à região.

Embora seja testemunha da evolução histórica do continente europeu, a Europa do Leste não representa em si um ponto de gravidade no continente, mas, sem dúvida, um importante bastião que se acredita dever ser vigiado de perto. E é por esse motivo que a União Europeia está cada vez mais preocupada com os acontecimentos na região, dentre eles, a consolidação da União Euroasiática, que surge como uma alternativa para o avanço da própria União Europeia; a vitória do líder conservador Edorgan, na Turquia; as tensões na fronteira dos países da antiga Iugoslávia e na região dos Balcãs; a tensão engessada da crise da Crimeia; os movimentos políticos da Rússia e, por último, as mudanças em países que pertencem ao Bloco, mas são influenciados pelos acontecimentos da região, tais como a Hungria e a Polônia. A situação chegou a um ponto no qual o Conselho Europeu discutiu sobre a atuação de ambos países e seus respectivos posicionamentos frente aos valores que dão forma ao Bloco, ameaçando, no caso da Hungria, intervir na hipótese de o Governo continuar promovendo leis e discursos opostos aos princípios da UE.

Muitos são os fatores que colidem nessa parte do mundo e a União Europeia se sente pressionada pela atual conjuntura na qual se encontra, já que, por um lado, a imprevisibilidade de Donald Trump se reflete nas ações da OTAN, por outro lado, a crise dos refugiados tende a se intensificar durante o verão, aumentando as pressões populares e as crises na área.

Já o cenário político da União Europeia está marcado pelas eleições na França, que se aproximam e possivelmente devem chegar ao segundo turno, e, no final do ano, pelas eleições da Alemanha, algo que engessa todo o processo político da região, já que afeta os principais membros, dificultando a tomada de decisões, além de levantar o alerta para o crescimento do nacionalismo e populismo de direita, que, por sua vez, se caracterizam pelo discurso eurocético.

Qualquer pequena mudança parece desencadear um efeito dominó e tudo indica que o tabuleiro volta a se posicionar justamente na Europa do Leste e nas suas proximidades, tanto da Rússia como da Turquia, e em como os processos políticos da região vão se refletir na realidade europeia.

Outro ponto importante relacionado a essa tensão regional se deve a questão Síria e ao posicionamento das potências mundiais nessa parte do mundo. Acrescente-se ainda que a Europa do Leste é onde se localizam as maiores assimetrias da Europa, mas também é o único espaço geográfico pelo qual o Bloco pode se expandir, sendo outro paradoxo do seu caminho. Seja como for, é importante para a Europa analisar cada passo e movimento que ocorre na área, já que os ecos do Oriente podem ser maiores do que esperado.

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Imagem 1 Europa do Leste” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Eastern-Europe-small.png/300px-Eastern-Europe-small.png

Imagem 2 Europa em chamas” (Fonte):

http://www.barenakedislam.com/wp-content/uploads/2016/07/Brexit-Angela-Merkel-683224.jpg

Imagem 3 Mapa com representação dos partidos na Europa, por composição de representação municipal” (Fonte):

http://3.bp.blogspot.com/-0FxIY0oWc8o/U4R5yjMmxkI/AAAAAAAAJm4/lkq9VJUirW4/s1600/mapa+da+europa.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Internacionalização II: o desafio do Mercado Global[:]

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O mundo globalizado permitiu com que as empresas atuem além de suas fronteiras, gerando diversas possibilidades, mas, também, desafios. As firmas que desejam operar no mercado mundial devem não somente desenvolver uma estratégia de ação internacional, como também se preparar para o mercado global, além de compreender os processos e dinâmicas que fazem parte da realidade internacional.

Nesse sentido, conhecer o fato da política internacional vai além da compreensão da atuação do principal ator político nas relações internacionais (os Estados), pois, para que a empresa possa desenvolver suas atividades, ela deverá conhecer os elementos internos do lugar em que atuará, a sua legislação, além dos acordos que existem e da dinâmica regional. Não é igual atuar em um país do Mercosul e em um país da Europa, e, mesmo dentro das diferentes regiões, existem subdivisões que devem ser conhecidas.

Por esse motivo, as empresas deixam de ser meros agentes econômicos e se transformam em atores do cenário internacional, já que sua atuação vai além da realização de suas atividades, pois, de certa forma, acabam se transformando em representantes de seu Estado de origem e, muitas vezes, são usadas com esse fim por outros atores.

Desse modo, pode-se dizer que uma empresa que passa pelo processo de internacionalização deve estar preparada não somente para enfrentar os desafios produtivos e referentes a sua atividade fim, mas, também, deverá estar preparada para atuar sob a pressão de novos fatores, sejam eles políticos ou econômicos.

Outro elemento que sem dúvidas também deve ser levado em consideração pela empresa é o componente sociocultural, não somente pela sua importância na realização das atividades da corporação empresarial e da conquista de seus objetivos, mas também pelo seu papel na própria organização da empresa, bem como pela sua participação na criação das novas dinâmicas que envolvem a mesma.

Dessa forma, podemos reiterar que o processo de internacionalização de uma empresa vai além de uma mera transação de compra ou venda no mercado mundial. Trata-se de um processo complexo que requer uma estratégia que leve em consideração todos os componentes que irão incidir sobre a empresa, seja em suas atividades, vistas sob um ponto de vista produtivo, seja na conquista de seus objetivos.

Conhecer e atuar em um país estrangeiro supõe descobrir uma nova realidade, onde as dinâmicas e processos sociais, políticos e econômicos podem ser muito diferentes do país natal da corporação empresarial, o que em nenhum momento vai limitá-la, pelo contrário, irá abrir as portas para o mundo.

Uma corporação que se prepara para atuar no mundo globalizado sabe que seus competidores estão além de suas fronteiras, que a tecnologia avança rapidamente mais a frente da inovação, que o mercado de consumo, embora cada vez mais globalizado, possui diversas particularidades em cada um dos países. Por esse motivo, no mercado internacional o grande diferencial empresarial não é o produto em si, mas o grau de conhecimento que se detém. Quanto melhor uma empresa é capaz de responder e de compreender os fatores globais, melhor será o resultado de sua estratégia e, consequentemente, seu resultado operacional.

No Brasil, foram poucas as empresas que passaram por esse processo, dentre elas, podemos citar a Embraer, a Marco Polo e a Petrobrás, e poucas foram as que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo. Porém, atualmente, esta realidade está mudando e, pouco a pouco, pequenas e médias empresas se preparam para dar seus primeiros passos no mercado internacional, visando a conquista de negócios pelo mundo

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo, em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 A Toyota é uma das maiores corporações multinacionais do mundo com sede no Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Multinational_corporation#/media/File:Toyota_Headquarter_Toyota_City.jpg

Imagem 3 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSociedade Internacional

[:pt]Europa isolada[:]

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Após uma relação conturbada que começou na antiga Comunidade Econômica Europeia em 1973, o Reino Unido deu início ao processo de separação, conforme disposto no Artigo 50 do Tratado da União Europeia, sendo o primeiro país a se divorciar do Bloco.

O panorama político europeu entrou em declínio após a expansão da crise financeira internacional. As tensões entre os países foram aumentando à medida que novos desafios foram surgindo no cenário regional, destacando-se, dentre outros: a crise da Crimeia e as tensões com a Rússia; a Guerra na Síria e o desafio de acolher milhares de refugiados; os ataques terroristas, com o acirramento da xenofobia e da intolerância religiosa; a perda de benefícios sociais; o ressurgimento de discursos nacionalistas carregados de um novo populismo; as cobranças do sistema internacional; um novo alinhamento econômico, direcionado ao eixo do Pacífico; o fracasso nas negociações para a formação da Parceria Transatlântica; e os atritos com a nova gestão dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que a Europa reúne em seu território diversas questões do cenário internacional, paira sobre o Bloco Europeu o sentimento de que o mesmo está cada vez mais isolado e que este é um momento chave para o seu futuro, que deve fomentar uma maior integração, a fim de enfrentar os desafios do panorama internacional, ou encarar a fragmentação da União Europeia e as consequências que isso pode gerar.

A complexidade do panorama europeu dificulta a realização de previsões, pois a todo momento surgem fatores que se somam aos desafios que a região enfrenta. As eleições em diversos países atuam como termômetro político e redesenham a balança de poder; e as manifestações sociais indicam o acirramento de questões delicadas, como é o caso da dificuldade que enfrentam os governos de produzirem mudanças na relação com as demais potências, algo que é afetado tanto pela instabilidade local, como pela internacional.

Temas que antes poderiam ser pequenos se transformam em focos de tensão, tais como a questão de Gibraltar e da Escócia, que desejam permanecer na União Europeia, mesmo após o Brexit; ou as mudanças políticas nas regiões periféricas tais como a Europa do Leste e a região dos Balcãs.

Mas, sem dúvidas, o tema de maior relevância e a verdadeira prova de fogo da União Europeia são as eleições na França e, posteriormente, na Alemanha, pois, mesmo que os candidatos eurocéticos não ganhem o pleito eleitoral, um aumento de sua representatividade pode ter um efeito catastrófico no Bloco, dificultando qualquer medida que busque uma recuperação da confiança pública e o fortalecimento da União Europeia.

Outro fator importante nesse cenário são as relações com as demais potências mundiais e a dificuldade de gerar um consenso e discurso comum, frente a uma relação cada vez mais difícil com os Estados Unidos e a um aumento latente das tensões com a Rússia.

A Europa está sendo pressionada por fatores internos e fatores externos, não havendo no horizonte uma solução fácil. As assimetrias que existem no Bloco continuam pressionando qualquer tentativa de integração, o cenário internacional pressiona o continente tanto no aspecto político quanto no econômico e as sociedades europeias estão cada vez mais divididas. Mesmo com a recuperação econômica da região, os efeitos negativos das políticas de austeridade dos últimos anos e das mudanças políticas persistem.

Frente a esse cenário, não é de estranhar que alguns especialistas e políticos já consideram o fim da União Europeia como uma possível realidade, tais como declaram o líder do partido eurocético britânico Nigel Farage, ou a candidata à Presidência da França, Marine Le Pen.

São vários os fatores que podem determinar uma mudança dentro da União Europeia, e não existem dúvidas de que a mesma deve se reformular e se renovar, caso contrário enfrentará o processo de encerramento de um projeto em pleno ano do aniversário do Tratado de Roma.

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Imagem 1 Puzzle UE” (Fonte):

http://www.pravos.unios.hr/images/eu_v.jpg (Link deve ser copiado e colado)

Imagem 2 Localização de Gibraltar (em vermelho) / Localização na União Europeia (em branco) / Localização na Europa (em cinza)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gibraltar

Imagem 3 Marine Le Pen ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marine_Le_Pen

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalDEFESAEUROPAPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Segurança na Europa: uma matéria pendente [:]

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O atentado perpetrado em pleno centro de Londres nas portas do Parlamento Britânico se soma a uma lista trágica de ataques que vem se repetindo em importantes cidades da Europa. Dentre outras, Bruxelas, Paris, Berlim e Nice. A segurança nas principais cidades europeias e as medidas tomadas pelos Estados não foram efetivas no combate ao terrorismo internacional, aumentando os reflexos na opinião pública em relação a temas sensíveis, tais como a migração, o auxílio aos refugiados, o respeito às diversidades cultural e religiosa, e as políticas de segurança pública.

A segurança da Europa sempre foi uma matéria pendente de discussão. O continente nutriu desde a Segunda Guerra Mundial uma forte dependência dos Estados Unidos para proteger a Europa frente as ameaças internacionais. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se transformou na salvaguarda da Europa, embora a participação dos países europeus na manutenção da organização tenha começado a ser questionada na Era Obama – após a Crise Financeira Internacional e a Crise Síria –  e voltado a ser tema de discussão com a gestão de Donald Trump. O mandatário americano mencionou abertamente em redes sociais o débito da Alemanha nesse setor, além de mandar o recado para os demais países da Aliança, o que gerou um alerta na região para que se voltasse a discutir a criação de um Exército Europeu.

A União Europeia trabalhou no projeto de criação de um Exército Europeu, mas as assimetrias entre as suas unidades, a instabilidade política e a crise enfrentada pelos os países do Sul inviabilizaram a concretização do projeto. Atualmente, o mesmo tema voltou a pauta, após o aumento das pressões da OTAN. Por outro lado, embora exista uma Polícia Europeia, a Europol, a mesma não possui a autonomia necessária para garantir a integração dos serviços de segurança pública, nem a capacidade de fazer uso da força coercitiva sem ultrapassar a jurisprudência das próprias polícias locais de cada país.

Mesmo que seja patente a necessidade de discutir a segurança tanto internacional quanto pública na Europa, a situação política do continente e o aumento das divergências colocam em segundo plano a questão da segurança, transladando o mesmo para o âmbito nacional de cada país. Até mesmo o posicionamento da Europa em temas internacionais, como a situação da Síria, diverge de nação para nação, além das políticas de combate ao terrorismo, onde, mesmo havendo uma diretiva comum, cada país aplica-a de forma diferente e toma decisões de maneira autônoma.

O terrorismo é como uma quimera, possui diversas faces e se expande pelo mundo usando as próprias facilidades geradas pela globalização. Existem diferentes espectros e dimensões desse fenômeno, sendo cada dia mais difícil o combate eficiente ao terror. Frente a essa situação, muitos países adotam medidas radicais, gerando a criminalização das supostas fontes do terrorismo, tais como o Islã, sem diferenciar o extremismo religioso da vivência religiosa, o fundamentalismo da cultura, sendo que essa própria marginalização é uma fonte poderosa que alimenta uma nova cara do terrorismo, que alista diariamente jovens deslocados e não inseridos socialmente, os quais são atraídos pela inerente necessidade humana de se encaixar em um grupo e se reconhecer socialmente.

Outro fator importante e por vezes ignorado é a própria realidade demográfica das nações afetadas e sua partição recente na formação territorial de países onde, hoje, o terrorismo é uma realidade.

O combate ao terrorismo precisa abranger as diferentes dimensões que o geram. A segurança deve agir de forma estratégica para não gerar efeitos sociais catastróficos e aumentar as tensões sociais e, consequentemente, políticas. Ao final, “A guerra é a continuação das relações política por outros meios”, conforme dizia Clausewitz.

Por esse motivo, o combate ao terrorismo na Europa precisa ser encarado por diferentes ângulos. Por um lado, o continente deve ampliar a integração dos serviços de inteligência e dos órgãos de segurança pública; avaliar o real impacto social das políticas que afetam a população, sejam elas políticas de integração de estrangeiros, ou políticas sociais em geral; definir uma estratégia comum para combater o terrorismo (que não conhece fronteiras e nem entende de blocos regionais). Por outro lado, deve também ampliar sua atuação, não somente nas comunidades passíveis de serem aliciadas pelo terrorismo, mas, também, nas nações vizinhas que alimentam essa máquina devido a sua incapacidade econômica ou de infraestrutura, fornecendo a elas inteligência europeia para o combate ao terrorismo, vendo assim o vizinho como um colaborador e não como um possível inimigo na questão do terrorismo internacional.

É um tema que, sem dúvidas, deve ser discutido não somente pelos líderes de Estado e no âmbito da segurança, mas também no âmbito público, econômico, social, jurídico etc. Dessa forma, será possível criar uma Hidra capaz de combater a Quimera que aterroriza a Europa e ameaça o mundo inteiro.

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Imagem 1 Mapa político de países membros da União Europeia e da OTAN” (Fonte):

https://conceptdraw.com/a1130c3/p1/preview/640/pict–political-map—eu-and-nato-european-membership-of-the-eu-and-nato-map.png–diagram-flowchart-example.png

Imagem 2 Reunião da OTAN” (Fonte):

https://nato-uniform.com.ua/images2/NATO-logo.jpg

Imagem 3 Atentados de 22 de julho de 2011 na Noruega” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terrorismo

Imagem 4 General Carl von Clausewitz” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_von_Clausewitz

Imagem 5 Héracles mata a Hidra de Lerna Por FrançoisJoseph Bosio / Museu do Louvre” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidra_de_Lerna

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[:pt]A nova tentativa de restaurar a União Europeia e o aniversário do Tratado de Roma[:]

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Desde a última cúpula realizada em Bratislava, no dia 16 de setembro do ano passado (2016), o cenário político europeu avançou muito pouco e as tentativas de restaurar o Bloco continuam sob a pressão de fatores internos e externos. A União Europeia (UE) voltou a crescer economicamente e todos os países registram taxas de crescimento positivo do PIB, porém, as pressões financeiras são maiores que os benefícios que deveriam ser proporcionados pelo crescimento da economia.

Observando o cenário de forma ampla, verificam-se várias coisas: que as políticas de austeridade ditadas pela União afetam a qualidade de vida de grande parte dos cidadãos dos países europeus; que as reformas impopulares aumentam as tensões internas e avivam o nacionalismo em todas suas nuances, em diversos países; que as mudanças no cenário internacional obrigam a União a reavaliar sua política externa; que os discursos de novos líderes ameaça a integração regional; e que a mudança política registrada em diversos locais do mundo modificaram a balança de poder global, levando ao reposicionamento europeu, além da já citada mudança de sua política externa. Por isso, o grande movimento de restauração que deveria se iniciar após a Cúpula de Bratislava sucumbiu, antes mesmo de dar a partida.

Diante de todos estes fatores, líderes dos 27 países da União Europeia se reuniram no dia 10 de março, em Bruxelas, para discutir novamente medidas e projetos de restauração do Bloco. Esta foi a primeira reunião sem a participação total do Reino Unido, cuja Líder esteve apenas em uma parte do evento e não nas discussões sobre o Bloco.

Outros pontos relevantes do encontro foram: a proximidade do aniversário de 60 anos do Tratado de Roma, sendo este o marco inicial da União Europeia; as assimetrias existentes internamente, que voltaram a ser o principal tema de discussão; e a formação interna dos grupos de Estados, que aumentam as desigualdades entre os membros.

A Europa, antes dividida geoeconomicamente entre leste e oeste, norte e sul etc., hoje apresenta um mosaico de grupos cujos ajuntamentos em pequena escala aumentam de forma proporcional a crescente desunião do Bloco mãe. Os países já se posicionam e começam a se articular politicamente em grupos, o que pode indicar uma desfragmentação regionalizada do Bloco europeu, por exemplo, em Países Bálticos, Benelux, Países Mediterrâneos, Países Alpinos, Países do Leste, e outros mais que possam surgir. A União Europeia, aos poucos, se transformou em um quebra-cabeças de microblocos, algo que o Conselho Europeu* considera que deve ser evitado, mas que admite já existir desde a formação da União, conforme palavras do próprio Presidente do Conselho, o polonês Donald Tusk, citando exemplos como o Tratado de Schengen  ou a Zona do Euro.

Mesmo a Presidência do Conselho Europeu reflete a divisão que existe na Europa. O atual Presidente, que defende uma maior integração da União e a redução das desigualdades internas, confronta diretamente o posicionamento do seu país natal, a Polônia, que defende a criação de grupos especializados de Estados dentro da União.

Por sua vez, o Presidente da Comissão Europeia (o Poder Executivo, o Governo da União Europeia, propriamente dito) também tratou de reforçar a mensagem de integração, mas sem limitar os países às políticas do Bloco, evidenciando uma maior flexibilização das instituições como forma de manter certa coesão regional e, aos poucos, instaurar novas políticas de integração que atuem como uma base para todos os países.

Diante do posicionamento dos dois principais cargos da União Europeia, a tentativa de controlar o seu maior fantasma – que é a desfragmentação – se transformou no principal objetivo da UE, mesmo que seja necessária uma reconfiguração.

Outros assuntos igualmente relevantes foram discutidos, tais como as tensões com a Rússia, os desentendimentos e tensões com o Governo Trump, a segurança internacional e o posicionamento da Europa nos próximos anos, mas são os acontecimentos que fazem de 2017 um ano vital para o futuro da União Europeia (as eleições na França e na Alemanha, além dos novos fatores presentes no cenário global que modificam a balança de poder), aquilo que pode obrigar o Bloco Europeu a aceitar sua própria reconfiguração.

Conforme se pode observar, tal reconfiguração está se mostrando necessária devido ao temor de uma total desfragmentação causada pela soma desses fatores, gerando uma União Europeia ainda existente, mas constituída de vários Blocos internos, sendo este um cenário que cada vez mais se apresenta no horizonte.

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Notas:

* É o órgão político mais alto da União Europeia, embora não seja o seu Executivo, sendo constituído por Chefes de Estado ou de Governo dos países membros da União, acrescido do Presidente da Comissão Europeia, que é exerce o Poder Executivo do Bloco, o seu Governo, propriamente dito. Dentre as suas funções está a de definir a agenda política da UE, de maneira que especialistas o tem como o motor da integração, uma vez que, apesar de não ter poderes formais, detém influência com os dirigentes nacionais. Além disso, o Conselho tem recebido novas funções, como, por exemplo: resolver questões pendentes de discussões num nível mais baixo da União; ser liderança na política externa, apresentando uma postura como “Chefe de Estado Colegiado da UE”; estar presente na negociação de Tratados do Bloco; e ratificar documentos importantes.

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Imagem 1 Museus Capitolinos, em Roma, onde foi fundada a CEE em 1957” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Roma_(1957)#/media/File:EU_Roma_Musei_Capitolini_hall.jpg

Imagem 2 Sede da Comissão Europeia O Poder Executivo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

Imagem 3 Nova sede do Conselho Europeu em Bruxelas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia#/media/File:494-R01.jpg

Imagem 4 Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

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ÁSIABLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A Nova Rota da Seda Chinesa: uma esperança para a Europa[:]

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Em momentos de crises, tais como os vividos na Europa desde 2008 até 2016, grandes transformações ocorrem nas mais diversas esferas do poder. Sejam tais transformações políticas, sociais, tecnológicas ou ideológicas, o certo é que a crise funciona como um gatilho que impulsiona profundas mudanças no cenário no qual ela se desenvolve, havendo sempre um antes e um depois, pois os atores implicados são forçados a buscar uma resposta e muitas vezes são levados a inovar ou a avaliar novas opções.

A crise na Europa resultou em uma série de mudanças no cenário local, assim como na política externa europeia. O continente, que durante muito tempo teve sua economia direcionada para o eixo do Atlântico, aumentou suas parcerias com os países asiáticos, principalmente com a China e Índia, fortalecendo o eixo asiático.

A China, por outro lado, soube entender a situação europeia e a fragilidade econômica de diversos países da Europa, para, pouco a pouco, se inserir no mercado europeu, principalmente mediante a compra de empresas consagradas, bem como participando de projetos públicos e fazendo novas parcerias. Assim, não é de estranhar que foram os países do Mediterrâneo a principal porta de entrada da China na economia europeia, mediante a aquisição de marcas como FENDI, PIRELLI, UCI Odeon, Alcatel Mobile, Granada FC, Espanyol F.C., Atlético de Madrid, Inter de Milano etc., mostrando que os investimentos chineses são diversificados e massivos.

Como reflexo dessa inserção da China no mercado europeu, o comércio e as comunicações entre ambas regiões aumentaram nos últimos anos. Atualmente, o chinês é uma das línguas mais estudas na Europa, com um aumento anual de 20%, além disso, o número de alunos de intercâmbio também aumentou e a China, após os próprios países europeus e os EUA, já é o maior destino de intercâmbio da Europa, de forma que toda as grandes capitais europeias já possuem voos diretos para diversas cidades chinesas, além de conexão com os principais portos e até mesmo conexão por trem.

A primeira linha ferroviária entre um país europeu e a China é a que faz o trajeto Madrid- Yiwu, de aproximadamente 13.052 km, em 30 dias, sendo, atualmente, o maior trajeto percorrido do mundo. A conexão por trem entre a China e a Europa reduz o tempo de viagem em aproximadamente 10 dias, porém conta com uma série de dificuldades, tais como a diferença da bitola* entre os países, as condições climáticas da Ásia Central e a burocracia dos Estados que não estão inseridos em Acordos Regionais ou Acordos Bilaterais. Ainda assim, o Governo chinês aposta na viabilidade do transporte ferroviário e novas linhas já estão em funcionamento, além de outras que vem sendo planejadas.

Em janeiro de 2017 partiu o primeiro trem que une a cidade de Yiwu a Londres, percorrendo mais de 18.000 km, em apenas 18 dias, alcançando o mercado britânico em plena saída da União Europeia e consolidando a presença da China em um mercado historicamente ligado a influência americana.

Outras conexões, tais como Milão, Duisburg e Moscou, formam uma teia chinesa que muitos já consideram a Nova Rota de Seda, pela qual a China controlará o intercâmbio de produtos entre os mercados, a tempo de garantir o suprimento do seu crescente mercado interno. A Europa se beneficia com a entrada de investimento estrangeiro direto, mas perde o controle de suas multinacionais e meios de produção nas mãos das companhias asiáticas, pois até mesmo gigantes como a IBM ao a Volvo já foram alvos da expansão comercial chinesa e do seu ímpeto por investir em marcas já consagradas.

Frente a esse processo, podemos assinalar 3 pontos importantes:

1º – O papel das crises na reconfiguração e na transformação dos Estados;

2º – O processo de expansão comercial chinesa registrado em todos os continentes;

3º – A nova etapa da economia global, onde a financeirização do capital gera distorções entre os proprietários dos meios de produção e os que manejam o capital nos centros de poder.

Além desses três pontos, é importante ressaltar que o processo de expansão do capital é um dos principais vetores da globalização e que, sem dúvidas, isso gera um dos maiores paradigmas que enfrentam os países europeus, já que, internamente, a Europa discute os efeitos da integração regional e da globalização, mas, externamente, ela precisa se aproximar de novos mercados e manter sua participação nas cadeias produtivas e fluxos financeiros mundiais.

Ainda que muitos falam de uma Nova Rota da Seda, o certo é que a China está tecendo uma grande rede de comunicações ao redor do mundo, com investimentos na América Latina, Europa, África e Ásia. Como observadores tem apontado, a Europa, mesmo com todos os conflitos e com seu crescente discurso nacionalista, precisa mais do que nunca de outros países e de novas opções, sendo talvez hora de olhar para o Oriente, abandonando seu paternalismo histórico para com o Ocidente.

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* Bitola é nome usado para se referir a largura que tem a distância entre as faces interiores das cabeças de dois trilhos (pelo português brasileiro) ou carris (pelo português de Portugal) em uma via férrea.

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Imagem 1 Mapa indicando localização da União Europeia e da República Popular da China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–European_Union_relations

Imagem 2 Mapa da Europa, mostrando as fronteiras geográficas mais utilizadas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa

Imagem 3 A Rota da Seda Ferroviária” (Fonte):

https://logisticagrupob.wordpress.com

Imagem 4 O centro financeiro de Tianjin” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China

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