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SMARTCITY I, a diferença entre serviços básicos e processos inteligentes

O termo Smartcity ou “Cidade Inteligente” se popularizou nos últimos anos sendo utilizado em diversos artigos, projetos e discursos. Porém, existem muitas dúvidas em relação ao significado do termo e problemas em sua aplicação nos projetos atuais, sejam estes públicos ou privados.

Cidade Inteligente. Fonte: Wikipedia

Uma cidade inteligente é um espaço no qual se desenvolvem dinâmicas que visam gerar a melhoria na qualidade de vida de seus cidadãos, fazendo um melhor uso de seus recursos, aplicando novas soluções para resolver os problemas que enfrentam a sociedade e criando novas ferramentas e estruturas para desenvolver um espaço inteligente que molde a realidade de um determinado local.

Embora essa definição possa ser ampla e abranja diversos processos, já que a mesma se adapta a realidade do espaço urbano, existem projetos que não deveriam ser caracterizados como um projeto de Smartcity, ou que talvez deveriam ser contemplados como um passo prévio ao projeto de Smartcity.

Um empreendimento, como por exemplo um condomínio nas aforas da cidade, não pode ser considerado outra coisa que um espaço urbanizado ou um bairro planejado, pois, para que o mesmo seja considerado uma Smartcity, este deveria integrar a realidade da região. Por mais serviços que possa oferecer, a existência desses espaços gera apenas polos isolados e não um processo inteligente integrante da realidade de uma cidade. São uma versão evoluída dos condomínios que existem no Brasil, onde, no lado de dentro, a qualidade de vida pode ser muito elevada, mas contrasta com a realidade externa, pois o mesmo não se integra a ela. Dessa forma, não é inteligente, mas um potencial gerador de desigualdades ou uma nova “ilha” desenvolvida, incapaz de transformar seu entorno.

Estrutura da Cidade Inteligente. Fonte: Wikipedia

Outro processo que muitos confundem com projetos de Smartcity são os projetos de serviços públicos básicos. Oferecer saneamento e iluminação para uma localidade não necessariamente transforma a cidade em uma Smartcity, caso não exista um processo inteligente por detrás dessa intervenção, capaz de desenvolver uma nova dinâmica social, produtiva ou econômica que integre o espaço urbano e prepare o mesmo para uma nova realidade global, pois, caso contrário, é uma simples intervenção que, mesmo promovendo o desenvolvimento, já deveria ter sido feita com anterioridade, de modo que uma Smartcity não é um empreendimento isolado, não é a prestação de serviços públicos, mas a geração de processos inteligentes dentro do espaço urbano que integram a sociedade, o sistema produtivo e o sistema de gestão, fomentando uma nova realidade.

Por esse motivo, existem pilares nos quais se fundamentam as Smartcities. Os principais são:

–               Inovação

–               Meio Ambiente e Sustentabilidade

–               E-government e Participação Social

–               Tecnologia e Telecomunicações

–               Empreendedorismo e Educação

–               Mobilidade e Transporte

–               Segurança

–               Economia Criativa e Circular

–               Novas Energias

–               Tratamento de Resíduos e Reciclagem

É certo que cada cidade, devido a sua própria evolução, apresentará setores mais desenvolvidos que outros, além de outras possibilidades, mas, em termos gerais, estas são as áreas nas quais se desenvolvem os projetos de Cidades Inteligentes e nas quais devem se envolver tanto a gestão pública como a privada e a sociedade, de modo que não sejam projetos isolados, mas dinâmicas capazes de integrar o espaço urbano.

Cidade Inteligente Nansha. Fonte: Wikipedia

Cidades como Barcelona ou Singapura são exemplos mundiais de Smartcity (ressaltando-se que Singapura é uma Cidade-Estado constituída por 63 ilhas), já que ambas fomentaram a criação de um espaço urbano inteligente, o que se reflete nos índices de desenvolvimento das mesmas. No mundo, em outras cidades também existem projetos de Smartcity, sejam elas grandes capitais ou pequenas cidades, mas não como uma intervenção isolada e sim como um gerador de mudanças para toda a cidade.

No Brasil, algumas capitais já possuem os seus projetos do gênero, tais como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife, embora as desigualdades sociais, os problemas de gestão e a deficiência de infraestrutura dificultem a realização desses projetos, pois, ao final, só podemos falar de um processo inteligente quando o mesmo for uma realidade para toda a cidade e não para um pequeno grupo.

Essas cidades – como muitas outras no Brasil – ainda possuem deficiências histórias e o desafio de equilibrar as intervenções que a cidade precisa com a geração de processos inteligentes capazes não somente de abranger essas intervenções, como também, a partir das mesmas, promover a criação de um espaço inteligente, caso contrário será somente a concessão de um serviço básico, revestida como projeto de Smartcity e não será uma inovação para a cidade e sim o seu desenvolvimento para um patamar aceitável em comparação com as cidades já desenvolvidas dos países mais ricos

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O que faz uma Smartcity Smart” (Fonte):

https://www.linkedin.com/pulse/smart-city-heading-towards-better-future-harikrishna-patel

Imagem 2 Estrutura da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/IoT-Enabled_Smart_City_Framework_White_Paper_Image_2.png

Imagem 3 Gráfico da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/Smart_City_Graph.jpg (Copiar e colar no navegador)

Imagem 4 Cidade Inteligente Nansha” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Smart_City_Nansha.jpg/1280px-Smart_City_Nansha.jpg

BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Tempo de reavaliação na política da União Europeia[:]

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Apesar da ampla vantagem obtida pelo candidato francês Emmanuel Macron frente a sua adversária Marine Le Pen nas eleições, a situação política da França e da União Europeia ainda estão longe de uma resolução final, sendo esta vitória apenas um tempo de prorrogação, no qual a União Europeia deve fazer uma reavaliação tanto do cenário interno como externo e analisar os fatores que levaram o Bloco a situação atual e promover as mudanças necessárias para recuperar a credibilidade do projeto europeu e da integração da Europa.  

As eleições na França não foram as únicas que evidenciaram a instabilidade política da região. A situação já se havia repetido na Espanha, na Itália, na Áustria e nos Países Baixos. Assim mesmo, os processos sociais e políticos presentes em todos os comícios realizados no Bloco ao longo dos últimos dois anos possuem raízes comuns ou formação similar.

Por um lado, a pressão econômica fruto da austeridade imposta pelo Banco Central Europeu como forma de superar a crise econômica internacional, forçou os países da Europa a realizarem uma série de reformas que impactaram nos índices sociais e na prestação de serviços; por outro lado a instabilidade regional colocou em evidência as divergências e assimetrias intrínsecas do Bloco, promovendo uma onda de discursos nacionalistas e manifestações populares, somando-se a esse cenário as modificações no panorama regional e internacional, como as tensões com a Rússia, a saída do Reino Unido do Bloco, a gestão de Donald Trump, a Guerra na Síria e as pressões migratórias, além do próprio realinhamento global.

Nem mesmo na França a palavra final foi dada, já que as eleições legislativas que vão ocorrer no próximo mês de junho podem reduzir a força do candidato eleito e lhe obrigar a estabelecer alianças políticas.

As eleições na Alemanha apresentam certa estabilidade e, segundo as últimas pesquisas, o candidato da Presidência será eleito. Ainda assim, cabe analisar se o posicionamento da maior economia da Europa continuará sendo o mesmo, tanto a nível interno como em sua interlocução com os Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.

Outro fator que pode afetar o cenário europeu é a chegada do verão e o aumento substancial no fluxo de imigrantes e refugiados que atravessam as aguas do Mediterrâneo e geram discussões entre os países receptores e os demais países da União Europeia (UE), além de uma crescente pressão internacional.

Sendo assim, o futuro da Europa em pleno aniversário de 60 anos do Bloco ainda é incerto. A vitória da França não supõe o fim das tensões e desafios, mas sim uma prorrogação de 5 anos na qual a União Europeia deve avaliar sua situação e buscar soluções capazes de viabilizar seu projeto de integração.

A Europa deve avaliar sua política em relação aos fluxos de financiamento interno. Analisar os exemplos de reformas que funcionaram em alguns países como Portugal, mas em outros produziram uma profunda crise social e política, como no caso da Grécia. Deve repensar seu posicionamento no mundo e nos fluxos globais, assim como sua participação em temas de interesse humanitário como a Guerra da Síria ou o avanço do Estado Islâmico nos países do Norte da África. Deve buscar um equilíbrio dentro de uma realidade poli segmentada com diversas rupturas e tensões.

Parece que uma das vias que encontrou o Bloco europeu de aumentar sua credibilidade foi apoiando a restruturação do Mercosul e negociando um Acordo de Livre Comércio entre ambos, promovendo, dessa forma, um aumento dos investimentos europeus nos países da América do Sul e, ao mesmo tempo, facilitando o trânsito de mercadorias. Segundo autoridades de ambos lados, o Acordo deve ser publicado no final deste ano (2017).

A gestão dos Estados Unidos se transformou na antítese do projeto europeu, pois o isolacionismo e unilateralismo defendido por Donald Trump é contrário aos princípios que condicionam a União Europeia, algo que está forçando o grupo a reavaliar suas relações com a potência americana. Por outro lado, o Reino Unido começa a dar sinais de divisões entre aqueles que votaram a favor da cisão com a União Europeia. Os fatores que pressionam a UE são muitos e o Bloco possui 5 anos para avaliar cada um deles, bem como promover mudanças, caso contrário será um território fértil para o acirramento dos nacionalistas e eurocéticos.

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Imagem 1 Macron festejando a vitória” (Fonte):

http://static.euronews.com/articles/364195/640x360_364195.jpg

Imagem 2 Parlamento Europeu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Hemicycle_of_Louise_Weiss_building_of_the_European_Parliament%2C_Strasbourg.jpg

Imagem 3 Blocos Econômicos” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1d/Organiza%C3%A7%C3%B5es_Regionais_no_Mundo.svg/1280px-Organiza%C3%A7%C3%B5es_Regionais_no_Mundo.svg.png

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

[:pt] Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para…

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AGÊNCIA DE COOPERAÇÃO BILATERALANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

[:pt]Financiamento e subvenções internacionais[:]

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A União Europeia, o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, o Banco Mundial, o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos – EXIMBANK, o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, entre outras instituições, atuam como vetores do desenvolvimento através de subvenções e financiamentos especiais focados na cooperação internacional e na realização de projetos bilaterais ou multilaterais.

Apesar da grande oportunidade que a existência dessas linhas de financiamento e subvenções supõe para empresas e instituições, são poucas as que detêm o know how necessário para participar dos processos licitatórios ou das convocações realizadas, já que cada órgão possui seu próprio processo e metodologia, além de suas próprias exigências, e faltam profissionais com experiência na área de gestão de projetos e relações internacionais capazes de inserir as empresas dentro desses editais.  

Para as empresas e instituições brasileiras, o financiamento internacional, ou a obtenção de subvenções, são uma forma de viabilizar projetos de inovação, investigação e desenvolvimento, assim como forma de estabelecer parcerias internacionais e transferência de recursos, sejam estes humanos, tecnológicos, financeiros ou materiais.  Embora exista uma enorme oferta de projetos de cooperação internacional, a adesão das empresas ainda é limitada, já que poucas possuem acesso a esse tipo de informação, ou a assessoria necessária para participar dos mesmos. Grande parte das empresas que participam são multinacionais que já têm algum tipo de experiência nessa fonte de recursos, ou são estatais apoiadas em políticas de desenvolvimento do próprio Estado, havendo uma baixa participação de pequenas e média empresas.

Para se ter uma visão dos recursos disponíveis, podemos citar a União Europeia, que possui um orçamento de mais de 66 bilhões de Euros destinados à cooperação Internacional e ao desenvolvimento regional, havendo diversas formas de participar dos processos promovidos pelo DEVCO (Departamento de Desenvolvimento e Cooperação), ou pelo FPI (Instrumentos de Política Exterior) da União Europeia.  A Europa oferece duas possibilidades: a subvenção de projetos e o financiamento de projetos.  Não havendo limites em relação ao porte da empresa.

Outras instituições também possuem fundos de cooperação internacional e subvenções específicas para setores como tecnologia, educação, meio ambiente, desenvolvimento humano, novas energias, pequenas e médias empresas, empreendedorismo, dentre vários, sendo uma alternativa importante aos elevados juros do mercado interno e à limitação de recursos, devido à instabilidade econômica e crise que enfrenta o país.  Por esse motivo, é de vital importância que as instituições públicas e privadas do Brasil sejam conscientes dessa possiblidade.

Muitas empresas e órgãos brasileiros que desejam ter acesso a esses recursos acabam contratando escritórios de advocacia ou assessorias para que lhes ajudem a participar das convocações e editais, porém nem todos possuem o conhecimento necessário para atuar na área de cooperação internacional, já que existem diferenças nos contratos realizados na área de cooperação internacional, em comparação com o setor internacional privado, dentre outros fatores.

As políticas de cooperação econômica são orientadas pelos acordos existentes entre países, blocos ou organizações internacionais, sendo seu principal objetivo promover uma relação de Win-to-Win (Ganha-Ganha) entre os participantes, diferentemente de projetos da iniciativa privada. A cooperação econômica atua como ferramenta política e social com o objetivo de cumprir as convenções internacionais, além da estratégia dos atores internacionais, ampliando áreas fundamentais e promovendo maior integração.

Havendo essa possibilidade, é importante para as empresas do Brasil participar de forma mais ativa das redes internacionais de cooperação e negócios, dos congressos e palestras internacionais, do intercâmbio de profissionais e estagiários de outros países, das ações e projetos internacionais, sendo esta uma forma não somente de obter recursos, mas competitividade, algo que, sem dúvidas, tanto o mercado quanto a produção do Brasil agradecerão.

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Imagem 1 Instituições de Fomento Internacional” (Fonte):

https://oretornodaasia.files.wordpress.com/2014/10/sem-tc3adtulo1.png

Imagem 2 Cooperação construindo o mundo” (Fonte):

https://media.licdn.com/mpr/mpr/AAEAAQAAAAAAAAP3AAAAJDYwMzgwOGRlLWMxZjktNDViZC04MTM0LTZhMDFlZjA3Y2NiNQ.jpg

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[:pt]A Europa e os ecos do Oriente[:]

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A parte oriental do continente Europeu – Mais conhecida pela denominação geopolítica de Europa do Leste – sempre foi um ponto de tensões e instabilidade devido ao atrito entre povos e nações que passaram pela região. Desde tempos remotos, ela tem sido utilizada como porta de acesso terrestre ao continente, além de cenário de guerras entre diversas culturas e civilizações, a citar os hunos, otomanos, mongóis, russos e outros povos categorizados como bárbaros, demonstrando que foram muitos os que usaram esse caminho.

Por esse motivo, a formação territorial da região reflete bem seu passado de tensões e atritos, oscilando sempre entre dois mundos, o ocidental e o oriental, e reunindo em um pequeno território grande parte da dualidade que paira sobre todo o globo, bastando apenas uma pequena fagulha para começar uma guerra na região ou aumentar tensões históricas muitas vezes esquecidas, ou negligenciadas pela comunidade internacional.

Por diversas ocasiões foi na Europa do Leste onde o mundo enfrentou o dualismo e rivalidade entre as nações. Foi nesta área onde Roma foi atacada por diversas vezes e depois dividida; onde, posteriormente, Constantinopla fora travada e depois foi convertida ao islã, tentando ampliar sua influência e dando fama aos embates por diversas regiões, sendo uma delas a Transilvânia. Foi lá onde o império mongol – maior império da história da humanidade – conheceu seus limites. É a região onde começou a primeira Guerra Mundial e onde o mundo construiu uma fronteira humana, dividindo-se – tanto como em Berlim – entre capitalismo e comunismo, reforçando mais uma vez o dualismo que vive e deu forma à região.

Embora seja testemunha da evolução histórica do continente europeu, a Europa do Leste não representa em si um ponto de gravidade no continente, mas, sem dúvida, um importante bastião que se acredita dever ser vigiado de perto. E é por esse motivo que a União Europeia está cada vez mais preocupada com os acontecimentos na região, dentre eles, a consolidação da União Euroasiática, que surge como uma alternativa para o avanço da própria União Europeia; a vitória do líder conservador Edorgan, na Turquia; as tensões na fronteira dos países da antiga Iugoslávia e na região dos Balcãs; a tensão engessada da crise da Crimeia; os movimentos políticos da Rússia e, por último, as mudanças em países que pertencem ao Bloco, mas são influenciados pelos acontecimentos da região, tais como a Hungria e a Polônia. A situação chegou a um ponto no qual o Conselho Europeu discutiu sobre a atuação de ambos países e seus respectivos posicionamentos frente aos valores que dão forma ao Bloco, ameaçando, no caso da Hungria, intervir na hipótese de o Governo continuar promovendo leis e discursos opostos aos princípios da UE.

Muitos são os fatores que colidem nessa parte do mundo e a União Europeia se sente pressionada pela atual conjuntura na qual se encontra, já que, por um lado, a imprevisibilidade de Donald Trump se reflete nas ações da OTAN, por outro lado, a crise dos refugiados tende a se intensificar durante o verão, aumentando as pressões populares e as crises na área.

Já o cenário político da União Europeia está marcado pelas eleições na França, que se aproximam e possivelmente devem chegar ao segundo turno, e, no final do ano, pelas eleições da Alemanha, algo que engessa todo o processo político da região, já que afeta os principais membros, dificultando a tomada de decisões, além de levantar o alerta para o crescimento do nacionalismo e populismo de direita, que, por sua vez, se caracterizam pelo discurso eurocético.

Qualquer pequena mudança parece desencadear um efeito dominó e tudo indica que o tabuleiro volta a se posicionar justamente na Europa do Leste e nas suas proximidades, tanto da Rússia como da Turquia, e em como os processos políticos da região vão se refletir na realidade europeia.

Outro ponto importante relacionado a essa tensão regional se deve a questão Síria e ao posicionamento das potências mundiais nessa parte do mundo. Acrescente-se ainda que a Europa do Leste é onde se localizam as maiores assimetrias da Europa, mas também é o único espaço geográfico pelo qual o Bloco pode se expandir, sendo outro paradoxo do seu caminho. Seja como for, é importante para a Europa analisar cada passo e movimento que ocorre na área, já que os ecos do Oriente podem ser maiores do que esperado.

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Imagem 1 Europa do Leste” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Eastern-Europe-small.png/300px-Eastern-Europe-small.png

Imagem 2 Europa em chamas” (Fonte):

http://www.barenakedislam.com/wp-content/uploads/2016/07/Brexit-Angela-Merkel-683224.jpg

Imagem 3 Mapa com representação dos partidos na Europa, por composição de representação municipal” (Fonte):

http://3.bp.blogspot.com/-0FxIY0oWc8o/U4R5yjMmxkI/AAAAAAAAJm4/lkq9VJUirW4/s1600/mapa+da+europa.jpg

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]Internacionalização: o desafio das empresas brasileiras[:]

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Atuar no cenário mundial se transformou no grande objetivo para diversas empresas de vários setores e portes no Brasil. O mercado internacional oferece a possibilidade de alcançar novos consumidores, obter novas tecnologias, encontrar novos parceiros e fornecedores, aumentar a competitividade da empresa e a lucratividade de suas operações.

São muitas as vantagens para as empresas que conquistam seu espaço no mercado internacional, embora também existam grandes desafios, tais como a competitividade de outras corporações, diferentes modelos de consumo, dificuldade logística e burocrática, além da necessidade de adaptação à realidade global

Por esse motivo, são muitas as empresas que falham no processo de internacionalização ou que não completam o mesmo, fazendo com que suas operações no mercado internacional sejam pontuais e normalmente em substituição do mercado interno, quando este enfrenta uma redução da demanda. As empresas acabam utilizando o mercado internacional como uma alternativa ao mercado nacional e não como uma atividade paralela, não havendo uma estratégia internacional a longo prazo nem uma expansão a nível global de suas atividades.

Essa tendência de substituição temporária do mercado interno pelo mercado externo explica muitos dos fatores da economia brasileira, tais como a balança comercial, a volatilidade dos preços, os fluxos de produção e até mesmo a inflação, mas é o grande motivo pelo qual o Brasil não está inserido de forma eficiente nas cadeias de produção global e também a razão pela qual existem tão poucas multinacionais brasileiras, se comparado a outros países emergentes.

A falta de visão global e de preparação das empresas são alguns dos principais fatores para seu fracasso no mercado internacional, não havendo uma aprendizagem empresarial no processo. Muitas confundem a operação de comércio exterior com a internacionalização de suas atividades, sendo este um processo muito mais abrangente e que requer maior preparação e tempo. O simples envio de um contêiner para o mercado internacional não significa a internacionalização das atividades da empresa, caso não exista uma estratégia capaz de garantir que essa transação seja durável e de longo prazo.

Muitas empresas falham no processo de internacionalização, seja pelo procedimento, sejam pelas vias adotadas e, é importante ressaltar, que o processo atual é diferente do ocorrido nos países desenvolvidos durante a expansão do capitalismo, já que, atualmente, o grau de competitividade é superior, além das dificuldades técnicas, fazendo com que seja necessário que a empresa desenvolva uma estratégia e planifique sua inserção, caso ela realmente deseje participar do mercado internacional.

Por via de regra, muitas empresas buscam consultorias ou órgãos públicos que lhes ajudem a planejar e planificar seu processo de internacionalização, mas, na maioria das vezes, muitas não conseguem concluir o projeto ou até mesmo são frustradas pelos resultados. Isso se deve ao fato de que não existe uma orientação correta por grande parte das consultorias, as quais estão habituadas à promoção do comércio exterior e não a realização da internacionalização da empresa, e também se deve ao fato de que as empresas buscam soluções rápidas no mercado internacional, sendo o processo de internacionalização um processo mais dilatado que a simples compra e venda no mercado internacional.

Entre as vias que as empresas utilizam em sua tentativa de internacionalizar suas atividades, as mais comuns são:

  • – Participar de feiras e rodadas de negócios
  • – Buscar um representante internacional
  • – Realizar projetos por comissão

Embora cada uma dessas vias possam gerar resultados a curto a prazo, nenhuma é capaz de preparar a empresa para manter suas atividades a longo prazo e lhe dar autonomia para que possa conquistar novos mercados, pois é necessário diferenciar o processo de internacionalização de uma empresa de operações internacionais esporádicas que a mesma possa realizar. Dessa forma, a internacionalização deve ser compreendida como um processo resultante de uma estratégia empresarial e não como uma operação no mercado internacional.

As feiras de negócios oferecem a possibilidade de vendas rápidas, mas uma empresa que não esteja preparada para o cenário internacional dificilmente fará com que essa transação seja durável. Os representantes internacionais, por outro lado, conhecem o mercado objetivo, mas, caso não exista exclusividade de suas atividades, a empresa perde o controle de suas vendas internacionais, pois um representante que atue com 10 empresas, se vender o produto de uma das representadas gerará lucro para si, mas as outras nove perdem. E, por último, a realização de projetos por comissão não prepara a empresa para o cenário internacional, mas terceiriza este setor fazendo com que todo o planejamento pertença a um terceiro, não havendo aprendizagem empresarial.

O processo de internacionalização, dessa forma, difere da simples realização de uma transação internacional, não se tratando apenas de uma venda, mas da preparação para o mercado global e seus desafios. Em outras palavras, é como se a empresa estivesse sendo fundada novamente, mas em outro território, sendo necessário desenvolver uma estratégia comercial, conhecer o mercado e a legislação, conhecer os atores e fatores que incidem em suas atividades. Esse é o diferencial das grandes multinacionais que conquistaram o mundo nos últimos anos: a preparação da empresa e a adaptação da mesma a novos mercados.

Por esse motivo, na hora de buscar assessoria, é essencial para a empresa buscar alguém capaz de desenvolver um projeto de internacionalização, uma estratégia internacional e, ao mesmo tempo, é importante que a empresa esteja aberta para a aprendizagem empresarial e para as mudanças necessárias que deverá realizar, sendo ela preparada pela assessoria para enfrentar os desafios e os prazos do mercado mundial, caso contrário, ela sempre será um vendedor itinerante no mercado internacional, como um feirante que trata de competir com as grandes redes de supermercados globais.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Navio portacontentores no porto de Copenhagen” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Container_(transporte)

Imagem 3 O Palácio de Cristal do Porto, construído para a Exposição Industrial Internacional de 1865” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Feira_profissional

Imagem 4 Gráfico de estrutura de uma empresa offshore” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/International_business_company

Imagem 5 Um navio cargueiro em Elliot Bay, Seattle, Washington” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Navio_cargueiro

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[:pt]Europa isolada[:]

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Após uma relação conturbada que começou na antiga Comunidade Econômica Europeia em 1973, o Reino Unido deu início ao processo de separação, conforme disposto no Artigo 50 do Tratado da União Europeia, sendo o primeiro país a se divorciar do Bloco.

O panorama político europeu entrou em declínio após a expansão da crise financeira internacional. As tensões entre os países foram aumentando à medida que novos desafios foram surgindo no cenário regional, destacando-se, dentre outros: a crise da Crimeia e as tensões com a Rússia; a Guerra na Síria e o desafio de acolher milhares de refugiados; os ataques terroristas, com o acirramento da xenofobia e da intolerância religiosa; a perda de benefícios sociais; o ressurgimento de discursos nacionalistas carregados de um novo populismo; as cobranças do sistema internacional; um novo alinhamento econômico, direcionado ao eixo do Pacífico; o fracasso nas negociações para a formação da Parceria Transatlântica; e os atritos com a nova gestão dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que a Europa reúne em seu território diversas questões do cenário internacional, paira sobre o Bloco Europeu o sentimento de que o mesmo está cada vez mais isolado e que este é um momento chave para o seu futuro, que deve fomentar uma maior integração, a fim de enfrentar os desafios do panorama internacional, ou encarar a fragmentação da União Europeia e as consequências que isso pode gerar.

A complexidade do panorama europeu dificulta a realização de previsões, pois a todo momento surgem fatores que se somam aos desafios que a região enfrenta. As eleições em diversos países atuam como termômetro político e redesenham a balança de poder; e as manifestações sociais indicam o acirramento de questões delicadas, como é o caso da dificuldade que enfrentam os governos de produzirem mudanças na relação com as demais potências, algo que é afetado tanto pela instabilidade local, como pela internacional.

Temas que antes poderiam ser pequenos se transformam em focos de tensão, tais como a questão de Gibraltar e da Escócia, que desejam permanecer na União Europeia, mesmo após o Brexit; ou as mudanças políticas nas regiões periféricas tais como a Europa do Leste e a região dos Balcãs.

Mas, sem dúvidas, o tema de maior relevância e a verdadeira prova de fogo da União Europeia são as eleições na França e, posteriormente, na Alemanha, pois, mesmo que os candidatos eurocéticos não ganhem o pleito eleitoral, um aumento de sua representatividade pode ter um efeito catastrófico no Bloco, dificultando qualquer medida que busque uma recuperação da confiança pública e o fortalecimento da União Europeia.

Outro fator importante nesse cenário são as relações com as demais potências mundiais e a dificuldade de gerar um consenso e discurso comum, frente a uma relação cada vez mais difícil com os Estados Unidos e a um aumento latente das tensões com a Rússia.

A Europa está sendo pressionada por fatores internos e fatores externos, não havendo no horizonte uma solução fácil. As assimetrias que existem no Bloco continuam pressionando qualquer tentativa de integração, o cenário internacional pressiona o continente tanto no aspecto político quanto no econômico e as sociedades europeias estão cada vez mais divididas. Mesmo com a recuperação econômica da região, os efeitos negativos das políticas de austeridade dos últimos anos e das mudanças políticas persistem.

Frente a esse cenário, não é de estranhar que alguns especialistas e políticos já consideram o fim da União Europeia como uma possível realidade, tais como declaram o líder do partido eurocético britânico Nigel Farage, ou a candidata à Presidência da França, Marine Le Pen.

São vários os fatores que podem determinar uma mudança dentro da União Europeia, e não existem dúvidas de que a mesma deve se reformular e se renovar, caso contrário enfrentará o processo de encerramento de um projeto em pleno ano do aniversário do Tratado de Roma.

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Imagem 1 Puzzle UE” (Fonte):

http://www.pravos.unios.hr/images/eu_v.jpg (Link deve ser copiado e colado)

Imagem 2 Localização de Gibraltar (em vermelho) / Localização na União Europeia (em branco) / Localização na Europa (em cinza)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gibraltar

Imagem 3 Marine Le Pen ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marine_Le_Pen

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