BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A nova tentativa de restaurar a União Europeia e o aniversário do Tratado de Roma[:]

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Desde a última cúpula realizada em Bratislava, no dia 16 de setembro do ano passado (2016), o cenário político europeu avançou muito pouco e as tentativas de restaurar o Bloco continuam sob a pressão de fatores internos e externos. A União Europeia (UE) voltou a crescer economicamente e todos os países registram taxas de crescimento positivo do PIB, porém, as pressões financeiras são maiores que os benefícios que deveriam ser proporcionados pelo crescimento da economia.

Observando o cenário de forma ampla, verificam-se várias coisas: que as políticas de austeridade ditadas pela União afetam a qualidade de vida de grande parte dos cidadãos dos países europeus; que as reformas impopulares aumentam as tensões internas e avivam o nacionalismo em todas suas nuances, em diversos países; que as mudanças no cenário internacional obrigam a União a reavaliar sua política externa; que os discursos de novos líderes ameaça a integração regional; e que a mudança política registrada em diversos locais do mundo modificaram a balança de poder global, levando ao reposicionamento europeu, além da já citada mudança de sua política externa. Por isso, o grande movimento de restauração que deveria se iniciar após a Cúpula de Bratislava sucumbiu, antes mesmo de dar a partida.

Diante de todos estes fatores, líderes dos 27 países da União Europeia se reuniram no dia 10 de março, em Bruxelas, para discutir novamente medidas e projetos de restauração do Bloco. Esta foi a primeira reunião sem a participação total do Reino Unido, cuja Líder esteve apenas em uma parte do evento e não nas discussões sobre o Bloco.

Outros pontos relevantes do encontro foram: a proximidade do aniversário de 60 anos do Tratado de Roma, sendo este o marco inicial da União Europeia; as assimetrias existentes internamente, que voltaram a ser o principal tema de discussão; e a formação interna dos grupos de Estados, que aumentam as desigualdades entre os membros.

A Europa, antes dividida geoeconomicamente entre leste e oeste, norte e sul etc., hoje apresenta um mosaico de grupos cujos ajuntamentos em pequena escala aumentam de forma proporcional a crescente desunião do Bloco mãe. Os países já se posicionam e começam a se articular politicamente em grupos, o que pode indicar uma desfragmentação regionalizada do Bloco europeu, por exemplo, em Países Bálticos, Benelux, Países Mediterrâneos, Países Alpinos, Países do Leste, e outros mais que possam surgir. A União Europeia, aos poucos, se transformou em um quebra-cabeças de microblocos, algo que o Conselho Europeu* considera que deve ser evitado, mas que admite já existir desde a formação da União, conforme palavras do próprio Presidente do Conselho, o polonês Donald Tusk, citando exemplos como o Tratado de Schengen  ou a Zona do Euro.

Mesmo a Presidência do Conselho Europeu reflete a divisão que existe na Europa. O atual Presidente, que defende uma maior integração da União e a redução das desigualdades internas, confronta diretamente o posicionamento do seu país natal, a Polônia, que defende a criação de grupos especializados de Estados dentro da União.

Por sua vez, o Presidente da Comissão Europeia (o Poder Executivo, o Governo da União Europeia, propriamente dito) também tratou de reforçar a mensagem de integração, mas sem limitar os países às políticas do Bloco, evidenciando uma maior flexibilização das instituições como forma de manter certa coesão regional e, aos poucos, instaurar novas políticas de integração que atuem como uma base para todos os países.

Diante do posicionamento dos dois principais cargos da União Europeia, a tentativa de controlar o seu maior fantasma – que é a desfragmentação – se transformou no principal objetivo da UE, mesmo que seja necessária uma reconfiguração.

Outros assuntos igualmente relevantes foram discutidos, tais como as tensões com a Rússia, os desentendimentos e tensões com o Governo Trump, a segurança internacional e o posicionamento da Europa nos próximos anos, mas são os acontecimentos que fazem de 2017 um ano vital para o futuro da União Europeia (as eleições na França e na Alemanha, além dos novos fatores presentes no cenário global que modificam a balança de poder), aquilo que pode obrigar o Bloco Europeu a aceitar sua própria reconfiguração.

Conforme se pode observar, tal reconfiguração está se mostrando necessária devido ao temor de uma total desfragmentação causada pela soma desses fatores, gerando uma União Europeia ainda existente, mas constituída de vários Blocos internos, sendo este um cenário que cada vez mais se apresenta no horizonte.

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Notas:

* É o órgão político mais alto da União Europeia, embora não seja o seu Executivo, sendo constituído por Chefes de Estado ou de Governo dos países membros da União, acrescido do Presidente da Comissão Europeia, que é exerce o Poder Executivo do Bloco, o seu Governo, propriamente dito. Dentre as suas funções está a de definir a agenda política da UE, de maneira que especialistas o tem como o motor da integração, uma vez que, apesar de não ter poderes formais, detém influência com os dirigentes nacionais. Além disso, o Conselho tem recebido novas funções, como, por exemplo: resolver questões pendentes de discussões num nível mais baixo da União; ser liderança na política externa, apresentando uma postura como “Chefe de Estado Colegiado da UE”; estar presente na negociação de Tratados do Bloco; e ratificar documentos importantes.

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Imagem 1 Museus Capitolinos, em Roma, onde foi fundada a CEE em 1957” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Roma_(1957)#/media/File:EU_Roma_Musei_Capitolini_hall.jpg

Imagem 2 Sede da Comissão Europeia O Poder Executivo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

Imagem 3 Nova sede do Conselho Europeu em Bruxelas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia#/media/File:494-R01.jpg

Imagem 4 Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

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ÁSIABLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A Nova Rota da Seda Chinesa: uma esperança para a Europa[:]

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Em momentos de crises, tais como os vividos na Europa desde 2008 até 2016, grandes transformações ocorrem nas mais diversas esferas do poder. Sejam tais transformações políticas, sociais, tecnológicas ou ideológicas, o certo é que a crise funciona como um gatilho que impulsiona profundas mudanças no cenário no qual ela se desenvolve, havendo sempre um antes e um depois, pois os atores implicados são forçados a buscar uma resposta e muitas vezes são levados a inovar ou a avaliar novas opções.

A crise na Europa resultou em uma série de mudanças no cenário local, assim como na política externa europeia. O continente, que durante muito tempo teve sua economia direcionada para o eixo do Atlântico, aumentou suas parcerias com os países asiáticos, principalmente com a China e Índia, fortalecendo o eixo asiático.

A China, por outro lado, soube entender a situação europeia e a fragilidade econômica de diversos países da Europa, para, pouco a pouco, se inserir no mercado europeu, principalmente mediante a compra de empresas consagradas, bem como participando de projetos públicos e fazendo novas parcerias. Assim, não é de estranhar que foram os países do Mediterrâneo a principal porta de entrada da China na economia europeia, mediante a aquisição de marcas como FENDI, PIRELLI, UCI Odeon, Alcatel Mobile, Granada FC, Espanyol F.C., Atlético de Madrid, Inter de Milano etc., mostrando que os investimentos chineses são diversificados e massivos.

Como reflexo dessa inserção da China no mercado europeu, o comércio e as comunicações entre ambas regiões aumentaram nos últimos anos. Atualmente, o chinês é uma das línguas mais estudas na Europa, com um aumento anual de 20%, além disso, o número de alunos de intercâmbio também aumentou e a China, após os próprios países europeus e os EUA, já é o maior destino de intercâmbio da Europa, de forma que toda as grandes capitais europeias já possuem voos diretos para diversas cidades chinesas, além de conexão com os principais portos e até mesmo conexão por trem.

A primeira linha ferroviária entre um país europeu e a China é a que faz o trajeto Madrid- Yiwu, de aproximadamente 13.052 km, em 30 dias, sendo, atualmente, o maior trajeto percorrido do mundo. A conexão por trem entre a China e a Europa reduz o tempo de viagem em aproximadamente 10 dias, porém conta com uma série de dificuldades, tais como a diferença da bitola* entre os países, as condições climáticas da Ásia Central e a burocracia dos Estados que não estão inseridos em Acordos Regionais ou Acordos Bilaterais. Ainda assim, o Governo chinês aposta na viabilidade do transporte ferroviário e novas linhas já estão em funcionamento, além de outras que vem sendo planejadas.

Em janeiro de 2017 partiu o primeiro trem que une a cidade de Yiwu a Londres, percorrendo mais de 18.000 km, em apenas 18 dias, alcançando o mercado britânico em plena saída da União Europeia e consolidando a presença da China em um mercado historicamente ligado a influência americana.

Outras conexões, tais como Milão, Duisburg e Moscou, formam uma teia chinesa que muitos já consideram a Nova Rota de Seda, pela qual a China controlará o intercâmbio de produtos entre os mercados, a tempo de garantir o suprimento do seu crescente mercado interno. A Europa se beneficia com a entrada de investimento estrangeiro direto, mas perde o controle de suas multinacionais e meios de produção nas mãos das companhias asiáticas, pois até mesmo gigantes como a IBM ao a Volvo já foram alvos da expansão comercial chinesa e do seu ímpeto por investir em marcas já consagradas.

Frente a esse processo, podemos assinalar 3 pontos importantes:

1º – O papel das crises na reconfiguração e na transformação dos Estados;

2º – O processo de expansão comercial chinesa registrado em todos os continentes;

3º – A nova etapa da economia global, onde a financeirização do capital gera distorções entre os proprietários dos meios de produção e os que manejam o capital nos centros de poder.

Além desses três pontos, é importante ressaltar que o processo de expansão do capital é um dos principais vetores da globalização e que, sem dúvidas, isso gera um dos maiores paradigmas que enfrentam os países europeus, já que, internamente, a Europa discute os efeitos da integração regional e da globalização, mas, externamente, ela precisa se aproximar de novos mercados e manter sua participação nas cadeias produtivas e fluxos financeiros mundiais.

Ainda que muitos falam de uma Nova Rota da Seda, o certo é que a China está tecendo uma grande rede de comunicações ao redor do mundo, com investimentos na América Latina, Europa, África e Ásia. Como observadores tem apontado, a Europa, mesmo com todos os conflitos e com seu crescente discurso nacionalista, precisa mais do que nunca de outros países e de novas opções, sendo talvez hora de olhar para o Oriente, abandonando seu paternalismo histórico para com o Ocidente.

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* Bitola é nome usado para se referir a largura que tem a distância entre as faces interiores das cabeças de dois trilhos (pelo português brasileiro) ou carris (pelo português de Portugal) em uma via férrea.

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Imagem 1 Mapa indicando localização da União Europeia e da República Popular da China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–European_Union_relations

Imagem 2 Mapa da Europa, mostrando as fronteiras geográficas mais utilizadas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa

Imagem 3 A Rota da Seda Ferroviária” (Fonte):

https://logisticagrupob.wordpress.com

Imagem 4 O centro financeiro de Tianjin” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalEUROPAParadiplomacia

[:pt]Paradiplomacia e a volta do Multilateralismo[:]

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O ano de 2017 apresenta uma série de desafios no panorama internacional. Analista convergem para o posicionamento de que o pior da crise econômica parece haver passado e, aos poucos, as nações começam a se recuperar. Também está sendo identificado que existe uma leve melhoria no valor das commodities e uma tímida recuperação da atividade industrial nos países desenvolvidos, porém a situação política parece confluir em uma nova etapa de mudanças e em novos desafios, fazendo com que o ano que se inicia possa viver aquilo que é chamado de “tempestade perfeita”.

O início da Era Trump coloca em xeque toda a geopolítica global. O que vem sendo considerado como a imprevisibilidade do novo líder americano, além de seu discurso protecionista, ameaça o sistema econômico internacional e as cadeias de produção global, deixando o mundo sem um modelo ao qual seguir e sem um líder que represente os ideais de mercado.

A China, embora advogue pelo livre comércio, ainda é vista com receio por grande parte das nações, não sendo capaz de assumir de momento a liderança global. A Europa, por outro lado, enfrentará neste ano o resultado de uma série de transformações sociais, politicas e econômicas que começaram com a crise financeira de 2008 e que vão alcançar seu ponto crítico durante as eleições a serem realizadas agora em 2017, nas duas principais economias do Bloco Europeu – a França e a Alemanha –, havendo a possibilidade de que se reconfigure um novo mapa político na região e ocorra o início da fragmentação da União Europeia e a fragilização de seu modelo de implementação para o resto do mundo.

Outras potências, tais como a Rússia ou a Inglaterra, buscam seus próprios interesses, negociando ora de um lado, ora do outro, mas mantendo distância de uma possível liderança, ou maior protagonismo, frente a um mundo em transformações.

O fator comum que paira sobre o panorama global em 2017 é a reconfiguração do sistema internacional e a total falta de liderança em um cenário onde o discurso nacionalista e conservador ganha cada vez mais força. Nesse panorama conturbado, é difícil para a diplomacia acompanhar todas as mudanças, uma vez que os próprios países estão inseridos nesse ciclo e muitos buscam um novo alinhamento político e econômico.

O grande desafio que enfrenta a diplomacia atual e a política externa dos países é saber a quê ou com quem devem se alinhar. Em um mundo em plena transformação, parece ser arriscado apostar todas as fichas em apenas um país ou em um eixo. Dessa forma, países como o Brasil dificilmente devem manter apenas uma linha de negociações, mas tendem a ampliar as mesmas, de modo a conseguir se reinserir no cenário global, uma vez que este ciclo de mudanças esteja concluído.

Nesse cenário caótico que vive a política internacional, o multilateralismo ganha força e se transforma em uma importante ferramenta, porém são poucas as nações capazes de se articular rapidamente nesse sentido, devido aos diversos acordos de integração assinados nas últimas décadas, os quais acabam engessando grande parte das ações políticas e das negociações.

Um país como o Brasil, por exemplo, por mais que opte por uma agenda multilateral, deve levar em consideração suas responsabilidades contraídas com o Mercosul e diferentes Acordos para não gerar problemas locais. Da mesma forma, outras nações do mundo enfrentam dilema similar.

A densidade das negociações diplomáticas e os novos alinhamentos que estão sendo configurados fazem com que outras áreas das relações internacionais ganhem notoriedade. A paradiplomacia e a diplomacia corporativa transformam-se em veículos importantes neste cenário de ação internacional controlada, sendo uma forma de se evadir da complexidade das negociações da alta política na busca de resultados rápidos e precisos.

Cidades e regiões do mundo com estrutura de paradiplomacia negociam entre elas com o intuito de agilizarem determinados processos internacionais e fomentarem mudanças locais, sem passar por anos de discussões e negociações nas altas esferas políticas. Além disso, as empresas buscam defender cada vez mais seus interesses, negociando com autoridades locais e influenciando em processos regionais com o intuito de manterem suas atividades e produtividades e não serem afetadas pela morosidade do processo político internacional.

A paradiplomacia se apoia no multilateralismo e se expande para se transformar em uma ferramenta para os governos subnacionais e para a economia de uma região. Uma cidade como São Paulo, por exemplo, pode negociar diretamente com outras metrópoles, fomentando intercâmbios, promovendo investimentos e atraindo recursos, sem afetar as ações do Governo Federal. Assim, o município pode receber multinacionais que tenham interesse específico na cidade e sejam atraídos por políticas de promoção econômica, de modo que o multilateralismo crescente, devido as mudanças geopolíticas, mostra-se como uma oportunidade para o desenvolvimento de outras áreas e como uma ferramenta das relações internacionais, surgindo como solução para o engessamento da política internacional e como forma de responder à redução de recursos dos governos centrais.

Uma vez consolidadas essas ferramentas, elas aumentam a representatividade e a competitividade da nação em geral, além disso, elas redefinem o reposicionando do país após a reconfiguração que possa ocorrer no sistema internacional.

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Imagem 1Mapa Mundi – Bandeiras dos Países” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag-map_of_the_world.svg

Imagem 2Donald Trump fazendo o juramento de posse” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Posse_de_Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_swearing_in_ceremony.jpg

Imagem 3Vista do Kremlin ao fim do dia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Kremlin_de_Moscovo

Imagem 4Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo (Brasil)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil#/media/File:06-11-2014_Novembro_Azul_(15733329532).jpg

Imagem 5São Paulo à noite, Brasil” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil#/media/File:Sampa_Noite.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISEUROPA

[:pt]2017, um ano decisivo para Europa[:]

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A União Europeia enfrenta a maior crise existencial desde sua criação e o ano de 2017 pode ser um ano decisivo para o Bloco europeu.

Embora a economia da região se recupere aos poucos dos efeitos da crise financeira internacional, o panorama político continua instável e 2017 se apresenta como um ano de profundas mudanças, com eleições nas duas principais economias da União Europeia (UE) – França e Alemanha – e o resultado de processos que começaram na última década e devem culminar no próximo ano, tais como as mudanças políticas na Itália, a questão da Catalunha e a situação da Grécia.

Os resultados das eleições americanas, o aumento das tensões com a Rússia, a saída do Reino Unido do Bloco e a crise dos refugiados são fatores importantes que pesam no equilíbrio político da região e provocam mudanças que podem se refletir em um novo alinhamento dentro da Europa e até mesmo uma reconfiguração regional.

O avanço dos partidos nacionalistas de extrema-direita tanto na Alemanha como na França colocam em risco a sobrevivência da União Europeia e todo o projeto de integração regional, já que esses partidos defendem a desintegração do Bloco ou uma alteração generalizada da estrutura da União, permanecendo apenas alguns acordos e o mercado comum.

Por outro lado, a aproximação dos Estados do Leste com a Rússia pode dificultar a expansão da União Europeia e suas negociações com os países da região. O fracasso das negociações da UE com os Estados Unidos deve refletir na recuperação econômica da Europa no ano que vem, já que a demanda internacional é menor e a maioria dos países emergentes – exceto China e Índia – sofrem com os efeitos de mudanças políticas e econômicas, reduzindo assim outros mercados que podem absorver a produção europeia.

As eleições na França irão servir de termômetro para avaliar a gravidade da situação que enfrenta a Europa, pois mesmo não sendo a maior economia do grupo, o país sempre atuou como ponto de equilíbrio político da União Europeia.

Já as eleições na Alemanha serão decisivas, bem como o ponto central da crise existencial europeia e até mesmo no equilíbrio financeiro do Bloco, já que o país é o maior contribuinte da economia do grupo e uma mudança política em direção à extrema direita pode significar o fim da União como conhecemos e um sério problema para o Banco Central Europeu, que comprou grande parte da dívida dos países do mediterrâneo.

Caso a crise europeia chegue ao ponto de ebulição, seus efeitos serão sentidos não somente internamente, mas em toda a economia global pelo fato de que o continente é um dos maiores investidores do mundo, principalmente na América Latina e na Ásia.

As tensões regionais são outro ponto de debate na Europa que podem causar mudanças no próximo ano devido à instabilidade no norte da África e no Oriente Médio. O terrorismo e os refugiados são duas caras de uma moeda que parece ter sido lançada em uma aposta sobre o futuro da União Europeia.

Enquanto se espera uma recuperação gradual do continente americano, o continente europeu tremula perante as possíveis mudanças que podem ocorrer e, sem dúvidas, o ano de 2017 será um ponto de transição, havendo um antes e um depois deste possível marco que, cada vez mais, se configura nestes termos.

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Imagem 1Colapso da Europa” (Fonte):

http://sesgo.org/images/colapso_europa.jpg

Imagem 2Brasão de armas de Catalunha” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catalunha#/media/File:Coat_of_Arms_of_Catalonia.svg

Imagem 3Campanha do Brexit do lado de fora do Parlamento em novembro de 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Brexit#/media/File:Brexit_Campaigners_out_side_Parliament_November_2016.jpg

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomaciaPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Paradiplomacia e Governança perante as crises municipais[:]

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Um dos maiores problemas que vão enfrentar os Prefeitos eleitos neste ano de 2016 no Brasil é a falta de recursos, isso frente as dívidas contraídas pelos municípios e à crescente demanda de serviços públicos, com as atribuições que devem ser cumpridas tais como a gestão da iluminação, saneamento, educação, dentre outras. Acrescente-se a esse problema, o fato de ele estar inserido numa forte crise econômica que o país enfrenta, bem como numa desordem política da nação.

Analistas consideram que, mesmo perante a necessidade de economizar e sanear o orçamento, o poder público não deve parar de subministrar serviços para a população, bem como investir em melhorias, pois é essa a sua razão de existir e o que legitima seu poder perante à sociedade, garantido através da prestação de serviços ao povo.

Municípios importantes, tais como Guarulhos (segunda maior cidade do Estado de São Paulo), ou Ribeirão Preto (polo produtor de etanol), possuem dívidas elevadas que já comprometem a futura gestão sem que a mesma haja começado. Capitais de norte ao sul do Brasil seguem essa tendência.

Diante deste panorama, é muito complexo pensar em investimentos, quando não existem recursos para investir, já que o problema de liquidez do Brasil atinge todas as esferas do poder e as ferramentas de participação público e privadas ainda são lentas e burocráticas, além de enfrentarem o escrutínio da nação, graças aos diversos casos de corrupção e desvio de recursos.

O Estado e todas suas esferas está paralisado diante da crise institucional que mina sua capacidade de legitimação para com a população, e também devido ao panorama econômico nacional e internacional, que dificulta o cumprimento de outras importantes funções do Governo em relação aos recursos (distribuição, alocação e estabilização), pois, cabe reiterar, que o Estado não gera recursos, somente distribui os existentes, aloca em setores chaves e tenta estabilizar as dinâmicas desses processos através de sua última função, que é a segurança.

Os futuros Prefeitos devem enfrentar esse desafio sem esquecer dos avanços da comunidade internacional, das mudanças nas cadeias produtivas globais e no incremento de competitividade de outros países.  Infelizmente, não é possível isolar o contexto internacional até resolver os problemas políticos e econômicos de um país ou região, para, depois, voltar a competir no panorama mundial. A globalização é um processo rápido, intenso e contínuo, onde a falta de participação é altamente penalizada e de difícil recuperação. Neste contexto, a paradiplomacia surge como uma importante ferramenta para as futuras gestões brasileiras.

A paradiplomacia é o conjunto de ações que uma cidade ou região realiza no cenário internacional, sendo esta uma importante ferramenta governamental que reduz a centralização nas altas esferas do poder, dispersando os gastos e permitindo uma maior adaptação à realidade de cada localidade, promovendo, dessa forma, o desenvolvimento mais homogêneo.

No Brasil ainda não existe uma legislação clara em relação as capacidades que possuem os municípios em sua ação internacional, mas já existem agências, secretarias e instituições de relações internacionais responsáveis por coordenar este setor.

A paradiplomacia pode beneficiar um município em áreas como:

Investimentos – a atração de investimentos estrangeiros é uma das principais razões de existir da paradiplomacia e pode ser feita através de missões comerciais, missões institucionais, feiras e festivais de negócios, formação e capacitação empresarial, políticas de atração de investimento estrangeiro, material de divulgação internacional etc.

Cooperação Internacional – Tanto na área técnica, como nas áreas de transferência tecnológica e acadêmica. Um município pode desenvolver políticas de cooperação e atrair professionais, seja para atuar no campo de pesquisa ou no núcleo de criação, sem investir elevadas somas de dinheiro, mas articulando melhor as conexões de suas instituições.

Promoção internacional – Não deve ser focada somente em negócios, mas também em turismo e outros setores que podem se beneficiar de uma maior exposição internacional. O município de Olímpia (SP), por exemplo, apesar de pequeno, possui um dos parques aquáticos mais visitados da América Latina, porém é completamente desconhecido fora das fronteiras brasileiras, salvo por alguns turistas. Nesse sentido, a criação de uma identidade gera prestígio e competitividade para um produto. A título de ilustração, não são similares, em vários sentidos, um vinho produzido em um local desconhecido quando comparado com outro feito no Vale do Loire na França, ainda que o método seja basicamente o mesmo e a evolução tecnológica não seja muito grande, se comparada a outros setores. A marca pesa nesse aspecto e ela decorre da promoção internacional, ou necessita dela.

Internacionalização – muitas regiões produtoras não possuem conhecimento para internacionalizar seu negócio e buscar novos clientes em países vizinhos. Pequenos produtores e cooperativas também foram historicamente marginalizados do processo. A paradiplomacia é uma importante ferramenta nesse sentido.

Financiamento internacional – caso um município não tenha recursos, uma alternativa viável é o financiamento internacional em Agências e Bancos Internacionais de Desenvolvimento (BID, FMI etc.), ou através de fundo de investimentos privados. Deve ser feito seguindo a normativa vigente no Brasil e respeitando os critérios de cada instituição. Pode ser uma boa solução quando o dólar está elevado, além de oferecer juros menores que os do Brasil, mas também estão submetidos às flutuações internacionais, aos prazos rígidos e, normalmente, à necessidade de um projeto vinculado.

A aplicação das políticas de Paradiplomacia varia conforme a capacidade dos municípios e os recursos disponíveis.  Outra característica importante é que, diferentemente da diplomacia oficial – que se caracteriza pelo excesso de formalidades e protocolos –, a paradiplomacia se estende por diversos níveis do poder e através de diversos setores, sendo viável em diferentes economias.

Uma política de paradiplomacia pode ser criada sem gerar o gasto de uma secretaria internacional – ao final, a área surgiu em pleno pós-guerra, durante uma época na qual os governos europeus não possuíam recursos, sendo contraproducente uma elitização da mesma. Porém, o setor tende a crescer e, com o tempo, a aumentar o volume e a demanda de recursos, além da especialização.

O município que esteja em crise e tenha o desejo de implementar a área da paradiplomacia deve buscar orientação, pois ela é nova e existem poucos profissionais capacitados, bem como poucas empresas que conheçam seu funcionamento.

A equipe e o profissional de paradiplomacia é multidisciplinar, com forte conhecimento nas áreas de Relações Internacionais, Comércio Exterior e Logística, Administração e Direito Público, Relações com investidores, Marketing e Gestão de Projetos.

Uma boa equipe é a chave para mapear as capacidades do município, detectar que tipo de ação é possível e qual é a plataforma a ser utilizada, além da otimização dos recursos envolvidos e da participação internacional imediata. 

A crise pode ser um bom momento para implementar essa política, pois revela que todo município brasileiro deveria abrir suas portas para as relações internacionais, já que, graças à globalização, diariamente o mundo inteiro está entrando em nossas vidas.

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ImagemBalança Comercial” (Fonte):

http://www.fecomerciomg.org.br/wp-content/uploads/2015/04/Balan%C3%A7a-Comercial2.jpg

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]Reforma política Italiana, possível exemplo para América Latina[:]

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Neste último domingo, dia 4 de dezembro, a Itália foi as urnas para votar no Referendum sobre a reforma política proposta pelo primeiro-ministro Matteo Renzi.

A Itália, assim como outras nações europeias, apresenta diversos sinais de desgaste político e tensões entre as instituições do país e entre os políticos e a sociedade, principalmente depois da crise financeira que afetou a economia, levando várias empresas à falência, e dos diversos escândalos de corrupção.

Após permanecer um longo período sem Presidência, devido à dificuldade de obter um consenso na Câmara, a Itália busca reformular seu sistema político e, dessa forma, se adaptar melhor à realidade do país e à vontade de seu povo. Em 70 anos de Democracia, a Itália já teve 63 governos diferentes, sendo Berlusconi o político de maior durabilidade no panorama eleitoral italiano.

Outro dos motivos chaves para essa mudança é a morosidade do processo legislativo, que, ao possuir duas Câmaras, obriga a que cada Projeto passe por diferentes votações até finalmente ser aprovado.

A reforma visa reduzir o número de parlamentares de 300 para 100 eliminado o sistema bicameral e criando somente uma Câmara, agilizando assim os processos internos no país. As regiões italianas possuem diferentes opiniões em relação a reforma e seus efeitos. A região norte – onde se concentram as cidades mais ricas – acredita que a medida servirá para centralizar todo o poder em Roma, reduzindo assim a autonomia e a influência de cidades como Milão, Turim ou Veneza. Já a região central considera que a medida será positiva e servirá para atualizar o Governo e restabelecer o funcionamento do mesmo, adaptando a realidade política à dinâmica social.

A situação italiana pode ser usada como exemplo para países da União Europeia onde existe um problema de legitimação do Governo, tais como ocorre especialmente na Espanha, na Áustria, e em Portugal, além de outros. E também pode ser aplicada a outras questões como o sistema eleitoral americano e seu descompasso com a vontade real da população, ou para as mudanças ocorridas na América Latina.

O Governo deve se legitimar perante a sociedade mediante sua ação equilibrada e sua articulação com os interesses nacionais e com a dinâmica social. Se o Governo como instituição não se atualizada nem se adapta às mudanças ocorridas em seu país, a governabilidade perde consistência e o abismo entre população e Estado cresce proporcionalmente, chegando a um ponto de desequilíbrio que coloca em risco a estabilidade do país.

Em relação ao combate à corrupção, segundo os que apoiam a reforma política italiana, um sistema político mais enxuto permite um maior controle pelo povo e, consequentemente, uma maior concentração das instituições que fiscalizam o uso dos recursos públicos e sua aplicação.

A Itália foi cenário de diversos escândalos políticos e um dos primeiros Estados da Europa a realizar uma grande operação de combate à corrupção, que serviu de exemplo para outros países, entre eles o Brasil, embora o sucesso da mesma seja hoje questionado. Talvez as tentativas de reforma política na Itália possam ser um norte para países que enfrentam problemas similares em estágios diferentes, não para aplicar o mesmo modelo, já que cada sociedade deve adotar o sistema político de acordo com a sua realidade, mas para recuperar o pacto social através da consulta e participação popular, deixando que o povo escolha o Governo que merece.

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ImagemReforma na Itália” (Fonte):

http://www.la102.com/home/wp-content/uploads/2016/08/image-25-820×509.jpeg

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