EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSociedade Internacional

[:pt]Diálogo Intercultural na Europa e a Burka[:]

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No dia 24 de agosto, uma imagem chocou o mundo: a polícia francesa obrigou duas mulheres a retirar parte de sua vestimenta, por estarem usando o chamado burkini – uma adaptação da burka que permite o banho para algumas muçulmanas –, gerando o constrangimento de ambas e uma forte reação da comunidade islâmica.

O burkini está proibido em algumas praias do litoral francês, região que registrou o último atentado perpetrado na França, quando um caminhão matou dezenas de pessoas e feriu outras durante a celebração do “14 de Julho” (Dia da Bastilha), em Nice.

A proibição abriu um profundo debate na França, mas também ecoa em outros países da Europa, não sendo esta a primeira vez que uma mulher muçulmana é obrigada a retirar o véu ou a abandonar o local. Casos em Madrid, Berlim e Zurique já foram registrados diversas vezes, além da aplicação de multas em algumas ocasiões.

A Europa entrou em guerra contra a vestimenta típica da religião islâmica, principalmente a Burka, ainda que exista também resistência para outras peças femininas (hijab, chador, nikab etc.), alegando que as mesmas inibem a integração social das mulheres islâmicas, além de gerar tensões ou serem usadas para promover atos violentos. Ressalte-se que, no entanto, roupas típicas de outras culturas e religiões, tais como o sari da Índia, os ponchos das comunidades andinas, ou o véu das religiosas cristãs parecem não causar o mesmo constrangimento e impacto social.

O que muitos também parecem não levar em consideração é a dimensão da comunidade muçulmana que existe dentro da União Europeia, que soma mais de 20 milhões de pessoas, superando a população de países como Portugal, Áustria, Holanda, dentre outras nações do Bloco, e o fato de a União Europeia já negociar com países da região dos Balcãs, onde a comunidade muçulmana é maioria, ou está fortemente representada, tais como Albânia, Bósnia Herzegovina ou Kosovo. Isso, além do impasse turco, das relações com o norte da África e o contínuo fluxo migratório dessa região, fortalecido pela questão dos refugiados.

Desde a fundação da União Europeia, um dos preceitos que rege o Bloco é o respeito aos direitos humanos, às liberdades individuais e à diversidade de culturas que existe na região, de modo que a questão do véu não é somente uma discussão da comunidade local da Costa Azul e sim um tema que afeta diretamente a escala de valores nos quais se fundamenta a própria União Europeia, colocando em evidência suas assimetrias e mazelas.

O assunto já foi até mesmo discutido diversas vezes pelo Tribunal de Direitos Humanos de Estrasburgo, levantando questões importantes não somente para Europa, como também para o resto do mundo, tais como: até onde chega o poder do Estado em legislar os costumes e regras que pertencem ao nosso âmbito privado e que são intrínsecos a nossa escala de valores; ou, como podemos gerar uma sociedade democrática quando, por um lado, pregamos a liberdade em suas diversas vertentes, mas, por outro, limitamos a livre expressão de elementos fundamentais da vida humana, tais como a fé e a cultura.

Encontrar resposta a essas questões é a única forma de promover uma real integração dentro da União Europeia e, assim, conseguir superar as tensões sociais que existem no continente, as quais são cada vez mais intensas, e, finalmente, gerar uma identidade europeia formada pelas múltiplas dimensões que compõem a realidade do Bloco e de sua sociedade. Ou seja: que um europeu seja cidadão europeu e possa ser muçulmano e alemão, ou cristão e espanhol.

Caso a Europa não consiga promover esse diálogo intercultural, os processos demográficos e sociais que moldam sua sociedade impactará na legitimação dos Estados que formam o Bloco, reduzindo progressivamente a governabilidade, além de gerar o aumento das tensões internas e externas, configurando a União Europeia como um possível palco do atrito intercultural, ao invés de exemplo de integração entre as nações.

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Pacote anticorrupção da Espanha[:]

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Desde as últimas eleições na Espanha, no dia 26 de junho deste ano (2016), Mariano Rajoy, líder do Partido Popular e vencedor das duas últimas eleições, tenta pactuar com os demais partidos no intuito de obter a maioria necessária no Parlamento e, assim, assumir o cargo de Presidente, o qual, mesmo após suas duas vitória, nunca chegou a ocupar, devido à falta de consenso dos políticos espanhóis e ao sistema parlamentar que rege o país, não havendo maioria de votos que apoiem a sua investidura.

Por um lado, a Espanha superou a crise econômica que pairava sobre sua economia desde 2008, havendo ainda alguns resquícios dela, tais como o aumento da pobreza e o elevado índice de desemprego, mas o PIB do país cresce desde 2015, acima da média da Zona Euro, principalmente graças às medidas de austeridade implementadas pelo Governo de Mariano Rajoy. Por outro lado, os problemas derivados dessas medidas gerou uma profunda crise política, marcada por diversos casos de corrupção protagonizadas pelo partido da Presidência, fazendo com o que o país permaneça sem Presidente instituído, desde dezembro de 2015, sendo Mariano Rajoy apenas o Presidente em funções.

O Rei Felipe VI teve de intervir em diversos momentos durante as negociações, tanto após o resultado das eleições de dezembro de 2015, como após as segundas eleições, realizadas em junho de 2016, com o intuito de gerar o consenso necessário para a aprovação do Presidente espanhol no Parlamento. Ainda assim, o processo tem sido lento e difícil.

Em uma tentativa de evitar uma terceira eleição, o líder de direita do Partido Popular negocia com os demais partidos a criação de uma aliança focada na restauração da Espanha, motivada, principalmente, pelo projeto separatista da Catalunha e pelo desgaste das instituições espanholas.

Seu maior desafio é convencer ao segundo e terceiro colocados nas eleições (Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol, e Pablo Iglesias, do Partido Podemos, ambos líderes de esquerda, que, juntos, somam mais votos que o próprio Partido Popular) a liberar os votos no Parlamento ou a se absterem durante a votação. Por outro lado, tenta convencer ao partido Cidadãos – quarto colocado nas eleições e representante da nova direita espanhola – a formar uma aliança e, juntos, somarem 169 dos 176 votos necessários para a investidura de Mariano.

O líder do partido Cidadãos, Albert Rivera, finalmente cedeu nas negociações e formou uma aliança com o Partido Popular, mas com a condição de que um pacote anticorrupção fosse assinado e colocado em prática o mais rápido possível.

Este pacote anticorrupção espanhol contempla medidas importantes, tais como:

– Fim do Foro Privilegiado.

– Afastamento imediato de qualquer político sob investigação até a conclusão da mesma.

– Possibilidade de apenas 2 mandatos.

– Eliminar indultos para políticos acusados de corrupção ou crimes públicos.

– Criação de uma CPI para investigar o financiamento do Partido Popular.

– Fim do voto secreto e das listas parlamentares secretas.

O Documento, na íntegra, foi assinado no Congresso de deputados de Madrid e disponibilizado para o público. Ainda assim, somente entrará em vigor quando Mariano Rajoy for investido no cargo de Presidente.

A Espanha, assim como muitos países na América Latina, enfrenta o reflexo das crises dos últimos anos e o desgaste político causado pela corrupção e pelas medidas de contenção do gasto público, que afetaram a qualidade de vida das pessoas, criando um impasse entre a ação política e as reivindicações sociais.

Independentemente disso, a posição dos analistas converge para a convicção de que as políticas de luta contra a corrupção são, sem dúvidas, a principal pauta para garantir a volta da estabilidade social, o fortalecimento das instituições e a governabilidade do país.

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BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Panorama laboral europeu e as reformas trabalhistas[:]

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O estado de bem-estar social europeu, inspirado por políticas keynesianas e pelo projeto da União Europeia, é reconhecido mundialmente e serve como exemplo para diversos países e suas políticas nas áreas de saúde, educação, previdência, financiamento e para a utilização de recursos públicos.

Ainda assim, desde o início da crise financeira internacional, houve um retrocesso importante nesse estado de bem-estar da Europa, sendo necessário aplicar diversas políticas de austeridade com o intuito de conter os elevados gastos públicos, principalmente nos países do mediterrâneo, onde a dívida já superou 90% do PIB em praticamente todos os países da região.

Depois de superar a crise financeira, a Europa continua enfrentando problemas e não consegue alcançar o equilíbrio fiscal necessário, sendo obrigada a tomar diversas medidas que variam conforme o país e sua estrutura socioeconômica. Dentre as reformas que estão sendo aplicadas, a trabalhista e a previdenciária são as mais temidas e menos aceitas pela população, havendo até mesmo confrontos e manifestações violentas em alguns lugares, como são os casos da França e da Alemanha.

O problema que a Europa enfrenta é maior do que o simples reflexo da Crise Financeira de 2008 e das oscilações nos mercados emergentes. A população do continente europeu tem uma média de idade superior aos 40 anos e uma longa expectativa de vida, frente a uma baixa taxa de natalidade e um elevado desemprego juvenil, além de um conjunto de políticas migratórias falhas e ineficientes. Dessa forma, a pirâmide social necessária para o bom funcionamento do “estado de bem-estar social” se colapsa por falta de uma base que sustente os gastos públicos – principalmente os relativos à previdência e à saúde – e que obriga os Estados a reduzirem ao máximo os gastos em outros setores e a promoverem modificações profundas no sistema laboral e previdenciário, além de recortes em diversas outras áreas, tais como o transporte, a educação, a iluminação pública, a segurança etc..

Praticamente todos os países europeus modificaram suas leis trabalhistas, permitindo uma maior flexibilização do trabalho e das contratações, mudanças na jornada laboral, aumento do tempo de trabalho parar obtenção de aposentadoria, redução dos benefícios do seguro desemprego e a terceirização do trabalho. Essas mudanças provocaram uma precarização do trabalho na Europa e em países onde as modificações foram mais severas, tais como a Espanha, a Itália, a Grécia e Portugal houve um aumento da emigração e perda de mão de obra.

Dessa forma, os jovens preferem emigrar para países com melhores condições trabalhistas, como, por exemplo, a Suíça, o Canadá, lugares na América Latina, a Austrália e países nórdicos, deteriorando, a longo prazo, o equilíbrio social necessário parar manter o sistema previdenciário dos seus países de origem.

Mesmo quando a migração é realizada dentro do espaço europeu, por não haver um sistema previdenciário único no Bloco, existe um impacto negativo e ocorre um aumento das assimetrias presentes na União Europeia entre os países que perdem força de trabalho e aqueles que se beneficiam do bônus habitacional que lhes fornece esse ciclo migratório interno.

Outros setores que sofreram com recortes, tais como a educação e a saúde, também enfrentam uma precarização, com a redução nos índices de aproveitamento escolar, além de um aumento da mortalidade causada por doenças já consideradas superadas na Europa, o surgimento de epidemias e a eclosão de greves geradas pelos cortes na saúde pública.

A falta de bônus populacional obriga a Europa a reformular sua dinâmica social e econômica, devido a reconhecida dificuldade que possuem os Estados do continente em integrar socialmente os imigrantes vindos de outros países, e pelo fato de carecer de políticas eficientes para controlar as dinâmicas sociais inerentes a própria livre circulação dentro do Bloco. Isso ocorrer porque a migração ainda é vista como um fator gerador de tensões, que motivam discursos furiosos nas alas conservadoras de vários países, tais como a França, a Áustria, a Espanha, a Alemanha. A migração até mesmo já foi apontada como um dos motivos da saída do Reino Unido do Bloco.

Dessa forma, sem imigrantes e sem renovação demográfica necessária para equilibrar o panorama fiscal, a população da Europa aos poucos envelhece e perde qualidade de vida, sendo este processo um exemplo do que pode vir a acontecer em nações mais jovens da América Latina e da Ásia, além de também nos alertar sobre as diferentes consequências que as mudanças no sistema previdenciário e nas leis trabalhistas podem ocasionar em um prazo maior de tempo.

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

[:pt]O papel da Paradiplomacia na Internacionalização de Empresas[:]

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Durante o século XX, as empresas foram ganhando importância no panorama internacional, ao ponto de se converterem em um novo ator nas relações internacionais. A globalização permitiu o incremento da circulação do capital, assim como o desenvolvimento de uma cadeia produtiva global, gerando padrões e rotinas diferentes dos adotados pelos atores clássicos – os Estados e posteriormente as Organizações Internacionais – inserindo, dessa forma, uma nova dimensão no cenário global, caracterizada pela diplomacia empresarial, embora nem todas as empresas possuam infraestrutura ou capital necessário para atuar no cenário global, sendo este um papel concentrado nas grandes corporações e nas multinacionais.

Apesar dessa concentração, mesmo que uma empresa não esteja participando ativamente no cenário global, todas são igualmente impactadas. Desde a grande até o pequeno produtor, a competitividade internacional está presente no seu dia a dia. Quando um produtor rural participante de uma cooperativa vende seu produto no mercado local, fatores externos moldam sua realidade, seja pela competência de outros produtores internacionais que exportam o mesmo produto a um preço mais competitivo, seja por oscilações do mercado de capitais, ou até mesmo mudanças no marco legislativo em relação a importação de insumos necessários para sua atividade – como podem ser os casos dos fertilizantes –, atendendo as decisões estratégicas da nação ou as movimentações do mercado global.

Sendo assim, as pequenas e médias empresas são duplamente pressionadas, por um lado por não conseguir gerar um grupo de influência grande o bastante para exercer pressão nos formuladores políticos de seus países e, por outro lado, por não conseguir a representatividade internacional necessária para influenciar a dinâmica mundial.

Nesse contexto, a Paradiplomacia surge como uma solução para essas pequenas e médias empresas, já que um dos intuitos dos órgãos paradiplomáticos é justamente fornecer maior representação e competitividade para sua região no contexto internacional.

A Paradiplomacia permite uma maior representatividade das atividades realizadas dentro do território ou estrutura subnacional representada, fortalecendo-se nas características oriundas de cada região e permitindo com que pequenas e médias empresas possam obter maior visibilidade.

Regiões produtoras buscam uma maior participação internacional, defendendo seus interesses e buscando uma redução do impacto das grandes decisões internacionais. Outras buscam promover e procurar oportunidades. Existem associações que reúnem governos subnacionais focados em determinados temas, tais como a “Os 4 motores para Europa: Catalunha, Rhone Alps, Lombardia e Baden” ou a “mercocidades”.

Também existem agências setoriais que atuam em escala internacional, além de diversas representações de governos subnacionais e organismos ligados aos mesmos, tais como: o Governo da Catalunha, o Governo de Quebec, o Governo de Rhone Alps, o Governo de São Paulo, o Governo do Rio de Janeiro etc..

A Paradiplomacia – diferentemente da Diplomacia oficial – permite uma maior flexibilização e agilidade nos processos internacionais e ações focalizadas, formando várias áreas de atuação. Um órgão subnacional pode criar uma agência para a promoção turística de uma determinada região, uma agência setorial para defender os interesses de um ou vários setores, ou um serviço de representação com fins políticos próximos a centros de decisões internacionais, tais como Washington, Londres ou Bruxelas.

Esses Organismos paradiplomáticos também podem auxiliar a empresa em sua internacionalização, através de acordos de cooperação técnica, projetos setoriais, criação de clusters, missões empresariais, rodadas de negócios, realização de eventos, participações em feiras internacionais, dentre várias outras atividades.

A internacionalização das empresas é uma tendência crescente, porém os órgãos diplomáticos oficiais nem sempre estão preparados para atender aquelas de pequeno e médio porte, que precisam passar por todo um processo de aprendizagem para poder atuar no mercado internacional, sendo vital o papel dos organismos paradiplomáticos no processo, já que os mesmos possuem uma proximidade maior com a sua realidade empresarial e, consequentemente, uma maior sinergia com a mesma, além de que sua atuação internacional está focada na cooperação e sinergia entre regiões.

A Paradiplomacia atua então como vetor para a internacionalização de pequenas e média empresas, na medida em que busca incrementar a representatividade e competitividade de uma determinada região no contexto global, sendo também uma forma de atrair investimentos e gerar um aumento da visibilidade da região.

Algumas regiões já possuem representações oficiais no exterior e agências de promoção econômica, como são os casos de Quebec, Flandres e Catalunha. No Brasil, Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná já possuem agências focadas na atração de investimentos, mas ainda tem muito a ser feito na área de internacionalização de pequenas e médias empresas, sendo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio a Empresa), juntamente com a APEX (Agência de Promoção Exterior do Brasil), os Órgãos que concentram tal atividade, limitando, assim, a atuação de municípios e, consequentemente, afetando a representatividade internacional e o uso do potencial local de cada região que forma o Brasil.

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DEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]União Europeia/OTAN versus a União Euroasiática/Rússia[:]

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O projeto de integração da Europa ocidental se expandiu por praticamente todo o continente europeu e, hoje, engloba 27 países – após a decisão do Reino Unido de se retirar do grupo –, ressaltando-se que este projeto europeu foi o plano que serviu de inspiração para a criação de outros similares ao redor do mundo, tais como o Mercosul.

Ainda que a União Europeia (UE) enfrente problemas devido as assimetrias existentes no Bloco e, agora, acrescidos daqueles gerados pela saída do Reino Unido, a mesma continua com o discurso de integração e com o seu projeto de expansão. O último membro que entrou para a UE foi a Croácia, em 2011. Acrescente-se que existem negociações com Estados da mesma região, os Bálcãs, tais como a Bósnia Hezergovina, que solicitou oficialmente sua entrada no dia 15 de fevereiro de 2016, e ocorre o progresso para outros países da região do Cáucaso e do leste europeu, fazendo um avanço perigoso em direção à área de influência russa.

O caminhar da União Europeia para o leste Europeu desencadeou uma série de efeitos que, hoje, abalam o equilíbrio geopolítico da região, sendo o caso da Península da Crimeia o mais relevante, e também fortaleceu a ideia da criação de um outro Bloco Econômico liderado pela Rússia, formado por países da Europa e da Ásia – A União Euroasiática – que foi formalizada no Tratado da União Econômica Euroasiática, assinado na cidade de Astana (Cazaquistão), que entrou em vigor no dia 1o de janeiro de 2015. Esta é um espaço formado pela Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia, que possuem um passado comum, além de recursos importantes, tanto para a Europa ocidental como também para as economias emergentes da Ásia, além de grande arsenal bélico pertence a uma das superpotências da era Bipolar, a atual Federação Russa.

O embate entre a União Europeia e a União Euroasiática não será na área econômica, mas, sim, na representação de forças geopolíticas presentes na região. Por um lado, a UE está resguardada pela OTAN, por outro, a União Euroasiática está sob à proteção da Rússia, sendo este o lado bélico de uma crescente tensão que persiste desde o fim da Guerra Fria.

A Cúpula da OTAN, realizada nos passados dias 8 e 9 de julho (sexta-feira e sábado, passados), em Varsóvia, reflete o aumento dessas tensões e o embate das forças geopolíticas que colidem nessa região do mundo, transferindo para o segundo plano assuntos de grande relevância, como a crise dos refugiados, a situação da Síria e a atuação dos países ocidentais nos conflitos do Oriente Médio, principalmente após a publicação do relatório sobre a Guerra do Iraque e sobre a participação de países europeus, tais como o Reino Unido e a Espanha.

As tensões se acumulam não somente na área econômica, com a União Europeia mantendo as Sanções contra a Economia Russa e, do outro lado, com a formalização de um Bloco econômico oposto à União (além das Sanções da Rússia contra a Europa), mas, também, na esfera militar e política, sendo este um grande desafio não apenas para a escala regional, mas também global, já que muitos dos fatores geradores dessas tensões são comuns à comunidade internacional, sendo este um momento decisivo para a humanidade, que, aos poucos, volta a gerar pontos de concentração de poder e de tensão, os quais podem promover uma nova polarização e uma nova onda de conflitos em escala mundial.

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições Gerais na Espanha e o desafio Ibérico

A Espanha voltou às urnas no dia 26 de junho para escolher novamente quem será o líder do Governo nos próximos quatro anos. Na eleições gerais ocorridas no dia 20 de dezembro de 2015, o país já havia escolhido Mariano Rajoy – líder de direita do Partido Popular –, mas o candidato eleito não conseguiu convencer as demais lideranças do Parlamento e, após sucessivos fracassos nas negociações, o Rei da Espanha – autoridade representativa máxima do Estado – teve que dissolver o Parlamento e convocar essas novas eleições que foram realizadas no dia 26.

Pesquisas de opinião, analistas e meios de comunicação indicavam um avanço constante dos novos Partidos – tanto de direita (Partido Cidadãos) como de esquerda (Partido Podemos) – frente ao detrimento das forças políticas já estabelecidas na Espanha.

Dias antes das eleições, o Podemos já se posicionava como segunda maior força política, frente a uma queda da popularidade do Partido Popular, devido a uma série de áudios do Ministro do Interior, Jorge Fernandez Díaz, que vazaram, relacionando o mesmo aos esquemas de corrupção, nos quais está envolvida grande parte da cúpula partidária, havendo apreensão de documentos na sede do mesmo, semanas antes das eleições.

As questões principais do debate político foram o desemprego (superior a 22%) e o combate a corrupção. Ainda assim, os resultados eleitorais surpreenderam e o partido de Mariano Rajoy voltou a ganhar o pleito, e com maior número de votos.

Um dos fatores que afetou a formulação de poder na Espanha e finalmente o voto dos eleitores foi a realização do Referendum no Reino Unido. A Espanha possui uma considerável colônia de imigrantes nos países britânicos, além da delicada relação entre o Estado espanhol e o território de Gibraltar, que permanece sob domínio do Reino Unido, embora seja historicamente reivindicado pela Espanha. Com a vitória do Brexit, os espanhóis votaram em massa nos conservadores que se caracterizam por sua campanha de maior integração com a União Europeia e fortalecimento da Espanha dentro do Bloco.

Outro fator de peso nas eleições foi a questão da Venezuela e o fato de tanto o representante da nova direita como da nova esquerda espanhola terem visitado o país, havendo o crescente temor de uma súbita mudança do alinhamento geopolítico do Estado espanhol em direção à América Latina e aos seus ideais, aumentando, assim, os votos dos partidos tradicionais de direita e de esquerda. O resultado chegou a ser questionado e uma série de notícias denunciavam fraude nas eleições, embora não tenha havido, até o momento, nenhum recurso oficial ao órgão responsável pelas eleições.

Com a vitória, Mariano Rajoy volta ao olho do furacão e novamente deverá negociar sua posse dentro do Parlamento, mas sob a ameaça de uma sociedade fragmentada e de um crescente movimento nacionalista na Catalunha, que deseja fortalecer suas reivindicações por separar-se da Espanha, mas permanecer na União Europeia, igualando-se às reivindicações da Escócia em relação a sua independência do Reino Unido, ou seja, igualando-se nas reinvindicações para obter maior autonomia.

A União Europeia trabalha para minimizar os efeitos do Brexit no Bloco, porém um novo cenário político começa a ser desenhado e, sem dúvidas, a Espanha, como quarta economia do Bloco europeu, deverá se posicionar frente ao desafio interno e externo que o país enfrenta.

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