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Refugiados sírios aspiram à carreira de jogador profissional no Brasil

A Guerra Civil Síria, conflito armado em andamento, já fez mais de 570.000 (quinhentos e setenta mil) vítimas fatais desde 2011, forçando os habitantes a buscarem melhores condições de vida, quer seja em países vizinhos – maior destino dos refugiados –, quer seja em nações mais distantes geograficamente.

Neste contexto, a Jordânia hospeda o maior campo de refugiados sírios do mundo, contando com 77.019 (setenta e sete mil e dezenove) imigrantes na cidade de Zaatari, segundo o relatório do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), publicado no último dia 19 de maio (2019).

O Brasil recebe, ao todo, 11.327 (onze mil, trezentos e vinte e sete) refugiados, dos quais estima-se que entre 35% a 40% têm como nacionalidade a Síria. Com a finalidade de incluir estes novos habitantes e dar-lhes a oportunidade de recomeçar a vida, o governo nacional e entidades sociais fazem alianças que colocam em prática esta iniciativa.

A cidade de Resende/RJ, por exemplo, recebe a Academia de Futebol Pérolas Negras, um “time mundial de refugiados”, a única instituição nas Américas com este caráter. Criada em 2011 no Haiti pela ONG Viva Rio e trazida ao Brasil em 2016, a Academia auxilia no desenvolvimento profissional, bem como oferece educação e residência fixa aos refugiados em situação de vulnerabilidade.

Jovens atletas treinam no clube Pérolas Negras

A seleção dos atletas é realizada in loco, ou seja, técnicos representando a Academia visitam campos de refugiados e convidam alguns jogadores a fazerem parte do time: atualmente são mais de 120 jogadores, entre moças e rapazes. No início de 2018, a comissão técnica foi a Zaatari e realizou uma peneira* com 150 jovens, dos quais apenas 5 foram selecionados: Ahmad, Hafith, Jawdat, Omar e Quais.

Segundo reportagem publicada no portal do ACNUR, Ahmad, de 17 anos, teve que deixar a Síria e partir para o país fronteiriço antes de completar 10 anos de idade. “Antes da guerra, um time levava anualmente dez meninos para treinar no Catar. Eu fui selecionado, mas não pude ir porque foi quando a guerra começou”, disse o meio-campista.

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Outro jovem atleta, o zagueiro Quais, de 14 anos, morou no campo de refugiados por cerca de metade da sua vida. Quando era criança, jogava bola nas ruas da Síria, mas foi somente na Jordânia que começou a pensar em se tornar um atleta profissional. “Em Zaatari, eu era parte de uma equipe e o treinador nos comunicou que iria acontecer uma seleção para jogar profissionalmente no Brasil. Eu me inscrevi e acabei passando. É maravilhoso poder jogar futebol”, disse o adolescente.

Atuando nas frentes do time masculino e feminino profissionais, além das categorias sub-20 e sub-17, o Pérolas Negras participa das competições do Campeonato Carioca Série B2. Em jogos válidos pela Copa Rio, Pérolas Negras e Audax Rio empataram as duas partidas (0 a 0 e 1 a 1) e decidiram quem passaria para a próxima fase nos pênaltis. Com duas defesas do goleiro Luiz Henrique, do Audax-RJ, o Pérolas Negras encerrou sua participação na competição. O time mundial de refugiados volta a campo no próximo domingo (30 de junho), contra o “7 de Abril”, em jogo da Série B2, terceira divisão do estadual.

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Nota:

* Peneira é a forma coloquial com que o processo seletivo para atletas de futebol é conhecido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Campo de refugiados de Zaatari” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/49/Zaatari_refugee_camp%2C_Jordan_%282%29.jpg

Imagem 2 “Escudo do clube Pérolas Negras” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/d/d9/AFPerolasNegras.png

Imagem 3 “Jovens atletas treinam no clube Pérolas Negras” (Fonte): https://i2.wp.com/academiaperolasnegras.org/wordpress/wp-content/uploads/2018/10/treino-13.jpg?w=300

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Agência da ONU realiza jogo amistoso pelos imigrantes venezuelanos no Brasil

Realizado no último dia 30 (abril de 2019) em Manaus, a capital do estado brasileiro Amazonas, um jogo amistoso de futebol foi organizado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) como gesto de solidariedade aos milhares de venezuelanos que migraram para o Brasil. A partida teve como objetivo chamar a atenção para as dificuldades que os imigrantes enfrentam e arrecadar doações de alimentos não perecíveis.

Dentro de campo, os times Lendas do Flamengo, composto por atletas veteranos do clube carioca, e Amigos de Iranduba, um coletivo de amigos da cidade de Iranduba, localizada na região metropolitana de Manaus, se enfrentaram para a diversão do público presente na Arena da Amazônia. Ressalte-se que nesta cidade há um clube de futebol denominado Esporte Clube Iranduba da Amazônia, que foi fundado em 2011. Também participaram da apresentação cinco crianças e adolescentes venezuelanos que entraram em campo junto aos jogadores, incluindo Keyla, uma jovem de 18 anos, ex-jogadora semiprofissional de futebol, que teve a missão especial de carregar a bandeira de seu país de origem.

O placar da partida, secundário diante da causa, terminou em uma goleada de 9 a 2 para o time de veteranos do Flamengo, para delírio dos 30 venezuelanos que assistiam ao jogo da arquibancada. Os gols foram marcados por Athirson, Thiago Coimbra, Sávio Maurinho, Felipe Adão e Aloísio Chulapa.

Venezuelanos vão às ruas protestar contra o governo em 2016

Bruno Cabrezito, ex-jogador profissional e atual ator, também atuou pelo Lendas do Flamengo. Atualmente interpretando o vilão Hussein Zarif na novela “Órfãos da Terra”, da Rede Globo, Bruno disse admirar cada um dos ali presentes e que espera que a vida no Brasil seja cada vez melhor.

Este amistoso foi o primeiro de um projeto intitulado Duelos da Arena, que visa “promover o acolhimento dos venezuelanos por meio do futebol”. A organização do evento arrecada doações como forma de ingresso para assistir à partida – a chamada “entrada solidária” – que são revertidas para os abrigos de refugiados vulneráveis, geridos pela Pastoral do Migrante de Manaus.

A ACNUR tem forte atuação na região norte do Brasil, o maior destino dos refugiados, e oferece serviços de registro de informação, moradia e proteção às famílias venezuelanas em situação de vulnerabilidade. A agência atua em consonância com o Governo Federal brasileiro para lidar com questões emergenciais de forma mais efetiva.

Segundo levantamento da ACNUR, desde 2016, mais de 3,4 milhões de mulheres, homens e crianças foram forçados a sair do país. De acordo com dados da Polícia Federal, 14 mil solicitações de refúgio foram feitas em Manaus até o final de 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Refugiados venezuelanos em Boa Vista” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/66/Venezuelan_refugees_in_Boa_Vista%2C_Brazil_1.jpg

Imagem 2 “Venezuelanos vão às ruas protestar contra o governo em 2016” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/db/Venezuela_protest_26_October_%28size_diff%29.jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Investidores asiáticos controlam 100% de clube italiano da Série A

Já faz alguns anos que grandes empresas do continente asiático vêm utilizando a estratégia de investir em clubes de futebol de pequeno, médio e grande portes. Dentre os objetivos estão: promover o gerenciamento intercultural, diversificar seus rendimentos, estabelecer suas marcas em um cenário global e reafirmar um plano de marketing mais audacioso.

Mercado-alvo e com times de forte projeção internacional, o continente europeu foi palco de uma das mais recentes operações bilionárias. Em junho de 2016, a terceira maior empresa privada da China adquiriu 68,55% da Inter de Milão, clube italiano que completou 111 anos em 2019.

A compra das ações majoritárias foi anunciada pelo então presidente da Inter, Erick Thohir, e por Zhang Jingdong, CEO do grupo Suning Holdings Group*, acompanhados do vice-presidente do clube, Javier Zanetti, e do executivo-chefe Michael Bollingbroke. O valor divulgado da transação foi de € 270 milhões (cerca de R$ 1,161 bilhão). Segundo a agência Reuters, “a companhia disse que quer criar um ‘ecossistema’ esportivo global, incluindo propriedade de clubes, direitos de mídia esportiva, agências de jogadores, instituições de treinamento, plataformas de transmissão, produção de conteúdo e comércio eletrônico relacionado a esportes”.

No último trimestre do ano passado (2018), Thohir, então detentor de fatia minoritária das ações, deixou o comando da Inter para dar lugar ao empresário Steven Zhang – filho de Zhang Jingdong –, que já fazia parte do corpo diretivo do clube desde a aquisição das ações pela Suning, empresa a qual prestava serviços anteriormente.

Corpo diretivo do clube com Steven Zhang, atual CEO de 27 anos, a frente

De acordo com nota publicada no website oficial do clube, o jovem, à época com 26 anos, já possuía experiência profissional para lidar com as responsabilidades da função. “Antes de iniciar sua carreira na Suning, Steven Zhang trabalhou como analista no Morgan Stanley, na divisão Investimentos e capitais, onde se especializou em ofertas públicas iniciais (IPOs) e fusões e aquisições (M&A)”.

Ao final de janeiro deste ano (2019), Erick Thohir, por meio da International Sports Capital, encerrou de uma vez por todas o seu vínculo com o clube ao vender o total de suas ações para a LionRock Capital. A empresa com sede em Cingapura desembolsou € 150 milhões (aproximadamente 645 milhões de reais) para adquirir 31,05% dos ativos da Inter de Milão, e se tornar a sócia minoritária. Os 0,40% das ações restantes estão sob posse de pequenos acionistas históricos.

Fundada e dirigida desde 2011 por Daniel Kar Keung Tseung, a LionRock já possui ações do grupo Suning Sport, o que aumenta a especulação de que o investimento da empresa irá facilitar as operações para que a Suning possa assumir o controle total da Inter no futuro.

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Nota:

* Fundada em 1990 como uma pequena empresa empreendedora, graças ao seu espírito inovador e altas habilidades no setor, o Suning Holdings Group se expandiu exponencialmente e rapidamente se transformou em um dos três maiores grupos chineses não-estatais do país, com quase 50 milhões de vendas anuais. No momento, o Suning Holdings Group possui duas empresas listadas, uma em seu próprio país e a outra no exterior. Com uma cadeia de mais de 1.600 lojas, a sua atividade comercial abrange 600 cidades entre a China e Japão, além de Hong Kong, e está em constante crescimento através de ramificações em seis setores: Varejo, Imobiliário, Esportes, Mídia e Entretenimento, Investimentos e Serviços Financeiros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Torcedores da Inter de Milão marcam presença no estádio Santiago Bernabeu para a final da UEFA Champions League 200910”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e2/Il_biscione_e_l%27fc_Internazionale_al_Bernabeu.jpg

Imagem 2 “Corpo diretivo do clube com Steven Zhang, atual CEO de 27 anos, a frente” (Fonte): https://scontent.fcgh18-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/18700060_1662711960490229_6678580553365152300_n.jpg?_nc_cat=108&_nc_ht=scontent.fcgh18-1.fna&oh=321a0860b98e192b4f8aa36ff02a11a6&oe=5D02488F

ANÁLISES DE CONJUNTURAEsporte

China investirá bilhões em cidade para E-Sports

O mercado dos esportes eletrônicos, conhecidos popularmente como e-Sports, tem crescido exponencialmente com um número cada vez maior de jogadores, surgimento de novos campeonatos locais e internacionais, bem como o aumento expressivo nos prêmios distribuídos para os vencedores.

Esta projeção também foi bastante alavancada pela inclusão dos e-Sports como modalidade demonstrativa na edição de 2018 dos Jogos Asiáticos, em Jacarta, onde a China saiu como grande campeã em League of Legends (LOL) e Arena of Valor, além de figurar na segunda posição em Clash Royale.

De acordo com uma matéria publicada pela revista Forbes, a indústria dos esportes eletrônicos deve arrecadar cerca de US$ 1,65 bilhão[1] até 2021 ao redor do mundo, oriundos de ingressos de partidas, patrocínio, anunciantes, compradores de conteúdo, direitos de mídia etc.. Sozinha, a China é responsável por 18% destas entradas.

Diante do panorama, o governo chinês anunciou o investimento bilionário no valor de US$ 2,22 bilhões[2] no setor de infraestrutura na cidade de Hangzhou e promete finalizar as obras até 2022, ano em que Hangzhou irá sediar a próxima edição dos Jogos Asiáticos – a primeira em que os e-Sports serão considerados modalidades oficiais da competição, valendo medalhas.

Campeonato Mundial de LOL, um torneio conhecido por rodar diferentes cidades entre os maiores países a cada ano

O novo complexo na “cidade dos jogos eletrônicos” terá 14 novas instalações voltadas para a prática do esporte, distribuídos em 17.000 metros quadrados. Dentre as novidades estarão um hotel temático, hospital para os jogadores, centro acadêmico de e-Sports, business center e até mesmo um parque de diversões. A expectativa do governo é atrair cerca de 10.000 aspirantes a jogadores, gerando uma receita fiscal de US$ 140 milhões[3].

Os números levantados pela Unibet traduzem este processo que transformou os games – do hobby à profissão regulamentada – na última década, atraindo novos jogadores e espectadores ao redor do mundo. Segundo o relatório, a final de League of Legends de 2016 foi assistida por mais pessoas do que o último jogo das finais da NBA (36 milhões de dólares em comparação com 31 milhões)[4]. As cifras das premiações concedidas aos times vencedores também cresceram vertiginosamente, chegando a quadruplicar, comparando os anos de 2013 (US$ 21,4 milhões ) e 2016 (US$ 93,3 milhões)[5].

Apesar de ser superada pelos Estados Unidos da América (EUA) em número de jogadores em atividade – 2.891 contra 1.001 em 2016 –, a China defende sua supremacia absoluta em competições de e-Sports pelo período de 5 anos, chegando a somar US$ 19,348,915.00[6] em prêmios em 2016 (contra US$ 14,703,143.00[7] dos EUA, o segundo no ranking). Historicamente, esta vantagem financeira permanece a favor dos times chineses, que totalizaram US$ 52,5 milhões[8], em face aos US$ 47,9 milhões dos EUA (2016)[9].

No que tange ao jogo mais lucrativo, Dota 2 dispara na frente dos concorrentes no gráfico dos jogadores que mais faturam, anotando “71 dos 100 melhores jogadores, dos quais 29 são da China. As equipes chinesas ficaram em primeiro ou segundo lugar nas duas últimas competições internacionais, garantindo ao país mais de US$ 18 milhões[10] somente com as quatro colocações de equipe”.

The International (2012): a grande final entre Na’Vi (esquerda) e iG (direita)

Vale ressaltar a faixa etária dos jogadores: três atletas da equipe campeã do torneio de 2016 tinham apenas 21 anos à época da disputa. Sem embargo, a idade média em que os jogadores profissionais chegam ao ápice financeiro é de 25 anos. Após esta marca, nota-se uma leve queda no gráfico, acentuada na faixa entre 31 e 33 anos, voltando a subir entre 34 e 36 anos.

Por fim, o retorno de todo este investimento do governo chinês parece estar muito bem planejado: além da atração dos 10.000 novos jogadores mencionada anteriormente, pretende-se contar com mais 2 milhões de turistas, 1.000 empresas e instituições voltadas ao e-Sports, bem como a organização de 1.000 competições da modalidade até 2022. Desta forma, o país asiático larga na frente em direção a se tornar um ícone e se consolidar ainda mais como referência internacional ao ser o primeiro a lançar mão de uma cidade projetada aos e-Sports.

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Notas:

[1] O cálculo aproximado em reais tem como cotação Dólar – Real a relação de: U$ 1.00 para cada RS$ 3,65770, usando a cotação de 1o de fevereiro de 2019. O valor, de 1,65 bilhão de dólares corresponde a pouco mais de 6 bilhões de reais. Doravante, todas correspondências em Reais seguirão a mesma cotação.

[2] Cerca de 8,10 bilhões de reais.

[3] 512 milhões de reais, aproximadamente.

[4] R$ 131.677.000,00 e R$ 113.389.000,00, respectivamente.

[5] Aproximadamente, R$ 78.274.800,00 e R$ 341.263.000,00, respectivamente.

[6] Próximos de R$ 70.772.500,00, na cotação citada.

[7] Em torno de R$ 53.779.700,00, seguindo a mesma cotação.

[8] Aproximadamente, R$ 192.029.000,00.

[9] Próximos de R$ 175.204.000,00.

[10] Ao redor de R$ 65.838.600,00.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro de Convenções Internacionais de Hangzhou, China”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Hangzhou_conference_center_night.jpg/1024px-Hangzhou_conference_center_night.jpg

Imagem 2 “Campeonato Mundial de LOL, um torneio conhecido por rodar diferentes cidades entre os maiores países a cada ano” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c0/LOL2016WorldsFinalsArena.jpg

Imagem 3 “The International (2012): a grande final entre NaVi (esquerda) e iG (direita)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ab/The_International_2012.jpg/1024px-The_International_2012.jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Senegal será o primeiro anfitrião africano de Jogos Olímpicos, em 2022

Os Jogos Olímpicos da Juventude (JOJ) 2018, realizados na cidade de Buenos Aires, Argentina, ainda não haviam sido encerrados quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou onde será sediada a quarta edição desta competição, em 2022: Senegal. Esta nomeação, ocorrida em 8 de outubro, consolidou o país africano como primeiro representante do continente a receber um evento olímpico na História.

A candidatura senegalesa foi formalmente postulada em fevereiro deste ano (2018), quando o presidente do Comitê Olímpico e Esportivo do Senegal, Mamadou Ndiaye, manifestou o interesse e acrescentou que “recentemente renovamos ou construímos muitas instalações esportivas e infraestrutura”. Thomas Bach, presidente do COI, endossou a importância de levar um evento esportivo desta magnitude para a África, pois considera o continente “o lar de tantos atletas olímpicos de muito sucesso”.

Amadou Ndiaye, nadador senegalês que atuou nas provas de 400 e 800m em Buenos Aires

Alguns atletas, que ainda competiam sob a bandeira de Senegal nos JOJ de Buenos Aires, demonstraram bastante ansiedade e empolgação, diante da expectativa para 2022. O nadador Amadou Ndiaye (foto), que entrou com a bandeira de seu país na cerimônia de abertura, disse que “vai ser muito motivador para os jovens atletas e estou muito orgulhoso do Senegal ser anfitrião dos Jogos”. Em seguida, destacou a generosidade e acolhimento dos senegaleses, colaborando ainda mais para o sucesso da competição.

O Presidente de Senegal, MackySall, enfatizou a união do povo africano e o ganho que a parceria com o COI traz para o continente. Segundo suas palavras, “nós estamos muito honrados como africanos. Esta nomeação, para mim, é uma nomeação da África”.

Jovens senegaleses ansiosos para representar sua bandeira em casa

O número de atletas habilitados a competir em 2022 – devido a sua faixa etária – e o esporte como fator educacional para os jovens serão o grande legado dos Jogos. Sall destaca que “em Senegal, e em todo continente africano, a juventude representa mais de 65% da população”.

Os investimentos já começaram a ser alocados com o objetivo de cumprir os prazos sem nenhum tipo de atraso,visando garantir imagem positiva para consolidar uma possível candidatura para os Jogos Olímpicos de Verão a longo prazo, a partir de 2035. As competições e atividades serão realizadas em três cidades: a capital histórica de Dakar; a nova cidade de Diamniadio; e a beleza natural de Saly, na costa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Senegal será o paíssede dos JOJ 2022” (Fonte): https://stillmed.olympic.org/media/Images/OlympicOrg/News/2018/10/18/2018-10-18-Senegal-thumbnail.jpg?interpolation=lanczos-none&resize=:

Imagem 2 “Amadou Ndiaye, nadador senegalês que atuou nas provas de 400 e 800m em Buenos Aires (2018)” (Fonte): https://stillmed.olympic.org/media/Images/OlympicOrg/News/2018/10/18/2018-10-18-Senegal-inside-02.jpg?interpolation=lanczos-none&resize=1060:*

Imagem 3 “Jovens senegaleses ansiosos para representar sua bandeira em casa” (Fonte): https://stillmed.olympic.org/media/Images/OlympicOrg/News/2018/10/18/2018-10-18-Senegal-inside-03.jpg?interpolation=lanczos-none&resize=1060:*

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

UNODC e COI fazem parceria para combater a corrupção no Esporte

Os casos envolvendo corrupção na alta cúpula do esporte têm se intensificado cada vez mais nos megaeventos esportivos, levando a sociedade internacional a se mobilizar. O foco desta discussão é traçar estratégias eficazes para combater estes crimes, que comprometem os resultados oficiais das competições em prol de “ganhos ilícitos”, conforme declarado por Jean-Luc Lemahieu, Diretor do UNODC para Análise de Políticas e Assuntos Públicos.

Reunião da IPACS, em Lausanne, no dia 29 de junho de 2018

Principais organizações interessadas neste tema, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Comitê Olímpico Internacional (COI) uniram forças, com auxílio da Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL) e demais representantes dos Estados Membros, a fim de investigar e punir os envolvidos.

Dentro deste contexto, foi criada a Parceria Internacional Contra a Corrupção no Esporte (IPACS) em 2017, na cidade de Paris. Esta plataforma pluri-participativa denominou um grupo de trabalho composto por representantes de governos, organizações intergovernamentais e organizações esportivas. Estabeleceu-se, então, três pontos mais críticos que demandam maior prioridade de mitigação com objetivo de avançar no combate à corrupção, as chamadas forças-tarefas. 

A primeira força-tarefa tem por finalidade reduzir o risco de corrupção nas aquisições relacionadas a eventos esportivos e infraestrutura; a segunda força-tarefa concentra-se em garantir a integridade na seleção dos grandes eventos esportivos, com um foco inicial na gestão de conflitos de interesses; e a terceira força-tarefa visa otimizar os processos de cumprimento dos princípios de boa governança para mitigar o risco de corrupção.

O próximo encontro da IPACS – o quarto da série – para acompanhamento dos resultados concretos, bem como definição dos próximos passos, será realizado entre os próximos dias 2 a 8 de dezembro (2018) na cidade de Londres, Inglaterra. O Brasil estará mais uma vez representado pela advogada da União, Tatiana Mesquita Nunes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da UNODC em Viena, Áustria” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f2/Austria_august2010_0073.jpg

Imagem 2 “Reunião da IPACS, em Lausanne, no dia 29 de junho de 2018” (Fonte):

https://www.unodc.org/images/Safeguardingsport/3rd_IPACS.jpg