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Autoridades malaias criticadas na China sobre o vôo MH370

Os familiares e amigos dos 153 chineses que seguiam na “Malaysia Airlines” no dia 8 de março com destino a Pequim criticaram o anúncio feito na última segunda-feira (24 de março) pelo “Primeiro-Ministro da Malásia”, Najib Razak, de que o vôo MH370 com 239 pessoas a bordo caiu no sul do “Oceano Índico” e não teve sobreviventes. Afirma-se que a esta informação acrescentam-se as outras contraditórias anteriores, bem como a falta de comunicação com os familiares que aguardam num hotel em Pequim e a ocultação da verdade por parte do Governo malaio[1]

Como forma de pressionar não só as autoridades malaias mas também chinesas, cerca de uma centena de familiares e amigos marcharam em direção à  “Embaixada da Malásia em Pequim”, na terça-feira, dia 25. Para eles enquanto não forem achadas as provas materiais, os passageiros do MH370 ainda continuam vivos[1]. O resultado é que mais informação será disponibilizada aos familiares com mais frequência e cerca de 700 pessoas, entre psicólogos e outros profissionais, estarão à disponibilidade dos familiares dos passageiros[2]. O Governo chinês apontou um dos seus “Vice-Ministros dos Negócios Estrangeiros” para acompanhar a crise em “Kuala Lumpur[3].

Entretanto, a mídia, celebridades e internautas chineses condenam também o modo como a crise tem sido gerida pelas autoridades da Malásia desde o primeiro momento que se soube do desaparecimento do vôo. No twitter chinês, weibo, certo grupo de famosos chineses, com milhares de seguidores, tem apelado ao boicote da Malásia – seus produtos, turismo e músicos[4].

O resultado é que as agências de viagem da China apontam para a redução em cerca de 50% do número de turistas chineses em comparação com o mesmo período no ano passado. Muitos internautas diretamente confrontam os músicos malaios com muita popularidade na China[4].

No entanto, outro grupo de chineses famosos e navegadores da internet apela para a calma, pois também os malaios têm expressado apoio e condenam o seu Governo pela forma como está lidando com a situação[4]. Na imprensa fala-se que não se deve promover “emoções extremas” nacionalistas contra a Malásia, pois este foi o primeiro país da “Associação de Nações do Sudeste Asiático” (ASEAN, em inglês) a estabelecer relações diplomáticas com a China em 1974 e é atualmente o maior parceiro econômico da China na ASEAN[5]. Também se defende que o grupo étnico malaio-chinês é aquele que continua a manter maiores traços culturais chineses junto ao “Sudeste Asiático[6].  

No outro desenvolvimento, a mídia chinesa falou nesta sexta-feira (28 de março) que as famílias dos passageiros chineses no MH370 estão considerando entrar com uma ação judicial contra a “Malaysia Airlines”. Pelo menos duas empresas legais estrangeiras (escritórios de advocacia), a “Stewarts Law Firm” de Londres[7] e a “Ribbeck Law Firm” de Chicago[8], já estão preparadas para dar a assistência, mas ambas precisam reunir o maior número possível de clientes.

A empresa britânica diz que pretende obrigar que o valor de seguros para os passageiros daquele avião, cujo seguro é de US$ 1,5 bilhão, seja incrementado para US$ 900 milhões e não US$ 250 milhões como está legalmente estabelecido[7]. A “Ribbeck Law” já enviou um time de advogados e especialistas à Malásia para se encontrarem com os familiares dos passageiros do avião desaparecido. Ela avança que vai processar a companhia aérea malaia e a Boeing, a fabricante do avião 777, em caso de se concluir que o avião se despenhou por problemas mecânicos e vai exigir que a Boeing repare toda a frota dos 777[8].  

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-asia-26735298

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-26735298

[2] Ver:

http://www.scmp.com/news/china/article/1457314/grieving-mh370-relatives-demand-truth-malaysia-embassy-protest

[3] Ver:

http://english.people.com.cn/90883/8580980.html

[4] Ver:

http://www.scmp.com/news/china-insider/article/1458430/are-chinese-celebrities-stoking-resentment-against-malaysia-over

[5] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/851015.shtml#.UzUesT2SxBU

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-china-26762316

[7] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/world/2014planemissing/2014-03/28/content_17385323.htm

[8] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2014-03/28/content_17385146.htm

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About author

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.
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