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Avanço do diálogo entre a China e a Europa Oriental

A presença chinesa está crescendo em várias partes do mundo. A Europa Oriental apresenta um interesse renovado para o país asiático, devido a sua localização estratégica e por ser uma ponte em direção a relações melhores com a União Europeia. Apesar de ser um ator que busca contribuir para o desenvolvimento dos países da área, no âmbito do projeto da Nova Rota da Seda*, o governo chinês é percebido com desconfiança por analistas europeus de relações internacionais. Essas suspeitas voltam à tona no momento da realização da Cúpula 16+1.

A Cúpula 16+1 foi instituída em 2012, com o objetivo de criar um foro de diálogo entre a China e 16 países da Europa Oriental e Central. Desde o começo, analistas suspeitam das razões que levaram à escolha dos 16 membros europeus, por causa da possível falta de transparência no processo. A realidade é que os convites se baseiam no interesse estratégico chinês. Recentemente, a Grécia estaria interessada em participar e a Ucrânia busca ser um dos países da iniciativa há algum tempo. O governo chinês, portanto, decide com cautela, já que incluir países mais próximos da Europa Ocidental ou envolvidos com a Rússia pode gerar consequências para a relação bilateral com a União Europeia e com os russos.

A Cúpula de 2018 ocorre em Sofia, em julho deste ano (2018), cercada de expectativas em relação a temas econômicos. Apesar de a iniciativa ter como um de seus objetivos facilitar o desenvolvimento da Europa Oriental, os resultados concretos ainda são tímidos. O comércio está praticamente estagnado nos mesmos níveis de 2012, e os investimentos chineses não cresceram em grande proporção, diferente do que ocorreu em outras áreas do globo, como a América Latina. Pelo fato de a região ser importante para a Nova Rota da Seda, contudo, é possível que esse panorama mude nos próximos anos.

Sede da Comissão Europeia

Analistas europeus preocupam-se com o impacto da Cúpula 16+1 para as relações entre a China e a União Europeia. Segundo eles, Berlim e Bruxelas** já estariam preocupadas com o crescimento da influência chinesa na região, por considerarem que essa presença seria prejudicial para a unidade dos europeus. Há quem atribua a melhora do relacionamento da região com o país asiático à tendência de crescimento de governos populistas no leste europeu, que seriam entusiastas do modelo estatocêntrico de governança chinês. No entanto, não existem evidências concretas dessa admiração, nem faria tanto sentido, dado que os governantes desses países buscam minimizar a influência estrangeira no processo de tomada de decisões. A aproximação à China é pragmática e busca maximizar laços de comércio.

O Premiê chinês, Li Keqiang, chega à Bulgária para mostrar o compromisso de seu país com a iniciativa 16+1.  Ele afirma ao periódico China Daily que “a China e as 16 nações visam a aumentar a cooperação pragmática, o desenvolvimento comum, transformações econômicas e melhorias”. O Premiê também ressaltou a necessidade de um comércio balanceado e a disposição chinesa de importar alguns produtos da região, como vinho e carnes.

Observadores apontam que crescimento da influência da China na Europa Oriental não deve ser motivo de pânico para Bruxelas. O objetivo primordial do país asiático é colaborar para o desenvolvimento da infraestrutura da região, de modo a possibilitar o êxito da Nova Rota da Seda. Em contrapartida, o crescimento das ligações físicas entre os países do continente europeu aumenta os vínculos entre eles e pode beneficiar a integração continental. Desse modo, a presença chinesa pode contribuir para uma Europa unida.

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Notas:

* Projeto que busca integrar os mercados asiáticos e prover conexão física até a Europa. É, segundo analistas, a principal iniciativa da política externa do presidente Xi Jinping e expande a área de influência da China. 

** Cidade onde fica a sede de grande parte das instituições da União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro de Sofia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sofia

Imagem 2 Sede da Comissão Europeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Institutions_of_the_European_Union

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/07/what-to-expect-at-the-2018-china-cee-161-summit/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/07/whats-next-for-chinas-161-platform-in-central-and-eastern-europe/

[3] Ver:

http://www.china-ceec.org/eng/zyxw_4/t1574412.htm

About author

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.
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