fbpx
NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ban Ki-Moon pleiteia financiamento urgente a Refugiados Palestinos

O SecretárioGeral da ONU, Ban Kimoon, emitiu um apelo urgente pelo aumento da ajuda aos refugiados palestinos para sanar um déficit de mais de US$ 100 milhões em financiamento para a UNRWA, Agência de Socorro das Nações Unidas para Refugiados Palestinos no Oriente Próximo[1]

Ban Kimoon falou pessoalmente com vários líderes mundiais nas últimas semanas sobre a crise de financiamento sem precedentes da UNRWA, informou seu porta-voz[2]. O SecretárioGeral afirmou em um comunicado que a UNRWA é “um pilar de estabilidade[3] para cinco milhões de refugiados palestinos, num momento em que o Oriente Médio agoniza em meio a crises e sofrimentos.

O Relatório alerta que “a menos que o financiamento para o montante total do déficit do Fundo Geral da Agência de US$ 101 milhões seja garantido até meados de agosto, a crise financeira pode forçar a suspensão de serviços relacionados ao programa de educação da Agência. Isso significaria um atraso no ano letivo de meio milhão de estudantes que frequentam cerca de 700 escolas e 8 centros de formação profissional em todo o Oriente Médio[3]. De acordo com Abu Hasna, PortaVoz da UNRWA na Faixa de Gaza, 252 escolas somente na Faixa de Gaza – que oferecem serviços para cerca de 248 mil estudantes palestinos – enfrentarão possível encerramento, caso o déficit fiscal não seja resolvido[4]. Ban Kimoon solicitou a “todos os doadores que garantissem urgentemente os US$ 101 milhões necessários em contribuição para a UNRWA o mais rapidamente possível, para que as crianças da Palestina possam começar seu ano escolar de 2015-2016 sem demora[2]

O Documento ainda afirma que “como as coisas estão postas atualmente, com rigorosas medidas de austeridade e de gestão tendo sido colocadas em prática, a agência deve apenas ser capaz de continuar com serviços que são salva-vidas, de proteção aos refugiados mais vulneráveis ​​em extrema dificuldade, e manutenção da saúde e segurança pública até o final do ano. Estes incluem programa de saúde da agência, assistência às famílias pobres através dos programas de serviços sociais e de alívio, saneamento e atividades de emergência para as quais a agência tenha fundos[3].  A crise também leva ao debate sobre o envolvimento de Estados membros das Nações Unidas e a estruturação de uma modalidade de financiamento sustentável para a UNRWA[3]

Cerca de 1.000 pessoas – principalmente refugiados, trabalhadores da UNRWA e professores – realizaram uma manifestação na sede da UNRWA em Amã, nesta quarta-feira, 5 de agosto. Eles exigiram que a comunidade internacional cobrisse o déficit imediatamente, se recusando a cederem seu direito à educação, bem como o seu direito de retorno[5]. De acordo com o Embaixador e Observador Permanente do Estado da Palestina para as Nações Unidas, Dr. Riyad Mansour, as consequências de uma suspensão de quaisquer um dos serviços e programas centrais da UNRWA são muitas, incluindo humanitárias, políticas, securitárias, econômicas, sociais e psicossociais para a comunidade de refugiados da Palestina[5].  De acordo com Mansour, “as implicações negativas para os países de acolhimento, bem como para região – que experimenta uma instabilidade dramática como resultado dos conflitos, crises e crescente extremismo em curso e não resolvidos – também não podem ser ignoradas[6]

O ComissárioGeral sublinhou que através deste Relatório a Agência busca chamar a atenção dos mais altos níveis da comunidade internacional para as consequências às crianças palestinas refugiadas: “Nada é mais importante para estas crianças em termos de sua dignidade e identidade que a educação que recebem. Nós simplesmente não estamos autorizados a decepcioná-los[3], completou.  O Relatório conclui afirmando que “o que está em jogo é a capacidade da Agência em confirmar totalmente na reafirmação da comunidade internacional da necessidade da continuação do trabalho da Agência para o bem-estar, proteção e desenvolvimento humano dos refugiados palestinos e para a estabilidade da região, na pendência de uma solução justa para a questão dos refugiados palestinos[3].

Abdel Sattar Qassem, professor de Ciência Política na Universidade de Birzeit na Cisjordânia, acredita que a crise na UNRWA é de natureza política. Reflexo da suspensão da ajuda de alguns países antes doadores, especialistas e manifestantes temem que a redução das atividades e serviços da Agência na região poderia ao cabo significar o fim da causa dos refugiados palestinos[4][5].

A ONU tem se esforçado para manter à tona diversos esforços humanitários no Oriente Médio – na Síria, no Iêmen e também no Iraque – onde os doadores estão sob pressão para aumentarem as contribuições. A guerra civil na Síria, agora em seu quinto ano, tem impulsionado mais de quatro milhões de pessoas a fugirem através da fronteira para os países vizinhos, o que a Agência de Refugiados da ONU, ACNUR, descreveu como o maior êxodo em uma geração[2]

Mais de 97% da renda da UNRWA é oriunda de contribuições voluntárias, fundamentalmente de Estados doadores[6][7]. Contudo, o financiamento tem sido incapaz de manter-se com a crescente população de refugiados palestinos e um forte aumento no número de refugiados devido à guerra na Síria e à instabilidade em Gaza e na Cisjordânia[7]. No último 2 de junho de 2015, o SecretárioGeral da ONU, Ban Kimoon disse que a Agência existe “por causa de fracasso político[7]. E continuou: “na ausência de uma solução justa e duradoura para a situação dos refugiados palestinos, a UNRWA tornou-se mais do que uma agência. É uma tábua de salvação[7].

A UNRWA é uma Agência das Nações Unidas estabelecida pela Assembleia Geral em 1949 e mandatada para prestar assistência e proteção para cerca de 5 milhões de refugiados palestinos registrados. Sua missão é ajudar os refugiados palestinos na Jordânia, Líbano, Síria, Cisjordânia e na Faixa de Gaza a atingirem seu potencial de pleno desenvolvimento humano[3]

Serviços prestados pela UNRWA abrangem educação, cuidados de saúde, alívio e serviços sociais, infraestrutura de acampamento e melhoria, além de micro finanças[3][7]. Na ausência de uma solução para a questão dos refugiados palestinos e seu direito de retorno, a Assembleia Geral da ONU vem renovando o mandato da UNRWA repetidamente, mais recentemente até 30 de junho de 2017[5].

———————————————————————————————-

Imagem Palestinos moradores do Campo de Refugiados de Yarmuk na Síria, ao sul de Damasco, se reúnem para recolher alimentos doados no bairro adjacente de Jazira, em 13 de Fevereiro de 2015” (FonteAFP / Rami al-Sayed):

http://news.yahoo.com/un-chief-seeks-urgent-funding-palestinian-refugees-213226856.html

———————————————————————————————-

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced82wqqm.3ff/a9b90e57

[2] Ver:

http://news.yahoo.com/un-chief-seeks-urgent-funding-palestinian-refugees-213226856.html

[3] Ver:

http://www.unrwa.org/newsroom/press-releases/unrwa-sends-emergency-financial-report-un-secretary-general-amid-fears

Ver Também:

http://english.wafa.ps/index.php?action=detail&id=29028

[4] Ver:

https://www.middleeastmonitor.com/news/middle-east/20180-unrwa-funding-crisis-strikes-fear-into-gazas-refugees

[5] Ver:

http://www.aljazeera.com/blogs/middleeast/2015/08/unrwa-funds-crisis-worries-palestinian-refugees-150805155300792.html

[6] Ver:

http://palestineun.org/5-august-2015-unrwa-financial-crisis-and-impact-on-palestine-refugees/

[7] Ver:

http://www.alaraby.co.uk/english/news/2015/8/5/urgent-call-to-fund-palestinian-refugee-agency

About author

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!