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BOLETIM EUROPA – AUMENTAM OS TEMORES DE UMA NOVA RECESSÃO NA EUROPA

“Após 10 anos da maior crise econômica enfrentada pela União Europeia desde a fundação do bloco , a sombra de uma nova recessão se faz cada vez mais forte”.

A União Europeia foi uma das regiões mais afetadas pela Crise Financeira Internacional que começou  nos Estados Unidos em 2008 e se alastrou por toda economia mundial.

Os países da região do Mediterrâneo foram os mais afetados, apresentando elevadas taxas de desemprego, fluxos migratórios para nações emergentes (entre elas o Brasil e China), países mais ricos e também a redução de praticamente todos índices de qualidade de vida.

Banco Central Europeu

Mesmo com os aportes do Banco Central Europeu, as políticas de austeridade derrubaram os governos e fomentaram o fortalecimento de discursos nacionalistas e contrários ao bloco nos diferentes vieses políticos.

A instabilidade política existente na Espanha e Itália, entre outros países, e sua incapacidade de formar governo são um dos reflexos dessa crise. Assim mesmo a elevada dívida pública dos países do bloco, continua sendo um empecilho para o crescimento da economia da região.

O Brexit por outro lado reforçou os discursos eurocéticos e enfraqueceu a confiança dos mercados estimulando críticas em relação as políticas econômicas do bloco e afetando o futuro de algumas nações como a Irlanda.

As tensões com a Rússia devido a adesão da Ucrânia ao bloco e as dificuldades em estabelecer um acordo com os Estados Unidos, além das questões migratórias em relação aos países do Oriente Médio e África, inviabilizaram o diálogo dentro da União e configuraram um cenário com diferentes posicionamentos e fragmentações.

A última notícia que alarmou aos especialistas foi a contração no primeiro trimestre de 2019 do PIB da Alemanha, principal agente econômico e financeiro da União Europeia. Porém não somente a evolução da economia germânica coloca o mercado em alerta, mas também uma série de fatores que demonstram um risco eminente de uma futura crise e que a mesma pode começar na Europa.

Um dos sinais mais utilizados pelo mercado é a redução da rentabilidade dos títulos do tesouro americano e britânico, cujas curvas de rentabilidade sofreram uma inversão somente vista antes da Grande Recessão.

No caso da dívida norte-americana, pela primeira vez desde 2007, o título de dez anos ofereceu um rendimento menor que o de dois anos, desde que o primeiro iniciou a sessão com um rendimento de 1,6540%, abaixo do 1,6630% do título devido em 2021. O investimento da curva de juros da dívida dos EUA é considerado um indicador avançado de recessão, uma vez que desde meados da década de 1950 cada uma das nove recessões registradas na maior economia do mundo foi precedido por esse fenômeno, embora algumas vezes esse investimento não tenha sido seguido por uma contração da atividade, como ocorreu em 1998 durante a crise na Rússia.

No caso britânico o medo do Brexit pode ser um dos fatores que levem o mercado a buscar investimentos mais seguros.

Porém não somente esses países apresentam mudanças na rentabilidade de seus títulos, Espanha e outros mercados europeus mostram a mesma tendência.

A Guerra Comercial Sino-Americana e a instabilidade política nas maiores economias latinas também pressionam os países europeus e o fluxo de seus investimentos e dividendos. A este efeito é necessário somar o impacto da balança comercial com uma redução das exportações devido a redução da demanda de produtos europeus como reflexo da desvalorização das moedas locais na China, Brasil, Argentina, etc.

A Organização Mundial de Comércio também informou sobre o enfraquecimento do comércio internacional, principalmente no transporte de mercadorias típicas da Europa, tais como produtos industrializados, componentes eletrônicos e cargas aéreas.

Diferentes processos demográficos eclodem na União Europeia, o envelhecimento da população, desemprego, a dificuldade de integração social, manutenção dos serviços sociais e processos migratórios internos e externos, dificultam ainda mais a conformidade dos países integrantes aos patamares que garantam a estabilidade econômica do bloco.

Bandeiras UE – Mercosul

A União Europeia é um importante agente financeiro no mercado internacional e precisa da circulação do capital para mover sua economia. O temor a uma recessão e as instabilidades em diferentes pontos do mundo, está produzindo a concentração deste capital e a sua imobilização.

Como forma de promover uma reativação econômica a União Europeia está incrementando sua atividade internacional e estabelecendo novos acordos econômicos tais como o do Mercosul, Angola, Vietnã, entre outros.

Uma recessão no continente europeu afetaria os fluxos de investimento estrangeiro direto, a demanda internacional, provocaria a repatriação de fluxos de capital e impactaria diretamente em países emergentes como o Brasil.

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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