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Bolsonaro visita Pequim, mas não dá sinais de que o Brasil ingressará na Iniciativa do Cinturão e Rota

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro se encontrou com o seu congênere chinês, Xi Jinping, em Pequim, na sexta-feira (25 de outubro de 2019). Na ocasião, ambos os lados se comprometeram a melhorar o investimento bilateral, mas não houve comprometimento da parte do Brasil em relação ao ingresso na Iniciativa do Cinturão e Rota, informa o jornal South China Morning Post.

Xi afirmou para Bolsonaro que “a China e o Brasil devem continuar a apoiar o desenvolvimento mútuo, dar prioridade ao desenvolvimento de relações diplomáticas e avançar sua ‘parceria estratégica compreensiva’”. Ambos os líderes reconheceram que a Iniciativa do Cinturão e Rota “pode vir a ser integrada” às iniciativas brasileiras de desenvolvimento. Contudo, Brasília não realizou um comprometimento claro de que ingressará no ambicioso projeto de infraestrutura promovido por Pequim.

Em um fórum na sexta-feira (25 de outubro de 2019), Bolsonaro apontou que “China e Brasil nasceram para caminhar juntos” e asseverou: “Estamos alinhados em mais coisas além da questão comercial”. Durante o evento, o Vice-Primeiro-Ministro da China, Hu Chunhua, declarou que a China deseja aumentar suas importações de bens industriais e agrícolas do Brasil, e que os dois países podem aprofundar a cooperação em áreas como a de infraestrutura. Em novembro de 2019, Xi Jinping participará do Fórum Econômico da Ásia-Pacífico, no Chile, e espera-se que o Presidente chinês também visite o Brasil para o encontro anual da Cúpula do BRICS, em Brasília.

Plantação de soja no Mato Grosso

A China tem figurado como o maior parceiro comercial do Brasil por uma década e é sua principal fonte de investimento externo. O comércio entre as duas nações atingiu a marca dos 100 bilhões de dólares em 2018 (aproximadamente 400,4 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 25 de outubro de 2019), e a China é o maior importador de produtos brasileiros, principalmente commodities, como soja, algodão e milho. Há a expectativa de que o Brasil venda mais soja para a China devido à guerra comercial entre Washington e Pequim, e o país espera aumentar suas exportações de carne processada para a China, enquanto a nação asiática lida com os efeitos devastadores da epidemia de febre suína africana.

A viagem de três dias de Bolsonaro ao país marcou o 45º aniversário de relações diplomáticas entre os dois Estados. Analistas observam que a viagem de Bolsonaro teve a função de remediar os efeitos de suas declarações acerca dos investimentos chineses no Brasil, realizadas durante a campanha presidencial de 2018. À época, Bolsonaro afirmou que “Os chineses não estão comprando no Brasil. Eles estão comprando o Brasil”. A pesquisadora brasileira Karin Costa Vazquez, do Centro de Estudos sobre BRICS, da Universidade Fudan, em Xangai, aponta: “Os diversos desentendimentos criados em relação à China no começo do governo Bolsonaro são um reflexo de um problema estrutural do Brasil: a nossa visão de mundo eurocêntrica”. E indica: “Nós temos uma visão ultrapassada e estigmatizada sobre a China…Teremos que esperar e ver como se desenvolverá a Cúpula do BRICS em novembro”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente Jair Bolsonaro se encontra com o Presidente da China, Xi Jinping, em Pequim” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=BOLSONARO+XI&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Bolsonaro_Xi_Jinping_China_2019.jpg

Imagem 2 Plantação de soja no Mato Grosso”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=SOJA+MATO+GROSSO&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Ronodonópolis_colheita_soja_(Roosevelt_Pinheiro)_28mar09.jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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