AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Brasil lança candidato para “Diretoria Geral da OMC”

OMCNo dia 31 de janeiro, o Embaixador brasileiro na “Organização Mundial do Comércio” (OMC), Roberto Carvalho de Azevedo, apresentou* sua candidatura ao cargo de “Diretor-Geral” da organização para o mandato de 2013 a 2017.

Na ocasião, ele apresentou as suas propostas aos países-membros, destacando que uma das suas prioridades será destravar aRodada de Dohae avançar na liberalização do comércio internacional.

Questionado pela imprensa estrangeira sobre o fato de ser um dos únicos, entre os nove candidatos, a não possuir cargo de Ministro, Azevedo minimizou a importância do posto político para as negociações, fazendo dessa situação um fator positivo para sua candidatura: “O que precisamos é expertise para buscar soluções, e isso não acontece em nível ministerial. Os ministros são 
importantes para selar o acordo, mas são poucos os capazes de negociar o acordo”**, defendeu. 

O brasileiro acompanha há mais de 15 anos as negociações comerciais internacionais e há 5 anos ocupa o cargo de embaixador do Brasil na OMC. Em sua apresentação ressaltou também que não basta entender de comércio e ter experiência internacional. Destacou que é preciso conhecer a OMC por dentro, saber a história de cada negociação, evitar a repetição de impasses antigos, saber se uma “bronca” resulta de problemas reais dos governos ou de idiossincrasias de algum negociador***.

Os representantes na OMC escutaram durante três dias os argumentos e as propostas dos nove candidatos ao cargo (indicados por Brasil, “Costa Rica”, México, “Nova Zelândia”, “Coreia do Sul”, Indonésia, Gana, Quênia e Jordânia), o que serviu para fazer um primeiro exame dos concorrentes de uma complexa corrida, devido ao compromisso não escrito de que o futuro Diretor-Geral será fruto de uma escolha por consenso. O objetivo é conseguir que o candidato seja aceito por todos e não seja necessário chegar a uma votação.

O trabalho passa agora para um Comitê formado pelos presidentes do “Conselho Geral” do “Órgão de Resolução de Disputas” e do “Órgão de Revisão de Políticas Comerciais” que, em função de suas consultas, solicitará ao candidato pior posicionado que se retire da disputa. Este processo se prolongará até que reste apenas um.

Com a exceção do neozelandês, todos os candidatos provêm de países em desenvolvimento, por isso analistas acreditam que o fato de o futuro Diretor-Geral não ser de um país rico é um sinal da mudança que a economia internacional experimentou nos últimos anos, com a crescente influência dos países emergentes em detrimento dos países desenvolvidos. Mas, por outro lado, esta “influência” não se converteu em uma mudança estrutural das organizações internacionais. De fato, conforme apontam vários observadores, a influênciaterceiro-mundistaainda é uma utopia que está viva no inconsciente de seus líderes, mas concretamente não significa muito.

Azevedo mostrou ter isso em mente ao deixar claro que não vai impor na Organização os temas brasileiros se assumir o cargo, até mesmo porque ele seria impedido de fazê-lo, na medida em que as decisões são tomadas por consenso na OMC.

Explicou: “A minha função, enquanto diretor-geral da OMC, é ser um facilitador, é ser uma pessoa neutra, independente, que tenha a capacidade de ouvir todos os lados e ajudar no diálogo que os membros queiram ter. Na medida em que eu esteja ali, tentando avançar com a agenda do Brasil ou de qualquer outro país, eu deixei de ser imparcial e deixei de ser independente. Eu passei a ser agente de um determinado país ou grupo de países. E aí eu perdi, por definição, a confiança dos membros e não estou cumprindo com o meu mandato”****.

O futuro “Diretor-Geral da OMC” substituirá o francês Pascal Lamy, que deixará o cargo no dia 31 de agosto, após cumprir dois mandatos de quatro anos cada. Os candidatos terão pouco mais de dois meses para tentar ganhar apoio de seus pares, já que o processo seletivo começa no dia 31 de março e deve durar até 31 de maio, quando será anunciada a decisão.

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Fontes Consultadas:

* Ver:

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/apresentacao-do-candidato-brasileiro-a-direcao-geral-da-omc-embaixador-roberto-azevedo-ao-conselho-geral-da-omc

** Ver:

http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/2013/0/5/Candidato-OMC-apresenta-Conselho-geral-organizacao,5076faef-47d1-4814-ad22-7649925de829.html

*** Ver:

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/brasil-e-coreia-do-sul-apresentam-candidatos-para-omc

**** Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/economia/20130204-exclusivo-candidato-brasileiro-direcao-da-omc-diz-que-nao-vai-impor-temas-brasilei

About author

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).
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