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NOTAS ANALÍTICAS

BRICS: Brasil tem o menor crescimento entre os membros do grupo

Os investidores têm acompanhado com frequência os dados macroeconômicos dos países membros do BRICS (“Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul”) apresentados pelas agências econômicas globais (como a “Dow Jones” e a Nasdaq) e os dados oficiais dos respectivos Governos, dentre outras fontes. Embora haja informações de diferentes agências, quando somadas e cotejadas aos dados governamentais percebe-se que o país lusófono (Brasil) está ficando para trás perante os demais membros.

 

Na última semana, o jornal “O Estado de São Paulo” (OESP)[1] fez uma publicação tratando dos índices de crescimento dos membros do BRICS, mostrando que a  China cresceu 8,1% no quarto trimestre de 2011, a Índia teve expansão de 6,1%, o PIB da Rússia aumentou 4,9% e a economia do brasileira teve apenas 1,4% de crescimento. Por meio desses dados, alertou que o Brasil passou de “estrela” para último colocado do grupo.

O que pode preocupar os investidores é o fato de que cada um destes países tem seus crescimentos reduzidos em função da vontade de seus governantes, ou seja, em função de ações estratégicas, como é o caso da China, que, oficialmente, anunciou que as metas de crescimento para este ano são menores que as de anos anteriores devido a sua política “verde”, adotando portanto um crescimento mais lento, porém menos agressivo ao meio-ambiente. Diferente da China, para alguns economistas, a desaceleração do crescimento brasileiro aparenta estar vindo de acordo com o agravamento da “crise na zona do euro” em associação com uma possível desorganização do modelo de crescimento do Brasil.

O estrategista Albert Ades, do “Bank of America Merrill Lynch” (BofAML), por exemplo, declarou que “há uma desaceleração considerável no Brasil e alguns investidores estão pensando: ‘hei, deve haver algum problema aí’”*, podendo ele ser uma voz representativa da percepção de significativo grupo investidores estrangeiros, algo respaldado pela declaração da diretora de “ratings soberanos” da “Standard and Poor’s”, Lisa Schineller, para quem o “o governo [brasileiro] está usando medidas temporárias, no lugar de olhar o cenário mais amplo para avançar em reformas que possam fazer a diferença num prazo mais longo, num nível mais duradouro”*[2].

O ponto essencial a ser destacado é que o país está trabalhando com medidas temporárias, atuando nas “taxas de juros”, impostos, nas “cotações de moedas estrangeiras” e outras áreas econômicas de abrangência conjuntural, algo que vem deixando os investidores sem referência segura quando o interesse é aportar recursos no país.

Este é um dos principais pontos nos quais os observadores econômicos tem centrado suas críticas em relação à política econômica brasileira, chegando à conclusão de que a sua continuidade deixará o país muito distante dos demais membros do BRICS, os quais apresentam dados mais atrativos para os riscos que podem correr em entrar nestes mercados, pois apresentam mais segurança.

Apesar dessas avaliações negativas, há economistas, contudo, que, mesmo também aceitando serem os dados do momento capazes de distanciar significativamente o Brasil dos demais membros dos BRICS, acreditam que o fundamento do país é bom no longo prazo, podendo ser este “pensamento positivo em relação ao país” um dos fatores que justificam a gama de “Investimento Externo Direto” (IED) atraído ao país, como são os casos que estão ocorrendo com as gigantes empresas automobilísticas chinesas: a “JAC Motors” e a “Cherry”.

As palavras de Mauro Roca, estrategista para emergentes do “Deutsche Bank” ilustra esta forma de conceber a situação brasileira. Segundo aponta: “Não podemos julgar o Brasil apenas pelo que está acontecendo neste momento. O potencial do País ainda é enorme. Mas ainda faltam as reformas”*. É uma forma de interpretar a economia brasileira que traz oxigênio às expectativas de setores expressivos da sociedade e principalmente do Governo, mas ela não afasta a tensão dos dados da conjuntura que podem paulatinamente excluir o Brasil do cenário das grande potências econômicas globais.  

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[1] Da “Agência Estado” (AE) e popularmente conhecido como “Estadão”.

[2] Ambos os especialistas apresentaram suas avaliações em entrevistas dadas à “Agência Estado”.

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Fonte:

* Ver:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-passa-de-estrela-a-lanterninha-dos-brics,113889,0.htm

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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