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Brigadas Izz ad-Din al-Qassam executam alegados colaboracionistas

As Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, braço armado do Hamas, foram fundadas em 1992, por Yahya Ayysh. A finalidade principal do grupo, na época, consistia em construir uma organização militar coerente para apoiar os objetivos do Hamas, que estava empenhado em bloquear as negociações relativas aos Acordos de Oslo. Desde então, as Brigadas passaram a atuar de modo preciso, principalmente através de atentados suicidas. Este tipo de ataques marcou o período que vai desde a sua criação até o ano de 2003. Após esta fase, houve um interregno nos atentados cometidos pelas Brigadas, que voltaram a atuar somente em dezembro de 2010 através do lançamento de mísseis[1], o que marcou o ponto viragem no seu modo de atuação.

Apesar de estarem subordinadas aos objetivos políticos e ideológicos do Hamas, as Brigadas têm um nível significativo de independência quanto à tomada de decisões. Na atual “guerra de atrito” entre Israel e o Hamas, elas têm sido ativas no lançamento de mísseis[2] e no alvejamento de soldados israelenses[3]. Contudo, as suas ações não estão restritas ao campo de batalha mas, também, ao julgamento e à execução sumária de supostos colaboracionistas palestinos com Israel, marcando, assim, as primeiras execuções públicas em Gaza desde os anos de 1990[4].

As dezoito execuções realizadas pelas Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, na última sexta-feira, dia 22, correspondem à repressão desencadeada sobre os suspeitos de terem informado Israel, principalmente sobre os locais onde se encontravam os altos comandantes do Hamas. Três importantes líderes do grupo sunita foram mortos pelas Forças Armadas de Israel (IDF) no dia anterior às execuções[5], incluindo a mulher e dois dos filhos de Mohammed Deif[6].

A ação, denominada pelo Hamas de “estrangulando gargantas”, tem por objetivo punir todos os suspeitos de traição à resistência palestina. De acordo com a imprensa regional, próximo ao local das execuções foi anexada uma nota, na qual constavam os crimes dos que eram acusados de provável colaboracionismo com Israel. Segundo a nota, “eles forneceram ao inimigo informações sobre o paradeiro dos combatentes, túneis da resistência, bombas, casas dos combatentes e os locais de foguetes, e a ocupação [Israel] bombardeou essas áreas matando os combatentes[7].

De acordo com a lei consuetudinária vigente na Faixa de Gaza, colaborar com Israel, cometer homicídio e traficar drogas são crimes puníveis com a morte. Em maio deste ano, o Hamas anunciou a execução de dois homens acusados de serem colaboradores e, ao mesmo tempo, declarou que a ação aconteceu em conformidade com a Lei[8]. Em julho, também foram executados vinte palestinos que protestavam contra o Hamas pela destruição infligida pelas IDF no bairro Shejaia, na Cidade de Gaza. Ao longo dos últimos dias, mais de trinta palestinos foram condenados e mortos na Faixa de Gaza, acusados de colaboracionismo com Israel[9].

Tais atos, hoje, não correspondem a um fato isolado, mas são cada vez mais frequentes no território dominado pelo Hamas. Se este tipo de ações, desencadeado pelas Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, em Gaza, está em conformidade com os costumes locais, ele não garante a imparcialidade e a defesa justa dos acusados.

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Imagem Militantes do Hamas Ladeiam Um Palestino Antes da Execução” (Fonte):

http://i1.mirror.co.uk/incoming/article4091428.ece/alternates/s2197/A-Hamas-militant-grabs-a-Palestinian.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.gvu.tv/west-bank/al-qassam-brigades-targeted-mercavah-3-with-guided-missile-east-of-al-bureij-camp-video.php

[2] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=712302

[3] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=715708

[4] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4561996,00.html

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/08/22/us-mideast-gaza-idUSKBN0GM11320140822

[6] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.611989

[7] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4561996,00.html

[8] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4561996,00.html

[9] Ver:

http://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/Report-Hamas-executes-alleged-spies-shoots-protesters-in-Gaza-369331

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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