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No início do mês de agosto, Stephen Harper, PrimeiroMinistro do Canadá, confirmou que havia solicitado a David Johnston, GovernadorGeral, a dissolução do Parlamento para uma nova eleição, que deverá se realizar em 19 de outubro deste ano (2015). O primeiroministro Harper está no poder desde 2006 e concorrerá a seu quarto mandato, procurando, assim, manter no poder o Partido Conservador, de centro-direita.

O Canadá é uma Monarquia Parlamentarista, que tem como Chefe de Estado a Rainha Elizabeth II, do Reino Unido. O sistema político do país é composto pelo Executivo (Rainha, que é representada por um GovernadorGeral e pelo PrimeiroMinistro); pela Câmara dos Comuns e pelo Senado. A Câmara dos Comuns conta até o presente com 308 representantes e é eleita pelo voto direto de maioria simples e distrital, enquanto que os 105 senadores são nomeados pelo PrimeiroMinistro e ratificados pelo Governador Geral[1]. Posto isso, após a Câmara eleita, o PrimeiroMinistro tende a ser escolhido pelo partido que possuir maior número de cadeiras, daí a importância em deter maioria na Câmara.

O Partido Conservador chegou ao poder em 2006, após o aprofundamento da crise política interna, resultado dos escândalos de corrupção. Em 2003, o Partido Liberal, que administrava o país desde 1994, foi acusado de desviar 81 milhões de dólares de um programa governamental para promover a unidade em Québec, no final da década de 1990[2]. No entanto, logo após à eleição de Harper, denúncias apontavam que o Partido Conservador havia infringido uma série de regras eleitorais durante a campanha de 2006[3].

Desde 2008, Harper vem desmantelando o sistema de subsídios de partidos políticos, uma política que, segundo analistas, beneficia o Partido Conservador que recebe mais recursos financeiros que os demais[4]. No ano passado, Harper modificou as leis eleitorais, estabelecendo que a campanha eleitoral teria no mínimo 37 dias, mas sem fixar um limite. Isso permitiu dobrar o período de tempo da atual campanha para 78 dias (11 semanas) e ainda aumentou o limite das despesas que os partidos políticos podem realizar durante a campanha eleitoral. Os Partidos de oposição afirmam que essas modificações são um abuso ao sistema eleitoral do país[5].

Essa será uma das campanhas mais longas e mais caras da história do Canadá. Em termos de tempo, ela fica atrás da campanha de 1872, que durou 96 dias, e da campanha de 1867, que durou 81 dias. Após, em 1926, ocorreu uma campanha com 74 dias, mas, nos últimos tempos, as campanhas têm se mantido em torno de 37 dias. Em termos financeiros, estimativas apontam que a atual campanha pode chegar a custar US$ 50 milhões, uma vez que as de 37 dias custam, aproximadamente, US$ 25 milhões[6].

Além disso, a nova eleição contará com maior número de representantes na Câmara dos Comuns. A mudança se deve ao censo realizado em 2011, que atualizou o número da população e, portanto, sua representatividade no sistema, que passará de 308 para 338 representantes. Antes da dissolução do Parlamento, o Partido Conservador contava com 159 assentos na Câmara, enquanto que o Novo Partido Democrático, de centro-esquerda, detinha 95, e o Partido Liberal 36 representantes[7]. Nessa eleição, estimativas de intenções de voto apontam que o Partido Conservador, de Harper, possui aproximadamente 32% das intenções de voto, a mesma porcentagem que Novo Partido Democrático, liderado por Thomas Mulcair. Já o Partido Liberal, liderado por Justin Trudeau, vem em terceiro lugar, com 25% dos votos[8].

O PrimeiroMinistro tem defendido sua credibilidade em administrar o Canadá, que tem enfrentando os reflexos do baixo crescimento da economia global e da queda do preço do petróleo, que é o principal item na pauta de exportação canadense. Nesse sentido, Harper tem afirmado que essa é uma eleição sobre quem vai proteger a economia e garantir a segurança do país, procurando ressaltar a inexperiência de seus adversários. Conforme argumentou o próprio PrimeiroMinistro, “os canadenses vão tomar uma decisão crítica sobre a direção do nosso país, uma decisão com consequências reais, uma decisão sobre quem tem a experiência comprovada hoje para manter nossa economia forte e nosso país seguro[9].

No entanto, a popularidade de Harper tem caído nos últimos anos, enfrentando críticas da sociedade e da Oposição por endurecer as leis criminais, expandir os gastos militares, flexibilizar a regulação da indústria de energia e, ainda, por diminuir a arrecadação de impostos. Contudo, uma parcela da população também apoia a adoção de medidas criminais mais severas e ainda o seu apoio incondicional a Israel[10]. Alguns analistas criticam Harper por não transparecer quais são as diretrizes do seu Governo para a sociedade e por proteger demasiadamente as indústrias petrolíferas[11]. Entretanto, a maior parte das críticas tem se direcionado aos índices econômicos do país.

A Oposição tem focado seus discursos justamente no baixo rendimento econômico que o Canadá vem tendo nos últimos anos. O líder do Novo Partido Democrático, Tom Mulcair, ressaltou que “os salários estão caindo, os rendimentos estão estagnados e o endividamento das famílias está subindo rapidamente[12] e que, portanto, os canadenses podem escolher entre mais quatro anos sob a direção dos conservadores, ou apostar no seu plano de mudança. A pauta econômica também tem sido aposta doPartido Liberal.

Nesse aspecto, Justin Trudeau, afirmou que “se as pessoas querem mudar esse país, é porque a economia não está trabalhando para eles[13]. Por fim, cabe destacar que os dois líderes estão em sua primeira campanha eleitoral em nível federal. Conforme alguns analistas, apesar de Mulcair ser visto como um adversário mais forte que Harper, ele carece de carisma e não é amplamente conhecido. Enquanto isso, Trudeau é filho de Pierre Elliott Trudeau, ExPrimeiroMinistro do Canadá, além de ter carisma, conta com o apoio do pai e possui uma vida pública bastante conhecida[14].

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Imagem (Fonte):

http://www.parl.gc.ca/About/Parliament/GuideToHoC/index-e.htm

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.parl.gc.ca/About/Parliament/GuideToHoC/index-e.htm

[2] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2005/05/050520_canadacg.shtml

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/aug/04/guardian-view-on-canada-elections-is-stephen-harper-era-over

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/41220/primeiro-ministro+canadense+dissolve+parlamento+e+convoca+eleicoes+para+outubro.shtml

[6] Ver:

http://www.cbc.ca/news/politics/canada-election-2015-stephen-harper-confirms-start-of-11-week-federal-campaign-1.3175136

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/41220/primeiro-ministro+canadense+dissolve+parlamento+e+convoca+eleicoes+para+outubro.shtml

[9] Ver:

http://www.cbc.ca/news/politics/canada-election-2015-stephen-harper-confirms-start-of-11-week-federal-campaign-1.3175136

[10] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/08/03/world/americas/canadian-prime-minister-calls-federal-election.html

[11] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/08/16/opinion/sunday/the-closing-of-the-canadian-mind.html

[12] Ver:

http://www.cbc.ca/news/politics/canada-election-2015-stephen-harper-confirms-start-of-11-week-federal-campaign-1.3175136

[13] Ver:

Idem.

[14] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/08/03/world/americas/canadian-prime-minister-calls-federal-election.html

About author

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.
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