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Candidato à Presidência lituana apresenta programa de Política Externa

Nos últimos anos, a Lituânia demonstra interesse em ser um Estado cada vez mais independente e estimula seus cidadãos a escolherem o futuro de sua nação sem considerar as possíveis influências externas. Após a saída da antiga União Soviética, os lituanos, assim como os Estados bálticos da Letônia e Estônia, lutam pela autoafirmação de seus países no cenário internacional, e, para isso, ingressaram na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), buscando conquistar espaços políticos.

No momento, a Lituânia está em fase de campanha eleitoral para o cargo de Presidente, com uma disputa acirrada entre 17 candidatos: Vytenis Andriukatis, Petras Auštrevičius, Alfonsas Butė, Raimonda Daunienė, Petras Gražulis, Vitas Gudiškis, Arvydas Juozaitis, Camimier Juraitis, Aušra Maldeikienė, Valentin Mazuron, Mindaugas Puidokas, Naglis Puteikis, Saulius Skvernelis, Toms Simple, Ingrida Šimonytė, Valdemar Tomaševski e Gitana Nausėda.

O candidato Gitana Nausėda, ciente da importância da política externa para o país, apresentou suas propostas no último dia 15 deste mês (março), e enfatiza um maior foco na diplomacia econômica, um diálogo com a Rússia, um olhar mais aberto aos investimentos da China, maior destaque para a OTAN e ter a UE como uma confederação.

A valorização do fator comercial na política externa lituana contribuiria para facilitar o acesso dos empresários daquele país ao mercado internacional, e uma maior parceria com a China seria fundamental para ramificar os negócios, conforme afirma o próprio Nausėda no jornal The Baltic Times: “Sou a favor do desenvolvimento da cooperação econômica com a China, já que não há grandes riscos relacionados ao comércio. Sinto falta do elemento econômico em nossa política externa. Acho difícil entender por que estamos cortando a parte do financiamento para a política externa, fechando representações e posições de adido comercial”.

Gitanas Nausėda

Em matéria de política, o candidato Nausėda entende que a UE deveria ser menos centralizadora, pois os países menores tendem a arcar com grandes responsabilidades, enquanto os países maiores tendem a não se arriscarem muito; em relação a OTAN compreende que a Lituânia deve dar maior ênfase discursiva e financeira ao Bloco, pois o mesmo faz parte de seu apoio externo na área de defesa; e, sobre a Rússia, Nausėda acredita que se não houver problemáticas acerca dos princípios lituanos, o diálogo deve ser mantido, e focalizando a perspectiva econômica e cultural.

O próprio candidato Nausėda tornou a afirmar no jornal The Baltic Times:

A OTAN é o mais importante e praticamente o nosso único escudo que a Lituânia pode usar para deter qualquer inimigo externo. Devemos reforçar a OTAN não apenas através de palavras, mas também através de compromissos”. Em relação a Rússia ele afirma: “Mas estes são nossos países vizinhos e se não renunciarmos aos nossos princípios, podemos tentar falar com eles, talvez partindo da alavanca política mais baixa e, antes de tudo, focalizando a cooperação econômica e cultural”.

Os analistas compreendem que a região do báltico possui uma sensibilidade política que deve ser considerada no tocante a expansão das fronteiras da UE e da OTAN em direção à Rússia, e da afirmação política da Lituânia no plano regional. Todavia, a ascensão de um Presidente lituano capaz de entender as questões centrais que rodeiam a política interna e externa da Lituânia poderia contribuir para maior progresso e menos tensões para as nações locais. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio Presidencial da Lituânia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Wilno_-_Pa%C5%82ac_prezydencki.jpg

Imagem 2 Gitanas Nausėda” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1f/Gitanas_Nauseda.jpg/1024px-Gitanas_Nauseda.jpg

About author

Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.
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