AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Casa Branca promove realinhamento na política externa com a Península Coreana

Após quase uma década de convergência entre os conservadores sul-coreanos e a administração de Barack Obama, analistas estadunidenses projetam um novo ciclo, capitaneados por dois novos personagens, Donald Trump e Moon Jae-in, algo comparável as relações construídas por George W. Bush e Roh Moo-hyun, porém com maiores riscos, dadas as incertezas geradas pelo próprio presidente Trump em conduzir um diálogo produtivo na tensa relação com a Coreia do Norte.

Sistema THAAD sendo transferido para caminhões na Base Aérea de Busan, Coreia do Sul

A ascensão de Moon Jae-in impõe desafios domésticos e internacionais diferentes como Presidente em linha ao experimentado como chefe de gabinete na administração de Roh Moo-hyun. No plano nacional, o sul-coreano precisará liderar um Governo que detém minoria de assentos na Assembleia Nacional, além de erradicar a corrupção doméstica e enfrentar a desigualdade econômica, ao passo que precisará gerir de forma pragmática e responsável a aliança EUA-Coreia do Sul, bem como a implantação do sistema antimísseis instalado, o Terminal Hight Altitude Area Defense (THAAD, na sigla em inglês), ambos com amplo apoio popular e fundamentais para a aliança em segurança constituída desde o armistício de 1953.

O imbróglio com Pyongyang certamente produzirá novos embates críticos, porém Moon, mesmo após ter de enfrentar testes de mísseis balísticos do vizinho, ocorrido apenas quatro dias depois de assumir o cargo, pleiteia por uma campanha capaz de reavivar o diálogo e renovar as relações econômicas com o líder do Norte, Kim Jong-un, desde que este volte a negociar um programa de desnuclearização que poderia resultar em mais trocas governamentais no futuro.

Ainda como parte dos desafios, a tensão perene na política externa de Seul entre o desejo de maior autonomia e a necessidade de manutenção da aliança com Washington, garantidor da segurança, tem criado elementos de instabilidade na política interna do país asiático, em que progressistas anseiam por maior autonomia dentro da aliança, ao propor que Moon convença Trump a afrouxar a cooperação ao nível que permita Seul se impor a Pyongyang, ao mesmo tempo em que promove maior alavancagem com a China, com o intuito de apaziguar as objeções de Pequim em relação à instalação do THAAD.

Contudo, para a oposição sul-coreana, a crescente ameaça peninsular, bem como a ampliação das tensões regionais entre China, EUA e Japão aumentam o risco e restringe a buscar por maior autonomia. Dado o cenário, a oposição, bem como alguns analistas sul-coreanos entendem que as consequências possam ser devastadoras e, portanto, ponderar a maximização de influência e solidariedade dentro da aliança com os EUA é algo por ora inalcançável.

Para a Casa Branca, qualquer revisão de instrumentos disponíveis destinados a induzir uma mudança de direção em Pyongyang revela que a cooperação militar com a Coreia do Sul é fundamental.

Os custos para os Estados Unidos de ações unilaterais que possivelmente resultariam em mais riscos do que preservação da segurança de seus aliados ganha conotação proibitiva, a menos que sejam essenciais para a defesa da pátria contra um ataque iminente.

Para tanto, uma estratégia maciça de pressão e envolvimento multilateral adotada pela administração Trump passa pela necessidade de maior cooperação de Beijing, desde que a China também reconheça a importância da aliança dos EUA-Coreia do Sul como essencial para frustrar os objetivos norte-coreanos. Nesse sentido, acredita-se, haveria superação do impulso sul-coreano por mais autonomia ou da adoção de unilateralismo por parte dos EUA.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Trump e Presidente Moon Jaein em declaração conjunta na Casa Branca em 30 de junho de 2017” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/35520219101/in/photolist-V2Yr4j-VfXyEf-W7Nq1g-W7NpCH-QFKtP7-WkCuPw-WS4YNC-VPp32o-V4epSz-W6juAR-Wetb9Q-W35XaE-V36HRT-WS54gA-W54ZoX-UZetis-WHXH4X-WHXHAt-Vr569P

Imagem 2Sistema THAAD sendo transferido para caminhões na Base Aérea de Busan, Coréia do Sul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:Two_THAAD_launchers_arriving_in_South_Korea_in_March_2017.jpg

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
Related posts
AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Evo Morales e Rafael Correa fora das eleições na Bolívia e no Equador

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Repressão à greve de professores aumenta preocupação com repressão na Jordânia

ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China promete fornecer mais tropas para as operações de paz das Nações Unidas

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Colômbia inaugura maior túnel latino-americano

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!