A administração Donald Trump pretende cortar 32% da ajuda financeira oferecida pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) a países ao redor do globo. Essa redução consta da proposta orçamentária enviada ao Congresso pelo Departamento de Estado dos EUA, no dia 23 de maio, e faz referência ao ano fiscal de 2018, que se inicia em outubro de 2017. Caso aprovada pelo Legislativo, a medida terá um impacto ainda mais sensível entre as repúblicas do Cáucaso do Sul, que terão seus repasses abatidos em mais de 60%.

Rico em petróleo e gás natural, o Azerbaijão é o país da região menos dependente de ajuda externa, que pela proposta seria praticamente extinta. Dos US$10,2 milhões recebidos atualmente, ao azerbaijanos passariam a contar apenas com US$1 milhão. A Armênia teria seus US$20,372 milhões atuais reduzidos para US$6,8 milhões. No entanto, conta com a atuação da diáspora armênia nos EUA que costumeiramente influencia o Congresso em seu favor. A maior prejudicada seria a Geórgia, que veria seus US$80,605 milhões encolherem para US$34,1 milhões, a redução mais dramática se considerados números absolutos.

Primeiro-ministro Giorgi Kvirikashvili em Washington. Fonte: Governo da Georgia

A decisão da Casa Branca parece ter pego Tbilisi de surpresa. No início de maio, o primeiro-ministro georgiano, Giorgi Kvirikashvili, realizou uma visita oficial a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, além de outros oficiais do alto escalão estadunidense. No dia 9, em entrevista coletiva dada após os encontros, Kvirikashvili disse acreditar que os EUA “continuarão a apoiar a Geórgia, e essas relações só vão se fortalecer”, além de anunciar que Trump “forneceu fortes mensagens de apoio à Geórgia”. A proposta de corte orçamentário, divulgada apenas duas semanas após a reunião entre os dois líderes, pode suscitar desconfianças entre a classe política do país caucasiano, até então o mais fiel aliado americano na região.

A diminuição dos gastos no exterior coaduna com o lema “America First”, que levou os republicanos de volta ao poder em 2016. Entretanto, cortar ajuda financeira a países em desenvolvimento resulta no enfraquecimento de laços bilaterais e na diminuição da capacidade dos EUA em influenciar o mundo que os cerca. O perigo do desengajamento norte-americano se torna ainda mais evidente se considerada a importância estratégica do Cáucaso do Sul. Negligenciar uma região que é cortejada pelos crescentes investimentos chineses, que está constantemente sujeita às pressões da ressurgente Rússia e atua como barreira entre a instabilidade do Oriente Médio e a Europa pode custar aos americanos um preço geopolítico mais alto do que a aparente economia prevista no novo orçamento.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Agency_for_International_Development#/media/File:USAID-Identity.svg

Imagem 2Primeiroministro Giorgi Kvirikashvili em Washington” (Fonte):

http://government.ge/index.php?lang_id=ENG&sec_id=463&info_id=61041