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Catalunha e o centro de equilíbrio da política na Espanha

As tensões entre a região da Catalunha e o governo central de Madri foram aumentando desde o início da Crise Financeira Internacional, que afetou o país desde 2008 a 2014, alimentando o nacionalismo existente na região desde o século XIX e que se intensificou no final do século XX, sob a crista do movimento plurinacional gerado pela consolidação do Bloco europeu.

A região tentou por diversas vezes promover uma cisão com o governo espanhol, realizando uma série de eleições e referendos que jamais foram reconhecidos pela Espanha e até mesmo declarou sua independência após votação no Parlamento da Catalunha, no dia 27 de outubro de 2017, sendo rapidamente interditada pelo Governo espanhol, que destituiu todos os membros do Governo local e decretou a prisão dos principais mentores do movimento separatista.

Presidente da Catalunha e Presidente da Espanha

A Catalunha foi diretamente controlada por Madri até a posse do atual presidente Pedro Sanchez (PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol), no dia 2 de junho de 2018, após a destituição do presidente eleito Mariano Rajoy (PP – Partido Popular), devido ao seu envolvimento em diversos escândalos políticos e suspeitas de corrupção.

A administração de Pedro Sanchez voltou a restituir o governo da Catalunha e propôs um canal de diálogo com a região. Embora o movimento tenha sido bem visto dentro da comunidade internacional, na Espanha gerou uma grande rejeição, pois a questão territorial tem sido o maior tema de discussão e polarização no país.

As negociações entre Catalunha e Espanha praticamente não avançaram, embora essa aproximação entre ambas administrações tenha gerado um crescimento dos partidos de extrema direita que defendem a unidade territorial e atacam o atual partido na Presidência.

Segundo o Centro de Investigaciones Sociologicas (CIS), os resultados das eleições em Andaluzia refletem esse aumento do apoio da população a novas forças políticas de extrema direita; efeito este que não foi negligenciado pelo antigo partido da Presidência, o PP, que propôs uma aliança com o partido de extrema direita VOX para “Varrer aos socialistas do mapa”, conforme palavras do próprio porta-voz do partido.

Líderes de extrema direita da Europa

A relação do governo central com a região da Catalunha, antes centralizada no aspecto econômico e nas reivindicações locais, agora se concentra no ambiente político e dita, por sua vez, a situação de todo o país e também da delicada posição do governo espanhol, que, por um lado, deve enfrentar a questão nacionalista e, por outro lado, deve encarar o discurso eurocético e ultranacionalista, contrários aos interesses da própria União Europeia.  Dessa forma, gerou-se uma espécie de simbioses entre ambas as forças políticas opostas, porém dependentes, que levam aos nacionalistas catalães a apelar aos seus eleitores para o apoio do próprio Presidente da Espanha.

As tensões políticas e o avanço do discurso eurocético e conservador não são uma exclusividade da Espanha, dentro do Bloco europeu existem novos movimentos políticos que se contrapõe não somente aos interesses da União Europeia como de suas próprias origens, sendo curioso como, neste caso, a região geradora das principais tensões políticas locais se transformou em um importante ponto de equilíbrio para a própria Espanha.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cisão entre Espanha e Catalunha” (Fonte): https://www.desarrollando-ideas.com/wp-content/uploads/sites/5/2017/10/iStock-659592784-1038×576.jpg

Imagem 2 Presidente da Catalunha e Presidente da Espanha” (Fonte): https://okdiario.com/img/2018/07/09/pedro-sanchez-quim-torra–655×368.jpg

Imagem 3 Líderes de extrema direita da Europa” (Fonte): https://edusocialsoul.files.wordpress.com/2018/10/ultraderechalideres.png?w=736

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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