AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Um panorama bipolar para o Oriente Médio

A tensão instaurada em um Oriente Médio já combalido por guerras civis e cisões étnicas ganha profundidade e complexidade com a derrocada nas relações diplomáticas entre o Emirado do Qatar com Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein, Egito, Iêmen e Líbia, um posicionamento que pode revelar muito mais do que uma simples discordância entre atores vizinhos.

Presidente Trump e o Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud durante reunião dos líderes do GCC, no King Abdulaziz Conference Center, em Riad, Arábia Saudita

O momento atual do Oriente Médio converge com a chegada de Donald Trump à Casa Branca e essa releitura das tensões no subcontinente abre precedentes para dividir o quadro conjuntural da região em dois: de um lado, Estados Unidos e membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC na sigla em inglês), sob o protagonismo da Arábia Saudita; e, de outro lado, o Irã.

Com a sua primeira viagem como Presidente ocorrendo em Riad, Trump concordou com a Monarquia saudita no que tange ao papel do Irã como desestabilizador da região, porém sofreu críticas de observadores internacionais que insinuaram que sua presença em solo saudita tenha provocado ainda uma divisão entre os árabes do Golfo.

Embora haja concordância a respeito da influência iraniana na geopolítica do Oriente Médio, o objeto de debate no âmbito do Conselho de Cooperação do Golfo é que faz diferirem as ações que cada Estado pretende tomar.

Ministros das Relações Exteriores do P5+1 antes do anúncio final

Nesse sentido, para especialistas na região, o acordo consolidado nas negociações nucleares entre o P5 + 1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido, mais Alemanha) e o Irã foi o propulsor na divisão dessas ações.

Sob a liderança da Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, atores céticos com o acordo, a preocupação se dá pela elevação do grau de influência que gerou para os iranianos o afrouxamento das tensões entre o ocidente e o Irã. Contudo, outros atores, incluindo Omã e o Emirado de Dubai esperavam capitalizar o acordo e forjar novas parcerias comerciais. O Kuwait e o próprio Qatar, pelo histórico recente, se posicionaram no meio, ou seja, anseiam pela contenção do país persa, porém também desejam a diminuição dos desequilíbrios, uma vez que compartilham interesses com Teerã, a incluir campos de gás e outras fontes de comércio.

Por apresentar uma posição histórica ambígua nas relações exteriores, Doha ganhou o protagonismo. Em meado dos anos 1990 flertaram com Saddam Hussein, Irã e Israel, bem como com a oposição saudita através das transmissões da Al Jazeera.

Em tempos mais recentes, o Qatar mantém boas relações com Hezbollah e apoia abertamente o Hamas, além de ser acusado de apoiar grupos islâmicos radicais na Síria, bem como a Irmandade Muçulmana em todo o Oriente Médio, fator preponderante para o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi intervir e apoiar a crescente pressão sobre os qataris.

Em Washington, a posição neutra apresentada pelo secretário de Estado, Rex Tillerson, e pelo Departamento de Defesa contrasta com o desconforto pelo vínculo existente de Doha com diversos grupos jihadistas.

Entretanto, fora dos registros oficiais, Washington concorda que o vínculo com grupos como Hamas, Taliban e a Al-Qaeda atenuaram as posições desses grupos, tornando-os mais acessíveis às negociações, tal  como em 2014, quando o Qatar persuadiu o Taliban a libertar o soldado estadunidense Bowe Bergdahl, ou quando ajudou a garantir meses depois a liberdade de Peter Theo Curtis, jornalista detido pela filial da Al-Qaeda na Síria, a Frente Al-Nusra.

Para observadores, analistas e membros do Governo estadunidense algo deve ser feito sobre as políticas de Doha, dada a divergência entre o posicionamento do presidente Trump e o que as agências de segurança nacional acreditam. Nesse sentido, uma das alternativas veiculadas é utilizar do Kuwait como negociador para o fim do impasse no Golfo.

Por outro lado, há o aspecto geopolítico da atual administração que já elegeu o Irã como o inimigo a ser combatido para sua política externa no Oriente Médio e, nesse sentido, os acordos comerciais de cooperação militar firmados na viagem a Riad são os meios para materializar o enfraquecimento do Estado persa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Trump e a PrimeiraDama Melania Trump sendo recebidos pelo Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, no Aeroporto International Rei Khalid” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/whitehouse/33975154893/in/photolist-TLgxSD-UWd5Yu-bPPABZ-RnEj3L-UN4vxF-S8YKn8-8YwT7n-NpH67r-V2jqtE-V3PXXT-88oN54-9bFEc7-UZLwWi-cLxZTJ-UQo2cy-TLgxKp-RtH8ug-TRUDC3-cLy1Xs-cLy7ko-cLy6jw-VokkRp-bTRAzz-cLy5m1-cLy4hw-cLya5Q-cLy8ij-cLy35y-bYQL73-74Em8v-8ybXSR-RkJAgw-Rh3EHU-Hmht7q-AKWYCC-4Npn2X-UR4F3K-dN4HM-HzSNzS-Jm21sg-C9T6V5-N12wQu-Npoa8a-TFhn3F-RaZizp-yuskc9-LV1wdk-EqDPMf-vTokWX-wnM6Wq

Imagem 2Presidente Trump e o Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud durante reunião dos líderes do GCC, no King Abdulaziz Conference Center, em Riad, Arábia Saudita” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/whitehouse/34031493273/in/photolist-TRfij2-rdNe5A-edBueJ-edo9zf-e9gAup-ea9c5S-8uVrja-hL1KZC-dMQzyX-hL2pXZ-rtmq7F-hL1YU5-TRfidk-paY1My-hL1oyR-azh1r4-pj3Rk5-hyxXSf-efk6H2-f2BK19-rrrxaG-Tpyypp-hL1TmS-edvX7V-8uVhLn-hL2c21-ouVnZF-TY3w1y-5uS6kX-8vBVTe-hL1YEq-hL2Dmn-ejBSxe-e6BRzB-8vEXjo-ea9cfh-hL2BEN-8vEXd9-hL2dPN-8vBWaH-8uVbxt-ei4fPM-edRRXA-hL2a1g-8vEXtU-8vEXmG-hL1TEr-9W2P8p-hL2Ryj-pDrBgb

Imagem 3Ministros das Relações Exteriores do P5+1 antes do anúncio final” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/P5%2B1#/media/File:Iran_Talks_Vienna_14_July_2015_(19067069963).jpg

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

A retirada dos EUA do Acordo de Paris

A preocupação em torno do aquecimento global, das mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável tem sido pauta da agenda de discussões de países, de diferentes organizações não governamentais e de grupos civis. Na contramão desse debate, Donald Trump, atual Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), já chegou a afirmar durante sua campanha eleitoral que o aquecimento global era uma farsa e que retiraria o país do Acordo para enfrentar as mudanças climáticas. Para o Presidente dos EUA, que são o segundo maior emissor de dióxido de carbono do mundo, atrás apenas da China, as leis ambientais reprimem o crescimento econômico, além de serem responsáveis pelo desemprego nos EUA. Assim, no último dia 1o de junho, Trump anunciou a retirada dos norte-americanos do Acordo de Paris.

Logo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Fonte: Nações Unidas

Este Acordo é resultado dos trabalhos da 21ª Conferência das Partes (COP21), que ocorreu em Paris, entre novembro e dezembro de 2015. Ele foi aprovado pelos 195 países da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). A UNFCCC foi adotada durante a Cúpula da Terra do Rio de Janeiro, em 1992, e entrou em vigor em março de 1994, quando foi ratificada pelos 196 Estados que constituíam as “Partes” da Convenção. A UNFCCC caracteriza-se por ser uma convenção universal de princípios, que reconhece a existência das mudanças climáticas antropogênicas – ou seja, que ocorrem em função da ação humana – e atribui maior responsabilidade no seu combate aos países industrializados. As decisões sobre a convenção são deliberadas anualmente pela COP.

Dessa forma, o Acordo de Paris é fruto de uma caminhada de discussões sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Ele tem por objetivo central o fortalecimento de uma resposta global à mudança climática, além de fomentar as capacidades dos Estados em enfrentar os impactos decorrentes dessas mudanças. Por meio do acordo climático, os países assumiram o compromisso de reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), no contexto do desenvolvimento sustentável, a fim de manter a temperatura média global abaixo de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, além de limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC. Para que esse objetivo seja alcançado, cada país desenvolveu seus próprios compromissos, a partir das chamadas Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDC, na sigla em inglês). Desse modo, através do INDC cada Estado apresentou suas contribuições de redução de GEE, considerando seus próprios cenários sociais e econômicos. O Acordo de Paris entrou em vigor em novembro de 2016, quando se atingiu a segunda meta do acordo, o agrupamento de 55% das emissões de GEE, sendo que a primeira meta foi alcançada em setembro, quando 55 países que integram as Partes ratificaram o Acordo.

Em setembro de 2016, durante a reunião da cúpula do G20, grande otimismo tomou conta da comunidade internacional quando os líderes Barack Obama, então Presidente dos Estados Unidos, e Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, anunciaram oficialmente que ratificariam o Tratado. A decisão dos dois Estados responsáveis por praticamente 38% das emissões de gases de efeito estufa era essencial para o fortalecimento do Acordo e à adesão dos demais países. Até metade de 2016, antes do anúncio das duas grandes potências mundiais, apenas 19 Estados haviam ratificado o Acordo e juntos contabilizavam cerca 0,18% das emissões globais, sendo a Noruega o único país desenvolvido a fazer parte desse grupo, já que a maioria eram pequenos países do Pacífico e do Caribe. Assim, os Estados Unidos haviam se comprometido a reduzir até 2025 as emissões de GEE entre 26% e 28%, em relação aos níveis de 2005. Enquanto que a China se comprometeu a aumentar, até 2020, em 20% a proporção de fontes de energias limpas no total de energia gerado no país.

Ex-Presidente dos EUA, Barack Obama. Fonte: Wikipedia

Naquela ocasião, Barack Obama, conforme destacou a DW, afirmou que “quando há vontade e ambição, e quando há países como China e EUA prontos para mostrar liderança e exemplo, é possível criar um mundo mais próspero. O então Presidente dos EUA reforçou ainda que “é o momento em que finalmente decidimos salvar o planeta. Esse otimismo também foi expressado por Ban Ki-Moon, então Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), conforme destacou nota da ONU Brasil: “o impulso global para que o Acordo de Paris entre em vigor em 2016 tem sido notável. O que antes parecia impensável agora não pode ser parado.  Ban Ki-Moon pediu ainda que “todos os governos e todos os setores da sociedade que implementem o Acordo na íntegra e tomem medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, reforcem a resiliência do clima e apoiem os mais vulneráveis na adaptação aos impactos climáticos inevitáveis.

Em contrapartida, Donald Trump vê o Acordo de Paris como um entrave ao crescimento econômico dos Estados Unidos, pois prejudica, por exemplo, empresas de carvão, petróleo e manufatura. Ele chegou a afirmar, como ressaltou o Politico, que as mudanças climáticas são invenções dos chineses para reduzir as capacidades industriais dos EUA, além disso Trump acredita que os estudos apresentados por cientistas e organismos internacionais são extremistas. Esse posicionamento é apoiado por representantes do setor energético. Thomas Pyle, presidente da Aliança Energética Americana, como destacou a Reuters, argumenta que “permanecer no Tratado do Clima de Paris afetaria os esforços do governo Trump para proteger as famílias norte-americanos de regulações climáticas desnecessárias e pesadas”. 

No dia 31 de maio, alguns veículos internacionais, como Axios e Político, já antecipavam a decisão de Trump. Segundo a Axios, a dúvida pairava entre uma retirada formal que poderia levar aproximadamente três anos ou um rompimento com o Tratado da ONU, que seria mais rápido, mas, em contrapartida, mais radical. Essa apreensão que se disseminou no início da semana deve-se em parte às declarações de Trump ao longo do seu mandato, mas também à sua postura no último final de semana, quando participou da reunião da Cúpula do G7, na Sicília. Na ocasião, Trump não endossou o acordo climático e assinalou que necessitava de mais tempo para decidir. Enquanto que os demais países procuraram reiterar o compromisso de implementar o acordo global.

Na última quinta-feira, Trump oficializou a decisão de retirada e assinalou, segundo destacou a DW, que a sua administração interromperá todas as implantações do Acordo e os encargos econômicos draconianos ele impõe aos EUA. Como já mencionado, a decisão do Presidente já era esperada, em virtude da sua postura quanto as leis ambientais. Cabe lembrar, que em março deste ano (2017) o Governo Trump assinou um Decreto que deu fim ao Clean Power Plan, que era um plano de política ambiental estruturado pela administração de Obama, o qual determinava limites para emissões de dióxido de carbono para as usinas elétricas.

Alguns analistas apontam que a saída dos Estados Unidos do acordo climático poderá enfraquecer o pacto e induzir outros países a optar pela retirada, como já haviam ameaçado as Filipinas, antes mesmo da decisão de Trump. Segundo destacou Fred Krupp, presidente do Fundo de Defesa Ambiental, conforme apontou a DW, a eleição de Donald Trump alterou profundamente a paisagem em que se trabalhava. Isso porque, com a retirada dos EUA ficará mais difícil para países em desenvolvimento obter financiamento necessário para enfrentar as mudanças climáticas. Haja vista que o financiamento é um dos eixos basilares do acordo climático, pois possibilita limitar as emissões de dióxido de carbono e tornar suas economias mais resistentes aos efeitos das mudanças climáticas. Os Estados Unidos, por exemplo, transfeririam ao Fundo cerca de US$ 3 bilhões que seriam destinados aos países mais vulneráveis, que iriam somar-se no montante de 100 bilhões de dólares transferidos pelos países ricos anualmente.

Outro receio refere-se ao fato de que, se as empresas estadunidenses do setor de energia não forem obrigadas a adotar medidas para combater as mudanças climáticas, suas concorrentes estrangeiras também pressionarão seus países para não aderirem as medidas de restrições de emissões. Segundo destacou o Observatório do Clima, os impactos com a saída dos norte-americanos poderão ser imensos, uma vez que são um dos maiores emissores de GEE e também um dos principais financiadores do Fundo Verde do Clima. Segundo o Observatório, sem a maior potência mundial os países ficarão apenas na ambição coletiva de mudar o desfecho das mudanças. Isso porque a saída dos EUA acrescentará, segundo analistas, cerca de 3 bilhões de toneladas de CO2 emitidas na atmosfera anualmente, o que, por sua vez, implica no aumento da temperatura do planeta entre 0,1 e 0,3C até o final do século XXI. Portanto, com o afastamento dos norte-americanos os Estados que compõem o Acordo não conseguiriam manter a temperatura dentro da meta estipulada de 2º C.

Nesse aspecto, sem fundos necessários, os países que integram, por exemplo, o Vinte Vulneráveis (V20), como Nepal, Tuvalu, Bangladesh e Tanzânia, estarão ainda mais fragilizados para enfrentar efetivamente consequências das mudanças climáticas em suas sociedades. Em resposta à postura de Trump, alguns países têm reafirmado seu compromisso, a fim de assegurar a importância dos países em adotar medidas que possam contribuir para a redução das emissões, além de promover ações que foquem no desenvolvimento sustentável pautado nos objetivos da agenda 2030 das Nações Unidas. Estados como França, Alemanha, Itália e a China expressaram seu comprometimento com o Acordo de Paris. Empresas estadunidenses como Apple, Coca Cola e Tesla, também defenderam a relevância e a implementação do Acordo, e alguns Estados dos EUA, como Nova York e Califórnia, anunciaram que adotariam medidas para proteção ambiental. Por fim, cabe pontuar que a decisão de Trump não é definitiva, pois o processo de retirada pode levar em torno de quatro anos, assim, caso Donald Trump não seja reeleito, esse processo poderá ser revisto pelo próximo Presidente norte-americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Photograph of the PresidentElect Donald Trump, ‘PE color.jpg posted to whitehouse.gov on 20 January and used in inauguration brochure prior to that” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

Imagem 2 Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/cop21/

Imagem 3 U.S. President Barack Obamas official photograph in the Oval Office on 6 December 2012” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama#/media/File:President_Barack_Obama.jpg

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

EUA celebra acordo de exportação de carne bovina para a China

No último dia 11 de maio, os Estados Unidos da América (EUA) e a República Popular da China anunciaram os resultados iniciais do “Plano de Ação de 100 Dias”, acordado no início de abril deste ano (2017). Os líderes dos dois países estabeleceram acertos comerciais que envolvem alguns pontos centrais de disputas entre EUA-China, os quais envolvem setores de serviços financeiros, energia e comércio agropecuário. O acordo visa reduzir o déficit comercial dos norte-americanos com os chineses, que no ano passado (2016) foi de aproximadamente 350 bilhões de dólares. Ademais, o mercado chinês é o principal destino das exportações de produtos agrícolas dos Estados Unidos, que em, 2016, totalizaram cerca de US $ 21,412 bilhões, e vem crescendo 1.100% desde 2000.

No início de abril, Xi Jinping, Presidente da China, reuniu-se na Flórida com Donald Trump, Presidente estadunidense, quando definiram pautas a serem estipuladas dentro de 100 dias. Os dois Presidentes destacaram na ocasião a importância da relação bilateral entre as duas maiores economias do planeta. Naquele momento, Trump atenuou as severas críticas feitas à China durante sua campanha presidencial, quando acusava o Governo chinês de adotar políticas comercias injustas, além de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para beneficiar as exportações do seu país. Apesar das críticas, o Governo Trump afirmou mais recentemente a possibilidade de usar questões de disputas comercias com a China como espécie de moeda de troca, caso o Governo chinês se disponha a cooperar na ameaça representada pela Coreia do Norte.

Nesse aspecto, contudo, Zhu Guangyao, Vice-Ministro das Finanças chinês, segundo a BBC, ressalvou que as questões econômicas não deveriam ser politizadas, e que sua equipe se concentrou apenas na relação comercial e econômica. Ademais, assim como os Estados Unidos, a China também busca ampliar seu acesso ao mercado. Nesse âmbito, analistas argumentam que tanto os Bancos quanto o segmento de aves chinesas, que sofre uma série de restrições à importação, deverão ser beneficiados pelo acordo.

Fonte: Brahman Baby – Wikipedia

Alguns analistas assinalam, entretanto, que essa flexibilização para a importação de aves chinesas visa uma reciprocidade quanto à carne bovina estadunidense. De acordo com o comunicado da administração Trump, o acerto prevê que Pequim autorizará até 16 de julho as importações de carne bovina, data que marca o centésimo dia das negociações. Desde 2003, a China suspendeu a compra de carne bovina oriunda dos EUA, em virtude da descoberta de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “mal da vaca louca”. A doença foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985. A EEB provoca a degeneração do sistema nervoso central, que provoca a morte dos animais. A ingestão de alimentos ou derivados contaminados pode resultar na perda da coordenação motora, demência e morte.

O primeiro caso de EEB nos Estados Unidos foi registrado no Estado de Washington (Oeste do país) há 13 anos. Na ocasião, Japão e Coreia do Sul, que consistiam nos dois maiores mercados consumidores de carne bovina estadunidense suspenderam a importação. A medida foi seguida por outros países como Tailândia, Malásia, Austrália, Rússia, África do Sul, China entre outros. O episódio provocou a queda nas exportações norte-americanas em todo mundo, que passaram de US$ 3 bilhões, em 2003, para 1,1 bilhão de dólares, no ano seguinte.

Assim, há anos existe uma forte pressão do setor dentro dos EUA para o restabelecimento do comércio de carne bovina com a China. No ano passado (2016), o Governo chinês chegou a levantar a proibição de importação da carne de procedência norte-americana, entretanto o intercâmbio comercial foi baixo. Em pronunciamento à imprensa, Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos Estados Unidos, conforme destacou The Guardian, a relação EUA-China está alcançando um novo patamar, particularmente no que tange ao comércio. Para Ker Gibb, presidente da Câmara Americana de Comércio de Xangai, as medidas representam um bom começo, mas não um avanço, segundo ressaltou a Reuters. No mesmo sentido, Christopher Balding, professor de finanças da Universidade de Pequim, também segundo The Guardian, destacou que, embora não seja um grande anúncio, ele também não é irrelevante. Balding pontua ainda que é difícil precisar se as relações entre os dois países estão em outro patamar, haja vista o comportamento inconstante do Presidente estadunidense.

Fonte: Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina – Wikipedia

Assim como ocorreu com os Estados Unidos, em 2012 o Brasil teve suspensa a importação de carne bovina pela China, em virtude de casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina. Naquele ano, as exportações brasileiras para o mercado chinês totalizaram cerca de US$ 37,7 milhões. Em 2014, o Brasil aceitou receber uma missão técnica chinesa que iria reavaliar as condições da carne brasileira. No ano seguinte, os dois países assinaram um acordo sanitário que viabilizaria a retomada da importação de carne bovina brasileira.

Neste ano (2017), após a Operação Carne Fraca, que apontou a fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, a China havia anunciado a restrição temporária da importação de carne, mas, no dia 25 de março, o Governo chinês anunciou a reabertura dos mercados à carne brasileira. Segundo Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC), conforme o Notícias Agrícolas, a perspectiva é de que o Brasil aumente suas exportações de carne bovina que no ano passado foi de 300 mil toneladas, isso porque outros fornecedores como, por exemplo, Austrália e Estados Unidos, não serão capazes de atender a evolução do mercado chinês.

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Fontes Imagens:

Imagem 1Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Brahman Baby(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bovinos#/media/File:Brahman_Baby.jpg

Imagem 3 Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Encefalopat%C3%ADa_espongiforme_bovina

ÁFRICAAMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalORIENTE MÉDIO

[:pt]Governo Trump busca fortalecer cooperação militar com o Egito[:]

[:pt]

Ao longo da última semana, James Norman “Jim” Mattis, Secretário de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA) encontrou-se com alguns líderes de países aliados a Washington no Oriente Médio. O roteiro de Mattis visa estreitar relações já estabelecidas e amenizar tensões com tradicionais aliados, como é o caso da República Árabe do Egito. Assim sendo, no último dia 20 de abril, Jim Mattis reuniu-se com Abdel Fattah al-Sisi (Presidente do Egito), Sedki Sobhi (Ministro de Defesa) e outros funcionários do alto escalão do Governo egípcio. O encontro teve como pauta a cooperação militar e a segurança entre os dois países, além da luta contra a insurgência do Exército egípcio na Península do Sinai, onde atua um grupo ligado ao Estado Islâmico.

No início de abril, Donald Trump, Presidente dos EUA, já apontava a inversão das relações com o país, que após oito anos recebeu um Presidente egípcio. Em comunicado, a Casa Branca destacou o apoio contínuo na luta contra o terrorismo e também a importância de se aprofundar laços econômicos e comerciais, engajando suas economias, sobretudo após o ambicioso programa de reformas econômicas do Egito, que se ampara num acordo de 12 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional.

Há anos os Estados Unidos e o Egito mantêm uma forte cooperação, que em parte se respaldam nos Acordos de Camp David, firmados em 1979, que pôs fim ao conflito egípcio-israelense. Todo ano os Estados Unidos enviam cerca US$ 1,5 bilhão ao Egito, dos quais aproximadamente 1,3 bilhão tem fins militares. Em 2013, o governo de Barack Obama ameaçou congelar a ajuda, o que de fato não ocorreu, em virtude do lobby armamentista e ameaça aos interesses estadunidenses na região. O atual Presidente norte-americano, que propôs cortes massivos na ajuda externa, afirmou durante seu encontro com líder egípcio que o país continuará a receber a ajuda militar.

Desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011, resultado dos levantes da Primavera Árabe, os EUA têm uma série de dificuldades em encontrar um ponto de apoio estável no país. Compete destacar que o Egito é um país-chave para a estratégia estadunidense no Oriente Médio, tanto pelo seu peso, quanto pelo posicionamento geográfico. O Egito é o país mais populoso no contexto do mundo árabe e um dos poucos países árabes a manter relações diplomáticas e comerciais com Israel. Ademais, sua localização transcontinental, entre região nordeste da África e a Península do Sinai, no Oriente Médio, lhe confere posição geoestratégica, haja vista que o Egito controla o Canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e, consequentemente, ao Oceano Indico.

Em 2011, a onda de protestos que se alastrou no Egito refletia não apenas a crise política, mas também econômica que o país vivia e que foi potencializada pela crise econômica dos EUA e da Europa. Com receio de que a instabilidade egípcia pudesse desencadear um efeito dominó e afetar os demais Estados da região, os EUA e outras potências ocidentais pressionaram Mubarak a renunciar. No ano seguinte (2012), Mohammed Morsi, apoiado pela Irmandade Mulçumana, foi o primeiro Presidente eleito do país. No entanto, tensões entre apoiadores e opositores ao Governo Morsi levaram ao aprofundamento da crise, que culminou com o golpe militar comandando pelo general Abdel Fattah al-Sisi, Chefe das Forças Armadas, em julho de 2013.

As relações entre os dois países tornaram-se mais tensas nesse período. Os EUA, conforme mencionado anteriormente, não adotaram uma medida contrária concreta ao Governo Sisi, o que desagradou a Irmandade Mulçumana. Já Abdel Fattah al-Sisi e seus apoiadores condenavam abertamente o apoio de Obama ao Governo anterior. Desse modo, o encontro no início do mês de abril deste ano (2017) entre os Presidentes dos dois países e a recente visita de Mattis ao Egito objetivam estreitar novamente os laços dessa relação. Segundo declarações, Mattis se mostrou otimista quanto ao fortalecimento da cooperação militar e quanto às relações especiais que ligam os Ministérios de Defesa dos dois Estados.

Tal posicionamento já havia sido ressaltado por Donald Trump. Conforme destacou o Washington Post, o Presidente estadunidense assinalou que o líder egípcio tem nos Estados Unidos um aliado, e elogiou as ações do Governo Sisi no combate ao terrorismo. Para o Stratfor, contudo, as táticas pesadas do Governo egípcio não serão capazes de resolver a crescente tensão na Península do Sinai, especialmente porque o islamismo radical no país possui raízes históricas e muitos dos jihadistas presos durante o governo de Mubarak foram soltos após sua queda. Esses militantes têm formado novos grupos, tais como Ansar Beit al-Maqdis, assim, segundo pontuou o Stratfor, o combate a esses grupos deve pautar-se em uma abordagem de contra-insurgência, que leve em conta mais que ações militares, e compreender porque o Sinai é uma área de recrutamento jihadista.

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Imagem 1 Official DOD Photo as Secretary of Defense” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Mattis#/media/File:James_Mattis_Official_SECDEF_Photo.jpg

Imagem 2 Mapa do República Árabe do Egito” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Egito#/media/File:Egypt_-_Location_Map_(2013)_-_EGY_-_UNOCHA.svg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]Congresso dos EUA revoga proibição à venda de armas a pessoas com transtornos mentais[:]

[:pt]

Na última quarta-feira, 15 de fevereiro, o Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) derrubou medida articulada durante o governo do ex-presidente Barack Obama, que proibia pessoas com transtornos psicológicos de comprar armas. A revogação da Lei foi aprovada por 57 votos a favor e 43 contra no Senado. No início de fevereiro, a Câmara dos Representantes havia aprovado a matéria por 235 votos a favor contra 180.  Nos próximos dias, a medida deverá ser ratificada por Donald Trump, atual Presidente dos EUA, que defendia ainda durante a campanha presidencial o direito constitucional dos estadunidenses ao porte de armas.

Nos Estados Unidos, o direito de portar armas é garantido pela Segunda Emenda da Constituição, aprovada em 1791, sob contexto da Guerra de Independência contra Grã-Bretanha, entre o período de 1775 e 1783. Naquela época, um dos argumentos para aprovação da Emenda foi o confisco de armamentos promovido pelos britânicos, a fim de sufocar as forças rebeldes que lutavam pela independência. A Segunda Emenda assumiu uma posição intocável no decorrer dos séculos seguintes, em grande parte alimentado pelo lobby da indústria armamentista, tornando, assim, difícil a promoção de qualquer debate sob o controle de armas no país. Segundo um estudo realizado pelo Pew Research Center, em 2016, cerca de 52% dos entrevistados acreditavam ser mais importante proteger a Segunda Emenda, enquanto que apenas 46% viam como essencial o controle à posse de armas.

Frequentemente nos deparamos com notícias de tragédias envolvendo armas de fogo empregadas por civis nos Estados Unidos. Em junho do ano passado (2016), por exemplo, 49 pessoas morreram e outras 53 ficaram feridas em uma boate da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), em Orlando.  Em novembro de 2015, um homem matou três pessoas em uma clínica que presta serviços para saúde a mulheres, incluindo abortos, no Estado do Colorado. Um mês antes, um atirador matou 10 estudantes em uma faculdade na cidade de Roseburg, no Oregon. Antes disso, em dezembro de 2012, em uma escola primária, em Connecticut, a morte de 20 crianças e seis professores ganhou apelo internacional. As razões que levaram a essas e outras tragédias por vezes são distintas, mas, conforme ressalva o ex-presidente Obama, os instrumentos usados são similares, promovidas pela facilidade ao porte de armas. Estima-se que mais de 300 milhões de armas estão em mãos de civis, entretanto não se sabe ao certo quantas trocam de proprietário, haja vista que em muitos casos não é necessário fazer qualquer registro legal.

Massacres e tragédias se tornaram rotina no país. Entre o período de 2004 e 2013 ocorreram cerca de 316.545 mortes em virtude da violência, deixando o país com o maior índice de mortes por armas de fogo entre os países desenvolvidos. Já Carolyn Maloney, democrata do Estado Nova York, argumentou que a violência armada é uma verdadeira epidemia nos Estados Unidos.

O Governo de Barack Obama procurou durante seus oito anos de mandato endurecer as leis de controle de armas, no entanto, poucos avanços foram conquistados, como lamentou o próprio Obama durante seu discurso de despedida na Casa Branca em janeiro deste ano (2017). No entanto, cabe destacar que, em 2015, ele promoveu uma série de medidas que tinham como finalidade controlar a escalada da violência provocada pelas armas de fogo. Entre essas medidas estava a revisão do Sistema Nacional Instantâneo de Controle de Antecedentes Criminais (NICS, na sigla em inglês). Em virtude disso, aproximadamente 750 mil pessoas com transtornos estavam impossibilitadas de adquirir armas. Essas pessoas eram impedidas de comprar armas caso se enquadrassem em um dos dois casos: fossem incapazes de trabalhar, devido a um transtorno mental grave; ou não fossem capazes de gerir seus próprios benefícios de segurança social.

Tendo em vista que nem sempre os registros médicos eram adicionados ao banco de dados federais, o então Governo criou uma regra de Segurança Social com a Direção de Seguridade Social sendo responsável por comunicar ao Governo Federal os nomes de pessoas beneficiadas que tinham histórico de doenças mentais. Dessa forma, ao serem verificadas pelo sistema, a compra seria automaticamente barrada. Para alguns analistas, a Lei foi derrubada pelos congressistas republicanos e alguns democratas que já estão pensando na eleição do próximo ano, uma vez que a Segunda Emenda tem forte apelo na sociedade americana. Para esses congressistas a garantia da Segunda Emenda dessas pessoas deve ser respeitada. A medida proposta por Obama foi fortemente criticada pela Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), por congressistas republicanos e grupos de direitos dos deficientes, que assinalam o aspecto discriminatório da lei. Nesse âmbito, representantes do Partido Democrata argumentam que pessoas com transtornos mentais que não são capazes de assegurar sua vida financeira, elas também não seriam capazes de garantir uso responsável dessas armas. Em resposta a isso, o Conselho Nacional para a Deficiência, uma agência federal independente, criticou os democratas, pontuando que não existe nenhum nexo entre a incapacidade de administrar o dinheiro e a capacidade de possuir ou usar uma arma de fogo com segurança e responsabilidade. Esse também foi o principal aspecto defendido por Charles Grassley, senador republicano de Iowa, que ficou responsável por liderar a revogação dentro do Senado.

Christopher Murphy, senador democrata de Connecticut, é um dos apoiadores das medidas após o massacre na escola primária, onde um indivíduo com transtornos psicológicos utilizou uma arma legalmente comprada para realizar o massacre. Para Murphy, segundo destacou o NY Times, a lei foi uma resposta ao massacre Newtown, após o Congresso ter se recusado a enrijecer as leis de acesso às armas de fogo. Já Dan Gross, presidente da Brady Campaign, organização a favor do controle de armas, pontua que essa medida tem apenas por objetivo aumentar o número de possíveis clientes, às custas daqueles que podem provocar danos a si mesmos ou a outros.

A NRA, principal grupo pró-armas no país, que conta com mais de 5 milhões de membros, exaltou o resultado da votação no Senado. De acordo com Chris W. Cox, diretor-executivo da NRA, conforme destacou o jornal alemão DW, a aprovação do Senado representa um passo adiante para colocar fim ao excessivo controle do Governo anterior. Anteriormente, Cox havia afirmado, segundo The Guardian, que a NRA vinha lutando contra as medidas inconstitucionais do Governo Obama, desde quando foram inicialmente discutidas. Já Carolyn Maloney, democrata do Estado de Nova York, argumentou que a violência armada é uma epidemia nos EUA.

Conforme anteriormente pontuado, nos Estados Unidos o direito ao porte de armas é entendido como um direito básico. Esse sentimento está fortemente enraizado na sociedade. Portanto, o debate em torno do controle de armas e de restrições à compra dessas é compreendido como uma violação a esse direito. Uma pesquisa feita pelo instituto Gallup, aponta que, embora mais da metade dos entrevistados desejem leis mais severas ao acesso de armas, leis mais rigorosas exigem mais vistorias, o que é defendido por grupos de apoio ao controle, mas os grupos pró-armas afirmam que mais vistorias infringem o direito constitucional de portá-las. A revogação da medida suprime novamente o debate sobre posse de armas no país. Por fim, cabe pontuar que Trump vem promovendo uma série de Decretos que estão sendo rapidamente aprovados pelo Congresso. Ao que tudo indica, a ratificação dessa medida é apenas mais uma das revogações firmadas pelo Presidente estadunidense que darão fim ao legado deixado por Obama.

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Imagem 1 Frente Ocidental do Capitólio dos Estados Unidos” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_dos_Estados_Unidos#/media/File:United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg

Imagem 2 Massacre de Orlando Boate Pulse em 2006” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Orlando

Imagem 3 Emblema do NICS” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/National_Instant_Criminal_Background_Check_System

Imagem 4 Selo da Associação Nacional de Rifles” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/National_Rifle_Association

Imagem 5 Chris Murphy, em abril de 2011” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chris_Murphy#/media/File:Chris_murphy_official_photo_govtrends_version_cropped.jpg

Imagem 6 Diversas armas de fogo com silenciadores. Na imagem, de cima para baixo: IWI UZI; Colt AR-15; Hecker & Koch USP; Beretta 92 FS e uma SIG Sauer Mosquito” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arma_de_fogo#/media/File:Suppressors.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]Os alinhamentos políticos para 2017 e os ambientes críticos para os interesses estadunidenses[:]

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Nestes primeiros dias da Presidência de Donald Trump, observadores internacionais apontam que resultados obtidos com a sua ascensão à Presidência dos Estados Unidos trazem para o ambiente internacional a confirmação de uma tendência crescente do fenômeno nacionalista pelo mundo (que alguns especialista preferem apontar como populista), e uma guinada alheia à globalização, algo que poderá levar ao fim da Pax Americana, ou seja, ao fim da ordem internacional de livre troca e segurança compartilhada que os EUA e seus aliados construíram após a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com especialistas consultados, diante das incertezas que a possível política externa prevista para o atual mandato tem trazido, o novo Governo estadunidense deverá alinhar os interesses do país a esta doutrina de Relações Exteriores adotada pela administração Trump: mais isolacionista, unilateral, protecionista no âmbito geopolítico e excludente à liberalização comercial, à mobilidade do capital e às políticas de bem-estar social que resultem em gastos públicos que sobrecarreguem o orçamento, ou que extrapolem a disposição orçamentária, obrigando a endividamentos comprometedores do Estado.

Neste quadro, atores cujas ações dos últimos oitos anos foram bastante estratégicas deverão ter acompanhamento próximo para estar em concordância com os novos preceitos das Relações Exteriores dos EUA.

Dentro desse panorama, as atenções e preocupações políticas, diplomáticas e militares poderão estar centradas em:

  1. Síria e Iraque: Os Estados Unidos e a coalizão internacional buscam afrouxar o controle do Estado Islâmico e estabelecer um Iraque estável. Contudo, a preocupação é de que o conflito conduza à dissolução do Iraque e que a tensão sectária aflija a região nos próximos anos, ao passo de expandir para um conflito de poder entre os vários grupos internacionais que contemplam interesse nos dois atores (Rússia, Turquia, Irã, Arábia Saudita, por exemplo). Atualmente, estima-se que a região tem seis mil homens das forças norte-americanas estacionados no Iraque, que já produziram, em média, 7.248 ataques aéreos a alvos do Estado Islâmico, os quais acarretaram, desde 2014, em 3,2 milhões de deslocados;
  2. Turquia: Sob tensão econômica e com alianças fracas, a Turquia enfrenta o agravamento dos conflitos na vizinha Síria e no Iraque, bem como o aprofundamento nas questões envoltas ao Partidos dos Trabalhadores do Curdistão (PKK – Parti Karkerani Kurdistan);
  3. Iêmen: Considerado um dos países mais pobres do mundo árabe, o conflito com a Arábia Saudita e seus aliados já contabiliza 4.000 civis mortos, com milhares de pessoas à beira da fome e sofrendo com o bloqueio econômico. Um cessar-fogo abrangente e um acordo político é apontado como sendo de extrema urgência para frear a crise humanitária que assola o país;
  4. Afeganistão: As forças militares dos Estados Unidos mantêm aproximadamente 8.400 homens estacionados em bases pelo país, com apoio de outros 12.930 soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), porém, mesmo com esse efetivo, a instabilidade ameaça à paz e a segurança internacional. Para a nova administração em Washington é vital preservar a segurança e os muitos ganhos políticos e econômicos conquistados desde 2001, pois, com um eventual ressurgimento do Taleban, isso poderia fazer com que o país se torne novamente um “porto seguro” para insurgentes e terroristas. Em complemento a instabilidade interna, poderiam surgir ramificações regionais maiores, uma vez que Paquistão, Índia, Irã e Rússia competem por influência em Cabul;
  5. Líbia: Há uma preocupação com a fratura permanente da Líbia, já que os vários grupos rebeldes e milícias insurgentes, que de acordo com fontes de inteligência são estimados entre 5.000 a 8.000 mil combatentes, tentaram dividir o país entre linhas políticas e tribais. Dentro desse quadro é incerto se o novo Governo de Unidade será capaz de reunir as facções em conflito e restabelecer a unidade na Líbia e reconduzir os aproximados 450 mil deslocados que fugiram das áreas de conflito desde a queda de Muammar Gadaffi;
  6. Myanmar: Naypyidaw era parte do plano de política externa do ex-presidente Barack Obama denominado “Pivot para Ásia. Contudo, não se sabe ao certo qual será o modelo de diplomacia adotado por Trump para a nação asiática. Por enquanto, o novo governo civil, liderado pelo prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, não consegue estabilizar os surtos de violência ocorridos em centros urbanos e comerciais próximos da fronteira com a China, resultando em uma nova escalada militar. Um processo de paz está em curso para a próxima Conferência Panglong, prevista para fevereiro, próximo, cujo enfoque será dado com todos os principais grupos étnicos armados do país;
  7. México: Um alto nível de tensão entre Estados Unidos e México pode se estabelecer. As promessas de construção de um muro na fronteira e a deportação de milhões de imigrantes indocumentados, bem como renegociação dos termos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês) conjectura o fim de uma cooperação tradicional entre os dois vizinhos;
  8. República Popular Democrática da Coréia do Norte: A Coréia do Norte é uma potência nuclear com uma relação complexa com a China, sendo assim, impedir uma guerra na Península Coreana e um colapso interno da Coréia do Norte são interesses de segurança nacional dos EUA, que mantém 28.500 soldados em bases na vizinha Coréia do Sul. Pequenas provocações militares e cibernéticas por parte de Pyongyang representam riscos significativos, pois cada incidente traz consigo o potencial de escalada das tensões;
  9. Mar da China Oriental: O aumento dos sentimentos nacionalistas e a crescente desconfiança política aumentam o potencial de conflito na região. Embora a disputa por parte de chineses e japoneses acerca das Ilhas Senkaku/Diaoyu, bem como de outras 81 mil milhas em disputa marítima, compondo mais oito ilhas e 200 milhões de barris de petróleo, pode fazer com que uma ação não autorizada de comandantes locais acarrete na escalada involuntária de hostilidades. Devido a compromissos e tratados com o Japão, um confronto militar poderia envolver os Estados Unidos e, para preservar as relações com a China e continuar a cooperação em várias questões, Washington tem interesse em manter sempre baixo os níveis de tensão na região;
  10. Mar do Sul da China (Mar da China Meridional): Nessa região está estimada a existência de aproximadamente onze bilhões de barris de petróleo, mais 190 trilhões de metros cúbicos de gás natural, além de um total de US$ 5,3 trilhões em comércio anual, circulando neste lado do hemisfério. Para tanto, os Estados Unidos buscam manter seus importantes interesses em assegurar a liberdade de navegação e as linhas de comunicação marítima, por meio de um código de conduta vinculativo e outras medidas de confiança. É também visto como papel de Washington a prevenção contra uma escalada militar resultante de disputa territorial, no entanto, o Tratado de Defesa de Washington-Manila poderia implicar em um conflito China-Filipinas nas imediações de Reed Bank*, além de uma disputa entre China e Vietnã sobre reivindicações territoriais, que poderia ameaçar os interesses militares e comercias dos Estados Unidos.

Para um quadro bastante complexo para a nova administração Trump, em que todos os cenários expostos possuem um diálogo profundo entre diversos atores, a adoção de uma política diplomática pautada no hard power, tal como se conjectura coloca no horizonte a possibilidade da eclosão de conflitos de larga escala na agenda das Relações Internacionais dos próximos anos. Sendo assim, os especialistas apontam que será necessária a continuidade da cooperação e do multilateralismo para evitar tensões prolongadas.

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* Reed Bank: É uma grande mesa no Mar da China Meridional, com uma área de 8.866 km² e profundidades entre 9 e 45 metros. Faz parte do arquipélago das Ilhas Spratly. Embora o Tribunal Permanente de Arbitragem tenha decidido em 2016 que a área está dentro da Zona Econômica Exclusiva das Filipinas, os direitos econômicos sobre a área continuam a ser contestados – principalmente pela República Popular da China.

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Imagem 1Donald Trump Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_swearing_in_ceremony.jpg

Imagem 2 Síria Cidade antiga de Palmira” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADria#/media/File:Temple_of_Bel,_Palmyra_15.jpg

Imagem 3 Turquia Outdoor de campanha de Recep Tayyip Erdoğan em rua de Istambul, 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Recep_Tayyip_Erdo%C4%9Fan#/media/File:RecebTayyibErdo%C4%9FanPoster.JPG

Imagem 4 Líbia – Manifestações contra Muammar alGaddafi em Bayda, 22 de julho de 2011 ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADbia#/media/File:Demonstration_in_Bayda_(Libya,_2011-07-22).jpg

Imagem 5 Reivindicações territoriais no mar da China Meridional” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Disputas_territoriais_no_mar_da_China_Meridional#/media/File:South_China_Sea_claims_map.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Ano do Galo e a política econômica da China na Era Trump[:]

[:pt] O “Ano do Galo” “Exibido. Franco. Corajoso. Consciente de suas obrigações sociais. Bravo combatente dos adversários. Multitarefa. Concentrado. Sensível e atencioso com os amigos. Sempre alerta, é meticuloso e detalhista. Dispensa projetos menos arriscados…

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