AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Donald Trump pretende reduzir contribuição dos EUA na ONU[:]

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Desde o dia 20 de janeiro, quando ocorreu a posse do presidente-eleito dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, as promessas de sua campanha começaram a ser postas em prática, entre elas estão os assuntos mais comentados na imprensa internacional: a saída dos EUA do Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e a criação do muro que fará fronteira com o México. Porém, o tema que anda preocupando o Sistema Internacional, de forma intensa, tem sido a decisão de Trump em reduzir o financiamento estadunidense à Organização das Nações Unidas (ONU).

A notícia veio a público no dia 25, quarta-feira passada, por meio do jornal internacional The New York Times (NYT). Segundo ele, a porta-voz da Secretaria Geral da ONU, Stephane Dujarric, afirmou que a administração de Trump almeja, por meio de um Decreto, fazer reajustes de 40%, ou até cortes, nas contribuições financeiras dos EUA a várias agências da ONU e organizações internacionais, além de revisar vários Tratados em que o país norte-americano esteja inserido.

Segundo a reportagem do NYT, uma comissão deverá ser realizada para definir e recomendar quais órgãos internacionais deixarão de ter o financiamento ou a redução do mesmo. Até lá, alguns critérios para que isso aconteça já foram determinados.

O Decreto chamado de “Auditoria e Redução do Financiamento dos EUA para as Nações Unidas” poderá encerrar o fornecimento de dinheiro para agências que reconheçam a Autoridade ou a Organização para Libertação da Palestina. Serão encerrados também, o financiamento para aquelas agências que promovam qualquer tipo de atividade contrária às sanções ao Irã e à Coreia do Norte e até mesmo para aquelas que apoiam o aborto.

Ainda segundo o NYT, também estão na “lista negra” de redução ou cortes de financiamento, aquelas organizações controladas por Estados que apoiam o terrorismo ou que possuem qualquer influência de Estados suspeitos de violação aos Direitos Humanos. Além disso, uma ordem adicional já foi decretada para pedir recomendações sobre acordos que poderão, eventualmente, ser revogados, além de exigir a revisão dos Tratados multilaterais.

O motivo para a decisão de Trump em relação a ONU, considerada por analistas internacionais como “radical”, pode ter sido desenvolvida devido seus conceitos formados sobre a Organização. Alguns dos argumentos foram pronunciados pelo próprio Presidente durante coletivas de imprensa no mês de dezembro (2016), segundo ele, a ONU “não resolve nada e só causa problemas”, além de servir como “um clube para as pessoas se reunirem e passarem um bom tempo”.

O NYT teve acesso a alguns rascunhos sobre o Decreto que estabelece a redução do financiamento e, nele, consta que a mesma comissão que servirá para analisar quais órgãos poderão ter seu financiamento reduzido ou cortado, poderá também estudar, analisar e fiscalizar as Missões de Paz da ONU, o Tribunal de HAIA, que é o principal órgão jurídico da Organização, e o Fundo de População da ONU, que é responsável por supervisionar programas de saúde materna e reprodutiva.

Segundo Dujarric, a nova administração está consciente do ambiente atual e por conta disso expressou confiança de que tanto a ONU quanto os EUA “irão trabalhar juntos e superar todas essas questões”. Atualmente, os EUA são responsáveis por “22% do orçamento operacional da ONU e financiam 28% das 16 missões de paz, que custam em média, 7,8 bilhões de dólares anuais”.

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Imagem 1 Trump faz o juramento de posse como presidente, em 20 de janeiro de 2017” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_swearing_in_ceremony.jpg

Imagem 3 Esboço de Franklin Roosevelt, feito em 1943, que mostra as três agências principais das Nações Unidas: a Four Policemen, um ramo executivo, e uma assembleia internacional de quarenta estadosmembros” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_das_Nações_Unidas#/media/File:United_Nations_organization_sketch_by_Franklin_Roosevelt_with_the_Four_Policemen_in_1943.jpg

Imagem 3 Sala do Conselho de Segurança, em Nova York” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_das_Nações_Unidas#/media/File:UN-Sicherheitsrat_-_UN_Security_Council_-_New_York_City_-_2014_01_06.jpg

 Imagem 4 Palácio da Paz, em Haia, sede da CIJ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Internacional_de_Justiça#/media/File:International_Court_of_Justice.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]O fim do Obamacare: os acertos e falhas do sistema de saúde norte-americano[:]

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No último dia 13 de janeiro, o Senado e a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América (EUA), aprovaram uma Resolução de Projeto para revogar Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA – Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente), popularmente conhecido como Obamacare.  O fim do Programa de Saúde era uma das promessas de campanha do Presidente eleito, Donald Trump, que conta com apoio do Partido Republicano para extinguir a Lei, o qual é maioria nas duas casas do Congresso.

A Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente foi sancionada em 23 março de 2010 por Barack Obama, então Presidente dos Estados Unidos. O Projeto visava reformar o sistema de saúde país e implementar programas de assistência à saúde de pessoas idosas e muito pobres, além de criar subsídios para garantir a acessibilidade aos planos daqueles cidadãos que não fazem parte desses grupos. A Lei também criou um sistema de obrigatoriedade, no qual exige que praticamente todo cidadão adquira um seguro de saúde, precisando ou não, sob pena de uma multa de US$ 95, em 2014. Essa obrigatoriedade também se estendeu sobre empregadores que possuem acima de 50 funcionários, ou que trabalhem mais de 30hs semanais. A medida visava garantir que empresas que já forneciam o benefício não abandonassem os planos e também para não tornar onerosos os custos para pequenas empresas.

Em síntese, a lógica do programa é basicamente a seguinte: se todos os cidadãos pagam por plano de saúde básico, logo todos estariam cobertos e não precisariam gastar, por exemplo, enormes quantias com internações e procedimentos médicos. Dessa forma, aqueles que não utilizam o plano, mas pagam pelo seguro, cobrem os custos daqueles que utilizam o sistema. O Governo Obama lançou o Health Insurance Exchange Pool que é síntese de um grupo de provedores de seguros, no qual o cidadão poderá escolher qual tipo é mais adequado às suas necessidades.  O acesso ao site healthcare.gov, entretanto, é utilizado apenas em 36 estados, os outros 14 estados criaram seus próprios sites.

Além disso, o programa proíbe as seguradoras de recusar clientes que tenham uma doença preexistente ou uma idade avançada. A Lei também garante que as crianças poderão permanecer nos planos dos pais até a idade de 26 anos. Outra medida importante do Obamacare, refere-se aos custos, no Programa, mulheres não pagam valores mais elevados que os homens.

O sistema de saúde do país, antes da implementação da Lei, era formado por seguros de saúde de caráter privado ou público.  O primeiro é composto pelo employer sponsor insurance, o principal mecanismo dos planos de saúde do país, no qual o empregador fornece o seguro de saúde aos seus funcionários; e o private non-group, que normalmente é contratado por profissionais autônomos, aposentados, ou aqueles incapazes de adquirir seguro através de seu empregador; esses modelos privados são geridos por seguradoras privadas. Já os planos públicos são: o Medicaid, que é financiado pelo Governo Federal em parceria com os Estados e tem como alvo pessoas de baixa renda ou debilitadas; já o Medicare é um programa federal destinado a pacientes acima de 65 anos de idade, e para pessoas que detém determinadas deficiências.

Antes da implementação do Obamacare cerca de 41,3 milhões de pessoas não tinham planos de saúde; em pouco mais de 3 anos esse número diminuiu para 28 milhões. Com a revogação do Patient Protection and Affordable Care Act, aproximadamente 22 milhões de pessoas perderão a cobertura de saúde. O Escritório de Orçamento do Congresso (EOC), pontua que, sem uma alternativa ao atual sistema, o número de estadunidenses sem seguro deverá atingir em dez anos cerca de 32 milhões de pessoas, e também dobraria os custos para as seguradoras individuais. Dessa forma, sem a obrigatoriedade e os subsídios, os cidadãos de baixa renda não conseguiriam manter seus planos. Segundo análise do Instituto Urban, com a revogação, a taxa de idosos sem plano de saúde aumentará de 11% para 21% e não haverá mais Medicaid para aproximadamente 12,9 milhões de pessoas. O Urban, também assinala que com a revogação serão perdidos cerca de 3 bilhões de dólares, pois, com o fim da obrigatoriedade, muitas pessoas abandonarão os planos.

Antes mesmo da implementação, o programa de saúde enfrentou uma forte oposição de alguns integrantes do Partido Democrata, mas sobretudo dos republicanos. Desde a aprovação da Lei, uma série de obstáculos foram impostos pelo Partido Republicano. Em 2012, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou a Lei constitucional, mas isso não impediu novas tentativas de os republicanos atacarem o Programa. No ano seguinte (2013), eles não aprovaram o orçamento federal para o ano fiscal de 2014, por serem contrários à reforma na saúde, o impasse político provocou o “shutdown”, a paralisação de parte do aparato público estatal.

Desde então, segundo declarações do Partido Democrata, os republicanos vêm atacando o programa em diversas frentes a fim de enfraquecê-lo. Uma das principais críticas feitas pelos assinala que o Obamacare é uma “intromissão” excessiva do Governo no mercado de saúde e argumentam que a lei impõe uma série de custos às empresas e isso tem prejudicado o crescimento do setor no país. No entanto, a partir da implementação da Lei, em 2014, os empregos no setor cresceram cerca de 9%, o que não ocorria desde a década de 1990. Outra crítica refere-se ao aumento dos preços dos planos: em 2008, segundo a Kaiser Family Foundation, os custos de um plano familiar patrocinado pelo empregador eram, em média, US$ 12 mil; já em 2016 esse valor passou para 18 mil dólares.  No entanto apesar dos custos médios dos planos terem crescido, o aumento foi menor que o período de 2006-2011, onde a taxa era de 31%; já entre 2011-2016 essa taxa era de 20%.

De acordo com Paul Krugman, em sua análise para New York Times, os benefícios do programa são maiores que os próprios defensores imaginam. Krugman destaca que, ao contrário do que os críticos apontavam, a Lei não reduziu o número de seguros, posto que, no presente, cerca de 22 milhões de pessoas possuem seguros. Krugman também ressalta que muitos daqueles que ainda não possuem planos ocorre pelo fato de os governos estaduais não permitirem que o Governo Federal os cadastrem no Medicaid. Através desse programa, cerca de 15 milhões de pessoas conseguiram seus planos, pois o Governo Obama ampliou a faixa, possibilitando que pessoas com renda até quatro vezes acima da linha da pobreza consigam se beneficiar dos subsídios governamentais e pagar pelos seus seguros. No entanto, cabe pontuar que, em 2012, a Suprema Corte dos EUA revogou uma disposição que determinava a forma como os estados administrariam o Medicaid. Com a decisão da Corte, os Estados puderam escolher participar ou não da ampliação desse programa, o que resultou que algumas famílias pobres não se qualificaram e, por isso, precisaram pagar o seguro privado.

Para Krugman, o medo dos opositores reside na descoberta dos eleitores, de que medidas adotadas pelo Estado possam vir a melhorar a vida do cidadão estadunidense. O economista ressalta ainda que essa é a razão pela qual os republicanos minaram, em 1993, o plano de saúde de Bill Clinton, então Presidente do país. Nesse aspecto, Obama ressaltou a qualidade do acesso a saúde em países como Canadá, França e Inglaterra, assinalando que, em países ricos, a saúde é um direito básico, não um privilégio.

O próprio Barack Obama admitiu falhas no Programa, mas ressaltou que a substituição somente deveria ocorrer se houver um plano melhor.  Em entrevista, ao site Vox, Obama afirmou que os altos preços do sistema se deve aos hospitais, pois a conta é determinada pelo número de procedimentos realizados, logo isso motiva hospitais e médicos a solicitarem mais exames. O ex-Presidente afirmou que deveria ser formulado um sistema de recompensa, com incentivo financeiro para aqueles centros que recuperarem mais rápidos seus pacientes.

Desde a assinatura da Lei, o Obamacare dividiu opiniões dos cidadãos estadunidenses. De acordo com a Fundação Kaiser, na semana que se seguiu a eleição presidencial, 30% dos entrevistados queriam ver o Obamacare se expandir em 2017; cerca de 25% querem a revogação total da Lei; e o grupo restante quer voltar ao sistema anterior. Já segundo pesquisa realizada pelo Politico, cerca de 41% da população aprova a Lei e 52% são contra o Obamacare, entretanto, 60% dos entrevistados rejeitam a revogação total do Programa sem uma alternativa viável.

Alguns congressistas republicanos têm afirmado que será formulado um plano que não prejudicará a população, mas será mais econômico para o país.  Nesta semana, Donald Trump afirmou em entrevista a The Washington Post que seu Gabinete estava elaborando um projeto que asseguraria planos de saúde a todos, no entanto, não forneceu detalhes de como isso funcionaria. O primeiro passo para o fim do Obamacare já foi conquistado pelos republicanos, que venceram a votação na semana passada, por 227 a favor da revogação contra 198 contra. Agora, os Comitês do Congresso prepararão a legislação que colocará fim a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente. O Senado terá até o dia 27 de janeiro para apresentar os textos destinados a extinguir ou substituir o Programa. As declarações sobre a transição estão desencontradas, a princípio esperava-se uma substituição lenta e ordenada, mas, com a antecipação da votação para a revogação da Lei, esse cenário sobre os próximos passos ainda está obscuro.

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Imagem 1 Presidente Obama sancionando a lei em 23 de março de 2010. Junto com ele está o vicepresidente Joe Biden, além de congressistas e membros de sua administração” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Patient_Protection_and_Affordable_Care_Act

Imagem 2Foto do Site do Health Insurance Exchange Pool” (Fonte):

https://www.healthcare.gov

Imagem 3Logo do Medicaid” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Medicaid#/media/File:Centers_for_Medicare_and_Medicaid_Services_logo_2014.png

Imagem 4Exemplo de Cartão Medicare” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Medicare_(United_States)#/media/File:Medical_Care_Card_USA_Sample.JPG

Imagem 5Edifício da Suprema Corte em Washington, DC.” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Suprema_Corte_dos_Estados_Unidos#/media/File:USSupremeCourtWestFacade.JPG

Imagem 6Paul Krugman” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Krugman

Imagem 7Bill Clinton” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Clinton#/media/File:Bill_Clinton.jpg

Imagem 8Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_President-elect_portrait_(cropped).jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAEUROPATecnologia

[:pt]Relações Rússia-EUA após o caso do ataque cibernético durante as Eleições Presidenciais norte-americanas de 2016[:]

[:pt] Em 2016, as Eleições Presidenciais estadunidenses tiveram como característica central a polarização política, e isto configura uma situação que vai além da perspectiva tradicional de embates entre o Partido Democrata e o Partido Republicano,…

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Abstenção dos EUA diante de resolução da ONU causa indignação no Estado israelense[:]

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Na penúltima sexta-feira, dia 23 de dezembro, foi aprovado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) um projeto de Resolução que visa acabar com a construção de moradias de Israel em territórios tidos como palestinos. Os pontos “chaves” da construção são na Cisjordânia, onde encontram-se cerca de 430 mil israelenses, atualmente, e Jerusalém Oriental, que abriga outros 200 mil, de acordo com a agência de notícias francesa France Presse.

Conforme vem sendo disseminado nas principais mídias internacionais, a ONU alertou a Israel, por diversas vezes, sobre a colonização no território palestino, avisando que isso seria um empecilho para os esforços de paz entre aquele povo e os Israelenses. No entanto, constatou-se que há alguns meses a construção de casas no território palestino aumentou, o que fez as Nações Unidas tomarem novas e mais rígidas medidas, como a Resolução aprovada do dia 23.

Esta proposta de Resolução foi apresentada pelos países: Senegal, Malásia, Venezuela e Nova Zelândia. A princípio incluía também o Egito, mas, por pressão de Israel e do presidente-eleito dos Estados Unidos (EUA), Donaldo Trump, o mesmo recuou, ficando apenas os quatro em questão.

O interesse desta Resolução é encontrar um caminho para a paz entre palestinos e israelenses, pois entendem os requerentes que a colonização por meio de assentamentos – nome dado a construção de moradias – colocava em risco a viabilidade da solução entre os dois Estados, além de impedir a criação do Estado da Palestina. Outro ponto acerca da Resolução diz respeito à reação dos israelenses, em respeito a mesma. O Documento aconselha que Israel tome medidas imediatas para reverter a situação no terreno e assim prevenir atos de violência contra civis.

Para a aprovação da Resolução seria preciso que o maior número de Estados representados no Conselho de Segurança a aprovassem, e que nenhum dos que possuem assentos permanentes vetassem. O número de países que compõem o Conselho são 15 e, dentre estes, 5 são os que possuem assentos permanentes e também o poder de veto, sendo eles: EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha. A Resolução foi aprovada por 14 votos a favor, mas o que chamou atenção e trouxe indignação ao Estado Israelense foi a abstenção dos EUA, que teve a chance de intervir com o poder de veto, mas não o fez.

Israel estimava que EUA interferissem na proposta, como ocorreu em 2011, quando uma Resolução semelhante foi apresentada ao Conselho de Segurança, contudo, o Governo norte-americano alegou ter dúvidas quanto à eficácia da mesma em relação as negociações de paz entre israelenses e palestinos e, por conta disso, usou seu poder de veto e impediu que a proposta fosse adiante.

Após a aprovação, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por meio de seu Gabinete, emitiu um comunicado repudiando tal Resolução e a chamou de “vergonhosa e anti-israel”. Por conta disso, afirmou que “não irá respeitar seus termos”. Referindo-se ao Governo Obama, Netanyahu alegou que, além do mesmo não “proteger Israel contra essa conspiração na ONU”, o Governo do atual Presidente ainda “colaborou nos bastidores”. 

Para além disso, Donald Trump, Presidente-eleito dos EUA, que governará a partir deste ano (2017), também mostrou seu descontentamento com a atitude do Governo de Obama. Segundo publicado no jornal estadunidense The Washington Post, Trump divulgou mensagens em seu twitter na quarta-feira, dia 28 de dezembro, acusando o presidente Obama de prejudicar a relação dos EUA com aquele país, além de demonstrar seu apoio ao Governo de Israel, incentivando-o a “permanecer forte” até dia 20 de janeiro, quando Trump tomará posse.

Para conter as tensões entre Israel e EUA, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, se pronunciou, também no dia 28 de dezembro, e afirmou que a decisão estadunidense de se abster foi de acordo com os valores estadunidenses, e que, apesar da boa relação entre ambos os países, isso não significa que os EUA devam aceitar qualquer política. Segundo ele, “Amigos também precisam dizer as coisas difíceis uns para os outros.

Kerry ainda explicou os motivos pelos quais seria necessário interromper os assentamentos, dado as condições do local, onde a violência e o terrorismo cresciam das duas partes e findavam destruindo “as esperanças de paz para ambos os lados”.

Já com relação ao posicionamento da Palestina em relação a proposta de Resolução, seu negociador-chefe, Saeb Erekat, comunicou à imprensa que aquele era um “dia de vitória” também para o direito internacional, que passava a ter, daquele dia em diante, uma linguagem mais civilizada e de negociação, além também de finalmente combater a rejeição total das forças extremistas em Israel.

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Imagem 1Cartaz de um movimento pacifista: bandeiras de Israel e da Palestina e a palavra paz em Hebraica e Árabe” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_israelo-palestino#/media/File:Israel_and_Palestine_Peace.svg

Imagem 2Câmara do Conselho de Segurança da ONU em Nova Iorque” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Segurança_das_Nações_Unidas

Imagem 3Benjamin Netanyahu” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Netanyahu

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Obama admite responsabilidades na situação da Síria[:]

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Na metade do mês de dezembro passado, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), afirmou que seu governo possui responsabilidades na dramática situação em que se encontra a Síria. Durante coletiva de impressa na Casa Branca, provavelmente a última antes da posse de Donald Trump, em janeiro, Obama admitiu responsabilidades no conflito sírio, mas também teceu críticas à atuação do Governo sírio e seus aliados, mais precisamente a Rússia e o Irã, no combate ao Estado Islâmico (EI) e à retomada da cidade de Aleppo, no norte do país, salientando que essa campanha reforçou e estimulou a repressão do Governo sírio sobre os rebeldes.

O conflito sírio eclodiu em março de 2011, em Da’ra, na região sul do país, onde manifestantes pediram “o fim do estado de emergência, a legalização dos partidos políticos e o expurgo de oficiais corruptos do governo” (VIZENTINI, 2012, p. 147)[1]. Cabe pontuar, contudo, que a demanda pela abertura do regime remete ao ano 2000, quando Bashar al-Assad assumiu a Presidência da Síria, após a morte de seu pai e a legitimidade outorgada pelo partido Baas.

Em 2011, diante do agravamento da crise e o seu alastramento para outras regiões da Síria, os EUA e a União Europeia (UE) reforçaram as sanções ao país, que incluía o embargo de armas e o congelamento de ativos de oficiais do Governo. No entanto, as relações entre Estados Unidos e Síria já eram bastante conturbadas durante a presidência de George W. Bush. Por exemplo, a Síria foi incluída no chamado Eixo do Mal, sendo acusada pelos Estados Unidos de desenvolver armas de destruição em massa e por oferecer ajuda a fugitivos iraquianos.

O conflito na Síria já dura quase seis anos, deixou mais de 12 milhões de deslocados e milhares de mortos, no entanto, é impossível estimar um número preciso de vítimas fatais. Em julho de 2015, Ban Ki-moon, Secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que o conflito havia deixado mais de 250 mil mortos. Mais recentemente, em setembro do ano passado (2016), o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) afirmou que o número de vítimas passava de 300 mil, já para o Centro Sírio de Pesquisa Política o número de mortos no conflito chegava a 470 mil, já em fevereiro de 2016, conforme divulgado no The Guardian.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 13,5 milhões de pessoas na Síria necessitam urgentemente de assistência humanitária e, desses, mais de 9 milhões passam fome. Tais números são realmente assustadores e, não por acaso, a ONU e outros atores internacionais apontam que o conflito sírio se tornou a maior crise humanitária do mundo.

No último dia 16 de dezembro, durante seu pronunciamento na Casa Branca, Barack Obama assinalou que apesar das inúmeras reuniões com agentes políticos, militares e atores internacionais, não foi possível encontrar uma solução para atual situação síria. Para o presidente estadunidense, sua decisão foi adequada, até porque não havia apoio internacional para uma ação direta na Síria, que poderia resultar num conflito com a Rússia e o Irã, além disso, também não havia apoio do Congresso dos EUA, haja vista os trilhões de dólares que a guerra no Iraque havia custado ao país. Ainda durante a coletiva de imprensa, Obama declarou que não há um momento desde que assumiu a presidência onde não tenha sentido alguma responsabilidade, assim, todos os dias se questiona sobre suas responsabilidades, se há algo que poderia fazer para salvar vidas ou poupar alguma criança de sofrer.

Embora a administração Obama tenha logrado uma série de progressos, tais como a reaproximação com Cuba, o Acordo Nuclear com o Irã, a redução da taxa de desemprego, alguns analistas afirmam que a catastrófica situação síria deixará uma grande mancha no legado de Barack Obama. Parte das críticas ao Presidente, enfatizam que o maior erro do Governo Obama foi ter negado enfrentar a Síria, após a utilização de armas químicas pelo governo de Assad contra rebeldes, ainda no início do conflito. A Agência Angola Press (ANGOP), por exemplo, ressaltou as palavras usadas há 15 anos por Samanta Power, ex-jornalista e escritora que se tornou embaixadora dos EUA na ONU, apontando a situação de Ruanda e da antiga Iugoslávia, na qual questionava que “Os Estados Unidos tiveram inúmeras oportunidades de evitar um massacre, mas homens e mulheres honestos escolheram, em cada caso, desviar os olhos. Todos temos sido espectadores de um genocídio. A pergunta decisiva é: por quê?”. Nessa ordem de ideia, Rainer Sollich pontuou em sua análise para DW.de que o mundo assiste totalmente inerte o massacre em Aleppo e no resto da Síria.

Para muitos analistas essas palavras cabem bem a atual situação neste país. Nesse sentido, Michael Knigge, articulista da DW, apontava em 2013 que, com a indecisão em relação ao conflito, o presidente Obama não apenas fortaleceu os inimigos e enfraqueceu os apoiadores como também falhou em sua principal missão como líder. Para Knigge, desde que o conflito iniciou o Presidente dos EUA tem hesitado, não tem conduzido uma solução, mas apenas reagido à pressão de seu próprio Gabinete, da oposição e do agravamento do conflito. Ainda segundo o analista, os EUA não tinham, nem de forma genérica, uma estratégia para a Síria.

Outra crítica ao governo Obama refere-se ao programa de ajuda militar supervisionado pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), que, desde meados de 2014, vem fornecendo armas e treinamentos ao que o Governo chama de rebeldes moderados, em conjunto com outros países, tais como a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e a Turquia. Naquele ano, durante a Assembleia Geral da ONU, Obama, defendendo a ação militar promovida pela coalizão internacional formada por aproximadamente 60 países, afirmou que a única linguagem entendida por assassinos como esses é a da força, portanto os EUA iriam trabalhar em conjunto com uma ampla coalizão para desmantelar o grupo jihadista. Enquanto o Governo estadunidense apoiava os “rebeldes moderados”, a Rússia que teve papel importante na mediação para que o governo Assad destruísse estoques de armas químicas em 2013, entrou no conflito em meados de 2015, em apoio ao Governo sírio. Desde então, diversas vezes os EUA e Rússia buscaram estabelecer um cessar-fogo. Em setembro, após mais um colapso das negociações do cessar-fogo, os Estados Unidos viram diante de si o alinhamento de parte dos chamados rebeldes moderados ao ramo sírio da Al-Qaeda. Para Frederic Hof, ex-assessor de Obama na Síria, que no presente está no think tank Conselho Atlântico, a eclosão dessa “bagunça” precisará ser solucionada, mas muito provavelmente perdurará para além do primeiro mandato de Trump.

No final do mês de novembro passado, Recep Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia, afirmou que a administração Obama tem demonstrado uma abordagem pouco assertiva na resolução do conflito sírio. Durante uma entrevista à emissora CBS, conforme ressaltou o  Sputnik, Erdogan teceu críticas ao Governo dos EUA, argumentando que a guerra síria provocou ameaça à segurança nas fronteiras ao sul do país, minou suas capacidades defensivas e resultou em 3 milhões de refugiados sírios em território turco. Ainda em maio do ano passado, o Governo turco assinalava que a estratégia dos Estados Unidos para a solução do conflito na região era no mínimo dúbia.

Naquela ocasião, Mevlüt Cavusoglu, Ministro das Relações Exteriores da Turquia, categorizou a estratégia estadunidense de hipócrita. Isso porque, a agência de notícias AFP (Agence France-Presse) havia fotografado a presença de soldados dos EUA junto a uma milícia curda que combate o EI na região norte da Síria, próxima à fronteira da Turquia.   Essa milícia curda faz parte Unidade de Proteção do Povo (YPG), e é considerada terrorista pela Turquia. O Governo turco acredita que o YPG está ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que atua fortemente na região desde 1984 buscando o estabelecimento do Estado Curdo. Em contrapartida, o YPG é considerado pelos EUA como um dos grupos armados mais eficazes para combater em solo o EI. 

Em respostas as críticas, Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, afirmou que é simplesmente ofensivo sugerir que os EUA e o mundo não fizeram nada para solucionar o conflito sírio. No entanto, ressalvou que os Estados Unidos aceitam sua responsabilidade, mas essa é responsabilidade particular, porque é o país mais influente no mundo. Ainda em novembro, durante a reunião da Cúpula de líderes de países da região do Pacífico, Barack Obama já assinalava sua opinião quanto às decisões do seu Gabinete. Naquele momento, salientou que os EUA não possuem base legal para um envolvimento militar no país estrangeiro, argumentando que promover uma intervenção seria um erro, haja vista o esforço empregado na estabilização do Afeganistão e do Iraque. Em seu recente pronunciamento na Casa Branca, o Presidente alegou que as propostas sugeridas não teriam promovido um cenário diferente do atual. Na crítica de Sollich, a vitória de Assad em Aleppo com apoio russo e iraniano pode representar um novo futuro, no qual países como Egito, Iraque e Líbano podem vir a simpatizar com essa nova “Ordem regional”, mas países como Arábia Saudita e seus tradicionais aliados no Golfo Pérsico contestarão, e por sua vez continuarão a armar grupos rebeldes.

Photographs by Ed Thompson

As responsabilidades sobre o agravamento da guerra síria, também foi ressaltada por Ban Ki-moon durante o encontro de emergência do Conselho de Segurança da ONU, ocorrida no último dia 13 de dezembro. Para o secretário-geral da ONU, “a história não nos absolverá facilmente, mas esse fracasso nos obriga a fazer ainda mais para oferecer ao povo de Aleppo nossa solidariedade nesse momento”. Nesse aspecto, o próprio Obama afirmou não haver dúvidas de que continuará a existir forças extremistas nessa região, mas é preciso mudar a maneira como todas as partes pensam o conflito, ou então o mesmo não findará.

Em 2013, alguns analistas apontavam que os ataques aéreos representavam uma nova guinada na política dos EUA no combate ao terrorismo. Hoje, muitas críticas surgem e ressurgem quanto ao posicionamento adotado pelo Governo Obama. Em seu discurso na base da força aérea MacDill, na Flórida, o Presidente estadunidense salientou que, ao invés de organizar invasões e sobrecarregar as tropas terrestres, os Estados Unidos construíram uma rede de parceiros que atuam em conjunto contra o terrorismo. Obama destacou ainda que manter os valores do país e aderir ao Estado de Direito não representa uma fraqueza, mas, sim, representa a maior força dos EUA, no longo prazo. No entanto, assim como ressaltado anteriormente pela nota publicada no CEIRI NEWSPAPER, é válido questionar se as estratégias adotadas até aqui conduzem realmente a estabilização da Síria, ou se, ao contrário, fragmentam e fomentam suas rivalidades, haja vista o cenário no Iraque. Embora esses casos sejam distintos em uma série de aspectos, desde a invasão em 2003, o Iraque vem sofrendo um progressivo processo de desmantelamento do Estado.

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Imagem 1Destruição em Aleppo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria#/media/File:Bombed_out_vehicles_Aleppo.jpg

Imagem 2 Obama segurando o prêmio Nobel ao lado de Thorbjørn Jagland, presidente do Comitê do Nobel, em 10 de dezembro de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

Imagem 3 Mapa da Guerra Civil Síria, em agosto de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria#/media/File:Bombed_out_vehicles_Aleppo.jpg

Imagem 4Aperto de mãos entre Obama e o líder cubano Raúl Castro, em abril de 2015” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

Imagem 58º SecretárioGeral da ONU” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ban_Ki-moon

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Fonte Consultada:

VIZENTINI, Paulo Fagundes. A Primavera Árabe: entre a democracia e a geopolítica do petróleo. Porto Alegre: Leitura XXI, 2012

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]O novo Presidente dos EUA e suas primeiras ações[:]

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A improvável vitória do republicano Donald Trump para o novo ciclo presidencial estadunidense já cria inúmeras incertezas e apreensão sobre o curso futuro que adotará o 45º presidente.

Um dos panoramas de maior sensibilidade para o momento de transição e que provavelmente determinará os próximos quatro anos dos Estados Unidos, bem como de todo sistema internacional estarão nas bases da nova política econômica.

Ao eleger Trump, a reação generalizada de incredulidade tem causado mal humor nos mercados que não apreciam incógnitas extremas e a julgar pelas tendências de alterações profundas na dinâmica comercial internacional e nas alianças econômicas, a nova matriz proposta pelo republicano ao longo da campanha poderá prejudicar a economia global.

Os entendimentos e posicionamentos do Presidente eleito indicam uma possível revolução da ordem econômica dos Estados Unidos, segundo especialistas e conselheiros que trabalharam na sua campanha. Nesse sentido, ao assumir o cargo há intenção de, através de ordens executivas, impor medidas oriundas de campanha que legitimarão unilateralmente suas promessas, principalmente políticas que envolvem o comércio, a imigração e a regulação financeira.

Em complemento, apesar da conquista da maioria republicana tanto na Casa dos Representantes como no Senado a matriz de política econômica que deseja implementar está fora dos aspectos da ortodoxia tradicional do partido e, com isso, uma estruturação bipartidária sobre questões específicas será necessária para ver os projetos aprovados, tal qual a redução de impostos, melhorias em infraestrutura, revogação do Obamacare, bem como reforma energética, promessas de campanha estas que são susceptíveis a ficarem aquém dos 60 votos necessários no Senado para avançar, caso não haja a adoção de uma coalizão bipartidária.

Como parte do desenho conjuntural inicial para o novo mandato presidencial e ainda no âmbito das incertezas, a formação do gabinete, com os principais secretários e conselheiros presidenciais dirá muito sobre os caminhos que os Estados Unidos trilharão neste novo ciclo presidencial e, por conseguinte, as interpretações e chancelas que tais membros da alta cúpula governamental trarão indicará sobre quais bases a nova política estadunidense trabalhará, principalmente na esfera econômica, a mais sensível e que influenciará decisões em todo o globo.

Para Secretário de Estado, o ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich é um potencial candidato, assim como Senador por Tennessee, Bob Corker, atual presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado. Outro nome especulado é do ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.

Na pasta de Secretário de Defesa, o ex-conselheiro de Segurança Nacional Stephen Hadley e o ex-senador por Missouri, Jim Talent já foram mencionados como potenciais candidatos. Outro nome estudado é de Mike Flynn, ex-diretor da Agência de Inteligência de Defesa, porém este precisaria uma renúncia do Congresso para empossá-lo no cargo, uma vez que a lei exige que os militares aposentados esperem sete anos antes de se tornarem líderes civis do Pentágono.

Para Secretário do Tesouro, Trump indicou Steven Mnuchin, ex-banqueiro do Goldman Sachs e atualmente presidente e executivo da empresa de investimento privado Dune Capital Management.

O novo Procurador Geral poderá ser o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, um dos principais defensores públicos do Presidente eleito. O governador de Nova Jersey, Chris Christie e líder da equipe de transição é outro nome especulado.

A Secretaria do Interior tem como favorito Forrest Lucas, de 74 anos e co-fundador da empresa de produtos petrolíferos, Lucas Oil. Porém outros nomes são analisados, dentre os quais, Robert Grady, investidor de risco, e Donald Trump Jr, além de Sarah Palin, que não faz segredo de seu interesse em agregar a equipe de governo do magnata republicano.

Para Secretário do Comércio, o bilionário investidor Wilbur Ross Dan DiMicco, ex-CEO da sideúrgica Nucor Corp., além de Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas, são os nomes sugeridos.

Para a pasta da Agricultura, nomes como de Sid Miller, atual Secretário de Agricultura do Texas, Sam Brownback, Governador do Kansas, Dave Heineman, ex-governador de Nebraska, Sonny Perdue, ex-governador da Geórgia, Rick Perry, ex-governador do Texas, além de Charles Hersbter, líder do agronegócio, e Mike McCloskey, executivo de lácteos em Indiana.

Outra pasta estratégica e que dialogará com a nova matriz econômica estadunidense é a Secretaria do Trabalho, para esta pasta, a equipe de transição tem procurado um CEO ou executivo para liderar o departamento. Victoria Lipnic, comissária da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Trabalho é a mais cotada, assim como foi na equipe de transição de Mitt Romney, em 2012.

A Secretaria de Saúde e Serviços Humanos tem Rick Scott, governador da Flórida, Newt Gingrich e Ben Carson, pré-candidato presidencial do Partido Republicano, como os mais cotados. Outro nome mencionado foi de Rich Bagger, ex-executivo farmacêutico.

Para a pasta de Segurança Nacional, o único nome até o presente momento estudado é de David Clarke, xerife do condado de Milwaukee, Wisconsin. Clarke discursou na Convenção Nacional Republicana em Ohio e fez a declaração “Blue lives matter em alusão ao “Black lives matter” das manifestações contra as ações policiais que renderam em assassinatos de jovens negros desarmados.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) que foi cogitada por Trump para ser extinta e poderá ter como secretário Myron Ebell, funcionário do Instituto de Empresas Competitivas e questionador da tese sobre aquecimento global. Outro nome especulado é do investidor de risco Robert Grady.

A tendência para o novo ciclo presidencial é de adoção de gestores corporativos e não de políticos de carreira, isso poderá acarretar em um novo formato de fazer política e angariar novas experiências que somente a história poderá julgar. Por essas medidas, no plano econômico, a tendência é uma gestão mais centralizada e pautada em esforços que buscarão o recrudescimento do papel global dos Estados Unidos, uma das matrizes de campanha de Donald Trump, que projeta um país forte novamente, mas mais a nível interno.

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ImagemTrump durante discurso em Phoenix, Arizona, em agosto de 2016”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_by_Gage_Skidmore_12.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]A escolha do Vice-Presidente na eleição norte-americana[:]

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A agenda política dos Estados Unidos ao longo de todo o restante do ano de 2016 estará centrada no sufrágio que definirá o novo comandante-em-chefe do país. Pelo Partido Republicano, o candidato Donald Trump superou todos os prognósticos, consolidou a maioria dos delegados e irá para a Convenção Partidária apenas para ser oficializado pelos superdelegados como o candidato opositor ao atual Governo. No lado governista do espectro político estadunidense, após uma longa batalha nas primárias contra o Senador por Vermont, Bernie Sanders, a Ex-Primeira Dama e Ex-Secretária de Estado, Hillary Clinton, confirmou o favoritismo e ganhou a nomeação do Partido Democrata para suceder o presidente Barack Obama na gestão da Casa Branca.

Com a definição dos candidatos, as etapas vindouras do processo eleitoral ganham novas articulações e estratégias e, para chancelar um plano governamental e atrair o máximo de eleitores para seus respectivos núcleos políticos, tornou-se fundamental no cálculo de uma eleição a escolha do Vice-Presidente.

Na história dos Estados Unidos, a Vice-Presidência era compreendida como algo que resultaria em pouco poder e prestígio e cujas principais responsabilidades estariam centradas na Presidência do Senado, com oportunidade de voto apenas em casos de empate e, por ocasião rara de morte, substituir o Presidente.

Em contrapartida, em especial no atual século, o cargo de Vice-Presidente dos Estados Unidos ganhou um status ao menos mais participativo na administração, com envolvimento direto na elaboração das políticas de Estado, tanto no âmbito interno como no externo.

Hoje, por conta da atuação em conjunto com o mandatário, alguns analistas políticos definem os “running mates” também como “assistente do presidente”, ou “super conselheiro”, dado seu alto grau de importância no centro de poder na Casa Branca, além do papel fundamental, e por vezes decisivo, nas eleições, haja vista que sua principal função está intimamente ligada a característica política, pois preenche uma lacuna na qual o candidato presidencial não foi capaz de preencher, diante do potencial eleitorado.

Ao relacionar o papel do companheiro de chapa com a função de Vice-Presidente, três nomes aparecem na história dos Estados Unidos como sendo aqueles que desbravaram e deram uma nova conotação para o cargo.

O Presidente George H. W. Bush (1989-1993) escolheu Dan Quayle (1989-1993) como running mate em 1988. O então Senador pelo Estado de Indiana era jovem e conservador e, por conseguinte, absorvia um percentual considerável de eleitores do meio-oeste, além de ter servido no Comitê de Serviços Armados do Senado.

Em contrapartida, não exerceu grande influência nas discussões de política externa na administração Bush Sênior, exceto quando as negociações se voltavam para o Congresso, onde Quayle tinha trânsito bipartidário relevante. Por exercer influência em Capitol Hill, conseguiu, por exemplo, emplacar legislação que autorizava o uso de força militar para expulsar forças iraquianas no Kuwait, em 1991.

Outro Vice-Presidente, Dick Cheney (2001-2009), também teve papel decisivo na articulação e tomada de decisões durante as duas administrações de George W. Bush (2001-2009). Para alguns especialistas consultados, Cheney foi o responsável pelo ápice do poder de um Vice-Presidente na história dos EUA, uma vez que dirigiu todo o processo de transição política da Era Clinton, bem como incentivou a nomeação de alguns de seus principais colaboradores no alto escalão do novo Governo de Washington, a incluir: Donald Rumsfeld (no primeiro mandato de Bush – 2005-2009), para a pasta de Secretário de Defesa; Paul O’Neill, como Secretário do Tesouro; e John Ashcroft, como Procurador-Geral.

As políticas de segurança nacional também receberam forte influência de Cheney, particularmente após o 11 de Setembro. As interferências na estratégia militar e de inteligência ao longo das duas gestões de Bush o colocaram como mais importante ator em política externa, superando Condoleezza Rice, então Secretária de Estado, e Colin Powell, o Secretário de Defesa.

O Vice-Presidente ainda respondeu pelas políticas de contraterrorismo que incluíam as técnicas de detenção e interrogatório, assim como os programas de vigilância eletrônica, este último origem de grande crise diplomática com países como Alemanha, França e Brasil.

Já o atual Vice-Presidente, Joe Biden (2009-2017), remete a uma atuação distinta em comparação aos outros dois citados. Biden, Senador por Delaware, entrou para a campanha de Obama com a promessa de ser um dos principais assessores e articulador do Chefe do Executivo.

Ao longo dos dois mandatos de Obama, o Vice-Presidente se destacou nos debates em política externa, principalmente sobre o aumento de tropas no Afeganistão, medida esta que era totalmente contra.

Diante de características voltadas mais para o seio das Relações Internacionais, o atual presidente destacou o gerenciamento e a interação com países estrategicamente importantes a Joe Biden. Em muitos desses esforços diplomáticos as relações foram proveitosas, em especial com o novo Governo do Iraque, do Primeiro-Ministro Haider al-Abadi; com o ex-presidente do Afeganistão, Hamid Karzai; e com autoridades ucranianas, após a anexação da Criméia pela Rússia.

Para as eleições de novembro, apenas Donald Trump já definiu seu companheiro de chapa, o Governador por Indiana, Mike Pence, de 57 anos, um ator, cujas características são justamente aquelas que não fazem parte do escopo de Donald Trump, ou seja, um ultraconservador cristão e que atende tanto a parte do eleitorado ainda reticente com suas propostas de campanha, como o núcleo duro do Partido Republicano.

Hillary Clinton por sua vez ainda não definiu seu par para as próximas etapas de campanha, mas, certamente, irá escolher um candidato com guinada mais à esquerda, para amenizar as críticas a sua candidatura. Já que este é o elo fraco da candidata democrata.

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Imagem (Fonte):

http://www.telegraph.co.uk/content/dam/video_previews/4/x/4xzmu0edogi5ev1_sob5kgudi9pyoyrb-large.jpg

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