AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

As propostas eleitorais para a futura política externa estadunidense

O novo panorama político nos Estados Unidos começará a ser decidido no primeiro dia de fevereiro, quando será iniciado o processo de prévias nos Partidos, Democrata e Republicano.

Ao longo da corrida presidencial estará em disputa uma nova interpretação sócio-ideológica alçada por dois momentos recentes e importantes no país: a crise econômica de 2008 e a eleição histórica de um negro à Casa Branca, algo que rendeu demandas, cujo reflexo é testemunhado à medida que os dois principais Partidos notadamente se distanciam do centro e instalam discursos mais à direita e, por vezes, mais à esquerda.

Diante das estratégias estudadas por alguns pré-candidatos, a questão central que delineará o Sufrágio Presidencial de 2016 será pela escolha em adotar modelos políticos identificados pelos analistas como de cunho conservador, ou progressista.

Nesse sentido, para ilustrar a análise, um dos recortes que auxilia o enredo remete aos desdobramentos em política externa, em especial dos atuais pré-candidatos melhor estabelecidos em pesquisa, a saber: Hillary Clinton e Bernie Sanders, pelo Partido Democrata; Donald Trump e Marco Rubio, pelo Partido Republicano.

Aos pontuar quem são os atuais protagonistas, cria-se a possibilidade de mostrar os mecanismos que cada candidato irá apresentar em campanha e que explicitará os discursos de matriz sócio-ideológica mencionados anteriormente. Para tanto, questões relacionadas com a China, Cuba, Rússia, imigração e comércio definirão o quão considerados conservadores, ou progressistas podem ser os candidatos ao cargo de Comandante-em-Chefe dos EUA.

Hillary Clinton: A Ex-Secretária de Estado do Presidente Barack Obama pretende cultivar a confiança e aumentar a cooperação com a China nos diversos desafios internacionais, como a Coreia do Norte, por exemplo, e as questões de âmbito climático. Durante o período de 2009 a 2013, no Departamento de Estado, Hillary assumiu papel de estrategista na Ásia, com atuação em prol do reequilíbrio de forças na região, através da política de “Pivot”.

Sobre Cuba, a normalização das relações com a ilha caribenha agora parecem uma boa estratégia de campanha. Se eleita, intenciona impor uma “Executive Authority” (Decreto Presidencial) caso o Congresso não levante o embargo econômico, uma mudança radical de rumos, uma vez que no ano de 1996 apoiou a Lei Helms-Burton, que fortaleceu o embargo estadunidense a Havana. Em 2008, durante as primárias, se opôs ao levantamento das sanções econômicas em um ambiente antidemocrático.

No tema imigração alinha-se com um posicionamento mais humanitário, defendendo legislação mais abrangente, em busca de cidadania plena para os aproximados 11 milhões de imigrantes irregulares residentes no país, ao passo que sinaliza em conceder vistos de trabalho temporário para metade desses cidadãos.

Sobre a Rússia, Hillary Clinton acredita na cooperação, um modelo parecido com que idealiza para as relações com Beijing, foco em interesses comuns, dentre os quais o controle de armas e o Programa Nuclear Iraniano. Porém, por acreditar numa suposta visão de Putin como vendo Washington como concorrente, a resposta poderá ser: o reforço da aliança militar ocidental, a OTAN; o aprimoramento na esfera de segurança energética dos países europeus; além de mensagens mais endurecidas ao Kremlin quanto ao que considera como invasão da Ucrânia, através da anexação da Crimeia, bem como ao apoio tácito da Rússia ao presidente sírio Bashar al-Assad.

Em relação ao comércio internacional, a Ex-Secretária de Estado sempre apoiou a liberalização do comércio, entretanto, críticas a modelos já foram feitas, principalmente aos grandes acordos que tendem a não proteger e privilegiar os trabalhos americanos. Em 2015, distanciou-se da Parceria Trans-Pacífico, por acreditar no deslocamento de milhares de empregos.

Bernie Sanders: O Senador pelo Estado de Vermont tem a visão mais à esquerda. Sobre a China, opõe-se aos tratados internacionais de comércio bilateral, pois entende que há perdas de emprego internamente, decorrentes da terceirização de empregos, baixos salários, e regulamentação ambiental mais frouxa, se comparada com a norte-americana. O Senador defende trabalhar com a China para conter o consumo de combustíveis fósseis e enfrentar a mudança climática global.

Sobre Cuba, ele defende a normalização da relação EUA-Cuba, com apoio ao levantamento do embargo comercial que, de acordo com seu posicionamento, custa bilhões de dólares em receita.

O tema imigração também rende grandes debates na agenda de campanha de Bernie, que já lançou plano de reforma de imigração em novembro de 2015, o qual inclui mudanças radicais no Programa de Segurança de Fronteiras, Vistos e Naturalização. O congressista revela ainda que pretende trabalhar com as duas casas legislativas, mas que não descarta usar de “ações executivas” para ver suas medidas serem implementadas.

A Rússia é outro tema relevante na política externa e Sanders apoia as Sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra Moscou pela intervenção na Ucrânia, porém já advertiu contra o uso da força militar.

O tema comércio também é destaque na pauta da plataforma política do Senador. Ao se intitular “socialista democrático”, posiciona-se contra os grandes acordos comerciais, pois defende a prerrogativa de que a política econômica deve objetivar o aumento dos salários e não reduzi-los. Seu Programa de Governo prevê reinvestimento interno e críticas à Parceria Trans-Pacífico, que prevê, segundos dados de seu Comitê de Campanha, diminuição do emprego e da renda e aumento da poluição no meio ambiente.

Marco Rubio: O Senador Republicano pelo Estado da Flórida classifica a China como um competidor estratégico e potencial adversário, quando remete à geopolítica, devido a postura militar expansionista na região da Ásia-Pacífico.

Se eleito Presidente, o legislador pretende restaurar as vantagens estratégicas dos EUA no pacífico, implementando uma política militar de contraponto à expansão chinesa. Aliado a essa perspectiva, aprofundar as relações com aliados tradicionais, como Japão e Filipinas, fará parte de seu Plano de Governo.

A política para Cuba é outro assunto que lhe rende questionamentos. Por ser filhos de imigrantes cubanos, Rubio é crítico ativo da reaproximação de Washington com Havana, por ainda apresentar em seus argumentos uma nostalgia pela Guerra Fria, uma vez que, em suas concepções, a reaproximação coloca China e Rússia dentro da zona de influência estadunidense, a poucas milhas da costa territorial. Como Presidente, pretende reverter os passos dados em direção a normalização das relações bilaterais feitas pelo Governo Obama, por entender que o afrouxamento é ilegal.

Ao ligar a questão cubana com seu passado familiar, a imigração também é vista com mais atenção. Como legislador, foi um dos autores do Projeto de Lei de Imigração que foi aprovado pelo Senado em 2013. Rubio tem defendido a segurança das fronteiras e verificação eletrônica do status jurídicos dos ingressantes.

Quanto a Rússia, o Senador da Flórida é favorável a uma postura mais agressiva com Moscou, pois, após a anexação da Crimeia, tem classificado a ação como afronta histórica à ordem global do pós-Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, é a favor da continuação de políticas econômicas e diplomáticas que isolem o Kremlin dos pares europeus e americanos.

No tema comércio, Marco Rubio apoia o livre mercado, um dos pontos em concordância com a atual administração, e uma agenda comercial multilateral. Votou a favor do Governo na concessão do “fast track” de promoção comercial. Considera a Parceria Trans-Pacífico (TPP) fundamental para o processo de retomada do crescimento macroeconômico

Donald Trump: Talvez uma das figuras mais controversas da atual corrida presidencial seja o bilionário Donald Trump. Sem experiência em assuntos políticos, tem angariado grande atenção por sua postura belicista, racista e xenófoba.

Em política externa, sua campanha ganha contornos preocupantes para muitos observadores, caso seja indicado pelo Partido Republicano. A China, por exemplo, é um dos temas preferidos de Trump, que, se eleito, pretende impor tarifas sobre produtos chineses para, de acordo com seus entendimentos, forçar uma mudança de rumos da política econômica de Beijing.

Cuba é outro tema cuja posição de Trump é surpreendente. Indo de encontro com seus correligionários, acredita que o restabelecimento pode ser benéfico, mas que poderia ter sido feito com uma postura mais de negócios e não apenas com enfoque diplomático. Esse enfoque é entendido pelo potencial imobiliário que a ilha pode desenvolver e Trump, que fez sua fortuna no ramo imobiliário, poderia estruturar um acordo cujo viés em negócios poderia render grandes receitas para o empresariado norte-americano do ramo.

Por outro lado, a questão imigratória recebe as maiores críticas dos analistas e também as afirmações mais preocupantes. Trump dá muita atenção à questão da imigração ilegal, fazendo dela uma das suas principais teses de campanha. É a favor da deportação de mais de onze milhões de imigrantes irregulares por acreditar que principalmente o México esteja enviando os criminosos violentos, incluindo estupradores, para dentro dos Estados Unidos, fato negado veementemente pelo Governo de Enrique Peña Nieto.

A Rússia é outra questão controversa na estratégia de Donald Trump. Tudo começa pelo entendimento de que Putin não respeita Obama e é por conta desse afrouxamento diplomático que a Rússia anexou a Ucrânia. Contudo, sempre elogia a liderança de Putin, afirmando que estará aberto a construir um ótimo relacionamento com o líder russo.

Por fim, a questão do livre comércio. Trump se opôs a vários acordos comerciais recentes dos Estados Unidos, pois, segundo o mesmo, foram mal negociados, o que resultou na perca de empregos dos cidadãos. Trump defende ainda uma pena às empresas norte-americanas que se mudarem para outro país. Um exemplo recente, exposto pelo pré-candidato, é o caso da Ford Motor Company, que cobraria um imposto de 35% sobre os veículos exportados pela fabricante para os Estados Unidos, provenientes das novas instalações no México. O bilionário também se opõe a Parceria Trans-Pacífica (TPP).

Ao longo das prévias, os analistas acreditam que a polarização ideológica tende a acentuar, principalmente que certos pontos, tanto mais à extrema esquerda como à extrema direita, renderão dividendos para ambos os Partidos. Para os candidatos mais ao centro, como Hillary Clinton (pelos Democratas) e Marco Rubio (pelos Republicanos) deverão revisar a direção de suas respectivas campanhas, pois figuras ao centro no espectro político tem perdido espaço para visões mais extremadas, seja pelas vias progressistas de Bernie Sanders, seja pelo conservadorismo de Donald Trump, que, por muitos observadores, é taxado como sendo do século XIX.

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Após Acordo Nuclear, EUA impõem novas sanções ao Irã, em funções de Mísseis Balísticos

No último dia 16 de janeiro, entrou em vigor o Acordo Nuclear estabelecido entre a República Islâmica do Irã e o P5+1 (China, Estados Unidos da América, França, Reino Unido e Rússia + Alemanha). De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã cumpriu as determinações estabelecidas no Acordo Nuclear, firmado em 14 de julho de 2015. O Documento, assinado em Viena (na Áustria), pretende impedir que o Irã desenvolva a bomba atômica e fazer com que seu Programa Nuclear seja voltado exclusivamente para fins pacíficos.

Logo, em vista disso, foram retiradas as sanções econômicas e financeiras impostas ao país, referentes ao Programa Nuclear. Com o fim dessas restrições, o Irã terá acesso a US$ 100 bilhões em ativos seus no exterior, que estavam congelados.  Além disso, segundo o acordo, o Governo iraniano se comprometeu a reduzir e limitar suas capacidades nucleares durante um período entre 10 a 15 anos.

No dia 17 de janeiro, Barack Obama, Presidente dos EUA, afirmou que o acordo sela progressos históricos, concretizados em virtude da diplomacia, sem a necessidade de se passar por uma nova guerra. Outros líderes políticos também destacaram o êxito da diplomacia. John Kerry, Secretário de Estado dos EUA, declarou que o Acordo possibilita um mundo mais seguro, visto que a ameaça de armas nucleares foi reduzida. Para Frank-Walter Steinmeier, Ministro do Exterior da Alemanha, o fim do impasse sobre o Programa Nuclear Iraniano se caracteriza como um sucesso histórico da diplomacia.  Ainda no dia 17,  Hassan Rohani, Presidente do Irã, afirmou que o Acordo Nuclear propicia novas oportunidade econômicas e comerciais para o país, possibilitando uma nova fase em suas relações com o mundo.

Em seguida a sua entrada em vigor, os Estados Unidos (EUA) e o Irã anunciaram outro acordo de troca de prisioneiros, no qual foi definido que este soltaria 4 prisioneiros em troca da libertação de 7 iranianos detidos nos EUA.  No entanto, conforme ressaltou Barack Obama em seu discurso no domingo, dia 17 de janeiro, existem ainda profundas diferenças entre os dois países e que, portanto, o Governo estadunidense pretende denunciar as violações de direitos humanos e impor sanções ao Programa Iraniano de Mísseis Balísticos.

Assim, concomitantemente à retirada das sanções impostas ao Programa Nuclear, novas restrições foram aplicadas ao Programa de Mísseis Balísticos. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, o Governo estadunidense imputou sanções a cidadãos iranianos e empresas envolvidas no Programa de Mísseis. Entre estes estão a Mabrooka Trading, empresa sediada nos Emirados Árabes Unidos e na China, e seu proprietário, Hossein Pournaghshband, por terem auxiliado o Governo iraniano a produzir fibra de carbono para o Programa de Mísseis.

Em outubro de 2015, o Irã realizou um teste com o míssil balístico de longo alcance Emad. Naquela ocasião, a Organização das Nações Unidas (ONU) classificou o teste como uma violação da Resolução 1929 do Conselho de Segurança, que proíbe o Irã de desenvolver mísseis de precisão capazes de transportar ogivas nucleares. No discurso do dia 17 de janeiro, Barack Obama relembrou o teste e reiterou que o mesmo violou acordos internacionais. Em resposta, o Governo iraniano declarou que as elas, as sanções, são ilegítimas e detém caráter propagandístico. Além disso, argumentou que os mísseis balísticos atuam em caráter defensivo, que tem por objetivo transportar carga convencional, portanto, não descumpre a Resolução da ONU.

O Governo iraniano sofre ainda outras Sanções, impostas, por exemplo, na Crise dos Reféns na Embaixada dos EUA no Irã, em 1981.  Nesse sentido, analisando o percurso histórico nas relações entre EUA e Irã, desde a Revolução Islâmica em 1979, observa-se que o reestabelecimento dessa relação inclui uma série de fatores que vão além do Programa Nuclear Iraniano, mas que passa por questões de cunho político, étnico, geopolítico, regional, dentre outras.

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http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/21123/Ira-rejeita-qualquer-limitacao-em-seu-programa-de-misseis/

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Possíveis passos unificadores da Península Coreana

O ano de 2015 para as Relações Internacionais ficará marcado pelos inúmeros eventos de instabilidade, em que modelos regionais de ordem flertaram com a fragmentação e que, por conseguinte, tiveram, na intensificação das ações militares e diplomáticas, mecanismos para corrigir as causas da fragmentação, mas não desenvolveram políticas preventivas de correção desses desequilíbrios em longo prazo.

Durante este período, dentre as mal sucedidas ações no campo diplomático ocorridas no sistema internacional, as quais envolveram atuações da política externa dos norte-americanos ou afetaram diretamente sua segurança e os seus interesses, podem ser destacadas: a intensificação da guerra civil na Síria; os ciberataques a agências governamentais nos Estados Unidos; a instabilidade política na União Europeia, decorrentes do fluxo de refugiados e migrantes; a fratura política na Líbia; o crescimento das tensões entre israelenses e palestinos; as instabilidades na Turquia, Egito e Afeganistão; as cisões políticas e aumento da violência geral e da violência sectária entre xiitas e sunitas no Iraque, fruto do auto-proclamado Estado Islâmico. Além dessas experiências, o Governo estadunidense, ainda como detentor de grande influência no sistema internacional, também se vê às voltas com o grande desafio na Península Coreana, cujo foco de instabilidade, apesar das poucas notícias disseminadas na mídia, não recrudesceu.

Nesse sentido, para os anos vindouros, o tema da Unificação das Coreias pode emergir como expressivo foco de tensão, tanto quanto os demais citados em outras regiões do mundo. Para alguns especialistas consultados, o processo de unificação pode ocorrer dentro da próxima década, uma vez que o isolamento diplomático da Coréia do Norte tem mostrado sinais de desgaste até mesmo com seu aliado mais próximo, a China, que, por vezes, demonstra sinais de intolerância com as táticas e retóricas empregadas pelos norte-coreanos, que desequilibram o fluxo geopolítico e comercial, chamando a atenção dos Estados Unidos e seus aliados na região, fato que Beijing quer evitar, uma vez que seu processo de expansão territorial é parte de sua política externa para ampliação de influência e domínio. Mais fatores são levados em consideração, principalmente no âmbito da concorrência econômica, cujo polo industrial focado no conceito de nacional-desenvolvimentismo não tem a mesma capacidade, se comparado à Coréia do Sul, frequentemente citada como modelo bem sucedido, não apenas de desenvolvimento econômico, mas também político e social.

Outros registros históricos que fazem com que a Coreia do Norte seja foco de análises conjunturais para justificar uma possível unificação estão na precarização social, cujo grau máximo de incompetência ocorreu na década de 1990, quando experimentou a fome, acarretando na morte de milhões de pessoas, assim como as visíveis rachaduras no Estado norte-coreano, que não consegue mais controlar o fluxo de informações para fora de suas fronteiras, nem controlar os políticos do regime, dentre os quais Jang Song-Thaek, considerado o segundo homem mais poderoso de Pyongyang, o qual foi executado a mando do terceiro Presidente da Dinastia Kim, Kim Jong-un, por suposta conspiração.

Com a viabilidade de implementação de um processo de unificação, as implicações são inúmeras, a julgar na esfera geoestratégica, graças ao protagonismo dos Estados Unidos na região nordeste da Ásia, que será questionado nessa nova fase; além do novo equilíbrio de poder que precisará ocorrer, trazendo profundas alterações, caso seja consolidado tal projeto de unificação das Coreias.

Ao partir do princípio de que a Unificação não partirá de uma guerra convencional devastadora, uma Coréia unificada na próxima década poderá herdar um grande mercado consumidor de aproximadamente setenta e cinco milhões de pessoas, ampliar a plataforma industrial, com uma mão de obra educada e ávida por trabalho, com recursos naturais em abundância (principalmente no Norte da península), com tecnologia avançada e Forças Armadas aparelhadas, inclusive nuclearmente. Os formuladores de políticas da “Nova Coréia” precisarão, contudo, resolver questões de cunho internacional, cujas opções são três: permanência no alinhamento com os Estados Unidos; aproximar-se e aprofundar as relações bilaterais com a China; ou adotar uma postura independente, de equilíbrio entre os dois principais atores.

Com base nessas três opções estratégicas, pode-se avançar um pouco em cenários:

  1. Ao continuar a aliança tradicional e estratégica com os Estados Unidos, o cenário mais plausível é a Coréia unificada precisar de um “guarda-chuva” nuclear para lidar com as outras grandes potências no nordeste da Ásia, notadamente China, Rússia e Japão. A aliança poderá levar à redução nos aparatos de defesa de Seul, bem como a retirada das tropas estadunidenses. Tal situação, em que não há mais a ameaça norte-coreana, permitiria aos norte-americanos orientar novos objetivos para a região, consentindo-os ainda projetar sua política externa mais dura para outras partes do globo;
  2. Ao inclinar a relação para a China, o cenário de uma Coréia unificada afasta os Estados Unidos do cálculo em que existe a aliança preferencial e/ou automática com eles, criando uma robusta aliança econômica sino-coreana, com um poderio militar crescente e sem precedentes na região. Cabe salientar que há sentimento antiamericano na região ao norte da península, o que permite pensar tal situação, contudo, este é um cenário pouco provável para os analistas consultados, em virtude do receio de a China criar novos laços coloniais com a Coréia, uma vez que já existem questões relativas a recursos e disputas fronteiriças;
  3. Ao optar pelo desenvolvimento de uma política externa independente, o cenário vislumbrado é o descarte das relações bilaterais com os Estados Unidos, usufruto que se dá desde 1950, para prosseguir com uma matriz de potência não alinhada, havendo a opção de manter o arsenal nuclear norte-coreano ativo como salvaguarda para as ingerências internacionais que derivem das insatisfações que surgirão, decorrentes da nova política Externa do Estado Coreano unificado. Tal cenário poderia ser resultado da crescente capacidade, confiança e nacionalismo do povo coreano. Uma Coréia com viés de não alinhamento automático poderia ainda promover relações estreitas com China e Rússia, e afastar os Estados Unidos. Tal manobra, contudo, implicaria em uma região instável, por isso, acredita-se que tal iniciativa é a menos provável.

Percebe-se, assim, que uma Coreia unida traria como consequência do processo a construção da nação que avançaria ao norte, promovendo estabilização política e econômica ao encerrar as grandes disparidades que envolvem os dois Estados, especialmente com a desmobilização do excedente do Exército de Pyongyang, que representa custos, os quais podem ser deslocados para setores mais produtivos. Essa nova orientação estratégica, contudo, deverá ser motivo de preocupação para os estados vizinhos, a China, a Rússia, o Japão, além dos Estados Unidos, pois a grande incógnita é a política externa que virá a ser modelada, algo que pode resultar em um novo equilíbrio de forças para a região mas, também, em momentos de instabilidade que farão parte dessa nova estrutura política organizacional.

Para Washington, uma nova política para a Península Coreana acarretará também em uma nova fase para o programa de política externa para Nordeste da Ásia, ou seja:

  1. A Casa Branca, por meio do Departamento de Estado e do Pentágono, deverá elaborar cenários para a unificação que preservem e beneficiem o modelo já instaurado após a Guerra da Coréia, em 1950;
  2. Washington deverá continuar a promover o aprofundamento das relações bilaterais com Seul, porém terá de projetar atualizações, modernizações e ampliações dos acordos já firmados;
  3. Washington deve se comprometer a preservar e garantir a dissuasão nuclear estendida na Coréia unificada;
  4. Os EUA deverão promover auxílio durante a fase de transição política e econômica;
  5. Também deverão formar um grupo trilateral, Washington-Seul-Tóquio para arquitetar questões no âmbito da segurança regional pós-unificação.

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Governo dos EUA amplia sanções contra Rússia

Recentemente, no dia 22 de dezembro, os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram a ampliação das sanções econômicas contra a Rússia, em virtude da Crise na Ucrânia. A Crise eclodiu em março de 2014 e, até o presente momento, deixou mais de 9 mil mortos nos confrontos entre as forças separatistas apoiadas pelo Governo russo e as forças de Kiev.

As novas sanções destinam-se a cerca de 34 pessoas físicas e jurídicas, entre elas Bancos e Corporações Empresariais, que, de acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, estariam envolvidas com a crise na Ucrânia. Segundo o comunicado do Departamento do Tesouro Norte-Americano, as novas sanções assinalam o compromisso do Governo estadunidense em encontrar meios diplomáticos para a resolução deste conflito.

Há cerca de 5 meses, no dia 30 de julho de 2015, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma lista de restrições que incluía 15 pessoas jurídicas e 11 pessoas físicas. Naquela ocasião as sanções atingiram, por exemplo, o filho do Ex-Presidente da Ucrânia Victor Yanukovich, e Roman Rotenberg, empresário ligado a várias empresas, entre elas a Gasprombank.

De acordo com o Departamento do Tesouro, as pessoas e entidades listadas estão envolvidas na crise, seja como separatistas, ex-funcionários do Governo ucraniano, além de entidades que atuam na Crimeia. Entre as novas companhias listadas, estão a Rostec, asfiliais do banco VTB na África, Cazaquistão, Armênia, Áustria, Bielorrússia e Ucrânia. Também as filiais do Sberbank na Bielorrússia, Ucrânia, Cazaquistão e Suíça, além do Sberbank Europe.

A União Europeia (UE), por meio do Coreper (Comitê de Representantes Permanentes da UE) aprovou em meados de dezembro de 2015, o prolongamento das sanções até agosto de 2016. Apesar de alguns Estados-Membros não concordarem com a extensão das sanções, em virtude dos efeitos negativos para a economia, a medida foi aprovada por unanimidade pelos 28 embaixadores. Conforme anunciou a UE, o prolongamento das sanções deve-se ao não cumprimento dos Acordos de Minsk-2 para resolução da crise na Ucrânia, cujo prazo para implementação das medidas requeridas encerra-se no próximo dia 31 de dezembro.

John Smith, Diretor Interino do Office of Foreign Assets Control (OFAC), afirmou que é de caráter primordial a adoção e o cumprimento das medidas decorrentes dos Acordos de Minsk para se chegar a uma solução diplomática e pacífica. Adicionalmente, reafirmou a política do não reconhecimento, no que tange a incorporação da Crimeia pela Rússia.  Já Will Stevens, assessor da embaixada dos EUA na Rússia, ressaltou que a decisão do Governo estadunidense visa harmonizar a agenda dos Estados Unidos e da União Europeia e, nesse sentido, diminuir o peso imposto ao setor privado.

Em resposta às decisões anunciadas, Dmitry Peskov, porta-voz do presidente da Rússia, pontuou que a ampliação das sanções dos EUA revela a continuidade de uma postura hostil, nesse caso, tanto da União Europeia quanto dos Estados Unidos com relação à Rússia. Tendo em vista o princípio da reciprocidade que prevalece no âmbito do Sistema Internacional, Peskov destacou que o Governo russo adotará medidas em resposta às sanções.

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Fonte (Imagem):

http://www.trm.md/en/international/obama-l-a-anun-at-pe-putin-la-telefon-ca-sua-sunt-pregatite-sa-impuna-sanctiuni-suplimentare-rusiei-din-cauza-situa-iei-din-ucraina/

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EUA são cobrados por uma maior atuação na crise migratória europeia

Os Estados Unidos da América (EUA) vêm sendo pressionados e criticados por países e organismos internacionais devido à falta de um maior envolvimento na busca por solução da crise migratória na Europa. Essa crise migratória é reflexo de pelo menos 15 conflitos que surgiram e/ou se acirraram nos últimos 5 anos, os quais têm feito um crescente número de mortos e promovido o deslocamento de milhares de refugiados.  Desses conflitos: oito deles são na África (Costa do Marfim, República Centro Africana, Líbia, Mali,Nordeste da Nigéria, República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Burundi, neste ano); três no Oriente Médio (Síria, Iraque e Iêmen); um na Europa (Ucrânia); e três na Ásia (Quirguistão, e em diferentes áreas de Mianmar e Paquistão)[1].

De acordo com a Anistia Internacional, essa é a primeira vez desde a II Guerra Mundial, que um enorme contingente de pessoas está sendo obrigado a deixar suas casas por conta de guerras, conflitos e perseguições[2]. Em junho passado, um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) apontou que o número de refugiados tem crescido rapidamente. Em dezembro de 2013, havia aproximadamente 51,2 milhões de refugiados, já no final de 2014 esse número era de 59,5 milhões de pessoas, dos quais a metade é composta por crianças e jovens de até 18 anos. Desses, apenas 126,8 mil puderam retornar para seus países de origem. Atualmente, conforme dados desse relatório, a cada 122 pessoas no mundo 1 é solicitante de refúgio ou deslocado interno[3].

A imensa maioria desses refugiados são cidadãos sírios, fugindo da guerra civil que assola o país desde 2011. Desde que iniciou, o conflito já fez mais de 240 mil mortos, em torno de 7,6 milhões de deslocados internos e cerca de 4 milhões de refugiados. O Afeganistão tem cerca de 2,59 milhões de pessoas, que estão sumariamente refugiadas no Irã e no Paquistão. O terceiro país com maior número de refugiados no mundo é a Somália, com aproximadamente 1,1 milhão de pessoas[4].

Segundo um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), 86% dos refugiados estão abrigados em países menos desenvolvidos. A África do Norte e o Oriente Médio possuem uma população de 3,88 milhões de refugiados, sobretudo devido ao conflito na Síria, Iraque e na Líbia. Já a África Subsaariana totalizou 3,7 milhões de refugiados e 11,4 milhões de deslocados internos – 4,5 milhões dos quais ocorridos em 2014. Na Ásia há aproximadamente 9 milhões de refugiados.  A  Europa, entretanto, foi a região onde mais cresceu o número de solicitantes de refúgio, devido à crise na Ucrânia, às travessias de migrantes e refugiados pelo Mediterrâneo e ao grande número de refugiados sírios na Turquia. Jordânia, Líbano, Paquistão, Irã e Turquia são os países que mais recebem refugiados. No entanto, a Turquia recebeu quase 25% da população de refugiados sírios, e cerca de 200 mil iraquianos e é atualmente o país que recebe o maior número de refugiados[5].

O aprofundamento da crise migratória na Europa é reflexo ainda da falta de unidade e protelamento de medidas e soluções por parte dos países da União Europeia (UE). Em 2014, os países da UE adotaram iniciativas que buscavam impedir a chegada de refugiados. A Itália, por exemplo, reduziu o número de operações de resgate marítimo, o que resultou no aumento de fatalidades[6]. Ao longo de 2014, aproximadamente 219 mil pessoas conseguiram chegar à Europa através das águas do Mediterrâneo, mas 3.500 pessoas morreram ou desapareceram durante a travessia. Até início de setembro deste ano (2015), mais de 2.800 pessoas morreram ou desapareceram nessa rota e quase 400 mil pessoas conseguiram chegar à Europa[7].

Os diversos incidentes envolvendo refugiados, como, por exemplo, a ação livre de coiotes; o desaparecimento de 200 pessoas na costa da Líbia; a morte de 51 pessoas sufocadas no porão de uma embarcação e, ainda, a recente descoberta de um caminhão com 71 mortos, vítimas abandonadas por seus transportadores na Áustria, têm acirrado o debate em torno das políticas e ações adotadas, tanto de países da Europa, quanto das demais potências mundiais. 

Nesse sentido, países, autoridades e organizações internacionais têm cobrado um posicionamento mais assertivo dos Estados Unidos. No último final de semana, David Miliband, Chefe do Comitê Internacional de Resgate e ExSecretário de Relações Exteriores do Reino Unido, pediu que os Estados Unidos adotassem, assim como fizeram no passado, um papel de liderança nesse tipo de assunto, e que 1.500 refugiados abrigados em quatro anos é uma contribuição muito simplória para enfrentar o lado humano desse problema[8].

A China chamou atenção para a responsabilidade dos Estados Unidos nessa crise migratória, argumentando que conflitos na Síria,Líbia, Afeganistão e Iraque são consequências de intervenções dos EUA, que deterioraram a segurança local[9]. Nesse sentido, segundo autoridades do Governo da Rússia, os Estados Unidos são responsáveis em parte pelo aprofundamento da crise, uma vez que não consideram Bashar alAssad, Presidente da Síria, como um aliado na luta contra o Estado Islâmico. Nessa ordem de ideias, o cientista político Hossein Ruyvaran assinala que a atual situação revela a perda de controle dos Estados Unidos, mas que estes começaram o problema e devem assumir a responsabilidade pelas consequências[10].

Após pressões, a Casa Branca se pronunciou na última terça-feira, 8 de setembro, afirmando que avaliaria medidas adicionais para auxiliar os países que estão recebendo maciçamente refugiados. De acordo com Josh Earnest, PortaVoz da Casa Branca, o Governo NorteAmericano está considerando a adoção de uma série de medidas para auxiliar na resolução da crise[11]. No presente, os EUA concederam aproximadamente 4 bilhões de dólares em programas de alimentação e suporte a refugiados. Essas novas medidas, segundo Earnest, podem aumentar os fundos para alojamento e alimentação e também admitir um número maior de refugiados nos Estados Unidos.

No entanto, essas medidas deverão passar pela aprovação do Congresso NorteAmericano, que conta com maioria republicana, e que vê com ressalva o abrigo de refugiados sírios, por acreditarem que tal medida facilitaria a entrada para terroristas no país. Contudo, para James Zogby, Presidente do Instituto Árabe Americano, esse discurso traz à tona a visão de que sírios e iraquianos são terroristas e ainda a islamofobia[12].

Segundo comunicou o Departamento de Estado dos EUA, mais 300 refugiados devem chegar ao país até o final de setembro. No final de agosto, John Kirby, PortaVoz do Departamento de Estado, anunciou que os Estados Unidos deverão receber em 2016, entre 5 e 8 mil refugiados sírios e que, no presente, tem examinado a situação de 15 mil casos de reassentamento recomendados pela ONU[13].

Muito embora a crise venha se revelando um imenso desafio para a comunidade internacional, é preciso ter em mente algumas reflexões. Primeiramente, que a maior parte dos refugiados tem se abrigado em países em desenvolvimento e que pouco tem se discutido sobre o papel desses países no enfrentamento da crise. Nesse âmbito, Nicola Sturgeon, Chefe de Governo da Escócia, argumenta, por exemplo, que a solução da crise migratória precisa contar com a participação de potências regionais, como o Irã e a Rússia[14].

Outra reflexão diz respeito ao papel das grandes potências no enfrentamento da crise migratória. Ao que tudo indica, a Europa ainda está perdida na falta de conformidade sobre quais medidas devem ou não ser adotadas. Os Estados Unidos, por outro lado, têm se mantido distantes do debate. Tal posicionamento é criticado por Michael Ignatieff, professor da Harvard Kennedy School, assinalando que os Estados Unidos estão errados ao enxergar a crise como um problema da Europa, haja vista que o Governo NorteAmericano e seus aliados têm a responsabilidade com os refugiados sírios, uma vez que eles estão armando os rebeldes sírios e lutando contra o Estado islâmico no país[15]. Por fim, para além do conflito da Síria, conforme ressalta António Guterres, Alto Comissário da ACNUR, “é aterrorizante verificar que, de um lado, há mais e mais impunidade para os conflitos que se iniciam, e, por outro, há uma absoluta inabilidade da comunidade internacional em trabalhar junto para encerrar as guerras e construir uma paz perseverante[16].

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Imagem (Fonte):

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=51748#.Ve-tuhFVikq

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/relatorio-do-acnur-revela-60-milhoes-de-deslocados-no-mundo-por-causa-de-guerras-e-conflitos/

[2] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_brasil_refugiados_sirios_comparacao_internacional_lgb

[3] Ver:

http://www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/relatorio-do-acnur-revela-60-milhoes-de-deslocados-no-mundo-por-causa-de-guerras-e-conflitos/

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

Idem.

[6] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150829_entenda_migracao_ab  

[7] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/eua-avaliam-aumentar-ajuda-por-crise-de-refugiados-da-siria.html

[8] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0R60V220150906

[9] Ver:

http://www.noticiasaominuto.com/mundo/446203/china-acusa-eua-de-serem-culpados-pela-crise-migratoria-na-europa

[10] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150907/2057810.html

[11] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/eua-avaliam-aumentar-ajuda-por-crise-de-refugiados-da-siria.html

[12] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0R727F20150907?pageNumber=1&virtualBrandChannel=0

[13] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/estados-unidos-recebera-entre-5-mil-e-8-mil-refugiados-sirios-em-2016.html

[14] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150907/2057810.html

[15] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/09/06/us-europe-migrants-usa-idUSKCN0R60SE20150906

[16] Ver:

http://www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/relatorio-do-acnur-revela-60-milhoes-de-deslocados-no-mundo-por-causa-de-guerras-e-conflitos/

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Segurança Nacional do século XXI e os mísseis supersônicos

Na última quinzena de junho deste ano (2015), as Forças Armadas da Rússia realizaram o teste de um míssil supersônico, que, segundo as autoridades russas, já poderá estar operando em meados de 2020[1]. A mídia tem destacado a vantagem estratégica desse tipo de míssil, como um certo tipo de invisibilidade para os sistemas de escudo antimísseis, quando, na verdade, ele é apenas capaz de superar a velocidade dos projéteis utilizados nos sistemas de defesa da atualidade, que foram projetados para atingir mísseis balísticos com rotas em parábola.

Devido a capacidade furtiva desse sistema e sua capacidade de carga para ogivas, analistas internacionais levantam questionamento a respeito da necessidade de revisão dos tratados de 2010, assinados pelos países do Conselho de Segurança, que não incluem mísseis desse porte, pois, até então, a única categoria de mísseis que faz uma rota semelhante é aquele da classe similar ao “Tomahawk”, o qual, apesar de curta distância e rota rente ao solo, não possuí capacidade para carga de ogivas.

É preciso observar que, caso a revisão dos Tratados de 2010 não seja realizada, analistas indicam que será possível identificar no panorama internacional um cenário semelhante aos meados da segunda metade do século XX, pois, além da Rússia possuir tal tecnologia, a China e os próprios Estados Unidos também a desenvolvem, gerando incertezas sobre as reais vontades de cooperação político-estratégica desses atores na sociedade internacional.

Outros analistas consideram arriscado caracterizar a possível volta da Guerra Fria aos moldes do século XX, uma vez que as estruturas políticas são diferentes e não existe por parte desses atores – EUA, China e Rússia – conflitos políticos diretos, mas interesses expansionistas econômicos, em que são admissíveis debates em âmbitos legais no atual sistema internacional, dado que todos os atores são respeitadores e demonstram interesse de participação nas esferas de representação internacional.

Mesmo que a Rússia não busque um embate direto aos moldes do século XX, é possível identificar sua vontade em demonstrar sua capacidade de desenvolvimento tecnológico e interesse em estar presente na vanguarda da tecnologia bélica, pois não é novidade que o Estados Unidos aprimoram a tecnologia civil na medida que desenvolvem novas tecnologias militares. Idem a China, que cada vez mais tem buscado se tornar um “think tank” em tecnologias de ponta.

Tanto a China como a Rússia têm apostado nas feiras de tecnologia bélica pelo mundo. A Rússia jogando no desenvolvimento de lançamento de satélites e em sua indústria de helicópteros e aviões[2], tanto civis como militares, e a China, promovendo, em igualdade, sua possibilidade de lançamento de satélites e indústria automotiva, com veículos de transporte de tropas e blindados[3].

Russos e chineses também tem obtido resultados satisfatórios de escoamento tecnológico em mercados emergentes, mas, com o retorno da escalada de possíveis guerras convencionais, fazendo com que a demanda por materiais bélicos de guerra convencional aumente, pode ocorrer uma expansão de mercados, tanto para a Rússia e China, como para os tradicionais mercadores desse segmento: Estados Unidos e Europa. Vide o próprio desenvolvimento de mísseis supersônicos.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Perseus

Link direto da foto:

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/d/d5/MBDA%27s_Perseus.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Secret Russian Hypersonic Nuke Glider Can Pierce Any Missile Defense” (Publicado em 28 de junho de 2015):

http://sputniknews.com/military/20150628/1023954331.html

[2] VerSerguei Ladiguin Entrevista do ViceDiretorGeral da Rosoboronexport” (Publicado em 13 de abril de 2015):

http://www.defesanet.com.br/russialaad2015/noticia/18752/Serguei-Ladiguin—Entrevista-do-Vice-Diretor-Geral-da-Rosoboronexport/

[3] Ver SHACMAN Caminhões Militares” (Publicado em 14 de abril de 2015):

http://www.defesanet.com.br/laad2015/noticia/18758/SHACMAN—Caminhoes-Militares-/