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Gestão de Lenín Moreno no Equador completa dois anos com menor aprovação do período

Lenín Moreno Garcez Boltaire completará em maio de 2019 dois anos como Presidente Constitucional da República do Equador. O aniversário de gestão traz para o mandatário o desafio de reverter o mais baixo índice de aprovação obtido pelo seu governo desde a posse.

Formado em Administração Pública, Lenín empreendeu na área de turismo até iniciar-se na vida pública como gestor governamental, em 1996. Militante político desde os tempos de faculdade, foi eleito em 2006 e reeleito em 2009, nas duas vezes como Vice-Presidente da República, na chapa de Rafael Correa. Declinou de convite para nova reeleição junto com Correa, que se elegeu pela terceira vez, e foi nomeado Delegado sobre Deficiência e Acessibilidade da ONU, onde atuou de 2013 a 2016.

Em 2017 foi eleito Presidente da República, e visto como um símbolo da resistência da esquerda, um dos poucos remanescentes do “Socialismo do Século XXI”, num contexto de ascensão do neoliberalismo no continente. No seu discurso de posse comprometeu-se a combater as desigualdades, erradicar a pobreza extrema e governar para todos, indicando que daria continuidade ao trabalho iniciado dez anos antes por seu antecessor, na chamada Revolução Cidadã.

Considerado um sucessor natural de Rafael Correa, logo tornou-se seu desafeto, inclusive na disputa pelo partido Aliança País, fundado por Correa, mas que terminou em seu poder. No seu primeiro ano de governo exonerou diversos políticos correistas e conduziu uma consulta popular, cujo resultado, dentre outras coisas, impediu que o ex-Presidente pudesse ser candidato novamente. Segundo o jornal brasileiro Estado de Minas, essas medidas foram o suficiente para “sepultar a herança de seu antecessor e ex-aliado, Rafael Correa”.

Em sua gestão buscou desfazer a tensão entre o Governo e os setores da mídia e empresariado, promoveu a reaproximação do seu país com os Estados Unidos, com países da Europa e com instituições financeiras multilaterais. O Equador continuou mantendo laços fortes com nações vizinhas, a exemplo do Peru e da Colômbia, e participando das atividades promovidas por blocos regionais, tais como as rodadas de negócios da Aladi (Expoaladi 2017 e 2018) e da Comunidade Andina de Nações(VI e VII Encuentro Empresarial Andino em 2017 e 2018).

Não obstante, o Governo Moreno afastou-se da Venezuela, com críticas severas ao regime de Nicolás Maduro, e anunciou, em julho de 2018, que iria demandar a devolução do edifício-sede da Unasul em Quito, entidade da qual veio a se retirar em março de 2019. Ainda em julho de 2018 solicitou a  associação à Aliança do Pacífico que, embora seja um bloco regional latino-americano, fora rejeitado por Rafael Correa, que via com suspeição a entidade.

Presidente Moreno se reúne com prefeitos municipais

No período de um ano a aprovação da gestão Moreno caiu de mais de 80% (9 de agosto de 2017) para menos de 45%, em 12 de agosto de 2018. Enquanto atribuía as dificuldades ao legado negativo deixado por Correa diminuía a credibilidade do povo na sua pessoa e o correismo se mobilizava para ressurgir como força oposicionista ao morenismo. Nas eleições regionais de março de 2019, embora não tenha ocupado postos-chaves nas três cidades principais do país, o correismo obteve vitórias que aumentam seu poder de ação.

Dentre os avanços obtidos por Lenín Moreno estão o aumento do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em mais de 126% de 2017 para 2018 e o crescimento do PIB em 1,4%, ou seja, 0,3 ponto acima dos 1,1% estimados pelo próprio Governo e pelo FMI. O que revelam as pesquisas recentes, todavia, é que a aprovação da gestão segue em queda livre, já estando abaixo dos 30%, conforme pesquisas de duas empresas distintas.

Enquanto o FMI projeta uma contração de 0,5%  no PIB do Equador para 2019,  e surgem denúncias de envolvimento de Moreno com empresas em paraísos fiscais, ele se reuniu em 4 de abril de 2019 com os prefeitos municipais recém-eleitospara empreender uma jornada de ampliação dos programas sociais, sobretudo os que atendem os setores mais vulneráveis. A sociedade equatoriana espera que ele cumpra a promessa contida no encerramento de seu discurso de posse em 24 de maio de 2017, de não ter apenas a mão estendida, mas os braços abertos para abraçar a todos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Moreno em entrevista coletiva” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/56549520_2431321956880321_505342179850321920_n.jpg?_nc_cat=110&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=263ac3fa42193f00a5fae695fd64c591&oe=5D3C4AD2

Imagem 2 Presidente Moreno se reúne com prefeitos municipais” (Fonte): https://www.presidencia.gob.ec/wp-content/uploads/2019/04/Reuni%C3%B3n-con-alcaldes-Electos-04042019.jpg

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Peru, Chile e a Guerra do Pisco

O Peru rechaçou com veemência a sugestão chilena de compartilharem a denominação de origem da bebida conhecida como Pisco. A recusa manifestada em março de 2019 veio em resposta a uma proposta de solução de disputa feita em final de fevereiro passado pelo Ministro da Agricultura do Chile ao seu par peruano.

O pisco é uma aguardente de uva produzida nos dois países. No Peru se faz com sete a oito quilos de uva por litro, enquanto o chileno usa cerca de um quilo por garrafa, o que explicaria, segundo os peruanos, a melhor qualidade e preço superior do produto do seu país.

Pisco do Peru

A versão peruana é produzida em cinco regiões, utilizando oito tipos de uvas. Recipientes de metal (aço, cobre) ou de plástico são usados, em lugar de barris de madeira que alterariam o sabor da bebida, que é produzida de modo artesanal até os dias de hoje. A destilação é feita somente uma vez, o que mantém o aroma e sabor mais encorpados e é proibido adicionar água, o que limita a criatividade, mas mantém a qualidade e consistência de um produto natural.

O Chile produz a bebida em apenas duas regiões, mas com quase o dobro (quinze) de castas de uvas. Armazenam em barris de carvalho ou não, pois o hábito é consumir logo após fabricada, em lugar de envelhecida. O processo chileno é realizado, via de regra, em modernas destilarias com uso de tecnologia que preserva o sabor e estilo ao longo do tempo. Destilam a bebida mais de uma vez,  o que retira impurezas, mas também reduz o sabor e o aroma, além de acentuar o teor alcoólico, um problema sanado com a adição de água.

Pisco do Chile

Os peruanos afirmam que a bebida foi inventada por eles no período pré-hispânico. Esclarecem que a palavra “pisco” significa “pássaro” no idioma Quéchua, utilizada pelos incas, e lembram que antes da bebida, na época colonial, já existiam um vale, um rio e uma cidade chamados Pisco. Os chilenos, por sua vez, alegam que a aguardente foi criada pela antiga civilização Aymara, na região do Vale do Elqui. Em 1936, o Presidente do Chile alterou o nome da região para Pisco Elqui, o que os peruanos entendem como uma tentativa dos rivais de validar a denominação de origem.

A confirmação da origem pela via histórica e geográfica torna-se ainda mais complexa porque ambos os países disputam fronteiras desde os anos 1500 e, em 1613, o Peru e o Chile eram partes de um mesmo território dominado pelos espanhóis e conhecido como Vice-Reino do Peru.

Um preparado bastante conhecido é o Pisco Sour, feito com 3 medidas do destilado, uma medida de limão, açúcar, clara de ovo e gelo picado. Desde 2003 os peruanos celebram, no primeiro sábado de fevereiro, o Dia do Pisco Sour, declarado patrimônio cultural. O mesmo decreto que instituiu o Dia determinou que o coquetel substitua o vinho e o espumante nas celebrações realizadas pelo Palácio do Governo, Ministérios e Embaixadas peruanas.

Mas, nem o Pisco Sour escapa da contenda, porque uma versão conta que um americano que emigrou para o Peru e teve um bar em Lima criou o drinque, como uma variação do Whisky Sour. A outra afirma que o aperitivo, que é ligeiramente diferente do rival, nasceu na cidade chilena de Iquique. Apenas o “Pisco Punch” não é motivo de disputa porque é reconhecido que foi inventado no século XIX num bar em San Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos.

A chamada “Guerra do Pisco” se arrasta há anos e tem episódios bastante curiosos. Em um concurso mundial de bebidas alcoólicas, cuja edição 2017 foi sediada no Chile, as destilarias peruanas somente poderiam competir na categoria “aguardente de uva”. Isto porque, de acordo com a lei chilena, o produto peruano tem que ter o nome “Pisco” retirado do rótulo para circular no país vizinho. O Governo do Peru então orientou seus produtores a se retirarem do concurso sob pena de sofrerem sanções, incluindo a possibilidade de perdas das licenças de uso do nome “Pisco” se aceitassem a categorização indicada. Os organizadores da competição sugeriram o uso de “Pisco do Peru” para solucionar o impasse, mas os peruanos decidiram não participar do certame, sob a alegação de estarem sendo tratados como produto de segunda classe. 

De acordo com a Associação de Exportadores (ADEX) do Peru, as exportações do Pisco em 2018 atingiram mais de 9,5 bilhões de dólares (aproximadamente, 35,97 bilhões de reais, conforme a cotação de 22 de março de 2019), sendo que 70% é a soma dos volumes destinados ao seu concorrente Chile (44%) e Estados unidos (26%). A recusa à proposta chilena de compartilhamento da denominação de origem foi objeto de editorial do periódico El Peruano, republicado no website da Adex, e, a julgar pelo tom enfático da manifestação dos peruanos, a “Guerra do Pisco” está longe de terminar. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pisco Sour” (Fonte): https://de.wikipedia.org/wiki/Pisco_(Getr%C3%A4nk)#/media/File:PiscoSour.JPG

Imagem 2 Pisco do Peru” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco_peru.jpg

Imagem 3 Pisco do Chile” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco-bottles-Chile.jpg

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Chile e Colômbia propõem a criação da outra organização para substituir a Unasul

Em 11 de fevereiro de 2019, realizou-se na sede do Ministério das Relações Exteriores do Chile, na capital Santiago,  uma reunião de diplomatas sul-americanos para debater sobre a integração regional. Segundo o periódico chileno La Tercera, este encontro teria como objetivo discutir as bases de um novo arranjo, provisoriamente denominado Prosul, para substituir a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O desejo de criar uma nova instituição de cooperação sul-americana foi anunciado em meados de janeiro de 2019, por Ivan Duque, Presidente da Colômbia, que afirmou à imprensa estar mantendo diálogo com o Presidente do Chile, Sebastián Piñera, e outros mandatários de nações vizinhas com esse objetivo. Duque, que tomou posse em 7 de agosto de 2018 e, no mesmo mês, anunciou a retirada da Colômbia da Unasul, entende que o novo organismo deve ser formado por nações que defendam ideais democráticos, isolando a Venezuela, cujo governo de Nicolás Maduro não foi reconhecido pelo chamado Grupo de Lima desde as últimas eleições.

A Unasul, que comemorou dez anos de fundação em 2018, foi criada em maio de 2008, por sugestão do presidente Hugo Chávez (Venezuela), com o apoio dos presidentes Nestor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Lula (Brasil) e Rafael Correa (Equador). A União chegou a ter doze Estados membros participando ativamente: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Uruguai, Suriname e Venezuela.

Bandeira da Unasul

Uma crise teve início na Unasul quando seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Paraguai e Peru) anunciaram a suspensão temporária de participação em abril de 2018, sob alegação de que o organismo não estava obtendo resultados concretos. Além disso, o colegiado não obteve consenso na indicação de um Secretário-Geral, ainda na gestão do argentino Mauricio Macri, para suceder a Ernesto Samper (Colômbia) e o posto está vago desde 2017.

Em meados de 2018, cerca de três meses depois de Evo Morales (Bolívia) ter assumido a Presidência Pró-Tempore, o presidente Lenín Moreno, do Equador, declarou que iria solicitar a devolução do edifício que sediava a Unasul. Em 10 de janeiro de 2019, o diário equatoriano El Comercio noticiou que o Governo daquele país andino ofereceu um imóvel no centro histórico de Quito para a transferência da organização.

Os defensores da ideia de substituição da Unasul pela Prosul alegam que o antigo órgão é demasiado burocrático e não logrou apresentar resultados pragmáticos, além de ter viés ideológico e estar atualmente sendo manipulado pelo governo do venezuelano Maduro. Em análise publicada na revista argentina Ciudad Nueva, o italiano Alberto Barlocci, professor da Universidade Católica do Norte (Chile) afirma que a União foi criada e ancorada em forte viés ideológico de esquerda que já não é mais compartilhado por diversos Chefes de Estado e Chefes de Governo da região. Barlocci aponta para a necessidade de um projeto de integração mais sólido e alerta que a mera criação de um novo Bloco, com viés de direita não é uma solução e sim o debate em torno dos interesses comuns.

Novo encontro para tratar da criação da futura instituição está sendo planejado pelo Governo do Chile para 22 março de 2019 e se cogita inclusive a presença de Juan Guaidó como representante de Caracas. O diário colombiano El Espectador, no seu Editorial publicado em dia 15 de janeiro de 2019, concorda com as críticas feitas à Unasul, mas reconhece a sua importância e, à semelhança de Barlocci, alerta para o risco de que se adote um viés ideológico de direita que prejudique os reais objetivos integracionistas.  Questionando se não seria o caso de reformar a Unasul, em vez de extingui-la, o El Espectador sugere que se aproveite o legado da entidade  de modo que esta se torne mais útil para o fortalecimento do Bloco sul-americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunião no Ministério das Relações Exteriores do Chile”(Fonte): https://minrel.gob.cl/minrel/site/artic/20190211/imag/foto_0000000220190211185812.png

Imagem 2 Bandeira da Unasul” (Fonte Wikipedia): https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_de_Na%C3%A7%C3%B5es_Sul-Americanas#/media/File:Flag_of_UNASUR.svg

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Chile encabeça a lista dos melhores países da América Latina para fazer negócios

A República do Chile é o melhor país da América Latina para fazer negócios em 2019, de acordo com a lista divulgada em dezembro de 2018 pela Forbes, renomada publicação de economia e negócios dos Estados Unidos. No ranking com total de 161 países, liderado este ano pelo Reino Unido, o Chile aparece em 33º lugar, sendo o primeiro país latino-americano, seguido pela Costa Rica, em 48º, e pelo México, em 54º. 

A classificação tem sido feita nos últimos 13 anos e considera 15 fatores distintos, a saber: direitos de propriedade; inovação; taxas; tecnologia; corrupção; infraestrutura; tamanho do mercado; risco político; qualidade de vida; força de trabalho; liberdade individual; liberdade de comércio; liberdade monetária; burocracia; proteção do investidor.

A Forbes utiliza fontes diversas de informação e, no caso de taxas, proteção do investidor e burocracia os dados têm origem no relatório Doing Business do Banco Mundial. Na classificação geral do Banco Mundial, o México é o primeiro país latino-americano, figurando em 54º, seguido do Chile, em 56º, e da Colômbia, em 65º.

Os fatores liberdade de comércio e liberdade monetária são coletados do Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom em inglês) da Heritage Foundation e os chilenos ocupam a 18ª posição, à frente de todos os demais vizinhos regionais. O quesito liberdade individual (direitos políticos e liberdades civis) vem do Relatório Liberdade no Mundo (Freedom in the World) da Freedom House, no qual os três países latinos com melhor colocação são: Uruguai (9º lugar); Chile (21º) e Costa Rica (38º). 

O Relatório de Competitividade Global (Global Competitiveness Report) do Fórum Econômico Mundial foi a fonte dos indicadores de tecnologia, inovação e infraestrutura, no qualos primeiros países da região são: Chile (33º); México (46º) e Uruguai (53º). Com efeito, o Chile tem se destacado nessa área e vem conseguindo atrair o interesse de grandes investidores internacionais, a exemplo de IBM, Amazon e do Google, que mantém no território chileno, desde 2015, o seu único data center na América Latina.

Presidente Piñera discursa na abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019

O ranking do Índice Internacional de Direitos de Propriedade (International Property Rights Index) da Property Rights Alliance foi utilizado para o quesito direitos de propriedade, no qual a região está liderada por Chile (1º lugar regional e 29º global); Costa Rica (2º; 31º) e Uruguai (3º; 43º). No que se refere à percepção de corrupção, os dados proveem do  Índice da Transparência Internacional e os três melhores desempenhos entre os latino-americanos ficam com Uruguai (23º global), Chile (27º) e Costa Rica (48). 

Em termos de qualidade de vida, as melhores posições da América Latina, baseadas no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, pertencem a Chile (44ª), Argentina (47ª) e Costa Rica (63ª).  Segundo o Mapa de Risco Político de Marsh & McLennan os maiores níveis de estabilidade (risco político) da região estão situados no Chile, Uruguai e Panamá. O tamanho de mercado foi considerado em função do PIB e a força de trabalho calculada com base em dados do Banco Mundial. Outras informações gerais e da economia das nações foram coletadas do CIA’S World Factbook.

De acordo com a lista da Forbes, Chile (33º) e Costa Rica (48º) são os únicos da região entre os primeiros 50 países. No grupo intermediário aparecem México (54), Uruguai (58), Peru (64), Colômbia (67), Brasil (73), Panamá (75), Argentina (76), Guatemala (97) e Equador (99).  No último terço da lista temos El Salvador (101), Paraguai (114), Honduras (120), Bolívia (128), Nicarágua (135) e Venezuela (143).

Entre os dias 15 a 17 de janeiro de 2019, a InvestChile, agência governamental de promoção do país como destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED),  promoveu o 5º Fórum Internacional de Investimentos Chile 2019, com a participação de uma centena de empresas de 21 países e volume de investimentos estimados em mais de 7 bilhões de dólares.

Na cerimônia de abertura do Fórum, o presidente chileno Sebastián Piñera dedicou parte do seu discurso na conferência inaugural à atração de IED, ressaltando, dentre outras coisas, que seu país é estável política e economicamente e afirmou que há um estado de direito sólido, com regras claras e até mesmo vantagens concedidas a investidores estrangeiros que não estão disponíveis para os nacionais. 

Atenta a tais oportunidades de negócios, a TMF Group, uma corporação que se apresenta comouma expert global em negócios locais” e que detém “expertise local e o conhecimento para ajudar empresas” na sua expansão publicou, em 2018,  um artigo intitulado “Considerações culturais ao fazer negócios com o Chile” por meio do  qual orienta potenciais investidores estrangeiros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019” (Fonte): https://investchile.gob.cl/wp-content/uploads/2019/01/sin-tixxtulo-16-de-267.jpg

Imagem 2 Presidente Piñera discursa na abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019” (Fonte): https://investchile.gob.cl/wp-content/uploads/2019/01/sin-tixxtulo-122-de-267.jpg

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México inicia processo de libertação de presos políticos

Após seis semanas no poder, o governo do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador anunciou, na última terça-feira (dia 9 de janeiro), a libertação de 16 pessoas consideradas pela atual administração como “presos políticos”, e estuda a possibilidade de conceder a liberdade para mais 368.

Dentre os 16 indivíduos libertados está Leonel Manzano Sosa, professor de história originário de Oaxaca e membro de um grupo de ativistas que não admitiam a reforma educacional implementada durante o governo de Henrique Peña Nieto. Leonel foi preso em 2013, acusado de sequestro, crime que não foi comprovado pelas autoridades.

Presidiários

De acordo com o atual Presidente, “o objetivo principal das libertações é que nenhum cidadão seja vítima de represália pela maneira de pensar ou pela posição política, que não se utilize nenhuma instituição do Estado para afetar a população de maneira injusta, e que não se fabriquem delitos à opositores ou à adversários, como ocorria”.

O governo explicou ainda que muitos casos de detenção envolvem camponeses, ativistas ou ambientalistas que se opõem prática de fracking (utilizada na extração de petróleo e gás) ou ao uso de recursos naturais por grandes projetos de desenvolvimento. Também existem casos de encarceramento de manifestantes contrários aos governos locais e federais, segundo a Ministra do Interior, Olga Sánchez Cordero.

Tal processo de libertação teve seu princípio de desenvolvimento em dezembro de 2018, quando Obrador solicitou a criação de uma “mesa de acesso à justiça”, com o objetivo de avaliar o perfil de alguns presos que pudessem ter sido indiciados injustamente.

A senadora Néstora Salgado, do partido Morena, que, segundo é apresentado na mídia foi presa ilegalmente entre 2013 e 2016, por sua atuação como policial comunitária no Estado de Guerreiro, entregou no dia 14 de dezembro uma lista com 199 casos para serem analisados e, desde então, este número quase dobrou.

A equipe formada para buscar e analisar os casos de detenções arbitrárias reúne representantes do Ministério Público Federal, advogados e organizações sociais.

Em uma conferência com o Presidente, Sánchez Cordero explicou que o governo buscará ressarcir judicialmente aqueles que não têm uma “defesa adequada”, como um intérprete – exigido pela lei mexicana para aqueles que não falam espanhol – ou o “devido processo legal”.

Protesto no México

Para alcançar a libertação dessas pessoas, o Ministério do Interior teve que analisar arquivo por arquivo e optar pelo processo judicial mais apropriado para cada caso, que pode ir desde o aconselhamento legal aos prisioneiros até a demissão das acusações, naqueles casos em que a denúncia foi feita por uma instituição pública. Algo que continuará durante o sexênio, já que a “mesa de acesso à justiça” será permanente.

Entretanto, o tema que mais causou polêmica foi a proposta feita ao Congresso pelo partido do Presidente (Morena) para criar uma anistia que acompanhe o trabalho da mesa e chegar às instâncias judiciais em cada um dos 32 Estados mexicanos, onde o Ministério Público Federal não tem incidência e, portanto, não pode interceder.

O projeto de anistia, que ainda tem que definir vários aspectos, foi recebido em sua primeira etapa com muitas críticas. “O perdão presidencial não é a solução. Eles não querem ser perdoados porque não fizeram nada de errado, querem ser absolvidos porque não cometeram nenhum crime”, explicaram parentes de presos políticos.

O processo de libertação dos considerados presos políticos será longo, mas a iniciativa de López Obrador busca mudar a atuação das instituições de segurança e órgãos jurídicos. “Não podemos permitir que o protesto social seja criminalizado”.

A chegada do partido Morena ao poder pode gerar grandes mudanças na gestão pública, principalmente no âmbito de políticas sociais. É a primeira vez que um partido de extrema esquerda chega ao poder com a promessa de diminuir os altos índices de violência e pobreza no México.

O desafio é complexo, pois durante o governo anterior a situação de violência se agravou e expôs a dificuldade do poder público em investigar crimes, combater os cartéis de droga e deter gestores públicos ligados ao crime organizado. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presídio desativado” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Penitentiary_of_New_Mexico

Imagem 2Presidiários” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Apodaca_prison_riot

Imagem 3Protesto no México” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Human_rights_in_Mexico

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

As questões diplomáticas sobre bombardeiros russos na Venezuela

No dia 10 de dezembro (2018), a Venezuela recebeu em seu território quatro aeronaves russas que aterrissaram no Aeroporto Internacional de Maiquetía Simón Bolívar, próxima à capital Caracas, desembarcando uma centena de militares e pessoal técnico-administrativo que, a pedido do Governo Bolivariano, foram participar de alegados exercícios de cooperação estratégico-militar, os quais foram classificados pelo Ministro da Defesa venezuelano, general Vladimir Padrino López, como “intercâmbio de voos operativos para elevar o nível de operações dos sistemas de defesa aeroespacial”dos dois países.

O conjunto de aeronaves foi constituído de um avião de transporte Antonov An-124(denominação OTAN: Condor), que é considerado o 2º maior avião de carga do mundo e destinado ao transporte de tanques de guerra, tropas, lançadores de mísseis, entre outros equipamentos militares; outra peça dessa frota foi o avião de passageiros Ilyushin Il-62 (denominação OTAN: Classic), com capacidade de transporte de até 200 passageiros, o qual foi responsável pelo deslocamento do corpo de técnicos e militares nessa visita. Os protagonistas desse grupo foram os dois bombardeiros estratégicos russos Tupolev TU-160 Cisne Branco (denominação OTAN: Blackjack), que, com sua presença em território venezuelano, foram alvos de pesadas críticas por parte da comunidade internacional, principalmente pelo Governo norte-americano.

Considerado por especialistas como o mais poderoso bombardeiro pesado do mundo, o TU-160tem capacidade de transportar até 20 toneladas de armamento em cada uma de suas duas baias internas, podendo ser bombas convencionais de queda livre e guiadas a laser, mísseis de cruzeiro de longo alcance, mísseis nucleares táticos e antissatélites, tendo como principal característica suas asas de geometria variável que permitem a aeronave atingir velocidades supersônicas (2.200 km/h a uma altitude de 10 km), possibilitando um percurso entre Moscou e Washington em apenas 4 horas. Segundo a Força Aérea Russa, os TU-160 são considerados únicos por serem plataformas avançadas de ataque estratégico nuclear que obtiveram respeito desde a época soviética e cada um deles, como navios, tem seu próprio nome de batismo, em homenagem aos heróis do país ou pilotos russos famosos.

TU-160 lançando míssil KH-101 contra alvos na Síria – Novembro 2015

Essa visita dos TU-160 ao Ocidente não é a primeira atuação dos mesmos fora do território russo, pois já tiveram participação em inserções militares na Síria, lançando mísseis de cruzeiro ou bombas de queda livre, e também já visitaram a Venezuela em duas outras ocasiões, sendo a primeira em 2008, quando militares russos e venezuelanos participaram de seus primeiros exercícios conjuntos, e a segunda visita se processou em 2013, quando gerou um desconforto diplomático com a Colômbia devido a invasão do espaço aéreo daquele país, momento em que foram interceptados por aviões caças colombianos.

Essa terceira visita dos bombardeiros russos ao continente americano teve um minucioso monitoramento por parte de diversos países e organizações devido ao atual condicionamento político-econômico que a Rússia vem sofrendo sob as sanções e restrições impostas pelos EUA e União Europeia. O acompanhamento da frota teve a participação, bastante próxima, de caças F-16 noruegueses que escoltaram os TU-160 desde o Mar de Barents, passando ao largo de países como Suécia, Reino Unido e Irlanda, que também deixaram caças disponíveis para acompanhamento até as proximidades do Mar do Caribe.

Após os 10 mil quilômetros da viagem, os bombardeiros russos chegaram ao território venezuelano enfrentando críticas provindas da OEA (Organização dos Estados Americanos) no tocante a preocupação da presença de equipamento bélico com capacidade nuclear, o que viola a Constituição nacional venezuelana, uma vez que não foi autorizada pela Assembleia Nacional, conforme exigido pelo artigo 187, parágrafo 11. Além disso, esta ação pode também violar as regras fundamentais do Direito Internacional, segundo nota da entidade. A Venezuela é parte do Tratado para a proibição de armas nucleares na América Latina e no Caribe (“Tratado de Tlatelolco”), cujo Artigo Primeiro proíbe o recebimento, estocagem ou posse de armas nucleares por si ou por terceiros em seu território.

Da mesma forma, o Secretariado Geral da OEA observa com extrema preocupação a participação das capacidades militares dos poderes regionais no hemisfério fora do Marco Constitucional dos países, bem como a transparência e a confiança mútua que devem orientar essas atividades. Observadores têm afirmado que atitudes com essas características, como as que ocorreram entre Venezuela e Rússia, não contribuem para a paz ou a estabilidade continental, um valor supremo a ser preservado para a convivência na região.

Posto isso, as trocas de insinuações entre EUA e Rússia tiveram início quando o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, através das redes sociais,caracterizou o envio de bombardeiros TU-160 à Venezuela como um “desperdício de recursos públicos” dizendo: “O governo russo enviou bombardeiros através de metade do mundo à Venezuela. Os povos da Rússia e da Venezuela precisam entender o que isso significa: dois governos corruptos desperdiçam recursos públicos e suprimem a liberdade, enquanto os seus povos sofrem”.

Dmitry Peskov, Porta-Voz do presidente russo, Vladimir Putin, classificou o comentário de Pompeo como “inapropriado”e “nada diplomático. Ele disse,em declaração a repórteres, que tais críticas parecem estranhas vindas de um país “cuja metade do orçamento militar seria suficiente para alimentar toda a África”.

Para especialistas, a grave crise econômica, política e social que a Venezuela atravessa faz com que a presença militar russa tenha o objetivo de desencorajar” terceiros a realizar “algum tipo de intervenção militar” no país, mas, além de beneficiar a Venezuela, essa aliança também é considerada vital para o governo Putin que atravessa um momento delicado devido a uma onda de sanções econômicas contra o país, que continuam sendo renovadas,fazendo com que (Moscou) realize alianças com países que ainda querem se relacionar com a Federação Russa, e isso inclui a Venezuela, destaca Steven Pifer, ex-embaixador dos EUA na Ucrânia e pesquisador do centro de análises Brookings Institution.

Essa aproximação já rendeu ganhos econômico-militares entre as duas nações, sendo que, no final de 2016, a Venezuela comprou 24 caças Sukhoi SU-30 (denominação OTAN: Flanker C) e acertou a aquisição de 53 helicópteros MI-24 (denominação OTAN: Hind) e de 100 mil fuzis Kalashnikov, entre outros equipamentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bombardeiro Tupolev TU-160” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Tupolev_Tu-160#/media/File:2013_Moscow_Victory_Day_Parade_(57).jpg

Imagem 2 TU-160 lançando míssil KH-101 contra alvos na Síria Novembro 2015” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Tupolev_Tu-160#/media/File:SU-30SM_escortant_un_Tu-160_qui_lance_un_missile_de_croisi%C3%A8re.png