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Cooperação Educacional entre Brasil e São Tomé e Príncipe

As relações bilaterais de São Tomé e Príncipe com o Brasil são identificadas desde 1984 com o estabelecimento do primeiro acordo bilateral de Cooperação Técnica. A partir de então, as dinâmicas entre os dois Estados lusófonos contemplaram setores como desenvolvimento socioeconômico, políticas públicas para a saúde, meio ambiente, cultura, entre outros.

Neste sentido, cabe observar que o Brasil orienta sua atuação na esfera diplomática e na execução da cooperação partindo do conceito de promoção do desenvolvimento e boa governança com os seus parceiros, proporcionando a transmissão dos conhecimentos adquiridos no âmbito das políticas públicas, por meio de suas Instituições de diferentes setores

Mais recentemente, no mês de maio do ano corrente (2019) entrou em execução o projeto de Cooperação Técnica na área de Ensino Superior. Assinado em 2018, o projeto possui o objetivo de contribuir para a criação de um sistema avaliativo da educação em nível superior em São Tomé e Príncipe. O quadro de ações pretende contribuir para a construção de uma base de dados credível para gestores e pesquisadores, bem como oferecimento de capacitação técnica aos agentes do Ministério da Educação Santomense e das Instituições de Ensino.  

Logo da Agência Brasileira de Cooperação

A execução atribui-se ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacional Anísio Teixeira (Inep) e à Agência Brasileira de Cooperação (ABC). De acordo com o Ministério da Educação do Brasil, a missão realizada ocorreu a partir da solicitação do Governo de São Tomé e Príncipe e também será complementada pela elaboração metodológica e normativa conjunta para o monitoramento dos avanços do projeto.

Faz-se relevante observar o cenário santomense no que se refere ao Ensino Superior, onde a primeira Universidade Pública foi instituída em 2014, a partir da reformulação do Instituto Superior Politécnico. Apesar da recente existência deste modelo institucional, a construção de uma estrutura educacional deste estágio da educação no país iniciou a partir de 1998, com o processo de democratização política.

O país também conta com o Instituto Superior de Ciências de Saúde; a Faculdade de Ciências e Tecnologia; e o Centro de Estudo para o Desenvolvimento, que desempenham a atividade de pesquisa em agricultura e alimentação.

Sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Brasília

De acordo com a Visão 2022 de Política e Estratégica para o Ensino Superior e Formação Profissional do Ministério da Educação santomense , um dos principais desafios presentes na sociedade são os profissionais nacionais que buscam aperfeiçoamento no exterior e não retornam para o país. Neste contexto, o Estado compreende a necessidade de estabelecer políticas que garantam uma formação de qualidade dos recursos humanos, de caráter local, e que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade.

O quadro de ações estratégicas divide-se em três metas principais, que abarcam ações específicas visando alcançar o desenvolvimento de um pleno sistema de formação educacional superior: (a) a primeira estratégia corresponde à administração e controle do acesso à educação superior, visando garantir o suprimento das necessidades nacionais de mercado de trabalho; (b) em síntese, a segunda meta refere-se à construção de objetivos de médio e longo prazo, assim como delinear as áreas prioritárias do país nesta matéria – disponibilização de recursos para aprimoramento do sistema de ensino, desenvolver políticas de inserção profissional e parcerias com Instituições estrangeiras; (c) complementarmente, a terceira estratégia está relacionada com a capacitação das instituições nacionais e seus recursos humanos, financeiros e de infraestruturais.

Logo da Universidade Pública de São Tomé e Príncipe

Observa-se que São Tomé e Príncipe busca elaborar meios para aprimorar as suas estruturas educacionais, apesar de seu passado recente de construção e institucionalização das bases de seu programa de Ensino Superior. Por conseguinte, a qualificação dos recursos humanos e o incentivo para o aprimoramento profissional torna-se uma das pautas para o desenvolvimento do país, uma vez que o fenômeno de perda de nacionais capacitados afeta a estrutura produtiva.

De modo complementar, a Cooperação desenvolvida pelo Inep, além de contribuir para o aprofundamento das relações bilaterais com o Brasil, também pode vir a auxiliar no diagnóstico de quais setores devem receber maior incentivo. Este fator está relacionado ao projeto de cooperação e à capacitação dos agentes institucionais de São Tomé no processo de avaliação dos progressos feitos na área educacional, contribuindo para a otimização da agenda de estratégias do Estado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Imagem ilustrativa: sala de aula” (Fonte): https://anup.org.br/site/wp-content/uploads/2018/09/artigo-elisabeth_post-sala-de-aula.png

Imagem 2 Logo da Agência Brasileira de Cooperação” (Fonte): http://www.abc.gov.br/sigap/App_themes/SIGAPSite/imagens/logoABC.png

Imagem 3Sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Brasília” (Fonte): http://portal.inep.gov.br/image/journal/article?img_id=600174&t=1484600774876

Imagem 4Logo da Universidade Pública de São Tomé e Príncipe” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_de_S%C3%A3o_Tom%C3%A9_e_Pr%C3%ADncipe#/media/File:Logotipo_USTP.jpg

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Vice-Presidente do Brasil, Hamilton Mourão, vai à China para recalibrar as relações bilaterais

O Vice-Presidente da República Federativa do Brasil, Hamilton Mourão, partiu no dia 18 de maio (2019) em uma viagem de seis dias à República Popular da China (RPC), visando recalibrar as relações bilaterais entre os dois países. As declarações e a retórica negativa do presidente Jair Bolsonaro enquanto candidato deixaram os chineses preocupados sobre a disposição do Brasil em cooperar. Soma-se a isto a viagem realizada pelo Presidente à Taiwan no mesmo período, que rendeu represálias do Governo chinês.

O vice-presidente Mourão atua em uma situação muito complexa: deve tentar equilibrar as relações com a China, sem ficar totalmente afastado de grupos dentro do Governo que vêem com maus olhos a aproximação com a RPC e buscam um alinhamento aos Estados Unidos (EUA). Mantendo uma perspectiva pragmática, seria possível manter relações estratégicas com ambos os países. Mourão parece compreender estas oportunidades e está realizando um esforço para tal empreendimento. 

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde o ano de 2009, sendo, atualmente, o principal parceiro de 14 dos 26 estados da Federação. Segundo dados publicados pelo Ministério da Indústria, Comércio exterior e Serviços, o ano de 2018 registrou R$ 64,2 bilhões em exportações do Brasil para a China e R$ 34,7 bilhões em importações, apresentando saldo superavitário para os brasileiros.

Localização do Brasil e da China

No período entre 2003-2016 estima-se que a China tenha firmado mais de 180 acordos com o Brasil, tendo consolidado mais de US$ 61 bilhões em investimento estrangeiro direto, aproximadamente, 245,28 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 28 de maio de 2019. Por outro lado, no mesmo período configuraram-se mudanças estruturais na economia brasileira. A participação da indústria na composição do PIB caiu de 18% para cerca de 11%. Ao final da década de 1980, a participação da indústria no PIB chegou a 33%. Neste sentido, é importante debater a dimensão qualitativa do comércio exterior brasileiro.  

As exportações do Brasil para a China foram compostas por 43% de soja, 22% de petróleo bruto e derivados e 17% em minério de ferro e concentrados. Por outro lado, as importações do Brasil foram majoritariamente de produtos manufaturados, incluindo circuitos, componentes eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, aparelhos transmissores ou receptores de energia, entre outros.

Ou seja, identifica-se ser preciso promover o aumento da complexidade econômica do Brasil, necessitando agregar valor aos produtos exportados e isto se faz através da indústria e da produção de tecnologia. Mourão foi categórico ao afirmar queO Brasil não pode ser só uma loja onde a China vai e compra itens. Tem que ser mais do isso. As coisas que vêm do Brasil têm que ter o mesmo valor que as que vêm da China. Estamos na era do conhecimento. A economia do século 21 é a economia do conhecimento, esse é o passo adiante que temos que dar nessa relação”.

Xi Jinping, mandatário da China

Devemos destacar que o mandatário da China, Xi Jinping, encontrou o vice-presidente Mourão pessoalmente. A cultura política chinesa valoriza altamente os gestos e a hierarquia, portanto, sob esta lógica, um Presidente deveria encontrar outro Presidente. O gesto demonstra que a China vê com importância as relações com o Brasil. Nas palavras de Xi: “Ambos os lados devem continuar a ver as oportunidades e a relação de parceria para promover o desenvolvimento mútuo, respeitando um ao outro, confiando um no outro, apoiando um ao outro e construindo as relações Brasil-China em um modelo de solidariedade e cooperação entre países em desenvolvimento”.

Durante este ano (2019), ocorrerão outros dois grandes eventos que podem aumentar as possibilidades de cooperação entre a China e o Brasil: a Décima Primeira Cúpula dos BRICS, sediada em Novembro (2019), no Brasil, e uma visita de Estado à China, planejada pelo Governo de Jair Bolsonaro para o segundo semestre, ainda sem data definida.

Especialistas afirmam que é improvável que ocorram grandes mudanças nas relações bilaterais. O que é mais provável é um relativo distanciamento ou uma relativa aproximação política do Governo Bolsonaro em relação à China, dependendo de como ocorrerem os próximos desenvolvimentos. O acirramento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos, como tem sido visto nas últimas semanas, apresenta uma conjuntura de oportunidades.

Acredita-se que o Governo brasileiro deveria procurar conduzir uma diplomacia triangular, visando à aquisição de tecnologia, o intercâmbio de conhecimentos e a atração de investimentos tanto com os EUA quanto com a China. Entretanto, a administração de Donald Trump tem reduzido a participação global dos Estados Unidos, promovendo posturas nacionalistas. Por outro lado, a China visa promover a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative), um já conhecido plano de investimentos internacionais, abordado em análises anteriores publicadas no CEIRI Newspaper.

Países membros da Belt and Road Initiative

Mourão afirmou que a adesão à Nova Rota da Seda está sendo considerada pelo Brasil e que o país vê com bons olhos a atuação da Huawei e o desenvolvimento da tecnologia 5G, assuntos de extrema importância para a China. Adicionalmente, foi reativada a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Cooperação e Concertação (COSBAN), comissão bilateral entre Vice-Presidentes do Brasil e da China, criada em 2004, e que se encontrava paralisada nos últimos anos.

A quinta reunião da COSBAN ocorreu em Pequim no dia 24 de maio, entre Mourão e o vice-presidente chinês Wang Qishan, discutindo temas como: 1) a participação dos países no BRICS; 2) os fluxos de investimentos existentes entre as duas economias; 3) a exportação da carne brasileira e dos aviões da Embraer para a China. Estas são questões técnico-burocráticas que poderão auxiliar a atuação das empresas brasileiras.

Se a conjuntura de concorrência internacional entre China e Estados Unidos continuar a se acirrar, é possível que os países se vejam obrigados a “escolher lados” como foi necessário na época de intensa disputa geopolítica da Guerra Fria. Entretanto, esta ainda não é uma realidade concreta. Portanto, é preciso que se evitem quaisquer movimentos de alinhamento automático. Mourão parece ser um dos agentes em posição para auxiliar a conduzir o Brasil neste período de múltiplos balanceamentos e relações com diversos atores. Pragmatismo na condução da política externa e o fortalecimento das nossas parcerias comerciais e estratégicas são atributos que o país necessita neste momento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vicepresidente do Brasil, Hamilton Mourão” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/06/Mour%C3%A3o_no_Senado_em_Posse_presidencial_-_2019.jpg

Imagem 2 Localização do Brasil e da China” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_Brasil_e_China#/media/File:Brazil_China_Locator.png

Imagem 3 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ed/Xi_Jinping_2016.jpg

Imagem 4 Países membros da Belt and Road Initiative” (Fonte): https://www.silkroadbriefing.com/news/2019/04/29/2019-belt-road-forum-xi-jinping-actually-said-terms-belt-road-development-china-market-access/

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Gestão de Lenín Moreno no Equador completa dois anos com menor aprovação do período

Lenín Moreno Garcez Boltaire completará em maio de 2019 dois anos como Presidente Constitucional da República do Equador. O aniversário de gestão traz para o mandatário o desafio de reverter o mais baixo índice de aprovação obtido pelo seu governo desde a posse.

Formado em Administração Pública, Lenín empreendeu na área de turismo até iniciar-se na vida pública como gestor governamental, em 1996. Militante político desde os tempos de faculdade, foi eleito em 2006 e reeleito em 2009, nas duas vezes como Vice-Presidente da República, na chapa de Rafael Correa. Declinou de convite para nova reeleição junto com Correa, que se elegeu pela terceira vez, e foi nomeado Delegado sobre Deficiência e Acessibilidade da ONU, onde atuou de 2013 a 2016.

Em 2017 foi eleito Presidente da República, e visto como um símbolo da resistência da esquerda, um dos poucos remanescentes do “Socialismo do Século XXI”, num contexto de ascensão do neoliberalismo no continente. No seu discurso de posse comprometeu-se a combater as desigualdades, erradicar a pobreza extrema e governar para todos, indicando que daria continuidade ao trabalho iniciado dez anos antes por seu antecessor, na chamada Revolução Cidadã.

Considerado um sucessor natural de Rafael Correa, logo tornou-se seu desafeto, inclusive na disputa pelo partido Aliança País, fundado por Correa, mas que terminou em seu poder. No seu primeiro ano de governo exonerou diversos políticos correistas e conduziu uma consulta popular, cujo resultado, dentre outras coisas, impediu que o ex-Presidente pudesse ser candidato novamente. Segundo o jornal brasileiro Estado de Minas, essas medidas foram o suficiente para “sepultar a herança de seu antecessor e ex-aliado, Rafael Correa”.

Em sua gestão buscou desfazer a tensão entre o Governo e os setores da mídia e empresariado, promoveu a reaproximação do seu país com os Estados Unidos, com países da Europa e com instituições financeiras multilaterais. O Equador continuou mantendo laços fortes com nações vizinhas, a exemplo do Peru e da Colômbia, e participando das atividades promovidas por blocos regionais, tais como as rodadas de negócios da Aladi (Expoaladi 2017 e 2018) e da Comunidade Andina de Nações(VI e VII Encuentro Empresarial Andino em 2017 e 2018).

Não obstante, o Governo Moreno afastou-se da Venezuela, com críticas severas ao regime de Nicolás Maduro, e anunciou, em julho de 2018, que iria demandar a devolução do edifício-sede da Unasul em Quito, entidade da qual veio a se retirar em março de 2019. Ainda em julho de 2018 solicitou a  associação à Aliança do Pacífico que, embora seja um bloco regional latino-americano, fora rejeitado por Rafael Correa, que via com suspeição a entidade.

Presidente Moreno se reúne com prefeitos municipais

No período de um ano a aprovação da gestão Moreno caiu de mais de 80% (9 de agosto de 2017) para menos de 45%, em 12 de agosto de 2018. Enquanto atribuía as dificuldades ao legado negativo deixado por Correa diminuía a credibilidade do povo na sua pessoa e o correismo se mobilizava para ressurgir como força oposicionista ao morenismo. Nas eleições regionais de março de 2019, embora não tenha ocupado postos-chaves nas três cidades principais do país, o correismo obteve vitórias que aumentam seu poder de ação.

Dentre os avanços obtidos por Lenín Moreno estão o aumento do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em mais de 126% de 2017 para 2018 e o crescimento do PIB em 1,4%, ou seja, 0,3 ponto acima dos 1,1% estimados pelo próprio Governo e pelo FMI. O que revelam as pesquisas recentes, todavia, é que a aprovação da gestão segue em queda livre, já estando abaixo dos 30%, conforme pesquisas de duas empresas distintas.

Enquanto o FMI projeta uma contração de 0,5%  no PIB do Equador para 2019,  e surgem denúncias de envolvimento de Moreno com empresas em paraísos fiscais, ele se reuniu em 4 de abril de 2019 com os prefeitos municipais recém-eleitospara empreender uma jornada de ampliação dos programas sociais, sobretudo os que atendem os setores mais vulneráveis. A sociedade equatoriana espera que ele cumpra a promessa contida no encerramento de seu discurso de posse em 24 de maio de 2017, de não ter apenas a mão estendida, mas os braços abertos para abraçar a todos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Moreno em entrevista coletiva” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/56549520_2431321956880321_505342179850321920_n.jpg?_nc_cat=110&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=263ac3fa42193f00a5fae695fd64c591&oe=5D3C4AD2

Imagem 2 Presidente Moreno se reúne com prefeitos municipais” (Fonte): https://www.presidencia.gob.ec/wp-content/uploads/2019/04/Reuni%C3%B3n-con-alcaldes-Electos-04042019.jpg

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Peru, Chile e a Guerra do Pisco

O Peru rechaçou com veemência a sugestão chilena de compartilharem a denominação de origem da bebida conhecida como Pisco. A recusa manifestada em março de 2019 veio em resposta a uma proposta de solução de disputa feita em final de fevereiro passado pelo Ministro da Agricultura do Chile ao seu par peruano.

O pisco é uma aguardente de uva produzida nos dois países. No Peru se faz com sete a oito quilos de uva por litro, enquanto o chileno usa cerca de um quilo por garrafa, o que explicaria, segundo os peruanos, a melhor qualidade e preço superior do produto do seu país.

Pisco do Peru

A versão peruana é produzida em cinco regiões, utilizando oito tipos de uvas. Recipientes de metal (aço, cobre) ou de plástico são usados, em lugar de barris de madeira que alterariam o sabor da bebida, que é produzida de modo artesanal até os dias de hoje. A destilação é feita somente uma vez, o que mantém o aroma e sabor mais encorpados e é proibido adicionar água, o que limita a criatividade, mas mantém a qualidade e consistência de um produto natural.

O Chile produz a bebida em apenas duas regiões, mas com quase o dobro (quinze) de castas de uvas. Armazenam em barris de carvalho ou não, pois o hábito é consumir logo após fabricada, em lugar de envelhecida. O processo chileno é realizado, via de regra, em modernas destilarias com uso de tecnologia que preserva o sabor e estilo ao longo do tempo. Destilam a bebida mais de uma vez,  o que retira impurezas, mas também reduz o sabor e o aroma, além de acentuar o teor alcoólico, um problema sanado com a adição de água.

Pisco do Chile

Os peruanos afirmam que a bebida foi inventada por eles no período pré-hispânico. Esclarecem que a palavra “pisco” significa “pássaro” no idioma Quéchua, utilizada pelos incas, e lembram que antes da bebida, na época colonial, já existiam um vale, um rio e uma cidade chamados Pisco. Os chilenos, por sua vez, alegam que a aguardente foi criada pela antiga civilização Aymara, na região do Vale do Elqui. Em 1936, o Presidente do Chile alterou o nome da região para Pisco Elqui, o que os peruanos entendem como uma tentativa dos rivais de validar a denominação de origem.

A confirmação da origem pela via histórica e geográfica torna-se ainda mais complexa porque ambos os países disputam fronteiras desde os anos 1500 e, em 1613, o Peru e o Chile eram partes de um mesmo território dominado pelos espanhóis e conhecido como Vice-Reino do Peru.

Um preparado bastante conhecido é o Pisco Sour, feito com 3 medidas do destilado, uma medida de limão, açúcar, clara de ovo e gelo picado. Desde 2003 os peruanos celebram, no primeiro sábado de fevereiro, o Dia do Pisco Sour, declarado patrimônio cultural. O mesmo decreto que instituiu o Dia determinou que o coquetel substitua o vinho e o espumante nas celebrações realizadas pelo Palácio do Governo, Ministérios e Embaixadas peruanas.

Mas, nem o Pisco Sour escapa da contenda, porque uma versão conta que um americano que emigrou para o Peru e teve um bar em Lima criou o drinque, como uma variação do Whisky Sour. A outra afirma que o aperitivo, que é ligeiramente diferente do rival, nasceu na cidade chilena de Iquique. Apenas o “Pisco Punch” não é motivo de disputa porque é reconhecido que foi inventado no século XIX num bar em San Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos.

A chamada “Guerra do Pisco” se arrasta há anos e tem episódios bastante curiosos. Em um concurso mundial de bebidas alcoólicas, cuja edição 2017 foi sediada no Chile, as destilarias peruanas somente poderiam competir na categoria “aguardente de uva”. Isto porque, de acordo com a lei chilena, o produto peruano tem que ter o nome “Pisco” retirado do rótulo para circular no país vizinho. O Governo do Peru então orientou seus produtores a se retirarem do concurso sob pena de sofrerem sanções, incluindo a possibilidade de perdas das licenças de uso do nome “Pisco” se aceitassem a categorização indicada. Os organizadores da competição sugeriram o uso de “Pisco do Peru” para solucionar o impasse, mas os peruanos decidiram não participar do certame, sob a alegação de estarem sendo tratados como produto de segunda classe. 

De acordo com a Associação de Exportadores (ADEX) do Peru, as exportações do Pisco em 2018 atingiram mais de 9,5 bilhões de dólares (aproximadamente, 35,97 bilhões de reais, conforme a cotação de 22 de março de 2019), sendo que 70% é a soma dos volumes destinados ao seu concorrente Chile (44%) e Estados unidos (26%). A recusa à proposta chilena de compartilhamento da denominação de origem foi objeto de editorial do periódico El Peruano, republicado no website da Adex, e, a julgar pelo tom enfático da manifestação dos peruanos, a “Guerra do Pisco” está longe de terminar. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pisco Sour” (Fonte): https://de.wikipedia.org/wiki/Pisco_(Getr%C3%A4nk)#/media/File:PiscoSour.JPG

Imagem 2 Pisco do Peru” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco_peru.jpg

Imagem 3 Pisco do Chile” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco-bottles-Chile.jpg

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Chile e Colômbia propõem a criação da outra organização para substituir a Unasul

Em 11 de fevereiro de 2019, realizou-se na sede do Ministério das Relações Exteriores do Chile, na capital Santiago,  uma reunião de diplomatas sul-americanos para debater sobre a integração regional. Segundo o periódico chileno La Tercera, este encontro teria como objetivo discutir as bases de um novo arranjo, provisoriamente denominado Prosul, para substituir a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O desejo de criar uma nova instituição de cooperação sul-americana foi anunciado em meados de janeiro de 2019, por Ivan Duque, Presidente da Colômbia, que afirmou à imprensa estar mantendo diálogo com o Presidente do Chile, Sebastián Piñera, e outros mandatários de nações vizinhas com esse objetivo. Duque, que tomou posse em 7 de agosto de 2018 e, no mesmo mês, anunciou a retirada da Colômbia da Unasul, entende que o novo organismo deve ser formado por nações que defendam ideais democráticos, isolando a Venezuela, cujo governo de Nicolás Maduro não foi reconhecido pelo chamado Grupo de Lima desde as últimas eleições.

A Unasul, que comemorou dez anos de fundação em 2018, foi criada em maio de 2008, por sugestão do presidente Hugo Chávez (Venezuela), com o apoio dos presidentes Nestor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Lula (Brasil) e Rafael Correa (Equador). A União chegou a ter doze Estados membros participando ativamente: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Uruguai, Suriname e Venezuela.

Bandeira da Unasul

Uma crise teve início na Unasul quando seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Paraguai e Peru) anunciaram a suspensão temporária de participação em abril de 2018, sob alegação de que o organismo não estava obtendo resultados concretos. Além disso, o colegiado não obteve consenso na indicação de um Secretário-Geral, ainda na gestão do argentino Mauricio Macri, para suceder a Ernesto Samper (Colômbia) e o posto está vago desde 2017.

Em meados de 2018, cerca de três meses depois de Evo Morales (Bolívia) ter assumido a Presidência Pró-Tempore, o presidente Lenín Moreno, do Equador, declarou que iria solicitar a devolução do edifício que sediava a Unasul. Em 10 de janeiro de 2019, o diário equatoriano El Comercio noticiou que o Governo daquele país andino ofereceu um imóvel no centro histórico de Quito para a transferência da organização.

Os defensores da ideia de substituição da Unasul pela Prosul alegam que o antigo órgão é demasiado burocrático e não logrou apresentar resultados pragmáticos, além de ter viés ideológico e estar atualmente sendo manipulado pelo governo do venezuelano Maduro. Em análise publicada na revista argentina Ciudad Nueva, o italiano Alberto Barlocci, professor da Universidade Católica do Norte (Chile) afirma que a União foi criada e ancorada em forte viés ideológico de esquerda que já não é mais compartilhado por diversos Chefes de Estado e Chefes de Governo da região. Barlocci aponta para a necessidade de um projeto de integração mais sólido e alerta que a mera criação de um novo Bloco, com viés de direita não é uma solução e sim o debate em torno dos interesses comuns.

Novo encontro para tratar da criação da futura instituição está sendo planejado pelo Governo do Chile para 22 março de 2019 e se cogita inclusive a presença de Juan Guaidó como representante de Caracas. O diário colombiano El Espectador, no seu Editorial publicado em dia 15 de janeiro de 2019, concorda com as críticas feitas à Unasul, mas reconhece a sua importância e, à semelhança de Barlocci, alerta para o risco de que se adote um viés ideológico de direita que prejudique os reais objetivos integracionistas.  Questionando se não seria o caso de reformar a Unasul, em vez de extingui-la, o El Espectador sugere que se aproveite o legado da entidade  de modo que esta se torne mais útil para o fortalecimento do Bloco sul-americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunião no Ministério das Relações Exteriores do Chile”(Fonte): https://minrel.gob.cl/minrel/site/artic/20190211/imag/foto_0000000220190211185812.png

Imagem 2 Bandeira da Unasul” (Fonte Wikipedia): https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_de_Na%C3%A7%C3%B5es_Sul-Americanas#/media/File:Flag_of_UNASUR.svg

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Chile encabeça a lista dos melhores países da América Latina para fazer negócios

A República do Chile é o melhor país da América Latina para fazer negócios em 2019, de acordo com a lista divulgada em dezembro de 2018 pela Forbes, renomada publicação de economia e negócios dos Estados Unidos. No ranking com total de 161 países, liderado este ano pelo Reino Unido, o Chile aparece em 33º lugar, sendo o primeiro país latino-americano, seguido pela Costa Rica, em 48º, e pelo México, em 54º. 

A classificação tem sido feita nos últimos 13 anos e considera 15 fatores distintos, a saber: direitos de propriedade; inovação; taxas; tecnologia; corrupção; infraestrutura; tamanho do mercado; risco político; qualidade de vida; força de trabalho; liberdade individual; liberdade de comércio; liberdade monetária; burocracia; proteção do investidor.

A Forbes utiliza fontes diversas de informação e, no caso de taxas, proteção do investidor e burocracia os dados têm origem no relatório Doing Business do Banco Mundial. Na classificação geral do Banco Mundial, o México é o primeiro país latino-americano, figurando em 54º, seguido do Chile, em 56º, e da Colômbia, em 65º.

Os fatores liberdade de comércio e liberdade monetária são coletados do Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom em inglês) da Heritage Foundation e os chilenos ocupam a 18ª posição, à frente de todos os demais vizinhos regionais. O quesito liberdade individual (direitos políticos e liberdades civis) vem do Relatório Liberdade no Mundo (Freedom in the World) da Freedom House, no qual os três países latinos com melhor colocação são: Uruguai (9º lugar); Chile (21º) e Costa Rica (38º). 

O Relatório de Competitividade Global (Global Competitiveness Report) do Fórum Econômico Mundial foi a fonte dos indicadores de tecnologia, inovação e infraestrutura, no qualos primeiros países da região são: Chile (33º); México (46º) e Uruguai (53º). Com efeito, o Chile tem se destacado nessa área e vem conseguindo atrair o interesse de grandes investidores internacionais, a exemplo de IBM, Amazon e do Google, que mantém no território chileno, desde 2015, o seu único data center na América Latina.

Presidente Piñera discursa na abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019

O ranking do Índice Internacional de Direitos de Propriedade (International Property Rights Index) da Property Rights Alliance foi utilizado para o quesito direitos de propriedade, no qual a região está liderada por Chile (1º lugar regional e 29º global); Costa Rica (2º; 31º) e Uruguai (3º; 43º). No que se refere à percepção de corrupção, os dados proveem do  Índice da Transparência Internacional e os três melhores desempenhos entre os latino-americanos ficam com Uruguai (23º global), Chile (27º) e Costa Rica (48). 

Em termos de qualidade de vida, as melhores posições da América Latina, baseadas no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, pertencem a Chile (44ª), Argentina (47ª) e Costa Rica (63ª).  Segundo o Mapa de Risco Político de Marsh & McLennan os maiores níveis de estabilidade (risco político) da região estão situados no Chile, Uruguai e Panamá. O tamanho de mercado foi considerado em função do PIB e a força de trabalho calculada com base em dados do Banco Mundial. Outras informações gerais e da economia das nações foram coletadas do CIA’S World Factbook.

De acordo com a lista da Forbes, Chile (33º) e Costa Rica (48º) são os únicos da região entre os primeiros 50 países. No grupo intermediário aparecem México (54), Uruguai (58), Peru (64), Colômbia (67), Brasil (73), Panamá (75), Argentina (76), Guatemala (97) e Equador (99).  No último terço da lista temos El Salvador (101), Paraguai (114), Honduras (120), Bolívia (128), Nicarágua (135) e Venezuela (143).

Entre os dias 15 a 17 de janeiro de 2019, a InvestChile, agência governamental de promoção do país como destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED),  promoveu o 5º Fórum Internacional de Investimentos Chile 2019, com a participação de uma centena de empresas de 21 países e volume de investimentos estimados em mais de 7 bilhões de dólares.

Na cerimônia de abertura do Fórum, o presidente chileno Sebastián Piñera dedicou parte do seu discurso na conferência inaugural à atração de IED, ressaltando, dentre outras coisas, que seu país é estável política e economicamente e afirmou que há um estado de direito sólido, com regras claras e até mesmo vantagens concedidas a investidores estrangeiros que não estão disponíveis para os nacionais. 

Atenta a tais oportunidades de negócios, a TMF Group, uma corporação que se apresenta comouma expert global em negócios locais” e que detém “expertise local e o conhecimento para ajudar empresas” na sua expansão publicou, em 2018,  um artigo intitulado “Considerações culturais ao fazer negócios com o Chile” por meio do  qual orienta potenciais investidores estrangeiros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019” (Fonte): https://investchile.gob.cl/wp-content/uploads/2019/01/sin-tixxtulo-16-de-267.jpg

Imagem 2 Presidente Piñera discursa na abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019” (Fonte): https://investchile.gob.cl/wp-content/uploads/2019/01/sin-tixxtulo-122-de-267.jpg