ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Choque de gerações: mudanças socioculturais na China

A sociedade chinesa vem mudando rapidamente. Além da impressionante trajetória de crescimento econômico e desenvolvimento social que tirou 800 milhões de pessoas da linha de pobreza nas últimas décadas, é extremamente relevante que seja analisada a mudança de comportamentos e hábitos das novas gerações, que passam a dominar o mercado de trabalho e despontam como o futuro da China.

As pessoas que cresceram durante o período da Revolução Cultural, nos anos 1960, têm dificuldade em entender a nova geração de chineses que possuem comportamentos mais individualistas e têm maiores desejos de consumo. Adicionalmente, os jovens estão altamente conectados à cultura ocidental e têm maior consciência acerca dos acontecimentos e notícias internacionais.

Em seu livro China’s Millennials*: The Want Generation (“Os Millennials na China: a geração do querer”), o autor Eric Fish, jornalista e também um Millennial, viveu em território chinês por sete anos e documenta as mudanças comportamentais que vêm ocorrendo no país. Estima-se que existam 400 milhões de Millennials na China e 90% destes possuem o seu próprio smartphone.

Confúcio, filosofo chinês

Por outro lado, pressões oriundas dos valores chineses tradicionais ainda recaem fortemente sobre estes jovens. Nomeadamente, a pressão para que se consiga um casamento com uma pessoa de uma família bem-sucedida é enorme, e a pressão para que os jovens tenham filhos cedo, além de altos salários, são também constantes nas famílias chinesas.

O acesso à educação superior nas instituições mais renomadas do país é extremamente competitivo. O Gaokao, exame nacional de ingresso ao Ensino superior, está crescentemente vinculado com o aumento das taxas de depressão entre jovens. O prestígio associado às carreiras públicas ainda existe, não obstante, os jovens chineses buscam cada vez mais empregos no setor privado e/ou planejam abrir as suas próprias empresas.

Dois terços dos detentores de passaportes na China têm menos de 36 anos de idade. Os millennials chineses estão crescentemente procurando oportunidades de estudo no exterior, uma vez que o renome das universidades norte-americanas e europeias é visto como um diferencial no currículo, sobretudo no nível de pós-graduação.

Imagem de uma millennial de origem asiática

Mesmo considerando as dificuldades e a disparidade de renda entre o meio rural e as grandes cidades da costa leste, existe uma percepção generalizada entre os jovens de que a prosperidade e o bem-estar material estão ao alcance daqueles que se esforçam o suficiente em suas vidas acadêmicas e profissionais.

Vários Millennials vêm de famílias cujos pais não tiveram acesso à educação superior e bons empregos. A geração que alcançou a maioridade nos anos 1960-1980 ocupava majoritariamente empregos de baixa remuneração, na agricultura ou na indústria. Os filhos desta geração, por outro lado, estão crescentemente inseridos em instituições de Ensino superior e mesmo pós-graduação.

O país ainda não se adaptou totalmente a este salto econômico e as consequências disto refletem nas diferenças entre o comportamento dos mais velhos e das novas gerações. A renda per capita de sua população passou de menos de US$ 1,000.00 em 1978 para mais de US$ 8,800.00 ao final de 2017, sendo agora um país de renda média, contando com uma população de mais de 1,4 bilhão de pessoas.

Pirâmide etária da China em 2016

Neste sentido, existe um importante desafio ligado ao envelhecimento dos chineses, pois a população economicamente ativa do país deverá ter uma redução da ordem de 21 milhões de pessoas na próxima década. A China possui atualmente 150 milhões de indivíduos com mais de 65 anos. Seguindo valores confucianos tradicionais encapsulados no conceito de devoção aos pais (do inglês “filial piety”, ou “Xiào” em piniyn, ou mandarim simplificado), caberá aos millennials dedicar os cuidados adequados aos seus genitores.

Um assunto importante reside no tratamento às pessoas LGBT, visto que 94% dos chineses declaradamente LGBT tenha menos de 34 anos de idade. Pesquisas apontam que este grupo é constituído por mais de 70 milhões de indivíduos na China. No entanto, estima-se que apenas 5% destas pessoas sintam-se confortáveis para demonstrar abertamente a sua orientação em ambientes profissionais, com receio de sofrer represálias.

É comum que pessoas LGBT se casem com pessoas do gênero oposto, de modo a agradar à família ou às expectativas sociais. Mesmo assim, existe flagrante progresso em relação à aceitação dos LGBTs se comparado, por exemplo, ao período anterior à abertura e às reformas econômicas iniciadas nos anos 1970. Especialistas apontam que esta tendência deverá continuar crescendo, à medida que as novas gerações atinjam a idade economicamente ativa.

O Partido Comunista da China (PCC) está enfrentando o desafio de adaptação da economia nacional para um modelo mais fortemente pautado pelo consumo, com direcionamento para os setores de tecnologia e serviços qualificados. Será importante observar as mudanças no país nas próximas décadas, à medida que os Millennials assumirem importantes postos de comando político e econômico.

Por fim, será interessante observar a evolução deste processo de transformação dialética entre os valores chineses tradicionais, a tecnologia e o individualismo das gerações contemporâneas. A estabilidade institucional do PCC dependerá, em certa medida, de sua habilidade de navegar neste complexo e dinâmico cenário social, onde os novos profissionais valorizam crescentemente a liberdade e as suas próprias experiências. 

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Nota:

* O termo Millennials é usado para designer a geração de pessoas nascidas entre 1980-2000, que estão alcançando a idade adulta por volta das primeiras décadas do século XXI. Embora o termo não descreva um grupo demográfico preciso, a característica mais marcante desta geração é o contato com o meio digital, visto que estas pessoas cresceram cercadas pelos recentes avanços tecnológicos. Este termo foi criado inicialmente para a realização de análises de mercado, designando um grupo de consumidores. Devemos salientar que existem diversos recortes adicionais que podem ser realizados, considerando a diversidade socioeconômica, étnico-racial, de gênero, de credo religioso entre outros aspectos que contribuem para a diversidade dos Millennials. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem de uma chinesa com um bebê” (Fonte): https://pixabay.com/pt/humanos-idade-jovens-beb%C3%AA-av%C3%B3-721364/

Imagem 2 Confúcio, filosofo chinês” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Konfuzius-1770.jpg

Imagem 3 Imagem de uma millennial de origem asiática” (Fonte): https://www.pexels.com/photo/blur-chairs-earphone-fashion-371163/https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deng_Xiaoping.jpg – /media/File:Deng_Xiaoping.jpg

Imagem 4 Pirâmide etária da China em 2016” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bev%C3%B6lkerungspyramide_China_2016.png#/media/File:Bev%C3%B6lkerungspyramide_China_2016.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

O novo radar da marinha chinesa e a dinâmica securitária no sudeste asiático

No dia 8 de janeiro de 2019, o Governo da China anunciou que cientistas militares do país avançaram no desenvolvimento de um radar Over the Horizon (OTH) compacto e com capacidade para patrulhar uma área equivalente ao território indiano. O projeto se tornou público após Liu Yongtan, pesquisador líder do programa receber o maior prêmio científico da nação asiática pelas mãos do Presidente Xi Jinping. De acordo com Liu, “os equipamentos de vigilância e monitoramento chineses atuais cobrem apenas 20% do nosso território marítimo. Com o novo sistema, poderemos cobrir tudo” 

Conforme destaca Andrew Tate, oficial da reserva da marinha britânica, radares convencionais são limitados pelo horizonte, isto é; pelo ponto no qual a curvatura do planeta impede que as ondas transmitidas naveguem em linha reta. Radares OTH, por outro lado, emitem e captam ondas eletromagnéticas que são refletidas pela ionosfera terrestre e, por conta disso, são capazes de cobrir áreas muito maiores. Em contrapartida, eles consomem vastas quantidades de energia e precisam estar fixados em terrenos abertos e planos.

A inovação do radar OTH produzido pela equipe de Liu Yongtan consiste em seu tamanho compacto, o qual permitirá seu comissionamento em porta-aviões e garantirá a mobilidade necessária para os navios de guerra da China realizarem missões de patrulha em águas azuis. O aumento na demanda por energia das embarcações poderá ser suprido pelo novo gerador de 20-megawatt anunciado pela China Shipbuilding Industries no dia 25 de dezembro de 2018.

Radar OTH posicionado nos Estados Unidos

O anúncio do novo equipamento ocorre em uma conjuntura de acirramento das disputas de soberania no Mar do Sul da China. Nesse contexto, o radar OTH é fundamental para garantir a superioridade informacional das forças militares chinesas no perímetro territorial que o país reivindica. No entanto, é importante notar que a China não é a única a dominar essa tecnologia. Conforme destaca o South China Morning Post, a empresa Raytheon, contratada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, recebeu licença de patente para iniciar o desenvolvimento de equipamento similar em 2016.

No âmbito diplomático, por sua vez, o radar OTH chinês implica um aumento na percepção de ameaça dos países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), bem como um desafio direto para presença naval dos Estados Unidos na região. Essa tensão ficou evidenciada no dia 2 de outubro de 2018, quando uma embarcação chinesa e um destroier estadunidense estiveram próximos de colidir acidentalmente no Mar do Sul da China.   

Xi Jinping, Presidente da China

Desse modo, o desafio que se impõe à política externa da China consiste na conciliação de dois imperativos estratégicos. Em primeiro lugar, sustentar um contínuo processo de aprimoramento tecnológico para que suas forças navais estejam sempre operacionalmente capacitadas para enfrentar a marinha estadunidense em uma eventual crise. Em segundo lugar, garantir um ambiente estável no sudeste asiático, o que requer a manutenção de relações diplomáticas amistosas com países os quais ela possui disputas territoriais em aberto.  

No curto prazo, a conciliação entre os dois objetivos parece plausível em função da interdependência econômica existente na região e pela errática política externa perseguida pelo governo dos EUA nos últimos dois anos. No entanto, no médio prazo, a taxa de crescimento chinês deve desacelerar e a influência política de Trump poderá desaparecer após as eleições presidenciais de 2020.

Neste novo cenário, o radar OTH projetado por Liu será, ao mesmo tempo, um importante componente da estratégia de defesa de Beijing e uma justificativa legítima para o recrudescimento da cooperação militar entre Washington e os demais países que possuem reivindicações territoriais no Mar do Sul da China. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PortaAviões chinês realizando operações no pacífico ocidental” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/rhk111/42032620622

Imagem 2Radar OTH posicionado nos Estados Unidos” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Over-the-horizon_radar#/media/File:ROTHR_USNavy_a.png

Imagem 3Xi Jinping, Presidente da China” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/Xi_Jinping_%282017-07-07%29.jpg/800px-Xi_Jinping_%282017-07-07%29.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Quarenta anos do processo de abertura e reformas na China

(1978-2018)

O ano de 1978 é o marco histórico do início dos processos de abertura e reformas na República Popular da China (RPC). Conduzidas por Deng Xiaoping (mandato de 1978-1989), as reformas rumo ao desenvolvimento tornaram-se um norte na política do país em todos os governos que o sucederam. O ano de 2018 marca os quarenta (40) anos deste processo que pode aportar exemplos de boas práticas em políticas públicas para outras nações emergentes.

Governado pelo Partido Comunista da China (PCC), o país tirou 800 milhões de pessoas da linha de pobreza segundo relatórios do Banco Mundial. Além disto, a renda per capita de sua população passou de menos de US$ 1,000.00* em 1978 para mais de US$ 8,800.00* ao final de 2017, sendo agora um país de renda média, contando com uma população de 1,4 bilhão de pessoas. A RPC representava 3% da economia global quando Deng Xiaoping iniciou o seu mandato e agora o PIB representa 19% do total mundial.

Deng Xiaoping, mandatário da China entre 1978-1989

O seu governo terminou conjuntamente com a Guerra Fria e, naquela conjuntura, o cenário internacional se encontrava em um momento no qual a existência de democracias no campo político, aliadas ao capitalismo liberal no campo econômico, pareciam ter triunfado como os modelos mais adequados para se atingir o desenvolvimento e prosperidade através das nações.

Neste contexto, o filósofo, economista e politólogo nipo-americano Francis Fukuyama declarou sua célebre frase, na qual afirmava que a humanidade havia chegado ao fim da história. Partindo de uma perspectiva considerada pelos analistas como ligeiramente etnocêntrica, vários especialistas vieram prevendo a queda do regime e uma grande crise econômica na China desde o início dos anos 1990. O país deveria obrigatoriamente tornar-se uma democracia ou estaria fadado ao fracasso em seu processo de desenvolvimento.

Entretanto, quase trinta anos depois e uma década após o colapso da economia global em 2008, as democracias liberais enfrentam crises em vários países desenvolvidos através da Europa, da América Latina e até mesmo nos Estados Unidos. Níveis crescentes de desigualdade de renda e patrimônio, bem como a perda de legitimidade dos governantes entre os eleitores vêm apresentando desafios para os regimes democráticos em grande parte do Ocidente.

Pirâmide etária da China em 2016

A China certamente possui problemas a serem resolvidos, incluindo: a desigualdade entre as regiões leste e oeste do país; questões ambientais e de sustentabilidade; problemas demográficos ligados ao envelhecimento de sua população; inflação no setor imobiliário, entre outros. Por isso, tem-se falado internacionalmente que não se trata de defender o regime político chinês, mas observar os exemplos externos de forma pragmática. 

Como já disse o próprio Deng Xiaoping: “Eu não ligo se o gato é preto ou branco, contanto que seja bom em pegar ratos”. O mandatário visava afirmar que mais importante do que ideologias devem ser as preocupações com o desenvolvimento econômico e o espraiamento do bem-estar para a maior parte da população. Neste sentido, busca-se as melhores lições que possam ser apreendidas tanto do modelo de democracias liberais, quanto do modelo de capitalismo de Estado da China.

Deng Xiaoping pautou suas reformas nas quatro grandes modernizações: 1) modernização da agricultura; 2) modernização das Forças Armadas; 3) modernização da indústria; 4) desenvolvimento da ciência e tecnologia.

No campo da agricultura foi promovido maior engajamento e responsabilidade junto aos proprietários rurais, rumo ao objetivo de tornar o país autossuficiente na produção de alimentos. A modernização das Forças Armadas teve como foco a redução da grande burocracia então existente e a adaptação ao uso de equipamentos de maior intensidade tecnológica.

Na questão industrial foram promovidas medidas no sentido de reformar as indústrias pesadas intensivas no uso de capital, modelo herdado da União Soviética, para indústrias leves, intensivas em mão-de-obra, fator de produção que a China possuía em abundância. Além disso, pautou-se pela promoção das exportações, seguindo o modelo trilhado anteriormente por outros países do leste asiático. A China utilizou igualmente a venda de petróleo para adquirir bens de capital e máquinas que possibilitassem a sua modernização, ao invés de usar essas receitas para adquirir bens de consumo.

Na questão de ciência e tecnologia, abriram-se zonas econômicas especiais no sudeste do território chinês, buscando atrair investimentos e integrar o país ao comércio internacional. Além disto, utilizou-se do tamanho do mercado doméstico e do baixo preço da mão-de-obra local como fatores de barganha para facilitar a transferência de tecnologia por parte de empresas estrangeiras que viessem se instalar no seu território. Inicialmente, qualquer empresa que desejasse investir na China deveria obrigatoriamente estabelecer uma joint venture com uma empresa local.

Distribuição setorial das exportações da China no ano de 2014, separadas por setor

Desde então, algumas das políticas utilizadas pelos mandatários que sucederam a Deng Xiaoping podem ser sintetizadas em: 1) grandes investimentos em infraestrutura pela parte do Estado chinês; 2) Investimento em ciência, tecnologia e inovação, de modo a aumentar a sofisticação da sua estrutura produtiva; 3) investimento na educação básica e superior, incluindo intercâmbios universitários no exterior; 4) Proteção às indústrias nascentes e subsídios às empresas chinesas, além de uma política monetária e fiscal que fomentou a competitividade das exportações com elevado conteúdo nacional.

Apesar das particularidades do caso chinês, existem exemplos de práticas neste processo histórico de desenvolvimento econômico que poderiam ser replicados, sobretudo no sentido de incentivar a pesquisa, o desenvolvimento de tecnologia e a inovação. A partir do modelo usado, observa-se que o alto investimento em educação deve ser acompanhado de uma política industrial visando promover indústrias locais e evitar a fuga de cérebros. Além disso, o investimento em infraestrutura de qualidade é essencial. Nestas áreas, é preciso que haja o envolvimento estatal, visto que a expectativa de lucro vem nos médios e longos prazos, o que acaba, por vezes, afastando o capital privado que costuma possuir expectativa de retornos mais imediatos.

A perda de legitimidade de alguns dos regimes democráticos no Ocidente se deve, entre outros aspectos, pelo sentimento de exclusão de grande parte da população local dos benefícios do crescimento econômico das últimas décadas. Nesse sentido, observando a prática até o momento vitoriosa da China, conclui-se também que o emprego de políticas inclusivas que visem fomentar indústrias domésticas e integrar-se à economia global de forma competitiva poderiam auxiliar no aumento da legitimidade dos regimes democráticos. As maiores lições que poderiam ser analisadas neste contexto advêm do pragmatismo e do pensamento de estratégias de longo prazo, no sentido de fomentar a inclusão do povo nos processos de desenvolvimento.

Por fim, a China se encontra em uma encruzilhada no seu processo de (re)ascensão rumo ao topo da economia global. Existem ainda diversas reformas a serem feitas, incluindo a necessidade de promover um modelo de crescimento que seja ambientalmente sustentável. Especialistas apontam ainda que os próximos anos deverão apresentar um crescimento mais moderado no PIB chinês, fator que tende a se agravar no contexto das disputas comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos.

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Nota:

* Aproximadamente, 3.709 reais e 32.640 reis, respectivamente, conforme a cotação de 15 de janeiro de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte): https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 2 Deng Xiaoping, mandatário da China entre 19781989” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deng_Xiaoping.jpg#/media/File:Deng_Xiaoping.jpg

Imagem 3 Pirâmide etária da China em 2016” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bev%C3%B6lkerungspyramide_China_2016.png#/media/File:Bev%C3%B6lkerungspyramide_China_2016.png

Imagem 4 Distribuição setorial das exportações da China no ano de 2014, separadas por setor” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2014_China_Products_Export_Treemap.png#/media/File:2014_China_Products_Export_Treemap.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

O futuro da Família Imperial japonesa

O ano de 2019 será marcado por uma nova Era no Japão: o Imperador Akihito, de 85 anos, abdicará, deixando que seu herdeiro, o Príncipe Naruhito, tome a posição. No dia 30 de abril deste ano (2019) acontecerá a cerimônia de abdicação, enquanto no dia seguinte, 1o de maio, será a transferência do Trono e Joias da Coroa Japonesa*, e possivelmente a escolha do novo nome da Era Imperial, que altera conforme o período de cada Imperador, assim como o início da contagem dos anos conforme o calendário imperial. A coroação em si está marcada para o dia 22 de outubro.

A Era Heisei, iniciada em 1989 quando Akihito assumiu o Trono após o falecimento do Imperador Hirohito, tem o diferencial de terminar com o ex-Imperador vivo: via de regra, a mudança de monarca só ocorria em caso de morte, razão pela qual foi necessário um Projeto de Lei, aprovado pelo Congresso, que permitisse que a abdicação ocorresse.

Não somente a questão legal, mas também o aspecto financeiro e cerimonial do evento foram discutidos entre os congressistas. A ausência de poder político da Família Imperial, conforme consta na Constituição do Japão pós-Segunda Guerra, gerou debates se os ritos anteriores, quando o então Imperador era considerado divino, deveriam ser mantidos, além do financiamento da solenidade ser realizado com dinheiro público – estimados em cerca de 2,7 bilhões de ienes, aproximadamente 2,48 milhões de dólares, ou próximo de 9,23 milhões de reais, conforme a cotação de 10 de janeiro de 2019**.

O custeio causou indignação de alguns grupos religiosos e cidadãos, que, somados em 241 pessoas, entraram com um processo contra o Governo, alegando que, pelo seu forte caráter religioso, a coroação e demais festividades que acompanham a coroação de um novo Imperador (como o Daijosai, festival da colheita, realizado em novembro), são inconstitucionais e pressionam grupos que não seguem o xintoísmo, base dos eventos.

Joias da Coroa Japonesa

Ainda que a manutenção dos ritos tenha permanecido, resta saber se a força simbólica da Família Imperial também seguirá este caminho. A Era Heisei era caracterizada como a “consolidação da paz”, iniciada no ano da queda do Muro de Berlim, 1989. Já o novo período poderá ser marcado pelos novos desafios, como o encolhimento da população, a demanda por mão de obra, a entrada de um alto número de estrangeiros no país, além da realização dos Jogos Olímpicos em Tóquio, e como o simbolismo do Império, já sem influência política, permanecerá relevante.

O sucesso nessa nova conjuntura pode favorecer a popularidade do novo Imperador, entretanto, outro fator pode acarretar na não manutenção da Família: Nahurito não possui herdeiros homens, e, portanto, levanta uma questão importante, que diz respeito à aceitação de herdeiras mulheres ao Trono. Caso essa tradição não seja alterada, o próximo da linhagem seria seu irmão, Príncipe Akishino, que tem duas filhas e um filho.

A Família em si já está passando por uma redução de integrantes, com a saída da Princesa Ayako que se casará com um cidadão comum, seguindo os passos de sua irmã, a Princesa Mako, também casada em 2014, fazendo repensar se a Lei Imperial de 1947, que impede que Princesas continuem integrando a nobreza após um casamento com alguém não nobre. Nesse sentido, conclui-se que a Instituição terá que lidar com novos tempos e novos questionamentos no embate entre a tradição e modernidade.

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Notas:

* São as joias imperiais: a espada santa Kusanagi, a joia santa Yasakani no magatama e o espelho santo Yata no Kagami. Imperadores japoneses não utilizam coroas.

** Conforme conversão em:

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Joias da Coroa Japonesa” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Imperial_Regalia_of_Japan#/media/File:%E4%B8%89%E7%A5%9E%E5%99%A8.png

Imagem 2 Família Imperial” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Imperial_House_of_Japan#/media/File:Emperor_Akihito_and_Empress_Michiko_with_the_Imperial_Family_(November_2013).jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Estratégias e tendências para empresas que queiram vender seus produtos na China

O Instituto McKinsey lançou, em parceria com a Nielsen Holdings, um detalhado relatório sobre estratégias de sucesso para empresas que queiram vender seus produtos na China. As informações foram coletadas através de surveys distribuídos entre as maiores companhias locais e internacionais que atuam nos setores de comércio e varejo, abrangendo o período de 2015-2018.

Os principais resultados encontrados indicam que empresas que possuam uma visão específica acerca do mercado local tiveram maior desempenho de vendas. O uso de dados e de feedback dos consumidores para direcionar as campanhas de marketing online e offline foi outro fator de sucesso. Além disso, as companhias que apresentaram maiores volumes de vendas possuem uma cultura corporativa que estimula e recompensa o desempenho dos seus funcionários.

Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi

Realizando uma análise conjuntural, é possível delinear três (3) macrotendências sobre o mercado consumidor da China:

1) O crescimento da classe média e do poder de compra da população. O país possui atualmente mais de 300 milhões de pessoas na faixa de renda da classe média, visto que 43% da população tem uma renda anual de $16,000.00-$35,000.00 dólares norte-americanos. O relatório projeta que no ano de 2025, 66% da população chinesa ocupará esta faixa de renda. Ou seja, mais de 200 milhões de pessoas deverão ingressar em tal categoria nos próximos sete anos, demonstrando um imenso potencial para empresas que queiram se estabelecer na China.

Estes consumidores buscam crescentemente bens de consumo mais sofisticados, por isso, Companhias que possuam diferenciação qualitativa nos seus produtos terão maiores chances de concorrência. Entre os setores de destaque, apontam-se: bebidas alcoólicas; carne bovina; laticínios e seus derivados; cosméticos e produtos de cuidado pessoal, de um modo geral.  

2) A escolha da localização adequada é um fator muito relevante para as empresas visando atuar no mercado chinês, visto que as cidades possuem grandes disparidades de população e renda. Portanto, uma análise de mercado é necessária antes que seja tomada uma decisão de investimento. A título de ilustração, algumas cidades chinesas possuem um PIB equivalente ao de certos países.

Por exemplo, no ano de 2017 a cidade de Guangzhou possuía um PIB equivalente ao da Argentina e Pequim detinha uma economia do mesmo tamanho da Suíça. Neste mesmo ano, Shanghai possuía um PIB equivalente ao da Holanda, ao passo que Suzhou gerava um PIB equivalente ao da Bélgica. Comparações similares podem ser feitas em dezenas de casos, exacerbando a necessidade de conhecer o mercado nacional antes de decidir onde se instalar.

Infográfico sobre as vendas do dia dos solteiros, a Black Friday da China

3) O crescimento do setor de vendas online é a terceira macrotendência. Os consumidores chineses estão acostumados a comprar utilizando os seus smartphones e o país é atualmente o maior mercado online do mundo, representando vendas anuais de mais de US$ 800 bilhões. O país possuí mais de 800 milhões de pessoas conectadas à internet. Neste sentido, qualquer empresa que ignore tal segmento estará perdendo um grande espaço de expansão e atuação.

É importante que se estabeleça parcerias ou que se realize contratação de profissionais treinados no mercado local, pois o ambiente regulatório na China muda muito rápido. A cada ano o Governo Central costuma alterar detalhes de suas leis, seja no âmbito comercial, ambiental ou mesmo no que diz respeito à regulação do espaço digital. A contratação de profissionais treinados na China é igualmente importante no sentido de mitigar possíveis tensões e ou desentendimentos relativos às diferenças culturais, visto que o país possuí uma cultura milenar e com características muito marcantes e singulares.

Made in China

A China realiza anualmente várias feiras profissionais e comerciais, que representam ótimas oportunidades para se estabelecer contatos e parcerias locais, e, igualmente, para quem possa estar procurando oportunidades neste país de um modo geral. As maiores feiras ocorrem em Pequim, Shanghai, Shenzhen e Hong Kong, normalmente no período da primavera (entre os meses de março e junho).

Por fim, reconhece-se que ingressar na China pode não ser uma tarefa fácil. Não obstante, o potencial de crescimento deste mercado é imenso e existe muita prosperidade sendo gerada para as empresas que tiverem visão estratégica e saibam aproveitar estas oportunidades. Como ressaltou um editorial do New York Times lançado no mês passado: “O Sonho Americano* está vivo, mas agora ele se realiza na China”.

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Nota:

* A expressão Sonho Americano, ou American Dream, é o famoso slogan que apresenta a identidade nacional dos Estados Unidos da América. De modo simplificado, o conceito refere-se ao país como uma terra de oportunidades, onde a mobilidade social é possível através do mérito. Basicamente, refere-se à questão de que se algum indivíduo se esforçar o bastante, ele poderá melhorar a sua condição de vida. O conceito faz uma contraposição às estruturas oligárquicas que existiam nas antigas sociedades, onde o nascimento, o casamento e/ou a herança eram os principais meios de se obter uma melhor qualidade de vida.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte): http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

Imagem 2 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte): https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 3 Infográfico sobre as vendas do dia dos solteiros, a Black Friday da China” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/intelfreepress/15582285358

Imagem 4 “Made in China” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/twicepix/5961333988

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

O crédito social na China: inteligência artificial e big data usados para o controle da sociedade

A República Popular da China (RPC) começou a implantar no ano de 2014 um sistema de crédito social que designa pontos para os seus cidadãos, dependendo do seu comportamento e hábitos. O país pretende concluir a instalação deste programa até o ano de 2020. Alguns dos benefícios que as pessoas de pontuação mais elevada possuirão incluem: descontos para o uso de vários aplicativos; maior facilidade para o acesso à crédito; descontos em passagens de trem e avião; descontos nas contas de luz e água; acesso a internet de maior velocidade.

Xi Jinping, mandatário da China

Por outro lado, os cidadãos com menor pontuação podem ser impedidos de comprar passagens para viajar, além de terem maiores dificuldades para ingressar em boas universidades e empregos promissores. O sistema ainda não é completamente operacional em todas as regiões do país, mas já funciona em algumas cidades. As áreas de teste incluem: Pequim, Tianjin, Jiangsu, Zhejiang, Fujian, Hebei, Guangdong, Ningxia e Chengdu. Existem listas negras” contendo o nome de 9 milhões de cidadãos que não têm demonstrado o conjunto de comportamentos esperados.

Esta experiência política é caracterizada por analista críticos como uma distopia tecnológica que lembra a obra 1984*, de George Orwell. A criação de um sistema nacional de controle desta magnitude foi possibilitada pelo advento de instrumentos como o big data e a inteligência artificial. O Partido Comunista da China (PCC) preocupa-se em manter a estabilidade do regime e sua governança. Para isto, além da manutenção do crescimento econômico e da criação de novos empregos para a população, o Partido está agora implementando esta controversa ferramenta. A aplicação do crédito social funciona através de milhares de câmeras que estão espalhadas pelas grandes cidades, e a redução ou elevação dos pontos ocorre em tempo real.

Congresso do Partido Comunista da China

O sistema estará limitado à China continental, não incluindo Hong Kong e Macau. As empresas do país também receberão pontuação e o regime espera aumentar a sua capacidade de fiscalização e regulação sobre o mercado doméstico. Um ponto positivo seria a redução de práticas como a falsificação e fraudes nos negócios. Por outro lado, o preço a ser pago pela sociedade civil parece demasiadamente elevado, pela perspectiva de valorização da liberdade e privacidade dos indivíduos. Isto poderá provocar conflitos com as camadas mais jovens da população chinesa que crescentemente possuem maior grau de instrução e que, por vezes, discordam das práticas do Partido.

Deve-se fazer uma diferenciação importante: existe um sistema nacional que está sendo implementado pelo governo e também diversos sistemas paralelos que estão sendo implementados por companhias privadas. O crédito social implementado pelas vias governamentais está mais preocupado com a regulação de empresas e indivíduos que tenham infringido a lei. Por outro lado, os sistemas privados podem ir mais longe, abrangendo os hábitos de consumo da população. Neste caso, ações que podem suscitar a perda de pontos de crédito social incluem: comprar bebidas alcoólicas em grande quantidade; fumar em lugares onde não seja permitido; atrasar o pagamento de contas; não respeitar os sinais de trânsito; publicar fake news e/ou conteúdo crítico ao regime. A empresa Alibaba é o maior exemplo na implementação de sistemas privados de crédito social.

Por fim, a motivação implícita é de promover um modelo de cidadania e de comportamento que estejam de acordo com a visão do PCC para a China. Resta o conflito subjacente entre a liberdade individual e a visão de um partido para a coletividade. O PCC afirma que o objetivo é criar uma sociedade baseada na credibilidade e confiança mútuas. Paradoxalmente, as ações empreendidas entram em conflito com esta noção, visto que a vigilância constante não tem sido apontada como o melhor instrumento para estimular a confiança.

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Nota:

* O livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1984) foi publicado no ano de 1949 pelo escritor de origem inglesa Eric Arthur Blair, cujo pseudônimo era George Orwell, e a história gira em torno de um país fictício governado por um regime totalitário no qual o Partido governante viola sistematicamente as liberdades individuais dos seus cidadãos, tais como a liberdade de expressão e pensamento. O termo Big Brother (Grande Irmão), cunhado neste livro, já se tornou referência global para a cultura popular, no que diz respeito ao controle da sociedade por parte de aparatos administrativos e pelo uso da tecnologia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 2 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e2/Xi_Jinping_in_2016.jpg

Imagem 3 Congresso do Partido Comunista da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/18th_National_Congress_of_the_Communist_Party_of_China.jpg