ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

China e Coreia do Sul: a realidade da tecnologia 6G

Atualmente, o noticiário quando a Ásia é o tema foca nos conflitos e disputas entre a China e seus vizinhos, como a Índia, os países do sudeste asiático e os recentes protestos em Hong Kong. Porém, a batalha mais interessante para a população global e para os profissionais de telecomunicações está ocorrendo de forma silenciosa entre chineses e sul-coreanos: a disputa do pioneirismo em apresentar a tecnologia 6G funcional.

Os países do leste asiático como Japão, Taiwan, Coreia do Sul e, nos últimos 15 anos, a China, estão entre os países mais conceituados na área de tecnologia, desde o desenvolvimento até a inovação, bem como a renovação das já existentes. China e Taiwan possuem poderosos polos de fabricação de hardwares que sustentam boa parte do mercado global, e a os sul-coreanos possuem duas empresas que dominam a tecnologia de telas e as exportam para o mundo.

Na década de 1990 e início dos anos 2000, coreanos e chineses deixavam claro que seu objetivo era superar os japoneses em diferentes segmentos, o da tecnologia não foi diferente e, hoje, possuem empresas que superam o vizinho no mercado mundial. Atualmente, o mercado consumidor de tecnologia e entretenimento está recheado de aplicativos, tecnologias, hardwares e outros produtos de origem destas duas potências asiáticas, o que vem incomodando europeus e norte-americanos.

No final do ano de 2019, o Vice-Ministro do Comitê de Fundação Científica da China, Wang Wei, havia anunciado que o país já estava trabalhando no desenvolvimento da tecnologia 6G, mas não deu muitos detalhes, porém, acredita-se que a empresa Huawei, que hoje é líder de mercado com a tecnologia 5G, esteja à frente destes trabalhos. Em maio deste ano (2020), Lei Jun, CEO da chinesa Xiaomi, deixou entusiastas em tecnologia bem animados quando anunciou que a empresa já estava investindo na tecnologia, dando indícios de que as pesquisas existentes no país estão evoluindo positivamente.

Funcionarios da LG Eletrônicos, do KRISS e KAIST, após assinar acordo de parceria tecnológica / Foto: LG/Yonhap – Divulgação

Na península coreana, as maiores empresas da Coreia do Sul, Samsung e LG Eletrônicos, também anunciaram seus trabalhos no desenvolvimento desta nova tecnologia e já deram previsão de que ela poderá ser implantada até o ano de 2030. Executivos da LG, junto ao Instituto de Pesquisa e Ciência da Coreia (KRISS – sigla em inglês) e do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST – Sigla em Inglês), confirmaram o início de sua parceria no desenvolvimento do trabalho, bem como planos de implementação da tecnologia no país até o ano de 2029.

A Samsung já havia anunciado seus trabalhos de pesquisa sobre o sistema 6G em julho deste ano (2020), prometendo apresentar uma consolidada rede e experiência com ela no ano de 2028, e se mostra muito confiante, pois foi a primeira empresa a apresentar o 5G funcional e é pioneira vendendo produtos prontos para uso da mesma.

Tais especulações e anúncios extraoficiais de chineses e coreanos, ainda em 2019, mobilizaram o governo japonês a se posicionar dentro da corrida por futuras patentes da tecnologia 6G. O país tem planos de investir cerca de US$ 2 bilhões (aproximadamente, 11,24 bilhões de reais, conforme cotação do dia 21 de agosto de 2020) na sexta geração de internet e a parceria entre governo, a fabricante Toshiba e a operadora NTT Docomo tem meta estipulada para o ano de 2030, um pouco atrás dos planos ousados dos chineses e sul-coreanos, mas demonstra que o país não ficará para trás de seus vizinhos.

Os anúncios e avanços na pesquisa da internet de sexta geração nos países asiáticos e o crescimento de aplicativos e conteúdo de entretenimento sino-coreano pelo mundo põem em alerta máximo empresas europeias e dos Estados Unidos.

Atualmente, o aplicativo chinês Tik Tok é o mais baixado e acessado no mundo, com seu valor de mercado crescendo e superando o já consolidado Facebook em algumas regiões; aplicativos e jogos mobile, principalmente chineses, crescem a cada dia, superando as demais desenvolvedoras ocidentais. As plataformas de stream como a NETFLIX estão cada vez mais aumentando e investindo em produções asiáticas para seus consumidores, um movimento que perturba produtoras estadunidenses.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intimou a empresa chinesa ByteDance a vender o aplicativo TikTok para empresas do seu país, assim como, em 2019, com a tecnologia 5G consolidada entre empresas chinesas e sul-coreanas, exigiu que os EUA patenteie a tecnologia 6G primeiro. O líder americano põe em pauta a confiabilidade de dados de corporações chinesas dentro do campo do entretenimento e comunicação, porém, não há empresas nativas de seu país que têm conseguido superar as chinesas e outras asiáticas em muitos campos da tecnologia aberta para cidadãos e empresas.

Orçamento do Governo sul-coreano para Pesquisa e Desenvolvimento em 2020 / Fonte: Ministério da Ciência da Coreia do Sul

Fora do campo da tecnologia militar, as corporações ocidentais estão longe de voltar a obter a hegemonia no desenvolvimento, criação e implementação de novas tecnologias. O crescimento de empresas asiáticas e a parceria dos governos do Japão, Coreia do Sul e da China com institutos de pesquisa e empresas locais, novas e consagradas, acelera cada vez mais o caminho para o ciclo de nações no revezamento da liderança tecnológica mundial para o mercado global, provando que estão muito à frente de grandes companhias ocidentais, que já foram dominantes nestes segmentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Antena de transmissão de internet sem fio 4G/5G Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWS” (Fonte):

Imagem de autoria de Fabrício Bomjardim – cedida ao CEIRI NEWS

Imagem 2 Funcionarios da LG Eletrônicos, do KRISS e KAIST, após assinar acordo de parceria tecnológica / Foto: LG/Yonhap Divulgação” (Fonte):

https://en.yna.co.kr/view/AEN20200812009200320?section=search

Imagem 3 Orçamento do Governo sulcoreano para Pesquisa e Desenvolvimento em 2020 / Fonte: Ministério da Ciência da Coreia do Sul” (Fonte):

https://en.yna.co.kr/view/AEN20191231007100320?section=search

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Diplomacia das máscaras: o papel da China no contexto da Covid-19 e os países emergentes

Ao final de dezembro de 2019, o Estado chinês informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre 41 pacientes que estavam sofrendo de uma pneumonia misteriosa. Desde então, a doença se espalhou pelo mundo e a epidemia de coronavírus afetou cerca de 17 milhões de pessoas, causando mais de 669 mil mortes (dados de 31 de julho de 2020). A premissa deste artigo é simples: analisar a mudança e os efeitos da epidemia para a inserção internacional da China. Os dados oficiais afirmam a ocorrência de pouco mais de 84.000 casos e cerca de 4.600 mortes pela Covid-19, um número que se provou extremamente baixo no contexto global*.

Evidências indicam que o Mercado de Frutos do Mar de Huanan, um mercado de animais vivos na cidade de Wuhan, província de Hubei tenha sido o ponto de origem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma Emergência em Saúde Pública em 30 de janeiro e o reconheceu como uma pandemia em 11 de março de 2020. A cidade de Wuhan, que conta com cerca de 11 milhões de habitantes, foi colocada sob bloqueio imposto pelo Estado em 23 de janeiro. Outras cidades na província de Hubei logo seguiram o exemplo, adotando restrições semelhantes. As medidas abrangentes, que afetaram mais de 60 milhões de residentes de Hubei, foram anunciadas em toda a China. 

De modo geral, as medidas para impedir a propagação do vírus incluem restrições de viagem, quarentenas, toque de recolher, fechamento de escolas, controle de riscos no local de trabalho, adiamentos e cancelamentos de eventos e fechamento de instalações. A extensão das medidas depende da capacidade e recursos do país para implementar com sucesso estas políticas. Posteriormente, os diferentes Estados têm aplicados medidas para auxiliar nos efeitos econômicos da crise, como pacotes de auxílio para profissionais desempregados e pacotes de alívio para empresas que estejam enfrentando dificuldades financeiras.

Mapa do mundo demonstrando os casos de coronavírus

Estima-se que esta crise vá ocasionar uma redução no PIB mundial da ordem de 5,2% neste ano (2020). À título de comparação, a crise econômica global de 2008 foi uma crise do setor financeiro que afetou a economia real (setor produtivo, comércio e serviços de um modo geral). Por outro lado, a crise econômica provocada pela Covid-19 é uma crise que começa no setor real da economia, que acaba por afetar também o setor financeiro, à medida que várias empresas são impedidas de continuar as suas atividades e trabalhadores/consumidores ficam em quarentena nas suas casas.

Especialistas afirmam que no campo das ideias e do poder brando, a crise do coronavírus se tornou uma disputa de narrativas, afinal, o poder é fruto de recursos materiais, mas também de narrativas e prestígio. Produziram-se diversas comparações entre a eficiência das democracias e do Estado chinês ao realizar a gestão da crise. Se por um lado houve severas críticas por parte de autoridades estadunidenses de que a China teria dissimulado dados para esconder o início do surto da doença, por outro lado, o país parece ter realizado uma gestão eficiente da crise e vem tentando propagar esta imagem internacionalmente. O vídeo publicado pela agência chinesa Xinhua na plataforma Youtube é um exemplo emblemático.

Neste sentido, vale examinar a diplomacia das máscaras, termo que vem sendo utilizado por certos veículos da mídia internacional para indicar a posição internacional da China em meio a este contexto, ao passo que a China amplia diversas iniciativas de cooperação sul-sul, provendo equipamentos de proteção e de saúde, como máscaras e respiradores, para países que não disponham dos recursos e acesso a estes materiais. Na América do Sul, por exemplo, os vínculos entre a China e países como Argentina e Colômbia vêm se fortalecendo no contexto da crise.

Máscaras utilizadas no combate ao Covid-19

No caso do Brasil, foram realizadas duas importantes medidas de cooperação sul-sul: 1) a iniciativa do governo do Maranhão em negociar diretamente com o gigante asiático para a compra de máscaras e respiradores; 2) a pesquisa realizada entre o Governo do estado de São Paulo, o Instituto Butantã e a empresa chinesa Sinovac Biotech, para o desenvolvimento e testes de uma possível vacina. Além disto, a China forneceu mais de 7,5 milhões de máscaras cirúrgicas visando o enfrentamento da pandemia no Brasil.

Por outro lado, o mundo vê o aumento de tensões raciais e sinofobia, o que sugere que a imagem internacional do país poderá, sim, sair prejudicada ao fim do embate contra a Covid-19. O próprio China Institute of International Relations, um think tank associado ao Conselho de Estado da China, afirmou em relatórios recentes que a imagem internacional do país está tão prejudicada quanto o que ocorrera no contexto das tensões causadas pelos movimentos sociais de 1989.

Como no caso de outras crises, os países de renda média e baixa enfrentam maiores problemas para lidar com as dificuldades econômicas decorrentes, devido à três principais fatores: 1) menor espaço fiscal para a aplicação de medidas de estímulo à economia; 2) fuga de capitais que desestabilizam países em desenvolvimento*; 3) desigualdades regionais e deficiências estruturais de acesso à saúde e recursos, que tornam as populações carentes mais vulneráveis aos riscos da pandemia. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, cerca de 1,6 bilhão de trabalhadores informais perderam 60% de sua renda e 55% da população global não está protegida por qualquer forma de assistência social.

Mapa demonstrando os países desenvolvidos e em desenvolvimento

A crise do coronavírus ressalta a importância da atuação do Estado na economia, através da promoção de políticas públicas de saúde, ciência e tecnologia, que permitem, por exemplo, a pesquisa de vacinas e medicamentos. Além disto, em contextos de crise, pacotes de estímulo econômico mostram-se essenciais, configurando políticas anticíclicas de caráter keynesiano e intervindo para estimular a demanda agregada e a criação de empregos. Adicionalmente, a atual crise reforça a necessidade de promoção de políticas industriais que permitam a redução de vulnerabilidades em países emergentes que não são capazes de produzir máscaras e respiradores em quantidade suficiente.

Pela perspectiva das autoridades chinesas é importante que seja promovida a diplomacia das máscaras, visto que a legitimidade do seu regime reside parcialmente na sua eficiência tecnocrática. Ou seja, é importante promover a imagem da competência do governo chinês em promover o bem público e o desenvolvimento no contexto doméstico e, desde a gestão do mandatário Xi Jinping (2012-2022), também no contexto internacional. É possível que a imagem da China saia muito prejudicada pela crise do coronavírus, mas um fato é quase inevitável: a economia global não poderá se recuperar sem o estímulo provido pelo setor produtivo e pelas exportações chinesas.

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Notas:

* A título de comparação, os países com os maiores números de casos da doença são os Estados Unidos e o Brasil. Os Estados Unidos apresentam 4,59 milhões de casos e mais de 155 mil mortes. O Brasil, por sua vez, apresenta 2,63 milhões de casos e mais de 91 mil mortes.

** A busca pela liquidez é um conceito da economia que define o movimento nos mercados de capitais no qual os investidores retiram o seu dinheiro e destinam essas somas para investimentos considerados de alta segurança e liquidez, normalmente compras de dólares e de títulos da dívida pública dos Estados Unidos. É corriqueiro que os capitais saiam de mercados emergentes em contextos de crise. No Brasil estima-se que tenha havido a retirada de US$ 50,9 bilhões nos últimos 12 meses, aproximadamente, 265,74 bilhões de reais, conforme a cotação de 31 de julho de 2020. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem de uma mulher de origem asiática usando máscara cirúrgica” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/illustrations/coronav%C3%ADrus-china-m%C3%A1scara-m%C3%A9dico-4910360/

Imagem 2 Mapa do mundo demonstrando os casos de coronavírus” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/World_map_of_total_confirmed_COVID-19_deaths_per_million_people_by_country.png

Imagem 3 Máscaras utilizadas no combate ao Covid19” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/photos/face-mask-covid-19-epidemic-5024710/

Imagem 4 Mapa demonstrando os países desenvolvidos e em desenvolvimento” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Developed_and_developing_countries.PNG

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Xi Jinping promete criar um sistema de saúde pública robusto para garantir a estabilidade da China

O Presidente da China, Xi Jinping, prometeu construir um forte sistema de saúde pública, afirmando que é crucial para a estratégia de desenvolvimento e a segurança nacional da China. Xi assumiu o compromisso em um discurso de alto perfil no Grande Salão do Povo, em Pequim, na terça-feira (2 de junho de 2020), em uma reunião a portas fechadas com vários dos principais especialistas em medicina e saúde pública, incluindo o especialista em doenças respiratórias, Zhong Nanshan, informa o jornal South China Morning Post.

Na reunião, Xi se comprometeu a direcionar recursos para criar uma rede de saúde pública que vincule governos centrais e locais, agências de controle e prevenção de doenças, laboratórios, hospitais e institutos de saúde de base, bem como escolas de saúde pública para garantir identificação e respostas rápidas a surtos de novas doenças infecciosas. Também ordenou a persecução de melhor coordenação e disciplina para que as brechas técnicas sejam suprimidas. “A segurança das pessoas é a pedra angular da segurança nacional … Um sistema de prevenção de doenças é … importante para garantir a estabilidade econômica e social”, apontou o Mandatário chinês.

Enfermeira atendendo paciente no Hospital Hubei TCM, em Wuhan

É a declaração mais recente de Xi para mostrar sua liderança na revisão do sistema de saúde da China, após a emergência da pandemia de coronavírus, que matou 380.000 pessoas em todo o mundo (até 5 de junho de 2020).

Xi realizou vários discursos sobre o fortalecimento do sistema de saúde pública, com os detalhes mais recentes sobre as ações tomadas pelo governo. “Um mecanismo de investimento estável no sistema de saúde deve ser estabelecido para melhorar a infraestrutura do sistema de controle e prevenção de doenças”, afirmou o Chefe de Estado chinês. Para Xi, os centros de controle de doenças e hospitais também devem “estabelecer um mecanismo para compartilhar informações, recursos e supervisionar uns aos outros”, enquanto várias escolas de saúde pública de alto nível devem ser estabelecidas para promover a experiência em pesquisa de patógenos, epidemiologia e testes laboratoriais.

Yanzhong Huang, pesquisador sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores, de Washington, observou: “O investimento pós-Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS)* da China em suas capacidades de vigilância e resposta a doenças realmente valeu a pena, como mostra sua capacidade de concluir a sequência do genoma da Covid-19 em um período muito curto. Mais investimentos nessa área ajudariam a corrigir as brechas no sistema de saúde pública.

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Notas:

* A Síndrome Respiratória Aguda Grave, causada pelo vírus Sars-Cov-1, é uma doença identificada pela primeira vez na China, que ocasionou uma pandemia global entre 2002 e 2004, infectando 8.098 pessoas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Xi_Jinping_at_Great_Hall_of_the_People_2016.jpg

Imagem 2 Enfermeira atendendo paciente no Hospital Hubei TCM, em Wuhan”(Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=hospital+wuhan&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:A_nurse_measuring_the_body_temperature_for_outpatients_in_Hubei_TCM_Hospital.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

China abandona meta de crescimento econômico para 2020, devido à pandemia

A China não estabelecerá uma meta de crescimento para 2020, constituindo um acontecimento inédito. O primeiro-ministro Li Keqiang confirmou o fato no Congresso Nacional do Povo, em Pequim, na sexta-feira (22 de maio de 2020). A medida já era esperada por alguns observadores, com a economia se contraindo 6,8% no primeiro trimestre de 2020, sob enorme pressão da pandemia de coronavírus, informa o jornal South China Morning Post.

O relatório de trabalho do Congresso enfatizou: “Não estabelecemos a meta específica do produto interno bruto principalmente devido à pandemia global e às grandes incertezas na economia e no comércio”, acrescentando que a China estava enfrentando uma época “imprevisível”. O governo chinês, no entanto, estabeleceu uma meta de criar 9 milhões de novos empregos urbanos, em comparação com 11 milhões em 2019, e uma taxa de desemprego urbana avaliada em torno de 6%, em comparação com 5,5% em 2019. No ano passado (2019), a China gerou 13,52 milhões de novos empregos urbanos.

Pequim estabeleceu uma cota de títulos especiais de 3,75 trilhões de yuanes (aproximadamente 2,9 trilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 22 de maio de 2020). Emitirá 1 trilhão de yuanes (aproximadamente 775,5 bilhões de reais) em títulos especiais do Tesouro, visando um déficit fiscal de 3,6%.

Rua deserta em Wuhan, durante a quarentena por causa da pandemia de coronavírus, em janeiro de 2020

O relatório de trabalho também frisou: Devemos deixar claro que os esforços para estabilizar o emprego, garantir os padrões de vida, eliminar a pobreza e prevenir e neutralizar os riscos devem ser sustentados pelo crescimento econômico; portanto, garantir um desempenho econômico estável é de importância crucial”.E continuou: “Precisamos perseguir a reforma e a abertura como um meio de estabilizar o emprego, garantir o bem-estar das pessoas, estimular o consumo, energizar o mercado e alcançar um crescimento estável. Precisamos abrir um novo caminho que nos permita responder efetivamente a choques e sustentar um ciclo de crescimento positivo”.

O vírus inicialmente interrompeu grandes setores da economia chinesa, prejudicando as cadeias de suprimentos e as exportações do país. Mas, agora fechou vários dos principais mercados da China, o que significa que a economia está enfrentando uma segunda onda de choque no desaparecimento da demanda por seus produtos no exterior. O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu um crescimento de 1,2% da economia chinesa para 2020, após a paralisia causada pelo coronavírus. Isso seria um mínimo anual histórico, porém ainda é maior do que algumas previsões do setor privado.

Enquanto isso, a inflação ao consumidor disparou durante o segundo semestre de 2019 e no início de 2020, principalmente devido à escassez de carne de porco decorrente de um surto de peste suína africana, que causou a morte de mais de 100 milhões de porcos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) chinês, que é o preço ponderado de uma cesta de mercadorias, subiu 5,2% em fevereiro de 2020, uma alta de oito anos. A taxa de inflação caiu, desde então, para 3,3% em abril de 2020, com os consumidores reduzindo os gastos após a pandemia de coronavírus, enfraquecendo as pressões sobre os preços.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PrimeiroMinistro da China, Li Keqiang, em Pequim” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=Li+Keqiang&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=5hqdtot4dqvil71y67jkmn3o5#%2Fmedia%2FFile%3ALi_Keqiang%2C_Chinese_and_foreign_press_conference.jpg

Imagem 2 Rua deserta em Wuhan, durante a quarentena por causa da pandemia de coronavírus, em janeiro de 2020” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=40&profile=default&search=Wuhan+pandemic&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Huiming_road_,Wuhan_during_2019-nCoV_coronavirus_outbreak.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Panorama para o futuro das relações entre a China e a América Latina

A presença da China na América Latina cresceu significativamente na última década. O país é o principal parceiro comercial da América do Sul e o segundo maior parceiro comercial da América Latina, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados divulgados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a China representa 11% das exportações regionais e 18% das importações. A próxima década será decisiva para as relações entre os chineses e os países latino-americanos. Nesse sentido, é importante compreender o panorama histórico e as perspectivas para o futuro.

O movimento de estabelecimento de relações com a China iniciou no governo de Mao Zedong (1949-1976), logo no princípio da década de 1970. Inicialmente, estabeleceram-se relações com 11 países: Chile, Peru, México, Argentina, Guiana, Jamaica, Trinidad e Tobago, Venezuela, Brasil, Suriname e Barbados. O sucessor de Mao Zedong, Deng Xiaoping (1978-1989), aprofundou esta tendência na década de 1980 executando uma política externa pragmática, e buscando parcerias político-diplomáticas e econômicas que pudessem auxiliar e legitimar a participação chinesa no sistema internacional*.

Mapa demonstrando a divisão entre o Sul Global e o Norte desenvolvido

Começando os anos 1990 houve uma expansão da política externa chinesa para a região, visando à obtenção de recursos naturais para fomentar o seu processo de desenvolvimento econômico. A partir de 1993 a China deixa de ser autossuficiente em matéria de energia e a busca por recursos naturais e alimentos torna-se necessária por questões econômicas e de segurança. Ressalta-se que as relações com a região são enquadradas no âmbito Sul-Sul** e crescem igualmente iniciativas de cooperação científica e tecnológica com diversos países.

Este processo se amplia a partir de 2001, quando a China ingressa oficialmente na Organização Mundial do Comércio (OMC) e lança a sua estratégia Going Global, que visava à expansão das empresas chinesas com o objetivo de garantir o acesso a recursos naturais. O século XXI marca o início de uma estratégia diplomática chinesa que enfatiza três elementos: 1) a ascensão pacífica da China como poder regional e global; 2) o conceito de um mundo multipolar; 3) a visão das Organizações Internacionais como principais instrumentos de política externa da China, sobretudo fora da Ásia.

Corroborando as afirmações anteriores, o país se torna Observador Permanente junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) em maio de 2004. Da mesma forma, a China obteve o status de Observador Permanente na Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), na Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e no Parlamento Latino-Americano (PARLATINO).

Mandatários chinês Xi Jinping participando de uma reunião de Cúpula acerca dos meios de comunicação na América Latina

Em 2015, a China e a Comunidade dos Países Latino-Americanos e Caribenhos criaram o Fórum China-CELAC, um canal de diálogo para promover a cooperação chinesa com a região. Durante a segunda reunião ministerial do Fórum, o país convidou oficialmente a América Latina para juntar-se à Belt and Road Initiative (BRI), também conhecida como a Nova Rota da Seda, a principal iniciativa de política externa do mandatário Xi Jinping.

Adicionalmente, a América Latina vem crescendo como destino para os investimentos estrangeiros diretos (IED) da China. O estoque de IED chinês na região entre 2005-2019 está estimado em US$ 175,52 bilhões (em torno de 913,13 bilhões de reais, conforme cotação do dia 16 de abril de 2020), sendo que os principais setores de destino são: energia (57%); mineração (20%) e transporte e logística (11%), seguidos de diversos segmentos com valores menos expressivos. Com relação à modalidade de entrada do IED, estima-se que 62% seja realizado através de fusões e aquisições. Isto quer dizer objetivamente que a maior parte dos investimentos consistiu na compra de empresas locais e estrangeiras atuando na região.

Analistas apontam que a importância da China para o Sistema internacional continuará a crescer nas próximas décadas. O país emitiu dois White Papers delineando sua política externa para a América Latina, em 2008 e 2016. Isto mostra que o Governo chinês tem uma visão para a cooperação com a região, por outro lado, o contrário não ocorreu. Ou seja, a América Latina não articulou uma visão estratégica conjunta em relação ao aumento da presença chinesa. A conjuntura atual, na qual diversos países da região estão sofrendo crises econômicas, dificulta que tal iniciativa seja realizada.

Imagem demonstrando a composição das exportações chinesas, extraída do Atlas da Complexidade Econômica

Embora a China ainda se considere uma nação em desenvolvimento, o país é hoje a segunda maior economia mundial e já lidera em diversos segmentos da indústria, tendo passado por intenso processo de catching up em sua estrutura produtiva. A América Latina, por outro lado, não passou por um processo tão intenso de industrialização e desenvolvimento. A região é composta por países com economias muito heterogêneas, portanto é difícil falar da região como um todo. Não obstante, ao observar a estrutura produtiva e de exportações da maior economia local, o Brasil, a dicotomia fica clara: percebe-se uma estrutura produtiva menos diversificada e menos sofisticada/industrializada.

Portanto, embora os intercâmbios entre a China e a América Latina ainda sejam conceitualmente relações Sul-Sul, a disparidade de recursos fica evidente. É imperativo que se criem estratégias, planejamentos de longo prazo para a cooperação com a China, que busquem enfatizar a possibilidade de cooperação científica e tecnológica, e o upgrading industrial dos países latino-americanos. Esta é uma tarefa muito complexa, visto que a indústria chinesa compete em vários dos segmentos nos quais a indústria local possui expertise e especialização.

Imagem demonstrando a composição das exportações brasileiras, extraída do Atlas da Complexidade Econômica

Existe espaço e grande potencial para a cooperação com os chineses em áreas como construção de infraestrutura, âmbito no qual a América Latina é notoriamente deficitária e a China possui capital e experiência. A área de energias renováveis é outro exemplo notável para o desenvolvimento da cooperação bilateral nas próximas décadas. É importante salientar a cooperação com Brasil no desenvolvimento aeroespacial, mostrando um exemplo no qual há transferência de tecnologia e ganhos entre ambas as partes.

Entretanto, a conjuntura que está se delineando devido à ameaça global do coronavírus trará imensos desafios para os países latino-americanos, vários do quais já enfrentavam crises econômicas antes da pandemia. Este fator provavelmente prejudicará a capacidade da região de articular estratégias a nível internacional, à medida que as economias locais ficarão mais preocupadas com o seu contexto doméstico. Autoridades projetam uma queda de 2% no PIB global em 2020, evidenciando esta tendência.

A instabilidade econômica poderá acentuar a instabilidade política. Se este cenário se consolidar, deverá aumentar o risco de erosão das instituições em diversas democracias locais. É uma conjuntura que exige extrema cautela e conscientização popular. Uma vez passado o surto epidêmico, é importante que seja reforçada a cooperação internacional como um dos instrumentos capazes de auxiliar no desenvolvimento da América Latina, desde que os países da região saibam articular os seus projetos de desenvolvimento.

É necessário reforçar a promoção de iniciativas que incluam a transferência de conhecimento e tecnologia e o desenvolvimento industrial da América Latina, e não apenas fomentar a venda de empresas e a exportação de bens agrícolas e commodities. Para isto, será necessária a ação de líderes pragmáticos que não realizem alinhamentos automáticos. O futuro da América Latina vai exigir muita diplomacia, políticos competentes e mobilização popular acerca da promoção do desenvolvimento local e a preservação das instituições democráticas.

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Notas:

* Naquele momento o país estava promovendo a sua política de reformas e abertura lançada em 1978, inaugurando uma nova fase na política externa chinesa. Para maiores informações: https://ceiri.news/quarenta-anos-do-processo-de-abertura-e-reformas-na-china/.

** As relações Sul-Sul não dizem respeito necessariamente a países que pertençam ao hemisfério sul do planeta, mas faz referência ao seu estágio de desenvolvimento. O conceito se refere aos países que integram o Sul global e que estão trilhando o seu caminho de desenvolvimento econômico. Por relações Sul-Sul, entende-se que haja uma proximidade entre os recursos de poder das partes, diferentemente do que se estabelece quando um país desenvolvido negocia com um país emergente. Neste caso, refere-se como relação Norte-Sul, onde a disparidade de poder e recursos é maior. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa demonstrando os países da América Latina” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/Latin_America_%28orthographic_projection%29.svg/1024px-Latin_America_%28orthographic_projection%29.svg.png

Imagem 2 Mapa demonstrando a divisão entre o Sul Global e o Norte desenvolvido” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Global_South#/media/File:North_South_divide.svg

Imagem 3 Mandatários chinês Xi Jinping participando de uma reunião de Cúpula acerca dos meios de comunicação na América Latina” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Presidenta_asiste_a_la_inauguraci%C3%B3n_de_la_Cumbre_de_L%C3%ADderes_de_Medios_de_Comunicaci%C3%B3n_China-Am%C3%A9rica_Latina_(31052691622).jpg

Imagem 4 Imagem demonstrando a composição das exportações chinesas, extraída do Atlas da Complexidade Econômica” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ec/2014_China_Products_Export_Treemap.png

Imagem 5 Imagem demonstrando a composição das exportações brasileiras, extraída do Atlas da Complexidade Econômica” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2014_Brazil_Products_Export_Treemap.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Questionamentos sobre a acusação de responsabilidade da China pela pandemia Covid-19

A população mundial está passando por uma fase jamais imaginável, uma quarentena em nível global, por temer um vírus que em poucos meses já se manifestou em todos os continentes. Fábricas tiveram atividades modificadas, eventos sociais, comerciais e esportivos cancelados, o estilo de vida, rotinas de autoridades e cidadãos foram alterados, muitos ficaram completamente parados e a crise hoje instaurada que afeta a saúde pública, bem-estar e economia global fica carente de um culpado, e a China, onde ocorreu o surto inicial, se torna o grande candidato para receber essa responsabilidade.

No noticiário internacional é comum ver personalidades apontando os chineses pela proliferação do vírus. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre outras autoridades, assim como diversas figuras públicas em altos cargos do governo brasileiro, fazem comentários culpando o governo chinês e o povo chinês pelo Covid-19. Alguns concordam e outros discordam dessas acusações, assim como o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e Conselheiro Científico da Casa Branca, Anthony Fauci, porém tais afirmações fizeram crescer o sentimento anti-China, e em algumas regiões o sentimento anti-asiático, trazendo problemas em curto, médio e a longo prazos.

Embora o mundo esteja globalizado e grande parte da população mundial esteja conectada aos meios de comunicação, os seres humanos ainda carecem de informações objetivas e verídicas e de outros meios para criar elos, obter respostas e entender sobre as diversidades culturais, econômicas e os riscos existentes ainda não explorados que envolvam a saúde global. A história prova que apenas em poucos casos ou em casos com extremo grau de periculosidade houve a cooperação.

No ano de 1333, a Europa e Ásia sofreu com a Peste Negra; em 1817 tivemos a Cólera; a Tuberculose manifestou-se com grau de emergência em 1850; a Varíola em 1896; a Gripe Espanhola em 1918; a Febre Amarela e o Sarampo na década de 1960; a Malária e a AIDS mostraram-se de forma emergencial nos anos 1980. Essas foram consideradas grandes epidemias ao longo da história  que mataram vários milhões de pessoas em suas respectivas épocas, e boa parte delas estavam ligadas ao estilo de vida humano, sua higiene e alguma espécie de animal envolvida na sua origem ou propagação.

Desde e década de 1960 o coronavírus esteve presente nos livros de medicina: HcoV-229E (1960), SARS-CoV (2002), HcoV-OC43 (2004), HcoV-NL63 (2004), HcoV-HKU1 (2005), MERS-CoV (2012) e o causador da COVID-19, SARS-CoV-2 (2019). Todos eles afetaram os seres humanos, diferenciando de algum animal, Alpaca, Morcego, Cobras e carne bovina, como ponte para o contágio humano, que são fontes de alimento para certas populações no mundo.

No livro: Spillover: Animal Infections and the Next Human Pandemic (2012-2013), o autor David Quammen viajou o mundo entrevistando dezenas de cientistas sobre zoonoses que viraram doenças humanas e, não apenas ele, mas muitos chegam à conclusão de que a intervenção humana nos habitats mais antigos de certas espécies resulta no surgimento de algum tipo de doença causada por vírus e bactérias, entre outros agentes causadores.

Os morcegos são tidos como os principais reservatórios para vírus potencialmente prejudiciais aos humanos, e a interação de humanos e animais propicia o salto desses agentes, indo dos animais para as pessoas, facilitando, assim, a gama de novos hospedeiros para ele. Segundo o virologista Paulo Brandão, expert em coronavírus entrevistado pela coluna de saúde da Editora Abril, estuda-se a hipótese de o vírus ir adentrando em contato com os humanos e criando estratégias para fazer o salto; e também outra hipótese baseada no salto através de um morcego que já estava contaminado com diversos tipos de coronavírus.

Teste NAT realizada por especialistas em Shanghai

Foi comprovado por estudos de cientistas estadunidenses, ingleses e australianos que o SARS-CoV-2 foi originado naturalmente por seleção natural e não foi criado em laboratório, porém, mesmo com todos os registros históricos existentes e estudos sobre a origem, ainda há especulações de que os chineses manipularam o COVID-19 objetivando vantagens econômicas.

A partir do momento em que se tem informações concretas sobre vírus e bactérias prejudiciais à espécie humana, teorias da conspiração, especulações e acusações sobre culpados por doenças como o novo coronavírus confirmam apenas a interpretação de que o mundo ainda não está preparado para cooperação por um bem comum e agentes e líderes mundiais continuam como em séculos anteriores, agindo de forma pragmática, voltados para seus próprios interesses e passando a responsabilidade de males comuns ao próximo.

Analistas têm apontado que com tantos registros sobre a família do coronavírus, pouco tem sido informado sobre estudos conjuntos para prevenção e medidas de urgência no caso de ele se tornar um risco universal. Alguns especialistas culpam governos por investirem em tecnologias bélicas se preparando para uma possível guerra futura e pouco investido na cooperação para melhoria da vida humana e da economia como um todo.

Nesse sentido, acompanhando tais observações, o Covid-19 tem sido visto como um indicativo de que o mundo está despreparado para epidemias globais, mesmo após milhões de pessoas terem morrido em épocas mais remotas, que eram carentes de tecnologia como temos na atualidade.

O vírus surgiu no sul da China, região com concentração enorme de pessoas por metro quadrado e onde muitas se espalham pelo sul e sudeste asiático e, mesmo após ver as medidas de quarentena e construção de centros para tratamento da epidemia em velocidades espantosas, os líderes mundiais demoraram para tomar atitudes e criar plano de ação para o combate da pandemia. Hoje, há uma Europa com números superiores aos dos chineses em novos casos e, conforme tem sido apontado pela mídia e por observadores internacionais, países do continente americano não deram devida atenção ao risco, criando planos emergenciais de forma tardia.

O noticiário mais recente está baseado em discussões de importantes autoridades, como o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com acusações mútuas sobre problema no país e com discordância sobre o vírus fora dos EUA. O discurso do líder estadunidense e dos líderes brasileiros convergem em relação a acusações contra Beijing, trazendo o risco apontado por economistas e analistas políticos de que tais argumentos podem pôr em xeque as relações comerciais e diplomáticas entre as nações e as grandes potências econômicas mundiais, gerando tensões que podem abalar o mundo e não apenas os envolvidos.

Em contrapartida, há notícias, de certa forma positiva na Ásia, de médicos, cientistas e autoridades focadas em combater o problema. O governo chinês elogiou oficialmente médicos japoneses pelo desenvolvimento de medicamento contra gripe, o Faviparavir, que, na prática, acelerou na recuperação de pacientes com o Covid-19, e pode-se ver claramente uma mobilização social de apoio entre os povos asiáticos no combate ao forte surto de preconceito contra orientais pelo mundo.

Empresas chinesas retomam, aos poucos, suas atividades

Com a atual pandemia, observam-se pequenos traços de mobilização para cooperação em combate ao vírus, além de medidas de quarentena e cuidados internos de cada país. Nesse sentido, de forma positiva, ressalta-se que Britânicos e chineses vão apoiar a Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao Covid-19, bem como líderes da França e da China estão estudando a cooperação multilateral para controle dessa pandemia e prevenção contra possíveis ameaças futuras à saúde global.

Acompanhando as notícias asiáticas, é vista forte mobilização de equipes da China no sul e sudeste asiático, principalmente em regiões mais carentes, como o Camboja, e uma maior comunicação entre profissionais da saúde entre coreanos, chineses e japoneses por um bem comum. Além da atuação forte com seus vizinhos, doações de suprimentos médicos chineses chegam à América Latina para auxiliar os agentes locais no combate a epidemia no continente.

Especialistas têm aconselhado que é necessário avaliar as ações e postura do país onde ocorreu o surto inicial do Covid-19, antes de se especular sobre manipulação de informações gerando teorias da conspiração. De fato, a velocidade de construção de estruturas para combater a pandemia dentro da China foi significativa e é pouco provável que outra nação as criasse na mesma velocidade. Da mesma forma, afirmam esses observadores que foi satisfatória a atenção dada aos países vizinhos, após finalizar as medidas de combate interno do vírus.

Aponta-se que tanto para os principais parceiros quanto para pequenos países regionais, foi tomada uma posição e executada uma ação para ajudar no combate ao coronavírus, não deixando os chineses alertas apenas para o seu território, mas indo além de suas fronteiras. Alguns poderão entender tais medidas como forma de proteger as fontes de seus recursos econômicos, ou uma forma de assumir a responsabilidade pelo surto inicial da doença, mas, conforme tem sido apontado, a história prova que não há como culpar apenas uma nação por um risco que envolve toda a humanidade.

Perante o atual cenário econômico global, e com todo o avanço tecnológico, os intérpretes da história que vem se manifestando na mídia pelo mundo começam a convergir para a conclusão de que os líderes globais ainda não aprenderam o significado da palavra Cooperação Internacional, bem como a utilizar os recursos existentes para o bem-estar global. Em uma era onde a população pensa em obter conforto e sobreviver de forma saudável e sustentável, a economia ainda divide sua importância com a diplomacia pragmática, fixada em possíveis conflitos bélicos entre nações e não contra riscos reais contra o mundo, e o Covid-19 expôs, além do preconceito entre as pessoas e culturas, o quão é difícil cooperar mesmo em meio a crises.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Equipe de Médicos Chineses em Hunam” (Fonte): http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/23/c_138906062_2.htm

Imagem 2 Teste NAT realizada por especialistas em Shanghai” (Fonte): http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/24/c_138910095_4.htm

Imagem 3 Empresas chinesas retomam, aos poucos, suas atividades” (Fonte): http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/21/c_138901588_2.htm