ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

China e a geopolítica da energia no século XXI

A geopolítica consiste na disputa pela influência sobre o espaço geográfico e os seus recursos, conectando estes fatores à objetivos políticos e ao interesse nacional. Cada mudança no padrão produtivo da economia no mundo capitalista engendra novos padrões técnicos, que, por sua vez, demandam aumento da eficiência e mudança no padrão energético. Cabe pensar no uso de tecnologias a vapor e carvão nos séculos XVIII e XIX, passando para o uso do petróleo a partir do final do século XIX e, posteriormente, as energias provenientes de fontes nucleares e de recursos renováveis, a partir da segunda metade do século XX.

Consumo de energia na China de 1980-2009

O acesso aos recursos energéticos é um fator essencial para a manutenção das atividades econômicas de uma nação. Isto é ainda mais significativo para a China, visto que o país enfrenta o desafio de manutenção da taxa de crescimento de sua economia, que provê estabilidade ao regime do Partido Comunista. Este vínculo entre a coesão política e o desenvolvimento econômico consiste em um pacto nacional estabelecido por Deng Xiaoping (mandato de 1978-1989) e reforçado após os protestos da Praça da Paz Celestial (Tiannamen), no ano de 1989.

A China deixou de ser autossuficiente na produção de energia no período entre 1993-1997, momento a partir do qual o acesso aos hidrocarbonetos provenientes da Rússia, da Ásia Central e do Oriente Médio se tornaram pontos cada vez mais importantes para a condução de suas relações exteriores. Esta é uma das razões pelas quais o país está capitaneando um extensivo plano de integração para a região da Eurásia, conhecido como a Nova Rota da Seda, ou Belt and Road Initiative, assunto já abordado no CEIRI NEWSPAPER em notas previamente publicadas.

No momento, cerca de 80% do petróleo que chega até a China passa pelo estreito de Malacca (Malásia), localizado no sudeste asiático, que realiza a conexão entre os Oceanos Índico e Pacífico. Este estreito pode ser facilmente bloqueado por forças navais, o que consiste em uma relevante preocupação no âmbito da Grande Estratégia chinesa.

África e Eurásia

Devido à natureza do seu regime político e da união entre Estado e Mercado, as grandes empresas do país atuam de modo a contribuir para a sua estratégia de longo prazo. A diversificação das fontes e o acesso por vias terrestres aos hidrocarbonetos provenientes da Eurásia são fatores extremamente relevantes para a segurança energética da nação. Neste sentido, a projeção dos investimentos das empresas chinesas nos mais variados mercados pode ser vista como um dos instrumentos para a efetivação deste processo.

Indo além, o uso do gás derivado do mineral de xisto é um importante vetor de mudanças no cenário global de energia, conforme delineado por Joseph Nye em um recente artigo. A geração de energia através deste recurso está reduzindo significativamente a dependência externa dos Estados Unidos (EUA) sobre o petróleo, e a China é atualmente o terceiro maior produtor de gás de xisto, estando atrás apenas dos EUA e do Canadá.  Nesse sentido, a produção de energia a partir do xisto poderá reduzir a sua vulnerabilidade nesta área.

No que diz respeito à geração de energia renovável, o país está avançando a largos passos. A China investe um montante superior ao da União Europeia em tecnologias verdes. Adicionalmente, já representa 25% da produção global de energias advindas de fontes renováveis. Para o período de 2016-2020, o país pretende reduzir suas emissões de carbono e outros poluentes em 18%, seguindo seu compromisso com o Acordo de Paris*. Cabe mencionar que que o custo da produção de energia eólica e solar caiu em 70% desde o ano de 2010 e existem previsões de que 40% da produção global será advinda de recursos renováveis até o ano de 2040.

Produção de energia solar

Mesmo após todas estas considerações, cabe mencionar que quase dois terços da produção de energia na China ainda é proveniente do carvão, um desafio para o futuro, devido ao grande fator poluente deste recurso e o seu consequente impacto ambiental e social. Acrescente-se ainda que previsões apontam que até o ano de 2035, mais de 85% do crescimento no consumo de energia será advindo do eixo Indo-Pacífico.

Por fim, à medida que emergem movimentos políticos nacionalistas em diversas regiões e estes pressionam seus governos por posições de cunho protecionista, a China desponta como um porta-voz do globalismo e de uma visão cooperativa (win-win) para a estruturação da ordem mundial. Seguindo tal lógica, o vácuo de poder provocado por uma postura nacionalista dos EUA poderá ser preenchido pela crescente presença chinesa e isto poderá se consolidar igualmente no que diz respeito à geopolítica energética.

A concretização da liderança chinesa no plano da energia dependerá de sua capacidade de reduzir a utilização de fontes poluentes, tais como o carvão. Além disso, é imprescindível que a China continue a defender o Acordo de Paris e procure estimular os investimentos na área de recursos renováveis, tais como a geração de energia solar e eólica. Deste modo, o país poderia fortalecer a percepção do seu protagonismo na construção da agenda global no tocante ao desenvolvimento sustentável e respeito ao meio ambiente.

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Notas:

* O Acordo de Paris visa lidar com a redução e a adaptação da emissão de gases que contribuem para o aquecimento global. Espera-se que o Acordo entre em vigência no ano de 2020. Até o presente, 194 países assinaram-no, sendo que 133 deles já o ratificaram no âmbito de suas jurisdições internas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Usina eólica em Xinjiang (China)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e0/Wind_power_plants_in_Xinjiang%2C_China.jpg

Imagem 2Consumo de energia na China de 19802009” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/China-primary-energy-ej-2009v1.svg/1280px-China-primary-energy-ej-2009v1.svg.png

Imagem 3África e Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c1/Afro-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg/2000px-Afro-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg.png

Imagem 4Produção de energia solar” (Fonte):

https://cdn.pixabay.com/photo/2015/08/03/01/26/solar-872804_960_720.j

                                                            

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Desafios da Ascensão Chinesa na Era Trump

A dinâmica política internacional do ano de 2017 foi marcada pela consolidação da República Popular da China enquanto nação disposta a liderar economicamente a globalização contemporânea. Embora ainda seja cedo para avaliar o sucesso da estratégia chinesa, considera-se que a solidificação da autoridade do Presidente Xi Jinping durante 19º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), a aproximação diplomática com a Rússia de Vladmir Putin, bem como a realização dos investimentos em infraestrutura previstos na Iniciativa do Cinturão e da Rota indicam que o futuro do sistema internacional será cada vez mais influenciado por decisões políticas tomadas em Beijing. Além disso, essa tendência foi reforçada pela orientação isolacionista assumida pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu primeiro ano de mandato.

A ascensão chinesa é objeto de controvérsia entre os analistas das Relações Internacionais há pelo menos duas décadas. Após o término das especulações sobre a unipolaridade estadunidense e o “Fim da História derivados do colapso da União Soviética em 1991, as elevadas taxas de crescimento econômico da nação asiática se tornaram o principal elemento perturbador do status quo da política internacional.

Presidente da Rússia, Vladmir Putin, e o Presidente da China, Xi Jinping

Apesar disso, a perspectiva de uma “China Grande Potência” foi percebida com ceticismo por especialistas ocidentais. Economicamente, argumentava-se que o PCC seria incapaz de sustentar o desenvolvimento das forças produtivas do país em um contexto de forte controle estatal na economia. No âmbito estratégico, por sua vez, destacava-se a falta de legitimidade de um sistema político não fundamentado no modelo de democracia liberal, bem como o contexto regional conflituoso do sudeste asiático como fatores que limitariam a influência internacional chinesa.   

No entanto, passados 29 anos desde o início das reformas estruturais de Deng Xiaoping, a centralidade da China no sistema internacional deixou de ser uma probabilidade futura para ser uma realidade presente. Em outras palavras, conforme destacou Dominic Ziegler em artigo no periódico britânico The Economist: “A China está indisputavelmente de volta. Ela quer e merece um papel de destaque não só na Ásia, mas também na ordem global”.    

Considera-se que a ascensão chinesa pode ser explicitada a partir de três dimensões. Primeiro, do ponto de vista econômico, o país asiático foi capaz de orientar a transformação estrutural de seu sistema produtivo para atividades de alta tecnologia e, consequentemente, assegurar a continuidade das altas taxas de crescimento até o momento. Segundo, Beijing está utilizando seus recursos econômicos como instrumento para forjar parcerias e alianças em todos os continentes. Nesse sentido, a atração da China deriva não só da densidade de seu comércio internacional, mas também por sua disposição em exportar capital produtivo de longo prazo para países em desenvolvimento. Por fim, destaca-se o sucesso da modernização das Forças Armadas chinesas, especialmente no que tange a manutenção de sua capacidade de retaliação nuclear e ao desenvolvimento de uma Marinha preparada para impedir a penetração e movimentação de embarcações inimigas próximas ao seu território. 

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, e Salman bin Abdulaziz Al Saud, Monarca da Arábia Saudita

Mediante isso, é fundamental ressaltar que o aumento da influência da China na política internacional é catalisado por dois elementos alheios ao controle de Beijing: a crescente instabilidade social nos Estados Unidos e o comportamento errático da política externa norte-americana na última década. Em relação ao âmbito doméstico, as causas e os resultados da Crise de 2008 explicitaram as contradições de um sistema econômico capturado pelos interesses de um setor financeiro cada vez mais poderoso. Ou seja, embora a economia estadunidense tenha sido capaz de superar a recessão, são crescentes os indicadores de concentração de renda, bem como de pauperização de boa parte da população. Nesse contexto de acirramento do conflito distributivo, exacerbam-se também tensões ideológicas e raciais históricas, as quais mitigam a coesão interna e a possibilidade de formação de projetos estratégicos nacionais de longo prazo.  

Do ponto de vista externo, a incapacidade estadunidenses de promover um grau mínimo de estabilidade no Oriente Médio após sucessivas intervenções militares colocaram em cheque o perfil da liderança do país no sistema internacional contemporâneo. Nesse sentido, a postura isolacionista do atual presidente Donald Trump, exemplificada recentemente pela retirada dos Estados Unidos do Acordo Transpacífico e pelo reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel apenas reforçaram essa tendência. Por fim, nota-se que o desinteresse por parte de Washington em construir bases mínimas de coexistência com Moscou serviu para aproximar a Rússia de Vladmir Putin da China de Xi Jinping

Por conta disso, é plausível que a dinâmica de fortalecimento chinês e enfraquecimento estadunidense seja o plano de fundo no qual as tensões e conflitos regionais específicos ocorrerão no próximo ano (2018). Conjunturalmente, indica-se que tal rivalidade se manifestará de maneira acentuada na interação entre a estratégia de internacionalização da moeda chinesa (Yuan) e os esforços perseguidos pelos Estados Unidos para manter o dólar como meio de troca dominante no sistema monetário internacional. Nesse cenário, a postura da Arábia Saudita será elemento definidor. Caso a China seja capaz de convencer a monarquia islâmica a comercializar sua produção de petróleo também em Yuan, o pilar financeiro da hegemonia norte-americana estará seriamente ameaçado. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 118o Congresso do Partido Comunista da China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Communist_Party_of_China#/media/File:18th_National_Congress_of_the_Communist_Party_of_China.jpg

Imagem 2Forças Armadas chinesas durante parada militar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/People%27s_Liberation_Army#/media/File

Imagem 3Presidente da Rússia, Vladmir Putin, e o Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/50228

Imagem 4Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, e Salman bin Abdulaziz Al Saud, Monarca da Arábia Saudita” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Donald_Trump_and_King_Salman_bin_Abdulaziz_Al_Saud_sign_a_Joint_Strategic_Vision_Statement,_May_2017.jpg

ÁFRICAAMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A cooperação Sul-Sul rumo aos 40 anos

2018 será um ano importante para o desenvolvimento de parcerias de cooperação Sul-Sul. Será celebrado os 40 anos da Conferência sobre Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento de 1978 (BAPA+40), que contou com a participação de 138 Estados e resultou na adoção do Plano de Ação de Buenos Aires, que visava promover e implementar a cooperação para o desenvolvimento entre países do Sul global. Simbolicamente, trata-se do primeiro esforço coletivo de discussão e desenho de programas e projetos de cooperação técnica entre países em desenvolvimento.

GSSD Expo 2017

Dois eventos já foram programados com a finalidade de congregar atores para pensarem o futuro das parcerias para o desenvolvimento: o Fórum de Alto Nível sobre Cooperação para o Desenvolvimento, em 2018; e a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Cooperação Sul-Sul, em 2019.

O último evento citado ocorrerá na Argentina, justamente no mesmo lugar onde foi assinado o Plano de Ação de Buenos Aires, em 1978. Ele será um marco para celebrar as conquistas alcançadas até o momento, dentre elas o papel do plano de ação para fortalecer a parceria entre as Nações Unidas e os países em desenvolvimento no contexto da Cooperação Sul-Sul.

Ao longo deste ano (2017), houve encontros multilaterais importantes para a concretização da agenda BAPA+40. O primeiro deles ocorreu entre os dias 6 a 8 de setembro (2017), o simpósio preparatório para o Fórum Argentino de Alto Nível sobre Cooperação para o Desenvolvimento. O acontecimento foi organizado pelo Governo do país e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA). Além de debater a Agenda 2030, o momento serviu também para reflexões acerca dos 40 anos do Plano de Ação de Buenos Aires.

O simpósio contou com a participação de 120 especialistas de diversos países desenvolvidos e em desenvolvimento, desde representantes de Governos nacionais a pessoas que atuam em organismos internacionais, na sociedade civil e no setor privado. Ao longo do evento, foram realizadas atividades como painéis de discussão e oficinas técnicas.

Outro momento marcante foi a Exposição Global sobre Desenvolvimento Sul-Sul (GSSD, sigla em inglês), que ocorreu entre os dias 27 e 30 de novembro, em Antália, na Turquia. O tema deste ano focou no estado da Cooperação Sul-Sul na era de transformações econômicas, sociais e ambientais. Para tanto, foram promovidas discussões sobre formas de facilitar a criação de novas parcerias, tanto bilaterais quanto trilaterais, com vistas a dar concretude as Agendas 2030 por meio de ações “do Sul para o Sul”.

Recebendo a participação de representantes de 120 países, foram também objetivos do GSSD dar visibilidade a práticas e iniciativas relevantes que estão sendo implementadas, assim como canalizar esforços para criação de uma rede de stakeholders*, envolvendo sociedade civil e organizações internacionais.

Para alguns dos países protagonistas nas agendas de cooperação, 2017 também foi um ano cheio de novidades. Um exemplo foi o Brasil, que, neste ano, sua Agência Brasileira de Cooperação (ABC) completou 30 anos de existência. Desde sua criação, em 1987, a ABC atua na coordenação, negociação e supervisão de programas e projetos de cooperação técnica em vias de negociação, ou implementados junto a parceiros nos âmbitos bilateral, regional e multilateral. Já foram executados cerca de 3.000 projetos em 108 países presentes no Sul global (África, América Latina, Ásia e Oceania).

Agência Brasileira de Cooperação

Em artigo publicado na imprensa brasileira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, destacou que a ABC foi a primeira agência de cooperação criada por um país em desenvolvimento e que seus projetos e programas de cooperação técnica na África melhoram as condições de vida das populações locais e ainda servem para melhorar a imagem do Brasil no exterior, de modo a ser importante instrumento da política externa brasileira. 

Ademais, como forma de encontrar meios para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas e driblar a crise econômico-financeira que o país enfrenta, a ABC se dispôs, por meio do lançamento do manual de “Diretrizes Gerais para a Concepção, Coordenação e Supervisão de iniciativas de Cooperação Técnica Trilateral”, a fornecer orientações gerais que facilitem e fortaleçam a implementação e a gestão de projetos e programas de cooperação técnica desenvolvidos na modalidade Trilateral, que são os programas e projetos desenvolvidos ou pelo Brasil e dois países em desenvolvimento; ou pelo Brasil, um país em desenvolvimento e um desenvolvido; ou pelo Brasil, um país em desenvolvimento e uma organização internacional. 

2018 reserva bons momentos de revisão para os próximos passos da cooperação internacional entre países em desenvolvimento. Os 40 anos desde o primeiro grande marco mostram que a proposta amadureceu, ganhou corpo, parceiros e adeptos, que a executam de diversas formas, sejam os chineses, brasileiros e indianos. Trata-se de uma experiência multifacetada, porém respaldada pelo interesse em compartilhar boas práticas e recursos com vistas a consecução de objetivos para o desenvolvimento.

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Nota:

* Stakeholders é um termo empregado pela própria ONU, referindo-se às principais organizações e atores interessados e impactados diretamente pelo trabalho desenvolvido pela Organização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio de San Martín, onde ocorrerá o evento da Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Cooperação SulSul, em 2019 ” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/San_Mart%C3%ADn_Palace

Imagem 2 GSSD Expo 2017” (Fonte):

http://www.expo.unsouthsouth.org/2017-antalya/

Imagem 3 Agência Brasileira de Cooperação” (Fonte):

http://www.abc.gov.br/imprensa

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEUROPA

O papel da cooperação marítima nas relações entre China e Rússia

O cenário internacional usualmente se desenvolve em um dinâmico balanço de interesses entre seus atores, regidos especialmente pela batuta das principais potências. O reassentamento de aspirações políticas constitui-se como um processo complexo, com frequência gestado sutilmente a ponto de que só a partir de um determinado momento torna-se mais evidente.

Ao longo dos últimos quatro anos, a percepção geral é de que este processo tem se acelerado. As causas desta percepção podem ser múltiplas, mas quiçá tornou-se mais evidente porque – no emaranhado diálogo internacional – o tom predominante das pautas liberais passou a dividir mais espaço com as sutilezas da lógica de poder.

A anexação da península da Crimeia pela Rússia, em março de 2014, é um dos mais perceptíveis indicadores desta realidade. Um ponto de inflexão na, até então, relativamente estável estrutura internacional que Estados Unidos e Rússia modelavam – com considerável supremacia americana – na arena internacional após o fim da União Soviética.

A real intensidade do abalo que a Rússia imprimiu à ordem internacional com sua movimentação sobre a Crimeia ainda está sendo discernida pelos especialistas. Contudo, já foi suficiente para trazer à tona desdobramentos instigantes sobre o potencial de influência do eixo Beijing-Moscou sobre a agenda internacional, notadamente para a seara de defesa e segurança.

Dmitry Medvedev, ex-presidente russo, com Hu Jintao, ex-Primeiro-Ministro chinês, em uma visita de Estado (maio 2008)

Nos últimos 20 anos esta relação passou por períodos de altos e baixos, a depender da modelagem da arena internacional em cada momento histórico. A atual emergência desse eixo é alimentada principalmente pela gradual exclusão que a Rússia vem sofrendo do circuito político ocidental, representada pelas restrições financeiras impostas por meio das sanções estadunidenses e europeias. Fato este que catalisou a congruência dos interesses e necessidades da Rússia, carente de recursos financeiros para manter sua economia mais dinâmica, e da China, desejosa de acelerar sua capacidade de projeção de poder. 

Esta colaboração ainda é uma realidade em amadurecimento. Sua evolução depende de muitos elementos, mas parece encontrar uma lacuna favorável neste momento de fragilidade na coesão entre as potências ocidentais. Por isso, a aproximação entre os dois países vem ganhando contornos de maior destaque nos últimos anos, principalmente nas tratativas militares e econômicas.

Uma das faces mais visíveis e constantes da relação entre os dois países é a sua cooperação marítima. Desde 2003 as duas nações desenvolvem exercícios navais conjuntos sob as denominações Coalition, Peace Mission, Peace Shield e Joint Sea. A mais recente série desses exercícios, a Joint Sea, tem sido realizada ininterruptamente desde 2012.

Navio cruzador da Marinha Russa denominado Pedro, o Grande, durante um exercício

A versão 2017 do exercício conjunto Joint Sea foi realizada no período de 21 a 28 de julho, segundo informado pela Agência TASS. Ainda segundo a agência de notícias russa, o exercício teve com foco ações de defesa antissubmarino, antiaérea, antinavio, de combate à pirataria e de busca e salvamento. O aumento da capacidade de operação conjunta e a interoperabilidade das duas armadas também estiveram no plano de trabalho.

Até 2014, os exercícios navais tinham se concentrado basicamente nos mares adjacentes à China, ou seja, praticamente limitados ao leste asiático. Somente em 2009 as operações conjuntas tinham saído desta área. Foi durante o exercício Peace Shield 2009, simulado no Golfo de Áden e no Oceano Índico para adestrar as esquadras no combate à pirataria naquela região.

Contudo, a partir de 2015 as escolhas do teatro de operação dos respectivos exercícios passaram a expressar o novo tom que Rússia e China estão tentando dar para a sua colaboração. Com a aumentada complexidade dos exercícios, eles passaram a abranger mais de uma fase, sendo usualmente uma delas realizada em uma área de interesse direto da China e outra em área de interesse direto da Rússia.

Destroier chinês atracado

Em 2015, as áreas escolhidas foram o Mar do Japão e o Mar Mediterrâneo. Já em 2016, as águas contempladas foram as do Mar do Sul da China. No ano de 2017, a primeira fase da Joint Sea, mencionada anteriormente, foi realizada no Mar Báltico, sendo que a segunda está agendada para o próximo mês de setembro, novamente no Mar do Japão e adjacências. Nota-se, portanto, que a cooperação marítima tem sido bastante instrumental para a assertividade dos anseios geopolíticos das duas nações, concentrando-se onde ambos possuem interesses vitais para a projeção do seu poder.

A linguagem subliminar dessas atividades de cooperação marítima entre Rússia e China oferecem uma amostra incisiva da predisposição de ambos a projetar seu poder globalmente, lançando mão de mecanismos além do soft power. A latência do pacífico como uma área geopolítica – e não só econômica – de contraponto ao tradicional eixo do Atlântico Norte, encontra nesta colaboração um fato portador de futuro.

A China dá mostras gradativas de que está se movimentando para descolar-se da tônica mais econômica que até pouco tempo rotulava a sua inserção internacional. A colaboração atual com a Rússia, devido ao elevado expertise do seu setor militar, pode tornar-se uma peça chave no processo de superação da ainda restrita capacidade chinesa de projeção de poderio militar, especialmente do seu poder naval*.

Certamente este é um esforço de longo prazo que o Governo da China terá que empreender, em essência, por motu proprio. Entretanto, assim como a China soube se posicionar no sentido de potencializar os laços econômicos com os Estados Unidos e países da Comunidade Europeia nas décadas de 1980 e 1990, para impulsionar seu crescimento econômico de forma mais independente, também é plausível que ela extraia de uma possível cooperação marítima de longo prazo com a Rússia um impulso importante para adquirir a capacidade de desdobrar-se como um poder naval em escala mundial.

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Notas:

* Existem vários tipos de sistemas que classificam as marinhas conforme seu poder de alcance. Em muitos deles a capacidade de operar plenamente em escala global é atribuída somente aos Estados Unidos. Alguns aliados norte-americanos, como Reino Unido e França, têm capacidade imediatamente inferior, ou seja, projetam poder globalmente só que de forma limitada. Países como Rússia e China ocupam posições mais abaixo na escala, geralmente relacionadas com capacidade de projeção de poder em âmbito multirregional ou regional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da península da Crimeia com suas principais cidades” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Crimea

Imagem 2 Dmitry Medvedev, expresidente russo, com Hu Jintao, exPrimeiroMinistro chinês, em uma visita de Estado (maio 2008)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sino-Russian_relations_since_1991#/media/File:Dmitry_Medvedev_in_China_23-24_May_2008-1.jpg

Imagem 2 Navio cruzador da Marinha Russa denominado Pedro, o Grande, durante um exercício” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_Navy#/media/File:Tactical_exercises_of_the_Russian_Navy.jpg

Imagem 4 Destroier chinês atracado” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/People%27s_Liberation_Army_Navy#/media/File:CNS_Kunming_(DDG-172).jpg

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

EUA celebra acordo de exportação de carne bovina para a China

No último dia 11 de maio, os Estados Unidos da América (EUA) e a República Popular da China anunciaram os resultados iniciais do “Plano de Ação de 100 Dias”, acordado no início de abril deste ano (2017). Os líderes dos dois países estabeleceram acertos comerciais que envolvem alguns pontos centrais de disputas entre EUA-China, os quais envolvem setores de serviços financeiros, energia e comércio agropecuário. O acordo visa reduzir o déficit comercial dos norte-americanos com os chineses, que no ano passado (2016) foi de aproximadamente 350 bilhões de dólares. Ademais, o mercado chinês é o principal destino das exportações de produtos agrícolas dos Estados Unidos, que em, 2016, totalizaram cerca de US $ 21,412 bilhões, e vem crescendo 1.100% desde 2000.

No início de abril, Xi Jinping, Presidente da China, reuniu-se na Flórida com Donald Trump, Presidente estadunidense, quando definiram pautas a serem estipuladas dentro de 100 dias. Os dois Presidentes destacaram na ocasião a importância da relação bilateral entre as duas maiores economias do planeta. Naquele momento, Trump atenuou as severas críticas feitas à China durante sua campanha presidencial, quando acusava o Governo chinês de adotar políticas comercias injustas, além de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para beneficiar as exportações do seu país. Apesar das críticas, o Governo Trump afirmou mais recentemente a possibilidade de usar questões de disputas comercias com a China como espécie de moeda de troca, caso o Governo chinês se disponha a cooperar na ameaça representada pela Coreia do Norte.

Nesse aspecto, contudo, Zhu Guangyao, Vice-Ministro das Finanças chinês, segundo a BBC, ressalvou que as questões econômicas não deveriam ser politizadas, e que sua equipe se concentrou apenas na relação comercial e econômica. Ademais, assim como os Estados Unidos, a China também busca ampliar seu acesso ao mercado. Nesse âmbito, analistas argumentam que tanto os Bancos quanto o segmento de aves chinesas, que sofre uma série de restrições à importação, deverão ser beneficiados pelo acordo.

Fonte: Brahman Baby – Wikipedia

Alguns analistas assinalam, entretanto, que essa flexibilização para a importação de aves chinesas visa uma reciprocidade quanto à carne bovina estadunidense. De acordo com o comunicado da administração Trump, o acerto prevê que Pequim autorizará até 16 de julho as importações de carne bovina, data que marca o centésimo dia das negociações. Desde 2003, a China suspendeu a compra de carne bovina oriunda dos EUA, em virtude da descoberta de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “mal da vaca louca”. A doença foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985. A EEB provoca a degeneração do sistema nervoso central, que provoca a morte dos animais. A ingestão de alimentos ou derivados contaminados pode resultar na perda da coordenação motora, demência e morte.

O primeiro caso de EEB nos Estados Unidos foi registrado no Estado de Washington (Oeste do país) há 13 anos. Na ocasião, Japão e Coreia do Sul, que consistiam nos dois maiores mercados consumidores de carne bovina estadunidense suspenderam a importação. A medida foi seguida por outros países como Tailândia, Malásia, Austrália, Rússia, África do Sul, China entre outros. O episódio provocou a queda nas exportações norte-americanas em todo mundo, que passaram de US$ 3 bilhões, em 2003, para 1,1 bilhão de dólares, no ano seguinte.

Assim, há anos existe uma forte pressão do setor dentro dos EUA para o restabelecimento do comércio de carne bovina com a China. No ano passado (2016), o Governo chinês chegou a levantar a proibição de importação da carne de procedência norte-americana, entretanto o intercâmbio comercial foi baixo. Em pronunciamento à imprensa, Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos Estados Unidos, conforme destacou The Guardian, a relação EUA-China está alcançando um novo patamar, particularmente no que tange ao comércio. Para Ker Gibb, presidente da Câmara Americana de Comércio de Xangai, as medidas representam um bom começo, mas não um avanço, segundo ressaltou a Reuters. No mesmo sentido, Christopher Balding, professor de finanças da Universidade de Pequim, também segundo The Guardian, destacou que, embora não seja um grande anúncio, ele também não é irrelevante. Balding pontua ainda que é difícil precisar se as relações entre os dois países estão em outro patamar, haja vista o comportamento inconstante do Presidente estadunidense.

Fonte: Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina – Wikipedia

Assim como ocorreu com os Estados Unidos, em 2012 o Brasil teve suspensa a importação de carne bovina pela China, em virtude de casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina. Naquele ano, as exportações brasileiras para o mercado chinês totalizaram cerca de US$ 37,7 milhões. Em 2014, o Brasil aceitou receber uma missão técnica chinesa que iria reavaliar as condições da carne brasileira. No ano seguinte, os dois países assinaram um acordo sanitário que viabilizaria a retomada da importação de carne bovina brasileira.

Neste ano (2017), após a Operação Carne Fraca, que apontou a fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, a China havia anunciado a restrição temporária da importação de carne, mas, no dia 25 de março, o Governo chinês anunciou a reabertura dos mercados à carne brasileira. Segundo Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC), conforme o Notícias Agrícolas, a perspectiva é de que o Brasil aumente suas exportações de carne bovina que no ano passado foi de 300 mil toneladas, isso porque outros fornecedores como, por exemplo, Austrália e Estados Unidos, não serão capazes de atender a evolução do mercado chinês.

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Fontes Imagens:

Imagem 1Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Brahman Baby(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bovinos#/media/File:Brahman_Baby.jpg

Imagem 3 Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Encefalopat%C3%ADa_espongiforme_bovina

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]O novo enfoque para Ásia do Governo estadunidense[:]

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A viagem do secretário de Estado Rex Tillerson à Ásia introduziu para a nova cena diplomática estadunidense mensagens que consolidam o interesse da administração Trump em construir um arcabouço cooperativo amplo com os já tradicionais aliados Japão e Coréia do Sul, mas também com a China, cujas disputas comerciais, político-diplomático e territoriais constituíram entendimentos dúbios sobre se haveria na China interesse em formalizar uma parceira estratégica para essa nova era da política estadunidense, ou se o relacionamento teria como base a competição estratégica.

Em Tóquio, para iniciar o giro asiático, Tillerson se encontrou com o chanceler japonês Fumio Kishida, uma reunião complementar àquela ocorrida em fevereiro na residência de Trump, em Mar-a-Lago, Flórida, com o primeiro-ministro Shinzo Abe, quando discutiu o futuro da relação Estados Unidos-Japão diante das tensões recorrentes na região.

Com seu homônimo japonês, o Secretário de Estado, assim como fez ao longo do giro pela Ásia, solicitou uma nova abordagem para a Coréia do Norte depois de vinte anos de diplomacia e incentivos não terem alcançado o objetivo do desarmamento nuclear.

O Chanceler, que chegou para sua primeira viagem ao continente após quinze dias de Pyongyang ter lançado quatro mísseis de longo alcance no Mar do Japão, também pediu maior cooperação entre Washington, Tóquio e Seul, mensagem que é sempre lançada por diplomatas estadunidenses que visitam a região.

Na segunda etapa da viagem, em Seul, Tillerson usou de tom mais incisivo para alertar que uma ação militar contra o norte da península era cogitada, especialmente se o programa de armas atingisse nível que requeresse uma ação preventiva, embora preferencialmente deva ser evitada em detrimento de negociações multilaterais.

O Secretário, que se reuniu com autoridades governamentais que cuidam dos assuntos de Estado desde a destituição da presidente Park Geun-hye, também declarou o fim da “paciência estratégica”, uma crítica ao antecessor, Barack Obama, reafirmando que medidas em segurança e econômicas são as principais diretrizes do novo Governo para eliminar as tensões na região.

Na China, Rex Tillerson se reuniu com o presidente Xi Jinping e, com um tom conciliatório e cuidadoso ao extremo, de acordo com alguns especialistas em China, demonstrou publicamente os anseios de desenvolver maior cooperação e alargamento das relações, principalmente no que tange as instabilidades com a Coréia do Norte.

Após o encontro, em entrevista coletiva com o chanceler Wang Yi, o Secretário de Estado repetiu o tom conciliatório e cooperativo afirmando que o relacionamento EUA-China seria orientado pelo “não-conflito, não confronto, respeito mútuo e cooperação ganha-ganha”, termos estes duramente criticados dentro dos Estados Unidos e saudado pela cúpula do Partido Comunista chinês.

Os termos “respeito mútuo” e “não-confronto”, de acordo com diplomatas estadunidenses, são codificados em Beijing para acomodação norte-americana em uma esfera de influência chinesa na Ásia, ou seja, os Estados Unidos, diante da interpretação oriental, recuariam e respeitariam as demandas da China sobre temas como Taiwan, Tibet e Mar da China Meridional. Quanto à expressão “ganha-ganha”, ainda dentro do entendimento chinês, seria como se a China ganhasse por duas vezes.

Em complemento ao encontro Estados Unidos-China, os programas nucleares e de mísseis da Coréia do Norte, que estavam no topo da agenda de Tillerson nesta visita, ganharam apoio do chanceler Wang, que, dias antes, propôs a Pyongyang que congelasse seu desenvolvimento nuclear, tendo como contrapartida ação igual em relação aos exercícios militares conjuntos realizados por Estados Unidos e Coréia do Sul.

Diante de um enfoque voltado para recrudescer o papel beligerante da Coréia do Norte na região, a viagem do secretário Tillerson à Ásia, que culminou em uma abordagem militar, possivelmente trará alguns aspectos proibitivos para que essa opção não seja aprofundada. Primeiro, em virtude do programa THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), desenvolvido pelos Estados Unidos, que consiste na colocação de mísseis antibalísticos na Coréia do Sul. A China considera a colocação do escudo THAAD como uma ameaça à sua segurança nacional e, ao partir do pressuposto de que a viagem tenha sido para estabelecer parcerias, essa iniciativa militar na Coréia do Sul levaria a um impasse.

Outro fator considerado por especialistas em Ásia é a opção militar contra Pyongyang, que culminaria em instabilidade, tal como testemunhado no Iraque, Afeganistão e Síria, conflitos estes que apresentaram inúmeras imprevisibilidades, incluindo nas consequências.

Ainda em complemento a essa conjuntura, uma mudança de regime, ou um conflito militar abrangente na fronteira com a China poderia acarretar em um ambiente desestabilizador, não obstante o aspecto nuclear e, por conseguinte, uma abordagem alternativa liderada por Beijing com conotação diplomática, tal como a Six-Party Talks (Coréia do Norte, China, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos), seria uma oportunidade, apesar de ter sido rechaçada no passado recente por Obama e provavelmente não seria a primeira opção para Trump.

Ao colocar a opção militar sobre a mesa, a administração Trump pressiona a China a impor novas ações contra a Coréia do Norte por seu próprio ímpeto, uma vez que as recentes provocações de Kim Jong-un pressionaram Beijing a parar as importações de carvão norte-coreano até o fim de 2017, passo considerado ousado por analistas internacionais e que a administração Trump poderia usar para domar o imprevisível regime norte-coreano.

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Imagem 1À esquerda o Ministro de Relações Exteriores do Japão Fumio Kishida, Secretário de Estado Rex Tillerson e Yun Byungse, Ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rex_Tillerson#/media/File:Secretary_Tillerson,_Japanese_Foreign_Minister_Kishida,_and_South_Korean_Foreign_Minister_Yun_Pose_for_a_Photo_Before_Their_Trilateral_Meeting_in_Bonn_(32897966296).jpg

Imagem 2Secretário de Estado, Rex Tillerson com o presidente chinês, Xi Jinping” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China%E2%80%93United_States_relations#/media/File:President_Xi_Jinping_Greets_Secretary_Tillerson_(33139050550).jpg

Imagem 3THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) é lançado durante teste de interceptação” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:The_first_of_two_Terminal_High_Altitude_Area_Defense_(THAAD)_interceptors_is_launched_during_a_successful_intercept_test_-_US_Army.jpg

Imagem 4Zona desmilitarizada que separa a Coréia do Sul do Norte” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Korean_Demilitarized_Zone#/media/File:070401_Panmunjeom3.jpg

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