ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEURÁSIA

[:pt]As regiões da Eurásia e do Oceano Pacífico como Zona de Influência da China[:]

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As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump em relação a uma postura protecionista dos Estados Unidos nos assuntos da política internacional tem suscitado o debate acerca do papel que a China terá na estruturação da ordem global. A postura do líder chinês Xi Jinping na Conferência Econômica Global de Davos, em janeiro (2017), demonstra o compromisso do seu país com o aprofundamento da globalização e de um ambiente global que estimule a conectividade entre as nações, a cooperação para ganhos mútuos (win-win) e a continuidade dos altos fluxos de comércio e investimentos. Neste sentido, a retirada dos Estados Unidos em relação às negociações sobre a Parceria Transpacífico (TPP)* se tornou a primeira grande vitória de Xi Jinping no âmbito da economia internacional neste ano (2017), sem que precisasse realizar qualquer ação direta. Paralelamente a isto, avança a iniciativa chinesa de estabelecer a Nova Rota da Seda, um plano de construção de obras de infraestrutura através do território da Eurásia, englobando mais de 60 países.

Tal postura trouxe a questão da expansão da zona de influência chinesa em duas regiões de grande importância estratégica: a massa continental da Eurásia e o leste asiático, que compreende a zona do Oceano Pacífico.

Em relação a Eurásia, afirma-se que a potência que seja capaz de exercer influência sobre este território, teria a maior capacidade de projeção de poder a nível global. O exercício de poder terrestre sobre esta região tem um potencial de produzir um repositório de recursos e bens que, se associado a um poder marítimo, acarretará possibilidades de alteração da balança de poder do sistema internacional, pois permitirá desenvolver meios para tentar controlar as regiões que tem em seus territórios áreas costeiras, produzindo um poder anfíbio, capaz de enfrentar o poder marítimo das potências insulares, nos primórdios a Grã-Bretanha e posteriormente os EUA.   A Eurásia se destaca pela abundância de recursos naturais e energéticos, além da importância logística e geoestratégica. De forma aproximada, é possível afirmar que o seu território se estende desde a Europa Oriental até os limites da Ásia Oriental; de norte a sul seus limites compreendem desde a linha do Círculo Ártico até os desertos e montanhas da Ásia Meridional. A Eurásia possui massas aquáticas de importância estratégica e comercial, tais como o Mar Báltico, o Mar Negro, o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico.

O sudoeste da Eurásia, partindo dos limites entre o território Indiano e Chinês, se estendendo pela Ásia Central e Meridional e chegando até o Irã constitui parte importante dos corredores de articulação econômica que a China pretende avançar através do componente terrestre da Nova Rota da Seda. Denominam-se de Estados pivôs os territórios que são essenciais para que determinada potência consiga exercer sua influência em determinada zona estratégica. Estes possuem concomitantemente algum tipo de vulnerabilidade, normalmente militar ou mesmo econômica, que os tornam mais suscetíveis de serem atraídos pela força gravitacional emanada pela influência política de potências maiores.

Na Eurásia, alguns dos mais importantes Estados Pivôs são o Irã, o Paquistão e o Afeganistão. O Irã é um país rico em petróleo, controla metade das margens do Golfo Pérsico, tem acesso ao Mar Cáspio. A cooperação econômica e militar com o Paquistão pode servir como forma de balanceamento em relação à Índia, tentando impedir a preponderância geoestratégica deste país na Ásia Meridional. Além disso, o Paquistão é um país de grande população e que notadamente possui armamento nuclear. O Afeganistão é um país extremamente instável seja no aspecto político, seja no aspecto econômico e sua importância para a ação chinesa na região reside no fato de que a influência sobre o Afeganistão pode facilitar o acesso tanto ao Irã, quanto ao Paquistão. Além disto, sob a perspectiva chinesa, o Afeganistão e o Paquistão são aliados que possibilitam o acesso da China aos recursos naturais da Ásia Central.

No Oceano Pacífico, a situação é um pouco mais complexa, visto que os Estados Unidos possuem uma rede de alianças históricas que incluem o Japão, a Coréia do Sul, o Vietnã, as Filipinas e a Austrália, além de uma constelação de bases militares. Mais importante que isto, a permanência da independência de Taiwan como aliado dos Estados Unidos é um problema estratégico para os interesses vitais do Estado chinês. O Mar do Sul da China é uma zona de vulnerabilidade na qual o país tentará exercer maior controle, devido a grande importância representada para o escoamento de produtos e acesso a recursos naturais. Disputas por territórios ricos em petróleo e gás natural na região se limitaram até o presente momento à esfera judicial, envolvendo a China e reivindicações do Japão, de Taiwan, do Vietnã, da Malásia, de Brunei e das Filipinas. Os Estados Pivôs nesta região são justamente a Coréia do Sul e as Filipinas, países com os quais os chineses ainda não possuem influência significativa, devido a preponderância do poder norte-americano.

O posicionamento da China na Eurásia cresce em importância, na medida em que avançam os tratados de cooperação com países da região.  Os projetos de infraestrutura da Nova Rota da Seda e as instituições ligadas a esta iniciativa são a principal contribuição da China para o bem público global durante o seu processo de ascensão. Qualquer estruturação do sistema internacional dependerá da negociação entre a influência dos Estados Unidos e a emergência chinesa. Neste sentido, a China vem consolidando seu poder terrestre voltado para a Eurásia, através de uma diplomacia realizada por meio de fluxos comerciais e de investimentos, além de procurar aumentar seu poder marítimo no Oceano Pacífico como forma de dissuasão de possíveis ameaças aos seus interesses estratégicos.

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* O TPP consiste em um acordo de liberalização comercial elaborado no período do Governo de Barack Obama, envolvendo os países localizados no território do Oceano Pacífico e excluindo a China.

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Imagem 1 Mapa regional da Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Eurasia_(orthographic_projection).svg/2000px-Eurasia_(orthographic_projection).svg.png

Imagem 2 Transpacific Partnership” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/What_Is_TPP.jpg

Imagem 3 Mapa regional da Ásia Oriental ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/1-12_East_Asia_Green-Grey.png/1280px-1-12_East_Asia_Green-Grey.png

Imagem 4 Xi Jinping, 7º Presidente da República Popular da China, durante a cúpula dos BRICS no ano de 2015” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/Xi_Jinping,_BRICS_summit_2015_01.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Ano do Galo e a política econômica da China na Era Trump[:]

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O Ano do Galo

Exibido. Franco. Corajoso. Consciente de suas obrigações sociais. Bravo combatente dos adversários. Multitarefa. Concentrado. Sensível e atencioso com os amigos. Sempre alerta, é meticuloso e detalhista. Dispensa projetos menos arriscados quando tem muitos pela frente, afinal, causar polêmicas é sua chance de aparecer. É negligente com parceiros de negócios ou amigos mais reservados. Prefere pessoas ativas como ele. Esse é o perfil das pessoas de Galo no horóscopo chinês”.

Desde 28 de janeiro de 2017, a China saúda o Ano do Galo. Segundo os chineses, o Ano do Galo é marcado por uma energia dinâmica de mudança, novas ideias e oportunidades. Um ano de “quebra” de barreiras, perda do medo e determinação em busca de um objetivo. Todos querem desfrutar do sucesso, pois é um Ano de concorrência acirrada nos negócios.

Acompanhando as análises e noticiários, há indícios de que o mundo dos negócios vá balançar em 2017, principalmente entre as duas maiores potências econômicas do planeta: os Estados Unidos da América e a China.

Não se trata da dicotomia Capitalismo versus Comunismo. As diferenças agora são entre a China de crescimento econômico e a favor da globalização e os Estados Unidos da América em recessão, ativando políticas protecionistas (leia-se barreiras aos superbaratos produtos chineses), embora pareça ser um paradoxo um país “comunista” e “em desenvolvimento” tentar diminuir barreiras alfandegárias, enquanto que a maior economia capitalista e desenvolvida do mundo implemente políticas protecionistas. 

Ora visto como liberal, ora conservador de direita, tem sido complexo para os analistas chineses definirem a personalidade do Presidente americano. O magnata estadunidense Donald Trump surpreendeu todo o mundo com sua vitória e ainda parece ser uma incógnita para analistas ocidentais e orientais.

Imprevisibilidade das políticas econômicas da China para a Era Trump

Como deixou claro em suas promessas de campanha, algumas cumpridas logo nos primeiros dias de governo, Donald Trump implementará mudanças financeiras internas que já repercutem no Mercado de ações das Bolsas de Valores de New York e na Dow Jones, que tem foco em empresas de tecnologia.

Analistas econômicos preveem a valorização do dólar, impactando ainda mais nas diferenças de preços dos produtos nos mercados internacionais e, consequentemente, gerando mais tensão e protecionismos. Politicamente, a imprensa asiática não fala em outra coisa senão na possibilidade de guerra entre os Estados Unidos e a China (talvez devido a fragilidade e/ou a aridez da pauta atual).

Em 27 de janeiro de 2017, o “South China Morning Post” publicou reportagem sobre aumento da tensão entre os dois países, provocada pela preparação de operações militares chinesas no Mar da China Meridional. Porta-aviões da marinha chinesa já estariam prontificados, próximo ao Estreito de Taiwan. Além disso, consideraram que a o conflito no Mar da China Meridional não seria “inevitável”, mas “imprevisível”, porque a tensão pode servir como estratégia de Donald Trump para forçar a China a fazer concessões sobre questões econômicas e comerciais.

O desafio dos analistas econômicos, jornalistas investigativos e profissionais de inteligência é descobrir quais as intenções da China diante do novo cenário político, afinal, o Estado chinês e Estados Unidos da América são os dois países mais ricos do mundo e os maiores parceiros comerciais mútuos.

Terão de identificar a estratégia de reação da China às políticas protecionistas de Donald Trump; será necessário observar o que a China pretende fazer para continuar atraindo fábricas de empresas estadunidenses e o que fazer se Trump repatriar as fábricas que já estão lá. Além disso, também está no contexto, identificar como a China conseguirá manter o fluxo de eletro-eletrônicos em direção ao mercado estadunidense.

São questões complexas também para os líderes chineses. As políticas de Pequim para reagir ao “efeito Trump” são imprevisíveis. O único sinal foi a reação do presidente chinês Xi Junping, em sua primeira visita ao Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), em 17 de janeiro de 2017 – portanto poucos dias antes da posse de Donald Trump como presidente eleito dos EUA, embora o Fórum tenha sido encerrado no dia de sua posse –, que pediu ao líderes econômicos globais que digam “não” ao protecionismo.

Xi Jinping aproveitou para dizer que a China “manterá suas portas abertas para o comércio exterior”, prometeu não desvalorizar a moeda chinesa como estratégia de comércio internacional, que expandirá tratados multilaterais e reduzirá acordos entre “grupos exclusivos e fragmentados por natureza”. Ele também lembrou que o crescimento da China ajudou no desenvolvimento de vários países. 

Esse pronunciamento revela que a China combaterá o protecionismo com mais liberalismo econômico, induzindo à conclusão de que protecionismo versus liberalismo pode ser a nova polaridade ideológica entre duas potências globais.

Eventual prejuízo chinês pode azedar as relações sinorussas

O grau de prejuízo que as políticas econômicas de Donald Trump podem gerar para a China poderá ser medido pelo desenvolvimento dos BRICS e pela relação dos chineses com os russos, acusados pelo serviço de Contrainteligência dos Estados Unidos da América, o Escritório Federal de Investigações (FBI), de realizar ações de inteligência durante as eleições estadunidenses para favorecer o então candidato Donald Trump, conforme foi amplamente disseminado na mídia.

Diante do cenário, pode-se pensar um horizonte em que, se a China for prejudicada com políticas protecionistas implementadas por Donald Trump, ela poderá exigir da Rússia esclarecimentos acerca da suposta interferência, pois acabaria resultando numa diminuição do poder econômico de um aliado estratégico com franca tendência de hegemonia asiática.

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Imagem 1 O Galo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Galo_(zod%C3%ADaco)  

Imagem 2 O Comunismo do filósofo alemão Karl Marx não é mais uma ameaça aos Estados Unidos da América” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo

Imagem 3 Donald Trump foi eleito presidente dos EUA sob promessa de ‘fazer os Estados Unidos grande de novo!’” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump

Imagem 4 Estados Unidos da América e China são as duas maiores potências econômicas e os maiores parceiros comerciais mútuos do planeta” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos

Imagem 5 Xi Jinping, 7º Presidente da República Popular da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Evolução da complexidade econômica na China e o panorama das expectativas para o ano de 2017[:]

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A abordagem da complexidade econômica apresenta uma explicação holística sobre o desenvolvimento das nações através de sua estrutura produtiva, apresentando um recorte acerca do conhecimento acumulado em uma sociedade, que acaba por produzir efeitos na sofisticação dos seus produtos e no perfil comercial do país. Esta perspectiva vê a economia como um sistema dinâmico, dando menor importância à ideia de pontos de equilíbrio. A complexidade econômica advém de uma estrutura que se forma e se reforma através de contínuas adaptações dos agentes econômicos, resultando em novos comportamentos, novas instituições, novas tecnologias e, por fim, novos padrões de interação. Estas constantes adaptações não apenas criam padrões, como acabam por produzir redes complexas de influências recíprocas entre os agentes econômicos e suas atividades produtivas.

A complexidade econômica de uma nação depende dos seus produtos de exportação. Um país pode ser considerado como uma economia complexa caso seja capaz de exportar produtos que possuam certo grau de tecnologia e valor agregado, mas esta não é a única variável considerada. São levados em conta fatores como a diversidade de sua pauta exportadora e quantos países no mundo são capazes de produzir as categorias de produtos que determinado país exporta (ubiquidade). À medida que evolui a complexidade econômica de uma nação, se altera a sua forma de inserção na economia internacional, ao passo que o país passa a integrar cadeias de produção de maior valor agregado, afetando a capacidade de captura de excedentes em suas trocas externas.

Um exemplo que materializa esta dinâmica é o processo de inovação, ao passo que experiências, estratégias e procedimentos resultam em novos produtos, técnicas e novos processos industriais que possibilitam ganhos de eficiência e de produtividade, resultando em crescimento econômico e geração de riqueza. Estendendo este processo ao longo de anos e mesmo de décadas, é possível ter um vislumbre acerca das razões e determinantes do nível de desenvolvimento que se observa em um determinado país e a sua decorrente trajetória de inserção econômica externa.

O caso chinês é interessante de ser observado devido à grande mudança na sua estrutura produtiva no período recente.  Partindo do ano de 1978, simbólico por representar a ascensão de Deng Xiaoping ao poder, sendo ele o governante que introduziu as reformas econômicas de maior abertura no país. Nesse ano é possível observar uma economia cujos produtos mais representativos nas suas exportações (com valor total, à época, de US$ 7,17 bilhões) consistiam em: petróleo bruto (13% da pauta exportadora), algodão cru (3,6%), seda crua (3,0%), artigos de cama, mesa e banho (2,9%), suínos (2,7%), produtos de vestuário (2,2%), além de outros produtos de origem agrícola e que apresentam menor valor agregado.

Um panorama acerca das exportações chinesas para o ano de 2014, conforme os dados disponibilizados pelo Atlas da Complexidade Econômica, apresenta uma imagem bem diferente, sendo que seus principais produtos de exportação (cujo valor total representava US$ 2,37 trilhões) consistem em computadores (8,8%), equipamentos de transmissão e radiodifusão (6,6%), telefones (4,5%), circuitos integrados (2,6%), partes de máquinas para escritório (2,0%), entre outros produtos que apresentam algum grau de processamento industrial. Descontadas as diferenças acerca do valor absoluto das transações com o exterior, o recorte da composição da pauta exportadora apresenta um perfil muito diferente. Atualmente, o petróleo e outros minerais energéticos, além de microcircuitos eletrônicos são os principais produtos que compõem a pauta de importação do país. Após tratar acerca da complexidade e das transformações da economia chinesa, chegamos à questão do que se espera para o ano de 2017.

Embora a economia chinesa tenha apresentado relativo grau de estabilização em 2016, ainda existem pressões para a queda do seu ritmo de crescimento, ao passo que o país se encontra no rumo de execução de sua reforma econômica. O foco no mercado interno, estimulando o comércio digital e o aumento do consumo em cidades de médio porte, é a alternativa já em andamento, visando o fortalecimento da economia chinesa. 

É possível esperar tensões e fricções comerciais com os Estados Unidos em certos setores (tais como aço, produtos agrícolas e manufaturados de baixa tecnologia). Dada a representatividade do mercado norte-americano para as exportações da China, esperam-se dificuldades no setor de exportações.

O crescimento baseado nos investimentos será o mais forte motor da economia chinesa no ano de 2017 ao passo que crescem os investimentos privados em setores de alta tecnologia, tais como robótica, serviços baseados na nuvem e tecnologia de internet 5G. O Governo chinês continua a realizar grandes investimentos em construção de infraestrutura em seu território, buscando acentuar a exportação desses investimentos para o exterior, tendência que provavelmente continuará neste ano (2017). Não obstante, o estímulo aos investimentos poderá aumentar demasiadamente o endividamento do Estado chinês, que já se encontra em um patamar de 282% em relação ao seu PIB. Este é um sinal de alerta para a possibilidade de crises no futuro, sinalizando a necessidade de prudência na política monetária do Governo.

Permanece a necessidade de realização de reformas orientadas para o mercado, tais como a continuidade da reforma das empresas estatais, o estímulo a novas empresas de tecnologia e redução de impostos. Desconsiderando a possibilidade de eventos extraordinários no campo da geopolítica e da política internacional, espera-se que este seja um ano no qual a China se concentre na sua estrutura econômica interna.

Concluindo, o ano de 2017 será provavelmente um ano de grandes esforços para manter o ritmo de crescimento do PIB à taxa de 6,5%. Se quantitativamente a China enfrentará grandes desafios para o seu crescimento, a chave para a manutenção do desenvolvimento do país no longo prazo residirá em fatores qualitativos. Pensando na abordagem da complexidade econômica, será mais importante direcionar esforços para a continuidade do rumo em direção à sofisticação do seu tecido produtivo, visando aumentar a produtividade, a eficiência e inovação em setores como tecnologia da informação, mecânica fina e robótica, além de tecnologias ligadas à energia sustentável.

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Imagem 1 Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Crescimento do PIB nominal chinês entre 1952 e 2012” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:GDP_of_China_in_RMB.svg

Imagem 3 Deng Xiaoping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Deng_Xiaoping#/media/File:DengXiaoping.jpg

Imagem 4Exportações chinesas” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/2012_China_Products_Export_Treemap.png

Imagem 5 Gráfico mostrando a proporção de usuários de Internet a cada 100 pessoas, entre 1996 e 2014, feita pela União Internacional de Telecomunicações” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet#/media/File:Internet_users_per_100_inhabitants_ITU.svg

Imagem 6 O distrito financeiro de Pudong, em Xangai, se tornou símbolo de rápida expansão econômica da China desde os anos 1990, após as reformas promovidas por Deng Xiaoping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:PudongSkyline-pjt_(cropped).jpg

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]SMARTBIKES da China podem revolucionar o transporte, as relações de consumo e a matriz energética mundial[:]

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Nas décadas de 1970 e 80, a China era famosa pela quantidade de bicicletas. Naquela época, andar de bicicleta não era nem elegante, nem “descolado”, nem tampouco politicamente correto ou ambientalmente sustentável: o carro era o símbolo máximo de status do sistema capitalista de produção. A China comunista e superpopulosa tinha a bicicleta como o meio de transporte mais popular.

O conceito de “smartbike” começou como um mero serviço de locação de bicicletas públicas, instaladas próximas a pontos turísticos e estações de trem do metrô, que são retiradas e devolvidas automaticamente pelos usuários. O pagamento também é realizado de forma eletrônica. A ideia era dispensar a mão-de-obra e incentivar populações a usarem menos os automóveis, com o compartilhamento de um meio de transporte popular que passa a maior parte do tempo parado. O projeto teve início na França e foi implementado pelo grupo de publicidade Clear Channel Communications em 1998, e rapidamente se espalhou pela Europa. Países como o Brasil já a utilizam em campanhas publicitárias. O pagamento do serviço de locação, atualmente, é realizado por meio de aplicativos (softwares) de smartphones. 

Com o advento da Internet, surgiu em 1999, pela boca do diretor do MIT Media Lab o termo Internet of Things (IoT), para definir a integração da rádio frequência à Internet para identificação de produtos, estoques, transporte e logística. A Internet das Coisas é nada mais que a integração entre os produtos e a tecnologia de informação pela Internet, onde objetos como refrigeradores alertariam seus donos pelo smartphone que falta leite ou cerveja, por exemplo.

O próprio smartphone, o “telefone inteligente”, na versão em Português, não deixa de ser um bom exemplo de IoT, em que foram instalados computadores de bordo nos aparelhos de telefonia móvel, conectados à Internet. Revolucionou conceitos de consumo e negócios. A portabilidade de um computador que cabe no bolso e sua conexão com a rede mundial de computadores permitiram o surgimento e a criação de vários programas de computador adaptados a esses minicomputadores, os chamados aplicativos, sendo a maioria deles com funções de marketing. Em suma, um produto conectado à Internet – de novo, a IoT – revolucionou o mercado porque facilitou a venda de produtos e serviços.

Com mais tempo próximo de um computador e da Internet, bilhões de pessoas passaram a consumir informação, produtos e serviços disponíveis nas infinitas promoções de vendas. Sites de músicas, jornais e revistas passaram a entregar conteúdo online grátis e softwares como Uber, Airbnb, Alibaba, de fácil instalação nos dispositivos móveis, diminuíram a distância entre fornecedores de produtos e serviços e os consumidores finais. A Internet e os smartphone alteraram profundamente as relações comerciais, erodindo indústrias e criando outras. Internet, automação e robótica baseada em softwares robôs transferiram investimentos do capitalismo industrial para o capitalismo conceitual[1], um capitalismo baseado em marcas, patentes, design e na capacidade de divulgação e distribuição de produtos.

Se, antes, a riqueza era medida pelo número de fábricas ou empregados, e o sucesso nas vendas dependeria de que cada consumidor comprasse ao menos um produto para uso pessoal, individual e próprio (o “seu” carro, a “sua” bicicleta), na nova economia a maioria das empresas mais bem-sucedidas nas Bolsas de Valores ao redor do planeta produzem apenas informação, conteúdo, mídia ou simplesmente conectam produtores aos clientes ou interconectam consumidores, incentivando possuidores a compartilharem produtos e serviços com outros usuários. As antigas cidades industriais passaram a ser cidades de serviços. E ainda estamos só no começo.   

Conforme salientamos em Nota Analítica intitulada “Cybereconomia’ e ‘Crescimento Verde’: Principais Agendas da China”, de 15 de julho de 2016, muitos itens desse novo modelo de negócio baseado na Internet, automação e robótica de computadores são alvo da estratégia econômica de governos (Alemanha, Israel e China) e disputas acirradas de mercado.

No caso da China, a smartbike concorre com a impressora 3D como o produto conectado à Internet alvo das indústrias de tecnologia de ponta. A primeira chamando a atenção, inclusive da administração pública das megalópoles chinesas, devido aos problemas de superprodução e uso inadequado.

Mas, as smartbikes da China não são bicicletas inteligentes apenas no sentido da locação automática e compartilhamento iguais as da França no início do uso do rádio com a Internet: são um novo conceito de smartbikes, conectadas à Internet e que podem gerar mais informação acerca do consumo e do tráfego de populações nas grandes cidades. Marcas como Mobike, Ofo, Youôn, Ubike, WeChat e, mais recentemente, a Bluegogo, todas, assim mesmo, marcas com inscrições ocidentais, cada uma com design e cor característicos, tem seus produtos e serviços à venda ou locação via smartphone. Essas bicicletas estão invadindo calçadas, ruas, ciclovias e até latas de lixo.   

Segundo o fabricante da bicicleta inteligente “dobrável” QiCycle, a Xiaomi, esse meio de transporte é “perfeito para as cidades lotadas da China”. São bicicletas que medem o torque e a força bruta do usuário, e ajustam a rotação do motor ao estilo de pedalada de cada um, com baterias com até 45 quilômetros de autonomia. O mais fantástico é a integração da QiCycle a um aplicativo de smartphone que informa a localização da bicicleta, permite navegação por GPS, informa velocidade, distância, nível de bateria e até a quantidade de calorias queimadas. Custa 2.999 ienes, o equivalente a R$ 1,5 mil.

A título de comparação, o modelo mais comum de bicicleta elétrica do Brasil, a Lev, ainda não tem conexão com a Internet. Em sua página promocional na Internet a marca faz uma declaração que brinca com a realidade e a ficção, “Pensar em bicicleta elétrica no Brasil, no ano de 2008, era como pensar em pessoas usando discos voadores […]. Em viagem à China, um dos fundadores da Lev se encantou por uma das ‘magricelas elétricas’, como os chineses chamavam as bicicletas. Elas rodavam por todos os lados em Pequim, levando as pessoas de forma prática, sem ruídos ou poluição”. A bateria da versão brasileira tem autonomia de apenas 30 Km. O preço? R$ 5.490,00. Registre-se que a marca Lev é brasileira, porém suas bicicletas elétricas são fabricadas na China (!).

O Big Data como o conceito por trás da Internet das Coisas (IoT)

Voltando à aplicação da IoT nas bicicletas elétricas, que, a exemplo dos smartphones, qualquer cidadão de classe média possa comprar, imaginemos a seguinte situação: O fabricante da bicicleta inteligente instala Internet, sensores e aplicativos no quadro da bicicleta, que passa a produzir dados e informações sobre horários de maior uso, rotas, paradas, locais de abastecimento (corrente elétrica), pontos de estacionamento de maior período para identificação de locais de trabalho, lazer e consumo e, com ou sem o consentimento do usuário, possa vender esses megadados para governos e companhias diversas.

Quase tudo isso já é possível por meio dos smartphones, mas, por meio do deslocamento dos usuários de bicicletas podemos medir, analisar e até prever o comportamento de transporte e tráfego humano. Governos implementariam políticas habitacionais e de deslocamento mais adequadas. O Big Data, os megadados formados a partir dos dados de usuários de smartbikes, em um contexto de cidades Pequim, Shangai e outras megalópolis fora da China, ajudaria governos e empresas com o planejamento estratégico a partir da análise da mobilidade urbana. O Big Data das bicicletas inteligentes ajudaria na implementação do conceito de Cidades Inteligentes com predições, previsões de deslocamento populacional com base nos locais de emprego, renda e lazer. São dados úteis aos governos e às empresas das industrias elétricas, da construção civil e fast-food.

Smartbikes, o início do fim da indústria do petróleo

Difícil imaginar como um meio de transporte individual, porém compartilhável, não poluente e redutor de problemas de saúde pode ter adversários. As smartbikes têm. Muito mais baratas e menos poluentes que as motocicletas e motonetas movidas à combustíveis fósseis, as bicicletas inteligentes que convergem força bruta com torque e tração elétrica proporcional e estão integradas à Internet – leia-se aos smartphones – são uma aposta bastante provável de tomar conta das cidades inteligentes, tais como os telefones inteligentes tomaram conta do mercado e revolucionaram as relações de consumo.

Terça-feira, dia 27 de dezembro de 2016, o Comitê de Transporte da cidade de Shenzhen, na China, baixou um decreto para regulamentar o aluguel, o uso e o estacionamento dessas bicicletas, com responsabilização direta das companhias que as comercializam e alugam, por causa dos acidentes que vem sendo causados pela massa de novos usuários desses modelos de transporte. Segundo a administração de Shenzhen, os usuários das bicicletas inteligentes “não seguem as regras para o tráfego de veículos. O caos de estacionamento e outro mau comportamento representa um problema para a administração da cidade”.

A adoção do conceito de transporte individual compartilhável e movido a eletricidade por governos e populações de grandes cidades acendeu a luz vermelha das fábricas de carros e motocicletas e representa grave risco à indústria do petróleo, a mais poderosa indústria do mundo e da qual governos e empresas dependem especialmente em casos de conflitos armados.

A matriz energética, especialmente as de combustíveis fósseis, e sua influência em questões de estratégia governamental e política, são assuntos em pauta de jornais de relações internacionais, universidades e companhias. Segundo o Doutor em Ciência Política pela Universidade de Campinas (Unicamp) e Professor do pós-doutorado de História na Universidade Federal Fluminense (UFF), José Alexandre Altahyde Hage, o melhor livro sobre esse assunto é o Petróleo: Poder e Glória, de Daniel Yergin, publicado no Brasil em 1992. Ele demonstra os esforços de potências como os Estados Unidos da América e o Reino Unido para manter e regular a oferta de petróleo e o poder[2].  

Portanto são governos de países como Estados Unidos da América, Reino Unido e Rússia e toda a indústria do petróleo, com todas as companhias que integram a cadeia de produção de petróleo, que sofreriam perdas financeiras decorrentes da adoção de conceitos como “cybereconomia” e “crescimento verde”, atuais agendas da China. E o gigante asiático parece não perder tempo. A popularização das bicicletas elétricas chinesas é um exemplo disso.

A mudança da matriz energética “petróleo” para a matriz de energia elétrica ou eletromagnética, hidroelétrica ou solar, dependem da mudança de paradigma de comportamento do consumidor e seu status. Somente em modelo mental (mentalidade) “verde”, amparada em forte comunicação social “menos é mais”, ou “ser é melhor que ter”, conduziria o cidadão a comprar menos produtos individuais poluentes e a consumir mais serviços de compartilhamento de produtos ecologicamente sustentáveis.

Do ponto-de-vista estratégico chinês, o impulsionamento de uma economia digital “verde” com ênfase em impressoras 3D de tecnologia de ponta e bicicletas inteligentes elétricas compartilháveis não somente reduziria a poluição na China como também diminuiria sua dependência do petróleo. Produtos feitos em impressoras 3D consomem plástico (petróleo) nos países consumidores dessas máquinas, e as smartbikes não usam combustíveis fósseis, senão energia elétrica – ou solar, futuramente –, e somente em quantidade necessária, quando o usuário não está pedalando, praticando exercícios físicos que reduzem o consumo de energia e melhoram a saúde.

Não bastassem as vantagens estratégicas internas da China em uma economia digital e “verde”, testadas e aprovadas por potências como Alemanha – com a qual a China mantêm conversações nesse sentido, há mais de 10 anos consecutivos –, ao mesmo tempo em que fortalecem sua economias, os países da vanguarda da Era Digital enfraquecem as potências do Império Anglo-Estadunidense formado pelo bloco dos “FIVE-EYES”, composto por Estados Unidos da América, Canadá, Reino Unido, Austrália e Noza Zelândia, conforme denúncia do ex-analista de Inteligência da Agência Nacional de Segurança dos EUA, Edward Snowden. Assim como a Rússia, o poder desse bloco está intimamente vinculado à indústria do petróleo e ao controle de zonas produtoras e distribuidoras.

Em um mundo cada vez mais digital e conectado, em que as lojas físicas perdem mercado para lojas de compras virtuais em sites de Internet, alugar bicicletas e dividir carros por meio do smartphone parece mais inteligente que comprar veículo de transporte próprio, e a informação e o volume de dados gerados pelo consumidor representam um “ativo” a ser trabalhado e explorado. O software robô (servo, em Tcheco) é o novo Golem e a “Revolução das Máquinas” começou agora que o Big Data e a Internet das Coisas (IoT) ativaram os efeitos imprevisíveis dos smartphones, impressoras 3D e smartbikes dos habitantes das “Smart Cities”.     

O petróleo ainda é indispensável, mas, a pergunta é: Até quando?

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Imagem 1Xiaomi apresenta bicicleta inteligente” (FonteDivulgação/Xiaomi):

http://olhardigital.uol.com.br/noticia/xiaomi-apresenta-bicicleta-inteligente/59612

Imagem 2A Internet das Coisas conecta os aparelhos e veículos usando sensores eletrônicos e a Internet” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet_das_coisas

Imagem 3Linha de produção de carros” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_de_produção

Imagem 4Motoneta e bicicleta elétrica recarregando baterias na China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bicicleta_elétrica#/media/File:Wuchang_Garment_District_-_charging_batteries_-_P1040874.JPG

Imagem 5Roda da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_da_cidade_inteligente#/media/File:Roda_da_Cidade_Inteligente.png

Imagem 6Refinaria de petróleo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Refinaria#/media/File:ShellMartinez-refi.jpg

Imagem 7Uma das cúpulas geodésicas situadas na base RAF Menwith Hill, usadas para esconder a direção de antenas e equipamentos do sistema Echelon” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Segurança_UK-USA#/media/File:Menwith-hill-radome.jpg

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:                                                 

[1] Capitalismo conceitual é o termo aqui cunhado para designar um capitalismo pós-industrial em que há prevalência dos serviços de marketing, do desenho industrial e da tecnologia da informação, enfim, em que conceitos prevalecem sobre a produção de bens de consumo duráveis e não duráveis. N. do A.

[2] Resenha de “A Tirania do Petróleo: A mais Poderosa Indústria do Mundo e o que Pode ser feito para Detê-la”, de Antonia Juhasz, por José Alexandre Altahyde Hage.

Fonte: http://www.ibri-rbpi.org/?p=12381

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Analistas questionam se os incentivos da China no Setor Primário do BRICS poderiam sabotar o desenvolvimento do Bloco[:]

[:pt] O setor primário é entendido como as atividades que extraem e/ou modificam a matéria-prima, transformando os recursos naturais em produtos primários. Os produtos do setor primário são considerados matérias-primas para outras industrias, destacando-se que…

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Rumo a Tokyo 2020: a Cultura Pop japonesa e os preparativos olímpicos[:]

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O Japão é um país que desperta mistérios, principalmente quando se pensa no seu povo, que tem um comportamento formal, mas uma cultura contemporânea que contraria toda a formalidade tradicional nipônica. Em meio a esses contrastes culturais, desafios econômicos e identificação japonesa com a tecnologia, Tokyo começa a se preparar para os Jogos Olímpicos em 2020. No Rio de Janeiro, o mundo já teve uma ideia do que irá ocorrer, após o primeiro-ministro Shinzo Abe se passar por uma das figuras pops mais famosas do país asiático, o Super Mário, personagem de vídeo game da empresa japonesa Nintendo.

Entrando no mundo da cultura pop nipônica, conhecida no mundo através de suas animações, as Olimpíadas de 2020 já haviam sido previstas pelo cartunista Katsuhiro Otomo, na década de 1980, em sua série de ficção, Akira, publicada entre 1982 até 1990, quando na sua série ele fez algumas referências às Olimpíadas de 2020 na capital japonesa e até ilustrou marcadores com a contagem para os jogos. Não existe apenas o caso do acerto sobre o Jogos Olímpicos, parece que esta e outras animações de ficção japonesa também já haviam previsto a atual situação política e econômica do país, não muito confortável e cheia de problemas para serem resolvidos.

Em diversas histórias japonesas, o Japão sempre aparece em um estado pós-apocalíptico, passando por reconstrução, luta contra corrupção e união do povo para salvar o futuro da nação, casos não tão distantes da realidade contemporânea do país. A atual governadora de Tokyo, Yuriko Koike, assumiu recentemente o cargo após o seu antecessor, Yoichi Masuzoe, renunciar ao cargo, depois de ser acusado de envolvimento em casos de corrupção.

A TV japonesa NHK, frequentemente passa notícias sobre as próximas Olimpíadas, comentando sobre o orçamento que será definido até o final deste ano (2016), e sobre a situação econômica do país, bem como sobre quais poderiam ser os impactos negativos e positivos dos jogos em Tokyo. Os custos com o Evento serão bem discutidos, pois o país não vive um bom momento econômico, devido a quedas nas exportações, a pior desde a crise de 2009, como uma queda anual de 14% em relação ao ano de 2015.

Com as fortes variações cambiais valorizando o iene japonês e a crescente desconfiança na indústria nacional, exige-se uma atenção especial dos governos regionais e central do Japão, para não haver gastos desnecessários em certos pontos de sua economia, tanto em nível nacional e como em suas províncias. Segundo o plano de políticas econômicas do Japão, Abenomics (アベノミクス), a confiança da indústria está em queda e está em seu pior patamar, desde 2013, tendo a indústria manufatureira como o principal elemento para a queda e incertezas.

O momento atual pode não ser o mais otimista no Japão, mas a história recente demonstra que o país é determinado em vencer grandes desafios. Desde 2010, os japoneses não passam por grandes períodos de prosperidade. O país teve vários momentos em que precisou se reerguer estruturalmente, após os prejuízos causados por tsunamis e pela crise do vazamento da Usina Nuclear de Fukushima, além de ter diversas trocas de figuras de seus cargos do Governo, graças a casos de corrupção e baixos níveis de aceitação da opinião pública.

A política japonesa, dentre várias ações, se baseará na criação de fundos e orçamentos suplementares para estimular a economia e garantir recursos para manutenção dos serviços básicos que atendem aos cidadãos. Um ponto animador é que a cidade já conta com estruturas prontas, usadas em sua primeira Olimpíada, em 1964, que passarão por modernizações e não haverá tantas preocupações com mobilidade e segurança durante os jogos, afinal, o país tem os mais baixos índices de violência no mundo, além de ser referência em transporte público.

O público jovem japonês será fundamental para o sucesso da recuperação econômica e para os Jogos Olímpicos, e é pensando neles que muitas políticas para Tokyo 2020 serão pensadas. Tokyo não é apenas a capital do Japão, é a capital da tecnologia e o principal retrato do moderno Japão: uma mistura de cultura tradicional, alta tecnologia e toda uma cultura e moda pop genuína japonesa. O Super Mário e outras celebridades nacionais serão eternizadas após os jogos.

Já está prevista a exploração da principal exportação cultural japonesa: seus personagens de games e animações. No Rio 2016, o público já teve uma pequena amostra do que está por vir. O Japão pós-apocalíptico, superado pela organização, união e objetivos bem traçados nas histórias japonesas, parece tão real que já deixa os jovens do país animados, afinal, elas sempre terminam com um Japão forte e vitorioso.

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ImagemJogos da XXXII Olimpíada Tóquio 2020” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Verão_de_2020

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Fontes Consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] VerTV NHK Stream” (23.08.2016):
http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/news/201608231815_pt_04/
[2] VerTV NHK Stream” (23.08.2016):

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/news/201608231815_pt_03/

[3] Ver Minuto Produtivo.com”:
http://minutoprodutivo.com/economia/confianca-industria-japonesa-e-pior-em-tres-anos

[4] Ver G1”:
http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/08/exportacoes-do-japao-tem-maior-queda-desde-crise-financeira.html
[5] Ver G1”:

http://g1.globo.com/hora1/noticia/2016/08/toquio-sedia-proxima-olimpiada-e-preparativos-estao-bem-adiantados.html

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]China está determinada a protagonizar a Quarta Revolução Industrial[:]

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Aprendemos sobre a Revolução Industrial, cujo início se deu na Inglaterra do século XVIII. Neste acontecimento, que, na realidade, foi um processo ocorrido em longo prazo, passou-se do modelo basicamente artesanal do processo produtivo de manufaturas para o modo industrial de produção em maior escala.

Em seguida, houve a chamada “Segunda Revolução Industrial”, que durou de meados do século XIX até a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), período em que houve a transformação do processo de fabricação simples para a produção em série, marcada pela divisão de tarefas, especialização da atividade dentro da fábrica e uso da energia elétrica. A produção em série foi desenvolvida especialmente por Henri Ford, nos Estados Unidos da América, com seu modelo de carro Ford T, cujo aquisição era possível à massa de consumidores porque o preço era acessível, uma vez que sua produção se dava em larga escala. Além disso, seus empregados ganhavam bem mais que os trabalhadores da concorrência e nenhum deles fazia o serviço todo: cada um era especialista em uma peça ou componente do veículo, ou na montagem, ou no marketing, ou nas vendas, assim por diante.

Após a Segunda Guerra Mundial até o presente momento, ocorreu o que alguns economistas chamam de a “Terceira Revolução Industrial”, que tem como principais características o uso de tecnologia avançada, do petróleo e da energia nuclear, a globalização da economia e a maior competição entre várias empresas que passaram a adotar não apenas o marketing doméstico, mas também o marketing internacional e o global.

A robotização e automação das indústrias, a telecomunicação via satélite nas empresas, o uso de computadores pessoais, dos caixas de atendimento eletrônico, de softwares e smartphones pelos consumidores catapultaram as sociedades para um modelo de civilização extremamente sofisticado. Á medida que esses avanços iam ocorrendo, o surgimento e popularização da Internet nos anos 1990, levou a que fosse iniciado nos países mais desenvolvidos do mundo aquilo que muitos economistas chamam de a Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0, a qual ganhou destaque recentemente, porque foi o tema central do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), em 2016. Nesse sentido, é importante entender o que vem a ser esta Quarta Revolução Industrial e qual a estratégia da China para ela.

A Quarta Revolução Industrial é vista como o fenômeno da educação estruturada para melhor exploração da Internet e dos recursos tecnológicos, com o objetivo de desenvolver uma economia cibernética (Cybereconomia), combinada com a menor, ou melhor utilização dos recursos naturais e energéticos. É a economia limpa e de automação digital, com ênfase na Internet das coisas (IoT), na computação em nuvem e nos sistemas cyber-físicos, como as impressoras 3D. Além disso, ocorre a adoção do conceito de cidades inteligentes.

Um exemplo dessa concepção é a substituição das cartas e memorandos de papel por mensagens eletrônicas (e-mail), rompendo com as indústrias da celulose (papel) e serviços de entrega de correspondências. O que vale é a informação, não o arquivo que a transporta. Hoje, é possível pensar em produtos chegando nas residências “pela Internet”, algo viável com o uso de impressoras 3D, ligadas à Internet. Por esse sistema, alguém poderá “baixar” programas de computador para a construção de equipamentos ou protótipos de peças industriais de design do remetente.

Conforme exposto na Nota Analítica “‘Internet+’, o Programa de Digitalização da Economia Chinesa”, o Governo da China está seriamente comprometido na robotização e digitalização da economia para a promoção do seu crescimento, e, com isso, vem aumentando sua parceria com a Alemanha, país que, inclusive, cunhou o termo “Indústria 4.0”, em 2012.

A China é um parque industrial com a aspiração de integrar a elite de países que vendem ideias e desenhos industriais e lucram com os royalties de suas criações, porque essa nova economia tem menos foco nos processos de produção e mais enfoque no marketing, na venda e na entrega de produtos e serviços.

Os Estados Unidos da América (EUA) e a Alemanha são arautos dessa nova economia e são sedes de grandes empresas de tecnologia como Google, Facebook, AirBnb, Siemens, Nokia e Yasni, tendo a China determinado que se igualará a eles, do ponto-de-vista econômico e tecnológico, razão pela qual vem realizando investimentos, especialmente em educação, ciência e tecnologia.

Nesse sentido, os chineses ativaram sua Quarta Revolução Industrial para realizar outro grande salto, podendo avançar mais, com o intuito de participar como protagonista na condução do processo histórico deste século XXI, juntamente com as demais potências globais. Para efeitos comparativos, o Brasil*, a segunda maior potência econômica do BRICS, ainda mantém suas relações comerciais pelo globo focada essencialmente no desenvolvimento do setor de commodities, permitindo, assim, que seu parque industrial de manufaturas seja lentamente empobrecido, graças à falta de planejamento de longo prazo, bem como de estímulos e investimentos para a indústria de ponta, tanto de recursos quanto de tecnologia sensíveis. Em poucas palavras, China já está na Quarta Revolução Industrial. O país elaborou e implementou uma estratégia nacional de mudança de economia baseada em commodities, caminhando agora para uma cybereconomia de design, marcas, patentes e serviços digitais (digitalização)**. Observa-se que a China está determinada a protagonizar a chamada Quarta Revolução Industrial ou, ao menos, “pegar carona” no fenômeno da digitalização dos processos produtivos.

Acredita-se que essa inclinação para uma indústria de serviços baseada na Web/Internet reduzirá o desmatamento, a poluição e a emissão de gases tóxicos, porém diminuirá ainda mais as compras de commodities pela China, enfraquecendo as economias dos países membros do BRICS, muito dependentes da exportação de alimentos, minérios e fontes de recursos energéticos para garantir o equilíbrio de suas balanças comerciais.

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* Foi justamente durante a Segunda Guerra Mundial que o Brasil conseguiu transformar sua economia basicamente agrária para uma economia industrial, quer manufatureira, quer de produção de energia e recursos naturais, para satisfazer o parque industrial das principais potências econômicas, tendo sido esta sua principal vocação. (N. do A.)

** Esta tese foi desenvolvida por mim e é apresentada em artigos, palestras e cursos.

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Imagem (Fonte):

http://news.alkipage.com/imprensa-chinesa-pede-punicao-a-empresas-de-tecnologia/

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