ÁFRICAAMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A cooperação Sul-Sul rumo aos 40 anos

2018 será um ano importante para o desenvolvimento de parcerias de cooperação Sul-Sul. Será celebrado os 40 anos da Conferência sobre Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento de 1978 (BAPA+40), que contou com a participação de 138 Estados e resultou na adoção do Plano de Ação de Buenos Aires, que visava promover e implementar a cooperação para o desenvolvimento entre países do Sul global. Simbolicamente, trata-se do primeiro esforço coletivo de discussão e desenho de programas e projetos de cooperação técnica entre países em desenvolvimento.

GSSD Expo 2017

Dois eventos já foram programados com a finalidade de congregar atores para pensarem o futuro das parcerias para o desenvolvimento: o Fórum de Alto Nível sobre Cooperação para o Desenvolvimento, em 2018; e a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Cooperação Sul-Sul, em 2019.

O último evento citado ocorrerá na Argentina, justamente no mesmo lugar onde foi assinado o Plano de Ação de Buenos Aires, em 1978. Ele será um marco para celebrar as conquistas alcançadas até o momento, dentre elas o papel do plano de ação para fortalecer a parceria entre as Nações Unidas e os países em desenvolvimento no contexto da Cooperação Sul-Sul.

Ao longo deste ano (2017), houve encontros multilaterais importantes para a concretização da agenda BAPA+40. O primeiro deles ocorreu entre os dias 6 a 8 de setembro (2017), o simpósio preparatório para o Fórum Argentino de Alto Nível sobre Cooperação para o Desenvolvimento. O acontecimento foi organizado pelo Governo do país e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA). Além de debater a Agenda 2030, o momento serviu também para reflexões acerca dos 40 anos do Plano de Ação de Buenos Aires.

O simpósio contou com a participação de 120 especialistas de diversos países desenvolvidos e em desenvolvimento, desde representantes de Governos nacionais a pessoas que atuam em organismos internacionais, na sociedade civil e no setor privado. Ao longo do evento, foram realizadas atividades como painéis de discussão e oficinas técnicas.

Outro momento marcante foi a Exposição Global sobre Desenvolvimento Sul-Sul (GSSD, sigla em inglês), que ocorreu entre os dias 27 e 30 de novembro, em Antália, na Turquia. O tema deste ano focou no estado da Cooperação Sul-Sul na era de transformações econômicas, sociais e ambientais. Para tanto, foram promovidas discussões sobre formas de facilitar a criação de novas parcerias, tanto bilaterais quanto trilaterais, com vistas a dar concretude as Agendas 2030 por meio de ações “do Sul para o Sul”.

Recebendo a participação de representantes de 120 países, foram também objetivos do GSSD dar visibilidade a práticas e iniciativas relevantes que estão sendo implementadas, assim como canalizar esforços para criação de uma rede de stakeholders*, envolvendo sociedade civil e organizações internacionais.

Para alguns dos países protagonistas nas agendas de cooperação, 2017 também foi um ano cheio de novidades. Um exemplo foi o Brasil, que, neste ano, sua Agência Brasileira de Cooperação (ABC) completou 30 anos de existência. Desde sua criação, em 1987, a ABC atua na coordenação, negociação e supervisão de programas e projetos de cooperação técnica em vias de negociação, ou implementados junto a parceiros nos âmbitos bilateral, regional e multilateral. Já foram executados cerca de 3.000 projetos em 108 países presentes no Sul global (África, América Latina, Ásia e Oceania).

Agência Brasileira de Cooperação

Em artigo publicado na imprensa brasileira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, destacou que a ABC foi a primeira agência de cooperação criada por um país em desenvolvimento e que seus projetos e programas de cooperação técnica na África melhoram as condições de vida das populações locais e ainda servem para melhorar a imagem do Brasil no exterior, de modo a ser importante instrumento da política externa brasileira. 

Ademais, como forma de encontrar meios para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas e driblar a crise econômico-financeira que o país enfrenta, a ABC se dispôs, por meio do lançamento do manual de “Diretrizes Gerais para a Concepção, Coordenação e Supervisão de iniciativas de Cooperação Técnica Trilateral”, a fornecer orientações gerais que facilitem e fortaleçam a implementação e a gestão de projetos e programas de cooperação técnica desenvolvidos na modalidade Trilateral, que são os programas e projetos desenvolvidos ou pelo Brasil e dois países em desenvolvimento; ou pelo Brasil, um país em desenvolvimento e um desenvolvido; ou pelo Brasil, um país em desenvolvimento e uma organização internacional. 

2018 reserva bons momentos de revisão para os próximos passos da cooperação internacional entre países em desenvolvimento. Os 40 anos desde o primeiro grande marco mostram que a proposta amadureceu, ganhou corpo, parceiros e adeptos, que a executam de diversas formas, sejam os chineses, brasileiros e indianos. Trata-se de uma experiência multifacetada, porém respaldada pelo interesse em compartilhar boas práticas e recursos com vistas a consecução de objetivos para o desenvolvimento.

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Nota:

* Stakeholders é um termo empregado pela própria ONU, referindo-se às principais organizações e atores interessados e impactados diretamente pelo trabalho desenvolvido pela Organização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio de San Martín, onde ocorrerá o evento da Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Cooperação SulSul, em 2019 ” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/San_Mart%C3%ADn_Palace

Imagem 2 GSSD Expo 2017” (Fonte):

http://www.expo.unsouthsouth.org/2017-antalya/

Imagem 3 Agência Brasileira de Cooperação” (Fonte):

http://www.abc.gov.br/imprensa

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEUROPA

O papel da cooperação marítima nas relações entre China e Rússia

O cenário internacional usualmente se desenvolve em um dinâmico balanço de interesses entre seus atores, regidos especialmente pela batuta das principais potências. O reassentamento de aspirações políticas constitui-se como um processo complexo, com frequência gestado sutilmente a ponto de que só a partir de um determinado momento torna-se mais evidente.

Ao longo dos últimos quatro anos, a percepção geral é de que este processo tem se acelerado. As causas desta percepção podem ser múltiplas, mas quiçá tornou-se mais evidente porque – no emaranhado diálogo internacional – o tom predominante das pautas liberais passou a dividir mais espaço com as sutilezas da lógica de poder.

A anexação da península da Crimeia pela Rússia, em março de 2014, é um dos mais perceptíveis indicadores desta realidade. Um ponto de inflexão na, até então, relativamente estável estrutura internacional que Estados Unidos e Rússia modelavam – com considerável supremacia americana – na arena internacional após o fim da União Soviética.

A real intensidade do abalo que a Rússia imprimiu à ordem internacional com sua movimentação sobre a Crimeia ainda está sendo discernida pelos especialistas. Contudo, já foi suficiente para trazer à tona desdobramentos instigantes sobre o potencial de influência do eixo Beijing-Moscou sobre a agenda internacional, notadamente para a seara de defesa e segurança.

Dmitry Medvedev, ex-presidente russo, com Hu Jintao, ex-Primeiro-Ministro chinês, em uma visita de Estado (maio 2008)

Nos últimos 20 anos esta relação passou por períodos de altos e baixos, a depender da modelagem da arena internacional em cada momento histórico. A atual emergência desse eixo é alimentada principalmente pela gradual exclusão que a Rússia vem sofrendo do circuito político ocidental, representada pelas restrições financeiras impostas por meio das sanções estadunidenses e europeias. Fato este que catalisou a congruência dos interesses e necessidades da Rússia, carente de recursos financeiros para manter sua economia mais dinâmica, e da China, desejosa de acelerar sua capacidade de projeção de poder. 

Esta colaboração ainda é uma realidade em amadurecimento. Sua evolução depende de muitos elementos, mas parece encontrar uma lacuna favorável neste momento de fragilidade na coesão entre as potências ocidentais. Por isso, a aproximação entre os dois países vem ganhando contornos de maior destaque nos últimos anos, principalmente nas tratativas militares e econômicas.

Uma das faces mais visíveis e constantes da relação entre os dois países é a sua cooperação marítima. Desde 2003 as duas nações desenvolvem exercícios navais conjuntos sob as denominações Coalition, Peace Mission, Peace Shield e Joint Sea. A mais recente série desses exercícios, a Joint Sea, tem sido realizada ininterruptamente desde 2012.

Navio cruzador da Marinha Russa denominado Pedro, o Grande, durante um exercício

A versão 2017 do exercício conjunto Joint Sea foi realizada no período de 21 a 28 de julho, segundo informado pela Agência TASS. Ainda segundo a agência de notícias russa, o exercício teve com foco ações de defesa antissubmarino, antiaérea, antinavio, de combate à pirataria e de busca e salvamento. O aumento da capacidade de operação conjunta e a interoperabilidade das duas armadas também estiveram no plano de trabalho.

Até 2014, os exercícios navais tinham se concentrado basicamente nos mares adjacentes à China, ou seja, praticamente limitados ao leste asiático. Somente em 2009 as operações conjuntas tinham saído desta área. Foi durante o exercício Peace Shield 2009, simulado no Golfo de Áden e no Oceano Índico para adestrar as esquadras no combate à pirataria naquela região.

Contudo, a partir de 2015 as escolhas do teatro de operação dos respectivos exercícios passaram a expressar o novo tom que Rússia e China estão tentando dar para a sua colaboração. Com a aumentada complexidade dos exercícios, eles passaram a abranger mais de uma fase, sendo usualmente uma delas realizada em uma área de interesse direto da China e outra em área de interesse direto da Rússia.

Destroier chinês atracado

Em 2015, as áreas escolhidas foram o Mar do Japão e o Mar Mediterrâneo. Já em 2016, as águas contempladas foram as do Mar do Sul da China. No ano de 2017, a primeira fase da Joint Sea, mencionada anteriormente, foi realizada no Mar Báltico, sendo que a segunda está agendada para o próximo mês de setembro, novamente no Mar do Japão e adjacências. Nota-se, portanto, que a cooperação marítima tem sido bastante instrumental para a assertividade dos anseios geopolíticos das duas nações, concentrando-se onde ambos possuem interesses vitais para a projeção do seu poder.

A linguagem subliminar dessas atividades de cooperação marítima entre Rússia e China oferecem uma amostra incisiva da predisposição de ambos a projetar seu poder globalmente, lançando mão de mecanismos além do soft power. A latência do pacífico como uma área geopolítica – e não só econômica – de contraponto ao tradicional eixo do Atlântico Norte, encontra nesta colaboração um fato portador de futuro.

A China dá mostras gradativas de que está se movimentando para descolar-se da tônica mais econômica que até pouco tempo rotulava a sua inserção internacional. A colaboração atual com a Rússia, devido ao elevado expertise do seu setor militar, pode tornar-se uma peça chave no processo de superação da ainda restrita capacidade chinesa de projeção de poderio militar, especialmente do seu poder naval*.

Certamente este é um esforço de longo prazo que o Governo da China terá que empreender, em essência, por motu proprio. Entretanto, assim como a China soube se posicionar no sentido de potencializar os laços econômicos com os Estados Unidos e países da Comunidade Europeia nas décadas de 1980 e 1990, para impulsionar seu crescimento econômico de forma mais independente, também é plausível que ela extraia de uma possível cooperação marítima de longo prazo com a Rússia um impulso importante para adquirir a capacidade de desdobrar-se como um poder naval em escala mundial.

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Notas:

* Existem vários tipos de sistemas que classificam as marinhas conforme seu poder de alcance. Em muitos deles a capacidade de operar plenamente em escala global é atribuída somente aos Estados Unidos. Alguns aliados norte-americanos, como Reino Unido e França, têm capacidade imediatamente inferior, ou seja, projetam poder globalmente só que de forma limitada. Países como Rússia e China ocupam posições mais abaixo na escala, geralmente relacionadas com capacidade de projeção de poder em âmbito multirregional ou regional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da península da Crimeia com suas principais cidades” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Crimea

Imagem 2 Dmitry Medvedev, expresidente russo, com Hu Jintao, exPrimeiroMinistro chinês, em uma visita de Estado (maio 2008)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sino-Russian_relations_since_1991#/media/File:Dmitry_Medvedev_in_China_23-24_May_2008-1.jpg

Imagem 2 Navio cruzador da Marinha Russa denominado Pedro, o Grande, durante um exercício” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_Navy#/media/File:Tactical_exercises_of_the_Russian_Navy.jpg

Imagem 4 Destroier chinês atracado” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/People%27s_Liberation_Army_Navy#/media/File:CNS_Kunming_(DDG-172).jpg

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

EUA celebra acordo de exportação de carne bovina para a China

No último dia 11 de maio, os Estados Unidos da América (EUA) e a República Popular da China anunciaram os resultados iniciais do “Plano de Ação de 100 Dias”, acordado no início de abril deste ano (2017). Os líderes dos dois países estabeleceram acertos comerciais que envolvem alguns pontos centrais de disputas entre EUA-China, os quais envolvem setores de serviços financeiros, energia e comércio agropecuário. O acordo visa reduzir o déficit comercial dos norte-americanos com os chineses, que no ano passado (2016) foi de aproximadamente 350 bilhões de dólares. Ademais, o mercado chinês é o principal destino das exportações de produtos agrícolas dos Estados Unidos, que em, 2016, totalizaram cerca de US $ 21,412 bilhões, e vem crescendo 1.100% desde 2000.

No início de abril, Xi Jinping, Presidente da China, reuniu-se na Flórida com Donald Trump, Presidente estadunidense, quando definiram pautas a serem estipuladas dentro de 100 dias. Os dois Presidentes destacaram na ocasião a importância da relação bilateral entre as duas maiores economias do planeta. Naquele momento, Trump atenuou as severas críticas feitas à China durante sua campanha presidencial, quando acusava o Governo chinês de adotar políticas comercias injustas, além de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para beneficiar as exportações do seu país. Apesar das críticas, o Governo Trump afirmou mais recentemente a possibilidade de usar questões de disputas comercias com a China como espécie de moeda de troca, caso o Governo chinês se disponha a cooperar na ameaça representada pela Coreia do Norte.

Nesse aspecto, contudo, Zhu Guangyao, Vice-Ministro das Finanças chinês, segundo a BBC, ressalvou que as questões econômicas não deveriam ser politizadas, e que sua equipe se concentrou apenas na relação comercial e econômica. Ademais, assim como os Estados Unidos, a China também busca ampliar seu acesso ao mercado. Nesse âmbito, analistas argumentam que tanto os Bancos quanto o segmento de aves chinesas, que sofre uma série de restrições à importação, deverão ser beneficiados pelo acordo.

Fonte: Brahman Baby – Wikipedia

Alguns analistas assinalam, entretanto, que essa flexibilização para a importação de aves chinesas visa uma reciprocidade quanto à carne bovina estadunidense. De acordo com o comunicado da administração Trump, o acerto prevê que Pequim autorizará até 16 de julho as importações de carne bovina, data que marca o centésimo dia das negociações. Desde 2003, a China suspendeu a compra de carne bovina oriunda dos EUA, em virtude da descoberta de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “mal da vaca louca”. A doença foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985. A EEB provoca a degeneração do sistema nervoso central, que provoca a morte dos animais. A ingestão de alimentos ou derivados contaminados pode resultar na perda da coordenação motora, demência e morte.

O primeiro caso de EEB nos Estados Unidos foi registrado no Estado de Washington (Oeste do país) há 13 anos. Na ocasião, Japão e Coreia do Sul, que consistiam nos dois maiores mercados consumidores de carne bovina estadunidense suspenderam a importação. A medida foi seguida por outros países como Tailândia, Malásia, Austrália, Rússia, África do Sul, China entre outros. O episódio provocou a queda nas exportações norte-americanas em todo mundo, que passaram de US$ 3 bilhões, em 2003, para 1,1 bilhão de dólares, no ano seguinte.

Assim, há anos existe uma forte pressão do setor dentro dos EUA para o restabelecimento do comércio de carne bovina com a China. No ano passado (2016), o Governo chinês chegou a levantar a proibição de importação da carne de procedência norte-americana, entretanto o intercâmbio comercial foi baixo. Em pronunciamento à imprensa, Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos Estados Unidos, conforme destacou The Guardian, a relação EUA-China está alcançando um novo patamar, particularmente no que tange ao comércio. Para Ker Gibb, presidente da Câmara Americana de Comércio de Xangai, as medidas representam um bom começo, mas não um avanço, segundo ressaltou a Reuters. No mesmo sentido, Christopher Balding, professor de finanças da Universidade de Pequim, também segundo The Guardian, destacou que, embora não seja um grande anúncio, ele também não é irrelevante. Balding pontua ainda que é difícil precisar se as relações entre os dois países estão em outro patamar, haja vista o comportamento inconstante do Presidente estadunidense.

Fonte: Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina – Wikipedia

Assim como ocorreu com os Estados Unidos, em 2012 o Brasil teve suspensa a importação de carne bovina pela China, em virtude de casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina. Naquele ano, as exportações brasileiras para o mercado chinês totalizaram cerca de US$ 37,7 milhões. Em 2014, o Brasil aceitou receber uma missão técnica chinesa que iria reavaliar as condições da carne brasileira. No ano seguinte, os dois países assinaram um acordo sanitário que viabilizaria a retomada da importação de carne bovina brasileira.

Neste ano (2017), após a Operação Carne Fraca, que apontou a fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, a China havia anunciado a restrição temporária da importação de carne, mas, no dia 25 de março, o Governo chinês anunciou a reabertura dos mercados à carne brasileira. Segundo Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC), conforme o Notícias Agrícolas, a perspectiva é de que o Brasil aumente suas exportações de carne bovina que no ano passado foi de 300 mil toneladas, isso porque outros fornecedores como, por exemplo, Austrália e Estados Unidos, não serão capazes de atender a evolução do mercado chinês.

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Fontes Imagens:

Imagem 1Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Brahman Baby(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bovinos#/media/File:Brahman_Baby.jpg

Imagem 3 Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Encefalopat%C3%ADa_espongiforme_bovina

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]O novo enfoque para Ásia do Governo estadunidense[:]

[:pt]

A viagem do secretário de Estado Rex Tillerson à Ásia introduziu para a nova cena diplomática estadunidense mensagens que consolidam o interesse da administração Trump em construir um arcabouço cooperativo amplo com os já tradicionais aliados Japão e Coréia do Sul, mas também com a China, cujas disputas comerciais, político-diplomático e territoriais constituíram entendimentos dúbios sobre se haveria na China interesse em formalizar uma parceira estratégica para essa nova era da política estadunidense, ou se o relacionamento teria como base a competição estratégica.

Em Tóquio, para iniciar o giro asiático, Tillerson se encontrou com o chanceler japonês Fumio Kishida, uma reunião complementar àquela ocorrida em fevereiro na residência de Trump, em Mar-a-Lago, Flórida, com o primeiro-ministro Shinzo Abe, quando discutiu o futuro da relação Estados Unidos-Japão diante das tensões recorrentes na região.

Com seu homônimo japonês, o Secretário de Estado, assim como fez ao longo do giro pela Ásia, solicitou uma nova abordagem para a Coréia do Norte depois de vinte anos de diplomacia e incentivos não terem alcançado o objetivo do desarmamento nuclear.

O Chanceler, que chegou para sua primeira viagem ao continente após quinze dias de Pyongyang ter lançado quatro mísseis de longo alcance no Mar do Japão, também pediu maior cooperação entre Washington, Tóquio e Seul, mensagem que é sempre lançada por diplomatas estadunidenses que visitam a região.

Na segunda etapa da viagem, em Seul, Tillerson usou de tom mais incisivo para alertar que uma ação militar contra o norte da península era cogitada, especialmente se o programa de armas atingisse nível que requeresse uma ação preventiva, embora preferencialmente deva ser evitada em detrimento de negociações multilaterais.

O Secretário, que se reuniu com autoridades governamentais que cuidam dos assuntos de Estado desde a destituição da presidente Park Geun-hye, também declarou o fim da “paciência estratégica”, uma crítica ao antecessor, Barack Obama, reafirmando que medidas em segurança e econômicas são as principais diretrizes do novo Governo para eliminar as tensões na região.

Na China, Rex Tillerson se reuniu com o presidente Xi Jinping e, com um tom conciliatório e cuidadoso ao extremo, de acordo com alguns especialistas em China, demonstrou publicamente os anseios de desenvolver maior cooperação e alargamento das relações, principalmente no que tange as instabilidades com a Coréia do Norte.

Após o encontro, em entrevista coletiva com o chanceler Wang Yi, o Secretário de Estado repetiu o tom conciliatório e cooperativo afirmando que o relacionamento EUA-China seria orientado pelo “não-conflito, não confronto, respeito mútuo e cooperação ganha-ganha”, termos estes duramente criticados dentro dos Estados Unidos e saudado pela cúpula do Partido Comunista chinês.

Os termos “respeito mútuo” e “não-confronto”, de acordo com diplomatas estadunidenses, são codificados em Beijing para acomodação norte-americana em uma esfera de influência chinesa na Ásia, ou seja, os Estados Unidos, diante da interpretação oriental, recuariam e respeitariam as demandas da China sobre temas como Taiwan, Tibet e Mar da China Meridional. Quanto à expressão “ganha-ganha”, ainda dentro do entendimento chinês, seria como se a China ganhasse por duas vezes.

Em complemento ao encontro Estados Unidos-China, os programas nucleares e de mísseis da Coréia do Norte, que estavam no topo da agenda de Tillerson nesta visita, ganharam apoio do chanceler Wang, que, dias antes, propôs a Pyongyang que congelasse seu desenvolvimento nuclear, tendo como contrapartida ação igual em relação aos exercícios militares conjuntos realizados por Estados Unidos e Coréia do Sul.

Diante de um enfoque voltado para recrudescer o papel beligerante da Coréia do Norte na região, a viagem do secretário Tillerson à Ásia, que culminou em uma abordagem militar, possivelmente trará alguns aspectos proibitivos para que essa opção não seja aprofundada. Primeiro, em virtude do programa THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), desenvolvido pelos Estados Unidos, que consiste na colocação de mísseis antibalísticos na Coréia do Sul. A China considera a colocação do escudo THAAD como uma ameaça à sua segurança nacional e, ao partir do pressuposto de que a viagem tenha sido para estabelecer parcerias, essa iniciativa militar na Coréia do Sul levaria a um impasse.

Outro fator considerado por especialistas em Ásia é a opção militar contra Pyongyang, que culminaria em instabilidade, tal como testemunhado no Iraque, Afeganistão e Síria, conflitos estes que apresentaram inúmeras imprevisibilidades, incluindo nas consequências.

Ainda em complemento a essa conjuntura, uma mudança de regime, ou um conflito militar abrangente na fronteira com a China poderia acarretar em um ambiente desestabilizador, não obstante o aspecto nuclear e, por conseguinte, uma abordagem alternativa liderada por Beijing com conotação diplomática, tal como a Six-Party Talks (Coréia do Norte, China, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos), seria uma oportunidade, apesar de ter sido rechaçada no passado recente por Obama e provavelmente não seria a primeira opção para Trump.

Ao colocar a opção militar sobre a mesa, a administração Trump pressiona a China a impor novas ações contra a Coréia do Norte por seu próprio ímpeto, uma vez que as recentes provocações de Kim Jong-un pressionaram Beijing a parar as importações de carvão norte-coreano até o fim de 2017, passo considerado ousado por analistas internacionais e que a administração Trump poderia usar para domar o imprevisível regime norte-coreano.

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Imagem 1À esquerda o Ministro de Relações Exteriores do Japão Fumio Kishida, Secretário de Estado Rex Tillerson e Yun Byungse, Ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rex_Tillerson#/media/File:Secretary_Tillerson,_Japanese_Foreign_Minister_Kishida,_and_South_Korean_Foreign_Minister_Yun_Pose_for_a_Photo_Before_Their_Trilateral_Meeting_in_Bonn_(32897966296).jpg

Imagem 2Secretário de Estado, Rex Tillerson com o presidente chinês, Xi Jinping” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China%E2%80%93United_States_relations#/media/File:President_Xi_Jinping_Greets_Secretary_Tillerson_(33139050550).jpg

Imagem 3THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) é lançado durante teste de interceptação” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:The_first_of_two_Terminal_High_Altitude_Area_Defense_(THAAD)_interceptors_is_launched_during_a_successful_intercept_test_-_US_Army.jpg

Imagem 4Zona desmilitarizada que separa a Coréia do Sul do Norte” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Korean_Demilitarized_Zone#/media/File:070401_Panmunjeom3.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEURÁSIA

A questão atual da Coreia do Norte - além do receio da arma nuclear

O ano de 2017 iniciou trazendo dúvidas sobre o futuro das relações internacionais, após as eleições presidenciais realizadas pelo globo. Nesse sentido, há convergência entre os analistas e observadores internacionais de que a maior notícia em todo o planeta foi a Eleição nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump. Enquanto o mundo desvia suas atenções para Trump, refletindo sobre os casos que o envolvem com os russos, sobre os temas polêmicos a respeito da imigração, entre outros, Kim Jong-un – Presidente da Coreia do Norte – também se tornou notícia permanente, mas sem destaque nas manchetes, exceto quando se tratou da questão da Segurança Internacional.

A Coreia do Norte sempre foi um tema com maior repercussão na Ásia e nos Estados Unidos devido à posição geográfica estratégica do país e pelo envolvimento direto estadunidense em apoio aos inimigos declarados de Pyongyang*. Mas, até no continente asiático, o líder supremo norte-coreano veio sendo ofuscado pela incerteza do futuro das relações nipônicas, das relações sul-coreanas e das relações de outras nações da região com Washington, sendo mais ofuscado ainda pela repercussão que vem tendo o Impeachment da presidente sul-coreana Park Geun-hye.

Durante o tempo em que estadunidenses, russos e sul-coreanos eram as pautas mais importantes, Kim Jong-un foi notícia especialmente em relatórios de Direitos Humanos na Organização das Nações Unidas e, na própria Coreia do Norte, sobre os temas relevantes ao seu Governo, ressaltando-se que a agência de notícias oficial do país, a KCNA, tem a agenda presidencial como principal base de suas pautas. Como ilustração, a Agência relata o líder supremo visitando internatos, obras de infraestrutura, fábricas de processamento de soja e temas ligados a relações externas, como, por exemplo, quando Kim Jong-un felicitou formalmente Mohamed Abdullahi como Presidente da República Federal da Somália.

O país tem suas riquezas e, curiosamente, a falta de modernidade em seu território o leva a preservar uma grande parcela da tradicional cultura coreana, desde a arquitetura até outros traços culturais típicos de seus costumes que, hoje, perdem espaço na região sul da península, devido a modernização dos centros urbanos. Existem centros literários na Coreia do Norte e fora dela mantendo artigos escritos antes de os residentes da península criarem o atual alfabeto de língua coreana, e preservando materiais que ainda usavam caracteres chineses como escrita principal. Além disso, estão sendo criados centros de estudos fora do país, como na Rússia, e outros espaços para a preservação e divulgação de sua cultura pelo mundo.

Como os especialistas ressaltam, certamente, se as fronteiras do país fossem abertas e um estudo detalhado fosse realizado de forma livre, a ONU iria tombar muitas áreas como patrimônio cultural e histórico da humanidade na região norte da península e, assim, a violação dos Direitos Humanos não seria a única preocupação na Coreia do Norte. O país tem um grande potencial humano em arte e esportes e tem feito um significativo investimento em modalidades desportivas, realizando eventos constantes de diferentes esportes e sempre mantendo participações positivas em eventos internacionais pela Ásia e até em grandes acontecimentos globais, como na Olimpíada, a exemplo da Rio 2016, quando os norte-coreanos ficaram na 34ª posição, à frente de muitos países mais desenvolvidos.

Vale ressaltar que a Coreia do Norte, considerada o Estado mais isolado do mundo, tem suas potencialidades em atividades artísticas, esportivas e para o turismo, mas o grande questionamento da sociedade internacional é sobre o motivo de ela investir recursos que o mundo não tem certeza de suas origens para suas Forças Armadas e ter realizado pouco aporte para a base de sua sobrevivência alimentar, cultural e infraestrutura, carecendo, por isso, da participação das instalações industriais de origem sul-coreana para manter uma margem maior de pessoas empregadas no país. Em muitos momentos, a impressão gerada é de que os seus governantes priorizam ser manchete dos noticiários internacionais através de fatos considerados negativos pelos meios de comunicação, mas estes podem refletir de diretamente na reputação do povo coreano.
Conforme foi divulgado, a União Europeia listou a Coreia do Norte como um dos destinos mundiais para lavagem de dinheiro e, nesta semana, o país realizou mais um teste de míssil balístico, algo que lhe colocou como principal assunto em alguns lugares. O teste do Pukguksong-2 teve sucesso, sendo aclamado como grande vitória e avanço em Pyongyang*, mas desagradou a comunidade internacional.

Todas as parte devem exercitar a contenção e manter conjuntamente a paz e a segurança na região”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang. Chineses e russos mostraram-se preocupados, porém eles foram alvos de cobranças e crítica por parte do Japão, que pede aos principais aliados de Kim Jong-un atitudes consideradas pelos japoneses como mais produtivas.

Enquanto Kim visitava algumas regiões do seu país, seus engenheiros mantinham seus programas de mísseis a todo vapor, tanto que, poucos dias antes do atual ensaio, alguns mísseis de alcance intermediário (IRBM) haviam sido testados, mas sem a grande repercussão que teve o Pukguksong-2. O foco nas eleições americanas e os noticiários sobre escândalos em Seul** deixou a face norte da península mais tranquila para os preparativos de seus testes, uma vez que ficou longe da pressão costumeira, que é sempre aumentada com mais sanções, as quais o país vem constantemente sofrendo ao longo dos anos, mas nada, até hoje, impediu suas ações.
Segundo um grupo expressivo de analistas, falar da Coreia do Norte é falar de risco nuclear, mas também é falar de um país asiático com potenciais não explorados. Por isso, evitar focar apenas em temas de segurança traz a possibilidade de que o país não seja um caso perdido para a comunidade internacional, pois, por mais que os norte-coreanos tenham de receber ajuda humanitária para manterem sua sociedade e em poucos momentos sejam abertas portas para confraternização entre os coreanos do Sul e do Norte, há espaço para a aproximação e convergência, logo inserção na comunidade internacional. No entanto, ressaltam os observadores internacionais, tais esforços positivos regridem a cada teste bélico executado.

O ano de 2017 está começando com novos líderes mundiais no comando de importantes nações com poderio econômico e militar. Conforme vem sendo destacado, muitos deles estão adotando diálogos firmes e duros quando o assunto é o Estado norte-coreano, bem como sobre qual será o futuro na península coreana, além de refletirem sobre um possível reinício da Guerra da Coreia, ou sobre o fim da cúpula política que exerce o poder na região norte-coreana. Tais questões e reflexões poderão nortear o comportamento desses líderes, bem como as relações desses Estados com a Coreia do Norte.

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* Capital da Coreia do Norte, sede do Governo

** Capital da Coreia do Sul, sede do Governo

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Imagem 1 Kim Jongun em escola primária em Pyongyang” (Fonte Divulgação KCNA***):

http://www.kcna.kp/kcna.user.special.getArticlePage.kcmsf

Imagem 2 Sala usada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Direitos_Humanos_das_Nações_Unidas#/media/File:UN_Geneva_Human_Rights_and_Alliance_of_Civilizations_Room.jpg

Imagem 3 Kim Jongun visitando obras de estrutura urbana na capital norte coreana” (Fonte Divulgação KCNA***):

http://www.kcna.kp/kcna.user.special.getArticlePage.kcmsf

Imagem 4 Kim Jongum com soldados” (Fonte Divulgação KCNA***):

http://www.kcna.kp/kcna.user.special.getArticlePage.kcmsf

 Imagem 5 Míssil de médio alcance nortecoreano” (Fonte Divulgação Yonhap News):

http://spanish.yonhapnews.co.kr/northkorea/2017/02/13/0500000000ASP20170213000200883.HTML

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*** Todas as imagens da Agência de Notícias Norte-Coreana (KCNA, sigla em inglês) são de livre divulgação

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEURÁSIA

[:pt]As regiões da Eurásia e do Oceano Pacífico como Zona de Influência da China[:]

[:pt]

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump em relação a uma postura protecionista dos Estados Unidos nos assuntos da política internacional tem suscitado o debate acerca do papel que a China terá na estruturação da ordem global. A postura do líder chinês Xi Jinping na Conferência Econômica Global de Davos, em janeiro (2017), demonstra o compromisso do seu país com o aprofundamento da globalização e de um ambiente global que estimule a conectividade entre as nações, a cooperação para ganhos mútuos (win-win) e a continuidade dos altos fluxos de comércio e investimentos. Neste sentido, a retirada dos Estados Unidos em relação às negociações sobre a Parceria Transpacífico (TPP)* se tornou a primeira grande vitória de Xi Jinping no âmbito da economia internacional neste ano (2017), sem que precisasse realizar qualquer ação direta. Paralelamente a isto, avança a iniciativa chinesa de estabelecer a Nova Rota da Seda, um plano de construção de obras de infraestrutura através do território da Eurásia, englobando mais de 60 países.

Tal postura trouxe a questão da expansão da zona de influência chinesa em duas regiões de grande importância estratégica: a massa continental da Eurásia e o leste asiático, que compreende a zona do Oceano Pacífico.

Em relação a Eurásia, afirma-se que a potência que seja capaz de exercer influência sobre este território, teria a maior capacidade de projeção de poder a nível global. O exercício de poder terrestre sobre esta região tem um potencial de produzir um repositório de recursos e bens que, se associado a um poder marítimo, acarretará possibilidades de alteração da balança de poder do sistema internacional, pois permitirá desenvolver meios para tentar controlar as regiões que tem em seus territórios áreas costeiras, produzindo um poder anfíbio, capaz de enfrentar o poder marítimo das potências insulares, nos primórdios a Grã-Bretanha e posteriormente os EUA.   A Eurásia se destaca pela abundância de recursos naturais e energéticos, além da importância logística e geoestratégica. De forma aproximada, é possível afirmar que o seu território se estende desde a Europa Oriental até os limites da Ásia Oriental; de norte a sul seus limites compreendem desde a linha do Círculo Ártico até os desertos e montanhas da Ásia Meridional. A Eurásia possui massas aquáticas de importância estratégica e comercial, tais como o Mar Báltico, o Mar Negro, o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico.

O sudoeste da Eurásia, partindo dos limites entre o território Indiano e Chinês, se estendendo pela Ásia Central e Meridional e chegando até o Irã constitui parte importante dos corredores de articulação econômica que a China pretende avançar através do componente terrestre da Nova Rota da Seda. Denominam-se de Estados pivôs os territórios que são essenciais para que determinada potência consiga exercer sua influência em determinada zona estratégica. Estes possuem concomitantemente algum tipo de vulnerabilidade, normalmente militar ou mesmo econômica, que os tornam mais suscetíveis de serem atraídos pela força gravitacional emanada pela influência política de potências maiores.

Na Eurásia, alguns dos mais importantes Estados Pivôs são o Irã, o Paquistão e o Afeganistão. O Irã é um país rico em petróleo, controla metade das margens do Golfo Pérsico, tem acesso ao Mar Cáspio. A cooperação econômica e militar com o Paquistão pode servir como forma de balanceamento em relação à Índia, tentando impedir a preponderância geoestratégica deste país na Ásia Meridional. Além disso, o Paquistão é um país de grande população e que notadamente possui armamento nuclear. O Afeganistão é um país extremamente instável seja no aspecto político, seja no aspecto econômico e sua importância para a ação chinesa na região reside no fato de que a influência sobre o Afeganistão pode facilitar o acesso tanto ao Irã, quanto ao Paquistão. Além disto, sob a perspectiva chinesa, o Afeganistão e o Paquistão são aliados que possibilitam o acesso da China aos recursos naturais da Ásia Central.

No Oceano Pacífico, a situação é um pouco mais complexa, visto que os Estados Unidos possuem uma rede de alianças históricas que incluem o Japão, a Coréia do Sul, o Vietnã, as Filipinas e a Austrália, além de uma constelação de bases militares. Mais importante que isto, a permanência da independência de Taiwan como aliado dos Estados Unidos é um problema estratégico para os interesses vitais do Estado chinês. O Mar do Sul da China é uma zona de vulnerabilidade na qual o país tentará exercer maior controle, devido a grande importância representada para o escoamento de produtos e acesso a recursos naturais. Disputas por territórios ricos em petróleo e gás natural na região se limitaram até o presente momento à esfera judicial, envolvendo a China e reivindicações do Japão, de Taiwan, do Vietnã, da Malásia, de Brunei e das Filipinas. Os Estados Pivôs nesta região são justamente a Coréia do Sul e as Filipinas, países com os quais os chineses ainda não possuem influência significativa, devido a preponderância do poder norte-americano.

O posicionamento da China na Eurásia cresce em importância, na medida em que avançam os tratados de cooperação com países da região.  Os projetos de infraestrutura da Nova Rota da Seda e as instituições ligadas a esta iniciativa são a principal contribuição da China para o bem público global durante o seu processo de ascensão. Qualquer estruturação do sistema internacional dependerá da negociação entre a influência dos Estados Unidos e a emergência chinesa. Neste sentido, a China vem consolidando seu poder terrestre voltado para a Eurásia, através de uma diplomacia realizada por meio de fluxos comerciais e de investimentos, além de procurar aumentar seu poder marítimo no Oceano Pacífico como forma de dissuasão de possíveis ameaças aos seus interesses estratégicos.

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* O TPP consiste em um acordo de liberalização comercial elaborado no período do Governo de Barack Obama, envolvendo os países localizados no território do Oceano Pacífico e excluindo a China.

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Imagem 1 Mapa regional da Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Eurasia_(orthographic_projection).svg/2000px-Eurasia_(orthographic_projection).svg.png

Imagem 2 Transpacific Partnership” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/What_Is_TPP.jpg

Imagem 3 Mapa regional da Ásia Oriental ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/1-12_East_Asia_Green-Grey.png/1280px-1-12_East_Asia_Green-Grey.png

Imagem 4 Xi Jinping, 7º Presidente da República Popular da China, durante a cúpula dos BRICS no ano de 2015” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/Xi_Jinping,_BRICS_summit_2015_01.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Ano do Galo e a política econômica da China na Era Trump[:]

[:pt] O “Ano do Galo” “Exibido. Franco. Corajoso. Consciente de suas obrigações sociais. Bravo combatente dos adversários. Multitarefa. Concentrado. Sensível e atencioso com os amigos. Sempre alerta, é meticuloso e detalhista. Dispensa projetos menos arriscados…

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