ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

A delicada relação entre Rússia e a União Europeia

A Federação Russa e a União Europeia (UE) desenvolveram relações bilaterais fortes até 2014. De acordo com folhas fatuais do Parlamento Europeu, o Kremlin e Bruxelas trabalharam juntos em áreas como comércio, energia, pesquisa, cultura, segurança, não proliferação de armas nucleares e resolução de conflitos no Oriente Médio, inclusive, a UE apoiou a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio, completada em 2012. Contudo, os laços construídos enfraqueceram-se com o impasse sobre a Crimeia e, cerca de um ano mais tarde, a intervenção de Putin na Guerra da Síria como amparador do regime de Assad contribuiu para aumentar as tensões entre seu país e o Ocidente.     

O Conselho da União Europeia enumera as sanções repetidamente impostas à Rússia desde março de 2014, que englobam: – medidas diplomáticas (ex. suspender reuniões do G8 e manter o formato das reuniões como G7, suspensão do suporte ao país na acessão à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE); – medidas de restrições individuais (tal como banir a entrada de certos cidadãos e organizações russas na UE); – restrições nas relações econômicas entre Crimeia e Sebastopol (ex. proibir a importação de bens destes territórios, limitar comércio e proibir o suprimento de atividades turísticas nos mesmos); – sanções econômicas gerais; – medidas concernentes à cooperação econômica entre UE e Rússia. Ainda, a UE implementou sanções no mercado energético russo, porém, limitadas ao petróleo, uma vez que os países do Bloco estão entre os maiores consumidores de gás proveniente de lá (em 2018, cerca de 40% de todo o gás importado veio da Rússia).

Putin em reunião com representantes de Crimeia e Sebastopol

Deste modo, cabe salientar que as relações entre a Federação Russa e a União Europeia no atual contexto são de caráter mutualista e não-facultativo: a UE necessita da energia russa, e a Rússia está atrelada ao mercado europeu. Apesar de o Bloco europeu ser reconhecidamente unido na liberdade de bens e movimento entre cidadãos de seus Estados Membros, divergências entre os governantes dos países com relação a decisões tomadas por Bruxelas são inevitáveis.

A doutora Kristi Raikk, diretora do Instituto Estoniano de Política Internacional, acredita que a UE peca em não ter uma “direção comum nas políticas com relação à Rússia. Tal premissa é fundamentada nas posições de líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, que enfatizou que a Rússia pertence à Europa e ofereceu-se para sediar a Cúpula Normandy Four, em 2019, com foco a chegar a um consenso sobre os conflitos em Donbass, na Ucrânia. Já a Chanceler alemã, Angela Merkel, ajudou a sustentar as sanções impostas à Rússia, mas sem comprometer a construção do gasoduto Nord Stream 2, que deve dobrar o envio de gás natural à Alemanha neste ano (2020). Em contrapartida, os países do leste europeu, sobretudo a Polônia e os países bálticos, veem as investidas francesas e alemãs com desconfiança, e mesmo uma prepotência reducionista a seus próprios interesses, de acordo com a doutora Raikk.   

Mais recentemente, após o surto do Covid-19 e mesmo apresentando uma resposta admirável à pandemia, a Rússia tem sido severamente criticada por suposta campanha de desinformação lançada no Ocidente. Em relatório lançado pelo Serviço Europeu de Ação Externa em 16 de março (2020), o Kremlin é apontado como gerador de pânico e discórdia nos países europeus através de uma suposta campanha online de fake news em vários idiomas, utilizando dados confusos e perniciosos para dificultar a resposta da União Europeia à crise.

De acordo com a Reuters, que teve acesso ao documento, a desinformação espalhada pelo Kremlin tem o escopo de “agravar a crise na saúde pública dos países Ocidentais…em linha com a estratégia mais ampla do mesmo de subverter as sociedades Europeias”. O porta-voz do governo, Dmitry Peskov, apontou a falta de evidências no relatório e salientou que “Estamos falando novamente sobre alegações infundadas, as quais, no atual contexto, são provavelmente o resultado de uma obsessão anti-Rússia”.

Um gesto do presidente Putin colocou em evidência as acusações feitas pela agência da União Europeia: no domingo passado (22 de março de 2020), uma operação do Exército russo denominada “De Rússia, com Amor, enviou ajuda médica para a Itália. Naquele dia, ao menos três aviões carregados com caminhões de desinfestação de veículos, prédios e locais públicos, equipamentos médicos e profissionais da saúde saíram de Moscou rumo às cidades italianas mais atingidas pelo Coronavírus. O Ministro da Defesa russo disse que o auxílio total consiste em nove aviões militares tripulados com brigadas médicas compostas por virologistas e especialistas médicos de alto escalão. A ajuda foi prontamente agradecida pelo Primeiro-Ministro italiano, Giuseppe Conte.

Caminhão da operação ‘De Rússia, com Amor’ – retirada de Ministério da Defesa da Rússia

Ainda que delicadas, as recorrentes relações Federação Russa – União Europeia restam inabaladas pelos conflitos de caráter subjetivo que surgem como efeito de uma era de informações abundantes, irrestritas e não-filtradas. O espírito de cooperação impera no momento singular em que vivemos, e mesmo que os resultados por vir desta crise global se manifestem nos âmbitos político e econômico, talvez sirvam como catalisadores de uma mudança geral de mentalidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emmanuel Macron, Vladimir Putin e Angela Merkel” (Fonte): http://www.kremlin.ru/events/president/news/55010/photos/49345

Imagem 2 Putin em reunião com representantes de Crimeia e Sebastopol” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/63021

Imagem 3 Caminhão da operação De Rússia, com Amor’ – retirada de Ministério da Defesa da Rússia” (Fonte): http://eng.mil.ru/en/news_page/country/[email protected]

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

O prolongamento do poder político de Putin

Estigmatizado, segundo biógrafos, como detentor de um exacerbado conservadorismo contra a degeneração moral do Ocidente, estruturando a defesa de um “caminho russo” em face das supostas manobras hostis do exterior e defendendo a afirmação de uma potência eurasiana como contrapeso à esfera atlântica, aceita-se, no entanto, que Vladimir Vladimirovitch Putin, atual Presidente da Rússia, desenhou por mais de duas décadas uma colcha de retalhos ideológica, apresentando, de um lado, um toque de pragmatismo político onde a objetividade, a praticidade e a sustentabilidade eram, na sua visão, a essência da bandeira russa, ao mesmo tempo em que, do outro lado, defendia, com a mão pesada do Estado, ações ideológicas antiocidentais, com o objetivo de estabilizar um país seriamente afetado pela gigantesca crise econômica e social que a abalaram em tempos recentes, tentando erradicar as feridas de um passado tenebroso, paralelamente à tomada de ações que garantam a defesa da soberania do país.

Em 16 de fevereiro (2020), após a assinatura de uma vasta reforma constitucional, a Federação Russa se prepara para novos desígnios de governança que estão se alinhando no cenário político do país. Putin, que desde 1999 vem exercendo na maior parte do período o comando absoluto como Chefe de Estado, poderá, através de uma Emenda Constitucional acrescentada à reforma proposta, estender seu papel como líder da nação eslava por mais doze anos (até 2036), após o término do seu mandato constitucional, que se encerrará em 2024.

Presidente russo Vladimir Putin

A aprovação da Reforma pelo Tribunal constitucional um mês após essa assinatura veio reiterar o que já havia sido sinalizado numa entrevista coletiva no final de 2019, quando Putin afirmava que a Constituição “é uma ferramenta viva, que deve corresponder ao nível de desenvolvimento da sociedade” e que “tudo, em princípio, pode ser alterado de uma maneira ou de outra”.

Para os críticos dessa “manobra” política, um novo Estado totalitário está se desenhando, antes mesmo que o mandato de Putin termine em 2024, possibilitando ao Kremlin reconsolidar o poder do regime sem que a sociedade russa ou observadores locais e estrangeiros tenham tempo para reagir. O cenário do primeiro período do governo de Putin foi que a Rússia ainda era um país europeu baseado em regras no estilo da democracia liberal ocidental, e apenas estava se tornando uma exceção devido a circunstâncias históricas difíceis, pois havia pelo menos uma pretensão de observar normas constitucionais no modelo político do Ocidente, como os limites de mandato.

Para esses críticos, os principais perdedores deste jogo político serão os “liberais do sistema” que ainda esperavam uma mudança política incremental de cima para baixo na Rússia, começando com um sistema político mais competitivo em 2024. Agora, muitos desses “liberais do sistema” podem estar inclinados a acreditar que têm mais em comum com a oposição do que com o Kremlin.

Tribunal Constitucional da Federação Russa

Considerada como uma revolução legal, as reformas propostas também sugerem Emendas Constitucionais para ampliar as garantias sociais, como a introdução da indexação anual das pensões entre outros benefícios socioeconômicos. A mensagem para o eleitor russo médio parece ser que uma ordem sociopolítica mais paternalista está a caminho, principalmente em questões ideológicas que trouxeram Deus, as crianças e a soberania à baila das discussões, que, segundo especialistas políticos, são uma tentativa de transformar o Putinismo* em uma instituição estatal.

As declarações constitucionais vêm na esteira de acontecimentos globais, tais como retirada da Rússia de um acordo com a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para limitar a produção petrolífera, desencadeando uma queda acentuada nos preços da commodity e, crucialmente para a Rússia, na taxa de câmbio do rublo (moeda local), além do enfrentamento nacional contra a pandemia do COVID-19. Esses dois eventos poderiam abalar o status quo do atual Governo, mas, segundo apoiadores de Putin, serão parte de um episódio que fortalecerá o convencimento de que ele deve permanecer no comando para orientar a Rússia ainda mais através da turbulência global.

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Nota:

* Segundo estudos políticos, é a ideologia, as prioridades e políticas do regime de governo praticado pelo presidente Vladimir Putin. O termo é utilizado na imprensa ocidental muitas vezes com uma conotação negativa para descrever o sistema político da Rússia sob Vladimir Putin como Presidente (2000-2008) e (2012-atual), e como Primeiro-Ministro (2008-2012), em que grande parte da política e poderes financeiros são controlados por grupos de pessoas pertencentes ao círculo de confiança de Putin.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Federação Russa” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Putinismo#/media/Ficheiro:Moscow_Russia_Flag_and_Hammer_and_Sickle.jpg

Imagem 2 Presidente russo Vladimir Putin” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Putinismo#/media/Ficheiro:Vladimir_Putin_-_2006.jpg

Imagem 3 Tribunal Constitucional da Federação Russa” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Constitutional_Court_of_Russia#/media/File:Zdanie_konstitucionnogo_suda.jpg

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A escalada de tensões entre Rússia e Turquia na guerra civil da Síria

No último dia 5 de março (2020), em meio a uma desaceleração de acusações diplomáticas, a Rússia e a Turquia proclamaram um novo acordo de cessar-fogo para encerrar semanas de combate em Idlib, província da Síria localizada na porção noroeste do país e considerada o último enclave controlado pelos grupos rebeldes que lutam contra o Governo de Bashar al-Assad. Este “apaziguamento” entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, colocou a saga sobre a questão das ações militares na região perpetrada pelos dois países, momentaneamente em modo de espera.

Para se entender esse desbalanceamento é preciso voltar alguns dias no tempo, quando as relações russo-turcas testemunharam um teste de estresse e esforços de diplomacia pessoal dos dois presidentes num nível sem precedentes.

Presidente russo Vladimir Putin (esq) e presidente turco Recep Tayyip Erdogan (dir)

No dia 27 de fevereiro (2020), um batalhão de infantaria mecanizado turco, composto por cerca de 400 soldados, tornou-se alvo de um ataque aéreo em uma estrada entre al-Bara e Balyun, cerca de 5 quilômetros ao norte de Kafr Nabl, no sul de Idlib. De acordo com fontes, dois caças Sukhoi Su-34 russos e dois caças Su-22 sírios lançaram bombardeios intensivos contra alvos do Exército Nacional Sírio*, apoiado pela Turquia no sul de Idlib.

Os mesmos jatos atingiram o comboio turco em ação coordenada, forçando-o a parar e os soldados a se abrigarem em vários edifícios à beira da estrada. O que se seguiu foi provavelmente o lançamento de bombas KAB-1500L** pelos jatos russos. Dois dos edifícios desabaram no ataque, deixando pelo menos 33 soldados turcos mortos sob os escombros, o que ocasionou a pior perda sofrida num único ataque pelos militares turcos desde 1993, quando tropas turcas sofreram severas baixas devido a confrontos com guerrilheiros separatistas curdos. Em retaliação, as autoridades turcas reagiram de forma imediata, lançando manobras ofensivas, por unidades de apoio terrestre e aéreo turcos, a todos os alvos conhecidos pertencentes ao Governo sírio.

Localização de Idlib no mapa da Síria

Um dia após a ação militar, Moscou divulgou uma nota informando que não haveria indícios de ataques realizados por aviões russos na área, e que a Rússia fez o seu melhor para garantir que o Exército sírio cesse o fogo para permitir a evacuação das tropas. No entanto, na mesma nota divulgada, o Kremlin acusa que os soldados turcos não deveriam estar na área onde as operações de contraterrorismo estavam em andamento, e Ancara não havia repassado informações sobre sua presença com antecedência.
Apesar da negação do envolvimento russo e de um telefonema subsequente entre os presidentes Erdogan e Putin para arrefecimento dos ânimos, especialistas estratégicos divulgam que a escalada parece ser um movimento russo deliberado e bem calculado e a atitude de Moscou dificilmente poderia ser dada como um sinal de que está disposta a recuar de seus objetivos, tanto políticos quanto militares na região.

A Turquia, por sua vez, se vê embrenhada em uma guerra com forças sírias apoiadas pela Rússia, onde Ancara apela aos aliados (EUA e Europa) por um apoio em um conflito no qual corre o risco de minar os laços amigáveis que construiu com Moscou. O pedido é uma mudança abrupta de rumo para Erdogan depois de anos de desagravo aos parceiros americanos e europeus, e sublinha o quanto está em jogo para a Turquia enquanto mergulha no conflito sírio do lado oposto à Rússia. Embora a Turquia insista que evitará qualquer confronto com as forças russas, a pressão sobre Erdogan para responder está aumentando, à medida que o número de vítimas turcas aumenta.

Outro ponto negativo contra a Turquia é o impacto de um êxodo em massa ao norte da Síria em direção às suas fronteiras de um montante entre 1 a 2 milhões de refugiados de Idlib. Embora a Turquia planeje abrigar os que fogem da região, a situação ainda aumentaria o seu fardo que já conta com outros 3,6 milhões de refugiados sírios, operação esta orquestrada juntamente com a União Europeia.

Bombardeio na Síria

De acordo com analistas, o acerto de cessar-fogo está fadado ao fracasso, tendo como base outros acordos malsucedidos (Sochi 2018), os quais não levaram em consideração a abordagem de uma crise humanitária que envolve um deslocamento massivo de refugiados e também a consideração da criação de uma zona de exclusão aérea para impedir que jatos militares bombardeassem hospitais e escolas.

Os recentes combates na Síria vêm se somar a uma numerosa lista de fatores negativos que desencadearam o que a Organização das Nações Unidas (ONU) diz ser a pior crise humanitária em uma guerra que afastou milhões de suas casas e matou centenas de milhares.

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Notas:

* O Exército Nacional Sírio, ou mais conhecido como Exército Livre da Síria, é o principal grupo armado de oposição ao governo de Bashar al-Assad. Apesar das informações do Exército Livre da Síria afirmar, em 2013, que o número de homens que formavam o grupo militar chegava aos 140 mil guerrilheiros treinados e prontos para conflitos bélicos, o número verdadeiro de combatentes do contingente é incerto. De acordo com alguns ativistas, o ELS vem perdendo membros gradativamente. Em sua maioria, os soldados descontentes desertam para a Jabhat al-Nusra, força militar síria descrita como “o braço mais agressivo e de maior êxito da força rebelde”. Este grupo é considerado mais violento do que o Exército Livre da Síria por apresentar uma ideologia mais próxima dos fundamentalistas islâmicos.

** KAB (Korrektiruyeskaya Aviatsionnaya Bomba), ou bomba aérea com correção de trajetória, são bombas guiadas russas usadas como armas de “segunda onda de ataque”. A primeira onda de ataque é feita em conjunto com aeronaves de supressão de defesa e apenas mísseis são usados. As bombas guiadas têm a vantagem de poderem ser lançadas a maiores altitudes, após as defesas serem suprimidas. A segunda onda é feita mais dentro do território contra alvos vitais, como centros de comando, pontes etc..

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Manifestante segurando bandeira da Síria” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/thorstenstrasas/44408833692/in/photolist-2aEfT5q-gFDHXK-dPgxsT-2hBAuMa-SKF4kq-dZooQZ-TBaw58-zQBcfz-2aZZTMX-2guYdUL-6n7RFy-TLRHPr-TYwanu-2hXBZN5-2gJdNAx-e1yrAn-2iuEUxu-2iuEUCp-2iugnJj-2iugnyu-e1yrjt-dZoowe-2geFiBg-2hB97uw-q4Ncn9-o8g2KT-dZooCH-jckRav-ALSxfd-SKF4Wf-8KpanP-gLNxfx-gNgbxG-2h5MsZX-fAHAmY-4Dd2zf-2h5NcBB-NJ5jAk-fQitHd-22ert7Y-2gZeJTK-2gRg9Y4-gGUSXy-zTmkAf-zTmra1-gq3muV-TyBiK4-JYtRnh-eQEYUP-fQhqdo

Imagem 2 Presidente russo Vladimir Putin (esq) e presidente turco Recep Tayyip Erdogan (dir)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=erdogan+and+putin&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Recep_Tayyip_Erdoğan_and_Vladimir_Putin_(2017-09-28)_(03).jpg

Imagem 3 Localização de Idlib no mapa da Síria” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/[email protected]/17262895001/

Imagem 4 Bombardeio na Síria” (Fonte): https://gedes-unesp.org/bombardeios-na-siria-e-a-implosao-da-governanca-internacional/

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Desaceleração da inflação faz Banco Central da Rússia rever taxa de juros

Pela primeira vez, desde junho de 2018, a taxa de inflação anual da Federação Russa caiu abaixo dos 3%. Segundo o Serviço Federal de Estatística Estadual (Rosstat), nos últimos 12 meses, os preços ao consumidor no país aumentaram apenas 2,4% (patamar atingido em janeiro de 2020) expondo uma dinâmica de notável valorização da moeda russa (Rublo) ao longo do último ano.

Segundo especialistas, o fortalecimento da unidade monetária russa em 2019 teve um importante papel na desaceleração da inflação, levando a uma redução no custo de bens importados para as empresas comerciais russas. Como resultado, o crescimento dos preços dos produtos estrangeiros para cidadãos comuns está desacelerando, embora atualmente exista uma certa pressão sobre o rublo exercida pelo temor do mercado em torno do evento mundial do coronavírus (Covid-19) e pelo baixo preço do barril de petróleo no mercado mundial.

Moeda de um rublo da Rússia

Sob aspectos analíticos, a inflação recorde baixa na Rússia é uma vantagem clara para a economia do país, devido ao fato de que um aumento de preços tão contido poderá fornecer um ambiente muito mais previsível para fazer negócios, e também permite que as famílias planejem melhor suas despesas. Vale ressaltar que entre os principais fatores na desaceleração da inflação, segundo especialistas econômicos, está o enfraquecimento da demanda dos consumidores na Rússia. Conforme estimativas da Rosstat, em 2019, o crescimento da renda real disponível da população acelerou de 0,1% para 0,8%, demonstrando que, nas condições atuais, os russos até agora preferem economizar dinheiro em vez de gastar, gerando, como resultado, a problematização do aumento dos preços de venda pelos varejistas.

Histórico da taxa de juros da Rússia

Em decorrência deste cenário, o Banco Central da Rússia cortou sua taxa de referência sobre juros em 25 bps (basis points*) para 6,00% durante sua reunião de fevereiro (2020) e sinalizou que mais cortes nas taxas poderão ser efetivados em suas próximas reuniões, dizendo que as expectativas de inflação permanecem estáveis no geral, enquanto os riscos de uma substancial ameaça à desaceleração econômica global persistem. Ainda assim, os formuladores de políticas observaram que a recente flexibilização da política monetária pode ter um efeito ascendente mais forte sobre a inflação do que se pensava anteriormente, enquanto o surto de coronavírus será um fator de incerteza adicional nos próximos trimestres. Note-se que, em 2019, o Banco Central russo reduziu sua taxa-chave cinco vezes e reduziu-a de 7,75% para 6,25% ao ano, tornando seu valor o menor desde março de 2014. Especialistas acreditam que as ações do Banco Central serão capazes de fortalecer a demanda dos consumidores na Rússia. Em condições de inflação baixa, o regulador pode reduzir ainda mais sua taxa-chave. No longo prazo, a política das autoridades monetárias deve levar a empréstimos mais baratos, um aumento na demanda interna e no investimento. Assim, o Banco Central da Rússia será capaz de estimular a atividade empresarial e o crescimento econômico.

Logotipo do Banco Central da Rússia

Segundo analistas, com essa política regulatória, o mercado financeiro russo espera uma redução mais ativa das taxas de hipotecas. De acordo com os últimos dados do Banco Central, em 2019, a taxa média de hipotecas na Rússia caiu para 9% ao ano. O valor tornou-se o menor em todo o tempo de observação desse índice e, de acordo com os resultados de 2020, a taxa média do financiamento imobiliário poderá cair para os patamares entre 7-8%. Para comparação, há apenas um ano esse número estava próximo de 10%.

Outro ponto observado por esses analistas é que, com a redução da taxa de juros, poderá ser afetado principalmente o mercado de títulos do governo russo. A redução da taxa do Banco Central ao longo do tempo reduz o rendimento dos títulos federais de empréstimos OFZ (do russo: Облигации Федерального Займа – Títulos Federais de Empréstimo), de modo que os investidores estão tentando pré-comprar títulos a um preço de pechincha. Ao mesmo tempo, a corrida do fluxo de dinheiro para os OFZs russos pode apoiar a moeda nacional, pois, do ponto de vista dos investimentos, os OFZs permanecem mais atraentes do que os títulos governamentais dos países desenvolvidos. Além disso, os juros dos ativos russos são apoiados por fatores macroeconômicos: redução da inflação e da dívida pública, altas reservas internacionais e orçamento excedente. Tudo isso apoia a demanda por títulos e moedas russos.

A próxima reunião do Conselho de Administração do Banco Central está marcada para 20 de março de 2020 e, de acordo com as expectativas do mercado, a alta gestão do Banco Central russo poderá novamente reduzir a taxa, chegando aos 5,5% ao ano.

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Nota:

* Os pontos-base (bps) referem-se a uma unidade comum de medida para taxas de juros e outros percentuais em finanças. Um ponto-base é igual a 1/100 de 1%, ou 0,01%, e é usado para denotar a variação percentual em um instrumento financeiro. A relação entre mudanças percentuais e pontos-base pode ser resumida da seguinte forma: variação de 1% = 100 pontos-base e 0,01% = 1 ponto base.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco Central da Federação Russa” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Central_Bank_of_Russia#/media/File:Moscow_RussiaCentralBank_M00.jpg

Imagem 2 Moeda de um rublo da Rússia” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Rublo#/media/Ficheiro:Rouble.jpg

Imagem 3 Histórico da taxa de juros da Rússia” (Fonte): https://tradingeconomics.com/russia/interest-rate

Imagem 4 Logotipo do Banco Central da Rússia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Central_Bank_of_Russia#/media/File:CBRF_logo.svg

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A política externa da Turquia

A política externa do governo de Recep Tayyip Erdogan tem sido objeto de atenção já a algum tempo. O renovado interesse no mandatário turco decorre de ele buscar se consolidar como uma força política ativa em distintas questões do Oriente Médio.

Aliando um discurso extremamente nacionalista com uma aproximação de outros Estados na área, o governo da Turquia tem tentado tornar o país mais presente nos desafios políticos e se consolidar como um interlocutor razoável para países na região.

A Turquia tem buscado uma alternativa de alinhamento que alia diálogo com países e forças no Oriente Médio, bem como a consolidação de sua relação com atores extra-regionais como a China, mas, sobretudo, a Rússia.

Recentemente, o país vem empreendendo projetos ambiciosos em seu envolvimento na região. O primeiro é a presença militar na Líbia, visando, segundo Ankara, contribuir para solucionar as tensões naquele território. O segundo é o empreendimento de um gasoduto para explorar gás natural no Mediterrâneo. Em meio a esse contexto, guiada pela Rússia, a Turquia tem empreendido esforços para estabelecer um diálogo diplomático com a Síria.

O presidente Erdogan em encontro com o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin

Frente ao cenário de instabilidade do Oriente Médio, agravado pela escalada de violência entre os Estados Unidos e Irã após o ataque que matou o general iraniano Qassem Soleimani, a Turquia tomou rápidas atitudes para marcar sua posição.

Ainda que tenha condenado o ataque, Ankara não tomou ações mais enérgicas e afirmou ser favorável a uma solução para a crise. O diálogo do país com Teerã melhorou nos últimos anos, porém, como membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), é questionável se a Turquia deseja enfraquecer a posição dos Estados Unidos na região.

Até o momento, tem tomado posições pragmáticas, que podem indicar tanto o desejo de se envolver com uma questão que a desobrigue de participar do conflito entre EUA e Irã, bem como o desejo de aproveitar o momento para obter ganhos políticos.

Em 2 de janeiro de 2020, o Parlamento turco aprovou o envio de tropas do país para a Líbia. Esta decisão, resultado do diálogo entre o governo em Ankara e a gestão do primeiro-ministro líbio Fayez Sarraj, abre um novo capítulo da crise política que se estende desde 2011 naquele país.

A tropas turcas irão apoiar o Governo do Acordo Nacional (GAN), que assumiu o país no processo que seguiu à queda de Muammar Gadaffi e é reconhecido pelas Organização das Nações Unidas. Atualmente, este é frequentemente ameaçado pela ação do Exército Nacional da Líbia, grupo comandado pelo marechal Khalifa Haftar e que contesta a autoridade do governo de Trípoli.

Frente à posição de Ankara, Haftar anunciou que usará dos recursos na região para impedir exportação de gás e combustível para a Turquia. Dadas as dificuldades logísticas, o governo turco anunciou que espera contar com as bases militares da Argélia e da Tunísia para dar apoio às operações no terreno.

Através da ação militar na região, a Turquia pretende fortalecer o GAN e estabelecer um aliado no Mediterrâneo e norte da África. Em artigo publicado no dia 18 de janeiro, já frente a expectativa de um encontro a ser realizado no dia 19 de janeiro em Berlim, com o objetivo de discutir a situação da Líbia, Erdogan afirmou que o mundo “não fez o suficiente para defender atores que buscam o diálogo” na Líbia. O Presidente da Turquia também salienta que a União Europeia deve se posicionar como um “ator relevante” e alerta sobre o risco de uma escalada no terrorismo se a situação da Líbia não chegar a uma conclusão.

O governo turco também aprofundou o diálogo junto ao governo da Síria sobre questões estratégicas que vinculam os dois países. As relações entre ambos, ainda que nunca profundamente amistosas, haviam enfrentado um teste ainda mais profundo com a Operação Primavera da Paz.

Esta ação militar, empreendida pelo Exército turco no noroeste da Síria, visava criar uma “zona de contenção”, já demandada pelo país há muito tempo. Após a escalada do conflito, um acordo mediado pela Rússia permitiu estabelecer um cessar-fogo entre tropas locais e as forças da Turquia.

Em recente visita do presidente russo Vladimir Putin à Síria foi sugerida a busca de um entendimento com a Turquia através de diálogos diplomáticos. No dia 13 de janeiro foi reportado o encontro entre os chefes dos serviços de inteligência e conselheiros de segurança nacional da Síria e da Turquia em Moscou.

Os primeiros passos do diálogo não resolvem a tensão diplomática entre os dois países, marcadas por acusações mútuas, como a recente afirmação por parte do governo da Turquia de que o governo da Síria seria responsável pelas recentes agressões perpetradas por rebeldes em Idlib. Entretanto, a predisposição para dialogar com o governo sírio pode indicar que a Turquia possui outros planos, ou não deve tomar a ação na Síria como prioridade em um futuro próximo.

A Turquia ainda declarou que empreenderá a construção de campos de refugiado na zona de contenção estabelecida no nordeste da Síria. O presidente Erdogan afirmou que possui planos para restabelecer até um milhão de refugiados sírios na região. A Organização das Nações Unidas reconhece que existem 5,5 milhões de cidadãos sírios em condição de refúgio em janeiro de 2020, e 3,5 milhões destes se encontram na Turquia.

Os planos para exploração de gás natural, que envolvem um gasoduto contornando o Chipre, permitindo assim a exploração do recurso energético também no leste do mar Mediterrâneo, tem causado desentendimentos com países vizinhos.

O governo da Grécia afirmou que a medida fere a soberania sobre o mar territorial na ilha de Creta. Em 16 de janeiro, quando o presidente Erdogan se pronunciou sobre o projeto, informando que um acordo com a Líbia permitiria que os primeiros “passos concretos” fossem tomados, o Egito, ainda que não tenha se manifestado abertamente, já desenvolvia planos para explorar o gás do Mediterrâneo em conjunto com Chipre, Grécia e Israel.

Em resposta às posições sobre a operação de extração de gás na região, o porta-voz para a assuntos exteriores e política de segurança da União Europeia, Peter Stano, publicou que considera as “atividades ilegais de exploração da Turquia na Zona Econômica Exclusiva do Chipre”, pois, segundo Stano, são necessárias “medidas para criar um ambiente que conduza ao diálogo em boa fé”, complementando que as atitudes da Turquia vão, “lamentavelmente, na direção contrária”.

O Chanceler turco, Mevlüt Çavuşoğlu, reunido com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo

Observa-se que o governo da Turquia busca usar para a região uma estratégia semelhante à aplicada no âmbito interno. Ao mesmo tempo em que consegue equilibrar interesses de distintos grupos para fortalecer a posição do governo, da mesma forma também apresenta forte discurso nacionalista com a defesa de uma política com visão ampla de Oriente Médio, com a qual pretende transitar entre distintos interesses para fortalecer e remodelar a presença na região.

Obtendo presença militar e econômica também no Mediterrâneo, a Turquia busca dar passos para construir um novo modelo geopolítico para o Oriente Médio. Em meio à presente crise política da região, é notório que o país possui dificuldades em promover mudanças de posicionamento e ainda não é completamente clara a natureza de suas ações. Entretanto, é possível observar que a Turquia atua de forma incisiva e pragmática para defender seus interesses na área.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante a Conferência sobre a Líbia realizada em Berlim” (FontePágina Oficial da Presidência da Turquia no Twitter, @trpresdiency): https://twitter.com/trpresidency/status/1218935941433372672

Imagem 2O presidente Erdogan em encontro com o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin” (FontePágina Oficial da Presidência da Turquia no Twitter, @trpresdiency): https://twitter.com/trpresidency/status/1218913903633141761

Imagem 3O Chanceler turco, Mevlüt Çavuşoğlu, reunido com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo” (FontePágina Oficial de Mevlüt Çavuşoğlu no Twitter, @MevlutCavusoglu): https://twitter.com/MevlutCavusoglu/status/1218824951739736064

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

O futuro das relações entre Rússia e OPEP

Considerada um marco sem precedentes na história da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Declaração de Cooperação entre as nações do grupo, que tem por objetivo o esforço conjunto para acelerar a estabilização do mercado global de petróleo por meio de ajustes voluntários de produção, adentrou o ano de 2020 com certas preocupações que podem determinar o futuro do referido pacto.

Bandeira da OPEP

Desde sua criação, em 10 de dezembro de 2016, a Declaração passou por uma série de reuniões ministeriais entre as nações da OPEP+ (14 países membros liderados pela Arábia Saudita, em conjunto com mais 10 nações não-membros, lideradas pela Federação Russa). Na última reunião realizada em 6 de dezembro de 2019, o grupo decidiu por uma redução adicional de produção voluntária de 500 mil bpd (barris por dia) sobre os níveis acordados na 175ª Reunião da Conferência da OPEP e na 5ª Reunião Ministerial da OPEP e não-OPEP, levando a um ajuste total de 1,7 milhão de bpd (1,7% da oferta global), considerado um dos mais profundos cortes de produção desta década.

Preço do barril de petróleo Brent

Esse último acordo visa a continuidade da estabilidade sustentável dos preços do barril, prevenindo o mercado de petróleo de um excesso de oferta e tentando contrabalançar a crescente produção proveniente dos campos de “Shale” (petróleo não convencional) dos EUA, que se tornou o maior produtor mundial da commodity, além de avanços em outros países que não fazem parte da OPEP, como Brasil e Noruega.

Segundo especialistas da área energética, o preço do barril Brent deverá se estabilizar entre os 60 e 65 dólares (entre R$251 e R$272*) durante o ano de 2020, mesmo tendo sofrido uma elevação de seu preço aos 71 dólares (R$297*) devido a escalada das tensões no Oriente Médio decorrentes de embates políticos entre EUA e Irã, e anotaram no dia 6 de janeiro novas máximas de oito meses com os receios de que a oferta da commodity na região fosse prejudicada. Passados os temores, os preços dos contratos Brent recuaram quase 8%, mais do que devolvendo os ganhos e acumulando agora perdas de cerca de 2,5% no ano.

A Rússia, maior produtora petrolífera entre os dez principais membros da aliança não pertencentes ao cartel, afirmou que realizará cortes na ordem de 70 mil bpd para contribuir com os objetivos da OPEP+ no primeiro trimestre de 2020, sob o argumento de evitar uma turbulência no mercado petrolífero durante o ano, mas, ao mesmo tempo, cogitou uma possível saída do grupo futuramente. Segundo declaração do Ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, os cortes de produção de petróleo não podem ser eternos e a Federação Russa deveria ir saindo aos poucos do pacto a fim de preservar participação de mercado e implementar projetos.

Para analistas internacionais, a questão é problemática, pois deixa claro o embate entre defender o preço do petróleo no mercado mundial ou garantir a participação nesse mesmo mercado. A OPEP+, no intuito de sustentar os preços, está beneficiando os produtores de petróleo norte-americanos que ganham vantagens ao poder continuar a extrair petróleo sem nenhuma restrição.

A possível saída da Rússia do acordo de cooperação poderia provocar uma redução no preço do barril Brent em aproximadamente 5 dólares (R$20,9*), segundo especulações de mercado, pois forçará a Arábia Saudita a aprofundar mais a sua redução de produção petrolífera, mas não se sabe se terá essa capacidade ou até mesmo disposição para tal processo. A OPEP+ se reunirá novamente em Viena nos dias 4 e 5 de março (2020), quando Moscou terá a oportunidade de tomar sua decisão.

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Nota:

* Cotação de 25/01/20 >> US$ 1 = R$ 4,186.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da OPEP em Viena, Áustria” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_dos_Países_Exportadores_de_Petróleo#/media/Ficheiro:Opec_Gebäude_Wien_Helferstorferstraße_17.jpg

Imagem 2 Bandeira da OPEP” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_dos_Países_Exportadores_de_Petróleo#/media/Ficheiro:Flag_of_OPEC.svg

Imagem 3 Preço do barril de petróleo Brent” (Fonte): https://br.investing.com/commodities/brent-oil-streaming-chart