ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

O papel da Rússia na modificação da lei de espiões do Reino Unido

Em dezembro de 2019, o Comitê de Inteligência e Segurança (CIS) do Reino Unido lançou um relatório amplamente redigido sobre a influência do Kremlin na nação insular. O documento, conhecido como “Relatório Rússia”, tardou sete meses a ser apresentado, devido a particularidades internas do órgão redator. Considerado um potencial digressor da já frágil relação Reino Unido e Rússia, o compilado investigativo expôs que a intervenção russa existe, mas de maneira sutil.  

Um dos maiores marcos do relatório seria a evidência segura de interferência estrangeira no referendo do Brexit, em 2016, mas o Comitê considerou que o impacto de qualquer tentativa de espalhar influências naquela altura seria difícil de estimar, e concluiu que o Kremlin não incorreu na casuística. Contudo, o texto aponta para o intento de desintegrar e desestabilizar o Reino Unido em 2014, quando uma “fonte aberta de credibilidade” sugeriu que a Rússia buscou influenciar os movimentos de independência na Escócia.

De fato, o relatório aponta que, desde 2014, “a Rússia tem executado cyber-atividade maliciosa, para se estabelecer agressivamente em um número de esferas, incluindo a tentativa de influenciar eleições democráticas de outros países”.  Contudo, apenas após uma operação de hackear e vazar” e-mails do Partido Democrata americano, em 2016, que o Reino Unido percebeu o nível de ameaça ao qual estava exposto. O relatório ainda menciona um segundo hackear e vazar” na França, em 2017, para prejudicar o Partido Social-Liberal do qual o atual Presidente francês, Emmanuel Macron, é afiliado. 

Além das intervenções de caráter político, o documento do CIS denuncia uma suposta presença de agentes perniciosos a mando do Kremlin, os quais se utilizam do cyber-espaço para se infiltrar na chamada Infraestrutura Crítica Nacional (água, energia, telecomunicações, segurança etc.) do país e desestruturá-lo internamente. Do mesmo modo, há evidências de tentativa de coletar dados confidenciais sobre investigações criminais envolvendo agentes russos, tais como o atentado de Salisbury, em 2018, que tinha como alvo o ex-agente russo Sergei Skripal e sua filha. O envenenamento dos Skripal abalou as relações entre Rússia e Reino Unido, culminando na expulsão de diplomatas dos países. Sobre o episódio, Putin se pronunciou em 2019, dizendo que, quem quer que sucedesse Theresa May, deveria “virar essa página conectada com espiões e tentativas de assassinato”.  E ainda completou que melhores laços entre Londres e Moscou beneficiariam os interesses de cerca de 600 companhias britânicas atuantes em Londres

Putin dá entrevista para a TASS sobre agentes estrangeiros, 2020

As palavras de Putin condizem, de fato, com o que viria a ser exposto um ano depois, no Relatório Rússia, contudo, parecem uma digressão da realidade. De acordo com o jornal Express, o relatório aconselha as autoridades a “seguir o dinheiro”, expõe que Londres tem sido um verdadeiro refúgio para dinheiro “esquivo” dos russos, e alega que o próprio Reino Unido é responsável por isso.

O documento concluiu que vários governos britânicos têm “dado as boas-vindas aos oligarcas e seu dinheiro de braços abertos, providenciando os meios para reciclar financiamento ilícito através da ‘lavanderia’ de Londres, e conexão nos mais altos níveis com acesso às empresas do Reino Unido e figuras políticas”. 

Ademais, acredita-se que há cerca de 12 espiões russos sob o comando do Kremlin legalmente operando no país da Rainha. Os espiões estão bem infiltrados na sociedade britânica e podem transmitir informações militares, revelar informações sobre a infraestrutura crítica e servir como olhos do governo russo. E tudo isso sob a égide da legalidade, uma vez que não é considerado crime viver no Reino Unido como um agente disfarçado.   

O Comitê urgiu que ações sejam tomadas para subjugar a ameaça russa. A lei que ainda vigora a respeito da espionagem no Reino Unido (Official Secrets Act – Atos Oficiais Secretos) foi editada pela última vez há 31 anos e não é adequada para lidar com o advento da globalização, da tecnologia, big data e cyber-espionagem. Sob a legislação vigente, “uma pessoa que não é cidadã britânica ou servo da Coroa não comete ofensa se revela informação fora do Reino Unido”. Nesse sentido, observa-se que resta claro que tal premissa é ineficaz no combate à espionagem em tempos de mobilidade global e fronteiras flexíveis.

Após o lançamento oficial do relatório, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson retomou o projeto de reforçar a legislação antiespionagem, cuja semente foi plantada por Theresa May em 2019 e seguiu com Johnson. Entre as medidas mais imediatas estão uma atualização das definições de ofensas passíveis de sanção e o registro compulsório de agentes estrangeiros à entrada do país. Philip Ingram, um ex-coronel da inteligência britânica, disse à revista Wired que a bases de dados da Inteligência possui uma lista atualizada de espiões estrangeiros, mas não há como rastreá-los todos se vêm ao país. Ingram acredita que uma “nova legislação tornaria mais fácil removê-los (do país) caso não se declarem à entrada”. 

Boris Johnson e Emmanuel Macron – [UK Prime Minister / OGL3

Além disso, o governo britânico quer modernizar os estatutos competentes, ampliar poderes de agência aos órgãos de aplicação legal e policiamento, modernizar delitos existentes e criar novos para abranger o alcance da espionagem moderna. Ainda em finais de julho, o Ministro dos Assuntos Domésticos, James Brokenshire, anunciou que o Reino Unido pretende estreitar as regras para os vistos de investimento no país.

Para Eliot Higgins, fundador da Bellingcat (uma plataforma de investigação de mídias sociais), as medidas contraespionagem devem ser extremas e aliar-se à tecnologia, por exemplo, com o amplo uso de passaportes biométricos, pois isso faria com que a Inteligência russa tivesse que recriar suas identidades falsas; ou com o bloqueio do uso do sistema bancário. Higgins acredita que a Rússia está numa “zona de conforto”, e sabe até que ponto agir para não ser enquadrada pela lei britânica. Contudo, o conteúdo do Relatório Rússia e a seriedade de Boris Johnson indicam que a subversão causada por agentes que viam na impunidade sua maior aliada pode estar com os dias contados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hackers russos” (Fonte):

https://www.rferl.org/a/british-police-discourage-speculation-russian-ex-spy-sudden-a-critical-illness-sprikal-gru-spy-swap-2010-update/29081982.html

Imagem 2 Putin dá entrevista para a TASS sobre agentes estrangeiros, 2020” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/62924/photos/63329

Imagem 3 Boris Johnson e Emmanuel Macron – [UK Prime Minister / OGL3: http://www.nationalarchives.gov.uk/doc/open-government-licence/version/3]” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Johnson_met_with_Macron_for_Brexit_issue.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Rússia mobiliza tropas em resposta à crise no Cáucaso

Especialistas consideraram repentino, mas bem planejado, os exercícios militares protagonizados pela Federação Russa entre os dias 17 a 21 de julho (2020), quando foram mobilizados cerca de 150 mil militares, 414 aeronaves e mais de 100 navios de guerra (divididos entre o Mar Negro e o Mar Cáspio) que participaram de um evento operacional, executando um total de 56 exercícios separados, em vários graus de intensidade, como parte da verificação de prontidão de combate.

Mapa da região do Cáucaso

O Teatro de Operações fictício se deu na região sudoeste do país, o que, pela movimentação do grande número de soldados e armamentos, deixou a vizinha Ucrânia em estado de alerta, devido ao desbalanceamento geopolítico entre as duas nações, ocasionado pelo processo de anexação da Península da Crimeia em 2014, aliado a conflitos armados entre tropas do Governo ucraniano e separatistas pró-Rússia na região de Donbass, o que rendeu para a Rússia diversas sanções político-econômicas provindas dos EUA e União Europeia (UE), desde então.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, conforme relatado pela TASS, a inspeção foi projetada para avaliar a capacidade dos centros de comando militar de garantir a segurança no sudoeste do país, onde persistem ameaças relacionadas ao terrorismo. Os chefes também queriam avaliar a preparação das tropas e forças para o próximo comando estratégico Kavkaz-2020 (Cáucaso 2020, traduzido do russo) e exercício de pessoal que se realizará em setembro. O órgão também citou que a verificação surpresa de prontidão de combate das tropas é uma medida de treinamento e não é dirigida contra outros países, ressaltando especificamente que não estava relacionado com a situação na fronteira Armênia-Azerbaijão.

Antigas repúblicas soviéticas, Armênia, de maioria cristã, e Azerbaijão, nação muçulmana, estão em conflito constante desde as respectivas autonomias com o fim da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). A principal disputa, de âmbito étnico-territorialista, gira em torno de Nagorno-Karabakh, região azeri separatista situada no sudoeste da fronteira com a Armênia, que foi ocupada por azeris de origem étnica armênia, ao cabo de uma guerra, nos anos noventa, que resultou pelo menos em 30.000 mortos.

Nas últimas semanas houve diversos bombardeios pesados nas regiões setentrionais de Tovuz e Tavush, causando a morte de dezenas de militares e civis de ambos os lados. Um escalonamento do conflito se intensificou quando autoridades do Azerbaijão ameaçaram atacar uma central nuclear da Armênia, responsável pela produção de energia elétrica consumida em grande parte da região, caso ela investisse em ataques a centros estratégicos azeris.

Bandeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva

Para analistas militares, não houve a aclamada coincidência de eventos e, sim, um tipo de aviso cautelar por parte da Rússia com sua movimentação de tropas, para que as amenidades entre os dois países sejam restabelecidas sem que ela tenha que intervir belicamente, principalmente pelo fato de que a Armênia é um grande aliado russo, a qual cedeu área para implantação de base militar russa em seu território e é membro ativo da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO, do inglês Collective Security Treaty Organization), um bloco político-militar sob os auspícios da Federação Russa na região do Cáucaso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Desembarque de tropas russas” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5c/Zapad-2009_military_exercises.jpg

Imagem 2 Mapa da região do Cáucaso” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1ucaso#/media/Ficheiro:Caucasus-political_pt.svg

Imagem 3 Bandeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_de_Seguran%C3%A7a_Coletiva#/media/Ficheiro:Flag_of_the_Collective_Security_Treaty_Organization.svg

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20 anos de Vladimir Putin à frente da Rússia

O Presidente russo, Vladimir Putin. Ex-agente da inteligência soviética KGB, nascido em 1952, em Leningrado (agora, São Petersburgo), Vladimir Putin iniciou sua carreira à sombra de Boris Ieltsin, tornando-se Primeiro-Ministro da Rússia em 6 de agosto de 1999, com meros 1% de aprovação eleitoral. No mesmo ano, a renúncia de Ieltsin escalou Putin a Presidente Interino e, em 2000, foi oficialmente eleito Presidente da Federação Russa. Desde então, nunca deixou a linha de frente da política do país, tornando-se, “sem dúvida, o líder mundial de maior importância desde Winston Churchill”, na opinião do colunista Oliver Carroll, do “The Independent”.    

Ranking do PIB” (Fonte – FMI via Bloomberg)

Pouco após assumir o poder, o sucessor de Ieltsin iniciou uma jornada que levaria a Rússia ao crescimento de 7% ao ano, nos sucessivos oito anos, através de investimentos no campo energético e de petróleo e da expansão da influência russa em territórios nos quais jazia esquecida, por exemplo: estreitando laços com a China; apoiando regimes de poder locais na Síria e Líbia; suprindo aparatos de defesa aérea para a Turquia; cerrando tratados sobre fornecimento de petróleo com a Arábia Saudita; aproximando-se da Alemanha, através do suprimento de energia e construção de gasodutos. Em 2012, o país chegou perto de alcançar o patamar de desenvolvimento de Portugal, e, no mesmo ano, atingiu o pico do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, alcançando oitava posição no ranking mundial.

Embora seu governo seja marcado por alterações no escopo das próprias políticas, Vladimir Putin é reconhecido, mesmo por críticos, por ter alcançado três objetivos: construir um forte Estado Russo, consolidar a Rússia como um poder global e manter-se intermitentemente no poder. No ano 2000, seu índice de aprovação era de 64%, saltando para 80% em 2008, após os 5 dias de conflito na Georgia. Contudo, durante seu termo como Primeiro-Ministro, sob à Presidência de Dmitri Medvedev (2008-2012), sua popularidade caiu novamente para 66% e manteve-se em baixa até o impasse com a Crimeia, em 2014, quando o ex-agente viu o ápice de sua renovada Presidência (eleito novamente em 2012), com quase 90% de aprovação.

Pagamento da dívida russa

Uma das principais características de Putin no poder é sua capacidade de gerenciar o orçamento estatal. Com apenas 8% da equivalência da economia americana, a “prudência fiscal de Putin… tornou as folhas de balanço do governo algumas das mais saudáveis do mundo, ganhando reconhecimento de agências monetárias e mesmo do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, aponta a Bloomberg. De acordo com dados do FMI, a maior parte da dívida russa foi paga pelo governo de Putin. De fato, esse cuidado é refletido no novo gabinete do Presidente russo, que apontou o Chefe do Serviço de Impostos do governo, Mikhail Mishustin, para substituir o ex-primeiro-ministro Dmitry Medvedev, que pediu demissão, após as mudanças constitucionais anunciadas por Putin, em janeiro deste ano (2020).

Ora, a liderança de Putin não foi sempre linear. Gleb Pavlovsky, consultor político do Kremlin durante os primeiros 12 anos de liderança do atual mandatário presidencial da Rússia, afirma que “As pessoas pensam que se você tem um Presidente, você tem apenas uma política. Não é assim de todo. O primeiro termo de Putin não tem nada em comum com o corrente termo”. De fato, um dos primeiros passos de Vladimir Putin ao assumir a Presidência em 2000 foi em consonância com um novo realismo, projetando os interesses econômicos da Rússia, ao mesmo tempo em que reconhecia que sua imagem internacional não era positivamente elaborada, e introduzia uma política externa mais coerente, que conciliasse as visões dos Ocidentalistas (os quais defendem que a Rússia deve abrir-se para a cultura ocidental), Orientalistas (propugnam que a Rússia deve buscar mais diálogo com o oriente) e Nacionalistas.

Putin na Praça Vermelha, em Moscou, 2005

Naquele momento, essa nova vertente de fazer política fez o recém eleito Presidente cair nas graças do então presidente americano Bill Clinton, de modo que, ao se questionar o líder americano sobre a possibilidade de a Rússia juntar-se à OTAN algum dia, obteve-se a seguinte resposta: “Eu não me oponho”. Na época, acreditava-se que Putin seguiria os passos de Ieltsin e procederia com a “Ocidentalização” do país. Após oferecer suporte aos Estados Unidos em virtude do 11 de Setembro, por um breve período de tempo a relação entre EUA e Rússia estreitaram, mas as coisas tomaram um rumo diferente com a Invasão do Iraque e a revolução da Georgia (em 2003) e da Ucrânia (em 2004), que deu início a um “jogo de culpas” que segue até os dias atuais, com Estados Unidos e Rússia constantemente apontando como as políticas de cada um interfere nos assuntos domésticos do outro.

Mais recentemente, Angela Merkel (Alemanha) e Emmanuel Macron (França), embora coniventes com as sanções impostas pela União Europeia em face ao impasse da Crimeia de 2014, o qual também ocasionou a suspensão da Rússia do G8, buscam não comprometer os regalos oferecidos pelo maior país do mundo (sobretudo no campo energético e da agricultura), e o Presidente francês urge que a OTAN pare de ver a Rússia como inimiga, clamando que esta “pertence à Europa”.

Embora a Federação Russa ainda não tenha alcançado Portugal (como Putin inicialmente almejava), o padrão de vida dos russos melhorou e a expectativa de vida aumentou de 64,9 anos, em 1999, para 72,8 anos, em 2018, e a inflação caiu na faixa de aproximadamente 40% para 4%, desde a assunção de Putin ao poder. São feitos prodigiosos, considerando que a economia global sofreu vertigens e a imagem da Rússia no mundo não foi estática. Mesmo com a corrente pandemia global do Covid-19, Vladimir Putin mantém-se uma figura pragmática e imponente, lidando com os impactos de maneira resiliente e garantindo que um possível futuro termo seja melhor que o anterior, nos conformes do legado que tem deixado durante seus 20 anos à frente da Federação Russa.    

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin assume o terceiro mandato, 7 de maio de 2012” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_inauguration_7_May_2012-10.jpeg

Imagem 2 Ranking do PIB” (Fonte FMI via Bloomberg): https://www.bloomberg.com/news/features/2019-12-28/putin-s-russia-is-20-years-old-and-stronger-than-ever-or-is-it

Imagem 3 Pagamento da dívida russa” (Fonte FMI via Bloomberg): https://www.bloomberg.com/news/features/2019-12-28/putin-s-russia-is-20-years-old-and-stronger-than-ever-or-is-it

Imagem 4 Putin na Praça Vermelha, em Moscou, 2005” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Victory_Day_Parade_2005-5.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

A delicada relação entre Rússia e a União Europeia

A Federação Russa e a União Europeia (UE) desenvolveram relações bilaterais fortes até 2014. De acordo com folhas fatuais do Parlamento Europeu, o Kremlin e Bruxelas trabalharam juntos em áreas como comércio, energia, pesquisa, cultura, segurança, não proliferação de armas nucleares e resolução de conflitos no Oriente Médio, inclusive, a UE apoiou a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio, completada em 2012. Contudo, os laços construídos enfraqueceram-se com o impasse sobre a Crimeia e, cerca de um ano mais tarde, a intervenção de Putin na Guerra da Síria como amparador do regime de Assad contribuiu para aumentar as tensões entre seu país e o Ocidente.     

O Conselho da União Europeia enumera as sanções repetidamente impostas à Rússia desde março de 2014, que englobam: – medidas diplomáticas (ex. suspender reuniões do G8 e manter o formato das reuniões como G7, suspensão do suporte ao país na acessão à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE); – medidas de restrições individuais (tal como banir a entrada de certos cidadãos e organizações russas na UE); – restrições nas relações econômicas entre Crimeia e Sebastopol (ex. proibir a importação de bens destes territórios, limitar comércio e proibir o suprimento de atividades turísticas nos mesmos); – sanções econômicas gerais; – medidas concernentes à cooperação econômica entre UE e Rússia. Ainda, a UE implementou sanções no mercado energético russo, porém, limitadas ao petróleo, uma vez que os países do Bloco estão entre os maiores consumidores de gás proveniente de lá (em 2018, cerca de 40% de todo o gás importado veio da Rússia).

Putin em reunião com representantes de Crimeia e Sebastopol

Deste modo, cabe salientar que as relações entre a Federação Russa e a União Europeia no atual contexto são de caráter mutualista e não-facultativo: a UE necessita da energia russa, e a Rússia está atrelada ao mercado europeu. Apesar de o Bloco europeu ser reconhecidamente unido na liberdade de bens e movimento entre cidadãos de seus Estados Membros, divergências entre os governantes dos países com relação a decisões tomadas por Bruxelas são inevitáveis.

A doutora Kristi Raikk, diretora do Instituto Estoniano de Política Internacional, acredita que a UE peca em não ter uma “direção comum nas políticas com relação à Rússia. Tal premissa é fundamentada nas posições de líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, que enfatizou que a Rússia pertence à Europa e ofereceu-se para sediar a Cúpula Normandy Four, em 2019, com foco a chegar a um consenso sobre os conflitos em Donbass, na Ucrânia. Já a Chanceler alemã, Angela Merkel, ajudou a sustentar as sanções impostas à Rússia, mas sem comprometer a construção do gasoduto Nord Stream 2, que deve dobrar o envio de gás natural à Alemanha neste ano (2020). Em contrapartida, os países do leste europeu, sobretudo a Polônia e os países bálticos, veem as investidas francesas e alemãs com desconfiança, e mesmo uma prepotência reducionista a seus próprios interesses, de acordo com a doutora Raikk.   

Mais recentemente, após o surto do Covid-19 e mesmo apresentando uma resposta admirável à pandemia, a Rússia tem sido severamente criticada por suposta campanha de desinformação lançada no Ocidente. Em relatório lançado pelo Serviço Europeu de Ação Externa em 16 de março (2020), o Kremlin é apontado como gerador de pânico e discórdia nos países europeus através de uma suposta campanha online de fake news em vários idiomas, utilizando dados confusos e perniciosos para dificultar a resposta da União Europeia à crise.

De acordo com a Reuters, que teve acesso ao documento, a desinformação espalhada pelo Kremlin tem o escopo de “agravar a crise na saúde pública dos países Ocidentais…em linha com a estratégia mais ampla do mesmo de subverter as sociedades Europeias”. O porta-voz do governo, Dmitry Peskov, apontou a falta de evidências no relatório e salientou que “Estamos falando novamente sobre alegações infundadas, as quais, no atual contexto, são provavelmente o resultado de uma obsessão anti-Rússia”.

Um gesto do presidente Putin colocou em evidência as acusações feitas pela agência da União Europeia: no domingo passado (22 de março de 2020), uma operação do Exército russo denominada “De Rússia, com Amor, enviou ajuda médica para a Itália. Naquele dia, ao menos três aviões carregados com caminhões de desinfestação de veículos, prédios e locais públicos, equipamentos médicos e profissionais da saúde saíram de Moscou rumo às cidades italianas mais atingidas pelo Coronavírus. O Ministro da Defesa russo disse que o auxílio total consiste em nove aviões militares tripulados com brigadas médicas compostas por virologistas e especialistas médicos de alto escalão. A ajuda foi prontamente agradecida pelo Primeiro-Ministro italiano, Giuseppe Conte.

Caminhão da operação ‘De Rússia, com Amor’ – retirada de Ministério da Defesa da Rússia

Ainda que delicadas, as recorrentes relações Federação Russa – União Europeia restam inabaladas pelos conflitos de caráter subjetivo que surgem como efeito de uma era de informações abundantes, irrestritas e não-filtradas. O espírito de cooperação impera no momento singular em que vivemos, e mesmo que os resultados por vir desta crise global se manifestem nos âmbitos político e econômico, talvez sirvam como catalisadores de uma mudança geral de mentalidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emmanuel Macron, Vladimir Putin e Angela Merkel” (Fonte): http://www.kremlin.ru/events/president/news/55010/photos/49345

Imagem 2 Putin em reunião com representantes de Crimeia e Sebastopol” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/63021

Imagem 3 Caminhão da operação De Rússia, com Amor’ – retirada de Ministério da Defesa da Rússia” (Fonte): http://eng.mil.ru/en/news_page/country/[email protected]

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

A Viagem de Zelensky à Omã

No início de janeiro, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e sua família chegaram a Omã de férias, onde se hospedaram no Hotel Ritz-Carlton Al Bustan Palace, na costa do Golfo de Omã, perto da capital, Mascate. O mandatário também aproveitou a ocasião para algumas reuniões de cúpula, onde encontrou o Ministro das Relações Exteriores do Sultanato de Omã, Yusuf bin Alawi bin Abdullah. As pautas se concentraram, oficialmente, em:

– comércio bilateral;

– cooperação econômica;

– relações diplomáticas;

– investimentos na Ucrânia.

Negócios, segundo o governo

Em 2018, a Ucrânia exportou 59,12 milhões de dólares* para o Omã e importou pouco mais de 7 milhões de dólares**, mas o crescimento do comércio entre os dois países, que aumentou mais de 10% no ano passado, chegando aos 80 milhões de dólares***, levou Zelensky a propor investimentos diretos de Omã, sobretudo em setores como energia e indústria pesada, construção, agricultura, tecnologia da informação, infraestrutura, medicina e turismo.

O atual nível de cooperação bilateral ainda não corresponde ao potencial disponível em comparação com o crescimento dinâmico das relações comerciais. Zelensky também sugeriu aos parceiros de Omã que participassem de uma campanha de privatização em larga escala na Ucrânia. Na reunião concordaram em continuar a prática dos fóruns de negócios ucraniano-omani, com a participação de dezenas de empresários de Omã, relatou o Gabinete da Presidência da Ucrânia.

Yusuf bin Alawi bin Abdullah, Ministro das Relações Exteriores do Sultanato de Omã, abril de 2004

Falta de transparência

Destaca-se sobre esta viagem que nenhum anúncio oficial fora feito sobre a visita de Zelensky a Omã. Após suas férias de Ano Novo na residência presidencial de Synyohora, nos Montes Cárpatos, Zelensky retornou a Kiev e depois viajou, confidencialmente, em um voo regular, com recursos próprios, para Omã.

Suspeitas foram levantadas sobre o verdadeiro objetivo desta viagem, de que tenha sido para encontrar um alto representante do governo russo, envolvendo questões de segurança entre os dois países. Nikolai Patrushev, Secretário do Conselho de Segurança da Rússia, o segundo nome em importância depois do próprio Vladimir Putin, também teria chegado em Omã, no dia 8 de janeiro, a 1 hora da manhã, enquanto Zelensky, 24 horas depois.

Embora não haja muitas referências sobre isso, a sugestão foi feita por jornalistas investigativos da Skhemy, ligados a Radio Free Europe e a Radio Liberty (RFE/RL), financiadas pelos EUA. Se a hipótese desta reunião extraoficial se configurar verdadeira, há motivo para impeachment do Presidente ucraniano, mas, por enquanto, tudo o que se tem são suspeitas: “Um jato particular pertencente ao amigo ucraniano de Putin, Viktor Medvedchuk, teve voos entre Mascate, Omã e Moscou, Rússia, de 8 a 9 de janeiro, antes do final da visita de Zelensky. Um avião particular que trouxe Zelensky de volta à Ucrânia também chegou a Omã, com uma escala em Moscou. No entanto, não havia evidências diretas para provar esta versão e nenhuma informação estava disponível sobre os passageiros dos voos. Além disso, não havia e ainda não há provas sólidas de que Zelensky tenha tido outras reuniões em Omã, exceto as mencionadas oficialmente”.

O governo ucraniano negou veemente tal encontro do Presidente com o Secretário russo. E, diante dos fatos, ameaçou acionar judicialmente quem insistir em fazer tais ilações. No caso da denúncia já feita pelo site Skhemy, o governo ucraniano aguarda um pedido de desculpas antes de tomar as medidas cabíveis, ao que os jornalistas respondem que estão “aguardando este documento”.

Nikolai Patrushev, Secretário do Conselho de Segurança da Rússia, e John R. Bolton, ex-Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, em Genebra, 2018

Desgaste

Caso verdadeiras tais suspeitas sobre a sua viagem, Zelensky teria poucas chances de ser impichado devido à coalizão pró-governo e a maioria das cadeiras de seu Partido, o Servo do Povo, que domina a Câmara. De qualquer modo, a falta de transparência das atividades presidenciais no país árabe ensejou que grupos influentes, como o Movimento de Resistência à Capitulação, solicitassem um relatório detalhado da estada do Presidente em Omã.

Também, uma petição apresentada pelo Deputado de oposição, do partido Solidariedade Europeia, Oleksiy Honcharenko, levou a Agência Nacional de Prevenção da Corrupção a uma investigação sobre declarações financeiras públicas do Presidente, atualizando-a com gastos na visita a Omã. O Deputado também iniciou a criação de uma Comissão de Investigação na Verkhovna Rada****, que poderá levar à confirmação ou refutação das alegações feitas pelos jornalistas da Skhemy.

Se o encontro com o Secretário do Conselho de Segurança Russo for confirmado, Zelensky provavelmente será acusado de traição, afirmou o Deputado, e, muito embora o impeachment não seja uma realidade palpável, o desgaste político pode ser enorme. O fato é que tudo isso poderia ter sido evitado, caso houvesse maior transparência por parte da organização da agenda presidencial, pois, nesses tempos de rápida circulação de informações, verídicas ou falsas, todo cuidado necessário para evitar crises desnecessárias é visto como bem-vindo.

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Notas:

* Aproximadamente 276,73 milhões de reais, no câmbio de 9 de março de 2020.

** Em torno de 32,76 milhões de reais, no câmbio de 9 de março de 2020.

*** Próximos de 374,47 milhões de reais, no câmbio de 9 de março de 2020.

**** O Verkhovna Rada (Верхо́вна Ра́да Украї́ни, em ucraniano) é o poder legislativo unicameral da Ucrânia, composto por 450 cadeiras parlamentares preenchidas através do sufrágio universal. Trata-se do único órgão legislativo nacional, situado na capital, Kiev.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hotel RitzCarlton Al Bustan Palace, onde o presidente Zelensky hospedouse com a família” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Al_Bustan_Palace_Hotel_Aerial.jpg

Imagem 2 Yusuf bin Alawi bin Abdullah, Ministro das Relações Exteriores do Sultanato de Omã, abril de 2004” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Yusuf_bin_Alawi_bin_Abdullah,_2004.jpg

Imagem 3 Nikolai Patrushev, Secretário do Conselho de Segurança da Rússia, e John R. Bolton, exConselheiro de Segurança Nacional dos EUA, em Genebra, 2018” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/us-mission/42406161650

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A escalada de tensões entre Rússia e Turquia na guerra civil da Síria

No último dia 5 de março (2020), em meio a uma desaceleração de acusações diplomáticas, a Rússia e a Turquia proclamaram um novo acordo de cessar-fogo para encerrar semanas de combate em Idlib, província da Síria localizada na porção noroeste do país e considerada o último enclave controlado pelos grupos rebeldes que lutam contra o Governo de Bashar al-Assad. Este “apaziguamento” entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, colocou a saga sobre a questão das ações militares na região perpetrada pelos dois países, momentaneamente em modo de espera.

Para se entender esse desbalanceamento é preciso voltar alguns dias no tempo, quando as relações russo-turcas testemunharam um teste de estresse e esforços de diplomacia pessoal dos dois presidentes num nível sem precedentes.

Presidente russo Vladimir Putin (esq) e presidente turco Recep Tayyip Erdogan (dir)

No dia 27 de fevereiro (2020), um batalhão de infantaria mecanizado turco, composto por cerca de 400 soldados, tornou-se alvo de um ataque aéreo em uma estrada entre al-Bara e Balyun, cerca de 5 quilômetros ao norte de Kafr Nabl, no sul de Idlib. De acordo com fontes, dois caças Sukhoi Su-34 russos e dois caças Su-22 sírios lançaram bombardeios intensivos contra alvos do Exército Nacional Sírio*, apoiado pela Turquia no sul de Idlib.

Os mesmos jatos atingiram o comboio turco em ação coordenada, forçando-o a parar e os soldados a se abrigarem em vários edifícios à beira da estrada. O que se seguiu foi provavelmente o lançamento de bombas KAB-1500L** pelos jatos russos. Dois dos edifícios desabaram no ataque, deixando pelo menos 33 soldados turcos mortos sob os escombros, o que ocasionou a pior perda sofrida num único ataque pelos militares turcos desde 1993, quando tropas turcas sofreram severas baixas devido a confrontos com guerrilheiros separatistas curdos. Em retaliação, as autoridades turcas reagiram de forma imediata, lançando manobras ofensivas, por unidades de apoio terrestre e aéreo turcos, a todos os alvos conhecidos pertencentes ao Governo sírio.

Localização de Idlib no mapa da Síria

Um dia após a ação militar, Moscou divulgou uma nota informando que não haveria indícios de ataques realizados por aviões russos na área, e que a Rússia fez o seu melhor para garantir que o Exército sírio cesse o fogo para permitir a evacuação das tropas. No entanto, na mesma nota divulgada, o Kremlin acusa que os soldados turcos não deveriam estar na área onde as operações de contraterrorismo estavam em andamento, e Ancara não havia repassado informações sobre sua presença com antecedência.
Apesar da negação do envolvimento russo e de um telefonema subsequente entre os presidentes Erdogan e Putin para arrefecimento dos ânimos, especialistas estratégicos divulgam que a escalada parece ser um movimento russo deliberado e bem calculado e a atitude de Moscou dificilmente poderia ser dada como um sinal de que está disposta a recuar de seus objetivos, tanto políticos quanto militares na região.

A Turquia, por sua vez, se vê embrenhada em uma guerra com forças sírias apoiadas pela Rússia, onde Ancara apela aos aliados (EUA e Europa) por um apoio em um conflito no qual corre o risco de minar os laços amigáveis que construiu com Moscou. O pedido é uma mudança abrupta de rumo para Erdogan depois de anos de desagravo aos parceiros americanos e europeus, e sublinha o quanto está em jogo para a Turquia enquanto mergulha no conflito sírio do lado oposto à Rússia. Embora a Turquia insista que evitará qualquer confronto com as forças russas, a pressão sobre Erdogan para responder está aumentando, à medida que o número de vítimas turcas aumenta.

Outro ponto negativo contra a Turquia é o impacto de um êxodo em massa ao norte da Síria em direção às suas fronteiras de um montante entre 1 a 2 milhões de refugiados de Idlib. Embora a Turquia planeje abrigar os que fogem da região, a situação ainda aumentaria o seu fardo que já conta com outros 3,6 milhões de refugiados sírios, operação esta orquestrada juntamente com a União Europeia.

Bombardeio na Síria

De acordo com analistas, o acerto de cessar-fogo está fadado ao fracasso, tendo como base outros acordos malsucedidos (Sochi 2018), os quais não levaram em consideração a abordagem de uma crise humanitária que envolve um deslocamento massivo de refugiados e também a consideração da criação de uma zona de exclusão aérea para impedir que jatos militares bombardeassem hospitais e escolas.

Os recentes combates na Síria vêm se somar a uma numerosa lista de fatores negativos que desencadearam o que a Organização das Nações Unidas (ONU) diz ser a pior crise humanitária em uma guerra que afastou milhões de suas casas e matou centenas de milhares.

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Notas:

* O Exército Nacional Sírio, ou mais conhecido como Exército Livre da Síria, é o principal grupo armado de oposição ao governo de Bashar al-Assad. Apesar das informações do Exército Livre da Síria afirmar, em 2013, que o número de homens que formavam o grupo militar chegava aos 140 mil guerrilheiros treinados e prontos para conflitos bélicos, o número verdadeiro de combatentes do contingente é incerto. De acordo com alguns ativistas, o ELS vem perdendo membros gradativamente. Em sua maioria, os soldados descontentes desertam para a Jabhat al-Nusra, força militar síria descrita como “o braço mais agressivo e de maior êxito da força rebelde”. Este grupo é considerado mais violento do que o Exército Livre da Síria por apresentar uma ideologia mais próxima dos fundamentalistas islâmicos.

** KAB (Korrektiruyeskaya Aviatsionnaya Bomba), ou bomba aérea com correção de trajetória, são bombas guiadas russas usadas como armas de “segunda onda de ataque”. A primeira onda de ataque é feita em conjunto com aeronaves de supressão de defesa e apenas mísseis são usados. As bombas guiadas têm a vantagem de poderem ser lançadas a maiores altitudes, após as defesas serem suprimidas. A segunda onda é feita mais dentro do território contra alvos vitais, como centros de comando, pontes etc..

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Manifestante segurando bandeira da Síria” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/thorstenstrasas/44408833692/in/photolist-2aEfT5q-gFDHXK-dPgxsT-2hBAuMa-SKF4kq-dZooQZ-TBaw58-zQBcfz-2aZZTMX-2guYdUL-6n7RFy-TLRHPr-TYwanu-2hXBZN5-2gJdNAx-e1yrAn-2iuEUxu-2iuEUCp-2iugnJj-2iugnyu-e1yrjt-dZoowe-2geFiBg-2hB97uw-q4Ncn9-o8g2KT-dZooCH-jckRav-ALSxfd-SKF4Wf-8KpanP-gLNxfx-gNgbxG-2h5MsZX-fAHAmY-4Dd2zf-2h5NcBB-NJ5jAk-fQitHd-22ert7Y-2gZeJTK-2gRg9Y4-gGUSXy-zTmkAf-zTmra1-gq3muV-TyBiK4-JYtRnh-eQEYUP-fQhqdo

Imagem 2 Presidente russo Vladimir Putin (esq) e presidente turco Recep Tayyip Erdogan (dir)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=erdogan+and+putin&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Recep_Tayyip_Erdoğan_and_Vladimir_Putin_(2017-09-28)_(03).jpg

Imagem 3 Localização de Idlib no mapa da Síria” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/[email protected]/17262895001/

Imagem 4 Bombardeio na Síria” (Fonte): https://gedes-unesp.org/bombardeios-na-siria-e-a-implosao-da-governanca-internacional/