ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A crise política na Macedônia e a renúncia do primeiro-ministro Gruevski

O ano de 2015 se mostrou como extremamente turbulento para o ambiente político macedônio e, por consequência, a primeira metade do ano de 2016 tende a ser um divisor de águas no cenário local. A recente notícia de renúncia do primeiro-ministro Nikola Gruevski, a ser efetivada na sexta-feira, 22 de janeiro de 2016, é o resultado da grande incapacidade interlocutora dos setores políticos do Estado da ex-Iugoslávia.  A menos de 100 dias de uma nova eleição, o seu partido, o VMRO-DPMNE, cumpre um Acordo mediado pela União Europeia, que visa solucionar o imbróglio político que alveja os quatro maiores partidos no Congresso.

A crise política se agravou quando demonstrações nas ruas de Kumanovo, no mês de maio de 2015, colocaram cidadãos de etnia Albanesa contra a polícia, ocasionando a morte de 30 militantes durante o ato. Gruevski fora acusado de incitar a violência étnica na época, aflorando as desavenças entre os diferentes grupos étnicos constituintes do país balcânico.

Não bastasse o cenário que beirava o caos político, a Macedônia, no decorrer de 2015, se estabeleceu como uma das principais rotas utilizadas pelos migrantes que adentravam o continente europeu. Oriundos em grande maioria de países do Oriente Médio, estes buscavam refúgio no próprio país balcânico, ou o utilizavam como meio transitório para direcionarem-se a países ao norte. Incursões do Exército macedônio ao longo do ano geraram polêmica acerca da maneira como o Governo estava contingenciando a crise dos refugiados, gerando pressão externa, principalmente advinda de países da União Europeia. O fechamento de fronteiras por Skopje (capital da Macedônia – significando o centro de decisões políticas), especialmente da fronteira com a Grécia, se tornou uma medida amplamente contestada pela comunidade internacional; no entanto, a mesma foi copiada pela Hungria e tem aberto debates sobre as fronteiras europeias.

A União Europeia, que, como citado anteriormente, media as tratativas de solução da crise conjuntamente com o Governo estadunidense, tem um plano de adesão da Macedônia ao seu rol de signatários. A perspectiva de entrada no Bloco continua a influenciar a situação política do país, apesar da demora nas negociações. Não obstante a isso, o apoio à adesão à UE continua a ser forte. No início de 2006, 97% da população defendia o ingresso da Macedônia no grupo europeu. No final de 2015, o apoio à adesão na UE havia caído para 72%. Além disso, apenas 25% acreditam que a Macedônia está mais perto de aderir à União Europeia, hoje, do que estava quando, em 2005, foi dado ao país o estatuto de candidato à entrada na UE. Pela quinta vez nos últimos sete meses, o comissário europeu para o alargamento da União Europeia, Johannes Hahn, esteve na Macedônia para buscar um consenso entre os Partidos conflitantes.

Um antigo embaixador da Macedônia em Bruxelas, Nano Ruzin, falou à Deutsche Welle sobre a crise instaurada e declarou: pela primeira vez desde a queda do  comunismo, a União Europeia está lidando com uma situação na qual o Primeiro Ministro de um país candidato deve abdicar do cargo por indícios de atividade criminal e transgressões. A crise política iniciou em fevereiro de 2015, após líderes opositores proferirem denúncias a Gruevski e seu Partido, sugerindo que tivessem grampeado conversas telefônicas de 20 mil cidadãos macedônios, além de serem acusados de atividades corruptas no processo de Governo. Embora tenha negado as acusações, o Primeiro-Ministro aceitou a equipe mediadora. Conforme o Acordo, seus 10 anos de comando do país terminariam em janeiro deste ano (2016) e abririam a formação de um Governo interino até que fosse realizada uma nova eleição, em meados de abril.

Percebe-se que o maior desafio macedônio de 2016 é estabilizar a situação política do país e, pelas tratativas já iniciadas pelo Governo interino, o consenso está longe de ser atingido. Marcadas, de maneira inicial, para o dia 24 de abril, as novas eleições apresentam controvérsias no que tange o período de preparação necessária para todos os partidos apresentarem suas candidaturas e Plataformas de Governo. O Partido de Gruevski e os Partidos das minorias albanesas defendem a data previamente marcada, mas o Partido Social Democrata a contesta. Além do período de adaptação, a oposição Social Democrata contesta a transparência do processo eleitoral, exigindo medidas que assegurem que um eleitor não vote mais do que uma vez e que a liberdade da mídia seja provida. O líder oposicionista, Zoran Zaev, insiste que as reformas mediadas pela União Europeia não tiveram efeito algum, somente foram endereçadas formalmente pelo Governo da situação.

O papel da UE na solução da crise política e da crise relacionada aos refugiados na Macedônia é crucial para a estabilidade regional balcânica. Como as pretensões de política externa do Estado macedônio são de adesão à União, cabe, ao menos, alcançar os requisitos prévios do acquis da entidade continental, para que as conversas sejam reestabelecidas em âmbito geral. É de valia, como primeiro passo, organizarem eleições justas e transparentes em 2016.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.cp24.com/polopoly_fs/1.2378851.1431915804!/httpImage/image.jpg_gen/derivatives/landscape_620/image.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Caos político na Espanha e o avanço da separação da Catalunha

O ano de 2015 foi um ano complexo para a política espanhola. Se, por um lado, o país recuperou-se da crise financeira, atingindo um crescimento do PIB superior a 3%, por outro lado teve que lidar com a crescente instabilidade política e o desgaste da população, além das críticas da União Europeia e da comunidade internacional, em relação ao elevado índice de desemprego ainda registrado no país e às políticas adotadas pelo Governo de Madrid.

A Espanha teve três importantes eleições ao longo de 2015, sendo visível em cada uma delas as tensões políticas e sociais causadas por diversos fatores, tais como: a queda da qualidade de vida, devido aos anos de austeridade econômica; o impacto do processo nacionalista catalão e a situação da unidade territorial da Espanha; por último, os efeitos da crescente ameaça terrorista.

As eleições gerais realizadas no dia 20 de dezembro de 2015 culminaram no ápice do caos político existente no Estado ibérico e, mesmo com a vitória do Partido que já ocupava a Presidência (o Partido Popular – PP), o país, até o momento, não possui um Presidente instituído, mas um Chefe de Governo em funções. Isso se deve ao fato de que a Espanha é uma Monarquia Parlamentar, sendo a votação feita por Legenda e não por candidatos. Para ser instituído como Líder do Governo é necessário que o Partido vencedor das eleições tenha maioria absoluta na Câmara, seja mediante número proporcional de votos, seja mediante uma aliança com outro Partido, o que não ocorreu nas ultimas eleições. Dessa forma, um Partido pode ganhar as eleições, mas isso não implicará,  necessariamente, que um determinado candidato desse Partido presidirá o país. 

O problema que enfrenta o Presidente reeleito da Espanha é que nenhum Partido parece disposto a negociar e formar uma aliança de governo. Há, então, a possibilidade da formação de uma coligação da oposição que some maioria e acabe por governar o país, designando um Presidente diferente de Mariano Rajoy, ou institua um poder paralelo.

Talvez, o maior paradoxo da atual situação espanhola é que o Presidente em funções, Mariano Rajoy, enfrenta a mesma situação que enfrentou durante 3 meses o Presidente da região separatista da Catalunha, o Sr. Artur Más. Ambos venceram as eleições, mas, não conseguindo obter maioria absoluta na respectiva Câmara, não assumiram seu cargo.

No caso da Catalunha, o Governo decidiu instituir outro candidato da aliança nacionalista formada pela “CUP” e pelo “Juntos por el Si” (Juntos pelo Sim), sendo escolhido o Prefeito da cidade de Girona, o Sr. Carles Puigdemont, como Presidente do Governo Autonômico. Após assumir a Presidência do Palácio da Generalitat, Carles Puigdemont afirmou que continuará com o processo de separação da região, que deve durar 18 meses, criará o Banco Central da Catalunha e seu próprio sistema fazendário, além das demais instituições necessárias para a formação de um novo Estado. O Ex-presidente Artur Más será o responsável por negociar em âmbito internacional e regional o processo separatista.

O Governo Central de Madrid mantém uma postura contrária ao procedimento nacionalista, mas a falta de um Presidente instituído enfraquece sua ação política. Ainda assim, o Presidente em funções, Mariano Rajoy, voltou a ameaçar a região da Catalunha com o disposto pela Constituição espanhola, no Artigo 155, que prevê o uso de todas as ferramentas do Governo Central em caso de uma ameaça à unidade territorial da Espanha, sendo possível, em tese, destituir o Governo da Catalunha e suas instituições e, em último caso, responder militarmente à ameaça.

A Europa e as Nações Unidas seguem de perto o processo da Catalunha, que, até o momento, seguiu as diretrizes previstas pelo direito internacional e europeu. Por outro lado, a Espanha continua sem Presidente e a beira do precipício institucional e político, podendo gerar um profundo paradoxo dentro da União Europeia.

A divisão social e política que vive a Espanha é um reflexo da mudança de paradigmas que enfrentam diversos países europeus, principalmente os afetados pela crise, e das oscilações do panorama regional e internacional. Existe um abismo cada vez maior entre a realidade das pessoas e as movimentações governamentais, havendo uma crescente dificuldade em consolidar o pacto social e legitimar o Governo. A Espanha não é o primeiro país a refletir esse sintoma causado pela falta de diálogo político e, possivelmente, não será o último na região.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.mon.cat/cat/img2/2015/10/estelades_al_camp_nou_252063.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

O desafio escandinavo: a realidade social diante da onda de refugiados na Europa

Os países escandinavos localizam-se no norte europeu e são aqueles que contém língua semelhante, originária do nórdico antigo, e uma cultura comum, proveniente da herança viking. Os principais Estados são Noruega, Suécia e Dinamarca, que representam, na atualidade, uma das maiores referências de bem-estar econômico e social do mundo.

Em 2014, os três países possuíam no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) as variáveis de 0,944, 0,907, e 0,923, respectivamente, o que lhes facultam a 1a, 14a e 4a posição no ranking global. A função do IDH auxilia na mensuração da classificação da qualidade de vida das nações e sua atribuição de valores varia entre 0 e 1 na medição dos extremos sociais. Isto significa que, quanto menor o número, mais alta é a carência, e quanto maior o número, menor é a carência populacional. 

O êxito escandinavo alicerça-se em características diversas de ordem política e econômica que contribuíram para a formação de uma sociedade igualitária, todavia, uma recente preocupação com a estrutura social sobreveio a esses Estados nacionais, devido a eclosão do intenso fluxo de refugiados que a Europa recebeu ao longo de 2015.

A concentração dos refugiados na Europa deu-se na Alemanha, graças à receptividade deste país em acolher os que buscavam asilo e, é claro, pela facilidade de locomoção ao longo do território da União Europeia (UE). Porém, no momento das dificuldades, o volume expressivo começou a cruzar a fronteira com a Dinamarca e, a partir dela, alcançou a Suécia e Noruega, de modo a provocar desafios para os atores escandinavos.

No caso norueguês, o Ministro da Integração e Imigração, Sylvi Listhaug, declarou que o país terá uma das políticas de asilo mais rígidas da Europa, por causa da necessidade do recebimento e da integração dos que chegam. A expectativa da Direção de Imigração calcula uma faixa de 10.000 a 100.000 pedidos de asilo, em 2016, e o Governo decidiu restringir as condições para visto e residência, assim como flexibilizar alguns direitos da Lei de Imigração de 2008, que garantiam maior amparo aos refugiados. Um dos maiores argumentos do ministro Listhaug encontra-se “nas consequências violentas para o sistema de bem-estar norueguês”.

Na Suécia, a política de atendimento dos refugiados tornou-se um caos devido ao excesso de requerentes, sobretudo após o episódio que ocorreu no Conselho de Migração, onde tiveram que acomodar as pessoas na própria recepção e mesmo na rua. Para amenizar a situação, o Governo aderiu à ideia de partilha dos refugiados pela UE e tomou a iniciativa de instaurar o controle fronteiriço com a Dinamarca, por meio da verificação de identificação sueca em todas as ligações de transporte, algo que poderá trazer prejuízos a cerca de 100.000 pessoas.

Na Dinamarca a tensão é dupla por causa da posição geográfica do país, que fica entre a Alemanha e a Suécia, o que torna a situação ainda mais difícil, pois é constante o ingresso de refugiados nesses Estados e, com o alto risco de não receberem asilo, os mesmos podem vir a acomodarem-se ilegalmente. Segundo a avaliação da polícia dinamarquesa, 89.600 refugiados ingressaram no país no período de 6 de setembro a 28 de dezembro de 2015. Em meio a esta questão, os políticos dinamarqueses debatem propostas de leis cujo conteúdo normatizaria a espera de 4 a 8 anos para os requerentes que tiverem suas condições de asilo negadas, com a intenção de incentivar suas saídas.

O desafio é grande para os países escandinavos que, de um lado, precisam atender a seus nacionais, e, de outro, necessitam dar assistência aos milhares de refugiados que desejam asilo em seus territórios, o que constitui objeto de uma profunda análise política e social. Entretanto, sob a perspectiva realista das relações internacionais, é preciso compreender alguns fatores importantes sobre esta temática.

O primeiro fator é o direito soberano das nações de legislarem e de decidirem sobre suas próprias políticas de refugiados, o que significa a possibilidade de negação de asilos; o segundo fator envolve as diretrizes solidárias e de direitos humanos, as quais são importantes para a preservação da vida, o que representa zelar pelo bem-estar do outro; o terceiro fator refere-se ao choque cultural e religioso, pois, em sua maioria, o contingente de refugiados professa o islamismo como crença, e isto significa que as dificuldades de adaptação podem ser intensas, sobretudo com relação as tradições cristãs e modernas; o quarto fator envolve a ignorância e xenofobia com relação aos refugiados e suas práticas, o que pode representar conflitos e hostilidades; e o quinto fator é a emergência de uma prudente política de segurança, pois, infelizmente, podem existir pessoas sem escrúpulos, as quais podem ter intenções extremistas, ou mesmo de cooptação de terceiros para fins terroristas, algo que significaria a formação e atuação de agrupamentos radicais.

Em suma, sabe-se que existe um alto grau de realismo a considerar na resolução do desafio escandinavo, contudo, é imprescindível recordar a relevância do equilíbrio social, da importância do Estado para o homem e do que constitui ser humano, sem os quais tornar-se-ia impossível a convivência e retornaríamos, consoante descreve o filósofo Thomas Hobbes no Leviatã, à “condição de guerra de todos contra todos”* (págs. 47 e 48).

————————————————————————————————

* HOBBES, T. Leviatã. (Várias edições em Língua Portuguesa)

————————————————————————————————

ImagemEscandinávia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/57/Scandinavia.svg/1218px-Scandinavia.svg.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Programa Erasmus e a Diplomacia Acadêmica

O Protocolo Erasmus – mais conhecido como Programa Erasmus – foi criado pela União Europeia em 1987, com o objetivo de gerar uma rede interuniversitária entre os país membros e associados do Bloco, promovendo o intercâmbio cultural e acadêmico entre diferentes pontos do continente Europeu.

O Programa foi batizado em honra ao filosofo holandês Erasmo de Roterdã (Desiderius Erasmus Roterodamus), que ficou conhecido por viajar a diferentes locais da Europa para ampliar seus estudos e conhecimentos. Erasmus é também uma sigla para “European Region Action Scheme for the Mobility of University Students” (ou, em português, “Esquema de Ação Regional Europeia para a Mobilidade de Estudantes Universitários”).

O Projeto se transformou no maior programa de mobilidade acadêmica do mundo, obtendo importantes resultados na área de pesquisa e desenvolvimento, e também atuou como ferramenta para a criação de uma identidade europeia, formando jovens através do multiculturalismo existente dentro do Bloco.

Embora administrado pela União Europeia, as cidades que participam do ERASMUS atuam de forma paralela ao protocolo, reforçando laços acadêmicos entre cidades que compartilham ideias, modelos produtivos, ou áreas de pesquisa semelhantes. O fato de muitas cidades da Europa administrarem suas próprias universidades transformou o Programa Erasmus em uma espécie de ferramenta paradiplomática acadêmica e também diplomática para pequenas nações associadas, tais como Andorra, Mônaco e Suíça.

Regiões industriais como Catalunha, Lombardia, Baden-Wüttemberg utilizaram o Programa para estreitar seus laços diplomáticos e gerar um ambiente homogeneizado de pesquisa e desenvolvimento. Esse movimento acabou dando origem ao grupo Four Motors for Europe (Quatro Motores para Europa) aliando interesses econômicos, regionais e sociais, através da união das forças políticas das regiões e do constante intercâmbio de profissionais e alunos, usando, dessa forma, a mobilidade acadêmica como uma amálgama em seus objetivos. Em alguns casos, a própria região criou um projeto paralelo semelhante, como o programa TecnioSpring da região da Catalunha, na Espanha, que é apoiado pela União Europeia.

O Programa foi ampliado para o âmbito global através do Erasmus Mundus, seguindo as principais tendências geopolíticas e os interesses da União Europeia em se estabelecer como centro de referência e excelência acadêmica mundial. Cidades do mundo inteiro com instituições ligadas à administração pública aderiram ao Programa, gerando uma rede de mobilidade acadêmica em âmbito global.

Dado os resultados obtidos, muitos países trataram de desenvolver projetos próprios e, dessa forma, moldar a mobilidade acadêmica às necessidades da nação. O programa brasileiro Ciências Sem Fronteiras surgiu com o intuito de suprir a crescente demanda de mão de obra qualificada no Brasil. Um programa semelhante contemplando os países BRICS também foi proposto durante a última reunião do grupo.

A américa latina, apesar de suas diferentes tentativas de integração, não possui um projeto próprio, sendo grande parte dos programas de mobilidade acadêmica gerenciados por entidades filantrópicas, tais como a Fundação Carolina, ou corporações privadas, como o Banco Santander.

Talvez, com o tempo, e uma maior integração da região, a mesma possa criar um programa “Columbus” e obter, mediante a integração acadêmica e o intercâmbio cultural, um maior dinamismo interno dentro da região e uma maior sinergia entre as cidades, que pode ser conseguido através da paradiplomacia acadêmica unindo grandes metrópoles como São Paulo e México, ou os interesses de cidades turísticas, como Rio de Janeiro e Cartagena de Índias, algo que promoverá maior mobilidade e integração através do intercâmbio acadêmico.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.estevampelomundo.com.br/site/wp-content/uploads/2014/02/Erasmus-1.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

O tabuleiro energético dos Bálcãs: entre Rússia e União Europeia

Desde o final da década de 1990, empresas russas do ramo dos hidrocarbonetos têm feito incursões e investimentos nos países dos Bálcãs Ocidentais (Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro), adicionados aos países vizinhos da Bulgária e Romênia, que têm em comum um cenário onde empreendimentos russos são onipresentes no fornecimento e distribuição de petróleo e derivados. Para nomearmos um exemplo, os investimentos russos na Sérvia, entre os anos de 2003 e 2012, atingiram a marca de 2,85 bilhões de dólares americanos – dominados pela Lukoil e, posteriormente, pela Gazprom, que adquiriu parte da empresa de gás-natural sérvia NIS – deixando o Estado sérvio com 75% de suas necessidades de hidrocarbonetos atreladas a fontes russas.

Na visão russa, a liderança nos mercados dos países supracitados é crucial para manter sua influência na região. Embora aparente, a mesma pode não trazer poder político imediato aos russos, como é possível observar no caso de Montenegro, já que o pequeno país de 600 mil habitantes recentemente foi convidado a juntar-se ao rol dos signatários da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apesar de receber investimentos russos na casa dos 538 milhões de euros, entre 2001 e 2010.

Um dos projetos russos que envolvia os Bálcãs, até 2014, era o do gasoduto South Stream, que transitaria pela extensão da península balcânica até chegar à Europa central. No entanto, o projeto foi descontinuado por motivos de reorganização dos investimentos da Gazprom e da criação de novos gasodutos que passariam pela Turquia (o Turkish Stream), onde o projeto também está em perigo devido às recentes tensões entre os dois países, graças ao incidente da derrubada de um caça russo na fronteira com a Turquia.

O objetivo principal da Rússia é substituir o trânsito de gasodutos que utilizem o território ucraniano até 2020. Percebe-se que, a datar da anexação da Crimeia pela Federação Russa, as sanções mantidas pela União Europeia (EU) e os Estados Unidos à economia da Rússia têm mostrado aos russos a necessidade da busca por novos mercados e outros meios de distribuir essas commodities.

Como consequência periféricas aos danos que as medidas proibitivas causam ao desenvolvimento econômico russo, a União Europeia também é afetada pelas medidas, mostrando-se necessitada de garantir sua segurança energética através de outros fornecedores, que não o Estado russo. Sendo assim, a segurança do fornecimento europeu, especialmente nos Bálcãs, não se baseia unicamente no preço, mas também na disponibilidade e na confiabilidade dos recursos. Ariel Cohen ressalta, em artigo publicado no ano de 2014, que a “separação das agendas geopolíticas e dos modelos de negócios é necessária […], se apresentando como o maior desafio na região[…]; as democracias do sudeste europeu podem ser pegas em um jogo geopolítico entre o Ocidente e a Rússia”.

O suporte que Putin obtém em alguns países balcânicos – seja pelas “raízes históricas” ou pelos valores religiosos e sociais comuns – decresce à medida que os países adentram à Zona de Influência da EU. Como exemplo, após a Conferência que, no mês de agosto, reuniu líderes europeus para lidar com a recente crise dos refugiados que assolou o continente por todo o ano de 2015, um pacote de investimentos de fundos europeus – alcançando cifras de 600 milhões de euros – agraciará a Sérvia, Montenegro, Macedônia, Albânia, Kosovo e Bósnia e Herzegovina.

A UE vê os Bálcãs Ocidentais como uma via para a obtenção de diversificação da cadeia distributiva energética ao Bloco. Conforme suas diretrizes para uma União Energética, revelada em fevereiro de 2015, a mesma terá o papel de aprofundar a integração do Bloco com os países vizinhos, além de elevar o poder de barganha da União perante à atores externos – como a russa Gazprom. Segundo apontam, a União Energética oferece à região a oportunidade de ser uma alternativa, principalmente ao gás russo, e, por consequência, ser capaz de possibilitar a baixa os preços enquanto gradualmente expande a parcela de gás em produção de energia elétrica, aquecimento e, por fim, na indústria.

Os Projetos de Interesse Comum (PCI) buscariam conectar os Bálcãs e as regiões próximas em vias de facilitar a emergência de novas conexões e rotas distributivas dos hidrocarbonetos. Um dos projetos aprovados pelo PCI é do gasoduto Tesla, que conectaria a Grécia com a Áustria, por meio de território dos países da ex-Iugoslávia e da Hungria. A origem do gás ainda é incerta mas, de maneira inicial, seria russa, apesar de a empreitada ser financiada independentemente de capital de empresas russas. Outro projeto explicitado no PCI seria do Eastring, o qual conectaria a já existente rede de gasodutos entre a Eslováquia e Romênia.

Os Bálcãs Ocidentais estão em uma localização-chave para o abastecimento do gás-natural para a Europa. Embora seja um caminho de conexão com as reservas do Oriente Médio e da Ásia Central, a região conta com sérios problemas no quesito de ratificação do Estado de Direito, desencorajando investidores a desenvolverem novos oleodutos, terminais e novas fontes energéticas.

Para fins conclusivos, apesar dos altos investimentos que o Governo russo tem feito nos Bálcãs, as políticas da UE no quesito do alargamento têm boa receptividade com as elites políticas balcânicas. Politicamente, a adesão dos países que não fazem parte do Bloco caracterizaria um revés para Moscou, no entanto, membros que possuem bons laços com o Governo russo ainda transitariam com facilidade no mercado de fornecimento e distribuição dos hidrocarbonetos para a União Europeia.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.themoscowtimes.com/upload/iblock/859/south-stream-russia.jpg   

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Governo dos EUA amplia sanções contra Rússia

Recentemente, no dia 22 de dezembro, os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram a ampliação das sanções econômicas contra a Rússia, em virtude da Crise na Ucrânia. A Crise eclodiu em março de 2014 e, até o presente momento, deixou mais de 9 mil mortos nos confrontos entre as forças separatistas apoiadas pelo Governo russo e as forças de Kiev.

As novas sanções destinam-se a cerca de 34 pessoas físicas e jurídicas, entre elas Bancos e Corporações Empresariais, que, de acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, estariam envolvidas com a crise na Ucrânia. Segundo o comunicado do Departamento do Tesouro Norte-Americano, as novas sanções assinalam o compromisso do Governo estadunidense em encontrar meios diplomáticos para a resolução deste conflito.

Há cerca de 5 meses, no dia 30 de julho de 2015, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma lista de restrições que incluía 15 pessoas jurídicas e 11 pessoas físicas. Naquela ocasião as sanções atingiram, por exemplo, o filho do Ex-Presidente da Ucrânia Victor Yanukovich, e Roman Rotenberg, empresário ligado a várias empresas, entre elas a Gasprombank.

De acordo com o Departamento do Tesouro, as pessoas e entidades listadas estão envolvidas na crise, seja como separatistas, ex-funcionários do Governo ucraniano, além de entidades que atuam na Crimeia. Entre as novas companhias listadas, estão a Rostec, asfiliais do banco VTB na África, Cazaquistão, Armênia, Áustria, Bielorrússia e Ucrânia. Também as filiais do Sberbank na Bielorrússia, Ucrânia, Cazaquistão e Suíça, além do Sberbank Europe.

A União Europeia (UE), por meio do Coreper (Comitê de Representantes Permanentes da UE) aprovou em meados de dezembro de 2015, o prolongamento das sanções até agosto de 2016. Apesar de alguns Estados-Membros não concordarem com a extensão das sanções, em virtude dos efeitos negativos para a economia, a medida foi aprovada por unanimidade pelos 28 embaixadores. Conforme anunciou a UE, o prolongamento das sanções deve-se ao não cumprimento dos Acordos de Minsk-2 para resolução da crise na Ucrânia, cujo prazo para implementação das medidas requeridas encerra-se no próximo dia 31 de dezembro.

John Smith, Diretor Interino do Office of Foreign Assets Control (OFAC), afirmou que é de caráter primordial a adoção e o cumprimento das medidas decorrentes dos Acordos de Minsk para se chegar a uma solução diplomática e pacífica. Adicionalmente, reafirmou a política do não reconhecimento, no que tange a incorporação da Crimeia pela Rússia.  Já Will Stevens, assessor da embaixada dos EUA na Rússia, ressaltou que a decisão do Governo estadunidense visa harmonizar a agenda dos Estados Unidos e da União Europeia e, nesse sentido, diminuir o peso imposto ao setor privado.

Em resposta às decisões anunciadas, Dmitry Peskov, porta-voz do presidente da Rússia, pontuou que a ampliação das sanções dos EUA revela a continuidade de uma postura hostil, nesse caso, tanto da União Europeia quanto dos Estados Unidos com relação à Rússia. Tendo em vista o princípio da reciprocidade que prevalece no âmbito do Sistema Internacional, Peskov destacou que o Governo russo adotará medidas em resposta às sanções.

———————————————————————————————–

Fonte (Imagem):

http://www.trm.md/en/international/obama-l-a-anun-at-pe-putin-la-telefon-ca-sua-sunt-pregatite-sa-impuna-sanctiuni-suplimentare-rusiei-din-cauza-situa-iei-din-ucraina/