ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISEUROPA

[:pt]Crescimento na Europa: economia e tensões em alta[:]

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Desde o início da Crise Financeira Internacional, em 2008, este ano é o primeiro em que todos os países membros da União Europeia estão vendo sua economia crescer e deve se manter assim até 2018. Apesar da boa notícia, é necessário avaliar os fatores que promovem esse crescimento, bem como outros elementos que podem modificar o cenário regional nos próximos meses.

A taxa média de crescimento do Bloco Europeu, em 2016, foi de aproximadamente 1,9%, porém as fortes assimetrias que existem dentro do continente são refletidas nas taxas desiguais, havendo países que registram números superiores à média da União Europeia, tais como Espanha (3,2%) ou Irlanda (4,3%), e outros com índices inferiores, como a Itália (0,9%), ou a França (1,2%).

O crescimento da União Europeia coloca um ponto final a uma década de turbulências econômicas, porém são muitos os fatores que ainda podem afetar o andamento da economia da região.

Embora muitas nações registrem taxas de crescimento positivas, a dívida pública continua muito elevada. Na Espanha, ela supera 98% em relação ao PIB; na Itália mais, de 132%; na França o 93%. Isso que coloca em evidência o delicado equilíbrio das contas europeias.

O desemprego e a redução das prestações sociais são outros pontos a serem observados, já que os anos de políticas de austeridade minaram o “estado de bem-estar” em diversos países da União,  principalmente os da faixa do mediterrâneo, gerando uma crescente tensão social e problemas de legitimação das ações do Governo, algo que ficou refletido nas diversas eleições que ocorreram na Espanha, na Itália e na Grécia. A Espanha, por exemplo, realizou profundos cortes nos gastos com saúde, segurança pública, iluminação e educação, ainda assim, o Banco Central Europeu continua pressionando para a realização de novos cortes e mesmo o país registrando taxas positivas de crescimento este não é revertido em benefício para a população, mas no saneamento das contas públicas, o que, sem dúvidas, gera fortes tensões sociais e mudanças políticas bruscas.

Os efeitos econômicos da saída do Reino Unido ainda não foram perceptíveis, não havendo um prognóstico claro do impacto do mesmo. Projeções falam de até 1% de perda do PIB do Bloco devido ao impacto no sistema financeiro.

As negociações com outros Blocos e países evolui lentamente, somente as negociações com o Canadá chegaram a um consenso, outras, como as negociações com o Mercosul, seguem, praticamente, paralisadas devido a falta de consenso tanta da Europa, em relação a sua política de subvenção do setor agrícola, como do próprio Mercosul e seu impasse regional.

Os bons resultados econômicos da Europa contrastam com a situação política da região, que se agrava, devido a crescente insatisfação dos cidadãos europeus e das tensões sociais causadas por problemas internos e externos.

O discurso eurocético está aumentando e já participa dos grandes círculos de discussões políticas.  As eleições na França, Holanda e Alemanha servem de termômetro para o futuro da União.

A candidata a Presidência da França, Marine Le Pen, já confirmou diversas vezes suas intenção de realizar um Referendo para a retirada da França da União Europeia e também da OTAN, o mesmo discurso é repetido por partidos de extrema direita em toda Europa, com crescente adesão social.

As nações da Europa já não sentem tanto os benefícios de pertencer ao Bloco. As políticas de austeridade impostas pela União Europeia revelaram a deterioração da soberania dos países em relação a suas políticas econômicas, e o posicionamento frente a questões internacionais, tais como as relações com a Rússia, ou a Crise dos Refugiados, evidenciaram profundas discrepâncias que permaneciam ocultas. Uma grande onda de insatisfação se instaurou na União Europeia, embora todos pareçam ignorar o fato de que pertencer ao Bloco significasse desde o princípio não somente a obtenção dos benefícios, mas também a adesão a uma série de obrigações. O único país que havia negociado um status diferenciado dentro da União Europeia foi o próprio Reino Unido, que deu início a era da “Europe a la Carte” e sua saída do Bloco só fez aumentar a desconfiança dos países membros.

Para a Comunidade Internacional, a situação da União Europeia revela uma série de paradigmas que não podem ser negligenciados.  Por um lado, os problemas que enfrentam o Bloco Europeu são uma evidência da própria evolução da integração regional que muitas regiões emularam em seus continentes (Mercosul, NAFTA, ASEAN etc.) e que, atualmente, serve como ponto de reflexão para a evolução futura desses Blocos. Por outro lado, o crescimento econômico da região revela um lado complexo da economia internacional, já que é cada vez mais evidente que o crescimento da economia de um país ou conjunto de países, não necessariamente significa uma melhoria na condição de vida de seus cidadãos ou em um fortalecimento do pacto social. Se este crescimento se obtém mediante o sacrifício dos serviços públicos e do estado de bem-estar da população, a insatisfação gera uma reação que pode provocar mudanças profundas no sistema de governo, ou nos formuladores de políticas.

A corrida pelo PIB” que pareceu substituir a corrida armamentista gerou um efeito acumulativo do capital em lugar de sua circulação, provocando uma crescente disparidade entre nações ricas e populações cada vez mais pobres. Certo é que nem todos os países registram este efeito. Nações menos desenvolvidas registram uma leve melhoria em suas condições sociais, o que reflete positivamente os dados do sistema internacional, mas, ainda assim, o paradigma do sistema financeiro internacional está sendo cada dia objeto de dúvidas e críticas, e não somente nos círculos acadêmicos, pois também vem sendo refletido nos discursos políticos.

A União Europeia é o epicentro dessa mudança, já que alcançou índices únicos de desenvolvimento social, crescimento econômico entre nações desenvolvidas, integração regional, liberalismo econômico em algumas nações e, agora, tanto os resultados de sua evolução, como também os reflexos de suas assimetrias e mazelas não resolvidas, são colocados à prova durante processos eleitorais, como já aconteceu nas nações do Mediterrâneo e, neste momento, chegam ao coração da União.

De momento é impossível prognosticar com total certeza os caminhos que seguirá o continente europeu, mas, uma coisa é certa, se a Europa mudar, o mundo também mudará, pois, ainda que enfraquecida, é inegável sua influência política, social, cultural e econômica.

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Imagem 1 Bandeira da União Europeia em fragmentação” (Fonte):

http://kaosenlared.net/wp-content/uploads/2017/02/ue-rota-680×365.jpg

Imagem 2 Sede do Banco Central Europeu Nova instalações do BCE (abril de 2014), em FrankfurtOstend” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sede_do_Banco_Central_Europeu

Imagem 3 Serviço Naval Irlandês a resgatar imigrantes de um barco superlotado como parte da Operação Tritão, junho de 2015” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_migratória_na_Europa#/media/File:LE_Eithne_Operation_Triton.jpg

Imagem 4 Imagem em uma Bolsa de Valores, no caso a Bovespa de São Paulo Brasil” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_econômica#/media/File:Sao_Paulo_Stock_Exchange.jpg

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ANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalEUROPA

[:pt]Cresce, na Suécia, o desejo por um Svexit[:]

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No período posterior a Segunda Guerra Mundial, as nações do continente europeu estavam destruídas economicamente e possuíam frágeis Governos. Diante deste fato, dois projetos foram de fundamental importância para a reconstrução da Europa: o Plano Marshall e a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). O primeiro abrangeu financiamentos aos Estados europeus via Governo dos Estados Unidos (EUA), cujo interesse político central visava afastar os governos locais de influências de ideais socialistas, e dar a estes Estados alternativas de promoção de seus matrizes econômicos; o segundo projeto representa a cooperação supranacional entre França e Alemanha no âmbito do usufruto de carvão e aço, o qual originou a CECA, em 1952, cuja relevância para a política econômica fez aderirem a instituição os Estados do Benelux e a Itália.

Em 1958, os Estados europeus criaram a Comunidade Econômica Europeia (CEE), a qual ampliou as relações comerciais entre os signatários do Tratado de Roma, por meio da formação de um mercado comum entre os países da CECA e do Reino Unido, Irlanda e Dinamarca (1973), Grécia (1981), Portugal e Espanha (1986).

Em 1993, os países da CEE assinaram o Tratado de Maastricht que constituiu a União Europeia (UE), o maior projeto de integração regional já feito no globo, cuja principal inovação foi a implantação da cidadania europeia e a preparação para a união monetária, que se tornou realidade em 2002 e, atualmente, é utilizada por 19 dos 28 Estados-Membros.

Em 1995, a Suécia ingressou na UE, juntamente com a Áustria e a Finlândia, mas sem aderir ao Euro, e constitui uma das maiores vozes do Bloco na defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos, todavia, na atualidade, parte dos suecos encontra-se insatisfeita com os rumos políticos da Organização Internacional na qual observam entraves aos interesses sociais, sobretudo com o distanciamento entre o cidadão e as instâncias decisórias, cujas ações transparecem aos eleitores como não legítimas.

Durante o verão de 2016, os suecos foram convidados a responderem via web a seguinte indagação: Você acha que a Suécia deve realizar um Referendo sobre a adesão a UE?  A pesquisa feita pela empresa de consultoria Inizio entrevistou 1.102 pessoas maiores de 18 anos e o resultado revelou que 41% são favoráveis ao Referendo, 50% não são favoráveis e 9% demonstraram incerteza. O quantitativo de descontentes com a permanência sueca na UE vem crescendo vertiginosamente e, a nível de comparação com a pesquisa da Inizio, observa-se um aumento de 8% em relação a junho de 2015, quando somente 33% do eleitorado tinha como opinião o Svexit.

A pressão política começa a aquecer os debates em Estocolmo sobre um futuro Svexit* e já mobiliza parlamentares do Miljöpartiet Gröna, o Partido Verde sueco (MP), e especialmente dos Sverigedemokraterna, Democratas da Suécia (SD), cujo líder, Jimmie Åkesson, entende que a estrutura da UE tornou-se uma espécie de monstro, visto que cada setor dos governos locais possui um alto grau de intervenção a favor das operações e diretivas do Bloco e, conforme a Associação Sueca de Autoridades Locais e Regionais (SKL), muitas destas ações, de implementação dos ideais da UE, chegam a ultrapassar 50% das atividades. Desta forma, o parlamentar Åkesson afirmou: “Eu diria que a União Europeia tomou uma posição completamente diferente do que vinha a desenvolver. A partir de uma cooperação mais limitada, temos visto durante décadas como mais e mais poder foi transferido para Suécia a partir de Bruxelas”, ou seja, a Suécia tem perdido soberania com a redução de suas próprias decisões.

A composição desta análise centra na observação das principais razões que levaram a sociedade sueca a rejeitar cada vez mais o projeto europeu e afirmar um Svexit, e compreende-se a questão por meio de dois fatores conjunturais: a crise de refugiados e o despertar do nacionalismo. No tocante a crise entende-se que o âmago da tensão está relacionado ao recebimento do alto contingente de pessoas no território sueco, mediante a política de cotas da UE, ou mesmo do ingresso dos milhares de refugiados que buscavam a Suécia como destino final de jornada. Estas ações resultaram de um acolhimento sueco aos refugiados, o que é positivo, porém, o acréscimo de circulação de pessoas poderia ter atiçado sensações de desconforto e de insegurança por parte dos nacionais, visto que a obrigação legal com os Tratados de Direitos Humanos no âmbito do Bloco europeu os impedia de não permitir a entrada dos refugiados, além, é claro, das inúmeras situações de choques culturais, sobretudo religiosos, que as populações sofreram e cujo conteúdo pode ter ampliado ainda mais o desejo de saída da UE.

O fator do nacionalismo é basicamente um desdobramento da situação atípica que a Suécia experimentou durante os grandes fluxos de refugiados pedindo asilo, e pode ser mensurado a partir do descontentamento social presente nos momentos de ápice da crise, quando centenas de pessoas permaneciam nas ruas; todavia, a grande relevância do crescer do nacionalismo pode ser melhor compreendida por meio da já existente realidade cotidiana dos suecos em referência aos choques políticos entre o ser Europa e o ser Suécia, ou seja, o nacionalismo nada mais é que o desejo pela afirmação da soberania sueca sobre os rumos de seu próprio futuro.

O Svexit possui influências externas que trazem ânimo a causa manifestas nos diversos movimentos de caráter soberano na Europa os quais também tem interesses divergentes com as políticas europeias a exemplo do Brexit**, que representou a atenção para com o direito do cidadão de escolher seus próprios caminhos e, por extensão, de sua nação. Diante de todos estes anseios populares, especialmente, o Svexit possui ligações com várias facetas políticas, todavia o que se busca analisar é a relação de perda de cidadania frente a estrutura global da EU, cujas ações começam a dar sinais de desgaste e de perda de coesão interna.

É desta maneira que se compreende a rejeição do projeto europeu pelo líder do SD, Jimmie Åkesson, pois a questão não é finalizar com o processo de cooperação e de integração da Europa, visto que o mundo atual é globalizado e hipóteses isolacionistas configurariam em fiascos para os interesses de quaisquer Estados-Nação, e, sim, manter um espaço maior de decisão para o cidadão local. Entende-se que esta é a razão para a exortação do líder do SD para a convocação de um novo Referendo sobre a UE para o Primeiro-Ministro, Stefan Löfven, ou seja, a opção de dar ao cidadão sueco a decisão de implementar ou não um Svexit.

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* Svexit: é um termo híbrido cujo significado é saída da Suécia (Sverige).

** Brexit: é um termo híbrido cujo significado é saída do Reino Unido.

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Imagem 1 Bandeira da Suécia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Sweden_flag_waving_icon.svg/1280px-Sweden_flag_waving_icon.svg.png

Imagem 2 Bandeira da União Europeia (UE)  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa#/media/File:European_flag_in_Karlskrona_2011.jpg

Imagem 3 Jimmie Åkesson Líder dos Democratas da Suécia” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jimmie_%C3%85kesson_inf%C3%B6r_slutdebatten.jpg

Imagem 4 Vista aérea de Estocolmo” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4b/The_Outskirts_of_Stockholm.jpg/640px-The_Outskirts_of_Stockholm.jpg

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[:pt]Rota dos Bálcãs: a porta entreaberta da União Europeia[:]

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Em março de 2016, líderes da União Europeia e países vizinhos agruparam-se e em Paris como mais uma tentativa de solucionar a crise migratória que, à época, obtinha seus níveis mais altos de influxo irregular de migrantes na Europa. A Rota dos Bálcãs, caminho que transpassa os países da antiga Iugoslávia (Macedônia, Sérvia, Croácia e Eslovênia, juntamente com a Hungria), se mostrava como o principal itinerário dos migrantes oriundos do Oriente Médio que tinham vontade de alcançar os países do centro e norte europeu.

A solução se deu por vias de proceder com o fechamento do caminho que, no ano de 2015, 764 mil migrantes (entre refugiados, requerintes de asilo e migrantes de outras naturezas) percorreram para fugir dos conflitos na Síria, Iraque e Afeganistão. Parte do acordo proposto determinou que a Turquia teria de receber todos os migrantes que atravessassem irregularmente as suas fronteiras com a Grécia, levando a União Europeia (UE) a reassentar um refugiado sírio para cada outro que estivesse em processo de retorno à Turquia. Em contrapartida, a UE cessaria a obrigatoriedade de visto de entrada para cidadãos turcos, a partir de junho de 2016, e aumentaria a verba de auxílio para lidar com a crise, de 3 para 6 bilhões de euros. 

A decisão por si só se tornou polêmica. O Governo alemão se mostrava contra a medida, que, nas palavras do time de Merkel, era somente “especulativo”, mas culminou tendo forte apoio do governo francês de François Hollande, confirmando a necessidade de ajuda aos países limítrofes do Bloco (Grécia, em grande parte) para a contenção do influxo que a eles chegaria, e assim poderem remanejá-los. O Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, criticou veementemente o Acordo, que chamou de “ações unilaterais da União Europeia”, além de citar Donald Tusk, Presidente da Comissão Europeia, na ocasião, esperando que o mesmo “se esforce na implementação de decisões comuns, e em não incentivar aqueles que o ignoram”. Logo após as decisões feitas na convenção supracitada, vários países ao longo da Rota dos Bálcãs elevaram fronteiras físicas e reforçaram o controle nas mesmas, mas tais medidas, em certos casos, reanimaram inimizades em uma região da Europa na qual a estabilidade política se mostra uma aspiração que necessita de árduo trabalho para ser alcançada.

Um ponto de atrito que o Acordo gerou foi no quesito dos Direitos Humanos. O regresso forçado de migrantes é uma prática ilegal, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. As garantias estabelecidas pela Convenção das Nações Unidas para os Refugiados também serão violadas, pois, em certas ocasiões, se permite contornar a burocracia migratória em vias da busca por asilo. Organizações internacionais de proteção aos Direitos Humanos e políticos europeus, como o Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, afirmam que o Acordo estaria no limiar da lei internacional. No entanto, para a União Europeia, ele estava dentro da legalidade e em conformidade com a legislação do Bloco.

Em números absolutos, conforme relatórios da Agência de Fronteiras da União Europeia (FRONTEX, na sigla em inglês), a chegada dos migrantes que se utilizavam da Rota dos Bálcãs efetivamente diminuiu cerca de 80%, agregando o período de março de 2016 até o final do ano. O trade off da situação é a estimativa de que aproximadamente 60 mil pessoas estejam trancadas na Grécia, sendo 15 mil delas alocadas em ilhas gregas no Mar Egeu.

O papel dos países balcânicos: a tentativa de fechar a porta

Na sequência da violenta desintegração da Iugoslávia durante os anos 90, os Balcãs Ocidentais ganharam a reputação de barril de pólvora da Europa e de uma região à beira da explosão. Ainda em novembro de 2015, a chanceler alemã, Angela Merkel, alertou que o fechamento da fronteira alemã com refugiados que transitam pela rota dos Bálcãs pode provocar conflitos militares na região. Ao olhar cotidiano, as relações ainda continuam tensas.

Hoje em dia, o risco real para os Balcãs está em outro lugar. A estagnação do processo de adesão à UE, aliada às sombrias perspectivas econômicas que levam cada vez mais jovens a procurarem emprego noutros países, pode favorecer um colapso político pelo qual a UE e os seus Estados-Membros serão parcialmente responsáveis. O surgimento de tendências autoritárias em toda a região, dando saliência na Bósnia, Macedônia e na Sérvia, já está a pôr em perigo a transição democrática que a UE tem procurado promover através da sua política de alargamento. A Hungria, país que foi pioneiro na tentativa de solução da crise dos refugiados, colocando cercas em toda sua fronteira sul, advoga conjuntamente com os membros do Grupo de Visegrado, pela aceleração das conversas de entrada dos países balcânicos na UE, obtendo, assim, poder institucionalizado sobre a região – o que culminaria num maior controle de fronteiras e um possível controle de sua estabilidade.

Conforme o Presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, em vez da expansão, o papel da UE deveria ser de corrigir a suas incapacidade em abordar questões transnacionais complexas e pautar movimentos políticos que somente salientam as idiossincrasias da região: “a disseminação de movimentos populistas tem ameaçado a integração europeia e os esforços para encontrar respostas conjuntas à imigração, à  segurança e a outras preocupações comuns”. A questão será de compreensão das medidas tomadas pelos comitês centrais da União Europeia, satisfazendo as exigências necessárias.

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Imagem 1Migrantes na fronteira da Grécia com a Macedônia, próximo a cidade de Gevgelija (24 de agosto de 2015)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_migratória_na_Europa#/media/File:Arbeitsbesuch_Mazedonien_(20270358044).jpg

Imagem 2PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aléxis_Ts%C3%ADpras

Imagem 3Edifício Varsovia Spire, Sede da Frontex en Varsovia” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Frontex#/media/File:Frontex_HQ_Warsaw_Spire_office_complex_Warsaw.jpg

Imagem 4Migrantes ao longo da rota dos Balcãs Ocidentais que atravessam a Sérvia para a Hungria, 24 de agosto de 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/European_migrant_crisis#/media/File:Migrants_in_Hungary_2015_Aug_003.jpg

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[:pt]O Legado Europeísta de Mário Soares[:]

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Mário Soares, de seu nome completo Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu em Lisboa, no dia 7 de dezembro de 1924, filho de João Lopes Soares, professor, pedagogo e político da I República portuguesa, e de Elisa Nobre Soares. Casado com Maria de Jesus Simões Barroso Soares, ele teve dois filhos: João e Isabel. Soares faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, na capital portuguesa, em 7 de janeiro de 2017. Ele licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1957. Mário Soares foi professor do Ensino Secundário e diretor do Colégio Moderno, fundado por seu pai, tendo exercido advocacia durante muitos anos, principalmente durante a ditadura, altura em que trabalhou com afinco na defesa de presos políticos, no Tribunal Plenário e no Tribunal Militar Especial. Aquando do seu exílio em França, Soares foi “Chargé de Cours” nas Universidades de Vincennes (Paris VIII) e da Sorbonne (Paris IV), tendo sido igualmente Professor Associado na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha (Rennes). Durante seu percurso político obteve significativo reconhecimento, nacional e internacional. Doutor “Honoris Causa” por 36 Universidades, foram-lhe outorgadas inúmeras honrarias, em seu país e no estrangeiro.

Desde a época de estudante universitário, Mário Soares militou na oposição democrática ao regime do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar. Ele integrou o Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (MUNAF), em 1943 e, mais tarde, em 1946, foi membro da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), tendo fundado o MUD Juvenil e servido como membro da primeira Comissão Central. Em 1949, Mário Soares foi Secretário da Comissão Central da candidatura do General José Norton de Matos à Presidência da República; nove anos mais tarde, ele integrou a candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Enquanto militante político compôs a Resistência Republicana e Socialista, na década de 1950, foi redator e signatário do Programa para a Democratização da República, em 1961, tendo sido candidato a Deputado pela Oposição Democrática, em 1965, e pela Comissão Eleitoral de Oposição Democrática (CEUD), em 1969. Em resultado da sua atividade contra a ditadura, Mário Soares foi 12 vezes preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) – cumprindo um total de quase 3 anos de cadeia –, deportado sem julgamento para a ilha de São Tomé e Príncipe, em 1968 e, em 1970, forçado ao exílio em França. Decorria o ano de 1973 quando Mário Soares fundou em Bad Münstereifel, na República Federal da Alemanha, juntamente com outros opositores ao regime português, o Partido Socialista.

Após a queda de Marcelo Caetano, o herdeiro político de Salazar, em 1974, Soares regressou a Portugal, em 28 de abril, no “trem da liberdade”. Teve início, naquela ocasião, uma carreira pública que o levou a servir, além de Secretário-Geral do Partido Socialista, durante 13 anos, como Deputado em todas as legislaturas (até 1986), Ministro das Relações Exteriores (I, II e III Governos Provisórios), Ministro sem Pasta (IV Governo Provisório), Primeiro-Ministro (I Governo Constitucional, 1976-1977 e II Governo Constitucional, 1978) e, ainda, como Presidente da República, durante dois mandatos (1986-1991 e 1991-1996). Do mesmo modo, desempenhou o cargo de Vice-Presidente da Internacional Socialista durante dez anos (1976-1986), até assumir a Presidência da República. Nas eleições parlamentares europeias de 1999, Mário Soares foi eleito Deputado para o período compreendido entre 1999 e 2004. Durante sua vida política, a opção europeísta foi uma marca indelével da atuação do político português. Entre aqueles que, no plano internacional, cruzaram seu percurso vital são de salientar François Mitterrand, Willy Brandt, Olof Palme, Felipe González, Bettino Craxi. No Brasil, personalidades como Leonel Brizola, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva tiveram a oportunidade de privar com o político português.

Mário Soares, enquanto Ministro das Relações Exteriores, tomou as primeiras medidas para desfazer um dos maiores equívocos do Estado Novo: a confusão entre a política exterior e a política ultramarina, fato que levou o país ao ostracismo internacional e à manutenção da Guerra Colonial, sem saída política, em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Nos estamos referindo ao Acordo de Lusaka, assinado em 7 de setembro de 1974, entre o Governo português e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e aos Acordos de Alvor, assinados entre o Governo luso e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), em 15 de janeiro de 1975, sem grande sucesso. O fim do Império Colonial motiva, ainda hoje, fortes críticas por parte dos setores conservadores da sociedade portuguesa e, sobretudo, das Associações de espoliados quer de Angola[1], quer de Moçambique[2].

Seria, contudo, a reorientação estratégica de Portugal em relação ao projeto europeu, fundado por Jean Monnet, Robert Schuman e  Konrad Adenauer, juntamente com outros líderes preeminentes do Velho Continente, que orientaria seu país nas grandes linhas de rumo. Logo em 1976, o Partido Socialista anunciava, na Cimeira Socialista levada a cabo na cidade do Porto, em 14 de março, aquele que seria o lema para as eleições legislativas daquele ano: “A Europa Conosco”. Nos anos seguintes, Mário Soares liderou as negociações rumo à adesão de Portugal à então Comunidade Econômica Europeia (CEE) que culminariam, em 1.º de janeiro de 1986, na entrada, juntamente com Espanha, naquele bloco político-econômico. Mário Soares que, ao longo de sua vida, não teve como previamente garantida nenhuma vitória ou a manutenção de uma posição já conhecida, foi um dos grandes protagonistas das mudanças sociais vividas pelos portugueses nos últimos quarenta anos. Com efeito, o país rural, pouco industrializado, com elevados índices de emigração e submisso da II República, se transformou numa média potência europeia, presente nas grandes questões mundiais, desde as Operações de Reforço e de Manutenção de Paz, sob a égide das Nações Unidas, ao apoio à concessão do Prêmio Nobel da Paz aos cidadãos timorenses Dom Ximenes Belo e a José Ramos-Horta, em 1996, e do Prêmio Nobel da Literatura a José Saramago, em 1998. O país também ganhou maior visibilidade internacional com a realização da Expo ’98, em Lisboa, durante 1998, e com a organização do Euro 2004, em futebol.

Republicano, socialista e laico, como se auto-definia, o percurso de Mário Soares foi o de um humanista integral. Autor de dezenas de livros, Mário Soares, ao honrar a memória dos judeus convertidos no século XV – os cristãos-novos – numa visita efetuada a Clive, em 17 de março de 1989, declarou enfaticamente: “Na paisagem alentejana e nesta tão bela terra, a judiaria ergue-se, desafiando os séculos, como um símbolo que desejamos seja de tolerância, de fraternidade e de unidade essencial do gênero humano. Em nome de Portugal, peço perdão aos judeus pelas perseguições que sofreram em nossa terra”. Anos antes, em 1987, reparando a memória do Dr. Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul que desobedeceu às determinações do Ministério das Relações Exteriores, em junho de 1940, concedendo vistos de trânsito a mais de trinta mil refugiados, de entre os quais dez mil eram judeus, o político lusitano entregou a Ordem da Liberdade à filha do ex-Cônsul, em cerimônia realizada na Embaixada de Portugal, em Washington, D.C, tendo a família do diplomata recebido desculpas públicas por parte do dignitário português. Em 12 de setembro de 1991 foi constituída a Fundação Mário Soares, situada nas proximidades do Parlamento português.

A Fundação é “uma instituição de direito privado e utilidade pública sem fins lucrativos, ligada à pessoa do ex-Presidente da República Portuguesa”. Cinco anos mais tarde, em dezembro de 1996, em Cortes, Leiria, abria as portas ao público a Casa-Museu Centro Cultural João Soares. O edifício foi “doado pela família Soares à Fundação e por esta completamente recuperado e remodelado”. No edifício da Fundação “foi criada uma biblioteca e existem espaços destinados a exposições temporárias das ofertas recebidas por Mário Soares durante a sua vida pública, como Primeiro-Ministro e depois como Presidente da República. Simultaneamente, foi concebida uma exposição permanente, dotada de meios audiovisuais, que apresenta uma visão sintética do Século XX português”. Praticamente até o final da vida, numa atividade de cunho demopédico[3], Mário Soares colaborou na revista Visão, de Lisboa, e nos jornais Diário de Notícias, também de Lisboa, e no El País, de Madrid.

Portugal, um dos países mais antigos do mundo, ao longo de sua História alcançou reconhecimento que ultrapassou, em muito, sua dimensão geográfica e suas fronteiras territoriais. Logo na Idade Média, Santo Antônio de Lisboa, Pedro Hispano – o Papa João XXI – e o Rei Dom Duarte são personalidades que levaram o nome do país muito além do território nacional. No Renascimento, a expansão portuguesa, representada por Vasco da Gama, Dom Francisco de Almeida e Luís de Camões, foi pioneira e fez com que o país iniciasse o processo de globalização no qual, hoje, estamos imersos. Seguiram-se séculos de obscurecimento, iniciados no século XVII com a consolidação do domínio filipino (1580-1640), que se agravaram com o constitucionalismo de matriz francesa, que marcou a vida política portuguesa ao longo de boa parte do século XIX. Mário Soares renovou o ideal pátrio ao liderar o esforço de reintegração do país na comunidade internacional. Sua presença marcante na vida portuguesa fez dele alguém ímpar tanto em Portugal, quanto na Europa da segunda metade do século XX.

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Imagem 1 Mário Soares” (Fonte):

http://img.20mn.fr/T1uFsIi7TlGvsGvGYusvYw/2048×1536-fit_mario-soares-5-juin-2013.jpg

Imagem 2 Mário Soares (centro) durante as celebrações do 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 2014” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Soares#/media/File:Mario_Soares_Carmo_1_1.jpg

Imagem 3 Mário Soares com o então presidente brasileiro José Sarney (à direita), em 1988 ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Soares#/media/File:Mário_Soares_e_José_Sarney_1988.jpg

Imagem 4 Vista geral da zona central da EXPO98” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Exposição_Mundial_de_1998#/media/File:Lisboa_-_Expo98_-_Vista_Geral.jpg

Imagem 5 Exéquias fúnebres de Mário Soares no Mosteiro dos Jerónimos” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Soares#/media/File:Exéquias_do_ex-Presidente_da_República_Portuguesa,_Mário_Soares_03.png

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] VerAssociação dos Espoliados de Angola (AEANG)”:

http://www.aeang.com/

[2] VerAssociação dos Espoliados de Angola (AEANG)”:

http://www.aemo.org/

[3] Mas o que queremos, os democratas? E o que é a democracia? Democracia, disse o socialista Proudhon que era demopedia. De dêmos, povo; kratos, governo. De dêmos, povo; paideia, instrucção, educação”, SAMPAIO BRUNO, Os Modernos Publicistas Portugueses, Porto, Livraria Chardron, de Lello & Irmão, Editores, 1906, p. 402.

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ANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISEUROPA

[:pt]Parlamento Europeu em cena[:]

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A cada cinco anos os cidadãos europeus vão às urnas para eleger seus representantes no Parlamento Europeu (PE). A eleição parlamentar europeia mais recente foi realizada em maio de 2014, selecionando os atuais 751 representantes populares para a oitava legislatura desde que se iniciaram as eleições diretas para esta instituição, em 1979.

Nesta semana, foi destaque na política europeia a renovação da Mesa Diretora do PE. Anteontem e ontem, dias 17 e 18 de janeiro, foram realizadas eleições de meio-termo da atual legislatura para escolher os novos ocupantes da Presidência, das 14 Vice-Presidências e dos cinco Questores*. O mandato para estas posições é de dois anos e meio, renovável por igual período.

A atual disputa pela Presidência da única instituição europeia cujos integrantes são eleitos por sufrágio universal contou com um fator extra de acirramento. Martin Schulz, atual Presidente do PE anunciou em novembro de 2016 a sua saída da política europeia para dedicar-se às eleições gerais alemãs, convocadas para setembro de 2017. Ele é cotado para concorrer a uma cadeira no Bundestag pelo Partido Social-Democrata (PSD) e, tendo em conta seu capital político, pode figurar entre os concorrentes de Angela Merkel para a função de Chanceler Federal.

A Eurocâmara elege seu Presidente por maioria absoluta (346 votos), em um processo eleitoral que pode atingir até quatro turnos. Caso a disputa chegue ao quarto turno, ele é realizado somente entre os dois mais votados no turno anterior e, neste caso, a maioria simples é o suficiente para eleger o novo líder do Parlamento. Somente em duas ocasiões na história do Parlamento Europeu o processo se estendeu até o quarto turno. Uma em 1982 e outra, agora, em 2017, na eleição desta semana.

A saída de Schulz do cenário sucessório favoreceu a pulverização das candidaturas. Dos oito grupos políticos presentes no Parlamento sete apresentaram pré-candidatos à Presidência. Não entrou na disputa o grupo “Europa da Liberdade e da Democracia Direta”, que reúne principalmente os representantes dos polêmicos UK Independence Party (UKIP) e MoVimento 5 Stelle. Os pré-candidatos foram:

  1. Eleonora Forenza – Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (CEUE/EVN), Itália;
  2. Jean Lambert – Verdes/Aliança Livre Europeia (Verdes/ALE), Reino Unido;
  3. Gianni Pittella – Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Itália;
  4. Laurenţiu Rebega – Europa das Nações e da Liberdade (ENF), Romênia;
  5. Helga Stevens – Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), Bélgica;
  6. Antonio Tajani – Partido Popular Europeu (PPE), Itália;
  7. Guy Verhofstadt – Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE), Bélgica.

Antes que o primeiro turno fosse iniciado, Guy Verhofstadt, ex-Primeiro Ministro da Bélgica e atual negociador-chefe da Eurocâmara para o Brexit, retirou-se do pleito. O movimento denotou que o Grupo pode ter optado por sair da disputa direta, entendendo que suas chances eram reduzidas, para ficar em uma posição mais flexível na fase final do processo eleitoral, valorizando assim seus termos nos diálogos de coalização com os eventuais líderes.

Resultados da eleição para Presidente do Parlamento Europeu

1º Turno 2º turno 3º turno 4º turno
Total de Votos 718 725 719 713
Votos Válidos 683 691 690 633
Antonio Tajani (PPE) 274 287 291 351
Gianni Pittella (S&D) 183 200 199 282
Helga Stevens (ECR) 77 66 58
Jean Lambert (Verdes/ALE) 56 51 53
Eleonora Forenza (CEUV/EVN) 50 42 45
Laurentiu Rebega (EFN) 43 45 44

Fonte: Dados do Serviço de Imprensa do Parlamento Europeu, elaboração própria.

Os três turnos iniciais do processo não trouxeram definição, mas contribuíram para confirmar que a disputa seria travada entre o candidato dos socialistas&democratas e o dos populares europeus – os dois maiores grupos parlamentares. A fragmentação de candidaturas persistiu durante todo o pleito.

Os seis candidatos que se apresentaram no primeiro turno mantiveram suas candidaturas até o terceiro turno, com pouca variação entre a quantidade votos recebidos entre os turnos. A exceção ficou por conta da candidata Helga Stevens (ERC), que viu seus votos caírem de 77 para 58 do primeiro para o terceiro turno (queda de 25,3%).  É possível que alguns de seus eleitores tenham migrado para o candidato do PPE, Antonio Tajani, devido a alinhamentos temáticos entre os grupos.

No dia 17 de janeiro, à 21h (horário de Bruxelas), 12 horas após muita negociação e especulação, Antonio Tajani foi eleito para a Presidência da Eurocâmara. Conhecido aliado do polêmico ex-Primeiro Ministro italiano Silvio Berlusconi e membro do Partido Forza Italia, o eurodeputado está no seu quarto mandato e ocupava até ontem uma da 14 vice-presidências da Eurocâmara. Entre 2010 e 2014 ele ocupou o posto de Vice-Presidente da Comissão Europeia responsável pela Indústria e o Empreendedorismo.

Com a eleição de Tajani, os três principais cargos da União Europeia se unificaram nas mãos da centro-direita, a qual já ocupava a Presidência da Comissão Europeia (Jean-Claude Juncker) e do Conselho Europeu (Donald Tusk). Esse fato não passou despercebido pelos grupos de esquerda e centro-esquerda que integram a Eurocâmara. Havia um acordo tácito para que Schulz fosse substituído por um representante da centro-direita quando seu mandato terminasse, mas não era esperado que fosse de modo tão abrupto e nem que isso resultasse na concentração do poder diretivo europeu nas mãos da centro-direita.

Esta conjuntura pode gerar turbulências no final do atual mandato de Donald Tusk, no próximo mês de maio. A ala dos socialistas&democratas pode pressionar por uma redistribuição de poder dentro da direção das instituições, exigindo concessões que podem chegar até o extremo de indicar um sucessor para Tusk já para este ano (2017). O que soaria estranho, uma vez que o mandato dele ainda pode ser prorrogado e a não renovação poderia indicar desaprovação da sua gestão.

Vice-Presidentes e Questores

Na quarta-feira, dia 18 de janeiro, foi a vez de eleger os 14 Vice-Presidentes e cinco Questores. Os Vice-Presidentes foram selecionados em duas rodadas de votações, nas quais aqueles que atingissem maioria absoluta seriam eleitos. Foi um processo relativamente rápido. O grupo político com mais vice-presidentes eleitos foi o S&D com cinco representantes, seguido do PPE (4), ALDE (2), CEUE/EVN (1), ECR (1) e Verdes/ALE (1). Os questores foram eleitos por aclamação. Dois pertencem ao PPE, um ao S&D, um à ALDE e um à ECR.

Nos próximos dias o Parlamento Europeu vai se concentrar na escolha dos integrantes das 22 Comissões que trabalham na casa e no início das atividades legislativas.

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* Questor é um posto integrante da mesa diretoria do Parlamento Europeu que tem como missão a gestão das tarefas administrativas e financeiras diretamente relacionadas com os deputados, incumbindo-lhes, por exemplo, colocar à disposição destes instalações e serviços gerais. Atuam ainda fornecendo apoio consultivo às atividades da mesa diretora.

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Imagem 1 Brasão do Parlamento Europeu” (Fonte):

https://fr.wikipedia.org/wiki/Parlement_europ%C3%A9en#/media/File:Europarl_logo.svg

Imagem 2 Martin Schulz” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Schulz#/media/File:Martin_Schulz_par_Claude_Truong-Ngoc_juin_2013.jpg

Imagem 3 El hemiciclo del Parlamento Europea en Estrasburgo durante la sesión plenaria de 2014 ” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Parlamento_Europeo#/media/File:European_Parliament_Strasbourg_Hemicycle_-_Diliff.jpg

Imagem 4 Antonio Tajani” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Tajani#/media/File:Members_of_the_Presidency_(9290654981).jpg

Imagem 5 Sala de Reuniões para Comissões Parlamentares” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Parlamento_Europeo#/media/File:EP_Auswaertiger_Ausschuss.jpg

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAEUROPATecnologia

[:pt]Relações Rússia-EUA após o caso do ataque cibernético durante as Eleições Presidenciais norte-americanas de 2016[:]

[:pt]

Em 2016, as Eleições Presidenciais estadunidenses tiveram como característica central a polarização política, e isto configura uma situação que vai além da perspectiva tradicional de embates entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, os quais representam o ápice do sistema eleitoral dos Estados Unidos da América (EUA). Neste embate de 2016, as visões de mundo dos respectivos candidatos chocaram-se em diversos momentos ao longo da campanha e contribuíram para acentuar a polarização da sociedade.

Na disputa observou-se a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, a qual possuiu uma plataforma com ênfase na defesa de direitos de minorias étnicas, sexuais, culturais, religiosas e ambientais.

Do lado Republicano, Donald Trump apresentou uma plataforma voltada à defesa dos direitos da maioria, que, por motivos histórico-culturais é branca, protestante e liberal. O seu discurso abordou valores em que a concepção de liberdade humana não seria arbitrária, e, sim, decorrente da aceitação da existência de uma linguagem universal na esfera político-social e econômica. Após um período de intensos debates e comícios, Donald Trump, como vencedor, assumirá o cargo nesta semana, em 20 de janeiro de 2017.  Porém, em meio à turbulência polarizada das eleições, emergiu o relato de que o Diretor de Campanha do Partido Democrata, John Podesta, foi vítima de um hacker, o qual capturou informações importantes de sua conta de e-mail e estas foram publicadas no site Wikileaks.

Segundo especialistas, o hacker em questão poderia ter feito uso de um e-mail de aparência oficial – “phishing” – com os dados de Podesta e o pedido para baixar ou clicar em um link específico, com a intenção de induzi-lo a digitar a senha, cuja execução transferiu ao hacker a oportunidade de acesso direto aos arquivos de e-mail do Diretor de Campanha.

Fato interessante aconteceu na Secure Works, uma empresa de segurança de informação, quando tiveram acesso a um erro de hackers e conseguiram interceptar uma campanha de larga escala de e-mails spear phishing contra contas do Google com uso de bitly, ou seja, de um encurtador de link o qual se expande em um domínio feito por hackers. Nesta situação, a companhia iniciou colaboração com as agências de segurança dos EUA e conseguiram observar as ações dos hackers e suas táticas de atingimento de 1800 contas do Google pertencentes a pessoas na Rússia, países do leste europeu que fizeram parte da ex-União Soviética, países da Europa e representações governamentais, diplomáticas e militares dos EUA. Ao longo da campanha presidencial, os investigadores identificaram a atuação de hackers durante a campanha de Hillary Clinton, os quais enviaram 213 links de tipo bitly para 108 contas do Google, e 16 links de tipo bitly para 9 contas do Google com resultantes respectivas de 20 cliques para o primeiro e 4 cliques para o segundo.

As notícias de espionagem ampliaram a polêmica em torno da candidatura de Trump, sobretudo com a afirmação das agências de inteligência dos EUA de que os hackers que invadiram e-mails de pessoas da campanha de Clinton seriam membros de serviços de inteligência da Rússia.

Em referência a questão, o Diretor de Inteligência Nacional – James Clapper, o Diretor da CIA – John Brennan, e o Diretor do FBI – James Comey, declararam unânimes em conversa com Trump: “Nós avaliamos que somente os funcionários mais antigos da Rússia poderiam ter autorizado os recentes furtos e divulgações de dados com base nas eleições, com base no escopo e na sensibilidade das metas”. Afirmaram ainda que a Rússia é “uma grande ameaça para o governo dos EUA, para a infraestrutura militar, diplomática, comercial e crítica e para as principais redes de recursos, devido ao seu altamente avançado programa cibernético ofensivo e táticas, técnicas e procedimentos sofisticados”.

Apesar das declarações dos oficiais de inteligência de que a Rússia seria a responsável pelos ataques com hackers, o Presidente eleito, Donald Trump, discorda dos agentes governamentais e entende a situação como uma espécie de perseguição política por ter ganho as eleições, a revés dos democratas, conforme declaração própria: “Eu ganhei mais condados nas eleições do que Ronald Reagan. Eles estão muito envergonhados com isso. Até certo ponto, é uma caça às bruxas. Eles só se concentram nisso”. Trump alega não participação russa em sua vitória e salienta: “Não houve adulteração alguma com máquinas de votação”.

Donald Trump também questiona as ações por trás da afirmação de interferência estrangeira nas eleições e cita sua suspeita na não verificação dos servidores do Partido Democrata, por meio das seguintes indagações: “O DNC não os deixaria ver os servidores. Como você pode ter certeza sobre o hacking quando você não pode chegar aos servidores?”; e “O Comitê Nacional Democrata não permitiria que o FBI estudasse ou visse suas informações de computador depois que foi supostamente hackeado pela Rússia. Então, como e por que eles estão tão certos sobre hacking se eles nunca sequer solicitaram um exame dos servidores de computador? O que está acontecendo?”.

O Presidente eleito demonstrou surpresa com a divulgação de um Relatório de inteligência para a imprensa e novamente insere seu questionamento: “Como a NBC conseguiu ‘um olhar exclusivo sobre o relatório secreto que ele (Obama) foi apresentado?’ Quem lhes deu esse relatório e por quê? Política!”, e por fim sugere que, além da Rússia, terceiros atores poderiam ter feito o ataque, seja a China ou mesmo um adolescente estadunidense: “Quer dizer, poderia ser a Rússia, mas também poderia ser a China. Também poderiam ser muitas outras pessoas. Também poderia ser alguém sentado em sua cama, que pesa 400 quilos, Ok?”.

Em meio a rumores de que a Rússia poderia ter feito uso de hackers para influenciar a decisão das eleições nos EUA, parte dos membros do Partido Republicano observam a questão com um entendimento diferente da opinião de Trump, pois a veem como uma quebra da segurança nacional e até especula-se se isto não seria um ato de guerra, conforme é evidenciado na declaração do Senador Graham (R-Carolina do Sul) sobre a ação de Obama ao expulsar do país 35 diplomatas russos: “O que Obama fez foi jogar um seixo. Estou pronto para jogar uma pedra”. Porém a situação se amenizou um pouco quando James Clapper respondeu ao Senador McCain (R-Arizona) sobre o impacto da suposta ação cibernética russa contra as eleições: “Não temos como avaliar o impacto, certamente a comunidade de inteligência não pode medir o impacto que teve sobre escolhas feitas pelo eleitorado”.

No tocante as afirmações céticas de Trump, referente as declarações dos serviços de inteligência dos EUA, o próprio James Clapper explicitou: “Há uma distinção importante aqui entre o ceticismo saudável, que os formuladores de políticas, para incluir o decisor político número um, deve sempre ter para a inteligência. Mas eu acho que há uma diferença entre ceticismo e depreciação”.

Em conformidade com a atual perspectiva geopolítica no Leste Europeu, faz-se pertinente a apresentação de uma série de eventos necessários para dar maior entendimento da perspectiva da Rússia sobre as ações dos EUA no plano internacional, e o início ocorreu durante a crise ucraniana, cujo desdobramento despertou no Governo russo o anseio de proteção de seus cidadãos na Ucrânia, os quais queixavam-se de discriminações por causa das divergências internas entre desejosos por uma política pró-União Europeia (UE) e os que queriam uma política pró-Rússia, acarretando em guerra civil naquele país.

Após a intensificação dos conflitos, os grupos separatistas apoiaram um referendo de anexação da Península da Criméia ao território russo, a revés da autoridade de Kiev, e a Federação Russa assumiu a responsabilidade pela Península. Com a consumação do fato, diversos Estados europeus começaram a criticar Moscou por suposta violação do Direito Internacional e instituíram sanções econômicas contra a Rússia, porém, de imediato, os Estados Bálticos demonstraram para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e UE sua insatisfação com a segurança regional e afirmaram que a Rússia possuía planos de invasão de seus territórios, à semelhança do que aconteceu com a Criméia. Desta forma, a OTAN reforçou sua estrutura militar e bélica nos países vizinhos da Rússia, cujas resultantes provocaram um azedamento nas relações diplomáticas entre Moscou e a UE.

Ao longo dos últimos anos nenhuma ação bélica ou de invasão ocorreu no Leste Europeu, todavia, diversos países europeus mantiveram suas sanções contra a Rússia e continuaram a fomentar o que os cidadãos russos no exterior chamam de russofobia, a partir de relatos originários do medo. Porém, ao invés de melhoria de relações, os russos sentem-se novamente em tensões e, desta vez, com o foco de acusação repousando na questão da intervenção cibernética nas eleições dos EUA com o objetivo de um suposto favorecimento ao Presidente eleito Donald Trump, mediante o uso de hackers e de guerra de informação (híbrida) contra o Partido Democrata e seus eleitores.

No tocante a situação, o Porta-voz do Presidente Barack Obama, Josh Ernest, disse que uma ação deste porte apenas “deveria ter sido aprovada no mais alto nível”, e salientou: “Seria muito extraordinário se o próprio Putin estivesse entre as pessoas na nossa lista”. Todavia, Ernest comunicou que o Relatório completo da inteligência dos EUA sairá até o dia 20 de janeiro.

Em negação às acusações, na Rússia, o Presidente da Comissão da Duma para assuntos internacionais, Leonid Slutsky, chamou o caso de paranoia, de sem fundamento, e acrescentou: “A histeria em curso da administração dos EUA causa prejuízos significativos às relações EUA-Rússia, ao nível dos quais era menor do que durante a Guerra Fria. No entanto, tudo isso não ajuda a mudar os resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos e, em janeiro, o legítimo proprietário da Casa Branca será Donald Trump e espera-se que, com a sua chegada, o diálogo entre a Rússia e os Estados Unidos será realizado em um ambiente político mais saudável”.

Em detrimento da situação, os russos consideram uma insensatez as declarações do Presidente dos EUA, Barack Obama, de retaliação sobre o suposto ataque cibernético, afirmando que “são a resposta necessária e adequada para os esforços que visam causar danos aos interesses dos EUA em violação das normas internacionais de comportamento”.

Para findar, a exposição russa diante da negativa do episódio de ataques cibernéticos aos EUA, cujo ápice provocou um estremecimento na relações entre os dois atores, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, externou que a atribuição de culpa à Rússia pelo Governo Obama remete ao fracasso das próprias iniciativas de política externa de Washington, que acusa a Rússia de todos os problemas, inclusive de interferência a favor de Donald Trump, e, no caso da expulsão dos diplomatas, o Ministro Lavrov expressou: “Nós definitivamente responderemos a essas ações. A reciprocidade é um princípio básico da diplomacia internacional e das relações internacionais. Portanto, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros e colegas de outras agências submeteram uma proposta ao Presidente da Rússia para declarar ‘persona non grata’ 31 diplomatas da Embaixada dos EUA em Moscou e quatro diplomatas do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Petersburgo”.

Observa-se que, para as variáveis centrais presentes na questão de impacto nas relações entre Rússia e Estados Unidos, o ataque cibernético contra a campanha de Hillary Clinton apresenta como foco de investigação duas linhas analíticas destacadas: a política internacional e a política doméstica.

Em primeiro plano, percebe-se que a situação abrange uma disputa pelo poder, manifestada na defesa da soberania e da moral dos EUA e da Rússia diante da sociedade internacional, com ênfase na legitimidade das agências de inteligência e no relacionamento diplomático.

Percebe-se também que existe uma clara preocupação em não deixar declinar o crédito dos serviços de segurança e de espionagem de Washington, os quais tendem a transparecer absolutos no sistema de Estados, porém as declarações de incerteza do Presidente eleito, Donald Trump, estimulam a quebra da coerência discursiva, cujos atos aumentam a sensação de indignação contra ele. Entretanto, são pertinentes as críticas de que é necessária mais explicação, conforme salientou Trump, ao ressaltar a certeza das agências de inteligência e a não verificação dos servidores do Partido Democrata, visto que poderiam ser quaisquer pessoas as responsáveis pelo ataque.

No que diz respeito a Rússia, as próprias agências verificaram o uso de recursos phishing e bitly via e-mails, os quais possuíam como alvos indivíduos na própria Rússia, Europa, e mesmo dos EUA, cujo modo de operação foi semelhante na aplicação do caso dos Democratas. Sendo assim, levantou-se a questão de entender por qual razão a Rússia interviria nas eleições estadunidenses para influenciar o eleitor a votar em Trump. Poderia ser pelo acréscimo de poder? Essa pergunta se ressalta, pois Trump prometeu recuar do apoio dos EUA no mundo e isto afeta diretamente a OTAN, mas emerge outra indagação: se a Rússia, como qualquer outra potência, não poderia conseguir mais poder por outras vias?   

Em segundo plano, observa-se a intensa movimentação social em torno das eleições e o aflorar das paixões políticas, cujo desejo pela vitória poderia acarretar em ações internas de uso de guerra híbrida. Novamente, emergem os questionamentos sobre a culpabilidade de atores, mas é preciso considerar os efeitos das ações políticas, visto que informações de inteligência foram divulgadas para a imprensa, mas, surge nova interrogação: se um Relatório definitivo está em andamento para a conclusão do fato, por qual motivo o Presidente Obama declara 35 diplomatas russos como persona non gratas?

Conclui-se pela necessidade de uma visão de paciência que se espera de qualquer ator global, cujo objetivo visa inteirar-se dos fatos para a tomada de decisões e mesmo novas interpretações, pois, neste caso, o Relatório final de inteligência do Governo dos EUA ainda não teve divulgação. Sendo assim, perspectivas alternativas precisariam de observação mais intensiva e o diálogo é imprescindível para a realização de qualquer ação com finalidade de serem evitados conflitos e tensões desnecessárias.

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Imagem 1 Casa Branca” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e1/White_House_Washington.JPG

Imagem 2 John Podesta” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/John_Podesta

Imagem 3 James R. Clapper” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_R._Clapper#/media/File:James_R._Clapper_official_portrait.jpg

Imagem 4 John Brennan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/John_O._Brennan#/media/File:John_Brennan_CIA_official_portrait.jpg

Imagem 5 James Comey” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Comey#/media/File:Comey-FBI-Portrait.jpg

Imagem 6 Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_August_19,_2015_(cropped).jpg

Imagem 7 Barack Obama e Vladimir Putin” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/Vladimir_Putin_and_Barack_Obama_%282015-09-29%29_01.jpg

Imagem 8 Kremlin” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0f/Kremlin_27.06.2008_01.jpg

Imagem 9 Ministros da Defesa e das Relações Exteriores da OTAN reunidos na sede da organização em Bruxelas, Bélgica” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_do_Tratado_do_Atlântico_Norte#/media/File:NATO_Ministers_of_Defense_and_of_Foreign_Affairs_meet_at_NATO_headquarters_in_Brussels_2010.jpg

Imagem 10 Presidente da Comissão da Duma para assuntos internacionais, Leonid Slutsky” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Leonid_Slutsky_(politician)#/media/File:Leonid_E_Slutsky_RN_09-2013.jpg

Imagem 11 Sergey Lavrov” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lavrov#/media/File:Sergey_Lavrov_17.03.2010.jpeg

Imagem 12 Mundo Conectado” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3b/Un_mundo_conectado.jpg

 

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