ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Espanha em alerta após ataques na Bélgica

Após os atentados na Bélgica, ocorridos ontem, dia 22 de março, a Espanha aumentou o alerta de segurança para o nível mais alto e convocou uma reunião de emergência. O país Ibérico teme que volte a se repetir uma nova tragédia, como a ocorrida em Madrid, no fatídico dia 11 de Março de 2004 (11M), tendo, dessa vez, os terroristas do ISIS como protagonistas.

A Espanha é um país que faz fronteira com o mundo árabe e possui uma importante colônia de imigrantes islâmicos. Diariamente, recebe dezenas de embarcações lotadas de imigrantes que tentam atravessar as águas do mediterrâneo, em busca de uma vida melhor, ou fugindo de guerras na África e no Oriente Médio.  O país também conta com gerações de imigrantes nascidos na Espanha que mantêm sua religião e costumes, assim como diversos países do Bloco Europeu, tais como a França, a Bélgica ou a Holanda.

Os problemas de integração e as tentativas de frear o contínuo fluxo migratório geraram uma crescente tensão social, alimentada pelos discursos de alguns membros de partidos conservadores de ultradireita; pelas notícias de ataques vindas de outros Estados da Europa, tais como as ações terroristas ocorridas em Paris, ou em Bruxelas; e estimulada pelos reflexos da crise dos refugiados nos cidadãos muçulmanos estabelecidos no Bloco.

Muitos dos jovens que se alistaram ao Estado Islâmico ou que formaram células e grupos terroristas são nativos de países europeus, estudaram em colégios laicos, tiveram contato contínuo ao longo de suas vidas com a cultura local e, ainda assim, nutrem em seu interior um ódio exacerbado pela cultura europeia e tudo o que ela representa, denotando o problema de integração de muitos imigrantes na Europa que formaram guetos, onde são geralmente marginalizados pelas autoridades e discriminados por uma parcela dos cidadãos nativos do país.

Segundo dados do Centro de Inteligência Contra o Terrorismo e Crime Organizado (CITCO), 45% dos detidos sob a suspeita de terrorismo na Espanha são espanhóis, o que coloca o país no topo da lista de alvos terroristas e, novamente, confirma a problemática da integração islâmica.

A Espanha também já foi ameaçada oficialmente tanto pela Al-Qaeda como pelo Estado Islâmico, fazendo com que aumente seu estado de alerta frente a qualquer possível ameaça, ou frente a qualquer mudança na segurança interna da União Europeia.

O grande problema nessa questão é que, dessa vez, o inimigo, apesar do medo que geram os refugiados, parece não vir do exterior, mas sim do interior da própria União Europeia, que deve não somente encarar o problema de segurança no espaço comum, como, também, o enfrentar o problema de integração dessas comunidades, já que, ao final, algumas delas levam mais de 3 gerações no continente para fazê-lo.

Caso não existem políticas eficientes para integrar as comunidades islâmicas à sociedade europeia e, dessa forma, reduzir o alistamento e aliciamento de jovens para formar novos grupos, nem uma investigação efetiva e integrada, a Europa, infelizmente, correrá o risco de ter muitos outros atentados.

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Imagem (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

O Papel da União Soviética na Origem da Teologia da Libertação

Ion Mihai Pacepa servia como Tenente-General da Securitate, o Serviço de Inteligência do regime marxista-leninista de Nicolae Ceaușescu, e, também, como Assessor do Presidente romeno quando, em julho de 1978, desertou para os Estados Unidos. Desde então, Pacepa colaborou com a Agência Central de Inteligência, a CIA, em diversas operações contra os países do bloco soviético, tendo seu trabalho sido descrito como “uma contribuição importante e única para os Estados Unidos”. Em 2013, em parceria com Ronald J. Rychlak, Professor de Direito da Universidade do Mississippi, Pacepa publicou o livro “Desinformação. Antigo Espião Chefe Revela Estratégias Secretas Para Minar a Liberdade, Atacando a Religião, Promovendo o Terrorismo[1]. Mais recentemente, em maio de 2015, em entrevista divulgada pela Agência Católica de Notícias, o antigo espião voltou a reafirmar as teses expostas em seu último livro, tendo declarado: “Nós criamos a Teologia da Libertação”.

Após a URSS ter divulgado, em todo o mundo, a ideia de que o Papa Pio XII tivera apreço em relação ao nazismo[2], em 1959, o então Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita Khrushchev, desenvolveu esforços no sentido de fortalecer a presença de seu país na América Latina. Ao divulgar a versão amigável do catolicismo em relação à doutrina marxista, Pacepa recorda, numa entrevista concedida em 2015: “Eu aprendi os aspectos essenciais do envolvimento do KGB com a Teologia da Libertação com o General soviético Aleksandr Sakharovsky[3], assessor do chefe da razvedka (Inteligência exterior) – e, de facto, meu patrão até 1956 quando ele se tornou o dirigente do serviço soviético de espionagem, o PGU[4]”. Se, na versão oficial, a Teologia da Libertação nasceu na América Latina, na sequência do aggiornamento promovido pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e, também, da II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, celebrada em Medellín, entre 24 de agosto e 6 de setembro de 1968, que pretendia encarar o Evangelho a partir da opção fundamental pelos pobres, fazendo uso das Ciências Humanas e Sociais como instrumento explicativo da realidade teológico-eclesial, tal não corresponde à verdade, segundo a versão narrada por Ion Pacepa. Cabe sublinhar, neste contexto, que, “em 26 de Outubro de 1959, Sakharovsky e seu novo patrão, Nikita Khrushchev, chegaram à Romênia para aquilo que ficaria conhecido como os ‘seis dias de férias de Khrushchev’”. Contudo, a estadia do líder soviético e de sua comitiva em território romeno não se destinou a atividades de repouso, ou de turismo. O sucessor de Josef Stalin desejava “entrar na História como o líder soviético que exportara o comunismo para a América do Sul e Central. A Romênia era o único país latino do bloco soviético e Khrushchev queria envolver seus ‘líderes latinos’ em sua nova guerra de ‘libertação”.

Segundo Pacepa, a Teologia da Libertação deve o seu nome ao próprio KGB que, nos anos de 1960, “tinha uma propensão pelos movimentos de ‘libertação’. O Exército Nacional de Libertação da Colômbia (FARC), criado pelo KGB com a ajuda de Fidel Castro; o Exército Nacional de Libertação da Bolívia, criado pelo KGB com a ajuda de ‘Che’ Guevara; e a Organização para a Libertação da Palestina, criado pelo KBG com a ajuda de Yasser Arafat[5]. Por outro lado, assinala Pacepa, o nascimento da Teologia da Libertação teve lugar no âmbito do Programa de Dezinformatsiya[6], aprovado por Aleksandr Shelepin, responsável máximo do KGB, e Aleksey Kirichenko, membro do Politburo que, à época, coordenava as políticas internacionais do PCUS. Os objetivos do Programa consistiam em “assumir o controle secreto do Conselho Mundial das Igrejas (WCC), baseado em Genebra, Suíça, usando-o como cobertura para converter a Teologia da Libertação numa ferramenta revolucionária sul-americana”. Na altura, “o WCC era a maior organização internacional ecumênica depois do Vaticano, representando 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países” dos cinco continentes. Por outro lado, salienta Pacepa, “a nova Conferência Cristã pela Paz foi dirigida pelo KGB e estava subordinada ao respeitável Conselho Mundial da Paz, outra criação do KGB, fundado em 1949, com seu quartel-general  também em Praga”. Ao especificar seu conhecimento acerca da tessitura das diferentes organizações da “sociedade civil” pró-soviética, o ex-General romeno asseverou: “Durante meus anos na liderança da comunidade de Inteligência do bloco soviético, eu dirigi as operações romenas do Conselho Mundial da Paz (CMP). Ele era estritamente KGB. A maioria dos empregados do CMP eram oficiais de Inteligência soviéticos acobertados. Suas duas publicações em francês, Nouvelles Perspectives e Courier de la Paix, estavam também dirigidas pelos membros infiltrados do KGB – e da romena DIE”.

Um dos criadores da Teologia da Libertação, o sacerdote dominicano Gustavo Gutiérrez negou, há algum tempo, a origem marxista daquela corrente teológica, tendo afirmado que, entre aqueles que enveredaram pela adaptação das teorias de Karl Marx e seus seguidores à realidade política e social da América Latina, “muitos deles eram gente muito generosa, o que não significa que eles tivessem razão”. No entanto, em sua obra mais conhecida, Teologia da Libertação. Perspectivas, originalmente publicada em 1971 – uma deriva de Os Pobres, Jesus e a Igreja[7] –, lemos que, se a missão da teologia consiste em “descobrir o significado dos acontecimentos históricos, é para fazer com que o compromisso libertador dos cristãos neles seja mais radical e mais lúcido. Somente o exercício da função profética, assim entendida, fará do teólogo aquele que, tomando uma expressão de A. Gramsci, pode se chamar um novo tipo de ‘intelectual orgânico’[8]. Deste modo, prossegue Gutiérrez, o teólogo tem que ser, sempre, “alguém, desta vez comprometido pessoal e vitalmente com os fatos históricos, datados e situados, através dos quais países, classes sociais, homens pugnam por se libertar da dominação e opressão a que têm submetidos outros países, classes e homens. Em última instância, com efeito, a verdadeira interpretação do sentido desvelado pela teologia se dá na práxis histórica[9]. Em 28 de janeiro de 1979, durante sua visita ao México, intervindo na Sessão Solene de Abertura da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Puebla de los Ángeles, São João Paulo II foi claro quanto à incompatibilidade existente entre o Cristo revelado e sua redução à dimensão histórico-social: a “concepção de Cristo como político, revolucionário, ou como o subversivo de Nazaré, não se compagina com a catequese da Igreja. Confundindo o insidioso pretexto dos acusadores de Jesus com a atitude do próprio Jesus – coisas bem diferentes – aduz-se como causa da sua morte o desenlace de um conflito político e cala-se a vontade de entrega do Senhor e ainda a consciência da sua missão redentora. Os Evangelhos mostram claramente que para Jesus era uma tentação aquilo que porventura alterasse a sua missão de Servo de Yahvé”. Por outro lado, o Pontífice polonês sublinhou, igualmente, que Cristo “não aceita a posição daqueles que misturavam as coisas de Deus com atitudes meramente políticas; rechaça inequivocamente o recurso à violência; e patenteia a todos a sua mensagem de conversão, sem excluir os próprios Publicanos”. Mais recentemente, em 1984, o então Cardeal Dom Joseph Ratzinger, à época Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, publicou o documento intitulado Instrução sobre Alguns Aspectos da ‘Teologia da Libertação. A Instrução é, sobretudo, uma advertência séria à promiscuidade ideológica existente, no Novo Mundo, entre alguns sacerdotes, os  movimentos sociais católicos e o marxismo-leninismo. De acordo com Ratzinger, a Teologia da Libertação que, em ruptura com as declarações de João Paulo II proferidas na III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano[10], desconsidera a juventude para se centrar unicamente nos pobres, não é senão “uma interpretação inovadora do conteúdo da fé e da existência cristã, interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé”. Se, para a Teologia da Libertação, a Doutrina Social da Igreja[11] é desdenhosamente rejeitada, para aquele que seria o futuro Papa Bento XVI, a Teoria Materialista da História, da autoria de Karl Marx, aplicada à fé católica, é um processo de intenções concebido por teólogos que partem do princípio “de que o ponto de vista da classe oprimida e revolucionária, […] constitui o único ponto de vista da verdade. Os critérios teológicos da verdade, veem-se, deste modo, relativizados e subordinados aos imperativos da luta de classes. Nesta perspectiva substitui-se a ortodoxia como regra correta da fé pela ideia da ortopráxis, como critério de verdade”. Deste modo, advertiu o Cardeal Ratzinger a partir das consequências da Teologia da Libertação para os fins últimos do catolicismo, “é preciso não confundir a orientação prática, própria à teologia tradicional, do mesmo modo e pelo mesmo título que lhe é própria também a orientação especulativa, com um primado privilegiado, conferido a um determinado tipo de praxis. Na realidade esta última é a praxis revolucionária que se tornaria assim critério supremo da verdade teológica. Uma metodologia teológica sadia toma em consideração, sem dúvida, a praxis da Igreja e nela encontra um de seus fundamentos, mas isto porque essa praxis é decorrência da fé e constitui uma expressão vivenciada dessa fé”.

Ion Mihai Pacepa foi o militar pró-soviético de mais elevada patente a desertar para o Ocidente. Desde então, suas obras e suas denúncias foram alvo de campanhas persistentes de dezinformatsiya. Suas declarações acerca das origens da Teologia da Libertação não têm sido exceção, no Brasil e no estrangeiro. Há alguns meses atrás, inquirido acerca da veracidade das declarações de Ion Pacepa a respeito desta tendência contemporânea da Igreja Católica, o Padre Gustavo Gutiérrez “simplesmente apontou o dedo para a sua cabeça e o girou, indicando o quanto considera malucos tais dizeres. ‘Isso não merece dois minutos de atenção’, disse ele”. Contudo, a suspeita ante a eventual promiscuidade entre a religião, a política e os serviços de Inteligência permanece no ar, lançando dúvidas sobre o comportamento prático e a obra teórica de sacerdotes que construíram suas reputações com base no combate à alienação e à exploração de milhões de oprimidos da América Latina. Ou seja, tal como escreveu Alejandro Bermúdez, em artigo publicado pela Agência Católica de Notícias, “se o bloco soviético não foi a mãe da Teologia da Libertação, ele foi certamente uma madrasta sinistra, que alistou os católicos numa causa geopolítica, convidando-os a vender suas almas para financiamento e apoio”.

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ImagemA Teologia da Libertação defende, desde sua origem, um Cristo históricosocial, imerso na realidade das lutas políticas e econômicas da América Latina” (Fonte):

http://www.portalfidei.com.br/v1/images/Noticias/2015/05/Teologia-da-Libertao.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

ION MIHAI PACEPA & RONALD J. RYCHLAK, Disinformation. Former Spy Chief Reveals Secret Strategies for Undermining Freedom, Attaking Religion, and Promoting Terrorism, Washington, DC, WND Books, 2013, (VIII) 428 págs.

[2] Em entrevista concedida a Ryan Mauro, Ronald J. Rychlak declarou: “Os soviéticos compreenderam que Pio XII era uma ameaça mortal para a sua ideologia, ao desprezar o comunismo, tal como ele fizera com o nazismo. Assim, eles embarcaram numa cruzada para destruir o Papa e sua reputação, para escandalizar o seu rebanho e fomentar a divisão entre as religiões”.

Ver:

Cf. ION MIHAI PACEPA, “Moscow’s Assault on the Vatican”, National Review, Nova Iorque, 25 de janeiro de 2007 [Disponível online:http://www.nationalreview.com/article/219739/moscows-assault-vatican-ion-mihai-pacepa]; ION MIHAI PACEPA & RONALD J. RYCHLAK,Disinformation. Former Spy Chief Reveals Secret Strategies for Undermining Freedom, Attaking Religion, and Promoting Terrorism, op. cit., págs. 59-203.

[3] Aleksandr Mikhailovich Sakharovsky (Kostroma Oblast, Império Russo, 3 de setembro de 1909 – Moscou, URSS, 12 de novembro de 1983) foi um Coronel-General soviético que dirigiu a Primeira Direção Principal entre 1955 e 1970. Ele também era conhecido pelo nome operacional Aleksandr Sakharov.

Sakharovsky supervisionou a Inteligência soviética nos momentos-chave da Guerra Fria: o levante húngaro, em 1956, a expansão, e consolidação, do marxismo-leninismo em Cuba, entre 1958 e 1961, a crise de Berlim, entre 1958 e 1961, que esteve na origem do Muro de Berlim, a crise dos mísseis, em Cuba, em 1962, e a invasão da Checoslováquia, em 1968.

ION MIHAI PACEPA & RONALD J. RYCHLAK, Disinformation. Former Spy Chief Reveals Secret Strategies for Undermining Freedom, Attaking Religion, and Promoting Terrorism, op. cit., págs. 115 e 325.

[4] Na URSS, em 1947, o Comitê de Informação (KI) foi criado como órgão responsável pela política externa e as informações militares, junto do Conselho de Ministros. Tendo passado para a alçada do Ministério das Relações Exteriores, em 1949, ele foi integrado no Ministério da Segurança do Estado (MGB), em janeiro de 1952, como Primeira Direção Principal (PGU) – ou Primeira Diretoria Principal.

Em 7 de março de 1953, o Ministério da Segurança de Estado (MGB) foi fundido com o Ministério dos Assuntos Internos, adoptando a designação deste último (MVD). No dia  13 de março de 1954, foi criado, junto do Conselho de Ministros da URSS, o Comitê de Segurança do Estado (KGB), que seria extinto em 22 de outubro de 1991. No âmbito das suas atribuições e competências incluíam-se, entre outros, os órgãos de Segurança do Estado, as tropas fronteiriças, os órgãos de Contra-inteligência, estabelecimentos de ensino e de investigação científica. Ver:

https://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/o/orgaos_seguranca.htm

[5] Num artigo publicado em 2009, Ion Pacepa adiantara: “Khrushchev chamou à nova religião inventada pelo KGB Teologia da Libertação. Sua propensão para a ‘libertação’ foi herdada pelo KGB que, mais tarde, criou a Organização para a Libertação da Palestina, o Exército Nacional para a Libertação da Colômbia e o Exército Nacional para a Libertação da Bolívia. A Romênia era um país latino e Khrushchev queria nossa ‘visão latina’ acerca de sua nova guerra religiosa de ‘libertação’. Ele também queria que nós enviássemos alguns Padres que foram cooptados, ou oficiais de cobertura profunda, para a América Latina, para ver como ‘nós’ poderíamos tornar sua nova Teologia de Libertação palatável nessa parte do mundo.”, ION MIHAI PACEPA, “The Kremlin’s Religious Crusade”, FrontPageMagazine.com, 30 de junho de 2009.

Disponível online:

http://archive.frontpagemag.com/readArticle.aspx?ARTID=35388

[6] John Barron, jornalista e escritor norte-americano, autor de vários livros sobre as peculiaridades da espionagem na ex-União Soviética, anotou em 1974: “Os russos definem desinformação como ‘a disseminação da informação falsa e provocante’. Tal como é praticada pelo KGB, a desinformação é muito mais complexa do que a definição faz supor. Ela implica a distribuição de documentos forjados ou fabricados, cartas e fotografias: a propagação de rumores enganosos ou maliciosos e a Inteligência errônea por agentes; o engano dos turistas na União Soviética e os atos físicos cometidos para terem efeito psicológico. Estas técnicas são usadas de modo variável para influenciar as políticas de governos estrangeiros, perturbar as relações entre outras nações, minar a confiança das populações estrangeiras nos seus líderes e instituições, desacreditar os indivíduos e grupos que se opõem às políticas soviéticas, enganar os estrangeiros acerca das intenções soviéticas e as condições na União Soviética e, às vezes, simplesmente para obscurecer as depredações e erros do próprio KGB.

As operações de desinformação diferem da propaganda convencional na medida em que suas verdadeiras origens são escondidas e, geralmente, elas envolvem alguma forma de ação clandestina. Por esta razão, as autoridades soviéticas sempre incumbiram o seu aparelho clandestino da responsabilidade pela desinformação”.

Ver:

JOHN BARRON, “Dezinformatsiya”, KGB, Londres, Hodder & Stoughton, 1974, in The Penguin Book of Lies, págs. 420-423.

Disponível online:

http://www.polskawalczaca.com/library/hereticpress_Dezinformatsiya%20%20The%20KGB’s%20Disinformation%20Activities.pdf

Por outro lado, o estudo da aplicação da dezinformatsiya na Rússia atual pode ser analisado em: VERA ZAKEM, PAUL SAUNDERS & DANIEL ANTOUN, Mobilizing Compatriots: Russias Strategy, Tactics, and Influence in the Former Soviet Union, Arlington, VA, CNA – Analysis & Solutions, novembro de 2015, págs. ii, 40 e 41.

Disponível online:

https://www.cna.org/CNA_files/PDF/DOP-2015-U-011689-1Rev.pdf

[7] Ver:

PAUL GAUTHIER, Les Pauvres, Jésus et lÉglise, Paris, Éditions Universitaires, 1962, 141 págs.

[8] Ver:

GUSTAVO GUTIÉRREZ, Teología de la Liberación. Perspectivas, 7.ª ed., Salamanca, Ediciones Sígueme, 1975, pág. 37 [tradução de nossa responsabilidade].

[9] Ver:

Id., ib., pág. 38 [tradução de nossa responsabilidade].

[10] Quando um Pastor da Igreja, portanto, anuncia com clareza e sem ambiguidades a Verdade sobre o homem, revelada por Aquele mesmo que sabia o que havia no homem, deve animá-lo a segurança de estar a prestar o melhor serviço ao ser humano.

Esta verdade sobre o ser humano constitui o fundamento da doutrina social da Igreja, como também é a base da verdadeira libertação. À luz desta verdade, o homem não é um ser submetido aos processos económicos ou políticos, mas são estes processos que estão ordenados para o homem e a ele submetidos”.

[11] Ver:

PAPA LEÃO XIII, Carta Encíclica Rerum Novarum, 15 de maio de 1891.

Disponível online:

http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html

 

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O acesso da Bósnia Herzegovina à União Europeia: expectativas e possíveis percalços

Enquanto alguns países levantam a ideia de sair da União Europeia (UE) – como é o caso do Brexit, ou seja, a proposta de saída do Reino Unido (Br + Exit) –,  de maneira previamente anunciada no último mês de janeiro, a Bósnia e Herzegovina entregou, no dia 15 de fevereiro de 2016, em Bruxelas, a sua solicitação para entrar no rol de Estados Candidatos à UE.

O Comitê da Bósnia*, capitaneado pelo membro croata da Presidência Tripartite da Federação, Dragan Covic, e almejando, em suas palavras, “seguir os seus vizinhos no caminho europeu”, foi recebido pelo Ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, Bert Koenders – o qual ostenta a posição de Presidente Interino da Comissão Europeia. A expectativa é de que a Bósnia alcance o caráter de Candidata ao acesso à União, já no próximo ano de 2017.

Conjuntamente com seus vizinhos balcânicos, a Bósnia foi identificada como membro em potencial durante o Conselho Europeu de Tessalônica, no ano de 2003. Este iniciou o Processo de Estabilização e Associação dos Bálcãs Ocidentais (na sigla SAP, em inglês) e, consequentemente, a União Europeia passou a utilizar do que seria a sua maior ferramenta de Política Externa: o alargamento. Desde então, uma gama de Acordos foram proferidos entre a entidade presidencial da Bósnia e a União, como, por exemplo:  o de Facilitação para Vistos de Entrada e de Reentrada (2008); o Acordo Provisório sobre Questões Comerciais (2008) e, o recentemente ratificado em 2015, Acordo de Estabilização e Associação (SAA, na sigla em inglês). Juntamente com o SAP, a Missão de Polícia da União Europeia foi introduzida na Bósnia-Herzegovina (European Union Police MissionEUPM), a primeira missão da Política Europeia de Segurança e Defesa (PESD).

A liderança da Bósnia, como salientado pela Alta Representante da União Europeia Para a Política Externa, Frederica Mogherini, pode levar “as boas notícias para o povo do país […] uma mensagem forte, também, para o futuro e um bom sinal para os cidadãos”. Sarajevo tentou se inserir na União inúmeras vezes, todas negadas pela Comissão, devido a falta de conformidade com os níveis exigidos em Transparência, Democracia e efetivação do Estado de Direito. Cientes de todo o processo de adaptação ao acquis da entidade, a Presidência da Bósnia busca implementar as reformas necessárias, no máximo, até junho deste ano (2016), quando entregará um pedido formal para a adesão na Organização do tratado do Atlântico Norte.

As barreiras extremamente visíveis para todo este processo de acesso bósnio passam, inicialmente, pela Constituição, a qual dá poder as três etnias majoritárias no país – bosnianos, croatas e sérvios. O Tratado de Dayton, que terminou com a Guerra da Bósnia, em 1995,  dividiu o país em duas entidades federativas, que fazem turnos na Presidência, dificultando o consenso quanto as mudanças necessárias para se adequar as exigências feitas pela UE.

Para exemplificar a falta de consenso, uma medida que causou um intenso frenesi foi a adoção do mecanismo de coordenação de políticas, que a mídia local alega ter sido secretamente arranjado no Parlamento. O Acordo tinha sido bloqueado anteriormente por inúmeras vezes, devido a fortes disputas políticas, mas, cedendo às pressões da UE, os Ministros bósnios efetuaram a manobra sem entendimento por todas as partes. De acordo com o Diário Oficial do país, o Acordo fora ratificado dois dias depois da decisão ministerial, ou seja, 26 de janeiro de 2016, mas, no site do Governo, nenhuma Sessão foi agendada para a data.

O problema da pauta apresentar relativa distância entre a elite e a população se mostra evidente com os protestos acontecidos no último ano de 2015, quando forças sindicais foram às ruas contra as medidas impostas pela UE perante às questões laborais. A taxa de desemprego do país, no final de 2015, chegou a nível de 40% e as entidades trabalhistas temem que existirá uma evasão de trabalhadores, caso as medidas sejam ratificadas em sua totalidade.

Outro ponto que se apresenta como enorme dificuldade no caminho da Bósnia para a União Europeia é a falta de interesse declarada da República Srpska (RS). Partidos em âmbito nacional aplaudiram a empreitada europeia, no entanto, a entidade sérvia da Bósnia recebeu a notícia com certo ceticismo. O presidente da RS, Milorad Dodik reconheceu que a adoção de um novo status para a Bósnia é um grande avanço, mas criticou a adoção do mecanismo pelos Ministros de maneira secreta: “a República Srpska não aceitará o sistema recentemente adotado de coordenação para Integração Europeia, que foi aprovada sem nosso consentimento”. A integração europeia passa totalmente por Banja Luka (a capital da República Srpska) e a capacidade de fortalecimento de políticas conjuntas entre as entidades federativas tende a ser um enorme desafio, tanto para as entidades locais, quanto para Bruxelas.

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* A partir daqui, convencionamos o uso de Bósnia como a entidade da Federação da Bósnia e Herzegovina.

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Da União à Fragmentação Econômica Europeia

Desde a crise financeira internacional, a União Europeia (UE) enfrenta diversos desafios que a cada ano foram minando a integração e promovendo uma maior exposição das suas assimetrias, principalmente as diferenças econômicas e sociais.

A crise nos países do Mediterrâneo promoveu um sério desequilíbrio na União. O enfraquecimento do Estado grego ameaçou a integridade do Bloco e pôs em xeque o futuro da Europa, sob a ameaça de que outros países adotassem a mesma postura, deteriorando os acordos regionais e a Zona do Euro. Sob o braço forte da Alemanha, a Europa, aos poucos, foi encontrando seu caminho. Espanha, Portugal e Itália conseguiram recuperar sua economia após anos seguindo o receituário imposto pela UE, que resultou em profundas crises políticas e insatisfação social.

A Croácia entrou na União Europeia e novos membros voltaram a ser contemplados. Os países da Europa do Leste, que durante muito tempo sofreram com o estigma da desigualdade existente no Bloco, beneficiaram-se das mudanças dentro da União, registrando um crescimento notável de suas economias. Polônia e Romênia chegaram a dominar o ranking de países que mais cresciam na Europa, até mesmo durante a crise, e continuam em plena expansão.

A instabilidade econômica que fora aos poucos sendo recuperada perdeu protagonismo no cenário europeu devido ao aumento das tensões territoriais e políticas. Por um lado, a Rússia e a delicada questão ucraniana; por outro, a crescente ameaça do terrorismo e os problemas derivados da instabilidade política na periferia europeia; por último, a ameaça de saída do Reino Unido que, sem dúvidas, resultaria em enorme abalo da economia regional e avança rapidamente no cenário europeu sob um forte apoio popular. Além disso, há os problemas internos dos países membros, os quais começam a preocupar a União, como é o caso da questão da Catalunha, na Espanha.

A movimentação do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico também afetou a economia do Bloco Europeu, ao menos na área produtiva. A China, ainda que importante mercado consumidor dos produtos de maior valor agregado, é também um forte competidor em setores já enfraquecidos no velho continente, mas que representam uma importante fonte de empregos e, consequentemente, produz um impacto direto no consumo interno, principalmente em países onde o desemprego ainda permanece elevado com o reflexo da Crise Internacional. São frequentes as manifestações de produtores rurais, têxtil, mineradores e metalúrgicos em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia.

O sistema financeiro sofre com a redução da atividade econômica e da demanda nos países emergentes, além da depreciação das divisas internacionais e a queda no preço das commodities e do petróleo, algo que encarece o produto europeu e lhe subtrai competitividade.

Certo é que o pior da crise econômica parece haver passado para a União Europeia, mas, ainda assim, a conjuntura política e a dinâmica social da União podem surpreender negativamente e afetar o crescimento econômico da região. As sanções contra a Rússia afetaram aos produtores agrícolas da Europa (Espanha, Itália, Portugal e França), além disso, a redução da demanda internacional impacta na produtividade industrial dos países produtores de alta tecnologia e a instabilidade política nos países emergentes reduz a demanda de produtos típicos, como vinhos, cavas, champanhes e perfumes.

Embora exista uma tendência de recuperação dos mercados desenvolvidos, muitos fatores ainda podem abalar esse prognóstico. As eleições americanas assustam a Europa e os novos fluxos de investimento para a Ásia, África e América Latina estão aos poucos insolando algumas economias europeias e gerando uma forte dependência do mercado financeiro, sendo este conhecido pela sua alta rentabilidade, mas temido pela elevada sensibilidade frente a mínimas mudanças políticas, climáticas, sociais e internacionais.

Fatores sociais como a imigração e a crise dos refugiados também abalam a estabilidade econômica europeia e chegaram a ameaçar importantes acordos, como o Schengen – que permite a livre circulação de pessoas no Bloco. Os países implicados demandam mais recursos da União para conter as ondas migratórias. A essa situação é preciso somar o aumento de migrações dentro do espaço europeu, principalmente dos países mais vulneráveis economicamente, para os países do Norte. Em relação a política interna, as mudanças no alinhamento político dificultam a integração do Bloco e uma possível saída da líder Ângela Merkel, após as eleições na Alemanha, em 2017, pode dificultar no estabelecimento de uma nova liderança.

Mesmo havendo uma certa animação em relação ao futuro econômico da Europa e dos demais países desenvolvidos é importante considerar todos os fatores implicados e não negligenciar a instabilidade ainda existente dentro do Bloco, pois a União Europeia pode sofrer maior fragmentação que integração nos próximos anos.

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Imagem (Fonte):

http://www.achtungmag.com/wp-content/uploads/2012/05/internacional-grecia-unioneuropea-desintegracion-revista-achtung-2.jpg

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

O Avanço da desigualdade na Europa e no Mundo

Um Relatório tratando da crescente desigualdade entre ricos e pobres, realizado pela organização não governamental Oxfam e publicado no dia 18 de janeiro, com o motivo do Foro Econômico anual de Davos, faz um alerta importante para a comunidade internacional: de acordo com o documento, 62 pessoas no mundo possuem uma riqueza superior a 3,6 bilhões de pessoas. A lista inclui bilionários de diversas nacionalidades, mas com predominância de empresários de países desenvolvidos e alguns emergentes.

O aumento da desigualdade e da concentração de riqueza tem sido debatido nos últimos anos em conferências internacionais e por diversos autores, embora, na prática, tenham ocorrido poucas ações que busquem solucionar o problema, uma vez que há importantes interesses dos atores implicados que entram em cena, além de incompatibilidade entre as diversas visões de mundo e suas concepções políticas e econômicas. Porém, ao contrário do que se pensa, a desigualdade não é exclusiva dos Estados subdesenvolvidos ou dos emergentes. Muitos países desenvolvidos enfrentam o problema.

Na Europa, segundo informe do Banco suíço Julius Baer, 10% da população possui mais da metade da riqueza de todo o continente e a crise econômica enfrentada pelo Bloco promoveu um incremento da desigualdade. Em lugares como a Espanha, durante a crise, a população mais rica aumentou sua renda frente a perda de poder econômico da população mais pobre, que foi duramente afetada pelas rígidas políticas de austeridade. O mesmo ocorreu na Grécia e na Itália. Ou seja, a pobreza começa também a afetar os países desenvolvidos. Ainda na Europa, existem 123 milhões de pessoas que vivem na pobreza e, nos Estados Unidos, mais de 46 milhões de norte-americanos são pobres

Certo é que há muitas formas de medir e classificar a pobreza, não ocorrendo realmente um consenso em relação a mesma. Muitos Estados estabelecem o índice de pobreza quando os rendimentos de uma pessoa são inferiores aos 60% da média nacional, o que, sem dúvidas pode gerar uma série de controvérsias e assimetrias, pois é mais fácil quantificar a concentração de renda de um pequeno grupo do que classificar as múltiplas dimensões que compõe a renda de grande parte da população.

Por outro lado, é visível em quase todos os países a estagnação salarial, o aumento do endividamento familiar e a redução do poder de compra médio da população, ou seja, mesmo existindo uma redução da pobreza extrema, a diferença entre o cidadão médio e o rico é cada vez maior e mais perceptível.

Certo é que um dos efeitos da expansão do capital e da globalização é a concentração da atividade financeira e produtiva em poucos players, produzindo uma constante aglomeração perceptível em todos os níveis, que, por sua vez, conforme o avanço da própria expansão do capital, reduz o ritmo de crescimento do mesmo.

Observando desta perspectiva, pode-se entender o lento crescimento projetado para a economia mundial neste ano (2016). Da mesma forma, entende-se o fato de que os maiores índices de crescimento estão localizados em países onde o capital financeiro está em plena expansão (Quênia, Uzbequistão, Butão etc.), com a redução da economia ou um crescimento menor em países já inseridos no sistema global. Também se compreende os problemas de consolidação do capitalismo, o qual, mesmo sendo o grande vencedor do século XX, paradoxalmente sofre com os efeitos de sua própria expansão e da interdependência que gerou. Somente assim é possível compreender como apenas 62 pessoas controlam grande parte dos recursos econômicos e dos fluxos financeiros do mundo inteiro e como a desigualdade em todas as suas faces ainda é um mal constante para o ser humano.

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Imagem (Fonte):

http://www.gazetadopovo.com.br/ra/grande/Pub/GP/p3/2012/08/22/Mundo/Imagens/favela_paraisopolis_2208doze.jpg

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Possibilidade de encerramento das Sanções contra a Rússia

Atualmente, a Federação Russa aplica embargos específicos a Estados do Ocidente, em retaliação às Sanções impostas, desde o início de 2014, contra autoridades e instituições de sua nacionalidade. Dentre os países ocidentais, Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha são os que mais impactaram com suas medidas nas atividades econômicas russas. Nesse sentido, os embargos específicos adotados pela Rússia podem ser classificados como uma penalização contra quase todos os produtores agrícolas da Europa, com o objetivo de pressionar para revogação das ações repressivas que vem sofrendo.

Alguns analistas ocidentais interpretaram a atitude russa como uma resposta automática e sem muita influência sobre a determinação dos Estados que sancionaram a Rússia, uma vez que eles o fizeram por alinhamento com a perspectiva de defesa de um Bloco, a União Europeia, e os principais afetados pelos embargos russos seriam produtores de países menos expressivos e sem influência sobre as Potências que tem interesses diretos na forma como se desenrola a relação Rússia-União Europeia.

Neste primeiro bimestre de 2016, tal perspectiva analítica começa a perder força, uma vez que surgem buscas unilaterais de membros da União Europeia em levantar as Sanções que aplicaram, com a condição de que a Federação Russa também suspenda os embargos aos seus produtores.

Na Inglaterra, um Deputado, Daniel Kawczynski, comentou ser favorável à suspensão das ações contras a Rússia, pois “empresas de seu círculo eleitoral têm perdido contratos por causa das sanções”, algo que, certamente, está motivando o parlamentar a adotar tal discurso, uma vez que ele busca melhores colocações de negócios para sua base eleitoral. Na França, o Ministro da Economia, Le Foll, comentou que “tem sido feito de tudo para que as restrições sejam canceladas, mas que seu ministério não tem poderes para tomar uma decisão final, que, por sua vez, só pode ser tomada por Bruxelas”.

Além de interesses por parte de europeus, o Secretário de Estado Norte Americano, John Kerry, comentou no fórum econômico de Davos: “Eu acredito que, com esforço e com a intenção legítima de boa-fé para resolver o problema em ambos os lados, é possível, nestes próximos meses, encontrar esses acordos de Minsk implementados e chegar a um lugar onde as sanções podem ser apropriadamente, […], removidas

Assim, surge um panorama com a presença de Estados buscando regularizar as transações econômicas com a Rússia, bem como a existência de outros Estados, como os EUA, que talvez não tenham mais motivos para dar continuidade as suas sanções.

Recentemente, o presidente ucraniano Petro Peroshenko visitou Alemanha para conversar sobre os problemas do gasoduto North-Stream 2, que permitiria a Rússia vender gás para Europa atravessando o seu país. Conforme destaca, sem o gasoduto a Ucrânia perde o imposto decorrente da transição pelo seu território. No entanto, diante do cenário de encerramento das Sanções ocidentais contra Rússia por Estados Membros da União Europeia, o presidente Poroshenko se mostrou preocupado, pois, segundo ele, “será um duro golpe para a Ucrânia e traição por parte dos aliados ocidentais”.

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Imagem (Fonte):

http://www.startearnnow.com/wp-content/uploads/2015/12/MoscowForeignMinistry_1000x750.jpg

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Leitura Adicional:

1. Rússia aprova sanções contra EUA e UE. (Publicado em 7 de agosto de 2014): http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/08/russia-aprova-sancoes-contra-eua-e-ue-bquem-se-da-bem-e-o-brasilb.html

2. Lawmaker: London may unilaterally lift sanctions from Russia if UK quits EU (Publicado em 2 de fevereiro de 2016):

http://tass.ru/en/world/854036

3. Paris confirms support for lifting sanctions against Russia (Publicado em 2 de fevereiro de 2016):

http://rbth.com/international/2016/02/02/paris-confirms-support-for-lifting-sanctions-against-russia_564219

4. Kerry says effort and good faith could lead to lifting of sanctions on Russia (Publicado em 22 de janeiro de 2015):

http://www.reuters.com/article/us-davos-meeting-kerry-russia-idUSKCN0V01NM

5. Threat of lifting sanctions against Russia: Poroshenko traveling to Germany to confess his own helplessness (Publicado em 1 de fevereiro de 2016): https://en.eadaily.com/news/2016/02/01/threat-of-lifting-sanctions-against-russia-poroshenko-traveling-to-germany-to-confess-his-own-helplessness