ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAORIENTE MÉDIO

China enxerga oportunidades no Oriente Médio em crise entre Estados Unidos e Irã

A crise entre os Estados Unidos e o Irã desenvolve-se desde a decisão do Presidente americano, Donald Trump, de executar, no Iraque, um ataque por meio de um veículo aéreo não-tripulado (drone) que matou o general iraniano Qasem Soleimani, no dia 3 de janeiro de 2020. Soleimani era comandante da Força Quds, uma divisão do Exército iraniano responsável pela condução de ações militares extraterritoriais e operações clandestinas. Trump aprovou a operação de eliminação de Soleimani após receber dados dos órgãos de inteligência estadunidenses que indicavam múltiplas ameaças vindas do Irã a americanos no Oriente Médio. Como forma de retaliação, Teerã lançou dezenas de mísseis contra bases americanas no Iraque, no dia 7 de janeiro de 2020. 

Em mandarim, a palavra “crise” (wēijī) (危机), é composta pelo ideograma “wēi”, que significa “perigo”, e “”, que compõe a palavra “jīhuì” (机会), que significa “oportunidade”. Do mesmo modo, a China tem vislumbrado oportunidades na atual contenda entre os dois países, pois Pequim possui fortes laços com Teerã e realiza regularmente exercícios militares trilaterais com a nação persa e a Rússia. Após o ataque que matou Soleimani, o Ministro chinês de Negócios Estrangeiros, Wang Yi, condenouo ato de aventurismo militar dos Estados Unidos, que vai contra as normas básicas que governam as relações internacionais e que agravará as tensões e a turbulência na região”. Segundo o governo chinês, Teerã espera que “a China possa exercer um papel importante na prevenção da escalada das tensões regionais”. Assim, o eliminação do general iraniano possui o potencial de não apenas fornecer a Pequim um papel de mantenedor da estabilidade no Oriente Médio, mas também de aumentar a sua influência na região, onde muitos países consideram Washington como um ator crescentemente imprevisível.

O Vice-Presidente da República Popular da China, Wang Qishan, encontra o Presidente de Israel, Reuven Rivlin, em 2018

Desse modo, a política externa chinesa, que enfatiza, sobretudo, o desenvolvimento e o comércio, torna-se cada vez mais atraente para as nações da região, sejam elas democráticas ou não. Nos últimos anos, a China tomou o lugar dos Estados Unidos como o maior doador financeiro para os países em desenvolvimento e celebrou grandes acordos comerciais através da Ásia, do Oriente Médio e da África, como parte do megaprojeto internacional de infraestrutura do presidente Xi Jinping, a Iniciativa do Cinturão e Rota.

De acordo com os analistas Lindsey Ford e Max Hill, do Asia Society Policy Institute, de Nova York, “embora a expansão da presença da China no Oriente Médio ocorra por cálculos econômicos, ela oferece oportunidades estratégicas para PequimPara os autores, “a ênfase da China nos princípios de não-interferência, desenvolvimento econômico liderado pelo Estado e manutenção da estabilidade regional, ressoa entre muitos líderes não-democráticos do Oriente Médio, permitindo que a China promova o seu modelo alternativo de liderança de grande potência”.

Os chineses têm sido capazes de manter laços com aliados tradicionais na região, como o Irã e a Síria, enquanto incrementa suas relações com rivais desses países, como a Arábia Saudita, Israel e os Emirados Árabes Unidos. Jonathan Fulton, do Atlantic Council, de Washington, observa que “os interesses de Pequim se baseiam em um Oriente Médio estável e já considera há muito tempo que isso, eventualmente, requererá alguma forma de participação chinesa nas questões de segurança da região”. Fulton também afirma que “a China não é um país revisionista”, e indica que o Estado asiático “não quer remodelar o Oriente Médio e nem tomar para si a responsabilidade de manter a sua segurança, mas deseja uma região previsível e estável, o quanto for possível, na qual possa desenvolver atividades comerciais e investir”.O analista aponta que o eliminação de Soleimani por Washington, “no curto prazo, aumentará o custo dos Estados Unidos fazerem negócios na região e colocará muitas pessoas em risco, mas, no longo prazo, pode aumentar o poder e a influência da China no Oriente Médio, enquanto o país assume maiores responsabilidades na preservação de seus interesses regionais”.

Desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos são a principal potência, não apenas no Oriente Médio, mas do mundo. À medida que a China desafia cada vez mais a hegemonia americana, o Oriente Médio vai emergir como uma das principais arenas dessa rivalidade e, ao decidir eliminar Soleimani, o governo americano pode ter facilitado para Pequim contestar o poder de Washington na região nos próximos anos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, encontra o Presidente do Irã, Hassan Rouhani” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=Xi+Jinping+rouhani&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Ali_Khamenei_receives_Xi_Jinping_in_his_house_(5).jpg

Imagem 2 O VicePresidente da República Popular da China, Wang Qishan, encontra o Presidente de Israel, Reuven Rivlin, em 2018” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=File%3AChina+Israel&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns14=1#/media/File:Reuven_Rivlin_meeting_with_Wang_Qishan,October_2018(7375).jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAORIENTE MÉDIO

O papel da Rússia no conflito entre EUA e Irã

O ano de 2020 teve início com um desbalanceamento geopolítico e econômico de proporção global, devido a um bombardeio cirúrgico e fatal perpetrado no dia 3 de janeiro pelo Governo norte-americano, no aeroporto internacional de Bagdá, capital do Iraque.

Qassem Soleimani (esquerda) e Abu Mehdi al-Muhandis (direita)

O ataque causou a morte do major-general iraniano Qassem Soleimani, responsável pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e comandante da Força Quds, uma divisão responsável por operações militares extraterritoriais, e de seu braço direito, Abu Mehdi al-Muhandis, um dos principais líderes das Forças de Mobilização Popular, ou Hashd al-Shaabi, uma coalizão paramilitar pró-Teerã integrada ao Estado iraquiano.

Declarações provindas do Pentágono deixaram claro que o principal objetivo desse ataque foi “eliminar” uma liderança ideológica com pretensões terroristas, e que representava uma ameaça aos EUA e ao mundo civilizado.

As reações ao bombardeio foram quase imediatas. China, União Europeia, Grã-Bretanha, França e Alemanha pediram calma e prudência, ao mesmo tempo em que o Irã e seus movimentos satélites, como o Hezbollah* libanês, o Hamas** palestino e os Houthis iemenitas clamaram por vingança.

Forças militares iranianas

Segundo especialistas, o cenário geopolítico atual se dirige para uma possível escalada de conflito e violência que pode ter efeitos devastadores não só na região do Oriente Médio, como, também, reverberar por toda a comunidade internacional. Posto isso, governos e instituições internacionais estão se mobilizando para tentar evitar possíveis manifestações de âmbito militar entre as duas nações. O mundo não pode arcar com outra guerra no Golfo”, afirmou o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres.

De certo, o questionamento da comunidade internacional é grande em determinar quais serão os próximos movimentos a serem executados pelos EUA e Irã, mas, outro grande e importante ponto de interrogação é qual será o comportamento da Rússia em meio a um possível confronto entre as duas nações, e porque especificamente a Rússia e não outra nação.

Historicamente, a Rússia lutou contra a Turquia, a Inglaterra e a França pelo acesso ao Mediterrâneo em tempos passados para proteger os cristãos do domínio otomano, e para garantir uma posição na Terra Santa. Durante a maior parte da era pós-Segunda Guerra Mundial, a União Soviética foi uma força importante no Oriente Médio. Moscou apoiou a Organização de Libertação da Palestina (OLP) em sua luta contra a denominada “entidade sionista”. Egito e Síria travaram guerras contra Israel com armas soviéticas, ajuda de conselheiros militares soviéticos e, ocasionalmente, até mesmo pilotos soviéticos foram utilizados no conflito, segundo fontes históricas. Engenheiros e muito dinheiro soviético ajudaram a construir obras de infraestrutura no Egito. Então, no final dos anos 1980, a União Soviética caiu em tempos difíceis e rapidamente se retirou da região, deixando o legado hegemônico local para seu inimigo ideológico à época, os EUA.

Atualmente, segundo especialistas, a Federação Russa vem agindo como um rolo compressor no Oriente Médio. O poder aéreo russo salvou o regime de Bashar al Assad de uma certa derrota não só contra grupos rebeldes, mas, também, contra o Estado Islâmico. A Turquia e Israel têm agora de aceitar a presença de tropas russas nas suas fronteiras. A Arábia Saudita deu ao Presidente russo, Vladimir Putin, o tratamento do tapete vermelho por ser um grande parceiro estratégico dentro da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados). Em todo o Oriente Médio, do norte da África ao Golfo Pérsico, a Rússia é onipresente, com seus visitantes de alto escalão, suas armas, seus soldados e seus acordos para construir usinas nucleares.

O ressurgimento da Rússia como um grande agente de poder no Oriente Médio está operando não só em contraste com a postura errática dos Estados Unidos na região, mas, porque, por um quarto de século após a Guerra Fria, a Rússia esteve localmente ausente e essa ausência, e não o seu regresso, é que seria a verdadeira anomalia geopolítica, deixando claro seu verdadeiro papel dentro da região e porque sua atuação em desbalanceamentos sistêmicos é tão importante não só para a localidade, mas, também, globalmente.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente do Irã, Hassan Rouhani

No tocante ao Irã, apesar de a Rússia ter interesses similares à nação persa, devido ao fato de terem colaborado conjuntamente com o Governo sírio em sua recuperação depois da guerra interna, seus posicionamentos divergem sobre questões locais. Segundo fontes, “Moscou busca um equilíbrio entre as forças locais do Oriente Médio e tem um papel de mediador externo, enquanto o Irã busca, em muitos sentidos, a direção oposta disso, tentando ser o líder regional, enquanto Teerã acredita que esse é o único meio de garantir a segurança da República Islâmica”.

Apesar de Moscou ter proferido críticas ao governo Trump por assassinar Soleimani, até agora a Rússia permaneceu em silêncio em relação ao que irá fazer sobre o assunto, mas, de certo, qualquer ajuda por parte dela ao Irã, caso haja um conflito direto com os EUA, seria especificamente para proteger seus próprios interesses regionais, principalmente o de âmbito econômico, pois, segundo analistas, a relação entre os dois países seria apenas de parceiros táticos e não de aliados estratégicos, por conta de seus diferentes objetivos globais.

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Notas:

* O Hezbollah, que em árabe significa ‘Partido de Deus’, é uma força islâmica xiita com estrutura similar à do Exército e, ao mesmo tempo, um grupo político com sede no Líbano. Ele nasceu em 1982, durante a Guerra Civil Libanesa, a princípio como uma milícia, ou seja, constituída por cidadãos libaneses portadores de armas e de um suposto poder policial.

** Hamas é a sigla de Ḥarakat al-Muqāwamat al-Islāmiyyah (em português, Movimento de Resistência Islâmica). O grupo tem origem palestina e baseia-se nos princípios sunitas. A organização divide-se entre as brigadas Izz ad-Din al-Qassam (braço armado), um partido político e uma estrutura de cunho filantrópico. Com essa formação, o Hamas é considerado um dos movimentos islâmicos e fundamentalistas mais importantes da Palestina. A origem do Hamas remete ao ano de 1987, quando o grupo foi instituído a partir da Primeira Intifada, manifestação da população da Palestina contra a ocupação de Israel.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Homenagem póstuma a Qassem Soleimani” (Fonte): https://nationalinterest.org/blog/buzz/trump-cant-win-iraq-because-iran-winning-middle-easts-information-war-112326

Imagem 2 Qassem Soleimani (esquerda) e Abu Mehdi alMuhandis (direita)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Qasem_Soleimani#/media/File:Abu_Mahdi_al-Muhandes_&_Qasem_Soleimani01.jpg

Imagem 3 Forças militares iranianas” (Fonte): https://nationalinterest.org/blog/buzz/what-does-america-have-fear-about-irans-large-army-112676

Imagem 4 O presidente da Rússia,Vladimir Putin, com o presidente do Irã,Hassan Rouhani” (Fonte)

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Estados Unidos e Irã: Oriente Médio em um novo capítulo de tensão

Após Washington anunciar em maio de 2018 a retirada unilateral do acordo que culminou no desmantelamento do Programa Nuclear Iraniano, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA, na sigla em inglês), e que fora assinado pelo grupo de nações intitulado P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China, mais a Alemanha), existia a possibilidade apontada por críticos da saída estadunidense do Acordo de que Teerã poderia restabelecer rapidamente sua capacidade nuclear.

Nesse período, apesar da oposição da União Europeia, as sanções impostas pelos norte-americanos em novembro desse mesmo ano, e apoiadas por algumas empresas da Zona do Euro, acarretaram no recrudescimento da venda de petróleo iraniano em aproximadamente 1,5 milhão de barris/dia.

Tal posicionamento inicial, fruto de uma promessa de campanha do presidente Donald Trump, ganhou novos contornos, com a Casa Branca aumentando a pressão nos últimos meses sobre a República Islâmica, ao anunciar novos mecanismos que oneram países que compram o petróleo bruto iraniano.

O objetivo, de acordo com membros da administração Trump, é por fim a atividades desestabilizadoras que o país persa promove no Oriente Médio, a incluir: o apoio ao grupo Hezbollah no Líbano; a assistência aos rebeldes Houthis no Iêmen; o patrocínio ao regime de Bashar al-Assad na Síria e as milícias xiitas no Iraque; assim como o restabelecimento de voos diretos Teerã-Caracas, retomados como parte do processo de apoio ao regime do presidente Nicolás Maduro.

Conferência de Imprensa do Grupo P5+1 e República Islâmica do Irã, em julho de 2015

Apesar de todos os investimentos, o retorno financeiro é considerado baixo e auxilia no aprofundamento da crise interna. A inflação de aproximadamente 50%, moeda em colapso, persistentes paralisações de trabalhadores, um crescente movimento pelos direitos das mulheres, recentes enchentes que mataram mais de 75 pessoas e causaram em torno de US$ 3 bilhões em danos (aproximadamente, 12,3 bilhões de reais, conforme a cotação de 17 de maio de 2019), além da praga de gafanhotos que ameaça 300.000 hectares, ou cerca de US$ 9 bilhões das terras agricultáveis do país (Em torno de 36,9 bilhões de reais, conforme a mesma cotação), ampliam a pressão ao Aiatolá Ali Khamenei, o Líder Supremo do país. Esse contexto viabiliza uma campanha cujo objetivo principal é acelerar o colapso econômico iraniano e a mudança do regime.

Para tal iniciativa ser bem-sucedida, observadores internacionais creem que reforçar as bases de apoio à posição de Israel como principal parceiro geoestratégico e ampliar os laços entre o Estado judeu com os países árabes que se opõem ao Irã, com os Estados do Golfo, Arábia Saudita e Egito, forçará o Líder Supremo e o presidente Hassan Rouhani a optarem por três cenários distintos:

1. Um acordo com a administração Trump: esse acordo inviabilizaria qualquer iniciativa de cunho militar e poderia restabelecer as conexões comerciais essenciais para a retomada econômica da nação;

2. Aguardar pelo pleito presidencial estadunidense em 2020: autoridades estadunidenses que participaram do Acordo de 2015 na administração de Barack Obama sugeriram ao chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif que Trump é um Presidente fraco e que, provavelmente, não será reeleito, o que abriria espaço para retomada do JCPOA em janeiro de 2021. Contudo, para analistas consultados, exercer tal “paciência estratégica” é considerada arriscada pelo Aiatolá.

3. Promover uma contra escalada: outra parcela de analistas pontuou a possibilidade do enfrentamento direto, ou seja, reiniciar o programa nuclear. Entretanto por ser o único país do sistema internacional a combater simultaneamente três ameaças de guerra, contra Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita, essa possibilidade se torna a mais remota, justamente pelo fato de o enredo contextualizado por Washington ser semelhante ao testemunhado em 2003, quando a invasão ao Iraque foi justificada pela existência de um arsenal de armas químicas e biológicas.

Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, em discurso em setembro de 2015

Embora a opção militar pela República Islâmica não seja considerada, analistas apontam que a limitação de forças convencionais, em uma eventual ofensiva externa, poderia ser superada por uma rede de forças xiitas que se estende do Afeganistão ao Líbano e incluem segmentos das milícias xiitas iraquianas e do Hezbollah, que controla o sul do Líbano e tem milhares de mísseis balísticos apontados para Israel.

Em complemento, o Irã também poderia mobilizar homens-bombas dedicados a causa xiita e ao nacionalismo propagandeado pelo regime, o que faria essa escalada militar resultar em um cenário sem precedentes.

No aspecto econômico, à instabilidade gerada pela retórica inflamada entre Washington e Teerã tende a manter a oferta e os preços do petróleo em consonância com os tempos mais recentes.

Contudo, Arábia Saudita e outros membros da OPEP, como Emirados Árabes Unidos têm a intenção de cortar as exportações de petróleo iraniano e inundar o mercado, porém podem ocasionar em riscos. Ao encorajar a política de Trump, os dois países visam não apenas enfraquecer o rival regional, como obter lucro financeiro, à medida que o preço do barril aumenta exponencialmente com as exportações.

O Iraque deseja que os países membros do bloco não tomem iniciativas unilaterais até a reunião de junho próximo (2019). Já a Líbia, com o retorno dos pesados combates em seu território, teme que suas exportações sejam colocadas em risco e não devem perpetrar nenhuma ingerência no cenário da OPEP contra o Irã. 

A perspectiva na Venezuela é considerada um dos piores cenários. Com a maior reserva comprovada de hidrocarbonetos, já não conta com a mesma capacidade de produção, hoje menos de um milhão de barris/dia, e novas sanções de Washington tendem a ampliar a turbulência política e a crise econômica no país sul-americano, o que inviabiliza também a possibilidade de maior pressão contra a ofensiva aos persas.

Em Beijing há pouco interesse na mudança do regime em Teerã, haja vista que é o único país na região rico em energia, sobre o qual Washington não tem uma posição segura. Na Índia, em meio a uma eleição geral, o atual primeiro-ministro Narendra Modi tem pouco interesse em tomar medidas que aumentem os preços dos combustíveis.

Embora haja interesse mútuo na cooperação em detrimento do conflito, Trump e Khamenei entendem que o caminho diplomático passa pela escalada das ameaças mútuas, algo que observadores apontam que resultará em prejuízos, principalmente ao povo iraniano, assim como aos demais povos do Oriente Médio onde Teerã exerce forte influência.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Muro da antiga Embaixada dos Estados Unidos em Teerã” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/mayhlen/8236713685/in/photolist-dxRj1V-qLgWqC-dxRjwD-pyM9Vv-W2p6GY-5fkMV9-fevnx2-Wq3i9F-5fgqh8-mkgPCW-mkiAXS-Wq3i1z-mkg3zZ-mkg4Ai-3e8mfT-mkdU84-mkdGYu-6Kz2LN-mkfMER-7R6PZD-7aZE3Y-px1VPj-dxWMQd-st9aHY-mkf7VX-mkiW73-mkfDk2-mkdTqm-mkc6GF-mkhZu6-sUAeRy-mkf7TF-4VUdi9-mkhAVF-mkchkp-mkhek5-mkfV4i-6Kz2JL-4VPXbH-mkdBEU-a21tUq-mkeJDn-mkdLKi-mkebjk-r8EBUx-rkWq8B-phuC7H-f6XDz2-aDczbH-phz1d6

Imagem 2Conferência de Imprensa do Grupo P5+1 e República Islâmica do Irã, em julho de 2015” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/unisvienna/19069822374/in/photolist-v48PNW-3TrU1d-v47zYH-v4hcpK-BGdp1w-vHx5fd-A3jMVt-cwHLkE-Z4R1GE-upELvo-c8hsx3-DaXsJ7-w3Ewed-CGjvLi-zBvUTm-25B8q9q-H5ZfiC-CkzRAy-EtsTr8-Kkh6L7-xefQy9-YrnXqx-ZpFJCp-NzKK4y-2cxJm6o-xR8U6X-xR8UmB-v3FPBp-vQX2qf-23WMTMo-y9jEEg-xR8TWt-xR3gNq-wFxWAa-xp3PuK-w4mXbQ-Cm5dr1-wsbEgX-ws32bm-x7rx3s-xQQQkp-xmP1nN-xmJey7-xR2njj-qZTfLb-xbL8QX-rZ6S5J-xSMqUv-BAPZda-B8uRbS

Imagem 3Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, em discurso em setembro de 2015” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/[email protected]/30525164571/in/photolist-NvprWT-MFbLax-NA11qd-NzZZQA-NA11ns-cZEWQS-6CzBLB-efCsMR-W26hGG-4TxVkU-UwxGAC-6zsCWU-6zsCYo-6zoxCp-6z8UTr-6zoxLR-phuC7H-6z8UP4-6zoxG4-phz1d6-2fr3o5x-cWeUAU-pwYdXd-9r1Va1-9hzbpY-djmPHF-2fhPHNK-4N4LHJ-ZJ3f3b-4EDyvR-6Ak9UU-6P7UW4-cWeWLj-cRzNCL-fEpyou-cWeWyN-aCyT2L-cUQVS7-cUR1cS-pjUd2Z-cWeXb3-3D7VoU-6ySLpB-cWeV9J-cUQXDs-4TDoHc-24dL3u2-cWeXp9-7zeRop-cWeWbh

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Causas e consequências do isolamento regional do Qatar

Em 20 de maio de 2017, o Quarteto, grupo conformado por Arábia Saudita, Bahrein, Egito e Emirados Árabes Unidos apresentaram uma lista de 13 demandas ao governo do Qatar. A lista trazia em si pontos como cessar financiamento para atividades terroristas, prover informação sobre grupos políticos para as quais supostamente haviam enviado financiamento, cortar relações com o Irã e fechar uma série de meios de comunicação considerados perigosos, principalmente a cadeia de notícias Al-Jazeera.

Junto ao anúncio veio o aviso de que passados dez dias da publicação destas exigências, um pacote de medidas restritivas seria aplicado sobre o Qatar. Para alguns analistas, a apresentação das demandas consistia em uma concessão grande demais para ser feita neste tempo, visando diminuir a atuação internacional do país.

Por mais que já tenha admitido a simpatia e a cooperação com a Irmandade Muçulmana, o governo qatari nega veementemente que tenha fornecido qualquer apoio logístico ou financeiro para grupos como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda.

Também não reconhece haver interferido ou mantido contato com grupos políticos dentro dos demais países envolvidos neste impasse político. Para o governo de Doha*, estas demandas consistem em uma manobra para tolher a independência do país.

Ante esta posição, o Quarteto cortou relações diplomáticas, bloqueando também o trânsito via terra, água e ar de bens ou cidadãos provindos do Qatar. Com exceção do Egito, os países ordenaram o imediato regresso de seus nacionais do país vizinho.

Considerado pequeno por conta de seu território de 11,5 mil quilômetros quadrados e população de pouco mais de 2,6 milhões de pessoas, o Qatar conseguiu estabelecer-se como um país extremamente relevante por sua diplomacia e atuação internacional.

Parte desta capacidade deve-se às riquezas que possui, mas também por conta de uma vontade política sustentada por seus monarcas. A riqueza que foi obtida através da exploração do petróleo e do gás natural tem sido revertida em investimento estrangeiro e na sustentação de uma rede de relações diplomáticas, além de iniciativas inovadoras, como empreendimentos em comunicação. Estas ações permitem ao país ter uma extensa presença ao redor do mundo.

Esta busca por independência política produziu ao longo do tempo rusgas com a poderosa vizinha, a Arábia Saudita. Notoriamente presente na política de toda a região, Riad** tem acumulado pontos de divergência com Doha* ao longo da história.

Diante do bloqueio sofrido, algumas questões se apresentam para verificar se houve mudanças para o Qatar neste ano e meio durante o qual as ações foram aplicadas contra o país. O primeiro efeito não ocorreu como esperavam seus adversários. Apesar das restrições comerciais dos vizinhos, os qataris continuam prosperando e, segundo declarações, o país poderia viver sob embargo por mais cem anos antes de passar por necessidades.

Em um primeiro momento, os impactos do embargo foram severos. A economia passou por uma retração de cerca de 4%, com uma evasão de moeda estrangeira e, segundo a Bloomberg, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos retiraram cerca de US$ 30 bilhões (cerca de R$116,36 bilhões de reais, em cotação do dia 8 de abril de 2019) de Bancos no Qatar.

A restrição sobre a mobilidade também ameaçou afetar outros setores econômicos, como o fornecimento de uma série de produtos consumidos e a operação da companhia aérea do país, Qatar Airways. Segundo a Reuters, a empresa aérea perdeu acesso a 18 cidades e parte do espaço aéreo utilizado, negados pelos quatro países que impõe o embargo.

Frente à esta situação, a decisão do governo qatari foi de aumentar as apostas com relação a seus vizinhos, tomando medidas reativas e recusando-se de todas as formas à capitular na negociação do embargo.

A difícil operação envolvia tanto cortar a importação de produtos dos países do Quarteto, criando formas de obtenção dos mesmos no próprio país, quanto a diversificação das relações estratégicas. Isto envolveu, por exemplo, buscar outras formas de obter fornecimento de elementos básicos, como produtos de limpeza e ovos a um custo até nove vezes superior ao usual, conforme noticiou o The National.

Também produziu um aumento na intensidade do diálogo do Qatar com uma grande variedade de atores dentro e fora do Oriente Médio. O país decidiu aplicar parte de seu fundo soberano de US$ 340 bilhões de dólares (aproximadamente 1,31 trilhão de reais, conforme a cotação do dia 8 de abril de 2019) para criar novas oportunidades tanto na área comercial quanto produtiva.

O investimento por parte do Qatar em outros países aumentou de maneira significativa. Nos Estados Unidos há planos para investir US$ 35 bilhões (em torno de R$ 135 bilhões, de acordo coma mesma cotação) até 2020. Outras ações incluem aumentar a participação em ações da companhia russa de petróleo, Rosneft PSJC. Além de programar compras de armamentos de países como França e Reino Unido.

O esvaziamento dos espaços políticos foi outra medida empreendida para sobreviver ao embargo. Ao contrário do exigido pelo Quarteto, houve afastamento dos fóruns envolvendo países do Golfo e as estratégicas com Irã e Turquia aumentaram de intensidade.

Várias medidas foram negociadas e ganharam corpo ao longo do processo. Segundo o Middle East Monitor, um dos efeitos produzidos foi o desembarque de tropas turcas na Península Arábica, pela primeira vez, desde o fim da ocupação otomana. Cerca de 3 mil soldados enviados pela Turquia encontram-se no Qatar com a finalidade de treinar as tropas do país, e o acordo entre Doha e Ankara pode tornar este número ainda maior com o passar do tempo.

O Emir do Qatar, Sheik Tamim bin Hamad Al Thani, encontra-se com o Presidente da Turquia, Recep Erdogan

Também segundo este veículo, o vice-Diretor de Portos e Organizações Marítimas do Irã, Hadi Haq Shinas, ofereceu como alternativa a seus cada vez mais próximos interlocutores a possibilidade de fazer uso do porto de Bushehr para importação e exportação. 

Para a mais recente reunião do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, do inglês Gulf Cooperation Council), realizada em 31 de março de 2019, na cidade de Tunis, o Qatar enviou somente uma delegação diminuta. O Emir do país, Sheik Tamim bin Hamad Al Thani, deixou a conferência cedo e afirmou, conforme noticia o New Arab, que o “país ficou ainda mais forte desde o começo do embargo. Quanto às negociações para o fim da crise, disse esperar que as tentativas de diálogo que vêm sendo articuladas por países neutros, como o Kuwait e Omã, possam ajudar a reaproximar os dois países.

Esta movimentação também foi estendida à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC). O Qatar anunciou no final de 2018 sua saída definitiva do grupo, que possui uma inegável influência saudita. Isso representa um distanciamento ainda maior do controle que é exercido por Riad e da imagem protecionista que possuí o órgão. A medida reflete um desejo de investir em um mercado mais dinâmico e aparentemente mais lucrativo ao país, que é o do gás natural.

O impasse no Golfo Pérsico persiste enquanto os países do Quarteto que promoveu o embargo seguem irredutíveis no entendimento de que a única maneira de contornar a situação reside na aceitação por parte do Qatar das medidas apresentadas. O país afetado, por outro lado, não demonstra nenhuma indicação de que buscará atender às demandas.

Conforme o tempo passa, não há mostras de que a redução tenha afetado a estabilidade do pequeno Estado do Golfo. Ao mesmo tempo em que a Arábia Saudita e os Estados Unidos não demonstram satisfação com o resultado do processo político, outros países, como Irã e Turquia têm atingido uma maior presença política na região.

O Emir do Qatar, Sheik Tamim bin Hamad Al Thani, participa da passagem simbólica da sede da Copa do Mundo FIFA, junto aos presidentes da instituição Gianni Infantino e da Rússia, Vladmir Putin

Até o momento, a situação do embargo não tem representado um impedimento para uma série de projetos políticos e econômicos do Qatar. O país mantém sua expansão comercial e inalterados os planos para sediar a Copa do Mundo da Fifa em 2022.

Por mais que desejassem avançar em certos aspectos, como a diminuição das restrições sobre o espaço aéreo e restrições de viagens para seus nacionais, o país haveria “seguido em frente”, conforme afirmou o Ministro das Relações Exteriores, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. Com produtos nacionais nos mercados, novas rotas comerciais e alianças políticas, conclui-se que Doha está preparada para lidar com o novo ambiente político no qual está inserida.

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Notas:

* Doha é a maior cidade e capital do Qatar. Aqui, a referência se mais especificamente ao Governo do Qatar, logo ao país.

** Riad é a maior cidade e capital da Arábia Saudita. Aqui, a referência se faz mais especificamente ao Governo da Arábia Saudita, logo ao país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A cidade de Doha, capital do Qatar”(Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Catar#/media/File:Doha_skyline_banner.jpg

Imagem 2 O Emir do Qatar, Sheik Tamim bin Hamad Al Thani, encontrase com o Presidente da Turquia, Recep Erdogan” (Fonte Twitter oficial do Emir do Qatar @tamimbinhamad): https://pbs.twimg.com/media/Ds8dLu_W0AAreWH.jpg:large

Imagem 3 O Emir do Qatar, Sheik Tamim bin Hamad Al Thani, participa da passagem simbólica da sede da Copa do Mundo FIFA, junto aos presidentes da instituição Gianni Infantino e da Rússia, Vladmir Putin” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6a/Rusia_entreg%C3%B3_el_relevo_de_la_antorcha_de_la_Copa_del_Mundo_a_Qatar.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Líbano elege novo Gabinete, após meses de impasse

Após oito meses de impasses e negociações, o Líbano foi finalmente capaz de formar um Gabinete pluripartidário, em 31 de janeiro de 2019. Sob a liderança do primeiro-ministro Saad Hariri, 30 Ministros e Ministras foram nomeados para o Poder Executivo do país, após as eleições gerais que ocorreram em 6 de maio de 2018. As decisões a serem tomadas nos próximos meses serão cruciais, já que o Líbano passa por uma severa crise econômica e enfrenta constantes protestos populares contra a classe política.

O novo governo formado inclui a maioria das grandes forças políticas libanesas. Dos 30 assentos no Gabinete, 8 foram ocupados pelo Movimento Patriótico Livre, partido do presidente cristão Michel Aoun; outros 5 assentos foram ocupados pelo Movimento Futuro, Partido do primeiro-ministro sunita Saad Hariri; 4 cadeiras foram ocupadas pelas Forças Libanesas maronitas; 3 cadeiras cada pelos Movimentos xiitas Amal e Hezbollah; 2 pelo Partido Socialista Progressista druzo; e uma cadeira, cada, ocupadas pelos partidos: Tayyar al Azam; Marada; Tashnag armênio; Partido Democrático Libanês e pelo Ajuntamento Consultivo.

May Chidiac, das Forças Libanesas, atual Ministra de Estado para Desenvolvimento Estatal Administrativo

A nova formação do Gabinete conta com 13,33% de mulheres. De forma inédita, 4 mulheres ocuparam Ministérios importantes, entre elas Nada Bustani, do Movimento Patriótico Livre, que assumiu o Ministério de Águas e Energia, e Violet Safadi Khairallah, do Movimento Futuro, que é a atual Ministra de Estado para o Empoderamento Econômico da Mulher e da Juventude. May Chidiac, das Forças Libanesas, ocupou o Ministério de Estado para Desenvolvimento Estatal Administrativo. Chidiac é fundadora e presidente da Fundação May Chidiac, que concentra suas atividades na mídia libanesa, democracia e assistência social. A Ministra é uma ex-jornalista que criticou duramente a presença síria no Líbano. Chidiac foi alvo de um atentado contra sua vida em setembro de 2005, que a fez perder uma perna e um braço.

Raya Hafar Al-Hassan assumiu o Ministério do Interior e Municípios. Este último Ministério é responsável pelo terceiro maior orçamento entre os Ministérios do país, 1,670 trilhão de libras libanesas (aproximadamente 1,108 bilhão de dólares, ou 4,13 bilhões de reais, conforme cotação de 20 de fevereiro de 2019). No Gabinete anterior, formado em 18 de dezembro de 2016, somente uma mulher figurava entre os 30 ministros, Eina Ezzeddine, Ministra de Estado para Assuntos de Desenvolvimento Administrativo, filiada ao Hezbollah, cargo agora ocupado por May Chidiac.

Proporções bastante mais baixas de mulheres foram registradas nas últimas eleições legislativas. No que tange as eleições parlamentares, ocorridas em maio de 2018, seis mulheres (4,69%) foram eleitas para um total de 128 assentos. Assim, o Poder Executivo no país registra três vezes mais mulheres que o Poder Legislativo. Sem cota para representação feminina, críticas alertam que o número de mulheres no Gabinete e no Parlamento ainda não é alto o suficiente, e que é preciso chegar, em um primeiro momento, ao menos em 25%, segundo a deputada Paula Yacoubian, que representa o Distrito Beirute I.

Raya Hafar Al-Hassan, atual Ministra libanesa do Interior e dos Municípios

O Líbano possui um arranjo de partilha sectária de poder, que pré-atribui assentos às diferentes confissões religiosas no país conforme seu peso demográfico e distribuição geográfica. A este arranjo é dado o nome de confessionalismo. No país, a representação de diferentes grupos no governo é garantida ao longo das linhas confessionais. Isto é conseguido reservando uma quantidade proporcional de cargos públicos de alto nível, cadeiras do Gabinete e assentos legislativos para representantes de cada comunidade religiosa. O Presidente deve ser necessariamente um cristão (geralmente maronita); o Primeiro-Ministro, um muçulmano sunita; o Presidente ou Porta-Voz do Parlamento, um muçulmano xiita; o Vice-Primeiro-Ministro e o Vice-Presidente do Parlamento, um ortodoxo oriental; e o Chefe Militar, um druso. O arranjo é acusado, por especialistas, de incentivar a ineficiência administrativa, além de promover dinâmicas de nepotismo, patronagem e clientelismo.

As decisões tomadas nos próximos meses serão cruciais, mas o engessamento fomentado pela engenharia institucional libanesa deixa pouco espaço para grandes mudanças – ainda que a nomeação de um maior número de mulheres no Gabinete possa despertar otimismo. Carmen Geha, da Universidade Americana de Beirute, afirma que “seria injusto esperar que essas mulheres deixassem de lado a tradição política libanesa na tentativa de transformar o país apressadamente. São dois pesos e duas medidas”, complementou. “Não devemos esperar que essas mulheres [ignorem] as linhas partidárias, assim como não esperamos que os homens o façam”, comentou ao Al Monitor.

Conforme normativa estabelecida sob o Acordo de Doha (2008), o Gabinete Executivo, ou Conselho de Ministros, é composto por 30 assentos, sendo 16 da maioria governamental, 11 da minoria governamental e 3 assentos neutros, a serem nomeados pelo Presidente. O chamado ‘governo de união nacional’ concede poder de veto para a minoria que detém 1/3 + 1 dos assentos no Gabinete.

Em governos sectários onde vigora a partilha de poder, a demora na formação de governos de união nacional é frequente, e, rotineiramente, o equilíbrio entre as forças políticas em disputa leva tempo para ser estabelecido. Em 2009, Hariri levou cinco meses para formar uma administração governamental, enquanto seu sucessor, Tammam Salam, levou dez meses inteiros após ser nomeado em 2013. Em 2018, enquanto o Gabinete não era formado, o Conselho formado por Hariri não renunciou e atuava com função de zelador do status quo até que o novo Gabinete fosse formado.

Estamos enfrentando desafios econômicos, financeiros, sociais e administrativos”, disse o primeiro-ministro Saad Hariri em uma entrevista coletiva em Beirute, após o anúncio. E continuou: “Tem sido um período político difícil, especialmente depois das eleições. Devemos virar a página e começar a trabalhar”.

Saad Hariri, Primeiro-Ministro do Líbano

Durante o último inverno no país, o Líbano foi palco de dezenas de protestos populares, com os manifestantes reclamando melhoria na situação econômica e no provimento de serviços básicos, como saúde pública, educação e infraestrutura. O crescente descontentamento contra o governo também demanda empregos, uma taxação de impostos mais justa e o fim da corrupção e do sectarianismo, conforme reportou o The National.

De acordo com o Beirute Madinati, um movimento de base de jovens ativistas e profissionais, nascido das eleições municipais de 2016 com uma plataforma anti-establishment e que possui 1 assento no Parlamento, um terço dos jovens do país estão desempregados. Pelo menos metade da força de trabalho é empregada informalmente, o que significa que não possui acesso à seguridade social e muitas vezes não pode pagar por seguros de saúde privados.

Adicionalmente, o Líbano tem um dos governos mais endividados do mundo, se comparado com o tamanho de sua economia, ocupando o terceiro lugar. Segundo analistas, o crescimento nos últimos anos foi retardado pela guerra na vizinha Síria, assim como pelos anos de inércia política. O déficit fiscal orçado para 2018 foi de 7,3 trilhões de libras libanesas (aproximadamente, US$ 4,84 bilhões, ou 18,04 bilhões de reais, conforme cotação de 20 de fevereiro de 2019).

Catar e Arábia Saudita já disputam sobre a alocação de investimentos no país. No último dia 21 de janeiro, o Catar prometeu assegurar à debilitada economia libanesa o equivalente a US$ 500 milhões em títulos do governo, algo em torno de 331,7 milhões de reais, conforme a mesma cotação. A compra de títulos pelo Catar é parte de uma ofensiva comercial e diplomática que rivaliza com a Arábia Saudita como patrono financeiro do Líbano. A estratégia é consequência do boicote econômico impostos sobre Doha em junho de 2017 por parte do Conselho Cooperativo do Golfo e do corte de relações diplomáticas pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito e Iêmen.

Com o novo governo formado, Saad Hariri agora enfrenta um grande desafio na entrega das reformas sociais e econômicas necessárias para enfrentar o déficit nas finanças públicas, e ser capaz de desbloquear bilhões de dólares em ajuda e empréstimos internacionais para investimento em infraestrutura, prometidos para impulsionar o crescimento econômico no país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto oficial do Conselho de Ministros libanês eleito em 31 de janeiro de 2019 (Fonte): http://www.pcm.gov.lb/arabic/subpg.aspx?pageid=12198

Imagem 2 May Chidiac, das Forças Libanesas, atual Ministra de Estado para Desenvolvimento Estatal Administrativo” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:May_Chidiac_Ahmad_Ibrahim.jpg

Imagem 3 Raya Hafar AlHassan, atual Ministra libanesa do Interior e dos Municípios” (Fonte):http://www.pcm.gov.lb/arabic/subpg.aspx?pageid=12198

Imagem 4 Saad Hariri, PrimeiroMinistro do Líbano” (Fonte):https://en.wikipedia.org/wiki/Saad_Hariri

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Catar anuncia saída da OPEP em janeiro de 2019

O Catar encerrou o ano de 2018 anunciando a saída do país da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e celebrando sua Data Nacional, em meio a um bloqueio por água, terra e ar – liderado pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – que já dura 17 meses.

Na segunda-feira, 3 de dezembro, o Ministro de Energia do país, Saad Sherida al-Kaabi, anunciou a saída do Catar da organização a partir de janeiro de 2019, encerrando 57 anos de vínculo com a Organização. Ele afirmou que o Catar concentraria suas atividades em sua indústria de gás natural e descartou a ideia de que a retirada estivesse ligada a questões políticas. Contudo, al-Kaabi insinuou que a nação buscava liberdade de um cartel petroleiro dominado pela Arábia Saudita, reportou o The New York Times. O Ministro afirmou: “Não estamos dizendo que vamos sair do negócio de petróleo, mas [ele] é controlado por uma organização gerenciada por um [só] país”.

Al-Kaabi afirmou que não fazia sentido “dispender esforços, recursos e tempo em uma organização na qual somos um jogador muito pequeno, e eu não tenho influência sobre o que acontece”. Hamad bin Jassem bin Jaber Al Thani, ex-Primeiro Ministro e Ministro das Relações Exteriores do Catar de 1992 a 2013, escreveu em sua conta no Twitter: “A retirada do Estado do Catar da organização da OPEP é uma decisão acertada, pois a organização se tornou inútil e não nos acrescenta nada” […] e “ela é usada apenas para fins que prejudicam nossos interesses nacionais”, conforme reportou a Bloomberg.

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Twitter de Hamad bin Jassem bin Jaber Al Thani, ex-Primeiro Ministro e Ministro das Relações Exteriores do Catar de 1992 a 2013

Anwar Gargash, Ministro de Estado de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, avaliou em sua conta no twitter que a decisão de Doha é um reflexo de sua descendente influência na região: “O aspecto político da decisão do Catar de deixar a OPEP é uma admissão do declínio de seu papel e influência à luz de seu isolamento político”.

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Twitter de Anwar Gargash, Ministro de Estado de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos

Em junho de 2017, a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito impuseram um boicote político, comercial e turístico ao Catar, acusando-o de financiar o terrorismo e interferir nos assuntos internos de outros Estados. Este nega as acusações e culpa o conjunto de países que organiza o boicote de visarem reduzir sua soberania. Para contornar a disputa política, o país tem reforçado seus laços com a Turquia e fortalecido sua coordenação com o Irã, país com o qual compartilha o maior campo de gás do mundo, o chamado “Campo do Norte”.

Conforme reporta o The New York Times, havia pouca razão aparente para as atividades de gás natural do Catar terem entrado em conflito com sua participação na OPEP. O país passou décadas construindo sua indústria de gás natural enquanto pertencia ao grupo. A decisão teria sido parte de uma estratégia de longo prazo e dos planos do país para desenvolver sua indústria de gás e aumentar a produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) de 77 para 110 milhões de toneladas até 2024. “Asseguro-lhes que isto foi apenas uma decisão sobre o que é certo para o Catar a longo prazo. É uma decisão estratégica”, disse Al-Kaabi.

Ademais, a saída do país parece ter pouca influência efetiva sobre os preços do petróleo – ainda que tenha se dado em meio a uma tentativa Saudita de mostrar uma frente unificada, ao lado da Rússia, para cortar a oferta e recuperar os preços – atualmente sendo negociados a US$ 53,82 o barril, abaixo dos US$ 86,29 em inícios de Outubro.

Em novembro (2018), os preços do petróleo atingiram seu nível mais baixo desde junho de 2017, em parte porque os Estados Unidos concederam isenções de sanções a oito importadores de petróleo iraniano. Outro fator foi a estabilização da produção na Líbia e em outros países da OPEP.

De acordo com a Agência Reuters, Riad e Moscou têm decidido cada vez mais as políticas de produção mundial de petróleo, sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na OPEP, para reduzir os preços.

Na avaliação de Rauf Mammadov, do Middle East Institute, a retirada do Catar da OPEP pode dificultar a preservação da unidade do cartel por Riad, e tornar mais difícil para o líder de facto, a Arábia Saudita, submeter os outros membros à sua vontade. Adicionalmente, e em oposição imediata, a baixa sofrida pelos sauditas fortalece a posição iraniana na região.

O petróleo fez do Catar um dos países de crescimento per capita mais rápido e de mais acelerado crescimento do mundo. A exploração de petróleo no país começou em 1935, no campo de Dukhan, e a exportação comercial do campo começou entre os anos 1939 e 1940. Conforme dados oficiais da organização, o país é um dos menores produtores da OPEP (e o menor em área e população) sendo responsável por modestas contribuições para o mercado de petróleo, mas é o maior exportador mundial de gás natural liquefeito. Dentro da organização, o Catar exporta o equivalente a US$ 84,906 bilhões (ano base 2017), sendo US$ 35,496 bilhões (aproximadamente, 138,2 bilhões de reais, conforme a cotação de 24 de dezembro de 2018) em exportações de petróleo. Suas exportações de gás natural totalizam 128,6453 bilhões de metros cúbicos.

Em 2017, os membros da OPEP exportaram um total de US$ 578,29 bilhões em petróleo, próximos de 2,252 trilhões de reais, pela mesma cotação do dia 24. Destes, a Arábia Saudita gerou US$ 159,74 bilhões (em torno de 621,93 bilhões de reais, conforme a mesma cotação) em exportações de petróleo, seguida dos Emirados Árabes Unidos, com US$ 65,64 bilhões, (em torno de 255,56 bilhões de reais, ainda de acordo com a mesma cotação) – quase o dobro gerado pelo Catar no mesmo período.

Valores das exportações de petróleo dos membros da OPEP (bilhões $)

  2013 2014 2015 2016 2017
Argélia 44.46 40.63 21.74 18.64 22.35
Angola 65.97 56.61 31.51 25.69 31.55
Equador 14.11 13.28 6.66 5.46 6.91
Guine
Equatorial
12.12 11.06 5.91 4.35 4.69
Gabão 7.69 6.91 3.74 3.13 3.69
República Islâmica do Irã 61.92 53.65 27.31 41.12 52.73
Iraque 89.40 84.30 49.21 43.68 59.73
Kuwait 107.54 94.32 48.44 41.46 50.68
Líbia 44.45 20.36 10.97 9.31 15.01
Nigéria 90.55 78.05 41.82 27.79 38.61
Catar 62.52 56.91 28.51 22.96 35.50
Arábia Saudita 321.89 284.56 152.91 136.19 159.74
Emirados Árabes Unidos 85.64 88.86 53.84 45.56 65.64
Venezuela 88.75 74.71 37.24 26.47 31.45
Total OPEP 1,097.00 964.22 519.81 451.83 578.29

Totalizando um volume de 600 mil barris por dia, a produção de petróleo do Catar é de cerca de 2% do total da OPEP – em comparação com mais de 10 milhões de barris produzidos pela Arábia Saudita ou os três milhões produzidos pelos Emirados Árabes Unidos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi fundada em Bagdá, no Iraque, com a assinatura de um acordo em setembro de 1960 por cinco países: República Islâmica do Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Eles se tornariam os Membros Fundadores da Organização. A estes países juntaram-se depois o Catar (1961), Indonésia (1962-2009, 2016-2016), Líbia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971), Equador (1973-1992, 2007-), Gabão (1975-1995, 2016-), Angola (2007), Guiné Equatorial (2017) e Congo (2018). Com a saída da Indonésia em 2016, atualmente a Organização possui um total de 15 países membros.

O consumo de gás natural liquefeito, que é refrigerado até se tornar líquido e transportado em navios especiais, está crescendo mais rápido que o gás natural ou o petróleo. O Catar é membro de um grupo de produtores de gás natural, o Fórum de Países Exportadores de Gás, que tem sua sede em Doha, capital do país. O fórum possui 12 membros permanentes e 7 observadores. Outros grandes exportadores de gás natural liquefeito incluem a Austrália, a Rússia e, de forma crescente, os Estados Unidos. O Japão é o maior importador de gás natural liquefeito (GNL) no mundo, importando quase 84 milhões de toneladas em 2017.

Planta de GNL no Catar, propriedade da Qatargas. A companhia possui 70% da planta de gás natural liquefeito no país e a Shell detém 30%

Dias depois da decisão de saída da OPEP, o Emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, também não compareceu à cúpula do Golfo Árabe em 9 de dezembro na Arábia Saudita. No lugar, o Catar enviou seu Ministro de Estado para assuntos estrangeiros, o que causou estremecimento adicional não somente com os sauditas, mas também com o Bahrein.

Na avaliação de Gerald Feierstein, vice-presidente sênior do Middle East Institute, a liderança saudita enfrenta desafios adicionais, talvez sem precedentes, tanto domésticos como internacionais. A acusação de envolvimento do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MbS) no brutal assassinato do jornalista Jamal Khashoggi trouxe luz sobre as acusações de abusos domésticos sob o rei Salman, incluindo prisões, detenções arbitrárias e violações de direitos humanos. Além disso, vários governos ocidentais, incluindo a Alemanha, anunciaram que suspenderiam a venda de armas ao Exército saudita devido a preocupações com seu envolvimento no Iêmen.

Celebração do Dia Nacional do Catar, em 2017

Apesar das dificuldades do bloqueio, o Catar conseguiu transformar a crise em uma oportunidade, de acordo com o desempenho econômico de 2018. Os números oficiais indicam que a situação econômica melhorou, pois, o bloqueio forçou a nação do Golfo a diversificar sua economia e aumentar a autossuficiência. Além do petróleo e do gás, as exportações do Catar aumentaram, com um acréscimo significativo no setor industrial, informa a Al Jazeera.

Em um cenário à primeira vista desfavorável, o Catar parece ter criado um senso de unidade entre os nacionais e residentes no país do Golfo. Em 18 de dezembro celebrou seu segundo Dia Nacional sob o bloqueio de junho de 2017, e o primeiro após a decisão de saída da OPEP. A parada militar deste ano foi três vezes maior do que no ano passado (2017). O Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani discursou no Fórum de Doha no dia anterior, declarando: “nossa posição não mudou sobre como resolver a crise do Golfo. […] Isso pode ser alcançado levantando o cerco e resolvendo as diferenças através do diálogo e da não-interferência nos assuntos internos de outros países”.

Há um sentimento no Catar de que o domínio da Arábia Saudita na região e nas muitas instituições da região tem sido contraproducente para o Catar atingir suas metas de desenvolvimento”, disse Andreas Krieg, analista de risco político do King’s College, em Londres. E completa sua avaliação afirmando que esta decisão “é sobre o Qatar se libertar como Estado e mercado independentes de interferência externa”.

Mas Steven Wright, Professor Associado da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Hamad bin Khalifa, no Catar, insiste que a interpretação da saída do país como um ato político e uma repreensão à uma organização crescentemente vista como ferramenta de projeção do poder saudita é simplista demais e não reflete a estratégia econômica de longo prazo do pequeno emirado do Golfo. Wright afirma: “o valor da OPEP para alguns de seus membros – particularmente os pequenos produtores, como o Catar – vem diminuindo progressivamente há algum tempo; eles sentem cada vez mais que têm influência muito limitada sobre a tomada de decisões. A OPEP continua a ser essencialmente um cartel liderado pela Arábia Saudita, cuja relevância global está em declínio significativo após a chamada ‘revolução do xisto’”.

Kristian Coates Ulrichsen, analista de Oriente Médio no Instituto Baker para Políticas Públicas da Rice University, em Houston, por sua vez, une o movimento político à estratégia econômica: “Faz sentido estratégico focar em um setor no qual o Catar detém mais de 30% da participação de mercado global do que em sua produção de petróleo, muito menor e em declínio. Ao também reforçar a autonomia do Catar em relação aos vizinhos do Golfo Pérsico, o movimento exemplifica o fracasso do bloqueio de 2017 para forçar o Catar a cortar suas asas e retornar ao rebanho regional liderado pela Arábia Saudita”.

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Nota:
As citações foram traduzidas pela autora, em tradução livre. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da OPEP Organização dos Países Exportadores de Petróleo(Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo#/media/File:Flag_of_OPEC.svg

Imagem 2 Boletim Estatístico Anual OPEP 2018” (Fonte): https://asb.opec.org/index.php/interactive-charts/macro-economics

Imagem 3 Planta de GNL no Catar, propriedade da Qatargas. A companhia possui 70% da planta de gás natural liquefeito no país e a Shell detém 30%” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/royaldutchshell/5449987623

Imagem 4 Celebração do Dia Nacional do Catar, em 2017” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Qatar_National_Day#/media/File:Qatar_National_Day_2017_Musical_Fireworks,_Doha.jpg