ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

COMUNICADO CEIRI NEWSPAPER “7 DE SETEMBRO”

Caros Leitores do CEIRI NEWSPAPER – CNP

Informamos que devido ao feriado nacional da “Independência do Brasil” (“7 de Setembro”), na próxima sexta-feira haverá recesso e não serão publicadas Notas Analíticas nem Análise de Conjuntura no dia do feriado. Voltaremos às atividades no dia 10, segunda-feira, com as Notas Analíticas e possível Análise de Conjuntura agendadas para esta data, e com as demais postagens para o resto da semana.

Como é nosso padrão, ao longo do dia 7 de setembro de 2018 manteremos as consultas e, caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso, assim o faremos, postando Notas Analíticas Extras sobre os acontecimentos, e/ou Análises de Conjuntura Extras.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Portal, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Antecipadamente, desejamos a todos um excelente feriado.

Cordialmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Processo eleitoral na Guiné Bissau

Anunciada em abril deste ano (2018) pelo Presidente da Guiné Bissau, José Mário Vaz, as eleições legislativas guineenses foram agendadas para o dia 18 de novembro próximo.  O processo eleitoral será de coordenação conjunta entre a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e os Partido Políticos com representação no Parlamento. As mobilizações para a plena execução do pleito se iniciaram junto a sua divulgação e contam com a busca pelo apoio de Organizações Internacionais, bem como cooperação com outros países.

Bandeira da Guiné Bissau

A Comissão das Nações Unidas para a Consolidação da Paz esteve em Guiné Bissau em julho passado e considerou promissoras as ações para realização das eleições. O Presidente da Comissão, Mauro Vieira, destacou que é evidente os esforços feitos pelo Governo no processo preparatório, visando que o processo eleitoral ocorra na data prevista. Da mesma forma, Vieira considerou que o país apresenta certa estabilidade, o que possibilita o diálogo interno.

Quanto à cooperação realizada no âmbito eleitoral, a Nigéria disponibilizou em agosto os formulários para o recenseamento eleitoral e equipamento para o cadastramento biométrico, com o período de realização entre o dia 23 de agosto e 23 de setembro. De forma estimada, a Comissão Nacional de Eleições acredita que, aproximadamente, há 1 milhão de eleitores no país. O Timor-Leste também integra o quadro de auxílio técnico às eleições guineenses, e enviou um representante para diagnosticar as necessidades do Governo nesta matéria.

Logo da Organização das Nações Unidas

Com a abertura do processo de recenseamento, Aristides Gomes, Primeiro-Ministro guineense, salientou que existem dificuldades presentes na concretização do processo eleitoral, tal como o fator financeiro. Neste sentido, Gomes lembrou que houve a solicitação de apoio Internacional, porém, até o período de recenseamento, todos os recursos financeiros utilizados eram provenientes do país. Cabe destacar que foi previamente acordado que o orçamento seria divido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Governo guineense.

De acordo com a porta-voz da CNE, a Juíza Felisberta Moura Vaz, tais dificuldades de acesso a recursos financeiros são uma questão que preocupa a Comissão, uma vez que poderá acarretar em atraso no cronograma de votação. A Juíza, em declaração, afirmou que foram solicitados com urgência os fundos para a garantia dos meios logísticos do processo eleitoral

Neste contexto, o Partido da Renovação Social (PRS) apresentou suas ressalvas quanto as dificuldades apresentadas. Em comunicado, o PRS manifestou suas dúvidas sobre a realização das eleições na data estabelecida pelo Presidente guineense. Complementarmente, o Partido considera que há falhas no sistema de recenseamento e que o Governo desconsiderou os dados do recenseamento eleitoral feito anteriormente.

José Mário Vaz, Presidente da Guiné Bissau

A Guiné Bissau passou por um período de instabilidade política desde o ano de 2015, quando ocorreram sucessivas demissões de Primeiros-Ministros por decretos de José Mário Vaz. Por conseguinte, foi assinado em 2016, pelos partidos políticos do país, no âmbito da Conferência da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) o Acordo de Conacri*. Dentre as cláusulas do Acordo, encontra-se a realização das eleições legislativas.

Apesar das divergências encontradas quanto às questões envolvendo as eleições de 2018, o Governo e os partidos políticos concordaram em assinar antes do dia 18 de novembro um Pacto de Estabilidade. Este documento está relacionado à proposta do Acordo de Conacri e a busca pela estabilidade política no período pré-eleitoral. De modo complementar, o Primeiro-Ministro irá reunir-se também com a sociedade civil e outros Partidos que não possuem representação no Parlamento para incorporar suas demandas ao Pacto.

Pode-se observar que o país tem buscado meios de superar os desafios presentes na execução do processo eleitoral, de acordo com os compromissos realizados no âmbito das Organizações Internacionais. Nesse sentido, a busca pela resolução dos conflitos políticos internos com base nos princípios democráticos pode representar um fator essencial para que as eleições ocorram de modo crível.

Todavia, a questão financeira deve assumir um papel de maior relevância nos diálogos políticos guineenses, tendo em vista que, para ser cumprida a meta de realização das eleições, é necessário que seja construída a logística necessária para possibilitar à população o exercício do voto.

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Nota:

* Acordo Conacri: Acordo que contém um roteiro para a superação das instabilidades políticas na Guiné Bissau e a criação de um Governo inclusivo. O ponto focal do Acordo é a escolha consensual de um Primeiro-Ministro, realizada entre os partidos políticos que possuem representação no Parlamento e o Presidente. A partir desta escolha de um Chefe de Governo, este deverá exercer a sua função até às eleições legislativas de 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da Guiné Bissau” (Fonte):

https://st2.depositphotos.com/2465573/5591/v/950/depositphotos_55913623-stock-illustration-guinea-bissau-political-map.jpg

Imagem 2Bandeira da Guiné Bissau” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/01/Flag_of_Guinea-Bissau.svg/1200px-Flag_of_Guinea-Bissau.svg.png

Imagem 3Logo da Organização das Nações Unidas” (Fonte):

http://estadodedireito.com.br/wp-content/uploads/2016/10/bandeira-onu-e1475612049893.png

Imagem 4José Mário Vaz, Presidente da Guiné Bissau” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/49/Jos%C3%A9_M%C3%A1rio_Vaz_2014.jpg/200px-Jos%C3%A9_M%C3%A1rio_Vaz_2014.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Reação contra imigrantes venezuelanos no norte do Brasil gera crítica nacional e internacional ao Governo brasileiro

A recente reação contra imigrantes venezuelanos na cidade brasileira de Paracaima (fronteira do Estado brasileiro de Roraima com a Venezuela) tem gerado manifestações no Brasil e no exterior, porém, conforme vem sendo visto na mídia, o evento e as reações não interferem na situação do êxodo venezuelano para o Brasil e mantém sem modificação o posicionamento regional acerca da questão venezuelana, mas produziu críticas crescentes ao atual governo brasileiro.

Mapa do Brasil com a localização de Paracaima para apresentar perspectiva de posicionamento geográfico

Conforme está apresentado em vários jornais, a população local se revoltou contra uma suposta tentativa de assalto seguida de violência contra um comerciante local e tomou a decisão de expulsar os imigrantes, com atos de violência, acusando-os de estarem trazendo desordem à cidade. Cidadãos apontam que a insegurança na região aumentou de forma desproporcional com os refugiados acampando em praças públicas e atuando de forma a gerar desordem nos bairros da cidade, sendo, alegadamente, reiterados os casos semelhantes ao que dizem ter ocorrido com pequeno empresário brasileiro.

De acordo com o que vem sendo divulgado, os moradores cansaram de pedir medidas das autoridades que, afirmam, nada fazem, ou não tem meios para tomar uma decisão, deixando a localidade sob a possibilidade de desordem, sendo esta a razão pela qual os populares decidiriam agir com força.

As declarações são de que há crime e violência dos dois lados, de forma que se considera que os fatos alegados pelos cidadãos de ambos os países estão confirmados, tal qual foi divulgado, embora se deva considerar que os depoimentos de populares a jornais apresentam mais a situação de falta de apoio e decisões governamentais concretas para resolver este problema, o qual começou a se desenhar faz alguns anos, não tendo surgido apenas agora.

Há o depoimento do venezuelano Jorge Idrogo, de 22 anos, afirmando: “Pagamos os justos pelos pecadores. Nós não temos culpa de que nosso governo esteja agindo mal. (…). Queremos viver em paz”. Da mesma forma, do outro lado, há declarações de que, independentemente desse infortúnio na Venezuela, “A cidade se transformou, ficou sem controle”, que desde que os imigrantes chegaram aumentaram os assaltos e outros crimes violentos, bem como que “Daqui não foram expulsos quem não estava atrapalhando, só vagabundo, porque a maioria que foram para lá, escarrados, era puro malandro, vagabundo! (…). …aqui não há xenofobia, apenas um povo cansado”, de acordo com afirmação de um jovem brasileiro chamado Sanchez, de 21 anos, em entrevista dada a um jornal.  

Imagem mostrando a região na Venezuela em que se encontra o Complexo Hidrelétrico de Guri, para verificação da distância relativa

Analistas apontam que o evento tem demonstrando a fragilidade do atual governo brasileiro, que vem agindo sem coordenação e carente de planejamento, sendo por isso incapaz de gerar segurança jurídica e apoio, tanto aos imigrantes, quanto ao cidadão nacional, bem como ao governo de Roraima, que tem denunciado a falta de condições, recursos e planeamento para receber a onda populacional, dar conta do real atendimento que os refugiados necessitam, além de poder cumprir com as determinações da Lei de Imigração brasileira.

Esta, por sua vez, é elogiada por ser uma das mais avançadas e humanas do mundo, mas também é acusada de ser irreal e incapaz de gerar equilíbrio, justiça e isonomia, pois, para dar ao imigrante tratamento igual ao que se deseja ao cidadão brasileiro, seria necessário que: as condições adequadas aos brasileiros estivessem realizadas; os serviços públicos em pleno funcionamento; a previdência atuante; a segurança pública efetiva e recebendo apoio; criadas as condições para a recepção adequada de imigrantes e refugiados, tal qual se exige para a efetivação de uma Lei dessa natureza, em acordo com os Direitos Humanos, que se configura com a garantia de que os direitos sejam cumpridos e não apenas que sejam afirmados em uma Lei sem condições de ser aplicada; e que o país esteja longe da crise que vive, com alta taxa de desemprego, falta de recursos para os setores básicos e incapacidade de prover os meios necessários à vida e à segurança ao seu cidadão, e, por isso, também aos imigrantes.

Ou seja, foi criada uma lei sem condições de ser cumprida, havendo especialistas que apontam ser improvável que aqueles que a criaram não tivessem condições de antever a impossibilidade de seu cumprimento, algo grave. Por essas razões, especialmente o governo de Roraima, mas também o Brasil como um todo, são vistos hoje como incapazes de encarar um aumento de contingente populacional, com as especificidades dos imigrantes e refugiados, de acordo com as exigências que a Lei estabelece, ainda mais em regiões carentes de recursos e dependentes do auxílio do Governo Federal, graças a um descompasso entre a Lei, à realidade e à fragilidade institucional que está sendo verificada no Brasil.

A situação neste período levou a que o governo roraimense pedisse e voltasse a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro que o país suspenda a entrada de imigrantes no Brasil, e que o Governo Federal apresente um planejamento com cotas para entrada, plano de interiorização, barreiras sanitárias na fronteira, atestado de vacinas obrigatórias, dentre outras mediadas que devem ser tomadas para Roraima poder suportar o impacto que está recebendo.

A título de exemplo da dificuldade do estado fronteiriço com a Venezuela, Roraima ainda é dependente em grande volume da energia elétrica produzida na Venezuela, de quem compra o fornecimento, já que parte importante do abastecimento é feito pelo Complexo Hidrelétrico de Guri, pois o fornecimento nacional está impedido tanto por falta de linhas de transmissão, quanto pela impossibilidade de construir usinas, já que as licenças ambientais não foram fornecidas, levando à paralisação de projetos e sem início das obras, graças a problemas com as comunidades indígenas locais. Para piorar a situação, as usinas venezuelanas sofrem com falta de manutenção e com períodos de secas que impactam no nível das represas usadas para a geração de energia, conforme relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) brasileiro, trazendo o risco de apagão em Roraima, o que já vem ocorrendo em algumas cidades, configurando, conforme apontam os observadores da política brasileira, também em um exemplo de falha no planejamento das políticas públicas nacionais para o setor de energia.

Analistas ainda afirmam que a situação em Paracaima igualmente tem exemplificado uma fragilização das instituições do Estado brasileiro, tipificado no confronto entre elas, pois, recentemente, o juiz Helder Girão Barreto, da 1a Vara Federal, emitiu liminar no dia 5 de agosto para o fechamento da Fronteira entre os dois países, tomando decisão em resposta a um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público Federal (MPF) que queria encerrar a restrição dos serviços aos imigrantes, impostas por um Decreto da Governadora de Roraima, Suely Campos (Partido Progressista – PP).

Ressalte-se que a competência de fechamento da fronteira é exclusiva do Presidente da República, tanto que foi revertida pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF-1), ao ser atendido pelo desembargador Kassio Marques, vice-presidente do TRF-1, acatando determinação tanto da Defensoria Pública da União (DPU), quanto do Ministério Público Federal (MPF), que defendem a proteção dos venezuelanos, decisão que, apesar de retomar a ordem jurídica, foi efetivada concretamente apenas no dia 7, e gerou confusão e polêmica entre autoridades brasileiras e analistas internacionais.

Suely Campos em outubro de 2017, como Governadora de Roraima

Além disso, como visto, está ocorrendo embates entre a Governadora do Estado de Roraima, Suely Campos, que faz exigências de fechamento da fronteira e tem emitido Decretos, como aquele apresentado no dia 1o de agosto, solicitando apresentação de passaporte aos venezuelanos para terem acesso aos serviços públicos, bem como autorizando à Polícia que adote providencias de expulsão e deportação do país, algo que tem recebido respostas da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo alega, ela tem sido obrigada a adotar tais procedimentos para conseguir suportar o que está ocorrendo, já que foi jogado sobre o seu governo a responsabilidade de resolver o problema de receber o fluxo migratório, sem apoio real do Governo brasileiro e sem ter condições para tanto. Em síntese, os poderes estão se confrontado, gerando insegurança jurídica e desrespeito dos cidadãos, tanto que os populares decidiram agir por conta própria.

A OEA tem alertado para a necessidade de que uma resolução multilateral seja tomada imediatamente para enfrentar a crise migratória gerada pela crise humanitária na Venezuela. Aponta que aproximadamente 2,3 milhões de cidadãos venezuelanos já saíram de seu país, espalhando-se pela América Latina, apesar de EUA e Espanha estarem entre os principais destinos, uma vez que esses dois Estados, juntamente com a Colômbia, concentram 68% dos migrantes venezuelanos, sendo o território colombiano o lugar mais procurado, abrigando, até o momento, aproximados 870 mil emigrantes, conforme dados da Organização Internacional para Migrações (OIM).

Venezuelanos em um protesto contra a Revolução Bolivariana em São Paulo, Brasil

De acordo com o que vem sendo disseminado na mídia, o Brasil ainda está entre os que menos recebem esses refugiados, sofrendo, por isso, críticas sobre as reações aos imigrantes, porém, como explicam alguns observadores, o pequeno número, comparativamente falando, não reduz as dificuldades que os brasileiros enfrentam, apenas atesta o despreparo do país para recebe-los. Ademais, são várias as razões para os migrantes não virem definitivamente para o Brasil, explicando o menor volume de seu contingente no território brasileiro, ou usarem-no apenas para passagem em direção a outros lugares, como Argentina, Chile e Peru.

Dentre elas, podem ser citadas: a crise que vivencia o Brasil; as dificuldades do idioma, já que é um dos únicos países da região que não tem o espanhol como língua nacional (ao  lado da Guiana, que tem o inglês; do Suriname, que tem o holandês; e da Guiana Francesa / Território da França, que tem o francês); a pobreza da região fronteiriça brasileira com a Venezuela, que se torna apenas uma porta de entrada; e as dificuldades de deslocamento para os grandes centros brasileiros, algo que também não tem recebido do governo central do Brasil uma programação para sua execução, sendo esta, inclusive, uma das exigências da Governadora do Estado de Roraima, diante da crise dos serviços públicos e de segurança que seu Estado tem vivenciado, graças ao fluxo de refugiados ocorrido.

Polícia Nacional Colombiana acompanhando aos venezuelanos em direção à Cúcuta

Apesar de ser comparativamente pouco o volume de imigrantes no Brasil, a questão está gerando desconforto para o Estado brasileiro e críticas ao governo atual, bem como sofrimento aos imigrantes que relatam estarem se deslocando em fuga diante do que sofreram no dia 18 na cidade de Paracaima, mas não exclusivamente neste dia, contudo, eles também têm sido acusados de terem em seu meio um contingente de pessoas que estão gerando caos nas cidades onde estão acampados, realizando crimes e agressões contra os cidadãos brasileiros.

Nesse sentido, a posição adotada pelos observadores é de que, independentemente da razão que motivou o êxodo, ou seja, a crise humanitária e caos político que vive a Venezuela devido ao seu Governo, bem como independentemente dos embates entre a população local e os imigrantes, a falha, nesta situação em território brasileiro, deriva da falta de planejamento e de medidas do Governo Federal do Brasil, a quem vem convergindo as acusações e a responsabilização pela atual situação vivida no norte do país, bem como entre os imigrantes venezuelanos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O marco fronteiriço localizado na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em Pacaraima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacaraima#/media/File:Frontera_Venezuela_Brasil.jpg

Imagem 2 Mapa do Brasil com a localização de Paracaima para apresentar perspectiva de posicionamento geográfico” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacaraima#/media/File:Brazil_location_map.svg

Imagem 3 Sessão do Plenário do Senado Federal Brasileiro, de 18 de abril, quando foi aprovado o projeto que deu origem à nova Lei da Migração” (Fonte):

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/25/nova-lei-de-migracao-e-sancionada-com-vetos

Imagem 4 Imagem mostrando a região na Venezuela em que se encontra o Complexo Hidrelétrico de Guri, para verificação da distância relativa” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Embalse_de_Guri

Imagem 5 Suely Campos em outubro de 2017, como Governadora de Roraima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_governadores_de_Roraima#/media/File:Suely_Campos_em_outubro_de_2017.jpg

Imagem 6 Venezuelanos em um protesto contra a Revolução Bolivariana em São Paulo, Brasil” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Emigración_venezolana#/media/File:Bolivarian_diaspora_-_Colombia_2018.jpg

Imagem 7 Polícia Nacional Colombiana acompanhando aos venezuelanos em direção à Cúcuta” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imigração_venezuelana_no_Brasil#/media/File:Protests_opposing_Venezuelan_Bolivarian_Revolution_in_São_Paulo,_Brazil_14.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A evolução do futebol na China como forma de impor seu poderio político-econômico

Há décadas o esporte vem sendo utilizado como ferramenta de propaganda política, principalmente no que diz respeito aos países comunistas, casos da antiga União Soviética – sempre em evidência no quadro de medalhas olímpicas –, Alemanha Oriental – até o final da Guerra Fria –, e atualmente Cuba, no cenário latino-americano.

Xi Jinping em encontro diplomático no Uzbequistão (23 de junho de 2016)

A China, por sua vez, consolida-se como umas das potências da nova ordem mundial, garantindo o sucesso de sua economia com a sustentabilidade de altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), graças ao desenvolvimento do comércio internacional e também à força e tamanho do mercado interno.

Politicamente, os governos chineses têm o histórico de impor suas demandas perante os parceiros e concorrentes, caso provado pela atual e iminente guerra comercial com os Estados Unidos da América, através de uma plataforma pautada no aumento das taxas dos impostos de importação, entre outras retaliações.

Diante deste cenário, e orientado pelas transações multimilionárias envolvendo a transferência internacional de jogadores entre os clubes, o governo chinês traçou a estratégia de investir no desenvolvimento do futebol, aliando o sistema nacional com o mecanismo de mercado, “utilizando a superioridade do sistema socialista”, conforme consta em seu discurso, a fim de tornar-se referência no esporte a longo prazo.

De imediato, poderosos empresários locais firmaram alianças com os clubes chineses e proporcionaram contratações de atletas consagrados, atraindo a atenção devido às altas quantias envolvidas. Compõem a lista de jogadores brasileiros que atuam na China: Paulinho (Guangzhou Evergrande), Oscar (Shanghai SIPG), Renato Augusto (Beijing Guoan), Diego Tardelli (Shandong Luneng) e Hernanes (Hebei Fortune).

Fã declarado do futebol, o Presidente da China, Xi Jinping, colocou o projeto em prática e elevou a prioridade do esporte desde que assumiu o poder, em 2013. Ele ordenou a obrigatoriedade na prática do futebol nas escolas e inspirou algumas de Pequim a irem além, a ponto de incluir o futebol nos seus exames de admissão.

Torcida na arquibancada abre bandeira gigante da China em setembro de 2016

O plano de reforma dos 50 pontos do futebol chinês, publicado em 2015, defende que este esporte tem um grande impacto social e é amado pelas grandes massas. Por isso, “o desenvolvimento e a revitalização do futebol melhorarão a condição física do povo chinês, enriquecerão a vida cultural, promoverão o espírito de patriotismo e coletivismo, cultivarão a cultura esportiva e desenvolverão a indústria esportiva. Isso tem um grande significado para a realização do sonho de se tornar uma nação esportiva poderosa e de grande importância para o desenvolvimento da economia, sociedade e cultura”.

Símbolo desta modalidade, a seleção chinesa de futebol também é alvo de transformações e melhorias até 2050. De acordo com o Presidente, os principais objetivos para o time nacional são: a classificação para outra Copa do Mundo FIFA, sediar uma Copa do Mundo FIFA e, eventualmente, ganhar o título desta competição.

A primeira e única participação da China na Copa foi pela edição de 2002, quando foi sorteada para jogar no grupo do Brasil, junto com Turquia e Costa Rica. Os chineses não marcaram, sofreram nove gols e foram eliminados em último lugar. Ocupa atualmente a 75ª posição no ranking oficial da FIFA.

O legado do plano de reforma chinês tem um formato bastante semelhante ao desenvolvimento das empresas multinacionais instaladas na China, em que a expertise estrangeira era empregada de forma a colaborar com a qualificação local. A começar pelo investimento nas categorias de base, passando pela erradicação da corrupção nas organizações que administram o futebol no país, o objetivo de construir uma seleção nacional mais forte fica cada vez mais próximo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Torcedores chineses comemoram vitória em jogo classificatório contra a Coreia do Sul” (Fonte):

https://img.fifa.com/mm/photo/tournament/competition/02/87/68/66/2876866_big-lnd.jpg

Imagem 2 “Xi Jinping em encontro diplomático no Uzbequistão (23 de junho de 2016)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/86/Prime_Minister_Narendra_Modi_with_Chinese_President_Xi_Jinping_%28cropped%29.jpg

Imagem 3 “Torcida na arquibancada abre bandeira gigante da China em setembro de 2016” (Fonte):

https://img.fifa.com/mm/photo/tournament/competition/02/83/00/85/2830085_big-lnd.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Bolívia exerce protagonismo para impulsionar projeto do trem bioceânico

Nos dias 30 e 31 de julho de 2018, autoridades brasileiras e bolivianas estiveram reunidas em Corumbá (MS) para acertar detalhes do projeto de trem bioceânico. Reunião similar foi mantida com o Peru no início de julho para impulsionar as obras deste ambicioso plano de interconexão ferroviária sul-americano. Evo Morales, Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, está pessoalmente empenhado na efetivação do Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração (CFBI).

Traçado do Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração

A ideia da integração física na América do Sul vem sendo debatida desde os anos 90, pelo menos, e uma das primeiras tentativas de estruturar planos com essa finalidade foi a criação da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), no ano 2000, conduzida por um Comitê de Direção Executiva. Em 2011, a IIRSA foi incorporada à Unasul e passou a ser gerida pelo Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), criado em 2009 e formado por Ministros de Estado das nações membros do Bloco.

O termo Corredor Bioceânico tem sido utilizado para identificar diversas ideias de rodovias e de ferrovias que atravessam a região e unem os dois Oceanos, Atlântico e Pacífico. Uma empresa privada apresentou, em 2009, uma solução de linha férrea denominada Corredor Bioceânico Aconcágua que uniria os países do Cone Sul, mas a iniciativa não prosperou e tudo indica ter sido abandonada.  Para escolher o percurso rodoviário, dirigentes de empresas de transportes e logística do Brasil fizeram uma expedição do Mato Grosso ao litoral chileno, indo pela Bolívia e voltando por Argentina e Paraguai. Ao final, a rota definida pelo governo e pelos empresários brasileiros foi a que liga Campo Grande aos portos na região de Iquique e Antofagasta, no Chile, atravessando somente o Paraguai e a Argentina. Da capital sul-mato-grossense o corredor se conecta ao porto brasileiro de Santos por rodovia pré-existente.

O CFBI encurta distâncias

Para o trajeto ferroviário, a primeira opção, incentivada pela China, interligava apenas o Peru ao Brasil, contornando o território boliviano, sem adentrar no país. Evo Morales, com apoio do então Presidente peruano, Pedro Pablo Kuczysnki (PPK), conseguiu aprovar a rota atual, que perpassa cidades bolivianas, sobretudo com dois argumentos: 1) ao contrário do anterior, que era um arco de 5 mil km, ao custo de 50 bilhões de dólares, o trajeto que corta a Bolívia é uma “reta que liga dois pontos” sendo 25% mais curto e custo estimado em 14 bilhões de dólares; 2) a ferrovia em arco acarretaria, principalmente para o Brasil, maior gasto financeiro e dano ambiental para transpassar a selva amazônica. Além disso, esta rota é de grande interesse para a Bolívia, que, desde 2013, reivindica junto à Corte Internacional de Justiça uma saída para o mar pelo território chileno. 

Os 3.755 km do Corredor Ferroviário unem o Porto de Santos ao Porto de Ilo, no Peru, abrangendo Brasil, Bolívia e Peru, e o Governo de La Paz conseguiu convencer o Chile, o Paraguai e o Uruguai a realizarem estudos de viabilidade para interligar linhas férreas e hidrovias ao eixo principal. O projeto, originalmente chamado de Corredor Ferroviário Bioceânico Central (CFBC), passou então a ser denominado de Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração (CFBI) pela nova perspectiva de inclusão. O Parlamento do Mercosul (Parlasul) manifestou apoio em novembro de 2017 e acenou com a  possibilidade de financiamento pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM). Por sua vez, o Cosiplan da Unasul, reunido em Buenos Aires, em dezembro de 2017, emitiu declaração especial de compromisso em consolidar o CFBI.

O representante boliviano nas reuniões operacionais é Milton Claros, Ministro de Obras Públicas, Serviços e Habitação que informou em junho (2018), em entrevista à Red Uno da Bolívia, que cerca de 90% da via está construída. Ele explicou que todo o trecho brasileiro até a fronteira já existia, embora necessite obras de reforço para suportar o trânsito de cargas mais pesadas. Portanto, dos 3.775 km o que falta construir de fato são 400 km na Bolívia e 340 km no Peru para consolidar o projeto que estima estar pronto em um horizonte de cinco anos. O Governo boliviano conseguiu atrair a atenção da Alemanha, Espanha, Reino Unido, Rússia e Suíça e de outros parceiros europeus, os quais tem interesse em participar das obras, seja oferecendo assistência técnica, financiamento ou parceria público-privada.

Hoje em dia, uma carga despachada no Porto de Santos para a China, pelo tradicional roteiro via Canal do Panamá, leva 67 dias, mas se for embarcada no Peru serão apenas 38 dias. Esse diferencial levou Evo Morales a afirmar enfaticamente que o trem bioceânico é o “Canal do Panamá do Século XXI” e utilizá-lo como ferramenta estratégica para agregar os países vizinhos em prol de um objetivo integracionista. A Unasul sofre com o afastamento de alguns Estados-partes, precedida por forte dissensão que impediu até mesmo o consenso para indicar um Secretário-Geral, posto que permanece vago até o momento (Julho/2018).

Ao assumir a Presidência Pró-Tempore (PPT) da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em abril (2018), o mandatário boliviano imprimiu ainda mais energia para deslanchar o CFBI. A vacância do cargo de Secretário-Geral da instituição tem deixado mais espaço para a sua atuação. A estratégia de Morales vem obtendo êxito em reunir pelo menos 7 dos 12 Estados-parte em torno de uma proposta de interesse comum que beneficia a todos: 1) o trem bioceânico abre uma “porta” ao Oceano Pacífico para os países banhados pelo Atlântico (Argentina, Brasil e Uruguai); 2) propicia uma saída ao Atlântico para as nações do Pacífico (Chile e Peru); 3) Bolívia e Paraguai, os únicos sem litoral marítimo, ganham saída para 2 oceanos. Para se ter uma ideia do que isso representa, ao exportar produtos para a costa leste da América do Norte, para o Caribe, a Europa e a África a partir de um porto no Atlântico encurtam-se distâncias e reduzem-se custos de transporte. O embarque desde o Pacífico traz os mesmos benefícios se o destino for a costa oeste americana, Ásia e Oceania. A existência do corredor ferroviário oferece a todos a possibilidade de escolher o oceano de embarque de acordo com a sua conveniência.

Reuniões têm sido realizadas sistematicamente com os envolvidos para ajustar questões relativas à facilitação dos trâmites aduaneiros, regras de imigração e a implantação de fluxo de trem de passageiros na mesma linha, visando impulsionar o turismo. Evo Morales tem enfatizado que deseja trens de alta velocidade que desenvolvam 300 a 350 km por hora. Se conseguir este objetivo, o CFBI, além de se firmar como via principal bioceânica ferroviária, poderá se tornar mais rápido que o corredor rodoviário. Dessa maneira, além de aumentar as chances de reintegrar a Unasul, o Presidente boliviano reduz a dependência do seu país em relação aos portos do Chile e, qualquer que seja o resultado da contenda com aquele país no âmbito da Corte Internacional de Justiça, ele já garante saída rápida por dois oceanos para escoamento dos produtos “Made in Bolívia”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/25507639_1766421566711053_2525029477731225850_n.jpg?_nc_cat=0&oh=b412c9e06c4f3a55334082f7c35159e7&oe=5BD922C3

Imagem 2 Traçado do Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração” (Fonte):

https://3.bp.blogspot.com/-8fojW7znMug/WxGxL11f5tI/AAAAAAAAHj4/__2rq6aHxfsKuIiHt6ryQRCJtf6tNT8HQCEwYBhgL/s400/corredor.png

Imagem 3 O CFBI encurta distâncias” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/37872821_2026947833991757_2786814110107435008_n.jpg?_nc_cat=0&oh=a41f8339d6d9fb30f42b113d14ec6c21&oe=5BD1A101

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

As maiores empresas da Federação Russa

Num mundo regido por uma hegemonia geopolítica* massiva que permeia os desígnios de todas as nações do globo, mais do que ter poder político-militar, uma nação deve ter uma estrutura econômica potencialmente bem desenvolvida, baseada em processos de comércio internacional com seus parceiros globais, em regimentos eficazes de regras monetárias, fiscais e cambiais e, principalmente, na atuação de suas empresas no âmbito nacional e internacional, buscando estar sempre na vanguarda das tecnologias existentes para que não sofram “ameaças” de seus concorrentes, ditando regras mercadológicas no intuito de atrair investidores, gerando empregos e, consequentemente, aquecendo o consumo não só local como também mundial, o que assegura ao governo dessa nação uma maior arrecadação de tributos e de investimentos.

É de conhecimento generalizado que a Federação Russa ainda possui grande número de empresas que foram estruturadas ainda no regime soviético e que o Estado tem grande participação sobre suas ações, mas, no intuito de se manter como um player global dinâmico e ao mesmo tempo lançar inovações que ultrapassem os impactos político-econômicos que as sanções internacionais impuseram sobre sua estrutura mercadológica nos últimos anos, procura veementemente investir na inovação desse portfólio de empresas paralelamente ao processo de inauguração de novas corporações, em atendimento às necessidades do mercado internacional atual.

Da longa lista de empresas que abrangem os principais campos de atividades da Rússia (energia, construção, metalurgia, seguros e tecnologia da informação), serão citados nesta nota, com base nas análises da Forbes**, as 4 principais corporações que, dentre inúmeras, estabelecem a base econômica de toda a Federação Russa, pelo seu grau de importância não só financeira, mas também estratégica e geopolítica.

1ª – GAZPROM: Maior empresa da Rússia e maior exportadora mundial de gás natural é  herdeira direta do Ministério soviético da indústria do gás que foi transformado, em 1989, por Viktor Stepanovich Chernomyrdin (Primeiro-Ministro russo entre 1992 e 1998), em um agrupamento econômico estatal submetido ao princípio de autonomia financeira e de gestão, tendo seu capital aberto ao mercado em 1993 e, desde então, a companhia se tornou uma gigante global focada na exploração, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda de gás, gás condensado e petróleo, atuando nos mercados de combustível para veículos, geração e comercialização de calor e energia elétrica. O Governo russo é o seu principal controlador (com 50,2% das ações) e, apresenta atualmente um valor de mercado em torno dos 3,4 trilhões de rublos (cerca de 56,51 bilhões de dólares).

Logotipo do Sberbank

2ª – SBERBANK: Inaugurado em março de 1841, foi o sucessor histórico dos Escritórios de Poupança estabelecido pelo Decreto do Czar Nicolau I, que eram originalmente duas pequenas instituições em São Petersburgo e Moscou com 20 empregados. Mais tarde, eles se transformaram em uma rede de escritórios de poupança espalhados por todo o país, que, mesmo nos momentos mais difíceis, ajudaram a sustentar a estabilidade da economia russa. Durante o período soviético, eles foram transformados no sistema estadual de Bancos de poupança do trabalho. No período da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e nos anos subsequentes, o Sberbank atou uma parceria da indústria nuclear com o Governo. A assistência do Sberbank com a mobilização de recursos e o financiamento de esforços de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) ajudou a Rússia a obter liderança na produção e processamento de combustível nuclear e a manter esse status até hoje. A solução de Banco corporativo digital do Sberbank foi reconhecida como a melhor na Rússia pela revista Global Finance e, além disso, ficou em primeiro lugar em outras três categorias da Europa Central e Oriental: Melhor Serviço de Portal Online, Melhor Banco Corporativo Integrado e Banco Digital mais inovador. No 1º semestre de 2018, atingiu uma margem financeira em torno de 620 bilhões de rublos (cerca de 9,76 bilhões de dólares), com crescimento de 7% acima do mesmo período de 2017.

Logotipo da Rosneft

3ª – ROSNEFT: A história da Rosneft Oil Company está intrinsecamente ligada à história da indústria petrolífera russa. A primeira menção das empresas, agora parte da estrutura da Rosneft, remonta ao ano de 1889, quando teve início a exploração de campos de petróleo em Sakhalin, ilha localizada no extremo oriente da Rússia.Os principais ativos da Rosneft foram construídos na era soviética, com o início do desenvolvimento em grande escala de novos campos de petróleo e gás. Na década de 1990, inúmeras empresas do complexo de combustíveis e energia e outras corporações relacionadas do setor público fundiram-se em companhias verticalmente integradas, seguindo o padrão das maiores corporações do mundo, seguidas de sua venda parcial ou completa para investidores. Desde 2004, aumentou significativamente a eficiência da gestão corporativa, realizou um trabalho sério de consolidação dos ativos de produção e processamento de petróleo e aumentou a disciplina financeira, ocupando no ano seguinte uma posição de liderança entre as empresas petrolíferas russas em termos de produção. Em 2016, o valor das ações da Rosneft na Bolsa de Valores de Moscou aumentou em quase 60% (esse indicador foi maior do que os índices de mercado e excedeu significativamente os dos principais concorrentes russos). Nos primeiros seis meses do mesmo ano, pela primeira vez em sua história, a Rosneft tornou-se a maior empresa da Rússia em termos de capitalização de mercado, ultrapassando 4 trilhões de rublos (cerca de 62,95 bilhões de dólares). Atualmente, suas vendas anuais ultrapassam os 94 bilhões de dólares.

4ª – LUKOIL: Em 25 de novembro de 1991, o Governo da República Federal Socialista Soviética Russa emitiu o Regulamento No.18 para criar o grupo da indústria de petróleo LangepasUrayKogalym (LUKOIL) que consolidou três empresas de produção de petróleo de Kogalym, Langepas e Uray, bem como várias refinarias, incluindo aquelas em Perm e Volgogrado. O nome LUKOIL foi formado a partir das letras iniciais dos nomes das cidades de Langepas, Uray e Kogalym – sedes das principais subsidiárias de produção de petróleo da Companhia. O nome foi proposto por Ravil Maganov, que era então diretor geral da Langepasneftegaz.

Desde 2002 vem ampliando sua atuação internacional com sua vasta base de recursos, especialmente focada no desenvolvimento de novos projetos para aumentar a produção. Os novos projetos incluem o desenvolvimento de novos campos e o aprimoramento da recuperação em campos maduros, por meio do uso de tecnologias avançadas, aumento da perfuração de produção e um maior número de operações de EOR (sigla para denominar a Operação sobre Petróleo Apurado, que é um método para otimizar a extração e recuperação através de processos específicos). Segundo o último relatório financeiro da companhia para o 1º trimestre de 2018, as vendas da LukOil atingiram um patamar de 1,6 trilhão de rublos (cerca de 25,18 bilhões de dólares), representando um crescimento de 14% sobre o mesmo período de 2017.

Apesar das alegações de analistas financeiros decretarem o grande risco de investimento nas empresas russas, não só pelo processo de restrições internacionais, mas, também, por alegados problemas institucionais internos, o que se visualiza é justamente o contrário, devido ao crescimento do número de investidores que direcionam seus recursos ao enorme portfólio de corporações que abrangem não apenas as gigantes estatais como visto, mas, também, na grande diversificação de empresas que atendem as mais variadas demandas internacionais e que são respaldadas pela ação de novas regras estabelecidas pelo governo russo no que tange o pagamento de dividendos, dando tanto segurança financeira, como, também, aumentando a atratividade de novos investidores.

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Notas:

* Pode ser entendido como uma supremacia de um povo sobre outros povos, ou seja, como a superioridade que um Estado tem sobre os demais estados, tornando-o, assim, capaz de se impor aos demais para a realização de seus interesses, e projetando poder sobre eles.

** Forbes é uma revista estadunidense de negócios e economia fundada em 1917. Propriedade de Forbes, Inc., e de publicação quinzenal, a revista apresenta artigos e reportagens originais sobre finanças, indústria, investimento e marketing globais, além de outros assuntos relacionados à tecnologia, comunicações, ciência, direito e celebridades.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Refinaria de petróleo na Rússia” (Fonte):

http://s2.glbimg.com/eQJW5CSJceXhyagouWT4PUhm4_s=/e.glbimg.com/og/ed/f/original/2015/07/21/gettyimages-72976729.jpg

Imagem 2 Logotipo da Gazprom” (Fonte):

https://media.licdn.com/dms/image/C4E12AQGkTTa5nGnOrw/article-inline_image-shrink_1500_2232/0?e=2130710400&v=beta&t=IHFNn9Lw0iPY5I-5s71Fp9u8bz9nxXWTnLRokkUTl2k

Imagem 3 Logotipo do Sberbank” (Fonte):

http://cache1.asset-cache.net/xr/166472640.jpg?v=1&c=IWSAsset&k=3&d=77BFBA49EF8789215ABF3343C02EA548F9D0070DB7AB88BBD08FCB47196158945EBF7176440509BCA55A1E4F32AD3138

Imagem 4 Logotipo da Rosneft” (Fonte):

https://media.gettyimages.com/photos/the-oao-rosneft-logo-is-displayed-outside-the-oil-companys-offices-in-picture-id106344781?k=6&m=106344781&s=612×612&w=0&h=Movx7IKWE9cHJpnw7fRjbO37PjaX9I9fxqYf4je6Amk=

Imagem 5 Logotipo da LukOil” (Fonte):

https://www.freevector.com/uploads/vector/preview/2444/FreeVector-LukOil.jpg