AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Candidato presidencial Alckmin propõe reestruturação interna para fortalecer as Relações Internacionais do Brasil

O ex-governador do Estado de São Paulo e atual candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), participou do evento “Presidenciáveis 20018, Seu País, Sua Decisão”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) em parceria com o Brazil-US Business Council, na última terça-feira (24), na cidade de São Paulo. O evento contou com a presença de jornalistas, empresários brasileiros e estadunidenses, além de outros convidados pela entidade, para conhecer as propostas do presidenciável.

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Na Venezuela, alguns negócios prosperam apesar da crise

Nos últimos cinco anos, a República Bolivariana da Venezuela vem passando por uma crise marcada pela instabilidade política, recessão econômica com hiperinflação, desemprego, aumento da violência e escassez de produtos básicos. Uma das consequências dessa situação crítica é o aumento da emigração de venezuelanos, especialmente para países vizinhos, tais como Brasil, Colômbia e Equador. Em meio a tudo isso, alguns dos cidadãos que permaneceram no país estão conseguindo empreender com sucesso, em meio ao caos.

Produto da Nedraki feito de material reciclado

A engenheira eletricista Mariangela Valladares, Gerente de Aceleração da Wayra, a aceleradora de startups da Telefónica, em  seu artigo publicado no BlogThinkBig, o blog de inovação da empresa de telefonia espanhola, explica que a demanda por consumo na Venezuela diminuiu e que o desafio do empreendedor é agregar valor aos seus produtos, já que o cliente se tornou ainda mais exigente, não faz compras compulsivas e busca experimentar antes o que está adquirindo.

Segundo a Gerente de Aceleração, tem havido procura por produtos artesanais e orgânicos, em substituição às grandes marcas hoje escassas, isto porque boa parte destas marcas é importada e o país não tem mostrado condições financeiras de pagar pelas importações. A emigração de jovens também criou oportunidade para serviços voltados para auxiliar idosos, agora solitários.

Em Caracas, capital do país, dois jovens engenheiros estão ganhando dinheiro inspirados por uma máxima apregoada em tempos difíceis que diz que, “na crise, enquanto alguns choram, outros vendem lenços”. Eles estão coletando lixo eletrônico, especialmente plástico, e transformando em peças para carros com auxílio de uma impressora 3D. As peças, que antes eram importadas e caras, estavam ainda mais difíceis de obter em razão das restrições de importação de bens que não fossem de primeira necessidade.

A empresa deles, a Nedraki, agora fornece, para mais de uma dezena de empresas, componentes a preços mais baixos em razão da eliminação de custos com importação, ou seja, imposto, transporte e diferença cambial. Recentemente, os sócios, de 26 e 27 anos, fizeram um contrato com uma usina de reciclagem para garantirem o fornecimento de uma maior quantidade de matéria prima. Dominguez, o mais novo, diz que “as pessoas não acreditam que uma tecnologia esteja sendo desenvolvida no país”.

Outro exemplo de sucesso é a destilaria de rum Santa Teresa. Com mais de 220 anos de existência, a empresa permanece privada e em mãos de um empresário venezuelano, enquanto outras foram adquiridas por grupos estrangeiros. A empresa líder de mercado, com 35% de market share no primeiro semestre de 2018, exporta de 10% a 15% da sua produção, mediante um acordo com a multinacional Bacardi. Em 2017 produziu mais de 1,2 milhão de garrafas do seu destilado de cana, apreciado e prestigiado pelo comércio varejista do país. A Santa Teresa mantém um projeto social de reintegração de delinquentes e Vollmer, proprietário e CEO empresa, se apresenta como não partidário, disposto a estender pontes e ser construtivo com quem esteja disposto a buscar soluções.

A Venezuela é um dos 40 países onde existe um programa de capacitação de empreendedores chamado Empretec, criado em 1988 e oferecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da sua agência para comércio e desenvolvimento (Unctad, em inglês). O renomado programa atribui uma premiação para mulheres que participam do seminário de 6 dias e que se destacam nos seus países como empreendedoras de sucesso.

O prêmio Empretec Women in Business Award (E-WBA) é conferido a cada 2 anos à vencedora, dentre as dezenas de participantes, pela excelência no desenvolvimento de ideias inovadoras de negócios que geram emprego e renda. Pela primeira vez, desde a edição inicial do E-WBA, em 2008, uma empreendedora venezuelana foi escolhida pelo painel de experts da Unctad para integrar a lista das 10 finalistas candidatas ao prêmio. Rina Arráez, que tem um negócio de acessórios feitos a mão com materiais reciclados, chegou na final competindo com 50 candidatas indicadas por 19 países ao E-WBA, cujas ganhadoras (1º, 2º e 3º lugares) serão anunciadas em 25 de outubro de 2018.

Numa Venezuela  de economia combalida, onde as pessoas se ressentem, dentre outras coisas, da  total   falta de segurança, que faz com que 4 em cada 10 cidadãos desejem abandonar o país,   o exemplo desses “heróis da resistência” acende a esperança de que a sociedade venezuelana tenha capacidade para se mobilizar e decidir, de modo soberano, o futuro econômico, social e político da sua nação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barris de rum Santa Teresa” (Fonte):

https://ronsantateresa.com/img/6.jpg

Imagem 2 Produto da Nedraki feito de material reciclado” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/31919437_1870302263001505_8418447448497717248_n.jpg?_nc_cat=0&oh=d52f2f8f1a848edfa95715a7db0cfab5&oe=5BD06DF8

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Governo venezuelano recebe mais pressão externa e fica mais isolado

Após ter anunciado o aumento salarial dos integrantes das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e feito a promoção de mais de 17.000 militares, o mandatário da Venezuela, Nicolás Maduro, aproveitou o anúncio realizado recentemente de que o presidente norte-americano Donald Trump havia levantado a hipótese de uma invasão de seu país para usar este fato como forte motivador da união das instituições militares venezuelanas, e também como a comprovação de que é real o risco de invasão que ele constantemente afirma. Isso ainda lhe serviu adequadamente para justificar tanto as ações que vem realizando em relação aos militares venezuelanos, como a pressão contra a Oposição, já que assegurou que a proposta de Trump se deu logo após uma visita de opositores de seu país à Casa Branca, e aproveitou também para ressaltar o constante argumento de que o objetivo dos EUA é apoderar-se do petróleo da Venezuela.

Maduro declarou: “A Venezuela tem o direito de resolver seus problemas com seus métodos. A intervenção estrangeira de qualquer país nunca será uma solução. (…). É necessário ver a visão supremacista e criminosa daqueles que governam os Estados Unidos quando reivindicam o massacre de Granada e o massacre do Panamá que ainda dói como uma ferida aberta no corpo espiritual da América Latina e do Caribe. (…). Ainda na campanha da mídia e na guerra psicológica diária, há pessoas que repetem e há pessoas que acreditam que é uma mentira que o império dos EUA ataca, ameaça e bloqueia a Venezuela. (…). Nossas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas não podem baixar nossa guarda por um segundo porque defenderemos o maior direito que o país tem em toda a sua história, o maior direito que nosso povo tem de viver em paz, com dignidade, com nossa própria identidade[1] (Tradução Livre). A reboque dessas considerações, e reforçando o combate aos opositores, Diosdado Cabello, Presidente da Assembleia Constituinte, anunciou que haverá investigação por “traição à patria contra os venezuelanos que “pedem uma intervenção militar”.

45º Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Conforme consta, a questão foi levantada pelo Presidente dos EUA em agosto de 2017, quando se reuniu com seus assessores, dentre eles o então secretário de Estado, Rex Tillerson, e o ex-assessor de segurança nacional da Casa Branca, H.R. McMaster, no momento em que estudavam as sanções possíveis contra o governo venezuelano, em resposta à implantação da Assembleia Constituinte que acabava de ser implantado no país. A proposta havia sido rejeitada, pois, assim como os assessores do Presidente estadunidense, os líderes da região “…não queriam ver uma invasão americana”.

A ideia de intervenção já tinha sido levantada em outras ocasiões, tanto como hipótese de ação coordenada diante da crise humanitária vivenciada, desde que realizada por ampla frente de países em apoio a uma ampla gama de cidadãos venezuelanos solicitantes, e também como hipótese de conflito, caso a Venezuela invadisse um vizinho ou fosse comprovada sua estruturação como narcoestado, mais precisamente com uma espécie narcogoverno, diante da divulgada situação de penúria dos venezuelanos e das constantes solicitações de mudanças feitas pelos seus cidadãos. Por isso, vários observadores apontam que o anúncio sobre a proposta de Donald Trump serviu mais para reforçar o argumento que Nicolás Maduro usa de perseguição contra o seu governo, do que para alertar sobre um dado inédito, apesar de possível.

Tal anúncio auxiliou ainda mais ao discurso do governante, pedindo união das Forças Armadas, diante do outro fato que reforça o isolamento a que vem sendo submetida a Venezuela: a declaração de que a União Europeia se mostrou contrária ao governo bolivariano. O Parlamento Europeu, ao debater a migração venezuelana, posicionou-se majoritariamente contra a administração Maduro, obtendo apoio de 474 dos 750 eurodeputados (63,2%), após discutir em Plenário a experiência da recente visita feita ao país e aos vizinhos Brasil e Colômbia.

Eurodeputada Beatriz Becerra, atualmente é vice-presidente da Subcomissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu e está integrada no Grupo de la Alianza do Liberais e Democratas pela Europa

As críticas ao Governo da Venezuela foram duras, como exemplo, houve a declaração da espanhola Beatriz Becerra, que afirmou ser a migração venezuelana “um rio de sofrimento” e acusou o governante de intencionalmente produzir a desgraça em seu território. Declarou: “A fome e a miséria são uma operação política do regime Nicolás Maduro, que quer um povo fraco, sem forças para enfrentá-lo. (…) …que Maduro e o resto das hierarquias do narcorregime prestem contas perante o Tribunal de Haia[2] (Tradução Livre). Além disso, houve consenso de que a crise está desestabilizando a região.

Conforme foi divulgado, poucos se manifestaram em defesa do governante, como é o caso do eurodeputado da Izquierda Unitaria Europea, Javier Couso, que acredita que o objetivo de tudo o que está acontecendo é buscar uma justificativa para uma intervenção militar (“creación de una alarma humanitaria para que sirva como excusa para una intervención militar”), ou dos Verdes, em que a britânica Molly Scott Cato afirmou estarem desviando o tema da diáspora venezuelana para uma crítica ao Governo. No entanto, mesmo socialistas chegaram a criticar o regime venezuelano, como o espanhol Ramón Jáuregui, que afirmou: “muitos se perguntarão como a Venezuela produziu mais de 2 milhões de emigrantes (…) … é a consequência de uma revolução fracassada[3].

A contraposição internacional está cada vez maior e, além dos europeus, o Equador posicionou-se de forma mais dura, lançando uma ação diplomática contra Maduro e também contra o governo da Bolívia por terem se posicionado publicamente contra a prisão do ex-presidente equatoriano Rafael Correa, acusado de participar de crimes políticos e contra os direitos humanos, mais precisamente, em um alegado envolvimento no sequestro de um opositor, na Colômbia, ocorrido no ano de 2012.

O Governo do Equador mostrou-se indignado com a postura dos bolivarianos e considerou um desrespeito ao sistema judiciário de seu país e ao Estado Democrático de Direito, razão pela qual a contraposição a Maduro se energizou, intensificando ainda o isolamento de Bolívia e da Venezuela na Unasul, podendo levar à provável anulação dessa Organização Internacional, se não vier a ocorrer a sua extinção.

67.º Presidente do México (eleito), Andrés Manuel López Obrador – será investido no cargo em 1o de dezembro de 2018

A esperança dos bolivarianos da Venezuela para evitar ainda mais o isolamento na América Latina está na eleição do esquerdista mexicano Andrés Manuel López Obrador, que estava sendo comparado em suas propostas àquilo que foi apresentado pelas esquerdas sul-americanas quando estiveram no poder em Argentina, Brasil, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai, e ainda estão na Bolívia e Venezuela.

Tanto que o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, se manifestou de forma entusiasmada com a vitória do mexicano, declarando que “É hora de reaproximação (entre México e Venezuela), pode-se intuir que assim é (…), esperamos que com o novo governo se inicie um relacionamento mais transparente, mais direto. (…) Venezuela e México sempre tiveram relações extraordinárias, (mas) foi impossível com o presidente que está saindo (Enrique) Peña Nieto (2012-2018). (…) Portas abertas para a paz, para a esperança, com este triunfo de López Obrador, não poderá [ocorrer] a pressão do imperialismo[4], sendo complementado por declaração da Chancelaria de que “O Governo Bolivariano da Venezuela pretende construir fortes relações bilaterais com o novo governo mexicano, com base na cooperação abrangente, não-interferência nos assuntos internos e respeito pela autodeterminação de nossos povos[5].

No entanto, Obrador tem sido enfático em distanciar-se tanto do modelo bolivariano quanto em declarar que na Venezuela ocorre uma ditadura, como pode ser visto na entrevista que foi feita:

– Você disse que seu governo não será uma ditadura disfarçada. Isso em referência a que o México nunca será a Venezuela?

Sim. Não estamos lutando para estabelecer uma ditadura. Estamos lutando para ter uma democracia verdadeira. Um governo para o povo, para o povo. Um governo sem corrupção, que promove a justiça, que é um exemplo e tem autoridade[6].

Crise na Venezuela desde 2013 – de cima para baixo, da esquerda para a direita: Manifestantes na frente de forças de segurança; Prateleiras vazias em um supermercado na Venezuela; Milhões de Venezuelanos protestam em Caracas, no dia 26 de outubro de 2016; Venezuelanos em fila para entrar em uma loja

Diante do quadro, os observadores tendem a apontar que o cenário de isolamento é de aumento crescente, de forma que as declarações contra o suposto planejamento norte-americano de invasão do território venezuelano vêm exclusivamente em reforço ao discurso do governo, que busca a união dos bolivarianos, os quais, por sua vez, não são uníssonos em relação a Maduro, e, por isso, este se esforça por colocar no mesmo argumento as questões de preservação do regime e da soberania do país, preparando-se para uma intervenção estrangeira, mas com o intuito claro de tentar não perder o seu cargo.

Ressalte-se que, conforme é divulgado na mídia, qualquer intervenção estrangeira não conta com apoio dos países da Região, nem de assessores norte-americanos, nem dos europeus, mesmo que estejam aumentando as contraposições ao governo bolivariano. Analistas apontam que à Venezuela restam os amparos dos investimentos chineses e russos, mas, mesmo em relação a estes Estados, há prazos de validade para o apoio.

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Notas:

[1]Venezuela tiene derecho a resolver sus problemas con sus métodos. Jamás será una solución la intervención extranjera de cualquier país. (…). Hay que ver la visión supremacista y criminal de quienes gobiernan los Estados Unidos al reivindicar la masacre de Granada y la masacre de Panamá que aún duele como herida abierta en el cuerpo espiritual de América Latina y El Caribe. (…) Todavía en la campaña mediática y en la guerra psicológica diaria hay gente que repite y hay gente que cree que es mentira que el imperio estadounidense agrede, amenaza y bloquea a Venezuela. (…) Nuestra Fuerza Armada Nacional Bolivariana no puede bajar la guardia ni un segundo porque defenderemos el derecho más grande que tiene la patria en toda su historia, el derecho más grande que tiene nuestro pueblo que es a vivir en paz, con dignidad, con nuestra propia identidad”.

[2]El hambre y la miseria son una operación política del régimen de Nicolás Maduro, que quiere un pueblo débil, sin fuerzas para plantarle cara. (…). …que Maduro y el resto de jerarcas del narcorrégimen rindan cuentas ante el Tribunal de la Haya”.

[3] “Muchos se preguntarán cómo Venezuela ha producido más de 2 millones de emigrantes (…) …es la consecuencia de una revolución fracasada”.

[4]Es tiempo de acercamiento (entre México y Venezuela), uno pudiera intuir que es así (…), esperamos que con el nuevo gobierno comience una relación más transparente, más directa. (…). Venezuela y México han tenido siempre extraordinarias relaciones, (pero) fue imposible con el presidente saliente (Enrique) Peña Nieto (2012-2018). (…). Se abren puertas para la paz, para la esperanza, con este triunfo de López Obrador, no pudo la presión del imperialismo”.

[5]El Gobierno Bolivariano de Venezuela aspira construir junto al nuevo gobierno mexicano sólidas relaciones bilaterales, basadas en la cooperación integral, la no intromisión en los asuntos internos y el respeto a la autodeterminación de nuestros pueblos

[6] – Usted dijo que su gobierno no será una dictadura disfrazada. ¿Esto en referencia de que México jamás será Venezuela?

– Sí. No estamos luchando para establecer una dictadura. Estamos luchando para tener una verdadera democracia. Un gobierno para el pueblo, del pueblo. Un gobierno sin corrupción, que promueva la justicia, que sea ejemplo y tenga autoridad”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Venezuela” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela#/media/File:Flag_of_Venezuela.svg

Imagem 2 45º Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

Imagem 3 Eurodeputada Beatriz Becerra, atualmente é vicepresidente da Subcomissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu e está integrada no Grupo de la Alianza do Liberais e Democratas pela Europa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/MEP_Beatriz_Becerra.jpg

Imagem 4 67.º Presidente do México (eleito), Andrés Manuel López Obrador será investido no cargo em 1o de dezembro de 2018” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Andrés_Manuel_López_Obrador#/media/File:LENÍN_MORENO_SE_REÚNE_CON_EL_LÍDER_MEXICANO_LÓPEZ_OBRADOR_(36186836092)_(cropped).jpg

Imagem 5 Crise na Venezuela desde 2013 de cima para baixo, da esquerda para a direita: Manifestantes na frente de forças de segurança; Prateleiras vazias em um supermercado na Venezuela; Milhões de Venezuelanos protestam em Caracas, no dia 26 de outubro de 2016; Venezuelanos em fila para entrar em uma loja” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_na_Venezuela_desde_2013#/media/File:Crisis_in_Bolivarian_Venezuela.png

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El debate sobre el uso del “Fracking”* en Colombia

En Latinoamérica y en particular en Colombia, se debate hoy sobre la explotación de hidrocarburos no convencionales**. También conocida como “Fracking, es una técnica que posibilita el aumento en la extracción de gas y petróleo del subsuelo, utilizada de forma masiva desde el año 2008 debido al aumento en el precio del combustible fósil, lo que ha conllevado a diversas movilizaciones desde lo político, social y en especial desde lo ambiental, debido a su impacto negativo en las zonas de explotación. También ha generado en los últimos 8 años el desplazamiento de la geopolítica mundial, coronando a Estados Unidos como el mayor productor del mundo, lo que ha incidido directamente en los precios del petróleo.

Los partidarios de la fracturación hidráulica señalan que esta técnica tiene un menor impacto que otras tecnologías utilizadas en la industria, y que los daños ambientales producidos son por cuenta de problemas en las fases de explotación o por el tratamiento de aguas residuales. De igual forma, con el uso de esta tecnología, las reservas de países como Estados Unidos, China y Argentina han incrementado exponencialmente. Lo que conlleva a un abastecimiento a mediano plazo. Otros países que han tenido un interés comercial en el uso de métodos no convencionales son: Argelia, Australia, México, Rusia y Colombia.

En divergencia, se señala que el impacto medio ambiental repercute de forma negativa en la contaminación de acuíferos, genera un alto consumo de agua, contaminación sonora y vertedero de residuos. Además, algunas publicaciones asocian el incremento de la actividad sísmica, con las explosiones utilizadas para el desarrollo de la técnica, en algunas ocasiones llegando a una profundidad que supera los 4 mil kilómetros de profundidad.

De acuerdo con un informe de la Academia de Ciencias del Reino Unido -Royal Society-, publicado en 2012, fue señalado que los riesgos a los que se exponen los territorios donde se explotan hidrocarburos utilizando Fracking pueden ser manejados, si son implementados y mejoradas las técnicas en su conjunto, durante la exploración y posteriormente en la fase de extracción. Sin embargo, el informe reconoce que toda acción petrolera genera un impacto ambiental, el cual resulta reversible a largo plazo o en el daño definitivo de un sistema ambiental.

Dinámica de extracción de hidrocarburo por medio de Fracking

A pesar de que el debate sobre el uso de la fracturación hidráulica ha tomado diversos niveles en los últimos años, esta técnica no es nueva. En países como Inglaterra se utiliza desde la década de los 50. Sin embargo, en los últimos veinte años con la creciente demanda de combustible en el mundo y los elevados precios del petróleo, se desarrollaron tecnologías y la perforación de tipo horizontal, permitiendo la expansión del Fracking en el mundo. Es así como Estados Unidos, de acuerdo con datos suministrados por la Energy Information Administration, órgano encargado de la administración de información energética, ha explorado cerca de 7.000 pozos para extracción de gas, lo que cambia su rol de consumidor a un progresivo productor.

En el caso Latinoamericano, la industria petrolera viene desarrollando proyectos de mano de empresas estatales, como el caso argentino o por medio de concesiones o reformas, como en el caso de México o Colombia, esto último aún por ser ratificado

En septiembre del 2014, se reunieron en Buenos Aires más de 200 expertos en el evento denominado The World Shale oil & gas Latin Summit. En este evento petroleras como la anglo-holandesa Shell destaco la inversión en desarrollo hacia Latinoamérica para explotación de hidrocarburos no convencionales, para lo cual se hizo especial mención en el complejo de Vaca Muerta desarrollado por YPF. Cabe destacar que dicha cumbre se realizó en medio del debate sobre la nueva ley de hidrocarburos que se desarrollaba en ese momento para La Argentina. Ya en julio de 2012 se había firmado un acuerdo entre Shell e YPF, del Estado argentino, para la exploración de Vaca Muerta lo que fue acompañado de sectores sociales y de ambientalistas que reclamaban por los efectos negativos que se habían generado en regiones productoras de frutas, esto debido por la contaminación del acuífero y residuos en el río Neuquén.

Luego, entre junio y julio del año 2015, se llevó a cabo la II cumbre mundial en América Latina de petróleo y gas no convencional, auspiciada por YPF, nuevamente en Argentina, país que ya contaba con pozos de hidrocarburos en extracción. En esta edición se hacía un balance de los marcos legales de los países de la región. La reforma mexicana, aprobada con anterioridad que la de Argentina, iniciaba una fase de aplicación. Por otro lado, se esperaba lo mismo para el caso colombiano por medio de la empresa mayoritariamente estatal Ecopetrol. Otras empresas hacían presencia con expertos: Schlumbergerger y Anadarko de Estados Unidos; Ancap de Uruguay; Pemex de México Staoil de Noruega; Shalle; entre otras. En el Lobby se encontraban representantes de todo el ramo de extracción, trasporte, tratamiento, seguridad y financiamiento del sector petrolero.

En este momento en Latinoamérica diversos países han impulsado el fracking. En Argentina, existen cerca de 600 pozos, en las provincias de Neuquén, Chubut y Río Negro, el yacimiento Vaca Muerta es el más grande de la región y uno de los más importantes del mundo; en Brasil, se han dado licencias para exploración en el río Paraná, cuenca que nutre el acuífero Guaraní, el más grande de agua dulce del mundo; Chile ha desarrollado esta industria en la Tierra del Fuego; en México se han perforado por lo menos 30 pozos, de los cuales la mitad se encuentra en funcionamiento;  en el caso de Colombia se han concedido permiso desde el año 2008, muchos aún en proceso de factibilidad debido a que se encuentran en zonas de paramo, sistemas naturales de donde las ciudades de este país obtienen el recurso hídrico.

Resulta importante mencionar que, frente al debate sobre la explotación de hidrocarburos no convencionales, durante el mes de diciembre del año 2017, se reunieron en la capital argentina movimientos, representantes, expertos y líderes sociales para denunciar las consecuencias ambientales y sociales del Fracking. Hay gente en las zonas cercanas a los yacimientos que abre la canilla en el campo y el agua sale negra. Nadie les da explicaciones”. Lo anterior de acuerdo con declaraciones hechas por una representante argentina, refiriéndose a las comunidades que viven cercanas al complejo de explotación de Vaca Muerta. En otras intervenciones se denunciaba el cambio climático, el problema del agua, el daño ambiental, la perdida de la soberanía alimenticia, la afectación a comunidades en los diferentes países, la violación de tratados internacionales y la dimisión de leyes ambientales en los países.

Colombia es el segundo país con mayor biodiversidad en el mundo, después de Brasil, y a su vez uno de los países con mayor potencial minero en el mundo. Sin embargo, en la actualidad, Colombia es el país con mayor número de casos de conflictos ambientales documentados, 72 según un estudio publicado por la universidad de Barcelona, investigación que mapea estos conflictos ecológicos en el mundo. En el caso colombiano, los conflictos ambientales han convivido e inclusive financiado el conflicto armado, es así como diversas investigaciones de tipo judicial han señalado la manera como grupos armados permiten la explotación de un recurso a cambio de sumas de dinero o también de como multinacionales ha utilizado estos grupos ilegales para deshacerse de líderes sociales que han estado en contra de la instauración de un proyecto minero.

Frente al tema coyuntural del Fracking, un trágico acontecimiento resulto generar fuertes disensos para la prohibición o no del Fracking en Colombia. Esto sucedió después que más de 24.000 barriles de petróleo contaminaran el río Sogamoso, el cual hace parte de la cuenca del río Magdalena, afluente más impórtate del país que atraviesa de sur a norte el territorio colombiano. Este río tiene la misma importancia, que podría tener el río Misisipi para Estados Unidos, el Loira para Francia, o el río Paraná para Argentina. Este hecho conllevo a que aproximadamente 15 kilómetros a lo largo del río fueran contaminados, con un espesor de 40 centímetros.

Desde el año 2012, el gobierno de Colombia, en cabeza del ministerio de ambiente, ha destinado 42 bloques para la exploración de hidrocarburos en yacimientos no convencionales, lo preocupante para muchos expertos en el tema, es que estas zonas se encuentran en lugares de conflictos ambientales o en donde se podría poner en riesgo la despensa agrícola del país. De igual forma, el gobierno nacional señala que con esto se podría cubrir el déficit de petrolero a mediano a plazo, esto es, por más de seis años, de acuerdo con datos de la Agencia Nacional de Hidrocarburos. Sin embargo, según estudios de la Contraloría Nacional de la Republica, sobre el comportamiento de minas y petróleos, el Estado tiene una participación muy baja, en promedio desde el 2008 por cada dólar aportado al PIB por cuenta de la industria extractiva, menos de 16 centavos son percibidos por medio de deducción fiscal, esta cifra es inferior entre países miembros de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo (OCDE).

Otro tema importante por tratar tiene que ver con el régimen regulatorio sobre el subsuelo, el cual no cuenta con un marco legal riguroso. Lo que, por ejemplo, no permite definir las condiciones mínimas para que una empresa explote en un determinado territorio, el régimen de tributación es inequitativo y poco eficiente, no contempla la autodeterminación de las comunidades.

El Fracking en Colombia ha generado diversas movilizaciones y escenarios de discusión, uno de los cuestionamientos que las comunidades replican hacia el gobierno tiene que ver sobre claridad en lo que se está haciendo en zonas que están en fase exploración. Se puede observar entonces que la falta de participación y de un marco legal genera desconfianza por parte de las poblaciones hacia el estado. Esto se profundiza ante el reducido conocimiento que tienen las instituciones públicas en el subsuelo de las zonas de expropiación, además de la afectación que podría generarse al utilizar este tipo de tecnologías en zonas con altitudes diferentes a las aplicadas en Estados Unidos o Argentina, en donde comunidades enteras se han visto afectadas por esta técnica y en donde aún no se conoce las consecuencias reales de su aplicación. 

Finalmente, en las condiciones actuales donde el precio del barril de petróleo no logra recuperarse y la industria petrolera muestra una reducción en su producción, se habla de incentivos tributarios para el Fracking, aspecto que ya está siendo subsidiado en Argentina y México. Resulta entonces no beneficioso para el Estado colombiano, que, al utilizar una técnica que multiplica los costos de producción, genera conflictos ambientales y sociales, sea implementada de forma tan acelerada.

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Notas de pie de página:

* La Fracturación hidráulica, o Fracking, como se conoce en inglés, es un método implementado en la industria petrolera, por medio del cual se extrae principalmente gas y petróleo de forma no convencional. Con esto se consigue llegar a grandes profundidades, de donde se extrae el hidrocarburo que se encuentra atrapado en un tipo de roca, conocida como roca de esquisto. Al alcanzar la roca de esquisto, a cientos de kilómetros, se generan explosiones para fracturar la roca permitiendo la posterior circulación, luego es inyectado un coctel de químicos (hasta hoy desconocidos en detalle) mixturados con una gran cantidad de arena y agua. Este proceso, finalmente libera el hidrocarburo que fluye hacia la superficie con el fluido que fue inyectado a alta presión.

** Se conocen como hidrocarburos no convencionales, debido a que no se encuentran en un reservorio, estando depositados en una roca de esquisto que debe ser fracturada para su extracción. En el caso de los hidrocarburos convencionales, se encuentra en un pozo o “trampa petrolífera” que debido a la liberación de presión sale a la superficie una vez es perforado.

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Fuentes das Imágenes:

Imagen 1 “Excavación de un pozo petrolero utilizando para Fracking” (Fuente):

https://www.radionacional.co/noticia/fracking/ministerio-de-ambiente-mantiene-firme-su-decision-de-implementar-fracking

Imagen 2 “Dinámica de extracción de hidrocarburo por medio de Fracking” (Fuente):

http://www.radio.li/de/news/artikel/bern-bohrungen-zum-nutzen-von-erdwaerme-weiter-erlaubt/

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SIPRI: a modernização de armas nucleares continua

Passados mais de 70 anos dos holocaustos de Hiroshima e Nagazaki, a visão de um mundo sem armas nucleares continua muito distante. Em seu relatório anual, recentemente lançado, o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Stocolm International Peace Research Institute – SIPRI) criticou o desenvolvimento contínuo de novas armas nucleares.

O ano passado (2017) foi um ano especial para aqueles a favor do desarmamento nuclear. Um total de 122 líderes mundiais se alinhou para assinar o Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares (TPAN), se comprometendo a não produzir ou possuir tais armamentos. No entanto, os efeitos desse compromisso ainda não foram notados no sentido de se atingir a meta de um mundo livre de armas atômicas.

Sede do SIPRI em Solna

Segundo as últimas estimativas do SIPRI, ainda existem 14.465 artefatos nas mãos de apenas nove Estados: EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Embora internacionalmente esses nove países sejam minoria, eles não têm absolutamente nenhuma intenção de abrir mão de seus arsenais. Embora o número total neste ano (2018) tenha caído ligeiramente em comparação com o ano anterior, as armas existentes foram modernizadas. Isso significa que as mais antigas estão sendo substituídas, algumas delas na verdade têm 40 ou 50 anos de idade, mas novas armas nucleares também estão sendo desenvolvidas com novas capacidades e novas funções técnicas.

Teste de lançamento de um ICBM Minuteman III

O governo dos EUA confirmou o desenvolvimento de modernos armamentos atômicos em fevereiro, quando publicou uma versão atualizada de sua Revisão da Postura Nuclear. Isso também afeta a Alemanha: embora não tenha armamentos nucleares próprios, como membro da OTAN está sob a proteção do escudo nuclear dos Estados Unidos. Cerca de 20 bombas nucleares B61 são armazenadas na região de Eifel e, nos próximos anos, serão substituídas por outras mais modernas, que podem ser orientadas com precisão para um alvo específico.

Os Estados Unidos estão investindo muito na modernização de seu arsenal nuclear. Até 2026, planeja gastar US$ 400 bilhões (€ 344 bilhões). No entanto, países menores como a Índia e o Paquistão também estão envolvidos em uma espécie de “corrida armamentista estratégica”. Ambos estão desenvolvendo novos artefatos e ampliando suas capacidades de produção de material físsil. As armas atômicas continuam sendo um elemento central das estratégias de defesa nacional das potências nucleares.

Em vista das atuais tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, não está claro como os acordos internacionais de controle de armas nucleares serão eficazes no futuro. O que preocupa no momento é o fato de que a relação político-estratégica entre os dois entrou em colapso e, ressalte-se, ambos possuem 92% de todos os armamentos do gênero.

Decreto assinado por Kim Jong-Un autorizando o teste de uma suposta Bomba de Hidrogênio

Isso também afeta o controle de armas. Quando acordos importantes de desarmamento, como o tratado New Start, expirarem nos próximos anos, os especialistas temem que novos tratados não sejam feitos para substituí-los. Não haveria, portanto, limitações sobre os arsenais. Estamos claramente nos afastando da visão de Barack Obama de 2009, exposta no seu famoso “Discurso de Praga”, sobre um mundo livre de armas nucleares.

Um recente desenvolvimento em particular desperta inquietude: os avanços técnicos que a Coreia do Norte demonstrou em suas armas nucleares e testes de mísseis balísticos de longo alcance nos últimos 12 meses. Resta saber se o encontro entre o líder norte-coreano Kim Jong-Un e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realmente levará ao desarmamento nuclear norte-coreano. É porem um fato incontestável que a reunião abriu as portas para novas medidas de construção de confiança.

Em seu relatório anual de 2018, os pesquisadores do SIPRI reuniram outros dados que destacam a tensa situação política em relação à segurança global. Mais recursos foram gastos com Forças Armadas em 2017 do que em qualquer momento desde o final da Guerra Fria. O total de gastos militares em todo o mundo subiu para 1,739 trilhão de dólares, ou seja, 230 dólares para cada pessoa na Terra. Em 2016, os gastos foram de US$ 227 per capita. Os Estados Unidos ainda têm o maior orçamento de Defesa que qualquer país, US$ 610 bilhões, seguido pela China, Arábia Saudita e Rússia.

A razão para este fato foi o aumento dos gastos militares em algumas regiões, não todas, do mundo. O aumento no leste da Ásia é particularmente impressionante: a China, por exemplo, elevou seu orçamento de Defesa em 5,6% indo para 228 bilhões de dólares. Na Europa, o quadro é mais variado: os países da Europa Oriental gastaram consideravelmente menos com as Forças Armadas em 2017 do que no ano anterior, mas na Europa Central e Ocidental os gastos com Defesa subiram.

De acordo com o SIPRI, outra tendência também está em ascensão: o comércio global de armas aumentou significativamente nos últimos dez anos depois de atingir seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria, no início dos anos 2000. Depois dos Estados Unidos, Rússia e França, a Alemanha é o quarto maior exportador mundial de armas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) após a queda da Little Boy e sobre Nagasaki, após o lançamento de Fat Man” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki#/media/File:Atomic_bombing_of_Japan.jpg

Imagem 2 Sede do SIPRI em Solna” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Stockholm_International_Peace_Research_Institute#/media/File:SIPRI_building.jpg

Imagem 3 Teste de lançamento de um ICBM Minuteman III” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos_e_as_armas_de_destruição_em_massa#/media/File:Minuteman3launch.jpg

Imagem 4 Decreto assinado por Kim JongUn autorizando o teste de uma suposta Bomba de Hidrogênio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_nuclear_norte-coreano_de_janeiro_de_2016#/media/File:Kim_Jong-un%27s_initial_order_on_H-bomb_test.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

A democracia na Tunísia

No dia 6 de maio de 2018, foram realizadas as primeiras eleições municipais na Tunísia, desde a deposição do governo autocrático de Ben Ali, em 2011, durante a  Revolução de Jasmim. Candidatos independentes obtiveram a maioria dos votos, em detrimento dos partidos maiores. Metade dos candidatos eram jovens e mulheres.

Esta eleição pôde ser vista como mais um indício que comprova a efetiva transição democrática da Tunísia. Além do que, com a possibilidade de eleger dirigentes municipais, há uma chance concreta de estabelecimento de um governo local e descentralizado, o que pode ser benéfico para os diferentes níveis de desenvolvimento regionais que o país apresenta[1] e contribuir para a melhora da economia do país.

Muitas lições podem ser tiradas do início da revolta em Sid Bouzid, após a trágica autoimolação de Mohamed Bouazizi, o qual praticou um gesto de desespero diante da situação econômica e de corrupção, na qual o país se encontrava. Uma revolução que provocou um efeito dominó inesperado, e influenciou muitas outras no mundo árabe, culminando na denominada Primavera Árabe.

Todavia, a Tunísia conta com um resultado muito distinto dos demais países, o qual pode ser considerado um modelo a se seguir por outras nações. Um dos fatores de sucesso de sua transição à democracia pode ser atribuído a características específicas da sociedade. Esta alcançou seus objetivos políticos e sociais desejados após a Revolução de Jasmim: uma reversão completa do sistema de governo anterior, acompanhada por uma transição democrática, com pouco derramamento de sangue. Além disso, a sociedade tunisiana é multicultural, e apresenta robusta tradição de sociedade civil engajada em movimentos sindicais, que remontam aos anos 1920.

A religião predominante é o Islamismo, com versão mais tolerante e respeitosa ao secularismo, o que, na conjuntura da Assembleia Nacional Constituinte, após a Revolução de Jasmim, foi uma vantagem, quando o partido muçulmano Ennahda[2], deixou em segundo plano seu rótulo islâmico e redefiniu-se, a fim de alcançar um consenso político tão necessário à ocasião. Isto permitiu ao país uma maior coesão e formação de uma coalizão governamental entre partidos com ideologias diversas, por exemplo, o partido secularista dominante Nidaa Tounes e o Ennahda, de linha islâmica, permitindo as eleições para a Assembleia Constituinte.

Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia visita Viena em março de 2016 – Abdessattar Ben Moussa, Houcine Abassi et Wided Bouchamaoui (au premier plan de gauche à droite)

A cooperação e o diálogo foram importantes também após dois assassinatos políticos, que geraram tensões. Foi nesse contexto que o “Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia” atuou e viabilizou o compromisso de reconstrução do sistema político nacional, razão pela qual o conjunto de associações foi ganhador do prêmio Nobel, por seu papel em um momento tão crítico.

Assim, foi promulgada, no ano de 2014, a atual Constituição, provinda de uma Assembleia Constituinte diversificada em termos ideológicos e pessoais dos deputados constituintes.

Ao processo político, somam-se um senso de contato e busca do modernismo ocidental, em uma mescla única de heranças culturais diversas, uma identidade com o Mediterrâneo em conjunto ao mundo árabe e muçulmano. Outro importante fator de sucesso foi a neutralidade das Forças Armadas no desenrolar dos acontecimentos durante e após a Revolução.

A Constituição tunisiana pode ser considerada muito avançada em termos de sistema político, de promoção dos direitos humanos e, especialmente, do direito das mulheres. Seu texto proporcionou um caminho seguro rumo à democracia, pois esta é prevista em seu Preâmbulo e artigos 2º e 3º.

A ligação com o formalismo jurídico e capacidade de diálogo da sociedade civil permitiu a formação de instituições democráticas sólidas até o momento, que podem ser definidas nas palavras do jurista Yadh Ben Anchour: “a democracia não se resolve no possuir as instituições democráticas, mas consiste, sobretudo, em colocar em prática uma mentalidade que seja democrática[3]. Por exemplo, em termos de conquistas do direito das mulheres, o país é, dentre os países norte-africanos e do Oriente Médio, o que provê melhores condições e direitos.

Atualmente, os meios de comunicação não são mais controlados pelo ex-governo de Ben Ali, o que proporciona uma maior liberdade de expressão na sociedade. O grande desafio da Tunísia é sua economia, prejudicada pelas empresas ineficientes protegidas do governo e a corrupção; o combate ao desemprego; a diminuição das diferenças regionais e a constante tentativa de penetração do Islamismo radical em suas fronteiras. Há ainda o receio da parte secularista da sociedade a uma guinada conservadora da religião.

Existe um grande contingente de jovens educados e qualificados, porém sem colocação no mercado de trabalho, em um desemprego crônico geral. Isto causa um fluxo migratório para a Europa em busca de melhores condições de empregabilidade ou, um aliciamento nas hordas de movimentos muçulmanos radicais, como o Estado Islâmico (Daesh)[4].   

Sala Cartago visto de cima

O melhor exemplo de constatação da tolerância atual da sociedade tunisiana, e a necessidade de busca de melhores mercados com condições de empregabilidade, é a da comunidade judaica local, a qual tem se mudado para Israel[5], não por motivos de perseguição, mas por razões econômicas.

O turismo foi prejudicado pelos ataques terroristas de 2015, praticados no Museu Nacional do Bardo e em um hotel de luxo em Sousse. Devido a isso, foram decretados sucessivos estados de emergência. O receio de muçulmanos ultra-conservadores (salafistas) também é uma preocupação.

Uma possibilidade de oscilação ao conservadorismo pôde ser constatada durante o período do Ramadã, em junho de 2018, quando houve protestos contra o fechamento dos cafés em respeito ao período de jejum diurno. Setores seculares realizaram protestos. Um deles, que seria marcado para o dia 27 de maio de 2018, não obteve autorização do Ministro do Interior, o que foi interpretado como uma violação constitucional pela organização do protesto. Também pode ser considerado um alerta à intolerância, o evento ocorrido na Copa do Mundo de 2018, no qual houve participação de jovens tunisianos.

Infelizmente, a situação econômica ainda não foi solucionada, e o aumento de impostos e a inclusão de medidas de austeridade pelo governo tem gerado frustração e protestos, como os protagonizados em janeiro de 2018. Os setores agrícolas e de mineração estão em crise juntamente com o turismo, algo muito frustrante para uma população altamente qualificada e um país com boa infraestrutura. Melhoras na economia foi uma das demandas da Revolução de Jasmim que não foi atendida.

No dia 6 de junho de 2018, o Ministro do Interior Lofti Brahem foi demitido após o afogamento de migrantes no Mar Mediterrâneo, ao não se conseguir evitar o lançamento de um barco com 180 migrantes em seu interior.

Embora a situação econômica do país ainda seja incerta, como contrapartida do resultado das liberdades obtidas após 2011, a comunidade LGBT sentiu-se mais segura em expressar-se em busca de mudanças, embora ainda seja ilegal o homossexualismo. A primeira rádio gay do mundo árabe entrou em funcionamento, e, mesmo sob ameaças, realiza debates que são transmitidos.

Mudanças também ocorrem com as mulheres. Ano passado (2017), começou a ser permitido seu casamento com um não muçulmano. Em março de 2018, passeatas foram realizadas pedindo igualdade na lei sucessória. Setores religiosos conservadores opõem resistência às mudanças, porém, elas têm sido implementadas.

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Notas:

[1] A Tunísia possui uma área mais desenvolvida economicamente em sua zona costeira, já o interior do país e áreas do interior menos industrializadas. Há uma grande disparidade regional de desenvolvimento. A economia tunisiana encontra-se em crise. O desemprego entre os jovens é altíssimo e o quadro piorou após os ataques terroristas de 2015 no Museu Nacional do Bardo e em um hotel de luxo em Sousse, o que afastou turistas.

[2] O partido islâmico Ennahda nasceu. Foi o segundo mais votado nas eleições municipais de maio de 2018.

[3] VALETTI, Lia. Tunisa Rivoluzione: La costruzione della democracia. Macerata: Edizione simple, 2018. – Livro digital, Capítulo: 1.3 – I protagonisti delle rivolte: la chiave dell’ eccezionalità tunisina, p.40.

[4] Paradoxalmente, a Tunísia é o país em que mais jovens se alistam em movimentos terroristas. Ressalte-se que nem todos aqueles que se alistam encontravam-se, necessariamente, em situação de carestia.

[5] O movimento migratório de retorno a Israel chama-se aliyah/aliá.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Tunísia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tunísia#/media/File:Flag_of_Tunisia.svg

Imagem 2Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia visita Viena em março de 2016Abdessattar Ben Moussa, Houcine Abassi et Wided Bouchamaoui (au premier plan de gauche à droite)” (Fonte):

https://fr.wikipedia.org/wiki/Quartet_du_dialogue_national#/media/File:Tunisian_National_Dialogue_Quartet_Visit_to_Vienna_March_2016_(25285867191).jpg

Imagem 3Sala Cartago visto de cima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Nacional_do_Bardo#/media/File:Carthage_Room_Bardo.jpg