ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Partidos, propostas e possíveis resultados nas próximas eleições de Israel

As eleições gerais de Israel serão realizadas no próximo dia 9 de abril. A data passou por um recente adiantamento, fruto de divergência e debate no país. Entender os grupos políticos, o momento que estes vivem e os temas em disputa é necessário para enxergar como Israel poderá se projetar para um futuro próximo.

De acordo com a legislação do Knesset, o Parlamento israelense, as eleições gerais devem idealmente ocorrer no mês do calendário judaico do Heshvan*, respeitando a duração do mandato dos representantes eleitos, que é de quatro anos. Cumprindo com o período ideal, as eleições de 2019 deveriam acontecer em novembro.

É possível, entretanto, que haja uma dissolução precoce do Parlamento, obrigando a execução de novas eleições antes deste prazo. Isto pode ocorrer por aprovação do próprio Plenário, ou pelo consenso entre o Primeiro-Ministro e o Presidente. A Lei de Dissolução do Knesset também prevê eleições antecipadas caso o Parlamento não consiga aprovar a Lei Orçamentária anual para o país.

Avalia-se que a possibilidade de antecipar as eleições possa ser usada como instrumento eleitoral por parte do Partido que detenha a maioria. A manobra teria objetivo de amenizar danos que um provável fato político futuro possa trazer, bem como adequar os tempos do processo decisório tornando-os mais convenientes ao governo.

Para preencher as 120 cadeiras do Legislativo, há votação direta nacional. O modelo é de lista fechada, onde os partidos apresentam uma lista pré-ordenada e a população vota diretamente em sua legenda. Por meio de alianças, mais de um partido pode apresentar-se em conjunto.

O número de assentos é então distribuído proporcionalmente aos votos que cada uma das listas postulantes recebeu na eleição, desde que estas cumpram uma cláusula de desempenho que exige receber pelo menos 3,25% dos votos nacionalmente.

Qualquer um que possua cidadania israelense pode votar, caso tenha mais de 18 anos, e ser votado, caso possua mais de 21. Apesar dos recentes debates sobre a cidadania, ainda há uma parcela de árabes com cidadania israelense que participam nas eleições do país.

Faixada do Knesset, em Tel Aviv

Dentre as tarefas que o Knesset possui está a de eleger o Presidente** e o Primeiro-Ministro. Para a eleição presidencial, é necessário que o candidato obtenha maioria simples em votação no Parlamento. Após eleito, o Presidente deve apontar um Primeiro-Ministro, buscando obter o consentimento da maioria dos líderes das bancadas para que sua nomeação seja efetivada.

Por conta da presença de um grande número de Partidos Políticos, a composição dos blocos dentro do sistema parlamentar tende a produzir maiorias frágeis em Israel. Atualmente, o Governo é sustentado por uma bancada de 61 deputados, contra 59 da Oposição. 

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu passa por um momento turbulento, colecionando choques com aliados, também sendo objeto de investigação sobre esquemas de propina e corrupção, dos quais supostamente faria parte.

Frente à abertura de investigações das quais o Chefe de Governo seria objeto, grupos da oposição e do próprio governo têm pedido que este renuncie ao cargo, ou, pelo menos, que se afaste até o esclarecimento da situação.

Para além dos problemas vinculados a figura do Premier, o efeito de uma série de decisões dificulta o equilíbrio de sua posição política. Por exemplo, a negociação de um cessar-fogo com o Hamas na faixa de Gaza desagradou os grupos mais belicistas dentro de sua aliança.

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Modelo de cédula para a votação na eleição parlamentar israelense

A tramitação de uma lei que tornaria o serviço militar obrigatório também para os que confessam a ortodoxia judaica gerou polêmica. Em respeito aos dogmas, este grupo estava isento de serviço obrigatório**.

Desta forma, o Primeiro-Ministro corre contra o tempo para evitar um maior desgaste tanto de sua figura quanto da posição de seu Partido. Buscando aproveitar o momento, ele anunciou no dia 24 de dezembro de 2018 a antecipação das eleições gerais. 

O Knesset aprovou a medida no dia 26 de dezembro, ainda que sob fortes críticas. Segundo o jornal Haaretz, o líder da oposição, Tzipi Livini, afirmou sentir que “o governo está cruzando todas as linhas vermelhas, cuspindo em tudo que sustenta este país há 70 anos como Estado do povo judeu e única democracia do Oriente Médio”.

Segundo o jornal Times of Israel, o Likud, Partido governista, perderá cerca de 4% de sua intenção de voto caso uma investigação formal seja aberta contra Netanyahu. No entanto, este mantém-se como favorito para continuar na cadeira de Primeiro-Ministro para a opinião popular, apesar da concorrência com o general Benjamin (Benny) Gantz.

Muitos políticos em Israel têm afirmado que Bibi, como Netanyahu é conhecido popularmente, tenta adiantar as eleições o máximo possível. Dentre seus objetivos está colocar o Procurador Geral no país, Avichai Mendelbit, na difícil posição de abrir ou não um processo contra um Chefe de Estado em meio a uma eleição. Mendelbit, que esperava apresentar as acusações de corrupção antes das eleições, encontra-se em xeque frente ao pleito antecipado.

Conforme noticiou o Haaretz, o procurador expressa que é necessário informar o povo, mas teria que iniciar o processo à 10 dias da eleição, o que aparentemente configuraria intervenção no pleito. Aliados do Primeiro-Ministro também têm se pronunciado publicamente, acusando o procurador de agir com interesses eleitorais.

Na eventualidade de tornar-se réu, Netanyahu avalia ser preferível enfrentar um julgamento como um popular líder reeleito do que como candidato. Esta saída também visa evitar que os efeitos colaterais do processo judicial afetem a votação do seu Partido na eleição.

Para além de evitar uma difícil investigação, está lançada uma arriscada aposta do governo, que busca aproveitar-se do momento no qual a oposição está dividida e que o país possui indicadores econômicos positivos para tentar ampliar sua maioria. Isto poderia consolidar a posição do atual Chefe de Governo, permitindo aumentar sua influência em todos os setores da sociedade.

As propostas que trazem os partidos levantam discussões complexas que podem produzir efeitos profundos e duradouros sobre o país. Estas incluem o debate sobre a cidadania das etnias que se encontram em Israel, a negociação de uma separação com os palestinos, o cessar fogo com grupos na faixa de Gaza, a ocupação das colinas de Golan e da Cisjordânia, e os assentamentos em território palestino.

O Likud apresenta uma retórica focada na defesa de Israel, que consiste em ressaltar a necessidade de evitar uma transição que exporia o país a risco. Forte opositor de qualquer plano de negociação com os palestinos, entendem os seus membros que a expansão dos assentamentos e ocupação militar do entorno consiste em medida preventiva para o país. Netanyahu tem defendido publicamente que os Partidos de centro e de esquerda adotaram pautas que prejudicarão a vida dos israelenses, sobretudo nos assentamentos.

Uma das primeiras derrotas do partido governista e seus aliados veio através de decisão da Suprema Corte sobre sentenças da Comissão Central Eleitoral. Estes entraram com uma representação para caçar a licença do Balad e Lista Árabe Unida.

Um grupo de Partidos de direita encabeçado pelo Likud pediu que o grupo pró-árabe fosse impedido de concorrer, uma vez que dois de seus membros dirigentes haviam sido condenados no passado por apoiar a causa palestina. O Comitê Central Eleitoral decidiu pela cassação, que foi revertida na Suprema Corte em 6 de março.

Também a candidatura de extrema-direita de Michael Ben Ari, do partido Poder Judeu, não foi aceita pela Suprema Corte por apresentar uma plataforma política que previa, dentre outras coisas, que árabes fossem removidos do Estado de Israel a menos que fizessem um juramento de lealdade oficial.  Na visão da Suprema Corte, estas declarações configuram incitação pública ao racismo e violência, para o qual a Constituição de Israel prevê impugnação da candidatura.

Além de não conseguir barrar uma lista pró-árabe, Bibi perde um forte aliado, uma vez que pretendia formar uma aliança com o partido de Ben Ari para a composição da lista eleitoral. A impugnação do principal líder da legenda não acabaria com o acordo, mas torna menos efetiva a movimentação política.

Anúncio de campanha do atual Premier Israelense, Benjamin Netanyahu, para as eleições de 2009

O maior rival do Likud nestas eleições é o general Benjamin Gantz. O antigo Chefe de Estado-Maior das Forças de Defesa Israelenses é um novato na política, mas, é reconhecido por sua competência como militar e extremamente popular. Este afirma que combaterá a corrupção do governo de Netanyahu, alegando trazer em seu apoio uma aliança entre forças de direita, centro e de esquerda.

O ex-general será candidato pela lista Azul e Branco, resultado de uma fusão entre três forças centristas:  o novato Resistência Israelense, o Yesh Atid (Há um Futuro) e Telem. O ex-ministro de Finanças, Yair Lapid, antigo aliado do atual Primeiro-Ministro, é uma das grandes figuras políticas aliadas a Gantz.

A coalizão centrista evita tomar posições polêmicas, ainda assim, trás em suas propostas pautas que soam ameaçadoras para os grupos mais conservadores em Israel. Desde questões dogmáticas, como oferecer transporte público durante o Sabbath, até abrir negociações com os palestinos.

Esta rodada de negociações visaria acelerar a separação dos Estados, ainda que existam poucas indicações práticas de como este processo se daria e o que seria oferecido. Também defendem que Jerusalém deve ser a capital de Israel, sem considerar nenhuma possibilidade de separação da cidade sagrada.

O Partido mantém ainda uma firme defesa da manutenção dos territórios para onde houve expansão israelense, como os assentamentos e as colinas de Golan. Segundo notícia do Times of Israel, entende que estas são “parte inseparável do território de Israel”. Aliado de Gantz, Zvi Hauser, declarou ao mesmo veículo que a instalação de assentamentos não diminuiria no caso de sua ascensão como Primeiro-Ministro.

Na oposição, a mais tradicional agremiação política da esquerda israelense, o Partido Trabalhista (Haavoda), enfrenta o desafio de voltar ao poder após anos de sucessivas derrotas. Os trabalhistas apoiam-se na popularidade de sua liderança, Avi Gadday.

O plano de política externa e segurança apresentado por eles define que a solução seja apresentada como “um arranjo regional com palestinos e Estados árabes moderados, através do qual um Estado palestino desarmado será estabelecido por nosso lado”. Dentre as medidas propostas para alcançar este equilíbrio estão: interromper a construção de assentamentos, prover recursos para que os afetados pelos mesmo possam se realocar, evacuação de israelenses de assentamentos isolados e chegar a um acordo para estabelecer a divisão de Jerusalém. Ainda que esta proposta não abra mão da manutenção da cidade histórica enquanto capital de um Estado judeu.

O Haavoda também anunciou recentemente que não tem intenção de aliar-se ao Meretz, outra agremiação partidária expressiva da esquerda israelense para concorrer à esta eleição.

Hoje, a disputa pelo controle do Knesset parece estar bem consolidada entre dois grupos. De um lado, Gantz e sua aliança de centro apontam o quanto o projeto do Likud está preso em torno da imagem de Netanyahu, bem como defendem que este divide Israel, assumindo políticas inflexíveis e riscos desnecessários. A política expansionista, para grupos de centro e de esquerda, consistiria em um impedimento na busca de uma solução às questões da segurança de Israel.

A imagem de competência que a carreira militar de Benny aporta, sobretudo para lidar com as questões de segurança, e uma visão mais equilibrada que Netanyahu, quanto a questões regionais, apresentam-se como uma mudança bem-vinda. Existe a impressão entre alguns israelenses de que a condução do atual governo estaria colocando-os em risco, tanto que os recentes ataques com foguetes do Hamas em meio a um cessar fogo aumentaram esta apreensão e fazem as propostas centristas mais atrativas à população.

O Likud baseia-se no histórico de seus governos e no temor da população israelense da instabilidade que pode ameaçar Israel por meio de qualquer mudança. Ao longo dos últimos anos, o Partido vem flertando mais com a ultra-ortodoxia e abandonando os valores liberais que o tornaram famoso.

O general Benny Gantz, uma das lideranças da aliança Azul e Branco

O que acontecerá depois de fechadas as urnas ainda é uma incógnita. As lideranças devem apresentar ao Presidente de Israel, Reuven Rivlin, uma proposta de formação de alianças para governar o país. Caso Netanyahu e Gantz confirmem seu favoritismo, eles terão 6 semanas para compor uma nova maioria. Caso contrário, Rivlin poderá convocar outra eleição geral já em julho. Pode haver um impasse inédito, que levaria Israel a realizar duas eleições em um ano.

Ainda que a lista Azul e Branco deva obter a maior bancada no Knesset, o Likud provavelmente manterá uma força expressiva. Por fim, pode-se chegar à uma disputa onde uma maioria real não possa ser composta, uma vez que, se não contar com o apoio do Likud, Gantz pode necessitar de uma aliança com a centro-esquerda para ter pelo menos 61 votos.

Nesta posição, a negociação dos planos políticos será essencial. A dúvida que recai sobre a nova coalizão centrista é com qual lado buscaria diálogo por apoio. Tanto o Haavoda quando o Meretz têm demonstrado que apoiarão Gantz em uma possível aliança de governo. Entretanto, resta saber quanto a lista Azul e Branco está disposta a negociar politicamente com os grupos de esquerda.

Avaliando as políticas dos Partidos que tendem a ocupar maior espaço no Knesset, é notório que, para além da disputa pública, Azul e Branco e Likud encontram identidades em muitos pontos. Para além da disputa de cadeiras, o futuro pode trazer mais identidade de projetos do que aparenta o momento.

Este ponto é primordial ao futuro governo de Israel, uma vez que uma aliança entre o Azul e Branco e o Likud resultaria no fortalecimento esperado por Netanyahu de sua base política. Ainda não é possível prever quais seriam os resultados das negociações entre os dois Partidos, mas, sem dúvida, aprofundariam a política de ocupação de territórios e de segurança já instaurada pelo atual governo. Neste sentido, os analistas tendem a apontar que uma solução para a complexa relação de Israel com os Estados árabes e, sobretudo, a Palestina ficaria ainda mais longe no horizonte com esta configuração política.

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Notas:

* O Heshvan é o segundo mês do calendário hebreu moderno. Neste modelo, a duração do ano é determinada por um ciclo solar, enquanto os meses são determinados pela duração de um ciclo lunar completo, variando entre 29 e 30 dias de duração. Seu equivalente no calendário gregoriano costuma ocorrer entre Outubro e Novembro.

** Após eleito, o Presidente cumpre seu mandato de 5 anos, independente da realização de novas eleições no Parlamento. Sua remoção ocorre somente em caso de um voto de desconfiança tramitado no Knesset.

*** Em Israel, o serviço militar é compulsório no país, com exceção de árabes e judeus ortodoxos, todos devem cumprir um período nas Forças de Defesa. Para homens, o período corresponde a 2 anos e 8 meses, para as mulheres o período é de 2 anos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Israelenses votando em sessão eleitoral” (Fonte Página oficial do Knesset): https://main.knesset.gov.il/mk/publishingimages/elections_banner.gif

Imagem 2 Faixada do Knesset, em Tel Aviv” (Fonte Página oficial do Knesset): https://main.knesset.gov.il/SiteCollectionLanguagesImages/building/Knesset_Side.JPG

Imagem 3 Modelo de cédula para a votação na eleição parlamentar israelense” (Fonte Twitter do Knesset @KnessetIL): https://twitter.com/knessetil?lang=es

Imagem 4 Anúncio de campanha do atual Premier Israelense, Benjamin Netanyahu, para as eleições de 2009” (Fonte Wikipedia): https://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Netanyahu#/media/File:Netanyahu_campaign_poster.jpg

Imagem 5 O general Benny Gantz, uma das lideranças da aliança Azul e Branco” (Fonte Wikipedia): https://en.wikipedia.org/wiki/Benny_Gantz#/media/File:Flickr_-Israel_Defense_Forces-_20th_Chief_of_Staff,_Lt._Gen._Benny_Gantz.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Peru, Chile e a Guerra do Pisco

O Peru rechaçou com veemência a sugestão chilena de compartilharem a denominação de origem da bebida conhecida como Pisco. A recusa manifestada em março de 2019 veio em resposta a uma proposta de solução de disputa feita em final de fevereiro passado pelo Ministro da Agricultura do Chile ao seu par peruano.

O pisco é uma aguardente de uva produzida nos dois países. No Peru se faz com sete a oito quilos de uva por litro, enquanto o chileno usa cerca de um quilo por garrafa, o que explicaria, segundo os peruanos, a melhor qualidade e preço superior do produto do seu país.

Pisco do Peru

A versão peruana é produzida em cinco regiões, utilizando oito tipos de uvas. Recipientes de metal (aço, cobre) ou de plástico são usados, em lugar de barris de madeira que alterariam o sabor da bebida, que é produzida de modo artesanal até os dias de hoje. A destilação é feita somente uma vez, o que mantém o aroma e sabor mais encorpados e é proibido adicionar água, o que limita a criatividade, mas mantém a qualidade e consistência de um produto natural.

O Chile produz a bebida em apenas duas regiões, mas com quase o dobro (quinze) de castas de uvas. Armazenam em barris de carvalho ou não, pois o hábito é consumir logo após fabricada, em lugar de envelhecida. O processo chileno é realizado, via de regra, em modernas destilarias com uso de tecnologia que preserva o sabor e estilo ao longo do tempo. Destilam a bebida mais de uma vez,  o que retira impurezas, mas também reduz o sabor e o aroma, além de acentuar o teor alcoólico, um problema sanado com a adição de água.

Pisco do Chile

Os peruanos afirmam que a bebida foi inventada por eles no período pré-hispânico. Esclarecem que a palavra “pisco” significa “pássaro” no idioma Quéchua, utilizada pelos incas, e lembram que antes da bebida, na época colonial, já existiam um vale, um rio e uma cidade chamados Pisco. Os chilenos, por sua vez, alegam que a aguardente foi criada pela antiga civilização Aymara, na região do Vale do Elqui. Em 1936, o Presidente do Chile alterou o nome da região para Pisco Elqui, o que os peruanos entendem como uma tentativa dos rivais de validar a denominação de origem.

A confirmação da origem pela via histórica e geográfica torna-se ainda mais complexa porque ambos os países disputam fronteiras desde os anos 1500 e, em 1613, o Peru e o Chile eram partes de um mesmo território dominado pelos espanhóis e conhecido como Vice-Reino do Peru.

Um preparado bastante conhecido é o Pisco Sour, feito com 3 medidas do destilado, uma medida de limão, açúcar, clara de ovo e gelo picado. Desde 2003 os peruanos celebram, no primeiro sábado de fevereiro, o Dia do Pisco Sour, declarado patrimônio cultural. O mesmo decreto que instituiu o Dia determinou que o coquetel substitua o vinho e o espumante nas celebrações realizadas pelo Palácio do Governo, Ministérios e Embaixadas peruanas.

Mas, nem o Pisco Sour escapa da contenda, porque uma versão conta que um americano que emigrou para o Peru e teve um bar em Lima criou o drinque, como uma variação do Whisky Sour. A outra afirma que o aperitivo, que é ligeiramente diferente do rival, nasceu na cidade chilena de Iquique. Apenas o “Pisco Punch” não é motivo de disputa porque é reconhecido que foi inventado no século XIX num bar em San Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos.

A chamada “Guerra do Pisco” se arrasta há anos e tem episódios bastante curiosos. Em um concurso mundial de bebidas alcoólicas, cuja edição 2017 foi sediada no Chile, as destilarias peruanas somente poderiam competir na categoria “aguardente de uva”. Isto porque, de acordo com a lei chilena, o produto peruano tem que ter o nome “Pisco” retirado do rótulo para circular no país vizinho. O Governo do Peru então orientou seus produtores a se retirarem do concurso sob pena de sofrerem sanções, incluindo a possibilidade de perdas das licenças de uso do nome “Pisco” se aceitassem a categorização indicada. Os organizadores da competição sugeriram o uso de “Pisco do Peru” para solucionar o impasse, mas os peruanos decidiram não participar do certame, sob a alegação de estarem sendo tratados como produto de segunda classe. 

De acordo com a Associação de Exportadores (ADEX) do Peru, as exportações do Pisco em 2018 atingiram mais de 9,5 bilhões de dólares (aproximadamente, 35,97 bilhões de reais, conforme a cotação de 22 de março de 2019), sendo que 70% é a soma dos volumes destinados ao seu concorrente Chile (44%) e Estados unidos (26%). A recusa à proposta chilena de compartilhamento da denominação de origem foi objeto de editorial do periódico El Peruano, republicado no website da Adex, e, a julgar pelo tom enfático da manifestação dos peruanos, a “Guerra do Pisco” está longe de terminar. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pisco Sour” (Fonte): https://de.wikipedia.org/wiki/Pisco_(Getr%C3%A4nk)#/media/File:PiscoSour.JPG

Imagem 2 Pisco do Peru” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco_peru.jpg

Imagem 3 Pisco do Chile” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco-bottles-Chile.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Posição japonesa no relatório The Soft Power 30

O Japão foi classificado na quinta posição de soft power pelo relatório The Soft Power 30 Report, atrás somente do Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos. O país asiático vem subindo paulatinamente de posição a cada ano, avançando do 8ª lugar em 2015 para o atual 5º, o único a realizar tal feito. É também o único país asiático no top 10, e destaca-se pela alta posição apesar da barreira linguística. Em 2017, a 5ª posição era ocupada pelo Canadá.

A publicação, de criação e autoria de Jonathan McClory, em conjunto com o Centro de Diplomacia Pública da University of Southern California, com a consultoria Portland e demais colaboradores, realiza um ranking referente à eficácia do soft power mundial. Soft power, termo consagrado por Joseph Nye nos anos 1980, designa o poder de atração de Estados, uma forma não coercitiva de exercer o poder. Portanto, é uma estratégia de influenciar os demais atores indiretamente, de modo conciliador, adquirindo a capacidade de assumir o controle sobre outros países, moldando suas preferências, recorrendo ao fator ideológico por meio da persuasão e sedução, ou até mesmo o oposto, induzindo seus aliados a desprezarem algo que, na verdade, é a vontade do país que se utiliza desse recurso*, ou seja, ele objetiva exatamente que o outro dê pouca atenção a algo. Dessa forma, “um país é capaz de alcançar seus resultados desejados no mundo da política porque outros países querem imitá-lo ou concordam com um sistema que produza tais efeitos”**. Nye categoriza este “poder brando” em três categorias: valores políticos, cultura e política externa, nos quais o relatório se baseia, subcategorizando-os em 6 índices e utilizando 75 métodos de medições.

Os índices são: digital, que são os aspectos da infraestrutura e diplomacia digital; enterprise,  referente à atração do modelo econômico do país e capacidade de inovação; education, abrangendo atração de estudantes estrangeiros, nível do capital humano e oferta de bolsas de estudo; culture, medindo o alcance e atratividade cultural, incluindo tanto o aspecto pop quanto alta-cultura; engagement, que avalia o poder da rede diplomática pelo mundo e sua contribuição para o desenvolvimento e engajamento global; e, finalmente, government, que abrange questões como direitos humanos, democracia e qualidade das instituições governamentais.

Culinária japonesa

Esse bloco corresponde a 70% da pontuação, os 30% restantes são referentes a pesquisas de opinião, englobando tópicos como culinária, produtos tecnológicos, cortesia, política externa, qualidade de vida e produtos de luxo. A pontuação total do Japão é de 76,22, sendo as subcategorias relacionadas à educação, cultura e governo as melhores pontuadas.

Fatores que podem ser atribuídos ao sucesso japonês são a estabilidade política e econômica, além da alta qualidade e eficiência da infraestrutura, de produtos e inovações do país. Sua participação na política internacional é igualmente um ponto a não ser desconsiderado, uma vez que o Japão tem investido mais na promoção cultural e diplomática, tendo a 5ª maior rede diplomática do mundo.

O governo de Shinzo Abe, o Primeiro-Ministro japonês há mais tempo no cargo, tem aproveitado sua posição para se colocar mais atuante nos fóruns internacionais, assumindo liderança a favor do multilateralismo com a saída dos Estados Unidos do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica, e dedicando-se a um papel relevante e maior na articulação na Parceria Econômica Regional Abrangente.

Ademais, o Japão é um grande contribuidor de recursos, sendo o 2º maior contribuinte das Nações Unidas. A Agência de Cooperação Internacional do Japão, a JICA, está presente atuando em 546 projetos de cooperação técnica em 88 países/regiões, concedendo empréstimos e assistência financeira a mais de 50 países, além de trabalhar em 16 assistências em situações de desastres.

Olimpíada de Tóquio

Eventos globais como a Cúpula do G20 e a Copa do Mundo de Rugby – primeira vez realizada na Ásia, com previsão de incrementar a economia com aproximadamente U$3,5 bilhões –, ambos em 2019, e os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, fazem parte do calendário do país como anfitrião. A aposta nesses eventos pode impulsionar ainda mais o turismo, que, em 2018, bateu o recorde de 31 milhões de turistas estrangeiros, um aumento de 8,7% em relação ao ano de 2017. Esse resultado vem de um crescimento consecutivo há sete anos, e a expectativa para a Olimpíada de Tóquio é de receber 44 milhões de visitantes. Entretanto, a situação de locais famosos como Quioto, que recebe 50 milhões de turistas anualmente, tanto estrangeiros quanto japoneses, já mostra o embate entre interesses econômicos e manutenção da qualidade de vida dos habitantes, já existem reclamações de excesso de pessoas e “poluição turística”.

Os centros culturais promovem o ensino da língua japonesa e de costumes e tradições, como ikebana (arranjos florais), origami (dobradura de papel), taiko (dança com tambores), shamisen (instrumento de cordas), oficinas gastronômicas, divulgam a cultura pop como animes e mangás, e estão presentes em cerca de 30 países. Programas de treinamento de professores estrangeiros de japonês chegam a abranger cerca de 100 nacionalidades. J-pop, músicas pop japonesas, e ícones como Hello Kitty e Pokemón, e empresas como Toyota, Nintendo e Sony, também são grandes símbolos que fortalecem a imagem e marca do país.

Kumamon na divulgação do trem-bala

A criação de símbolos e marcas japoneses é tão importante que o personagem Kumamon, mascote da província de Kumamoto, criado para a divulgação de um trem-bala em 2011, alcançou o primeiro lugar de conhecimento e favoritismo entre 90 personagens japoneses, virando produtos alimentícios, brinquedos, entre outros.

Por outro lado, a imagem japonesa tem suas imperfeições: quanto aos aspectos mais reprovados estão a desigualdade de gênero, a baixa liberdade de imprensa e as tensões com a China e Coréia do Sul. Segundo o Relatório, a melhora das relações com esses dois países favoreceria ainda mais a reputação japonesa.

O alto investimento em soft power pode estar relacionado às limitações concernentes ao hard power, como o militarismo. Entretanto, Shinzo Abe tem dedicado esforços para alterar a visão dessa área, buscando a modificação da Constituição quanto ao emprego das Forças de Autodefesa do Japão e adquirindo mais equipamentos de Defesa. Tal foco pode reduzir o fortalecimento do poder brando em um momento em que o Japão estará mais atraindo os olhos globais. Ainda assim, a avaliação de soft power da Monocle*** o classifica na 3ª posição, mostrando que a permanência no Top 5 é pertinente.

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Fontes das Imagens:

* NYE, J. S. Soft Power: the means to success in world politics.1ª edição. Nova Iorque: Public Affairs, 2004.P. 01; -5-07.

** NYE, J. S. Cooperação e conflito nas relações internacionais. São Paulo: Gente, 2009. P. 76.

*** Vídeo“Monocle Soft Power Survey 2018/2019”: https://monocle.com/film/affairs/soft-power-survey-2018-19/

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Templo Fushimi Inaritaisha” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fushimi_Inari-taisha

Imagem 2 Culinária japonesa” (Fonte): https://ja.wikipedia.org/wiki/%E5%AF%BF%E5%8F%B8#/media/File:Hamachi_(Yellowtail),Jalapeno,_Cilantro,_Garlic_Powder_Hon_Maguro(Bluefin_Tuna-Sake(Salmon)Ebi(Tiger_Shrimp)Masago(Smelt_Roe)_(26094247038).jpg

Imagem 3Olimpíada de Tóquio” (Fonte): https://thinkmarketingmagazine.com/japanese-prime-minister-shinzo-abe-leads-tokyo-2020-first-promo/

Imagem 4 Kumamon na divulgação do trembala” (Fonte): https://ko.wikipedia.org/wiki/%EA%B5%AC%EB%A7%88%EB%AA%AC

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

EUA e Rússia à beira de uma nova corrida armamentista

O mundo assiste novamente à escalada de tensões entre EUA e Rússia por conta da decisão do Governo norte-americano de se retirar do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês*). Esse Acordo previa a eliminação e a proibição do desenvolvimento e implantação de mísseis balísticos e de cruzeiro, sejam eles nucleares ou não, em que o alcance estaria entre 500 e 5.500 quilômetros. O INF foi firmado ainda na época da Guerra Fria pelos antigos líderes Ronald Reagan – dos EUA – e Mikhail Gorbachev – da extinta União Soviética, em 1987. Desde então, o Tratado foi responsável pelo desmantelamento de mais de 2.500 mísseis e manteve aqueles com ponta nuclear longe do continente europeu.

Em outubro do ano passado (2018), a Administração Trump surpreendeu os seus aliados e a própria Rússia ao anunciar que iria se retirar do INF, visto que haveria provas de que os russos não estariam cumprindo o Tratado. Por cinco anos, os EUA exigiram transparência acerca de um míssil que supostamente violaria as regras do Acordo e não obtiveram retorno. Ressalta-se, no entanto, que no governo Obama não ocorreu uma ameaça definitiva quanto à saída do Acordo, apesar de ter ocorrido pressão para que informações desse míssil russo fossem divulgadas.

O Secretário Geral da União Soviética, Mikhail Gorbachev, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, assinam o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário na Casa Branca, em 1987

Após o anúncio em outubro passado (2018), aliados dos EUA, em especial a Alemanha de Angela Merkel, destacaram a relevância do Acordo. Eles pediram para que o Governo norte-americano reconsiderasse sua decisão e que primeiro tentasse resolver a situação pela diplomacia. Foi determinado um prazo de 2 meses para que delegações americanas e russas tentassem resolver a situação através do diálogo em ambientes de negociação internacional.

O combinado ocorreu, mas não trouxe os resultados esperados. Em um encontro em Genebra entre as duas partes em janeiro deste ano (2019), os russos ofereceram a possibilidade da realização de uma inspeção por especialistas americanos ao suposto míssil que estaria infringindo os regulamentos do INF. Entretanto, os representantes do Governo dos EUA não aceitaram a proposta da inspeção, taxando-a como insuficiente e exigiram a destruição do sistema do míssil conhecido como 9M729. A Subsecretária de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional dos EUA, Andrea Thompson, afirmou que “ver o míssil não confirmaria a distância que ele pode viajar e, no final do dia, isso é uma violação do tratado”. Por outro lado, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou os EUA de serem intransigentes e destacou que “os representantes americanos chegaram com uma posição baseada em um ultimato e centrada em uma demanda de destruição daquele foguete, seus lançadores e tudo relacionado ao seu equipamento sob a supervisão dos EUA”.

Estoques de armas nucleares dos Estados Unidos e da União Soviética/Rússia no período da Guerra Fria e após esse conflito ideológico

Visto que a via diplomática não surtiu os efeitos desejados, o governo Trump anunciou efetivamente a retirada do país do Tratado. A partir de fevereiro (2019), os EUA começaram a suspender suas obrigações ditadas pelo INF e em 6 meses, portanto, em agosto (2019), sairão por completo do Acordo. Conforme declarou Mike Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, a situação só se reverteria se a Rússia honrasse com sua parte. Entretanto, o Governo russo segue afirmando que suas ações seguem os trâmites estabelecidos pelo INF.

O Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, destacou que a saída dos EUA permitiria que houvesse a implantação de armas nucleares de curto e médio alcance em territórios da OTAN na Europa. Segundo Putin, “isso é uma ameaça muito séria para nós e, neste caso, seremos obrigados a tomar medidas drásticas nas mesmas proporções”. O líder continuou seu discurso afirmando que “há problemas, os EUA criam cada vez mais esses problemas, mas também existem mecanismos e ferramentas para trabalharmos juntos nesses problemas. Espero que eles sejam usados para prevenir novas crises no mundo como a Crise do Caribe**. Não há razão para que exista uma outra crise dessas”.

Ainda conforme Putin, a Rússia, então, seria obrigada a colocar sistemas de mísseis que podem ser usados tanto contra territórios de onde a ameaça direta está vindo como também contra territórios onde centros de decisão estão localizados, ou seja, os locais da onde vêm as ordens para o disparo dessas armas. Em conjunto com a Rússia, o Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, destacou: “nós precisaremos pensar em meio de retaliação. Se acontecer, não há como fugir. E será pior se esses mísseis americanos forem colocados (Deus nos livre, hipoteticamente) no território da Ucrânia”.

Em vista desse cenário, a escalada de tensões é evidente. Segundo um legislador russo, Peter Tolstoy, a decisão dos EUA de retirar-se do INF coloca a segurança dos países europeus em risco. Muitos especialistas apontam que uma nova era de corrida armamentista está para começar. Essas mesmas autoridades apontam que os EUA se retiraram do Tratado não só por acreditar que a Rússia o está violando, mas também por não estar equiparando seu arsenal ao da China, país que não está incluído no INF. Dessa forma, os EUA têm a intenção de desenvolver novas armas e talvez instalá-las em suas bases pela Europa. Mas, assim como os americanos, a Rússia também está se preparando para o novo cenário. Putin, no dia 22 de fevereiro, declarou que novas armas estão sendo desenvolvidas e que esses tipos de armamentos são diferentes de tudo o que há pelo mundo.

A OTAN está em alerta. Toda a Europa está em alerta. Muitas autoridades estão avisando que uma era de tensões envolvendo potências nucleares está para recomeçar. Cabe aos EUA e à Rússia continuarem tentando por vias diplomáticas a manter o INF e outros Acordos de armas nucleares. Afinal, são os dois países que detêm o maior arsenal de armas nucleares do mundo: os EUA possuem 6.550 armamentos nucleares, ao passo que a Rússia tem 6.800. Analistas apontam que os números hoje já são grandes, têm capacidade de destruição inimaginável e uma nova corrida armamentista resultaria em muitas incertezas e inseguranças.

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Notas:

* Tratado INF do inglês: Intermediate-Range Nuclear Forces.

** A Crise do Caribe mencionada por Vladimir Putin em seu discurso refere-se à Crise dos Mísseis em Cuba em 1962. Ela foi causada pela implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba. Foi o auge da Guerra Fria, quando, por 13 dias, o mundo assistiu aflito à possibilidade real de o escalonamento das tensões entre EUA e União Soviética (URSS) resultar numa guerra nuclear. Em razão da diplomacia, foi acordado que em troca da retirada dos mísseis da URSS de Cuba, os EUA garantiriam que nunca invadiriam a ilha do Caribe e que retirariam os seus mísseis da Turquia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Teste nuclear realizado em 18 de abril de 1953, nos Estados Unidos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/79/Operation_Upshot-Knothole_-Badger_001.jpg/800px-Operation_Upshot-Knothole-_Badger_001.jpg

Imagem 2O Secretário Geral da União Soviética, Mikhail Gorbachev, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, assinam o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário na Casa Branca, em 1987” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg/300px-Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg

Imagem 3Estoques de armas nucleares dos Estados Unidos e da União Soviética/Rússia no período da Guerra Fria e após esse conflito ideológico” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bb/US_and_USSR_nuclear_stockpiles.svg/1024px-US_and_USSR_nuclear_stockpiles.svg.png

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

O desenvolvimentismo renasce na África Subsaariana

Enquanto conceito classicamente associado às nações latino-americanas da segunda metade do século XX, o “desenvolvimentismo” pode ser compreendido como um entendimento geográfico e temporalmente mais amplo, à medida que na contemporaneidade parte dos Estados de nações subdesenvolvidas assentam-se sobre as mesmas dimensões clássicas do conceito: nacionalismo, positivismo, industrialismo e intervencionismo.

Na África Subsaariana, a onda “neodesenvolvimentista” reluze em alguns países, cuja ação estatal faz ressaltar as quatro dimensões supracitadas, permitindo a caracterização dos fenômenos socioeconômicos e políticos como processos equivalentes, em boa medida, a outros episódios históricos de caráter desenvolvimentista. Neste artigo, portanto, será feita uma breve análise sobre as duas nações africanas cujo momentum cristaliza um modelo atualizado de uma arraigada gestão política planejada das forças sociais, configurando um processo o qual denominar-se-á neste texto como expansão “autoritária das fronteiras do capital”.

Nas tramas da Angola reformista. Desde a sua eleição como Presidente, culminada após uma inesperada transição de José Eduardo dos Santos como Chefe de Estado depois de quatro décadas, João Lourenço e sua equipe econômica têm conduzido uma verdadeira reforma nas bases de funcionamento da economia nacional. Recorrentemente, em entrevistas à imprensa, Lourenço assemelha a sua gestão com a fase reformista do Governo chinês das últimas duas décadas do século XX – período no qual a China converteu-se em uma das potências mundiais a partir de mudanças sistêmicas em seus regimes tributários, fiscais, monetários e em sua infraestrutura física.

Em Angola, a superação de um exaurido modelo de crescimento econômico pautado na exploração e exportação de hidrocarbonetos tem ocorrido através de uma ampliação contínua nos incentivos ao capital estrangeiro. Refém dos baixos preços ultimamente praticados no mercado internacional, argumenta-se que este país sofre com a escassez de recursos que permitiriam a diversificação das cadeias de valor nacionais – sendo a industrialização o principal caminho para este intento. A Sonangol, empresa nacional de petróleo e principal corporação, uma vez envolvida em recorrentes casos de corrupção e nepotismo, tem sido constantemente enxugada pelo novo Presidente, a fim de reduzir os gastos públicos e abrir espaço a investimentos externos.

Em outra esfera, dado o endividamento público com a queda sistemática das receitas auferidas a partir da exportação de petróleo, Angola segue à risca o padrão consolidado em diversas nações do Sul Global, contraindo dívidas em moeda estrangeira e aumentando a participação de credores externos como os agentes controladores dos títulos públicos. Somente no ano passado (2018), mais de 1 bilhão de dólares foi emitido sob a forma de títulos da dívida estatal, configurando-se como o ano recorde em toda a série histórica do país. Com efeito, as desonerações fiscais concedidas a Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), somada à desvinculação da participação obrigatória do capital nacional em empreendimentos estrangeiros, abrem espaço ao protagonismo externo sobre a economia angolana.

Em contrapartida, se por um lado a resolução do endividamento público tem encontrado espaço na extensão de benefícios ao capital externo, do outro o Estado amplia suas frentes de controle sob as consagradas rendas auferidas com a exploração de commodities. Novas resoluções governamentais apontam a futuros investimentos no setor petrolífero, à medida que as cotações gradativamente voltam a crescer nas bolsas internacionais. O que em termos ambientais pode ser um desastre à sociedade civil local e global, em termos econômicos representa uma importante frente de arrecadação que Lourenço e sua equipe não descartarão.

Enquanto setor prioritário ao Governo Angolano, diamantes têm ocupado o cerne de uma nova política de exploração de commodities, que suscita, em contrapartida, um intenso processo migratório

Socialmente, o controle sobre as rendas com produtos primários também representa uma ameaça humanitária. Com vistas a pôr fim ao garimpo ilegal de diamantes, de tal modo a posicionar ao Estado o monopólio da arrecadação com esta commodity, o Governo angolano pressionou coercitivamente para cerrar as minas existentes na parcela norte do país, expulsando, através do uso da força policial, mais de 200 mil congoleses de volta à República Democrática do Congo (RDC). O episódio recebeu intensas críticas por parte de organizações internacionais dos direitos humanos, não somente pela violência física do processo de fechamento das minas, como também pela situação de vulnerabilidade dos expulsados, tendo em vista que a RDC se encontra em delicada situação social e política.

Embora analistas questionem até que ponto os incentivos à internacionalização econômica servirá de fato ao interesse público no desenvolvimento socioeconômico do país, Lourenço e sua equipe seguem crentes na validade da política adotada. Com uma recessão estimada entre 1,7% e 2,4% para 2018, agências esperam uma taxa positiva para a economia neste ano, apontando um valor que ronda a taxa de 1,2% ao ano. Resta saber, no entanto, por quanto tempo o crescimento econômico manter-se-á positivo e em qual momento será o ponto de inflexão para a economia angolana, de tal forma que suas taxas voltem a patamares expressivos e capazes de resolver os principais entraves à mitigação da pobreza.

Etiópia: um tigre africano em convulsão. Formuladores de políticas públicas e autoridades da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE) celebram o fim dos dias em que a Etiópia simbolizava mundialmente um país acossado pela fome e pela miséria. Diametralmente oposta a essa situação, a conjuntura socioeconômica contemporânea deste país aponta a um cenário de taxas expressivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), abertura das fronteiras comerciais e execução de obras de infraestrutura de grande escala. Acima de tudo, o “tigre africano” reluze como símbolo da modernidade almejada na única terra não colonizada do continente.

Similarmente a outras nações subsaarianas, a Etiópia tem recebido volumosos IEDs em praticamente todo o território nacional. Parte desta quantia flui aos campos etíopes, com o intuito de consolidar largas monoculturas de grãos. Não à toa, o país cresce ano a ano no ranking das nações exportadoras de bens primários: estima-se, segundo dados do Land Matrix, que desde 2007 aproximadamente 4 milhões de hectares neste país foram adquiridos por compradores internacionais. A abertura dos portos, em Djibuti, e a resolução da crise diplomática histórica com a Eritreia – ambos com acesso ao mar – propicia um cenário profícuo ao escoamento das commodities produzidas interior adentro.

Sem embargo, em um processo de reduzida transparência pública, o Estado etíope tem atuado ativamente no mercado de terras, colaborando de forma decisiva para a oferta de largas porções a preços relativamente reduzidos. Em processos análogos aos fechamentos dos campos na Inglaterra pré-Revolução Industrial, o Governo tem adquirido propriedades a partir de indenizações, entendidas por alguns analistas como subestimadas, estimulando com isso um intenso processo de êxodo rural.

A migração rumo às cidades, por sua vez, não somente é causada pela aquisição de vastas porções de terras produtivas e de sua conversão em monoculturas, mas também pela construção – liderada pelo Estado – de parques industriais. Tais estruturas alimentam, por um lado, a gradativa conversão da Etiópia, de uma nação essencialmente agrária, em um país exportador de bens manufaturados de baixo valor agregado, tais como os produtos têxteis. Do outro lado, os novos modelos de uso da terra estimulam uma intensa liberação populacional aos centros urbanos: estima-se que cerca de mil e duzentos camponeses chegam diariamente a capital Addis Ababa. Dessa maneira, o crescimento ilimitado da oferta de mão de obra, somado à institucionalizada política etíope de contenção dos salários reais, constitui um cenário propício ao capital externo ingressante, apoiado sob o prisma da exploração do trabalho.

Abiy Ahmed foi o primeiro Oromo eleito como Chefe de Governo na Etiópia. Seu grande desafio é adaptar o afã desenvolvimentista do FDRPE às reivindicações civis

Neste sentido, outro alicerce à viabilização econômico-financeira dos IEDs no país são as obras de infraestrutura, que ampliam os canais de escoamento e reduzem os custos logísticos. Tais obras, não obstante e de maneira similar à decisão angolana de reiterar a produção de hidrocarbonetos, tem ocasionado prejuízos socioambientais irreparáveis, à medida que os impactos plausíveis aparentam não ser estimados apropriadamente – ou mesmo não considerados de facto na tomada de decisão. As barragens das usinas hidrelétricas Grand Renassaince e GIB III tem alterado significativamente o nível do Nilo e do Lago Turkana, respectivamente, pondo em risco as atividades agrícolas e a sustentabilidade de uma série de comunidades que dependem destes recursos hídricos.

Com efeito, abruptas alterações em modos tradicionais de vida social e econômica tem levado a profundas convulsões entre grupos étnicos e o Governo etíope. As manifestações civis lideradas pelas populações Oromo e Amhara nos últimos três anos, uma vez combatidas de maneira intensa pelas forças policiais, tem levado a uma série de mortes em todo país. Entretanto, seus efeitos políticos têm sido amplamente visíveis – em especial, na renúncia do antigo Primeiro-Ministro, Hailemariam Desalegn, e na posse do primeiro Oromo como Chefe de Governo, Abiy Ahmed – e refreiam, em alguma medida, o avanço impetuoso da onda desenvolvimentista.

Desenvolvimentismo e interesse público. Enquanto modelo de desenvolvimento social e econômico, o desenvolvimentismo também está envolvido em problematizações, em especial no que diz respeito aos prejuízos gerados por seu modelo, donde prevalece as decisões tomadas entre a elite burocrática assentada no poder deliberativo. Em verdade, parte da crítica relevante a este modelo reside justamente no caráter autoritário de suas medidas – fato que constrange a consecução do interesse público legítimo e verdadeiro –, bem como na desigualdade da distribuição de renda gerada por suas políticas públicas e planejamento econômico.

Neste sentido, a atual conjuntura etíope e angolana aponta a um acompanhamento próximo de seu processo desenvolvimentista, em especial sobre o prisma da balança “ganhos versus perdas”. Emerge assim, a questão de como saber qual será a verdadeira consequência das reformas e medidas adotadas até então em mitigar a pobreza e em gerar a justiça social. Em contrapartida, também surge a necessidade saber quais serão as transformações irreparáveis que estes processos causarão. Estas duas questões, acima de tudo, convidam a futuras análises atentas e responsáveis ao neodesenvolvimentismo em ascensão nestas nações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Neodesenvolvimentismo surge como movimento sociopolítico de planejamento da economia, porém de sustentabilidade social, econômica e ambiental questionada” (Fonte): https://myventurepad.com/how-to-use-financial-market-fund-homes-business/

Imagem 2 Enquanto setor prioritário ao Governo Angolano, diamantes têm ocupado o cerne de uma nova política de exploração de commodities, que suscita, em contrapartida, um intenso processo migratório” (Fonte): https://angorussia.com/noticias/em-angola-negocio-de-diamantes-deixa-de-ter-clientes-privilegiados/

Imagem 3 Abiy Ahmed foi o primeiro Oromo eleito como Chefe de Governo na Etiópia. Seu grande desafio é adaptar o afã desenvolvimentista do FDRPE às reivindicações civis” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Abiy_Ahmed

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

2020: o cenário eleitoral dos EUA

A eleição presidencial em 2020 nos Estados Unidos pode ser considerada como uma conjuntura longeva, porém, a movimentação social em torno do futuro pleito, o acirramento da oposição democrata na Casa dos Representantes, após o bom resultado nas eleições de meio de mandato (Midterm, como é conhecido nos EUA), inspirou uma série de postulantes ao cargo máximo a anunciar intenção em se tornar o próximo ou a próxima Presidente dos EUA pelo Partido Democrata. Esse panorama aparentemente favorável ao Partido Democrata surgiu, segundo recente pesquisa do PEW Research, da condução do país pelo presidente Donald J. Trump.

Em charge, Trump se mostra preocupado com as mudanças na Casa dos Representantes, agora de maioria democrata

De acordo com a pesquisa, no segundo aniversário da posse do atual Mandatário, as opiniões públicas sobre o desempenho, bem como sua ética, honestidade e condução na administração pública são decididamente negativas.

O Presidente inicia seu terceiro ano com um índice de aprovação de 37%, e 59% o desaprovam. Dos cinco Presidentes anteriores, apenas Ronald Reagan tinha índice de aprovação tão baixo nesse mesmo estágio do mandato, com 54%.

Em contrapartida, mais americanos interpretam que as políticas econômicas adotadas pela atual administração tornaram as condições melhores (40%), do que piores (28%), enquanto 29% disseram que não tiveram muito efeito.

Ao adotar uma comparação com a administração de Barack Obama, nas mesmas condições da atual pesquisa, em janeiro de 2011, portanto, no terceiro ano de seu primeiro mandato, a opinião pública expressou visões mistas do impacto de suas políticas econômicas, com aproximadamente 31% dizendo que pioraram, contra 28% dizendo que resultaram em melhores condições.

Outros dois aspectos muito específicos de sua administração também foram analisados. No que tange à questão de tornar pública sua declaração de impostos, como no passado, a maioria, ou seja, 64%, dizem que Trump tem a responsabilidade de publicar sua declaração de impostos, e apenas 32% entendem que ele não tem responsabilidade de fazer tal movimento. Quase todos os democratas, ou 91%, e 32% dos republicanos afirmam que o presidente estadunidense deveria liberar suas declarações de impostos.

Em relação à investigação promovida pelo Procurador Especial, Robert Muller, sobre a influência da Rússia nas eleições de 2016, bem como o papel do Presidente na trama, conhecido como Russiagate, a confiança do público na investigação se mostra estável. A maioria, ou 55%, continua confiante no trabalho do Procurador e classificam como um trabalho justo.

Outra pesquisa de relevância sobre o desempenho de Donald Trump feita pelo site Real Clear Polítics reforça o aprofundamento da posição negativa do mandatário estadunidense, os 42,2% que aprovam seu governo, contra 54,4% que não aprovam, criaram as bases para o Partido Democrata já iniciar seu processo de escolha do futuro candidato a ocupar a Casa Branca.

No destacado hall dos presidenciáveis do partido opositor se destacada a Senadora por Massachussets, Elisabeth Warren, de 69 anos e membro da ala esquerda do partido. A Senadora se tornou a primeira democrata a declarar sua pré-candidatura para as eleições de 2020.

Elisabeth Warren com Hillary Clinton em Manchester, New Hampshire, 2016

Em seu vídeo de anúncio, além de apresentar suas credenciais, destaca: “Hoje, a corrupção está envenenando nossa democracia… Os políticos olham para o outro lado, enquanto as companhias de seguro negam aos pacientes a cobertura que salva vidas, enquanto os grandes bancos arrancam os consumidores, enquanto as grandes companhias petrolíferas destroem este planeta”.

Outro nome de alcance nacional a anunciar sua pré-candidatura é a congressista do Havaí, Tulsi Gabbard, de 37 anos. O anúncio ocorreu no último dia 12 de janeiro, no programa da CNN, “Van Jones Show”. Julián Castro, ex-prefeito de San Antonio, e Secretário de Habitação e desenvolvimento Urbano na administração Obama, também anunciou oficialmente, em 12 de janeiro, durante uma manifestação em San Antonio, Texas, que estará concorrendo a Presidência.

Kirsten Gilliard em evento em prol dos militares estadunidenses

A também Senadora, Kirsten Gillibrand, do Estado de Nova Iorque, foi a próxima figura importante do Partido a anunciar sua candidatura durante uma entrevista ao programa “The Late Show with Stephen Colbert”. A senadora Gilliard, de 52 anos, ao longo da entrevista sinalizou para a classe média, bem como para o rotineiro problema do sistema de saúde estadunidense. Ela disse: “Como jovem mãe, eu vou lutar pelos filhos de outras pessoas tão duro quanto vou lutar por mim mesma, e é por isso que acredito que a saúde deve ser um direito e não um privilégio”.

Kamala Harris como procuradora-geral anunciando em 2011 a prisão de líderes da Nuestra Familia

Kamala Harris, Senadora pelo estado da Califórnia é mais uma mulher que anunciou sua pré-candidatura, em 21 de janeiro, no dia de Martin Luther King Jr., durante uma entrevista ao programa “Good Morning America” da ABC. A Senadora californiana, de 54 anos, é ex-Procuradora-Geral do Estado e figura ascendente no Partido Democrata. No curso da entrevista sinalizou para a luta dos direitos civis, o que deve nortear sua campanha e atrair o voto das minorias.

Corey Booker, Senador por Nova Jersey, anunciou pelo twitter sua pré-candidatura democrata e se tornou o segundo afro-americano a disputar preliminarmente a Presidência. O Senador ficou conhecido nacionalmente como Prefeito de Newark, Nova Jersey. Aos 49 anos, é graduado na Escola de Direito de Yale e, segundo especialistas, nunca fez segredo de suas ambições de chegar à Casa Branca. Ainda segundo os mesmos especialistas, já dispõe de estrutura de campanha em alguns Estados importantes.

Corey Booker em evento de campanha para Barack Obama, em 2007

Booker se destacou pelo trabalho bipartidário, no fim de 2018, para aprovar um pacote de reforma da justiça criminal que reduziu as penas federais mínimas obrigatórias e trabalhou em conjunto com o senador Tim Scott, Republicano da Carolina do Sul. Ambos ainda discorrem sobre a criação de “Zonas de Oportunidades”, uma forma de isenção de impostos em bairros de baixa renda, tal como a Lei de Corte de Impostos de 2017.

Booker e a Senadora Kamala Harris (Califórnia) são co-patrocinadores do projeto Medicare for all do também presidenciável Bernie Sanders, que tem como objetivo eliminar o seguro de saúde privado. O Senador pelo Estado de Vermont, Bernie Sanders, a que anunciou sua entrada na disputa das primárias, é considerado por especialistas como um dos grandes nomes do Partido.

O Senador tem a seu favor um programa de governo conhecido e bastante difundido, tais como a generalização da cobertura de saúde, a educação gratuita nas universidades públicas, a reforma do sistema penal, a reforma da política de imigração, bem como programas de proteção ao emprego e melhoria do salário mínimo.

O ex-Vice-Presidente na administração de Barack Obama, Joe Biden, apesar de ainda não ter oficializado sua participação nas primárias democratas, deu a indicação mais forte sobre ser “a pessoa mais qualificada do país” para o trabalho.

O anúncio de Biden é de grande interesse para eleitores democratas e quase todos os principais doadores de campanha, pois, segundo analistas políticos em Washington, há maior interesse no ex-Vice-Presidente por ser um candidato que teria maiores condições de derrotar o atual Presidente.

No entanto, o ceticismo de Biden sobre a nomeação vai ao encontro da empolgação encontrada na sociedade com o número elevado de mulheres e afrodescendentes que devem concorrer, nichos da sociedade com o qual Biden não goza de muita empatia, e muitos consideram mais uma polarização a ser administrada em um país já dividido.

Antes do pleito Republicano Vs. Democrata em 2020, os oposicionistas terão que definir dentre os inúmeros pré-candidatos nas primárias. Contudo, a futura eleição, independentemente do resultado, poderá consolidar mudanças profundas na formulação social estadunidense, pois, tem sido observado por analistas e disseminado na mídia que a diversidade racial, étnica e sexual de candidatos em disputa aos cargos eleitorais não é um fato episódico e veio para ficar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira dos Estados Unidos” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/[email protected]/46405725741/in/photolist-2dGHtvF-2enVB5S-a6issP-2dmtx8b-2eswvjD-2bQmoSx-26ZiKBV-2cY7eev-Vq8LNg-8MTAPn-je9vRm-SjppUN-8vUxVv-QBhE1p-2enVDHN-2dpAWSo-SjprFU-5JBP6T-8vUy5H-QGdbHH-NrzHqZ-5J1woo-2enVLHQ-2dmtyfb-2cieRGk-UGD7yw-dDWYHB-YbPsoH-StcsuA-dDWXHr-2bZouEa-dDWBhc-dE35tN-dE2ZQA-dDWDH8-2bQiJVP-2buGjGn-2cr1mj9-dE3oYW-2cMTxcF-NWRikc-Vr5Esz-2bBd2iP-dE34V7-PkSmfd-FJG7Ji-R57RWJ-dE34Bw-dE2Zx5-2d8NxUE

Imagem 2Em charge, Trump se mostra preocupado com as mudanças na Casa dos Representantes, agora de maioria democrata” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/throughtheeyesofgeek/32440474285/in/photolist-Pi3cRm-JrH1mn-RqDUNa-27KnX9q-Mi6Z9Y-Hh7dm3-2aXYi6f-2dxteVB-WfcQif-2diPPeN

Imagem 3Elisabeth Warren com Hillary Clinton em Manchester, New Hampshire, 2016” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Warren#/media/File:Elizabeth_Warren_Manchester_NH_October_2016.jpg

Imagem 4Kirsten Gilliard em evento em prol dos militares estadunidenses” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/emilyslist/5515993816/in/photolist-9pqUME-9pnTae-9pqUHC-6ohQx4-6ohQxz-8Pbry2-8Pexnb-8PexK5-TH9qZx-8Pexru-8Pbron-8PbrD6-8PexDY-8qaufu-9pnTba-23GBTsn-6c5v9u-2cVcXLx-2dd32NC-2eem66Y-23TtvsF-9H7nQB-bfRrb8-fg8icW-bXbMvm-9u4Vkh-9R16Vf-8r1btp-dxjH19-9R18QG-6RvS78-9nC2eh-5XXEYy-5XXEXQ-8q7kdT-peG2Zi-eR43Cp-cq8QKE-5UzJBc-eS575f-QxMuLV-2cVdQR8-2dcZENW-23GxzvD-SaTyYh-eG5mrS-SmMEQJ-eFYxP2-2ej1m6M-aRWxyD

Imagem 5Kamala Harris como procuradorageral anunciando em 2011 a prisão de líderes da Nuestra Familia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Kamala_Harris#/media/File:101_Gang_Members_Arrested_in_Central_Valley_04.jpg

Imagem 6Corey Booker em evento de campanha para Barack Obama, em 2007” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Cory_Booker#/media/File:Booker1.jpg