AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

SMARTCITY I, a diferença entre serviços básicos e processos inteligentes

O termo Smartcity ou “Cidade Inteligente” se popularizou nos últimos anos sendo utilizado em diversos artigos, projetos e discursos. Porém, existem muitas dúvidas em relação ao significado do termo e problemas em sua aplicação nos projetos atuais, sejam estes públicos ou privados.

Cidade Inteligente. Fonte: Wikipedia

Uma cidade inteligente é um espaço no qual se desenvolvem dinâmicas que visam gerar a melhoria na qualidade de vida de seus cidadãos, fazendo um melhor uso de seus recursos, aplicando novas soluções para resolver os problemas que enfrentam a sociedade e criando novas ferramentas e estruturas para desenvolver um espaço inteligente que molde a realidade de um determinado local.

Embora essa definição possa ser ampla e abranja diversos processos, já que a mesma se adapta a realidade do espaço urbano, existem projetos que não deveriam ser caracterizados como um projeto de Smartcity, ou que talvez deveriam ser contemplados como um passo prévio ao projeto de Smartcity.

Um empreendimento, como por exemplo um condomínio nas aforas da cidade, não pode ser considerado outra coisa que um espaço urbanizado ou um bairro planejado, pois, para que o mesmo seja considerado uma Smartcity, este deveria integrar a realidade da região. Por mais serviços que possa oferecer, a existência desses espaços gera apenas polos isolados e não um processo inteligente integrante da realidade de uma cidade. São uma versão evoluída dos condomínios que existem no Brasil, onde, no lado de dentro, a qualidade de vida pode ser muito elevada, mas contrasta com a realidade externa, pois o mesmo não se integra a ela. Dessa forma, não é inteligente, mas um potencial gerador de desigualdades ou uma nova “ilha” desenvolvida, incapaz de transformar seu entorno.

Estrutura da Cidade Inteligente. Fonte: Wikipedia

Outro processo que muitos confundem com projetos de Smartcity são os projetos de serviços públicos básicos. Oferecer saneamento e iluminação para uma localidade não necessariamente transforma a cidade em uma Smartcity, caso não exista um processo inteligente por detrás dessa intervenção, capaz de desenvolver uma nova dinâmica social, produtiva ou econômica que integre o espaço urbano e prepare o mesmo para uma nova realidade global, pois, caso contrário, é uma simples intervenção que, mesmo promovendo o desenvolvimento, já deveria ter sido feita com anterioridade, de modo que uma Smartcity não é um empreendimento isolado, não é a prestação de serviços públicos, mas a geração de processos inteligentes dentro do espaço urbano que integram a sociedade, o sistema produtivo e o sistema de gestão, fomentando uma nova realidade.

Por esse motivo, existem pilares nos quais se fundamentam as Smartcities. Os principais são:

–               Inovação

–               Meio Ambiente e Sustentabilidade

–               E-government e Participação Social

–               Tecnologia e Telecomunicações

–               Empreendedorismo e Educação

–               Mobilidade e Transporte

–               Segurança

–               Economia Criativa e Circular

–               Novas Energias

–               Tratamento de Resíduos e Reciclagem

É certo que cada cidade, devido a sua própria evolução, apresentará setores mais desenvolvidos que outros, além de outras possibilidades, mas, em termos gerais, estas são as áreas nas quais se desenvolvem os projetos de Cidades Inteligentes e nas quais devem se envolver tanto a gestão pública como a privada e a sociedade, de modo que não sejam projetos isolados, mas dinâmicas capazes de integrar o espaço urbano.

Cidade Inteligente Nansha. Fonte: Wikipedia

Cidades como Barcelona ou Singapura são exemplos mundiais de Smartcity (ressaltando-se que Singapura é uma Cidade-Estado constituída por 63 ilhas), já que ambas fomentaram a criação de um espaço urbano inteligente, o que se reflete nos índices de desenvolvimento das mesmas. No mundo, em outras cidades também existem projetos de Smartcity, sejam elas grandes capitais ou pequenas cidades, mas não como uma intervenção isolada e sim como um gerador de mudanças para toda a cidade.

No Brasil, algumas capitais já possuem os seus projetos do gênero, tais como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife, embora as desigualdades sociais, os problemas de gestão e a deficiência de infraestrutura dificultem a realização desses projetos, pois, ao final, só podemos falar de um processo inteligente quando o mesmo for uma realidade para toda a cidade e não para um pequeno grupo.

Essas cidades – como muitas outras no Brasil – ainda possuem deficiências histórias e o desafio de equilibrar as intervenções que a cidade precisa com a geração de processos inteligentes capazes não somente de abranger essas intervenções, como também, a partir das mesmas, promover a criação de um espaço inteligente, caso contrário será somente a concessão de um serviço básico, revestida como projeto de Smartcity e não será uma inovação para a cidade e sim o seu desenvolvimento para um patamar aceitável em comparação com as cidades já desenvolvidas dos países mais ricos

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O que faz uma Smartcity Smart” (Fonte):

https://www.linkedin.com/pulse/smart-city-heading-towards-better-future-harikrishna-patel

Imagem 2 Estrutura da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/IoT-Enabled_Smart_City_Framework_White_Paper_Image_2.png

Imagem 3 Gráfico da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/Smart_City_Graph.jpg (Copiar e colar no navegador)

Imagem 4 Cidade Inteligente Nansha” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Smart_City_Nansha.jpg/1280px-Smart_City_Nansha.jpg

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

EUA celebra acordo de exportação de carne bovina para a China

No último dia 11 de maio, os Estados Unidos da América (EUA) e a República Popular da China anunciaram os resultados iniciais do “Plano de Ação de 100 Dias”, acordado no início de abril deste ano (2017). Os líderes dos dois países estabeleceram acertos comerciais que envolvem alguns pontos centrais de disputas entre EUA-China, os quais envolvem setores de serviços financeiros, energia e comércio agropecuário. O acordo visa reduzir o déficit comercial dos norte-americanos com os chineses, que no ano passado (2016) foi de aproximadamente 350 bilhões de dólares. Ademais, o mercado chinês é o principal destino das exportações de produtos agrícolas dos Estados Unidos, que em, 2016, totalizaram cerca de US $ 21,412 bilhões, e vem crescendo 1.100% desde 2000.

No início de abril, Xi Jinping, Presidente da China, reuniu-se na Flórida com Donald Trump, Presidente estadunidense, quando definiram pautas a serem estipuladas dentro de 100 dias. Os dois Presidentes destacaram na ocasião a importância da relação bilateral entre as duas maiores economias do planeta. Naquele momento, Trump atenuou as severas críticas feitas à China durante sua campanha presidencial, quando acusava o Governo chinês de adotar políticas comercias injustas, além de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para beneficiar as exportações do seu país. Apesar das críticas, o Governo Trump afirmou mais recentemente a possibilidade de usar questões de disputas comercias com a China como espécie de moeda de troca, caso o Governo chinês se disponha a cooperar na ameaça representada pela Coreia do Norte.

Nesse aspecto, contudo, Zhu Guangyao, Vice-Ministro das Finanças chinês, segundo a BBC, ressalvou que as questões econômicas não deveriam ser politizadas, e que sua equipe se concentrou apenas na relação comercial e econômica. Ademais, assim como os Estados Unidos, a China também busca ampliar seu acesso ao mercado. Nesse âmbito, analistas argumentam que tanto os Bancos quanto o segmento de aves chinesas, que sofre uma série de restrições à importação, deverão ser beneficiados pelo acordo.

Fonte: Brahman Baby – Wikipedia

Alguns analistas assinalam, entretanto, que essa flexibilização para a importação de aves chinesas visa uma reciprocidade quanto à carne bovina estadunidense. De acordo com o comunicado da administração Trump, o acerto prevê que Pequim autorizará até 16 de julho as importações de carne bovina, data que marca o centésimo dia das negociações. Desde 2003, a China suspendeu a compra de carne bovina oriunda dos EUA, em virtude da descoberta de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “mal da vaca louca”. A doença foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985. A EEB provoca a degeneração do sistema nervoso central, que provoca a morte dos animais. A ingestão de alimentos ou derivados contaminados pode resultar na perda da coordenação motora, demência e morte.

O primeiro caso de EEB nos Estados Unidos foi registrado no Estado de Washington (Oeste do país) há 13 anos. Na ocasião, Japão e Coreia do Sul, que consistiam nos dois maiores mercados consumidores de carne bovina estadunidense suspenderam a importação. A medida foi seguida por outros países como Tailândia, Malásia, Austrália, Rússia, África do Sul, China entre outros. O episódio provocou a queda nas exportações norte-americanas em todo mundo, que passaram de US$ 3 bilhões, em 2003, para 1,1 bilhão de dólares, no ano seguinte.

Assim, há anos existe uma forte pressão do setor dentro dos EUA para o restabelecimento do comércio de carne bovina com a China. No ano passado (2016), o Governo chinês chegou a levantar a proibição de importação da carne de procedência norte-americana, entretanto o intercâmbio comercial foi baixo. Em pronunciamento à imprensa, Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos Estados Unidos, conforme destacou The Guardian, a relação EUA-China está alcançando um novo patamar, particularmente no que tange ao comércio. Para Ker Gibb, presidente da Câmara Americana de Comércio de Xangai, as medidas representam um bom começo, mas não um avanço, segundo ressaltou a Reuters. No mesmo sentido, Christopher Balding, professor de finanças da Universidade de Pequim, também segundo The Guardian, destacou que, embora não seja um grande anúncio, ele também não é irrelevante. Balding pontua ainda que é difícil precisar se as relações entre os dois países estão em outro patamar, haja vista o comportamento inconstante do Presidente estadunidense.

Fonte: Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina – Wikipedia

Assim como ocorreu com os Estados Unidos, em 2012 o Brasil teve suspensa a importação de carne bovina pela China, em virtude de casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina. Naquele ano, as exportações brasileiras para o mercado chinês totalizaram cerca de US$ 37,7 milhões. Em 2014, o Brasil aceitou receber uma missão técnica chinesa que iria reavaliar as condições da carne brasileira. No ano seguinte, os dois países assinaram um acordo sanitário que viabilizaria a retomada da importação de carne bovina brasileira.

Neste ano (2017), após a Operação Carne Fraca, que apontou a fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, a China havia anunciado a restrição temporária da importação de carne, mas, no dia 25 de março, o Governo chinês anunciou a reabertura dos mercados à carne brasileira. Segundo Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC), conforme o Notícias Agrícolas, a perspectiva é de que o Brasil aumente suas exportações de carne bovina que no ano passado foi de 300 mil toneladas, isso porque outros fornecedores como, por exemplo, Austrália e Estados Unidos, não serão capazes de atender a evolução do mercado chinês.

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Fontes Imagens:

Imagem 1Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Brahman Baby(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bovinos#/media/File:Brahman_Baby.jpg

Imagem 3 Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Encefalopat%C3%ADa_espongiforme_bovina

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

[:pt] Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para…

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AGÊNCIA DE COOPERAÇÃO BILATERALANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

[:pt]Financiamento e subvenções internacionais[:]

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A União Europeia, o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, o Banco Mundial, o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos – EXIMBANK, o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, entre outras instituições, atuam como vetores do desenvolvimento através de subvenções e financiamentos especiais focados na cooperação internacional e na realização de projetos bilaterais ou multilaterais.

Apesar da grande oportunidade que a existência dessas linhas de financiamento e subvenções supõe para empresas e instituições, são poucas as que detêm o know how necessário para participar dos processos licitatórios ou das convocações realizadas, já que cada órgão possui seu próprio processo e metodologia, além de suas próprias exigências, e faltam profissionais com experiência na área de gestão de projetos e relações internacionais capazes de inserir as empresas dentro desses editais.  

Para as empresas e instituições brasileiras, o financiamento internacional, ou a obtenção de subvenções, são uma forma de viabilizar projetos de inovação, investigação e desenvolvimento, assim como forma de estabelecer parcerias internacionais e transferência de recursos, sejam estes humanos, tecnológicos, financeiros ou materiais.  Embora exista uma enorme oferta de projetos de cooperação internacional, a adesão das empresas ainda é limitada, já que poucas possuem acesso a esse tipo de informação, ou a assessoria necessária para participar dos mesmos. Grande parte das empresas que participam são multinacionais que já têm algum tipo de experiência nessa fonte de recursos, ou são estatais apoiadas em políticas de desenvolvimento do próprio Estado, havendo uma baixa participação de pequenas e média empresas.

Para se ter uma visão dos recursos disponíveis, podemos citar a União Europeia, que possui um orçamento de mais de 66 bilhões de Euros destinados à cooperação Internacional e ao desenvolvimento regional, havendo diversas formas de participar dos processos promovidos pelo DEVCO (Departamento de Desenvolvimento e Cooperação), ou pelo FPI (Instrumentos de Política Exterior) da União Europeia.  A Europa oferece duas possibilidades: a subvenção de projetos e o financiamento de projetos.  Não havendo limites em relação ao porte da empresa.

Outras instituições também possuem fundos de cooperação internacional e subvenções específicas para setores como tecnologia, educação, meio ambiente, desenvolvimento humano, novas energias, pequenas e médias empresas, empreendedorismo, dentre vários, sendo uma alternativa importante aos elevados juros do mercado interno e à limitação de recursos, devido à instabilidade econômica e crise que enfrenta o país.  Por esse motivo, é de vital importância que as instituições públicas e privadas do Brasil sejam conscientes dessa possiblidade.

Muitas empresas e órgãos brasileiros que desejam ter acesso a esses recursos acabam contratando escritórios de advocacia ou assessorias para que lhes ajudem a participar das convocações e editais, porém nem todos possuem o conhecimento necessário para atuar na área de cooperação internacional, já que existem diferenças nos contratos realizados na área de cooperação internacional, em comparação com o setor internacional privado, dentre outros fatores.

As políticas de cooperação econômica são orientadas pelos acordos existentes entre países, blocos ou organizações internacionais, sendo seu principal objetivo promover uma relação de Win-to-Win (Ganha-Ganha) entre os participantes, diferentemente de projetos da iniciativa privada. A cooperação econômica atua como ferramenta política e social com o objetivo de cumprir as convenções internacionais, além da estratégia dos atores internacionais, ampliando áreas fundamentais e promovendo maior integração.

Havendo essa possibilidade, é importante para as empresas do Brasil participar de forma mais ativa das redes internacionais de cooperação e negócios, dos congressos e palestras internacionais, do intercâmbio de profissionais e estagiários de outros países, das ações e projetos internacionais, sendo esta uma forma não somente de obter recursos, mas competitividade, algo que, sem dúvidas, tanto o mercado quanto a produção do Brasil agradecerão.

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Imagem 1 Instituições de Fomento Internacional” (Fonte):

https://oretornodaasia.files.wordpress.com/2014/10/sem-tc3adtulo1.png

Imagem 2 Cooperação construindo o mundo” (Fonte):

https://media.licdn.com/mpr/mpr/AAEAAQAAAAAAAAP3AAAAJDYwMzgwOGRlLWMxZjktNDViZC04MTM0LTZhMDFlZjA3Y2NiNQ.jpg

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ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]COMUNICADO CEIRI NEWSPAPER DE “1o DE MAIO” [:]

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Caros Leitores do CEIRI NEWSPAPER

Informamos que devido ao feriado do “Dia do Trabalho”, segunda-feira, dia 1o de Maio, haverá recesso, não sendo publicadas Notas Analíticas, nem Análise de Conjuntura. Voltaremos às atividades no dia 2, terça-feira, com as respectivas Notas Analíticas e Análise de Conjuntura, se houver, agendadas para esta data, e com as demais postagens para o resto da semana.

Como é nosso padrão, ao longo do dia 1o de Maio de 2017 manteremos as consultas e, caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso, assim o faremos, postando Notas Analíticas Extras sobre os acontecimentos, e/ou Análises de Conjuntura Extras.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Jornal, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Antecipadamente, desejamos a todos uma feliz Dia do Trabalho

Cordialmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Em prisões israelenses, mais de 1.500 prisioneiros palestinos fazem greve de fome[:]

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Em um dos maiores protestos nos últimos anos, mais de 1.500 prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses iniciaram uma greve de fome no último 16 de abril, domingo retrasado. Os prisioneiros demandam melhores condições de vida e de encarceramento, maior contato com parentes, melhor acesso a tratamento médico e o fim da prática de detenção sem julgamento, informa o Independent. As greves ocorrem de forma concomitante em oito prisões israelenses e foram iniciadas após a publicação de um op-ed no New York Times sobre as razões para a greve de fome nas prisões em Israel. O texto foi publicado pelo líder e parlamentar palestino Marwan Barghouti, atualmente preso no país, condenando o sistema como ilegal por negligência médica, detenções arbitrárias em massa e maus-tratos a prisioneiros palestinos, ao que caracterizou como “tratamento desumano e degradante”.

Tendo passado os últimos 15 anos em uma prisão, Barghouti afirma que depois de esgotar todas as outras opções para obtenção de concessões, decidiu que não havia escolha senão resistir aos abusos, entrando em greve de fome ao lado de outros milhares de palestinos no dia 16 de abril, que marca o Dia do Prisioneiro na Palestina. Barghouti, líder sênior do Fatah, foi condenado em 2004 por liderar a segunda intifada, por cinco acusações de assassinato e por pertencimento a uma organização terrorista. Em retaliação a ação, oficiais prisionais israelense moveram Marwan Barghouti da prisão de Hadarim para a prisão de Kishon, perto de Haifa, e o confinaram à prisão solitária. O porta-voz do serviço prisional israelense, Assaf Librati, afirmou ao Times of Israel que “o serviço prisional começou a tomar medidas disciplinares contra os grevistas e, adicionalmente, diversos prisioneiros foram transferidos para alas separadas”, e continuou: “deve-se enfatizar que o (serviço prisional) não negocia com prisioneiros”.

Barghouti escreve, pulicado pelo The New York Times, que “décadas de experiência provaram que o desumano sistema de ocupação colonial e militar de Israel visa romper o espírito dos prisioneiros e da nação a que pertencem, infligindo sofrimento sobre seus corpos, separando-os de suas famílias e comunidades e fazendo uso de medidas humilhantes para compelir a subjugação”. E que “Israel, a potência ocupante, violou o direito internacional de várias maneiras por quase 70 anos, e ainda tem sido concedida impunidade para suas ações. Foram cometidas violações graves das Convenções de Genebra contra o povo palestino; os prisioneiros, incluindo homens, mulheres e crianças, não são exceção”. Barghouti ainda condenou Israel de ter estabelecido “um duplo regime jurídico, uma forma de apartheid judicial, que concede impunidade virtual aos israelenses que cometeram crimes contra palestinos, ao mesmo tempo em que criminaliza a presença e resistência palestinas. Os tribunais de Israel são uma farsa de justiça, claramente instrumentos de ocupação colonial e militar.

Conforme esclarece o portal G1, estão detidos em Israel, atualmente, 6.500 palestinos, incluindo 62 mulheres e 300 menores de idade. Quase 500 deles se encontram sob regime extrajudicial de detenção administrativa, o que permite uma prisão sem processo ou acusação. Adicionalmente, 13 deputados palestinos, de diferentes partidos políticos estão presos, informa. O Independent reportou que a controversa política de “detenção administrativa” de Israel registra um grande número de palestinos mantidos sem acusação nas prisões, frequentemente suspeitos de ligações com o grupo militante Hamas. Israel negou que os prisioneiros palestinos sejam maltratados e o ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, afirmou que o protesto liderado por Barghouti foi “impulsionado pela política interna palestina e, portanto, inclui exigências irracionais”. Erdan disse à rádio do Exército que “eles são terroristas e assassinos encarcerados que estão recebendo o que merecem e não temos nenhuma razão para negociar com eles”, reportou o Arutz Sheva

Riyad Mansour, embaixador palestino nas Nações Unidas, chamou as manifestações de “expressão pacífica de oposição à ocupação”, enquanto o serviço prisional israelense declarou em comunicado que as greves de fome e os protestos eram atividades ilegais que enfrentariam uma “penalização resoluta”. Em apoio ao movimento, manifestantes marcharam em várias cidades importantes da Cisjordânia, como Belém, Hebron e Ramallah, assim como em Gaza. O Democracy Now reporta que os manifestantes foram atacados por forças de segurança israelenses.

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Imagem 1Retrato de Marouane Barghouti pintado no muro de separação no checkpoint de Kalandia entre Jerusalém e Ramallah” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marwan_Barghouti_painting.jpg

Imagem 2Marwan Barghouti, político e líder militante palestino” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marwan_Barghouti.jpg

Imagem 3Bandeira do serviço prisional de Israel (Sherut Batei HaSohar ou Shabas), agência estatal responsável por supervisionar as prisões no país” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Israel_Prison_Service#/media/File:Flag_of_Israel_Prison_Service.svg

Imagem 4Dr. Riyad H. Mansour, Embaixador e Observador Permanente da Palestina na Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 e, desde 29 de novembro de 2012, embaixador e Observador Permanente ao Estado da Palestina na Organização das Nações Unidas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Riyad_Mansour_2014.jpg

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ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]COMUNICADO CEIRI NEWSPAPER DE TIRADENTES [:]

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Caros Leitores do CEIRI NEWSPAPER

Informamos que devido ao feriado nacional de Tiradentes, sexta-feira, dia 21 de abril, haverá recesso, não sendo publicadas Notas Analíticas, nem Análise de Conjuntura. Voltaremos às atividades no dia 24, segunda-feira, com as respectivas Notas Analíticas e Análise de Conjuntura, se houver, agendadas para esta data, e com as demais postagens para o resto da semana.

Como é nosso padrão, ao longo do dia 21 de abril de 2017 manteremos as consultas e, caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso, assim o faremos, postando Notas Analíticas Extras sobre os acontecimentos, e/ou Análises de Conjuntura Extras.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Jornal, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Antecipadamente, desejamos a todos uma excelente Páscoa.

Fraternalmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER

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