ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

XII Conferência da CPLP e a pauta sobre mobilidade

Realizada na Ilha de Sal (Cabo Verde), nos dias 17 e 18 de julho de 2018, a XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi pautada pelo lema “As Pessoas. A Cultura. Os Oceanos”.

Os diálogos centraram-se principalmente no aprofundamento dos processos de cooperação destas temáticas, tais como o desenvolvimento de governança e preservação oceânica; e o incentivo ao diálogo cultural e linguístico. A mobilidade de pessoas no espaço da Organização é um tópico que foi amplamente debatido nos anos anteriores e, durante a XII edição da Conferência, houve deliberações acerca do tema e foi feita a redação da Declaração sobre Pessoas e Mobilidade.

No que tange as discussões sobre a mobilidade de pessoas, Cabo Verde, que assumiu na Conferência a presidência pró-tempore da Organização (para o biênio 2018-2020), havia expressado a intenção de promover avanços. Segundo a perspectiva do Presidente cabo-verdiano Jorge Carlos Fonseca, este processo é fundamental para que a Comunidade se aproxime dos cidadãos.

Complementarmente, João Lourenço, Chefe de Estado de Angola, declarou que a efetivação da livre circulação de pessoas deve ser conduzida com urgência. Tal posicionamento se deve à necessidade de ampliar as formas de interação dentro da CPLP, não apenas pautando-a nos fatores linguísticos e culturais. Da mesma maneira, a mobilidade contribuiria, segundo Lourenço, para que os cidadãos dos Estados membros possam ter acesso as vantagens de pertencer a Comunidade.

O homólogo de Moçambique, Filipe Nyusi, evidenciou que ocorreram avanços nessa área, sobretudo nas suspensões de algumas categorias de passaporte, porém, a livre circulação deve ser igual a todos os cidadãos da Comunidade. A título de exemplo, Angola rescindiu os vistos ordinários com Cabo Verde e Moçambique e facilitou a aquisição de vistos para pessoas nativas dos países membros da CPLP. São Tomé e Príncipe, por sua vez, isentou a necessidade de visto aos cidadãos da Comunidade em um período de 15 dias.

Segundo o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, a proposta elaborada por Portugal e Cabo Verde sobre o regime de mobilidade diz respeito aos vistos para residência. No caso dos vistos temporários, como membro da União Europeia, Portugal utiliza das determinações da mesma, que exige salvo-conduto nessa categoria de viagem. 

Logo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

A respeito dos vistos de residência, o Ministro esclarece que este corresponde a autorizações de longa duração e plausíveis de renovação, sendo voltados a pessoas que possuem o interesse de residir, trabalhar ou estudar em um país. No âmbito da CPLP, tal autorização seria automática entre os cidadãos provenientes de algum dos Estados membros.

Pode-se observar que o projeto de mobilidade possui grande relevância para a Comunidade de países lusófonos, uma vez que os Estados apresentam concordância no que tange à necessidade de efetivação desta proposta. Dada a complexidade em que as relações entre os países vem se encaminhando contemporaneamente, compreende-se a busca por aprofundar os laços já estabelecidos e a utilização da vantagem estratégica presente no compartilhamento da mesma língua para atingir o desenvolvimento.  

Todavia, a recepção de cidadãos para residência exigiria a reestruturação de outros setores internamente e no âmbito da Organização, tais como a harmonização dos direitos sociais e a compatibilização das normas de exercício profissional. Neste sentido, caberá a presidência de Cabo Verde conduzir os diálogos para que seja atingida a plena circulação de pessoas. Também se pode observar que, em virtude das demandas que este projeto possui, Angola, que sucederá a Cabo Verde na Presidência da Comunidade, possuirá um papel determinante na continuidade da implantação da mobilidade.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e dos Estados membros” (Fonte):

https://news.un.org/pt/sites/news.un.org.pt/files/styles/un_news_full_width/public/thumbnails/image/2015/12/Cplp.jpg?itok=evhwG7Ih

Imagem 2 Presidente de Angola, João Lourenço” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/78/Joao_Lourenco_May_2017.jpg/460px-Joao_Lourenco_May_2017.jpg

Imagem 3 Logo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/88/Flag_CPLP.gif

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Candidato presidencial Alckmin propõe reestruturação interna para fortalecer as Relações Internacionais do Brasil

O ex-governador do Estado de São Paulo e atual candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), participou do evento “Presidenciáveis 20018, Seu País, Sua Decisão”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) em parceria com o Brazil-US Business Council, na última terça-feira (24), na cidade de São Paulo. O evento contou com a presença de jornalistas, empresários brasileiros e estadunidenses, além de outros convidados pela entidade, para conhecer as propostas do presidenciável.

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

O futuro do automóvel na América Latina

Ainda que não se possa determinar de antemão, com absoluta certeza, qual será o futuro do automóvel na América Latina, pode-se fazer projeções de cenário a partir de estudos e observação da realidade. E, segundo as tendências dominantes, o veículo terá motor de matriz elétrica, possivelmente será autônomo, compartilhado ou coletivo, e com bastante tecnologia digital incorporada.

Em se tratando de conjecturas, é natural não haver unanimidade e, para enriquecer a análise, pode-se trazer a opinião de José Goldemberg, Professor Emérito da Universidade de São Paulo (USP) e Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 16/10/2017, Goldemberg acha “pouco provável” que o transporte coletivo substitua o individual; imagina que a produção de veículos autônomos é mais “um esforço de marketing” do que de solução e acredita que “vai ser difícil mudar” a matriz energética, porque “na grande maioria dos países, combustíveis fósseis são usados para produzir eletricidade”. Ele argumenta ainda que os automóveis elétricos não são poluentes, mas lembra que usinas que produzem eletricidade para estes emitem gases nocivos ao meio ambiente.

A empresa de consultoria KPMG divulgou em janeiro de 2018 os resultados da sua pesquisa Global Automotive Executive Survey 2018 (GAES 2018) . Foram ouvidos mais de 2.100 consumidores de 42 nações e cerca de 900 executivos do setor automobilístico de 43 países sobre tendências de produtos e serviços da área. Os respondentes foram agrupados em 8 regiões do globo sendo que a América do Sul, representada por Argentina, Brasil, Colômbia e Equador, correspondeu a 9% do total de executivos e 10% dos consumidores.

Para este artigo, foram realizadas consultas especificas  na plataforma interativa do painel de pesquisa da KPMG com filtro apenas para os países latino-americanos que integraram o estudo (Argentina, Brasil, Colômbia, Equador e México). No tocante às tendências mais fortes até 2025, foram consultados os executivos e 65% deles acreditam que a conectividade e digitalização dos veículos é a nº 1; carros com motor elétrico movido a célula de combustível (hidrogênio) é indicada como a nº 2, por 64%; veículos de motor elétrico com bateria  aparece em 5º lugar, com 49% de votos favoráveis; e os híbridos (combustível e eletricidade) aparecem em 7º, com 47%. Por sua vez, os consumidores foram inquiridos sobre o motor (combustível) preferido na hipótese de adquirir um veículo nos próximos 5 anos e 49% escolheram motores híbridos, 23% preferiram os de bateria elétrica e apenas 20% o motor a combustão. As respostas dos dois grupos indicam uma forte prevalência do uso da eletricidade sobre os combustíveis fósseis num horizonte de 5 a 20 anos.

Ainda quanto às tendências apontadas pelos homens de negócio, os serviços de mobilidade (Cabify, Uber e afins, como a Didi da China, que também é a dona da 99 no Brasil) associados ao compartilhamento de autos aparecem na 4ª posição, com 55% de indicações, e veículos autônomos  figuram na 6ª colocação, com um percentual de 47%. Ambas as tendências apresentam acentuada curva ascendente ao longo das pesquisas anuais, desde 2014.

Para os clientes indagados se deixariam de possuir automóveis em troca do uso de serviços de mobilidade/compartilhamento, um total de 52% respondeu que concorda, ou totalmente (19%), ou parcialmente (33%). Numa outra questão, um percentual de 48% respondeu que concorda, ou totalmente (17%), ou ao menos parcialmente (31%), que, até 2025, mais da metade dos donos de veículo que conhecem pessoalmente não mais desejarão possuir um carro. Aqui se observa que a adesão a serviços de transporte individual e coletivo, em detrimento da posse de veículo próprio e individual, deve se firmar ao longo tempo quanto mais essa oferta tiver quantidade, qualidade e preço justo.

Cápsula do Hyperlopp

Os carros serão mais usados para distâncias curtas nas áreas urbanas. Para as distâncias interurbanas médias uma das soluções será o HyperLoop, da HyperLoop Transportation Technologies (HTT), que poderá ocupar o lugar de automóveis, ônibus, trens e aviões. É uma espécie de cápsula que se desloca em tubo de baixa pressão podendo superar os 1.200 km/hora, mais que o triplo da velocidade do trem-bala. Na pesquisa GAES 2018, 72% dos executivos concorda totalmente (34%) ou parcialmente (38%) que este tipo de transporte substituirá o transporte público daqui a dez anos. Desde 2016 a HTT tem prospectado oportunidade de negócios em regiões de alta densidade populacional e carentes de infraestrutura, e planeja duas rotas na América Latina: Cidade do México-Guadalajara (no México) e Buenos Aires-Córdoba (na Argentina). A empresa já visitou Chile, México, Venezuela e Brasil, onde inaugurou, em abril de 2018, seu primeiro centro global de inovação logística, em Contagem (MG).

Para as grandes distâncias interpaíses e intercontinentais, os latino-americanos podem depositar suas esperanças nos projetos de aviões mais silenciosos e mais velozes que o lendário supersônico Concorde, os quais estão sendo desenvolvidos por empresas como a Spike Aerospace, a agência espacial americana NASA e a Boom Supersonic, que promete testes  ainda  em 2018. Está comprovado que a substituição dos motores de combustão por baterias elétricas nas aeronaves permite redução de ruído, maior eficiência em maiores altitudes, o que pode reduzir os preços de passagens, e a indústria aeronáutica aposta na evolução da tecnologia de armazenamento de energia  para que aviões elétricos estejam disponíveis para uso comercial a partir de 2030.

Interior do carro autônomo conceito Nissan IMx Kuro

Um estudo encomendado pela Nissan América Latina escutou, em fevereiro de 2018, 5.700 pessoas em cinco países da região – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru – para perceber o grau de receptividade a novas tecnologias de mobilidade e revelou dados interessantes, tais como: 80% das pessoas estariam interessadas em adquirir um carro elétrico e 88% acreditam que eles podem ajudar a reduzir a poluição; 69% usariam veículos autônomos e 63% consideram que eles são o futuro da indústria automotiva. Em março de 2018, um dia depois de o Presidente da Ford da América do Sul afirmar, em entrevista à revista Exame, que os carros elétricos demorariam a chegar ao Brasil, a Nissan anunciou que iria comercializar o seu veículo mundial 100% elétrico em oito mercados da América Latina, inclusive o Brasil.

Ambos os estudos demonstram que tanto a clientela quanto a indústria estão cientes dos desafios para a concepção de futuro desejada, tais como o barateamento dos custos dos carros elétricos e a criação de infraestrutura de alimentação dos motores. Compreendem que o processo é gradual e que a coexistência dos motores atuais com os novos ocorrerá por algum tempo, não obstante os dirigentes previram uma redução do uso dos atuais motores de 90% em 2020 para cerca de 30% em 2040. Sobretudo, prevalece o otimismo porque os percentuais, que se referem a entrevistados latino-americanos que apostaram em motor elétrico movido a hidrogênio, conectividade/digitalização, serviços de mobilidade/compartilhamento e veículos autônomos foram superiores às médias mundiais para estas mesmas tendências. O adeus aos carros de motor a explosão, anunciado para 2050 por um economista de Harvard, é bem possível que chegue dez anos antes, mesmo na América Latina.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Veículo elétrico Jaguar I Pace” (Fonte):

https://jaguar.ssl.cdn.sdlmedia.com/636543982835150167BG.jpg?v=3#desktop_1366x769

Imagem 2 Cápsula do Hyperlopp” (Fonte):

http://www.hyperloop.global/assets/images/how-it-works/capsule.jpg

Imagem 3 Interior do carro autônomo conceito Nissan IMx Kuro” (Fonte):

http://nissannews.com/pt/nissan/brasil/photos/nissan-imx-kuro-concept-7?query=Kuro

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Governo venezuelano recebe mais pressão externa e fica mais isolado

Após ter anunciado o aumento salarial dos integrantes das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e feito a promoção de mais de 17.000 militares, o mandatário da Venezuela, Nicolás Maduro, aproveitou o anúncio realizado recentemente de que o presidente norte-americano Donald Trump havia levantado a hipótese de uma invasão de seu país para usar este fato como forte motivador da união das instituições militares venezuelanas, e também como a comprovação de que é real o risco de invasão que ele constantemente afirma. Isso ainda lhe serviu adequadamente para justificar tanto as ações que vem realizando em relação aos militares venezuelanos, como a pressão contra a Oposição, já que assegurou que a proposta de Trump se deu logo após uma visita de opositores de seu país à Casa Branca, e aproveitou também para ressaltar o constante argumento de que o objetivo dos EUA é apoderar-se do petróleo da Venezuela.

Maduro declarou: “A Venezuela tem o direito de resolver seus problemas com seus métodos. A intervenção estrangeira de qualquer país nunca será uma solução. (…). É necessário ver a visão supremacista e criminosa daqueles que governam os Estados Unidos quando reivindicam o massacre de Granada e o massacre do Panamá que ainda dói como uma ferida aberta no corpo espiritual da América Latina e do Caribe. (…). Ainda na campanha da mídia e na guerra psicológica diária, há pessoas que repetem e há pessoas que acreditam que é uma mentira que o império dos EUA ataca, ameaça e bloqueia a Venezuela. (…). Nossas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas não podem baixar nossa guarda por um segundo porque defenderemos o maior direito que o país tem em toda a sua história, o maior direito que nosso povo tem de viver em paz, com dignidade, com nossa própria identidade[1] (Tradução Livre). A reboque dessas considerações, e reforçando o combate aos opositores, Diosdado Cabello, Presidente da Assembleia Constituinte, anunciou que haverá investigação por “traição à patria contra os venezuelanos que “pedem uma intervenção militar”.

45º Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Conforme consta, a questão foi levantada pelo Presidente dos EUA em agosto de 2017, quando se reuniu com seus assessores, dentre eles o então secretário de Estado, Rex Tillerson, e o ex-assessor de segurança nacional da Casa Branca, H.R. McMaster, no momento em que estudavam as sanções possíveis contra o governo venezuelano, em resposta à implantação da Assembleia Constituinte que acabava de ser implantado no país. A proposta havia sido rejeitada, pois, assim como os assessores do Presidente estadunidense, os líderes da região “…não queriam ver uma invasão americana”.

A ideia de intervenção já tinha sido levantada em outras ocasiões, tanto como hipótese de ação coordenada diante da crise humanitária vivenciada, desde que realizada por ampla frente de países em apoio a uma ampla gama de cidadãos venezuelanos solicitantes, e também como hipótese de conflito, caso a Venezuela invadisse um vizinho ou fosse comprovada sua estruturação como narcoestado, mais precisamente com uma espécie narcogoverno, diante da divulgada situação de penúria dos venezuelanos e das constantes solicitações de mudanças feitas pelos seus cidadãos. Por isso, vários observadores apontam que o anúncio sobre a proposta de Donald Trump serviu mais para reforçar o argumento que Nicolás Maduro usa de perseguição contra o seu governo, do que para alertar sobre um dado inédito, apesar de possível.

Tal anúncio auxiliou ainda mais ao discurso do governante, pedindo união das Forças Armadas, diante do outro fato que reforça o isolamento a que vem sendo submetida a Venezuela: a declaração de que a União Europeia se mostrou contrária ao governo bolivariano. O Parlamento Europeu, ao debater a migração venezuelana, posicionou-se majoritariamente contra a administração Maduro, obtendo apoio de 474 dos 750 eurodeputados (63,2%), após discutir em Plenário a experiência da recente visita feita ao país e aos vizinhos Brasil e Colômbia.

Eurodeputada Beatriz Becerra, atualmente é vice-presidente da Subcomissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu e está integrada no Grupo de la Alianza do Liberais e Democratas pela Europa

As críticas ao Governo da Venezuela foram duras, como exemplo, houve a declaração da espanhola Beatriz Becerra, que afirmou ser a migração venezuelana “um rio de sofrimento” e acusou o governante de intencionalmente produzir a desgraça em seu território. Declarou: “A fome e a miséria são uma operação política do regime Nicolás Maduro, que quer um povo fraco, sem forças para enfrentá-lo. (…) …que Maduro e o resto das hierarquias do narcorregime prestem contas perante o Tribunal de Haia[2] (Tradução Livre). Além disso, houve consenso de que a crise está desestabilizando a região.

Conforme foi divulgado, poucos se manifestaram em defesa do governante, como é o caso do eurodeputado da Izquierda Unitaria Europea, Javier Couso, que acredita que o objetivo de tudo o que está acontecendo é buscar uma justificativa para uma intervenção militar (“creación de una alarma humanitaria para que sirva como excusa para una intervención militar”), ou dos Verdes, em que a britânica Molly Scott Cato afirmou estarem desviando o tema da diáspora venezuelana para uma crítica ao Governo. No entanto, mesmo socialistas chegaram a criticar o regime venezuelano, como o espanhol Ramón Jáuregui, que afirmou: “muitos se perguntarão como a Venezuela produziu mais de 2 milhões de emigrantes (…) … é a consequência de uma revolução fracassada[3].

A contraposição internacional está cada vez maior e, além dos europeus, o Equador posicionou-se de forma mais dura, lançando uma ação diplomática contra Maduro e também contra o governo da Bolívia por terem se posicionado publicamente contra a prisão do ex-presidente equatoriano Rafael Correa, acusado de participar de crimes políticos e contra os direitos humanos, mais precisamente, em um alegado envolvimento no sequestro de um opositor, na Colômbia, ocorrido no ano de 2012.

O Governo do Equador mostrou-se indignado com a postura dos bolivarianos e considerou um desrespeito ao sistema judiciário de seu país e ao Estado Democrático de Direito, razão pela qual a contraposição a Maduro se energizou, intensificando ainda o isolamento de Bolívia e da Venezuela na Unasul, podendo levar à provável anulação dessa Organização Internacional, se não vier a ocorrer a sua extinção.

67.º Presidente do México (eleito), Andrés Manuel López Obrador – será investido no cargo em 1o de dezembro de 2018

A esperança dos bolivarianos da Venezuela para evitar ainda mais o isolamento na América Latina está na eleição do esquerdista mexicano Andrés Manuel López Obrador, que estava sendo comparado em suas propostas àquilo que foi apresentado pelas esquerdas sul-americanas quando estiveram no poder em Argentina, Brasil, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai, e ainda estão na Bolívia e Venezuela.

Tanto que o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, se manifestou de forma entusiasmada com a vitória do mexicano, declarando que “É hora de reaproximação (entre México e Venezuela), pode-se intuir que assim é (…), esperamos que com o novo governo se inicie um relacionamento mais transparente, mais direto. (…) Venezuela e México sempre tiveram relações extraordinárias, (mas) foi impossível com o presidente que está saindo (Enrique) Peña Nieto (2012-2018). (…) Portas abertas para a paz, para a esperança, com este triunfo de López Obrador, não poderá [ocorrer] a pressão do imperialismo[4], sendo complementado por declaração da Chancelaria de que “O Governo Bolivariano da Venezuela pretende construir fortes relações bilaterais com o novo governo mexicano, com base na cooperação abrangente, não-interferência nos assuntos internos e respeito pela autodeterminação de nossos povos[5].

No entanto, Obrador tem sido enfático em distanciar-se tanto do modelo bolivariano quanto em declarar que na Venezuela ocorre uma ditadura, como pode ser visto na entrevista que foi feita:

– Você disse que seu governo não será uma ditadura disfarçada. Isso em referência a que o México nunca será a Venezuela?

Sim. Não estamos lutando para estabelecer uma ditadura. Estamos lutando para ter uma democracia verdadeira. Um governo para o povo, para o povo. Um governo sem corrupção, que promove a justiça, que é um exemplo e tem autoridade[6].

Crise na Venezuela desde 2013 – de cima para baixo, da esquerda para a direita: Manifestantes na frente de forças de segurança; Prateleiras vazias em um supermercado na Venezuela; Milhões de Venezuelanos protestam em Caracas, no dia 26 de outubro de 2016; Venezuelanos em fila para entrar em uma loja

Diante do quadro, os observadores tendem a apontar que o cenário de isolamento é de aumento crescente, de forma que as declarações contra o suposto planejamento norte-americano de invasão do território venezuelano vêm exclusivamente em reforço ao discurso do governo, que busca a união dos bolivarianos, os quais, por sua vez, não são uníssonos em relação a Maduro, e, por isso, este se esforça por colocar no mesmo argumento as questões de preservação do regime e da soberania do país, preparando-se para uma intervenção estrangeira, mas com o intuito claro de tentar não perder o seu cargo.

Ressalte-se que, conforme é divulgado na mídia, qualquer intervenção estrangeira não conta com apoio dos países da Região, nem de assessores norte-americanos, nem dos europeus, mesmo que estejam aumentando as contraposições ao governo bolivariano. Analistas apontam que à Venezuela restam os amparos dos investimentos chineses e russos, mas, mesmo em relação a estes Estados, há prazos de validade para o apoio.

———————————————————————————————–

Notas:

[1]Venezuela tiene derecho a resolver sus problemas con sus métodos. Jamás será una solución la intervención extranjera de cualquier país. (…). Hay que ver la visión supremacista y criminal de quienes gobiernan los Estados Unidos al reivindicar la masacre de Granada y la masacre de Panamá que aún duele como herida abierta en el cuerpo espiritual de América Latina y El Caribe. (…) Todavía en la campaña mediática y en la guerra psicológica diaria hay gente que repite y hay gente que cree que es mentira que el imperio estadounidense agrede, amenaza y bloquea a Venezuela. (…) Nuestra Fuerza Armada Nacional Bolivariana no puede bajar la guardia ni un segundo porque defenderemos el derecho más grande que tiene la patria en toda su historia, el derecho más grande que tiene nuestro pueblo que es a vivir en paz, con dignidad, con nuestra propia identidad”.

[2]El hambre y la miseria son una operación política del régimen de Nicolás Maduro, que quiere un pueblo débil, sin fuerzas para plantarle cara. (…). …que Maduro y el resto de jerarcas del narcorrégimen rindan cuentas ante el Tribunal de la Haya”.

[3] “Muchos se preguntarán cómo Venezuela ha producido más de 2 millones de emigrantes (…) …es la consecuencia de una revolución fracasada”.

[4]Es tiempo de acercamiento (entre México y Venezuela), uno pudiera intuir que es así (…), esperamos que con el nuevo gobierno comience una relación más transparente, más directa. (…). Venezuela y México han tenido siempre extraordinarias relaciones, (pero) fue imposible con el presidente saliente (Enrique) Peña Nieto (2012-2018). (…). Se abren puertas para la paz, para la esperanza, con este triunfo de López Obrador, no pudo la presión del imperialismo”.

[5]El Gobierno Bolivariano de Venezuela aspira construir junto al nuevo gobierno mexicano sólidas relaciones bilaterales, basadas en la cooperación integral, la no intromisión en los asuntos internos y el respeto a la autodeterminación de nuestros pueblos

[6] – Usted dijo que su gobierno no será una dictadura disfrazada. ¿Esto en referencia de que México jamás será Venezuela?

– Sí. No estamos luchando para establecer una dictadura. Estamos luchando para tener una verdadera democracia. Un gobierno para el pueblo, del pueblo. Un gobierno sin corrupción, que promueva la justicia, que sea ejemplo y tenga autoridad”.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Venezuela” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela#/media/File:Flag_of_Venezuela.svg

Imagem 2 45º Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

Imagem 3 Eurodeputada Beatriz Becerra, atualmente é vicepresidente da Subcomissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu e está integrada no Grupo de la Alianza do Liberais e Democratas pela Europa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/MEP_Beatriz_Becerra.jpg

Imagem 4 67.º Presidente do México (eleito), Andrés Manuel López Obrador será investido no cargo em 1o de dezembro de 2018” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Andrés_Manuel_López_Obrador#/media/File:LENÍN_MORENO_SE_REÚNE_CON_EL_LÍDER_MEXICANO_LÓPEZ_OBRADOR_(36186836092)_(cropped).jpg

Imagem 5 Crise na Venezuela desde 2013 de cima para baixo, da esquerda para a direita: Manifestantes na frente de forças de segurança; Prateleiras vazias em um supermercado na Venezuela; Milhões de Venezuelanos protestam em Caracas, no dia 26 de outubro de 2016; Venezuelanos em fila para entrar em uma loja” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_na_Venezuela_desde_2013#/media/File:Crisis_in_Bolivarian_Venezuela.png

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Projeção angolana para redução da pobreza

O Governo angolano lançou em junho do ano corrente (2018) um plano para a redução da pobreza e aumento do rendimento médio per capita até 2022. Denominado “Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza”, o Decreto Presidencial tem como meta a diminuição do percentual de pessoas em condições de pobreza extrema, caindo de 36,6% para 25%, por meio do investimento anual de 160 milhões de euros. Cabe destacar que, conceitualmente, a pobreza extrema adotada pelo Programa é entendida como as pessoas que possuem rendimento menor de US$1,90 por dia.

Imagem ilustrativa, captação de água

Conforme os dados do Projeto World Poverty Clock, o qual utiliza números da Organização das Nações Unidas, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional para mensurar a pobreza mundial, Angola possui mais de 8 milhões pessoas nesta situação. Ademais, o país encontra-se na lista de países que possuem a tendência de crescimento deste número.

Pelos os objetivos do Programa, a forma de atuação será desenvolvida de maneira descentralizada, cabendo às autoridades municipais a administração do processo de realocação dos recursos financeiros para o seu desenvolvimento. Quanto às medidas a serem adotas, estas serão separadas em seis eixos de atuação: o primeiro diz respeito aos Serviços Básicos (saúde, merenda escolar, acesso a água); o segundo eixo é voltado para a Agricultura Familiar e abarcará o incentivo à produção agropecuária e à aquisição de equipamentos; o terceiro e quarto eixos relacionam-se, respectivamente, à Comunicação Social e à Geração de Emprego; e os dois últimos eixos são a Reintegração de ex-Militares e a Descentralização Administrativa. 

Demais medidas foram divulgadas, tal como o Plano de Desenvolvimento Nacional, no qual também se aborda a questão de redução da pobreza no contexto da diversificação da estrutura econômica, para ampliar a geração de empregos. Em sua perspectiva, o Ministro da Economia e Planejamento, Pedro Luís da Fonseca, salientou que as medidas do Plano concentram-se no bem-estar da população durante os próximos cinco anos.

As demandas por condições melhores aos cidadãos são expressivas. Organizações sociais, como o movimento cívico Akwa Mana, realizaram em 2018 manifestações relacionadas à necessidade de melhoria na distribuição de renda e nas condições de vida. As manifestações ocorreram nas áreas onde a base econômica é a extração de diamantes (região leste de Angola), as quais apresentam dificuldades no que tange ao saneamento básico e, principalmente, à alocação de refugiados congoleses.

Outros dados apresentados foram coletados pela Comunidade das Igrejas Católicas de Angola, que elaborou um documento avaliativo contendo os resultados de programas sociais públicos. Os municípios analisados apresentam carência em áreas como educação, acesso à energia elétrica e acesso a água potável. Como exemplo, em Benguela e Uíge, dentre outros municípios, mais de 80% das pessoas consultadas consomem água não tratada.  

Plataforma de extração de petróleo

Economicamente, o Estado angolano enfrentou um período de instabilidade em decorrência da queda do preço do petróleo e gás no mercado internacional em 2016 (os principais geradores de receita angolana), afetando a balança comercial e gerando outros desafios, tais como o impacto no crescimento do país, que, no ano supracitado, foi de 0,6%. Da mesma forma, os feitos permaneceram ao longo dos anos. A título de exemplo, no início de 2018 estimava-se que haveria mais de 30% de desempregados devido às falências de empresas.

Cabe destacar que a exploração do hidrocarboneto teve uma recuperação no segundo trimestre no ano. Deste modo, o Governo angolano divulgou suas considerações e, dentre elas, inclui-se a necessidade de diversificar a economia do país, porém sem alterar a estrutura de exportação. Todavia, tendo em consideração o Programa e seu objetivo de aumento de renda dos cidadãos, a manutenção da economia atrelada apenas a exportação de petróleo poderia ser um fator desafiador, em virtude da oscilação já vivenciada anteriormente dos preços do petróleo e o impacto que este causou internamente.

Ademais, apesar de as iniciativas governamentais para a redução dos índices de pobreza extrema apresentados terem claras as áreas de atuação, observa-se que é um projeto que exige esforços de diversos setores governamentais, empresariais, além de outros da sociedade civil. Complementarmente, a pobreza extrema, por ser uma questão que permeia a estrutura social a um longo período, poderia não ser amenizada de forma expressiva em decorrência do curto período de tempo, tendo em vista as diversas áreas e as demandas a serem atendidas.


Imagem 1 Bandeira de Angola” (Fonte):

https://image.freepik.com/fotos-gratis/bandeira-de-angola_1401-54.jpg

Imagem 2 Mapa de Angola” (Fonte):

http://www.pordentrodaafrica.com/wp-content/uploads/2013/11/Mapa-de-Angola.png

Imagem 3 Imagem ilustrativa, captação de água” (Fonte):

https://racismoambiental.net.br/wp-content/uploads/2016/02/mocambique-Pessoas-pegando-a%CC%81gua-em-Cateme.jpg

Imagem 4 Plataforma de extração de petróleo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/Mars_Tension-leg_Platform.jpg/250px-Mars_Tension-leg_Platform.jpg

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISE - TecnologiaANÁLISES DE CONJUNTURA

SIPRI: a modernização de armas nucleares continua

Passados mais de 70 anos dos holocaustos de Hiroshima e Nagazaki, a visão de um mundo sem armas nucleares continua muito distante. Em seu relatório anual, recentemente lançado, o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Stocolm International Peace Research Institute – SIPRI) criticou o desenvolvimento contínuo de novas armas nucleares.

O ano passado (2017) foi um ano especial para aqueles a favor do desarmamento nuclear. Um total de 122 líderes mundiais se alinhou para assinar o Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares (TPAN), se comprometendo a não produzir ou possuir tais armamentos. No entanto, os efeitos desse compromisso ainda não foram notados no sentido de se atingir a meta de um mundo livre de armas atômicas.

Sede do SIPRI em Solna

Segundo as últimas estimativas do SIPRI, ainda existem 14.465 artefatos nas mãos de apenas nove Estados: EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Embora internacionalmente esses nove países sejam minoria, eles não têm absolutamente nenhuma intenção de abrir mão de seus arsenais. Embora o número total neste ano (2018) tenha caído ligeiramente em comparação com o ano anterior, as armas existentes foram modernizadas. Isso significa que as mais antigas estão sendo substituídas, algumas delas na verdade têm 40 ou 50 anos de idade, mas novas armas nucleares também estão sendo desenvolvidas com novas capacidades e novas funções técnicas.

Teste de lançamento de um ICBM Minuteman III

O governo dos EUA confirmou o desenvolvimento de modernos armamentos atômicos em fevereiro, quando publicou uma versão atualizada de sua Revisão da Postura Nuclear. Isso também afeta a Alemanha: embora não tenha armamentos nucleares próprios, como membro da OTAN está sob a proteção do escudo nuclear dos Estados Unidos. Cerca de 20 bombas nucleares B61 são armazenadas na região de Eifel e, nos próximos anos, serão substituídas por outras mais modernas, que podem ser orientadas com precisão para um alvo específico.

Os Estados Unidos estão investindo muito na modernização de seu arsenal nuclear. Até 2026, planeja gastar US$ 400 bilhões (€ 344 bilhões). No entanto, países menores como a Índia e o Paquistão também estão envolvidos em uma espécie de “corrida armamentista estratégica”. Ambos estão desenvolvendo novos artefatos e ampliando suas capacidades de produção de material físsil. As armas atômicas continuam sendo um elemento central das estratégias de defesa nacional das potências nucleares.

Em vista das atuais tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, não está claro como os acordos internacionais de controle de armas nucleares serão eficazes no futuro. O que preocupa no momento é o fato de que a relação político-estratégica entre os dois entrou em colapso e, ressalte-se, ambos possuem 92% de todos os armamentos do gênero.

Decreto assinado por Kim Jong-Un autorizando o teste de uma suposta Bomba de Hidrogênio

Isso também afeta o controle de armas. Quando acordos importantes de desarmamento, como o tratado New Start, expirarem nos próximos anos, os especialistas temem que novos tratados não sejam feitos para substituí-los. Não haveria, portanto, limitações sobre os arsenais. Estamos claramente nos afastando da visão de Barack Obama de 2009, exposta no seu famoso “Discurso de Praga”, sobre um mundo livre de armas nucleares.

Um recente desenvolvimento em particular desperta inquietude: os avanços técnicos que a Coreia do Norte demonstrou em suas armas nucleares e testes de mísseis balísticos de longo alcance nos últimos 12 meses. Resta saber se o encontro entre o líder norte-coreano Kim Jong-Un e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realmente levará ao desarmamento nuclear norte-coreano. É porem um fato incontestável que a reunião abriu as portas para novas medidas de construção de confiança.

Em seu relatório anual de 2018, os pesquisadores do SIPRI reuniram outros dados que destacam a tensa situação política em relação à segurança global. Mais recursos foram gastos com Forças Armadas em 2017 do que em qualquer momento desde o final da Guerra Fria. O total de gastos militares em todo o mundo subiu para 1,739 trilhão de dólares, ou seja, 230 dólares para cada pessoa na Terra. Em 2016, os gastos foram de US$ 227 per capita. Os Estados Unidos ainda têm o maior orçamento de Defesa que qualquer país, US$ 610 bilhões, seguido pela China, Arábia Saudita e Rússia.

A razão para este fato foi o aumento dos gastos militares em algumas regiões, não todas, do mundo. O aumento no leste da Ásia é particularmente impressionante: a China, por exemplo, elevou seu orçamento de Defesa em 5,6% indo para 228 bilhões de dólares. Na Europa, o quadro é mais variado: os países da Europa Oriental gastaram consideravelmente menos com as Forças Armadas em 2017 do que no ano anterior, mas na Europa Central e Ocidental os gastos com Defesa subiram.

De acordo com o SIPRI, outra tendência também está em ascensão: o comércio global de armas aumentou significativamente nos últimos dez anos depois de atingir seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria, no início dos anos 2000. Depois dos Estados Unidos, Rússia e França, a Alemanha é o quarto maior exportador mundial de armas.

———————————————————————————————–                     

Fontes das Imagens:

Imagem 1 A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) após a queda da Little Boy e sobre Nagasaki, após o lançamento de Fat Man” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki#/media/File:Atomic_bombing_of_Japan.jpg

Imagem 2 Sede do SIPRI em Solna” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Stockholm_International_Peace_Research_Institute#/media/File:SIPRI_building.jpg

Imagem 3 Teste de lançamento de um ICBM Minuteman III” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos_e_as_armas_de_destruição_em_massa#/media/File:Minuteman3launch.jpg

Imagem 4 Decreto assinado por Kim JongUn autorizando o teste de uma suposta Bomba de Hidrogênio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_nuclear_norte-coreano_de_janeiro_de_2016#/media/File:Kim_Jong-un%27s_initial_order_on_H-bomb_test.jpg