ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Park Geun-hye e seu futuro incerto à frente da Coreia do Sul[:]

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Em 2015, ela foi uma das pessoas mais poderosas do mundo; em 2016 uma das mulheres mais poderosas; porém, em 2017, poderá ser a primeira Presidente impichada na Coreia do Sul. A presidente sul-coreana Park Geun-hye tem sua vida ligada a política de seu país, incialmente por ser filha de Park Chung-hee, Presidente da Coreia do Sul, entre 1963 e 1979; além disso, por ter vivido sua infância em meio as tensões entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Em1974, com 22 anos perdeu sua mãe, Yuk Young-soo, em um atendado norte-coreano contra a vida de seu pai. Após a morte de sua mãe, a jovem Park teve que entrar para a política, assumindo o papel de Primeira Dama em exercício da nação, adaptando-se bem ao mundo político.

Durante os anos em que seu pai foi Presidente do país, houve um grande desenvolvimento econômico devido a exportações e aos investimentos feitos em infraestrutura e educação por toda a Coreia do Sul, aliado ao comprometimento de Seul em manter boas relações com potenciais parceiros econômicos ao redor do mundo. Na Coreia, aquele momento foi nomeado como Milagre do Rio Han, devido aos feitos que são lembrados até hoje, mas que teve um fim trágico na época, quando Park Chung-hee foi assassinado em 1979 por um dos agentes da inteligência sul-coreana.

Park Geun-hye manteve-se no mundo da política sul-coreana desde aquele período, passando por importantes cargos e tendo assumido a Presidência do Partido Saenuri, entre os anos de 2004 e 2006, ainda sob o antigo nome Grande Partido Nacional (GNP, na sigla em inglês). Antes de vencer as eleições presidenciais de 2012, ela era membro da Assembleia Nacional da Coreia do Sul, na qual foi legisladora desde 1998, preservando uma boa rede de contatos que lhes foram úteis na corrida eleitoral que viria a disputar.

Em 2012 o mundo passava por uma grande crise econômica, muitos países tiveram líderes reeleitos, mas não foi assim na Coreia do Sul. Moon Jae-in havia sido derrotado por Park, algo que surpreendeu vários especialistas na época. O professor de estudos coreanos da Universidade de Tufts, Sung-Yoon Lee, via Park em um conflito de opiniões populares nas cidades coreanas, pois numerosos cidadãos a tomavam como a filha de um ditador, embora outros a vissem como a filha do Presidente que contribuiu com o desenvolvimento econômico sul-coreano.

David Straub, diretor de estudos coreanos na Universidade de Standford, havia dito em entrevista à PBS que a sua vitória havia sido pela sua linha conservadora, algo que, na Coreia do Sul, significava dar prioridade aos negócios e não apenas enfatizar os temas ligados à Coreia do Norte. Park sempre foi bem rígida quando o tema era Pyongyang, mesmo sendo a favor da reunificação da Península.

Após assumir o cargo de Presidente de uma das principais potências da Ásia e uma das grandes economias globais, a Forbes classificou-a como uma das mulheres mais poderosas e influentes em 2015 e 2016. Mas, em seu país, a opinião pública sempre foi muito dividida, variando conforme os temas que mais abalavam a Coreia do Sul, pois a sua classificação por entidades estrangeiras e a opinião de outros líderes globais não são tão relevantes para os sul-coreanos.

Com a abertura do Processo de Impeachment contra a presidente Park, em dezembro de 2016, a opinião pública coreana já tinha 67% de pessoas pedindo a sua renúncia. Ter seu nome envolvido em casos de corrupção abalou completamente a imagem da Presidente, que hoje está afastada.

Segundo a promotoria que conduz o Processo de Impeachment, Park está ligada a um enorme esquema de extorsão de empresas sul-coreanas, conspirando com uma de suas amigas de infância, Choi Soon-sil, em um caso que envolve grandes empresas do país, dentre elas a Samsung. A amiga de Park e o herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, um dos líderes da gigante coreana, estão sendo ouvidos pelas autoridades competentes. Choi já está em cárcere e Lee está aguardando autorização da justiça para sua prisão ser efetivada.

Choi e outras pessoas investigadas dizem que Park Geun-hye não tem envolvimento no caso de corrupção, mas opositores da Presidente fazem de tudo para afastá-la em definitivo. Eles tentaram até aumentar as acusações contra ela, em casos que envolvem crime de responsabilidade à segurança nacional, conforme já notificamos em Notas Analíticas no CEIRI NEWSPAPER, mas isso não abala o país tanto como o caso de propina envolvendo-a com as grandes corporações sul-coreanas.

Park entrou para a história como a primeira mulher a assumir à Presidência na Coreia do Sul e poderá ser a primeira a ser impichada no país, sendo que, no ano de 2004, o então presidente Roh Moo-hyun havia passado por um Processo de Impeachment. Sua acusação era por pedir apoio eleitoral durante as eleições parlamentares, algo que é proibido na Coreia do Sul, mas a Corte Constitucional entendeu as acusações como insignificantes e Roh retornou de seu afastamento, cumprindo o mandato.

Diferente do caso de Park, a população havia realizado fortes manifestações em apoio a Roh Moo-hyun durante o tempo em que o pedido de impeachment era analisado e julgado. No caso atual, a opinião pública está contrária à permanência da Presidenta afastada e os indícios são de que aqueles favoráveis a sua permanência no comando do país estão desanimando.  Muito está a ser investigado, mas, indiferentemente do resultado, a opinião do povo coreano com sua líder não mudará, talvez até o fim de seu mandato. No entanto, a pressão de opositores tende a ser redobrada.

Park Geun-hye, antes vista como filha de um dos grandes líderes do país, ou de um dos grandes ditadores, pode se tornar uma das mentes corruptas para o povo sul-coreano e, com isso, manchar o seu legado. 2017 não será um ano fácil para a Coreia do Sul, pois terá de lidar com as ameaças da Coreia do Norte, com as divergências territoriais com os japoneses e com as incertezas sobre o futuro das relações Seul-Washington, além disso, diante desse cenário, a Coreia do Sul está queimando muitas energias com a crise política, algo que pode significar uma porta de entrada para oportunistas domésticos e para os inimigos da parte norte da península.

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Imagem 1 Presidente Park Geunhye, em 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye#/media/File:Park_Geun-hye_(8724400493)_(cropped).jpg

Imagem 2 Park Geunhye e Park Chunghee” (FonteKim Hongji / ReutersArquivo histórico):

http://justgopoppi.com.br/wp-content/uploads/2016/11/familia.jpg

Imagem 3 Park Geunhye em seu discurso de posse, 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Park_Geun-hye

Imagem 4 Protesto contra Park Geunhye em Seul, 29 de outubro de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye#/media/File:Mass_protest_in_Cheonggye_Plaza_02.jpg

Imagem 5 Protesto realizado em novembro de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye

Imagem 6 Roh Moo-hyun, ExPresidente da Coreia do Sul” (Fonte):

http://a5.files.biography.com/image/upload/c_fit,cs_srgb,dpr_1.0,h_1200,q_80,w_1200/MTE4MDAzNDEwMTU4NjUwODk0.jpg

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]FARC afirmam não ter vinculação com facções criminosas brasileiras[:]

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O ano de 2017 foi iniciado com a “explosão” de uma tragédia que já estava sendo anunciada e deixou mais de 50 mortos: a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ), o maior presídio do Estado do Amazonas, localizado em Manaus.

O estopim do motim foi o conflito das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), que é proveniente do Estado de São Paulo, e a Família do Norte (FDN), oriunda do próprio Estado do Amazonas. A maioria dos mortos pertencia ao Primeiro Comando da Capital e, conforme divulgado pelo Secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, “esse é mais um capítulo da guerra silenciosa que o narcotráfico mergulhou o país”.

Vale ressaltar que o COMPAJ, tem capacidade para 592 presos e, no momento do desastre, abrigava cerca de 1224 detentos, situação que é a realidade da maioria dos presídios brasileiros e culminou no agravamento da crise do sistema penitenciário no país. O “massacre” no presídio de Manaus, conforme vem sendo amplamente divulgado pela imprensa, foi o segundo maior motim letal na história do Brasil, ficando atrás apenas do “Massacre do Carandiru”, ocorrido em São Paulo no ano de 1992, no qual foram mortos 111 presos, tendo como acusados pelo desfecho as tropas da Polícia Militar de São Paulo.

Cumpre destacar que, da mesma forma que a mídia nacional, a imprensa internacional repercutiu largamente o que ocorreu no presídio brasileiro de Manaus, sendo notícia no mundo inteiro. As informações veiculadas nos principais jornais mundiais foram no tom de crítica feroz à situação do sistema prisional no Brasil e a de seus detentos.

O Papa Francisco expressou preocupação em relação ao assunto e, durante uma audiência geral no Vaticano, declarou: “Quero expressar tristeza e preocupação com o que aconteceu. Convido-vos a rezar pelos mortos, pelas suas famílias, por todos os detidos na prisão e por aqueles que trabalham nela”. Completou sua manifestação afirmando que gostaria de renovar seu apelo paras que as instituições prisionais sejam locais de reabilitação e reintegração social e que as condições de vida dos detidos sejam dignas de seres humanos. É importante salientar que Francisco já recebeu detidos no Vaticano e muitas vezes visitou prisões em suas viagens ao exterior.

Entretanto, como afirmou o Secretário amazonense, Sérgio Fontes, parece que o narcotráfico está vencendo essa batalha e afundando o país em uma crise nacional, já que os demais Estados da Federação já vêm tomando medidas no intuito de evitar consequências irreversíveis.

A “ponta do novelo” foi no Amazonas, já que a região norte é fundamental para o tráfico internacional, uma vez que as principais rotas de drogas passam por suas fronteiras e os Estados da área fazem divisas com grandes países produtores de cocaína, como o Peru, a Bolívia e a Colômbia, além da Venezuela, famosa pela permissividade no seu espaço fronteiriço.

Dessa forma, o grupo guerrilheiro FARC antecipou-se para divulgar em seu site oficial um comunicado onde nega as acusações de vínculo com “organizações mafiosas vinculadas ao narcotráfico” no Brasil. No texto, assinado pelo Secretariado Nacional das Farc, o grupo diz que, “baseados em uma mentira, (os meios de comunicação) agora querem responsabilizar nossa organização guerrilheira pelo espantoso massacre de 56 pessoas.

Ocorre que o Ministério Público Federal brasileiro acusa as Farc de ter relações com a FDN, verificado no âmbito da denominada Operação La Muralla. Os investigadores detalham que há, sim, conexão entre a Família do Norte e fornecedores de drogas envolvidos com as Farc e confirmam que este vínculo facilitou o acesso da facção às drogas e a armas oriundas da região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

Na nota publicada pelas FARC, o grupo chama de atitude de “má fé” e “ignorância” a tentativa de liga-los com o “Massacre de Manaus” por diversos meios de comunicação do Brasil e pede que as autoridades brasileiras apurem as causas da tragédia e quem foram os responsáveis. Por fim, no comunicado, o grupo presta solidariedade às famílias e amigos dos mortos.

Segundo o chefe da secretaria de cooperação internacional do Ministério Público Federal, procurador Vladimir Aras, com a desmobilização das Farc, abre-se espaço para o PCC ou grupos ao Norte entrarem no território colombiano e disputarem as rotas internacionais de tráfico, bem como a cadeia de produção de cocaína.

O ano de 2017 já começou com uma grave crise nacional que terá que ser contida rapidamente pelas autoridades brasileiras. Por conta disso, o Presidente da República Michel Temer reuniu-se com a Presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia, para tratarem de ações conjuntas para conter o caos nas prisões brasileiras. Agora é torcer e esperar que as medidas sejam efetivas e possam conter essa crise anunciada.

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Imagem 1Bandeira das FARC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Armadas_Revolucionárias_da_Colômbia

Imagem 2Em maio de 2006, ônibus foram queimados durante a maior onda de violência já registrada em São Paulo; ações foram atribuídas ao PCC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_violência_organizada_no_Brasil_em_2006

Imagem 3Os policiais militares eram os principais alvos dos ataques” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_viol%C3%AAncia_organizada_no_Brasil_em_2006#/media/File:A_group_of_police_officers_at_2004_Brazilian_Grand_Prix.JPG

Imagem 4Foto do líder paramilitar colombiano Carlos Castaño com um grupo de combatentes da AUC” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Colombian_conflict

Imagem 5Ministra Cármen Lúcia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cármen_Lúcia

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAEUROPATecnologia

[:pt]Relações Rússia-EUA após o caso do ataque cibernético durante as Eleições Presidenciais norte-americanas de 2016[:]

[:pt] Em 2016, as Eleições Presidenciais estadunidenses tiveram como característica central a polarização política, e isto configura uma situação que vai além da perspectiva tradicional de embates entre o Partido Democrata e o Partido Republicano,…

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[:pt]Os ciberataques russos e as eleições norte americanas[:]

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Nos últimos momentos de seu mandato, o presidente Barack Obama ordenou a revisão do possível envolvimento russo nas eleições norte americanas  que acabaram com a vitória do candidato republicano Donald Trump, a contragosto do Presidente democrata e de sua candidata a sucessora, Hillary Clinton.

Segundo o Porta-Voz da Casa Branca, Eric Schultz, “(o) presidente, (…), instruiu a comunidade de inteligência a realizar uma revisão completa do padrão de atividade cibernética maliciosa relacionada ao nosso ciclo de eleições presidenciais”. A ordem de Obama vem como consequência de suspeitas de ciberataques de origem russa, durante todo o ano eleitoral, que minaram a campanha da candidata Hillary Clinton, supostamente com o objetivo deliberado, segundo a comunidade de inteligência norte-americana, de favorecer o candidato republicano Donald Trump, apesar de críticas apontarem a falta de evidências para tais acusações.

Como previamente publicado no CEIRI NEWSPAPER, em junho de 2016, o Partido Democrata norte-americano foi alvo de dois grupos de hackers com supostas ligações ao Governo russo. Após conseguirem acesso aos sistemas de computadores do Partido, um desses grupos monitorou e extraiu informações da sua comunicação interna durante um ano, enquanto o outro grupo conseguiu monitorar e extrair uma parte da pesquisa partidária a respeito do candidato da oposição. 

Em um outro momento, decorrendo, aproximadamente, todo o mês que antecedeu as eleições, o site Wikileaks publicou levas e mais levas de documentos obtidos do Partido Democrata, do coordenador da campanha e do próprio servidor da candidata Hillary Clinton, alegadamente com ajuda de hackers russos.

De fato, foi publicado no dia 6 de janeiro de 2017, pelo Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, a resposta às ordens de Obama, na forma de uma versão pública do Relatório secreto, intitulado “Avaliação de atividades e intenções russas nas recentes eleições dos EUA”. A conclusão é categórica: “Nós avaliamos que o presidente russo Vladimir Putin ordenou uma campanha de influência em 2016 com vista à eleição presidencial dos EUA”. De acordo com o relatado, “Os objetivos da Rússia eram minar a fé pública nos Estados Unidos, no Partido Democrata, denegrir a secretária Clinton, e prejudicar sua elegibilidade e Presidência em potencial. Avaliamos ainda mais que Putin e o governo russo desenvolveram uma clara preferência pelo presidente eleito Trump”.

O Relatório se alinha com as declarações da candidata Hillary Clinton, a qual, em um dos poucos pronunciamentos após sua derrota, culpa diretamente o presidente russo Vladimir Putin pelo resultado que sofreu: “O próprio Vladimir Putin dirigiu os ciberataques encobertos contra o nosso sistema eleitoral, contra a nossa democracia, aparentemente porque ele tem uma rixa pessoal contra mim”. Essa “rixa” de acordo com Clinton, seria decorrente das críticas feitas por Clinton nas eleições russas de 2011, ocasião na qual a então Secretária de Estado alegou que a eleição de Putin havia sido “injusta, não livre e ilegítima”.

Em resposta aos críticos que apontam a falta de evidências com as quais a mídia e as agências de inteligência apontam os russos como mandantes dos ciberataques, o Documento argumenta que as conclusões foram obtidas através de “fontes ou métodos sensíveis”, que não poderiam ser divulgadas na versão pública do relatório e que, portanto, “embora as conclusões do relatório estejam todas refletidas na avaliação classificada, o relatório desclassificado não inclui nem pode incluir todas as informações de apoio, incluindo informações e fontes específicas e métodos”.

Porém, vale ressaltar que o documento é uma versão pública, divulgada pela própria comunidade de inteligência, de um Relatório Secreto. Por conta disso, a falta de divulgação de informações e/ou metodologias com a exposição apenas de conclusões, obviamente vai expressar uma opinião parcial, o que, por sua vez, levanta suspeitas em relação a veracidade das informações apresentadas no texto.

Também é importante notarmos que um dos trabalhos e práticas mais comuns da comunidade de inteligência norte-americana, como de qualquer outra agência de inteligência, independente da nacionalidade, é, além da obtenção de informações estratégicas, justamente a disseminação de informações fabricadas, com o intuito de reter informações e/ou de guiar a opinião pública em diferentes cenários. É o tipo de espionagem que marcou a Guerra Fria e que sem dúvida evoluiu com as tecnologias do século XXI. 

Enquanto isso, o presidente eleito Donald Trump, vêm negando qualquer envolvimento russo nas eleições, no entanto, após uma conferência a respeito da invasão dos computadores, Trump aliviou um pouco o tom, alegando em uma declaração que a “Rússia, China, outros países, grupos externos e pessoas” realizam ciberataques contra os EUA, porém, Trump continua afirmando que “não houve absolutamente nenhum efeito sobre o resultado da eleição”.

O Relatório termina com a seguinte conclusão: “Avaliamos que Moscou aplicará as lições aprendidas em sua campanha ordenada por Putin para as eleições presidenciais dos EUA para futuros esforços de influência em todo o mundo, inclusive contra os aliados dos EUA e seus processos eleitorais”. A conclusão por sua vez, ilustra como o ciberespaço vêm se tornando cada vez mais a nova face de conflitos internacionais e levantando novos desafios para a Geopolítica e as Relações Internacionais.

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Imagem 1Capa do relatório Avaliação de atividades e intenções russas nas recentes eleições dos EUA” (Fonte):

https://www.dni.gov/files/documents/ICA_2017_01.pdf

Imagem 2Diretor de Inteligência Nacional NorteAmericana, James Clapper” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/medilldc/6797228431

Imagem 3Hillary Clinton discursando em evento da campanha em Phoenix, Arizona” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Campanha_presidencial_de_Hillary_Clinton_em_2016

Imagem 4Presidente eleito Donald Trump” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ADonald_Trump_Approves_2016.jpg

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Evolução da complexidade econômica na China e o panorama das expectativas para o ano de 2017[:]

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A abordagem da complexidade econômica apresenta uma explicação holística sobre o desenvolvimento das nações através de sua estrutura produtiva, apresentando um recorte acerca do conhecimento acumulado em uma sociedade, que acaba por produzir efeitos na sofisticação dos seus produtos e no perfil comercial do país. Esta perspectiva vê a economia como um sistema dinâmico, dando menor importância à ideia de pontos de equilíbrio. A complexidade econômica advém de uma estrutura que se forma e se reforma através de contínuas adaptações dos agentes econômicos, resultando em novos comportamentos, novas instituições, novas tecnologias e, por fim, novos padrões de interação. Estas constantes adaptações não apenas criam padrões, como acabam por produzir redes complexas de influências recíprocas entre os agentes econômicos e suas atividades produtivas.

A complexidade econômica de uma nação depende dos seus produtos de exportação. Um país pode ser considerado como uma economia complexa caso seja capaz de exportar produtos que possuam certo grau de tecnologia e valor agregado, mas esta não é a única variável considerada. São levados em conta fatores como a diversidade de sua pauta exportadora e quantos países no mundo são capazes de produzir as categorias de produtos que determinado país exporta (ubiquidade). À medida que evolui a complexidade econômica de uma nação, se altera a sua forma de inserção na economia internacional, ao passo que o país passa a integrar cadeias de produção de maior valor agregado, afetando a capacidade de captura de excedentes em suas trocas externas.

Um exemplo que materializa esta dinâmica é o processo de inovação, ao passo que experiências, estratégias e procedimentos resultam em novos produtos, técnicas e novos processos industriais que possibilitam ganhos de eficiência e de produtividade, resultando em crescimento econômico e geração de riqueza. Estendendo este processo ao longo de anos e mesmo de décadas, é possível ter um vislumbre acerca das razões e determinantes do nível de desenvolvimento que se observa em um determinado país e a sua decorrente trajetória de inserção econômica externa.

O caso chinês é interessante de ser observado devido à grande mudança na sua estrutura produtiva no período recente.  Partindo do ano de 1978, simbólico por representar a ascensão de Deng Xiaoping ao poder, sendo ele o governante que introduziu as reformas econômicas de maior abertura no país. Nesse ano é possível observar uma economia cujos produtos mais representativos nas suas exportações (com valor total, à época, de US$ 7,17 bilhões) consistiam em: petróleo bruto (13% da pauta exportadora), algodão cru (3,6%), seda crua (3,0%), artigos de cama, mesa e banho (2,9%), suínos (2,7%), produtos de vestuário (2,2%), além de outros produtos de origem agrícola e que apresentam menor valor agregado.

Um panorama acerca das exportações chinesas para o ano de 2014, conforme os dados disponibilizados pelo Atlas da Complexidade Econômica, apresenta uma imagem bem diferente, sendo que seus principais produtos de exportação (cujo valor total representava US$ 2,37 trilhões) consistem em computadores (8,8%), equipamentos de transmissão e radiodifusão (6,6%), telefones (4,5%), circuitos integrados (2,6%), partes de máquinas para escritório (2,0%), entre outros produtos que apresentam algum grau de processamento industrial. Descontadas as diferenças acerca do valor absoluto das transações com o exterior, o recorte da composição da pauta exportadora apresenta um perfil muito diferente. Atualmente, o petróleo e outros minerais energéticos, além de microcircuitos eletrônicos são os principais produtos que compõem a pauta de importação do país. Após tratar acerca da complexidade e das transformações da economia chinesa, chegamos à questão do que se espera para o ano de 2017.

Embora a economia chinesa tenha apresentado relativo grau de estabilização em 2016, ainda existem pressões para a queda do seu ritmo de crescimento, ao passo que o país se encontra no rumo de execução de sua reforma econômica. O foco no mercado interno, estimulando o comércio digital e o aumento do consumo em cidades de médio porte, é a alternativa já em andamento, visando o fortalecimento da economia chinesa. 

É possível esperar tensões e fricções comerciais com os Estados Unidos em certos setores (tais como aço, produtos agrícolas e manufaturados de baixa tecnologia). Dada a representatividade do mercado norte-americano para as exportações da China, esperam-se dificuldades no setor de exportações.

O crescimento baseado nos investimentos será o mais forte motor da economia chinesa no ano de 2017 ao passo que crescem os investimentos privados em setores de alta tecnologia, tais como robótica, serviços baseados na nuvem e tecnologia de internet 5G. O Governo chinês continua a realizar grandes investimentos em construção de infraestrutura em seu território, buscando acentuar a exportação desses investimentos para o exterior, tendência que provavelmente continuará neste ano (2017). Não obstante, o estímulo aos investimentos poderá aumentar demasiadamente o endividamento do Estado chinês, que já se encontra em um patamar de 282% em relação ao seu PIB. Este é um sinal de alerta para a possibilidade de crises no futuro, sinalizando a necessidade de prudência na política monetária do Governo.

Permanece a necessidade de realização de reformas orientadas para o mercado, tais como a continuidade da reforma das empresas estatais, o estímulo a novas empresas de tecnologia e redução de impostos. Desconsiderando a possibilidade de eventos extraordinários no campo da geopolítica e da política internacional, espera-se que este seja um ano no qual a China se concentre na sua estrutura econômica interna.

Concluindo, o ano de 2017 será provavelmente um ano de grandes esforços para manter o ritmo de crescimento do PIB à taxa de 6,5%. Se quantitativamente a China enfrentará grandes desafios para o seu crescimento, a chave para a manutenção do desenvolvimento do país no longo prazo residirá em fatores qualitativos. Pensando na abordagem da complexidade econômica, será mais importante direcionar esforços para a continuidade do rumo em direção à sofisticação do seu tecido produtivo, visando aumentar a produtividade, a eficiência e inovação em setores como tecnologia da informação, mecânica fina e robótica, além de tecnologias ligadas à energia sustentável.

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Imagem 1 Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Crescimento do PIB nominal chinês entre 1952 e 2012” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:GDP_of_China_in_RMB.svg

Imagem 3 Deng Xiaoping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Deng_Xiaoping#/media/File:DengXiaoping.jpg

Imagem 4Exportações chinesas” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/2012_China_Products_Export_Treemap.png

Imagem 5 Gráfico mostrando a proporção de usuários de Internet a cada 100 pessoas, entre 1996 e 2014, feita pela União Internacional de Telecomunicações” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet#/media/File:Internet_users_per_100_inhabitants_ITU.svg

Imagem 6 O distrito financeiro de Pudong, em Xangai, se tornou símbolo de rápida expansão econômica da China desde os anos 1990, após as reformas promovidas por Deng Xiaoping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:PudongSkyline-pjt_(cropped).jpg

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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]O Descaso e a Omissão dos Poderes Públicos na Rebelião Prisional de Manaus (Fatores Internacionais Envolvidos) [:]

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O primeiro dia do ano de 2017 registrou mais um episódio na História recente do Brasil. A rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ)[1], em Manaus, que deixou 56 detentos mortos[2], contribuiu para aumentar a estatística da violência no país. O motim, que começou na tarde daquele domingo, tomou proporções imensas, não tendo as Forças de Segurança do Estado do Amazonas conseguido desmantelar a organização dos amotinados que se mantiveram ativos por mais de 17 horas. De acordo com informações, a revolta foi motivada por “uma briga interna” entre duas facções rivais, a Família do Norte (FDN) e o PCC. Neste contexto, de acordo com analistas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), aliado da FDN, são os responsáveis pelo levante no COMPAJ. Os enfrentamentos entre os dois grupos criminosos brasileiros tiveram início em junho de 2016, pela “disputa da fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai”, o principal acesso de entrada de drogas no país. Quando, em 15 de junho do ano passado, o narcotraficante Jorge Rafaat Toumani foi assassinado na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, o PCC foi responsabilizado pela ação. Em meados de outubro começou o acerto de contas entre as facções inimigas nos presídios, sobretudo, no norte do Brasil.

A briga entre grupos adversários, que levou à conflagração no COMPAJ, não se trata de um caso isolado ou atual, mas recorrente no Brasil. Recorde-se que, em 1992, a rixa entre grupos de detentos deu origem à rebelião que culminou no Massacre do Carandiru, em São Paulo, tendo sido acusadas as forças policiais. Os conflitos entre grupos oponentes nas prisões no Brasil, ao longo dos anos, têm provocado a prática da violência com alto grau de crueldade. A ausência de medidas socioeducativas eficientes e a desarticulação das atividades criminosas, por parte do poder público, associadas à superlotação dos presídios, tem beneficiado a criação de um poder paralelo nas penitenciárias brasileiras que, há algum tempo, tomaram uma dimensão transnacional. Documentos da Polícia Federal apontam, por exemplo, a ligação do PCC com o Hezbollah, grupo insurgente libanês que estabeleceu um acordo com a facção criminosa brasileira comprometendo-se a fornecer armas e explosivos em troca de proteção dos libaneses detidos nos presídios brasileiros. O trágico acontecimento deste início de ano, em Manaus, revela a ampliação da rede de conexão entre as facções criminosas nacionais e internacionais. Segundo o Ministério Público Federal, os líderes da rebelião no COMPAJ têm estreita relação com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Conforme estes documentos, tanto os traficantes brasileiros quanto as FARC têm o mesmo fornecedor de armas.

As organizações criminosas brasileiras assumiram, de fato, o espaço vazio deixado pelo Estado, tanto na dimensão Federal, quanto na Estadual. Inicialmente, isto se deu nas favelas, nas periferias dos grandes centros urbanos e, hoje, elas mantêm vínculos com organizações internacionais ligadas ao crime organizado e ao terrorismo transformando os presídios em espaços de contato, moedas de troca ou ajustes de contas. Na medida em que aumenta o elo entre os criminosos nacionais e internacionais, mais complexa se torna uma possível resolução do problema ao nível interno. Em contrapartida, parte da população, descrente na eficácia do poder público, na Justiça e vítima da violência e do medo cotidianos, foi tomada gradativamente por um sentimento hostil aos direitos fundamentais da vida humana, passando a conceber a barbárie como a que ocorreu no COMPAJ, em Manaus, como algo “bom”, a partir da naturalização da violência e da defesa da ideia de que “bandido bom é bandido morto”. Esta posição foi, de certo modo, ratificada por José Melo de Oliveira, Governador do Amazonas, ao declarar que “não havia nenhum santo” entre os mortos. Este acontecimento, à semelhança de tantos outros significa, para uma parcela da sociedade brasileira, punição e uma espécie de vingança coletiva. A posição assumida por muitos brasileiros, a partir da análise dos comentários referentes às mortes de detentos em Manaus, tal como em casos semelhantes, em jornais e redes sociais, demonstra uma atitude que é consequência do sentimento de ausência do Estado enquanto responsável por assegurar a vida dos cidadãos. Deste modo, o Estado de Direito e a própria democracia estão em risco.

As falhas constantes do Estado brasileiro, principalmente no que toca à Segurança, permitiram a gênese de uma divisão no interior da sociedade naquilo que diz respeito à concepção de pessoa e de valores. Deste modo, destacam-se aqueles que falam em nome das “pessoas de bem”, ignorando os Direitos Humanos e a própria Justiça, sem levar em consideração que a origem da violência está arraigada a questões sociais graves, tais como a exclusão social, a discriminação, os preconceitos, a má distribuição de renda e tantos outros que, até o momento, não foram solucionados. Por outro lado, não há uma reflexão em torno destes problemas para esclarecer a população acerca das circunstâncias dos fatos e da problemática dos Direitos Humanos e da Justiça. Ao ignorar isto, numa sociedade em que os Direitos Civis se encontram feridos, a tendência é que, para muitos, os Direitos Humanos não têm, como beneficiários, todos os seres humanos. Deste modo, a aplicação da lei nem sempre é suficiente para aplacar o juízo feito em conformidade com o modo de pensar de cada um, que foi estruturado numa sociedade desajustada, globalmente ignorante do princípio de que o Estado é, também, o guardião e o responsável pela vida dos prisioneiros. Foi com base neste princípio que, em 3 de janeiro, a ONU emitiu um comunicado cobrando das autoridades do Estado do Amazonas, uma investigação “imediata e imparcial”.

Hoje, o Brasil é o país com a quarta maior população carcerária do mundo. Consoante dados do Governo Federal, em 2016, a “população penitenciária brasileira chegou a 622.202” pessoas. Esta realidade, ignorada e pouco debatida pela maioria da população, assim como a existência de condições infra-humanas no sistema penitenciário brasileiro que, em vez de reeducar os presidiários, estimula a agressividade, contribui para o aumento da criminalidade a partir da revolta e da crença de que o crime compensa. Isto também não é nenhuma novidade para o Brasil e aos olhos do mundo, tanto que, ao falar sobre o ocorrido recentemente em Manaus, o Papa Francisco apelou para que as “instituições prisionais sejam locais de reabilitação e reintegração social e que as condições de vida dos detidos sejam dignas de seres humanos”. Em 2016, o Brasil teve aproximadamente 400 mortes violentas em seus presídios. Estes dados revelam que, em média, ocorreu mais de uma morte por dia nas penitenciárias brasileiras. Os números demonstram que a inflamação no interior dos presídios do país é uma situação rotineira.

A rebelião ocorrida no COMPAJ está inserida nesta conjuntura. Passados quatro dias daquela chacina, o Presidente Michel Temer classificou o acontecido como “acidente pavoroso”. Porém, há dados que comprovam que o evento trágico de Manaus não se trata de um acidente ou de um caso isolado. De acordo com a imprensa, em janeiro de 2016, “peritos da área de Direitos Humanos do Governo Federal alertaram para o risco de rebeliões em quatro presídios de Manaus, entre os quais o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj)”, onde ocorreram os assassinatos. Segundo o relatório de especialistas, os detentos nas prisões de Manaus “basicamente se autogovernavam nas unidades prisionais” e todas as unidades “estavam sob um clima de grande inquietação” devido à “transferência de integrantes da Família do Norte (FDN) – facção criminosa predominante nas penitenciárias locais – para presídios federais”. A chacina no COMPAJ foi, portanto, uma tragédia anunciada. Numa população carcerária imensa, como a brasileira, ignorar informações é subjugar a vida. Ante os últimos acontecimentos, o Brasil terá que rever as posições que assumiu até hoje, começando por empenhar-se em resolver os problemas que minam a estrutura da sociedade, colocando em risco os Direitos Civis e Humanos ao promover a Lei de Talião – “Olho por olho, dente por dente[3] , seja nos presídios, seja na própria sociedade.

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Imagem 1Confronto em complexo penitenciário durou mais de 17 horas” (Fonte):

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/521875-COMISSAO-DE-DIREITOS-HUMANOS-PEDE-FORCA-TAREFA-PARA-INVESTIGAR-MASSACRE-EM-MANAUS.html

Imagem 2Antigo Presídio do Carandiru, em São Paulo” (Fonte):

http://wikimapia.org/3998850/pt/BSP-Biblioteca-São-Paulo

Imagem 3Bandeira do Hezbollah” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hezbollah

Imagem 4Foto Oficial do Governador do estado do Amazonas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/José_Melo_de_Oliveira

Imagem 5Bergoglio enquanto Cardeal e Arcebispo de Buenos Aires, em 2008” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

Imagem 6Secretaria Especial de Direitos Humanos, Manaus. Logotipo da campanha Agenda de Convergência” (Fonte):

http://www.sdh.gov.br/assuntos/criancas-e-adolescentes/agenda-de-convergencia/imagens/manaus-vermelho

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] O COMPAJ é administrado pela empresa Ummanizare – Gestão Prisional Privada, sediada em São Paulo.

A Ummanizare assumiu a gestão do presídio em 1.º de junho de 2014, “com o intuito de empregar diversas práticas e ações já desenvolvidas em outras unidades prisionais geridas por ela e que amenizam a condição de cárcere do detento”.

[2] Além do CONPAJ, verificou-se uma revolta na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), em Manaus, no mesmo dia, da qual resultaram 4 mortos.

Cf. REDAÇÃO, “Mais 4 Presos Mortos em Massacre no AM são Identificados, Diz Governo”, Globo Amazonas, s. l. [Manaus], 5 de janeiro de 2017.

Disponível online:

http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2017/01/mais-4-presos-mortos-em-massacre-no-am-sao-identificados-diz-governo.html

[3] Ver:

Gn. 4: 10-11; Ex. 21: 23-25.

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]A Interdependência entre Energia e Água[:]

[:pt]

A produção de energia depende da água, principalmente para o resfriamento de usinas termelétricas, mas também na produção, transporte e processamento de combustíveis fósseis. Além disso, cada vez mais a água é usada na irrigação de culturas para produção de biomassa de uso energético. Por outro lado, a energia é vital para o funcionamento de sistemas que coletam, transportam, distribuem e tratam a água, garantindo seu fornecimento para seus diversos usos.

Tanto a energia como a água são recursos que enfrentam demandas e restrições crescentes em muitas regiões como consequência do crescimento populacional, do desenvolvimento socioeconômico e das mudanças climáticas. Sua interdependência tende, portanto, a amplificar a mútua vulnerabilidade.

Para o setor da energia, as restrições à água podem pôr em causa a confiabilidade das operações das usinas termelétricas existentes, bem como a viabilidade física, econômica e ambiental de futuros projetos. Igualmente importante em termos de riscos relacionados à água enfrentados pelo setor energético, o seu uso para a produção de energia pode afetar os recursos de água doce, tanto na sua quantidade como na sua qualidade. Por outro lado, a dependência dos serviços de abastecimento de água da disponibilidade de energia afetará a capacidade de fornecer água potável e serviços de saneamento às populações.

O World Energy Outlook WEO 2016, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA) em 16 de novembro de 2016, tem um capítulo dedicado ao nexo entre energia e água e analisa como as complexas interdependências entre esses dois recursos se aprofundarão nas próximas décadas. Esta análise atualiza o trabalho anterior realizado em 2012 e avalia as necessidades atuais e futuras de água doce para a produção de energia, destacando potenciais vulnerabilidades e pontos-chave de estresse. Além disso, pela primeira vez, o WEO 2016 observa a relação energia-água, analisando as necessidades energéticas para diferentes processos no setor de água, incluindo abastecimento, distribuição, tratamento de águas residuais e dessalinização. As principais conclusões foram divulgadas no Global Water Forum, na COP22, em 15 de novembro de 2016.

As interdependências entre energia e água deverão ser intensificadas nos próximos anos, uma vez que as necessidades desta no setor energético e as necessidades energéticas do setor de água crescem simultaneamente. A água é essencial para todas as fases da produção de energia: este setor é responsável por 10% das retiradas mundiais de água, principalmente para o funcionamento das centrais termelétricas, bem como para a produção de combustíveis fósseis e biocombustíveis. Estas necessidades aumentam, especialmente para água que é consumida (isto é, que é retirada, mas não devolvida a uma fonte). No setor de energia há uma mudança para tecnologias avançadas de resfriamento que retiram menos água, mas que, por sua vez, consomem mais.

O crescimento da procura por biocombustíveis aumenta o consumo de água e uma maior utilização da energia nuclear aumenta os níveis de retirada e de consumo. No outro lado da equação energia-água, a análise do WEO 2016 fornece uma primeira estimativa global sistemática da quantidade de energia usada para fornecer água aos consumidores. Em 2014, cerca de 4% do consumo global de energia elétrica foi utilizado para extrair, distribuir e tratar água e esgoto, juntamente com 50 milhões de toneladas de óleo equivalente de energia térmica, principalmente diesel, usado para bombas de irrigação, e gás em usinas de dessalinização.

Durante o período até 2040, a quantidade de energia usada no setor de água é projetada para mais do que o dobro. A capacidade de dessalinização aumenta acentuadamente no Oriente Médio e no Norte da África e a demanda por tratamento de águas residuais (e níveis mais altos de tratamento) cresce especialmente nas economias emergentes. Em 2040, 16% do consumo de eletricidade no Oriente Médio está relacionado ao fornecimento de água.

A gestão das interdependências água-energia é crucial para as perspectivas de realização bem-sucedida de uma série de metas de desenvolvimento e de mitigação das mudanças climáticas. Há várias conexões entre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDG) sobre água limpa e saneamento (SDG 6) e energia limpa e acessível (SDG 7) que, se bem geridos, permitam alcançar os dois conjuntos de metas.

Existem também muitas oportunidades economicamente viáveis para economias de energia e água que podem aliviar as pressões sobre ambos os recursos, se considerados de forma integrada. Os esforços para combater as alterações climáticas podem exacerbar o estresse hídrico ou serem limitados pela disponibilidade de água em alguns casos. Algumas tecnologias de baixas emissões de carbono, como a energia eólica e solar, requerem muito pouca água, mas quanto mais uma via de descarbonização se baseia nos biocombustíveis, concentrando a energia solar, a captura de carbono ou a energia nuclear, mais água é consumida.

Possivelmente, a gestão combinada e harmônica da energia e da água seja o maior desafio para uma efetiva transição para uma economia de baixo carbono, requerida pela mitigação das mudanças climáticas. Tendo em vista que a gestão desses recursos tem um forte componente transnacional, os efeitos geopolíticos dessa transição se tornarão cada vez mais pronunciados.

Note-se, finalmente, que a água do mar é um recurso praticamente inesgotável. Seu efetivo uso, entretanto, depende da disponibilidade de energia abundante e a baixo custo para dessalinização e posterior transporte e distribuição para os locais carentes em água doce. Isto abre um amplo campo para a aplicação da dessalinização em grande escala, para a qual a energia nuclear seria uma alternativa viável.

Com efeito, a energia nuclear já está sendo usada para dessalinização e tem potencial para um uso muito maior. A dessalinização nuclear é muito competitiva em termos de custos e somente os reatores nucleares são capazes de fornecer as copiosas quantidades de energia necessárias para projetos em grande escala no futuro.

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Imagem 1Flag of the International Atomic Energy Agency (IAEA), an organization of the United Nations” / “Bandeira da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), uma organização das Nações Unidas” (Tradução Livre) (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Agência_Internacional_de_Energia_Atómica

Imagem 2Capa do Sumário Executivo do World Energy Outlook WEO 2016” (Fonte):

https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/WorldEnergyOutlook2016ExecutiveSummaryEnglish.pdf

Imagem 3Marrakesh COP22” (Fonte):

http://www.cop22-morocco.com

Imagem 4Metas do Desenvolvimento Sustentável” (Fonte):

http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/

Imagem 5Dessalinização Nuclear” (Fonte):

https://www.oecd-nea.org/ndd/workshops/nucogen/presentations/8_Khamis_Overview-nuclear-desalination.pdf

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Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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