ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

Integração de serviços e criação de espaços inteligentes nas Smartcities

Um dos maiores desafios que enfrentam as cidades do Brasil e do mundo é a dificuldade de integrar as diferentes informações que compõe o cenário urbano e que ajudam no planejamento, gerenciamento e na tomada de decisões para a prestação de serviços. 

É bastante comum que pequenas ações e intervenções sejam atrasadas ou não realizadas devido ao desencontro de informações, ao número de instituições envolvidas e à dificuldade de definir prioridades e responsabilidades. Assim, um simples problema com um poste elétrico pode demorar mais do que o necessário por não haver um protocolo eficiente capaz de comunicar qual é a empresa ou órgão público responsável por resolver essa avaria.

Em 2017 o SUS desperdiçou mais de R$ 16 milhões em medicamentos de alto custo

A gestão eficiente das informações que circulam a cidade proporciona maior controle sobre as diferentes dinâmicas do espaço urbano, gerando uma integração entre os setores público, privado e a sociedade como um todo capaz de produzir um espaço inteligente que serve de guia para o próprio desenvolvimento econômico e social. Por isso, de nada serve possuir sistemas isolados de informação, incapazes de interagir com a informação de outros atores, ou possuir informação, mas que a mesma não seja amplamente divulgada. 

Nas cidades brasileiras temos centenas de exemplos de sistemas isolados de informações cujo único resultado na maioria das vezes é o desperdício de recursos por um lado, ou a falta do mesmo pelo outro. De nada serve possuir um centro de distribuição de remédios comum sistema de controle de estoque se o mesmo não está integrado com outros centros, hospitais e postos de saúde da rede pública.

Por outro lado, também não tem serventia alguma possuir todo esse sistema quando as informações que ele gera não são utilizadas nas tomadas de decisão da Secretaria de Saúde durante a compra e distribuição de insumos, ou durante a elaboração do orçamento do próprio município.

Outra situação muito comum nas cidades brasileiras é a divisão das responsabilidades e obrigações, principalmente devido aos diferentes atores e níveis de poder público e também ao incremento da participação do setor privado em projetos de Parceria Público-Privado (PPP), dificultando, assim, a transmissão de informações. 

A Integração pode utilizar informações da IoT

Por esse motivo, muitos projetos nos quais intervém esses diferentes atores, tais como obras de infraestrutura ou intervenções em zeladoria, sofrem diversas alterações que impactam na própria prestação do serviço, no tempo de entrega e na qualidade do mesmo. Muitas dessas alterações seriam desnecessárias caso houvesse uma melhor gestão na etapa de criação do projeto.

É necessário promover uma maior integração dessas informações, gerando cadeias lógicas de comandos e protocolos de funcionamento interligados. Assim, quando houver uma intervenção em uma rua por exemplo, é necessário saber qual é o prazo de cada empresa, a função de cada uma, a origem dos recursos, do material, da mão de obra, quando deve ser feita a interdição do trânsito ou desligar a rede elétrica e, após finalizar a intervenção, quando devem ser restaurados os serviços. Cada processo é importante e todos geram uma dinâmica que deve ser assimilada pela cidade junto a outros processos.

Todos os setores urbanos podem e devem ser integrados de modo a formar um grande mecanismo logístico onde a informação é o principal elemento, agindo como a “inteligência” deste grande ente urbano que forma a cidade.

O tratamento das informações é o principal fator para gerar um espaço inteligente em uma Smartcity, já que não adianta realizar grandes investimentos, implementar novas tecnologias, contratar diversos funcionários ou diversificar a economia utilizando de modo isolado ou setorial as informações que circulam em cada uma dessas dinâmicas. Por exemplo, se uma cidade implementou um sistema de iluminação a led, ela deve recompilar não somente as informações referentes ao consumo de energia, como também saber o impacto no valor do m² da região, na redução dos crimes e violência noturna, no bem-estar das pessoas etc., e também deve ter que essas informações sejam divididas com outros setores implicados, formando uma base de conhecimentos desde um projeto simples. 

Setores SmartCity

Somente o conjunto de informações interligados fornece uma visão integrada de como funciona a cidade por inteiro, e fornece também a imagem de como fazer com que projetos de Smartcity não sejam apenas intervenções locais e setoriais, mas processos que modificam a dinâmica de uma cidade, promovendo o desenvolvimento da mesma de forma mais homogênea e equilibrada.

Fazer com que a dinâmica de cada setor de uma cidade se transforme em um processo dentro de um espaço inteligente promove a inovação de todos os setores implicados, tanto públicos como privados e dos segmentos sociais. Ou seja, não se trata somente de inovar em um setor, mas fazer com que graças a integração gerada, a inovação em um determinado setor seja perceptível em todo o sistema.

Por esse motivo, muitas das Smartcities estão implementando novas tecnologias com o intuito de gerar sistemas integrados de informação. Entre elas podemos destacar:

– Telecomunicações (WIFI, 3G, Digital TV)

– E-Government

– E-Health

– Economia criativa

– Smartgrids

– BIGData

– IoT (Internet das coisas)

– IA inteligência Artificial

A implementação dessas tecnologias varia conforme a cidade e o próprio projeto de Smartcity, não havendo um padrão a seguir, nem a necessidade de utilização de todas, porém são ferramentas importantes na integração das dinâmicas urbanas e na consolidação de uma cidade inteligente e de uma rede de informações integradas.

Uma boa gestão das informações de um espaço urbano é o que possibilita os projetos de Smartcity, dessa forma, tanto grandes cidades quanto pequenos municípios podem gerar espaços inteligentes, somente o volume das informações e suas dinâmicas serão diferentes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Mundo em Conexão” (Fonte):

https://marketingland.com/wp-content/ml-loads/2017/10/social-media-1920-ss-800×450.jpg

Imagem 2Em 2017 o SUS desperdiçou mais de R$ 16 milhões em medicamentos de alto custo” (Fonte):

https://leismunicipais.com.br/noticias/wp-content/uploads/2014/11/201411171-1.jpg

Imagem 3A Integração pode utilizar informações da IoT” (Fonte):

http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2017/09/cidades-monitoradas.jpg

Imagem 4Setores SmartCity” (Fonte):

https://smartcitiesworld.net/AcuCustom/Sitename/DAM/007/news-gov-apr17-Frost_Sull_smart.jpg

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O processo produtivo, criativo e o desenvolvimento social das Smartcities

Criar um espaço inteligente em um meio urbano não se trata apenas de implementar uma nova tecnologia, serviço básico, público ou realizar ações locais determinadas, incapazes de promover um real benefício para toda a cidade.

Projeto [email protected] – Distrito Inteligente de Barcelona

Um processo inteligente, conforme foi abordado ao longo deste ciclo de artigos sobre Smartcities, deve levar em consideração as dinâmicas intrínsecas das cidades e atuar como vetor da mudança e inovação dessas dinâmicas, promovendo uma sinergia entre os diferentes atores e fatores implicados, sendo este um processo inclusivo no qual a cidade atua como um grande ente vivo onde cada dinâmica é fundamental para seu funcionamento.

O projeto de Smartcity de uma cidade é a própria inteligência desse ente urbano, de modo que se afasta dos típicos programas eleitorais e ações governamentais limitadas cronologicamente, para ter um caráter próprio e único que perdura ao longo do tempo e serve de guia real para as ações públicas. A cidade deixa de estar à mercê de uma visão política determinada e passa a impor sua realidade e suas dinâmicas como um roteiro ao qual as forças políticas e privadas devem se adaptar.

Um exemplo visível disso são as próprias dinâmicas produtivas de uma cidade. A distribuição de fábricas, a força de trabalho e a segmentação econômica dos bairros vão continuar as mesmas – salvo grande intervenções – independentes do partido que ocupe o poder, de modo que uma política implementada em um bairro de alto padrão durante uma determinada gestão, em nada irá afetar a produtividade ou realidade das regiões industriais que normalmente ficam mais afastadas, ao menos não a curto prazo ou de forma controlada.

Um processo inteligente, por outro lado, tem como objetivo harmonizar o impacto de projetos na própria dinâmica populacional, levando em consideração onde moram os trabalhadores, a oferta de transporte para os centros de produção, onde se localiza o consumo de maior volume na cidade, a distância dos centros financeiros etc., tudo funcionando de forma esquematizada para gerar um fluxo inteligente e sustentável, pois uma ação gera impacto e ecoa em vários setores.

A utilização de processos inteligentes, ajudou a muitas cidades europeias a transformarem o setor produtivo de suas grandes capitais, mas antes foi necessário compreender os processos e dinâmicas que moldavam a realidade dessas cidades.

Setores em Barcelona

Madrid, Barcelona, Milão, Londres, Paris, Berlim e Bilbao, por exemplo, sofreram um grande processo de desindustrialização entre os anos 80-90, assim como um aumento considerável dos custos da mão de obra, a falta de trabalhadores, o aumento desproporcional do valor dos imóveis, o crescente fluxo migratório e informalidade de vários setores, a globalização das economias e a concorrência das economias emergentes (China, Brasil, Índia, Rússia). As cidades europeias cresciam em economia, mas perdiam em competitividade e em qualidade de vida, até que as cidades inteligentes floresceram por todo o continente.

Os projetos urbanos mudaram essa realidade. A cidade de Barcelona foi uma das primeiras com o projeto olímpico Barcelona 92, que logo se transformou no projeto Barcelona Smartcity, e muitas cidades da Espanha e da Europa seguiram o exemplo, promovendo uma grande onda de transformações só antes vista no século XIX.

O processo produtivo e as dinâmicas sociais serviram de guia para essas cidades localizarem onde se reúnem os principais contingentes populacionais, a dinâmica econômica entre eles, a flexibilização e mobilização social prevista, o potencial inovador a mobilidade e formação disponível sendo as bases de uma grande revolução.

A criação de distritos da criatividade e inovação em regiões deterioradas da cidade, o aumento da oferta de transporte público e um rígido controle dos imóveis desocupados, promoveram um enorme impacto nas dinâmicas sociais e uma redução considerável da desigualdade, pois as classes sociais já não se agrupavam de uma forma tão visível, mas se distribuíram melhor pela cidade, gerando novas dinâmicas econômicas.

O setor produtivo foi levado a setores industriais ou a zonas francas (normalmente posicionadas, ou próximas aos portos ou aeroportos) reduzindo os custos logísticos de curto e longo prazo, promovendo a criação de clusters ou polos especializados, gerando uma força única de indução – se o governo precisa levar o metrô até o aeroporto, ele deve passar obrigatoriamente por esses setores –, aproveitando a dinâmica do próprio espaço urbano para gerar impulsos de inovação.

Ou seja, não se trata de investir e trazer uma tecnologia cara que funcione em um país desenvolvido. Isso não é ser “inteligente”, é simplesmente “colar na prova” e quase nunca dá resultados. Trata-se de conhecer como funciona uma cidade para justamente saber como racionalizar um processo inerente desse espaço e de como modificá-lo.

Os setores produtivo e criativo são geradores e ao mesmo tempo beneficiários desses projetos e é nessa dimensão que o setor privado participa do processo de desenvolvimento da urbe. Já que a evolução de uma cidade não é algo bom somente para o cidadão, ou para o político que a governa, mas para todos os que ocupam e exercem suas atividades nesse espaço, e deve ser contemplado dessa forma.

O desenvolvimento é a força motriz que fornece energia a todo o processo e quanto mais avança uma cidade em seu projeto inteligente, maior é a performance e o resultado do desenvolvimento, seja este econômico, produtivo, criativo ou social.

Em países como o Brasil este processo é de vital importância, pois mais de 80% da população é urbana, tem uma grande taxa de desigualdade, concentração econômica e produtiva no eixo “São Paulo–Rio de Janeiro–Belo Horizonte” e falta de serviços básicos e de infraestrutura. É necessário conhecer bem a realidade das cidades para implementar estes projetos, não somente nas grandes cidades, mas também nos pequenos e médios municípios.

De nada serve gerar um complexo inteligente de última geração na Zona Sul do Rio de Janeiro, quando a mão de obra se concentra na baixada, acrescentando-se que o parque Tecnológico do Rio de Janeiro também está na baixada e o CBD (Central Business District – centro de negócios de uma cidade) na região central. Ou seja, isto seria uma intervenção exclusiva e não inclusiva. O mesmo se aplica a praticamente todas as capitais do Brasil.

Já no caso das pequenas e médias cidades, de nada vale tentar criar uma região de inovação tecnológica copiando o Vale do Silício na Califórnia, se não existem bons acessos, infraestrutura, mão de obra e uma economia capaz de estimular startups, ou, pior ainda, aqueles municípios que se destacam em agrobusiness e desejam implementar soluções para a indústria que não é do seu know how, sendo que a geração de valor dentro de um setor onde o município é competitivo, sem dúvidas, é mais viável.

A produtividade, a criatividade e o desenvolvimento não são ciclos que começam de forma anacrônica. Os fatores locais, sua história e o seu funcionamento vão determinar o caminho que é preciso trilhar. Isso, sim, é ser uma cidade inteligente, sendo cada projeto único.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Global Cities Connection” (Fonte):

http://www.corrs.com.au/assets/expertise/secondary/jd-global-laying-foundations.jpg

Imagem 2Plano ampliação de Madri 1857 (Em vermelho nova área urbana ao redor do centro histórico)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7d/Plano_del_Ensanche_de_Madrid-1861.jpg

Imagem 3Setores em Barcelona” (Fonte):

https://image.slidesharecdn.com/22barcelona-versin-castellana-etre-20073112/95/22barcelona-versin-castellana-etre-2007-14-728.jpg?cb=1191231709

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O Papel da Tecnologia nas Smartcities

Os projetos de Smarcities (Cidades Inteligentes) têm como seu principal objetivo estimular a criação de um ambiente inteligente no qual as dinâmicas e processos intrínsecos do espaço urbano são raciocinados e direcionados para promover o desenvolvimento sustentável da cidade e de sua população. 

Segmentos Smartcity

A tecnologia é sem dúvidas um dos principais vetores no desenvolvimento deste tipo de projeto, atuando como integradora das diversas dimensões que abrangem este processo, possibilitando a inovação e também a geração, integração ou modificação de novas dinâmicas dentro das cidades.

Mas existem desafios importantes no uso da tecnologia em projetos de Smartcity. O principal é a falta de integração dos próprios atores implicados. De nada serve instalar um processo informático de controle dos estoques de materiais para obras públicas se não existir uma rede interligada capaz de harmonizar essas informações e transformar a mesma em um processo lógico ou comando; da mesma forma, não é eficiente um sistema de controle de ocorrências na rede elétrica que não esteja interligado às diferentes prestadoras de serviço. Dispor de uma tecnologia não necessariamente significa gerar um processo inteligente. Essa realidade é perceptível em diversas cidades do Brasil.

A tecnologia oferece a possibilidade de reduzir as assimetrias típicas das cidades brasileiras. A criação de um ambiente digital oferece uma homogeneidade que permite visualizar a cidade como um grande ente formado por diferentes dinâmicas, sejam estas sociais, políticas, econômica ou produtivas.

Ao contemplar a cidade como um espaço inteligente, as intervenções passam a ser interligadas e não apenas projetos isolados, gerando um efeito em cadeia. Mas, para isso, é necessário uma correta implementação e o uso das ferramentas tecnológicas disponíveis.

Outro aspecto relevante da tecnologia é o seu potencial inovador e sua capacidade de estimular e gerar novos projetos. Para as cidades inteligentes, ela é a principal ferramenta para a evolução do processo, havendo diferentes tipos que podem ser implementados conforme as próprias características dos polos urbanos. Entre as principais podemos destacar:

– Tecnologia da informação, usada para integrar os diferentes atores que compõem o espaço urbano e redesenhar processos existentes, buscando um maior resultado e maior eficiência. Mediante a tecnologia da informação é possível digitalizar o espaço urbano e fazer uso de novas ferramentas, tais como a Internet das coisas, o e-government, o e-health etc.

– Tecnologia da produção, usada para aumentar a competitividade do sistema produtivo de uma cidade ou região, permitindo o desenvolvimento de uma economia cíclica, estimulando o setor criativo e inserindo novas técnicas produtivas tais como a robótica.

– Tecnologia verde, usada com o objetivo de melhorar a relação das pessoas com o meio ambiente e a sustentabilidade, promovendo o uso mais eficiente dos recursos além da correta preservação ambiental necessária para garantir o futuro das próximas gerações.

– Inovação, não se trata de uma tecnologia determinada, mas sim, da capacidade de transformação e melhoria contínua dos processos que existem ou que venham a existir em uma região urbana.

Cada tecnologia possuí serviços e ferramentas disponíveis de forma desigual, não sendo todas aplicáveis a todas as cidades, embora exista uma série de setores nos quais se fundamentam as Smartcities, que são:

– Open Data

– Mobilidade

– Plataforma participativa e E-government

– Smart grids

– Coleta Seletiva

– Serviços inteligentes

– Conectividade

– Educação

– AgroSmart

Cada projeto de Smartcity é único, pois cada cidade  possui características próprias e mesmo que existam polos urbanos semelhantes, e que compartem desafios parecidos, não há um guia padrão que explique como deve ser realizado o uso da tecnologia e sua aplicação, além do mais, é necessário levar em consideração que todas as cidades são passíveis de se transformar em polos inteligentes dentro de suas próprias características, mas nem todas possuem capacidade financeira ou estrutural para seguir um roteiro pré-estabelecido pelas grandes metrópoles.

Ao redor do mundo existem exemplos de diferentes cidades inteligentes que aplicaram a tecnologia conforme suas próprias características. A cidade de Madrid, por exemplo, utiliza uma rede integrada de transporte que permite uma melhor ocupação e distribuição da população na cidade; por outro lado, a pequena cidade francesa de Dijon criou um espaço urbano integrado gerenciado pela Prefeitura onde o cidadão tem acesso a todos os serviços públicos desde uma plataforma digital.

Centro de Operações do Rio de Janeiro

No Brasil já existe um número considerável de projetos de Smartcity, as capitais estaduais e capitais regionais lideram esses projetos, embora cada uma esteja em uma etapa diferente. No Rio de janeiro, o Centro de Operações atua como uma plataforma integrada dos serviços de emergência pública; já em Florianópolis o setor criativo é estimulado graças ao estabelecimento de parques tecnológicos e centros de pesquisa.

Existem redes formadas por essas cidades com o objetivo de fomentar o intercâmbio de conhecimento e experiências, sendo crescente o interesse tanto na área pública quanto na privada. Neste aspecto, a tecnologia se transforma em um ponto fundamental ao reduzir as distâncias e ao permitir uma maior interação entre os diferentes atores.

É certo que o país ainda apresenta deficiências na infraestrutura que podem afetar a evolução de alguns projetos de Smartcity, mas, por outro lado, essas cidades podem atuar como polos indutores e transformadores da região, além de atrair um novo fluxo de investimentos e uma distribuição mais equitativa no país.

A integração tecnológica pode ser realizada em diferentes níveis e, aos poucos, gerar os processos necessários para a implementação de um projeto de Cidade Inteligente. No entanto, a mesma deve estar aliada a uma série de intervenções que permitam essa integração, tais como infraestrutura mínima, educação, participação pública e privada. Mas, sem dúvida, uma vez instalada esta passa a atuar como uma pedra fundamental no futuro da cidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Componentes de um projeto de Smartcity” (Fonte):

http://cdn.ttgtmedia.com/rms/onlineImages/iota-smart_city_components_desktop.jpg

Imagem 2 Segmentos Smartcity” (Fonte):

https://us.123rf.com/450wm/monicaodo/monicaodo1602/monicaodo160200011/52445942-conceito-de-cidade-inteligente-com-diferente-%EF%BF%BDcone-e-elementos.-design-de-cidade-moderna,-com-tecnolog.jpg?ver=6

Imagem 3 Centro de Operações do Rio de Janeiro” (Fonte):

http://www.simi.org.br/files/news/image/305/centro_de_operacoes_do_rio_de_janeiro.jpg

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Das SmartCities a cidades globais no declínio dos atores internacionais

Milão, Paris, Xangai, Nova York, Hong Kong, Londres, Barcelona, Frankfurt, São Paulo, Zurique são cidades que dispensam apresentações, mesmo que algumas não sejam nem se quer a capital de seus respectivos países. Porém, são cidades cuja influência econômica, cultural, tecnológica e financeira transpassam os limites do território nacional e se projetam pelo globo como entidades com personalidades e dinâmicas próprias.

Algumas dessas cidades respondem por grande parte da economia de suas regiões ou até mesmo do país e podem chegar a concorrer com nações vizinhas em relação a sua influência internacional e ao PIB. Por esse motivo são conhecidas como cidades globais. São centros neurológicos que crescem de forma paralela ou até mesmo diferente do resto da nação.

Componentes de um projeto de Smartcity

O surgimento da cidade como ator internacional permitiu uma contínua expansão da influência da mesma no panorama global, levando ao constante desenvolvimento da Paradiplomacia.

Mas a expansão das grandes cidades, seja ela de forma interna desde o período pós-guerra, como externa, pelo efeito da globalização, gerou uma série de desafios que vão desde a ocupação do espaço urbano à mobilidade das pessoas até à distribuição das atividades e dinâmicas econômicas intrínsecas de cada local.

Neste contexto de grandes transformações surgem as chamadas “Cidades Inteligentes” ou, em inglês, SmartCities, centro urbanos cujas distintas dinâmicas são racionalizadas, repensadas e redesenhadas com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável das mesmas, a integração dos diferentes atores e setores que formam a vida social, econômica e cultural, assim como a correta ocupação do espaço urbano e proteção ao meio ambiente.

Embora seja importante ressaltar que não somente as cidades globais são a únicas passíveis de aplicar projetos inteligentes – havendo já pequenos e médios municípios com projetos em operação –, sem dúvidas elas foram as pioneiras do processo e atuam como indutoras dessas mudanças.

Atualmente, existem diferentes rankings que tratam de classificar as cidades inteligentes ao redor do planeta, assim como diversos projetos governamentais que buscam estimular o setor, porém ainda são muitas as dúvidas que suscitam o tema, pois nem todo projeto urbanístico pode ser considerado um processo inteligente e dinâmico, já que este deve ser benéfico não somente para um setor ou dimensão da cidade, mas para sua dinâmica como um todo. De modo que, para entender melhor, é preciso definir em poucas linhas o que é uma cidade inteligente.

Uma Smartcity é um espaço urbano (independentemente do tamanho) onde se aplica um processo de racionalização das dinâmicas inerentes dessa área, promovendo a geração de um espaço inteligente, onde os diferentes elementos que formam a cidade (cidadãos, governo, empresas, serviços, meio ambiente etc.) são integrados mediante a racionalização do próprio espaço, fazendo uso de novas tecnológicas e inovando processos já existentes ou criando novos.

SmartCity Expo World Congress, evento realizado em Barcelona, a cidade é considerada a maior Smartcity da Europa

A cidade passa atuar como um organismo onde cada elemento possui uma importância fundamental para o bom funcionamento geral e onde cada dinâmica – seja esta social, econômica ou produtiva – tem sua importância e gera conhecimento. Este “conhecimento” é a essência das SmartCities, é a inteligência que move todo o ciclo, transformando o projeto em algo duradouro. Independentemente da visão ideológica de uma determinada política, a cidade passa a ter seu próprio caráter e seu próprio projeto. 

Existe uma série de componentes presentes nos projetos de Smartcity, entre eles podemos destacar a utilização das telecomunicações e tecnologia da informação, geração e distribuição inteligente de energia, automatização e inovação de processos produtivos, modernização de serviços públicos, integração de setores econômicos, cuidado do meio ambiente e integração social e cidadã.

A cada ano que passa o tema Smartcity ganha importância no cenário acadêmico, econômico e político, muitos são os projetos que se desenvolvem ao longo do globo, porém também são muitos os equívocos. Existem cidades que ainda estão implementando projetos de infraestrutura básica que podem ser considerados apenas como um embrião de uma Smartcity; outras geram espaços isolados (condomínios) que, salvo raras exceções, são incapazes de impactar em toda a dinâmica da cidade. Ainda assim, cada projeto que surge, gera um conhecimento que pode ser transferido, emulado ou adaptado para uma cidade diferente, por isso, todo ano, em Barcelona, durante as últimas semanas de novembro, se organizada o Smartcity Expo World Congress, considerada a maior feira do setor e ponto de encontro para empresas, autoridades, organizações e sociedade civil para discutir o futuro das cidades e sua atuação no mundo.

Com a crescente instabilidade política internacional, decorrentes de mudanças importantes, tais como o isolacionismo proferido pelo atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumento de tensões na Ásia, instabilidade no Oriente Médio e Norte da África, mudanças políticas e instabilidade no processo de integração da União Europeia, novas diretrizes de desenvolvimento da China etc., a ação dos Estados se concentra principalmente na manutenção de sua estrutura e na proteção de seus interesses, dificultando as negociações internacionais.

Mapa cidades globais mundo

E, mesmo quando existem tais negociações (como, por exemplo, o avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia), a própria composição dos Blocos negociantes dificulta sua concretização e morosidade, tomando conta do processo. Já por outro lado, as negociações e projetos realizados através da cooperação internacional promovidos pela paradiplomacia e aplicados pelas cidades inteligentes são capazes de gerar respostas à realidade dos cidadãos, gerando movimentos internos que acabam por influenciar a própria formulação política de um país. Neste sentido, a mudança dessa forma de atuar vem de baixo para cima e alguns países já conseguem vislumbrar as potencialidades que se ocultam nessas negociações.

A Cidades Inteligentes, lideradas pelas cidades globais e cidades Alphas, estão ganhando maior protagonismo devido a esse declínio dos atores internacionais, sejam os Estados ou as Organizações internacionais – hoje sendo questionadas e algumas como a Unesco e o Tribunal Internacional já com baixas – e também graças às ações das próprias multinacionais que buscam manter suas atividades se movimentando de forma mais rápida que a capacidade de resposta dos próprios Governos.

As SmartCities geram dinâmicas inteligentes que oferecem um entorno mais sustentável tanto para seus cidadãos como para instituições e organizações, gerando uma espécie de porto seguro em um mundo onde é cada vez mais difícil desenvolver uma estratégia global sem ser afetado pelas constantes mudanças geopolíticas. Algumas cidades, tais como Cingapura, Amsterdam, Toronto, entre outras, lideram a atração de investimentos e mobilização de capital para inovação e desenvolvimento, justamente por oferecer um entorno equilibrado para as empresas.

Talvez as palavras “entorno equilibrado” sejam as mais adequadas para quantificar ou avaliar um processo de Smartcity na conjuntura atual. Uma Smartcity não necessariamente deve ser como as cidades Alfas da Europa ou polos de inovação da Ásia, mas, sim, deve oferecer, dentro de suas singularidades, um entorno equilibrado onde se concentram fatores que façam dessa localidade um polo sustentável, competitivo e criativo, em outras palavras, um polo inteligente, mesmo que este seja um grande centro financeiro ou um grande produtor agrícola.

É neste contexto onde o cenário internacional e a própria globalização são questionados que as cidades inteligentes representam uma nova dimensão, muito mais próxima das pessoas e de seus interesses, sem gerar os atritos das pressões geopolíticas. E, neste mês de novembro, o CEIRI NEWSPAPER fará uma série de reportagens sobre o assunto, abordando cada um dos setores: mobilidade, tecnologia da informação, inovação e indústria 4.0, integração de serviços etc.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Previsão de participação na economia das maiores áreas urbanas. Em bilhões de dólares” (Fonte):

http://infographic.statista.com/normal/chartoftheday_3886_the_cities_contributing_most_to_global_gdp_n.jpg

Imagem 2Componentes de um projeto de Smartcity” (Fonte):

http://cdn.ttgtmedia.com/rms/onlineImages/iota-smart_city_components_desktop.jpg

Imagem 3SmartCity Expo World Congress, evento realizado em Barcelona, a cidade é considerada a maior Smartcity da Europa” (Fonte):

https://www.electronicsmedia.info/wp-content/uploads/2017/04/Smart-city-expo-world-congress.png

Imagem 4Mapa cidades globais mundo” (Fonte):

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/conteudo/mapa-das-cidades-globais.jpg 

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ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

COMUNICADO CEIRI NEWSPAPER DE 2 DE NOVEMBRO

Caros Leitores do CEIRI NEWSPAPER,

Informamos que devido ao feriado nacional do Dia dos Finados (Quinta-Feira, dia 2 de Novembro), haverá recesso e não serão publicadas Notas Analíticas nem Análise de Conjuntura nos dias 2 e 3 (quinta-feira e sexta-feira, respectivamente). Voltaremos às atividades no dia 6, segunda-feira, com as Notas Analíticas e possível Análise de Conjuntura agendadas para esta data, e com as demais postagens para o resto da semana.

Como é nosso padrão, ao longo dos dias 2 e 3 de novembro de 2017 manteremos as consultas e, caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso, assim o faremos, postando Notas Analíticas Extras sobre os acontecimentos, e/ou Análises de Conjuntura Extras.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Jornal, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Um grande abraço e antecipadamente desejamos a todos um feriado tranquilo, harmonioso e com as homenagens julgadas adequadas.

Cordialmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER