AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

[:pt]A ausência da Paradiplomacia nas campanhas eleitorais brasileiras de 2016[:]

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Nos últimos 20 anos, a diplomacia das cidades tem se transformado em uma importante ferramenta pública para o incremento da competitividade dos grandes centros urbanos, promovendo uma maior exposição e agilidade nos processos globais. A Paradiplomacia também é uma forma de evitar à morosidade da diplomacia oficial e os conflitos de interesses na formulação da política externa de uma nação, já que a mesma representa os interesses locais de um ente subnacional, havendo, assim, uma maior sinergia com a realidade e com os diferentes grupos de interesses.

Cidades como Londres, Paris, Tóquio, Berlim, entre outras, possuem políticas locais para atração de investimentos estrangeiros, acordos de cooperação em diversas áreas, transferência de tecnologia com outras cidades, parcerias públicas e privadas, campanhas internacionais de promoção econômica e turística, dentre várias ações dentro desse escopo paradiplomático. No Brasil, algumas capitais já possuem uma estrutura similar que representa a política externa de um município, porém, a importância dada a mesma ainda é reduzida ou conflita com o mesmo tipo de estrutura existente na esfera estadual.

Ao não existir no Brasil uma legislação que defina as competências dos Estados da Federação e dos Municípios em relação a política externa, ou programas de relações internacionais que contemplem as três esferas administrativas do país, a paradiplomacia acaba sendo desigual e pouco desenvolvida, resumindo-se a ações políticas concretas, onde não há uma participação pública, nem interesse público.

Esse distanciamento entre a paradiplomacia dos municípios brasileiros e a população, ou a inexistência da paradiplomacia, refletiu-se ao longo das campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores no Brasil deste último mês. Nem mesmo nos grandes municípios, tais como São Paulo ou Rio de janeiro, existe uma preocupação em trazer a pauta internacional para o debate, pois o tema parece aos candidatos e suas equipes como irrelevante para angariar os votos necessários para vencer as eleições.

A candidata à prefeitura de São Paulo pelo PMDB, Marta Suplicy, chegou a mencionar um possível projeto para solicitar o financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para realizar obras no município – algo que já fez em sua gestão como prefeita 2000-2004 – porém o tema não ganhou nenhuma repercussão ao longo da campanha.

No Rio de Janeiro, mesmo se tratando do principal polo de turismo internacional do Brasil, e após a cidade ser sede da Copa do Mundo de Futebol – FIFA e dos Jogos Olímpicos, os candidatos não possuem – ou ao menos não mencionaram – nenhuma proposta para a política externa da cidade, embora a cidade possua infraestrutura para isso, tais como a Agência de Promoção de Turismo ou a Agência de Promoção de Negócios do Município.

É necessário aproximar o debate político as relações internacionais do município, pois cada vez mais as cidades estão ganhando importância no cenário mundial, sendo esta uma realidade global.

A competitividade, produção, comunicação e fluxos migratórios, além de outros efeitos da globalização, colocaram as cidades em uma posição de destaque no panorama mundial, e aquelas que possuem ferramentas para defender seus interesses e participar dessa nova dinâmica obtêm vantagens sobre as outras.

O desenvolvimento da Paradiplomacia depende não somente da existência de um Marco Jurídico que organize suas competências, mas também da estratégia de desenvolvimento das cidades e sua política de inserção mundial, que não deve depender unicamente da diplomacia central.

Municípios portuários como Santos, ou aeroportuários como Campinas e Guarulhos, devem competir com outros hubs de comunicação da América Latina, além da própria concorrência interna de outras cidades brasileiras. As negociações a nível federal podem beneficiar um município em detrimento de outro, sendo a paradiplomacia uma saída natural para assegurar a competitividade da região e sua sobrevivência no mundo globalizado.

A população também deve entender que, atualmente, é impossível isolar seus interesses do resto do mundo, pois as multinacionais fazem a distribuição de energia ou o fornecimento de linhas telefônicas no município, os imigrantes chegam diariamente, tanto quanto os executivos e turistas de negócios, além de pesquisadores visitantes. O mundo faz parte da realidade de várias cidades, havendo interesses ou moldando interesses à raiz dessas interações, sendo vital gerar políticas que possam aproveitar tal dinâmica e promover benefícios, tanto à população como ao município. Para tanto, é necessário discutir como será feita.

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Imagem (Fonte):

http://blogdapoliticabrasileira.com.br/wp-content/uploads/bfi_thumb/encontro_mapa_brasil_setas_final_v101-724×367-mou51wjdcx79ydm2qkf3s1yjke9mhxi46hrbhxvh8w.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Observações sobre o encerramento do Departamento de Combate à Fome no Itamaraty[:]

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Após 12 anos de existência, a Coordenadoria-Geral de Ações Humanitárias e Combate à Fome (CGFome) foi extinta pelo Itamaraty, tendo suas atribuições realocadas para outras unidades do Ministério das Relações Exteriores (MRE), sendo elas, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Divisão de Temas Sociais (DTS). Para alguns pesquisadores e analistas, com a extinção da CGFome, “o país perde uma oportunidade de apoiar concretamente países a superar a fome, a estruturarem sistemas públicos e estratégias nacionais de desenvolvimento sustentável”, subestimando, assim, o protagonismo internacional adquirido pelo Brasil nos anos recentes.

Sem o objetivo de esgotar todas as interpretações possíveis para as causas e as consequências da extinção da CGFome, serão explorados quatro temas, considerados peças-chaves, sendo eles: 1) aspectos financeiros; 2) mudança de Governo; 3) pauta da cooperação humanitária; 4) retaliações.

Desde 2014, o orçamento do MRE tem sofrido cortes, tendo 342 terceiros-secretários sido levados a entregar uma carta de reivindicações ao – na época – chanceler Luiz Alberto Figueiredo. No início de 2015, os cortes no orçamento do Itamaraty afetaram o envio de diplomatas e outros funcionários para o exterior, gerando instabilidade política no Ministério. Em geral, a participação do MRE no orçamento caiu de 0,5% para 0,27% de 2003 a 2014. Outro exemplo da pouca importância dada à cooperação nos últimos anos é retratado nos dispêndios da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento (Cobradi), quando vemos uma queda de R$ 1,6 bilhão em 2010 para R$ 857 milhões em 2013. No caso da cooperação humanitária, os gastos despencaram de R$ 284 milhões em 2010 – no auge da cooperação com o Haiti, após o terremoto – para R$ 46 milhões em 2013. Em outras palavras, os cortes orçamentários e a realocação de recursos técnicos e logísticos não é um fato isolado e já tem afetado diretamente o MRE e os projetos ligados à cooperação brasileira.

O segundo fator, de natureza estritamente política, condiz com as reformas administrativas iniciadas desde 2015, pela ex-presidente Dilma Rousseff, e que continuam com a presidência de Michel Temer. Em meio aos cortes orçamentários, Dilma extinguiu a pasta de Assuntos Estratégicos, fundiu a Previdência e o Trabalho em um só, colocou sob o mesmo guarda-chuva a pasta de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos e incorporou as Relações Institucionais, Secretaria Geral, Gabinete de Segurança Institucional e Micro e Pequena Empresa no novo ministério intitulado Secretaria de Governo. Enquanto isso, Temer fundou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (ex-MDA) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (ex-MDS) em um único Ministério, do Desenvolvimento Social. De fato, no âmbito burocrático, a extinção da CGFome é explicada a partir de dois caminhos. Por um lado, como decorrência natural da necessidade de enxugar o orçamento e os gastos com a máquina pública, que aliás, já vinha sendo empregada em outras esferas governamentais. Por outro lado, a CGFome traz consigo o rótulo do Fome Zero em suas iniciais, uma marca política da era PT e do ex-presidente Lula. Dessa maneira, as políticas brasileiras destinadas à cooperação humanitária serão desvencilhadas da imagem dos presidentes anteriores e poderão seguir um novo percurso, similar à junção do ex-MDS e que agora não possui mais o rótulo “Combate à Fome”.

O terceiro tópico está diretamente ligado à atenção dada pelos governos anteriores com a temática da segurança alimentar e nutricional. De fato, como ressaltado em estudo do Global Public Policy Institute, mesmo na cooperação humanitária, o país soube se aproveitar do campo da segurança alimentar e nutricional, considerando a aceitabilidade internacional da campanha Fome Zero, a difusão das políticas institucionais brasileiras de compras locais de alimentos e, também, por ser um dos maiores produtores e exportadores de produtos agrícolas. Além disso, a Lei nº 12.429/2011 autorizou a União a doar alimentos, por intermédio do Programa Mundial de Alimentos, legitimando a posição brasileira tanto como provedor de alimentos em situações emergenciais, como na promoção da agricultura local e na merenda escolar, como no programa Purchase from Africans for Africa. Apesar da forte institucionalidade conferida à temática, as últimas doações de alimentos entregues pelo Governo Federal não foram bem recebidas pela população, principalmente em decorrência do aumento no preço dos alimentos e dos cortes em outras políticas públicas que afetam a população brasileira, como na educação e na saúda.

De forma geral, novas administrações são levadas a interromper ciclos anteriores e propor novas ênfases ou políticas. Por essa razão, a alocação das atividades humanitárias da CGFome para a DTS e para a ABC poderá ser seguida de uma mudança de rumos. Dois grandes temas estão em debate no cenário da cooperação humanitária e poderão ser levados para a nova “agenda” humanitária brasileira. Em primeiro lugar, o tema dos refugiados no Brasil está sob a responsabilidade do Ministério da Justiça e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e poderia interligar com maior ênfase as ações humanitárias brasileiras. De acordo com o Relatório Cobradi 2011-2013, as antigas atribuições da CGFome estavam mais voltadas para apoiar os refugiados ainda fora do país, como nas colaborações financeiras para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Entretanto, uma vez que os refugiados estejam em solo brasileiro, eles recaem sobre o Conare, o Ministério da Justiça e o apoio da sociedade civil, como organizações não governamentais, igrejas e institutos.

Em segundo lugar, o país poderá se engajar com maior vigor nas discussões sobre a redução do risco de desastres. Por exemplo, desde 2012, o Rio de Janeiro conta com o Centro de Excelência para a Redução do Risco de Desastre (Cerrd), fruto da parceria do país com o Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNISDR), no intuito de reforçar a construção de comunidades resilientes a desastres. Considerando que os desastres têm aumentado ano após anos, assim como os seus gastos, há um extenso debate sobre a importância de alocar mais recursos para a prevenção.

Por último, o ex-coordenador da CGFome, o Ministro Milton Rondó Filho, foi pivô de um incidente diplomático no auge das discussões acerca do processo de impeachment da ex-presidente Dilma, em março. O Ministro, considerado por alguns colegas de trabalho um ferrenho defensor do governo petista, foi o responsável por enviar telegramas a todas as embaixadas e representações do Brasil no exterior, com o objetivo de alertar a comunidade sobre o risco de um golpe político no país. Desde o incidente, o diplomata foi afastado da função.

Portanto, os temas apresentados anteriormente estão, em maior ou menor medida, ligados um ao outro, compondo uma figura maior sobre questões de curto e médio prazo na cooperação humanitária brasileira. Como retratado, os cortes orçamentários – tanto no MRE quanto na cooperação brasileira – são exemplos claros de que o tema foi preterido nos anos recentes. Aliado a isto, as inúmeras reformulações no âmbito administrativo e burocrático, seja na extinção ou na fusão de pastas, mostrou também que qualquer área poderia sofrer interferências e adequações às novas realidades. Por fim, a marca do Fome Zero, da segurança alimentar e nutricional e dos ideais da era Lula e Dilma no comando do país afetam diretamente a imagem da cooperação humanitária brasileira, coibindo a margem de ação e as possibilidades do novo Governo Temer em deixar seu próprio modus operandi nesta modalidade. E na política, a regra tem sido se desfazer do legado anterior e propor novos horizontes.

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Imagem (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Itamaraty_andre_brito_2008.JPG?uselang=pt-br

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Analistas questionam se os incentivos da China no Setor Primário do BRICS poderiam sabotar o desenvolvimento do Bloco[:]

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O setor primário é entendido como as atividades que extraem e/ou modificam a matéria-prima, transformando os recursos naturais em produtos primários. Os produtos do setor primário são considerados matérias-primas para outras industrias, destacando-se que as atividades desse setor incluem a pecuária, agricultura a pesca e a mineração. Em síntese, neste setor estão as indústrias de matérias para fabricação, como o petróleo.

Sob a necessidade de alimentar sua superpopulação e obter insumos para a produção tecnológica de seu gigantesco parque industrial, a China aumentou consideravelmente a demanda de produtos primários nos últimos 20 anos. Segundo informações do Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a partir do “Commodity price forecast. World Bank. January 30, 2014”, “as importações agrícolas da China também deverão permanecer elevadas devido ao crescimento do consumo per capita das principais commodities agrícolas, conforme projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para os próximos anos”.

Como publicado na Nota Analítica “Lenta e gradativamente, Alemanha se aproxima da China, líder do Brics”, desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, país do Bloco conhecido como celeiro do mundo, tendo os chineses comprado principalmente soja, carnes, minério-de-ferro e petróleo, mas analistas interrogam as consequências dessa situação. As repostas dependem da perspectiva adotada.

Em um primeiro momento, grupos econômicos como os do agronegócio, energia e infraestrutura de logística, transportes e aeroportuária seriam beneficiados com a escalada de consumo chinês. Milhares de empregos seriam gerados, tributos arrecadados e assim seria possível construir cenários com mais um estágio de prosperidade e de nova alta do preço das commodities no mercado global. Foi essa demanda por produtos primários, chamados de commodities (“mercadorias”, em tradução livre) porque praticamente não há transformação, que elevou o PIB de alguns países agroexportadores e potências “em desenvolvimento” e propiciou a formação do bloco BRICS. Empresas como a “Chinatex Grains and Oils Imp. & Exp. Co., Ltd.” adquirem safras de soja de cooperativas do Brasil, que lançam mão de financiamentos e investimentos milionários muito antes de as sementes serem lançadas ao solo.

A longo prazo, no entanto, expectativas de aumento da demanda da China por uma ou outra commodity e promoções de vendas de mercadorias pelos demais países do BRICS, dirigidas ao líder econômico, pode aumentar a dependência do grupo em relação à economia primária.

No caso do Brasil, o sonho do ex-presidente Getúlio Vargas em transformar um país rural em uma potência econômica industrial, com sucesso em vários aspectos, pode retroceder e ver o parque industrial nacional diminuir, bem como a economia nacional retroagir predominantemente à economia primária e agroindustrial.

A “invasão” de produtos manufaturados chineses, produzidos à base de mão-de-obra barata, e a guerra cambial agrária e de preços muito competitivos – praticamente insuportáveis à indústria brasileira ou mesmo estadunidense –, reduzem significativamente o parque industrial desses países e inclina empresários, investidores e o setor financeiro à prestigiar o mercado primário.

No entanto, o erro estratégico de uns pode ser o plano estratégico de outros. Por essa razão observadores questionam se os maciços investimentos da China em mercadorias não poderia sabotar, de maneira transparente e até requerida pelos Estados envolvidos, o desenvolvimento industrial dos demais países do BRICS. Refletindo sobre tal observação, percebe-se que essa é uma premissa que precisa ser considerada, se forem levados em consideração os seguintes pontos:

  1. O BRICS é um possível bloco econômico em construção e em ascensão, do qual até a Alemanha quer se aproximar;
  2. A China é a líder econômica, política e financeira desse Bloco em constante concretização – já que contribui com fundos de socorro de US$ 41 bilhões do total de US$ 100 bilhões no Banco do BRICS – e tem interesse em que os demais países do grupo atendam ao seu parque industrial, com matérias-primas baratas e mercado consumidor, lógica do sistema econômico desigual e combinado de um tipo de capitalismo;
  3. Apesar da pujança da economia do Brasil e do incrível crescimento da Índia durante a crise econômica que desacelerou o crescimento dos demais países do BRICS, cada vez mais surgem razões para se acreditar que o BRICS pode ser entendido como um projeto chinês e russo, uma vez que há uma liderança financeira da China, um poderio militar de ambos, o compartilhamento de metadados entre eles e de informações estratégicas dos 2 projetos de desenvolvimento Banco do BRICS – o The Data Center ‘Xiaomi Hosting’ da empresa Xiaomi-hosting Ltd.; e o International Global Monitoring System ‘GRAND EXPERT’, da empresa International Non-Profit Social Movement GRAND EXPERT (www.grand.expert), possivelmente de liderança técnica russa.

Sendo assim, os Investimentos da China em soja, proteína animal, petróleo, minério-de-ferro e infraestrutura de escoamento dessa produção, no Brasil e demais países do BRICS, pode ser uma oferta irrecusável de aporte de recursos, mas que, a longo prazo, poderia criar as condições de manter esses países emergentes em sua esfera de dependência, vinculada exclusivamente ao mercado de commodities e, consequentemente, suscetíveis às sucessivas crises econômicas mundiais.

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ImagemO processo de mecanização do campo ampliou a produção e reduziu a oferta de emprego”   (Fonte):

http://brasilescola.uol.com.br/economia/setor-primario.htm

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISEUROPA

[:pt]Crises de governabilidade na União Europeia vai muito além da Espanha[:]

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Desde o início do Crise Financeira Internacional, a União Europeia vem enfrentando uma série de desafios que ameaçam os planos do Bloco e sua estabilidade. Problemas geopolíticos causados pelas tensões oriundas da própria expansão do Bloco em direção à zona de influência histórica da Rússia (sendo o caso da Ucrânia o mais relevante, porém não único), crises econômicas nos países da faixa do Mediterrâneo, desemprego crescente em quase todos os países, a questão dos refugiados e as migrações do norte da África, tensões sociais causadas pelas reformas, cortes nos gastos do Estado e redução da qualidade de vida, ataques terroristas e desafios na segurança regional, a saída do Reino Unido do Bloco etc. Todos esses fatores deram origem a um crescente problema de governabilidade dentro da União Europeia, seja interno, seja na sua política comum.

Em pleno processo de formação e consolidação da identidade nacional europeia, surgem desafios que colocam em jogo um projeto que está sendo realizado através de um longo planejamento e de movimentos estratégicos, tais como: a livre circulação de pessoas, o aumento da integração regional, a harmonização dos sistemas financeiro e bancário, a aprovação de uma Constituição Europeia, a formação de um Exército Europeu e, finalmente, uma maior cessão de soberania dos países. Tais desafios podem levar o Projeto Europeu a ceder ante seu próprio peso e perante a dificuldade de articular e viabilizar os pontos críticos e cada vez mais relevantes do projeto supranacional da União Europeia.

A primeira ruptura social e problema de governabilidade decorrente desse fenômeno em um Estado membro ocorreu com a Crise Grega e os movimentos de sístole e diástole da política em relação ao povo e a União Europeia, o que gerou a sombra da desintegração do Euro, com a saída do país Heleno e também de outros países da região Mediterrânea, algo que chegou até mesmo a ameaçar a estabilidade e integração do Bloco.

Certo é que alguns países da Europa já apresentavam problemas internos de governabilidade. A Bélgica (sede da União Europeia) permaneceu mais de 500 dias sem Presidente, devido ao impasse de harmonizar as contas internas do país e os problemas de representatividade das comunidades que formam essa nação, isso no mesmo ano em que começou a crise na Grécia (2010), a qual somou o fator externo aos típicos problemas de equilíbrio fiscal dos países Europeus e as tensões culturais. Ressalte-se que, apesar disso, o caso grego foi acompanhado com detalhes pelos órgãos da União Europeia e pelos demais países membros, mas a partir de sua dimensão econômica e não da político-social, cujos fatores social, cultural, ou panorama jurídico foram negligenciados e relegados a um segundo plano.

No entanto, a despeito do que acreditava a União Europeia, os problemas se alastram não somente através da dimensão econômica ou política (hard politique), mas também através de outros veículos. Dessa forma não demoraram a surgir tensões alimentadas pelo panorama grego e por partidos políticos que usavam este caso como um fator importante na formulação do seu plano partidário e no diálogo com a população, ganhando peso político aos poucos, tanto no âmbito interno de suas nações como também dentro da Eurocamara.

O problema de governabilidade se propagou pela Europa. Por um lado, devido aos reflexos da crise financeira internacional – o lado mais conhecido –; por outro, devido ao próprio projeto de integração da União Europeia, que se mostrou incapaz de assumir os novos desafios que surgiram com o avanço do projeto e os impactos da crise, e negligenciaram fatores importantes, capazes de manter o pacto social e a legitimação dos governos implicados no complexo mosaico político da Europa.

O reflexo dessa crise de governabilidade vai além da típica oscilação entre direta e esquerda nas eleições, afetando o próprio processo democrático e a legitimação dos governos, sendo que, sem a mesma, ou seja, sem a instituição de governos capazes de dar continuidade à agenda política do Bloco, todo o equilíbrio regional se vê ameaçado.

Nesse mesmo contexto, a Espanha já passou por duas eleições e caminha em direção a uma terceira por não ter conseguido, por duas vezes, instituir o Presidente eleito pela maioria dos votantes no Parlamento. A Estônia já realizou três turnos e segue também sem escolher o seu líder. A Áustria solicita novas eleições por suspeita de fraude eleitoral, Portugal é Governado por uma aliança multipartidária, a Itália é governada por um magistrado que assumiu a Presidência, após um cenário turbulento, sem ter ganho uma eleição direta.

A população europeia se divide, polariza-se e é pressionada pelo impacto das mudanças da última década. A cada passo que a União Europeia dá em direção a sua integração, os governos locais se distanciam do seu povo, gerando esse estado de “caminho para a anomia”* que, mesmo ofuscado pelos casos de sucesso, aos poucos ameaça o projeto inteiro.

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* Conforme interpretação do sociólogo, filósofo e político alemão Ralf Dahrendorf (1929-2009), que, ao refletir sobre a queda dos regimes socialistas dos países da antiga “Cortina de Ferro”, concluía que a situação de anomia não se produzia, mas, sim, um estado sui generis que ele chamava de “caminho para a anomia”, pois as leis e instituições existiam, mas eram fracas ou perdiam força, à medida que o povo passava a descrer nas suas eficácias e paulatinamente deslegitimava-as.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.com/image/0,,16773307_303,00.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Rumo a Tokyo 2020: a Cultura Pop japonesa e os preparativos olímpicos[:]

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O Japão é um país que desperta mistérios, principalmente quando se pensa no seu povo, que tem um comportamento formal, mas uma cultura contemporânea que contraria toda a formalidade tradicional nipônica. Em meio a esses contrastes culturais, desafios econômicos e identificação japonesa com a tecnologia, Tokyo começa a se preparar para os Jogos Olímpicos em 2020. No Rio de Janeiro, o mundo já teve uma ideia do que irá ocorrer, após o primeiro-ministro Shinzo Abe se passar por uma das figuras pops mais famosas do país asiático, o Super Mário, personagem de vídeo game da empresa japonesa Nintendo.

Entrando no mundo da cultura pop nipônica, conhecida no mundo através de suas animações, as Olimpíadas de 2020 já haviam sido previstas pelo cartunista Katsuhiro Otomo, na década de 1980, em sua série de ficção, Akira, publicada entre 1982 até 1990, quando na sua série ele fez algumas referências às Olimpíadas de 2020 na capital japonesa e até ilustrou marcadores com a contagem para os jogos. Não existe apenas o caso do acerto sobre o Jogos Olímpicos, parece que esta e outras animações de ficção japonesa também já haviam previsto a atual situação política e econômica do país, não muito confortável e cheia de problemas para serem resolvidos.

Em diversas histórias japonesas, o Japão sempre aparece em um estado pós-apocalíptico, passando por reconstrução, luta contra corrupção e união do povo para salvar o futuro da nação, casos não tão distantes da realidade contemporânea do país. A atual governadora de Tokyo, Yuriko Koike, assumiu recentemente o cargo após o seu antecessor, Yoichi Masuzoe, renunciar ao cargo, depois de ser acusado de envolvimento em casos de corrupção.

A TV japonesa NHK, frequentemente passa notícias sobre as próximas Olimpíadas, comentando sobre o orçamento que será definido até o final deste ano (2016), e sobre a situação econômica do país, bem como sobre quais poderiam ser os impactos negativos e positivos dos jogos em Tokyo. Os custos com o Evento serão bem discutidos, pois o país não vive um bom momento econômico, devido a quedas nas exportações, a pior desde a crise de 2009, como uma queda anual de 14% em relação ao ano de 2015.

Com as fortes variações cambiais valorizando o iene japonês e a crescente desconfiança na indústria nacional, exige-se uma atenção especial dos governos regionais e central do Japão, para não haver gastos desnecessários em certos pontos de sua economia, tanto em nível nacional e como em suas províncias. Segundo o plano de políticas econômicas do Japão, Abenomics (アベノミクス), a confiança da indústria está em queda e está em seu pior patamar, desde 2013, tendo a indústria manufatureira como o principal elemento para a queda e incertezas.

O momento atual pode não ser o mais otimista no Japão, mas a história recente demonstra que o país é determinado em vencer grandes desafios. Desde 2010, os japoneses não passam por grandes períodos de prosperidade. O país teve vários momentos em que precisou se reerguer estruturalmente, após os prejuízos causados por tsunamis e pela crise do vazamento da Usina Nuclear de Fukushima, além de ter diversas trocas de figuras de seus cargos do Governo, graças a casos de corrupção e baixos níveis de aceitação da opinião pública.

A política japonesa, dentre várias ações, se baseará na criação de fundos e orçamentos suplementares para estimular a economia e garantir recursos para manutenção dos serviços básicos que atendem aos cidadãos. Um ponto animador é que a cidade já conta com estruturas prontas, usadas em sua primeira Olimpíada, em 1964, que passarão por modernizações e não haverá tantas preocupações com mobilidade e segurança durante os jogos, afinal, o país tem os mais baixos índices de violência no mundo, além de ser referência em transporte público.

O público jovem japonês será fundamental para o sucesso da recuperação econômica e para os Jogos Olímpicos, e é pensando neles que muitas políticas para Tokyo 2020 serão pensadas. Tokyo não é apenas a capital do Japão, é a capital da tecnologia e o principal retrato do moderno Japão: uma mistura de cultura tradicional, alta tecnologia e toda uma cultura e moda pop genuína japonesa. O Super Mário e outras celebridades nacionais serão eternizadas após os jogos.

Já está prevista a exploração da principal exportação cultural japonesa: seus personagens de games e animações. No Rio 2016, o público já teve uma pequena amostra do que está por vir. O Japão pós-apocalíptico, superado pela organização, união e objetivos bem traçados nas histórias japonesas, parece tão real que já deixa os jovens do país animados, afinal, elas sempre terminam com um Japão forte e vitorioso.

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ImagemJogos da XXXII Olimpíada Tóquio 2020” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Verão_de_2020

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Fontes Consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] VerTV NHK Stream” (23.08.2016):
http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/news/201608231815_pt_04/
[2] VerTV NHK Stream” (23.08.2016):

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/news/201608231815_pt_03/

[3] Ver Minuto Produtivo.com”:
http://minutoprodutivo.com/economia/confianca-industria-japonesa-e-pior-em-tres-anos

[4] Ver G1”:
http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/08/exportacoes-do-japao-tem-maior-queda-desde-crise-financeira.html
[5] Ver G1”:

http://g1.globo.com/hora1/noticia/2016/08/toquio-sedia-proxima-olimpiada-e-preparativos-estao-bem-adiantados.html

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]A Conversão ao Cristianismo dos Refugiados Muçulmanos, na Europa[:]

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Um número crescente de muçulmanos tem vindo a converter-se a diferentes confissões cristãs – Igreja Católica e credos protestantes – em países europeus. Embora não haja estatísticas fidedignas para ilustrar esta realidade, o certo é que as evidências empíricas demonstram esta situação, patente sobretudo nos países do centro e do norte da Europa. Segundo o jornal inglês The Guardian, há fatores complexos que alicerçam esta tendência, nos quais se “incluem a fé sincera numa nova religião, a gratidão aos grupos cristãos que oferecem apoio durante as viagens perigosas e assustadoras, e uma expectativa de que a conversão poderá ajudar nos pedidos de asilo”.

Recentemente, centenas de paquistaneses e afegãos alinharam numa piscina, em Hamburgo, Alemanha, para serem batizados como cristãos. Na Holanda e na Dinamarca, muitos se converteram do islã para o cristianismo, numa altura em que a tendência parece ser de crescimento. Deste modo, os convertidos têm vindo a encher algumas igrejas europeias, que tinham sido abandonadas pelos seus antigos frequentadores. Se, em termos mundiais, o islã é a religião que mais cresce, entre a população refugiada na Europa a situação é oposta. De acordo com o Pastor Gottfried Martens, da Igreja da Trindade, no subúrbio berlinense de Steglitz, a congregação cresceu dos 150 fiéis para quase 700, graças ao contributo dos muçulmanos convertidos.

Em início de 2016, alegadamente, igrejas situadas em Berlim e Hamburgo levaram a cabo conversões em massa de solicitantes de asilo em piscinas públicas. O canal televisivo alemão ARD TV mostrou mais de 600 paquistaneses e afegãos alinhados pelo Pastor da comunidade da Igreja Persa, quando foram recebidos na congregação. Por outro lado, a Igreja Católica austríaca registrou 300 pedidos de batismo de adultos nos primeiros três meses de 2016, estimando o Instituto Pastoral austríaco que 70% desses pedidos de conversão fossem de refugiados. Na Catedral Anglicana de Liverpool, no Reino Unido, um serviço semanal em persa atrai entre 100 e 140 pessoas. Quase todos são oriundos do Irã, Afeganistão e de outros países da Ásia Central.

Shima, uma jovem iraniana, declarou à revista Stern: “Eu procurei por paz durante toda minha vida mas, no islã, eu não a encontrei”. Outro convertido, Solmaz, declarou àquela revista alemã que ele descobriu no cristianismo um elemento – o amor – que faltava na fé em que fora criado. “No islã, nós sempre vivemos no medo”, confessou. “Medo de Deus, medo do pecado, medo da punição. Mas Cristo é o Deus do amor”.

O Pastor Gerhard Scholte, da Igreja Protestante de Amsterdã, que lidera uma força-tarefa das Igrejas de Amsterdã, afirmou que “a conversão ao cristianismo não é promovida na nossa igreja, pelo que vemos muito poucas”. Do seu ponto de vista, “todos são filhos de Deus”, batizados ou não, pelo que “a Fé não deve ser condicional”. Johannes, de nacionalidade iraniana, deixou Teerã rumo a Viena, Áustria. Nascido no seio de uma família muçulmana, Johannes – Sadegh, de seu nome original – começou a questionar os fundamentos do islamismo na Universidade: “Eu descobri que a história do islã era completamente diferente do que era ensinado na escola. Talvez, pensei, era uma religião que começou com violência? Uma religião que começou com violência não pode levar as pessoas à liberdade e ao amor. Jesus Cristo afirmou que ‘aqueles que usam a espada morrerão pela espada’. Realmente, isto mudou minha opinião”.

Para o afegão Ali Mirzace, o fundamentalismo, as guerras religiosas e a brutalidade do Estado Islâmico ou dos talibãs dividem os jovens muçulmanos. Se alguns optam pelo islã político, outros desenvolvem a aversão contra a identidade cultural de onde são oriundos e da qual se julgam vítimas. A conversão representa, segundo Ali Mirzace, um interregno nos problemas do cotidiano: “Tudo continua difícil, mas acreditar em Jesus nos ajuda a enfrentar as adversidades”, disse.

Numa Europa à qual chegou, nos últimos anos, mais de um milhão de refugiados, se discute a real intenção das conversões dos candidatos a asilo. O ano passado, a Conferência dos Bispos Austríacos publicou novas orientações para os Padres, advertindo que alguns refugiados poderiam estar procurando o batismo para melhorar as hipóteses de obter asilo: “Admitir pessoas para o batismo, que se encontram no procedimento classificado como ‘não credível’, leva a uma perda de credibilidade da Igreja em toda a Áustria”, afirma o documento.

Desde 2014, na Áustria, os candidatos à conversão têm que se submeter a um período probatório de um ano, durante o qual suas verdadeiras intenções são informalmente avaliadas. Friederike Dostal, Coordenadora dos Cursos Preparatórios na Arquidiocese de Viena, explicou: “Nós não estamos interessados em cristãos pro forma. Você tem que ser capaz de assinalar algum tipo de mudança nas pessoas”. Segundo Dostal, entre 5 e 10% dos candidatos ao batismo interrompem o curso antes de serem batizados. Na Holanda, o Pastor Gerhard Scholte trabalha com refugiados desde o início da década de 1980. Para ele, “a não ser que salve vidas, não estamos ansiosos para converter. Nesse caso, contudo, nós convertemos quem quiser”, acrescenta Scholte.

Na verdade, a Igreja Protestante de Amsterdã tem uma longa tradição na salvação de vidas através da conversão. Segundo o Pastor, “foi isto que nossa igreja fez para ajudar os judeus na II Guerra Mundial”. Contudo, quaisquer que sejam as razões pelas quais os refugiados muçulmanos partem para a conversão ao cristianismo, este gesto pode colocá-los em perigo se os pedidos de asilo vierem a ser recusados e eles forem deportados para os países de origem. Para o curdo sírio Sava Soheili, convertido ao cristianismo em início do ano, aqueles que mudaram de religião são considerados, pelos fundamentalistas, como “verdadeiros criminosos que merecem a pena de morte”. Tal como explicou Soheili, “nós somos considerados kuffars, palavra que para os muçulmanos fundamentalistas significa um descrente que cometeu um grave crime religioso. Os kuffars são vistos como criminosos religiosos que merecem a pena de morte”. Entretanto, ainda segundo o Pastor Scholte, as conversões ao cristianismo podem prejudicar as hipóteses de asilo na Holanda: “Não ajuda as pessoas, porque as autoridades holandesas tendem a desconfiar de conversões rápidas. Pode agir contra você quando você está procurando asilo”. Em contrapartida, na Alemanha, a conversão pode ser um fator favorável para o candidato à concessão de asilo. De acordo com declarações do Pastor Gottfried Martens, da Igreja Evangélico-Luterana, ao jornal B.Z. Berlin, “eles não podem voltar sem perigo para suas vidas, como cristãos, no país de origem”.

O súbito interesse dos muçulmanos por Jesus Cristo é, na verdade, um misto de fé e de conveniência individual associado ao medo e à luta pela sobrevivência. Em conformidade com Toby Howarth, Bispo anglicano em Bradford, Inglaterra, há muitas razões [para a conversão e,] entre elas está, sem dúvida, o movimento de massa das pessoas e a crescente interconectividade do mundo”, que têm, como pano de fundo, a perda do lar ético[1], que teve origem no relativismo contemporâneo, e a violência generalizada. Se, como vimos, a conversão se apresenta como caminho para a salvação de muitos daqueles que, em condições humanitárias muito difíceis, chegam a uma Europa que, muitas vezes, os rejeita, setores ideologicamente organizados dessa mesma Europa protestam contra o perigo islâmico e suas variantes, denunciando a descristianização do Velho Mundo[2].

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ImagemUma mulher reza na igreja de um dos campos de refugiados Selva’, em Calais, França” (Fonte):

https://www.theguardian.com/world/2016/jun/05/european-churches-growing-flock-muslim-refugees-converting-christianity#img-2

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] Já se afirmou que o homem ocidental, nascido da modernidade, se encontra sem lar significativo. A grande crise da época atual é ter de viver à intempérie, sem teto protetor e sem solo nutritivo. A crise dos valores morais envolve percepções relevantes e comprometedoras no significado atribuído à realidade. Se as grandes áreas significativas da realidade (mundo, homem, Deus) são obscurecidas, é normal que apareça a crise moral no horizonte humano.

Ortega y Gasset estabeleceu a ligação correta entre a crise moral e a crise de cultura e de civilização. Para ele, a Europa dos anos vinte tinha ficado ‘sem trabalho e sem programa de vida’; por isso, sofria uma ‘desmoralização radical’. As afirmações de Ortega são lapidares: ‘Esta é a pura verdade. Todo o mundo – nações, indivíduos – está desmoralizado’. ‘O problema é este: a Europa acabou por não ter moral’ (La rebelión de las masas [Madrid, 1961] 199, 261).”, MARCIANO VIDAL, Dicionário de Moral. Dicionário de Ética Teológica, Porto, Editorial Perpétuo Socorro, s. d. [1991], trad. do espanhol por A. Maia da Rocha e J. Sameiro, p. 133.

[2] Há algum tempo atrás, na sede da Federação Pró-Europa Cristã, em Bruxelas, Magdi Cristiano Allam, um muçulmano convertido ao catolicismo, “desenvolveu na conferência o tema A Europa e suas raízes, face aos desafios contemporâneos, ressaltando que o continente vem abandonando suas raízes cristãs. Sua conclusão é que atualmente o perigo islâmico não se encontra fora da Europa, mas age dentro das fronteiras dessa terra sagrada onde floresceu o cristianismo. Durante mais de uma hora, esse observador arguto não temeu destruir os clichês do ‘politicamente correto’ e discorreu corajosamente sobre o tema. Ao traçar o perfil do que seria um muçulmano ideal, sua conclusão foi: ‘Osama Bin Laden foi quem mais aprendeu e incorporou os valores do Islamismo’. Numerosas perguntas, respondidas ao final, demonstram que as pessoas começam a preocupar-se com o futuro de seus países. O público assistente, que incluía membros da mais alta nobreza europeia, políticos, diplomatas e acadêmicos, ouviu atentamente o brado de alerta de quem encontrou a verdade na civilização cristã, e agora arrisca sua vida para defender esse fruto do sacrifício de Nosso Senhor”.

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