ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]COMUNICADO CEIRI NEWSPAPER DE 15 DE NOVEMBRO [:]

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Caros Leitores do CEIRI NEWSPAPER

Devido ao feriado nacional da Proclamação da República (terça-feira, 15 de Novembro), informamos que haverá recesso neste dia, não sendo publicadas Notas Analíticas nem Análise de Conjuntura. Voltaremos às atividades no dia 16, quarta-feira, com as respectivas Notas Analíticas e Análise de Conjuntura agendadas para esta data, retomando às atividades normais para a semana.

Como é nosso padrão, ao longo do dia 15 de novembro de 2016 manteremos as consultas e, caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso, assim o faremos, postando Notas Analíticas Extras sobre os acontecimentos e/ou Análises de Conjuntura Extras.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Site, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Antecipadamente, desejamos a todos um excelente feriado.

Cordialmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]O novo Presidente dos EUA e suas primeiras ações[:]

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A improvável vitória do republicano Donald Trump para o novo ciclo presidencial estadunidense já cria inúmeras incertezas e apreensão sobre o curso futuro que adotará o 45º presidente.

Um dos panoramas de maior sensibilidade para o momento de transição e que provavelmente determinará os próximos quatro anos dos Estados Unidos, bem como de todo sistema internacional estarão nas bases da nova política econômica.

Ao eleger Trump, a reação generalizada de incredulidade tem causado mal humor nos mercados que não apreciam incógnitas extremas e a julgar pelas tendências de alterações profundas na dinâmica comercial internacional e nas alianças econômicas, a nova matriz proposta pelo republicano ao longo da campanha poderá prejudicar a economia global.

Os entendimentos e posicionamentos do Presidente eleito indicam uma possível revolução da ordem econômica dos Estados Unidos, segundo especialistas e conselheiros que trabalharam na sua campanha. Nesse sentido, ao assumir o cargo há intenção de, através de ordens executivas, impor medidas oriundas de campanha que legitimarão unilateralmente suas promessas, principalmente políticas que envolvem o comércio, a imigração e a regulação financeira.

Em complemento, apesar da conquista da maioria republicana tanto na Casa dos Representantes como no Senado a matriz de política econômica que deseja implementar está fora dos aspectos da ortodoxia tradicional do partido e, com isso, uma estruturação bipartidária sobre questões específicas será necessária para ver os projetos aprovados, tal qual a redução de impostos, melhorias em infraestrutura, revogação do Obamacare, bem como reforma energética, promessas de campanha estas que são susceptíveis a ficarem aquém dos 60 votos necessários no Senado para avançar, caso não haja a adoção de uma coalizão bipartidária.

Como parte do desenho conjuntural inicial para o novo mandato presidencial e ainda no âmbito das incertezas, a formação do gabinete, com os principais secretários e conselheiros presidenciais dirá muito sobre os caminhos que os Estados Unidos trilharão neste novo ciclo presidencial e, por conseguinte, as interpretações e chancelas que tais membros da alta cúpula governamental trarão indicará sobre quais bases a nova política estadunidense trabalhará, principalmente na esfera econômica, a mais sensível e que influenciará decisões em todo o globo.

Para Secretário de Estado, o ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich é um potencial candidato, assim como Senador por Tennessee, Bob Corker, atual presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado. Outro nome especulado é do ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.

Na pasta de Secretário de Defesa, o ex-conselheiro de Segurança Nacional Stephen Hadley e o ex-senador por Missouri, Jim Talent já foram mencionados como potenciais candidatos. Outro nome estudado é de Mike Flynn, ex-diretor da Agência de Inteligência de Defesa, porém este precisaria uma renúncia do Congresso para empossá-lo no cargo, uma vez que a lei exige que os militares aposentados esperem sete anos antes de se tornarem líderes civis do Pentágono.

Para Secretário do Tesouro, Trump indicou Steven Mnuchin, ex-banqueiro do Goldman Sachs e atualmente presidente e executivo da empresa de investimento privado Dune Capital Management.

O novo Procurador Geral poderá ser o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, um dos principais defensores públicos do Presidente eleito. O governador de Nova Jersey, Chris Christie e líder da equipe de transição é outro nome especulado.

A Secretaria do Interior tem como favorito Forrest Lucas, de 74 anos e co-fundador da empresa de produtos petrolíferos, Lucas Oil. Porém outros nomes são analisados, dentre os quais, Robert Grady, investidor de risco, e Donald Trump Jr, além de Sarah Palin, que não faz segredo de seu interesse em agregar a equipe de governo do magnata republicano.

Para Secretário do Comércio, o bilionário investidor Wilbur Ross Dan DiMicco, ex-CEO da sideúrgica Nucor Corp., além de Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas, são os nomes sugeridos.

Para a pasta da Agricultura, nomes como de Sid Miller, atual Secretário de Agricultura do Texas, Sam Brownback, Governador do Kansas, Dave Heineman, ex-governador de Nebraska, Sonny Perdue, ex-governador da Geórgia, Rick Perry, ex-governador do Texas, além de Charles Hersbter, líder do agronegócio, e Mike McCloskey, executivo de lácteos em Indiana.

Outra pasta estratégica e que dialogará com a nova matriz econômica estadunidense é a Secretaria do Trabalho, para esta pasta, a equipe de transição tem procurado um CEO ou executivo para liderar o departamento. Victoria Lipnic, comissária da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Trabalho é a mais cotada, assim como foi na equipe de transição de Mitt Romney, em 2012.

A Secretaria de Saúde e Serviços Humanos tem Rick Scott, governador da Flórida, Newt Gingrich e Ben Carson, pré-candidato presidencial do Partido Republicano, como os mais cotados. Outro nome mencionado foi de Rich Bagger, ex-executivo farmacêutico.

Para a pasta de Segurança Nacional, o único nome até o presente momento estudado é de David Clarke, xerife do condado de Milwaukee, Wisconsin. Clarke discursou na Convenção Nacional Republicana em Ohio e fez a declaração “Blue lives matter em alusão ao “Black lives matter” das manifestações contra as ações policiais que renderam em assassinatos de jovens negros desarmados.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) que foi cogitada por Trump para ser extinta e poderá ter como secretário Myron Ebell, funcionário do Instituto de Empresas Competitivas e questionador da tese sobre aquecimento global. Outro nome especulado é do investidor de risco Robert Grady.

A tendência para o novo ciclo presidencial é de adoção de gestores corporativos e não de políticos de carreira, isso poderá acarretar em um novo formato de fazer política e angariar novas experiências que somente a história poderá julgar. Por essas medidas, no plano econômico, a tendência é uma gestão mais centralizada e pautada em esforços que buscarão o recrudescimento do papel global dos Estados Unidos, uma das matrizes de campanha de Donald Trump, que projeta um país forte novamente, mas mais a nível interno.

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ImagemTrump durante discurso em Phoenix, Arizona, em agosto de 2016”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_by_Gage_Skidmore_12.jpg

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ANÁLISE - FÓRUNS INTERNACIONAISANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalMEIO AMBIENTEPOLÍTICAS PÚBLICAS

Políticas Públicas Ambientais: A Contextualização das Políticas quanto ao Cerrado Brasileiro e o que Esperar da COP-22

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Entre os dias 7 e 18 de novembro de 2016, ocorrerá em Marrakesh, no Marrocos, a Conferência das Partes (COP-26) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a 12ª Reunião das Partes no Protocolo de Kyoto (MOP-12). A expectativa é significativa, principalmente por esse encontro ser o primeiro após o Acordo de Paris.

O Brasil, no contexto das negociações internacionais quanto ao meio-ambiente, tem tido um papel importante, principalmente no que se refere à Amazônia. Por outro lado, apesar de alguns expressivos avanços, percebe-se uma diminuta atenção e enfoque quanto a outros biomas que estão em áreas de expansão agrícola, como é o caso do Cerrado.

Em 2003, foi estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente o Grupo de Trabalho do Bioma Cerrado (GT Cerrado), que tinha como função o estabelecimento de uma proposta de programa de conservação e uso sustentável do cerrado brasileiro. Como resultado, foi constituído o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável do Bioma Cerrado – Programa Cerrado Sustentável, que foi formalizado pelo Decreto 5.577/2005.

A partir do GT Cerrado, foi colocada a Iniciativa Cerrado Sustentável para a implementação de parte dos objetivos e das diretrizes preconizados pelo Programa Cerrado Sustentável. Dessa forma, objetiva-se promover o aumento da conservação da biodiversidade e melhorar o manejo dos recursos ambientais e naturais por meio do apoio a políticas e práticas apropriadas. É desenvolvido com recursos do Global Environment Facility (GEF) e do Governo brasileiro, como contrapartida. A iniciativa é composta por quatro projetos sob a tutela do Ministério do Meio Ambiente; do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; do Governo do Estado de Goiás e do Governo do Estado do Tocantins.

Em 2009, o Ministério do Meio Ambiente lançou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas do Cerrado (PPCerrado), que é análogo ao PPCDAM, estabelecido anteriormente para a Região Amazônica. A primeira fase do PPCerrado foi de 2010 a 2011 e a segunda fase correspondeu ao período de 2014 a 2015.

No mesmo ano, em 2009, durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-15), o Governo brasileiro apresentou os compromissos voluntários para a redução das emissões de gases de efeito estufa projetadas até 2020, com a promessa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 40% até 2020, atribuída ao PPCerrado.

Ainda em 2009, após os anúncios do Governo do Brasil na COP-15, foi estabelecida a Lei 12.187, de 29 de dezembro de 2009, instituindo a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Esta lei reiterou as obrigações nacionais voluntárias como ações de mitigação das emissões e estabeleceu os planos de ação para prevenção e controle do desmatamento nos biomas brasileiros.

Para a consolidação de uma política contínua de redução do desmatamento do cerrado, as ações do PPCerrado não podem ocorrer de forma isolada, sendo de grande importância o trabalho conjunto com os governos estaduais. É neste contexto que se deve avaliar a implementação de políticas específicas de preservação e desenvolvimento socioeconômico e social, principalmente quando se fala em grandes projetos, como a expansão agrícola para a região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Com o término da segunda fase do PPCerrado em 2015, os resultados estão sendo analisados e servirão de subsídios para a construção de novas estratégias de proteção do bioma, observando os compromissos assumidos pelo Brasil na 21ª Conferência das Partes para Mudanças Climáticas (COP-21) e observando os desdobramentos da implementação do Código Florestal, que tem como um dos principais instrumentos de execução o Cadastro Ambiental Rural (CAR), fundamental para a regularização ambiental de propriedades e posses rurais.

Adicionalmente, com a COP-21, o Brasil divulgou o estabelecimento de metas ambiciosas, cuja forma de se alcançar e de se financiar será apresentada na 22ª Conferência das Partes para Mudanças Climáticas (COP-22), que ocorrerá em Marrakesh (Marrocos), agora, em novembro de 2016. Essas metas, denominadas NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida), foram estabelecidas individualmente pelos governos participantes da COP-21, sendo consideradas metas viáveis para o cumprimento do Acordo, a partir dos níveis sociais e educacionais de cada região.

Em relação às NDCs do Brasil, a redução das emissões de gases de efeito estufa está prevista para ocorrer no contexto de um aumento contínuo da população e do Produto Interno Bruto, bem como da renda per capita. Assim, as NDCs do Brasil deverão ser implementadas a partir de 2017 e prevê um corte de 37% nas emissões do país em 2025 com o indicativo de redução de 43% até 2030 (em ambos os casos, em relação aos níveis de 2005). Para isso, o Governo elencou uma série de políticas, como a restauração de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, o reflorestamento de 12 milhões de hectares e o fim do desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Há também compromissos com medidas nas áreas de transportes, indústria e energia – como expandir o uso de fontes renováveis de energia e aumentar a oferta de etanol.

É importante destacar que o Acordo de Paris propõe a criação de um mecanismo de revisão, que fará avaliações a cada cinco anos dos esforços globais para frear as mudanças do clima.

Expectativas para a COP-22

No Marrocos, a expectativa é de levar os resultados de reuniões temáticas ocorridas ao longo de 2016, especificamente a reunião do SBSTA, que é o Órgão Subsidiário de Assessoramento Técnico Científico; a reunião do SBI, Órgão Subsidiário de Implementação; e a primeira reunião do grupo Ad Hoc sobre o Acordo de Paris. Nestas reuniões estão sendo tratados o segundo período do Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris.

Outro aspecto que deve ter destaque na COP-22 é a discussão da ampliação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM – Climate Development Mechanism) e quais lições aprendidas com ele que deverão ser consideradas no desenvolvimento do novo mecanismo de carbono da negociação de clima.

É importante destacar que esta análise e discussão sobre o CDM se deve ao fato deste ser um mecanismo de flexibilização do Protocolo de Kyoto, e que oficializou o mercado de carbono na Convenção de Clima, permitindo que qualquer país tenha autonomia em comprar e vender créditos de carbono. Ressalta-se que, até o momento, o comércio de carbono somente era permitido entre países desenvolvidos, conforme previsto no Protocolo de Kyoto. Adicionalmente, como é esperada a discussão sobre a segunda fase do Protocolo de Kyoto e o fato de o Acordo de Paris, no Artigo 6, estabelecer um mecanismo de desenvolvimento sustentável, almeja-se que ocorra uma negociação para ampliar a sua abrangência e incluir temas relativos ao uso (e mudança do uso) da terra, o que incluiria restauração, reflorestamento e o que a negociação no âmbito internacional vem chamando de revegetação.

Um elemento fundamental que se esperava da COP-21 era a arrecadação por parte dos países desenvolvidos da quantia de US$ 100 bilhões anuais em financiamento até 2020. Essa intenção de mobilização coletiva foi postergada para 2025, o que atrasa a implementação de ações concretas.  Com a COP-22, estima-se que esse tema volte a ser discutido mais detalhadamente.

REDD+

Um dos principais pontos de divergência é sobre os projetos de REDD+, uma vez que o Governo Federal brasileiro propõe que não sejam elegíveis para gerar créditos de carbono no Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável, estabelecido no Parágrafo 4 do Artigo 6 do Acordo de Paris.

Essa resistência do Governo Federal não é nova, e um dos argumentos é de que a Amazônia não deve ser vista como um objeto à venda no mercado internacional, uma vez que seria uma maneira muito simples para os países industrializados neutralizarem suas emissões. Entretanto, verifica-se que os governos estaduais brasileiros estão engajados na implementação de políticas públicas específicas e estes gostariam que os projetos de REDD+ façam parte da contabilidade nacional de REDD+.

Nos últimos meses, o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio das Resoluções n° 01, 02, 03 e 04 de 11 de julho de 2016, foram instituídas as Câmaras Consultivas Temáticas (CCT) para subsidiar os trabalhos da Comissão Nacional de REDD+ (CONAREDD+). Assim, foram estabelecidas três Câmaras Consultivas Temáticas composta por representantes da sociedade civil, setor privado e entidades governamentais:

1.  Salvaguardas (CCT-Salv),

2. Pacto Federativo (CCT-Pact) e

3. Captação e Distribuição de Recursos Não Reembolsáveis (CCT-CDRNR).

A expectativa das CCTs é ser uma voz ativa junto ao Ministério do Meio Ambiente para apoiar na tomada de decisão, permitindo que exista uma convergência das políticas públicas nos âmbitos Federal e Estadual.

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SITES RELEVANTES:

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Imagem (Fonte):

http://www.cop22-morocco.com

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURADEFESAENERGIAPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]O Medo Nuclear[:]

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O medo da energia nuclear se estabeleceu na sociedade desde que ela foi apresentada à humanidade pelos holocaustos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, sob a forma do que se poderia chamar de “o pior caso de marketing da História”. Ele segue seu caminho através da nossa cultura e nunca está longe nas discussões públicas sobre política nuclear. A sociedade tem muitos mecanismos de enfrentar esse medo, seja pelo humor negro do Dr. Strangelove ou de Homer Simpson, por um lado, seja pela hiper-racionalização e sistematização lógica do estrategista militar Herman Kahn, pelo outro. Historicamente, entretanto, o medo conviveu durante algumas décadas com uma esperança salvadora, isto é, o “átomo para paz”, como redentor da humanidade.

Esta segunda percepção, porém, passou a se degradar rapidamente a partir do início da década de 80, após o acidente sem vítimas nem dano ambiental da usina nuclear de Three Miles Island, nos EUA, em 1979. Ironicamente, este evento ocorreu 12 dias após Hollywood lançar o filme “Síndrome da China”, estrelado por Jane Fonda e Jack Lemmon. Até então, a indústria cinematográfica americana tinha explorado exaustivamente o medo das armas nucleares em inúmeros filmes nas décadas de 50, 60 e 70. “Síndrome da China” foi o primeiro filme a explorar o medo nuclear a partir de usinas de geração elétrica, ou seja, de uso pacífico, que se expandiam enormemente nos EUA nessa época.

Com respeito às armas nucleares, o medo é, em grande medida, necessário. Suas origens imediatas não são muito surpreendentes, pois as imagens de Hiroshima e Nagasaki são persistentes. Qualquer tecnologia que faz a sua estreia mundial pondo em chamas dezenas de milhares de civis é, certamente, temida com toda razão. O medo está presente em todas as avaliações sobre armas nucleares, sejam a favor, sejam contra. Aqueles que são contra querem acabar com a possibilidade de novos horrores e aqueles que são a favor transformam o medo em uma ferramenta para manter certa ordem global, desencorajando inimigos de fazerem coisas que eles próprios prefeririam não fazer.

Para as aplicações pacíficas, o medo é uma questão mais complexa. Essas foram inicialmente concebidas para constituírem o lado positivo da tecnologia nuclear, os “átomos para a paz”, em oposição aos “átomos para a guerra”, que eram muito mais proeminentes na década de 1950. O medo, neste caso, entrou pela porta dos fundos, através do potencial de ocorrência de acidentes em grandes reatores nucleares, levando à contaminação radioativa do público e do meio ambiente. Entretanto, apesar das enormes diferenças no uso e na tecnologia empregada, o medo do nuclear faz pouca distinção entre armas e usinas de geração nucleoelétrica. Aqueles que se opõem às usinas nucleares mobilizam e incentivam esse medo. Já aqueles que as defendem buscam dimensioná-lo racionalmente por meio de discussões técnicas sobre análise de riscos. Entretanto, por definição, o medo é um sentimento e, por isso mesmo, não subordinado diretamente aos ditames da razão.

Emerge a questão de entender se o medo que as tecnologias nucleares despertam nas pessoas do mundo de hoje é exagerado ou subestimado. Certamente, avaliações vindas de uma dúzia de especialistas provavelmente produzirão uma dúzia de respostas diferentes. A resposta emocional à tecnologia nuclear é controversa porque tem raízes profundas no imaginário social. Se tivermos medo demais, agimos irracionalmente, até de forma contraproducente. Se tivermos muito pouco medo, podemos nos expor a riscos inaceitáveis. Mas não se tem a dosagem equilibrada acerca da “quantidade de medo” que se deveria ter. Sendo assim, o fato de que os nossos medos do nuclear são simultaneamente muito grandes e muito pequenos constitui um dos muitos paradoxos da era nuclear?

51cu1wkl-_sx345_bo1204203200_Vários historiadores têm produzido obras sobre a evolução dos medos e esperanças humanas em relação a essa tecnologia. O mais abrangente, e ambicioso em métodos e objetivos, foi Spencer R. Weart, no seu livro “Medo Nuclear: Uma História de Imagens”, publicado em 1988, num tempo de percepção pública das questões nucleares aumentada pelo renascimento da Guerra Fria, durante o governo Reagan nos EUA, e o acidente de Chernobyl, na URSS, então liderada por Gorbachev. O autor revisitou a obra em 2012, com seu livro “A Ascenção do Medo Nuclear”, duas décadas depois e muito distante do contexto do final da Guerra Fria em que foi escrita a obra original.

Os livros de Weart cobrem a história das atitudes do público em relação a essa tecnologia, começando com a descoberta inicial da radiação e sua associação quase imediata, tanto com a fonte da vida, como com a causa da morte. Ele aborda historicamente muitos dos temas sobre as percepções da sociedade em face da evolução da energia nuclear que ainda permanecem presentes, mais de um século após a descoberta das radiações ionizantes.

Entretanto, o que torna os seus livros únicos e excepcionais é que ele não apenas se limita à abordagem histórica. Vai mais longe, adentrando os campos da psicologia e política para analisar o que, na sua visão, seria o “imaginário nuclear”. Essas imagens mentais tem uma grande influência na psique humana, pois combinam raios que curam e raios que matam, pragas e contaminações invisíveis que prejudicam não só os vivos, mas também os que virão a nascer, coisas que são narrativas comuns nas mitologias antigas. É também evidente que o espectro de uma guerra nuclear é facilmente associado às crenças em um fim do mundo apocalítico, presente em quase todas as religiões.

Weart argumenta que o imaginário nuclear é um recurso cultural usado seletivamente para avançar várias agendas. Nenhuma surpresa nisso, mas ele observa ainda que a imagem nuclear é poderosa o suficiente para sair do controle de quem está tentando usá-la. Quando o Governo americano quer que as pessoas tenham medo das armas nucleares russas, de modo que elas apoiem o desenvolvimento das suas próprias, este mesmo temor pode levar a uma rejeição de outras políticas, fazendo com que, por exemplo, as pessoas venham a não querer mais usinas nucleares localizadas perto delas (“not in my backyard”, ou NYMBY).

Todo alarmismo, seja nuclear, ambiental, político, econômico ou médico, fomenta o medo irracional. Este, por sua vez, é o meio mais eficaz de controle social, pois sociedades amedrontadas reagem como manadas. No entanto, lembremo-nos da célebre historia do rato que provoca o “estouro” da manada de elefantes. Em nome da redução de uma ameaça superestimada, e mil vezes repetida pelo alarmismo, as lideranças podem agir livremente em busca de outros objetivos, alheios à redução da própria ameaça apregoada.

O medo, em geral, é uma faca de dois gumes: Quando mobilizado, pode ser muito poderoso, mas uma multidão amedrontada rapidamente se torna incontrolável, ou transfere o controle para um líder que pode ser desequilibrado. O medo nuclear pode ser, portanto, especialmente problemático, pois tem condições de ser mobilizado para reduzir os inerentes riscos, mas também pode deformar a percepção desses riscos.

Há inúmeros exemplos de seres humanos, mesmo especialistas, que avaliam mal os riscos e qualquer abordagem que se baseia apenas na transparência. Isto é, simplesmente dizer às pessoas os fatos reais pode levar a mal-entendidos, desconfiança e revolta do público. Por outro lado, o instinto humano e a imaginação também podem levar a decisões erradas. Sendo assim, encontrar novas formas de levar ao público informações sobre as questões relevantes, sem dependência excessiva de imagens simbólicas, seja do apocalipse ou da salvação, deve ser um dos principais focos da indústria nuclear mundial.

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Imagem 1Réplica de Fat Man lançada em Nagasaki, Japão, em 9 de agosto de 1945” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_nuclear

Imagem 2Capa do Livro Nuclear Fear: A History of Images” (Fonte):

https://www.amazon.com/Nuclear-Fear-Spencer-R-Weart/dp/0674628365

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Fonte Consultada:                                                                                                                   

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobras Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Saad Hariri anuncia apoio a Michel Aoun para Presidência do Líbano: impasse institucional pode estar perto do fim[:]

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Em 20 de outubro de 2016, o líder do “Movimento Futuro”, Saad Hariri, endossou oficialmente Michel Aoun como seu candidato à Presidência do Líbano. O anúncio representa um abandono do seu aval prévio a Sleiman Frangieh, anunciado em dezembro de 2015. Aoun é maronita e fundador do Movimento Patriótico Livre, o maior partido político cristão no Líbano, país que está sem um Presidente desde maio 2014

Falando em uma conferência de imprensa televisionada de sua residência, no centro da capital, Beirute, Hariri afirmou que tomou a decisão “para que o Líbano como um todo preservasse o Estado, suas instituições, sua estabilidade e sua segurança”, conforme reportou o The Daily Star. Classificando a decisão como um “sacrifício e não um acordo”, ele declarou ainda que “o Líbano precisa desesperadamente alcançar uma solução política e, portanto, estou formalmente endossando Michel Aoun para o cargo de presidente do país”.

Os partidos libaneses e suas coalizões têm disputado, tanto internamente, como entre si, sobre quem será o próximo Presidente, desde o término do mandato de Michel Sleiman, em maio de 2014. Sob o acordo de partilha de poder libanês, o cargo presidencial é reservado a um candidato cristão, geralmente maronita. O impasse presidencial já passa de 29 meses e ocorre em meio a outro impasse mais amplo, que também tem paralisado o Parlamento e ameaçado o trabalho do Gabinete. O Legislativo já estendeu seu mandato por duas vezes, a primeira em 31 maio de 2013, por 17 meses, e a segunda em novembro de 2014, por 31 meses, que irá até junho de 2017.

A “Coalizão 8 de Março” é composta pelo Hezbollah, Amal, Movimento Patriótico Livre (liderado por Michel Aoun), Movimento Marada e partidos sírios. Já a “Coalizão 14 de Março” é composta pelo Movimento Futuro, liderado por Saad Hariri, Forças Libanesas, Kataeb, Partido Socialista Progressista de Walid Jumblatt, entre outros.

As Forças Libanesas, o Hezbollah e o Movimento Patriótico Livre pedem pela eleição do parlamentar Michel Aoun, enquanto o Movimento Futuro, Walid Jumblatt e Nabih Berri – do Amal – manifestavam, até então, apoio pela nomeação do líder do Movimento Marada, Sleiman Frangieh. Ambos, Aoun e Frangieh, são membros da “Coalizão 8 de Março”. Nabih Berri, contudo, ainda não endossa o apoio a Aoun. Já o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, confirmou no último 23 de outubro que seu bloco parlamentar votará em Aoun na sessão da próxima segunda-feira, dia 31 de outubro, suspendendo, portanto, o longo período de boicote às sessões.

Aoun serviu como Chefe das Forças Armadas e brevemente como Primeiro-Ministro durante a Guerra Civil do Líbano, 1975-1990, quando era um forte opositor da presença militar síria no país. Mas ele surpreendeu muitos ao estabelecer um Memorando de entendimento com o aliado de Damasco, o Hezbollah, em fevereiro de 2006, um ano após seu retorno do exílio na França e da retirada das tropas sírias do Líbano, em abril de 2005.

Originalmente, antes de apoiar Frangieh, Hariri endossou a candidatura de Samir Geagea, das Forças Libanesas, membro de sua “Coalizão 14 de Março”. Após a desistência, em janeiro de 2016, Samir Geagea apoiou a candidatura do antigo inimigo, o general Michel Aoun, encerrando mais de duas décadas de relações amargas.

Hariri, ex-Primeiro-Ministro, pode voltar para o cargo de Premier sob um acordo de união nacional mediado com Aoun. Com um oficial de alto escalão da “Coalizão 8 de Março” como Michel Aoun na Presidência, Hariri poderia mais facilmente garantir o cargo de Primeiro-Ministro para si, já que é o líder da “Coalizão 14 de Março”, especulam especialistas. Mas este movimento de apoio a Aoun, na prática, coloca Hariri (líder do partido de maioria sunita e apoiado pela Arábia Saudita e pelo Ocidente) ao lado do Hezbollah, crítico severo das políticas sauditas, aliado do Irã e que possui membros combatendo na vizinha Síria. Hariri e seus parceiros apoiam o levante contra Bashar al Assad, enquanto o Hezbollah denuncia a presença de jihadistas no país. Ainda assim, o Hezbollah já sinalizou que aceitará Hariri como Premier, se este for o caso. O correspondente da Al Jazeera, Imtiaz Tyab, reportou que pelo menos dois membros seniores do Movimento Futuro anunciaram que se oporiam à nomeação de Aoun. A animosidade entre Hariri e Aoun remonta mais de uma década e muitos parlamentares membros do Partido Futuro como Ahmed Fatfat, Fouad Siniora, Farid Makari e Mohammad Qabbani expressaram abertamente insatisfação com a decisão de seu líder sunita.

Apesar de rivais, Hezbollah e as Forças Libanesas vinham tentando convencer o líder do Movimento Futuro, Saad Hariri, a abandonar o apoio a Frangieh e endossar Aoun, que diziam ser a única maneira de encerrar o vácuo presidencial. Os legisladores do Bloco Mudança e Reforma, do deputado Michel Aoun, junto ao bloco do Hezbollah e seus aliados, denominado “Coalizão 8 de Março”, têm frustrado qualquer quórum através do boicote às sessões parlamentares, exigindo um acordo de antemão com os seus rivais da “Coalizão 14 de Março” acerca de um candidato de consenso. O Parlamento deverá se reunir na próxima semana, em 31 de outubro, para nova tentativa de votação de um Presidente, a 46ª tentativa, desde 2014. Desta vez, a garantia de apoio em torno do nome de Aoun deve ser suficiente para a obtenção de uma maioria de 2/3 para a eleição presidencial.

Hariri fez referência à vizinha Síria como uma das principais razões por ter confirmado o apoio a Aoun, e exortou os cidadãos libaneses a se reunirem em torno do candidato. O país faz fronteira a norte e a leste com a Síria, devastada pela guerra que já gerou estimados 500.000 mortos. Como consequência, o Líbano vem registrando um alastramento no número de combatentes extremistas e grande afluxo de refugiados, deteriorando a já debilitada infraestrutura do país. A população total do país é estimada em 5,851 milhões de habitantes – excluindo o número de refugiados. Outros 1.033.513 de habitantes são refugiados sírios, conforme dados da UNHCR.

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ImagemGeneral Michel Aoun” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aoun.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]O Vaticano e o Esporte Promotor dos Valores da Lealdade e do Respeito Pelo Outro[:]

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Decorreu, na Sala Paulo VI, no Vaticano, entre 5 e 7 de outubro, a conferência internacional sobre o “Esporte ao Serviço da Humanidade”. O evento, que teve como ponto de partida um desafio lançado pelo Papa Francisco, foi organizado pelo Conselho Pontifício para a Cultura, com a colaboração do Comitê Olímpico Internacional e da ONU, tendo congregado cerca de 150 líderes do mundo do esporte, fé, negócios e da sociedade civil. A conferência, que contou com cerca de 7.000 participantes, pretendeu estabelecer os princípios de um novo movimento nos esportes.

Tal como em outras esferas da vida pública, o esporte, nomeadamente aquele que é praticado na vertente de rendimento, encontra-se sob escrutínio por parte da opinião pública mundial. Com efeito, escândalos diversos, da magnitude ainda imprevisível, têm abalado diversas modalidades esportivas e afetaram o prestígio de competições internacionais da mais elevada relevância. Ilustra aquilo que acabamos de afirmar, as pesquisas rumo à melhoria genética dos atletas[1], o escândalo de corrupção na FIFA, a autorização, pela Agência Anti-Doping dos EUA, a 200 atletas norte-americanos para utilizarem substâncias proibidas, a automutilação e a prática de tortura, ou seja, o doping dos atletas paralímpicos, o banimento do atletismo russo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e a ingerência recorrente do Governo do Kuwait nos assuntos internos do Comitê Olímpico do país. Tentando recuperar o significado original das manifestações esportivas – mente sã em corpo são – a conferência “Esporte ao Serviço da Humanidade” desejou unir a prática das atividades esportivas à temática da espiritualidade. Para os organizadores da conferência, a vistos a história e os objetivos do evento, o “esporte, na sua forma mais simples, é uma das atividades humanas mais extraordinárias”. À luz do acabado de referir, se “o esporte impõe regras que apontam para uma competição justa, iguais oportunidades para todos, treinamento e prazer, e oferece aos participantes a oportunidade de alargar seus limites físicos e mentais, partilhar valores e experiências comuns”, a fé “é, talvez, o aspecto mais extraordinário da humanidade – a crença de que nós existimos em função e para um propósito; e que podemos viver de uma maneira que aumenta não só as nossas vidas, mas também as vidas daqueles ao nosso redor”. Deste modo, a relação copulativa entre esporte e fé pode, atualmente, “voltar a despertar as pessoas para o enorme poder para o bem que estes dois pilares da vida humana podem proporcionar” a cada um de nós.

No dia 5 de outubro, falando na cerimônia de abertura da conferência “Esporte ao Serviço da Humanidade”, o Papa Francisco frisou: “O esporte é uma atividade humana de grande valor, capaz de enriquecer a vida das pessoas”. Ao aludir aos Jogos Olímpicos e aos Jogos Paralímpicos, centro das atenções em todo o mundo, o Sumo Pontífice, centrado no ideal olímpico proposto por Pierre de Coubertin, o fundador do movimento olímpico da era moderna, “citius, altius, fortius” – “mais rápido, mais alto, mais forte” –, referiu o alcance daquela divisa, ao afirmar que ela constitui um “convite para desenvolver os talentos que Deus nos deu. Quando vemos atletas que dão o seu melhor, o esporte nos enche de entusiasmo e faz-nos sentir orgulhosos. Há uma grande beleza na harmonia de certos movimentos, bem como na força ou no jogo de equipe. Quando é assim, o esporte transcende o nível puramente físico e nos leva para dentro da arena do espírito e, até, do mistério. E estes momentos são acompanhados por grande alegria e satisfação, que todos nós podemos partilhar, mesmo não tendo competido”. No entanto, se o esporte não se reduz à sua dimensão puramente competitiva, pois também existe “o esporte amador, recreativo, não destinado à competição e que permite a todas as pessoas melhorar a saúde e o bem-estar, a aprender a trabalhar em equipe, a saber vencer e, também, a saber perder”, para que ele seja fruído pelas pessoas, consideradas em sua integralidade, se torna necessário o cumprimento de alguns requisitos. São eles a promoção da inclusão[2], o retorno à pureza do esporte[3] e o empenho das organizações internacionais no combate à corrupção e à manipulação[4].

Tendo em vista a continuidade do projeto iniciado na conferência levada a cabo em 2016 foi dada a conhecer, mesmo antes de sua realização, a respectiva Declaração de Princípios. O documento expressa, como ideias-chave, aquelas que devem obedecer ao jogo limpo, qualquer que seja a modalidade considerada: compaixão[5], respeito[6], amor[7], iluminação[8], equilíbrio[9] e a alegria[10]. Além de o sítio web de “Esporte ao Serviço da Humanidade” convidar todos quantos, no mundo, se identificam com esta iniciativa a se unirem a ela, há uma proposta que já tomou corpo. Trata-se de Humanity S. C. (Humanidade Esporte Clube), que tem, como ponto de partida, a paixão pelo esporte que, na ótica dos promotores, “reúne pessoas de todas as esferas da vida. E, se você está jogando, apoiando ou treinando, nós acreditamos que este amor compartilhado pode ajudar a mudar o jogo e tem um impacte positivo tanto dentro quanto fora do campo”. O apelo público à participação no Humanidade Esporte Clube pretende “mudar o jogo, nossas vidas e o mundo para melhor”. Fazendo nossas as palavras de Ban Ki-moon, o Secretário-Geral da ONU, a conferência “Esporte ao Serviço da Humanidade”, assim como sua continuidade, com as mais diversas ações no espaço e no tempo, “pode inspirar as pessoas a promoverem a paz e o desenvolvimento através do esporte”. Se, em nossos dias, o esporte assumiu uma dimensão universal, transcendendo “toda barreira nacional, transcende toda questão étnica e de nacionalismo e qualquer diferença que possa existir”, o desafio com o qual todos estamos confrontados consiste em assumir a dimensão holística do esporte, que deverá ser considerado como uma faceta importantíssima da atividade dos seres humanos, entendidos muito além de sua esfera física. Com efeito, a construção de culturas inclusivas assentes na diversidade exige, tal como o Vaticano acaba de preconizar, a consideração do esporte a partir de uma dimensão espiritual que deve compreender, de maneira integral, a pluridimensionalidade do agir humano.

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ImagemAtletas treinam para a prova da maratona dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, Atenas, 1896. No meio, Charilaos Vasilakos, de 19 anos, o medalhista de prata” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Spiridon_Louis#/media/File:1896_Olympic_marathon.jpg

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Notas e Fontes Consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] De acordo com Mário Marcelo Coelho, Professor de Teologia Moral e Bioética Faculdade Dehoniana Taubaté-SP, “o potenciamento genético para características esportivas traz consigo problemas éticos e legais; isso porque uma alteração da pessoa é matéria de juízo subjetivo, traz em seu escopo a eugenia positiva e como tal agride a dignidade e a sacralidade da vida humana. A introdução de agentes que melhoram a performance da pessoa confunde a imagem, nesse domínio e nos outros. Valorização artificial ou sintética pode certamente melhorar as habilidades da pessoa para certo desempenho, mas pode fazer separando pelo menos alguns elementos, como a realização do esforço para alcançar naturalmente tal desempenho, comprometendo a maturidade e a capacidade da pessoa alterada. As novas tecnologias permitem de fato não só dominar, mas interferir no interno, na íntima estrutura dos fenômenos e dos caracteres naturais, como orgulhosamente os pós-humanistas levantam a bandeira da ciência moderna ao lema de Francis Bacon ‘conquiste a natureza e alivie a condição humana’. Essas possibilidades de invasão da técnica no mais íntimo da pessoa suscitam desafios a uma reflexão ética que deverá sempre mais se confrontar com as profundas transformações provocadas pelas biotecnologias e pelos novos problemas levantados, como a divisão da sociedade entre os ‘geneticamente enriquecidos ou melhorados’ e os ‘naturais’, o que poderia aumentar ainda mais a desigualdade social, um tema ainda conflituoso na sociedade mundial”, Mário Marcelo Coelho, “Doping Genético, o Atleta Superior e Bioética”, Revista Bioethikos, Centro Universitário São Camilo, Pompeia-SP, 2012, v. 6, n. 2, p. 179.

[2] Segundo Francisco, “as nossas tradições religiosas compartilham o compromisso de garantir o respeito pela dignidade de cada ser humano. Por isso, é bonito saber que as instituições esportivas mundiais consideram o valor da inclusão. O movimento paralímpico e outras associações esportivas de apoio às pessoas com deficiência, como o Special Olympics, tiveram um papel decisivo em ajudar o público a reconhecer e a admirar as capacidades extraordinárias de atletas com diferentes habilidades e capacidades. Estes eventos nos presenteiam experiências que ressaltam de modo admirável a grandeza e a pureza do gesto esportivo”.

[3] Para o Papa, “o desafio é o de manter a pureza do esporte, protegê-lo das manipulações e da exploração comercial. Seria triste para o esporte e para a humanidade, se as pessoas não conseguissem mais confiar na verdade dos resultados esportivos, ou se o cinismo e o desencanto prevalecessem sobre o entusiasmo e a participação alegre e desprendida. No esporte, como na vida, é importante lutar pelo resultado, mas jogar bem e com lealdade é ainda mais importante!

[4] O Papa citou os esforços da ONU para erradicar todas as formas de corrupção e manipulação: “Sei que está em andamento uma campanha promovida pelas Nações Unidas contra o câncer da corrupção em todos os âmbitos da sociedade. Quando as pessoas lutam para criar uma sociedade mais justa e transparente, colaboram com a obra de Deus. Nós, responsáveis por várias comunidades religiosas, queremos dar a nossa contribuição neste sentido. A Igreja Católica está comprometida com o esporte para levar a alegria do Evangelho, o amor inclusivo e incondicional de Deus a todos os seres humanos”.

[5] USE O PODER DO ESPORTE PARA AJUDAR OS OUTROS – Partilhe os benefícios do esporte para capacitar aqueles que são pobres e desfavorecidos”.

[6] USE O ESPORTE PARA CONSTRUIR CONFIANÇA E ENTENDIMENTO – Respeite seus adversários. Através do esporte entenda-os e suas culturas mais profundamente. Condene a violência no esporte – dentro e fora do campo de jogos”.

[7] ESPORTE É PARA TODOS – Faça tudo o que puder para ajudar todos a participar no esporte. Faça tudo o que puder para que todos possam competir em igualdade de condições”.

[8] O ESPORTE TEM O PODER DE TRANSFORMAR VIDAS E CONSTRUIR O CARÁTER – Aprenda a graciosidade na vitória e a perspectiva na derrota. Aplique os valores que você aprendeu no esporte para o ajudarem a se destacar na vida”.

[9] O ESPORTE TEM O PODER DE NOS AJUDAR A FAZER O MELHOR DE NÓS – Então, jogue partindo do conhecimento de que ele pode revitalizá-lo física, mental, emocional e espiritualmente. Em todas as fases da vida, jogue por prazer, por saúde, por amizade”.

[10] O ESPORTE, ACIMA DE TUDO, É SOBRE A ALEGRIA – Então, divirta-se! E lembre-se, há mais, na prática do esporte, do que ganhar mais, quando você competir, seja e faça o melhor do que puder, sempre”.

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