AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomaciaPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Paradiplomacia e Governança perante as crises municipais[:]

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Um dos maiores problemas que vão enfrentar os Prefeitos eleitos neste ano de 2016 no Brasil é a falta de recursos, isso frente as dívidas contraídas pelos municípios e à crescente demanda de serviços públicos, com as atribuições que devem ser cumpridas tais como a gestão da iluminação, saneamento, educação, dentre outras. Acrescente-se a esse problema, o fato de ele estar inserido numa forte crise econômica que o país enfrenta, bem como numa desordem política da nação.

Analistas consideram que, mesmo perante a necessidade de economizar e sanear o orçamento, o poder público não deve parar de subministrar serviços para a população, bem como investir em melhorias, pois é essa a sua razão de existir e o que legitima seu poder perante à sociedade, garantido através da prestação de serviços ao povo.

Municípios importantes, tais como Guarulhos (segunda maior cidade do Estado de São Paulo), ou Ribeirão Preto (polo produtor de etanol), possuem dívidas elevadas que já comprometem a futura gestão sem que a mesma haja começado. Capitais de norte ao sul do Brasil seguem essa tendência.

Diante deste panorama, é muito complexo pensar em investimentos, quando não existem recursos para investir, já que o problema de liquidez do Brasil atinge todas as esferas do poder e as ferramentas de participação público e privadas ainda são lentas e burocráticas, além de enfrentarem o escrutínio da nação, graças aos diversos casos de corrupção e desvio de recursos.

O Estado e todas suas esferas está paralisado diante da crise institucional que mina sua capacidade de legitimação para com a população, e também devido ao panorama econômico nacional e internacional, que dificulta o cumprimento de outras importantes funções do Governo em relação aos recursos (distribuição, alocação e estabilização), pois, cabe reiterar, que o Estado não gera recursos, somente distribui os existentes, aloca em setores chaves e tenta estabilizar as dinâmicas desses processos através de sua última função, que é a segurança.

Os futuros Prefeitos devem enfrentar esse desafio sem esquecer dos avanços da comunidade internacional, das mudanças nas cadeias produtivas globais e no incremento de competitividade de outros países.  Infelizmente, não é possível isolar o contexto internacional até resolver os problemas políticos e econômicos de um país ou região, para, depois, voltar a competir no panorama mundial. A globalização é um processo rápido, intenso e contínuo, onde a falta de participação é altamente penalizada e de difícil recuperação. Neste contexto, a paradiplomacia surge como uma importante ferramenta para as futuras gestões brasileiras.

A paradiplomacia é o conjunto de ações que uma cidade ou região realiza no cenário internacional, sendo esta uma importante ferramenta governamental que reduz a centralização nas altas esferas do poder, dispersando os gastos e permitindo uma maior adaptação à realidade de cada localidade, promovendo, dessa forma, o desenvolvimento mais homogêneo.

No Brasil ainda não existe uma legislação clara em relação as capacidades que possuem os municípios em sua ação internacional, mas já existem agências, secretarias e instituições de relações internacionais responsáveis por coordenar este setor.

A paradiplomacia pode beneficiar um município em áreas como:

Investimentos – a atração de investimentos estrangeiros é uma das principais razões de existir da paradiplomacia e pode ser feita através de missões comerciais, missões institucionais, feiras e festivais de negócios, formação e capacitação empresarial, políticas de atração de investimento estrangeiro, material de divulgação internacional etc.

Cooperação Internacional – Tanto na área técnica, como nas áreas de transferência tecnológica e acadêmica. Um município pode desenvolver políticas de cooperação e atrair professionais, seja para atuar no campo de pesquisa ou no núcleo de criação, sem investir elevadas somas de dinheiro, mas articulando melhor as conexões de suas instituições.

Promoção internacional – Não deve ser focada somente em negócios, mas também em turismo e outros setores que podem se beneficiar de uma maior exposição internacional. O município de Olímpia (SP), por exemplo, apesar de pequeno, possui um dos parques aquáticos mais visitados da América Latina, porém é completamente desconhecido fora das fronteiras brasileiras, salvo por alguns turistas. Nesse sentido, a criação de uma identidade gera prestígio e competitividade para um produto. A título de ilustração, não são similares, em vários sentidos, um vinho produzido em um local desconhecido quando comparado com outro feito no Vale do Loire na França, ainda que o método seja basicamente o mesmo e a evolução tecnológica não seja muito grande, se comparada a outros setores. A marca pesa nesse aspecto e ela decorre da promoção internacional, ou necessita dela.

Internacionalização – muitas regiões produtoras não possuem conhecimento para internacionalizar seu negócio e buscar novos clientes em países vizinhos. Pequenos produtores e cooperativas também foram historicamente marginalizados do processo. A paradiplomacia é uma importante ferramenta nesse sentido.

Financiamento internacional – caso um município não tenha recursos, uma alternativa viável é o financiamento internacional em Agências e Bancos Internacionais de Desenvolvimento (BID, FMI etc.), ou através de fundo de investimentos privados. Deve ser feito seguindo a normativa vigente no Brasil e respeitando os critérios de cada instituição. Pode ser uma boa solução quando o dólar está elevado, além de oferecer juros menores que os do Brasil, mas também estão submetidos às flutuações internacionais, aos prazos rígidos e, normalmente, à necessidade de um projeto vinculado.

A aplicação das políticas de Paradiplomacia varia conforme a capacidade dos municípios e os recursos disponíveis.  Outra característica importante é que, diferentemente da diplomacia oficial – que se caracteriza pelo excesso de formalidades e protocolos –, a paradiplomacia se estende por diversos níveis do poder e através de diversos setores, sendo viável em diferentes economias.

Uma política de paradiplomacia pode ser criada sem gerar o gasto de uma secretaria internacional – ao final, a área surgiu em pleno pós-guerra, durante uma época na qual os governos europeus não possuíam recursos, sendo contraproducente uma elitização da mesma. Porém, o setor tende a crescer e, com o tempo, a aumentar o volume e a demanda de recursos, além da especialização.

O município que esteja em crise e tenha o desejo de implementar a área da paradiplomacia deve buscar orientação, pois ela é nova e existem poucos profissionais capacitados, bem como poucas empresas que conheçam seu funcionamento.

A equipe e o profissional de paradiplomacia é multidisciplinar, com forte conhecimento nas áreas de Relações Internacionais, Comércio Exterior e Logística, Administração e Direito Público, Relações com investidores, Marketing e Gestão de Projetos.

Uma boa equipe é a chave para mapear as capacidades do município, detectar que tipo de ação é possível e qual é a plataforma a ser utilizada, além da otimização dos recursos envolvidos e da participação internacional imediata. 

A crise pode ser um bom momento para implementar essa política, pois revela que todo município brasileiro deveria abrir suas portas para as relações internacionais, já que, graças à globalização, diariamente o mundo inteiro está entrando em nossas vidas.

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ImagemBalança Comercial” (Fonte):

http://www.fecomerciomg.org.br/wp-content/uploads/2015/04/Balan%C3%A7a-Comercial2.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]A Polêmica, no Vaticano, a Respeito de “Amoris Lætitia”[:]

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Amoris Lætitia[1]A Alegria do Amor – é uma exortação apostólica do Papa Francisco escrita na sequência dos Sínodos dos Bispos sobre a Família, realizados em 2014 e 2015, que foi publicada em 8 de abril de 2016. O documento pontifício, que pretende ser “um guia para a vida em família”, defende “que a Igreja aceite algumas realidades da sociedade contemporânea”, pretendendo abrir novas perspectivas para os católicos divorciados e, simultaneamente, tornar a Igreja mais tolerante em assuntos relacionados com a família. Amoris Lætitia foi considerada, pelo Cardeal Dom Walter Kasper, Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, como “o documento mais importante na história da Igreja do último milênio”. Contudo, logo na altura da publicação de Amoris Lætitia, as vozes dos católicos tradicionalistas fizeram ouvir sua discordância relativamente ao documento. Entre os opositores de primeira hora encontramos Roberto de Mattei, historiador e jornalista italiano, Presidente da Fundação Lepanto, para quem “a doutrina dos absolutos morais e do mal intrínseco é anulada por Amoris Lætitia, que se acomoda à ‘nova moral’ condenada por Pio XII em vários documentos e por João Paulo II em Veritatis Splendor”, e permite, aos católicos divorciados que voltaram a casar, a possibilidade de receberem a comunhão. Estamos, deste modo, em face de uma crítica contundente àquilo que os adversários do Sumo Pontífice designam como moral situacionista, ou seja, uma concepção relativista do Bem, do Bom, do Correto e do Justo que “deixa à mercê das circunstâncias e, em último caso, à consciência subjetiva do homem determinar o que está certo e o que está errado”.

O tempo que medeia entre a publicação de Amoris Lætitia e a atualidade assistiu à consolidação de uma corrente ‘liberal’ e de outra, ‘conservadora’, em relação ao pontificado de Francisco. Em 29 de agosto foi dada a conhecer a Declaração de Fidelidade ao Ensinamento Imutável da Igreja sobre o Casamento e à sua Disciplina Ininterrupta, assinada pelos Cardeais Dom Jãnis Pujats, Dom Carlo Caffarra e Dom Raymond Leo Burke, Bispos, Sacerdotes, além de mais de dezessete mil católicos de todo o mundo. A Declaração é um marco na defesa do ensino magisterial da Igreja Católica acerca dos sacramentos constituindo, simultaneamente, uma tomada de posição em relação à abertura manifestada pelo Papa para com os novos tipos de família e relacionamentos afetivos.

Semanas mais tarde, no passado dia 19 de setembro, 4 Cardeais – Dom Walter Brandmüller; Dom Joachim Meisner; Dom Carlo Cafarra; e Dom Raymond Leo Burke –, num gesto inusual, que foi interpretado como um sinal claro de dissidência, escreveram uma carta ao Papa Francisco, solicitando esclarecimentos acerca do conteúdo de Amoris Lætitia[2]. Considerando a proposta do Papa sobre a vida humana, o matrimônio e a família como “uma reflexão do Santo Padre”, ou seja, um “ponto de vista que ele não pretende impor”, o Cardeal Burke considera como erro as interpretações de quantos reputam Amoris Lætitia como “uma revolução na Igreja, como um radical afastamento do ensino e da práxis da Igreja sobre o matrimônio e a família, como transmitido até agora”.

Por outro lado, ao encarar o matrimônio indissolúvel como um “ideal”, Burke sublinha que “tal descrição do matrimônio pode ser enganosa. Pode levar o leitor a pensar no matrimônio como em uma ideia eterna, à qual os homens e as mulheres devem mais ou menos se conformar nas circunstâncias mutáveis”. Na sequência da divulgação da carta ao Papa Francisco, o Cardeal Burke concedeu uma entrevista na qual esclareceu: “O Papa é o fundamento da unidade dos bispos e de todos os fiéis. Esta ideia, portanto, que o Papa tem que ser algum tipo de inovador, que lidera uma revolução na Igreja ou algo similar, é completamente alheio à Função de Pedro. Segundo o purpurado norte-americano, a tradição se sobrepõe à modernidade, constituindo a garantia dos valores perenes que sustentam a Igreja. Deste modo, para Burke, “o Papa é um grande servidor das verdades da fé, já que foram pronunciadas em uma linha ininterrupta, desde os tempos dos apóstolos”.

Se referindo à atitude tomada pelos Cardeais, no sentido de questionar o Papa acerca do conteúdo de Amoris Lætitia, nomeadamente o capítulo 8.º da exortação apostólica[3], intitulado “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade[4], Burke considera-a como um ato de caridade e de justiça: “Para nós, permanecer em silêncio acerca destas dúvidas fundamentais, que surgiram como resultado do texto da Amoris Laetitia, seria, de nossa parte, uma grave falta de caridade para com o Papa e uma grave falta no cumprimento dos deveres de nossa própria missão na Igreja”.

O Pontificado de Francisco tem sido minado, desde o início, por adversários que se encontram tanto na Cúria, como nas próprias comunidades locais de fiéis. Aludindo a seus adversários no seio da Igreja o Papa referiu, em Amoris Lætitia, que “um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas[5]. Concretizando, o Vigário de Cristo apontou, na ocasião, os “corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas’[6].

Neste momento, no Vaticano, há um combate sem tréguas para tentar impedir o prosseguimento das reformas levadas a cabo pelo Papa argentino. Simultaneamente, num movimento de largo ímpeto, os conservadores já se alinharam para impedir que, no Conclave que elegerá o próximo Servo dos Servos de Deus, o escolhido pela maioria dos Cardeais seja alguém adepto dos ideais renovadores de Francisco.

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ImagemPraça de São Pedro, Cidade do Estado do Vaticano” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d6/St_Peter’s_Square,_Vatican_City_-_April_2007.jpg

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Notas e fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] Ver:

PAPA FRANCISCO, Amoris Lætitia – A Alegria do Amor. Sobre o Amor na Família, São Paulo, Edições Loyola Jesuítas, 2016, 187 págs. [Texto oficial da CNBB para o português do Brasil].

Disponível online:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html

[2] A carta foi originalmente divulgada pelo vaticanista Sandro Magister, em seu sítio web:

A Sua Santidade Padre Francisco e com conhecimento de Sua Eminência Cardeal Gerhard L. Müller

Santo Padre,

No seguimento da publicação da Vossa Exortação Apostólica ‘Amoris Laetitia’,  teólogos e estudiosos propuseram interpretações não só divergentes, mas também contrastantes, sobretudo no que respeita ao Capítulo VIII. Além do mais, os meios de comunicação têm vindo a pôr em realce esta disputa, provocando incerteza, confusão e desorientação entre muitos dos fiéis.

Por isso, chegaram-nos, a nós que nos subscrevemos, como também a muitos Bispos e Presbíteros, numerosos pedidos da parte de féis pertencentes a diversas condições sociais, a respeito da correta interpretação a dar ao Capítulo VIII da Exortação.

Assim, movidos em consciência pela nossa responsabilidade pastoral, e desejando praticar sempre melhor aquela mesma sinoladidade a que Vossa Santidade nos exorta, permitimo-nos, com profundo respeito, vir pedir-Vos, Santo Padre, que, como Mestre Supremo da Fé, chamado pelo Ressuscitado a confirmar os irmãos na fé, dirimais as incertezas e crieis clareza, dando benevolamente resposta aos ‘Dubia’ que nos consentimos juntar à presente carta.

Possa Vossa Santidade abençoar-nos, deixando-Vos a nossa promessa de uma constante presença na nossa oração.

Card. Walter Brandmüller

Card. Raymond L. Burke

Card. Carlo Caffarra

Card. Joachim Meisner

Roma, 19 de Setembro de 2016”.

Os “Dubia” [do latim “Dúvidas”] apresentados pelos Cardeais ao Papa são os seguintes:

1. Pergunta-se se, de acordo com quanto se afirma em ‘Amoris Lætitia’ (nn. 300-305), se tornou agora possível conceder a absolvição no sacramento da Penitência, e, portanto, admitir à Sagrada Eucaristia uma pessoa que, estando ligada por vínculo matrimonial válido, convive ‘more uxorio’ (de modo marital) com outra, sem que estejam cumpridas as condições previstas por ‘Familiaris Consortio’, n. 84, e, entretanto, confirmadas por ‘Reconciliatio et Pænitentia’, n. 34, e por ‘Sacramentum Caritatis’, n. 29. Pode a expressão ‘em certos casos’ da nota 351 (n. 305) da exortação ‘Amoris Lætitia’ ser aplicada a divorciados com uma nova união que continuem a viver ‘more uxorio’?

2. Continua a ser válido, após a Exortação Apostólica Pós-Sinodal ‘Amoris Lætitia’ (cf. n. 304), o ensinamento da Encíclica de São João Paulo II ‘Veritatis Splendor’, n. 79, assente na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, acerca da existência de normas morais absolutas, válidas sem qualquer exceção, que proíbem atos intrinsecamente maus?

3. Depois de ‘Amoris Lætitia’ (n. 301) pode ainda afirmar-se que uma pessoa que viva habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como, por exemplo, aquele que proíbe o adultério (cf. Mt 19, 3-9), se encontra em situação objetiva de pecado grave habitual (cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de junho de 2000)?

4. Após as afirmações de ‘Amoris Lætitia’ (n. 302) acerca das ‘circunstâncias atenuantes da responsabilidade moral’, ainda se deve ter como válido o ensinamento da Encíclica de São João Paulo II ‘Veritatis Splendor’, n. 81, baseada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, segundo a qual ‘as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção’?

5. Depois de ‘Amoris Lætitia’ (n. 303) ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II ‘Veritatis Splendor’, n. 56, baseada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência e enfatiza que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más em virtude do seu objeto?

[3] O Cardeal Dom Raymond Leo Burke refere que, a partir da publicação de Amoris Lætitia, a Igreja vive em estado de confusão em termos pastorais: “Temos um conjunto de diretrizes em uma diocese, por exemplo, dizendo que os sacerdotes são livres no confessionário, se julgarem necessário, para permitir que uma pessoa que está vivendo em uma união adúltera, e que continua assim, tenha acesso aos sacramentos, ao passo que, em outra diocese, de acordo com o que sempre foi a prática da Igreja, um sacerdote é capaz de conceder tal permissão aos que fazem o firme propósito de reparação para viver a castidade no matrimônio, ou seja, como irmão e irmã, e apenas para receber os sacramentos em um lugar onde não sejam motivo de escândalo. Isto realmente tem que ser abordado. Mas, depois, vêm as questões adicionais em dúvida, além dessa pergunta em particular a respeito dos divorciados em segunda união, que se englobam sob o termo ‘mal intrínseco’, com o estado de pecado e com a noção correta de consciência”.

[4] Ver:

PAPA FRANCISCO, Amoris Lætitia – A Alegria do Amor. Sobre o Amor na Família, op. cit., §§ 291-312.

Inquirido sobre o que aconteceria caso o Papa não respondesse aos Cardeais autores da carta, Burke foi inequívoco em sua resposta: “É dever, em tais casos, e historicamente já ocorreu, que cardeais e bispos deixem claro que o Papa está ensinando um erro e que lhe peçam para corrigi-lo”.

[5] Ver:

PAPA FRANCISCO, Amoris Lætitia – A Alegria do Amor. Sobre o Amor na Família, op. cit., § 305.

[6] Ver:

Ibidem.

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ANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISEUROPAPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Ausloss: a Áustria e o declínio da União Europeia[:]

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O Bloco europeu enfrenta a maior crise existencial desde sua formação e luta por sobreviver perante o levante dos partidos de direita e extrema direita que, aos poucos, vão conquistando território no cenário político e refletindo o aumento do euroceticismo e extremismo crescente da região.

Com um discurso considerado xenófobo e cheio de apologias nacionalistas, a nova direita europeia tem sido vista como caracterizada mais pelo discurso exacerbado e patriótico do que por advogar pela solução dos problemas econômicos reais existentes e pela reestruturação necessária para promover o crescimento da região. Analisando os discursos, se observa que grande parte do argumento se baseia em responsabilizar os fatores externos pelas mazelas de sua sociedade, principalmente os estrangeiros e os governos de outros países. Segundo esses políticos, a União Europeia (UE) minou a soberania deles, impôs seu modelo econômico, reduziu sua autonomia internacional, reestruturou sua economia, reduziu sua competitividade e lhes obrigou a contrair uma série de políticas que lhes afetaram social e economicamente.

Muitos desses líderes, no entanto, parecem ignorar as composições demográficas de seus países (que, em muitos casos, contam com uma considerável proporção de imigrantes) e também as características produtivas de suas nações, além do fato de que todas essas mudanças estão previstas no processo de adesão e participação no Bloco econômico.

Esse discurso usado pelos nacionalistas europeus contraria o próprio modelo de integração da União Europeia, cuja base é a promoção da integração regional em diferentes níveis nas áreas de economia, política, sociedade e cultura, não sendo possível apenas participar da parte conveniente do Bloco, mas em sua totalidade, e, ao invés de adquirirem somente os benefícios, devem também assumir as obrigações da parceria.

Muitos desses Estados já demonstraram um enorme desgaste com Bruxelas e estudam sua saída da União. Ainda que a situação do Reino Unido (Brexit) siga em discussão, a Europa teme que um novo plebiscito possa vir a ocorrer em uma nação muito emblemática na história do continente: a Áustria, berço de Adolf Hitler e palco de uma das maiores convenções já realizadas no continente (a Convenção de Viena). Nesse sentido, os austríacos podem criar um novo capítulo na desfragmentação do Bloco europeu.

O Ausloss (ou perda da Áustria) ganhou forma após o cancelamento das eleições realizas em abril de 2016, por suspeita de fraude, havendo depois desse episódio um crescente favoritismo ao candidato ultranacionalista Norbert Hofer, do partido de extrema direita “Liberdade para a Áustria” (FPÖ).

Hofer já declarou que, se ganhar as eleições de dezembro de 2016, realizará um plebiscito para decidir se a Áustria deve ou não permanecer no grupo, e também informou que o país não irá cumprir políticas impostas pela União Europeia no que diz respeito às cotas de refugiados, ou à livre circulação de pessoas, além de ser contrário às negociações internacionais que a UE realiza com outros blocos.

Os discursos mantidos pelos partidos nacionalistas na Europa ganharam maior espaço após a vitória de Donald Trump e as movimentações à direita na América Latina. O paradigmático desse movimento é que o mesmo parece ignorar a dinâmica da economia global e da integração gerada pela globalização, onde não há espaços para uma visão econômica clássica.

Isolar um país para incentivar a economia através da produção nacional, investir na criação de muros e expulsão de mão de obra barata, que mantém um discurso patriótico e ganha votos, impacta diretamente contra a dinâmica global de competitividade e também na cadeia produtiva mundial, estabelecida pelo próprio sistema capitalista, vencedor da Guerra Fria. Os países competem entre eles e, se uma grande fábrica saiu da Europa para produzir na Ásia ou na China, isso se deve a uma série de fatores produtivos que cada país potencializou.

A Europa enfrenta os reflexos de uma integração desequilibrada, onde as assimetrias entre as nações participantes são cada vez maiores e, ao ser a solução para países de economia mais fraca, se transformou, para os europeus, numa espécie de carrasco de suas economias e políticas. Nesse sentido, da mesma forma que as nações participantes do Congresso de Viena não conseguiram reestabelecer a ordem mundial no século XIX, tornando a Áustria o símbolo de um início que fracassou, o Ausloss pode ser outro princípio, o do fim do Bloco europeu, que conseguiu durante um breve período superar os Estados Unidos como economia e ser a maior potência do mundo, mas que agora desfalece aos poucos.

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ImagemFronteira da Áustria” (Fonte):

https://www.euractiv.com/wp-content/uploads/sites/2/2016/11/Austria-border_CREDITJohanna-Poetsch_Shutterstock.jpg

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ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]Pronunciamento sobre a seleção do CEIRI NEWSPAPER como semifinalista do Prêmio Brasil Criativo[:]

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Prezados amigos

Foi com grande honra que recebemos o comunicado de que estamos na semifinal do Prêmio Brasil Criativo, que tanto prestigia os empreendedores e inovadores no nosso país.

Por si, o anúncio já nos recompensa, pois, por meio dele, recebemos o reconhecimento de que o esforço destinado à criação e manutenção do CEIRI NEWSPAPER produziu o fruto desejado: um espaço livre, democrático, sem censuras, que consiga reunir analistas que se disponham a auxiliar no esclarecimento da sociedade, tratando de temas complexos com rigor científico e literário, bem como com respeito ao outro, especialmente se dele discordarmos, daí tanto cuidado com quaisquer afirmações.

O que fazemos é uma modalidade do inovador “Jornalismo de Contexto”. Nossa contribuição inventiva está no que chamamos de “Jornalismo Diplomático” e “Diplomacia Jornalística, pois nos dedicamos a produzir um ambiente em que os esclarecimentos são feitos, sem mascaramentos, mas, em hipótese alguma com agressões e sempre respeitando à dignidade de quaisquer pessoas envolvidas nos fatos que estamos analisando. Mesmo no caso possível daquelas personalidades que, da perspectiva de alguém, possam ser merecedoras de reprimendas. No nosso entendimento, bastará o esclarecimento da realidade para que esta personagem seja observada em seu devido lugar e caberá a quem lhe observa fazer os julgamentos e de acordo com a sua época.

Isso é o respeito pela crença de que há princípios sagrados que tanto nós como a sociedade detêm, ressaltando-se que, dentre eles, estão a liberdade de opinião e o respeito pela dignidade humana. Ademais, temos como importante reconhecer que as ações de uma personagem convivem, ao longo da história, com o espírito de uma época e com o espírito de um povo, que produzem elementos para uma observação individual e para gerar uma específica avaliação. A nossa contribuição está em pautar o raciocínio pela verdade que se busca. Por isso, o trabalho se concentra em descrever a realidade, interpretá-la de forma fundamentada e convidar para o diálogo, porém, não, em julgá-la.

Na nossa concepção, o “Jornalismo Diplomático”, a primeira contribuição que damos para o “Jornalismo de Contexto”, tem como função esclarecer, explicar e, no próprio movimento do argumento apresentado no artigo, criar meios de não fechar as portas para outras percepções. Ao leitor cabe observar, entender, pesquisar – a partir de seu próprio universo –, alavancando uma avaliação sobre a realidade que foi exposta no jornal.

O “Jornalismo Diplomático” se ancora na linguagem e no comportamento do articulista, que deve reconhecer a existência da alteridade e respeitar a interlocução, preservando integramente sua perspectiva individual e crítica apresentada, já que temos como norteador da nossa conduta como jornal que os direitos autorias e percepções individuais dos colaboradores devem ser resguardados, pois são esses alguns dos elementos que possibilitam a inovação em qualquer sociedade. A grandeza artística e intelectual de cada colaborador está em fazer essa composição literária e interpretativa com seu talento individual, ancorado no nosso suporte editorial para realizar tal semeadura.

Da mesma forma, nosso estilo tem permitido a “Diplomacia Jornalística”, pois acreditamos que por meio de um texto esclarecedor e respeitoso o articulista convida para a interlocução quem quiser abordar um tema, sem personalizar o argumento, ou seja, trazendo os pontos sobre um fato que podem permitir o diálogo e buscar a convergência entre os observadores, criando pontes, e, por isso, sendo um convite às aproximações e parcerias, uma vez que se adota honestidade intelectual como procedimento, algo que definimos como “o comportamento pelo qual quem debate não busca a derrota do interlocutor, fazendo qualquer coisa para isso, mas busca a produção coletiva do esclarecimento sobre um fato e acontecimento”. Acreditamos que o que se produz é um exercício de cooperação, daí ser uma “Diplomacia Jornalística”.

A honra cabe a todos os Colaboradores Voluntários do jornal, pois, foi no entendimento destes princípios que eles, coletivamente, permitiram regar esta árvore, cujos frutos estão florescendo.

Um fraterno e cordial abraço a todos, e um sincero muito obrigado.  

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER

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ANÁLISES DE CONJUNTURANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]COMUNICADO CEIRI NEWSPAPER DE 15 DE NOVEMBRO [:]

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Caros Leitores do CEIRI NEWSPAPER

Devido ao feriado nacional da Proclamação da República (terça-feira, 15 de Novembro), informamos que haverá recesso neste dia, não sendo publicadas Notas Analíticas nem Análise de Conjuntura. Voltaremos às atividades no dia 16, quarta-feira, com as respectivas Notas Analíticas e Análise de Conjuntura agendadas para esta data, retomando às atividades normais para a semana.

Como é nosso padrão, ao longo do dia 15 de novembro de 2016 manteremos as consultas e, caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso, assim o faremos, postando Notas Analíticas Extras sobre os acontecimentos e/ou Análises de Conjuntura Extras.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Site, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Antecipadamente, desejamos a todos um excelente feriado.

Cordialmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWSPAPER

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]O novo Presidente dos EUA e suas primeiras ações[:]

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A improvável vitória do republicano Donald Trump para o novo ciclo presidencial estadunidense já cria inúmeras incertezas e apreensão sobre o curso futuro que adotará o 45º presidente.

Um dos panoramas de maior sensibilidade para o momento de transição e que provavelmente determinará os próximos quatro anos dos Estados Unidos, bem como de todo sistema internacional estarão nas bases da nova política econômica.

Ao eleger Trump, a reação generalizada de incredulidade tem causado mal humor nos mercados que não apreciam incógnitas extremas e a julgar pelas tendências de alterações profundas na dinâmica comercial internacional e nas alianças econômicas, a nova matriz proposta pelo republicano ao longo da campanha poderá prejudicar a economia global.

Os entendimentos e posicionamentos do Presidente eleito indicam uma possível revolução da ordem econômica dos Estados Unidos, segundo especialistas e conselheiros que trabalharam na sua campanha. Nesse sentido, ao assumir o cargo há intenção de, através de ordens executivas, impor medidas oriundas de campanha que legitimarão unilateralmente suas promessas, principalmente políticas que envolvem o comércio, a imigração e a regulação financeira.

Em complemento, apesar da conquista da maioria republicana tanto na Casa dos Representantes como no Senado a matriz de política econômica que deseja implementar está fora dos aspectos da ortodoxia tradicional do partido e, com isso, uma estruturação bipartidária sobre questões específicas será necessária para ver os projetos aprovados, tal qual a redução de impostos, melhorias em infraestrutura, revogação do Obamacare, bem como reforma energética, promessas de campanha estas que são susceptíveis a ficarem aquém dos 60 votos necessários no Senado para avançar, caso não haja a adoção de uma coalizão bipartidária.

Como parte do desenho conjuntural inicial para o novo mandato presidencial e ainda no âmbito das incertezas, a formação do gabinete, com os principais secretários e conselheiros presidenciais dirá muito sobre os caminhos que os Estados Unidos trilharão neste novo ciclo presidencial e, por conseguinte, as interpretações e chancelas que tais membros da alta cúpula governamental trarão indicará sobre quais bases a nova política estadunidense trabalhará, principalmente na esfera econômica, a mais sensível e que influenciará decisões em todo o globo.

Para Secretário de Estado, o ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich é um potencial candidato, assim como Senador por Tennessee, Bob Corker, atual presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado. Outro nome especulado é do ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.

Na pasta de Secretário de Defesa, o ex-conselheiro de Segurança Nacional Stephen Hadley e o ex-senador por Missouri, Jim Talent já foram mencionados como potenciais candidatos. Outro nome estudado é de Mike Flynn, ex-diretor da Agência de Inteligência de Defesa, porém este precisaria uma renúncia do Congresso para empossá-lo no cargo, uma vez que a lei exige que os militares aposentados esperem sete anos antes de se tornarem líderes civis do Pentágono.

Para Secretário do Tesouro, Trump indicou Steven Mnuchin, ex-banqueiro do Goldman Sachs e atualmente presidente e executivo da empresa de investimento privado Dune Capital Management.

O novo Procurador Geral poderá ser o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, um dos principais defensores públicos do Presidente eleito. O governador de Nova Jersey, Chris Christie e líder da equipe de transição é outro nome especulado.

A Secretaria do Interior tem como favorito Forrest Lucas, de 74 anos e co-fundador da empresa de produtos petrolíferos, Lucas Oil. Porém outros nomes são analisados, dentre os quais, Robert Grady, investidor de risco, e Donald Trump Jr, além de Sarah Palin, que não faz segredo de seu interesse em agregar a equipe de governo do magnata republicano.

Para Secretário do Comércio, o bilionário investidor Wilbur Ross Dan DiMicco, ex-CEO da sideúrgica Nucor Corp., além de Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas, são os nomes sugeridos.

Para a pasta da Agricultura, nomes como de Sid Miller, atual Secretário de Agricultura do Texas, Sam Brownback, Governador do Kansas, Dave Heineman, ex-governador de Nebraska, Sonny Perdue, ex-governador da Geórgia, Rick Perry, ex-governador do Texas, além de Charles Hersbter, líder do agronegócio, e Mike McCloskey, executivo de lácteos em Indiana.

Outra pasta estratégica e que dialogará com a nova matriz econômica estadunidense é a Secretaria do Trabalho, para esta pasta, a equipe de transição tem procurado um CEO ou executivo para liderar o departamento. Victoria Lipnic, comissária da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Trabalho é a mais cotada, assim como foi na equipe de transição de Mitt Romney, em 2012.

A Secretaria de Saúde e Serviços Humanos tem Rick Scott, governador da Flórida, Newt Gingrich e Ben Carson, pré-candidato presidencial do Partido Republicano, como os mais cotados. Outro nome mencionado foi de Rich Bagger, ex-executivo farmacêutico.

Para a pasta de Segurança Nacional, o único nome até o presente momento estudado é de David Clarke, xerife do condado de Milwaukee, Wisconsin. Clarke discursou na Convenção Nacional Republicana em Ohio e fez a declaração “Blue lives matter em alusão ao “Black lives matter” das manifestações contra as ações policiais que renderam em assassinatos de jovens negros desarmados.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) que foi cogitada por Trump para ser extinta e poderá ter como secretário Myron Ebell, funcionário do Instituto de Empresas Competitivas e questionador da tese sobre aquecimento global. Outro nome especulado é do investidor de risco Robert Grady.

A tendência para o novo ciclo presidencial é de adoção de gestores corporativos e não de políticos de carreira, isso poderá acarretar em um novo formato de fazer política e angariar novas experiências que somente a história poderá julgar. Por essas medidas, no plano econômico, a tendência é uma gestão mais centralizada e pautada em esforços que buscarão o recrudescimento do papel global dos Estados Unidos, uma das matrizes de campanha de Donald Trump, que projeta um país forte novamente, mas mais a nível interno.

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ImagemTrump durante discurso em Phoenix, Arizona, em agosto de 2016”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_by_Gage_Skidmore_12.jpg

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