ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

[:pt]O potencial da Paradiplomacia em pequenos municípios ou regiões do Brasil[:]

[:pt] Os grandes centros urbanos já utilizam a diplomacia das cidades (a Paradiplomacia) como ferramenta para promover o desenvolvimento da região, diversificar suas relações, ampliar sua presença mundial e participar mais ativamente nas decisões globais….

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ANÁLISE - FÓRUNS INTERNACIONAISANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Obama afirma que protecionismo não é resposta aos desafios da globalização[:]

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Na semana passada, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), afirmou em uma publicação da revista The Economist, que a globalização pode sim gerar desigualdades, mas ressalvou que o protecionismo não é a melhor resposta a esses desafios e que os EUA devem trabalhar em conjunto com demais países para desenvolver economias fortes. Segundo Obama, apesar do mundo estar mais próspero, diversas sociedades estão marcadas pela desconfiança e incertezas.

Em seu texto, ele destacou que no atual momento os Estados Unidos enfrentam quatro grandes desafios: intensificar o crescimento da produtividade; combater a desigualdade; fornecer empregos a todos e, ainda, criar uma economia resistente. Os problemas que o país enfrenta possibilitaram que a desconfiança em relação a globalização também ganhasse território nos Estados Unidos. Assim, ressalvou que os norte-americanos podem escolher entre se refugiar em economias antigas e fechadas, ou seguir em frente, admitindo as desigualdades promovidas pela globalização e, ao mesmo passo, se comprometendo em fazer com que a economia global funcione para todos, não apenas para aqueles que se encontram no topo.

Esse também foi o posicionamento dos líderes dos países que compõem o G20 durante a reunião de Cúpula do grupo, que ocorreu no início de setembro deste ano (2016) na cidade de Hangzhou, na região leste da China. Naquela ocasião, os líderes do G20 se mostraram contrários ao retorno do protecionismo, defenderam a livre comercialização e acordaram que há necessidade de coordenar políticas macroeconômicas, entretanto foram poucas as propostas que possam atender essas demandas e os desafios da globalização.

A polarização entre apoiadores do protecionismo ou da globalização tem sido alvo de diversos debates e estudos ao longo do último século. Entre os benefícios da globalização, segundo analistas, está a melhoria da qualidade de vida após a II Guerra Mundial de países que começaram a se restabelecer através das exportações, que na década de 1950 girava entorno de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) e que, no ano 2000, chegou a quase 20%. Essa melhoria ocorreu porque, por meio das exportações, as empresas ganharam em produtividade e eficiência, além de elevar os salários dos trabalhadores. Outro benefício desse processo diz respeito a melhoria da qualidade de vida dos imigrantes, tanto no que tange aos aspectos pessoais de suas vidas, quanto para os países de destino que contam com mais impostos e força de trabalho. No entanto, a globalização traz diversos desafios, tais como a perda de empregos na indústria local, evasão de impostos, além de muitas vezes exacerbar episódios de xenofobia contra imigrantes.

Após a votação do Brexit em junho deste ano, quando a Grã-Bretanha decidiu pela sua saída da União Europeia (UE), muito tem se discutido acerca dos rumos do sistema mundial. Para alguns estudiosos, a saída dos britânicos da UE, representa grande recuo no processo de globalização que vinha ocorrendo desde a II Grande Guerra. Nesse aspecto, conforme, Homi Kharas, vice-diretor do programa para economia mundial e desenvolvimento da Brookings Institution, essa foi a primeira vez que uma grande economia afirmou que “estamos melhor sozinhos e tomando decisões por nós mesmo” e ressaltou que isso representa um grande choque para o sistema mundial.

A globalização foi por inúmeras vezes apontada como uma via para os problemas mundiais, contudo, a crise econômica e humanitária tem exacerbado as falhas da globalização. Desde 2012, o comércio mundial cresce a uma taxa de 3% ao ano, o que representa menos da metade da taxa dos 30 anos anteriores. Para Kharas, se essa tendência continuar, os países mais pobres tem muito a perder, pois eles se beneficiaram da globalização em virtude do aumento de investimentos, melhoria nos sistemas de educação, saúde entre outros. Segundo um estudo do The Economist,  analisou 40 países, caso ocorresse o fim da globalização, os consumidores mais ricos do mundo perderiam cerca de 28% do seu poder de consumo, enquanto que os mais pobres perderiam 63% do seu poder de compra. Assim, de acordo com a revista, abandonar a globalização seria a pior decisão que líderes mundiais poderiam fazer.

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ImagemPresidente Brack Obama” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

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ANÁLISES DE CONJUNTURAENERGIAPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Estratégias de Aceitação Pública da Geração Elétrica Nuclear[:]

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Os países que embarcam em programas nucleares, geralmente têm fortes razões para fazê-lo, incluindo a falta de boas alternativas para satisfazer suas necessidades de geração de energia elétrica. Essas razões também podem incluir a confiança na segurança das usinas nucleares existentes e, particularmente, a confiança em que tecnologias ainda mais seguras estarão em operação em breve. Na maioria dos casos, quando a opinião pública compreender as razões subjacentes para adotar a geração elétrica nuclear, haverá apoio às decisões dos formuladores de políticas. Por isso que é tão importante para o público entender os esforços em curso para a melhoria do desempenho dos reatores; os progressos alcançados na segurança desde os acidentes de Three Miles Island e Chernobyl; e as medidas tomadas desde Fukushima para evitar ocorrências semelhantes no futuro.

Entretanto, os países apresentam níveis muito divergentes quanto à educação e conhecimento tecnológico de suas populações. Dessa forma, as estratégias de comunicação com o público sobre a energia nuclear deverão ser diferentes de país para país. Nas nações com setores nucleares bem estabelecidos, por exemplo, a indústria nuclear fornece empregos que as pessoas estão ansiosas que sejam mantidos e ampliados. As pessoas profissionalmente ligadas à indústria nuclear podem explicar os benefícios da tecnologia para outros dentro de seus ambientes sociais e fazer uma grande diferença na aceitação do público. Nos países menos desenvolvidos, a situação pode ser bem diferente. É necessário certo nível de educação para entender as características da tecnologia e segurança nuclear. Dessa forma, a comunicação com o público nos países cujas populações têm menor nível de instrução deve se concentrar nos recursos energéticos locais e sua incapacidade de fornecer eletricidade suficiente para efetivas melhorias na qualidade de vida. Se o público percebe que a qualidade de vida não pode avançar sem a energia nuclear, as pessoas vão apoiá-la, mesmo que um acidente possa vir a acontecer, da mesma maneira que, apesar de quedas de aeronaves não sejam completamente evitáveis, as pessoas viajam por via aérea porque apenas aviões pode fornecer transporte rápido e confortável à longa distância.

Os países que buscam a energia nuclear como forma de atingir suas metas de desenvolvimento econômico e social devem partilhar seus processos de tomada de decisão com outros países em situações semelhantes. Enquanto isso, os órgãos reguladores nucleares devem ser transparentes em suas interações com o público. Estas agências são a interface entre a indústria nuclear e a população. Elas devem demonstrar de forma consistente a sua independência e sua capacidade de fiscalizar e controlar a energia nuclear de forma adequada.

Mesmo que alguns países estejam abandonando a geração elétrica nuclear, como a Alemanha está fazendo (sem, porém, abandonar as armas nucleares da OTAN que permanecem em seu território e estão sendo modernizadas), o número de nações que operam usinas é crescente (Belarus e Emirados Árabes Unidos são exemplos recentes), assim como o número total de reatores em funcionamento no mundo (436 ao fim de 2014, 439 ao fim dos 2015, mais 7 até agosto de 2016). Isto ocorre simplesmente porque muitos outros países visualizam a nucleoeletricidade como um componente necessário ao seu futuro mix de energia elétrica, garantindo geração de base com segurança de abastecimento sem emitir gases de efeito estufa, contribuindo simultaneamente para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, e com mínima “pegada ecológica” em termos de área ocupada e uso de recursos naturais, minimizando, assim, também os impactos ambientais.

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ImagemEsquema de uma Usina Nuclear” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_nuclear

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Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia; Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear; membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]O Vaticano Defende a Condenação do Terrorismo pela Religião[:]

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O Ocidente que emergiu após os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, o Oriente Médio subsequente à criação do Estado Islâmico, em 2014, assim como a atividade dos grupos insurgentes na Ásia, no Chifre de África e na África Ocidental se assumem como variáveis que contribuíram para a instabilidade mundial que, atualmente, estamos vivendo.

No dia 19 de setembro, John Kerry, o Secretário de Estado dos EUA, se reuniu nas Nações Unidas, em Nova Iorque, com o Cardeal Dom Pietro Parolin, seu homólogo do Vaticano, numa cimeira destinada a debater as questões gerais relacionadas com os refugiados e migrantes. Ambos os líderes abordaram os problemas globais, assim como a situação humanitária na Síria. Um dia mais tarde, Dom Pietro Parolin, participou, também em Nova Iorque, no evento intitulado “Mantendo a Responsabilidade de Proteger: O Papel dos Líderes Religiosos na Prevenção de Atrocidades”, organizado pela Santa Sé e a Organização das Nações Unidas.

Naquela oportunidade, Parolin apelou à proteção das vítimas das atrocidades, tendo referido que tanto os líderes religiosos quanto as autoridades nacionais devem reforçar as medidas preventivas: “Em face destes crimes graves, existe uma responsabilidade grave, primeiro dos Estados nacionais e depois da comunidade internacional”. E continuou: “Parece inteiramente apropriado, por conseguinte, refletir acerca da responsabilidade dos líderes religiosos, especialmente num mundo cada vez mais interconectado, para ajudar a combater a propagação do ódio e da violência em nome da religião e para promover sociedades mais inclusivas e pacíficas”.

Em seu discurso, o Cardeal Parolin apontou a crescente popularização do extremismo, na religião, afirmando que algumas religiões foram manipuladas até se terem tornado campeãs da violência, do genocídio, de crimes de guerra e da limpeza étnica. Se as religiões são, para o Secretário de Estado do Vaticano, “um direito humano inalienável”, elas não estão na raiz das atrocidades, mas sim aqueles indivíduos que lutam pelo poder. De acordo com o Cardeal italiano, se “todas as religiões aspiram à paz”, em face da dor, do sofrimento e da morte coletivas, as “religiões não são a causa destes males que, em contrapartida, resultam de alguns interesses políticos, geopolíticos e econômicos, e do desejo de poder e de dominação”.

Naquela oportunidade, o Cardeal Parolin incitou os líderes religiosos e as autoridades nacionais a trabalharem em conjunto para compreenderem a responsabilidade das medidas preventivas, condenando o uso da religião para promover a violência: “Uma posição urgente é necessária por parte dos líderes religiosos para condenarem sem demora todas as formas de abuso da religião ou dos textos religiosos para justificar a violência e a violação da dignidade humana levada a cabo em nome de Deus ou de uma religião”. Ao finalizar sua intervenção, o Cardeal Pietro Parolin afirmou que a Santa Sé continuará a promover o princípio moral e jurídico fundamental da Responsabilidade para Proteger, assim como o direito a entender as consequências sociais da religião.

Deste modo, defendeu o dignitário: “Esperamos que através de esforços combinados dos líderes e crentes de todas as religiões e de todos os povos de boa vontade, em conjunto com as instituições estatais, baseados no respeito pela vida e pela dignidade humana, e orientados para o bem da pessoa humana, seja possível, um dia, pôr um final às atrocidades que por muito tempo abalaram a consciência da Humanidade, minando sua fibra moral e espiritual, tendo afastado as pessoas para longe do plano de Deus[1].

Reunido no dia 24 de setembro com sobreviventes do atentado de Nice, França, perpetrado em 14 de julho por Mohamed Salmene Lahouaiej Bouhlel, um “soldado do Estado Islâmico”, o Papa Francisco fez suas as palavras de Dom Pietro Parolin. Na Sala Paulo VI, local da recepção, no Vaticano, o Sumo Pontífice declarou: “É para mim uma grande emoção reunir-me convosco, vocês que sofrem no corpo ou em vossa alma porque numa noite de festa a violência vos golpeou cegamente, a vocês ou a alguém que vos é próximo, independentemente da origem ou religião. Eu quero partilhar a vossa dor, uma dor que é ainda mais viva quando eu penso nas crianças, por vezes famílias inteiras, cujas vidas foram ceifadas inesperada e dramaticamente”.

Prosseguindo seu discurso, Francisco abordou a possibilidade de se frear a violência em nossos dias. Ele reiterou: “O estabelecimento de um diálogo sincero e relações fraternais entre todos, em particular entre aqueles que confessam um Deus único e misericordioso, é uma prioridade urgente que os responsáveis, tanto políticos quanto religiosos, devem procurar promover e cada um é chamado a fazer cumprir em torno de si”. Neste contexto, de acordo com o Vigário de Cristo, mau grado “a tentação de se recolher em si mesmo, ou de responder ao ódio com o ódio e à violência com a violência sejam grandes, é necessária uma conversão autêntica do coração. Esta é a mensagem que o Evangelho de Jesus nos dirige a todos nós. Não podemos responder aos assaltos do Demônio a não ser pelas obras de Deus, que são o perdão, o amor e o respeito pelo próximo, mesmo se ele é diferente” de cada um de nós.

Dias mais tarde, em 29 de setembro, o Papa recebeu na Sala Clementina, no Vaticano, os membros de organizações católicas que servem no Iraque, na Síria e nos países limítrofes. Nesta ocasião, o Santo Padre elaborou o estado da arte naquela parte do mundo: “Um ano depois do último encontro, notamos com grande tristeza que, apesar dos muitos esforços feitos em várias áreas, a lógica das armas e da opressão, os interesses obscuros e a violência continuam a devastar estes países e, até agora, não se conseguiu pôr fim ao sofrimento desgastante e à violação contínua dos direitos humanos. As consequências dramáticas da crise já são visíveis muito além das fronteiras da região, sendo o grave fenómeno migratório a sua expressão”. Sublinhando sua preocupação relativamente às comunidades cristãs do Oriente Médio, “que sofrem as consequências da violência e olham para o futuro com medo”, o Papa ilustrou como, de modo prático, as diferentes Igrejas adotaram, no Oriente Médio, uma atitude comum contra a violência promovida pelos insurgentes: “Em meio a tanta escuridão, estas Igrejas mantêm bem alta a chama da fé, esperança e caridade. Elas, com coragem e sem discriminação, ajudam todos os que sofrem e trabalham para uma coexistência pacífica. Hoje, os cristãos do Oriente Médio são um sinal claro da misericórdia de Deus. Eles têm a admiração, o reconhecimento e o apoio da Igreja universal”.

Após São João Paulo II ter promovido, em outubro de 1986, em Assis, o encontro inter-religioso de oração, jejum e peregrinação, que reuniu representantes do judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo, religiões africanas, de outras confissões religiosas e ateus[2], os seus sucessores protagonizaram declarações enérgicas e tomadas de posição firmes quanto ao binômio paz/conflito. Atualmente, numa altura da evolução da Humanidade em que parece estarmos a viver o triunfo da marcha da insensatez, o Vaticano reafirma que o amor deve ser a única resposta ao mal. No âmago daquela que, no dizer do Papa Francisco, é a III Guerra Mundial em fragmentos[3], somente um esforço simultaneamente exigente e tolerante por parte das religiões e, ao mesmo tempo, de cada um de nós no caminho da não-violência poderá pôr fim ao ciclo de barbárie que estamos vivendo.

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ImagemDom Pietro Parolin durante uma missa em Caracas, julho de 2012” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Pietro_Parolin#/media/File:Monse%C3%B1or_Pietro_Parolin,_2012.JPG

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Notas e Fontes Consultadas para maiores esclarecimentos:

[1] Numa entrevista concedida a Paolo Mastrolilli, publicada pelo jornal La Stampa em 22 de setembro de 2016, Pietro Parolin esclareceu: “São importantes o respeito mútuo e a aceitação do Outro. Infelizmente, hoje, estamos testemunhando o revivalismo do extremismo e das tendências radicais. O radicalismo se caracteriza por uma atitude fechada em relação àqueles que não são como nós e que veem as coisas de um modo diferente. Em ordem a lidar com este problema tendo em vista sua resolução, necessita de ser obtido um grande acordo, começando pela maneira como as novas gerações são educadas, incutindo o respeito nelas. Eu uso a palavra respeito porque nós discutimos a tolerância na ONU, hoje, afirmando que não é palavra correta a usar. O que é necessário, em contrapartida, é o respeito mútuo, assegurando que cada pessoa seja aceite por ser quem é. Juntos, nós podemos construir algo bom, algo melhor”.

[2] O encontro de Assis “não foi único, porque João Paulo II regressou a Assis em 1993, para rezar pela paz nos Balcãs, com os judeus e os muçulmanos e, mais tarde, depois do dia 11 de Setembro de 2001, quando o mundo parecia deslizar inexoravelmente para o chamado ‘choque das civilizações e das religiões’”.

[3] Papa Francisco se referiu, até hoje, à III Guerra Mundial “fragmentada” nas seguintes ocasiões:

a) 18 de agosto de 2014, durante a viagem de regresso da Coreia do Sul. Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2014/08/18/vivemos-a-3-guerra-mundial-diz-papa-francisco.htm

b) 13 de setembro de 2014, no Cemitério Militar de Redipuglia, na Itália. Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-29190890

c) 06 de junho de 2015, durante a viagem apostólica a Sarajevo, capital da Federação da Bósnia e Herzegovina. Ver:

http://pt.euronews.com/2015/06/06/papa-francisco-evoca-especie-de-3-guerra-mundial/

d) 20 de setembro de 2015, no início da viagem apostólica a Cuba. Ver:

http://www.dn.pt/globo/interior/papa-pede-reconciliacao-nesta-atmosfera-de-terceira-guerra-mundial-que-vivemos-4787708.html

e) 14 de novembro de 2015, condenando os atentados de Paris, que tiveram lugar no dia anterior. Ver:

http://extra.globo.com/noticias/mundo/papa-francisco-chama-ataques-em-paris-de-uma-iii-guerra-mundial-desorganizada-18052432.html

f) 26 de agosto de 2016, Mensagem do Papa Francisco para a 50.ª Jornada Mundial da Paz, que terá lugar em 1 de janeiro de 2017, sob o lema “A Não-Violência: Um Estilo de Política para a Paz”. Ver:

https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2016/08/26/0599/01345.html

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

[:pt]A ausência da Paradiplomacia nas campanhas eleitorais brasileiras de 2016[:]

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Nos últimos 20 anos, a diplomacia das cidades tem se transformado em uma importante ferramenta pública para o incremento da competitividade dos grandes centros urbanos, promovendo uma maior exposição e agilidade nos processos globais. A Paradiplomacia também é uma forma de evitar à morosidade da diplomacia oficial e os conflitos de interesses na formulação da política externa de uma nação, já que a mesma representa os interesses locais de um ente subnacional, havendo, assim, uma maior sinergia com a realidade e com os diferentes grupos de interesses.

Cidades como Londres, Paris, Tóquio, Berlim, entre outras, possuem políticas locais para atração de investimentos estrangeiros, acordos de cooperação em diversas áreas, transferência de tecnologia com outras cidades, parcerias públicas e privadas, campanhas internacionais de promoção econômica e turística, dentre várias ações dentro desse escopo paradiplomático. No Brasil, algumas capitais já possuem uma estrutura similar que representa a política externa de um município, porém, a importância dada a mesma ainda é reduzida ou conflita com o mesmo tipo de estrutura existente na esfera estadual.

Ao não existir no Brasil uma legislação que defina as competências dos Estados da Federação e dos Municípios em relação a política externa, ou programas de relações internacionais que contemplem as três esferas administrativas do país, a paradiplomacia acaba sendo desigual e pouco desenvolvida, resumindo-se a ações políticas concretas, onde não há uma participação pública, nem interesse público.

Esse distanciamento entre a paradiplomacia dos municípios brasileiros e a população, ou a inexistência da paradiplomacia, refletiu-se ao longo das campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores no Brasil deste último mês. Nem mesmo nos grandes municípios, tais como São Paulo ou Rio de janeiro, existe uma preocupação em trazer a pauta internacional para o debate, pois o tema parece aos candidatos e suas equipes como irrelevante para angariar os votos necessários para vencer as eleições.

A candidata à prefeitura de São Paulo pelo PMDB, Marta Suplicy, chegou a mencionar um possível projeto para solicitar o financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para realizar obras no município – algo que já fez em sua gestão como prefeita 2000-2004 – porém o tema não ganhou nenhuma repercussão ao longo da campanha.

No Rio de Janeiro, mesmo se tratando do principal polo de turismo internacional do Brasil, e após a cidade ser sede da Copa do Mundo de Futebol – FIFA e dos Jogos Olímpicos, os candidatos não possuem – ou ao menos não mencionaram – nenhuma proposta para a política externa da cidade, embora a cidade possua infraestrutura para isso, tais como a Agência de Promoção de Turismo ou a Agência de Promoção de Negócios do Município.

É necessário aproximar o debate político as relações internacionais do município, pois cada vez mais as cidades estão ganhando importância no cenário mundial, sendo esta uma realidade global.

A competitividade, produção, comunicação e fluxos migratórios, além de outros efeitos da globalização, colocaram as cidades em uma posição de destaque no panorama mundial, e aquelas que possuem ferramentas para defender seus interesses e participar dessa nova dinâmica obtêm vantagens sobre as outras.

O desenvolvimento da Paradiplomacia depende não somente da existência de um Marco Jurídico que organize suas competências, mas também da estratégia de desenvolvimento das cidades e sua política de inserção mundial, que não deve depender unicamente da diplomacia central.

Municípios portuários como Santos, ou aeroportuários como Campinas e Guarulhos, devem competir com outros hubs de comunicação da América Latina, além da própria concorrência interna de outras cidades brasileiras. As negociações a nível federal podem beneficiar um município em detrimento de outro, sendo a paradiplomacia uma saída natural para assegurar a competitividade da região e sua sobrevivência no mundo globalizado.

A população também deve entender que, atualmente, é impossível isolar seus interesses do resto do mundo, pois as multinacionais fazem a distribuição de energia ou o fornecimento de linhas telefônicas no município, os imigrantes chegam diariamente, tanto quanto os executivos e turistas de negócios, além de pesquisadores visitantes. O mundo faz parte da realidade de várias cidades, havendo interesses ou moldando interesses à raiz dessas interações, sendo vital gerar políticas que possam aproveitar tal dinâmica e promover benefícios, tanto à população como ao município. Para tanto, é necessário discutir como será feita.

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Imagem (Fonte):

http://blogdapoliticabrasileira.com.br/wp-content/uploads/bfi_thumb/encontro_mapa_brasil_setas_final_v101-724×367-mou51wjdcx79ydm2qkf3s1yjke9mhxi46hrbhxvh8w.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Observações sobre o encerramento do Departamento de Combate à Fome no Itamaraty[:]

[:pt] Após 12 anos de existência, a Coordenadoria-Geral de Ações Humanitárias e Combate à Fome (CGFome) foi extinta pelo Itamaraty, tendo suas atribuições realocadas para outras unidades do Ministério das Relações Exteriores (MRE), sendo elas,…

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]A Canonização de Teresa de Calcutá[:]

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Nascida Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, em Üsküp, capital da Macedônia, então parte da Albânia, Império Otomano, a católica mais famosa da Índia veio ao mundo no dia 26 de agosto de 1910. Ela viveu na Macedônia durante seus primeiros dezoito anos, tendo se mudado para a Irlanda, onde ingressou na Ordem das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto. Aí passou a usar o nome Teresa, em homenagem a Santa Teresa de Lisieux. Enviada para Calcutá, na Índia, foi professora numa escola para meninas de classe alta, antes de decidir se dedicar aos pobres.

Em 1950, Madre Teresa fundou as Missionárias da Caridade, uma congregação religiosa católica que pretendia ser uma resposta à miséria prevalecente na Índia. Desde então, os membros da congregação têm que se submeter aos votos de castidade, pobreza e obediência, devendo disponibilizar, de todo o coração, livre atendimento aos mais pobres de entre os pobres. Atualmente, as mais de 4.500 religiosas que integram as Missionárias da Caridade estão presentes em 133 países, onde dirigem cerca de 700 casas de assistência aos moribundos com HIV/AIDS, lepra e tuberculose; cozinhas populares; dispensários e clínicas ambulantes; programas de aconselhamento para as crianças e as famílias; orfanatos; escolas.

Apesar de, em vida, Madre Teresa de Calcutá ter recebido inúmeras distinções, de entre as quais se destaca o Prêmio da Paz Ramon Magsaysay, em 1962, e o Prêmio Nobel da Paz, em 1979, ela foi alvo de críticas oriundas em diversos setores da sociedade civil, nomeadamente os ateus. Porém, Madre Teresa nunca se sujeitou às avaliações negativas e jamais se coibiu em tornar públicos seus posicionamentos em defesa daquilo em que acreditava, inclusive em relação aos posicionamentos do Papa João XXIII e às conclusões do Concílio Vaticano II, assumindo-se como adversária tenaz da Teologia da Libertação, ao ponto de o Papa São João Paulo II a ter tomado como bandeira de sua restauração eclesiástica.

Acusada de ter sido mais amiga da pobreza do que dos pobres, Madre Teresa foi questionada pelo jornalista e crítico literário Christopher Hitchens, em seu livro The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice (A Posição do Missionário. Madre Teresa na Teoria e na Prática)[1] e, também, no documentário Hell’s Angel (Anjo do Inferno)[2]. Hitchens acompanhou a Santa pelas ruas de Calcutá e a ouviu elogiar a pobreza, a doença e o sofrimento como “presentes do céu, propondo aos fiéis que aceitassem aqueles presentes com alegria. Segundo o jornalista norte-americano, sua clínica, em Calcutá, lhe pareceu um morredouro, um lugar em que o tratamento médico era rudimentar ou inexistente. No entanto, de acordo com Christopher Hitchens, quando adoeceu, Madre Teresa “voou em primeira classe a uma clínica privada da Califórnia”. Por outro lado, Aroup Chatterjee, no livro Mother Teresa, The Final Verdict (Madre Teresa, O Veredito Final)[3] denuncia as ligações de Madre Teresa ao ditador do Haiti, Jean-Claude Duvalier, e a Enver Hoxha, o responsável pela Albânia marxista-leninista.

Tendo recebido uma doação de Charles Keating, preso pela maior fraude financeira da história dos Estados Unidos até à década de 1980, quando Keating foi encarcerado, longe de devolver o dinheiro que lhe havia entregue (pelo menos 1 milhão de Dólares, cerca de 3,25 milhões de Reais), madre Teresa intercedeu no tribunal pedindo misericórdia. Segundo Chatterjee, médico nascido e criado em Calcutá e hoje residente em Londres, Madre Teresa “não dava nenhum analgésico forte aos moribundos, mesmo nos casos mais extremos, e os cuidados não eram profissionais. Careciam da mais básica higiene, sofriam condições de tortura”.

O cubano-norte-americano Hemley González é outro dos críticos de Madre Teresa. Em 2008, ele trabalhou como voluntário junto das Missionárias da Caridade, dado que “a marca de Madre Teresa é tão forte, que mesmo sem ser religioso foi a primeira coisa que me ocorreu. Eu me dei conta de que se tratava de uma violação sistemática dos direitos humanos e de um escândalo financeiro”. Segundo González, os missionários têm pouca preparação técnica: “Um deles deu de comer a um paralítico, que se engasgou e morreu. Eu estive na cremação de 12 pessoas, algumas das quais acredito que poderiam ter sobrevivido”.

Em contrapartida, em paralelo às críticas de que Madre Teresa foi alvo, cabe referir o testemunho de Joe McGowan, Jr., o repórter da Associated Press que, em 1966, pela primeira vez, divulgou ao mundo a obra da religiosa. O então chefe do escritório daquela agência noticiosa na Índia, Paquistão, Afeganistão, Nepal, Ceilão e nas Ilhas Maldivas declarou: “Não havia nada de pretencioso com ela”. Por outro lado, “naqueles dias, não havia leitos [hospitalares] suficientes em locais como Calcutá. Se você fosse declarado doente terminal, sua família tinha que levá-lo para casa para que o leito fosse para outra pessoa. Se ninguém o levasse, você era colocado na calçada para morrer”. Extremamente impressionado pelo trabalho de Madre Teresa, Joe McGowan, Jr. confessou: “Eu tenho o maior respeito por ela, o trabalho que ela fez, para trabalhar lá nas favelas de Calcutá”.

O Vaticano, que contou com Aroup Chatterjee e Christopher Hitchens entre as testemunhas oficiais hostis de Madre Teresa no processo de beatificação, que teve sua conclusão em 2003, reconheceu o primeiro milagre da fundadora das Missionárias da Caridade na cura de um tumor maligno abdominal de Monika Besra; em 2015, a Igreja abriu o caminho para a canonização de Madre Teresa, após ter declarado como milagre a recuperação do brasileiro Marcilio Haddad Andrino, que tinha múltiplos pontos de inflamação no cérebro.

No dia 4 de setembro, o Papa Francisco, que conheceu pessoalmente Madre Teresa em 1994, durante um Sínodo dos Bispos celebrado em Roma, canonizou a Beata que se notabilizou na Índia. Naquela ocasião, ante mais de cem mil fiéis originários de todas as partes do mundo, congregados na Praça de São Pedro, o Sumo Pontífice declarou que a Madre será a santa do “vasto mundo do voluntariado”, pedindo que ela seja considerada como o “modelo de santidade”. Segundo o Vigário de Cristo, a missão de Madre Teresa “nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres”.

Teresa de Calcutá, afirmou Francisco, “fez ouvir a sua voz aos poderosos da Terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! –  da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o ‘sal’, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento”. O Papa sublinhou, ainda, a oposição de Madre Teresa à interrupção voluntária da gravidez, ao declarar que ela “foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’”.

A canonização daquela que, em vida, ficou conhecida como “a santa das sarjetas”, constituiu o evento mais importante do Ano Santo da Misericórdia. Santa Teresa de Calcutá, que “simboliza a fé cristã de uma maneira que toca os corações humanos além dos limites da denominação religiosa”, é, desde o passado dia 4 de setembro de 2016, uma referência de vida para todos os cristãos, mas, sobretudo, para os católicos. Com efeito, ante o fracasso de muitas políticas públicas na Índia, a par dos inúmeros problemas sociais e de uma mentalidade globalmente caracterizada pela resignação, talvez o assistencialismo promovido por Santa Teresa de Calcutá continue sendo alvo de críticas. Contudo, sua obra constitui a gota de água que, de modos muito diferenciados, tem alimentado a esperança dos mais miseráveis no deserto da indiferença. Como a própria Madre Teresa gostava de dizer, em relação aos despojados da dignidade, “talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir”.

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ImagemPlaca memorial dedicada a Madre Teresa de Calcutá, Praça Wenceslas, Olomouc, República Checa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mother_Teresa#/media/File:Mother_Teresa_memorial_plaque.jpg

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Notas e Fontes Consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] Ver:

CHRISTOPHER HITCHENS, The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice, Londres – Nova Iorque, Verso, 1995, 98 págs.

[2] Ver:

Christopher Hitchens, Mother Teresa: Hell’s Angel, Channel 4, s. l., 1994.

Disponível online:

https://www.youtube.com/watch?v=65JxnUW7Wk4

[3] Ver:

Aroup Chatterjee, Mother Teresa, The Final Verdict, s. l. [Calcutá], Meteor Books, India, 2003, 415 págs.

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Analistas questionam se os incentivos da China no Setor Primário do BRICS poderiam sabotar o desenvolvimento do Bloco[:]

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O setor primário é entendido como as atividades que extraem e/ou modificam a matéria-prima, transformando os recursos naturais em produtos primários. Os produtos do setor primário são considerados matérias-primas para outras industrias, destacando-se que as atividades desse setor incluem a pecuária, agricultura a pesca e a mineração. Em síntese, neste setor estão as indústrias de matérias para fabricação, como o petróleo.

Sob a necessidade de alimentar sua superpopulação e obter insumos para a produção tecnológica de seu gigantesco parque industrial, a China aumentou consideravelmente a demanda de produtos primários nos últimos 20 anos. Segundo informações do Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a partir do “Commodity price forecast. World Bank. January 30, 2014”, “as importações agrícolas da China também deverão permanecer elevadas devido ao crescimento do consumo per capita das principais commodities agrícolas, conforme projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para os próximos anos”.

Como publicado na Nota Analítica “Lenta e gradativamente, Alemanha se aproxima da China, líder do Brics”, desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, país do Bloco conhecido como celeiro do mundo, tendo os chineses comprado principalmente soja, carnes, minério-de-ferro e petróleo, mas analistas interrogam as consequências dessa situação. As repostas dependem da perspectiva adotada.

Em um primeiro momento, grupos econômicos como os do agronegócio, energia e infraestrutura de logística, transportes e aeroportuária seriam beneficiados com a escalada de consumo chinês. Milhares de empregos seriam gerados, tributos arrecadados e assim seria possível construir cenários com mais um estágio de prosperidade e de nova alta do preço das commodities no mercado global. Foi essa demanda por produtos primários, chamados de commodities (“mercadorias”, em tradução livre) porque praticamente não há transformação, que elevou o PIB de alguns países agroexportadores e potências “em desenvolvimento” e propiciou a formação do bloco BRICS. Empresas como a “Chinatex Grains and Oils Imp. & Exp. Co., Ltd.” adquirem safras de soja de cooperativas do Brasil, que lançam mão de financiamentos e investimentos milionários muito antes de as sementes serem lançadas ao solo.

A longo prazo, no entanto, expectativas de aumento da demanda da China por uma ou outra commodity e promoções de vendas de mercadorias pelos demais países do BRICS, dirigidas ao líder econômico, pode aumentar a dependência do grupo em relação à economia primária.

No caso do Brasil, o sonho do ex-presidente Getúlio Vargas em transformar um país rural em uma potência econômica industrial, com sucesso em vários aspectos, pode retroceder e ver o parque industrial nacional diminuir, bem como a economia nacional retroagir predominantemente à economia primária e agroindustrial.

A “invasão” de produtos manufaturados chineses, produzidos à base de mão-de-obra barata, e a guerra cambial agrária e de preços muito competitivos – praticamente insuportáveis à indústria brasileira ou mesmo estadunidense –, reduzem significativamente o parque industrial desses países e inclina empresários, investidores e o setor financeiro à prestigiar o mercado primário.

No entanto, o erro estratégico de uns pode ser o plano estratégico de outros. Por essa razão observadores questionam se os maciços investimentos da China em mercadorias não poderia sabotar, de maneira transparente e até requerida pelos Estados envolvidos, o desenvolvimento industrial dos demais países do BRICS. Refletindo sobre tal observação, percebe-se que essa é uma premissa que precisa ser considerada, se forem levados em consideração os seguintes pontos:

  1. O BRICS é um possível bloco econômico em construção e em ascensão, do qual até a Alemanha quer se aproximar;
  2. A China é a líder econômica, política e financeira desse Bloco em constante concretização – já que contribui com fundos de socorro de US$ 41 bilhões do total de US$ 100 bilhões no Banco do BRICS – e tem interesse em que os demais países do grupo atendam ao seu parque industrial, com matérias-primas baratas e mercado consumidor, lógica do sistema econômico desigual e combinado de um tipo de capitalismo;
  3. Apesar da pujança da economia do Brasil e do incrível crescimento da Índia durante a crise econômica que desacelerou o crescimento dos demais países do BRICS, cada vez mais surgem razões para se acreditar que o BRICS pode ser entendido como um projeto chinês e russo, uma vez que há uma liderança financeira da China, um poderio militar de ambos, o compartilhamento de metadados entre eles e de informações estratégicas dos 2 projetos de desenvolvimento Banco do BRICS – o The Data Center ‘Xiaomi Hosting’ da empresa Xiaomi-hosting Ltd.; e o International Global Monitoring System ‘GRAND EXPERT’, da empresa International Non-Profit Social Movement GRAND EXPERT (www.grand.expert), possivelmente de liderança técnica russa.

Sendo assim, os Investimentos da China em soja, proteína animal, petróleo, minério-de-ferro e infraestrutura de escoamento dessa produção, no Brasil e demais países do BRICS, pode ser uma oferta irrecusável de aporte de recursos, mas que, a longo prazo, poderia criar as condições de manter esses países emergentes em sua esfera de dependência, vinculada exclusivamente ao mercado de commodities e, consequentemente, suscetíveis às sucessivas crises econômicas mundiais.

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ImagemO processo de mecanização do campo ampliou a produção e reduziu a oferta de emprego”   (Fonte):

http://brasilescola.uol.com.br/economia/setor-primario.htm

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