ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Saad Hariri anuncia apoio a Michel Aoun para Presidência do Líbano: impasse institucional pode estar perto do fim[:]

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Em 20 de outubro de 2016, o líder do “Movimento Futuro”, Saad Hariri, endossou oficialmente Michel Aoun como seu candidato à Presidência do Líbano. O anúncio representa um abandono do seu aval prévio a Sleiman Frangieh, anunciado em dezembro de 2015. Aoun é maronita e fundador do Movimento Patriótico Livre, o maior partido político cristão no Líbano, país que está sem um Presidente desde maio 2014

Falando em uma conferência de imprensa televisionada de sua residência, no centro da capital, Beirute, Hariri afirmou que tomou a decisão “para que o Líbano como um todo preservasse o Estado, suas instituições, sua estabilidade e sua segurança”, conforme reportou o The Daily Star. Classificando a decisão como um “sacrifício e não um acordo”, ele declarou ainda que “o Líbano precisa desesperadamente alcançar uma solução política e, portanto, estou formalmente endossando Michel Aoun para o cargo de presidente do país”.

Os partidos libaneses e suas coalizões têm disputado, tanto internamente, como entre si, sobre quem será o próximo Presidente, desde o término do mandato de Michel Sleiman, em maio de 2014. Sob o acordo de partilha de poder libanês, o cargo presidencial é reservado a um candidato cristão, geralmente maronita. O impasse presidencial já passa de 29 meses e ocorre em meio a outro impasse mais amplo, que também tem paralisado o Parlamento e ameaçado o trabalho do Gabinete. O Legislativo já estendeu seu mandato por duas vezes, a primeira em 31 maio de 2013, por 17 meses, e a segunda em novembro de 2014, por 31 meses, que irá até junho de 2017.

A “Coalizão 8 de Março” é composta pelo Hezbollah, Amal, Movimento Patriótico Livre (liderado por Michel Aoun), Movimento Marada e partidos sírios. Já a “Coalizão 14 de Março” é composta pelo Movimento Futuro, liderado por Saad Hariri, Forças Libanesas, Kataeb, Partido Socialista Progressista de Walid Jumblatt, entre outros.

As Forças Libanesas, o Hezbollah e o Movimento Patriótico Livre pedem pela eleição do parlamentar Michel Aoun, enquanto o Movimento Futuro, Walid Jumblatt e Nabih Berri – do Amal – manifestavam, até então, apoio pela nomeação do líder do Movimento Marada, Sleiman Frangieh. Ambos, Aoun e Frangieh, são membros da “Coalizão 8 de Março”. Nabih Berri, contudo, ainda não endossa o apoio a Aoun. Já o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, confirmou no último 23 de outubro que seu bloco parlamentar votará em Aoun na sessão da próxima segunda-feira, dia 31 de outubro, suspendendo, portanto, o longo período de boicote às sessões.

Aoun serviu como Chefe das Forças Armadas e brevemente como Primeiro-Ministro durante a Guerra Civil do Líbano, 1975-1990, quando era um forte opositor da presença militar síria no país. Mas ele surpreendeu muitos ao estabelecer um Memorando de entendimento com o aliado de Damasco, o Hezbollah, em fevereiro de 2006, um ano após seu retorno do exílio na França e da retirada das tropas sírias do Líbano, em abril de 2005.

Originalmente, antes de apoiar Frangieh, Hariri endossou a candidatura de Samir Geagea, das Forças Libanesas, membro de sua “Coalizão 14 de Março”. Após a desistência, em janeiro de 2016, Samir Geagea apoiou a candidatura do antigo inimigo, o general Michel Aoun, encerrando mais de duas décadas de relações amargas.

Hariri, ex-Primeiro-Ministro, pode voltar para o cargo de Premier sob um acordo de união nacional mediado com Aoun. Com um oficial de alto escalão da “Coalizão 8 de Março” como Michel Aoun na Presidência, Hariri poderia mais facilmente garantir o cargo de Primeiro-Ministro para si, já que é o líder da “Coalizão 14 de Março”, especulam especialistas. Mas este movimento de apoio a Aoun, na prática, coloca Hariri (líder do partido de maioria sunita e apoiado pela Arábia Saudita e pelo Ocidente) ao lado do Hezbollah, crítico severo das políticas sauditas, aliado do Irã e que possui membros combatendo na vizinha Síria. Hariri e seus parceiros apoiam o levante contra Bashar al Assad, enquanto o Hezbollah denuncia a presença de jihadistas no país. Ainda assim, o Hezbollah já sinalizou que aceitará Hariri como Premier, se este for o caso. O correspondente da Al Jazeera, Imtiaz Tyab, reportou que pelo menos dois membros seniores do Movimento Futuro anunciaram que se oporiam à nomeação de Aoun. A animosidade entre Hariri e Aoun remonta mais de uma década e muitos parlamentares membros do Partido Futuro como Ahmed Fatfat, Fouad Siniora, Farid Makari e Mohammad Qabbani expressaram abertamente insatisfação com a decisão de seu líder sunita.

Apesar de rivais, Hezbollah e as Forças Libanesas vinham tentando convencer o líder do Movimento Futuro, Saad Hariri, a abandonar o apoio a Frangieh e endossar Aoun, que diziam ser a única maneira de encerrar o vácuo presidencial. Os legisladores do Bloco Mudança e Reforma, do deputado Michel Aoun, junto ao bloco do Hezbollah e seus aliados, denominado “Coalizão 8 de Março”, têm frustrado qualquer quórum através do boicote às sessões parlamentares, exigindo um acordo de antemão com os seus rivais da “Coalizão 14 de Março” acerca de um candidato de consenso. O Parlamento deverá se reunir na próxima semana, em 31 de outubro, para nova tentativa de votação de um Presidente, a 46ª tentativa, desde 2014. Desta vez, a garantia de apoio em torno do nome de Aoun deve ser suficiente para a obtenção de uma maioria de 2/3 para a eleição presidencial.

Hariri fez referência à vizinha Síria como uma das principais razões por ter confirmado o apoio a Aoun, e exortou os cidadãos libaneses a se reunirem em torno do candidato. O país faz fronteira a norte e a leste com a Síria, devastada pela guerra que já gerou estimados 500.000 mortos. Como consequência, o Líbano vem registrando um alastramento no número de combatentes extremistas e grande afluxo de refugiados, deteriorando a já debilitada infraestrutura do país. A população total do país é estimada em 5,851 milhões de habitantes – excluindo o número de refugiados. Outros 1.033.513 de habitantes são refugiados sírios, conforme dados da UNHCR.

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ImagemGeneral Michel Aoun” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aoun.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]O Vaticano e o Esporte Promotor dos Valores da Lealdade e do Respeito Pelo Outro[:]

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Decorreu, na Sala Paulo VI, no Vaticano, entre 5 e 7 de outubro, a conferência internacional sobre o “Esporte ao Serviço da Humanidade”. O evento, que teve como ponto de partida um desafio lançado pelo Papa Francisco, foi organizado pelo Conselho Pontifício para a Cultura, com a colaboração do Comitê Olímpico Internacional e da ONU, tendo congregado cerca de 150 líderes do mundo do esporte, fé, negócios e da sociedade civil. A conferência, que contou com cerca de 7.000 participantes, pretendeu estabelecer os princípios de um novo movimento nos esportes.

Tal como em outras esferas da vida pública, o esporte, nomeadamente aquele que é praticado na vertente de rendimento, encontra-se sob escrutínio por parte da opinião pública mundial. Com efeito, escândalos diversos, da magnitude ainda imprevisível, têm abalado diversas modalidades esportivas e afetaram o prestígio de competições internacionais da mais elevada relevância. Ilustra aquilo que acabamos de afirmar, as pesquisas rumo à melhoria genética dos atletas[1], o escândalo de corrupção na FIFA, a autorização, pela Agência Anti-Doping dos EUA, a 200 atletas norte-americanos para utilizarem substâncias proibidas, a automutilação e a prática de tortura, ou seja, o doping dos atletas paralímpicos, o banimento do atletismo russo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e a ingerência recorrente do Governo do Kuwait nos assuntos internos do Comitê Olímpico do país. Tentando recuperar o significado original das manifestações esportivas – mente sã em corpo são – a conferência “Esporte ao Serviço da Humanidade” desejou unir a prática das atividades esportivas à temática da espiritualidade. Para os organizadores da conferência, a vistos a história e os objetivos do evento, o “esporte, na sua forma mais simples, é uma das atividades humanas mais extraordinárias”. À luz do acabado de referir, se “o esporte impõe regras que apontam para uma competição justa, iguais oportunidades para todos, treinamento e prazer, e oferece aos participantes a oportunidade de alargar seus limites físicos e mentais, partilhar valores e experiências comuns”, a fé “é, talvez, o aspecto mais extraordinário da humanidade – a crença de que nós existimos em função e para um propósito; e que podemos viver de uma maneira que aumenta não só as nossas vidas, mas também as vidas daqueles ao nosso redor”. Deste modo, a relação copulativa entre esporte e fé pode, atualmente, “voltar a despertar as pessoas para o enorme poder para o bem que estes dois pilares da vida humana podem proporcionar” a cada um de nós.

No dia 5 de outubro, falando na cerimônia de abertura da conferência “Esporte ao Serviço da Humanidade”, o Papa Francisco frisou: “O esporte é uma atividade humana de grande valor, capaz de enriquecer a vida das pessoas”. Ao aludir aos Jogos Olímpicos e aos Jogos Paralímpicos, centro das atenções em todo o mundo, o Sumo Pontífice, centrado no ideal olímpico proposto por Pierre de Coubertin, o fundador do movimento olímpico da era moderna, “citius, altius, fortius” – “mais rápido, mais alto, mais forte” –, referiu o alcance daquela divisa, ao afirmar que ela constitui um “convite para desenvolver os talentos que Deus nos deu. Quando vemos atletas que dão o seu melhor, o esporte nos enche de entusiasmo e faz-nos sentir orgulhosos. Há uma grande beleza na harmonia de certos movimentos, bem como na força ou no jogo de equipe. Quando é assim, o esporte transcende o nível puramente físico e nos leva para dentro da arena do espírito e, até, do mistério. E estes momentos são acompanhados por grande alegria e satisfação, que todos nós podemos partilhar, mesmo não tendo competido”. No entanto, se o esporte não se reduz à sua dimensão puramente competitiva, pois também existe “o esporte amador, recreativo, não destinado à competição e que permite a todas as pessoas melhorar a saúde e o bem-estar, a aprender a trabalhar em equipe, a saber vencer e, também, a saber perder”, para que ele seja fruído pelas pessoas, consideradas em sua integralidade, se torna necessário o cumprimento de alguns requisitos. São eles a promoção da inclusão[2], o retorno à pureza do esporte[3] e o empenho das organizações internacionais no combate à corrupção e à manipulação[4].

Tendo em vista a continuidade do projeto iniciado na conferência levada a cabo em 2016 foi dada a conhecer, mesmo antes de sua realização, a respectiva Declaração de Princípios. O documento expressa, como ideias-chave, aquelas que devem obedecer ao jogo limpo, qualquer que seja a modalidade considerada: compaixão[5], respeito[6], amor[7], iluminação[8], equilíbrio[9] e a alegria[10]. Além de o sítio web de “Esporte ao Serviço da Humanidade” convidar todos quantos, no mundo, se identificam com esta iniciativa a se unirem a ela, há uma proposta que já tomou corpo. Trata-se de Humanity S. C. (Humanidade Esporte Clube), que tem, como ponto de partida, a paixão pelo esporte que, na ótica dos promotores, “reúne pessoas de todas as esferas da vida. E, se você está jogando, apoiando ou treinando, nós acreditamos que este amor compartilhado pode ajudar a mudar o jogo e tem um impacte positivo tanto dentro quanto fora do campo”. O apelo público à participação no Humanidade Esporte Clube pretende “mudar o jogo, nossas vidas e o mundo para melhor”. Fazendo nossas as palavras de Ban Ki-moon, o Secretário-Geral da ONU, a conferência “Esporte ao Serviço da Humanidade”, assim como sua continuidade, com as mais diversas ações no espaço e no tempo, “pode inspirar as pessoas a promoverem a paz e o desenvolvimento através do esporte”. Se, em nossos dias, o esporte assumiu uma dimensão universal, transcendendo “toda barreira nacional, transcende toda questão étnica e de nacionalismo e qualquer diferença que possa existir”, o desafio com o qual todos estamos confrontados consiste em assumir a dimensão holística do esporte, que deverá ser considerado como uma faceta importantíssima da atividade dos seres humanos, entendidos muito além de sua esfera física. Com efeito, a construção de culturas inclusivas assentes na diversidade exige, tal como o Vaticano acaba de preconizar, a consideração do esporte a partir de uma dimensão espiritual que deve compreender, de maneira integral, a pluridimensionalidade do agir humano.

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ImagemAtletas treinam para a prova da maratona dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, Atenas, 1896. No meio, Charilaos Vasilakos, de 19 anos, o medalhista de prata” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Spiridon_Louis#/media/File:1896_Olympic_marathon.jpg

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Notas e Fontes Consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] De acordo com Mário Marcelo Coelho, Professor de Teologia Moral e Bioética Faculdade Dehoniana Taubaté-SP, “o potenciamento genético para características esportivas traz consigo problemas éticos e legais; isso porque uma alteração da pessoa é matéria de juízo subjetivo, traz em seu escopo a eugenia positiva e como tal agride a dignidade e a sacralidade da vida humana. A introdução de agentes que melhoram a performance da pessoa confunde a imagem, nesse domínio e nos outros. Valorização artificial ou sintética pode certamente melhorar as habilidades da pessoa para certo desempenho, mas pode fazer separando pelo menos alguns elementos, como a realização do esforço para alcançar naturalmente tal desempenho, comprometendo a maturidade e a capacidade da pessoa alterada. As novas tecnologias permitem de fato não só dominar, mas interferir no interno, na íntima estrutura dos fenômenos e dos caracteres naturais, como orgulhosamente os pós-humanistas levantam a bandeira da ciência moderna ao lema de Francis Bacon ‘conquiste a natureza e alivie a condição humana’. Essas possibilidades de invasão da técnica no mais íntimo da pessoa suscitam desafios a uma reflexão ética que deverá sempre mais se confrontar com as profundas transformações provocadas pelas biotecnologias e pelos novos problemas levantados, como a divisão da sociedade entre os ‘geneticamente enriquecidos ou melhorados’ e os ‘naturais’, o que poderia aumentar ainda mais a desigualdade social, um tema ainda conflituoso na sociedade mundial”, Mário Marcelo Coelho, “Doping Genético, o Atleta Superior e Bioética”, Revista Bioethikos, Centro Universitário São Camilo, Pompeia-SP, 2012, v. 6, n. 2, p. 179.

[2] Segundo Francisco, “as nossas tradições religiosas compartilham o compromisso de garantir o respeito pela dignidade de cada ser humano. Por isso, é bonito saber que as instituições esportivas mundiais consideram o valor da inclusão. O movimento paralímpico e outras associações esportivas de apoio às pessoas com deficiência, como o Special Olympics, tiveram um papel decisivo em ajudar o público a reconhecer e a admirar as capacidades extraordinárias de atletas com diferentes habilidades e capacidades. Estes eventos nos presenteiam experiências que ressaltam de modo admirável a grandeza e a pureza do gesto esportivo”.

[3] Para o Papa, “o desafio é o de manter a pureza do esporte, protegê-lo das manipulações e da exploração comercial. Seria triste para o esporte e para a humanidade, se as pessoas não conseguissem mais confiar na verdade dos resultados esportivos, ou se o cinismo e o desencanto prevalecessem sobre o entusiasmo e a participação alegre e desprendida. No esporte, como na vida, é importante lutar pelo resultado, mas jogar bem e com lealdade é ainda mais importante!

[4] O Papa citou os esforços da ONU para erradicar todas as formas de corrupção e manipulação: “Sei que está em andamento uma campanha promovida pelas Nações Unidas contra o câncer da corrupção em todos os âmbitos da sociedade. Quando as pessoas lutam para criar uma sociedade mais justa e transparente, colaboram com a obra de Deus. Nós, responsáveis por várias comunidades religiosas, queremos dar a nossa contribuição neste sentido. A Igreja Católica está comprometida com o esporte para levar a alegria do Evangelho, o amor inclusivo e incondicional de Deus a todos os seres humanos”.

[5] USE O PODER DO ESPORTE PARA AJUDAR OS OUTROS – Partilhe os benefícios do esporte para capacitar aqueles que são pobres e desfavorecidos”.

[6] USE O ESPORTE PARA CONSTRUIR CONFIANÇA E ENTENDIMENTO – Respeite seus adversários. Através do esporte entenda-os e suas culturas mais profundamente. Condene a violência no esporte – dentro e fora do campo de jogos”.

[7] ESPORTE É PARA TODOS – Faça tudo o que puder para ajudar todos a participar no esporte. Faça tudo o que puder para que todos possam competir em igualdade de condições”.

[8] O ESPORTE TEM O PODER DE TRANSFORMAR VIDAS E CONSTRUIR O CARÁTER – Aprenda a graciosidade na vitória e a perspectiva na derrota. Aplique os valores que você aprendeu no esporte para o ajudarem a se destacar na vida”.

[9] O ESPORTE TEM O PODER DE NOS AJUDAR A FAZER O MELHOR DE NÓS – Então, jogue partindo do conhecimento de que ele pode revitalizá-lo física, mental, emocional e espiritualmente. Em todas as fases da vida, jogue por prazer, por saúde, por amizade”.

[10] O ESPORTE, ACIMA DE TUDO, É SOBRE A ALEGRIA – Então, divirta-se! E lembre-se, há mais, na prática do esporte, do que ganhar mais, quando você competir, seja e faça o melhor do que puder, sempre”.

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

[:pt]O potencial da Paradiplomacia em pequenos municípios ou regiões do Brasil[:]

[:pt] Os grandes centros urbanos já utilizam a diplomacia das cidades (a Paradiplomacia) como ferramenta para promover o desenvolvimento da região, diversificar suas relações, ampliar sua presença mundial e participar mais ativamente nas decisões globais….

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ANÁLISE - FÓRUNS INTERNACIONAISANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Obama afirma que protecionismo não é resposta aos desafios da globalização[:]

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Na semana passada, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), afirmou em uma publicação da revista The Economist, que a globalização pode sim gerar desigualdades, mas ressalvou que o protecionismo não é a melhor resposta a esses desafios e que os EUA devem trabalhar em conjunto com demais países para desenvolver economias fortes. Segundo Obama, apesar do mundo estar mais próspero, diversas sociedades estão marcadas pela desconfiança e incertezas.

Em seu texto, ele destacou que no atual momento os Estados Unidos enfrentam quatro grandes desafios: intensificar o crescimento da produtividade; combater a desigualdade; fornecer empregos a todos e, ainda, criar uma economia resistente. Os problemas que o país enfrenta possibilitaram que a desconfiança em relação a globalização também ganhasse território nos Estados Unidos. Assim, ressalvou que os norte-americanos podem escolher entre se refugiar em economias antigas e fechadas, ou seguir em frente, admitindo as desigualdades promovidas pela globalização e, ao mesmo passo, se comprometendo em fazer com que a economia global funcione para todos, não apenas para aqueles que se encontram no topo.

Esse também foi o posicionamento dos líderes dos países que compõem o G20 durante a reunião de Cúpula do grupo, que ocorreu no início de setembro deste ano (2016) na cidade de Hangzhou, na região leste da China. Naquela ocasião, os líderes do G20 se mostraram contrários ao retorno do protecionismo, defenderam a livre comercialização e acordaram que há necessidade de coordenar políticas macroeconômicas, entretanto foram poucas as propostas que possam atender essas demandas e os desafios da globalização.

A polarização entre apoiadores do protecionismo ou da globalização tem sido alvo de diversos debates e estudos ao longo do último século. Entre os benefícios da globalização, segundo analistas, está a melhoria da qualidade de vida após a II Guerra Mundial de países que começaram a se restabelecer através das exportações, que na década de 1950 girava entorno de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) e que, no ano 2000, chegou a quase 20%. Essa melhoria ocorreu porque, por meio das exportações, as empresas ganharam em produtividade e eficiência, além de elevar os salários dos trabalhadores. Outro benefício desse processo diz respeito a melhoria da qualidade de vida dos imigrantes, tanto no que tange aos aspectos pessoais de suas vidas, quanto para os países de destino que contam com mais impostos e força de trabalho. No entanto, a globalização traz diversos desafios, tais como a perda de empregos na indústria local, evasão de impostos, além de muitas vezes exacerbar episódios de xenofobia contra imigrantes.

Após a votação do Brexit em junho deste ano, quando a Grã-Bretanha decidiu pela sua saída da União Europeia (UE), muito tem se discutido acerca dos rumos do sistema mundial. Para alguns estudiosos, a saída dos britânicos da UE, representa grande recuo no processo de globalização que vinha ocorrendo desde a II Grande Guerra. Nesse aspecto, conforme, Homi Kharas, vice-diretor do programa para economia mundial e desenvolvimento da Brookings Institution, essa foi a primeira vez que uma grande economia afirmou que “estamos melhor sozinhos e tomando decisões por nós mesmo” e ressaltou que isso representa um grande choque para o sistema mundial.

A globalização foi por inúmeras vezes apontada como uma via para os problemas mundiais, contudo, a crise econômica e humanitária tem exacerbado as falhas da globalização. Desde 2012, o comércio mundial cresce a uma taxa de 3% ao ano, o que representa menos da metade da taxa dos 30 anos anteriores. Para Kharas, se essa tendência continuar, os países mais pobres tem muito a perder, pois eles se beneficiaram da globalização em virtude do aumento de investimentos, melhoria nos sistemas de educação, saúde entre outros. Segundo um estudo do The Economist,  analisou 40 países, caso ocorresse o fim da globalização, os consumidores mais ricos do mundo perderiam cerca de 28% do seu poder de consumo, enquanto que os mais pobres perderiam 63% do seu poder de compra. Assim, de acordo com a revista, abandonar a globalização seria a pior decisão que líderes mundiais poderiam fazer.

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ImagemPresidente Brack Obama” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

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ANÁLISES DE CONJUNTURAENERGIAPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Estratégias de Aceitação Pública da Geração Elétrica Nuclear[:]

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Os países que embarcam em programas nucleares, geralmente têm fortes razões para fazê-lo, incluindo a falta de boas alternativas para satisfazer suas necessidades de geração de energia elétrica. Essas razões também podem incluir a confiança na segurança das usinas nucleares existentes e, particularmente, a confiança em que tecnologias ainda mais seguras estarão em operação em breve. Na maioria dos casos, quando a opinião pública compreender as razões subjacentes para adotar a geração elétrica nuclear, haverá apoio às decisões dos formuladores de políticas. Por isso que é tão importante para o público entender os esforços em curso para a melhoria do desempenho dos reatores; os progressos alcançados na segurança desde os acidentes de Three Miles Island e Chernobyl; e as medidas tomadas desde Fukushima para evitar ocorrências semelhantes no futuro.

Entretanto, os países apresentam níveis muito divergentes quanto à educação e conhecimento tecnológico de suas populações. Dessa forma, as estratégias de comunicação com o público sobre a energia nuclear deverão ser diferentes de país para país. Nas nações com setores nucleares bem estabelecidos, por exemplo, a indústria nuclear fornece empregos que as pessoas estão ansiosas que sejam mantidos e ampliados. As pessoas profissionalmente ligadas à indústria nuclear podem explicar os benefícios da tecnologia para outros dentro de seus ambientes sociais e fazer uma grande diferença na aceitação do público. Nos países menos desenvolvidos, a situação pode ser bem diferente. É necessário certo nível de educação para entender as características da tecnologia e segurança nuclear. Dessa forma, a comunicação com o público nos países cujas populações têm menor nível de instrução deve se concentrar nos recursos energéticos locais e sua incapacidade de fornecer eletricidade suficiente para efetivas melhorias na qualidade de vida. Se o público percebe que a qualidade de vida não pode avançar sem a energia nuclear, as pessoas vão apoiá-la, mesmo que um acidente possa vir a acontecer, da mesma maneira que, apesar de quedas de aeronaves não sejam completamente evitáveis, as pessoas viajam por via aérea porque apenas aviões pode fornecer transporte rápido e confortável à longa distância.

Os países que buscam a energia nuclear como forma de atingir suas metas de desenvolvimento econômico e social devem partilhar seus processos de tomada de decisão com outros países em situações semelhantes. Enquanto isso, os órgãos reguladores nucleares devem ser transparentes em suas interações com o público. Estas agências são a interface entre a indústria nuclear e a população. Elas devem demonstrar de forma consistente a sua independência e sua capacidade de fiscalizar e controlar a energia nuclear de forma adequada.

Mesmo que alguns países estejam abandonando a geração elétrica nuclear, como a Alemanha está fazendo (sem, porém, abandonar as armas nucleares da OTAN que permanecem em seu território e estão sendo modernizadas), o número de nações que operam usinas é crescente (Belarus e Emirados Árabes Unidos são exemplos recentes), assim como o número total de reatores em funcionamento no mundo (436 ao fim de 2014, 439 ao fim dos 2015, mais 7 até agosto de 2016). Isto ocorre simplesmente porque muitos outros países visualizam a nucleoeletricidade como um componente necessário ao seu futuro mix de energia elétrica, garantindo geração de base com segurança de abastecimento sem emitir gases de efeito estufa, contribuindo simultaneamente para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, e com mínima “pegada ecológica” em termos de área ocupada e uso de recursos naturais, minimizando, assim, também os impactos ambientais.

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ImagemEsquema de uma Usina Nuclear” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_nuclear

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Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia; Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear; membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]O Vaticano Defende a Condenação do Terrorismo pela Religião[:]

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O Ocidente que emergiu após os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, o Oriente Médio subsequente à criação do Estado Islâmico, em 2014, assim como a atividade dos grupos insurgentes na Ásia, no Chifre de África e na África Ocidental se assumem como variáveis que contribuíram para a instabilidade mundial que, atualmente, estamos vivendo.

No dia 19 de setembro, John Kerry, o Secretário de Estado dos EUA, se reuniu nas Nações Unidas, em Nova Iorque, com o Cardeal Dom Pietro Parolin, seu homólogo do Vaticano, numa cimeira destinada a debater as questões gerais relacionadas com os refugiados e migrantes. Ambos os líderes abordaram os problemas globais, assim como a situação humanitária na Síria. Um dia mais tarde, Dom Pietro Parolin, participou, também em Nova Iorque, no evento intitulado “Mantendo a Responsabilidade de Proteger: O Papel dos Líderes Religiosos na Prevenção de Atrocidades”, organizado pela Santa Sé e a Organização das Nações Unidas.

Naquela oportunidade, Parolin apelou à proteção das vítimas das atrocidades, tendo referido que tanto os líderes religiosos quanto as autoridades nacionais devem reforçar as medidas preventivas: “Em face destes crimes graves, existe uma responsabilidade grave, primeiro dos Estados nacionais e depois da comunidade internacional”. E continuou: “Parece inteiramente apropriado, por conseguinte, refletir acerca da responsabilidade dos líderes religiosos, especialmente num mundo cada vez mais interconectado, para ajudar a combater a propagação do ódio e da violência em nome da religião e para promover sociedades mais inclusivas e pacíficas”.

Em seu discurso, o Cardeal Parolin apontou a crescente popularização do extremismo, na religião, afirmando que algumas religiões foram manipuladas até se terem tornado campeãs da violência, do genocídio, de crimes de guerra e da limpeza étnica. Se as religiões são, para o Secretário de Estado do Vaticano, “um direito humano inalienável”, elas não estão na raiz das atrocidades, mas sim aqueles indivíduos que lutam pelo poder. De acordo com o Cardeal italiano, se “todas as religiões aspiram à paz”, em face da dor, do sofrimento e da morte coletivas, as “religiões não são a causa destes males que, em contrapartida, resultam de alguns interesses políticos, geopolíticos e econômicos, e do desejo de poder e de dominação”.

Naquela oportunidade, o Cardeal Parolin incitou os líderes religiosos e as autoridades nacionais a trabalharem em conjunto para compreenderem a responsabilidade das medidas preventivas, condenando o uso da religião para promover a violência: “Uma posição urgente é necessária por parte dos líderes religiosos para condenarem sem demora todas as formas de abuso da religião ou dos textos religiosos para justificar a violência e a violação da dignidade humana levada a cabo em nome de Deus ou de uma religião”. Ao finalizar sua intervenção, o Cardeal Pietro Parolin afirmou que a Santa Sé continuará a promover o princípio moral e jurídico fundamental da Responsabilidade para Proteger, assim como o direito a entender as consequências sociais da religião.

Deste modo, defendeu o dignitário: “Esperamos que através de esforços combinados dos líderes e crentes de todas as religiões e de todos os povos de boa vontade, em conjunto com as instituições estatais, baseados no respeito pela vida e pela dignidade humana, e orientados para o bem da pessoa humana, seja possível, um dia, pôr um final às atrocidades que por muito tempo abalaram a consciência da Humanidade, minando sua fibra moral e espiritual, tendo afastado as pessoas para longe do plano de Deus[1].

Reunido no dia 24 de setembro com sobreviventes do atentado de Nice, França, perpetrado em 14 de julho por Mohamed Salmene Lahouaiej Bouhlel, um “soldado do Estado Islâmico”, o Papa Francisco fez suas as palavras de Dom Pietro Parolin. Na Sala Paulo VI, local da recepção, no Vaticano, o Sumo Pontífice declarou: “É para mim uma grande emoção reunir-me convosco, vocês que sofrem no corpo ou em vossa alma porque numa noite de festa a violência vos golpeou cegamente, a vocês ou a alguém que vos é próximo, independentemente da origem ou religião. Eu quero partilhar a vossa dor, uma dor que é ainda mais viva quando eu penso nas crianças, por vezes famílias inteiras, cujas vidas foram ceifadas inesperada e dramaticamente”.

Prosseguindo seu discurso, Francisco abordou a possibilidade de se frear a violência em nossos dias. Ele reiterou: “O estabelecimento de um diálogo sincero e relações fraternais entre todos, em particular entre aqueles que confessam um Deus único e misericordioso, é uma prioridade urgente que os responsáveis, tanto políticos quanto religiosos, devem procurar promover e cada um é chamado a fazer cumprir em torno de si”. Neste contexto, de acordo com o Vigário de Cristo, mau grado “a tentação de se recolher em si mesmo, ou de responder ao ódio com o ódio e à violência com a violência sejam grandes, é necessária uma conversão autêntica do coração. Esta é a mensagem que o Evangelho de Jesus nos dirige a todos nós. Não podemos responder aos assaltos do Demônio a não ser pelas obras de Deus, que são o perdão, o amor e o respeito pelo próximo, mesmo se ele é diferente” de cada um de nós.

Dias mais tarde, em 29 de setembro, o Papa recebeu na Sala Clementina, no Vaticano, os membros de organizações católicas que servem no Iraque, na Síria e nos países limítrofes. Nesta ocasião, o Santo Padre elaborou o estado da arte naquela parte do mundo: “Um ano depois do último encontro, notamos com grande tristeza que, apesar dos muitos esforços feitos em várias áreas, a lógica das armas e da opressão, os interesses obscuros e a violência continuam a devastar estes países e, até agora, não se conseguiu pôr fim ao sofrimento desgastante e à violação contínua dos direitos humanos. As consequências dramáticas da crise já são visíveis muito além das fronteiras da região, sendo o grave fenómeno migratório a sua expressão”. Sublinhando sua preocupação relativamente às comunidades cristãs do Oriente Médio, “que sofrem as consequências da violência e olham para o futuro com medo”, o Papa ilustrou como, de modo prático, as diferentes Igrejas adotaram, no Oriente Médio, uma atitude comum contra a violência promovida pelos insurgentes: “Em meio a tanta escuridão, estas Igrejas mantêm bem alta a chama da fé, esperança e caridade. Elas, com coragem e sem discriminação, ajudam todos os que sofrem e trabalham para uma coexistência pacífica. Hoje, os cristãos do Oriente Médio são um sinal claro da misericórdia de Deus. Eles têm a admiração, o reconhecimento e o apoio da Igreja universal”.

Após São João Paulo II ter promovido, em outubro de 1986, em Assis, o encontro inter-religioso de oração, jejum e peregrinação, que reuniu representantes do judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo, religiões africanas, de outras confissões religiosas e ateus[2], os seus sucessores protagonizaram declarações enérgicas e tomadas de posição firmes quanto ao binômio paz/conflito. Atualmente, numa altura da evolução da Humanidade em que parece estarmos a viver o triunfo da marcha da insensatez, o Vaticano reafirma que o amor deve ser a única resposta ao mal. No âmago daquela que, no dizer do Papa Francisco, é a III Guerra Mundial em fragmentos[3], somente um esforço simultaneamente exigente e tolerante por parte das religiões e, ao mesmo tempo, de cada um de nós no caminho da não-violência poderá pôr fim ao ciclo de barbárie que estamos vivendo.

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ImagemDom Pietro Parolin durante uma missa em Caracas, julho de 2012” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Pietro_Parolin#/media/File:Monse%C3%B1or_Pietro_Parolin,_2012.JPG

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Notas e Fontes Consultadas para maiores esclarecimentos:

[1] Numa entrevista concedida a Paolo Mastrolilli, publicada pelo jornal La Stampa em 22 de setembro de 2016, Pietro Parolin esclareceu: “São importantes o respeito mútuo e a aceitação do Outro. Infelizmente, hoje, estamos testemunhando o revivalismo do extremismo e das tendências radicais. O radicalismo se caracteriza por uma atitude fechada em relação àqueles que não são como nós e que veem as coisas de um modo diferente. Em ordem a lidar com este problema tendo em vista sua resolução, necessita de ser obtido um grande acordo, começando pela maneira como as novas gerações são educadas, incutindo o respeito nelas. Eu uso a palavra respeito porque nós discutimos a tolerância na ONU, hoje, afirmando que não é palavra correta a usar. O que é necessário, em contrapartida, é o respeito mútuo, assegurando que cada pessoa seja aceite por ser quem é. Juntos, nós podemos construir algo bom, algo melhor”.

[2] O encontro de Assis “não foi único, porque João Paulo II regressou a Assis em 1993, para rezar pela paz nos Balcãs, com os judeus e os muçulmanos e, mais tarde, depois do dia 11 de Setembro de 2001, quando o mundo parecia deslizar inexoravelmente para o chamado ‘choque das civilizações e das religiões’”.

[3] Papa Francisco se referiu, até hoje, à III Guerra Mundial “fragmentada” nas seguintes ocasiões:

a) 18 de agosto de 2014, durante a viagem de regresso da Coreia do Sul. Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2014/08/18/vivemos-a-3-guerra-mundial-diz-papa-francisco.htm

b) 13 de setembro de 2014, no Cemitério Militar de Redipuglia, na Itália. Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-29190890

c) 06 de junho de 2015, durante a viagem apostólica a Sarajevo, capital da Federação da Bósnia e Herzegovina. Ver:

http://pt.euronews.com/2015/06/06/papa-francisco-evoca-especie-de-3-guerra-mundial/

d) 20 de setembro de 2015, no início da viagem apostólica a Cuba. Ver:

http://www.dn.pt/globo/interior/papa-pede-reconciliacao-nesta-atmosfera-de-terceira-guerra-mundial-que-vivemos-4787708.html

e) 14 de novembro de 2015, condenando os atentados de Paris, que tiveram lugar no dia anterior. Ver:

http://extra.globo.com/noticias/mundo/papa-francisco-chama-ataques-em-paris-de-uma-iii-guerra-mundial-desorganizada-18052432.html

f) 26 de agosto de 2016, Mensagem do Papa Francisco para a 50.ª Jornada Mundial da Paz, que terá lugar em 1 de janeiro de 2017, sob o lema “A Não-Violência: Um Estilo de Política para a Paz”. Ver:

https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2016/08/26/0599/01345.html

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

[:pt]A ausência da Paradiplomacia nas campanhas eleitorais brasileiras de 2016[:]

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Nos últimos 20 anos, a diplomacia das cidades tem se transformado em uma importante ferramenta pública para o incremento da competitividade dos grandes centros urbanos, promovendo uma maior exposição e agilidade nos processos globais. A Paradiplomacia também é uma forma de evitar à morosidade da diplomacia oficial e os conflitos de interesses na formulação da política externa de uma nação, já que a mesma representa os interesses locais de um ente subnacional, havendo, assim, uma maior sinergia com a realidade e com os diferentes grupos de interesses.

Cidades como Londres, Paris, Tóquio, Berlim, entre outras, possuem políticas locais para atração de investimentos estrangeiros, acordos de cooperação em diversas áreas, transferência de tecnologia com outras cidades, parcerias públicas e privadas, campanhas internacionais de promoção econômica e turística, dentre várias ações dentro desse escopo paradiplomático. No Brasil, algumas capitais já possuem uma estrutura similar que representa a política externa de um município, porém, a importância dada a mesma ainda é reduzida ou conflita com o mesmo tipo de estrutura existente na esfera estadual.

Ao não existir no Brasil uma legislação que defina as competências dos Estados da Federação e dos Municípios em relação a política externa, ou programas de relações internacionais que contemplem as três esferas administrativas do país, a paradiplomacia acaba sendo desigual e pouco desenvolvida, resumindo-se a ações políticas concretas, onde não há uma participação pública, nem interesse público.

Esse distanciamento entre a paradiplomacia dos municípios brasileiros e a população, ou a inexistência da paradiplomacia, refletiu-se ao longo das campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores no Brasil deste último mês. Nem mesmo nos grandes municípios, tais como São Paulo ou Rio de janeiro, existe uma preocupação em trazer a pauta internacional para o debate, pois o tema parece aos candidatos e suas equipes como irrelevante para angariar os votos necessários para vencer as eleições.

A candidata à prefeitura de São Paulo pelo PMDB, Marta Suplicy, chegou a mencionar um possível projeto para solicitar o financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para realizar obras no município – algo que já fez em sua gestão como prefeita 2000-2004 – porém o tema não ganhou nenhuma repercussão ao longo da campanha.

No Rio de Janeiro, mesmo se tratando do principal polo de turismo internacional do Brasil, e após a cidade ser sede da Copa do Mundo de Futebol – FIFA e dos Jogos Olímpicos, os candidatos não possuem – ou ao menos não mencionaram – nenhuma proposta para a política externa da cidade, embora a cidade possua infraestrutura para isso, tais como a Agência de Promoção de Turismo ou a Agência de Promoção de Negócios do Município.

É necessário aproximar o debate político as relações internacionais do município, pois cada vez mais as cidades estão ganhando importância no cenário mundial, sendo esta uma realidade global.

A competitividade, produção, comunicação e fluxos migratórios, além de outros efeitos da globalização, colocaram as cidades em uma posição de destaque no panorama mundial, e aquelas que possuem ferramentas para defender seus interesses e participar dessa nova dinâmica obtêm vantagens sobre as outras.

O desenvolvimento da Paradiplomacia depende não somente da existência de um Marco Jurídico que organize suas competências, mas também da estratégia de desenvolvimento das cidades e sua política de inserção mundial, que não deve depender unicamente da diplomacia central.

Municípios portuários como Santos, ou aeroportuários como Campinas e Guarulhos, devem competir com outros hubs de comunicação da América Latina, além da própria concorrência interna de outras cidades brasileiras. As negociações a nível federal podem beneficiar um município em detrimento de outro, sendo a paradiplomacia uma saída natural para assegurar a competitividade da região e sua sobrevivência no mundo globalizado.

A população também deve entender que, atualmente, é impossível isolar seus interesses do resto do mundo, pois as multinacionais fazem a distribuição de energia ou o fornecimento de linhas telefônicas no município, os imigrantes chegam diariamente, tanto quanto os executivos e turistas de negócios, além de pesquisadores visitantes. O mundo faz parte da realidade de várias cidades, havendo interesses ou moldando interesses à raiz dessas interações, sendo vital gerar políticas que possam aproveitar tal dinâmica e promover benefícios, tanto à população como ao município. Para tanto, é necessário discutir como será feita.

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Imagem (Fonte):

http://blogdapoliticabrasileira.com.br/wp-content/uploads/bfi_thumb/encontro_mapa_brasil_setas_final_v101-724×367-mou51wjdcx79ydm2qkf3s1yjke9mhxi46hrbhxvh8w.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Observações sobre o encerramento do Departamento de Combate à Fome no Itamaraty[:]

[:pt] Após 12 anos de existência, a Coordenadoria-Geral de Ações Humanitárias e Combate à Fome (CGFome) foi extinta pelo Itamaraty, tendo suas atribuições realocadas para outras unidades do Ministério das Relações Exteriores (MRE), sendo elas,…

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