AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAORIENTE MÉDIO

O Poder da Energia

O Poder da Energia, Energy Power, é a capacidade de uma nação em empregar suas vantagens em tecnologia e produção de energia para promover seus interesses globais e contrariar os de seus rivais. Isto pode significar, por exemplo, o fornecimento de energia para os aliados que se tornaram fortemente dependente de suprimentos fornecidos por concorrente, como nos esforços norte-americanos de reduzir a dependência da Europa do gás natural russo. Também pode significar a implantação de uma plataforma de petróleo em águas disputadas como um meio de afirmar seu controle, como nas operações chinesas de prospecção de petróleo no Mar do Sul da China. O fornecimento de energia pode ser usado para reforçar os laços com um parceiro geoestratégico, como no acordo nuclear forjado entre Estados Unidos e Índia, ou para punir um vizinho recalcitrante, como em repetidas vezes que a Rússiafechou a válvula” de gás natural para a Ucrânia. Apesar de não ser tão duro como o Poder Militar (Hard Power) o Energy Power pode implicar políticas muito mais duras do que o Poder Brando (Soft Power), de natureza política, diplomática, ideológica e cultural.

O fornecimento de energia tem sido há muito tempo usado como instrumento da política internacional. O Japão ampliou seu império antes da 2ª Guerra na Ásia e os Estados Unidos, que era então o principal fornecedor de petróleo ao Japão, impôs sanções cada vez mais severas nas suas exportações aquele país em uma tentativa (infrutífera) de impedir novas agressões japonesas. Em 1973-74, os países árabes da OPEP tentaram desencorajar o apoio a Israel através da imposição de um embargo sobre o fornecimento de petróleo, provocando uma desaceleração econômica global. Nesses exemplos, o Hard Power nunca esteve muito longe das mentes dos formuladores dessas políticas. O que torna a situação diferente hoje é que o Energy Power passou a ser visto como uma alternativa viável ao Hard Power num momento em que o uso da força militar entre as principais potências parece altamente improvável.

O recente aumento na produção de petróleo dos Estados Unidos tem sido útil para forçar o Irã a buscar uma solução negociada para a disputa sobre suas atividades de enriquecimento de urânio. O Irã já foi capaz, no passado, de contrariar as sanções econômicas impostas por Washington, explorando a sede mundial pelo seu petróleo, mas agora se encontra cada vez mais isolado com aumento da produção dos EUA neutralizando o impacto global da diminuição de suas exportações.

Considere-se a resposta dos EUA às incursões da Rússia na Ucrânia. No passado, esse tipo de comportamento teria provocado advertências tonitruantes de uma possível ação militar dos EUA e na movimentação de navios de guerra e aviões de combate para áreas próximas. Hoje, entretanto, mesmo os “falcões” de garras mais afiadas descartam o uso da força. Em vez disso, o setor de energia passou a ser o canal preferido para pressionar Putin. O Governo dos EUA tem procurado negar tecnologia e financiamento ocidental para empresas de energia russas e influenciar na queda dos preços internacionais do petróleo, na expectativa de que isso irá desacelerar sua economia.

Há uma série de razões pelas quais o Energy Power está se tornando cada vez mais importante, começando com a relutância de recorrer ao Hard Power, especialmente entre as grandes potências. Ao mesmo tempo, muitos se tornaram insatisfeitos com Soft Power apenas e assim buscam ferramentas mais potentes de influência. A estas considerações se adicionam os crescentes temores sobre a segurança das cadeias de suprimento de energia mundiais.

Ainda mais significativo é o excepcional aumento da produção dos EUA. A produção americana de petróleo bruto saltou de um mínimo de 5,0 milhões de barris por dia em 2008 para uma estimativa de 9,2 milhões de barris em janeiro de 2015, um notável aumento de 84 por cento. A produção americana deverá continuar aumentando nos próximos anos, atingindo um patamar projetado de 9,6 milhões de barris em 2020. A produção de gás também teve um surto de crescimento, subindo de 20,1 trilhões de pés cúbicos em 2008 para 24 trilhões em 2015, e deve chegar a cerca de 36 trilhões de pés cúbicos em 2035.

Como uma alternativa ao Hard Power, o Energy Power exercita de forma clara a defesa dos interesses de um país, sem incorrer nos perigos de uma ação militar. Como uma alternativa ao Soft Power, proporciona um grau de alavancagem não acessível à pura diplomacia. Além disso, uso do Energy Power é quase livre de risco.

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Imagem (Fonte):

 http://www3.jjc.edu/ftp/wdc12/joe_adam_and_matt/Images/Energy3.JPG

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Fonte consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Atratividade e expectativa econômica no Quênia: crescimento de 6% em 2015

Em dados apresentados pelo Banco Mundial, a economia queniana exibe uma das maiores taxas de crescimento econômico. Após um crescimento estimado de 5,4% em 2014, o Banco traçou um panorama bem positivo para o país: um crescimento de 6% em 2015, 6,6% em 2016 e a possibilidade de alcançar 7% em 2017. Detalhe: isto tudo diante da queda dos preços do petróleo e dos grandes investimentos em infraestrutura[1].

De acordo com analistas, este sucesso é baseado em quatro pilares: queda no preço do petróleo, o impacto dos grandes investimentos em infraestrutura, no setor enérgico e nas ferrovias[2] – especificamente no projeto Standard Gauge[3]. Entretanto, o país precisa diminuir as expectativas e se concentrar nos passos necessários para aproveitar o momento, a saber, as reformas no Porto de Mombasa, a melhoria da eficiência nos projetos de infraestruturas, o fortalecimento da governança e manutenção da estabilidade macroeconômica[2]. No campo macroeconômico, há urgência em gerenciar com eficácia o déficit crescente no saldo comercial.

De acordo com Gitachi Gachahi, Chefe Executivo da Consultoria Ernst & Young (EY) para a África Oriental desde 2010, torna-se claro que é a hora da África quando se trata de investimentos. Nos últimos cinco anos, o continente africano saiu do penúltimo para o segundo mais atrativo para investir no Mundo, atrás apenas da América do Norte em pesquisa de 2014[4].

Contudo, apesar da euforia do mercado, há uma lacuna entre as expectativas das firmas já presentes no continente, daquelas que ainda não possuem operações. Segundo a pesquisa da EY, 60% dos investidores que já estão no continente pretendem investir mais, porém eles ainda não se consideram prontos, pois há uma percepção de insegurança e corrupção. Dessa forma, Gachachi elenca quatro áreas que merecem atenção pelo governo queniano para tornar o ambiente mais atrativo para investidores: procedimentos de planejamento; insegurança; corrupção e; autoridade judiciária. Em relação ao marco legal e o judiciário, o país ocupa 136ª posição no ranking Doing Business, do Banco Mundial, responsável por mensurar a facilidade em abrir, fechar e realizar negócios em um país[4].

Além do relatório do Banco Mundial, um estudo da Bloomberg Business também fornece um prognóstico favorável para a economia queniana nos próximos anos. De acordo com o estudo, o país apresenta o terceiro maior crescimento econômico em 2015, atrás apenas da China e das Filipinas. De acordo com a análise, o país crescerá aproximadamente 6% no ano. Na África, o país é responsável por puxar o crescimento, junto com a Nigéria, com uma projeção de 4,9% no ano. A taxa de crescimento do Quênia é quase o dobro em relação ao projeto para o globo, de 3,2% em 2015. Para este ano, o crescimento de China, Filipinas, Quênia, Índia e Indonésia representarão juntos 16% do Produto Interno Bruto Global, sendo esperado o crescimento acima de 5% para todos eles[5].

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Imagem (Fonte):

http://canacoculiacan.com/wp-content/uploads/2014/03/INDICADORES-2.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Reuters:

http://af.reuters.com/article/investingNews/idAFKBN0M10H120150305

[2] Ver Standard Media:

http://www.standardmedia.co.ke/?articleID=2000153792&story_title=Kenya-economy-looking-good-but-we-are-not-out-of-the-woods-yet

[3] Ver CEIRI Newspaper:

https://ceiri.news/china-quenia-e-o-quenia-como-china-investimento-planejamento-e-cooperacao/

[4] Ver Standard Media:

http://www.standardmedia.co.ke/business/article/2000151915/ernst-young-four-obstacles-in-kenya-s-path-to-prosperity

[5] Ver Standard Media:

http://www.standardmedia.co.ke/article/2000153364/kenya-ranked-3rd-growing-economy/ 

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Estados Unidos e Coreia do Sul realizam manobras militares

Os Estados Unidos da América (EUA) e a Coréia do Sul iniciaram na segunda-feira, dia 2 de março, uma série de manobras militares conjuntas que são realizadas anualmente desde 2010. Segundo os Governos dos dois países, os exercícios militares tem um caráter puramente defensivo, contudo os mesmos são vistos pela República Popular Democrática da Coreia (RPDC) como uma ameaça à integridade do seu território[1].

As duas Coreias mantém uma tensa relação desde o encerramento dos combates da Guerra da Coreia (1950-53). Vale ressaltar que a relação entre ambas, que já era tensa, tem se deteriorado desde março de 2010, quando ocorreu o torpedeamento de uma embarcação da Marinha da Coreia do Sul[2] pelos norte-coreanos, além do bombardeamento de uma ilha sul-coreana no mesmo ano[3].

Em seguida, o Governo NorteAmericano anunciou uma série de exercícios militares que seriam realizados em conjunto com Seul. Na época, Bryan Whitman, PortaVoz do Departamento de Defesa dos EUA, afirmou que teriam como objetivo melhorar a capacidade dos dois países de detectar a presença de submarinos inimigos e bloquear a passagem de embarcações com carga nuclear[4].

Assim, anualmente, os dois países têm promovido uma série de exercícios militares. Neste ano (2015), chamados de Foal Eagle, eles abrangem manobras marítimas, terrestres e aéreas, contando com, aproximadamente, 3.700 soldados norte-americanos e cerca de 200 mil soldados sul-coreanos[5]. A previsão é de que as atividades tenham duração de 8 semanas. No início de fevereiro, um submarino de propulsão nuclear norte-americano havia chegado à Coreia do Sul com 120 tripulantes que participariam dos exercícios[6]. Além disso, teve início simultaneamente a Key Resolve, uma série de atividades conjuntas que integram cerca de 10 mil soldados sul-coreanos e 8.600 norte-americanos[7].

Em represália a essas ações, a Coreia do Norte disparou, no final de semana retrasado, dois mísseis de pequeno-alcance em direção ao mar. Assim, de acordo com o Governo NorteCoreano, “a situação na península coreana está, mais uma vez, muito próxima de uma guerra[8]. Os mísseis caíram no mar entre a península coreana e o sul do Japão, após viajar quase 500 quilômetros. Para Kim Min-seok, PortaVoz do Ministro da Coreia do Sul, os disparos foram uma represália aos exercícios, contudo, “se a Coreia do Norte tomar ações provocativas, nosso Exército vai reagir firme e fortemente para fazer com que o Norte se arrependa[9].

O Governo dos Estados Unidos fez um apelo ao Governo NorteCoreano, para que “se abstenha de ações provocativas que elevem tensões na região[10]. Outro país que protestou publicamente contra os disparos foi o Japão. É válido lembrar que em dezembro de 2014 os Estados Unidos anunciaram que estavam negociando com a Coreia do Sul e o Japão um acordo para a troca de informações sobre Programa Nuclear da Coreia do Norte e também a respeito dos mísseis norte-coreanos[11]. Na ocasião, o PortaVoz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou que “o acordo vai ser eficaz para dissuadir provocações da Coreia do Norte, e esperamos que ele ajude as três nações a responder rapidamente às ameaças nucleares e de mísseis norte-coreanos[12] .

Na última terça-feira, 3 de março, Ri Su Yong, Ministro do Exterior norte-coreano declarou que “à República Popular Democrática da Coreia resta aumentar sua capacidade de dissuasão nuclear para lidar com a crescente ameaça nuclear dos EUA. Agora, a RPDC tem o poder de conter os EUA e conduzir um ataque preventivo, se necessário[13]. Assim, para o Governo NorteCoreano, as manobras militares realizadas anualmente pelos Estados Unidos em conjunto com a Coreia do Sul são uma ameaça à segurança do país. Em contrapartida, para o Governo SulCoreano, são exercícios preventivos necessários para a sua segurança.

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Imagem (Fonte):

http://www.defesaaereanaval.com.br/?m=201402&paged=24&print=pdf-page

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-dispara-m%C3%ADsseis-de-curto-alcance/a-18288401

[2] Ver:

http://www.naval.com.br/blog/2010/05/24/eua-anunciam-exercicios-navais-conjuntos-com-coreia-do-sul/

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/12/101223_coreia_exercicio_quinta_rw.shtml

[4] Ver:

http://www.naval.com.br/blog/2010/05/24/eua-anunciam-exercicios-navais-conjuntos-com-coreia-do-sul/

[5] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-dispara-m%C3%ADsseis-de-curto-alcance/a-18288401  

[6] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/02/submarino-nuclear-dos-eua-chega-coreia-do-sul-para-exercicio-conjunto.html

[7] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-dispara-m%C3%ADsseis-de-curto-alcance/a-18288401  

[8] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0LY27420150302?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0  

[9] Ver:

Idem.

[10] Ver:

http://www.dw.de/eua-jap%C3%A3o-e-coreia-do-sul-assinam-acordo-de-intelig%C3%AAncia/a-18153098

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

Idem.

[13] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-se-diz-capaz-de-conter-amea%C3%A7a-dos-eua/a-18290627

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

A difícil relação Estados Unidos e Israel

As relações preambulares entre Estados Unidos e Israel, desde a formação do Estado Sionista no ano de 1948, foi marcada por apoio irrestrito e por questões envoltas a geopolítica e geoeconomia, estratégicas para ambos os Estados gerenciarem um Oriente Médio tenso e desequilibrado.

No entanto, nos últimos anos, a histórica cooperação sofre com abalos constantes pela interpretação política distinta que Barack Obama adotou desde que assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2009. Como um de seus primeiros atos de política externa, nomeou George Mitchell, ex-senador democrata pelo estado do Maine como negociador para o Oriente Médio, depois deste conduzir negociações bem sucedidas na Irlanda do Norte. Esse movimento já demonstrava que a mensagem a ser passada a Tel-Aviv seria de pouca tolerância aos programas de ampliação de novos assentamentos na Cisjordânia, causando, portanto, o primeiro desconforto ao PrimeiroMinistro Israelense, que, na ocasião, era Ehud Olmert, do partido Kadima.

Os anos passaram e, após o retorno de Benjamin Netanyahu ao cargo de Primeiro-Ministro, em março de 2009, as relações entre Washington e TelAviv tomaram um rumo de divergências sem precedentes na cooperação, a ponto de, na esfera interna dos respectivos Estados, a condução da política ser alvo de constantes críticas, principalmente do Partido Republicano nos EUA, que é notadamente um defensor da causa judaica, ressaltando-se que a comunidade judaica de aproximadamente sete milhões de pessoas no território norte-americano é um campo eleitoral de suma importância, além de concentrar essenciais colaboradores e financiadores de campanhas eleitorais.

O último capítulo da conturbada relação ocorreu na semana passada, depois do polêmico convite feito pelo Presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner (Partido Republicano) ao primeiroministro Benjamin Netanyahu para discursar no plenário do Capitólio*, em um claro movimento de enfrentamento a Casa Branca e sua política externa, principalmente no que tange as negociações do Programa Nuclear Iraniano entre o grupo do P5+1 (formado por Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia, China, Alemanha) e o Irã, funcionando o discurso do israelense também como propaganda eleitoral para as eleições parlamentares de seu país*.

Conforme vem sendo visto na mídia, no discurso feito na Câmara dos Representantes, com plateia majoritariamente formada por congressistas republicanos, notou-se um PrimeiroMinistro preocupado em adotar um tom de política do medo, aliado a políticas de valentia na adversidade, sem oferecer propostas e estratégia para auxiliar na resolução da crise que envolve o Programa Nuclear Iraniano. Para analistas de política internacional, o formato belicoso de Tel-Aviv gera precedente perigoso, pois, em um cenário hipotético sem um acordo, o Irã poderia manter a construção e estocagem de urânio enquanto a comunidade internacional perderia a capacidade de monitorar as atividades de Teerã nas instalações de Aran, Natanz e Isfahan.

Outro ponto bastante relevante envolve as eleições parlamentares israelenses a ocorrer agora, em meados de março, quando o partido do Governo, o Likud, tentará atrair eleitores considerados como mais à direita do espectro político e criar vantagens sobre seus principais concorrentes, que são a ex-ministra da justiça e das relações exteriores Tzipi Livni, do Partido Hatnuah; e Isaac Herzog, do Partido Trabalhista (Labor), o qual comanda uma aliança de centro-esquerda com a União Sionista e já foi Ministro de Turismo e do Bem Estar Social.

Nos Estados Unidos, por sua vez, as duas principais instituições lobistas pró-Israel adotaram posições distintas em relação ao discurso do Premiê. Enquanto o American Israel Public Affairs Committee (Aipac, na sigla em inglês) pressionou os congressistas dos dois partidos a ouvir as preocupações de Netanyahu; o grupo J Street, grupo político identificado por observadores como mais a esquerda (que é próIsrael, mas tem tendências voltadas para a paz), acredita que o movimento feito por Netanyahu prejudicou ainda mais as relações EUAIsrael em todos os níveis.

A comunidade internacional, por sua vez, crê que através das negociações em Genebra será possível impor uma agenda de soft power para controlar e equilibrar a balança de força na região, bem como estabelecer mecanismos de aliança com vetores novos para evitar a “Destruição Mútua Assegurada”, com a presença de mais um Estado detentor de armamento nuclear, buscando diretrizes de política internacional para serem usadas em outras frentes de instabilidade no sistema internacional, como ferramentas, objetivando evitar novos conflitos.

O Ocidente, capitaneado pela política externa das principais potências (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha) entende que um acordo com Teerã permitindo o uso de tecnologia nuclear para fins pacíficos (energético e medicinal), com direito a inspeções regulares dos inspetores da Agência Nuclear de Energia Atômica (AIEA), criaria um novo vínculo importante na região que enfrenta uma ameaça perigosa com os insurgentes do Estado Islâmicobatendo na porta” do regime xiita iraniano, sem mencionar que no campo dos negócios, uma abertura do mercado iraniano com a suspensão das sanções seria de grande valia para as debilitadas economias europeias.

No quebra-cabeça do sistema internacional, os fundamentos das Relações Internacionais atuais exige que a Alemanha realize um acordo com a Rússia para poder administrar a crise na Zona do Euro. A Rússia, por sua vez, precisa de um acordo com os Estados Unidos para evitar expansão de Washington nas zonas de influência do antigo sistema soviético e os Estados Unidos, de sua parte, precisam de um acordo com o Irã para voltar suas atenções as duas frentes de instabilidade, Ucrânia e Estado Islâmico. Certamente, nenhum conflito está isolado do outro.

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* Uma análise do discurso de Netanyahu foi apresentada por Natália Nahas, em artigo publicado ontem, dia 9 de março, no CEIRI NEWSPAPER. Ver: https://ceiri.news/netanyahu-discursa-nos-eua-enquanto-programa-nuclear-iraniano-e-negociado-na-suica/

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Imagem (Fonte):

http://www.washingtonpost.com/wp-apps/imrs.php?src=http://img.washingtonpost.com/rf/image_908w/2010-2019/Wires/Images/2015-03-03/Getty/APW1109329.jpg&w=1484

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.cfr.org/israel/us-israel-manufactured-crisis/p36191

Ver:

https://www.weeklystandard.com/blogs/us-and-israel-manufactured-crisis_867037.html?page=1

Ver:

http://www.cfr.org/iran/iran-nuclear-negotiations-after-second-extension-they-going/p36035

Ver:

http://www.cfr.org/united-states/bibi-barack-boehner-bomb/p36150

Ver:

http://blogs.ft.com/the-exchange/2015/02/23/bibi-barack-boehner-and-the-bomb/

Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/02/spy-cables-reveal-israel-mossad-tactics-south-africa-guardian-150224124719957.html

Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/02/spy-cables-expose-approach-hamas-guardian-hamas-israel-mossad-cia-obama-goldstone-pa-150219190914146.html

Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/02/leaks-netanyahu-misled-iran-nuclear-programme-guardian-iran-nuclear-speech-2012-150218165622065.html

Ver:

http://www.armscontrol.org/ACT/2015_0102/Features/Looking-Beyond-the-Interim-Deal

Ver:

http://www.politico.com/story/2015/02/iran-nuclear-deal-israel-115510.html?hp=lc3_4

Ver:

http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/18275/A-interseccao-de-tres-crises-/

Ver:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/02/visita-de-netanyahu-e-uma-provocacao-afirma-jornal/

Ver:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/02/documentos-mostram-que-israel-mentiu-sobre-ira-diz-al-jazeera/

Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,de-olho-em-eleicao-lider-coloca-tema-da-seguranca-em-foco-imp-,1642051

Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,discurso-de-bibi-divide-grupos-pro-israel-imp-,1642052

Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,em-discurso-bibi-diz-que-eua-negociam-um-mau-acordo-com-o-ira,1643551

Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150303_analise_discurso_netanyahu_lgb

Ver:

http://www.dw.de/obama-diz-que-discurso-de-netanyahu-n%C3%A3o-teve-nada-de-novo/a-18292501

Ver:

http://www.politico.com/story/2015/03/obama-team-response-benjamin-netanyahu-speech-115711.html?hp=rc3_4

Ver:

http://blogs.cfr.org/danin/2015/03/03/netanyahu-hands-bat-to-obama-critics/

Ver Também:

http://edition.cnn.com/2015/03/03/opinion/opinion-roundup-netanyahu-speech/index.html

Ver:

http://www.washingtonpost.com/opinions/the-strategic-triumph-of-irans-supreme-leader/2015/03/01/9cbfdd48-bec4-11e4-8668-4e7ba8439ca6_story.html

Ver:

http://carnegieendowment.org/2015/03/02/can-iran-sell-nuclear-deal-domestically/i397

Ver:

http://www.democracynow.org/2015/3/2/noam_chomsky_opposing_iran_nuclear_deal

Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,o-que-netanyahu-nao-disse-imp-,1644660

Ver:

http://www.aipac.org/learn/us-and-israel

Ver:

http://www.aipac.org/learn/legislative-agenda/agenda-display?agendaid={109F35BE-5BAA-4B28-A16F-CD0C01E50BE0}

Ver:

http://jstreet.org/blog/post/netanyahu-speech-strong-rhetoric-no-realistic-alternative-_1

Ver:

http://www.israelelection2015.org/candidates/

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

O Estado Islâmico e a Líbia

No último verão do hemisfério norte, Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico (EI), enviou associados de confiança à Líbia, a fim de explorar cooperação mais estreita com grupos jihadistas locais[1].

Em fins outubro de 2014, vídeo amador mostrava militantes afiliados ao Conselho da Shura de Jovens Islâmicos jurando lealdade a al-Baghdadi. Em novembro, a CNN relatava que o Conselho havia assumido “completo controle” sobre a cidade costeira de Derna, com uma população de cerca de 100.000 habitantes, próxima à fronteira com o Egito e a cerca de 320km da costa sul da Europa[2]. O grupo extremista Ansar al-Sharia também se juntou a aliança com o EI[3].

Em 15 de fevereiro de 2015, o Estado Islâmico divulgou vídeo mostrando a decapitação de 21 egípcios cristãos que haviam sido raptados pelo grupo na cidade líbia de Sirte, em dezembro e janeiro. A maioria deles foi sequestrada quando militantes invadiram seu complexo residencial e escolheram os cristãos em meio a muçulmanos[4].

Os analistas Daveed Gartenstein-Ross e Nathaniel Barro, para a Foreign Policy[5], observam que, em um contexto no qual a força do Estado Islâmico na Síria e no Iraque parece cada vez mais ter estagnado[6], o grupo parece ter focado na expansão internacional como forma de demonstrar que ainda está fazendo progresso. Consequentemente, o EI tem tentado convencer a mídia, por meio de mídias sociais e produções cinematográfica, que o seu domínio na Líbia é maior do que em realidade é.

Gartenstein-Ross e Barro[5] explicam que a expansão do Estado Islâmico na Líbia tem sido modesta, restrita a recentemente tomada de Nawfaliyah, uma pequena cidade próxima à cidade costeira de Sirte, e a alguns prédios públicos, incluindo uma universidade, ocupados em Sirte. Ao passo que militantes conseguiram tomar a cidade de Derna, como mencionado acima, o grupo foi logo expulso por outras forças jihadistas – muito embora a versão mais atualizada[7] da matéria da CNN mencionada anteriormente[2] ainda afirme que o EI tem “completo controle” sobre a cidade.

O especialista George Howard, escrevendo para a Foreign Affairs, apresenta ponto de vista semelhante, afirmando que “os sucessos do ISIS [Estado Islâmico] foram até agora concentrados entre militantes líbios em áreas que já têm uma história do radicalismo islâmico, como Sirte, Derna e Benghazi[8], o que pode ser difícil de sustentar.

De acordo com documento divulgado na internet por propagandista do Estado Islâmico, e traduzido para o inglês pela Quilliam Foundation, o interesse do grupo jihadista na Líbia se deve: (i) à proximidade do país à Europa, permitindo “forjar pandemônio” no sul do continente; (ii) à quantidade de armamentos na Líbia, o que seria capaz de aumentar o poder do EI; (iii) à geografia do país, capaz de aliviar a pressão que o Estado Islâmico vem enfrentando, com “enormes extensões de deserto que são impossíveis de monitorar, e cadeias de montanhas que tornam aeronaves [militares] inúteis[9], além de uma proximidade com outros países africanos, como o Mali, onde o EI pode estender apoio a outros grupos jihadistas.

Além disso, Gartenstein-Ross e Barro acrescentam que a Líbia atualmente sofre com um governo fraco e divisões internas profundas, o que facilitaria a expansão do Estado Islâmico no país[5].

No entanto, Geoffrey Howard, escrevendo para a Foreign Affairs, destaca não apenas que a influência do EI sobre a Líbia tem sido superestimada, mas também que certas características do país constituem obstáculo à expansão do grupo extremista[8].

Ao passo que a Líbia se encontra dividida entre o Governo de Tobruk, reconhecido internacionalmente[10], e um Congresso Nacional Geral com base em Trípoli com quem o Governo de Tobruk está efetivamente em guerra, a situação política não é binária[9]. Ao contrário, o país se encontra fragmentado, de fato, em múltiplos centros de poder que se enfrentam com variados níveis de afiliação a um ou outro governo.

Todavia, Howard destaca que as tensões sectárias entre esses grupos não são tão acirradas quanto eram no Iraque e na Síria e que seria difícil para o Estado Islâmico tirar proveito desse “labirinto de grupos locais, étnicos, tribais, ideológicos e políticos[8], os quais, em sua maioria, buscam seus interesses próprios. Nesse cenário, um avanço da presença do EI na Líbia representaria uma ameaça às agendas políticas e econômicas de tais grupos.

Finalmente, o analista argumenta que o Estado Islâmico não desfruta de amplo suporte na Líbia, que o recrutamento de novos membros para o grupo jihadista seria dificultado pelo pequeno tamanho da população do país, pela ausência de divisões sectárias sérias entre sunitas e xiitas e pela possível repercussão negativa contra os atos bárbaros cometidos em nome do EI[8].

Os esforços de propaganda do Estado Islâmico acerca de suas operações na Líbia demonstram que o grupo extremista certamente vê o país como uma nova frente de batalha[5]; contudo, o grupo enfrentará mais obstáculos para se estabelecer, apesar das narrativas que vem sendo apresentadas sobre as suas operações que lá estão sendo realizadas, acrescentando-se também a questão das condições ali existentes[8].

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ImagemMulheres exibem imagens dos 21 egípcios decapitados pelo Estado Islâmico na Líbia, 17 de fevereiro de 2015” (Fonte):

http://www.foreignaffairs.com/articles/143202/geoffrey-howard/isis-next-prize

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.wsj.com/articles/islamic-state-gained-strength-in-libya-by-co-opting-local-jihadists-1424217492

[2] Ver:

https://web.archive.org/web/20141209023059/http://edition.cnn.com/2014/11/18/world/isis-libya/

[3] Ver:

http://time.com/3721927/isis-libya-establishment/

[4] Ver:

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/isis-beheading-of-coptic-christians-the-egyptian-village-wracked-by-grief-for-young-men-killed-by-militants-10051487.html

[5] Ver:

https://foreignpolicy.com/2015/03/02/is-libya-the-next-stronghold-of-the-islamic-state/

[6] Ver:

http://www.theatlantic.com/international/archive/2015/01/the-decline-of-isis-syria-iraq/384261/

[7] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/18/world/isis-libya/

[8] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/143202/geoffrey-howard/isis-next-prize

[9] Ver:

http://www.quilliamfoundation.org/wp/wp-content/uploads/publications/free/libya-the-strategic-gateway-for-the-is.pdf

[10] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-africa-30681904

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Presidente ucraniano busca intervenção internacional para resolver conflito no país

Na última segunda-feira, dia 2 de março, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, assinou um requerimento, destinado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à União Europeia (UE), solicitando a presença de “tropas internacionais” em território ucraniano com o objetivo de estabelecer “a paz” no país, principalmente em sua porção leste, onde as Forças Armadas nacionais estão combatendo “rebeldes” ucranianos próRússia.

Embora o pedido formal só seja possível após ratificação pelo Parlamento nacional, a ação de Poroshenko visa legitimar sua posição no conflito através de um apoio internacional realizado, principalmente, pela presença da ONU. Concomitantemente a este pedido, o Presidente ucraniano apresentou ao Parlamento de seu país uma proposta de Lei que busca aumentar o número do contingente das Forças Armadas em 68 mil soldados, alcançando um total de 250 mil combatentes[1].

A busca por integrar Forças Internacionais de Manutenção da Paz (International Peacekeepers) nos conflitos do leste ucraniano recebeu duras críticas por parte do atual Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que afirmou[1], durante um evento da ONU em Genebra (Suíça), que a melhor saída para a resolução de tal conflito consiste na manutenção e fortalecimento do Acordo de Paz de Minsk[2], assinado em 12 de fevereiro (2015), entre a Rússia e a Ucrânia, com mediação da Alemanha e França. A ação de Poroshenko fora “ignorada” pelas lideranças europeias, que não se pronunciaram sobre o ocorrido[3].

De acordo com o último relatório publicado pela ONU[4] sobre a situação no leste ucraniano, o “derramamento de sangue[1] oriundo por este conflito vem diminuindo significativamente nas últimas semanas[1]. Nesta última terça-feira, dia 3, algumas das principais lideranças “ocidentais” se reuniram em vídeo conferência e concordaram na necessidade de fortalecer o Acordo de Paz de Minsk, devido sua importância no cessar fogo entre as partes envolvidas.

De acordo com a Casa Branca[3], participaram da reunião o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama; o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e os Chefes de Governo da Alemanha, França e Reino UnidoAngela Merkel, Francois Hollande e David Cameron, respectivamente. Os líderes políticos ali presentes concordaram que “uma reação maior por parte da comunidade internacional só seria necessária em caso de uma grande violação da implementação[3] do acordo de cessar fogo.

Em entrevista concedida à mídia alemã, Angela Merkel afirmou que as potências “ocidentais” têm como objetivo imediato frear todos os tipos de enfrentamento entre civis e militares no leste ucraniano, onde o cessar fogo já obteve significativo resultado no apaziguamento do conflito com o uso de armas pesadas. Caso o Acordo de Paz de Minsk não seja capaz de por um fim aos confrontos, Merkel afirmou que os “Estados-membros [da UE] e da Comissão Europeia estão preparados para tomar sanções mais duras[5].

No início da semana, os líderes europeus e o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, já haviam acordado que a garantia do cumprimento do Acordo de Paz de Minsk deveria repousar no arcabouço institucional da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), estabelecida em meados de 1975. De acordo com o relatório da Instituição, publicado no último dia 2 (março), a situação nas regiões de Donetsk e Lugansk, no extremo leste do país, parece “ser relativamente calma, embora tiros e bombardeios distantes foram ouvidos[6].

Dessa maneira, o Acordo de Paz de Minsk, embora não tenha sido capaz de por um fim último aos confrontos no leste ucraniano, obteve considerável sucesso na construção de um apaziguamento gradual da região.

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b3/Vladimir_Putin_at_celebrating_the_70th_anniversary_of_D-Day_(2014-06-06%3B_06).jpeg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/ukraine-in-appeal-for-international-peacekeeping-force/a-18289480

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/feb/12/ukraine-crisis-reports-emerge-of-agreement-in-minsk-talks

[3] Ver:

http://www.dw.de/western-leaders-want-strong-reaction-if-major-violation-of-minsk-deal/a-18292027

[4] Ver:

http://www.dw.de/un-more-than-6000-killed-in-ukraine-war/a-18288419

[5] Ver:

http://www.dw.de/ukraine-in-appeal-for-international-peacekeeping-force/a-18289480

[6] Ver:

http://www.osce.org/ukraine-smm/143601