ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEUROPAORIENTE MÉDIO

As reais ameaças nucleares na atualidade

Desde os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, as armas nucleares têm ocupado um lugar de destaque na segurança mundial. Toda uma nova disciplina acadêmica de estudos estratégicos surgiu para fornecer os fundamentos teóricos aos líderes políticos envolvidos na tomada de decisão sobre seu emprego. Com efeito, as armas nucleares foram o fundamento da estratégia americana para defender a Europa em face de um poder militar convencional soviético numericamente superior durante a Guerra Fria.

Nessa época, a maior parte do debate esteve focado no equilíbrio nuclear EUAURSS, sem dúvida a ameaça mais provável e mais perigosa. Esse equilíbrio foi mantido com base na doutrina da “Mutual Assured Destruction” (MAD), ou seja, na manutenção de um status quo no qual nenhuma das duas superpotências poderia vencer uma guerra nuclear, pois, se a guerra fosse iniciada por uma delas, ambas acabariam destruídas. O desenvolvimento de Sistemas Antimísseis Balísticos (ABM) e a Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI) foram grandes ameaças a esse equilíbrio. Os ABM foram objeto de tratado específico limitando seu uso e a SDI é muitas vezes apontada como uma das principais causas da queda da URSS.

Desde o colapso da URSS, entretanto, as armas nucleares continuam sendo uma das principais preocupações geopolíticas mundiais. No entanto, o debate internacional decorrente não é focado nos países que possuem arsenais nucleares operacionais (EUA, Rússia, China, França, GrãBretanha, Índia, Paquistão, Israel). A grande visibilidade da política externa dos “cinco grandes”, membros do Conselho de Segurança da ONU, está nas hipotéticas armas nucleares operacionais que estados classificados como “rogue” (Coréia do Norte, Irã, Iraque, Síria, Líbia, entre outros), bem como grupos terroristas, não têm (com sucesso até agora, exceto no caso da Coréia do Norte).

Por outro lado, a comunidade não-governamental dos estudos estratégicos nucleares foi sendo eclipsada pela comunidade da não-proliferação e controle de armas, que se esforça para tentar abolir as bombas nucleares, mas que muito pouco foca na busca pela minimização do perigo real que aquelas bombas que existem nos arsenais nucleares dos EUA, Rússia, França, GrãBretanha, China, Índia, Paquistão e Israel representam.

Sem nenhuma dúvida, essas atividades são importantes e necessárias. No entanto, elas criaram um vácuo, na medida em que também muito pouco se discute (e muito menos se minimiza) as ameaças nucleares reais que o mundo de hoje enfrenta. Infelizmente, essas ameaças, tão discutidas durante a Guerra Fria, não desapareceram com a queda do muro de Berlim. Com a esperança de provocar esse necessário debate, vamos tentar identificar as ameaças nucleares reais que se acredita serem as mais perigosas e sobre as quais pouco se discute.

MIRVs asiáticos

Como já discutido em artigo anterior, a ameaça nuclear mais perigosa que o mundo enfrenta atualmente é a perspectiva de China e Índia obterem Multiple Independently Targetable Reentry Vehicles (MIRV). Os MIRVs permitem aos mísseis balísticos transportarem múltiplas ogivas nucleares cada uma sendo destinada a um alvo diferente.

Durante a Guerra Fria, a introdução de mísseis MIRV desestabilizou muito o equilíbrio nuclear EUAURSS, tornando os arsenais nucleares mais suscetíveis de serem destruídos por um primeiro ataque de surpresa inimigo, ou seja, criaram a possibilidade de um dos lados ganhar a guerra nuclear. Para compensar este risco, EUA e URSS construíram mais armas nucleares e as dispersaram por um maior número de locais.

Isto seria especialmente problemático caso o mesmo se repetisse agora para a Índia e China, que têm mantido arsenais nucleares extremamente pequenos em relação aos mantidos pelos EUA e URSS/Rússia. O impacto mais imediato da China e da Índia obterem MIRVs será a expansão de seus respectivos arsenais nucleares. O impacto, entretanto, não será limitado somente aos dois países. Por um lado, um arsenal nuclear indiano em rápida expansão deixará o Paquistão temeroso de que seu arsenal possa ser destruído em um primeiro ataque. É provável que, em resposta, o Paquistão expanda seu próprio arsenal tão rapidamente quanto possível e busque também obter seus próprios mísseis MIRV (talvez com a ajuda da China).

Da mesma forma, a Rússia depende cada vez mais de seu massivo arsenal nuclear para “compensar” uma relativa perda de poder militar convencional. Como a modernização militar da China continua, Moscou vai se tornar ainda mais dependente de suas armas nucleares para dissuadir os chineses. Assim, é absolutamente crucial que a Rússia mantenha uma grande vantagem sobre a China no domínio nuclear. Um arsenal nuclear chinês em rápida expansão comprometeria muito isso. No futuro, poderá ocorrer que os mísseis MIRV da China invalidem todos os esforços de controle de armas dos EUA e Rússia ao longo de décadas.

Armas Nucleares Táticas do Paquistão

Ao contrário do que aparenta numa primeira vista, o Paquistão não adquiriu armas nucleares para combater o arsenal da Índia, mas para “compensar” sua inferioridade em termos de poder militar convencional. Aliás, essa foi a mesma motivação de Israel.

Na verdade, a decisão paquistanesa de buscar armas nucleares foi feita em uma reunião em janeiro 1972 em Multan, no sul de Punjab, Paquistão. No mês anterior, o poder militar do Paquistão tinha sido gravemente humilhado em sua guerra com a Índia, o que resultou no então Paquistão Oriental tornar-se o atual Estado independente de Bangladesh. Esta perda de quase metade do seu território fez o Paquistão aumentar ainda mais sua inferioridade em termos de população (de 5:1 para 10:1 em favor da Índia) e potencial econômico. Essa guerra de 1971 também destruiu a crença predominante no Paquistão de que seu poder militar seria qualitativamente superior às forças armadas indianas e reforçou a ideia de que a Índia buscava desmantelar e absorver o país.

Como resultado, não é surpreendente que o Paquistão esteja buscando armas nucleares táticas para usar no campo de batalha contra a Índia, especialmente à luz da doutrina militar indiana de “Cold Start”. Afinal, a OTAN até hoje possui armas nucleares táticas na Europa e Turquia que foram originalmente instaladas para compensar a superioridade convencional da URSS, o que indica que a motivação permanece com a Rússia, não tendo sido afetada pela queda do muro de Berlim e fim da URSS.

No entanto, as armas nucleares táticas devem ser vistas com muita cautela, especialmente quando operadas por um país como o Paquistão. Por um lado, as armas nucleares táticas ressaltam a disposição do Paquistão em empregar armas nucleares, mesmo que seja para responder a ameaças convencionais. Além disso, de forma a serem eficazes, as armas nucleares táticas do Paquistão teriam que ser mantidas em estado de prontidão para serem empregadas em curto prazo. Mais ainda, uma vez instaladas na linha de frente, os comandantes no campo de batalha provavelmente teriam que ter autoridade para empregá-las, aumentando o perigo de uso indevido. Finalmente, as armas nucleares táticas seriam mais suscetíveis a roubos por qualquer um dos inúmeros grupos terroristas que atuam na região.

Evolução na Precisão e Velocidade dos Mísseis

Um grande esforço tecnológico vem sendo aplicado ao aperfeiçoamento da precisão das armas convencionais. Uma munição guiada de precisão ou “bomba inteligente” (“Precison Guided Munition”, “Smart Bomb”) é uma arma com guiagem ativa com a intenção de acertar com precisão um alvo específico, minimizando danos colaterais. Todos já vimos vídeos dessas armas em ação realizando os chamados “bombardeios cirúrgicos”.

Entretanto, pouco ou mesmo nada se discute sobre como essa evolução na precisão dos mísseis afeta as armas nucleares, evolução que tem o potencial de minar o equilíbrio estratégico nuclear. A aquisição de mísseis de alta precisão pelas potências nucleares pode significar o fim da estratégia da Destruição Mútua Assegurada (MAD) e da consequente doutrina relacionada ao não primeiro uso de armas nucleares. Isso porque seu emprego pode permitir o sucesso de um primeiro ataque de surpresa e, com isso, uma potência poderia vencer uma guerra nuclear, causando danos limitados ao oponente.

A estratégia MAD se fundamenta em dois pressupostos básicos. Em primeiro lugar, que as superpotências nucleares sempre teriam capacidade de um segundo ataque de retaliação que tornaria impossível para uma delas destruir o arsenal nuclear da outra com um ataque surpresa. Em segundo lugar, que o poder destrutivo das armas termonucleares e a natureza indiscriminada da destruição por elas provocada torna seu uso abominável. Relacionado ao MAD está o preceito de que nenhuma superpotência poderia vencer a outra num conflito termonuclear.

A evolução na precisão dos mísseis pode anular esses pressupostos. Para começar, a incrível precisão dos sistemas de mísseis modernos torna a destruição total do arsenal nuclear do oponente em um primeiro ataque de surpresa bem sucedido muito mais plausível. Isto é particularmente verdadeiro contra potências nucleares que têm, pelo menos por enquanto, arsenais nucleares relativamente pequenos em comparação com Rússia e os EUA.

No entanto, após a modelagem de um potencial primeiro ataque contra as forças estratégicas da Rússia, Lieber e Press concluíram que os EUA poderiam, com um alto grau de probabilidade, ter sucesso na destruição total do arsenal nuclear de um oponente, mesmo que ele seja de porte massivo como o da Rússia. Na verdade, esses autores alegam que os formuladores de políticas dos EUA construíram efetivamente suas forças estratégicas com o objetivo de ter a capacidade de empregar armas nucleares para destruir as forças estratégicas de qualquer outro país, ou seja, de obter a primazia estratégica.

Com efeito, o esforço para neutralizar as forças estratégicas do adversário e alcançar a primazia se estende por quase todos os domínios da guerra moderna, não se limitando à capacidade de ataque nuclear. Por exemplo, inclui os sistemas de defesa contra Mísseis Balísticos (ABM), a guerra antissubmarino, a inteligência eletrônica, sistemas de vigilância e reconhecimento, a guerra cibernética ofensiva, ataque convencional de precisão de curto, médio e longo alcance.

Além de comprometer a MAD, a crescente precisão dos mísseis modernos também potencialmente enfraquece a doutrina de não primeiro uso de armas nucleares. Esta doutrina foi construída em grande parte sobre o conceito de que as armas nucleares eram moralmente repugnantes porque seu poder de destruição maciça e as severas consequências radiológicas colaterais correspondentes iriam dizimar populações indiscriminadamente. No entanto, é a precisão que determina a letalidade de arma nuclear. Fazer uma arma duas vezes mais precisa tem o mesmo efeito sobre a letalidade como fazer uma ogiva oito vezes mais potente. Dito de outra forma, fazer um míssil duas vezes mais preciso exigiria apenas um oitavo do poder explosivo de sua cabeça de combate para manter a mesma letalidade. Além disso, as consequências radiológicas são proporcionais ao poder explosivo da arma e decaem de acordo com o quadrado da distância do ponto da explosão, o que minimiza os impactos colaterais.

Conclui-se, portanto, que com a evolução da precisão, as bombas nucleares podem se tornar uma arma de guerra passível de emprego numa situação de conflito grave ou guerra. Essa evolução permitiria destruir instalações nucleares protegidas de um inimigo com armas de baixo poder explosivo, reduzindo assim em muito as consequências radiológicas e os danos colaterais. De fato, usando um modelo de computador do Pentágono, especialistas estimam que um ataque nuclear americano contra silos de Mísseis Balísticos (ICBM) da China usando armas de alto poder explosivo detonadas no solo poderia matar entre 3 e 4 milhões de pessoas. Usando armas precisas de poder explosivo reduzido este número cairia para menos de 700 vítimas.

Simultaneamente ao aumento da precisão, um grande desenvolvimento tecnológico vem ocorrendo também na velocidade. Os mísseis de cruzeiro modernos podem atingir velocidades não só supersônicas como hipersônicas (mais de cinco vezes a velocidade do som). Por exemplo, o míssil BrahMosII, em desenvolvimento pela Índia e Rússia, pode atingir a velocidade de Mach 7 (8.575 km/h). A China e EUA também desenvolvem mísseis hipersônicos.

Sistemas como o “Prompt Global Strike”, em desenvolvimento pelos EUA, que poderia lançar um ataque com mísseis de precisão que atingiriam seus alvos em até uma hora, podem inviabilizar a ação dos sistemas de alerta antecipado das demais potências nucleares, impedindo-as de responder a um ataque devido aos curtíssimos tempos envolvidos.

O desenvolvimento de mísseis hipersônicos de grande precisão aumenta em muito a probabilidade de sucesso de uma potência nuclear destruir totalmente o arsenal de outra sem que essa tenha como responder a tal ataque de surpresa. Isso também comprometeria de forma irreversível a estratégia MAD e a doutrina de não primeiro uso, amplificando enormemente a ameaça de uma guerra nuclear. Passaria a vigorar a síndrome “use them or lose them”.

Modernização militar da China

A modernização militar da China é uma ameaça nuclear mais do que hipotética. No mínimo ela vai forçar a Rússia a se tornar cada vez mais dependente de suas armas nucleares. É provável que isto seja verdadeiro para a Índia também. Mesmo os EUA podem se encontrar num futuro não tão distante também numa situação em que deva mais uma vez recorrer às armas nucleares para deter um inimigo convencional superior em um teatro de operações distante, como foi no caso do pós Segunda Guerra Mundial.

Com sua superioridade convencional crescendo e seus interesses se expandindo, a modernização militar da China vai servir como um poderoso motivador para os seus vizinhos construírem suas próprias forças nucleares. Se os EUA não forem capazes de exercer uma efetiva estratégia de contenção da China como fez com a URSS, o Japão seria dos primeiros a questionar sua política de não possuir armas nucleares.

Na verdade, a necessidade de dissuadir ameaças militares convencionais esmagadoras tem sido a força motriz por trás da decisão de muitos Estados obterem armas nucleares. Por exemplo, a França tomou a decisão de construir armas nucleares poucos dias depois que a OTAN decidiu rearmar a Alemanha Ocidental. Tendo em conta que os seus inimigos árabes eram muito maiores e mais povoados do que Israel, e inclinadas à destruição deste último, David Ben-Gurion considerou as armas nucleares essenciais no início da existência do Estado judeu. Como mencionado acima, essa lógica foi aplicada pelos líderes paquistaneses também.

Não é impensável, então, que países como o Japão, Vietnã, Taiwan e Coréia do Sul ainda venham sentir a necessidade de adquirir armas nucleares para compensar a superioridade convencional da China, especialmente quando se considera as disputas territoriais que Beijing mantém com a maioria deles. Além disso, a Coreia do Sul, Taiwan e, especialmente, Japão têm programas nucleares avançados que fariam com que fosse relativamente fácil e barato construir a bomba.

Abolição das Armas Nucleares

Enquanto as armas nucleares parecem ainda ter muito futuro, particularmente na Ásia, a comunidade da não proliferação e controle de armas trabalha incansavelmente para impedi-lo. De fato, desde 11/09, a causa “Global Zero” tem expandido muito suas fileiras e ganhou apoio de líderes políticos importantes, como o presidente Obama (Declaração de Praga, 2009). Infelizmente, essa causa, por mais nobre que seja, é perigosa. Graças à sua capacidade de impedir conflitos entre as grandes potências, a única coisa pior do que as armas nucleares seria, paradoxalmente, um mundo sem elas.

Considere-se uma estimativa conservadora de vítimas mortais da Segunda Guerra Mundial de 60 milhões de pessoas, ou cerca de 3% da população mundial na época. Numa terceira guerra mundial não nuclear igualmente letal, portanto, seria esperada a morte de pelo menos 210 milhões de pessoas. Entretanto, a sofisticação das armas convencionais modernas e a urbanização muito maior fariam com que essa hipotética terceira guerra mundial não nuclear fosse muito mais letal do que a Segunda Guerra Mundial, apesar dos avanços na medicina reduzirem parcialmente essa letalidade.

Isso por si só seria uma tragédia sem precedentes na história da humanidade. O maior perigo, no entanto, é que tal conflito não permaneceria convencional por muito tempo. As propostas de desarmamento nuclear global existentes não oferecem nenhum mecanismo concebível para garantir que tal guerra permanecesse não nuclear. Na verdade, o senso comum sugere que imediatamente após o início das hostilidades, se não mesmo no período de preparação para a guerra em si, todas as potências nucleares anteriores fariam uma rápida corrida armamentista para reconstruir suas forças nucleares no mais curto espaço de tempo.

O resultado não seria apenas uma volta ao mundo com armas nucleares que habitamos. Em vez disso, alguns países reconstruiriam suas armas nucleares mais rapidamente do que outros e nenhum deles poderia ter certeza do progresso que seus rivais teriam feito. Os “vencedores” nesta renovada corrida armamentista nuclear teriam, então, todo o incentivo para o emprego imediato de suas novas capacidades nucleares contra os seus adversários, num esforço para acabar rapidamente com o conflito, eliminando as capacidades nucleares dos oponentes, ou simplesmente por medo de que outros o façam antes, lançando um ataque debilitante sobre seu arsenal nuclear pequeno e vulnerável. Não haveria destruição mutuamente assegurada em tal ambiente, prevalecendo a síndrome “use them or lose them”.

—————————————————————————

Imagem (Fonte):

Wikipedia

—————————————————————————

Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Obama na Índia: Relações Geopolíticas, Estratégicas e Comerciais em jogo

O mês de janeiro marcou na agenda de política internacional um importante evento para a reaproximação nas relações entre Índia e Estados Unidos, com o presidente Barack Obama sendo recebido pelo primeiroministro Narendra Modi nas celebrações do Dia da República, data esta que marca o fim da colonização britânica do país asiático.

O encontro já havia sido acertado entre os dois Governos após a passagem do PrimeiroMinistro em Nova Iorque, em setembro de 2014, quando o mesmo discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, além de ter participado de conversas bilaterais com o mandatário norte-americano, bem como participado de outros eventos que, na ocasião, faziam parte da agenda diplomática do recém-empossado líder indiano.

Como parte dos esforços de restabelecer uma cooperação bilateral, o Presidente Barack Obama esteve em Nova Delhi a convite de Narendra Modi para fortalecer as relações e proceder com novas perspectivas para as duas grandes nações. Nesse sentido, a sua visita na Índia recebeu contornos de alinhamento em diversas áreas e de maneira implícita revelou dentro dos canais diplomáticos uma mensagem direta a Paquistão e China sobre como será a condução da política externa norte-americana para o Sudeste Asiático nos últimos anos de mandato do atual líder estadunidense.

Por essa medida, alguns pontos relevantes da visita foram analisados por especialistas em Relações Internacionais que, por ora, dizem muito sobre as políticas que ambos os Estados pretendem implementar para criar um grau de amplitude maior para a cooperação internacional. Dentre os pontos a elucidar estão:

  1. Cooperação energética e questões climáticas seriam temas de fundamental importância na agenda do encontro. A posição indiana de início era reticente quanto à diminuição da emissão de gases do efeito estufa. Grosso modo, o governo indiano anunciava que para manter um nível desenvolvimentista crescente seria necessário postergar políticas ambientais tal como fizeram nações desenvolvidas nos períodos de Revolução Industrial. Entretanto, as negociações avançaram nos últimos meses e durante a visita da alta cúpula da Casa Branca, Modi acenou para expansão do uso de fontes alternativas de energia, de matriz renovável, bem como encaminhar Nova Delhi para acordos internacionais sobre o aquecimento global;
  2. A declaração conjunta feita pelos dois governos coloca em destaque na pauta, cooperação econômica e de defesa, dando sinais principalmente para Pequim que o conceito de política externa para a Ásia, denominado “Pivot para Ásia” terá forte conotação no campo da Defesa. A declaração deixa clara a confluência e diversidade na cooperação bilateral, ao passo que reestrutura o equilíbrio dos Estados Unidos na Ásia e direciona a Índia a promover uma “Indias Act East Policy” com potenciais oportunidades para o país e estreitando os laços junto com norte-americanos para fortalecer as alianças regionais;
  3. No âmbito econômico o termo “bilateral investment treaty” aparece na declaração feita ao final do encontro sugerindo melhorias na condução de novos negócios. Porém, há indícios de empresas dos EUA que se queixam da burocracia para se inserir no mercado indiano, aliado a corrupção que limita as oportunidades e coloca em risco negócios que auxiliariam na economia de ambos os países. Dessa forma, seria necessário capital político por parte do governo de Nova Delhi para desmembrar esses entraves visando o melhor fluxo de comércio;
  4. A declaração conjunta contempla ainda possibilidades de transferência de tecnologia em defesa, comércio, pesquisa, coprodução e codesenvolvimento através do “U.S.-India Defense Technology and Trade Initiative” (DTTI, na sigla em inglês). Existe a prerrogativa da indústria militar de Estados Unidos e Índia cooperarem no desenvolvimento de novas tecnologias bélicas. O primeiroministro Narendra Modi almeja alcançar a autossuficiência nesse setor em vista da geopolítica complexa da região, uma vizinhança instável seria um dos motivos para os investimentos;
  5. Ambos os países baseados na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito Mar trabalham em conjunto para salvaguarda, segurança e liberdade de navegação no Mar do Sul da China. Um recado que foi dado no encontro no final do ano passado em Nova Iorque e que, mesmo não aparecendo na declaração do encontro desse ano, fez valer nos canais diplomáticos mensagens sobre esse tema, até mesmo pela forma como a cooperação bilateral estará sendo conduzida;
  6. De forma pragmática, algumas cláusulas do encontro trataram do terrorismo, contraterrorismo e medidas legislativas para combater os grupos que atuam na região, dentre os quais os antiÍndia com base no Paquistão, como o LashkareTayyiba, o JaisheMohammad e o Rede Haqqani;
  7. A questão nuclear também esteve na pauta. Pelo fato de ambos os países terem firmado Acordos em 2006 e 2008, a Índia recebeu uma dispensa do Grupo de Fornecedores Nucleares (Nuclear Suppliers Group) sendo, portanto, o único signatário do Tratado de não-proliferação de armas nucleares (NPT, na sigla em inglês) em situação complacente com atividades nucleares comerciais, mantendo, por fim, um programa de armas nucleares ativo. Obama e Modi estudam a adoção de um seguro para fornecedores estrangeiros que desejam atuar em território indiano nesse campo;
  8. Por fim, a declaração explicita a importância do estreitamento das relações com outros países da região Ásia-Pacífico, com consultas, diálogos e exercícios militares conjuntos. Ainda como parte desses esforços, a declaração destaca a importância do fomento da relação trilateral EUAÍndiaJapão. Tóquio, um aliado tradicional de Washington, desde o fim da Segunda Grande Guerra, tem se aproximado cada vez mais do governo de Nova Delhi, não a toa foi o país convidado para as festividades do Dia da República em 2014.

————————————————————————

Fonte (Imagem)

http://news.bbcimg.co.uk/media/images/80514000/jpg/_80514915_80514914.jpg

————————————————————————

Fontes Consultadas:

Ver:

http://thediplomat.com/2015/01/9-takeaways-on-us-india-ties-after-obamas-india-visit/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/01/us-india-cooperation-on-naval-aviation-game-changer/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/01/what-you-need-to-know-about-obamas-trip-to-india/

Ver:

http://www.cfr.org/india/do-us-india-relations/p36069

Ver:

http://www.cfr.org/india/do-us-india-relations/p36086

Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/01/15/us-usa-india-arms-idUSKBN0KO02520150115

Ver:

http://carnegieendowment.org/2015/01/21/unity-in-difference-overcoming-u.s.-india-divide/i0m1

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

As elecciones presidenciales en la Argentina, y su vínculo con los procesos electorales de América Latina

Las tendencias actuales sobre las elecciones presidenciales que se celebrarán en la República Argentina el 25 octubre de 2015 configuran escenarios posibles tan complejos como diferentes. Esto es así por múltiples motivos, dentro de los cuales se destacan: 1) el Poder Ejecutivo desde 2003 es ejercido por el Frente Para la Victoria (FPV), quien ha alternado en su máximo cargo a Néstor Kirchner (2003-2007) y su esposa, Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015); 2) la Presidenta en ejercicio no podrá ser reelegida porque ya ha cumplido dos mandatos correlativos; 3) los partidos políticos opositores aun no han anunciado de forma definitiva sus candidaturas, pero se espera un bajo nivel de alianzas interpartidarias junto con una alta dispersión de lealtades políticas; y 4) del FPV tampoco surge un candidato claro, lo que exhibe la debilidad relativa del resto de sus líderes.

En este sentido, la principal definición tras 12 años de gobierno kirchnerista es si el electorado elegirá la continuidad o el cambio. Vinculado a ello, resulta útil comparar los resultados de los procesos electorales que durante 2014 han tenido lugar en América Latina, detectando tendencias mayores. Dado que los procesos políticos de nuestra región se encuentran profundamente relacionados, este abordaje permitirá preguntarnos también: ¿Estamos frente al fin de un ciclo en nuestra región?; ¿cuál es el rol de los personalismos y en qué medida impacta en el sistema de partidos políticos?; ¿cómo afecta a la idea de democracia la discusión sobre las reelecciones presidenciales?

En el nivel doméstico, las preferencias del electorado están distribuidas fundamentalmente entre tres partidos: Frente Renovador (FR), Propuesta Republicana (PRO) y FPV[1]. Sin embargo, la identificación está mucho más vinculada a sus líderes. Ello forma parte de una transformación política mayor, por la que los candidatos son quienes configuran a sus partidos, y no al revés[2]. Muestra de esto es el alto porcentaje de cambio de las fuerzas políticas que competirán en 2015 en relación a las elecciones de 2011: de los 7 partidos que participaban, solo el Frente Para la Victoria conserva su denominación[3].

Por esa razón, conviene describir a los principales candidatos. El primer opositor es Sergio Massa, máximo representante del FR. Actual Diputado Nacional por la Provincia de Buenos Aires, fue Intendente del gobierno local de Tigre de 2009 a 2013, actuando también como Jefe de Gabinete de la Nación en el período 2008-2009. Dado que ha participado del gobierno kirchnerista, las principales críticas que ha recibido cuestionan si es una verdadera alternativa de gobierno. Resulta interesante que en los últimos meses ha obtenido apoyo de otros políticos actualmente desvinculados del FPV, como el ex Ministro de Economía Roberto Lavagna. Dentro del marco opositor también se encuentra Mauricio Macri, líder de PRO y Jefe de Gobierno de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires capital del país – de 2007 a la actualidad. También se desempeñó como Diputado Nacional por la Ciudad, de 2005 a 2007. Con un discurso situado políticamente en la centro-derecha, su diferenciación ideológica con FPV es mayor. Sin embargo, y de forma coincidente con FR, sus bases electorales son urbanas por lo que la articulación con el resto de la Argentina requiere la formación de coaliciones con partidos con mayor presencia allí, como por ejemplo la Unión Cívica Radical (UCR), agrupada actualmente en el Frente Amplio UNEN. Por último, Cristina Fernández de Kirchner aun no ha expresado públicamente qué fórmula apoyará en octubre, por lo que muchos líderes del oficialismo podrían ser candidatos. De ellos, el Gobernador de la Provincia de Buenos Aires de 2007 a la actualidad, Daniel Scioli, es el que tiene mayor intención de voto. Habiendo sido también Vicepresidente de la Nación durante la Presidencia de Néstor Kirchner (2003-2007), existen dudas en el Frente Para la Victoria sobre su lealtad política. Por este motivo surgen también otros posibles candidatos, como Florencio Randazzo, actual Ministro del Interior y Transporte; Sergio Uribarri, Gobernador de la Provincia de Entre Ríos; y Jorge Taiana, ex Ministro de Relaciones Exteriores; Comercio Internacional y Culto y actual Legislador de la Ciudad.

Resulta muy difícil realizar proyecciones de resultados electorales cuando aun no están confirmadas las candidaturas ni alianzas. No obstante ello, Carlos Malamud señala que “los tres principales candidatos recibirían entre el 20 y 27% de los votos aproximadamente, lo que lleva a no descartar una segunda vuelta[1]. En la misma dirección, la última encuesta – divulgada por el periódico opositor Clarín – previó un 28,9% para Mauricio Macri, seguido por Scioli con 4 puntos menos y Massa con casi 10 puntos porcentuales de diferencia[4]. Debe destacarse que, de acuerdo a la Constitución Nacional, solo podrá evitarse la segunda vuelta electoral (también llamada ballotage) si la primera fórmula obtuviera el 45% de los votos válidos o el 40% y una diferencia porcentual mayor de diez puntos con la segunda[5].

Reconociendo la complejidad de establecer posibles escenarios para la Argentina 2016, es interesante recuperar la reciente experiencia de los procesos electorales latinoamericanos, sumamente dinámicos. En 2014 se realizaron elecciones en 13 países de la región, siendo presidenciales las de Bolivia, Brasil, Colombia, Costa Rica, El Salvador, Panamá y Uruguay. Por su parte, en 2015 se realizarán 17, aunque solo en Argentina, Guatemala, Guyana y Haití – que aun no lo ha confirmado – se elegirán representantes del Poder Ejecutivo Nacional[6][7].

A partir de los resultados de las elecciones presidenciales realizadas en 2014 en América Latina, se observa que los votantes prefirieron la continuidad política a la alternancia. Al respecto, Manuel Alcántara Sáez destacó que “estos procesos electorales tuvieron como denominador común la continuidad de los Gobiernos existentes revalidados por los electorados. Solamente en Costa Rica y en Panamá se dio el cambio al llegar al poder fórmulas políticas novedosas, mientras que en Bolivia, Brasil y Colombia se reeligieron sus presidentes y en El Salvador y Uruguay se revalidó el mandato de los partidos en el gobierno; mientras que en Chile se produjo una suerte de ‘continuismo interrumpido’[2]. Todo ello parece indicar que en la región no se aproxima el fin de un ciclo político, sino su continuidad o profundización. En coherencia con esta idea, Santiago Leiras ubica el inicio de un ciclo político de gobiernos progresistas con el temprano ascenso de Hugo Chávez en Venezuela en 1999, la emergencia de Lula Da Silva en Brasil y Néstor Kirchner en Argentina en 2003, y el triunfo de Tabaré Vázquez en Uruguay y Evo Morales en Bolivia, en 2005[6].

La permanencia de un mismo líder o partido político en la Presidencia de los países de América Latina de 1999 a la actualidad es contundente. En Venezuela, Nicolás Maduro continúa el proyecto de gobierno que Hugo Chávez, tras 14 años de gobierno, no pudo desarrollar por causa de su fallecimiento. En Brasil el Partido de los Trabajadores (PT) ganó 4 elecciones presidenciales, dos de Lula Da Silva y dos de Dilma Rousseff. En Argentina el FPV ganó 3, incluyendo dos de Cristina Fernández de Kirchner. Por su parte, en Uruguay el Frente Amplio (FA) es líder de gobierno desde 2005 con Tabaré Vázquez como Presidente, José Mujica y, nuevamente, Tabaré Vázquez. El caso de Bolivia es sumamente interesante: en 2014, Evo Morales obtuvo su tercer mandato como Presidente, después de 10 de años de gobierno. Sin embargo, debe aclararse que la ola reeleccionista no tuvo origen en los gobiernos progresistas sino en los neoliberales de principios de los ’90. Los casos que más divulgación han tenido son los de Carlos Menem en Argentina, Alberto Fujimori en Perú y Álvaro Uribe, posteriormente. Todos ellos han buscado un tercer mandato consecutivo, sin obtener el apoyo político necesario[8]. Sobre por qué fueron posibles las reelecciones presidenciales en el actual ciclo político, a diferencia del ciclo neoliberal anterior, Alcántara Sáez señala: 1) el proceso democratizador de la región de la década de los ’80; 2) la existencia de un sistema de partidos débil y un presidencialismo fuerte, que crece a medida que se posibilita constitucionalmente la reelección; y 3) la coyuntura económica favorable, debido al alto precio internacional de las materias primas, entre otros elementos[2].

Tal como se ha descripto, la ciudadanía latinoamericana ha optado mayoritariamente por confirmar las opciones político-ideológicas expresadas en comicios anteriores. En esa dirección, el ciclo político que tuvo origen en el temprano ascenso de Hugo Chávez en 1999 tiene garantizada su continuidad, dados los resultados de las elecciones de 2014. Sin embargo, no resulta evidente que esta tendencia se repita en la República Argentina, donde el Frente Para la Victoria no logra designar un continuador político del estilo característico del matrimonio de Néstor Kirchner y Cristina Fernández de Kirchner. En cualquier caso, no hay dudas que la continuidad o el cambio en la Argentina repercutirá significativamente en la política de nuestra región, y sus propios procesos electorales, hondamente vinculados entre sí.

——————————————————————————–

Imagen Elecciones en Argentina (1960)” (Fuente Archivo General de La Nación):

http://repositorioimagen-download.educ.ar/repositorio/Imagen/ver?image_id=6f53add9-1369-11e1-8122-ed15e3c494af

——————————————————————————–

Fuentes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.infolatam.com/2011/10/14/elecciones-presidenciales-en-argentina-mirando-a-2015/

[2] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/01/30/actualidad/1422633530_391338.html

[3] Ver:

http://www.elecciones.gov.ar/estadistica/archivos/resultados_nacionales_2011_presidente_vice_total_pais.pdf

[4] Ver:

http://www.clarin.com/politica/Macri-lidera-encuestas_0_1308469220.html

[5] Ver:

http://infoleg.mecon.gov.ar/infolegInternet/anexos/0-4999/804/norma.htm

[6] Ver:

http://www.noticiaselectorales.com/america-latina-2014-mas-continuidades-que-cambios/

[7] Ver:

https://panoramas.secure.pitt.edu/content/am%C3%A9rica-latina-2015-continuidad-democr%C3%A1tica-en-el-terreno-electoral

[8] Ver:

http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2015/01/150119_tercer_mandato_presidencial_america_latina_evo_morales_aw

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Os quatro elementos chaves na cultura diplomática chinesa

Dentre os muitos desafios que os estudantes e estudiosos das relações internacionais enfrentam ao analisar a política externa chinesa, a questão cultural se sobressai. Depois de séculos de hegemonia ocidental, quando nações como Espanha, França, Inglaterra e finalmente Estados Unidos se revezaram na condição de liderança tecnológica, militar e intelectual, a atual geração de analistas internacionais têm o desafio de, além das questões político-diplomáticas, também verificar os elementos culturais e domésticos que cercam as decisões tomadas em Beijing e suas naturais consequências nos âmbitos regional e global.

Este artigo introduz alguns elementos que podem ser úteis em alguns contextos analíticos. Eles são baseados nos trabalhos recentes do professor de estudos internacionais Qin Yaqing da China Foreign Affairs University, onde ele também serve como vice-reitor. As fontes estão citadas no final do artigo para referência.

Quais são os elementos chaves da cultura chinesa? Com uma história milenar, seria possível enumerar dezenas de elementos que mesmo depois de séculos ainda se fazem presentes na sociedade chinesa e exercem grande influência sobre os formuladores de política externa do país. No entanto, quatro deles se destacam quando se discute diplomacia, são eles: contextualidade, correlatividade, flexibilidade e complementaridade.

Contextualidade

De forma geral, os chineses são extremamente orientados pelo contexto em que estão inseridos. Essa tendência é verificada por uma forte tendência em ver o mundo de maneira holística e não tão compartimentada como na tradição ocidental. Pensadores chineses sempre buscaram entender o comportamento dos atores (incluindo atores mundiais) como parte de um contexto do que separado deste. Problemas são, assim, não atos isolados de um ator mas fruto de um contexto específico que os levaram a acontecer. Os apreciadores da medicina chinesa irão se sentir familiarizados com este conceito.

Numa lógica oposta ao da utilizada na medicina ocidental, a medicina chinesa é fundada no conceito de prevenção. Para evitar que indivíduos adoeçam, o método chinês trata o corpo como um todo e inserido em um contexto. A ideia chave é trata-los juntos de forma coordenada evitando o tratamento tópico e desprezando o ambiente em que o indivíduo está localizado.

De uma forma mais abstrata, é no contexto que se localiza o qi, que é visto como sendo onde energias fluem e oferece para os mais atentos uma tendência ou direção para os acontecimentos a sua volta. Isto significa que para os diplomatas chineses, é fundamental julgar com clareza, ou ao menos tentar ver qual os desdobramentos que uma determinada situação pode apresentar, levando em consideração todos os elementos que a cercam.

Sua capacidade de negociação e barganha aumenta na medida em que um negociador consegue vislumbrar estes eventuais desdobramentos, verificando quais deles estão mais alinhados com o contexto e a tendência do momento. Raramente diplomatas chineses se deixam levar por questões pontuais, as quais, se da perspectiva de uma potência ocidental é de extrema importância, para os chineses essas mesmas questões são relativizadas, pois estão integradas num contexto e como tal devem ser tratadas

Correlatividade

Outro aspecto importante é a correlatividade. A ideia de correlatividade essencialmente significa que tudo se relaciona e nada está no vácuo ou isolado. Este conceito se conecta com outros elementos muito presentes nas sociedades confucianas que são o alto valor dado para as relações pessoais e a importância de se seguir os rituais ou os processos necessários para cada situação. A “processualidade” chinesa e mesmo asiática como um todo, talvez seja uma das barreiras culturais mais claramente identificadas que estrangeiros ocidentais têm que superar. Para tudo a um tempo e a sua maneira correta de ser e acontecer. Não seguir o processo que uma situação exige implica em se desconectar de uma solução que, se não está claramente visível, está se desenhando pelo fortalecimento das relações pessoais nelas envolvidas. Relacionar-se bem e seguir o ritual que essas relações exigem é portanto fundamente para o sucesso pessoal e profissional.

Complementariedade

Tanto nas relações pessoais quanto entre estados nacionais, a cultura chinesa demanda a busca por relações de complementaridade. Mesmo quando dois inteiros se colidem, diz este preceito, sempre haverá possibilidades abertas para que estes ainda se completem de alguma forma. Este conceito de complementaridade está simbolizado pelo Yiching (Ying Yang), onde duas partes, apesar de estarem em posições opostas e se caracterizarem por cores distintas, se complementam e produzem um todo harmônico.

Mutabilidade

Com uma história milenar, os chineses aprenderam que nada permanece. Impérios surgem e desaparecem assim como dinastias são estabelecidas e derrubadas de acordo com a tendência do momento. Tudo muda e nada permanece. O conceito de mutabilidade se conecta totalmente como os conceitos anteriores, uma vez que é inútil defender posições que não estão mais alicerçadas pela realidade dos fatos. Grandes gestos diplomáticos chineses nos últimos 60 anos foram feitos baseados no conceito da mutabilidade. Se a aliança com os soviéticos não está funcionando é tempo de alterar o foco e se aproximar dos Estados Unidos, se as políticas coletivistas implementadas por Mao não estão surtindo efeito, é tempo então de alterar o rumo utilizando elementos capitalistas na economia. As mudanças deste ponto de vista não são vistas como instabilidades, mas necessárias para se manter o projeto ou objetivos estratégicos intactos. Mudar para permanecer é parte indelével do caráter chinês.

Embora estes conceitos estejam fortemente presentes não só na diplomacia mas no dia a dia de chineses (incluindo aqui também Taiwan, Singapura e Hong Kong), é importante não idealiza-los. Questões culturais quando utilizadas como variáveis explanatórias geralmente nos levam a conclusões no mínimo escorregadias. Uma prova disso seria tomar estes conceitos descritos acima sem levar em conta uma outra característica fortemente arraigada na China, que é o pragmatismo. Mesmo quando seus elementos culturais não estão presentes na mesa de negociações ou as questões colocadas não permitem relativismos culturais, Beijing tem assumido posições práticas em busca de soluções que não agravem o cenário. Dessa forma os elementos não devem ser elevados à condição de panaceia para explicar todos os movimentos diplomáticos chineses na arena internacional. Uma vez que, se assim fosse, seria também necessário fazer o mesmo exercício com relação ao estado nacional do outro lado da mesa de negociações.

——————————————————————————-

Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7c/Yin_and_Yang.svg/2000px-Yin_and_Yang.svg.png

——————————————————————————-

Fontes Consultadas:

Ver:

Qin Yaqing. “Rationality and processual construction: bringing Chinese Ideas into international relations theory”. Social Science in China, vol. XXX, No.3, August 2009. 5-20.

Ver:

Qin Yaqing, “Chinese Culture and Its implications for Foreign Policy-making”. China Institute of International Studies (CIIS). April 12,2012. Access: January, 26 2015. Disponível, em: www.­ciis.­org.­cn/­english/­2012-­04/­12/­content_4934865.­htm

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Falso Alarme, Verdadeira Catástrofe

Há 20 anos, em 25 de janeiro de 1995, o lançamento de um pequeno foguete de pesquisa científica de uma ilha ao largo da costa noroeste da Noruega acionou o sistema de alerta antecipado de ataque nuclear da Rússia.

O foguete inicialmente passou fora do horizonte de visão dos radares soviético. Após o desligamento dos motores, ele atingiu altitudes mais elevadas, passando inadvertidamente por um importante corredor de ataque entre a base de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais americanos de Grand Forks e Moscou. Sem que os responsáveis pelo lançamento do foguete soubessem, um dos seus estágios terminou sua trajetória a uma altitude e velocidade comparáveis à de Míssil Balístico Trident lançado por submarino. Essa combinação de eventos configurou um cenário de ataque nuclear típico na Guerra Fria, em que as armas são intencionalmente explodidas em altitudes elevadas de modo a cegar os radares de alerta antecipado inimigo antes de um grande bombardeio.

A explicação mais imediata para o que deu errado naquele dia parece ter decorrido de deficiências nos equipamentos soviéticos de detecção. A causa subjacente, entretanto, decorreu do medo criado e sustentado pelo implacável e obsessivo programa de modernização das Forças Nucleares Americanas em curso à época. Esta iniciativa foi, e continua a ser, hoje, fortemente focado em aumentar a precisão e o poder de destruição de cada ogiva nuclear americana, gerando e reafirmando as preocupações de analistas militares e líderes russos de que os Estados Unidos poderiam realmente estar se preparando para lutar e vencer uma guerra nuclear.

O que aconteceu depois destes eventos inicialmente ambíguos tem sido fonte de grande especulação no Ocidente. Felizmente, o nível das tensões políticas entre a Rússia, os Estados Unidos e a Europa no momento do incidente era baixo. Sabe-se que o alarme por eles deflagrado fez com que o então Presidente da Rússia, Boris Yeltsin, fosse chamado e mantido devidamente informados pela liderança militar enquanto o foguete era rastreado até passar a sua altitude máxima de 1.400 km.

Se esse tipo de alerta falso tivesse ocorrido durante um período de crise política, as forças nucleares russas poderiam ter sido acionadas. Os sistemas de alerta antecipado americanos teriam detectado imediatamente o lançamento e acionado, por sua vez, o lançamento imediato de armas norte-americanas em resposta ao lançamento russo.

Isso porque os russos não teriam escolha senão assumir que tentar cegar seus sistemas de alerta antecipado seria uma tática americana para esconder um lançamento de numerosas ogivas que ainda não teriam aparecido acima do horizonte radar, mas que teriam sido lançadas anteriormente por Submarinos Trident submersos no Atlântico Norte. De acordo com a estratégia nuclear, o caos e confusão que poderia acompanhar a “cegueira” do alerta antecipado poderiam, então, serem explorados para destruir as forças russas terrestres vulneráveis antes que pudessem lançar seus mísseis. Certamente os ataques e contra-ataques seguintes a esses eventos iniciais levariam ao fim do mundo como nós o conhecemos.

Se o Sistema de Alerta Antecipado russo fosse baseado no espaço, a partir de satélites em órbitas baixas geoestacionárias, os líderes teriam imediatamente sido capazes de identificar que não havia indicação de quaisquer lançamentos de Submarinos Trident no norte do Atlântico. Eles também teriam visto não haver nenhuma atividade no Golfo do Alasca, onde a Frota Trident do Pacífico estaria em patrulha.

Como se vê, a Rússia, naquela época, tinha alguma observação por satélite dos silos de Grand Forks, mas não tinha radares terrestres que pudessem detectar lançamentos de Mísseis Trident, nem no Atlântico, nem no Pacífico. Em suma, a Rússia não tinha como saber se estava realmente sendo atacada ou se o foguete subindo a grande altitude era solitário.

Nas diferentes circunstâncias políticas de 2015, a mesma avaliação cautelosa da trajetória do foguete por líderes políticos e militares da Rússia poderia não ser possível. A Rússia anexou Criméia, interveio no leste da Ucrânia e iniciou em uma importante modernização de suas forças convencionais. Os Estados Unidos e a NATO responderam com sanções que, juntamente com a queda abrupta do preço do petróleo, estão desestabilizando a economia russa e podem ameaçar a popularidade do presidente Vladimir Putin.

A Rússia reagiu às sanções cancelando o promissor programa Cooperative Threat Reduction de 1991, que vinha melhorando substancialmente o diálogo para evitar a proliferação nuclear vertical, bem como o aumento dos níveis de segurança e de transparência no que diz respeito à manipulação e desmantelamento de armas nucleares. Esta ação foi acompanhada por uma forte escalada nas operações militares e navais russas, especialmente as de submarinos, aumentando ainda mais as chances de incidentes indesejados que poderão agravar ainda mais as tensões. Além de tudo isso, a incessante modernização de forças nucleares americanas continua inabalável.

A atual situação tornou-se tão grave que, recentemente, o Bulletim of Atomic Scientists adiantou seu “relógio do juízo final” que simbolicamente representa o nível de tensões que podem levar o mundo ao Armagedom. Por outro lado, uma evolução positiva no sentido de tornar o mundo mais seguro foi a Rússia já não mais ter, praticamente, espaços “cegos” na sua rede de Radares de Alerta Antecipado.

Ambos os lados precisam ter muito cuidado. Falsos alarmes como o de 1995 podem se repetir e sua ocorrência em momentos de tensão como os atuais os tornam muito mais perigosos. Um falso alarme pode se tornar uma verdadeira catástrofe.

—————————————————————————

Imagem (Fonte):

 wikipedia

—————————————————————————

Fonte consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Um inimigo em comum: EUA e Irã lutam contra Estado Islâmico

Em junho de 2014, tanto os Estados Unidos da América (EUA), quanto à República do Irã sinalizaram disposição para cooperar na luta contra o grupo jihadista  Estado Islâmico (EI). O EI é um grupo de atuação transnacional, que almeja a criação de um Califado (unidade político-religiosa extinta) no Iraque e na Síria. Na época, líderes dos dois governos manifestaram o interesse na cooperação para deter o Estado Islâmico, no entanto, as desconfianças históricas e a oposição interna dos dois países inviabilizaram o estabelecimento de uma cooperação[1].

É preciso observar que as relações entre Estados Unidos e Irã foram rompidas em 1979, quando ocorreu a Revolução Iraniana, colocando os até então aliados em lados opostos. A partir de então uma série de acontecimentos, como a inclusão do Irã no chamado Eixo do Mal, em 2005, o desenvolvimento do Programa Nuclear Iraniano, os interesses e alianças divergentes no Oriente Médio, estabeleceram uma forte competição estratégica entre os dois países. Esse quadro de competição foi amenizado em 2013 quando Hassan Rouhani, Presidente do Irã, buscou promover um diálogo de reaproximação com o Ocidente, particularmente com os EUA, a fim de pôr fim no isolamento do país e abrandar as sanções ocidentais que sufocam a economia iraniana há décadas[2].

No presente, o avanço do Estado Islâmico no Oriente Médio pode ser, segundo alguns analistas, um ponto de convergência entre Estados Unidos e Irã, haja vista que as preocupações dos dois governos transcendem as fronteiras do Iraque e incluem interesses de ambas as partes na região como um todo. Desse modo, o contexto geopolítico favorece à cooperação entre os Governos norte-americano e iraniano[3]. Contudo, é necessário observar que o Irã é inimigo de dois tradicionais aliados norte-americanos: Israel e Arábia Saudita. Além disso, os EUA apoiam os rebeldes sírios que tentam derrubar Bashar al-Assad, que é aliado do Irã.

Posto isso, é preciso ter em mente que os objetivos políticos do Governo norte-americano para o Oriente Médio giram em torno de eixos principais: garantir a segurança de Israel; impedir que o Irã tenha acesso a armas nucleares; manter boas relações com as potências regionais Turquia e Arábia Saudita; conter grupos islâmicos radicais[4]. No entanto, a complexidade do atual quadro na região, que engloba distintos grupos e interesses, tem gerado diversas contradições. Segundo afirma Hall Gardner, professor de política internacional na Universidade Americana de Paris, os Estados Unidosse encontram num dilema e não sabem o que fazer, pois existem muitos interesses conflitantes e contraditórios entre os sauditas, os iranianos, o governo iraquiano, o governo sírio e todas as outras forças envolvidas[5].

Em vista disso, apesar do Irã e dos Estados Unidos compartilharem um inimigo em comum, os dois países não estabeleceram uma cooperação para combater o EI. Entretanto, para muitos analistas, essa cooperação ocorre de forma extraoficial. De acordo com Houschang Hassan Yari, professor de ciência política da Academia Militar Real do Canadá (RMC-C), “Washington tem conhecimento de todas as atividades iranianas no Iraque. Claro que o Irã não precisa pedir permissão aos EUA para agir no Iraque, mas Teerã não agiria no Iraque sem antes informar os EUA. Afinal, ambos têm o mesmo objetivo: derrotar o ‘Estado Islâmico’[6].

Em dezembro de 2014, John Kirby, porta-voz do Pentágono, confirmou pela primeira vez que o Irã realizou recentemente bombardeios aéreos contra posições do Estado Islâmico no leste do Iraque, no entanto, negou qualquer envolvimento dos Estados Unidos na operação feita pelo Irã[7]. Segundo Kirby,  “temos indicações de que houve bombardeios com aviões F-4 Phantom nos últimos dias[8]. Todavia, o Governo iraniano negou qualquer tipo de envolvimento em ataques contra o EI em território iraquiano e assinalou ainda que não há cooperação com a coalizão liderada pelos EUA[9].

Vale lembrar que o Irã foi o primeiro país a se prontificar em auxiliar o país vizinho no combate ao grupo jihadista  enviando equipamentos e assistência em campo. O Irã também enviou ao país vizinho caças Sukhoi Su-25 para ajudar na defesa do país. Além disso, as milícias xiitas treinadas pelo Governo iraniano que lutam contra o EI no Iraque são um importante apoio ao fragmentado exército iraquiano[10]. Assim, de acordo com Mohammad Javad Zarif, Ministro do Exterior do Irã, o Governo iraquiano deve ser ajudado na luta contra o terrorismo[11]. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Irã tem buscado ampliar sua influência no Iraque há anos, um exemplo disso é atuação da Força Quds, um braço da Guarda Revolucionaria Iraniana no país vizinho.

Apesar de muitas especulações sobre uma possível cooperação entre o Irã e os Estados Unidos, os dois governos negam a sua existência. No entanto, John Kerry, Secretário de Estado dos EUA, declarou que o Iraque tem autonomia para fazer o que quiser no seu espaço aéreo[12], mas salientou que “se o Irã está enfrentando o ‘Estado Islâmico’, isso é positivo, mas não terá nenhum tipo de coordenação com os Estados Unidos[13].

Desse modo, ao que indica, existem duas forças combatendo o Estado Islâmico, uma liderado pelos EUA e outra pelo Governo iraniano. Segundo Hassan Hashemian, especialista em assuntos iranianos, “o Irã quer formar sua própria coalizão contra os terroristas do EI. Ao dar seu apoio na luta contra o EI, assim como é feito pelos países ocidentais, o governo em Teerã pretende assegurar que os curdos se tranquilizem[14]. Em contrapartida, o governo dos Estados Unidos lideram desde o ano passado uma Coalizão Internacional que inclui aproximadamente 60 países e três organizações (OTAN, UE, Liga Árabe).

Alguns analistas argumentam que o Oriente Médio e o atual quadro é importante demais para que não haja um diálogo entre os principais atores da região[15]. Apesar da necessidade de coordenação entre as Forças da Coalizão e o Irã, até mesmo para se evitar um possível choque aéreo, os dois negam qualquer tentativa de aproximação nesse sentido. Todavia, analistas acreditam que nos bastidores o Governo iraquiano age como intermediário dos dois lados[16].

O Irã é um relevante ator no Oriente Médio, devido à sua importância geopolítica, capacidade de influência regional e à relativa estabilidade. Em vista disso, e, para não fragilizar ainda mais as tentativas de reaproximação entre os dois países, Barack Obama, Presidente dos EUA, enviou, em outubro de 2014, uma carta ao aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo Iraniano, a fim de salientar que os ataques aéreos no Iraque não eram um desafio à influência iraniana no país[17]. Por fim, cabe ressaltar que mesmo que haja uma cooperação nos bastidores na luta contra o Estado islâmico, é muito provável que ela se restrinja apenas ao Iraque, uma vez que na Síria as alianças e o contexto interno levam EUA e Irã a lados opostos.

—————————————————————————-

Imagem (Fonte):

https://isape.wordpress.com/2014/01/03/eua-ira-e-siria-possibilidades-de-reconfiguracao-geopolitica-no-oriente-medio/

—————————————————————————-

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/eua-e-ir%C3%A3-sinalizam-disposi%C3%A7%C3%A3o-de-cooperar-na-crise-do-iraque/a-17710542

[2] Ver:

https://ceiri.news/aproximacao-e-impasses-entre-estados-unidos-e-ira/

[3] Ver:

https://www.stratfor.com/analysis/iraq-united-states-and-iran-align-against-islamic-state

[4] Ver:

http://www.dw.de/objetivos-conflitantes-dificultam-pol%C3%ADtica-dos-eua-para-o-oriente-m%C3%A9dio/a-17735417

[5] Ver:

Idem.

[6] Ver:

http://www.dw.de/os-interesses-do-ir%C3%A3-na-luta-contra-o-estado-isl%C3%A2mico/a-18108852

[7] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/03/internacional/1417595652_440291.html

[8] Ver:

Idem.

[9] Ver:

https://isape.wordpress.com/2014/12/04/ira-e-eua-cooperam-para-combater-estado-islamico/

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

http://www.dw.de/os-interesses-do-ir%C3%A3-na-luta-contra-o-estado-isl%C3%A2mico/a-18108852

[12] Ver:

https://isape.wordpress.com/2014/12/04/ira-e-eua-cooperam-para-combater-estado-islamico/

[13] Ver:

Idem.

[14] Ver:

http://www.dw.de/os-interesses-do-ir%C3%A3-na-luta-contra-o-estado-isl%C3%A2mico/a-18108852

[15] Ver:

http://www.dw.de/opini%C3%A3o-ir%C3%A3-contra-o-ei-o-inimigo-do-meu-inimigo-%C3%A9-meu-amigo/a-18108434

[16] Ver:

Idem.

[17] Ver:

Idem.