ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Campanhas populares na Inglaterra contra possíveis contratações de jogadores de futebol: o caso de Ched Evans

O ano desportivo de 2015 apenas começou e, na Inglaterra, teve início com polêmicas, dentre as quais mostra-se necessário destacar a recusa de dois times profissionais contratarem um jogador de futebol que foi preso por dois anos e meio, após grande pressão popular, além da pressão realizada por parte de torcedores e  membros das diretorias desses clubes.

Emerge à pergunta sobre a relação que pode ter com a sociedade brasileira este caso do jogador inglês que foi preso, pois algo parecido foi discutido ao longo dos últimos anos no Brasil, envolvendo a vontade de alguns clubes brasileiros contratarem o goleiro Bruno, preso pelo assassinato de sua ex-amante. Além deste caso, há também a questão envolvendo à contratação pelo São Paulo do zagueiro Breno, que foi preso na Alemanha por ter incendiado a sua casa[1].

Neste caso inglês, em 2010, o atacante Ched Evans foi acusado e sentenciado a cinco anos de prisão pelo estupro de uma garota num hotel na Inglaterra. A posição do jogador e de seus defensores foi de que, como a garota estava alcoolizada, não ocorreu o estupro, tendo a relação sexual sido, por isso, consensual. Tal consideração traz, porém, uma posição extremamente controversa, uma vez que esta perspectiva é aceita por parte da sociedade inglesa[2]. Isto, no entanto, não impediu que ele cumprisse a metade de sua pena (pois, obteve a redução da sentença devido a considerada boa conduta na prisão), mas também não impediu que jogador continuasse com sua posição de inocente, bem como continuasse à procura de trabalho em sua profissão, o futebol.

Quando foi noticiado pela imprensa inglesa que o seu antigo clube, o Sheffield United, aceitou que ele participasse de treinos para voltar à forma física, o que levaria talvez a ser contratado pelo mesmo, diversos movimentos sociais, organizações de torcedores e inclusive membros da equipe dirigente do time, tal como Jessica Ennis, medalhista de ouro nos jogos de Londres, em 2012, iniciaram uma campanha para que o clube não contratasse o jogador.

Porém, após a recusa do Sheffield em efetivar a assinatura, um outro clube demonstrou interesse em contratar o atacante: o time de Oldham, que luta para não cair na League Two (Quarta Divisão Inglesa)[3]. Novamente, torcedores e diversos movimentos sociais iniciaram uma campanha para que ele não fosse contratado e, ao que parece, este clube também vai desistir de efetivar o negócio com o jogador[4].

A questão sobre se todo ser humano merece uma segunda chance, tratada no âmbito filosófico, não cabe neste texto, mas somente levantar a discussão sobre o assunto, pois, conforme apresentam estudiosos no tema, a tese deste merecimento traz como necessário o arrependimento sobre o crime por parte daquele que o comete, algo que, conforme tem sido noticiado, não é o caso deste jogador que continua defendendo a perspectiva de sua inocência, apesar da sua condenação e cumprimento da pena. Ademais, como apontam especialistas, o fator “arrependimento” é também um elemento importante para a reinserção, a qual só pode estar disponível no caso de o “arrependimento” também estar presente.

Outro ponto a ser considerado diz respeito à posição por parte da sociedade sobre a possibilidade de se conceder a todos uma oportunidade para um recomeço. Parte expressiva e importante dos posicionamentos é de que, neste caso, não deve ser dado, ressaltando-se que tal postura tem de ser considerada sem discriminações de classe, pertencimento étnico, ou religioso. No episódio de Ched Evans, destaca-se que foi importante a posição dos torcedores, os quais decidiram protestar contra a possível contratação do jogador.

Conforme é visto por alguns analistas, situações como essas na Inglaterra podem, principalmente, gerar falsos inocentes, os quais são encobertos pela sociedade inglesa que ainda caminha para entender e resolver os seus problemas relacionados às questões do alcoolismo.

Destaca-se também, que é importante acatar a consideração que a direção do clube teve com os seus torcedores, podendo ser este caso um modelo para outros times profissionais ao redor do mundo, incluindo no Brasil, já que há situações em solo brasileiro para as quais a situação e postura inglesa pode ser replicada.  

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ImagemChed Evans, quando ainda jogava pelo Sheffield United” (Fonte):

http://www.ibtimes.co.uk/nine-people-arrested-relation-ched-evans-twitter-335590

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Fontes Consultadas:

[1] Notícias sobre os casos Bruno, ver:

http://g1.globo.com/minas-gerais/julgamento-do-caso-eliza-samudio/noticia/2013/03/bruno-e-condenado-prisao-por-morte-de-eliza-ex-mulher-e-absolvida.html

Sobre o caso Breno, ver:

http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-alemao/noticia/2011/09/breno-do-bayern-e-preso-por-suspeita-de-incendiar-propria-casa.html

[2] Sobre o caso Ched Evans, ver:

http://www.lancenet.com.br/minuto/Ched-Evans-condenado-prisao_0_686331501.html;

Ver Também:

http://www.mirror.co.uk/all-about/ched-evans;

Ver Também:

http://www.bbc.com/news/uk-wales-17781842

[3] Sobre a possível contratação de Ched Evans pelo Oldham Athletic, ver: http://www.dailymail.co.uk/sport/football/article-2896468/Ched-Evans-facing-setback-Oldham-reconsidering-furious-backlash.html

[4] Sobre o depoimento do clube no dia 5 de janeiro, acerca da possível contratação do jogador, ver:

http://www.oldhamathletic.co.uk/news/article/club-statement-ched-evans-2184275.aspx

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Argentina avanza en la elección directa de Parlamentarios del MERCOSUR

El partido político en gobierno, Frente para la Victoria (FPV), tras numerosos intentos frustrados en los últimos 5 años, logró que la Cámara de Diputados de la República Argentina dé media sanción a un Proyecto de Ley que aprobó la elección directa de parlamentares del Parlamento del MERCOSUR (PARLASUR) a partir de las próximas elecciones nacionales, que se celebrarán en octubre de 2015.

El proyecto fue revisado en la Cámara de Senadores en 29 de diciembre pasado. Cabe recordar que la Argentina ha sido convertido en el segundo país del MERCOSUR donde los ciudadanos cuando sufragan eligen a sus parlamentarios regionales, compromiso que han asumido los Estados en 2006 y que al momento solo Paraguay realiza.

En las últimas semanas la discusión sobre las funciones, el alcance y la legitimidad del PARLASUR ha entrado a la agenda pública de la Argentina debido a que, con el expreso apoyo del Poder Ejecutivo a cargo de Cristina Fernández de Kirchner, el oficialismo ha logrado aprobar el último 16 de diciembre en la Cámara de Diputados el Proyecto de Ley que permitiría que en las próximas elecciones nacionales los ciudadanos voten a los parlamentarios del MERCOSUR[1].

Las críticas de los partidos políticos opositores estuvieron focalizadas en dos cuestiones. Primero, que los “fueros parlamentarios[2] – privilegios e inmunidades – de los legisladores nacionales serían extendidos a los regionales. Al respecto, Pablo Tonelli, Diputado de Propuesta Republicana (PRO) advirtió que “no corresponde hacer extensivas las inmunidades que tienen hoy los diputados y senadores nacionales a los parlamentarios del Mercosur[2]. Segundo, se teme que la presidenta Fernández de Kirchner, que ya no puede aspirar a un tercer mandato por las normas constitucionales vigentes, sea candidata al PARLASUR.

La estrategia fue rotundamente negada por representantes del FPV, pero sus consecuencias serían múltiples. Por un lado, gozaría de fueros parlamentarios, lo que dificultaría posibles procesos judiciales en su contra. Pero más profundamente, su nombre como candidata figuraría en todas las boletas del país, lo que colaboraría en atraer más votos al partido que actualmente está en el Poder Ejecutivo (del que es su máxima representante).

A pesar de estas discusiones, el Proyecto de Ley confeccionado por los diputados Landau y Larroque obtuvo media sanción con 140 votos a favor, 72 en contra y 18 abstenciones[3]. De acuerdo a éste, la elección de los 43 parlamentarios del PARLASUR se realizará acordando un régimen mixto: un legislador representando a cada una de las 23 provincias, uno al distrito de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires (CABA), y los 19 restantes considerando al país como distrito único nacional (al igual que como se realiza para la elección del Presidente)[4].

En su exposición, Larroque recordó que “Néstor Kirchner y Lula Da Silva decidieron firmar un acuerdo con el que se ponía un punto de partida, entre otras cosas, a la refundación de este Mercosur, con un Parlamento que fuera elegido por la voluntad popular[1]. En este mismo sentido, Landau remarcó que el proyecto es “la conclusión de una etapa iniciada en 2005 cuando Néstor Kirchner suscribió el Protocolo Constitutivo del Mercosur[1].

El tema fue tratado y aprobado al día siguiente en la Comisión de Asuntos Constitucionales de la Cámara de Senadores, paso previo necesario a la discusión en Sesión Plenaria. Sin embargo, no obtuvo el apoyo necesario2/3 de los votos de los allí presentes – a ser tratado el día 18. Por esto  el senador del FPV Pichetto solicitó una Sesión Especial el día 30 de diciembre, celebrada el 29, donde fue discutido el Proyecto y  decidido su promulgación[4].

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Imagen Con 140 votos a favor, la Cámara de Diputados avala el Proyecto de Ley oficialista para la elección directa de parlamentarios del MERCOSUR” (Fuente – ARG Noticias):

http://www.argnoticias.com/politica/item/21582-media-sanci%C3%B3n-para-el-proyecto-para-elegir-miembros-de-parlasur

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Fuentes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.telam.com.ar/notas/201412/89050-camara-de-diputados-ultima-sesion-del-ano-parlasur-argentina-digital.html

[2] Ver:

http://www.lanacion.com.ar/1748705-polemica-por-los-fueros-a-los-diputados-del-parlasur

[3] Ver:

http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-262143-2014-12-17.html

[4] Ver:

http://www.infobae.com/2014/12/17/1615787-la-ucr-trabo-el-senado-la-votacion-expres-la-eleccion-los-legisladores-del-parlasur

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Células radicais financiam o Hezbollah a partir do Sul do Brasil

O Hezbollah (Partido de Deus), fundado como milícia, em 1982, no Líbano, durante a Guerra Civil, é, hoje, uma força islâmica xiita preeminente no combate a Israel e ao Ocidente. A sua estrutura é semelhante à de um Exército, formada por um grupo paramilitar que tem se notabilizado em várias frentes de combate, inclusive nos conflitos travados contra Israel. Ao longo dos anos, o Hezbollah também conquistou destaque na política libanesa e chegou ao Parlamento do país. Atualmente, os seus combatentes estão atuando na Guerra Civil da Síria em defesa do presidente Bashar al-Assad, ao lado do Irã.

Autor de vários atentados, incluindo aquele que foi perpetrado contra a Embaixada de Israel, na Argentina, em 1992, o Hezbollah é considerado pelo Ocidente uma organização terrorista. Com grande capacidade de ação e logística complexa, o grupo necessita de financiamento e de aliados que não estão restritos ao Oriente Médio, tendo a América Latina se destacado ao longo do tempo no apoio e financiamento ao Hezbollah através de suas células radicais. No Brasil, o Hezbollah mantém ligações com a maior organização criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua em praticamente todo território nacional[1].

Esta foi uma descoberta realizada pela Polícia Federal mas, desde 2006, o Departamento de Tesouro dos EUA já havia emitido um alerta acerca da cooperação do Hezbollah com os cartéis do crime na América do Sul, com forte presença na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai)[2]. Na época, todos os Governos do continente foram notificados, mas os de esquerda não deram atenção ao aviso, tendo o Governo brasileiro negado o fato. No entanto, o Drug Enforcement Administration (DEA) pressionou o Governo brasileiro e insistiu sobre a presença de integrantes do Hezbollah em território nacional[3].

No Brasil, o caso nunca foi admitido oficialmente pelo Governo, mas a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) apurou o envolvimento de empresários de origem libanesa com o narcotráfico e com ligações ao Hezbollah. De acordo com o jornal O Globo, vários documentos esclarecem o elo entre o movimento xiita libanês e a facção criminosa do Brasil, o PCC, desde 2006, quando a associação teve início[4]. Esta união criminosa só foi descoberta em 2008, durante uma operação da Polícia Federal, na qual vários traficantes internacionais foram presos[5]. Na “Operação Camelo”, da Polícia Federal, Farouk Abdul Hay Omairi, um comerciante de origem libanesa, residente em Foz do Iguaçu, foi preso por tráfico internacional, assim como os seus dois filhos, sendo que o mais novo conseguiu fugir. O inquérito tratou somente do narcotráfico, mas Omairi fazia parte da lista de nove nomes apontados pelo Departamento de Tesouro dos EUA referente à “rede de financiamento do Hezbollah na Tríplice Fronteira[6], sendo Omairi o líder dessa força radical islâmica na região[6].

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa brasileira, há um acordo entre as duas facções, segundo o qual os libaneses detidos nas prisões brasileiras recebem proteção do PCC e, em contrapartida, o Hezbollah trata do fornecimento de armas e explosivos ao aliado brasileiro[7]. Há indícios de que a Venezuela, em 2009, durante o Governo do Presidente Hugo Chávez, se tornou uma base aliada do Hezbollah. Neste período, ocorreu o estreitamento das relações entre a Venezuela e o movimento xiita, que tencionava praticar atentados em países da América Latina, incluindo o Brasil. Na época, recorde-se, os Serviços de Inteligência israelenses declararam que o Hezbollah pretendia atentar contra alvos de Israel no Brasil, na Argentina, no Uruguai, no Paraguai e no Peru. Segundo informações, naquele período foram criadas, na Venezuela, células ligadas ao “braço operativo” do Hezbollah, denominadas “Órgão de Pesquisas Especiais”, para praticar atentados no exterior[8].

Um relatório do Conselho Americano de Política Externa revela, também, que a Tríplice Fronteira é utilizada por redes terroristas há bastante tempo, não sendo o Hezbollah o único grupo irregular presente na região. O relatório afirma que a falta de legislação antiterrorista brasileira tem beneficiado a presença dos insurgentes no país[9]. Neste contexto, desde os anos de 1980 tem-se registrado o crescimento do movimento islâmico radical no Brasil, através do Irã. Conforme descreve o relatório, “este movimento é composto por clérigos radicais, terroristas, traficantes de influência e de lavagem de dinheiro, e articuladores que usam o país como um centro de logística para muitas de suas operações regionais que se estendem do Cone Sul aos Andes. A mais preeminente destas operações foi o bombardeio do Centro Comunitário Judaico em Buenos Aires (AMIA), Argentina, em 1994, que, em parte foi apoiado por elementos radicais islâmicos no Brasil e na Tríplice Fronteira[10]. De acordo com informações, o mentor do ataque ao AMIA, que fez oitenta e cinco vítimas mortais e cerca de trezentos feridos, foi o iraniano Moshen Rabbani, apontado por Alberto Nisman, Procurador argentino, como o responsável do regime iraniano, na América Latina, para a criação de uma “rede de radicais islâmicos[11].

Após o atentado contra o AMIA, Rabbani fugiu para o Irã, tendo a Interpol emitido um alerta, o que impossibilitou, naquele momento, o seu retorno ao Brasil. No entanto, há provas de que, mais tarde, ele viajou duas vezes ao Brasil e, em 2008, foi monitorado pela ABIN, que o seguiu no percurso entre Curitiba e a Tríplice Fronteira. Curitiba foi identificada como sendo a residência de Mohammad Baquer Razavi Rabbani, irmão mais novo de Moshen Rabbani e o responsável pelo recrutamento e a conversão de brasileiros ao Islã radical através da Mesquita Imam Ali ibn Abi Tálib e do Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, ambos sediados em Curitiba[12].

Em 2010, Moshen Rabbani voltou ao Brasil com um passaporte venezuelano falso, usando o nome de Ali Tayvdianareial. A Interpol advertiu a Polícia Federal brasileira sobre a presença de Rabbani, mas ele já havia deixado o país. De acordo com informações, a ABIN tinha conhecimento do retorno de Rabbani ao Brasil, mas a vigilância foi abortada por motivos desconhecidos[13]. O mais jovem dos Rabbani teve o seu visto cancelado em 2011.

A conexão entre vários grupos irregulares, no Brasil e na Tríplice Fronteira, é de longa data e, dentre esses grupos, além do Hezbollah, destacam-se o Hamas, a al-Qaeda, a Jihad Islâmica egípcia e a al-Gamaa al-Islamyya, também do Egito. A facilidade em estabelecer negociações ilícitas na Tríplice Fronteira despertou o interesse dos líderes daqueles grupos radicais, necessitados de dinheiro para manter as suas organizações. Em 1995, Osama bin Laden e Khaled Sheikn Mohmmed, o idealizador dos atentados de 11 de setembro, nos EUA, visitaram a Mesquita de Foz do Iguaçu e, em 1998, retornaram para se reunirem na mesma Mesquita com outros líderes radicais[14].

Hoje, alguns analistas acreditam que a facilidade de acesso do Hezbollah e outros grupos radicais à América Latina está em decadência, devido a pequenas mudanças ocorridas na política externa do continente, desde a morte de Hugo Chávez[15] e, também, da tentativa de reaproximação entre Cuba e os EUA. Embora estas evidências sejam verdadeiras, tal não significa, de fato, uma mudança na política externa dos países de esquerda do continente. Ideologicamente, a esquerda latino-americana continua irmanada e partilha visões do mundo semelhantes. De certo modo, ela compreende os grupos radicais islâmicos como sendo parceiros de “esquerda” que, na verdade, não abdicam do fundamentalismo religioso que tem os seus próprios princípios, divergentes daquilo que conhecemos por esquerda política.

Neste sentido, vários observadores, analistas e especialistas no tema apontam que a Tríplice Fronteira permanecerá sem cobertura e os países da região continuarão a ser placas giratórias para a entrada dos insurgentes, garantindo, assim, o financiamento do Hezbollah e demais grupos irregulares, enquanto  a sociedade brasileira enfrenta o risco de uma islamização radical, sem descartar a hipótese de que um dia, por pouco provável que possa parecer, o país venha a sofrer as consequências das opções estratégicas erradas de seus dirigentes políticos.

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ImagemUm judeu argentino caminha pelas ruínas do edifício do AMIA (direita, na foto), em Buenos Aires (18 de julho de 1994): as últimas ordens recebidas pelos insurgentes do Hezbollah partiram do telefone de um morador de Foz do Iguaçu, no Brasil” (Fonte):

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2013/06/terrorV2.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/reportsfeatures/564617-hezbollahs-glory-days-in-south-america-are-numbered

[2] Ver:

http://oglobo.globo.com/brasil/libanes-apontado-pelos-eua-como-coordenador-do-hezbollah-no-brasil-14512474

[3] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/reportsfeatures/564617-hezbollahs-glory-days-in-south-america-are-numbered

[4] Ver:

http://oglobo.globo.com/brasil/policia-federal-aponta-elo-entre-faccao-brasileira-hezbollah-14512269

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/brasil/policia-federal-aponta-elo-entre-faccao-brasileira-hezbollah-14512269

[6] Ver:

http://oglobo.globo.com/brasil/libanes-apontado-pelos-eua-como-coordenador-do-hezbollah-no-brasil-14512474

[7] Ver:

http://oglobo.globo.com/brasil/policia-federal-aponta-elo-entre-faccao-brasileira-hezbollah-14512269

[8] Ver:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/jornal-diz-que-hezbollah-teria-bases-na-venezuela-com-intencoes-de-atacar-ate-o-brasil/

[9] Ver:

http://almanac.afpc.org/brazil

[10] Ver:

http://almanac.afpc.org/brazil

[11] Ver:

http://almanac.afpc.org/brazil

[12] Ver:

http://almanac.afpc.org/brazil

[13] Ver:

http://almanac.afpc.org/brazil

[14] Ver:

http://almanac.afpc.org/brazil

[15] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/reportsfeatures/564617-hezbollahs-glory-days-in-south-america-are-numbered

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

O Terrorismo e a Segurança Pública nas grandes cidades pelo mundo depois do “Caso Sydney”

O falecido clérigo radical iraniano Man Haron Monis (nascido Mohammad Hassan Manteghi)[1] foi o autor do sequestro em massa que resultou na Crise de Reféns em Sydney, em 2014. Eis a anatomia e o desenvolvimento do caso.

Monis solicitou e recebeu asilo da Austrália em 1996, após deixar a República Islâmica do Irã. Ele trocou seu nome e adotou o título de sheik. Fontes diferentes atestam sua saída do país após a detenção de sua esposa e filhos pelas autoridades iranianas, por causa de suas “visões liberais” sobre a religião no Irã. Outras fontes dizem que ele fugiu do país após roubar 200.000 dólares dos clientes de sua agência de turismo[2]. O chefe da polícia iraniana, Esmaeil Ahmadi-Moghaddam, confirmou que Monis era dono de uma agência de viagens na capital Teerã, que havia fugido primeiro para a Malásia, depois para a Austrália e tinha no país persa uma “longa história de crimes e fraudes[2].

De acordo com a agência de notícias oficial iraniana IRNA[3], ele era procurado pela Interpol[4] e pela Polícia iraniana na época em que recebeu asilo, mas a Polícia australiananão o extraditou mesmo depois de pedidos oficiais e do envio de relatórios que confirmavam seus crimes comuns no Irã e de seu estado de perturbação mental, pelo fato da Austrália não ter tratado de extradição com o Irã[5]. Monis nasceu numa família xiita e foi um muçulmano xiita por quase toda a vida até sua recente conversão ao sunismo “dias antes do atentado em Sydney[6]. Na Austrália, há muito havia se proclamado um sheik, apesar de seu título não ser reconhecido pela Comunidade muçulmana no país e ele era marginalizado pelas duas comunidades, xiita e sunita, devido à suas visões extremistas e personalidade problemática e beligerante.

No país, ele colecionou um longo prontuário criminal de pequenos delitos e delitos mais graves, incluindo uma acusação de cumplicidade no assassinato de sua ex-mulher, motivo pelo qual aguardava o julgamento em liberdade sob fiança; assédio sexual e uso criminoso dos correios do país para fazer ameaças e ofender soldados australianos que serviram nos países muçulmanos[6]. Em 12 de dezembro de 2014, três dias antes do atentado, ele teve seu apelo rejeitado pela Suprema Corte da Austrália. Com relação à condenação no caso dos correios[7] ele havia enviado cartas às famílias de soldados mortos no Afeganistão, chamando-os de assassinos e protestando contra a presença da Tropas australianas neste país[8].

Numa destas cartas ele comparava um soldado morto a um porco e dizia que seu corpo era “contaminado[9]. Cartas semelhantes foram enviadas à mãe de um soldado britânico morto num atentado em Jacarta, na Indonésia. Ele foi julgado e condenado à liberdade condicional com 300 horas de “prestação de serviço comunitário[10]. Em 2010, foi proibido pela Justiça de usar o serviço postal australiano[10]. Esta condenação o tinha consumido e enraivecido por anos e o sequestro no Café em Sydney se deu imediatamente após à negação de seu apelo pela Suprema Corte[11].

Na manhã de 15 de dezembro de 2014, Monis fez 17 funcionários e clientes de reféns em um Café, em Martin Place, no centro financeiro da cidade de Sydney, situado em frente do estúdio de televisão da TV7, que passou a transmitir o caso ao vivo. Para a sua atuação, que pode não ser qualificada necessariamente como terrorista, Monis poderia ter escolhido outro local com mais danos colaterais. Por exemplo, a Suprema Corte de New South Wales, o Parlamento de New South Wales, o escritório do primeiro-ministro Anthony John Abbott, o Reserve Bank of Australia, alguns dos maiores Bancos do país, que ficam algumas quadras do café. O armado Monis fez com que os reféns segurassem uma Bandeira islâmica negra com um shahādah* em árabe, que dizia: “Alá é o único Deus e Maomé é seu profeta[12].

Os edifícios vizinhos, incluindo escritórios do Governo, instituições financeiras e a estação ferroviária Martin Place, foram evacuados e bloqueados. Alguns reféns conseguiram escapar. O evento durou mais de 16 horas antes de agentes da Polícia tática invadirem o café nas primeiras horas da manhã seguinte e Monis foi morto no confronto que se desenvolveu[13]. Dois dos reféns também morreram, vários outros foram feridos e um policial sofreu ferimentos leves. 

No dia anterior ao sequestro, Monis publicou em seu site: “O Islã é a religião da paz, é por isto que os muçulmanos lutam contra a opressão e o terrorismo dos Estados Unidos e seu aliados como a Grã-Bretanha e a Austrália. Se nós permanecermos em silêncio contra os criminosos não poderemos ter uma sociedade pacífica. Quanto mais você luta contra o crime, mais pacifista você se torna. O Islã quer a paz na Terra, é por isto que os muçulmanos querem parar o terrorismo da América e seus aliados. Quando você fala contra o crime, você dá um passo adiante em direção à paz[14].

Se Monis fosse membro de uma célula jihadista, autônoma ou parte duma organização terrorista como Al-Qaeda ou Estado Islâmico (EI)**, se ele tivesse realizado um ataque mais violento, digamos com explosivos, ele poderia ter matado muito mais pessoas. Especialistas argumentam que no Caso Sydney morreram dois reféns e o sequestrador mais por causa de uma ação inadequada, bem como da incapacidade das Forças Especiais da Austrália e dos seus Serviços Secretos em trabalhar adequadamente o Gerenciamento da Segurança Pública. Exemplificando tal situação, o sequestro em Sydney coincidiu com a detenção de um homem de 25 anos no noroeste da cidade por “supostos delitos por terrorismo[15]. O detento era ligado a um plano para realizar um ataque terrorista em solo australiano e para facilitar o deslocamento de cidadãos australianos para a Síria.

Em setembro, as autoridades australianas elevaram o alerta terrorista para ALTO, devido à possibilidade de possíveis ataques a cargo de “uma só pessoa”, de “pequenos grupos”, ou de “grandes organizações”. Sendo parte da Coalizão liderada pelos Estados Unidos que realiza bombardeios contra o Estado Islâmico (EI), a Austrália tem aumentado suas Medidas de Segurança contra a ameaça do Terrorismo Islâmico e tenta evitar que jovens do país sejam cooptados por Grupos Extremistas. Em setembro de 2014, quinze pessoas suspeitas de planejar ataques terroristas no país foram presas. No mês seguinte, o Governo aprovou o endurecimento das leis contra os australianos envolvidos em ações terroristas.

A atuação do Man Haron Monis relembra, mas, ao mesmo tempo, é muito diferente dos outros acontecimentos terroristas encenação parecida que aconteceram nas diferentes cidades mundiais antes da “Crise de Reféns em Sydney”. Nos casos de Michael Zehaf-Bibeau (no Canadá), de Mohammed Merah (na França), de Dzhokhar Tsarnaev (em Boston) e de Michael Adebolajo (na Inglaterra), por exemplo, os perpetradores da violência aplicaram procedimentos mortais. No caso de Monis, que não é e nunca foi um terrorista do espécie “lobo solitário”, as consideradas apatia, inatividade e ineficácia das autoridades australianas, dos órgãos da Segurança Nacional, dos órgãos de Segurança Pública e dos Órgãos de Justiça da Austrália deixaram um homem com dossiê criminal amplo viver calmamente num país que mostrou a fragilização de sua Segurança Nacional.

Para ganhar a atenção internacional, em primeiro lugar das mídias mundiais e das redes sociais, Monis usou uma bandeira islâmica negra parecida com as do Estado Islâmico (EI), por que ele sabia que a organização terrorista já é conhecida mundialmente e, assim, usufruiu da conjuntura terrorista do momento sem fazer parte do grupo e sem qualquer afiliação terrorista com eles. Conforme apontam especialistas, mesmo com a tragédia das vítimas inocentes, as suas atividades não foram tão devastadoras materialmente como a sua sinistra mensagem. O alvo dele não foi um shopping, cinema ou estação do transporte público, pois, segundo consta, ele não queria matar muitas pessoas ao mesmo tempo. No entanto, com seu ato mostrou que qualquer pessoa em qualquer cidade pode fazer o que ele fez: fugir de um país com documentos falsificados, pegar um avião e cometer o mesmo crime numa outra cidade – é possível que se identifique isso como as desvantagens da globalização. Comparativamente, a América Latina é aterrorizada há muitos anos pelos atos criminosos e por sequestros – também uma forma de terrorismo, sem baseamento religioso.  

Em 7 de janeiro de 2015, em Paris, como tem sido intensamente debatido, o atentado terrorista atingiu o jornal satírico francês Charlie Hebdo, resultando em 12 pessoas mortas, incluindo membros da equipe do jornal e dois agentes da polícia nacional francesa. Durante o tiroteio, foram feridos mais outras 11 pessoas que estavam próximas ao local, caso que está sendo denominado como o Massacre do Charlie Hebdo. Conforme vem sendo amplamente divulgado, o ataque foi perpetrado pelos irmãos franco-argelinos Saïd e Chérif Kouachi, vestidos de preto e armados com fuzis Kalashnikov (AK-47), na sede do semanário, localizado no XI Arrondissement de Paris, supostamente como forma de protesto contra a edição “Charia Hebdo”, que ocasionou polêmica no mundo islâmico e foi recebida como um insulto aos muçulmanos.

No mesmo dia, outro francês muçulmano, Amedy Coulibaly, ligado aos atacantes do jornal, matou a tiros uma policial em Montrouge, nos subúrbios de Paris, e no dia seguinte invadiu um mercado kosher perto da Porte de Vincennes fazendo reféns, num novo ataque que terminou com mais quatro mortos, após a invasão do estabelecimento pela polícia francesa. No dia seguinte ao massacre, a ação foi reivindicada pela seção da Al-Qaeda baseada no Yemen[16].

Conforme se pode observar, e especialistas vem demonstrando, as falhas cometidas pelas autoridades australianas no âmbito da Segurança Nacional e Pública foram reproduzidas pelas autoridades da França. No dia 21 de dezembro de 2014, pouco mais de duas semanas antes do Massacre do Charlie Hebdo, as agências das notícias divulgaram a informação de que a segurança no território francês foi intensificada depois que funcionários da área de inteligência relataram risco de um possível ataque suicida, o que significa que as autoridades de inteligência do país tinham dados com antecedência.

O aviso veio dos Serviços de Inteligência da Argélia e, segundo informações reportadas, a bomba teria sido planejada para ser usada por uma mulher, cujos alvos seriam o Sistema de Transporte Metroviário de Paris, ou lugares de grande movimentação pública. “A ameaça de terrorismo é real, nós aumentamos nossa vigilância[17], apontou o ministro francês do interior Brice Hortefeux sem dar mais detalhes específicos. O alerta aconteceu logo após a proibição do uso dos véus que cobrem o rosto em locais públicos franceses e depois das ações do Exército Francês contra militantes islâmicos na África do Norte. As autoridades chamaram a atenção para a ameaça de um possível atentado desde o mês de julho de 2014, quando soldados franceses se envolveram em um ataque a um campo da Al Qaeda, no Mali. Em sequência, a vertente da Al Qaeda na África do Norte, a Al Qaeda no Maghreb Islâmico (AQIM, na sigla em inglês), afirmou que matará cidadãos franceses em um ato de vingança pelos guerrilheiros assassinados no campo. Como resposta às ações da França, membros da AQIM assassinaram um engenheiro francês de 78 anos, sequestrado no Níger. Além disso, outros cinco franceses foram feitos reféns na mesma região, segundo reportado pela AQIM. Com isso, as autoridades francesas aumentaram as unidades de patrulhas militar e civil em pontos turísticos, incluindo a Torre Eiffel, onde 2.000 pessoas foram evacuadas depois de uma falsa ameaça de bomba[17].

Segundo o William Braniff, diretor-executivo do Consórcio Nacional para o Estudo do Terrorismo e Resposta ao Terrorismo da Universidade de Maryland[18], a Al-Qaeda na Península Arábica está competindo na arena global com o Estado Islâmico. Os dois grupos querem demonstrar que são a organização líder dessa ampla rede de jihadistas violentos, bem como que são a força a ser reconhecida, para a qual as doações devem ser feitas e com a qual todos devem se unir. É a ideia de que organizações terroristas concorrentes têm de superar uma a outra para ganhar mais recursos e influência. Portanto, há a preocupação não apenas de que ocorram cópias dos ataques, mas que se desenrole uma forma de competição entre essas organizações.

Além disso, a França tem uma postura antiterrorista pró-ativa considerada muito agressiva. Conduziu operações no Norte da África contra organizações jihadistas, realizou ataques aéreos contra o Estado Islâmico e é o único aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que aprovou legislação para permitir a entrada de soldados na Síria. Também tem uma longa história colonial e pós-colonial com a Argélia e enfrentamentos entre o Governo Francês e Grupos violentos neste país[19].

Ainda no contexto terrorista mundial, o Exército da Nigéria pediu ajuda à Comunidade Internacional para poder combater o Boko Haram (“A educação ocidental é proibida”, na sigla em português), depois de centenas de pessoas serem assassinadas pelo grupo terrorista na cidade de Baga, ao nordeste da Nigéria, também no dia 7 de janeiro de 2015. Após a ação, o Exército foi duramente criticado porque os milicianos do Boko Haram mal tiveram oposição durante o ataque à cidade, já que as Forças de Segurança destacadas em uma base militar próxima fugiram após outro ataque ocorrido dias antes.

Embora não haja número oficial de mortos em Baga, as autoridades locais disseram que centenas de pessoas perderam a vida. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que mais de sete mil pessoas fugiram para o Chade nos últimos dias por causa de ações na região e o Boko Haram continua a realizar sangrentos ataques, o último deles no dia 10 de janeiro de 2015, quando uma criança ateou fogo em si mesma em um mercado de Maiduguri, a capital do Estado de Borno, e matou pelo menos 20 pessoas[20].

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*A Shahadah (do árabe: الشهادة, “testemunho”) é o primeiro dos cinco pilares do Islamismo (Arkan al-Islam). 1. É uma declaração que pode ser dividida em duas partes. Texto em árabe é: لا إله إلا الله محمد رسول الله. Transliteração: lā ‘ilaha ‘illāl-lāh an Muhammadur rasūlu llāhi. Traduções em português: “Não há outro deus além de Deus; Muhammad é o mensageiro de Deus. Não outra divindade além de Deus; Muhammad é o seu profeta. Não há outro deus além de Deus; Muhammad é servo e mensageiro de Deus”. Alguns muçulmanos xiitas acrescentam o Alīyun wali Allah (“Ali é o delegado de Alá ou Ali é amigo de Alá”). A recitação da Shahadah com a máxima sinceridade é tudo quanto é necessário para que uma pessoa se converta ao Islão. É o testemunho mais estimulado no islamismo, onde se recomenda aos muçulmanos piedosos que repitam inúmeras vezes durante a sua vida. É costume que um muçulmano a proclame durante o tashahud, ao recordar-se de Deus, no seu leito de morte. São também as primeiras palavras que um muçulmano diz quando se levanta de manhã e antes de se deitar à noite; e também é proclamada quando se chama à oração (adhan); entre outros.

** Estado Islâmico (em árabe: الدولة الإسلامية, ad-Dawlah al-ʾIslāmiyyah), designado pela mídia ocidental como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL; em inglês: Islamic State of Iraq and the LevantISIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS, em inglês: Islamic State in Iraq and Syria – ISIS) é um grupo jihadista no Oriente Médio. Em seu Estado, autoproclamado como um Califado, afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território da região do Levante, que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia. O grupo islâmico foi designado como uma organização terrorista estrangeira por Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Indonésia e Arábia Saudita, além de também ter sido classificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelas mídias do Ocidente e do Oriente Médio como grupo terrorista.

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Imagem  (Fonte):

http://www.talglobal.com/radicalized-individuals-imminent-terrorist-us-threat/

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Fontes Consultadas:
[1] Ver
:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/australiaandthepacific/australia/11294514/Sydney-siege-gunman-named-as-Man-Haron-Monis.html

[2] Ver:

http://manoto1.com/news/lmp7o6/NEWS16341

[3] Ver:

http://www.irna.ir/en/

[4] Ver:

http://www.interpol.int/

[5] Ver:

http://en.mehrnews.com/detail/News/105117

[6] Ver:

http://www.abc.net.au/news/2014-04-14/spiritual-healer-arrested-for-sexual-assault/5388332

[7] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/2014/12/15/sydney-hostage-crisis_n_6327220.html

[8] Ver:

http://www.sbs.com.au/news/article/2013/09/06/sheik-says-letters-were-flowers-advice

[9] Ver:

https://www.humanrights.gov.au/publications/casenote-monis-v-queen-2013-hca-4-1

[10] Ver:

http://www.washingtonpost.com/news/world/wp/2014/12/15/before-he-took-hostages-at-a-sydney-cafe-man-haron-monis-had-been-tied-to-alleged-murder-sexual-assaults-and-offensive-letters/

[11] Ver:

http://www.theage.com.au/nsw/sydney-siege-gunman-man-haron-monis-was-on-bail-for-40-sexual-assault-charges-and-accessory-to-murder-20141215-127u1e.html

[12] Ver:

http://www.news.com.au/national/breaking-news/seven-evacuates-newsroom-near-cafe-siege/story-e6frfku9-1227156337550

[13] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-australia-30485355

Ver Também:
http://www.abc.net.au/news/2014-12-16/sydney-siege-gunman-two-hostages-dead/5969162

[14] Ver:

http://www.newsweek.com/police-name-sydney-hostage-taker-radical-cleric-man-haron-monis-291926
[15] Ver:

http://www.nationalsecurity.gov.au/Pages/default.aspx

Ver Também:
http://www.afp.gov.au/

[16] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-30708237

[17] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-30580082

[18] Ver:

http://www.start.umd.edu/
[19] Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,al-qaeda-e-estado-islamico-disputam-relevancia-imp-,1617884

[20] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-africa-30728158

Ver Também:
http://www.bbc.com/news/world-africa-30761963

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

EUA aplicam novas Sanções à Coreia do Norte, em resposta a ciberataque realizado contra a Sony

Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram na semana passada a aplicação de novas sanções à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), após o ataque cibernético à companhia cinematográfica Sony Pictures.

No final de novembro de 2014, após o ciberataque, a empresa Sony Pictures cancelou a estreia do filme “A Entrevista”, que narra a história de dois jornalistas aliciados pela CIA para assassinar Kim Jong-un, o líder norte-coreano. No entanto, ele acabou por ser distribuído através de serviços de vídeo online nos Estados Unidos.

A Casa Branca declarou que a imposição de Sanções à Coreia do Norte, é a primeira parte da resposta do Governo do Norte-Americano[1]. Essa é a primeira vez que os Estados Unidos aplicam medidas como uma retaliação direta a um ataque cibernético contra uma companhia norte-americana. As novas Sanções, autorizadas por Barack Obama, Presidente dos EUA, visam afetar três entidades norte-coreanas, incluindo uma agência de inteligência do Governo e um representante norte-coreano de armas.  O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou em comunicado que as medidas serão aplicadas também contra 10 indivíduos norte-coreanos que trabalham no Governo e nas empresas sancionadas.

Ainda de acordo com o Tesouro dos Estados Unidos, as novas Sanções respondem as muitas provocações feitas pelo Governo norte-coreano, embora particularmente ao recente ataque cibernético contra a Sony Pictures, e às ameaças visando às salas de cinema e aos espectadores[2]. Ademais, conforme Jacob Lew, Secretário do Tesouro, as medidas “refletem o compromisso dos Estados Unidos de responsabilizar a Coreia do Norte pelas suas ações destrutivas e desestabilizadoras[3]. Em comunicado, Lew ressaltou também que o Governo estadunidense utilizará “um vasto leque de ações para defender as empresas e os cidadãos norte-americanos, e para nos defendermos das tentativas de sabotar os nossos valores[4].

Em contrapartida, o Governo coreano, que vem criticando há meses o filme “A Entrevista”, condenou no último dia 4 de janeiro as novas ações americanas, afirmando novamente não ser responsável pelo ciberataque contra a empresa Sony. Conforme nota do Governo de Kim Jong-un, “a Sony Pictures produziu um filme que incita abertamente o terrorismo contra um Estado soberano com o qual recebeu apenas censura e a crítica tanto dentro de seu país como no exterior[5].

De acordo com um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, “as ações persistentes e unilaterais da Casa Branca, voltadas a atingir com sanções a República Popular Democrática da Coreia, demonstram claramente a incorrigível repugnância e hostilidade que sentem[6]. Advertiu ainda que a nova medida “não enfraquecerá o país, mas sim fortalecerá ainda mais sua política militar[7]. Em comunicado, o Governo da RPDC, assinalou que as acusações são infundadas e repetiu a opinião de alguns especialistas em cibersegurança, que se mostram céticos sobre a ligação da Coreia do Norte com o caso. Além disso, o comunicado pediu que fosse feita uma comissão conjunta para investigar o ciberataque, entretanto, essa ideia foi rechaçada pelos Estados Unidos[8]. Cabe observar que recentemente sites norte-coreanos foram vítimas de interrupções por mais de 10 horas, no entanto o Governo dos EUA se recusou a confirmar ou negar ser o responsável pelo blecaute[9].

Compete ressalvar que a Coreia do Norte já estava sujeita a diversas Sanções Internacionais, em razão do desenvolvimento do seu Programa Nuclear. As medidas impostas são severas e visam sobretudo impedir que o país obtenha material e financiamento para  desenvolver tanto o Programa Nuclear como o seu Programa de Mísseis. O Estado Norte-Coreano já havia sido alvo de outras Sanções em 2006, 2009 e 2013, as quais foram sendo renovadas e ampliadas conforme o país realizava manobras militares.

Em 2013, quando uma Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou Sanções contra o país, o regime de Kim Jong-un afirmou que elas foram um ato de guerra[10]. Na ocasião, o Governo Norte-Coreano declarou nulo o armistício de 1953 – que pôs fim à “Guerra da Coreia – e ameaçou realizar um ataque nuclear preventivo contra os Estados Unidos[11].

Na ocasião, Stephen Bosworth, Representante especial dos EUA, afirmou perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado que “se a Coreia do Norte não atender ao pedido unânime da comunidade internacional e retomar as negociações para chegar ao desmantelamento irreversível da sua capacidade nuclear e de míssil balístico, os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros na região terão de adotar as medidas necessárias para garantir nossa segurança diante dessa crescente ameaça[12].

De fato, esse cenário de elevação de tons e represálias tem sido retórico entre os dois países. No que tange às novas medidas, alguns especialistas apontam que essas não deverão ter um impacto significativo, uma vez que o país já está sujeito a várias Sanções Econômicas por parte da comunidade internacional[13].

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Imagem (Fonte):

http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/mundo/noticias/2015/01/05/Coreia-do-Norte-rechaca-sancoes-dos-EUA_8274171.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-01/eua-sancionam-coreia-do-norte-apos-ataque-informatico-sony

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

Idem.

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/04/internacional/1420392799_630834.html

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

Idem.

[9] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-tacha-novas-san%C3%A7%C3%B5es-dos-eua-de-hostilidades-infundadas/a-18169911?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

[10] Ver:

http://www.dw.de/conselho-de-seguran%C3%A7a-amplia-san%C3%A7%C3%B5es-contra-coreia-do-norte/a-16656798

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

http://www.embaixadaamericana.org.br/arc-index.php?action=materia&id=8014&submenu=&itemmenu=21

[13] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/04/internacional/1420392799_630834.html

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Segurança de Nova Iorque pode ser exportada para a Guatemala

O antigo Prefeito de Nova Iorque (NY), Rudolph Giuliani, esteve visitando em 2014, um dos países com os maiores níveis de violência e insegurança no mundo. Giuliani esteve oferecendo seus conselhos e experiências a autoridades e empresários da Guatemala, a convite da Think Thank, Fundação de Desenvolvimento da Guatemala (Fundesa). A proposta surgiu a partir de um Encontro Nacional de Negócios (Enade), como uma forma de desenvolver cooperação entre o setor privado, a sociedade civil e o Governo para diminuir a violência que afeta tanto a economia do país como influencia migrações em massa e o desenvolvimento social da população[1][2].

A Guatemala se encontra entre os 30 países que mais gastam em contenção de violência no mundo, gastando ao redor de 7,1 bilhões de dólares por ano[3]. Em contraste, o setor industrial e de negócios gasta o equivalente a 1,77%  do PIB do país em segurança privada, enquanto os gastos públicos em Forças Armadas e Segurança correspondem a 1,24% do PIB guatemalteco. Estes números refletem na quantidade de guardas de segurança públicos que estão estimados em 31.686 policiais contra 45.000 guardas privados de segurança registrados no país[3].

A orientação de Giuliani, contratado pelo setor privado guatemalteco, a qual está custando cerca de 160.000,00 dólares americanos, vem gerando tanto opiniões otimistas como ceticismo. No encontro do Enade em 2014, o tema defendia a “segurança dos cidadãos e a cultura da coexistência[3][4]. Giuliani tem experiência com o combate à violência e ao crime com o apoio da Polícia. Quando Prefeito em Nova Iorque, ele diminuiu 57% dos crimes e financiou grandes programas de treinamento da Força Policial e de Segurança de Prevenção. Além de investimento em segurança direta, Giuliani também criou milhares de empregos  reintegrando muitos nova-iorquinos no mercado de trabalho[3].   

A Guatemala não seria o primeiro país a tentar adaptar a experiência de Nova Iorque. O México contratou Giuliani para elaborar um plano de segurança na Cidade do México (DF), em 2003. A experiência mexicana apontou que, 10 anos após essa assistência, a taxa criminal da cidade caiu em 20%[3][4]Giuliani cobrou cerca de 4 milhões de dólares para um ano e meio de consultoria no país, a qual foi financiada por autoridades locais e empresários do México[3].  No entanto, um estudo realizado pelo Woodrow Wilson Center (WWC) apontou que a Comissão de Direitos Humanos do DF fez recomendações sobre casos de tortura à Secretaria de Segurança Pública da Cidade (SSPDF), as quais foram rejeitadas e o projeto de Giuliani não conseguiu completar a meta de “sancionar severamente” os policiais envolvidos nestes tipos de casos[3]WWC também salientou que a SSPDF não poderia seguir as 146 recomendações do ex-prefeito de Nova Iorque no modelo de “tolerância zero para crimes menores”, devido à complexidade do ambiente na qual a Polícia do DF se encontra, diferente da de NY[3][4]

No caso da Guatemala, uma das primeiras preocupações se relaciona com essa política de tolerância zero para crimes menores. Acredita-se que, se aplicada, uma relação tensa entre cidadãos e policiais se criaria e, consequentemente, aumentaria o abuso policial. Para críticos, a proposta de Giuliani também enfraquece as metas de criar mais confiança entre comunidades e policiais como meio de aumentar a segurança[3]. Este medo foi experimentado pela Colômbia, onde, em Bogotá, se implementou o Modelo Giuliani, que se tornou bastante indesejado por vários setores[3]. Além do mais, de acordo com especialistas, a tolerância zero na Guatemala é vista como um péssimo caminho com base na história de repressão do país[3][4]

No entanto, nem Giuliani, nem a Fundesa acreditam que o exato plano de NY poderia ser 100% aplicável ao contexto da Guatemala. São reconhecidas as diferenças históricas, políticas e econômicas entre as duas realidades, “muito mais do que os 5.420 kilometros em distância geográfica que separam os duas localidades[3][4].  A população em números é bastante diferenciada. Enquanto NY possuía 8 milhões de habitantes e 40 mil policiais na época de Giuliani, a Guatemala de hoje conta com uma população de 15 milhões de pessoas e 31 mil policiais[3][4].  Contudo, os objetivos são os mesmos: “sair de uma estratégia de segurança reativa para uma preventiva[3][4]

A extorsão é outra grande preocupação do Plano e outro grande interesse do setor privado. O Ministério do Interior da Guatemala estima que empresas de transporte paguem cerca de 48 mil dólares por ano em extorsões e que em muitas áreas residenciais algumas famílias chegam a pagar 2.600 dólares por ano em extorsões[3][4]. A Fundesa defende que “atividades criminais e corrupção afetam o bem-estar econômico do país, pois combater a violência custa mais do que preveni-la, um baixo número de extorsões resultaria em uma maior fonte de negócios e empregos[3][4]

Giuliani defende que deve ser enfatizada a aplicação da Lei para diminuir crimes e em seguida começar com programas sociais que incluem criar mais empregos, melhores vizinhanças e escolas[2]. Neste âmbito, um sociólogo guatemalteco, Hector Rosada, não muito convencido de que o plano de NY se adapte bem ao seu país, afirma que para que o projeto funcione é necessário que seja aplicado em uma parte do país controlada pela elite, onde não existam diferenças de desenvolvimento[3][4].  Isto porque “onde a pobreza generalizada e extrema existe, há um segmento da população excluída do sistema capitalista. E sem o completo entendimento dos problemas sociais e de origem étnica compreendidos, a violência não diminuirá[3][4].  Rosada  explica que empresários ainda veem os indígenas e pobres como grandes opositores do desenvolvimento[3][4]

A proposta da Fundesa e de Giuliani está dividida entre curto e longo prazo. Em curto prazo, seriam instaladas câmeras, luzes e vigilância policial para recuperar espaços públicos. Em seguida, a longo prazo, a proposta é ampla e tenta prevenir crimes, resolver conflitos pacificamente, respostas policiais efetivas, estratégias baseadas em resultados, modernização do sistema judicial, reabilitação e reintegração, entre outros[3]. Mas, é claro que o processo não promete ser rápido. Giuliani fala de até cinco anos para chegar a resultados. Com base em prognósticos de sociólogos e críticos, a Guatemala precisaria de um nível de estabilidade política ainda não existente no país para conseguir implementar o plano de NY. A Fundesa fala de prazos ainda mais extensos, como de sete anos. Isto significa que a proposta passaria por três diferentes presidentes. De maneira a evitar a queda do Plano, uma coalizão para Segurança Civil foi criada por empresários convidando a sociedade civil e autoridades para dar seguimento nos próximos anos[6].

Com relação ao financiamento do famoso Plano de Giuliani, sabe-se que o Governo do país não cortará gastos como Giuliani fez em NY para financiar o projeto. A Fundesa explica que se a economia informal fosse combatida, cerca de 800 mil dólares de contrabando poderiam entrar para os cofres públicos[3][4].  Já que o pagamento de taxas e controle de contrabando parecem soluções bastante difíceis, a Fundesa também defende que o projeto seria viável se o Governo deixasse de gastar cerca de 1,9 % do seu PIB em contenção da violência e passasse estes gastos para a prevenção[3][4]

Críticos do plano afirmam que uma solução única para a insegurança no país será dificilmente adaptada às diversas particularidades dos departamentos da Guatemala. Já a Fundesa e o Governo esperam que o plano seja bem sucedido em se adaptar a diversas circunstâncias que possam se apresentar nos variados contextos do país.

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Imagem (Fonte):

http://www.elperiodico.com.gt/es/20141009/pais/3079/Rudolph-Giuliani-%E2%80%9CSe-debe-combatir-la-corrupci%C3%B3n-en-la-Polic%C3%ADa%E2%80%9D.htm

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[1] Ver:

http://www.insightcrime.org/news-analysis/giuliani-security-policy-save-guatemala

[2] Ver:

http://latino.foxnews.com/latino/news/2014/10/09/former-nyc-mayor-rudy-giuliani-gives-guatemala-crime-fighting-advice/

[3] Ver:

http://www.insightcrime.org/news-analysis/the-challenges-for-giuliani-security-strategy-in-guatemala

[4] Ver:

http://www.plazapublica.com.gt/content/la-propuesta-de-fundesa-para-rescatar-guatemala

[5] Ver:

http://www.bloomberg.com/news/2014-10-08/giuliani-lends-crime-fighting-advice-to-guatemala.html

[6] Ver:

http://www.prensalibre.com/noticias/comunitario/Nacionales-Coalicion-para-la-seguridad-ciudadana-Enade-2014_0_1248475147.html