AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

As relações entre Alemanha e Estados Unidos, pós Snowden

A partir da segunda metade do século XX o percurso histórico das relações bilaterais entre a “República Federal da Alemanha” e os “Estados Unidos da América (EUA) passou de conflituosa para amistosa e convergente.  Ao ponto de alguns analistas considerarem o “Plano Marshall” promovido pelos EUA, no final da década 1940, como uma das principais medidas que levaram a Alemanha a se tornar um gigante econômico na atualidade[1].Esse e tantos outros acordos políticos e econômicos fizeram com que o “Estado alemão” constantemente se colocasse ao lado dos norte-americanos. A exceção ocorreu há mais de uma década quando o ex-premiê alemão Gerhard Schröder posicionou-se contrário à invasão do Iraque[2], indicando divergências nos posicionamentos entre os dois países. Se, na época, esse fato balançou as relações, no presente as mesmas encontram-se num estágio muito pior que há dez anos, devido à onda de revelações acerca da espionagem praticada contra os cidadãos alemães, mais particularmente sobre Angela Merkel, “Chanceler da Alemanha”.

Dessa forma, quando Edward Snowden, ex-técnico terceirizado da “Agência de Segurança Nacional” (NSA, sigla em inglês) revelou documentos que indicavam que a chanceler do governo alemão era espionada desde 2002, bem como que a mesma teve seu telefone celular grampeado pela NSA[3], novamente uma forte tensão surgiu entre os dois países, ao ponto de a própria Angela Merkel exigir explicações quando telefonou para Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos”. Além disso, Merkel já havia anunciado publicamente sua indignação com o ocorrido ao afirmar que “amigo não espiona amigo[4].

Em contrapartida, e com a finalidade de assegurar a Alemanha como aliada, o presidente Obama garantiu a Merkel que o seu governo não a estava vigiando e destacou que, enquanto for “Presidente dos Estados Unidos”, a “Chanceler Alemã” não terá de se preocupar com espionagem[5]. Em defesa do “Governo norte-americano”, John Kerry, “Secretário de Estado dos EUA” argumenta que apesar das tensões ocasionadas pelas acusações de espionagem, os dois países mantém uma relação forte[6]. Na época do telefonema, em meados de outubro de 2013, Angela Merkel assinalou que se ficasse comprovado que o Governo estadunidense realmente espionou seu governo, isso representaria uma falta grave, ou seja, um duro golpe na confiança entre os dois Estados[7]. Por fim, esse pronunciamento foi interpretado pelos “Estados Unidos como sinal de alerta no que tange às relações germano-americanas.

Nesse sentido, segundo Philipp Missfelder, “porta-voz de política externa dos democrata-cristãos (CDU) do Parlamento alemão”, 2003 é visto como um marco negativo nas relações entre Alemanha e EUA. Contudo, Missfelder pontua que “se olharmos para a situação atual de perda de confiança, o quadro não é melhor do que naquela época. De fato, provavelmente é pior, pois essa questão está preocupando as pessoas por mais tempo e mais intensamente do que a invasão do Iraque[8]. Assim, em resposta a tais desdobramentos, os dois países iniciaram negociações sobre o estabelecimento de um “Acordo de Não Espionagem que visa coibir a vigilância entre aliados.  

O “Governo Alemão dimensionou algumas exigências para a construção de uma nova jornada nas relações entre os dois Estados, o primeiro, como já mencionado, é o Acordo de Não Espionagem”, de caráter mútuo. Além disso, o fim das escutas direcionadas para políticos específicos e, ainda, a forma como os EUA utilizam a maior parte dos metadados que vem armazenando[9]. No entanto, caso não se estabeleça um “Acordo de Não Espionagem”, Missfelder assinala que possivelmente a Alemanha apoiará a suspensão dos “Estados Unidos” ao acesso ao Swift, banco de dados financeiros mundial[10].

Esses posicionamentos apontam que o diálogo entre os dois países caminha de forma frágil, uma vez que os “Estados Unidos” são pressionados internamente para manter “políticas de segurança”, enquanto que a Alemanha é pressionada pela população e pelos partidos para cobrar o fim da espionagem. Todavia, na última sexta-feira, 17 de janeiro de 2014, Obama anunciou algumas medidas para o início das reformas na NSA, visando garantir a harmonia nas suas relações externas.

Essa reforma é uma resposta igualmente à ação do Brasil (que também teve sua “Chefe de Estado”, a presidente Dilma Rousseff espionada) e da Alemanha por entregar uma minuta de Resolução para a “Comissão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas” (ONU), pedindo o fim da vigilância eletrônica excessiva, da coleta de dados e da abusiva invasão de privacidade, no início de novembro de 2013[11]. Desse modo, enquanto a Alemanha mantém o discurso de cobrança, os “Estados Unidos” tentam minimizar as consequências políticas geradas pelas revelações de Snowden. Algo ressaltado no pronunciamento feito por Barack Obama, na última sexta-feira, dia 17 de janeiro, quando declarou: “os líderes de nossos países amigos e aliados merecem saber que, se eu quiser saber o que eles pensam de um assunto, eu vou pegar o telefone e ligar para eles, em vez de recorrer à vigilância[12].

Destarte, durante seu discurso, Barack Obama elencou uma série de medidas a fim de reformar os sistemas de monitoramento empregados pela NSA e outras agências de vigilância. Dentre eles, pode-se destacar a proibição desses organismos de monitorar líderes mundiais de países aliados aos EUA. A ação tem como principal interesse reestabelecer a confiança de seus parceiros estratégicos. Outra importante providência refere-se à proteção dos dados e informações privadas de cidadãos estrangeiros. Para isso, o “Presidente Norte-Americano também se comprometeu em buscar uma solução para a prática adotada pela NSA de armazenar metadados.

Com a intenção de fazer valer suas promessas, Obama ordenou que Eric Holder, “Procurador-Geral”, juntamente com a NSA apresentassem soluções para armazenagem dos metadados, num prazo de 60 dias[13]. Nesse âmbito, uma possibilidade especulada seria que as empresas de telecomunicações permanecessem com os dados. Cabe observar, contudo, que, no presente, elas são obrigadas a repassar as informações para NSA ou para uma terceira instância. Nesse novo cenário, a NSA precisaria de uma ordem judicial para acessar tais informações e o Organismo somente poderá vigiar pessoas que tenham relação com supostos terroristas.

Por outro lado, as empresas de telecomunicações resistem em efetuar essas medidas de retenção de dados, em grande parte pela repercussão negativa junto à sociedade. Já Obama afirma essa é uma ação necessária. Além disso, a mesma precisa e deve continuar para que o Estado possa proteger seus cidadãos na contenção de um suposto atentado terrorista. Haja vista que muitos agentes de inteligência e as próprias agências são contrárias às medidas das reformas, Obama assinalou que “a maneira sensacional como essas revelações vieram a público muitas vezes gerou mais calor do que luz, ao mesmo tempo que expôs nossos métodos para os nossos adversários, com um impacto sobre nossas operações que talvez só vamos compreender inteiramente daqui a anos[14].

O Governo alemão recebeu as medidas anunciadas pelo “Presidente Norte-Americano com bons olhos, entretanto, ainda espera a viabilização do “Acordo de Não Espionagem”, que proteja de forma mais contundente seus cidadãos e o próprio Governo. Nesse caso, como afirma Steffen Seibert, “Porta-Voz de Merkel”, o governo alemão ainda acredita que a lei alemã tem de ser respeitada em solo alemão, especialmente por nossos aliados e parceiros mais próximos[15].

Posto isso, observa-se que o discurso proferido por Obama tenta harmonizar um meio termo entre líderes políticos de países aliados e estratégicos na dinâmica da política exterior norte-americana; os ativistas das liberdades civis (para os quais tais procedimentos caracterizam um ato inconstitucional) e a ala considerada conservadora, ligada ao setor de Inteligência e “Defesa Nacional”, a qual alega que a espionagem se faz necessária para combater e/ou prevenir atentados terroristas[16].

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Imagem (Fonte):

http://noticias.band.uol.com.br/mundo/noticia/100000640573/obama-desconhecia-espionagem-a-merkel-garante-diretor-da-nsa.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/opini%C3%A3o-%C3%A9-hora-de-os-alem%C3%A3es-dizerem-basta-%C3%A0-espionagem/a-17188048

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

http://www.dw.de/obama-sabia-de-grampo-em-telefone-de-merkel-afirma-jornal-alem%C3%A3o/a-17186362

[4] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/espionagem-entre-amigos-isso-nao-se-faz-diz-merkel-respeito-dos-eua.html

[5] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/internacional_afp/Merkel_nao_deve_se_preocupar_com_espionagem,_diz_Obama.html?cid=37763964

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32278/kerry+admite+existencia+de+tensoes+entre+eua+e+alemanha+em+razao+de+espionagem.shtml

[7] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/alemanha-convoca-embaixador-dos-eua-por-espionagem-merkel.html

[8] Ver:

http://www.defesanet.com.br/cyberwar/noticia/13863/Espionagem-enfraquece-relacao-EUA-Alemanha-/

[9] Ver:

Idem.

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

http://www.dw.de/alemanha-e-eua-estudam-acordo-de-n%C3%A3o-espionagem/a-17201694

[12] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPEA0S2WE20140119

[13] Ver:

http://www.dw.de/obama-imp%C3%B5e-freios-%C3%A0-espionagem-dos-eua/a-17370863

[14] Ver também:

Idem.

[15] Ver também:

http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?id=1440597

[16] Ver também:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/01/1398970-obama-vai-anunciar-reforma-no-programa-de-espionagem-da-nsa.shtml

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Los vínculos entre democracia e integración regional: el caso Paraguay

En el ámbito de la política regional latinoamericana, el proceso político que inaugura el 2014 es la inminente reincorporación de Paraguay como miembro pleno del Mercado Común del Sur” (MERCOSUR). La próximaCumbre de Presidentesdel bloque se realizará en Caracas y será relevante por los siguientes motivos: participarán por primera vez los cinco miembros plenos (Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Venezuela), se rotará laPresidencia Pro Témpore” (PPT) y se oficializará el reingreso de Paraguay tras su suspensión en 2012, por la consideración de que habían sido lesionadas sus instituciones democráticas. A razón de esta problemática, se discutieron en los últimos años el vínculo entre los procesos políticos nacionales y regionales, el valor histórico de la democracia para la región, la legitimidad del ingreso de Venezuela y el peso de los liderazgos gubernamentales en el proceso de integración del MERCOSUR.

Inicialmente, la suspensión de Paraguay del bloque fue consecuencia de la destitución del entonces presidente Fernando Lugo el 22 de junio de 2012. Tal como la “Constitución Nacionalindica en su artículo 225, el Parlamento paraguayo puede enjuiciar alPresidente de la Repúblicapor el ejercicio de sus funciones o por delitos comunes[1]; sin embargo, esta normativa no estaba reglamentada hasta horas antes del juicio político, una vez votado y aprobado por la “Cámara de Diputados”. Cabe mencionar que el texto constitucional vigente fue promulgado en 1992, tras 36 años de gobierno dictatorial de Alfredo Stroessner; de ahí la importancia que se otorga a la división y control de poderes de gobierno. El motivo principal por el que fue acusado fue su responsabilidad en un enfrentamiento entre la autoridad policial y campesinos, que desencadenó en la muerte de 17 personas.

La legitimidad de la destitución fue cuestionada por actores políticos nacionales e internacionales, quienes denunciaron que el proceso duró menos de 24 horas: el juicio político se inició el jueves 22 de junio con 76 votos a favor y sólo 1 en contra, y al día siguiente la “Cámara de Senadores” -tras 5 horas de debate- aprobó la destitución por 39 votos a favor y 4 en contra. Una hora y media más tarde, el Vicepresidente Federico Franco asumió el cargo ejecutivo. Al conocer la decisión, el ex Presidente declaró “hoy no es Fernando Lugo el que recibe un golpe, sino la historia paraguaya, su democracia, la que ha sido herida profundamente[2]. Por su parte, quienes defendieron el procedimiento argumentaron que se realizó bajo las normas constitucionales y dentro de los tiempos legales.

En la región, tanto la “Unión de Naciones Suramericanas” (UNASUR) como el MERCOSUR rechazaron la legitimidad democrática del juicio político, la destitución de Lugo y la posterior formación de un nuevo gobierno a cargo de Franco. El 29 de junio de 2012, en la 43° Cumbre de Presidentes”, los primeros mandatarios de Argentina, Brasil y Uruguay decidieron suspender a Paraguay del bloque, sin imponer sanciones económicas que pudieran perjudicar a la población. Al respecto, Cristina Fernández de Kirchner afirmó que el propósito de la decisión fue “que no se instalen los golpes suaves de movimientos que, bajo la pátina de cierta institucionalidad, son nada más que un resquebrajamiento del orden constitucional[3]. La suspensión de Paraguay se respaldó en el Protocolo de Ushuaia, instrumento jurídico regional que versa sobre el compromiso democrático en el MERCOSUR. Este documento fue firmado por los Estados miembros, Chile y Bolivia, el 24 de julio de 1998, y sostiene que para el desarrollo de los procesos de integración es condición indispensable la plena vigencia de las instituciones democráticas en los países que son parte (Art. 1). En este sentido, se prevé que en caso de ruptura democrática en alguno de los países se realicen las negociaciones pertinentes para su restablecimiento; y en caso de resultar infructuosas, se apliquen medidas que “abarcarán desde la suspensión del derecho a participar en los distintos órganos de los respectivos procesos de integración, hasta la suspensión de los derechos y obligaciones emergentes de estos procesos” (Art. 5)[4]. Posteriormente, los Presidentes del bloque firmaron el “Protocolo de Ushuaia II” en diciembre de 2011, que pretendió ampliar las sanciones permitidas –incluyendo el cierre de fronteras– y especificar el rol de apoyo, cooperación y asistencia del resto de los países. Sobre esto, debe destacarse que la participación histórica de Paraguay en el MERCOSUR estuvo profundamente vinculada a la democracia: 1) fue el último de los países en participar de las negociaciones para la firma del Tratado de Asunción en 1991 –que crea el bloque– porque hasta 1990 mantuvo un régimen dictatorial; 2) promovió en 1996 la firma de un instrumento jurídico que proteja los recientes regímenes políticos democráticos de la región debido a la crisis política que en ese año se suscitó en su país[5]; y 3) se ha negado a ratificar el Protocolo de Ushuaia II y lo ha criticado de forma contundente. Incluso el canciller actual Eladio Loizaga lo ha calificado como una barbaridad[6].

Además de esta decisión inédita, la coyuntura se complejizó debido a que en la misma Cumbre de Presidentes de Mendoza se autorizó el ingreso oficial de Venezuela. El “Protocolo de Adhesión de la República Bolivariana de Venezuela al MERCOSUR” fue acordado en julio de 2006, y requería para su plena vigencia su ratificación en todos los parlamentos nacionales. Al momento de la suspensión de Paraguay como miembro pleno, éste había sido el único país que no había ratificado el documento; sólo le dio tratamiento en 2012, vetándolo[7]. Aún más, era un elemento que la “Cámara de Senadores” –liderada por el conservador “Partido Colorado”– consideraba fundamental para fortalecer su posición relativa en el bloque. A pesar de ello, el ingreso se hizo efectivo en la “Cumbre de Brasilia” del 31 de julio de ese mismo año, lo que produjo un enérgico rechazo de la opinión pública de Paraguay y sus dirigentes políticos. Ese hecho confirmó su ruptura de relaciones con el MERCOSUR.

El 21 de abril de 2013 se realizaron elecciones democráticas en Paraguay. El candidato ganador fue Horacio Cartes, quien asumió la Presidencia de la República en agosto de ese mismo año. Su asunción implicó para el MERCOSUR la garantía del restablecimiento formal de las instituciones democráticas en el país, por lo que desde entonces estuvo en condiciones de reincorporarse al bloque[8]. Sin embargo, el conflicto Venezuela-Paraguay demoró el proceso hasta la actualidad. Tanto el Presidente electo como los representantes parlamentares deslegitimaron el ingreso de Venezuela como miembro pleno, por haberse realizado sin la debida ratificación en el Congreso paraguayo. Todo ello agravado porque la PPT del segundo semestre de 2013 recayó en Venezuela, lo que hubiera implicado que la reincorporación de Paraguay se realice en territorio del único miembro que no era legitimado por éste. Por estos motivos, aunque el bloque consideró que el país podía volver a participar de sus reuniones, la decisión gubernamental fue esperar a que la PPT rote nuevamente.

En ese contexto de transición, Paraguay realizó grandes esfuerzos orientados a garantizar las condiciones mínimas para su reincorporación. Primero, mantuvo relaciones bilaterales con la mayoría de los Estados miembros, restableciendo los vínculos políticos y afirmando su legitimidad como presidente de Paraguay[9]. Segundo, el 24 de diciembre promovió con éxito la ratificación de la adhesión de Venezuela al MERCOSUR[7]. Tercero, restableció su relación bilateral con este país, cristalizándose en la reapertura de la “Embajada de Paraguay en Caracas”, Venezuela, y el depósito de la ratificación el 14 de enero de 2014 en Asunción, Paraguay. En relación a esto, el embajador venezolano en Asunción, Alfredo Murga, afirmó que “las diferencias son parte de la democracias, ese es el pluralismo de ideas. Pero por encima de las distintas versiones que podamos tener, estamos tratando de hacer que nuestras economías sean complementarias[10]. Por último, un equipo de la Cancillería paraguaya revisó las 181 Resoluciones tomadas en ausencia de Paraguay, se determinó que no fueron lesionados sus derechos comerciales, y se especificaron las cuestiones que deberán volver a ser discutidas para integrar al país de forma plena (como el “Fondo de Convergencia Estructural del MERCOSUR”, FOCEM, del que es beneficiario Paraguay[6].

Mientras tanto, el bloque postergó por tercera vez la Cumbre de Presidentes que relanzará el MERCOSUR y debe dar a la Argentina la Presidencia Pro Témpore correspondiente al primer semestre de 2014. Las últimas declaraciones indican que se realizará a mediados de febrero en Caracas, y que participará Paraguay para formalizar su reingreso como miembro pleno. También, se especula que se ofrecerá la PPT a Paraguay, aunque éste reconociera que la prioridad del reingreso al bloque no es el ejercicio de la “Presidencia Pro Témpore” sino la participación en las próximas negociaciones colectivas con la “Unión Europea[11]. Cabe recordar que ya a mediados de 2013 se había postergado en varias oportunidades la “Cumbre de Presidentes” por esta misma cuestión, por lo que la realización de la misma será un hito en el proceso de integración regional del MERCOSUR, que contará por primera vez en su historia con cinco miembros plenos participando activamente.

El vínculo histórico entre democracia e integración regional en el “Cono Sur” ha sido indudable. Los acuerdos en la década de 1980 de los presidentes Alfonsín-Sarney, de Argentina y Brasil respectivamente, reconocían explícitamente que el objetivo de integrarse era fortalecer la democracia y garantizar la paz en la región, en un contexto de transición tras largos períodos de dictaduras militares en la mayoría de los países de latinoamérica. Aunque el “Tratado de Asunción” de 1991 hizo énfasis en los procesos comerciales y la integración de las economías domésticas al mercado mundial, la impronta de estos acuerdos iniciales fue retomada en la Declaración Presidencial de Las Leñas de junio de 1992, que reconoció por primera vez que la plena vigencia de las instituciones democráticas es una condición indispensable para el desarrollo de estos procesos de integración[5]. En el escenario actual, el rol de los procesos de integración regional en la garantía de las condiciones democráticas nacionales vuelve a ser un elemento nodal, mientras que, a la vez, se analizan sus límites en relación al respeto por la soberanía nacional. Lo que puede concluirse de forma indudable es que el MERCOSUR ha reafirmado como característica diferenciada en relación a otros bloques regionales el anclaje en cuestiones políticas, la protección de las instituciones democráticas y el aseguramiento del cono sur como zona de paz.

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Imagen Cumbre de Presidentes del MERCOSUR de junio de 2013 (Fuente: Inés Guimaraens):

http://www.elpais.com.uy/informacion/paraguay-minimiza-aplazamiento-cumbre-mercosur.html

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Fuentes consultadas:

[1] Ver:

http://www.diputadosmercosur.gov.ar/paises/paraguay/constitucionparaguay.pdf

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/mundo/ultimas_noticias/2012/06/120622_ultnot_paraguay_lugo_destitudo_lav.shtml

[3] Ver:

http://www.lanacion.com.ar/1486249-cumbre-mercosur-cristina-kirchner-paraguay

[4] Ver:

http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/es/arquivos/destacado4_es.doc

[5] Ver Identidad MERCOSUR (2013). 25 años de paz, democracia e integración regional. Buenos Aires:

http://www.youblisher.com/p/595577-Paz-Democracia-e-Integracion-Regional-en-America-Latina/

[6] Ver:

http://www.abc.com.py/nacionales/mercosur-6-decisiones-bajo-lupa-1206450.html

[7] Ver:

http://www.el-nacional.com/mundo/Presidente-Cartes-promulgo-Venezuela-Mercosur_0_326367419.html

[8] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/se-postergara-la-cumbre-presidencial-del-mercosur-para-facilitar-la-reincorporacion-de-paraguay/

[9] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/presidente-de-paraguay-viaja-a-argentina-para-negociar-su-reingreso-formal-al-mercosur/

[10] Ver:

http://www.infobae.com/2014/01/14/1537014-mercosur-celebra-fin-la-disputa-paraguay-y-venezuela

[11] Ver:

http://www.elpais.com.uy/informacion/paraguay-minimiza-aplazamiento-cumbre-mercosur.html

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Desafios da Segurança Pública durante dos Jogos Olímpicos em Sóchi

Um mês antes de o presidente da Rússia Vladímir Pútin[1] dar início aos “Jogos de Inverno de Sóchi  de 2014[2], o país lançou “a maior operação de segurança da história olímpica[3]. A entrada de motociclistas é controlada e o acesso à cidade de 350 mil habitantes é proibida aos veículos procedentes do exterior que não tenham uma “autorização especial”. Ressalte-se que a “navegação no Mar Negro” também está limitada[4].

As “Forças de Segurança” foram reforçadas, embora já estivessem presentes em grande número nesta estação balneária localizada entre o “Mar Negro” e as montanhas do Cáucaso. Cerca de 37 mil agentes da Polícia e de unidades do Exército fazem parte da operação para garantir a segurança[5]. As “Olimpíadas de Inverno” vão acontecer entre 7 e 23 de fevereiro, mas as medidas de segurança vão ser mantidas até o dia 23 de março, uma semana depois do final dos “Jogos Paralímpicos”, que ocorrerão entre os dias 7 e 16 de março.

Trata-se do maior evento internacional organizado pela Rússia desde a queda da “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (СССР, na sigla em cirílico), em 1991, e um acontecimento ao qual o presidente Vladímir Pútin tem concedido muita importância, já que deseja transformá-lo em uma vitrine para o país. Algumas pessoas já tem chamado essa Olimpíada de “os Jogos de Putin”. Não se pode esquecer que, em 2018, Sóchi  se tornará a cidade-sede da “Copa do Mundo de Futebol da FIFA”.

Por causa do tamanho dos Jogos em Sóchi, muitos analistas fazem comparação com os “Jogos Olímpicos de Munique”, ocorridos no verão de 1972[6]. Naquela época, no entanto, em vez de o Evento ficar na história graças ao seu gigantismo, a Olimpíada foi marcada pela matança de 18 pessoas, entre atletas israelenses, terroristas palestinos e policiais. O responsável pelo acontecimento foi o grupo terrorista palestino denominado “Setembro Negro[7].  Pela primeira vez, o maior evento esportivo do mundo foi paralisado. Cogitou-se suspender os Jogos, mas o “Comitê Olímpico Internacional” (COI) decidiu manter a programação original.



Recentemente, três atentados terroristas aconteceram na cidade de Volgogrado (conhecida como Stalingrado durante a era soviética), a 600 km de Sóchi , entre os dias 15 de outubro e 30 de dezembro de 2013. Até o momento, Dóku Umárov[8], o líder do Дагестанский вилайет (Dagestáni Villayét)[9] foi o único separatista muçulmano que ameaçou os “Jogos de Sóchi”. O temor de novos atentados terroristas transformou a cidade  numa fortaleza, protegida por milhares de policiais e soldados acompanhadas de  medidas de segurança raramente vistas.

Após os ataques em Volgogrado, o presidente Putin afirmou que “aniquilaria todos os terroristas” na Rússia. O deslocamento das “Forças Armadas” e de “Agentes da Inteligência” na região dos “Jogos Olímpicos”, no entanto, prejudicará a “Segurança Pública” em Moscou, São Petersburgo” e outras cidades de um país enorme. As ameaças feitas antes do Evento começarem podem ser só uma “intimidação falsa”, mas é possível ocorrer a realização dos “ataques terroristas em outro(s) lugar(es). Dentre as dificuldades existentes em Sóchi que podem problematizar a “Segurança Pública” podemos destacar: a aproximação do litoral do “Mar Negro”; as rodovias estreitas (feitas na “Era de Stálin”); os engarrafamentos e relevo montanhoso.

A delegação dos “Estados Unidos”, como sempre, será grande. Nesse sentido “a cooperação” entre os serviços federais da inteligência e segurança russas e americanas tornou-se a palavra chave com a finalidade de prevenir atos terroristas e a cooperação entre Rússia e EUA poderia ser mais adequada no caso dosIrmãos Tsarnáevi e das viagens do Tamerlán no Dagestão. James Comey, diretor do Federal Bureau of Investigation” (FBI)[10], declarou estar satisfeito com o nível de interação com as estruturas de segurança da Rússia. Conforme sua afirmação, cerca de duas dezenas de agentes do FBI irão permanecer em Moscou e cerca de mais uma dezena em Sóchi.

A Rússia colocou as forças de segurança em alerta de combate na região de Stavropól, Sul do país, após a descoberta de cinco corpos com marcas de tiros e explosivos. Os corpos foram encontrados em quatro carros em dois bairros diferentes da capital de Stavropol, na região do Cáucaso, onde a Rússia enfrenta a insurgência de militantes islâmicos que ameaçam impedir a realização da Olimpíada.

Um artefato explosivo não identificado também foi encontrado perto de um dos veículos. As regiões de conflito (“Karacháy-Cherkésia” е Kabardíno-Balkária”), são próximas de Sóchi, por isso sobressaltam-se várias dificuldades, as quais podemos citar: 1) a instabilidade e o terrorismo no Cáucaso Norte” que atinge outras regiões (por exemplo, o ataque ao Aeroporto Internacional Domodedovo”, em 2011); 2) o assunto da controvérsia Circassian[11]; 3) a relação bilateral Geórgia-Rússia[12]; 4) a política russa com relação à República Abkházia[13] e 5) a dinâmica no Região de Krasnodár[14].

O primeiro aspecto da Segurança Pública” durante as Olimpíadas é cuidar fisicamente dos civis, esportistas e turistas e o modelo do acontecimento terrorista em Volgogrado, cometido por uma “terrorista suicida” no dia 29 de dezembro de 2013, que detonou uma bomba no posto de controle de armas na entrada da principal estação de trens, é um excelente estudo de caso de como isso poderá ser feito.

Uma das ações possíveis é o estabelecimento de um “Posto de Controle Preliminar” antes do posto ao lado da entrada do metrô, aeroporto, porto, sala, edifício, estádio, arena, pista etc. Assim, o “Espaço da Segurança” será maior do que normalmente, mas as condições nas cidades como Volgogrado obrigam a levar em consideração tais medidas. A finalidade é a prevenção de atentados terroristas e os “danos colaterais” menores. De forma que os únicos ameaçados passam a ser os agentes de segurança, mas esses riscos são inerentes à profissão.

Por sua vez, casos como o segundo atentado em Volgogrado, quando ocorreu um atentado suicida em um ônibus elétrico e foi efetuado por uma mulher-bomba, não oferecem muitas opções, pois a intenção e o lugar de realização de atos terroristas com homens-bomba tendem a ser imprevisíveis. Por isso, apresenta-se como um fator essencial a avaliação do risco de ocorrência de um atentado terrorista e o desenvolvimento continuado da Inteligência Estratégica”.     

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Imagem (Fonte):

http://www.cbc.ca/news/world/sochi-security-the-mystery-group-behind-russia-s-islamist-insurgency-1.2490522

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Fontes:

[1] Ver:

http://putin.kremlin.ru/bio

[2] Ver:

http://www.sochi2014.com/en

[3] Ver:

http://www.fsb.ru/

[4] Ver:

http://www.sochiadm.ru/

[5] Ver:

http://mvd.ru/

[6] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Munich_massacre

[7] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Black_September_%28group%29

[8] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Dokka_Umarov

[9] Ver:

http://vdagestan.com/

[10] Ver:

http://www.fbi.gov/

[11] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Circassian_nationalism

[12] Ver:

http://ria.ru/analytics/20140115/989374999.html

[13] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Abkhazia

[14] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Krasnodar_Krai

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Ver tambémHistory as a Weapon, The Circassian Issue Standing Between Russia and Georgia. 24 september 2011. Sergei Markedonov”:

http://eng.globalaffairs.ru/number/History-as-a-Weapon-15335

Ver também Analysys: Circassian Issue and Abkhazia – Historic Moments and Modern Challenges Circassian Issue and Abkhazia – Historic Moments and Modern Challenges. Written by Arda INAL-IPA”:

http://apsnypress.info/en/analytic/628.html

Ver também “Circassian Issue” in the Information War of Georgia against Russia”:

http://www.peacekeeper.ru/en/?module=news&action=view&id=15187

Ver também Concerns and controversies at the 2014 Winter Olympics”: http://en.wikipedia.org/wiki/Concerns_and_controversies_at_the_2014_Winter_Olympics

Ver também:

http://www.huffingtonpost.com/tag/sochi-olympics-security


AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Disputas históricas e fissuras contemporâneas no caso Peru e Chile em Haia

Em 27 de janeiro de 2014, será anunciada a decisão da “Corte Internacional de Justiça de Haia” (CIJ), principal órgão judicial da “Organização das Nações Unidas” (ONU), sobre o litígio marítimo entre Chile e Peru.

A polêmica teve início quando, em 16 de janeiro de 2008, a CIJ passou a arbitrar a disputa entre os dois países. O texto do Processo diz respeito à delimitação de fronteiras marítimas entre dois Estados localizados no Oceano Pacífico”, a começar na “Costa Concordia” – cujo ponto central está localizado na primeira ponte sobre o Rio Lluta, ao longo da “Ferrovia Arica-La Paz” – e com final delimitado pelo “Tratado de 3 de junho de 1929*. Além disso, trata de um reclamo do Peru com relação a uma zona marítima de 200 milhas náuticas da costa desse país, que o Chile considera alto-mar[1].

Ao longo do ano de 2012 foram feitas audiências nas quais cada uma das partes apresentou suas considerações e somente em 13 de dezembro de 2013 a CIJ anunciou a data para apresentação de sua deliberação sobre o caso. Nos dois últimos anos, a sociedade civil organizada de ambos os países realizou uma série de eventos, encontros e outras iniciativas que promovessem a respeitabilidade à decisão de Haia.

Em 12 de agosto de 2012, representantes da sociedade civil organizada do Peru e do Chile assinaram aDeclaração de Lima”, durante o2º Encontro Peruano-Chileno: Pensando o Futuro”, realizado no dia 3 de agosto de 2012.

O Documento é um esforço conjunto de um grupo formado por congressistas, acadêmicos, empresários, representantes de órgãos da chancelaria e Forças Armadas”, que solicitaram aos seus respectivos governos que trabalhassem para a construção de uma agenda comercial e social mais integrada, independente do resultado final do Processo. Também pediram a condução pacífica do julgamento em Haia sobre o litígio fronteiriço entre os dois países[2].

Além desse, outros encontros foram realizados com o mesmo objetivo, nos quais apresentaram possíveis projetos a serem desenvolvidos entre os países nos campos de: integração energética; geração de um polo de desenvolvimento entre Arica (Chile) e Tacna (Peru); proteção de biomassa marítima e política de imigração conjunta. Dessas, a última foi recentemente aprovada, mediante a entrada em vigor do “Acordo Marco para a Implementação do Sistema de Controle Integrado” (SCI), assinado em 2011[3].

Não obstante essas iniciativas, os próprios Governos têm enfatizado o consenso entre as partes. No entanto, os países possuem uma relação historicamente instável no que tange suas questões territoriais limítrofes. A “Guerra do Pacífico” (1879-1883) foi um acontecimento importante nesse processo, porque permitiu que o Chile ampliasse suas possessões, através, principalmente, de territórios até então circunscritos às soberanias peruana e boliviana**.

Segundo a pesquisadora Verónica Millet, da “Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais” (Flacso) do Chile, essa herança passada ainda afeta, na atualidade, a relação entre os países através da geração de imagens que criaram uma percepção negativa um do outro. Para ela, são três as imagens produzidas: a primeira é a do ganhador e do vencido; a segunda, do invasor e do invadido; já a terceira, a de um país exitoso com seu vizinho politicamente instável e com altos níveis de pobreza[4].

Conforme a primeira imagem, a guerra aparece como um marco da história bilateral e regional. De um lado, o Peru tem na guerra o seu acontecimento mais importante do ponto de vista da história militar, que gerou um trauma nacional, em função da derrota para os chilenos. De outro lado, o Chile, mediante a permanência da imagem de suas Forças Armadas” (FFAA) como um Exército sempre vitorioso, gerou um excessivo sentimento de orgulho nacional entre seus cidadãos. Como consequência, a imagem de ganhador e de vencido, de um e outro país, permanece até hoje e contribui para a criação de uma percepção fundamentalmente antagônica entre si[4].

Além desta, há ainda, entre os setores mais conservadores, a persistência de uma imagem de país invadido, frente aos investimentos chilenos no Peru. Mesmo que exista uma percepção geral de que os capitais chilenos enviados ao vizinho sul-americano favorecem o desenvolvimento econômico, os setores citados acreditam que isso, na verdade, é uma nova invasão chilena, tal como o foi ao final da “Guerra do Pacífico[4].

Por fim, há a outra imagem alimentada pelas anteriores, que estrutura a percepção peruana sobre o Chile, de que é um país arrogante e orgulhoso de sua potencialidade econômica e estabilidade política, que privilegia a vinculação com outras regiões ao fortalecimento de parcerias em seu entorno. Da mesma forma, as percepções chilenas, são alimentadas pelo discurso triunfalista e identitário, nascido nos anos 1980, quando o país despontava como uma das promessas econômicas na América do Sul[4].

Tendo em mente tais questões, o escritor e correspondente internacional do jornalExpresso[5], de Portugal, Luis Novais, em entrevista concedida à pesquisadora, em 11 de janeiro de 2014, acredita que o relacionamento entre os países não sofrerá alterações após o resultado do julgamento. Segundo ele: “o Peru é hoje muito importante para a internacionalização das empresas Chilenas. As principais cadeias de distribuição peruanas já são chilenas. Não vejo que haja qualquer interesse do país do Sul em afetar o seu normal relacionamento com o vizinho do Norte[5].

Com relação aos grupos de interesse que poderiam ser afetados ou não pela decisão da CIJ, oferecendo algum tipo de resistência à sua aceitação, ele argumenta que existem algumas vozes mais nacionalistas que têm uma preocupação maior com o caso, sobretudo, na arena comercial, com relação à grande presença de empresas chilenas no país. Além disso, acrescenta: “não é um tema que incomode muito a classe média peruana, mas ainda assim causa alguma incomodidade (sic), devido a algumas feridas da história. Por outro lado, o tema passou ao lado da recente campanha eleitoral chilena. Apenas alguns políticos mais radicais do Chile têm apresentado alguma contestação a uma aceitação da sentença. Por exemplo, o deputado Tarud [em referência ao deputado Jorge Tarud, do Partido pela Democracia (PPD)] propôs um referendo sobre o caso. O que, sim, poderia criar certa tensão, seria que a sentença fosse desfavorável ao Peru. Há uma convicção generalizada de que o país vai ganhar esta disputa. Tudo o que seja o contrário disso, estou convicto de que criará uma sensação de frustração, em que o principal prejudicado seria o próprio Chile[5].

Sobre o resultado do processo, ele acredita que o Peru irá ganhar, apostando que “o Chile não se importa muito de perder e que saberá tirar partido da aparente derrota[5]. Assim, é possível perceber como a disputa é algo importante para o futuro das relações internacionais na América do Sul e América Latina”. Não somente esta, como outras disputas sobre a utilização ou posse de territórios – na mais ampla acepção do termo – ainda permanecem sem resolução, ou mesmo aguardando alguma sentença por parte de Haia. Poderiam ser citados como exemplos, os casos da Nicarágua e Colômbia, com relação a uma fronteira marítima entre os países[6], e o da Guiana e Venezuela sobre regiões petrolíferas nos mares caribenhos[7].

Portanto, independente do resultado arbitrado para o litígio entre Peru e Chile, há que se ter mente, para uma boa percepção do tema, a grande gama de fundamentos que estão por trás de tal episódio, sejam eles de caráter político, social, cultural, histórico ou econômico.

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* O também chamado “Tratado de Lima” foi assinado em Lima (Peru) pelos presidentes Augusto Bernardino Leguía y Salcedo (1919-1930), do “Partido Civil” (PC), e Carlos Ibañez del Campo (1927-1931), que foi apoiado por vários partidos, com relação à disputa pelas regiões de Tacna e Arina, tendo a primeira ficado sob a jurisdição territorial do Peru e a seguinte com o Chile

** A Bolívia, inclusive, também abriu um processo em Haia contra o Chile para conseguir acesso ao “Oceano Pacífico”. A Corte passou a julgar o caso em 24 de abril de 2013.

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Imagem Entrada do Exército chileno em Lima durante Guerra do Pacífico (1881)” (Fonte):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Entrada_del_ej%C3%A9rcito_chileno_a_Lima_(1881).jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.icj-cij.org/docket/files/137/14387.pdf

[2] Ver:

http://www.fes.org.pe/index.php/component/content/article/1-destacado/54-encuentro-peruano-chileno-pensando-el-futuro

[3] Ver:

http://www.eldinamo.cl/2013/12/07/peru-y-chile-pusieron-en-vigencia-sistema-de-control-integrado-en-la-frontera/

[4] Ver:

http://www.scielo.cl/scielo.php?pid=S0718-090X2004000200015&script=sci_arttext&tlng=pt

[5] Ver:

http://expresso.sapo.pt/

[6] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/colombia-e-nicaragua-em-nova-tensao-por-limites-maritimos/

[7] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/apreensao-de-navio-internacional-em-area-de-litigio-acirra-tensoes-entre-guiana-e-venezuela/

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Muito além de Shinzo Abe: percepções chinesas sobre o Novo-Velho Japão

Beijing já via um Japão mais ativo regionalmente se formando no horizonte muito antes da ascensão de Shinzo Abe ao poder. A China vinha identificando uma crescente assertividade japonesa em questões regionais e globais desde meados da década passada, principalmente  devido ao fortalecimento da parceria estratégica dos japoneses com os “Estados Unidos”.

Embora ancorada numa sólida relação econômica bilateral, a decisão japonesa de incluir a questão de Taiwan como parte de seu acordo estratégico com os norte-americanos em 2005 já havia acendido a luz amarela para alta cúpula do partido comunista em Beijing. A “Declaração Estados Unidos – Japão” de fevereiro de 2005 fez não somente das disputas no “Estreito de Taiwan” objeto de interesse de segurança japonesa, mas, também, reforçou temas já anteriormente consolidados como: assegurar a estabilidade na região da Ásia-Pacífico; dar suporte a uma unificação pacífica da península coreana; normalizar as relações com Moscou em torno das disputas territoriais no norte do país e, finalmente, desenvolver relações com os chineses “dando boas-vindas ao país a desempenhar um responsável e construtivo papel tanto regional quanto globalmente[1].

No entanto, como descreveu um acadêmico taiwanês especialista em segurança regional, já desde 2005 houve uma clara mudança de tom por parte de Tóquio no que se refere às relações e disputas entre os dois países, algo que em nada contribui para as relações bilaterais.  O “Informe de Defesa” japonês de 2010 é um exemplo contundente dessa “mudança de tom”*. No Documento, o Japão manifesta estar atento e incomodado com relação ao crescente poderio militar chinês e suas contínuas intervenções em águas territoriais japonesas ou em áreas objeto de disputas entre as duas partes. De seu lado, a China classificou tanto o Documento quanto a percepção japonesa com relação a sua modernização militar como “paranóica e calcada numa mentalidade da guerra fria[2]. A China insiste que seu incremento militar tem bases essencialmente pacíficas e defensivas em qualquer sentido.

 O editorial do jornal “China Daily”, em 2010, intitulado “Japan’s military ambitions”, deu um ótimo indicativo do profundo desencontro de percepções que cada lado nutre de suas políticas de defesa. De acordo com o editorial, ao investir na modernização de suas forças armadas, a fim de prover alta capacidade de mobilidade as suas tropas e concentrando atenção na região sudeste do país, junto as fronteiras com a China, o Japão tomou decisões “provocativas e [deu] uma péssima notícia para seus vizinhos, uma vez que estes já haviam sido vítimas do passado militarista japonês[2].  O editorial foi mais a fundo e classificou o informe militar japonês como recheado de “elementos direitistas da sociedade japonesa que poderia levar a um perigosa tendência de reavivar o militarismo no país[2]. Ele finaliza dizendo que o Japão, ao “apontar o dedo[2] para a modernização militar da China, apenas encobre suas próprias intenções militares.

A despeito de todo o tom nacionalista que a imprensa oficial chinesa utiliza em relação aos japoneses, os estrategistas da China têm apontado de forma mais direta os câmbios ocorridos no comportamento de Tóquio na última década e afirmam que este se reforçou ainda mais com chegada de Abe ao poder:

1. O Japão tem aumentado sua já importante capacidade militar robustecendo seus laços estratégicos com os “Estados Unidos” desde 1996. Esses acordos têm permitido ao Japão ampliar seu papel em questões estratégicas no leste asiático e na Ásia como um todo. A China destaca como absolutamente simbólicos neste aspecto o suporte americano às ações do ex-primeiro-ministro Koizumi em apoiar o esforço de guerra americano no Afeganistão, enviando navios ao “Oceano Índico”, e o apoio japonês no Iraque, em 2003.

2. Beijing, já há algum tempo, tem julgado os japoneses muito mais reativos às suas tentativas de influência na região. A decisão japonesa de elaborar uma proposta “rival” e similar de “Tratado de Livre Comércio” com os países da ASEAN no início da década já tinham sido vistas por este ângulo.

3. Da mesma forma, também foi observada como um confronto direto a decisão de competir abertamente pelo acesso ao petróleo russo via um gasoduto oriundo da Sibéria objetivando o leste asiático, no caso, o “East Siberia-Pacific Ocean oil pipeline” (ESPO).

Além destas questões, Beijing vem afirmando que Tóquio tem aumentado suas ações de exploração marítima de gás em águas clamadas por Beijing. Acrescente-se ainda a manutenção das inflamadas visitas de altos oficiais japoneses ao “Memorial Yasukuni” e a já clássica questão que também causa espécie em todo o leste e sudeste asiático: o problema da soberania das ilhas disputadas por vários dos Estados da região.

Como podemos perceber, as recentes ações dos países em relação as “Ilhas Senkaku/Diaoyu” estão inseridas num contexto mais complexo que foge meramente as questões levantadas pela mídia quase diariamente. É importante ainda lembrar que, dentre os três principais imperativos de política exterior chinesa (questões envolvendo os “Estados Unidos”, o Japão e Taiwan), o Japão é sempre considerado como o mais sensível de todos.

Este país, mais que uma questão de política externa, exerce enorme influência no humor da massa chinesa, sendo um assunto “emocional por natureza” (Shirk,2007)[3], além de ser objeto de manipulação política por parte do PC chinês, que usa e permite as manifestações nacionalistas nas ruas das grandes cidades da China como elemento de pressão nas relações com os japoneses.

Há ainda um componente subjetivo, uma vez que uma confrontação direta contra os “Estados Unidos” está absolutamente fora de questão para a cúpula político-militar chinesa, pois a China não dispõe de capacidades (ou mesmo intenções) de fazê-lo, seja econômica, seja militarmente. O mesmo, no entanto, não se passa em relação ao Japão.

Os chineses vêem o Japão como uma “potência de segunda linha[3] cuja economia “depende pesadamente do crescimento econômico chinês” (Shirk, 2007: 145)[3]. Se essas percepções encontram eco na realidade é ainda objeto de muita discussão no meio acadêmico. O fato, no entanto, é que o padrão de suspeita mútua é ainda a mais elementar característica nas relações sino-japonesas, mesmo após a consolidação de um formidável intercâmbio econômico.

As disputas territoriais tão alardeadas pela mídia mundial somente mostram cada vez mais que tanto Beijing quanto Tóquio são incapazes de entender suas relações atuais sem as lentes do passado histórico. E, ao que tudo indica, essa característica ainda permeará as relações dos dois mais importantes países da Ásia para as próximas décadas.

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* Declaração dada em entrevista ao autor no dia 15 de março de 2013.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver: JOINT STATEMENT U.S.-JAPAN SECURITY CONSULTATIVE COMMITTEE. 19 de fevereiro de 2005. Ministério das Relações Exteriores do Japão. Disponível em:

http://www.mofa.go.jp/region/n-america/us/security/scc/joint0502.html

Ver tambémJapan-U.S. Joint Declaration on Security – Alliance for the 21st century – Abril de 1996 (Clinton-Hashimoto Declaration)”. Disponível no Ministério das Relações Exteriores do Japão:

http://www.mofa.go.jp/region/n-america/us/security/security.html

[2] Ver: “Japan’s military ambition”. Editorial, China Daily News., 20 de dezembro de 2010. Disponível em:

http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2010-12/20/content_11724893.htm

[3] Ver: SHIRK, Susan L. China: Fragile Superpower (New York, Oxford University Press, 2007).

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Ver ainda: SUTTER, Robert G. China’s Rise in Asia: Promises and Perils (New York, Rowman & Littlefield Publishers: 2005).

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Estados Unidos: redução dos estímulos econômicos e a melhora nas taxas de desemprego

Desde a crise de 2008 os “Estados Unidos da América” (EUA) vem enfrentando diversos problemas de ordem socioeconômica.  No entanto, o Estado, por meio de seus organismos governamentais, tem buscado implementar políticas com a finalidade de melhorar os índices socioeconômicos do país. Ao longo do último ano, o “Federal Reserve” (Fed), o “Banco Central Americano”,  revelou taxas positivas no que tange à diminuição do desemprego, à geração de postos de trabalho e do próprio “Produto Interno Bruto” (PIB).  Tais apontamentos feitos tanto pelo Fed, como também pelo “Departamento do Trabalho Norte-Americano revelam uma continuidade no que se refere à recuperação da economia, com ressalvas, porém, no que diz respeito a alguns setores do mercado.

Segundo dados apontados pelo “Departamento do Trabalho”, estima-se que mais de 11 milhões de americanos estejam desempregados. Desses, levando em consideração o desemprego a longo prazo, mais de 4 milhões estão sem ocupação há mais de 27 semanas, ou seja,  aproximadamente 6 meses[1]. Apesar disso, no decorrer de 2013 ocorreram significativas quedas nas taxas de desemprego. Assim, as referências disponibilizadas pelo “Departamento do Trabalho Norte-Americano” assinalavam que em maio de 2013 as taxas de desemprego no país giravam em torno de 7,5%[2], em outubro do mesmo ano eram de 7,3%, em novembro registravam 7%[3] e, ao final do ano, passaram para 6,7%[4]. A diminuição na taxa de desemprego até dezembro não significou apenas um melhora da economia do país, mas, também, no quadro socioeconômico, uma vez que refletiu no aumento dos níveis de novos postos de trabalho.

Conforme apontam, as taxas relacionadas à geração de postos de trabalho também apresentaram significativos avanços. No período que abrange abril até junho de 2013 o mercado norte-americano marcava uma média de 159 mil postos[5]. Já em outubro, foram criados aproximadamente 203 mil outros, o que assinala o nível de desemprego mais baixo desde 2008. A significativa melhora apresentada foi impulsionada, sobretudo, pelos setores da construção civil e manufatura, justamente setores que eram apontados no início de maio de 2013[6] como os críticos e até mesmos estagnados, tendo ocorrido que, em dezembro, tiveram uma nova queda.

Cabe ressalvar, no entanto, que os níveis positivos levam em consideração o retorno ao trabalho dos funcionários federais que ficaram paralisados durante o shutdown (paralisia parcial dos serviços e atividades) do “Governo dos Estados Unidos” em outubro passado. Alguns analistas temiam consequências maiores e mais profundas, no que tange a possíveis desdobramentos do shutdown, contudo o impasse orçamentário teve impacto mais limitado na economia do que se receava inicialmente[7]. Adicionalmente, segundo apontamento do relatório do “Departamento do Trabalho”, ocorreu “a criação de 60 mil empregos a mais em setembro e em agosto do que divulgado anteriormente, sugerindo que a economia tinha impulso de alta antes da paralisação do mês passado[8].

Tendo em vista esse cenário progressivo da economia, com a diminuição da taxa de desemprego e aumento da oferta no mercado de trabalho, o Fed já anunciou que fará uma revisão das políticas de estímulo monetário na economia, visando a sua redução. Conforme apontam as atas da reunião do Comitê de Política Monetária” (o “Federal Open Market Committee” – FOMC), A maioria dos membros concordou que a melhora acumulativa nas condições do mercado de trabalho e a possibilidade de que a melhora será sustentável indicavam que o Comitê pode, apropriadamente, começar a reduzir o ritmo de suas compras de títulos[9].

Ademais, é preciso considerar ainda a avaliação do Fed para o “Produto Interno Bruto”, realizada ao final do ano passado, na qual, segundo assinala o “Departamento de Comércio Norte-Americano”, o crescimento do país no terceiro trimestre de 2013 foi de aproximadamente 3,5%, um considerável avanço em relação ao trimestre anterior, no qual o PIB registrava 2,5%. Apesar desse quadro evolutivo, como bem afirmam alguns especialistas, o último trimestre de 2013, mais precisamente no mês de dezembro, representou uma considerável desaceleração do PIB e das taxas de geração de novos postos de trabalho. Nesse aspecto, e de acordo com esses analistas, o motor principal para o crescimento do PIB nesse momento foi o aumento dos estoques privados, um processo que tende a se esgotar quando não ocorre um consumo maciço. Tendo em vista que o consumo cresceu a uma média de 1,4% no terceiro semestre, deve-se considerar que ele foi o mais lento desde 2009[10].

No final de dezembro de 2013 foram registradas as taxas mais baixas nos últimos três anos, no que tange à geração de postos de trabalho, onde foram criadas apenas 74 mil novas vagas[11]. As estimativas tanto do Governo quanto de analistas eram duas vezes maiores do que as apresentadas. Apesar disso, a taxa do país caiu para 6,7% e, como apontado anteriormente, é a menor desde 2008.

O “Federal Reserve” anunciou que a tendência das taxas de desemprego é decair e, portanto, pretende reduzir as políticas de estímulo monetário. Na reunião em dezembro, decidiu reduzir em 10 bilhões as compras mensais de título, que são feitas com a finalidade de estimular a economia, passando de 85 bilhões para 75 em 2014.  Contudo, muitos integrantes do “Comitê de Política Monetária” se mostram resolutos com a medida, pois creem que “expressariam preocupação com a possibilidade de aperto involuntário das condições financeiras se a redução nas compras de ativos fosse interpretada como sinalização de que o comitê provavelmente vai retirar a medida expansionista mais rapidamente do que o esperado[12].

Nesse proscênio, alguns analistas mostram-se otimistas quanto às taxas de crescimento do presente ano, apontando que as mesmas podem chegar a um aumento do PIB de 3%, resultado bem superior ao de 2013, que finalizou em 1,7%. Outro fator positivo diz respeito ao número de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA, que caiu aproximadamente em 15 mil no início de janeiro, passando para 330 mil segurados, de acordo relatório do “Departamento de Trabalho”. No início de dezembro de 2013, os números do seguro desemprego giravam em torno de 350 mil, o que representa uma queda contínua, haja vista que em meses anteriores marcavam quase 360 mil[13].

Contudo, a diminuição da taxa de desemprego para 6,7% em dezembro, não foi acompanhada num crescimento de postos de trabalho. Ao contrário, apesar do crescimento dos setores de serviços, indústria e lazer, o setor da construção civil dispensou mais de 16 mil postos, a maior queda em quase 2 anos. Já o setor cinematográfico cortou quase 14 mil vagas. Outros setores do mercado também fizeram significativos cortes de pessoal[14]. Por fim, em ata apresentada pelo Fed, aproximadamente 62,8% da população procura emprego, o que é a taxa mais alta em 36 anos[15].Nesse âmbito, alguns analistas afirmam também que a queda desse índice ocorre em razão da desistência de muitos jovens em buscar emprego. Cabe observar ainda que o “Governo Norte-Americano considera apenas aqueles que afirmam buscar um emprego. Conforme esses analistas, a própria situação do mau tempo prejudicou os planos de contratação de novas pessoas. Apesar disso, com o fato de os “Estados Unidos” terem alcançado uma taxa de desemprego menor desde 2008, o Fed buscará promover realmente a redução das políticas de estímulo, porém cabe saber se essa medida não se apresenta um pouco apressada, haja vista o quadro inesperado ocorrido nas taxas de emprego e desemprego no último mês de 2013.

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Imagem (Fonte):

http://www.csmonitor.com/USA/Latest-News-Wires/2014/0110/Why-6.7-percent-unemployment-isn-t-good-news

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Fontes consultadas:

[1] Ver também:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/07/1306689-taxa-de-desemprego-nos-eua-fica-inalterada-em-junho-em-76.shtml

[2] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/05/130503_euaemprego_rn_pr.shtml

[3] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131206_desemprego_eua_pu_mm.shtml

[4] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140110_trabalho_eua_mm.shtml

[5] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131206_desemprego_eua_pu_mm.shtml 

[6] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/05/130503_euaemprego_rn_pr.shtml

[7] Ver também:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE9A704S20131108?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0&sp=true

[8] Ver também:

Idem.

[9] Ver também:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/fed-esta-mais-confiante-na-queda-do-desemprego-nos-eua-diz-ata.html

[10] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131206_desemprego_eua_pu_mm.shtml

[11] Ver também:

http://www.csmonitor.com/USA/Latest-News-Wires/2014/0110/Why-6.7-percent-unemployment-isn-t-good-news

[12] Ver também:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/fed-esta-mais-confiante-na-queda-do-desemprego-nos-eua-diz-ata.html 

[13] Ver também:

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPEA0S11X20140109 

[14] Ver também:

http://www.csmonitor.com/USA/Latest-News-Wires/2014/0110/Why-6.7-percent-unemployment-isn-t-good-news 

[15] Ver também:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE9A704S20131108?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0&sp=true

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