ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Equipe de futebol chinesa vence a “Liga Asiática” (Repercussões no País)

Ao conseguir dois empates (3-3) frente ao “FC de Seoul” (“Coreia do Sul”), com um jogo dentro de casa e outro fora, o “Guangzhou (Cantão) Evergrande” (“Guangzhou Hengda”, em mandarim) venceu na noite do sábado (dia 9 de novembro) a “Liga dos Campeões da Confederação de Futebol da Ásia (CFA)”. A equipe chinesa representará a Ásia no “Campeonato Mundial de Clubes da FIFA  (Federação Internacional de Futebol)”, a se realizar no Marrocos, no próximo mês de dezembro[1].

Torcedores chineses, em número de 55.847, lotaram por completo o “Estádio de Tianhe”. Acredita-se que cerca de 30 milhões de pessoas na China tenham visto a partida através de vários canais de televisão chineses, principalmente da CCTV-5 (abreviatura inglesa para “Televisão Central da China – 5”), a principal estação nacional  de televisão de desporto[2].

A equipe da capital da “Província de Guandong” (no sul da China, tida como a província mais rica do país) é orientada pelo experiente italiano Marcello Lippi, que passa a ser o único treinador do mundo a vencer duas ligas dos campeões em continentes diferentes. Ao troféu recém conquistado junta-se também o de 1996, ganho pela Juventus da Itália, além do título de campeão do mundo de 2006, ganho pela seleção italiana[3].

Neste momento, o combinado principal de Cantão conta com quatros jogadores estrangeiros, sendo dois brasileiros, Luiz Guilherme da Conceição Silva (Muriqui), e  Elkeson de Oliveira Cardoso (Elkeson); um argentino, Darío Leonardo Conca (Darío Conca) e um sul-coreano, Kim Young-Gwon[4]. É importante destacar que o brasileiro Muriqui venceu ainda o prêmio de melhor goleador (artilheiro), com 13 gols em 14 jogos, e também foi escolhido como o melhor jogador da “Liga” ora terminada.

Devido à limitação do número de jogadores estrangeiros, o “Evergrande” dispensou a título de empréstimo outros três estrangeiros brasileiros. Para jogarem no Brasil: Renato Adriano Jacó Moreira (Renato Cajá), destinado ao Vitória, até 31 de dezembro de 2013, e Paulo Marcos de Jesus Ribeiro (Paulão), direcionado ao Cruzeiro, até 31 de dezembro de 2013. Para jogar no Japão: Cléverson Gabriel Córdova (Cléo), para o “Kashiwa Reysol”, até 1o de janeiro de 2014[4].

É a primeira vez que um clube chinês consegue tal proeza em mais de duas décadas, depois do “FC de Liaoning” conquistar um título similar em 1990 (na altura chamava-se “Campeonato Asiático de Clubes”). O novo formato, a “Liga dos Campeões da CFA”, data da temporada 2002/2003, depois da fusão da “Copa dos Vencedores da Copa Asiática” e da “Super Copa Asiática[5].

O feito do Evergrande é histórico se considerarmos o estado de crise em que o futebol chinês se encontra mergulhado há muitos anos, em particular com os resultados negativos da equipe nacional que até hoje só se qualificou uma vez para um campeonato mundial, na “Copa do Mundo  de 2002”, realizada conjuntamente por Coreia e Japão. A participação chinesa nessa Copa não foi feliz, pois a China foi eliminada na primeira fase sem ter marcado sequer um tento[6].

Fatores como escândalos envolvendo redes mafiosas ligadas às casas de apostas, dirigentes desportivos, treinadores, jogadores e árbitros, principalmente na “Superliga Chinesa” (o principal campeonato, com 16 equipes); a limitação de investimentos financeiros e na formação inicial de futebolistas; as questões sociais (poucas famílias encorajam os “seus únicos” filhos a sacrificarem os seus deveres da escola pelo futebol); o pouco profissionalismo dos jogadores etc., contribuem em particular para desastres frequentes da seleção nacional[7].

E o resultado disso é a presente percepção negativa que os chineses em geral têm do futebol do seu país e da sua seleção nacional. Em realidade, no país se fala frequentemente de a equipe nacional chinesa representar “humilhação”, “vergonha”, “piada” etc.[8].

A humilhante derrota caseira diante da Tailândia no dia 15 de junho deste ano (no dia que o presidente chinês Xi Jinping celebrava os seus 60 anos de idade) por 1-5, embora contando como um jogo amistoso, aumentou o descontentamento nacional e culminou com protestos dos adeptos chineses junto ao estádio da partida[9]. Também originou a demissão do treinador espanhol José António Camacho[10], depois de antes ele ter falhado em levar a China à “Copa do Mundo de 2014”, no Brasil,  e de ter posicionado a China em março de 2013 no desprestigiante 109º lugar do ranking da FIFA (a posição mais baixa do país)[11]. Para o “Mundial de 2018”, na Rússia, a China já está excluída de fazer parte da lista dos países que encabeçarão as listas dos respectivos grupos na fase de qualificação[12].           

A angústia pode se considerar compreensível, apreciando o fato de ser o mais populoso país do mundo (com mais de 1,3 bilhão de habitantes) e um dos países mais medalhados nos “Jogos Olímpicos”. Por exemplo, entre os “Jogos de Barcelona”, em 1992, e os “Jogos de Londres”, em 2012, a China foi pelo menos um dos quatro melhores países, com o destaque de ter sido o melhor em 2008, quando a sua capital Pequim foi a sede dos mesmos[13].

Ainda mais, o país é hoje uma potência econômica e militar. Sendo o futebol o desporto das massas, o sucesso do futebol chinês e da seleção nacional contribuiria para o Soft Power da China.

De uma forma geral, os chineses se jubilam por uma equipe sua ganhar um troféu continental. Há pessoas no país e não só nele que entendem que o sucesso do Evergrande pode ser o ponto da virada para a melhoria de todo o futebol e da seleção chinesa que já ocupava a posição número 97 na lista do ranking da FIFA do mês de outubro[14]

Porém, há um consenso também de que os problemas que enfermam o futebol chinês não se resolvem com um simples sucesso de uma equipe que singularmente investe avultadas somas de dinheiro. Nos 3 anos passados, o patrono do Evergrande, Xu Jiayi – o 13º homem mais rico da China, pagou cerca de 250 milhões de dólares em compra de jogadores nacionais e estrangeiros[12]  e da equipe técnica composta por 14 pessoas, das quais 9 são estrangeiras[4].

No cômputo geral, se apela para uma mudança estrutural ao nível governamental, empresarial e da sociedade. Em particular, se fala que o combate à corrupção no futebol deve se enquadrar numa estratégia mais ampla que envolva também outros setores da sociedade[7].

É importante referir que o Presidente da China”, Xi Jinping, publicamente conhecido como adepto de futebol, está também preocupado com atual o curso do futebol do seu país. Em algumas das suas visitas ao estrangeiro ou com delegações estrangeiras tem falado da sua paixão pelo futebol e dos seus desejos neste desporto. Por exemplo, ainda na qualidade deVice-Presidente da China”, em julho de 2011 quando se encontrou com um político sul-coreano terá expressado os seustrês sonhospara o seu país: (1) participar numaCopa do Mundo”; (2) organizar umaCopa do Mundoe (3) vencer umaCopa do Mundo[12].

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Imagem (Fonte):

http://edition.cnn.com/2013/11/13/world/asia/china-football-turning-point/index.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.gzevergrandefc.com/english/news.aspx?ftid=4951

[2] Ver:

http://www.the-afc.com/en/about-afc/afc-departments/marketing/27198-acl-tvrecord-131113.html

[3] Ver:

http://provenquality.com/marcello-lippi-champions-league-record-setter/

[4] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Guangzhou_Evergrande_F.C.

[5] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/AFC_Champions_League

[6] Ver:

http://blogs.wsj.com/chinarealtime/2013/11/10/a-chinese-soccer-club-has-won-something/

[7] Ver:

http://www.economist.com/node/21541716

[8] Ver:

http://www.abc.net.au/news/2013-11-09/chinas-long-suffering-football-fans-on-edge/5078156

[9] Ver:

http://www.smh.com.au/sport/football/why-china-hates-its-football-team-20130620-2okfn.html

[10] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-07/06/c_132517633.htm

[11] Ver:

http://www.szdaily.com/content/2013-06/24/content_8213667.htm

[12] Ver:

http://edition.cnn.com/2013/11/13/world/asia/china-football-turning-point/index.html

[13] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/China_at_the_Olympics

[14] Ver:

http://en.fifaranking.net/nations/chn/

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

“Partido Comunista Chinês” em reunião

O “Partido Comunista Chinês” (PCC) realiza entre este sábado e segunda-feira (9 a 12 de novembro) a tão esperada reunião que acontece pela primeira vez depois da mudança da cúpula do governo, em março passado. Na China e no mundo reina uma certa expectativa sobre os resultados deste encontro que é considerado dos mais importantes do “18º Congresso”, que foi eleito em novembro de 2012, com duração até 2017, e cuja importância reside no fato representar a mudança da liderança do Partido e do Governo.

Acredita-se que o elenco de Xi Jinping anunciará reformas econômicas importantes para os próximos 10 anos, quer dizer, para a duração de sua liderança. Nesta perspectiva, as políticas a serem adotadas neste mês podem definir particularmente a marca do mandato de Xi Jinping e do primeiro-ministro Li Keqiang.

Na primeira Sessão, realizada em novembro do ano passado (durante o Congresso), elegeu-se Xi Jinping como “Secretário-Geral do PCC” e “Chefe da Comissão Militar Central”. Ainda se escolheu os 7 membros da “Comissão Permanente do Bureau Político do PCC” e os 25 membros do “Bureau Político do Comitê Central do PCC”. Em fevereiro de 2013, o Partido nomeou os principais líderes do Estado: Xi Jinping como “Presidente da China”, Li Keqiang como Primeiro-Ministro, os membros do “Conselho de Estado” (Governo) e os Presidentes do “Congresso Nacional do Povo” e da “Conferência Consultiva Política do Povo Chinês[1].

A história mostra que a “3ª Sessão Plenária” é usada pelos líderes comunistas chineses para anunciar políticas sociais, econômicas e administrativas de maior alcance. Por exemplo, foi numa Sessão como essa que durante o “11° Congresso”, que o PCC, sob chefia do visionário Deng Xiaoping, anunciou em 1978 as “reformas e a abertura do país à economia do mercado”, depois de “três décadas de reclusão”. Liderado por Jiang Zemin, durante o “14º Congresso o Partido”, ocorreu a aprovação, em 1993, da denominada “economia do mercado socialista”, responsável pelo rápido crescimento econômico do país nos 20 anos seguintes[2], permitindo especialmente diminuir o número das empresas estatais que na época totalizava 10 milhões para cerca de 300 mil, poucos anos depois[3]

De acordo com um documento intitulado “Plano 383” que circulou no seio dos “Think Tanks governamentais, as reformas a serem aprovadas nesta reunião-chave visam principalmente a “abertura do mercado”, a “transformação do governo” e a “reformulação das empresas” para incentivar a inovação[3].

O mesmo plano prevê “atacar” oito áreas que incluem: (1) corte das aprovações administrativas; (2) promoção da competitividade; (3) reforma da terra; (4) abertura do setor bancário e a liberalização das taxas de juros e da taxa de câmbio; (5) reforma do sistema fiscal, incluindo o estabelecimento da segurança social básica; (6) reforma das empresas estatais; (7) promoção da inovação, que inclui também a tecnologia verde; e (8) abertura do setor de serviços[3].  

Com estas medidas o Governo chinês acredita que conseguirá alcançar três importantes resultados: (1) a diminuição de entraves que limitavam a entrada de investidores no mercado, o que se refletirá no aumento da competitividade; (2) o estabelecimento de um pacote de segurança social; e (3) permitir que a terra comunitária seja vendida[3].  

Para melhor entender as reais transformações que podem ocorrer depois da aprovação destas e de outras políticas, deve-se observar uma das áreas sociais. É o caso da urbanização e do sistema de hukou (termo chinês para bilhete de residência). Dados oficiais apontam que até o final de 2012 existiam mais de 260 milhões (cerca de 20% da população total do país) de imigrantes rurais nas maiores cidades chinesas e nesses locais normalmente não se beneficiam da segurança social, educação para os seus filhos e têm dificuldades para acederem os cuidados de saúde. Ainda se estima que os próximos dez anos vão testemunhar um aumento da população imigrante na ordem dos 10 milhões anualmente[4].

Nesse sentido, é imprescindível que se avancem reformas com vista a regular o crescimento das cidades e a proporcionar benefícios a todos que ali vivem, social e economicamente. Por outras palavras, os comunistas irão propor novas medidas nas áreas de educação, saúde e habitação, principalmente para os chineses que vêm do campo e muito contribuem para o crescimento econômico do país. Por isso, é esperado que se reformule o sistema de hukou, que, atualmente, “discrimina” o grosso da população imigrante[5].

Apesar de se reconhecer que as novas medidas podem transformar a economia chinesa e também se refletir na economia mundial, há, no entanto, quem entende que as chances delas lograrem sucesso são mínimas se o PCC não lidar com a questão da dívida da economia do país, a luta contra corrupção e a promoção do Estado de Direito. Por outras palavras, reformas nestas três áreas são também necessárias[3]

Também é importante esperar que na reunião magna os delegados do PCC venham produzir um documento da política externa de Pequim que basicamente vise tranquilizar em particular as regiões da “Ásia Oriental”, da “Ásia do Sudeste” e o mundo no geral para que não temam o gigante asiático porque o seu “desenvolvimento econômico é pacífico” e a sua “ascensão global é pacífica”. A China poderá ainda nesta Sessão exigir do mundo um papel maior nas reformas da economia mundial, dado o seu peso econômico e financeiro.

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Imagem (Fonte):

http://www.scmp.com/news/china/article/1090841/tackling-graft-xi-jinpings-priority

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.chinausfocus.com/political-social-development/plenum-history-in-the-making/

[2] Ver:

http://english.caixin.com/2013-06-19/100543280.html

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/business-24803431

[4] Ver:

http://www.globalpost.com/dispatch/news/business/130729/chinas-260-million-new-spenders-may-save-economy

[5] Ver:

http://www.pri.org/stories/2013-05-01/chinas-hukou-system-puts-migrant-workers-severe-economic-disadvantage

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEUROPA

FUTEBOL: ESPELHO E REFLEXO DO SISTEMA INTERNACIONAL

No último sábado, dia 26 de Outubro de 2013, celebrou-se uma das mais relevantes datas para a história do esporte: o aniversário de 150 anos do surgimento do Futebol no mundo. Posto que inúmeros historiadores acreditem que as raízes do futebol datam de mais de três mil anos e considerem o cuju chinês, o kemari japonês e o epyskiros grego como os precursores do futebol, nenhum destes, na visão de especialistas no assunto, apresenta significativas semelhanças com o esporte que conhecemos como Futebol. Assim, na noite de 26 de Outubro de 1863, na taberna “Freemason’s Arms”, em Great Queen Street”, em Londres, um grupo de homens, que representavam os doze clubes londrinos existentes àquela época, reuniram-se e assinaram a que pode ser considerada a certidão de nascimento do futebol moderno: a criação da “Football Association” (FA) e a aprovação de um conjunto de 13 (treze) regras que constituíram o alicerce inicial do Futebol, padronizando a prática de um esporte que vinha sendo jogado de diversas formas e regras diferentes no cenário britânico da época.

Durante boa parte destes 150 anos de idade, muitos estudiosos têm buscado analisar as causas do excepcional sucesso e disseminação deste esporte no mundo, suas inúmeras implicações no cenário mundial e como o futebol se tornou um dos mais fortes elementos de coesão nacional no cenário internacional, impulsionado pela universalização das competições esportivas que passa a ocorrer a partir do início do século XX. É importante ressaltar, segundo o entender de alguns analistas, tais como Hilário Franco, a concepção de que o futebol pode ser encarado como uma metáfora da existência humana. Mais especificamente, este seria um mosaico que constrói com peças quantitativa e qualitativamente diferentes (jogadores, técnicos, torcedores etc.) a imagem síntese do mundo em que vivemos, a qual mostra tanto a realidade interna (anseios, medos, esperanças, alegrias) quanto a externa (social, econômica e política)[1].

Se em seus primórdios o futebol era visto como um esporte das elites, praticado apenas em círculos fechados, paulatinamente este foi se expandindo e se tornando o esporte mais praticado e popular em todo o mundo, o que, segundo Hobsbawm, se deveu pelo fato de, por ser este um jogo simples e elegante, não perturbado por regras e/ou equipamentos complexos e que podia ser praticado em qualquer espaço aberto, o futebol se tornou um esporte universal, o que se consolidou com a realização da primeira “Copa do Mundo de Futebol”, disputada em 1930, no Uruguai, país escolhido para ser sede da “Copa do Mundo” como forma de celebrar o centenário da independência uruguaia, denotando, desde já, o caráter político presente nas competições futebolísticas[2].

No tocante à disseminação do futebol pelo mundo, esta pode ser analisada como fruto da expansão do capitalismo na arena mundial, tendo seguido a lógica da influência cultural inglesa. A própria padronização das regras e a criação da FA, em 1863, se verifica no contexto histórico da “Segunda Revolução Industrial” e em plena expansão econômica vivenciada, à época, pela Inglaterra. Posteriormente, em fins do século XIX, época em que a delimitação das fronteiras nacionais era a preocupação primordial vigente, a FA passa a discutir a demarcação do campo de jogo. Outrossim, a própria expansão do capitalismo, levada a cabo pela Inglaterra, então uma potência econômica e comercial, propiciou a universalização do esporte na medida em que os costumes e práticas inglesas foram disseminados pelo mundo.

No Brasil, onde o futebol foi introduzido por intermédio de Charles Miller – estudante brasileiro, de pai escocês, que retornava de seus estudos na Inglaterra –, assim como na Inglaterra, o esporte se expandiu graças ao processo de industrialização e seu desenvolvimento se deve ao afluxo das companhias inglesas no país, principalmente as dos setores ferroviário e energético, que emergiram com o advento da “Revolução Industrial” e criaram uma classe operária que via neste outrora esporte das elites, fácil de ser praticado e de regras bastante simples, um esporte perfeito para seus anseios. É desta forma que o futebol acaba se tornando, com o decorrer dos anos, um esporte das massas.

Período importante a ser considerado é o que compreende os anos 1930, caracterizados por tensões e conflitos que vêm comprovar a derrocada do sistema de equilíbrio de poder europeu. As regras do futebol também são redefinidas e a FIFA, criada em 1904 segundo o modelo de um Estado-Nação soberano, é transferida para um país à época neutro no cenário europeu, a Suíça, como forma de atenuar a influência de questões políticas internacionais na organização do futebol mundial, a cargo da FIFA. Contudo, a mesma tensão política que marcava o relacionamento entre a Europa e a “América Latina” neste período se manifestou no universo futebolístico, fazendo com que a “Copa do Mundo de 1938” – realizada na França e sem que fosse respeitado o então existente rodízio de continentes na escolha dos países-sede da “Copa do Mundo” – tivesse apenas Brasil e Cuba como representantes do futebol do continente americano, tendo a Argentina liderado o boicote dos demais países desse continente à “Copa do Mundo de 1938[3].

Com o advento dos nacionalismos no cenário internacional, o futebol acaba adquirindo uma faceta política bastante acentuada, sendo representativo e portador dos interesses de governos e regimes, no que o exemplo descrito no periódico “Deutsche Welle” (DW) é bastante ilustrativo. Este ocorre em 1953, em plena “Guerra Fria”, na partida disputada entre a seleção da Hungria, país, à época, membro do bloco socialista, e a seleção da Inglaterra, membro do bloco capitalista, partida que terminou com o triunfo da seleção húngara, motivando intensa propaganda sobre a suposta superioridade do regime socialista face ao capitalista, prática que se intensificaria de forma acentuada no auge da “Guerra Fria”.

Outrossim, na Espanha dos anos 50 e 60, durante o governo de Franco, este apropriou-se do futebol como forma de enaltecer o país. Em oposição à Catalunha – região que até a presente data ainda almeja sua independência política da Espanha –, o governo do general Franco se utilizou do “Real Madrid” como instrumento de propaganda. Sendo o Barcelona o principal clube catalão, ostentando, inclusive a frase em catalão “Més Que Un Club” (“Mais Que Um Clube”, em português) para ilustrar a incorporação de um sentimento nativista catalão em sua história e formação, a rivalidade política transbordou para a esfera futebolística, contrapondo “Real Madrid” e Barcelona, os dois mais famosos times espanhóis.

Sem embargo, a última década do século XX é de grande importância para a “História Mundial”. A “Queda do Muro de Berlim” e a consequente reunificação alemã, o fim da antiga URSS, o término da “Guerra Fria”, o recrudescimento do processo de globalização, a revolução tecnológica nos meios de comunicação e a crise financeira mundial são fatos que provocaram mudanças significativas no sistema internacional, os quais acabaram por levar à emergência de uma nova ordem mundial calcada em novos paradigmas. E, à medida que esta nova ordem mundial emerge, o universo futebolístico, por espelhar e refletir as relações internacionais, também passa por inúmeras mudanças, as quais podem ser elencadas dentre as mais importantes para este esporte no decorrer destes seus 150 anos de existência.

A implosão da antiga URSS e a fragmentação de outros Estados – Iugoslávia e Tchecoslováquia – levou ao surgimento de novos Estados europeus ávidos por se fazerem presentes e reconhecidos no concerto internacional, bem como por buscarem elementos de coesão interna que propiciassem uma forte identidade coletiva. Grande parte desses novos Estados europeus – Montenegro, Bósnia-Herzegovina e Kosovo, por exemplo – buscou galgar prestígio por intermédio do futebol, como forma primordial de se inserir de maneira perspicaz no concerto internacional e de exaltar sua soberania, ou seja, com a constituição de uma equipe nacional de futebol. Para tanto, buscaram aderir, em primeiro lugar, à FIFA e não à ONU, como bem aponta o estudioso francês Pascal Boniface. Ainda segundo este, nesta nova ordem mundial, à definição clássica de Estado, calcada no trinômio território, população e governo, poder-se-ia inserir um quarto elemento essencial: uma equipe nacional de futebol[4]. No tocante a este ponto, a recente classificação da seleção nacional da Bósnia-Herzegovina para disputar sua primeira “Copa do Mundo”, a “Copa de 2014”, no Brasil, foi motivo de intensa comemoração e de grande união no país, que, por intermédio do futebol, obterá prestígio internacional, segundo garantem os próprios cidadãos do país.

Importante ressaltar que a revolução tecnológica nos meios de comunicação, essencial para disseminação da informação e para o crescimento da indústria do entretenimento, se foi fundamental para a expansão do conhecimento e para encurtar as distâncias o foi, sobretudo, para a mercantilização do futebol, atualmente, um dos mais lucrativos mercados mundiais, sendo a FIFA, na visão de Joseph Blatter, seu atual presidente, a maior empresa multinacional do mundo.

Os torneios, agora televisionados para os mais remotos cantos do planeta, rendem milhões de dólares e funcionam como canais de exposição para as mais diversas empresas dos mais diversos setores da economia mundial. Assim é que, no Japão, grande parte dos times que disputam o campeonato nacional não representam suas respectivas localidades, mas sim empresas patrocinadoras. Quanto aos torneios internacionais de grande visibilidade, estes passaram a associar aos seus antigos nomes, os nomes dos principais patrocinadores, vindo a antiga “Taça Libertadores da América” a ser agora conhecida como “Copa Santander Libertadores” e a “UEFA Champions League” a assumir a denominação de “Heineken Champions League”. Cumpre, também, registrar que a maior potência econômica europeia na atualidade, a Alemanha, é a que apresenta a mais proeminente e rentável liga europeia de futebol, a Bundesliga.

Por último, mas não menos importante, a globalização aumentou a porosidade das fronteiras, tornando o mundo bem mais integrado. Por outro lado, também provocou o surgimento (ou mesmo o reaparecimento) de manifestações xenofóbicas e, inclusive, a ascensão de certos comportamentos e atitudes racistas no mundo, as quais, mesmo em pleno século XXI, ainda são bastante visíveis. Um nacionalismo exacerbado diante de um afluxo de estrangeiros e de imigrantes tem se tornado algo recorrente, especialmente no continente europeu. E esta tendência se reflete no futebol, com os crescentes casos de racismo por parte de algumas torcidas para com jogadores negros e/ou estrangeiros, o que tem motivado inúmeras campanhas visando erradicar tais práticas. Por outro lado, a porosidade das fronteiras torna bastante visível o fato de que grande parte das equipes de futebol sejam compostas por jogadores das mais variadas nacionalidades. Mesmo as seleções nacionais vêm apresentando jogadores filhos de imigrantes e de diferentes etnias em seus quadros, a exemplo da França de Zinedine Zidane, da Itália de Mario Balotelli e, principalmente, da Alemanha de Lucas Podolski (de origem polonesa), Mesut Òzil (de origem turca), Gerald Asamoah (de origem ganesa) e Cacau (de origem brasileira). Enfim, este é o retrato do futebol, que em seus 150 anos de existência, celebrados no último dia 26 de outubro, impacta corações e mentes em todo o planeta, espelhando e refletindo o mundo em que vivemos.

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ImagemO Mundo é mesmo uma bola, uma bola de futebol” (Fonte):

http://paulohala.files.wordpress.com/2010/07/bola-mundo.png

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

FRANCO, H. A Dança dos Deuses: futebol, sociedade e cultura. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

[2] Ver:

HOBSBAWM, E. A Era dos Extremos. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2004.

[3] Ver:

SANTOS, M. A. Esporte e Relações Internacionais: a Diplomacia Futebolística como Ferramenta de Soft Power – o Caso do Brasil. Dissertação de Mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – PPGRI/UERJ. Rio de Janeiro: Novembro de 2011.

[4] Ver:

BONIFACE, P. Football et Mondialisation. Paris: Armand Colin, 2010.

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Ver também:

http://www.dw.de/fundado-em-taberna-londrina-futebol-completa-150-anos/a-17184347

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Aristides de Sousa Mendes, um justo em “Yad Vashem”

Natural de “Cabanas de Viriato”, distrito de Viseu, Portugal, Aristides de Sousa Mendes nasceu em 1885, em uma família aristocrática. Aos vinte e dois anos, licenciou-se em Direito pela “Universidade de Coimbra”, destacando-se como um dos melhores alunos do seu curso. Em 1910, ingressou na carreira diplomática, como “Cônsul em Zanzibar” tendo, posteriormente, sido colocado no Brasil. Neste país Sousa Mendes exerceu funções em Curitiba, Porto Alegre e São Luiz do Maranhão. Nos anos seguintes ele foi designado para os EUA, Espanha, Bélgica e França, mais especificamente em Bordéus[1], onde protagonizou um dos atos humanitários mais dignos da História contemporânea.

Aristides de Sousa Mendes desempenhou funções diplomáticas em momentos conturbados da História, para o seu país e para o mundo. Internamente, ele presenciou o fim da Monarquia e a instauração da República enquanto que, ao nível da política externa, assistiu à disputa entre as grandes potências europeias da época, que levaram à “Primeira Guerra Mundial”. O término da Grande Guerra, em 1918, não conseguiu pôr um fim definitivo aos conflitos no Velho Continente e, em 1933, o mundo presenciou a ascensão de Adolf Hitler ao poder. A Alemanha do III Reich, recorde-se, foi responsável pela perseguição sistemática aos judeus e a outras minorias, tendo exterminado milhões de pessoas em seus campos de concentração.

Enquanto a Europa vivia momentos de apreensão e incerteza ante a possibilidade de outro grande conflito, em 1938 Sousa Mendes foi designado “Cônsul de Portugal em Bordéus”. Em 1940, a França capitulou frente à Alemanha, o que tornou insustentável a situação dos refugiados em território francês, que passaram a ter como única alternativa de fuga a travessia da fronteira Sul em direção a Espanha e, depois, Portugal para, finalmente, chegarem à América. Até 10 de maio de 1940, os vistos de trânsito para Portugal poderiam ser obtidos em Bordéus[2]. Após esta data a rota de fuga para essas pessoas ficou proibida[3], na medida em que, depois a invasão da Alemanha, Portugal suspendeu a autorização para a entrada dos refugiados em seu território. 

Ante o agravamento da situação dos refugiados, Aristides de Sousa Mendes se viu confrontado com duas alternativas de atuação: ou obedecer às ordens de seu país ou agir em nome da causa humanitária. Ele decidiu-se pela segunda hipótese e, contrariando as determinações do Governo português, emitiu vistos de trânsito a todos os refugiados num escritório improvisado no Consulado de Portugal, em Bordéus. O Cônsul contou com a ajuda de dois de seus filhos e de vários judeus. As pessoas sem condições financeiras receberam os vistos gratuitamente[4]. Sousa Mendes trabalhou afincadamente durante os dias 17, 18 e 19 de junho de 1940 sem se permitir descanso. Segundo o Rabino Haim Kruger, é provável que, nesses três dias, tenham sido emitidos mais de trinta mil vistos, sendo que dez mil foram para cidadãos judeus[5].

A ação do Cônsul não ficou limitada a Bordéus, mas estendeu-se a Bayonne e a Hendaye, onde Sousa Mendes, enquanto superior hierárquico, ignorou as objeções dos diplomatas daqueles Consulados e emitiu pessoalmente milhares de vistos aos refugiados de guerra[6]. Porém, a sua atitude não passou despercebida e a notícia da “desobediência” chegou a Lisboa. O diplomata recebeu, imediatamente, ordens para retornar à sua terra natal.

Em Portugal, Aristides de Sousa Mendes foi destituído do cargo de Cônsul sem direito a indenização ou aposentadoria e passou a uma condição de ostracismo em sua sociedade. Sem emprego e proibido de exercer a profissão de advogado, o ex-Cônsul vendeu os pertences de sua casa para sustentar a família; os filhos foram impedidos de frequentar a Universidade e de trabalhar em Portugal, situação que os obrigou a emigrar para os EUA e o Canadá, com o auxílio dos judeus salvos pelo pai durante a perseguição nazista[7].

Após a demissão compulsória, a vida de Aristides de Sousa Mendes foi de muito sacrifício pessoal que perdurou até a sua morte, em 1954. Em vida, ele acabou por perder até o reconhecimento por seu gesto humanitário. A atitude nobre de Sousa Mendes foi atribuída, pela propaganda do Estado Novo português, ao então Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, considerado como o salvador dos refugiados do Sul de França[9], honra que também foi partilhada pelo Embaixador Teotónio Pereira.

Aristides de Sousa Mendes morreu pobre e desonrado e a sua bravura e honradez só começaram a ser restituídas em seu país em 1987, altura em que o presidente Mário Soares entregou a “Ordem da Liberdade” à filha do ex-Cônsul, em cerimônia realizada na “Embaixada de Portugal”, em Washington. A honra do Cônsul só foi restaurada completamente em 1989, quando a Parlamento português o reintegrou, por “unanimidade e aclamação”, no serviço diplomático português[8]. Mas um ato em agradecimento ao valor da ação de Aristides Sousa Mendes já havia acontecido em Israel, no ano de 1966, quando ele foi reconhecido, em Jerusalém, como “Justo entre as Nações” pelo “Yad Vashem”, o “Museu Memorial do Holocausto[10], com a sua mais elevada distinção, uma medalha com a seguinte inscrição do Talmude: “Quem salva uma vida humana é como se salvasse um mundo inteiro[11].

Hoje, Aristides de Sousa Mendes permanece vivo através do exemplo da mais alta dignidade de um ser humano, que é a defesa da vida sem discriminação. É esta qualidade de homem ímpar que o tornou um Justo em “Yad Vashem” e tem mobilizado os descendentes dos refugiados a contribuírem para restaurar a antiga casa senhorial de “Cabanas de Viriato[12] que, em diversas ocasiões, foi o lar temporário de perseguidos pelos nazistas, tal como o fora a residência do Cônsul, em Bordéus.

A dignidade, que pautou a vida de Aristides de Sousa Mendes é, na verdade, o maior patrimônio deixado por ele. Em nossos dias, e nos tempos vindouros, a partir do seu exemplo de vida, temos de ter presente que o ideal de Justiça deve preponderar entre os seres humanos, acima das nacionalidades, raças, religiões e, também, das ideologias.

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Imagem (Fonte):

http://www.mundolusiada.com.br/wp-content/uploads/2013/02/AristidesSousaMendes.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://fundacaoaristidesdesousamendes.com/index.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=53&lang=pt

[2] Ver:

http://www.yadvashem.org/yv/en/righteous/stories/mendes.asp

[3] Ver:

http://www.yadvashem.org/yv/en/righteous/stories/mendes.asp

[4] Ver:

http://www.yadvashem.org/yv/en/righteous/stories/mendes.asp

[5] Ver:

http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/664716/jewish/Aristdes-de-Sousa-Mendes-1885-1954.htm

[6] Ver:

http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/664716/jewish/Aristdes-de-Sousa-Mendes-1885-1954.htm

[7] Ver:

http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/664716/jewish/Aristdes-de-Sousa-Mendes-1885-1954.htm

[8] Ver:

http://www.revistamarcaportugal.pt/portugueses-na-historia-aristides-de-sousa-mendes/

[9] Ver:

http://www.revistamarcaportugal.pt/portugueses-na-historia-aristides-de-sousa-mendes/

[10] Ver:

http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-features/.premium-1.539054

[11] Ver:

http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/664716/jewish/Aristdes-de-Sousa-Mendes-1885-1954.htm

[12] Ver:

http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-features/.premium-1.539054

 

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

A “Diplomacia Futebolística” no “Oriente Médio”

É importante não ignorar o papel que o futebol possui no cenário mundial, mobilizando, direta e indiretamente, grande número de atores e sendo instrumentalizado segundo os mais variados objetivos – sociais, econômicos, políticos e comerciais, por exemplo. Outrossim, muitas vezes este assume ares de uma contundente válvula de escape para tensões e conflitos, palco no qual pseudolutas são travadas, bem como esperanças e frustrações são canalizadas, refletindo, assim, a imagem do mundo em que vivemos nas suas mais diversas esferas, tanto política e econômica como social.

A acentuada penetrabilidade deste esporte no cenário internacional, haja vista que o futebol parece não conhecer limites nem fronteiras, o torna, muitas vezes, um percuciente instrumento de poder nas relações internacionais e, inclusive, matéria de pauta diplomática, dado que este tem sido comumente utilizado como propulsor da imagem e inserção internacional de alguns Estados na arena mundial. Com relação a este aspecto, segundo o pesquisador francês, Pascal Boniface, embora a definição clássica de Estado repouse sob três critérios tradicionais – um território, uma população e um governo – poderíamos acrescentar um quarto: uma equipe nacional de futebol. Ainda de acordo com Boniface, atualmente a independência nacional se caracterizaria pela capacidade de um Estado defender suas fronteiras, emitir moeda e disputar competições futebolísticas no plano internacional[1].

Por outro lado, o futebol também tem se mostrado uma ferramenta que auxilia na resolução de conflitos e na busca pela paz – dado ser este esporte um elemento de paz e aproximação entre os povos – e um instrumento de políticas de cooperação internacional e de ajuda ao desenvolvimento. Desta forma, por estar embasada na utilização do futebol como um relevante instrumento de ação nas relações internacionais esta prática diplomática não-tradicional recebe a denominação de diplomacia futebolística*. Em adição, cumpre registrar que a diplomacia futebolística não emana exclusivamente de atores estatais, embora os Estados sejam os que mais se favorecem desta prática. ONGs, fundações e, principalmente, clubes de futebol, vêm executando inúmeras ações no cenário internacional neste sentido.

Segundo Mario Santos, pesquisador deste tema, um dos mais recorrentes campos de aplicação da diplomacia futebolística tem sido o arrefecimento de conflitos – sejam estes internos ou entre países –, visto que o futebol representa um palco no qual se desenrolam gestos positivos e simbólicos que têm a capacidade de auxiliar, de forma muitas vezes mais significativa do que infrutíferos discursos políticos eivados de retórica ou certas resoluções internacionais, na solução pacífica de conflitos civis ou internacionais[2].

O Governo brasileiro, por exemplo, utilizou desta ferramenta em 2004, no Haiti, como estratégia fundamental para os esforços de pacificação no país, quando da liderança do Brasil na “Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (MINUSTAH), por ocasião do “Jogo da Paz”. E é justamente esta potencialidade do futebol que volta a se destacar no cenário internacional, desta vez pensada não por um governo, mas sim por um clube de futebol, o “FC Barcelona”, que carrega em seu seio uma identidade nacional catalã bastante acentuada.

Assim, conforme o noticiado na mídia, no início de agosto deste ano (2013), o Barcelona realizou uma “Peace Tour” (“Turnê da Paz”, em português) no “Oriente Médio”, tendo visitado Israel e Palestina, no intuito de contribuir para o processo de paz na região, tendo em vista a utilização do futebol como ferramenta. Segundo Javier Faus, vice-presidente econômico do Barcelona e responsável pela condução das negociações para a realização da “Peace Tour”, esta viagem foi pensada apenas por razões institucionais, não visando objetivos comerciais. Apesar de reconhecer que a “Peace Tour” ajudaria a promover o nome do clube junto aos povos árabe e judeu, Jaus ressalta que as razões determinantes foram baseadas na intenção de poder auxiliar, mesmo que de forma mínima, no processo de paz entre ambos os povos e na de mostrar como o esporte pode ser utilizado para construir pontes entre os povos.

Tornada concreta após sete meses de conversar e quatro visitas a ambos os Estados (Palestina e Israel), a “Peace Tour” foi iniciativa que contou com o apoio dos governos de Israel e da Palestina. Inicialmente, cogitou-se a realização de uma partida entre o Barcelona e uma equipe formada por jogadores palestinos e israelenses. Todavia, devido às complexidades políticas existentes na região à época do início das negociações, esta ideia foi rechaçada tanto pelo presidente israelense, Shimon Peres, quanto pelo presidente da “Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, segundo informam as reportagens consultadas. Destarte, tendo em vista a impossibilidade da realização da partida, o Barcelona sugeriu que houvesse duas clínicas de futebol – uma em Israel e outra na Palestina, sendo ambas de mesma duração, importância e gratuitas – para as crianças da região, o que ficou acordado entre a diretoria do clube e os governos dos dois países.

Em 3 de agosto de 2013, a delegação oficial do Barcelona (jogadores e dirigentes), liderada por Sandro Rosell, presidente do clube, iniciou viagem para o “Oriente Médio”, visando fortalecer laços institucionais com os líderes de Israel e da Palestina, bem como construir pontes para um diálogo de paz entre estes. Nesta mesma data, ao chegar na Palestina, a delegação do clube visitou, primeiramente, a “Basílica da Natividade”. Logo em seguida, foi recepcionada, com honras de “Chefe de Estado”, por Mahmoud Abbas, ocasião em que Jibril Rjoub, chefe da “Associação Palestina de Futebol”, declarou ser este um dia histórico para o povo palestino e que o esporte é a melhor forma de superar o ódio e as hostilidades. Após, os jogadores seguiram para o “Estádio Municipal de Dura”, na Cisjordânia, local de realização da primeira clínica de futebol da “Peace Tour”, com as crianças palestinas.

No dia seguinte, 4 de agosto de 2013, conforme a tratativa inicial, toda a delegação do Barcelona rumou para Israel, dando continuidade à “Peace Tour”. Em Israel o primeiro lugar visitado foi o “Muro das Lamentações”, em Jerusalém. Depois, a delegação foi recebida, em cerimônia oficial, por Shimon Peres e por Benjamin Netanyahu, primeiro ministro israelense. Após a cerimônia, todos se dirigiram para o “Bloomfield Stadium”, em “Tel Aviv”, local de realização da segunda clínica de futebol. A se ressaltar que, como parte desta clínica, o “Ministério da Educação de Israel” anunciou o lançamento da campanha “The Other is Me” (O “Outro sou Eu”, em português), iniciativa que irá vigorar nas escolas em Israel durante o ano letivo 2013/2014 e tem por meta estimular a tolerância e a paz no sistema educacional do país.

Cumpre registrar, de forma a deixar clara a prática da “Diplomacia Futebolística” em Israel e na Palestina, levada a cabo pelo Barcelona, o discurso de agradecimento proferido por Shimon Peres, para quem o futebol auxilia, sobremaneira, nos processos de pacificação. Nas palavras de Peres: “Vocês possuem um futebol de alto nível. Mas mais do que isso, vocês tem transmitido uma mensagem de solidariedade, amizade e cuidado para com os mais fracos. Vocês são mensageiros da paz. Milhões de pessoas os amam e vocês oferecem seu próprio amor a estas pessoas. Muitíssimo obrigado[3]. Por fim, encerrada a “Peace Tour”, a delegação do Barcelona seguiu para a Ásia, mercado no qual, segundo Sandro Rosell, o clube deve buscar atingir e divulgar sua respectiva imagem, visando inúmeros interesses econômicos na região.

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* Termo cunhado, em 2010, pelo estudioso das relações entre futebol e política externa, Mario A. Santos, e originalmente utilizado na dissertação de mestrado intitulada “Esporte e Relações Internacionais: A Diplomacia Futebolística como Ferramenta de Soft Power – O Caso do Brasil”.

** Amistoso disputado entre a seleção brasileira e a seleção haitiana de futebol, em “Porto Príncipe”, no Haiti.

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ImagemO Futebol Auxiliando no Processo de Pacificação no Oriente Médio” (Fonte):

http://www.fcbarcelona.com/club/detail/article/fc-barcelona-finalise-peace-tour-arrangements

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

BONIFACE, P. Football et Mondialisation. Paris: Armand Colin, 2010.

[2] Ver:

SANTOS, M. A. Esporte e Relações Internacionais: A Diplomacia Futebolística Como Ferramenta de Soft Power – O Caso do Brasil. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UERJ/PPGRI-UERJ. Apresentada em novembro de 2011.

[3] Ver:

http://www.fcbarcelona.com/club/detail/article/missatge-de-pau-a-israel

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Ver Também:

http://www.fcbarcelona.com/club/detail/article/fc-barcelona-finalise-peace-tour-arrangements

Ver Também:

http://gulfnews.com/sport/football/shimon-peres-praise-for-barcelona-as-peace-tour-kicks-off-in-israel-1.1216622

Ver Também:

http://www.fcbarcelona.com/club/detail/article/palestine-goes-wild-for-barca

Ver Também:

http://www.fcbarcelona.com/club/detail/article/faus-we-re-the-number-one-team-in-israel-and-palestine

 

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Evo Morales apresenta-se no “Foro de São Paulo” como o atual “Estadista da América Latina”

O “Presidente da Bolívia”, Evo Morales, encerrou o “Foro de São Paulo”* de 2013, apresentando-se como o Estadista que pode liderar o projeto de esquerda da “America Latina”, sendo possível afirmar que incorpora neste momento a função de herdeiro de Hugo Chávez, papel que alguns analistas acreditam que seria exercido por Rafael Correa, “Presidente do Equador”.

Antes de vir para o Foro, o mandatário boliviano foi declarado pelos participantes da “Cúpula Anti-Imperialista e Anticolonialista de Organizações Sociais” como líder mundial dos movimentos sociais, em reunião realizada em Cochabamba, Bolívia, no dia 1o de agosto, na qual havia delegações de 90 organizações sociais de 18 países[1].

Ao chegar ao Brasil, Evo participou, no sábado, dia 3 de agosto, de uma reunião privada com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, quando, pelo que foi informado, ele lançou a ideia de se criar Comissões técnicas e jurídicas com o objetivo de assessorar (ele falou prevenir) sobre os problemas internacionais gerados com as estatizações que os países sob governos de esquerda vem realizando.

Afirmou: “Temos de começar a organizar esses conselhos econômicos e jurídicos com especialistas em temas internacionais que podem nos ajudar a lidar com esses processos que surgem porque nacionalizamos os serviços básicos, recursos naturais ou de telecomunicações[2].

A ideia é ter esses grupos de assessoria para ajudar nos embates com os “Organismos Internacionais”, pois, de acordo com suas concepções, os Estados saem sempre perdendo nas demandas que ocorrem envolvendo os casos de nacionalizações/estatizações. Como disse, “Nestas demandas nunca ganham os Estados, sempre ganham os privados. (…). Se nossos governos fracassarem em seus países, não poderemos seguir avançando[2].

Pelo que foi divulgado, a proposta partiu de Morales e não de Lula e ele a apresentou ao Ex-Presidente e não para a atual “Chefe de Estado do Brasil”, Dilma Rousseff, pelos laços de amizade e relação de confiança que detém com o brasileiro. No entanto, tal manifestação trouxe interrogações, pois diminuiu o papel da Presidente brasileira, já que ela é a sua anfitriã (são dois “Chefes de Estado”) e ele lhe colocou numa situação subalterna, além de ser ela a maior autoridade do país e a sucessora do governo Lula.

Por essa razão, começam a surgir dúvidas sobre a real autoria da proposta, apesar de Morales ter declarado que fez a sugestão e se dirigiu a Lula e não à Presidente, por motivos pessoais. Afirmou: “Tenho muito respeito pelo companheiro Lula. Construímos uma confiança com sinceridade quando ele era presidente e eu candidato, em 2005. Temos muitas coincidências[2].

No encerramento do “Foro de São Paulo”, o boliviano portou-se como o porta-voz das conquistas que interpreta terem sido alcançadas pela esquerda latino-americana e estão sendo ameaçadas. Nesse sentido, criticou a “Aliança do Pacífico”, identificando-a como um instrumento para dividir a Região. Conforme avaliou, é uma “tentativa dos Estados Unidos de usarem um ou dois presidentes para dividir a América do Sul. (…). A Aliança do Pacífico quer estabelecer o livre comércio e privatizar serviços essenciais. Esses governos estão condenados a enfrentar os povos em seus países[3]. No entanto, de acordo com alguns observadores, ele esqueceu, porém, que são três Presidentes (em futuro breve quatro, com Horacio Cartes, do Paraguai), e um deles, Olanta Humala (Peru), ascendeu como membro da esquerda latino-americana e, até chegar ao governo, apresentava-se explicitamente como bolivariano. Além disso, não há referência a privatizações.

No entanto, com essa postura, Morales mantém a linha discursiva de combate aos EUA, que é identificado como o inimigo externo causador da condição regional (é o principal agente das perdas e exploração da região, segundo a tese do Imperialismo), motivando a mobilização da sociedade contra o mal externo que age em parceria com as elites que confrontam a inclusão social conseguida pela ação do Estado na economia e pelo combate à iniciativa privada conservadora.

Esse comportamento de enfrentamento ao inimigo externo adotado pela esquerda que assumiu o poder constitui-se num dos principais elementos táticos da ação política, tanto que, na declaração final do Foro, a “Aliança do Pacífico” foi considerada uma “tentativa de sabotar a integração regional[3].

A linha discursiva de Morales foi mais adiante dessa questão e buscou também uma interpretação para atual situação regional em que os povos dos países sob governos autodenominados progressistas estão realizando críticas aos seus governantes e, além disso, as manifestações e movimentos sociais estão ocorrendo sem o comando das organizações e partidos de esquerda.

Afirmou, de forma doutrinária, que há “alguns partidos de esquerda que se dizem socialistas sem sê-lo. (…) …a luta [na Bolívia, por exemplo] não foi só para nos libertar da direita, mas também do sectarismo de alguns partidos de esquerda. (…). Alguns chegam a ser presidentes, depois há corrupção e o povo está irritado pela corrupção[4], não deixando claro a quem se referia, nem o que concebe como esquerda e direita, mas apenas jogando a culpa pelas falhas em algo que se pode interpretar de seu discurso que é uma “direita disfarçada de esquerda”, já que se trata de uma suposta “falsa esquerda”, uma vez que ascendeu ao poder dizendo-se assim e ele, Morales, parece dividir o mundo apenas entre esses dois segmentos.

Além disso, com um viés de pragmatismo, afirmou estar “convencido que se em um país, por mais que tenha um governo de esquerda, faltam alimentos, energia ou há problemas econômicos, não há governos que possam suportar os levantes dos povos. (…). Cuidado com esse tema. Assumir a responsabilidade de ganhar eleições para alguns é o poder político, mas a política não é poder. É a ciência de servir aos povos. E às vezes há abusos de poder e autoridade, e os povos estão cansados de abusos. (…). Se os partidos ou governantes de esquerda só pensam nas próximas eleições, estão equivocados. Os partidos de esquerda devem pensar nas próximas gerações, não eleições. (…) se os presidentes de esquerda fracassarem em um país, então não haverá avanços nos processos de libertação dos povos, que são a obrigação da esquerda[4].

É possível interpretar que, com essa abordagem, parece tentar reincorporar o discurso de que a política é algo maior que somente a luta pelo poder, concepção sobre a qual não havia mais manifestação, pois, conforme apontam observadores, parte significativa e dominante dos intelectuais socialistas vinculados aos partidos e ao governos em exercício passavam a apresentar os partidos políticos apenas como instrumentos de luta pelo poder e não como espaços para o debate e formulação de projetos de sociedade, razão pela qual, com esse discurso, reduziram também a política apenas à dimensão da busca pelo exercício do mando, bem como limitaram os militantes a funcionários e soldados para combate político sob a liderança de uma elite partidária incontestável e constrangeram o povo a ser massa de manobra, tanto que Morales declarou: “A política para nós não pode ser nem negócio nem lucro. Deve ser serviço[4], sugerindo a necessidade de um “manual de conduta esquerdista[4].

Apesar de o discurso de Evo ter sido reproduzido, desenvolvido ou de alguma forma antecipado por outros participantes do Evento**, analistas apontam que, no Foro, foi evidenciado que ele pode estar sendo apresentado como o herdeiro de Chávez para mostrar-se como a locomotiva ideológica neste futuro imediato, pois os governos socialistas estão vivendo uma crise generalizada e podem perder o poder, já que também estão perdendo o discurso capaz de “conquistar corações e mentes”, o que levará ao recuo dos projetos por eles impetrados na região, os quais, com a articulação conseguida pelo “Foro de São Paulo” a partir de 1990, mostraram-se como partes de um Projeto coletivo, graças a articulação e apoios mútuos dados entre os líderes que ascenderam ao poder nos países do subcontinente latino-americano.

Mostraram-se também como partes de um Projeto comum, graças, em especial, ao papel de cooptação que era exercido por Chávez (agora falecido), devido a sua personalidade e por ter formulado uma doutrina norteadora dos diálogos, além daquele papel exercido por Lula (que não se sabe com certeza qual papel ainda exerce e se voltará a exercer), que foi um forte centro de atenção, mais pela sua personalidade e pelo seu carisma natural, reforçado por excepcional e custoso trabalho de marketing político.

Conforme apontam os analistas, no momento, as lideranças de esquerda estão perdendo argumentos, projetos e credibilidade, não havendo uma delas que possa ser um farol para continuar o exercício de atração coletiva, talvez, por isso, os observadores estejam interpretando que o discurso e a postura de Morales parecem ter por missão atribuí-lo essa tarefa de reativar o trabalho de conquistar e atrair os corações e as mentes.

Destaca-se ainda que, nesta sua 19a edição, o Foro cumpriu o papel de reformular o argumento acusatório contra o capitalismo e os EUA, também de buscar campos de ação conjunta, bem como os temas de aproximação e, principalmente, o papel de homogeneização dos discursos que se espalharão pela região.

Neste momento, a ideia é rever os erros cometidos, dentre eles a corrupção, como forma de esvaziar as críticas das oposições no continente, atuando antecipadamente para dissipá-las e amenizar as falhas, já que buscarão uma forma comum de ação e de justificativa para os fracassos, bem como para a corrupção de que são acusados, tanto que o petista Valter Pomar afirmou que neste momento se vive uma “guerra de posições[5] e explicou a crítica que está sendo feita no Brasil à presidente brasileira Dilma Rousseff como “manobras da direita [para] sabotar seu governo[5].

Uma questão tem suscitado reflexões nos analistas acerca do discurso apresentado: o pragmatismo propugnado para resolver problemas gerados pelo esgotamento de um modelo de crescimento, tal qual afirmado, inclusive por Pomar. Nos argumento disponibilizado por Morales houve impressão de que o problema deve ser resolvido com uma pragmática captação de recursos e uma certa abertura, embora tenha determinado que os setores básicos não podem ser privatizados. A questão que ressalta diz respeito a forma como se está tentando equacionar o tema iniciativa privada.

Se for realidade que o modelo está esgotado, que os discursos da esquerda estão perdendo força de atração, que o Estado está vivendo problemas de gestão, de recursos e de confiabilidade, realça a dúvida sobre qual é o novo modelo propugnado e qual papel será atribuído ao empreendedor privado, uma vez que parece não haver recuo na certeza de que o Estado deve avançar sobre a sociedade, em especial sobre a economia.

Por isso, alguns analistas pensam numa situação histórica já vivida no início do século XX (final da primeira década e início da segunda, mais precisamente), quando se estabeleceu “dar um passo atrás, para dar dois à frente” nas relações com a propriedade privada dos meios de produção. A questão é que naquele momento se vivia uma Revolução que venceu o combate inicial e a economia estava dizimada, necessitando resgatar parte dela por meio da iniciativa privada para depois reiniciar o projeto de estatização, mesmo ao custo da violência e das mortes que ocorreram.

Na atualidade, século XXI, não ocorreu revolução, mas sim a atração de significativa parcela da sociedade para as ações socialistas, bem como apoio de parte expressiva das massas, graças ao crescimento econômico, o qual permitiu o avanço em propostas ousadas.

No entanto, este crescimento, no momento, está sob questionamento e não está gerando resultados que possam garantir expectativas no povo, por isso ele precisa ser retomado para que os líderes recuperem a credibilidade, abafem os problemas institucionais e minimizem as acusações que recebem, para, assim, avançaram em direção à revolução que ainda não ocorreu.

Por isso, o discurso de Evo pode ser a expressão coletiva da esquerda latino-americana, com um porta-voz importante, para dar um passo atrás na expectativa de que, no futuro breve, darão dois passos à frente.

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Que reúne 91 organizações de 37 países da AL e Caribe e, neste ano, foi realizado entre 31 de julho de 4 de agosto.

** Uma personalidade que apresentou argumento complementar a Morales foi o petista Valter Pomar, que destacou na conjuntura atual as consequências da crise econômica, da rearticulação do que ele denomina serem os conservadores, bem como do “esgotamento do modelo[5] econômico, mas por ele denominado de “modelo de crescimento[5]

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://port.pravda.ru/mundo/04-08-2013/35061-evo_morales-0/

[2] Ver:

http://www.dgabc.com.br/Noticia/473203/morales-quer-comissoes-para-processo-antiestatizacao?referencia=minuto-a-minuto-lista

Ver também:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2013/08/05/noticiasjornalpolitica,3105033/morales-propoe-comissoes-contra-nacionalizacoes.shtml

[3] Ver:

http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2013/08/alianca-do-pacifico-e-tentativa-de-dividir-america-do-sul-afirma-evo-morales-1170.html

[4] Ver:

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/evo-morales-pede-decencia-humildade-e-compromisso-a-esquerda,162f4a935b040410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

[5] Ver:   

http://www.opovo.com.br/app/opovo/radar/2013/08/05/noticiasjornalradar,3105110/morales-cobra-da-esquerda-combate-a-corrupcao.shtml