ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Muito além de Shinzo Abe: percepções chinesas sobre o Novo-Velho Japão

Beijing já via um Japão mais ativo regionalmente se formando no horizonte muito antes da ascensão de Shinzo Abe ao poder. A China vinha identificando uma crescente assertividade japonesa em questões regionais e globais desde meados da década passada, principalmente  devido ao fortalecimento da parceria estratégica dos japoneses com os “Estados Unidos”.

Embora ancorada numa sólida relação econômica bilateral, a decisão japonesa de incluir a questão de Taiwan como parte de seu acordo estratégico com os norte-americanos em 2005 já havia acendido a luz amarela para alta cúpula do partido comunista em Beijing. A “Declaração Estados Unidos – Japão” de fevereiro de 2005 fez não somente das disputas no “Estreito de Taiwan” objeto de interesse de segurança japonesa, mas, também, reforçou temas já anteriormente consolidados como: assegurar a estabilidade na região da Ásia-Pacífico; dar suporte a uma unificação pacífica da península coreana; normalizar as relações com Moscou em torno das disputas territoriais no norte do país e, finalmente, desenvolver relações com os chineses “dando boas-vindas ao país a desempenhar um responsável e construtivo papel tanto regional quanto globalmente[1].

No entanto, como descreveu um acadêmico taiwanês especialista em segurança regional, já desde 2005 houve uma clara mudança de tom por parte de Tóquio no que se refere às relações e disputas entre os dois países, algo que em nada contribui para as relações bilaterais.  O “Informe de Defesa” japonês de 2010 é um exemplo contundente dessa “mudança de tom”*. No Documento, o Japão manifesta estar atento e incomodado com relação ao crescente poderio militar chinês e suas contínuas intervenções em águas territoriais japonesas ou em áreas objeto de disputas entre as duas partes. De seu lado, a China classificou tanto o Documento quanto a percepção japonesa com relação a sua modernização militar como “paranóica e calcada numa mentalidade da guerra fria[2]. A China insiste que seu incremento militar tem bases essencialmente pacíficas e defensivas em qualquer sentido.

 O editorial do jornal “China Daily”, em 2010, intitulado “Japan’s military ambitions”, deu um ótimo indicativo do profundo desencontro de percepções que cada lado nutre de suas políticas de defesa. De acordo com o editorial, ao investir na modernização de suas forças armadas, a fim de prover alta capacidade de mobilidade as suas tropas e concentrando atenção na região sudeste do país, junto as fronteiras com a China, o Japão tomou decisões “provocativas e [deu] uma péssima notícia para seus vizinhos, uma vez que estes já haviam sido vítimas do passado militarista japonês[2].  O editorial foi mais a fundo e classificou o informe militar japonês como recheado de “elementos direitistas da sociedade japonesa que poderia levar a um perigosa tendência de reavivar o militarismo no país[2]. Ele finaliza dizendo que o Japão, ao “apontar o dedo[2] para a modernização militar da China, apenas encobre suas próprias intenções militares.

A despeito de todo o tom nacionalista que a imprensa oficial chinesa utiliza em relação aos japoneses, os estrategistas da China têm apontado de forma mais direta os câmbios ocorridos no comportamento de Tóquio na última década e afirmam que este se reforçou ainda mais com chegada de Abe ao poder:

1. O Japão tem aumentado sua já importante capacidade militar robustecendo seus laços estratégicos com os “Estados Unidos” desde 1996. Esses acordos têm permitido ao Japão ampliar seu papel em questões estratégicas no leste asiático e na Ásia como um todo. A China destaca como absolutamente simbólicos neste aspecto o suporte americano às ações do ex-primeiro-ministro Koizumi em apoiar o esforço de guerra americano no Afeganistão, enviando navios ao “Oceano Índico”, e o apoio japonês no Iraque, em 2003.

2. Beijing, já há algum tempo, tem julgado os japoneses muito mais reativos às suas tentativas de influência na região. A decisão japonesa de elaborar uma proposta “rival” e similar de “Tratado de Livre Comércio” com os países da ASEAN no início da década já tinham sido vistas por este ângulo.

3. Da mesma forma, também foi observada como um confronto direto a decisão de competir abertamente pelo acesso ao petróleo russo via um gasoduto oriundo da Sibéria objetivando o leste asiático, no caso, o “East Siberia-Pacific Ocean oil pipeline” (ESPO).

Além destas questões, Beijing vem afirmando que Tóquio tem aumentado suas ações de exploração marítima de gás em águas clamadas por Beijing. Acrescente-se ainda a manutenção das inflamadas visitas de altos oficiais japoneses ao “Memorial Yasukuni” e a já clássica questão que também causa espécie em todo o leste e sudeste asiático: o problema da soberania das ilhas disputadas por vários dos Estados da região.

Como podemos perceber, as recentes ações dos países em relação as “Ilhas Senkaku/Diaoyu” estão inseridas num contexto mais complexo que foge meramente as questões levantadas pela mídia quase diariamente. É importante ainda lembrar que, dentre os três principais imperativos de política exterior chinesa (questões envolvendo os “Estados Unidos”, o Japão e Taiwan), o Japão é sempre considerado como o mais sensível de todos.

Este país, mais que uma questão de política externa, exerce enorme influência no humor da massa chinesa, sendo um assunto “emocional por natureza” (Shirk,2007)[3], além de ser objeto de manipulação política por parte do PC chinês, que usa e permite as manifestações nacionalistas nas ruas das grandes cidades da China como elemento de pressão nas relações com os japoneses.

Há ainda um componente subjetivo, uma vez que uma confrontação direta contra os “Estados Unidos” está absolutamente fora de questão para a cúpula político-militar chinesa, pois a China não dispõe de capacidades (ou mesmo intenções) de fazê-lo, seja econômica, seja militarmente. O mesmo, no entanto, não se passa em relação ao Japão.

Os chineses vêem o Japão como uma “potência de segunda linha[3] cuja economia “depende pesadamente do crescimento econômico chinês” (Shirk, 2007: 145)[3]. Se essas percepções encontram eco na realidade é ainda objeto de muita discussão no meio acadêmico. O fato, no entanto, é que o padrão de suspeita mútua é ainda a mais elementar característica nas relações sino-japonesas, mesmo após a consolidação de um formidável intercâmbio econômico.

As disputas territoriais tão alardeadas pela mídia mundial somente mostram cada vez mais que tanto Beijing quanto Tóquio são incapazes de entender suas relações atuais sem as lentes do passado histórico. E, ao que tudo indica, essa característica ainda permeará as relações dos dois mais importantes países da Ásia para as próximas décadas.

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* Declaração dada em entrevista ao autor no dia 15 de março de 2013.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver: JOINT STATEMENT U.S.-JAPAN SECURITY CONSULTATIVE COMMITTEE. 19 de fevereiro de 2005. Ministério das Relações Exteriores do Japão. Disponível em:

http://www.mofa.go.jp/region/n-america/us/security/scc/joint0502.html

Ver tambémJapan-U.S. Joint Declaration on Security – Alliance for the 21st century – Abril de 1996 (Clinton-Hashimoto Declaration)”. Disponível no Ministério das Relações Exteriores do Japão:

http://www.mofa.go.jp/region/n-america/us/security/security.html

[2] Ver: “Japan’s military ambition”. Editorial, China Daily News., 20 de dezembro de 2010. Disponível em:

http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2010-12/20/content_11724893.htm

[3] Ver: SHIRK, Susan L. China: Fragile Superpower (New York, Oxford University Press, 2007).

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Ver ainda: SUTTER, Robert G. China’s Rise in Asia: Promises and Perils (New York, Rowman & Littlefield Publishers: 2005).

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Estados Unidos: redução dos estímulos econômicos e a melhora nas taxas de desemprego

Desde a crise de 2008 os “Estados Unidos da América” (EUA) vem enfrentando diversos problemas de ordem socioeconômica.  No entanto, o Estado, por meio de seus organismos governamentais, tem buscado implementar políticas com a finalidade de melhorar os índices socioeconômicos do país. Ao longo do último ano, o “Federal Reserve” (Fed), o “Banco Central Americano”,  revelou taxas positivas no que tange à diminuição do desemprego, à geração de postos de trabalho e do próprio “Produto Interno Bruto” (PIB).  Tais apontamentos feitos tanto pelo Fed, como também pelo “Departamento do Trabalho Norte-Americano revelam uma continuidade no que se refere à recuperação da economia, com ressalvas, porém, no que diz respeito a alguns setores do mercado.

Segundo dados apontados pelo “Departamento do Trabalho”, estima-se que mais de 11 milhões de americanos estejam desempregados. Desses, levando em consideração o desemprego a longo prazo, mais de 4 milhões estão sem ocupação há mais de 27 semanas, ou seja,  aproximadamente 6 meses[1]. Apesar disso, no decorrer de 2013 ocorreram significativas quedas nas taxas de desemprego. Assim, as referências disponibilizadas pelo “Departamento do Trabalho Norte-Americano” assinalavam que em maio de 2013 as taxas de desemprego no país giravam em torno de 7,5%[2], em outubro do mesmo ano eram de 7,3%, em novembro registravam 7%[3] e, ao final do ano, passaram para 6,7%[4]. A diminuição na taxa de desemprego até dezembro não significou apenas um melhora da economia do país, mas, também, no quadro socioeconômico, uma vez que refletiu no aumento dos níveis de novos postos de trabalho.

Conforme apontam, as taxas relacionadas à geração de postos de trabalho também apresentaram significativos avanços. No período que abrange abril até junho de 2013 o mercado norte-americano marcava uma média de 159 mil postos[5]. Já em outubro, foram criados aproximadamente 203 mil outros, o que assinala o nível de desemprego mais baixo desde 2008. A significativa melhora apresentada foi impulsionada, sobretudo, pelos setores da construção civil e manufatura, justamente setores que eram apontados no início de maio de 2013[6] como os críticos e até mesmos estagnados, tendo ocorrido que, em dezembro, tiveram uma nova queda.

Cabe ressalvar, no entanto, que os níveis positivos levam em consideração o retorno ao trabalho dos funcionários federais que ficaram paralisados durante o shutdown (paralisia parcial dos serviços e atividades) do “Governo dos Estados Unidos” em outubro passado. Alguns analistas temiam consequências maiores e mais profundas, no que tange a possíveis desdobramentos do shutdown, contudo o impasse orçamentário teve impacto mais limitado na economia do que se receava inicialmente[7]. Adicionalmente, segundo apontamento do relatório do “Departamento do Trabalho”, ocorreu “a criação de 60 mil empregos a mais em setembro e em agosto do que divulgado anteriormente, sugerindo que a economia tinha impulso de alta antes da paralisação do mês passado[8].

Tendo em vista esse cenário progressivo da economia, com a diminuição da taxa de desemprego e aumento da oferta no mercado de trabalho, o Fed já anunciou que fará uma revisão das políticas de estímulo monetário na economia, visando a sua redução. Conforme apontam as atas da reunião do Comitê de Política Monetária” (o “Federal Open Market Committee” – FOMC), A maioria dos membros concordou que a melhora acumulativa nas condições do mercado de trabalho e a possibilidade de que a melhora será sustentável indicavam que o Comitê pode, apropriadamente, começar a reduzir o ritmo de suas compras de títulos[9].

Ademais, é preciso considerar ainda a avaliação do Fed para o “Produto Interno Bruto”, realizada ao final do ano passado, na qual, segundo assinala o “Departamento de Comércio Norte-Americano”, o crescimento do país no terceiro trimestre de 2013 foi de aproximadamente 3,5%, um considerável avanço em relação ao trimestre anterior, no qual o PIB registrava 2,5%. Apesar desse quadro evolutivo, como bem afirmam alguns especialistas, o último trimestre de 2013, mais precisamente no mês de dezembro, representou uma considerável desaceleração do PIB e das taxas de geração de novos postos de trabalho. Nesse aspecto, e de acordo com esses analistas, o motor principal para o crescimento do PIB nesse momento foi o aumento dos estoques privados, um processo que tende a se esgotar quando não ocorre um consumo maciço. Tendo em vista que o consumo cresceu a uma média de 1,4% no terceiro semestre, deve-se considerar que ele foi o mais lento desde 2009[10].

No final de dezembro de 2013 foram registradas as taxas mais baixas nos últimos três anos, no que tange à geração de postos de trabalho, onde foram criadas apenas 74 mil novas vagas[11]. As estimativas tanto do Governo quanto de analistas eram duas vezes maiores do que as apresentadas. Apesar disso, a taxa do país caiu para 6,7% e, como apontado anteriormente, é a menor desde 2008.

O “Federal Reserve” anunciou que a tendência das taxas de desemprego é decair e, portanto, pretende reduzir as políticas de estímulo monetário. Na reunião em dezembro, decidiu reduzir em 10 bilhões as compras mensais de título, que são feitas com a finalidade de estimular a economia, passando de 85 bilhões para 75 em 2014.  Contudo, muitos integrantes do “Comitê de Política Monetária” se mostram resolutos com a medida, pois creem que “expressariam preocupação com a possibilidade de aperto involuntário das condições financeiras se a redução nas compras de ativos fosse interpretada como sinalização de que o comitê provavelmente vai retirar a medida expansionista mais rapidamente do que o esperado[12].

Nesse proscênio, alguns analistas mostram-se otimistas quanto às taxas de crescimento do presente ano, apontando que as mesmas podem chegar a um aumento do PIB de 3%, resultado bem superior ao de 2013, que finalizou em 1,7%. Outro fator positivo diz respeito ao número de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA, que caiu aproximadamente em 15 mil no início de janeiro, passando para 330 mil segurados, de acordo relatório do “Departamento de Trabalho”. No início de dezembro de 2013, os números do seguro desemprego giravam em torno de 350 mil, o que representa uma queda contínua, haja vista que em meses anteriores marcavam quase 360 mil[13].

Contudo, a diminuição da taxa de desemprego para 6,7% em dezembro, não foi acompanhada num crescimento de postos de trabalho. Ao contrário, apesar do crescimento dos setores de serviços, indústria e lazer, o setor da construção civil dispensou mais de 16 mil postos, a maior queda em quase 2 anos. Já o setor cinematográfico cortou quase 14 mil vagas. Outros setores do mercado também fizeram significativos cortes de pessoal[14]. Por fim, em ata apresentada pelo Fed, aproximadamente 62,8% da população procura emprego, o que é a taxa mais alta em 36 anos[15].Nesse âmbito, alguns analistas afirmam também que a queda desse índice ocorre em razão da desistência de muitos jovens em buscar emprego. Cabe observar ainda que o “Governo Norte-Americano considera apenas aqueles que afirmam buscar um emprego. Conforme esses analistas, a própria situação do mau tempo prejudicou os planos de contratação de novas pessoas. Apesar disso, com o fato de os “Estados Unidos” terem alcançado uma taxa de desemprego menor desde 2008, o Fed buscará promover realmente a redução das políticas de estímulo, porém cabe saber se essa medida não se apresenta um pouco apressada, haja vista o quadro inesperado ocorrido nas taxas de emprego e desemprego no último mês de 2013.

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Imagem (Fonte):

http://www.csmonitor.com/USA/Latest-News-Wires/2014/0110/Why-6.7-percent-unemployment-isn-t-good-news

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Fontes consultadas:

[1] Ver também:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/07/1306689-taxa-de-desemprego-nos-eua-fica-inalterada-em-junho-em-76.shtml

[2] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/05/130503_euaemprego_rn_pr.shtml

[3] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131206_desemprego_eua_pu_mm.shtml

[4] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140110_trabalho_eua_mm.shtml

[5] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131206_desemprego_eua_pu_mm.shtml 

[6] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/05/130503_euaemprego_rn_pr.shtml

[7] Ver também:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE9A704S20131108?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0&sp=true

[8] Ver também:

Idem.

[9] Ver também:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/fed-esta-mais-confiante-na-queda-do-desemprego-nos-eua-diz-ata.html

[10] Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131206_desemprego_eua_pu_mm.shtml

[11] Ver também:

http://www.csmonitor.com/USA/Latest-News-Wires/2014/0110/Why-6.7-percent-unemployment-isn-t-good-news

[12] Ver também:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/fed-esta-mais-confiante-na-queda-do-desemprego-nos-eua-diz-ata.html 

[13] Ver também:

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPEA0S11X20140109 

[14] Ver também:

http://www.csmonitor.com/USA/Latest-News-Wires/2014/0110/Why-6.7-percent-unemployment-isn-t-good-news 

[15] Ver também:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE9A704S20131108?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0&sp=true

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Uma nova Marca China para o mundo

Ao longo dos anos, a China vem trabalhando forte em sua imagem para obter respeito e admiração de outras nações. Sendo assim, trabalha pesado com investimentos dentro e fora do país, englobando as áreas das finanças, comércio, esportes, cultura e segurança, objetivando apresentar a sua grandeza. Atualmente, o país espera chamar a atenção de grandes eventos culturais e esportivos e deixar de lado apenas a sua imagem de uma nação com grande poder militar e econômico.

Não é difícil entender por quais motivos a propaganda chinesa está objetivando explorar outras áreas culturais e econômicas para se tornar uma grande referência no globo. Desde o ano de 2008, quando ocorreu a primeira grande crise financeira internacional do século XXI, o país se tornou o refúgio de investimentos dos cinco continentes, graças a sua estabilidade econômica em constante crescimento. Porém, passado o pior momento da crise financeira, ele não preservou a confiança que muitos investidores, comparativamente, mantém, por exemplo, em relação à Washington.

No ano passado (2013), a “Universidade de Harvard” havia apresentado um estudo resumido sobre os “Estados Unidos” e a China, chamado “America and China: Global images of the world’s two largest economies”, e demonstrou que a imagem de Washington ainda é mais positiva que a de Beijing. A pesquisa foi realizada com 38 países, questionando cidadãos comuns, empresários e formadores de opinião, contendo questões variadas sobre temas econômicos e culturais e, no resultado, a segunda maior potência global esteve atrás dos EUA na opinião pública em vários aspectos.

Dos 38 países, em 28 deles a opinião foi favorável aos EUA e em apenas 19 os chineses receberam votos positivos. Nas regiões onde os estadunidenses obtiveram a preferência, o Japão também esteve a frente de Beijing, porém, na região do “Oriente Médio” e África os chineses ficaram à frente dos norte-americanos.

Entre 2010 e 2013, houve constantes variações na opinião pública em relação aos dois graças ao posicionamento destas duas potências em assuntos globais, como Segurança e Economia. Nos países em desenvolvimento, por exemplo, as ações chinesas, impulsionadas pelos grandes investimentos, fazem com que a China seja mais positiva por gerar mais benefícios econômicos e por não se aprofundar tanto em questões políticas regionais.

A China ganhou bastante força na opinião pública internacional graças ao seu poder econômico e a sua forma de adentrar em novos mercados, principalmente de regiões onde a cultura local é extremamente fechada, como na África e no “Oriente Médio”, mas a grande máquina de cultura dos EUA, impulsionada por megaproduções de Hollywood ainda deixa Washington na frente. A cultura norte-americana vem sendo disseminada no mundo desde a década de 1950 com filmes, música entre outros elementos culturais, enquanto a China passou a investir pesado neste setor apenas nos últimos 20 anos.

Partindo do ponto em que a economia chinesa já se tornou uma das principais engrenagens da economia global, hoje, sua manutenção continua importante, mas, para a propaganda chinesa, existe a necessidade de investir na divulgação da sua cultura no mundo. Com isso, os mercados da cultura, do turismo e dos esportes podem se tornar novos componentes de peso para o PIB chinês.

Para atingir seus objetivos, a China já está alternando algumas políticas internas que envolvem temas humanitários, como a política do “Filho Único”, o investimento em esportes olímpicos e populares, como o Futebol, e no intercâmbio cultural entre jovens pelo mundo. Além disso, o país também investe na promoção de sua cultura pelo globo, através da sua indústria cinematográfica e de eventos culturais realizados em nações amigas.

No início do ano de 2013, os dados da indústria cinematográfica chinesa apontavam constante crescimento. Até então, havia arrecadado US$ 2,693 bilhões no ano fiscal de 2012, significando um crescimento de 28,2% em comparação ao ano de 2011. O país possui uma cota de até 34 filmes estrangeiros que podem ser produzidos em território nacional, além de apoiar as produções locais, o que incentivou gigantes do cinema como a “DreamWorks” (News Corp.) a comprar parte da “Bona Film Group”, aumentando o número de filmes estrangeiros sobre o país asiático.

As produções locais ainda se baseiam nas artes marciais, tendo Jackie Chan e Jet Li como seus garotos propaganda. Ambos atores fizeram fama e riqueza tanto no mercado doméstico quanto no estadunidense e, hoje, possuem suas próprias produtoras no sul da China. Suas assinaturas são dadas como certa para ganhar o público fora do país.

Todas as obras chinesas são apresentadas anualmente em festivais de cinema pelo mundo, principalmente na França, e também no Brasil, onde existe um grande público formado por descendentes de chineses. O último Festival foi realizado em “São Paulo” no mês de outubro de 2013, sendo a 37a edição do mesmo.

Neste ano de 2014, ano de “Copa do Mundo”, a China está investindo pesado na sua Liga profissional de futebol, contando com grandes contratações e buscando se inserir no calendário internacional das grandes competições realizadas pela FIFA. Por exemplo, está entrando na disputa para ser a sede da “Copa do Mundo de Clubes da FIFA” entre os anos de 2015 e 2018.

O esporte gera bilhões de dólares em todo o planeta, cifras que são compostas com grandes ações de comunicação e marketing, turismo cultural e econômico dentre outros temas. Apenas no Brasil, mais de R$ 2,43 bilhões foram faturados durante a temporada de 2012, um faturamento composto por receitas de rádio, TV, público nos estádios e marketing dos 20 maiores clubes brasileiros, tornando o país a sexta maior liga mundial entre 2012 e 2013.

Todo o calendário esportivo chinês foi revisado e, desde 2011, milhões são investidos nos clubes, nos estádios e em outros setores que envolvem a modalidade, demonstrando que está seguindo os passos do Japão e da “Coreia do Sul”, com investimentos na estrutura e em contratações internacionais para desenvolver seu próprio estilo, visando tentar sediar uma “Copa do Mundo” quando estiver com uma equipe competitiva.

A atual “Liga Chinesa” ganhou espaço na imprensa internacional graças a grandes contratações, como a dos costamarfineses Didier Drogba e Nicolas Anelka que estiveram no país na temporada de 2012. Hoje, clubes da China estão contratando jogadores também famosos da Liga brasileira, como Aloísio do “São Paulo”, e por sondar nomes de atletas como Fred, do Fluminense, e Cícero, do Santos. O Continente asiático é o grande mercado que está contratando jogadores estrangeiros, mas os milionários times da China, como o “Shandong Luneng” e o “Guangzhou Evergrande”, são os que ganham a atenção, graças aos seus altos poderes aquisitivos.

Os investimentos foram positivos, tanto que o Evergrande superou os clubes da Ásia, tornou-se campeão continental e disputou a “Copa do Mundo de Clubes da FIFA”, consagrando o futebol chinês no cenário esportivo internacional.

A China não está poupando investimentos na indústria cultural e esportiva e espera que neste ano de 2014 a “Marca China” seja comprada pela opinião pública internacional como uma marca da cultura e dos esportes, centrando a visão estrangeira para outros temas que não envolvam apenas a política econômica e militar do país, tornando-a, assim, também uma fonte de referência global esportiva e multicultural.

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Imagem (Fonte):

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Fontes consultadas:

VerHavard”:

http://journalistsresource.org/studies/international/china/america-china-global-images-worlds-two-largest-economies (Resumido).

Ver:

http://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/01/09/cinema-chines-entre-seguir-o-caminho-de-hollywood-e-manter-as-raizes.htm

Ver:

http://www.socinema.com.br/37o-mostra-internacional-cinema-sao-paulo-ciclo-filmes-chineses

Ver:

http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/2013/08/02/brasil-e-o-sexto-maior-mercado-do-futebol-mundial/

Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/12/25/1s177540.htm

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Missionários Franciscanos servem na Terra Santa

A presença dos missionários franciscanos da “Ordem dos Frades Menores na Terra Santa”, desde 1342 institucionalizada na “Custodia Terræ Sanctæ[1], além de antiga,  tem um sentido peculiar. A ligação com a terra dos antepassados cristãos foi estabelecida pelo próprio “São Francisco de Assis”, em 1219, quando, a caminho do Egito, parou em “São João de Acre”, com o objetivo de chegar a Jerusalém. Ele deixou o legado do sentido e da predileção pela terra onde “Jesus Cristo” nasceu e viveu a sua vida terrena[2].

Apesar das dificuldades e incertezas enfrentadas ao longo dos séculos, os Franciscanos sempre estiveram envolvidos em questões que implicam a defesa dos lugares santos. Somente em fevereiro de 1852 terminou um longo período conturbado e o “Império Otomano” assinou o documento “Status Quo Nunc”, regulando e dando a posse da propriedade e de direitos às diversas comunidades cristãs. O trabalho dos frades Franciscanos não se restringiu apenas à luta pela posse, mas também esteve ligado à reconstrução dos lugares sagrados para os cristãos. Os frades são guardiões da “Terra Santa” por vontade e mandato da Igreja. Hoje, a Custódia está presente em Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Líbano, Egito, nas ilhas de Chipre e de Rodes, contando com a presença de, aproximadamente, 300 religiosos[3].

Numa região de conflito quase que permanente e com muitas dificuldades, o trabalho dos frades Franciscanos tem contribuído, desde o século XIII, de modo decisivo para a preservação dos lugares santos, que são patrimônio cultural mundial. Atualmente, o Custódio responsável por todos os santuários católicos é Frei Pierbattista Pissaballa, eleito em 2004 e confirmado pelo Papa, em 2009, para mais um triênio. Este Custódio é oGuardião do Monte Sião”. Segundo Frei Pierbattista Pissaballa, a função dos Comissários da Custódia Franciscanaé fazer aponte entre a Terra Santa e os cristãos de todo o mundo”. Os Comissários são originários dos cinco continentes e estão divididos entre 46 países, num total de 69 religiosos[4].

O trabalho de preservação dos lugares sagrados da Cristandade só tem sido possível através das ofertas recebidas de todo o mundo, a partir da atuação dos Comissários. Na região onde nasceram as três religiões monoteístas, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, o patrimônio à guarda dos Franciscanos não se limita apenas aos preceitos religiosos, mas também diz respeito ao legado dos três povos das religiões do Livro, permitindo preservar valores intrínsecos a épocas remotas, que enriquecem a Humanidade sob o ponto de vista histórico, arquitetônico, cultural e identitário.

É importante ressaltar que o trabalho realizado pelos Franciscanos não é relevante somente para as identidades e culturas locais, mas para a Humanidade que vive o auge do processo de globalização numa época em que o ser humano pós-moderno se encontra carente de identidade. Na pós-modernidade, a identidade cultural passa pela crise de sobrevivência e enfrenta a “concorrência” da indústria cultural que visa destruí-la através da promoção de valores e símbolos antes somente acolhidos por minorias.

A recepção oferecida pelos frades aos peregrinos não se restringe apenas a um bom acolhimento, sendo-lhes dada a oportunidade de aprender os aspectos históricos e geográficos da região, tais como Jerusalém, Massada, Belém, o “Rio Jordão”, o “Mar Morto” (o ponto mais baixo na Terra)[5] e outros importantes locais históricos.

A relevância da obra dos “Custódios da Terra Santa” ao longo dos séculos é indiscutível. Todo o trabalho por eles desenvolvido não é feito de modo isolado, mas em rede mundial. É a conexão estabelecida entre todos aqueles que estão comprometidos com a atividade de manter a presença cristã na “Terra Santa” que tornou possível a conservação e preservação dos lugares sagrados[6] naquela região.

Num momento em que o “Oriente Médio” passa por mais uma fase conturbada em virtude dos conflitos internos e enfrenta uma “Guerra Civil”, os Franciscanos têm se dedicado a auxiliar os refugiados sírios. Para Frei Pierbattista Pissaballa, “a Síria encontra-se numa situação dramática e não pode ser esquecida… O Norte da Síria está quase totalmente nas mãos dos rebeldes, o Oeste sob controle governamental, o Centro-Sul está no caos total[7].

A posição tomada por Frei Pierbattista Pissaballa ante os acontecimentos na Síria é de auxílio e de denúncia da violência sofrida pelas minorias cristãs, principalmente no Norte da Síria, que se encontra sob domínio dos rebeldes fundamentalistas islâmicos. De acordo com o “Custódio da Terra Santa”, nem a Síria, nem os muçulmanos, nem os cristãos podem ficar esquecidos[8]. Desde o início da “Guerra Civil Síria” os Franciscanos têm atuado no sentido de amenizar a situação daqueles que necessitam de ajuda, independentemente de confissão religiosa. Deste modo, foi criada a ONG da Terra Santa”, “Ats Pro Terra Sancta[9], que tem, como lema da campanha de solidariedade: “Emergência Síria[10].

A atuação dos “Custódios da Terra Santa”, através de ações efetivas no que diz respeito à preservação dos lugares santos e à dedicação à causa humanitária, reflete a consolidação de um ideal que tem como motivação não somente os valores cristãos mas, acima de tudo, humanitários. Numa época, como a nossa, em que se apregoa o multiculturalismo e na qual, paradoxalmente, se mantêm o preconceito e a não aceitação da diferença, os Franciscanos naTerra Santaconseguem superar muitos desses obstáculos defendendo, e praticando cotidianamente, valores superiores às barreiras religiosas, culturais e políticas.

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Imagem (Fonte):

http://www.stellamaris-naklada.com/hr/hodocasca/sveta-zemlja

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.custodia.org/

[2] Ver:

http://www.fmc-terrasanta.org/pt/historia-da-custodia-da-terra-santa.html

[3] Ver:

http://www.fmc-terrasanta.org/pt/historia-da-custodia-da-terra-santa.html

[4] Ver:

http://www.fmc-terrasanta.org/pt/custodia-da-terra-santa.html?vid=44&vt=1

[5] Ver:

http://www.holyland-pilgrimage.org/node/167

[6] Ver:

http://pt.custodia.org/default.asp?id=2048&id_n=19113

[7] Ver:

http://pt.radiovaticana.va/news/2013/10/21/cust%C3%B3dia_da_terra_santa_lan%C3%A7a_campanha_de_solidariedade_emerg%C3%AAncia/bra-739424

[8] Ver:

http://pt.radiovaticana.va/news/2013/10/21/cust%C3%B3dia_da_terra_santa_lan%C3%A7a_campanha_de_solidariedade_emerg%C3%AAncia/bra-739424

[9] Ver:

http://www.proterrasancta.org/

[10] Ver:

http://pt.radiovaticana.va/news/2013/10/21/cust%C3%B3dia_da_terra_santa_lan%C3%A7a_campanha_de_solidariedade_emerg%C3%AAncia/bra-739424

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Perspectivas sobre os Estados Unidos de 2014

De acordo com análises internacionais, o ano de 2014 nos “Estados Unidos” tende a adquirir a conotação de mudança no âmbito de suas políticas interna e externa, na esfera ideológica e, principalmente, na área econômica.

Na contramão das políticas dos anos 80 que culminaram no combate às drogas, em atitudes beligerantes contra o “Bloco Soviético” e seu modo de produção “socialista” e no consumismo desenfreado que foi a base da economia norte-americana até o início do século XXI, o ano de 2014 se inicia com a possibilidade de um novo prognóstico, fomentado principalmente pelo declínio da recessão (2008-2012) que assolou o sistema internacional.

Diante desse quadro de reconstrução, os “Estados Unidos” do presente e do futuro tendem a sofrer transformações profundas na tentativa de se adaptar aos novos cenários internacionais que estão se formando após um período de desequilíbrio financeiro. Nesse sentido, parte dessas mudanças será a energia motriz para que o sistema internacional saia da crise e retome o caminho do crescimento econômico.

Como parte desse plano, algumas medidas pouco convencionais já são vistas na prática desde o primeiro dia desse novo ano de 2014 nos Estados Unidos, numa sensível, mas importante mudança de mentalidade sobre temas considerados polêmicos na sociedade e na comunidade política estadunidense. O Obamacare a nível nacional e a “legalização da maconha” no estado do Colorado são exemplos do surgimento de uma nova mentalidade social que emergiu em tempos de crise e trouxeram à luz do debate a real eficiência dos planos de saúde e do combate às drogas no plano interno.

Muitos norte-americanos não têm acesso à saúde de qualidade e o Obamacare é visto como a ferramenta que permitirá o ingresso dos cidadãos, principalmente daqueles que vivem à margem da sociedade. Para muitos especialistas no assunto, a guerra contra as drogas é vista como perdida. Mais de US$ 1 trilhão gasto e nenhuma mudança significativa nos índices de violência, consumo e tráfico. Em vista dos prejuízos, alguns modelos de legalização estão sendo implantados a “conta gotas”, a fim de verificar o real efeito social sobre a liberação de determinadas substâncias.

Segundo alguns economistas, no plano econômico, os “Estados Unidos” podem superar a crise financeira ainda no primeiro semestre de 2014, pois há um reequilíbrio no nível de emprego, com uma média mensal de quase 200 mil novos postos de trabalho por mês em 2013, refletindo diretamente na produção industrial e na construção civil. Dentro dessa ótica de prosperidade, mais emprego significa mais gastos, algo que reflete no aumento do volume de emprego para atender a crescente demanda. Há ainda o “boom energético” do petróleo, da matriz eólica e do gás de xisto que pode alavancar o país ao status de exportador energético, abrir portas para mais empregos e consolidar sua posição como potência no segmento, acarretando na redução dos custos de importação de hidrocarbonetos de países do “Oriente Médio”, por exemplo.

No que tange a conjuntura política, provavelmente as mudanças elucidadas na campanha presidencial de  Barack Obama  em 2008 podem ser concretizadas. Acredita-se que não haverá nesse ano um embate acalorado entre democratas e republicanos nas eleições parlamentares que ocorrerão no fim de 2014, deixando o caminho livre para Obama colocar em prática alguns planos de governo que ainda estão travados devido às diferenças ideológicas entre os dois principais partidos

Em política externa, o ano deverá ser de reconstrução da imagem dos “Estados Unidos” através de uma estratégia voltada mais para os preceitos diplomáticos procurando abrandar as tensões com a “Coréia do Norte” sobre seu programa nuclear, a “Crise Sino-Japonesa” por conta das “Ilhas de Senkaku/Diaoyu”, a “Guerra Civil na Síria”, bem como manter as negociações do “Programa Nuclear Iraniano”, além de projetar mais uma tentativa de costurar um acordo definitivo de paz entre israelenses e palestinos. Isso fará com que esse novo ano possa ser um provedor de políticas internacionais que busquem o equilíbrio nas relações e projete aproximação em alguns desses casos, consequentemente, possibilidade de parceria de cunho comercial.

No plano político internacional, a modalidade de atuação dos “Estados Unidos” prevê relações mais brandas. Na esfera do comércio internacional, 2014 será um ano de fortes e ousadas estratégias, dentre as quais a formalização de uma política idealizada desde o fim da “Segunda Guerra Mundial”. Tal qual a “OTAN” adquiriu uma estatura ampla em relação à defesa do hemisfério ocidental, uma “Área de Livre Comércio” entre “Estados Unidos” e “União Europeia” promete ser uma construção reestruturadora da economia. Só que em escala mundial e, por isso, um dos grandes temas da agenda internacional deste ano, uma vez que tal aproximação bilateral tende a se constituir num dos maiores acordos da história, capaz de alavancar em 0,5% o PIB da União Europeia” e em iguais proporções o dos “Estados Unidos”, conforme alguns estudos prévios já divulgados.

Embora essa possibilidade de acordo bilateral transatlântico seja uma tentativa enriquecedora do ponto de vista monetário, existem muitas barreiras que podem travar o sucesso dessa empreitada. Ainda não há consenso sobre vários temas, tais como proteção a propriedade intelectual, a padronização de normas para segurança alimentar (a Europa não aceita produtos transgênicos, já os “Estados Unidos” são tolerantes), além da eliminação das barreiras alfandegárias e da facilidade na promoção do intercâmbio comercial.

Todavia, já é notório que a “Área de Livre Comércio” visa projetar sua força para fora de suas esferas de influência, ou seja, a estratégia por trás dessa iniciativa é colocar de volta a Europa e os “Estados Unidos” no comando das atividades comerciais internacionais, sendo isso um recado direto à China que projeta sua força com muita competência no sistema internacional.

De negativo por enquanto, de acordo com estudos preliminares encomendados por agências de risco, está a possível derrocada da “Organização Mundial do Comércio” (OMC), com a crescente tendência da regionalização do comércio internacional, preterindo iniciativas multilaterais orquestradas por esse órgão de regulação. Alinhada a essa perspectiva está à dificuldade que países considerados em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia, a “África do Sul” e a própria China terão que enfrentar para se inserirem dentro desse gigantesco mercado.

Apenas com a evolução dos dias será possível verificar o real enquadramento desses cenários no plano prático. No entanto, um fator é perceptível nessesEstados Unidosde 2014: a busca por um ideário novo, uma nova perspectiva que, se bem sucedida, deverá ser a receita para o restante dos atores internacionais, consolidando ainda mais seu papel proeminente diante daqueles que tem dúvidas de que osEstados Unidosainda serão por um longo período da história o centro das decisões políticas, econômicas e sociais da sociedade internacional.

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Imagem (Fonte):

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,estados-unidos-e-europa-preparam-a–maior-area-de-livre-comercio-do-mundo-,996737,0.htm

Ver:

http://www.abia.org.br/anexos2012/7e5da851-535a-47a4-ac5d-07bd247ef374.pdf

Ver:

http://www.dw.de/eua-e-ue-se-empenham-por-zona-transatl%C3%A2ntica-de-livre-com%C3%A9rcio/a-16585034

Ver:

http://www.dw.de/para-especialistas-livre-com%C3%A9rcio-entre-ue-e-eua-n%C3%A3o-resolver%C3%A1-problemas-econ%C3%B4micos/a-16889816

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

As dificuldades para uma maior integração em Defesa na União Europeia

Reunidos em Bruxelas, em 19 de dezembro de 2013, no âmbito da Cúpula europeia, os líderes da União Europeia” (UE) discutiram, pela primeira vez desde o início da crise que assola os países do Bloco, avanços na política comum de Defesa. Embora o resultado tenha demonstrado uma evolução positiva das políticas, com o entendimento da necessidade de aprofundar a cooperação na área, o encontro fora marcado por mais um desentendimento entre os principais países da União (França, “Reino Unido” e Alemanha) sobre a forma de conduzir tal aprimoramento

Historicamente, questões relacionadas à criação de Políticas de Defesa no processo de integração da Europa sempre suscitaram desconfiança e desentendimento entre os Estados-membros.

O primeiro passo em direção a uma integração neste setor deu-se como consequência do início daGuerra da Coréia”, no ano de 1950. Os Estados Unidos da América” (EUA), que possuíam inúmeras frentes de conflitos, mobilizando grande parte de seu efetivo militar, iniciaram uma pressão política favorável ao rearmamento da Alemanha, cuja eliminação de suas forças armadas fora resultado das imposições feitas ao término da “II Guerra Mundial”. A possibilidade do ressurgimento da ameaça alemãnão agradou a cúpula política francesa que, prontamente, colocou-se contra a proposta.

A insegurança francesa gerou um desconforto político com o Chanceler alemão, Konrad Adenauer, e com o início das conversas (meses antes) referentes à criação da Comunidade Europeia de Carvão e Aço” (CECA), origem da atual UE. Adenauer não aceitou a desconfiança vinda dos políticos franceses, uma vez que a criação da CECA, defendida por ambas as partes, significava que a indústria pesada alemã, superior a da França, aceitaria se subjugar a uma “Alta Autoridade”, responsável pelo estabelecimento e regulação de um mercado comum de carvão e aço. Se a Alemanha estava disposta a demonstrar o seu comprometimento com o início de um processo de integração e, consequentemente, por um fim nas desconfianças e tensões existentes entre os dois países, dando um voto de confiança, por que a França não estaria disposta a fazer o mesmo?

Preocupado com o impacto deste desentendimento no futuro do “Plano Schuman” – como foram designadas as negociações que objetivavam a criação da CECA – o político francês Jean Monnet, principal responsável pela criação da integração europeia, propõe juntamente com oPrimeiro-Ministro da França”, René Pleven, a criação de uma organização supranacional* de Defesa, a “Comunidade Europeia de Defesa” (CED), na qual as unidades militares alemãs seriam integradas a um exército europeu.

Em setembro de 1952, os Ministros das Relações Exteriores da Alemanha, França, Itália, Bélgica, “Países Baixose Luxemburgo criaram, dentro das negociações doPlano Schuman”, um comitê responsável por traçar um projeto que delineasse os princípios básicos de uma Comunidade Política Europeia” (CPE), uma vez que a criação de um exército europeu, conforme estipulado pela CED, necessitaria de uma unidade política capaz de comandá-lo. A proposta da CPE englobaria uma união, em termos supranacionais, das políticas externas, de defesa, econômicas e monetárias.

A proposta de criação da CPE, como tratado internacional, necessitava da ratificação por parte dos Parlamentos dos seis países membros. Cinco ratificaram, a exceção fora à própria França, quem havia proposto inicialmente. A pressão política foi exercida pelos partidos franceses nacionalistas, comandados pelo então Ex-Presidente da França, o general Charles de Gaulle.

Na tentativa de solucionar a crise, o Reino Unido propôs a adesão das unidades alemãs dentro de uma organização intergovernamental europeia de Defesa, a União da Europa Ocidental (WEU – “Western European Union”), no ano de 1954. Ademais, a WEU seria o primeiro passo para a adesão da Alemanha à Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN).

A rejeição da Comunidade Europeia de Defesa gerou uma espécie de tabu no processo de integração da Europa, impossibilitando por muitos anos a realização de conversas sobre o avanço de políticas comunitárias de Defesa. Preocupações nacionalistas e o papel da OTAN na segurança da região são discursos utilizados com frequência como contrapontos ao aprofundamento da integração europeia neste âmbito.

A cúpula de dezembro de 2013 não foi diferente. O Primeiro-Ministro Britânico, David Cameron, enfatizou que irá barrar qualquer tentativa de qualificar a Defesa na UE com instrumentos supranacionais, ou seja, irá impedir que as instituições europeias possam possuir e operar seus próprios meios militares. Em entrevista concedida, Cameron afirmou que “faz sentido para os Estados nacionais cooperar em questões de defesa para nos manter mais seguros, mas não é correto para a União Europeia ter capacidade (militar), exércitos, força área e todo o resto[1].

Para a analista Vivien Pertusot, do “Instituto Francês de Relações Internacionais”, a posição britânica explica-se pelo receio de que, ao aprofundar as políticas comunitárias de defesa, a UE possa se tornar, em um futuro próximo, uma organização política que irá competir com a OTAN. Ademais, a declaração de Cameron pode ser compreendida pela necessidade de acalmar seus eleitores eurocéticos[2].

Em oposição, o presidente francês François Hollande defendeu que a UE possa agir em conjunto em intervenções militares realizadas por um de seus Estados-membros, principalmente na divisão dos custos – desde que tal operação atenda as necessidades de segurança europeia.

Envolvido em duas frentes, uma em Mali e outra na “República Central Africana”, Hollande pretende iniciar um debate nas instituições europeias sobre a melhor forma de financiar as operações militares – de forma distinta à atual, que se baseia em uma análise caso a caso.

A recém reeleita Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, respondeu a Hollande afirmando que o seu país não poderá financiar missões militares em que não estão envolvidos no processo de decisão[1]. Merkel criticou o argumento utilizado por Hollande que justificou o início de suas intervenções militares, por conta própria, devido a lentidão do processo decisório da UE. Além disso, a Chanceler afirmou que a França, após isso, não pode exigir que os demais países da União façam parte das operações.

Embora divergências entre os países tenham dominado a cobertura da Cúpula europeia, pequenos e significativos avanços foram feitos nas políticas comunitárias de Defesa. O texto final da reunião estipulou quatro grandes avanços: (1) a criação de umClubede países da UE com o propósito de criação de drones militares, a partir de 2020 ou 2025; (2) o desenvolvimento conjunto de uma nova geração de satélites de comunicação; (3) o estabelecimento conjunto de práticas de defesa cibernética; e (4) a criação de novos aviões de reabastecimento aéreo[2].

Ademais, os líderes reunidos na Cúpula demandaram às Instituições europeias uma maior verba no setor de pesquisa de desenvolvimento para o setor de Defesa e na criação de uma nova estratégia de segurança marítima para a UE.

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* Contrapondo-se a uma cooperação intergovernamental, uma organização supranacional caracteriza-se pela existência de um poder superior àqueles do Estado nacional. É o resultado direto da transferência de soberania, realizado pelos próprios Estados, em benefício de uma organização comunitária, permitindo a orientação e regulação de certas matérias tendo em vista, sempre, o bem comunitário.

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Imagem (Fonte):

http://www.eda.europa.eu/images/generic-images-of-this-website/light24.jpg?Status=Master

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Fontes:

[1] Ver:

http://euobserver.com/defence/122570

[2] Ver:

http://euobserver.com/foreign/122542

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Ver também:

DINAN, Desmond. Ever Closer Union. An Introduction to European Integration. London: Lynne Rienner Publisher, 2010.

MONNET, Jean. Memórias. Brasília: UnB, 1986.