AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Evo Morales apresenta-se no “Foro de São Paulo” como o atual “Estadista da América Latina”

O “Presidente da Bolívia”, Evo Morales, encerrou o “Foro de São Paulo”* de 2013, apresentando-se como o Estadista que pode liderar o projeto de esquerda da “America Latina”, sendo possível afirmar que incorpora neste momento a função de herdeiro de Hugo Chávez, papel que alguns analistas acreditam que seria exercido por Rafael Correa, “Presidente do Equador”.

Antes de vir para o Foro, o mandatário boliviano foi declarado pelos participantes da “Cúpula Anti-Imperialista e Anticolonialista de Organizações Sociais” como líder mundial dos movimentos sociais, em reunião realizada em Cochabamba, Bolívia, no dia 1o de agosto, na qual havia delegações de 90 organizações sociais de 18 países[1].

Ao chegar ao Brasil, Evo participou, no sábado, dia 3 de agosto, de uma reunião privada com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, quando, pelo que foi informado, ele lançou a ideia de se criar Comissões técnicas e jurídicas com o objetivo de assessorar (ele falou prevenir) sobre os problemas internacionais gerados com as estatizações que os países sob governos de esquerda vem realizando.

Afirmou: “Temos de começar a organizar esses conselhos econômicos e jurídicos com especialistas em temas internacionais que podem nos ajudar a lidar com esses processos que surgem porque nacionalizamos os serviços básicos, recursos naturais ou de telecomunicações[2].

A ideia é ter esses grupos de assessoria para ajudar nos embates com os “Organismos Internacionais”, pois, de acordo com suas concepções, os Estados saem sempre perdendo nas demandas que ocorrem envolvendo os casos de nacionalizações/estatizações. Como disse, “Nestas demandas nunca ganham os Estados, sempre ganham os privados. (…). Se nossos governos fracassarem em seus países, não poderemos seguir avançando[2].

Pelo que foi divulgado, a proposta partiu de Morales e não de Lula e ele a apresentou ao Ex-Presidente e não para a atual “Chefe de Estado do Brasil”, Dilma Rousseff, pelos laços de amizade e relação de confiança que detém com o brasileiro. No entanto, tal manifestação trouxe interrogações, pois diminuiu o papel da Presidente brasileira, já que ela é a sua anfitriã (são dois “Chefes de Estado”) e ele lhe colocou numa situação subalterna, além de ser ela a maior autoridade do país e a sucessora do governo Lula.

Por essa razão, começam a surgir dúvidas sobre a real autoria da proposta, apesar de Morales ter declarado que fez a sugestão e se dirigiu a Lula e não à Presidente, por motivos pessoais. Afirmou: “Tenho muito respeito pelo companheiro Lula. Construímos uma confiança com sinceridade quando ele era presidente e eu candidato, em 2005. Temos muitas coincidências[2].

No encerramento do “Foro de São Paulo”, o boliviano portou-se como o porta-voz das conquistas que interpreta terem sido alcançadas pela esquerda latino-americana e estão sendo ameaçadas. Nesse sentido, criticou a “Aliança do Pacífico”, identificando-a como um instrumento para dividir a Região. Conforme avaliou, é uma “tentativa dos Estados Unidos de usarem um ou dois presidentes para dividir a América do Sul. (…). A Aliança do Pacífico quer estabelecer o livre comércio e privatizar serviços essenciais. Esses governos estão condenados a enfrentar os povos em seus países[3]. No entanto, de acordo com alguns observadores, ele esqueceu, porém, que são três Presidentes (em futuro breve quatro, com Horacio Cartes, do Paraguai), e um deles, Olanta Humala (Peru), ascendeu como membro da esquerda latino-americana e, até chegar ao governo, apresentava-se explicitamente como bolivariano. Além disso, não há referência a privatizações.

No entanto, com essa postura, Morales mantém a linha discursiva de combate aos EUA, que é identificado como o inimigo externo causador da condição regional (é o principal agente das perdas e exploração da região, segundo a tese do Imperialismo), motivando a mobilização da sociedade contra o mal externo que age em parceria com as elites que confrontam a inclusão social conseguida pela ação do Estado na economia e pelo combate à iniciativa privada conservadora.

Esse comportamento de enfrentamento ao inimigo externo adotado pela esquerda que assumiu o poder constitui-se num dos principais elementos táticos da ação política, tanto que, na declaração final do Foro, a “Aliança do Pacífico” foi considerada uma “tentativa de sabotar a integração regional[3].

A linha discursiva de Morales foi mais adiante dessa questão e buscou também uma interpretação para atual situação regional em que os povos dos países sob governos autodenominados progressistas estão realizando críticas aos seus governantes e, além disso, as manifestações e movimentos sociais estão ocorrendo sem o comando das organizações e partidos de esquerda.

Afirmou, de forma doutrinária, que há “alguns partidos de esquerda que se dizem socialistas sem sê-lo. (…) …a luta [na Bolívia, por exemplo] não foi só para nos libertar da direita, mas também do sectarismo de alguns partidos de esquerda. (…). Alguns chegam a ser presidentes, depois há corrupção e o povo está irritado pela corrupção[4], não deixando claro a quem se referia, nem o que concebe como esquerda e direita, mas apenas jogando a culpa pelas falhas em algo que se pode interpretar de seu discurso que é uma “direita disfarçada de esquerda”, já que se trata de uma suposta “falsa esquerda”, uma vez que ascendeu ao poder dizendo-se assim e ele, Morales, parece dividir o mundo apenas entre esses dois segmentos.

Além disso, com um viés de pragmatismo, afirmou estar “convencido que se em um país, por mais que tenha um governo de esquerda, faltam alimentos, energia ou há problemas econômicos, não há governos que possam suportar os levantes dos povos. (…). Cuidado com esse tema. Assumir a responsabilidade de ganhar eleições para alguns é o poder político, mas a política não é poder. É a ciência de servir aos povos. E às vezes há abusos de poder e autoridade, e os povos estão cansados de abusos. (…). Se os partidos ou governantes de esquerda só pensam nas próximas eleições, estão equivocados. Os partidos de esquerda devem pensar nas próximas gerações, não eleições. (…) se os presidentes de esquerda fracassarem em um país, então não haverá avanços nos processos de libertação dos povos, que são a obrigação da esquerda[4].

É possível interpretar que, com essa abordagem, parece tentar reincorporar o discurso de que a política é algo maior que somente a luta pelo poder, concepção sobre a qual não havia mais manifestação, pois, conforme apontam observadores, parte significativa e dominante dos intelectuais socialistas vinculados aos partidos e ao governos em exercício passavam a apresentar os partidos políticos apenas como instrumentos de luta pelo poder e não como espaços para o debate e formulação de projetos de sociedade, razão pela qual, com esse discurso, reduziram também a política apenas à dimensão da busca pelo exercício do mando, bem como limitaram os militantes a funcionários e soldados para combate político sob a liderança de uma elite partidária incontestável e constrangeram o povo a ser massa de manobra, tanto que Morales declarou: “A política para nós não pode ser nem negócio nem lucro. Deve ser serviço[4], sugerindo a necessidade de um “manual de conduta esquerdista[4].

Apesar de o discurso de Evo ter sido reproduzido, desenvolvido ou de alguma forma antecipado por outros participantes do Evento**, analistas apontam que, no Foro, foi evidenciado que ele pode estar sendo apresentado como o herdeiro de Chávez para mostrar-se como a locomotiva ideológica neste futuro imediato, pois os governos socialistas estão vivendo uma crise generalizada e podem perder o poder, já que também estão perdendo o discurso capaz de “conquistar corações e mentes”, o que levará ao recuo dos projetos por eles impetrados na região, os quais, com a articulação conseguida pelo “Foro de São Paulo” a partir de 1990, mostraram-se como partes de um Projeto coletivo, graças a articulação e apoios mútuos dados entre os líderes que ascenderam ao poder nos países do subcontinente latino-americano.

Mostraram-se também como partes de um Projeto comum, graças, em especial, ao papel de cooptação que era exercido por Chávez (agora falecido), devido a sua personalidade e por ter formulado uma doutrina norteadora dos diálogos, além daquele papel exercido por Lula (que não se sabe com certeza qual papel ainda exerce e se voltará a exercer), que foi um forte centro de atenção, mais pela sua personalidade e pelo seu carisma natural, reforçado por excepcional e custoso trabalho de marketing político.

Conforme apontam os analistas, no momento, as lideranças de esquerda estão perdendo argumentos, projetos e credibilidade, não havendo uma delas que possa ser um farol para continuar o exercício de atração coletiva, talvez, por isso, os observadores estejam interpretando que o discurso e a postura de Morales parecem ter por missão atribuí-lo essa tarefa de reativar o trabalho de conquistar e atrair os corações e as mentes.

Destaca-se ainda que, nesta sua 19a edição, o Foro cumpriu o papel de reformular o argumento acusatório contra o capitalismo e os EUA, também de buscar campos de ação conjunta, bem como os temas de aproximação e, principalmente, o papel de homogeneização dos discursos que se espalharão pela região.

Neste momento, a ideia é rever os erros cometidos, dentre eles a corrupção, como forma de esvaziar as críticas das oposições no continente, atuando antecipadamente para dissipá-las e amenizar as falhas, já que buscarão uma forma comum de ação e de justificativa para os fracassos, bem como para a corrupção de que são acusados, tanto que o petista Valter Pomar afirmou que neste momento se vive uma “guerra de posições[5] e explicou a crítica que está sendo feita no Brasil à presidente brasileira Dilma Rousseff como “manobras da direita [para] sabotar seu governo[5].

Uma questão tem suscitado reflexões nos analistas acerca do discurso apresentado: o pragmatismo propugnado para resolver problemas gerados pelo esgotamento de um modelo de crescimento, tal qual afirmado, inclusive por Pomar. Nos argumento disponibilizado por Morales houve impressão de que o problema deve ser resolvido com uma pragmática captação de recursos e uma certa abertura, embora tenha determinado que os setores básicos não podem ser privatizados. A questão que ressalta diz respeito a forma como se está tentando equacionar o tema iniciativa privada.

Se for realidade que o modelo está esgotado, que os discursos da esquerda estão perdendo força de atração, que o Estado está vivendo problemas de gestão, de recursos e de confiabilidade, realça a dúvida sobre qual é o novo modelo propugnado e qual papel será atribuído ao empreendedor privado, uma vez que parece não haver recuo na certeza de que o Estado deve avançar sobre a sociedade, em especial sobre a economia.

Por isso, alguns analistas pensam numa situação histórica já vivida no início do século XX (final da primeira década e início da segunda, mais precisamente), quando se estabeleceu “dar um passo atrás, para dar dois à frente” nas relações com a propriedade privada dos meios de produção. A questão é que naquele momento se vivia uma Revolução que venceu o combate inicial e a economia estava dizimada, necessitando resgatar parte dela por meio da iniciativa privada para depois reiniciar o projeto de estatização, mesmo ao custo da violência e das mortes que ocorreram.

Na atualidade, século XXI, não ocorreu revolução, mas sim a atração de significativa parcela da sociedade para as ações socialistas, bem como apoio de parte expressiva das massas, graças ao crescimento econômico, o qual permitiu o avanço em propostas ousadas.

No entanto, este crescimento, no momento, está sob questionamento e não está gerando resultados que possam garantir expectativas no povo, por isso ele precisa ser retomado para que os líderes recuperem a credibilidade, abafem os problemas institucionais e minimizem as acusações que recebem, para, assim, avançaram em direção à revolução que ainda não ocorreu.

Por isso, o discurso de Evo pode ser a expressão coletiva da esquerda latino-americana, com um porta-voz importante, para dar um passo atrás na expectativa de que, no futuro breve, darão dois passos à frente.

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Que reúne 91 organizações de 37 países da AL e Caribe e, neste ano, foi realizado entre 31 de julho de 4 de agosto.

** Uma personalidade que apresentou argumento complementar a Morales foi o petista Valter Pomar, que destacou na conjuntura atual as consequências da crise econômica, da rearticulação do que ele denomina serem os conservadores, bem como do “esgotamento do modelo[5] econômico, mas por ele denominado de “modelo de crescimento[5]

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://port.pravda.ru/mundo/04-08-2013/35061-evo_morales-0/

[2] Ver:

http://www.dgabc.com.br/Noticia/473203/morales-quer-comissoes-para-processo-antiestatizacao?referencia=minuto-a-minuto-lista

Ver também:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2013/08/05/noticiasjornalpolitica,3105033/morales-propoe-comissoes-contra-nacionalizacoes.shtml

[3] Ver:

http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2013/08/alianca-do-pacifico-e-tentativa-de-dividir-america-do-sul-afirma-evo-morales-1170.html

[4] Ver:

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/evo-morales-pede-decencia-humildade-e-compromisso-a-esquerda,162f4a935b040410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

[5] Ver:   

http://www.opovo.com.br/app/opovo/radar/2013/08/05/noticiasjornalradar,3105110/morales-cobra-da-esquerda-combate-a-corrupcao.shtml

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Jorge Mario Bergoglio, o Papa

Em função da visita do Papa Francisco ao Brasil e das análises que forma feitas após sua despedida, o Conselho Editorial o CEIRI NEWSPAPER considerou interessante republicar a Análise de Conjuntura escrita no dia 15 de março de 2013 pelo Dr. Marcelo Suano, após o anúncio do Conclave, sobre a escolha de Arcebispo Mario Jorge Bergoglio como Papa.

A perspectiva adotada na análise naquele momento teve repercussão e foi expressivamente replicada em outros canais e sites , além disso se aproxima daquilo que vem sendo identificado por observadores neste momento, tendo antecipado certos traços de comportamento de Sua Santidade, o Papa Francisco.

Conselho Editorial

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A escolha do cardeal Bergoglio, agora Papa Francisco*, para assumir a liderança da “Igreja Católica Apostólica Romana” surpreendeu os analistas e observadores internacionais. As expectativas foram criadas em torno de alguns poucos nomes que poderiam responder à convicção de que a Igreja necessita de um líder que mantenha a postura tradicional, que conheça o suficiente dos meandros da estrutura interna e burocrática do Vaticano, que fosse jovem (considerando como tal alguém abaixo dos 70 anos), que pudesse recompor as perdas da Igreja na Europa, que evitasse as perdas na América Latina, além disso, que conseguisse se adaptar a linguagem contemporânea para poder comunicar-se com o coração do nosso tempo.A quase totalidade dos especialistas apontava que seria um europeu, especialmente um italiano, pelo fato de que estes têm a vantagem de entender as tessituras do Estado do Vaticano, bem como de sua burocracia, podendo, dessa forma, identificar rapidamente as falhas que precisam ser corrigidas para a Igreja não sofrer mais danos. Ou seja, a grande maioria dos observadores acreditava na escolha de um Papa italiano, no máximo um europeu, pela habilidade que se supõe que ele teria para tratar  das questões políticas, tanto quanto, senão mais, que das questões religiosas, já que ambos os conjuntos de questões são complementares e as políticas, neste momento, estão potencializando as fragilidades na condução moral que a Igreja se incumbe.

De forma mais direta, os erros da política, sejam por corrupção (que existe potencialmente em qualquer burocracia governamental e o Vaticano tem o seu Governo), sejam por decorrência da ambição pelo poder existente entre as altas lideranças (de acordo com o que vem sendo disseminado na mídia) estão contaminando o debate doutrinário, já que tem diminuído a sua força moral, bem como a força moral das lideranças da Igreja que se vêem incapacitadas de responder aos questionamentos do povo, pois sentem a perda de sua credibilidade, juntamente com a credibilidade da Instituição. Assim, acreditavam que um italiano conservador poderia resolver os problemas políticos rapidamente para dar continuidade à tarefa da catequese e impedir as perdas de fieis que vem ocorrendo ao longo dos anos.

A surpresa acerca da ascensão de “Sua Santidade, o Papa Francisco”, decorreu de não se acreditar que o Conclave escolheria alguém de fora da Itália, ou da Europa, pois, teoricamente estes estariam mais aptos a responder àquelas exigências, mas também pelo fato de que Cardeais italianos (ou europeus) mais jovens  teriam tempo para encontrar a forma adequada de apresentar a mensagem do Cristianismo, já que iniciaria seu Pontificado adaptado às peculiaridades da política no Vaticano, respondendo imediatamente às exigências de correção da burocracia, e, por isso, poderia concentrar suas atenções na busca do caminho moderno para recuperar os fiéis.  

Neste momento, os observadores, apesar de ainda surpresos com a escolha, buscam respostas para compreendê-la. Começam a lembrar que ele foi um dos preferidos do Conclave que elegeu o agora “Papa Emérito Bento XVI” e, por isso, seu nome não poderia ter sido excluído tão imediatamente, mesmo que sua idade seja elevada para a avaliação dos especialistas (Cardeal Bergoglio tem 76 anos). No entanto, esses dois fatores, ter sido um dos preferidos no Conclave anterior e estar fora da idade desejada, mostraram-se irrelevantes, tanto para ser o escolhido, como para indicar que ele certamente não era o adequado.

Outros elementos começaram a vir a tona quando, uma vez tornado “Papa Francisco”, a personalidade e os posicionamentos teóricos e doutrinários passaram a ser avaliados pelos analistas. O Ex-Cardeal Jorge Mario Bergoglio, parece dar indícios de preencher como poucos os elementos que a Igreja Católica necessita neste momento para manter a missão que ela se propõe perante a humanidade: orientação espiritual, especialmente num momento de crise generalizada, mudança de códigos morais e ascensão acelerada de um modelo de postura comportamental das pessoas que se contrapõe em vários aspectos aos seus princípios.

O posicionamento doutrinário conservador agradou aqueles que constantemente pregam que a Igreja necessita preservar sua Doutrina, evitando fragmentações, ao invés de incorporar elementos que tanto podem desviá-la de seus pilares, como esvaziá-la de sua essência, tornando-a nebulosa e confusa, apesar de mantê-la como uma Instituição supostamente rica e com grande número de frequentadores.

Ele próprio fez alusão isso ao afirmar que a “Igreja corre o risco de se tornar uma ‘ONG’ piedosa[1]. Em suas palavras, “Se não professamos Jesus Cristo, nos converteremos em uma ONG piedosa, não em uma esposa do Senhor. (…). Temos de andar sempre na presença do Senhor, na luz do Senhor, sempre tentando viver de forma irrepreensível[1]. Que aqueles que “caminham sem a Cruz, edificam sem a Cruz e professam sem a Cruz… (…) …não somos discípulos do Senhor. (…). Podemos ser leigos, podemos ser bispos, sacerdotes, cardeais, Papas, mas não discípulos do Senhor [1].

A analogia demonstrou que ele tem convicção semelhante a de seu antecessor, quase declarando indiretamente o mesmo que Bento XVI que não importava ter uma igreja inflada, mas uma Igreja sólida, com verdadeiros fieis, mesmo que em menor número. Ressalte-se que os especialista declaram que eles tem a mesma linha doutrinária.

A afirmação do risco de tornar-se uma “ONG piedosa” contempla esta idéia de que os papeis da Igreja são vários e não se esgotam em apoiar e resgatar os necessitados (que está incluído neles), mas também em fornecer um caminho para a conduta moral, para a vida social, para o equilíbrio mental, para o conforto espiritual e para religar-se com o Ser criador, daí ser uma instituição religiosa (Re-Ligare) e não apenas uma instituição social assistencialista, ou uma instituição política, apesar de também estar inserida neste ambiente. Além disso, nesta afirmação ele deixou claro que não deseja ter entre seus líderes homens que não carregam a convicção da mensagem na Doutrina, já que, fora dela, a mensagem perderia a substância e a identidade.

Seus posicionamentos seguem os parâmetros adotados pelo antecessor, tal como dito, mas parece diferenciar-se naquilo que responde diretamente às solicitações contemporâneas: na postura, pois parece ter um carisma e simplicidade capazes de abrir as portas necessárias para que a mensagem seja ouvida por aqueles que se mantêm na Igreja tanto quanto pelos que afastaram dela, mesmo porque as migrações de fieis para outras religiões não se deram para se afastarem do rigor de Ortodoxias morais, já que migraram para outros ambientes que não são flexíveis em relação aos seus princípios. 

Neste curto momento, pelo que vem emergindo de informações, ele está demonstrando simplicidade na linguagem e no comportamento para se aproximar do rebanho com posição conservadora, mas também com indicações de que o fará de maneira próxima a de “João Paulo II”, embora com outro estilo.

O discurso e declarações iniciais que ele pronunciou, por exemplo, foram carregados de simpatia e bom humor, fazendo sair um comportamento moderno no trato com os pares e com os fiéis. Com o povo, brincou dizendo que “foram buscá-lo quase no fim do mundo” e, durante um jantar na noite de quarta-feira, dia 13, também brincou com alguns Cardeais afirmando “Que Deus os perdoe pelo que fizeram[2], referindo-se a sua eleição de forma espontânea e divertida.

Este deve ser um dos traços importantes, caso se mantenha, para o papel requerido de atingir os fieis: uma linguagem simples, direta, coloquial, que permita aos católicos se sentirem próximos do seu líder, o qual não se afasta da ortodoxia, embora certamente terá de exercitar e criar um modelo de tolerância a ser concebido especificamente para evitar que a preservação dos princípios não se transforme em uma arma contra a própria condução da Igreja. Nesse tópico, ele terá de criar uma ponte de diálogo, algo possível com o desenvolvimento de seu carisma e com a simplicidade que vem sendo apresentados até o momento.

Além dessa característica, também começam a emergir outras questões importantes. O posicionamento conservador do novo Papa colocou-o para os argentinos como um dos mais importantes opositores dos governos peronistas-kirchneristas, não apenas por posicionamento político, propriamente dito, mas sim por proposições morais. Ele se elevou como um dos porta-vozes do combate à corrupção, à ostentação, ao relativismo moral no comportamento das lideranças políticas, ao relativismo moral em si e à forma como vem se apresentando o assistencialismo no seu país, o qual, segundo interpretam alguns analistas, é carregado de erros na concepção e na execução, fazendo com que a Argentina venha  apresentando um decaimento constante no cenário mundial e a sociedade venha sofrendo sob efeitos de crises constantes.

Surgir um Papa latino-americano com esta postura pode estar representando também o estabelecimento de um pilar na America Latina para fazer frente tanto às perdas da Igreja Católica (já que a região detém 42% dos seus fieis e vem mostrando expressivas defecções de membros), como também contra disseminação de um modelo de sociedade que se implantou ao longos das últimos 15 anos.

Ele pode ainda estar representando com seu comportamento um farol para uma nova oposição, senão um baluarte, com condições de preencher o vácuo que vem sendo criado neste período pela antiga oposição, graças à incapacidade dos opositores tradicionais atuais apresentarem uma proposta alternativa ao modelo político e social que foi implantado, com competência para preservar e expandir a importante inclusão social que foi conseguida, mas que vem sendo acusado pelos analistas de esgotamento estrutural e incapacidade de dar uma direção comportamental aos povos, pois incorporou excessivo relativismo moral (principalmente da perspectiva cristã, que é a majoritária na América), além de ter fragilizado às instituições devido à postura, às ambições e aos erros de seus governantes.

O “Papa Francisco” deu indicações do comportamento que desejaria ver reproduzido para os católicos e também para todas as elites (econômicas, políticas e sociais), independente do credo que professam, ao solicitar aos argentinos que desejam ir até Roma para comemorar sua ascensão que, ao invés disso, doem o dinheiro aos pobres.

Ou seja, deixou claro que o resgate dos pobres tem de ser um pilar de ação e também que  há outras metodologias para tanto, além das desenvolvidas pelas lideranças políticas que estão no poder. Essas metodologias passam pela mudança de comportamento e pela adoção de uma postura de austeridade tal qual a sua vem sendo caracterizada (ele andava de ônibus, é discreto, fazia a própria comida), acrescentando-se que é tarefa da elite ter consciência das carências do seu povo (ao invés de resumir seu papel ao investimento produtivo) e trabalhar para extingui-las e não apenas para obter ganhos, relegando a uma suposta lógica pura da economia o resgate do equilíbrio social.

Na extremidade lógica do argumento, é possível que ele esteja indicando que o caminho deve passar essencialmente pela moral, sem que esteja colocando sobre uma plataforma o discurso de moralização da política, já que seu discurso parece estar se dirigindo principalmente à elite social e econômica, exigindo que desenvolva sensibilidade para perceber o mundo que o cerca e racionalidade para entender as razões que produzem a pobreza que existe para conseguir extirpá-la de forma equilibrada.

Conforme começam a conjecturar alguns analistas, ele pode criar na América Latina um suporte para que as oposições tenham condições de se contrapor ao modelo que foi implantado, mas, para tanto, elas terão de perceber principalmente a necessidade de reconstruir seu comportamento, sendo uma das exigências que se dirijam ao mais pobres para resgatá-los e especialmente para conhecer as suas necessidades, visando montar um projeto alternativo apto a ser apresentado à sociedade, elevando a ação opositora à categoria superior a esta que está no terreno atual, que se configura apenas pela luta pelo poder e pela incapacidade de entender tanto as transformações do processo histórico, quanto a necessidade de garantir a inclusão social, bem como interpretar na sua real dimensão o papel que foi cumprido pelos atuais detentores dos governos.

Além disso, conforme especulam alguns observadores, a austeridade que caracteriza sua postura também pode ser um recado à Europa e ao mundo, associando a ele uma ideia de que é necessário enriquecer os mais pobres, mas para que isso seja feito não há a exigência de que juntamente deva ser imposto o empobrecimento dos mais ricos.

Essas são considerações que começam a emergir dos analistas, mas ainda é cedo para grandes prognósticos, pois ele terá de lidar com as crises morais da própria Igreja, juntamente com os problemas políticos do Estado do Vaticano. Conforme apontam os especialistas, somente  depois de ficar definida sua postura diante dessas questões é que os cenários poderão ser desenhados de forma mais adequada, pois se verificará se ele pode suportar a sua missão, fazendo com que o nome Francisco seja um modelo a ser seguido, gerando uma série de “Papas Franciscos” na condução da Igreja.

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* Conforme explicado pelos vaticanólogos e especialistas na “História da Igreja”, o nome escolhido deve ser denominado apenas como Francisco. Ele será chamado “Francisco I” quando um novo Papa indicar o mesmo nome, o qual terá de ser “Francisco II”, razão pela qual Francisco passará a ser referido como “Francisco I”.

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Imagem (Fonte Wikipédia):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/novo-papa-francisco/noticia/2013/03/papa-francisco-reza-na-capela-sistina-1-missa-de-seu-pontificado.html

[2] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/novo-papa-francisco/noticia/2013/03/que-deus-os-perdoe-disse-papa-francisco-cardeais-apos-eleicao.html

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Ver também:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518049-em-tempos-de-eleicoes-na-igreja-qual-deve-ser-a-escolha-do-eleitor  

Ver também:

http://nevesalvaro.blogspot.com.br/

Ver também:

http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/dsm/19,0,4072942,Jornais-argentinos-criticam-posicoes-conservadoras-do-novo-pontifice.html

Ver também:

http://www.jcnet.com.br/Internacional/2013/03/novo-papa-teve-relacao-conturbada-com-casal-kirchne.html

Ver também:

http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/mundo/dw/2013/03/13/noticiasdw,3021783/papa-tem-saude-fragil-personalidade-discreta-e-e-desafeto-dos-kirchner.shtml

Ver também:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/francisco-i-manteve-uma-relacao-dura-e-fria-com-os-kirchner

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A China e a vitória parlamentar do “Partido Liberal Democrático do Japão”

A vitória no Japão do conservador “Partido Liberal Democrático” (PLD – em inglês, LDP) nas eleições para a “Câmara dos Conselheiros” deste domingo (21 de julho) é recebida com apreensão na China. Desde que voltou ao governo em dezembro de 2012*, Shinzo Abe, o líder do PLD e Primeiro-Ministro, tem ocasionalmente proferido discursos pessoais que evocam “a glória do passado imperial do Japão”, algo que, de certa forma, “fere as sensibilidades” dos povos vizinhos, em particular da China[1].

Crê-se que esta vitória abre espaço para o Partido japonês vencedor levar a cabo reformas econômicas e mudanças que igualem o país ao Japão do período pré-1945. Por isso, a China está preocupada com a pretensão de Abe alterar o caráter pacifista japonês, estipulado no “Artigo Nono” da Constituição, em vigor desde o fim da “2ª Guerra Mundial”, Constituição que o próprio Shinzo Abe afirma ter sido imposta pelos “Estados Unidos da América” (EUA). Ele ainda deseja reforçar o orçamento das “Forças de Autodefesa do Japão[2].

Como prova disso, o “Livro Branco de Defesa” do Japão (publicado em 9 de julho deste ano) destaca que, pela primeira vez em uma década o ano fiscal de 2013 tem um aumento de 0,8% para o setor de Defesa, alegadamente para fazer face a uma China mais assertiva com quem tem disputas territoriais marítimas, sendo as Ilhas Senkaku” (Diaoyu para os chineses) o caso mais emblemático, assim como também menciona a mesma postura no “Mar da China Meridional” com outros países[3].

No entanto, em resposta, a China não só refuta a ideia de que esteja a fazer manobras militares provocadoras junto ao “Mar da China do Leste” como também interpreta a preocupação do Japão em relação ao “Mar da China Meridional” como um sinal de desejo deste país expandir o seu poderio naval além de se imiscuir em assuntos alheios. Da mesma maneira, em Pequim também se critica o apelo vigoroso de Abe à aliança Japão-EUA que, em última instância, se acredita que objetiva conter a China[4].

Na semana passada, numa rara visita à “Ilha Ishigaki”, que dista cerca de 160 km das disputadas “Ilhas Senkaku” (Diaoyu), Shinzo Abe reafirmou que o Japão nunca recuará da questão da soberania sobre o território, o qual também a China reclama ter-lhe sido “roubado” no contexto da “Guerra Sino-Japonesa”, de 1895. A mídia chinesa entende que a ida do Primeiro-Ministro àquele lugar representa um precedente muito perigoso. Contudo, salienta que o gesto de Abe não tinha outro objetivo senão fazer campanha eleitoral pelo seu partido de direita e nacionalista para as eleições que acabavam de acontecer[5].

Coligado desde dezembro do ano passado ao “Partido Novo Komeito”, o “Partido Liberal Democráticotem a oportunidade de governar sem os grandes obstáculos que os governos anteriores, que foram tidos como dos mais instáveis na história recente do Japão. Neste período recente, o país teve sete Primeiros-Ministros entre 2006 e 2012, ou seja, neste intervalo, nenhum líder japonês conseguiu chegar ao fim do seu mandato[6]. Uma das razões da instabilidade governamental é a ausência de um Partido majoritário no Parlamento, composto pela “Câmeras Alta” (dos Conselheiros) e “Câmara Baixa” (dos Representantes)[7]. Portanto, o domínio do PLD no Governo e no Parlamento abre caminho para um ambiente de estabilidade política no Japão[8]

Especialistas chineses não só entendem que o domínio da coalizãoPLD-Partido Novo Komeitonas duas Câmaras (135 dos 242 Conselheiros, 325 dos 480 Representantes) pode levar o governo até ao fim do seu mandato (isto é, 2016), como também acreditam que Abe levará avante a sua política econômica (conhecida por Abenômica): “afrouxar as políticas monetária e fiscal e reformas estruturais[9], com vista a tirar o país da estagnação econômica que dura quase duas décadas[9].

Abe afirmara alguns meses atrás que sem crescimento econômico não é possível o seu governo garantir segurança social ao povo japonês e seria também difícil revitalizar a diplomacia do país[10]. Por isso, devido às suas políticas, a economia do Japão só este ano já cresceu cerca de 4% e as taxas do mercado de valores japonês aumentaram para acima de 40%. Porém, um dos maiores desafios do atual governo será aderir àParceria Trans-Pacífico”, contestada pelos fazendeiros locais. Esta Parceria de natureza econômica está ainda em formação e envolve 11 países de dois continentes sob liderança dosEstados Unidos[11].  

A China é um dos países que mais se beneficiam com a recuperação do Japão e também pode ajudar o Japão com o seu vasto mercado, mas Pequim está de guarda em relação às tentativas do “Governo Abe” na direção do fortalecimento militar, pois, para os chineses, mais que questão da existência de outro país belicamente forte na região, a ocupação de seu território, as guerras e a humilhação que a esteve sujeita ainda têm cicatrizes que vão levar muito tempo para sarar.

No entanto, alguns analistas chineses encontram conforto na posição pacifista do parceiro doPLD”,  oPartido Novo Komeito”, que publicamente afirma não ser favorável à militarização do Japão. Alguns ainda calculam que o PLD, por si só, não dispõe de 2/3 em ambas Câmaras, necessários para mudanças constitucionais, por isso acreditam que se Abe forçar a sua agenda “agressiva” levará ao colapso do atual governo, o que resultaria na continuação da instabilidade política, como vem ocorrendo ao longo dos últimos seis anos[12].   

Apesar de ainda não ter mantido um contato direto com as autoridades chinesas, Shinzo Abe afirmou nesta segunda-feira que os dois países vizinhos deviam trabalhar juntos para ultrapassar as diferenças que os opõem. Também disse que esperava levar avante diálogos de alto nível entre os dois Governos[13].     

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* Entre 2006 e 2007 também liderou o governo.

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Imagem (Fonte):

http://www.globaltimes.cn/NEWS/tabid/99/ID/798050/Abe-attends-press-conference-after-LDPs-election-win.aspx

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-23400979

[2] Ver:

http://www.isn.ethz.ch/Digital-Library/Articles/Detail/?id=165176

[3] Ver:

http://www.isn.ethz.ch/Digital-Library/Articles/Detail/?id=165176

[4] Ver:

http://eng.chinamil.com.cn/news-channels/china-military-news/2013-07/10/content_5403881.htm  

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/07/18/us-china-japan-idUSBRE96H05Q20130718

[6] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/797935.shtml#.Ue2_7Y0wcqN  

[7] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Diet_of_Japan

[8] Ver:

http://www.japantimes.co.jp/news/2013/07/22/national/abe-cements-power-with-ldps-sweeping-victory-in-upper-house-race/#.Ue28X40wcqO

[9] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/797935.shtml#.Ue2_7Y0wcqN

[10] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/798059.shtml#.Ue3LsY0wcqN

[11] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-23400979

[12] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/797935.shtml#.Ue2_7Y0wcqN

[13] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/798059.shtml#.Ue3LsY0wcqN

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

A instabilidade no Iraque, dez anos após a queda de “Saddam Hussein”

O Iraque atual corresponde ao território originário da civilização mais antiga do mundo, a Suméria. O passado remoto desse território, rico em significações históricas e culturais construídas ao longo dos séculos, contrasta com a atualidade, que vive um ambiente bastante desgastado em consequência de guerras. A fragilidade do Iraque, no décimo aniversário da guerra que provocou a queda de Saddam Hussein, reflete-se nas suas instituições políticas, econômicas e sociais, que perderam o vigor e necessitam de reconstrução.

Em março de 2003 ocorreu a intervenção norte-americana no Iraque, baseada na alegação de que este país tinha violado o “Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas” e a “Resolução 687”. Os EUA justificaram a sua ação a partir do pressuposto de que aquele país estaria produzindo e usando armas de destruição em massa que, no entanto, não foram encontradas. Após três semanas de guerra, o regime de Saddam Hussein ruiu. Para atingir os seus objetivos em território iraquiano, os norte-americanos gastaram centenas de bilhões de dólares num conflito que registrou a perda de milhares de vidas humanas[1]. O fim da guerra não significou a ausência da violência, tendo sido mais um entrave para a reconstrução do Estado que se encontra em situação de instabilidade.

O pós-guerra se apresenta, para o Iraque, como um enorme desafio a ser vencido. Uma série de obstáculos tem dificultado a reconstrução do país e o seu retorno à estabilidade política, econômica e social. Socialmente composto por três grupos populacionais diferentes, possui o registro de enfrentamentos entre os adversários que tentam prevalecer no território e conquistar, também, o campo político. Ao Norte encontram-se os curdos, que procuram fazer parte de uma sociedade que reconheça a sua identidade e lutam por um Estado próprio e independente. No centro do país estão os árabes sunitas, que são minoria e rivalizam com os árabes xiitas, estabelecidos no Sul, e compõem 60% da população iraquiana[2].

Atualmente, os sunitas e os xiitas antagonizam-se na política. Embora em minoria, os sunitas estiveram no poder até à queda de Saddam Hussein mas, hoje, a administração está nas mãos dos xiitas. Esta composição política desencadeou uma série de desentendimentos, inclusive com a aproximação dos sunitas com a al-Qaeda após a retirada das tropas norte-americanas, em 2011[3]. Os três grupos rivais têm dado fôlego aos embates e a violência perpetrada através de atentados cometidos com carros-bomba não cessa. Os custos humanos gerados pela guerra são grandes, totalizando aproximadamente cento e noventa mil mortos. A cada mês que passa aproximadamente trezentas vítimas fatais se acrescentam ao balanço trágico deste conflito[4].

Já no final do segundo mandato, o atual “Primeiro-Ministro do Iraque”, Nuri al-Maliki, ainda não conseguiu consolidar a Democracia e dar estabilidade política ao país, condições das quais dependem o desenvolvimento econômico e social. A fragilidade política, somada à insegurança, às infraestruturas obsoletas, à falta de mão-de-obra qualificada e às leis comerciais antiquadas[5] inibem o investimento externo e retraem a recuperação nacional.

Nos últimos dias, o Iraque também está a ser pressionado pelos EUA para coibir o transporte de armas do Irã para a Síria através do seu espaço aéreo e poderá vir a sofrer sanções se não conseguir atender o pedido norte-americano. De acordo com o Ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, o seu país é contra o envio de armas do Irã para a Síria mas, em virtude de não ter condições para controlar de modo eficaz o espaço aéreo, solicitou aos países ocidentais ajuda para pôr fim a esses voos[6].

O Iraque sofre com a falta de condições para reerguer as suas instituições econômicas, que são mecanismos indispensáveis para colocar em marcha a reconstrução. Embora possua a segunda maior reserva de petróleo do mundo, ficando somente atrás da “Arábia Saudita”, o país não conseguiu ainda, de modo eficaz, viabilizar esse recurso natural, à semelhança do que aconteceu no passado. Deve-se recordar que, na década de 1970, o petróleo permitiu que o Iraque se tornasse um país com infraestruturas modernas, com bons sistemas de Educação e de Saúde, realidades que as três guerras consecutivas, a má gestão econômica e financeira e as sanções internacionais durante os anos de 1990, fizeram com que fossem destruídas[7]. Hoje, a reconstrução exige o fim do longo período de violência e a reedificação das estruturas econômicas e sociais, de modo que o petróleo possa dar o fôlego financeiro para esta reconstrução[8].

A difícil situação econômica e financeira que o Iraque atravessa no pós-guerra necessitou do auxílio do “Fundo Monetário Internacional” que concedeu ao país um empréstimo de US$ 741 milhões[9], ressaltando-se que no programa de assistência estão incluídos dois compromissos primordiais: (1) o auxílio às autoridades iraquianas para manter a estabilidade macroeconômica e (2) a reconstrução das instituições econômicas indispensáveis para o crescimento econômico e a geração de emprego[10].

As questões sociais também são relevantes pois, segundo o “Relatório de Desenvolvimento Humano 2013”, o “Índice de Desenvolvimento Humano” (IDH) do Iraque, em 2012, estava em 183o[11], portanto, muito abaixo do padrão adequado ao desenvolvimento humano. Em realidade, conforme confluem as opiniões de observadores internacionais, a reconstrução do Iraque requer um longo período de trabalho, com a finalidade de alcançar a paz social de modo a poder oferecer condições dignas para todos os cidadãos do país.

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Imagem (Fonte):

http://www.demdigest.net/blog/wp-content/uploads/2010/12/mn-iraq-vote-bag_0499739181.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/03/invasao-dos-estados-unidos-ao-iraque-completa-10-anos.html

[2] Ver:

http://www.pime.org.br/mundoemissao/atualidasiadificil.htm

[3] Ver:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/03/invasao-dos-estados-unidos-ao-iraque-completa-10-anos.html

[4] Ver:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-20/dez-anos-apos-invasao-americana-iraque-segue-instavel-e-sem-democracia-consolidada

[5] Ver:

http://www.theodora.com/wfbcurrent/iraq/iraq_economy.html#channel=f279fd6b71698c8&origin=http%3A%2F%2Fwww.theodora.com&channel_path=%2Fwfbcurrent%2Firaq%2Firaq_economy.html%3Ffb_xd_fragment%23xd_sig%3Df3e39cf59df0ef%26

[6] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Iraq-says-unable-to-stop-Irans-arms-shipments-to-Syria-319697#channel=f185b803fff458e&origin=http%3A%2F%2Fwww.jpost.com&channel_path=%2FDiplomacy-and-Politics%2FIraq-says-unable-to-stop-Irans-arms-shipments-to-Syria-319697%3Ffb_xd_fragment%23xd_sig%3Df160535b936aec4%26

[7] Ver:

http://www.imf.org/external/np/country/notes/iraq.htm

[8] Ver:

http://www.imf.org/external/np/country/notes/iraq.htm

[9] Ver:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/10/673801-fmi+aprova+emprestimo+de+us+741+milhoes+ao+iraque.html

[10] Ver:

http://www.imf.org/external/np/country/notes/iraq.htm

[11] Ver:

http://mirror.undp.org/angola/LinkRtf/HDR2013_Port.pdf

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

“Síndrome de Galápagos”: o Japão tímido e recluso

Durante o século XX, as marcas japonesas Toyota e Nintendo eram símbolos da desenvoltura internacional japonesa. No século XXI, as mesmas marcas geraram dúvidas. Em 2010, a Toyota surpreendeu o mundo pedindo desculpas aosEstados Unidospelo defeito de seus carros[1][2]. Mais tarde, em 2013, a Nintendo decidiu participar com timidez da E3, importante feira mundial de diversões eletrônicas[3][4]. Ambos os fatos foram associados ao que tem sido chamado de “Síndrome de Galápagos Japonesa”.

Embora especulativa, a “Síndrome de Galápagostem sido usada para descrever a tendência de o Japão confinar-se nos próprios limites, como ocorre à fauna e à flora das ilhas Galápagos[5][6]. O termo derivou dos celulares japoneses. Eles possuem inovação tecnológica que seria apreciada em qualquer lugar do mundo – se pudessem ser compreendidos ou mesmo utilizados fora do Japão[7]. Com o tempo, o termo serviu para descrever uma tendência de reclusão japonesa em todos os sentidos.

Especula-se que a situação tenha sido desencadeada pelos revezes econômicos sofridos pelo Japão nas duas últimas décadas do século XX. Os sintomas dessa Síndrome teriam sido agravados pelas recentes tragédias ocorridas no país. Problemas sociais e retrações econômicas parecem indicar que o Japão parece realmente optar pelo exílio auto-imposto. É um fenômeno contraditório, considerando que ainda possui uma economia desenvolta, desfrutando de aceitação cultural no mundo.

História

A provável “Síndrome de Galápagos” deriva da própria história japonesa, que oscila entre a retração nacional e a expansão mundial. Durante o período do xogunato, o país fechou-se ao contato externo, tendo-se aberto somente após a ascensão do “Império Meiji”, cujas reformas modernizantes inseriram o Japão na economia mundial e na corrida imperialista. Mais tarde, após a derrota na “Segunda Grande Guerra”, os auxílios financeiros estadunidenses tornaram o Japão a segunda maior potência econômica do mundo.

O sucesso japonês incomodou e encantou os Estados Unidos durante a década de 1980. Essa ambivalência podia ser verificada na literatura best seller norte-americana. Autores de ficção científica, como William Gibson, descreviam o futuro como um lugar dominado por companhias japonesas. Enquanto isso, manuais de administração explicavam o sucesso dos executivos japoneses por meio do pensamento de samurais como Miyamoto Musashi.

Durante as décadas de 1990 e de 2000, o fim de diversas bolhas especulativas infligiu reveses na economia do Japão[8]. Existe controvérsia se essas foram “décadas perdidaspara o Japão; mas é inegável que o país sofreu dificuldades econômicas traumáticas durante o período[9]. O terremoto, o tsunami e o acidente nuclear de Fukushima possivelmente agravaram ainda mais a Síndrome japonesa, pois os impactos foram econômicos, políticos e sociais.

Sociedade

A Síndrome japonesa é altamente especulativa, mas alguns indícios domésticos parecem revelar a existência dela. É o caso dos hikikomori, jovens japoneses absolutamente insulados em seus lares, incapazes de manter qualquer contato social[10]. Atribui-se o comportamento a um estresse social extremo, derivado da diferença entre as cobranças sociais e as possibilidades econômicas de satisfazer essas demandas[11].

Além das relações pessoais, as decisões profissionais e acadêmicas dos japoneses parecem também indicar a existência de uma “Síndrome de Galápagos”. Tornou-se notória a maneira como os profissionais do país tendem a recusar cargos e postos no exterior[12]. Ao mesmo tempo, os estudantes japoneses recusam-se em estudar fora[13].  Tanto empresas quanto indivíduos do Japão parecem seguir a tendência de enclausuramento.

Há outros indícios ainda. Um dos mais notórios é a decisão de alguns jornais japoneses de abandonarem a rede mundial de computadores[14]. Apesar desses fatos, o Japão ainda desfruta de aceitação em diversas partes do mundo[15]. Isso talvez explique por que os japoneses ainda não parecem mobilizados contra esse desafio. Observadores apontam que mudanças provavelmente ocorrerão quando se sentirem outra vez defasados pela concorrência internacional – como a da China, por exemplo, para quem o Japão perdeu o posto de segunda maior economia do mundo[16].

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ImagemA reclusão tornou-se parte do cotidiano japonês” (Fonte):

http://www.wired.com/wiredscience/2011/04/from-the-fields-hikikomori/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.thedailybeast.com/newsweek/2010/03/04/toyota-and-the-end-of-japan.html

[2] Ver:

http://yaleglobal.yale.edu/content/toyotas-stumble-not-metaphor

[3] Ver:

http://www.ign.com/articles/2013/04/25/no-nintendo-press-conference-at-e3-2013

[4] Ver:

http://en.rocketnews24.com/2013/05/30/galapagos-syndrome-is-nintendos-decision-to-skip-this-years-e3-trade-show-cause-for-concern/ 

[5] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/devin-stewart/is-japan-giving-up_b_490249.html 

[6] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/devin-stewart/slowing-japans-galapagos_b_557446.html

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2009/07/20/technology/20cell.html?_r=0 

[8] Ver:

http://www.economist.com/blogs/freeexchange/2012/08/lost-decades

[9] Ver:

http://www.nytimes.com/2012/01/08/opinion/sunday/the-true-story-of-japans-economic-success.html?ref=opinion&pagewanted=all–

[10] Ver:

http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2013/07/130705_salud_japon_hikikomori_aislamiento_social_gtg.shtml

[11] Ver:

http://www.mindthesciencegap.org/2012/11/16/can-culture-create-mental-disease-the-rise-of-hikikomori-in-the-wake-of-economic-downturn-in-japan/

[12] Ver:

http://blogs.wsj.com/japanrealtime/2010/09/16/japans-workers-please-dont-send-me-abroad-ever/

[13] Ver:

http://www.timeshighereducation.co.uk/414933.article

[14] Ver:

http://www.nytimes.com/2010/04/09/technology/09paper.html

[15] Ver:

http://www.japantimes.co.jp/news/2012/05/15/reference/exporting-culture-via-cool-japan/#.UdiDfqwgjFw

[16] Ver:

http://madeinjapan.uol.com.br/2010/08/16/japao-perde-posto-de-segunda-economia-mundial-para-china/

 

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Resposta do Governo chinês à recente onda de violência em Xinjiang

Na semana retrasada, a “Região Autônoma Uigur de Xinjiang” voltou a ser sacudida por uma onda de violência levada a cabo por alguns membros do grupo étnico local (conhecido por Uigur*) que, segundo dados oficiais, resultou em 35 mortes e destruição de bens públicos (principalmente esquadras policiais). Os ataques ocorreram em duas cidades próximas da capital da Província, na quarta-feira (dia 26) e sexta-feira (28)[1].

Esta foi a terceira vez no ano de 2013. As outras ocorreram em fevereiro e abril com saldo de dezenas de pessoas assassinadas e alguns atacantes abatidos pelas forças de segurança. Os analistas apontam que os recentes ataques étnicos têm uma particularidade simbólica, pois ocorreram nas vésperas da data de 5 de julho, quando, em 2009, aconteceu a eclosão da maior violência dos últimos anos entre as comunidades Uigur e Han** na capital da província, Urumqi, quando197 pessoas perderam a vida, a maioria da etnia Han[2].

Entretanto, a China se opõe ao “Ocidente” sobre as causas que quase que ciclicamente originam cenas de ataques sangrentos nas ruas de “Xinjiang”, que é a maior província da China, com cerca de 20 milhões de habitantes, sendo 9 milhões da etnia Uigur, ressaltando-se  que o número dos Han vem crescendo há décadas[3].

Enquanto que para o governo dos “Estados Unidos da América” e para a “mídia ocidental” questões ligadas à limitação da liberdade religiosa, ao desrespeito à cultura dos Uigures e à exclusão de benefícios econômicos em favor dos Han fomentam ressentimento dos primeiros que se degeneram em violência com uso de armas brancas contra os segundos, com destaque para facas de tamanho maior. Igualmente, a mobilização de um forte contingente das forças de segurança e de defesa para patrulhar as ruas das cidades “problemáticas”, restaurar a ordem e a tranquilidade públicas, bem como a caça e a prisão de suspeitos constituem um motivo adicional de críticas por parte dos países ocidentais que acusam a China de “uso excessivo da força[4].   

Mesmo reconhecendo que há muito ainda por se fazer no que diz respeito à “estabilidade social” e à “manutenção da estabilidade” naquela região autônoma[5] ao mesmo tempo que reitera que respeita os direitos étnicos de toda população do país, o governo de Pequim defende-se afirmando que o que origina a instabilidade se resume nas “três forças do mal” também chamadas de “três ameaças principais” com ligações internas e externas: “terrorismo, separatismo e extremismo[6].

De acordo com as autoridades chinesas, alguns dos protagonistas da violência em “Xinjiang” são clandestinos formados militar e ideologicamente na Turquia, sem o conhecimento do governo local. Crê-se que desde o início do ano de 2013, cerca de 100 chineses da etnia Uigur teriam se juntado aos rebeldes que estão a lutar contra o governo da Síria[7]. Por isso, na quinta-feira passada (4 de julho) já se noticiava localmente que os governos da China e Turquia haviam concordado em intensificar a luta contra o terrorismo em ambos países, em particular na conturbada província chinesa de “Xinjiang[8].

Mas a China havia antes condenado o “Ocidente” por usar “um peso e duas medidas” quando reage à sua forma firme e dura para repor a ordem nas zonas afetadas. Contudo, Pequim clama por uma maior colaboração internacional no combate ao terrorismo que desde 11 de Setembro de 2001 é uma ameaça global, no lugar dos outros países se imiscuírem nos assuntos internos da China[9]

De igual modo, a luta contra o terrorismo consta das prioridades da SCO (sigla inglesa para a “Organização de Cooperação de Xangai”, composta por seis países: Cazaquistão, China, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão), tanto que em 2009 foi a mesma entidade quem aprovou uma convenção contra terrorismo[10]

É importante referir que a informação alternativa a partir daquela região continua controlada e jornalistas estrangeiros são aconselhados a evitarem escalar a Província por questões de segurança dos mesmos. Daí que o mundo fora informado a partir de fontes oficiais e de relatos vinculados por grupos independentistas de Uigures no exterior, como o “Movimento Islâmico do Turquistão Oriental”, a “Associação de Solidariedade e Educação de Turquistão Oriental”, o “Congresso Mundial de Uigures” e organizações estrangeiras dos “Direitos Humanos[11].

Doutro lado, o governo chinês usa momentos como estes para reforçar ainda mais o controle da internet. Normalmente censura-se a informação, eliminam-se as discussões online sobre temas relacionados com alguns problemas sócio-políticos recém-acontecidos e também bloqueiam-se alguns sites estrangeiros cujas notícias considera-se nefasta à sociedade. 

Por exemplo, em março de 2008, para evitar a abundância no Youtube de vídeos de reportagens noticiosas estrangeiras (“Ocidentais”) e imagens fotográficas sobre os acontecimentos de uma manifestação no “Tibet”, o governo da China baniu momentaneamente ou limitou o acesso no território nacional deste sítio de compartilhamento de vídeos. Mas o bloqueio definitivo de Youtube só aconteceu um ano depois (março de 2009) após o “Governo Tibetano no Exílio” postar um vídeo em que supostamente a polícia agredia um jovem quando dos protestos do ano anterior. Por sua vez, a China disse ter sido uma pura fabricação para enganar a opinião pública internacional[12].

Nesses tipos de casos o governo da China tem recorrido a uma série de medidas. Além de incrementarem o controle policial no terreno dos acontecimentos, os departamentos relevantes do “Partido Comunista da China” e Ministérios do governo central igualmente se esforçam em garantir que na internet, em especial no Twitter chinês, o Weibo, não abundem discussões sobre “assuntos negativos”, por exemplo, palavras ligadas ao nome de local onde ocorre um incidente são bloqueadas na internet[13].

Pode-se imaginar que as autoridades chinesas pretendem garantir um ambiente de estabilidade ao nível nacional. No entanto, é muito provável eclodir a violência contra outras minorias étnicas noutras cidades chinesas, levadas a cabo pela maioria Han, como forma de retaliação aos ataques que muitas vezes visam este grupo majoritário em “Xinjiang” e “Tibet”. 

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* Com afinidades linguísticas com os turcos.

** Que corresponde a cerca de 92% da população chinesa, enquanto que as outras 55 etnias perfazem a remanescente percentagem.

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Imagem (Fonte):

http://images.echinacities.com/detail/8829-After-the-Attack-Shots-of-Xinjiang-Streets/3#img_pos

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2013/07/01/world/asia/china-blames-religious-extremists-for-violence-in-xinjiang.html?_r=0

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2012-03/06/content_14766900.htm

[3] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/792653.shtml#.UdXRt_kwcqP

[4] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013-06/28/content_16685197.htm

[5] Ver:

http://blogs.wsj.com/chinarealtime/2013/07/02/in-wake-of-xinjiang-violence-hints-of-a-new-approach/

[6] Ver:

http://english.peopledaily.com.cn/90785/8307876.html

[7] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/792959.shtml#.UdWt73jFscx

[8] Ver:

http://www.china.org.cn/world/2013-07/04/content_29318745.htm

[9] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2013-06/28/content_16677456.htm

[10] Ver:

http://www.fidh.org/The-Convention-Against-Terrorism

[11] Ver:

http://www.dailytimes.com.pk/default.asp?page=2013\07\01\story_1-7-2013_pg14_1

[12] Ver:

http://www.guardian.co.uk/world/2009/mar/25/china-blocks-youtube

[13] Ver:

http://chinadigitaltimes.net/2013/06/ministry-of-truth-xinjiang-violence/