AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Campanha eleitoral venezuelana se desenvolve com expressiva vantagem para Moreno e com a mitificação de Chávez

De acordo com pesquisa eleitoral realizada na Venezuela pela empresa local Datanalisis, publicada pelo “Banco Barclays” e divulgada na segunda-feira, dia 18 de março, o atual presidente venezuelano interino Nicolás Maduro, escolhido por Hugo Chávez como seu herdeiro político, seria eleito hoje com 49,2% dos votos. De acordo com a sondagem apresentada, o candidato opositor, Henrique Caprilles, obteria apenas 34,8% da preferência eleitoral[1].

A situação no país continua tensa devido ao clima de perplexidade e vazio produzido pela morte do ex-presidente Hugo Chávez, bem como pela forma como os membros do Governo trataram a investidura do vice-presidente Nicolás Maduro comoPresidente Interino”, apesar de a Constituição prescrever que o cargo fosse ocupado peloPresidente da Assembléia Nacional”, no caso Diosdado Cabello, para conduzir o processo eleitoral que agora está ocorrendo.

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Jorge Mario Bergoglio, o Papa

A escolha do cardeal Bergoglio, agora Papa Francisco*, para assumir a liderança da “Igreja Católica Apostólica Romana” surpreendeu os analistas e observadores internacionais. As expectativas foram criadas em torno de alguns poucos nomes que poderiam responder à convicção de que a Igreja necessita de um líder que mantenha a postura tradicional, que conheça o suficiente dos meandros da estrutura interna e burocrática do Vaticano, que fosse jovem (considerando como tal alguém abaixo dos 70 anos), que pudesse recompor as perdas da Igreja na Europa, que evitasse as perdas na América Latina, além disso, que conseguisse se adaptar a linguagem contemporânea para poder comunicar-se com o coração do nosso tempo.

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

O exercício de desinformação sobre a real condição de Hugo Chávez

Chávez e o então Presidente da Argentina Néstor Kirchner discutindo projeto de integração energética e comércio para a América do Sul. Encontro em 21 de novembro de 2005, na VenezuelaA questão da saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez está revelando para o mundo uma fase de “Guerra Psicológica” na Venezuela, antes do combate político que está sendo previsto para ocorrer nos próximos meses, quando se acredita que haverá a luta real entre os governistas e a Oposição, mas também entre os partidários do mandatário, que, embora tenham apresentado para a sociedade venezuelana um acordo em torno da continuidade do projeto chavista, têm mostrado discordâncias e dado indícios de que há uma disputa interna pela herança política do Presidente.  

Desde que retornou ao país, as informações são de que se encontra em fase de recuperação, concentrando esforços em sua saúde, mas que vem mantendo o trabalho administrativo do Governo, despachando com os Ministros e demais autoridades. O Vice-Presidente, Nicolás Maduro informou explicitamente que o mandatário continua no comando, de forma que não há qualquer problema acerca da governabilidade venezuelana.

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAEUROPA

Solução para crise síria passa por pacto entre Rússia e EUA

Ontem, dia 28 de fevereiro de 2013, ocorreu em Roma a ConferênciaAmigos do Povo Sírio” que conseguiu reunir parte da oposição síria e 11 Estados que apóiam os opositores ao atual Regime*. Nela se buscou um encaminhamento para encerrar a crise política que assola o país há dois anos e já resultou em, aproximadamente, 70 mil mortos e outras dezenas de milhares de feridos e refugiados, segundo dados que vem sendo disponibilizados à sociedade internacional pela ONU, por ONGs e diversas entidades internacionais.

A conclusão a que chegaram os participantes foi de que é necessária “mais ajuda política e material[1], sem que isso pudesse significar envolvimento direto no conflito, nem apoio militar aos rebelados. Em comunicado oficial, foi anunciado: “Os ministros prometeram mais ajuda política e material para a Coalizão (Nacional Síria), representante única e legítima do povo sírio, e mais ajuda concreta ao interior da Síria. (…) ressaltam a necessidade de mudar o equilíbrio de poder no terreno… (…) …lamentam o envio contínuo de armas ao regime (do presidente Bashar al-Assad) por países terceiros**” [1].

Francamente, o representante dos EUA, o secretário de estado John Kerry, afirmou em coletiva de imprensa que “os Estados Unidos darão 60 milhões de dólares em ajuda não letal para apoiar os esforços da oposição síria nos próximos meses… (…). Será uma ajuda direta… (…). …assistência médica e comida [1], confirmando que serão evitados os apoios bélicos, bem como que o discurso se manteve direcionado ao campo diplomático, tendo como teto a contribuição política, tal qual está no restante de sua declaração em que “Todos os sírios devem saber que eles podem ter um futuro… (…). A Coalizão de oposição pode conseguir conduzir uma transição pacífica[1], mesmo que também tenha apresentado as mesmas exigências anteriores ao Governo Assad de encerramento da repressão: “o regime deve parar imediatamente o bombardeamento indiscriminado contra as áreas populacionais, que constitui crime de guerra contra a humanidade e não pode ficar sem punição[2] .

Os observadores estão convergindo para a conclusão de que a solução para o impasse criado na crise política só poderá ser alcançada se houver um posicionamento conjunto de EUA e Rússia, da mesma forma que também estão assumindo esta necessidade as autoridades de ambos os países, apesar dos encontros internacionais, das reuniões bilaterais entre potencias, das conversações coletivas, das ameaças de bombardeio, da possibilidade invasão do território etc.

Os norte-americanos apresentam-se como o principal ator a contrapor-se a Assad e os russos sabem que não poderão permitir qualquer avanço estadunidense, ou de potências européias na região, tanto pelo fato de isso representar o encerramento de um importante comércio bélico com a Síria, como também pelo motivo de não poderem admitir a interferência direta de outras potências numa região essencial para a estratégia russa nos seus aspectos geopolíticos, geoestratégicos e geoeconômicos.

A negociação realizada ao longo da semana para tratar da crise mostrou a importância dos russos como  ponto de apoio a Assad, sem o qual o Regime já teria caído, tanto que a Rússia foi criticada pelos participantes da Conferência por manterem o fornecimento de armas ao Governo sírio, tal qual se viu na declaração.

O Governo Assad, por sua vez, percebe a necessidade de desviar o foco dessa questão e, quando agradeceu a Moscou, o fez em comunicado, citando o seu apoio, mas como ajuda humanitária, já que foram referidos apenas os auxílios médicos, com remédios e equipamentos [3] que se tornam escassos graças aos combates que ocorrem e, segundo alegam os governantes sírios, aos bloqueios feitos pelos rebeldes ao acesso às áreas afetadas.

É um argumento que coloca a Rússia em condição equivalente aos demais agentes da Comunidade internacional, pois posiciona a potência russa como preocupada apenas com as questões humanitárias envolvidas no conflito interno, colocando sob outro prisma à ajuda diplomática que a Rússia dispõe para o Governo Assad, a qual, se consolida de forma positiva para o Regime sírio nos vetos ocorridos no “Conselho de Segurança das Nações Unidas” (CS da ONU). Além disso, minimiza a manutenção das vendas de armamentos para a Síria, ignorando as contraposições da Comunidade Internacional a este comércio.

Do que apontam vários analistas, é possível concluir que a ajuda política da Rússia tem sido transparente e expressiva ao governo Assad porque os estrategistas russos conseguem transformar em discurso legitimador deste apoio a identificação das especificidades da Oposição síria, bem como as características que sugerem a produção de um cenário futuro tão violento quanto o atualmente produzido por este Governo, caso os rebeldes afastem Assad.

Além disso identificam na fragmentação da Oposição a possibilidade de desintegração do país, algo que poderia gerar a disseminação do conflito pela vizinhança, afetando a estabilidade  da região com conseqüências para o sistema internacional. Esse exercício de cenário prospectivo, como dito, gera uma justificativa para  o comportamento russo, logo, permite a legitimação de suas ações perante a Sociedade Internacional.

Assim, os russos reforçam suas exigências de transição pacífica na Síria coordenada pelo atual Governo, admitindo, em última estância, a saída de Assad, mas não sua denúncia internacional, nem exclusão de todos os membros. Uma mudança dessa forma apresenta menores riscos para os interesses estratégicos da “Federação Russa”, algo que certamente não ocorreria se o regime caísse imediatamente e todos os seus membros fossem extirpados.

De forma interessante, o Ocidente indiretamente fornece elementos à Rússia para respaldar tal comportamento, pois, se os russos justificam suas posturas com as acusações aos rebeldes sírios de que bloqueiam o caminho da paz pelo desejo que desenvolveram de depor Assad pela força das armas sem aceitar alternativa a este caminho [4], o Ocidente, de maneira equivalente aos russos, não confia nos rebelados, ao ponto de não querer permitir que a Oposição obtenha armamentos que possam ser usados contra os ocidentais após eles assumirem o poder.

As potências ocidentais não desejam ver surgir na Síria grupos similares, ou equivalentes aos que surgiram no Afeganistão, após a Guerra contra a extinta União Soviética, ou ver a assunção de um governo que posteriormente se comporte como o de Saddan Hussein, após “Guerra Irã-Iraque”.

Se para os russos estão claros os perigos decorrentes da existência de grupos que desejam derrubar Assad de forma que poderá ser interrompida a relação e negociação que há entre Síria e Rússia nos termos atuais, para os Estados Unidos e Estados europeus, também está transparente que, embora haja vários tendências entre os opositores, eles, em sua maioria são anti-ocidentais e, se há certeza de que o Regime Assad deve ser substituído, também se tem como certo que os seus substitutos devem estar desarmados.     

Diante do quadro, a situação se mantém estagnada. Assad não derrota a Rebelião e esta só avança de forma lenta e a muito custo, embora tenha vencido em várias localidades e “liberado territórios[6], ao ponto de ter anunciado a formação de um Governo rebelde nessas áreas que estão sob seu controle em reunião que seria realizada amanhã (dia 2 de março), em Istambul, na Turquia, mas, segundo anunciado, foi adiada por tempo indeterminado. Independente das razões para o adiamento, sempre emerge na avaliação dos observadores as dificuldades de a rebelião conseguir pontos de confluência entre os grupos que a constituem.

Pela condição que foi criada, também começam a convergir as opiniões de que a saída para o impasse, dificilmente será apresentada pelas reuniões entre os apoiadores estrangeiros da Revolta síria (potências ocidentais, alguns países árabes e demais entes que a reforçam), mas por uma possível negociação entre Rússia e EUA, os dois mais importantes atores envolvidos no problema.

Esta situação pode se concretizar, apesar das divergências e dificuldades de diálogo apresentadas até agora. No dia 26, terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Seguei Lavrov, afirmou que se encontraria com seu homólogo norte-americano John Kerry, para tratar da situação síria.

Declarou após encontro com o ministro holandês das relações exteriores Frans Timmermans: “Claro que não podemos resolver pelos sírios todo este problema, mas, nos contactos com outros Estados, que, de uma ou outra forma, podem influir nas partes do conflito sírio, sentimos uma preocupação crescente com a manutenção do status-quo e uma compreensão crescente da necessidade de exercer influência, tanto no Governo como na oposição, para convencê-los a não apresentar exigências irrealistas como condição prévia para o início do diálogo (…). Hoje iremos falar disso com John Kerry. Pareceu-me, durante a nossa última conversa telefônica, que ele compreende a gravidade da situação… (…). Ainda há uns dias, parecia-nos que eram mais evidentes as condições para que as partes (rebeldes e Governo sírio) se sentassem à mesa das conversações e dessem início ao futuro do seu país, ouviram-se vozes a favor do início desse diálogo, e sem condições prévias[6].

Alguns analista começam a apontar que a situação não caminhou, mas demonstrou que ambos os Estados mais importantes que estão se contrapondo sobre a questão confluem para a certeza de que a conjuntura está no seu limite, bem como que a saída terá de ser negociada. Porém, não deverá ser pelos os sírios apenas, tal qual afirmam os russos, nem pelo rebeldes com apoio internacional, seguindo o caminho exclusivamente político de embate com o Governo, como declaram as potências ocidentais.

Ela terá negociada para chegar a um pacto entre Rússia e EUA para determinar uma trajetória que não afete os interesses russos em sua “zona de influência”, mas garanta um espaço para os norte-americanos e ocidentais naquela região. Este é um ponto de intersecção difícil de ser encontrado, talvez, por isso, parte significativa dos observadores ainda estejam apostando no pior cenário, com mais violência, esgotamento das partes em confronto e possível desintegração do país.   

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Imagens (Fonte – Wikipédia):

a. Brasão de Armas da Rússia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rússia

b. Bandeira sobre o mapa da Síria:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag-map_of_Syria.svg

c. “Grande Selo dos EUA”:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos

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* Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Turquia, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos.

** Referência à Rússia.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5g5zE-_tQwzo97la2XSNrdj1SGGdA?docId=CNG.ef55ce2a100885860cf960c8801d6dd7.9f1

[2] Ver:

http://www.tvi24.iol.pt/503/internacional/siria-john-kerry-amigos-da-siria-assad-oposicao-tvi24/1424523-4073.html

[3] Ver:

http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2013/02/26/siria-agradece-ajuda-da-russia/

[4] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_26/Lavrov-extremistas-predominam-no-seio-da-oposicao-siria/

Ver também:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/russia-acusa-oposicao-extremista-siria-de-bloquear-o-dialogo

[5] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/02/22/interna_internacional,352461/oposicao-siria-formara-gabinete-em-territorios-libertados.shtml

Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/02/130222_siria_governo_rebelde_ac_rn.shtml

[6] Ver:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3074801&seccao=M%E9dio%20Oriente

Ver também:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ixuObAO4P0juaVEkJQjNJO7NlJyw?docId=CNG.c463641f8612400b693d267b2e612848.951

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Ver ainda:

http://jornaldeangola.sapo.ao/19/49/o_futuro_que_se_joga_na_siria

Ver ainda:

http://www.parana-online.com.br/editoria/mundo/news/653350/?noticia=KERRY+E+LAVROV+DISCUTEM+GUERRA+CIVIL+NA+SIRIA

Ver ainda:

http://www.marataizes.com.br/noticias/news.php?codnot=291464

Ver ainda:

http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2013/02/russia-pede-oposicao-siria-que-inicie-negociacoes-com-damasco.html

Ver ainda:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2013/02/25/interna_mundo,425245/governo-sirio-se-dispoe-a-dialogar-com-grupos-armados.shtml

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Empresas automobilísticas chinesas levam IED para nações estrangeiras

Nos últimos anos, as empresas automobilísticas chinesas vem investindo, algumas vezes de forma agressiva, nos mercados emergentes, dentre eles o Brasil. Mas, além desses mercados, essas empresas também voltam suas atenções para a África, partindo de Moçambique. A nação africana passará a ser um produtor e exportador de automóveis após a conclusão de investimentos que estão sendo feitos neste setor.

A empresa “China Tong Jian Investiment” já anunciou que pretende construir uma fábrica em Moçambique, com um aporte de recursos que vai superar os 200 milhões de dólares norte-americanos e já estava sendo negociado desde o ano de 2010. O empreendimento espera ter 30% de sua produção para o mercado consumidor moçambicano e 70% dela voltada para as exportações. Esta iniciativa já mobiliza outros setores da economia local e desperta interesse de outras corporações asiáticas e do “Oriente Médio”.

Muitas empresas estão estudando a entrada no mercado de componentes, como peças mecânicas, pneus e outros produtos para atender às necessidades da fábrica chinesa, num movimento semelhante ao que ocorreu no Brasil, quando a empresa Chery anunciou a construção de uma fábrica no país. No país africano existem pequenas empresas do setor que estão falindo, o que pode proporcionar uma nova gama de investimentos asiáticos, os quais terão algumas facilidades para entrar no mercado local.

A “China Tong Jian” tem como maior acionista a empresa neozelandesa “Morgan Fundation”, que concentra suas atividades em promover as relações China-África e vem obtendo resultados positivos em suas ações. Moçambique é um dos focos deste grupo, o qual se tornou especialista em captar financiamento para investir na região, trabalhando com constantes rodadas de negócios e “Feiras Comerciais” que estão tornando esta nação africana uma plataforma de produção e exportação de seus produtos para toda o continente.

Os acionistas do grupo agora deverão acompanhar com mais atenção tanto o mercado local moçambicano, quanto os demais mercados do continente africano, pois as projeções de consumo na região podem gerar mais negócios em todo o continente. Em Moçambique, o “Programa Econômico e Social 2013” anunciado pelo Governo prevê crescimento acima de 17% no setor financeiro e na casa dos 14% nos transportes e em outros setores, o que poderá facilitar a venda de automóveis particulares, de utilitários, ou seja, de veículos destinados ao cotidiano dos trabalhadores e empresários africanos.

O investimento chinês na África pode ganhar boa parte do mercado local, assim como vem ocorrendo no Brasil. Um exemplo do que ocorre em solo brasileiro, respaldando esta afirmação, se dá na inauguração da fábrica da montadora Chery na cidade de Salto, interior do estado de “São Paulo”. Após a abertura da unidade e com a publicidade e a propaganda realizadas, a empresa vem ganhando espaço no mercado nacional.

Esta é uma empresa que investe no mercado brasileiro neste período em que as vendas de automóveis não param de crescer, conforme os dados apresentados nesta semana pelo anuário da “Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores” (Anfavea), onde consta que a venda de veículos subiu 16,1% quando comparada ao mesmo período do ano passado (2012).

Com o aquecimento no setor, embalado pela redução do “Imposto de Produtos Industrializados” (IPI), pelo aumento dos créditos para alavancar o consumo e com um certo aumento da renda dos brasileiros, a produção de automóveis, de caminhões e de outros veículos manteve o crescimento, justificando os investimentos realizados pelas empresas do seguimento no Brasil. Neste cenário, as corporações asiáticas, como a sul-coreana Hyundai e as chinesas “Jac Motors” e a já citada Chery, passaram de meras coadjuvantes a competidoras fortes com as já tradicionais empresas instaladas no Brasil.

No entanto, o movimento dos chineses em investir no estrangeiro reflete um ponto interessante do mercado e da economia da China, que, enquanto abre espaço em seu território para receber empresas estrangeiras, vê as corporações nacionais investirem fora do território chinês. Isso ocorre pelo fato de as empresas chinesas fabricarem veículos baratos e populares, algo que tem agradado os mercados dos países emergentes, como é o caso brasileiro, e de Moçambique, enquanto na China os consumidores com melhores condições financeiras demandam por marcas importadas de origem européia e japonesa.

Assim, a tendência é de que as firmas chinesas que já tem a sua parte do mercado doméstico consolidado busquem outros países onde há potencial de venda. Por isso, mantém-se no cenário econômico global uma expressiva gama de investimentos disponíveis que poderão ser bem aproveitados por países que já detém operações físicas dessas gigantes chinesas, como é o caso do Brasil, que também é visto como uma plataforma de entrada para a “América do Sul”, significando, portanto, mais possibilidades de captação de recursos internacionais para os brasileiros.

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Fonte consultadas:

VerSeminário de oportunidades em Moçambique”:

http://www.chinatongjian.com/En/yantaohuiDiv/index.html

Ver China Tong Jian Investment Co.”:

http://www.chinatongjian.com/En/news_show.asp?id=876

VerANFAVEA”:

http://www.anfavea.com.br/anuario.html

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Pesquisa indica que Morales ainda tem apoio da maioria do povo boliviano

Segundo resultados divulgados pela empresa de consultoria IPSOS, em sondagem feita na quinta-feira, dia 21 de fevereiro, 54% da população boliviana apóia a candidatura de Evo Morales para as eleições presidenciais que se realizarão em 2014. A pesquisa foi realizada em 70 cidades, nos 9 Departamentos bolivianos, percorrendo tanto a área rural quanto a urbana e apresenta margem de erro de 2,07%, com estimativa de confiabilidade de 95%, de acordo com o portal online “Vermelho[1], que disseminou  a notícia tendo como fonte a Adital. Ainda conforme divulgado, este percentual corresponde exatamente aquele que elegeu o Presidente em 2005 e a região que mais apóia a indicação de Morales para concorrer novamente ao cargo pelo seu Partido, o “Movimiento al Socialismo” (MAS), é Pando, ao norte da Bolívia.

Observadores analisam as razões deste apoio apresentado ao Presidente (assumindo-se que a pesquisa apresenta confiabilidade), diante de um cenário muito recente em que parte significativa da população voltou-se contra o Governo e o governante Morales perdeu vários apoiadores nos sindicatos, nos movimentos sociais e nos grupos indígenas que se manifestaram, inclusive de forma violenta, contra os projetos de infra-estrutura, mais recentemente contra a construção da estrada de rodagem que passará pelo “Territorio Indígena y Parque Nacional Isiboro-Secure” (TIPNIS).

Os analistas vem destacando que há dois aspectos comportamentais que têm sido ressaltados pelo Presidente ao longo de 2012: (1) a aceleração do processo de estatização das empresas privadas no país, em especial das estrangeiras (nas nacionalizações), e (2) o embate constante com o Chile acerca da recuperação do “Mar Territorial” boliviano.