ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Jorge Mario Bergoglio, o Papa

Em função da visita do Papa Francisco ao Brasil e das análises que forma feitas após sua despedida, o Conselho Editorial o CEIRI NEWSPAPER considerou interessante republicar a Análise de Conjuntura escrita no dia 15 de março de 2013 pelo Dr. Marcelo Suano, após o anúncio do Conclave, sobre a escolha de Arcebispo Mario Jorge Bergoglio como Papa.

A perspectiva adotada na análise naquele momento teve repercussão e foi expressivamente replicada em outros canais e sites , além disso se aproxima daquilo que vem sendo identificado por observadores neste momento, tendo antecipado certos traços de comportamento de Sua Santidade, o Papa Francisco.

Conselho Editorial

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A escolha do cardeal Bergoglio, agora Papa Francisco*, para assumir a liderança da “Igreja Católica Apostólica Romana” surpreendeu os analistas e observadores internacionais. As expectativas foram criadas em torno de alguns poucos nomes que poderiam responder à convicção de que a Igreja necessita de um líder que mantenha a postura tradicional, que conheça o suficiente dos meandros da estrutura interna e burocrática do Vaticano, que fosse jovem (considerando como tal alguém abaixo dos 70 anos), que pudesse recompor as perdas da Igreja na Europa, que evitasse as perdas na América Latina, além disso, que conseguisse se adaptar a linguagem contemporânea para poder comunicar-se com o coração do nosso tempo.A quase totalidade dos especialistas apontava que seria um europeu, especialmente um italiano, pelo fato de que estes têm a vantagem de entender as tessituras do Estado do Vaticano, bem como de sua burocracia, podendo, dessa forma, identificar rapidamente as falhas que precisam ser corrigidas para a Igreja não sofrer mais danos. Ou seja, a grande maioria dos observadores acreditava na escolha de um Papa italiano, no máximo um europeu, pela habilidade que se supõe que ele teria para tratar  das questões políticas, tanto quanto, senão mais, que das questões religiosas, já que ambos os conjuntos de questões são complementares e as políticas, neste momento, estão potencializando as fragilidades na condução moral que a Igreja se incumbe.

De forma mais direta, os erros da política, sejam por corrupção (que existe potencialmente em qualquer burocracia governamental e o Vaticano tem o seu Governo), sejam por decorrência da ambição pelo poder existente entre as altas lideranças (de acordo com o que vem sendo disseminado na mídia) estão contaminando o debate doutrinário, já que tem diminuído a sua força moral, bem como a força moral das lideranças da Igreja que se vêem incapacitadas de responder aos questionamentos do povo, pois sentem a perda de sua credibilidade, juntamente com a credibilidade da Instituição. Assim, acreditavam que um italiano conservador poderia resolver os problemas políticos rapidamente para dar continuidade à tarefa da catequese e impedir as perdas de fieis que vem ocorrendo ao longo dos anos.

A surpresa acerca da ascensão de “Sua Santidade, o Papa Francisco”, decorreu de não se acreditar que o Conclave escolheria alguém de fora da Itália, ou da Europa, pois, teoricamente estes estariam mais aptos a responder àquelas exigências, mas também pelo fato de que Cardeais italianos (ou europeus) mais jovens  teriam tempo para encontrar a forma adequada de apresentar a mensagem do Cristianismo, já que iniciaria seu Pontificado adaptado às peculiaridades da política no Vaticano, respondendo imediatamente às exigências de correção da burocracia, e, por isso, poderia concentrar suas atenções na busca do caminho moderno para recuperar os fiéis.  

Neste momento, os observadores, apesar de ainda surpresos com a escolha, buscam respostas para compreendê-la. Começam a lembrar que ele foi um dos preferidos do Conclave que elegeu o agora “Papa Emérito Bento XVI” e, por isso, seu nome não poderia ter sido excluído tão imediatamente, mesmo que sua idade seja elevada para a avaliação dos especialistas (Cardeal Bergoglio tem 76 anos). No entanto, esses dois fatores, ter sido um dos preferidos no Conclave anterior e estar fora da idade desejada, mostraram-se irrelevantes, tanto para ser o escolhido, como para indicar que ele certamente não era o adequado.

Outros elementos começaram a vir a tona quando, uma vez tornado “Papa Francisco”, a personalidade e os posicionamentos teóricos e doutrinários passaram a ser avaliados pelos analistas. O Ex-Cardeal Jorge Mario Bergoglio, parece dar indícios de preencher como poucos os elementos que a Igreja Católica necessita neste momento para manter a missão que ela se propõe perante a humanidade: orientação espiritual, especialmente num momento de crise generalizada, mudança de códigos morais e ascensão acelerada de um modelo de postura comportamental das pessoas que se contrapõe em vários aspectos aos seus princípios.

O posicionamento doutrinário conservador agradou aqueles que constantemente pregam que a Igreja necessita preservar sua Doutrina, evitando fragmentações, ao invés de incorporar elementos que tanto podem desviá-la de seus pilares, como esvaziá-la de sua essência, tornando-a nebulosa e confusa, apesar de mantê-la como uma Instituição supostamente rica e com grande número de frequentadores.

Ele próprio fez alusão isso ao afirmar que a “Igreja corre o risco de se tornar uma ‘ONG’ piedosa[1]. Em suas palavras, “Se não professamos Jesus Cristo, nos converteremos em uma ONG piedosa, não em uma esposa do Senhor. (…). Temos de andar sempre na presença do Senhor, na luz do Senhor, sempre tentando viver de forma irrepreensível[1]. Que aqueles que “caminham sem a Cruz, edificam sem a Cruz e professam sem a Cruz… (…) …não somos discípulos do Senhor. (…). Podemos ser leigos, podemos ser bispos, sacerdotes, cardeais, Papas, mas não discípulos do Senhor [1].

A analogia demonstrou que ele tem convicção semelhante a de seu antecessor, quase declarando indiretamente o mesmo que Bento XVI que não importava ter uma igreja inflada, mas uma Igreja sólida, com verdadeiros fieis, mesmo que em menor número. Ressalte-se que os especialista declaram que eles tem a mesma linha doutrinária.

A afirmação do risco de tornar-se uma “ONG piedosa” contempla esta idéia de que os papeis da Igreja são vários e não se esgotam em apoiar e resgatar os necessitados (que está incluído neles), mas também em fornecer um caminho para a conduta moral, para a vida social, para o equilíbrio mental, para o conforto espiritual e para religar-se com o Ser criador, daí ser uma instituição religiosa (Re-Ligare) e não apenas uma instituição social assistencialista, ou uma instituição política, apesar de também estar inserida neste ambiente. Além disso, nesta afirmação ele deixou claro que não deseja ter entre seus líderes homens que não carregam a convicção da mensagem na Doutrina, já que, fora dela, a mensagem perderia a substância e a identidade.

Seus posicionamentos seguem os parâmetros adotados pelo antecessor, tal como dito, mas parece diferenciar-se naquilo que responde diretamente às solicitações contemporâneas: na postura, pois parece ter um carisma e simplicidade capazes de abrir as portas necessárias para que a mensagem seja ouvida por aqueles que se mantêm na Igreja tanto quanto pelos que afastaram dela, mesmo porque as migrações de fieis para outras religiões não se deram para se afastarem do rigor de Ortodoxias morais, já que migraram para outros ambientes que não são flexíveis em relação aos seus princípios. 

Neste curto momento, pelo que vem emergindo de informações, ele está demonstrando simplicidade na linguagem e no comportamento para se aproximar do rebanho com posição conservadora, mas também com indicações de que o fará de maneira próxima a de “João Paulo II”, embora com outro estilo.

O discurso e declarações iniciais que ele pronunciou, por exemplo, foram carregados de simpatia e bom humor, fazendo sair um comportamento moderno no trato com os pares e com os fiéis. Com o povo, brincou dizendo que “foram buscá-lo quase no fim do mundo” e, durante um jantar na noite de quarta-feira, dia 13, também brincou com alguns Cardeais afirmando “Que Deus os perdoe pelo que fizeram[2], referindo-se a sua eleição de forma espontânea e divertida.

Este deve ser um dos traços importantes, caso se mantenha, para o papel requerido de atingir os fieis: uma linguagem simples, direta, coloquial, que permita aos católicos se sentirem próximos do seu líder, o qual não se afasta da ortodoxia, embora certamente terá de exercitar e criar um modelo de tolerância a ser concebido especificamente para evitar que a preservação dos princípios não se transforme em uma arma contra a própria condução da Igreja. Nesse tópico, ele terá de criar uma ponte de diálogo, algo possível com o desenvolvimento de seu carisma e com a simplicidade que vem sendo apresentados até o momento.

Além dessa característica, também começam a emergir outras questões importantes. O posicionamento conservador do novo Papa colocou-o para os argentinos como um dos mais importantes opositores dos governos peronistas-kirchneristas, não apenas por posicionamento político, propriamente dito, mas sim por proposições morais. Ele se elevou como um dos porta-vozes do combate à corrupção, à ostentação, ao relativismo moral no comportamento das lideranças políticas, ao relativismo moral em si e à forma como vem se apresentando o assistencialismo no seu país, o qual, segundo interpretam alguns analistas, é carregado de erros na concepção e na execução, fazendo com que a Argentina venha  apresentando um decaimento constante no cenário mundial e a sociedade venha sofrendo sob efeitos de crises constantes.

Surgir um Papa latino-americano com esta postura pode estar representando também o estabelecimento de um pilar na America Latina para fazer frente tanto às perdas da Igreja Católica (já que a região detém 42% dos seus fieis e vem mostrando expressivas defecções de membros), como também contra disseminação de um modelo de sociedade que se implantou ao longos das últimos 15 anos.

Ele pode ainda estar representando com seu comportamento um farol para uma nova oposição, senão um baluarte, com condições de preencher o vácuo que vem sendo criado neste período pela antiga oposição, graças à incapacidade dos opositores tradicionais atuais apresentarem uma proposta alternativa ao modelo político e social que foi implantado, com competência para preservar e expandir a importante inclusão social que foi conseguida, mas que vem sendo acusado pelos analistas de esgotamento estrutural e incapacidade de dar uma direção comportamental aos povos, pois incorporou excessivo relativismo moral (principalmente da perspectiva cristã, que é a majoritária na América), além de ter fragilizado às instituições devido à postura, às ambições e aos erros de seus governantes.

O “Papa Francisco” deu indicações do comportamento que desejaria ver reproduzido para os católicos e também para todas as elites (econômicas, políticas e sociais), independente do credo que professam, ao solicitar aos argentinos que desejam ir até Roma para comemorar sua ascensão que, ao invés disso, doem o dinheiro aos pobres.

Ou seja, deixou claro que o resgate dos pobres tem de ser um pilar de ação e também que  há outras metodologias para tanto, além das desenvolvidas pelas lideranças políticas que estão no poder. Essas metodologias passam pela mudança de comportamento e pela adoção de uma postura de austeridade tal qual a sua vem sendo caracterizada (ele andava de ônibus, é discreto, fazia a própria comida), acrescentando-se que é tarefa da elite ter consciência das carências do seu povo (ao invés de resumir seu papel ao investimento produtivo) e trabalhar para extingui-las e não apenas para obter ganhos, relegando a uma suposta lógica pura da economia o resgate do equilíbrio social.

Na extremidade lógica do argumento, é possível que ele esteja indicando que o caminho deve passar essencialmente pela moral, sem que esteja colocando sobre uma plataforma o discurso de moralização da política, já que seu discurso parece estar se dirigindo principalmente à elite social e econômica, exigindo que desenvolva sensibilidade para perceber o mundo que o cerca e racionalidade para entender as razões que produzem a pobreza que existe para conseguir extirpá-la de forma equilibrada.

Conforme começam a conjecturar alguns analistas, ele pode criar na América Latina um suporte para que as oposições tenham condições de se contrapor ao modelo que foi implantado, mas, para tanto, elas terão de perceber principalmente a necessidade de reconstruir seu comportamento, sendo uma das exigências que se dirijam ao mais pobres para resgatá-los e especialmente para conhecer as suas necessidades, visando montar um projeto alternativo apto a ser apresentado à sociedade, elevando a ação opositora à categoria superior a esta que está no terreno atual, que se configura apenas pela luta pelo poder e pela incapacidade de entender tanto as transformações do processo histórico, quanto a necessidade de garantir a inclusão social, bem como interpretar na sua real dimensão o papel que foi cumprido pelos atuais detentores dos governos.

Além disso, conforme especulam alguns observadores, a austeridade que caracteriza sua postura também pode ser um recado à Europa e ao mundo, associando a ele uma ideia de que é necessário enriquecer os mais pobres, mas para que isso seja feito não há a exigência de que juntamente deva ser imposto o empobrecimento dos mais ricos.

Essas são considerações que começam a emergir dos analistas, mas ainda é cedo para grandes prognósticos, pois ele terá de lidar com as crises morais da própria Igreja, juntamente com os problemas políticos do Estado do Vaticano. Conforme apontam os especialistas, somente  depois de ficar definida sua postura diante dessas questões é que os cenários poderão ser desenhados de forma mais adequada, pois se verificará se ele pode suportar a sua missão, fazendo com que o nome Francisco seja um modelo a ser seguido, gerando uma série de “Papas Franciscos” na condução da Igreja.

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* Conforme explicado pelos vaticanólogos e especialistas na “História da Igreja”, o nome escolhido deve ser denominado apenas como Francisco. Ele será chamado “Francisco I” quando um novo Papa indicar o mesmo nome, o qual terá de ser “Francisco II”, razão pela qual Francisco passará a ser referido como “Francisco I”.

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Imagem (Fonte Wikipédia):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/novo-papa-francisco/noticia/2013/03/papa-francisco-reza-na-capela-sistina-1-missa-de-seu-pontificado.html

[2] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/novo-papa-francisco/noticia/2013/03/que-deus-os-perdoe-disse-papa-francisco-cardeais-apos-eleicao.html

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Ver também:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518049-em-tempos-de-eleicoes-na-igreja-qual-deve-ser-a-escolha-do-eleitor  

Ver também:

http://nevesalvaro.blogspot.com.br/

Ver também:

http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/dsm/19,0,4072942,Jornais-argentinos-criticam-posicoes-conservadoras-do-novo-pontifice.html

Ver também:

http://www.jcnet.com.br/Internacional/2013/03/novo-papa-teve-relacao-conturbada-com-casal-kirchne.html

Ver também:

http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/mundo/dw/2013/03/13/noticiasdw,3021783/papa-tem-saude-fragil-personalidade-discreta-e-e-desafeto-dos-kirchner.shtml

Ver também:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/francisco-i-manteve-uma-relacao-dura-e-fria-com-os-kirchner

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Perspectivas da “Questão Ambiental” nas “Eleições Presidenciais” brasileiras de 2014

Já há algum tempo verifica-se o engajamento da ex-ministra do meio ambiente e ex-senadora Marina Silva no estabelecimento do partido “#Rede Sustentabilidade”, que, até o momento, já coletou mais de 800 mil assinaturas, sendo destas aproximadamente 110 mil assinaturas certificadas.  Tal exigência da coleta de assinaturas é obrigatória para o posterior registro no “Tribunal Superior Eleitoral” (TSE) brasileiro do novo partido, que, assim, poderá ter o aval para a candidatura à “Presidência da República” de Marina nas eleições de 2014.

Nas últimas eleições presidenciais (2010) a candidata presidencial Marina Silva obteve um total de 19.636.359 votos no território brasileiro, ou 19,33% do total dos votos válidos.  Na ocasião, ela ficou atrás apenas de Dilma Rousseff (46,91% dos votos) e José Serra (32,61% dos votos).

O que chama a atenção dos analistas é o fato de que as recentes manifestações no Brasil, desde os jogos da “Copa das Confederações”, resultaram em uma significativa queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff em 28 pontos de intenções de voto, conforme anunciou a entidade de pesquisa estatística brasileira IBOPE, em publicação no dia 18 de julho pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Por sua vez, de acordo com os dados, Marina Silva é a concorrente que mais se beneficiou com a perda de popularidade de Dilma. 

A pesquisa mostra que a Presidente teria 30% dos votos se as eleições acontecessem hoje, enquanto que Marina Silva teria 22% deles, seguido dos outros pré-candidatos Aécio Neves (13%) e Eduardo Campos (5%).


Em uma simulação de segundo turno, Dilma e Marina aparecem tecnicamente empatadas, com 35% e 34% das intenções de voto, respectivamente, com uma margem de erro da pesquisa de dois pontos porcentuais.  Na possibilidade deste cenário para o segundo turno das eleições, 19% das pessoas entrevistadas afirmaram que anulariam ou votariam em branco. Os 13% restantes não souberam ou não quiseram responder. É destaque, também, que, de acordo com o IBOPE, apenas Marina Silva conseguiria empatar com a presidente Dilma Rousseff nas simulações de segundo turno.

Seguramente ainda é muito cedo para se ter certeza de como o cenário político deverá ser até as vésperas das eleições de 2014, mas é interessante destacar como Marina aborda atualmente temas como a sustentabilidade, em alusão ao nome de seu partido.  De acordo com ela, sustentável não é uma maneira de fazer, mas uma forma de ser. Não é só uma questão ambiental e ecológica, porque não é apenas um conceito, é um conjunto do econômico, social, cultural e ambiental, ao qual se  acrescenta a dimensão ética e estética.

No dia 26 de junho, Marina Silva afirmou que a principal marca do governo da presidente Dilma Rousseff é a do retrocesso ambiental, enquanto a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi associada à inclusão social e a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à estabilidade econômica.

Particularmente sobre o retrocesso ambiental, Marina observa o fato de que o “Governo Federal” (1) retirou as competências do IBAMA para fiscalizar o desmatamento; (2) o Código Florestal foi aprovado e dele se anistiou cerca de 40 milhões de hectares de floresta desmatadas ilegalmente; e (3) se aprovou uma lei para dar poderes ao Presidente para diminuir as unidades de conservação já criadas por outros governos, fato este que resultou na diminuição de 86 mil hectares para favorecer o licenciamento de hidrelétricas.

Ainda de acordo com Marina Silva, a intenção de voto e a popularidade da presidente Dilma Rousseff é apenas um sinalizador e não devem ser tratados como uma antecipação das eleições.  Segundo ela, as informações das pesquisas servem apenas como um registro a ser considerado e reflete o posicionamento do cidadão brasileiro, sendo necessário, ainda, debates sobre projetos que o país deve adotar.

Destaca-se que se pode interpretar que existe atualmente uma maior visibilidade e discussão entre os candidatos à Presidência quanto a agenda ambiental e os outros ramos relacionados à sustentabilidade, justamente pelo fato da crescente popularidade da ex-senadora Marina Silva e de seu partido político.  Entretanto, no campo empresarial, apesar da sustentabilidade de produtos e processos serem de grande relevância na atualidade, devido a crescente demanda e cobrança da população, o fato de haver um presidente da república que é 100% focado neste conceito, pode ser visto como um sério problema pela indústria, principalmente na Amazônia, que possui diversos projetos de infraestrutura planejados. 

Adicionalmente, destaca-se que é na Amazônia, sob floresta nativa e territórios indígenas, onde se encontram jazidas minerais com potencial para exploração econômica, como o potássio, utilizado na produção de fertilizantes (em “Nova Olinda”, Amazonas); ouro (no rio Tapajós) e estanho (em território ianomâmi, Roraima).  Isso sem mencionar temas como o desenvolvimento da agricultura e da pecuária.

Ganha relevância a perspectiva de que o eleitor das próximas eleições para Presidente da República precisa com grande intensidade compreender o atual momento político que se vive, os potenciais cenários no caso de vitória de um ou outro candidato, bem como qual poderá ser a reação da população brasileira, da indústria e dos investimentos externos diretos, dentre outros.  Por isso, diante do fato de a sociedade brasileira ter demonstrado com as recentes manifestações ocorridas no mês de junho que está engajada nos principais temas nacionais, destaca-se que o novo Presidente deverá estar bem posicionado com a povo brasileiro em suas reivindicações em amplos setores, dentre eles o ambiental.

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Imagem (Fonte):

http://farm5.static.flickr.com/4147/5049155434_3db30342ea.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://oglobo.globo.com/pais/marina-critica-antecipacao-da-campanha-eleitoral-de-2014-8646405#ixzz2ZY7ZqyUR

Ver:

http://oglobo.globo.com/pais/marina-critica-antecipacao-da-campanha-eleitoral-de-2014-8646405

Ver:

http://www.bhaz.com.br/marina-silva-e-apontada-como-principal-adversaria-de-dilma-nas-proximas-eleicoes/

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http://www.bhaz.com.br/marina-silva-e-apontada-como-principal-adversaria-de-dilma-nas-proximas-eleicoes/

Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/07/18/ibope-dilma-perde-28-de-intencoes-de-voto.htm

Ver:

http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/marina-silva-reafirma-possibilidade-de-disputar-presidencia?page=2

Ver:

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/os-vencedores-e-os-perdedores-da-semana-no-pais-20-07#6

Ver:

http://www.vozdabahia.com.br/index/blog/id-79977/religiao_pode_ser_barreira_para_eleicao_de_marina_silva

Ver:

http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/marca-do-governo-dilma-e-retrocesso-ambiental-diz-marina?page=2

Ver:

http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_canal=49&cod_noticia=16134

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

A instabilidade no Iraque, dez anos após a queda de “Saddam Hussein”

O Iraque atual corresponde ao território originário da civilização mais antiga do mundo, a Suméria. O passado remoto desse território, rico em significações históricas e culturais construídas ao longo dos séculos, contrasta com a atualidade, que vive um ambiente bastante desgastado em consequência de guerras. A fragilidade do Iraque, no décimo aniversário da guerra que provocou a queda de Saddam Hussein, reflete-se nas suas instituições políticas, econômicas e sociais, que perderam o vigor e necessitam de reconstrução.

Em março de 2003 ocorreu a intervenção norte-americana no Iraque, baseada na alegação de que este país tinha violado o “Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas” e a “Resolução 687”. Os EUA justificaram a sua ação a partir do pressuposto de que aquele país estaria produzindo e usando armas de destruição em massa que, no entanto, não foram encontradas. Após três semanas de guerra, o regime de Saddam Hussein ruiu. Para atingir os seus objetivos em território iraquiano, os norte-americanos gastaram centenas de bilhões de dólares num conflito que registrou a perda de milhares de vidas humanas[1]. O fim da guerra não significou a ausência da violência, tendo sido mais um entrave para a reconstrução do Estado que se encontra em situação de instabilidade.

O pós-guerra se apresenta, para o Iraque, como um enorme desafio a ser vencido. Uma série de obstáculos tem dificultado a reconstrução do país e o seu retorno à estabilidade política, econômica e social. Socialmente composto por três grupos populacionais diferentes, possui o registro de enfrentamentos entre os adversários que tentam prevalecer no território e conquistar, também, o campo político. Ao Norte encontram-se os curdos, que procuram fazer parte de uma sociedade que reconheça a sua identidade e lutam por um Estado próprio e independente. No centro do país estão os árabes sunitas, que são minoria e rivalizam com os árabes xiitas, estabelecidos no Sul, e compõem 60% da população iraquiana[2].

Atualmente, os sunitas e os xiitas antagonizam-se na política. Embora em minoria, os sunitas estiveram no poder até à queda de Saddam Hussein mas, hoje, a administração está nas mãos dos xiitas. Esta composição política desencadeou uma série de desentendimentos, inclusive com a aproximação dos sunitas com a al-Qaeda após a retirada das tropas norte-americanas, em 2011[3]. Os três grupos rivais têm dado fôlego aos embates e a violência perpetrada através de atentados cometidos com carros-bomba não cessa. Os custos humanos gerados pela guerra são grandes, totalizando aproximadamente cento e noventa mil mortos. A cada mês que passa aproximadamente trezentas vítimas fatais se acrescentam ao balanço trágico deste conflito[4].

Já no final do segundo mandato, o atual “Primeiro-Ministro do Iraque”, Nuri al-Maliki, ainda não conseguiu consolidar a Democracia e dar estabilidade política ao país, condições das quais dependem o desenvolvimento econômico e social. A fragilidade política, somada à insegurança, às infraestruturas obsoletas, à falta de mão-de-obra qualificada e às leis comerciais antiquadas[5] inibem o investimento externo e retraem a recuperação nacional.

Nos últimos dias, o Iraque também está a ser pressionado pelos EUA para coibir o transporte de armas do Irã para a Síria através do seu espaço aéreo e poderá vir a sofrer sanções se não conseguir atender o pedido norte-americano. De acordo com o Ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, o seu país é contra o envio de armas do Irã para a Síria mas, em virtude de não ter condições para controlar de modo eficaz o espaço aéreo, solicitou aos países ocidentais ajuda para pôr fim a esses voos[6].

O Iraque sofre com a falta de condições para reerguer as suas instituições econômicas, que são mecanismos indispensáveis para colocar em marcha a reconstrução. Embora possua a segunda maior reserva de petróleo do mundo, ficando somente atrás da “Arábia Saudita”, o país não conseguiu ainda, de modo eficaz, viabilizar esse recurso natural, à semelhança do que aconteceu no passado. Deve-se recordar que, na década de 1970, o petróleo permitiu que o Iraque se tornasse um país com infraestruturas modernas, com bons sistemas de Educação e de Saúde, realidades que as três guerras consecutivas, a má gestão econômica e financeira e as sanções internacionais durante os anos de 1990, fizeram com que fossem destruídas[7]. Hoje, a reconstrução exige o fim do longo período de violência e a reedificação das estruturas econômicas e sociais, de modo que o petróleo possa dar o fôlego financeiro para esta reconstrução[8].

A difícil situação econômica e financeira que o Iraque atravessa no pós-guerra necessitou do auxílio do “Fundo Monetário Internacional” que concedeu ao país um empréstimo de US$ 741 milhões[9], ressaltando-se que no programa de assistência estão incluídos dois compromissos primordiais: (1) o auxílio às autoridades iraquianas para manter a estabilidade macroeconômica e (2) a reconstrução das instituições econômicas indispensáveis para o crescimento econômico e a geração de emprego[10].

As questões sociais também são relevantes pois, segundo o “Relatório de Desenvolvimento Humano 2013”, o “Índice de Desenvolvimento Humano” (IDH) do Iraque, em 2012, estava em 183o[11], portanto, muito abaixo do padrão adequado ao desenvolvimento humano. Em realidade, conforme confluem as opiniões de observadores internacionais, a reconstrução do Iraque requer um longo período de trabalho, com a finalidade de alcançar a paz social de modo a poder oferecer condições dignas para todos os cidadãos do país.

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Imagem (Fonte):

http://www.demdigest.net/blog/wp-content/uploads/2010/12/mn-iraq-vote-bag_0499739181.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/03/invasao-dos-estados-unidos-ao-iraque-completa-10-anos.html

[2] Ver:

http://www.pime.org.br/mundoemissao/atualidasiadificil.htm

[3] Ver:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/03/invasao-dos-estados-unidos-ao-iraque-completa-10-anos.html

[4] Ver:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-20/dez-anos-apos-invasao-americana-iraque-segue-instavel-e-sem-democracia-consolidada

[5] Ver:

http://www.theodora.com/wfbcurrent/iraq/iraq_economy.html#channel=f279fd6b71698c8&origin=http%3A%2F%2Fwww.theodora.com&channel_path=%2Fwfbcurrent%2Firaq%2Firaq_economy.html%3Ffb_xd_fragment%23xd_sig%3Df3e39cf59df0ef%26

[6] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Iraq-says-unable-to-stop-Irans-arms-shipments-to-Syria-319697#channel=f185b803fff458e&origin=http%3A%2F%2Fwww.jpost.com&channel_path=%2FDiplomacy-and-Politics%2FIraq-says-unable-to-stop-Irans-arms-shipments-to-Syria-319697%3Ffb_xd_fragment%23xd_sig%3Df160535b936aec4%26

[7] Ver:

http://www.imf.org/external/np/country/notes/iraq.htm

[8] Ver:

http://www.imf.org/external/np/country/notes/iraq.htm

[9] Ver:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/10/673801-fmi+aprova+emprestimo+de+us+741+milhoes+ao+iraque.html

[10] Ver:

http://www.imf.org/external/np/country/notes/iraq.htm

[11] Ver:

http://mirror.undp.org/angola/LinkRtf/HDR2013_Port.pdf

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

“Quinto Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China”: ênfase à “Cooperação Bilateral” e nas “Questões Globais”

Apesar de persistirem diferenças importantes entre si, o encontro bilateral anual entre as duas maiores economias do mundo, realizado na capital dos “Estados Unidos da América” (EUA), Washington, nos dias 10 e 11 de julho, aproximou mais os dois países numa variada gama de assuntos individuais que dizem respeito a ambos, mas também sobre assuntos globais. Este forma de aproximação entre a China e os EUA formalizou-se desde que Barack Obama chegou à “Casa Branca”. As vezes se diz que eles compõem uma espécie de G2 (Grupo dos dois países mais influentes do mundo)[1]

Na realidade, esta prática já vem do tempo de George W. Bush que, em 2004, aceitou a sugestão do seu homólogo chinês, Hu Jintao, sobre a criação de um Fórum para a discussão de temas de interesse comum. É neste âmbito que entre 2005 e 2008 as duas partes haviam se reunido por seis vezes no quadro do “Diálogo dos Seniores[2]. Em 2006, os dois líderes concordaram em institucionalizarem um outro mecanismo bilateral que tratasse semestralmente de assuntos econômicos, o “Diálogo Econômico Estratégico[3], e, neste contexto, surge em 2009 o “Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China[4].

No entanto, desentendimentos continuam a minar o relacionamento entre as duas maiores potências econômicas globais. O que cria desconfiança entre as partes inclui, por exemplo, a acusação americana de que a China propositadamente desvaloriza a sua moeda, o yuan (também conhecida por renminbi, denominação chinesa para “moeda do povo” ), para ganhar vantagem na venda de seus produtos no mercado mundial; a violação da propriedade intelectual; os ataques informáticos a instalações militares e empresas americanas; e a violação dos direitos humanos dos grupos étnicos minoritários, como os Uigures (originários da Província de Xinjiang) e os Tibetanos (originários da “Província de Tibet”) e dos opositores políticos do governo chinês, que é liderado pelo “Partido Comunista Chinês” desde a criação da “República Popular da China”, em 1949[5].

Entretanto, no encontro da semana passada os chineses foram criticados pela maneira como lidaram com o “assunto Edward Snowden” quando este se encontrava ainda no território autônomo de “Hong Kong[6].

Por sua vez, Pequim entende que Washington esteja a se imiscuir nos assuntos domésticos principalmente nos temas ligados aos direitos humanos e por adotar políticas de protecionismo às empresas americanas e dificultar a entrada de capitais chineses em áreas estratégicas. Da mesma forma, os chineses acusam os americanos de  fomentarem turbulência na região por frequentemente levarem a cabo manobras militares com os vizinhos, em especial com o Japão, as Filipinas e a “Coreia do Sul”. Também desconfia da intensificação da presença militar dos EUA na região da Ásia-Pacífico, cujo objetivo principal, entende que seja para conter a China que está num crescendo fenomenal, acompanhado de influência em áreas outrora de domínio norte-americano, como indica a recente visita de presidente Xi Jinping a três países da “América Latina” a caminho dos EUA para o primeiro encontro com Obama[7].

Os chineses também igualmente contestam veementemente a venda sistemática de armamento a Taiwan, território que os chineses consideram parte integrante do seu país e encaram a reunificação como uma questão de princípio na “China Continental”. Por esta razão, no encontro de junho passado, Xi Jinping solicitou a Obama que os “Estados Unidos” parassem de vender armas a Taiwan[8]. Em realidade, o apoio norte-americano a este território insular desde 1949 sempre foi fundamental para a sobrevivência do mesmo e é uma das principais causas do anti-americanismo no seio da população chinesa. É importante lembrar que a questão de Taiwan também esteve por detrás do estabelecimento tardio das relações China-EUA que só ocorreu em 1979, além do problema de combate americano ao comunismo no âmbito da Guerra Fria”.

As recentes revelações de Snowden sobre a espionagem estadunidense às instituições públicas chinesas embaraçaram de certa maneira as autoridades americanas que sempre acusaram a China de liderar cyberataques a interesses dos EUA. Na China, há quem sugira que isso significa a falta de sinceridade por parte dos americanos[9].  

Mas, mesmo assim, o conselheiro de Estado Yang Jiechi e o vice-primeiro-ministro Wang Yang, por parte da China, dialogaram com o secretário adjunto de estado William Burns (no lugar do secretário de estado John Kerry, ausente por questões familiares) e com secretário de fazenda Jack Lew (à frente da delegação americana) e estabeleceram oito passos que englobam uma variedade de questões bilaterais e mundiais. Os mesmos são: (1) o fortalecimento da cooperação bilateral; (2) a abordagem dos desafios regionais e globais; (3) a cooperação sub-nacional; (4) a cooperação em matéria de energia; (5) a cooperação em proteção ambiental; (6) a cooperação em ciência, tecnologia e agricultura; (7) a cooperação em saúde; e (8) os diálogos bilaterais sobre energia, meio ambiente, ciência e tecnologia[10].

Na área de fortalecimento da cooperação bilateral o destaque vai para as visitas de alto nível e, no caso das relações militares, explorarão um mecanismo de notificação sobre as principais atividades militares, privilegiando a discussão das regras de comportamento das atividades militares aéreas e navais. Igualmente, decidiu-se estabelecer uma linha direta entre os representantes especiais dos dois Presidentes com o objetivo de facilitar a comunicação, além de fazer consultas na área dos direitos humanos, contra-terrorismo e segurança marítima. Concordou-se ainda em se realizar encontros sobre a “Política de Planejamento”, a África, a “América Latina”, a “Ásia do Sul e Centralpara melhorar a coordenação e a cooperação bilateral em questões regionais e internacionais[10].

Alguns dos desafios regionais e globais incluem o dossiê “Península Coreana”. Os dois países estão de acordo que esta Península deve ser desnuclearizada de forma pacífica, como sempre defendeu o Grupo dos 6” (“Coreia do Norte”, “Coreia do Sul”, China, EUA, Rússia e Japão), para se alcançar a paz e a estabilidade. O Irã foi também discutido entre as partes. Reafirmaram a necessidade de procurar uma solução completa e de longa-duração para restaurar a confiança da comunidade internacional sobre a natureza pacífica do “Programa Nuclear do Irã”, como defende o “Tratado de Não Proliferação[10].   

A Síria também constou do debate anual. As duas delegações dão importância à “Conferência de Genebra sobre a Síria” e ambas tentarão naquela Conferência, através de meios políticos, resolver a crise apoiando uma transição política pacífica, liderada pelo povo sírio, que estabelecerá um organismo de governo de transição com poderes executivos. Washington e Pequim não deixaram de expressar preocupação sobre a atual situação humanitária e clamaram por medidas para aliviar o sofrimento dos sírios[10].     

A estabilização política e a revitalização econômica do Afeganistão têm apoio das duas potências, em especial num momento que se está na fase decrescente da retirada militar naquele país, em 2014. Por isso, os dois grandes, desde 2012, providenciam apoio conjunto na formação de funcionários do “Ministério das Relações Externas do Afeganistão” e decidiram fazer esforços conjuntos para ajudar na área de saúde[10].

A situação da tensão entre os vizinhos Sudão e “Sudão do Sul” foi debatida. Houve a reafirmação do apelo à paz ao nível doméstico e entre ambos países, bem como um diálogo produtivo entre os dois Estados em todas as questões bilaterais, incluindo a implementação das Resoluções do “Conselho de Segurança das Nações Unidas” (CSNU) e Acordos entre as partes[10].  

Outros temas de domínio regional e mundial que colhem consenso entre a China e os “Estados Unidos” incluem a manutenção da Paz, a cooperação para o desenvolvimento, o diálogo sobre o desenvolvimento global, o diálogo sobre o “Oriente Médio”, sobre a Ásia-Pacífico e a “Cooperação Anti-Malária[10].

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Imagem (Fonte):

http://english.cntv.cn/20130712/104365.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Group_of_Two

[2] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Senior_Dialogue

[3] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Strategic_Economic_Dialogue

[4] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/U.S.%E2%80%93China_Strategic_and_Economic_Dialogue 

[5] Ver:

http://news.yahoo.com/factbox-key-issues-annual-u-china-strategic-economic-003319832.html

[6] Ver:

http://www.scmp.com/news/world/article/1280772/william-burns-says-us-disappointed-chinas-handling-edward-snowden

[7] Ver:

http://freebeacon.com/counter-pivot/

[8] Ver:

http://www.taipeitimes.com/News/front/archives/2013/06/10/2003564416

[9] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/795319.shtml#.UeVw-40wcqN

[10] Ver:

http://www.fmcoprc.gov.hk/eng/xwdt/wsyw/t1058543.htm 

 

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Resposta do Governo chinês à recente onda de violência em Xinjiang

Na semana retrasada, a “Região Autônoma Uigur de Xinjiang” voltou a ser sacudida por uma onda de violência levada a cabo por alguns membros do grupo étnico local (conhecido por Uigur*) que, segundo dados oficiais, resultou em 35 mortes e destruição de bens públicos (principalmente esquadras policiais). Os ataques ocorreram em duas cidades próximas da capital da Província, na quarta-feira (dia 26) e sexta-feira (28)[1].

Esta foi a terceira vez no ano de 2013. As outras ocorreram em fevereiro e abril com saldo de dezenas de pessoas assassinadas e alguns atacantes abatidos pelas forças de segurança. Os analistas apontam que os recentes ataques étnicos têm uma particularidade simbólica, pois ocorreram nas vésperas da data de 5 de julho, quando, em 2009, aconteceu a eclosão da maior violência dos últimos anos entre as comunidades Uigur e Han** na capital da província, Urumqi, quando197 pessoas perderam a vida, a maioria da etnia Han[2].

Entretanto, a China se opõe ao “Ocidente” sobre as causas que quase que ciclicamente originam cenas de ataques sangrentos nas ruas de “Xinjiang”, que é a maior província da China, com cerca de 20 milhões de habitantes, sendo 9 milhões da etnia Uigur, ressaltando-se  que o número dos Han vem crescendo há décadas[3].

Enquanto que para o governo dos “Estados Unidos da América” e para a “mídia ocidental” questões ligadas à limitação da liberdade religiosa, ao desrespeito à cultura dos Uigures e à exclusão de benefícios econômicos em favor dos Han fomentam ressentimento dos primeiros que se degeneram em violência com uso de armas brancas contra os segundos, com destaque para facas de tamanho maior. Igualmente, a mobilização de um forte contingente das forças de segurança e de defesa para patrulhar as ruas das cidades “problemáticas”, restaurar a ordem e a tranquilidade públicas, bem como a caça e a prisão de suspeitos constituem um motivo adicional de críticas por parte dos países ocidentais que acusam a China de “uso excessivo da força[4].   

Mesmo reconhecendo que há muito ainda por se fazer no que diz respeito à “estabilidade social” e à “manutenção da estabilidade” naquela região autônoma[5] ao mesmo tempo que reitera que respeita os direitos étnicos de toda população do país, o governo de Pequim defende-se afirmando que o que origina a instabilidade se resume nas “três forças do mal” também chamadas de “três ameaças principais” com ligações internas e externas: “terrorismo, separatismo e extremismo[6].

De acordo com as autoridades chinesas, alguns dos protagonistas da violência em “Xinjiang” são clandestinos formados militar e ideologicamente na Turquia, sem o conhecimento do governo local. Crê-se que desde o início do ano de 2013, cerca de 100 chineses da etnia Uigur teriam se juntado aos rebeldes que estão a lutar contra o governo da Síria[7]. Por isso, na quinta-feira passada (4 de julho) já se noticiava localmente que os governos da China e Turquia haviam concordado em intensificar a luta contra o terrorismo em ambos países, em particular na conturbada província chinesa de “Xinjiang[8].

Mas a China havia antes condenado o “Ocidente” por usar “um peso e duas medidas” quando reage à sua forma firme e dura para repor a ordem nas zonas afetadas. Contudo, Pequim clama por uma maior colaboração internacional no combate ao terrorismo que desde 11 de Setembro de 2001 é uma ameaça global, no lugar dos outros países se imiscuírem nos assuntos internos da China[9]

De igual modo, a luta contra o terrorismo consta das prioridades da SCO (sigla inglesa para a “Organização de Cooperação de Xangai”, composta por seis países: Cazaquistão, China, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão), tanto que em 2009 foi a mesma entidade quem aprovou uma convenção contra terrorismo[10]

É importante referir que a informação alternativa a partir daquela região continua controlada e jornalistas estrangeiros são aconselhados a evitarem escalar a Província por questões de segurança dos mesmos. Daí que o mundo fora informado a partir de fontes oficiais e de relatos vinculados por grupos independentistas de Uigures no exterior, como o “Movimento Islâmico do Turquistão Oriental”, a “Associação de Solidariedade e Educação de Turquistão Oriental”, o “Congresso Mundial de Uigures” e organizações estrangeiras dos “Direitos Humanos[11].

Doutro lado, o governo chinês usa momentos como estes para reforçar ainda mais o controle da internet. Normalmente censura-se a informação, eliminam-se as discussões online sobre temas relacionados com alguns problemas sócio-políticos recém-acontecidos e também bloqueiam-se alguns sites estrangeiros cujas notícias considera-se nefasta à sociedade. 

Por exemplo, em março de 2008, para evitar a abundância no Youtube de vídeos de reportagens noticiosas estrangeiras (“Ocidentais”) e imagens fotográficas sobre os acontecimentos de uma manifestação no “Tibet”, o governo da China baniu momentaneamente ou limitou o acesso no território nacional deste sítio de compartilhamento de vídeos. Mas o bloqueio definitivo de Youtube só aconteceu um ano depois (março de 2009) após o “Governo Tibetano no Exílio” postar um vídeo em que supostamente a polícia agredia um jovem quando dos protestos do ano anterior. Por sua vez, a China disse ter sido uma pura fabricação para enganar a opinião pública internacional[12].

Nesses tipos de casos o governo da China tem recorrido a uma série de medidas. Além de incrementarem o controle policial no terreno dos acontecimentos, os departamentos relevantes do “Partido Comunista da China” e Ministérios do governo central igualmente se esforçam em garantir que na internet, em especial no Twitter chinês, o Weibo, não abundem discussões sobre “assuntos negativos”, por exemplo, palavras ligadas ao nome de local onde ocorre um incidente são bloqueadas na internet[13].

Pode-se imaginar que as autoridades chinesas pretendem garantir um ambiente de estabilidade ao nível nacional. No entanto, é muito provável eclodir a violência contra outras minorias étnicas noutras cidades chinesas, levadas a cabo pela maioria Han, como forma de retaliação aos ataques que muitas vezes visam este grupo majoritário em “Xinjiang” e “Tibet”. 

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* Com afinidades linguísticas com os turcos.

** Que corresponde a cerca de 92% da população chinesa, enquanto que as outras 55 etnias perfazem a remanescente percentagem.

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Imagem (Fonte):

http://images.echinacities.com/detail/8829-After-the-Attack-Shots-of-Xinjiang-Streets/3#img_pos

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2013/07/01/world/asia/china-blames-religious-extremists-for-violence-in-xinjiang.html?_r=0

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2012-03/06/content_14766900.htm

[3] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/792653.shtml#.UdXRt_kwcqP

[4] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013-06/28/content_16685197.htm

[5] Ver:

http://blogs.wsj.com/chinarealtime/2013/07/02/in-wake-of-xinjiang-violence-hints-of-a-new-approach/

[6] Ver:

http://english.peopledaily.com.cn/90785/8307876.html

[7] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/792959.shtml#.UdWt73jFscx

[8] Ver:

http://www.china.org.cn/world/2013-07/04/content_29318745.htm

[9] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2013-06/28/content_16677456.htm

[10] Ver:

http://www.fidh.org/The-Convention-Against-Terrorism

[11] Ver:

http://www.dailytimes.com.pk/default.asp?page=2013\07\01\story_1-7-2013_pg14_1

[12] Ver:

http://www.guardian.co.uk/world/2009/mar/25/china-blocks-youtube

[13] Ver:

http://chinadigitaltimes.net/2013/06/ministry-of-truth-xinjiang-violence/

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

A ruptura da etapa Morsi na crise egípcia

Conforme vem sendo disseminado na mídia mundial, a comunidade internacional está apreensiva e também confusa acerca das conclusões sobre o movimento no Egito que interrompeu o governo de Mohamed Morsi, evitando inclusive o uso do termo “Golpe de Estado[1], apesar de todos estarem solicitando ora que seja instaurado prontamente um Governo civil, ora que sejam convocadas eleições imediatas para garantir o retorno do “Regime Democrático”, desconsiderando a posse do chefe civil da “Suprema Corte Constitucional”, Adli Mansour, como “Presidente Interino”, com a tarefa de organizar a retomada da Democracia.

O receio é que, considerando a situação como um “Golpe de Estado”, os países do ocidente sejam obrigados a cancelar auxílios e a isolar o Egito, gerando a perda de controle no país que, por sua vez, produziria um caos interno capaz de resultar numa “Guerra Civil”, tanto que este receio foi uma das justificativas para a prisão domiciliar de Morsi, pois, segundo afirmaram os militares, ele estaria insuflando a população a se rebelar contra os militares, algo que resultaria num embate armado de proporções incontroláveis. Os EUA, por exemplo, caso assim considerem, serão obrigados a cancelar qualquer ajudar militar, pois sua legislação proíbe auxílios para países onde ocorrem “Golpes de Estado[1].

Até o momento, o Presidente egípcio foi afastado, a Constituição suspensa e emitidos mais de 300 mandados de prisão a membros do seu Partido (representante da “Irmandade Muçulmana”) que estivera no poder durante o curtoGoverno Morsie já ocorrem embates entre os setores da população, tendo resultado em várias mortes.

Conforme anunciado, o Exército se apresentou e decidiu pelo afastamento do mandatário após identificar a perda da credibilidade do governante perante a população e pelo julgamento de que o Mandatário estava comprometendo a configuração laica do Estado Egípcio que tem nas “Forças Armadas” seu principal fiador.

Observadores internacionais apontam que esta é uma situação perigosa da perspectiva democrática, pois tenta legitimar a quebra de uma situação constitucional, dando a um segmento não político o poder de interpretar a situação social e se sobrepor as demais instituições em função de suas avaliações, somado ainda à capacidade bélica que lhe é inerente.

No entanto, também apontam que há um amplo espaço para interpretações, algo que piora a situação e traz mais riscos para a Democracia, pela possibilidade de se tentar legitimar movimentos armados que rompam com a ordem constitucional.

Mas, lembram em suas avaliações que, após Morsi assumir o poder, o Egito mostrou a complexidade de sua reconstrução, bem como a dificuldade para a instalação de instituições democráticas que poderiam reorganizar a sociedade preservando os direitos de todos os segmentos sociais. Segundo apontam, o Presidente foi eleito com 51,7%[2] dos votos, devido, principalmente, a rápida articulação da “Irmandade Muçulmana” que já estava organizada por todos o país e apresentou o seu candidato.

No entanto, após eleito, este viu-se obrigado a lidar com o a estrutura das “Forças Armadas”, que, mesmo tendo sido a fiadora de Hosni Mubark, afastou-se do antigo líder e, com isso, evitou ser repelida do poder, da mesma forma que preservou sua posição e unidade, apesar de algumas defecções.

Alguns líderes militares foram afastados imediatamente por Morsi, acreditando o Presidente que a substituição da “Velha Guarda” lhe daria controle sobre  instituição, tanto que levou para  aparelho militar chefes mais afinados com a linha islâmica do Irmandade, algo que garantiria o pilar armado de sustentação do seu grupo no poder.  

Durante este período, houve eleições para a montagem de uma “Assembléia Constituinte” amplamente dominada pela Irmandade. Segundo foi disseminado na mídia internacional, isso ocorreu, principalmente, graças à desorganização dos outros amplos setores sociais, bem como as recusas desses setores em participar de etapas do processo constituinte. Ao ver o resultado da Constituinte, eles resolveram então levantar para a sociedade que a Constituição não era legítima, já que desconsiderava os amplos segmentos sociais e estava islamizando o Estado, significando a morte tanto do Estado laico, quanto da Democracia, por impedir a expressão das demais parcelas da sociedade e a preservação dos direitos das minorias.

Ao mesmo tempo em que ocorreram as manifestações dos opositores e Morsi fez a reforma das lideranças militares, este concedeu a si próprio amplos poderes para garantir a implantação da nova Constituição e, diante do crescimento das mobilizações contrárias a ela, decretou que as “Forças Armadas” deveriam proteger as Instituições nacionais e os postos eleitorais até 15 de dezembro do ano passado (2012), quando um Referendo deveria autorizar a sua promulgação.

A situação foi considerada pela população como a imposição de uma “Lei Marcial”, já que Morsi considerava que as mudanças feitas nos postos e lideranças militares estava lhe dando o controle da tropa e, por isso, capacidade de implantar medidas de emergência sobre a sociedade, enfrentando quaisquer contestações, o que acabou se mostrando uma medida que iria se voltar contra ele, pois, se os militares retornaram aos quartéis depois de aprovada a Constituição, detiveram uma autorização legal para se sobrepor a agentes desestabilizadores para “Proteger as Instituições”.

Um exemplo é que novamente foram convocados para controlar embates entre apoiadores do Governo e segmentos da oposição (secularistas, leigos e membros da “Igreja Copta”)  na “Região do Suez” quando houve mais de 50 mortos e os militares, tendo percebido a proliferação da desordem social, advertiram para uma possível crise na estrutura do Estado, com perda da legitimidade do Governo, podendo resultar no que o general Abdul Fattah al-Sisi (o chefe militar que depôs o Presidente) considerou como uma situação capaz de “levar a um colapso do Estado[3].

Neste momento, o General, justificando o afastamento de Morsi, afirmou que o povo clamou por ajuda dos militares e estes “não podiam permanecer em silêncio[2] que haviam despendido “grandes esforços[3] para garantir a ordem, mas Morsi não havia respondido “às demandas das massas[3], por isso, “os participantes do encontro (de vários segmentos sociais com os militares, no dia 3 de julho) concordaram com o caminho traçado para o futuro, que inclui os passos iniciais para alcançar a construção de uma sociedade egípcia coesa e que não exclui ninguém e que põe fim ao estado de tensão e divisão[3],

Além disso, as críticas contra o Governo cresceram no país principalmente devido a crise econômica que vem se desenvolvendo sem que haja um projeto eficaz de restauração da economia, apesar do auxílio do “Banco Mundial”, de, aproximadamente, 4,7 bilhões de dólares que estavam destinados principalmente à segurança social, os quais, até o presente momento, foi informado que não serão suspensos, mas foram pedidos que eleições sejam realizadas o mais breve possível para que ocorra o retorno ao processo democrático. Complementar as essas considerações, críticas rígidas também foram feitas em relação à ausência de propostas claras de restauração da segurança interna, com grande disseminação da violência e perda de controle em algumas regiões.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, declarou: “Pedimos a todos que permaneçam em calma, que dialoguem e que se avance o mais rápido possível para eleições reais. (…). Esperamos poder continuar com nossos programas que proporcionam serviços e apoio essencial para as pessoas mais pobres do Egito [4].

Analista estão demonstrando receio com a situação, vendo-a como perigosa para a região, principalmente pela possibilidade de ser um estímulo para que novos movimentos armados se disseminem pelo “Oriente Médio” e haja uma perda na credibilidade das instituições políticas ao ponto de as populações resolverem organizar-se em grupos armados ou, no caso específico do Egito que haja um processo de desforra, já que Morsi foi eleito por um processo legitimado internacionalmente.

Pior, há o receio de que os muçulmanos desacreditem no processo democrático como forma de ascender ao poder e se dediquem exclusivamente à via armada e revolucionária, estimulando a violência islâmica na região, sendo provável também que ela se dissemine internacionalmente.

Um exemplo já está se dando na Tunísia, onde os opositores doPartido Nidaa Tunes”, do ex-primeiro-ministro Beji Caid Esebsi, solicitaram que o Governo dos islamitas Ennahda fosse demitido e substituído por outro que corporificasse uma ideia de salvação nacional[5].

O porta-voz da “Irmandade Muçulmana para o Reino Unido”, corroborando esta percepção que começa a se disseminar, afirmou: Há um temor em relação ao futuro. (…). Um dos maiores temores (na Irmandade Muçulmana) é de que as pessoas queiram fazer justiça pelas próprias mãos. Milhões votaram por Morsi. Nós pensamos que isso era democracia. Mas agora estamos em uma situação muito perigosa[6].

Esta opinião é compartilhada pela consultoria “Stratfor Global Intelligence”, a qual prevê que “A saída de Morsi levará integrantes dos grupos ultraconservadores salafistas a largar a política tradicional e optar pelo conflito armado. (…). A derrubada de governo islamista moderado no Egito reduz os esforços internacionais para trazer islamistas radicais para a política tradicional no resto do mundo árabe e muçulmano. Em último caso, dentro do contexto do Egito, a saída de Morsi abre um precedente perigoso uma vez que futuros presidentes podem ser removidos pelos militares quando houver forte pressão popular. Isso não contribui para a estabilidade futura do Egito[6].

As opiniões confluem para a conclusão de que a situação ficará mais tensa, pois os membros da Irmandade não aceitam a deposição de seu líder e há probabilidade de que se dediquem ao recurso bélico, além disso, corre-se o risco de que as “Forças Armadas” possam ser identificadas como portadoras de um novo “Regime Autoritário”.

No entanto, há indicações de que elas não desejam prolongar a situação e querem um Governo civil, pois a posse do chefe civil “Suprema Corte Constitucional” se deu para evitar os erros anteriores em que militares assumiram o poder e lhe foi dado a missão de organizar novas eleições, bem como uma nova Constituição, dentro de uma estratégia de resgate da unidade do país.

Os críticos, contudo, levantam dois pontos que tem grande probabilidade de levar ao fracasso desse planejamento: (1) a dificuldade em controlar a crise econômica e (2) a baixa probabilidade de convencer a ampla parcela da população que é simpática ou partidária da “Irmandade Muçulmana” de se inserir nesta nova realidade, acreditando os observadores que ela não aceitará a perda do poder que foi conquistado por processo que recebeu apoio mundial, mesmo que, posteriormente, tenha causado nos analistas internacionais a certeza de que ela estava construindo um regime autoritário utilizando para tanto do respaldo dado pelos defensores da Democracia.  

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/geral/20130704-potencias-evitam-termo-golpe-de-estado-para-situacao-egipcia

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130703_golpe_egito_analise_lk.shtml

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130704_egito_perguntas_respostas_bg.shtml

[4] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/07/04/interna_internacional,417308/banco-mundial-espera-manter-emprestimos-ao-egito-e-pede-eleicoes.shtml

Ver também:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/banco-mundial-espera-manter-emprestimos-ao-egito-e-eleicoes

[5] Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/africa/apos-golpe-no-egito-oposicao-da-tunisia-pede-dissolucao-do-governo,5bf8414baaaaf310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

[6] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130704_democracia_golpe_egito_gm.shtml

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Ver ainda:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-07-05/embaixador-do-egito-nega-golpe-de-estado-no-pais

Ver ainda:

http://www.noticiasbr.com.br/presidente-interino-prestou-juramento-no-egito-112094.html

Ver ainda:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130704_egito_revolucao_pai.shtml

Ver ainda:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/07/04/1s169126.htm

Ver ainda:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3304723&seccao=M%E9dio%20Oriente

Ver ainda:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE96302L20130704