AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

O que se deve priorizar quanto a implementação de políticas públicas no Brasil e no exterior: Mitigar ou Adaptar às Mudanças Climáticas?

As precipitações neste mês de junho, marcado pela estiagem, surpreendem os brasilienses, que bateram recordes de ligações para o “Instituto Nacional de Meteorologia” (INMET). Normalmente, junho, em Brasília, significa período de intensa seca, sem chuvas e de pouca umidade.  Entretanto, o que se pôde verificar no início deste mês são temporais, baixas temperaturas e uma paisagem típica dos meses de janeiro e fevereiro.  Ao mesmo tempo, na Europa, a chuva castiga a Alemanha, tendo ocorrido a maior enchente em 10 anos, destacando-se ainda a temperatura extremamente baixa para o período do verão europeu.

Entretanto, de acordo com alguns estudos, todas essas variações climáticas nada comuns no mês de junho são normais. A forte chuva que ocorreu nos últimos dias em Brasília é explicada pelo INMET como um fenômeno cíclico, que ocorre a cada cinco ou sete anos.  

No caso da Europa, as enchentes têm causado importantes danos materiais nas regiões central e sul da Alemanha, República Checa, Áustria, Eslováquia e Hungria, sem mencionar as vidas que foram perdidas.  Diques que represam os rios Elba, Danúbio, Moldava e o Saale transbordaram e o nível da água foi acima dos 9 metros.

Diante desse cenário, deve-se destacar as consequências econômicas das mudanças climáticas, que têm sido cada vez mais frequentes, conforme está sendo observado neste ano.  A produção de leite e de produtos lácteos, por exemplo, tem sido significativamente afetada.  Entre janeiro e março, a produção de leite na “União Europeia” foi aproximadamente 1,1% menor que no ano anterior. A atual produção continua abaixo de 2012 na França, no “Reino Unido” e Irlanda, entre outros países.  O clima frio predominante em grande parte da “Europa Ocidental” e o lento início da primavera e verão está atrasando o crescimento do pasto, que em muitas regiões foi severamente afetado pelas recentes enchentes. Com isso, a produção de leite continua vários pontos abaixo do percentual do ano anterior.

No início do ano, ocorreu na “Nova Zelândia” um longo período de estiagem, que resultou no aumento do custo da produção do leite e consequentemente no aumento do seu preço no mercado interno. A diminuição da oferta de leite na “Nova Zelândia” afetou também as exportações para a China, país que tem acordo comercial com os neozelandeses, mas sua demanda não pode ser suprida. 

Com uma demanda maior que a oferta disponível, o preço do leite na China também aumentou e houve a necessidade de comprar a demanda reprimida de leite em outros mercados internacionais, aumentando, assim, o preço internacional do produto. Para piorar, no momento, a produção de leite na “Nova Zelândia” está diminuindo, à medida que o inverno se aproxima na região.

Na mesma semana em que estes eventos climáticos no Brasil, na Europa e na Oceania ocorreram, foi realizada entre os dias 3 e 7 de junho a sétima “Conferência Europeia sobre Tempestades Severas”, em HelsinkiFinlândia. De acordo com os estudos apresentados na Conferência, ainda que preliminares, a expectativa é de que tempestades, granizo, tornados e outras intempéries devam ficar cada vez mais frequentes e extremas em consequência das mudanças climáticas. 

Nesse sentido, é possível levantar o debate sobre o que se deve fazer quando confrontamos a atual situação das mudanças climáticas, se devemos trabalhar para mitigá-la ou simplesmente fazer uma adaptação à nova realidade, criando diques, como na Alemanha, que, no entanto, tenderão a ser cada vez mais altos para conter níveis de enchentes sequencialmente maiores, apesar de que, tal situação, seja simplesmente impensável quando deparamos com a realidade brasileira, por exemplo, que tem rios com uma variação de nível de água extremamente grande entre os períodos de seca e chuvas, além de serem imprescindíveis para a preservação das florestas.

Enquanto isso, as políticas públicas ambientais, tanto no Brasil como no âmbito internacional, seguem a passos lentos. No Brasil, o “Fórum Brasileiro de Organizações Não-Governamentais e Movimentos Sociais” (FBoms) e o “Observatório do Clima” (OC), redes que juntas congregam mais de 700 organizações da sociedade civil, se retiraram do processo de revisão do “Plano Nacional sobre Mudança do Clima” (PNMC), em retaliação ao longo atraso do “Governo Federal” e a falta de elementos, como a definição clara da metodologia para que fossem realizados diálogos setoriais como etapa inicial do processo de revisão do PNMC.  Sem mencionar que, até o momento, não existe uma estratégia nacional de REDD+*  (apesar de vários estados brasileiros já possuírem) e o “Código Florestal”, que completou um ano desde a sua implementação, ainda possuir pendências.

Apesar do ceticismo que se manifesta acerca das negociações internacionais de mudanças climáticas, lideradas pela “United Nations Climate Change Secretariat” (UNFCCC, em português, “Secretaria de Mudanças Climáticas das Nações Unidas”) sob comando da secretária executiva Christiana Figueres, emerge a esperança de que as negociações progridam e na próxima “Conferência das Partes” não represente apenas mais uma reunião anual, mas, sim, um momento de decisões concretas.

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* REDD+: Sistema Nacional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, Conservação, Manejo Florestal Sustentável, Manutenção e Aumento dos Estoques de Carbono Florestal.

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Imagem – Mapa (Fonte):

http://www.focus.de/wissen/natur/meteorologie/lage-in-deutschland-hochwasser-karte-zeigt-betroffene-staedte_aid_1004195.html

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Fontes consultadas:

[1] ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2013/06/11/interna_cidadesdf,370744/sem-registro-de-chuvas-inmet-preve-estiagem-ate-o-mes-de-agosto.shtml

[2] ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2013/06/05/interna_cidadesdf,369698/chuvas-inesperadas-em-junho-podem-ocorrer-em-ciclos-de-cinco-ou-sete-anos.shtml#.Ua-kt_-abPQ.twitter

[3] ver:

http://www.ams.usda.gov/AMSv1.0/ams.fetchTemplateData.do?template=TemplateR&navID=MarketNewsAndTransportationData&leftNav=MarketNewsAndTransportationData&page=DairyMarketNewsCommodityReportsInternationa

[4] ver:

http://www12.senado.gov.br/codigoflorestal/infograficos/economia-verde-1

[5] ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2013/06/05/interna_cidadesdf,369692/tempo-deve-continuar-encoberto-nesta-quarta-feira-diz-inmet.shtml

[6] ver:

http://www.focus.de/wissen/natur/meteorologie/kurz-erklaert-wetterphaenomen-verschwindender-schnee_aid_712653.html

[7] ver:

http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/aumento-das-aguas-do-elba-rompe-outro-dique-na-alemanha

[8] ver:

http://www.focus.de/panorama/videos/elbe-hochwasser-akw-kruemmel-muss-erstmals-fluttore-schliessen_vid_39422.html

[9] ver:

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/?id=734216

[10] ver:

http://www.climatenewsnetwork.net/register/?redirect_to=/2013/06/intense-thunderstorms-likely-to-batter-a-warming-world/

[11] ver:

http://diepresse.com/home/wirtschaft/economist/1415677/Hochwasser_Bauernbund-fuer-hoehere-Milchpreise 

[12] ver:

http://oc.org.br/cms/arquivos/cartadilmafbmcass.pdf

[13] ver:

http://unfccc.int/files/press/press_releases_advisories/application/pdf/20130611_sbi.pdf

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ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

A “Diplomacia Moçambicana” na Região Austral da África

Ao longo da sua história, Moçambique sempre jogou um papel de destaque naÁfrica Austral”, mas não apenas nessa região. Mesmo antes da proclamação da independência nacional de Moçambique, em 1975, enquanto combatia o colonialismo português, a “Frente de Libertação de Moçambique” (Frelimo) se preocupava também em apoiar outros movimentos de libertação nacional, como há dias lembrou presidente Armando Guebuza, no decurso proferido na “21ª Cimeira da União Africana”, realizada em “Adis Abeba”, Etiópia, que coincidiu com celebração dos 50 anos da criação da já extinta “Organização da Unidade Africana” (25 de Maio é considerado o dia da África)[1].   

O ativismo moçambicano no plano internacional constantemente tem sido caracterizado pela necessidade de combater o colonialismo, o imperialismo, o neo-colonialismo, a injustiça, a pobreza, a defesa dos direitos humanos, a auto-resiliência, o apoio mútuo, a promoção da união entre os povos oprimidos, o respeito mútuo e a não interferência externa. Nesse âmbito, o “Governo de Maputo” (Moçambique) consentiu enormes sacrifícios a bem da libertação do Zimbábue e “África do Sul”, por albergar bases militares no seu território, com perdas de vidas humanas e avultadas somas em divisas[2].

Observadores apontam inclusive que o conflito armado interno devastador que durou 16 anos (1976-1992) foi despertado em parte como consequência do internacionalismo de Moçambique. Ilustrativamente, o governo moçambicano, ao implementar em 1976 a “Resolução da ONU” (“Organização das Nações Unidas”), que apelava para um maior isolamento do regime racista da “Rodésia do Sul”, encerrou a fronteira com este território, perdendo cerca de 556 milhões de dólares até 1979; permitiu que os serviços de informação e militares rodesianos conseguissem unir e armar os elementos moçambicanos que não estavam de acordo com o novo governo liderado pela Frelimo e estavam congregados na “Resistência Nacional de Moçambique” (Renamo), hoje, o maior partido de oposição do país. Mas também é necessário compreender a guerra civil moçambicana no contexto da “Guerra Fria” e facilmente pode-se ligar o fim do conflito ideológico de período com o fim da guerra em Moçambique[3].

Similarmente, a assistência moçambicana aos nacionalistas sul-africanos do “Congresso Nacional Africano” (CNA) que lutavam pelo fim do regime do Apartheid da “África do Sul”, levou o governo minoritário branco desse país a atacar alvos sócio-econômicos e a matar pessoas indefesas em Moçambique (atos violentos similares eram levados a cabo noutros países vizinhos), ao mesmo tempo em que treinava e armava os rebeldes da Renamo, depois da independência do Zimbábue.

É face a esta crescente ameaça que Maputo viu-se obrigado a negociar com Pretória com o objetivo de manter uma boa vizinhança entre os dois Estados. O resultado foi a assinatura do “Acordo de Incomáti”, em 1984, no qual o Governo moçambicano se comprometia a parar o apoio ao CNA, enquanto que o governo sul-africano garantia que cortaria a ajuda à Renamo. No entanto, houve mais dificuldades por parte da “África do Sul” em cumprir com a sua promessa e, ao inverso do esperado, os rebeldes da Renamo se tornaram mais violentos depois deste Acordo[4].

Decorridas duas décadas após o fim da guerra interna, o papel de Moçambique na pacificação da África tem continuado. Como forma de retribuir ao papel desempenhado por outros países da região e não só os que receberam moçambicanos forçados a abandonarem o país para lugares seguros, o Governo criou no território nacional um centro de refugiados na “Província Nortenha de Nampula”, em coordenação com a “Agência da ONU para Refugiados” (ACNUR), que acolhe cidadãos africanos que fogem dos seus países devido aos conflitos armados e perseguições políticas[5]. Parte destes asilados já está se inserindo na sociedade moçambicana e se destaca no setor comercial de produtos da primeira necessidade em várias cidades ao longo do país.

Chegada a vez da “República de Moçambique” liderar simultaneamente a SADC (sigla em inglês para a “Comunidade de Desenvolvimento da África Austral”), entre 2012 e 2013, e a CPLP (“Comunidade dos Países da Língua Portuguesa”), de 2012 a 2014, a diplomacia de Moçambique se destaca ainda mais na região e no mundo. Mas, o que ainda torna visível a sua imagem internacionalmente é o fato das duas organizações serem igualmente lideradas por moçambicanos: Tomaz Salomão, que ocupa o cargo de “Secretário Executivo da SADC”, desde 2005; e Murade Murargy, eleito “Secretário Executivo da CPLP” na Cimeira da Organização em Maputo, em julho de 2012.

De igual modo, o antigo “Presidente de Moçambique”, Joaquim Chissano (1986-2005), também tem se empenhado em nome do seu país na busca do consenso político para a crise no Madagáscar e recentemente foi nomeado pela SADC para mediar o conflito territorial entre o Malaui e a Tanzânia sobre as fronteiras do “Lago Malaui[6]. No mesmo espírito, em 2006, Chissano foi nomeado para o cargo de “Representante Especial da ONU no Norte do Uganda[7]. O carisma de Chissano, tido como um dos excelentes presidentes do continente, engrandece a imagem de Moçambique mundialmente. Na verdade, o mundo ainda se rende aos moçambicanos por terem conseguido negociar e acabar com o conflito armado e também por terem levado a cabo um processo de pacificação interna com sucesso.

President of Mozambique, Armando Emílio Guebuz...President of Mozambique, Armando Emílio Guebuz...

President of Mozambique, Armando Emílio Guebuza, November 29, 2006. (Photo credit: Wikipedia)

Além disso, o sucessor de Chissano, Armando Guebuza, também está fazendo todo o possível para o aumentar o prestígio do seu país no mundo, através do seu maior empenho na busca da paz para a “República Democrática do Congo” (RDC), país membro da SADC. Na realidade, é durante a presidência moçambicana na SADC que se observa uma maior movimentação do Bloco regional com vistas à solução da crise político-militar congolesa que se prolonga há 15 anos[8]. Por isso, além de presidir encontros sobre a RDC, Guebuza já se deslocou à região dos “Grandes Lagos” e manteve encontros com os líderes locais, principalmente com o “Presidente de Ruanda”, Paul Kagamé, acusado pela comunidade internacional de apoiar os rebeldes congoleses do M23[9]. Enfatizando-se o papel da SADC na solução do problema congolês, as “Nações Unidas” convidaram Armando Guebuza, para ser um dos onze signatários do PSCFDRCR (abreviatura inglesa para “Quadro para a Paz, Segurança, e Cooperação para a República Democrática do Congo e para a Região dos Grandes Lagos”), em fevereiro do corrente ano, 2013[10].

A preocupação em manter um relacionamento de boa vizinhança levou o líder de Moçambique a estender a sua mão à nova líder do Malaui, Joyce Banda, poucos dias depois dela tomar posse após a morte súbita do anterior Presidente, Bingu Wa Mutharika, em abril de 2012. As relações entre os dois países as vezes foram tensas durante a Presidência de Wa Mutharika, em parte devido ao plano do líder malauiano em forçar a navegabilidade dos rios Chire e Zambeze (ambos correm no território moçambicano), no lugar de usar as vias rodoviárias e portuárias de Moçambique para importar e exportar os seus produtos, além de se ter recusado a comprar a energia hidrelétrica de Moçambique, mesmo que isso custasse mais ao seu país[11].

Por essa razão, compreendendo a importância do vizinho para a revitalização da economia do Malaui, a presidente Banda respondeu positivamente ao apelo do presidente Guebuza. Não é por acaso que ela escalou Moçambique na sua primeira visita ao estrangeiro, cerca de um mês depois de chegar ao poder, e Guebuza fez o mesmo neste ano, quando efetuou uma visita de estado ao Malaui[12]. Importante referir que os setores dos transportes e energia constituem os principais focos de discussões entre as partes desde que Banda se tornou Presidente. 

Há ainda que salientar que a diplomacia moçambicana também se tem destacado nos esforços regionais para a estabilização política no Zimbabué. A preocupação dos diplomatas de Maputo é compreensível, a crise política e econômica que aflige este país vizinho tem causado transtornos enormes a Moçambique, principalmente ao nível da economia, pois com um Zimbábue estável, os serviços de transportes ferro-portuários moçambicanos saem a ganhar, principalmente depois da sua recente modernização. 

Pode-se concluir que, apesar das limitações financeiras, Moçambique tem jogado um papel de destaque na região onde, tradicionalmente, países como “África do Sul”, Angola, Tanzânia, Zâmbia se apresentam para fazer vincular a sua influência e prestígio.

As avaliações de Analistas confluem para a posição de que numa altura na qual Moçambique se vai tornando um dos principais destinos de investimentos estrangeiros, principalmente na área de extração de recursos minerais e energéticos, os líderes do país devem ser capazes de capitalizar isso para elevar ainda mais o prestígio moçambicano não só na “África Austral”, mas igualmente no mundo, ao mesmo tempo que deve contribuir para o bem-estar de todos os moçambicanos .

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Imagem (Fonte):

http://www.nyasatimes.com/2013/04/03/mozambiques-guebuza-in-malawi-to-sign-power-interconnection-project-agreement/

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[1] Ver:

http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=9594:africa-vai-vencer-guebuza-na-etiopia&catid=1:ultimas&Itemid=50

[2] Ver:

http://www.mozambique.mz/pdf/constituicao.pdf

[3] Ver:

http://www.flcs.uem.mz/files/chistoria/jTembeCdeM2011.pdf

[4] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Nkomati_Accord

[5] Ver:

http://www.mynetpress.com/mailsystem/noticia.asp?ref4=4%23k&ID=%7BB259F7D1-287F-4A84-A31C-B4CA258586CE%7D

[6] Ver:

http://www.amalawi.info/index.php/2013/02/19/mbeki-chissano-and-mogae-to-mediate-in-lake-malawi-tanzania-dispute/

[7] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=20835&Cr=LRA&Cr1#.UafHckAwdwE

[8] Ver:

http://www.minec.gov.mz/index.php?option=com_content&task=view&id=619&Itemid=140

[9] Ver:

http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=4089:guebuza-no-ruanda-para-discutir-congo&catid=1:ultimas&Itemid=50

[10] Ver:

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/697923022013141437.html

[11] Ver:

http://www.opais.co.mz/index.php/politica/63-politica/10446-zambeze-um-rio-de-problemas-e-incidentes-diplomaticos.html

[12] Ver:

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/473611052012110340.html

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Ver também:

http://www.oplop.uff.br/boletim/2244/sadc-reunida-em-mocambique-para-analisar-conflito-no-congo

Ver também:

http://www.clubofmozambique.com/solutions1/sectionnews.php?secao=mozambique&id=28156&tipo=one

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Oliveiras Israelenses e Palestinas: Tradição, Apuro e Resistência

A origem das oliveiras remonta a tempos imemoriais. Há contradição quanto ao local onde surgiram, acreditando os pesquisadores que elas apareceram entre os povos do Mediterrâneo. A sua fase mais primitiva data do período Terciário, anterior ao surgimento do homem, na Ásia Menor, o que leva os estudiosos a acreditarem que esta árvore é originária da Síria ou da Palestina, pois foi nestes territórios que se encontraram vestígios de produção de azeite e de fragmentos de vasos datados da Era do Bronze. Porém, independentemente das dúvidas acerca do local de origem das oliveiras, o fato é que esta árvore faz parte da tradição cultural de Israel e da Palestina, simbolizando a paz, a sabedoria e a Eternidade. Tais significados são, contudo, mais fortes do que os benefícios econômicos que ela pode oferecer aos dois povos.

Numa região repleta de significações diversificadas, a oliveira é, para Israel e a Palestina, a detentora de entendimentos mitológicos e bíblicos que acompanham a sua História. O enraizamento de israelenses e palestinos às suas culturas dá-se através de elementos singelos, mas fantásticos. Estamos ante símbolos que têm atravessado gerações sem perder o sentido de enraizamento entre o passado remoto e o presente, com projeção para o futuro, definindo, desse modo, a identidade de cada um destes povos. Assim, é a oliveira para os judeus e para os palestinos.

A oliveira, devendo ser considerada como um elemento cultural simples das tradições culturais judaica e palestina, une os dois povos desde a sua origem e cria o sentido de pertença a partir dos tempos imemoriais. Mais do que uma questão alimentar e econômica, as oliveiras são, para, para judeus e palestinos, parte da sua História. Na tradição cultural judaica, segundo os relatos da Torá, o fim do Dilúvio foi anunciado a Noé por através de um ramo de oliveira que uma pomba levou no bico[1]. Para o povo judeu, a oliveira é o símbolo da longevidade e da “continuidade do povo”. As cascas retorcidas dessa árvore representam a sabedoria acumulada através de séculos da história da Humanidade[2]. Na Antiguidade, o azeite extraído das oliveiras foi utilizado pelos judeus para cozinhar, fornecer luz, como moeda de troca, como medicamento, como artigo e presente religioso e serviu, também, para ungir reis e sacerdotes[3].

Para Israel, o ramo de oliveira é o símbolo de paz, constituindo uma tradição que tem sido mantida ao longo dos tempos. Porém, esse símbolo é, no presente, motivo de desentendimentos e de resistência entre os judeus e os palestinos, ocorrendo impactos por motivos diversos quanto à preservação de suas tradições culturais, algo que poderia ser trabalhado por ambos os povos. Mas, levando-se em consideração o que vem sendo divulgado, Israel tem destruído as plantações de oliveiras dos palestinos.

A oliveira liga o palestino à terra e está inserida na sua cultura, devendo sublinhar-se que o azeite é onipresente em suas mesas. Praticamente a metade do território palestino é ocupado pelo cultivo de oliveiras, que garantem o sustento de muitas famílias. Como a oliveira é uma árvore longeva, durando em média 400 anos[4], permite que, por várias gerações, determinada família possa garantir o sustento de seus membros, destacando-se que as oliveiras correspondem entre 15% e 19% da produção agrícola da Palestina[5].

Além disso, a relação entre o trabalho e o agricultor palestino acabou por criar, também, um vínculo “afetivo” entre o ser humano e a sua plantação que, geralmente, não é iniciada por ele, mas herdada de seus antepassados em comunhão com narrativas que se completam através de relatos e técnicas de manuseio da terra, de cultivos e de colheitas passadas de geração em geração. Há um aspecto da tradição tão forte quanto há entre os judeus em relação a sua cultura, mostrando similitudes dos dois povos em relação ao respeito que ambos tem por suas respectivas raízes. Porém, o apego à tradição e à cultura da qual a oliveira faz parte na vida do palestino tem sofrido fortes reveses nos últimos tempos. Afirma-se que isso ocorre devido aos confrontos com o Exército e, principalmente, com os colonos israelenses, que têm substituído os olivais palestinos, ato que já levou à condenação pela ONU[6].

De acordo com depoimentos de palestinos, o momento da colheita, hoje, deixou de ser um momento feliz para eles. Com os longos anos de conflito, a questão da segurança por parte de Israel culminou na construção do muro de contenção, o que tem contribuído para sacrificar os cuidados com as plantações das oliveiras por parte dos palestinos, pois necessitam de permissão israelense para entrarem nas suas terras e executarem as tarefas rurais, o que nem sempre é possível. Essas dificuldades também se refletem no comércio do azeite, devido ao fato de terem que superar os vários postos israelenses de controle para chegar à Cisjordânia, o que acarreta perdas econômicas significativas para a Palestina[7], sendo este um problema que poderia ser resolvido de forma conjunta, uma vez que envolve as necessidades de sobrevivência dos palestinos e as necessidades de segurança de Israel. 

Segundo o “Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários” (OCHA), os colonos israelenses já destruíram cerca de sete mil e quinhentas oliveiras e, no total, e Israel já arrancou um milhão e duzentas oliveiras palestinas desde 1967[8]. Tal situação é problemática, pois se dá no momento em que Israel tem plantado olivais no seu território e desenvolve um projeto para a produção de oliveiras no deserto sem a necessidade de irrigação, utilizando somente as águas pluviais.

Há, portanto, duas culturas, cujas raízes estão presentes no mesmo território e têm pontos comuns. No entanto, hoje, a coexistência pacífica torna-se difícil, o que se reflete no confronto físico e psicológico por razões de segurança, que acaba por afetar alguns dos elementos culturais do povo oponente. Isto reforça o embate entre os dois povos e coloca em risco a continuidade, para as futuras gerações, de culturas fundamentais, definidoras da identidade de cada um deles e, mais importante, dos elementos que os unem e podem levar à busca de um caminho para a paz.

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Imagem (Fonte):

http://claire-d-aude.over-blog.com/article-l-olivier-l-arbre-qui-traverse-les-temps-66828256.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.aabgu.org/specialty/olivetrees/israel-and-the-olive-tree.html

[2] Ver:

http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Judaism/species.html

[3] Ver:

http://www.bibleplaces.com/olive-trees.htm

[4] Ver:

http://humanappeal.org.uk/appeal-detail.html?appealid=74

[5] Ver:

http://humanappeal.org.uk/appeal-detail.html?appealid=74

[6] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2012/10/2012102712652415500.html

[7] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/israel-transforma-colheita-da-azeitona-palestina-em-sofrimento

[8] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2012/10/2012102712652415500.html

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Começam as especulações para a escolha do novo “Presidente da Comissão Européia”

Ainda que o mandato do atual presidente da “Comissão Europeia” (CE), o português José Manuel Barroso, termine apenas no dia 31 de Outubro de 2014, especulações a respeito de possíveis candidatos para substituí-lo já estão surgindo. As movimentações políticas em Bruxelas já se tornam cada vez mais evidentes[1]. Barroso tomou posse no dia 22 de novembro de 2004 e fora reeleito em 2009, após o fim do seu primeiro mandato.

De acordo com o “Tratado de Lisboa”*, a eleição para “Presidente da CE” ocorre da seguinte forma: primeiramente, o “Conselho Europeu” (composto pelos “Chefes de Estado” ou pelos “Chefes de Governo” de cada “Estado Membro”), através de uma votação por maioria qualificada**, propõe um candidato para ocupar este posto; este nome então é enviado ao Parlamento Europeu” que deve elegê-lo com a maioria de votos dos seus membros[2]. Após a aprovação (pelo Parlamento) começa então a ser construído o chamado “Colégio de Comissários”, onde cada “Estado Membro da UE” é responsável por indicar um nome de um nacional do seu país para compor o colegiado; cada Comissário então deve responder a uma série de questões e participar de uma sessão do Parlamento Europeu” para que sejam testadas as suas capacidades em ocupar tal cargo. O Parlamento finalmente decide se aprova ou recusa o Comissário em potencial[3].

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Visita do “Presidente de Moçambique” à China

Entre 13 e 19 de maio de 2013, o Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, efetuou uma visita oficial à China, a quarta desde que assumiu o poder em 2005. Fez parte dos líderes africanos que estiveram em Pequim na “Terceira Cimeira Sino-Africana”, em 2006; participou da abertura oficial dos “Jogos Olímpicos de Pequim”, em 2008, e, em 2011, fez uma Visita de Estado à China. Este recente deslocamento reveste-se de importância extrema no fortalecimento de laços entre os dois países e respectivos partidos políticos no poder, numa altura em que Moçambique procura mais investimentos estrangeiros, principalmente para a área de infra-estrutura pública.

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Os Açores na nova conjuntura política portuguesa: a revisão do “Tratado das Lajes”

O processo de análise da política portuguesa, interna e externa, faz com que, segundo o professor “António José Telo” e sua “Teoria da Disfunção Nacional”, se perceba que Portugal move-se no sistema internacional como um órgão “perturbado, anômalo e difícil de entender[1], por contrariar constantemente as mútuas influências que os resultados destes dois níveis de política podem exercer uma sob a outra, possuindo mecanismos difusos que não transpassam a ligação direta entre as posturas internacionais e o cotidiano social da população.

Fatores relevantes, entre os enumerados pelo professor Antônio Telo, estão: o fato da posição geográfica de Portugal ser no extremo ocidental da Europa; a grande e dispersa comunidade portuguesa espalhada pelos cinco continentes, com importantes ligações com a pátria; o fato da cultura portuguesa ser uma conjugação de influências adquiridas como resultado da política “além-mar” e; o mais importante para este ensaio, o fato de Portugal ter um dos instrumentos geoestratégicos mais importantes para defesa do Atlântico Norte e da Europa, o “Arquipélago dos Açores[1].