AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAEUROPA

Solução para crise síria passa por pacto entre Rússia e EUA

Ontem, dia 28 de fevereiro de 2013, ocorreu em Roma a ConferênciaAmigos do Povo Sírio” que conseguiu reunir parte da oposição síria e 11 Estados que apóiam os opositores ao atual Regime*. Nela se buscou um encaminhamento para encerrar a crise política que assola o país há dois anos e já resultou em, aproximadamente, 70 mil mortos e outras dezenas de milhares de feridos e refugiados, segundo dados que vem sendo disponibilizados à sociedade internacional pela ONU, por ONGs e diversas entidades internacionais.

A conclusão a que chegaram os participantes foi de que é necessária “mais ajuda política e material[1], sem que isso pudesse significar envolvimento direto no conflito, nem apoio militar aos rebelados. Em comunicado oficial, foi anunciado: “Os ministros prometeram mais ajuda política e material para a Coalizão (Nacional Síria), representante única e legítima do povo sírio, e mais ajuda concreta ao interior da Síria. (…) ressaltam a necessidade de mudar o equilíbrio de poder no terreno… (…) …lamentam o envio contínuo de armas ao regime (do presidente Bashar al-Assad) por países terceiros**” [1].

Francamente, o representante dos EUA, o secretário de estado John Kerry, afirmou em coletiva de imprensa que “os Estados Unidos darão 60 milhões de dólares em ajuda não letal para apoiar os esforços da oposição síria nos próximos meses… (…). Será uma ajuda direta… (…). …assistência médica e comida [1], confirmando que serão evitados os apoios bélicos, bem como que o discurso se manteve direcionado ao campo diplomático, tendo como teto a contribuição política, tal qual está no restante de sua declaração em que “Todos os sírios devem saber que eles podem ter um futuro… (…). A Coalizão de oposição pode conseguir conduzir uma transição pacífica[1], mesmo que também tenha apresentado as mesmas exigências anteriores ao Governo Assad de encerramento da repressão: “o regime deve parar imediatamente o bombardeamento indiscriminado contra as áreas populacionais, que constitui crime de guerra contra a humanidade e não pode ficar sem punição[2] .

Os observadores estão convergindo para a conclusão de que a solução para o impasse criado na crise política só poderá ser alcançada se houver um posicionamento conjunto de EUA e Rússia, da mesma forma que também estão assumindo esta necessidade as autoridades de ambos os países, apesar dos encontros internacionais, das reuniões bilaterais entre potencias, das conversações coletivas, das ameaças de bombardeio, da possibilidade invasão do território etc.

Os norte-americanos apresentam-se como o principal ator a contrapor-se a Assad e os russos sabem que não poderão permitir qualquer avanço estadunidense, ou de potências européias na região, tanto pelo fato de isso representar o encerramento de um importante comércio bélico com a Síria, como também pelo motivo de não poderem admitir a interferência direta de outras potências numa região essencial para a estratégia russa nos seus aspectos geopolíticos, geoestratégicos e geoeconômicos.

A negociação realizada ao longo da semana para tratar da crise mostrou a importância dos russos como  ponto de apoio a Assad, sem o qual o Regime já teria caído, tanto que a Rússia foi criticada pelos participantes da Conferência por manterem o fornecimento de armas ao Governo sírio, tal qual se viu na declaração.

O Governo Assad, por sua vez, percebe a necessidade de desviar o foco dessa questão e, quando agradeceu a Moscou, o fez em comunicado, citando o seu apoio, mas como ajuda humanitária, já que foram referidos apenas os auxílios médicos, com remédios e equipamentos [3] que se tornam escassos graças aos combates que ocorrem e, segundo alegam os governantes sírios, aos bloqueios feitos pelos rebeldes ao acesso às áreas afetadas.

É um argumento que coloca a Rússia em condição equivalente aos demais agentes da Comunidade internacional, pois posiciona a potência russa como preocupada apenas com as questões humanitárias envolvidas no conflito interno, colocando sob outro prisma à ajuda diplomática que a Rússia dispõe para o Governo Assad, a qual, se consolida de forma positiva para o Regime sírio nos vetos ocorridos no “Conselho de Segurança das Nações Unidas” (CS da ONU). Além disso, minimiza a manutenção das vendas de armamentos para a Síria, ignorando as contraposições da Comunidade Internacional a este comércio.

Do que apontam vários analistas, é possível concluir que a ajuda política da Rússia tem sido transparente e expressiva ao governo Assad porque os estrategistas russos conseguem transformar em discurso legitimador deste apoio a identificação das especificidades da Oposição síria, bem como as características que sugerem a produção de um cenário futuro tão violento quanto o atualmente produzido por este Governo, caso os rebeldes afastem Assad.

Além disso identificam na fragmentação da Oposição a possibilidade de desintegração do país, algo que poderia gerar a disseminação do conflito pela vizinhança, afetando a estabilidade  da região com conseqüências para o sistema internacional. Esse exercício de cenário prospectivo, como dito, gera uma justificativa para  o comportamento russo, logo, permite a legitimação de suas ações perante a Sociedade Internacional.

Assim, os russos reforçam suas exigências de transição pacífica na Síria coordenada pelo atual Governo, admitindo, em última estância, a saída de Assad, mas não sua denúncia internacional, nem exclusão de todos os membros. Uma mudança dessa forma apresenta menores riscos para os interesses estratégicos da “Federação Russa”, algo que certamente não ocorreria se o regime caísse imediatamente e todos os seus membros fossem extirpados.

De forma interessante, o Ocidente indiretamente fornece elementos à Rússia para respaldar tal comportamento, pois, se os russos justificam suas posturas com as acusações aos rebeldes sírios de que bloqueiam o caminho da paz pelo desejo que desenvolveram de depor Assad pela força das armas sem aceitar alternativa a este caminho [4], o Ocidente, de maneira equivalente aos russos, não confia nos rebelados, ao ponto de não querer permitir que a Oposição obtenha armamentos que possam ser usados contra os ocidentais após eles assumirem o poder.

As potências ocidentais não desejam ver surgir na Síria grupos similares, ou equivalentes aos que surgiram no Afeganistão, após a Guerra contra a extinta União Soviética, ou ver a assunção de um governo que posteriormente se comporte como o de Saddan Hussein, após “Guerra Irã-Iraque”.

Se para os russos estão claros os perigos decorrentes da existência de grupos que desejam derrubar Assad de forma que poderá ser interrompida a relação e negociação que há entre Síria e Rússia nos termos atuais, para os Estados Unidos e Estados europeus, também está transparente que, embora haja vários tendências entre os opositores, eles, em sua maioria são anti-ocidentais e, se há certeza de que o Regime Assad deve ser substituído, também se tem como certo que os seus substitutos devem estar desarmados.     

Diante do quadro, a situação se mantém estagnada. Assad não derrota a Rebelião e esta só avança de forma lenta e a muito custo, embora tenha vencido em várias localidades e “liberado territórios[6], ao ponto de ter anunciado a formação de um Governo rebelde nessas áreas que estão sob seu controle em reunião que seria realizada amanhã (dia 2 de março), em Istambul, na Turquia, mas, segundo anunciado, foi adiada por tempo indeterminado. Independente das razões para o adiamento, sempre emerge na avaliação dos observadores as dificuldades de a rebelião conseguir pontos de confluência entre os grupos que a constituem.

Pela condição que foi criada, também começam a convergir as opiniões de que a saída para o impasse, dificilmente será apresentada pelas reuniões entre os apoiadores estrangeiros da Revolta síria (potências ocidentais, alguns países árabes e demais entes que a reforçam), mas por uma possível negociação entre Rússia e EUA, os dois mais importantes atores envolvidos no problema.

Esta situação pode se concretizar, apesar das divergências e dificuldades de diálogo apresentadas até agora. No dia 26, terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Seguei Lavrov, afirmou que se encontraria com seu homólogo norte-americano John Kerry, para tratar da situação síria.

Declarou após encontro com o ministro holandês das relações exteriores Frans Timmermans: “Claro que não podemos resolver pelos sírios todo este problema, mas, nos contactos com outros Estados, que, de uma ou outra forma, podem influir nas partes do conflito sírio, sentimos uma preocupação crescente com a manutenção do status-quo e uma compreensão crescente da necessidade de exercer influência, tanto no Governo como na oposição, para convencê-los a não apresentar exigências irrealistas como condição prévia para o início do diálogo (…). Hoje iremos falar disso com John Kerry. Pareceu-me, durante a nossa última conversa telefônica, que ele compreende a gravidade da situação… (…). Ainda há uns dias, parecia-nos que eram mais evidentes as condições para que as partes (rebeldes e Governo sírio) se sentassem à mesa das conversações e dessem início ao futuro do seu país, ouviram-se vozes a favor do início desse diálogo, e sem condições prévias[6].

Alguns analista começam a apontar que a situação não caminhou, mas demonstrou que ambos os Estados mais importantes que estão se contrapondo sobre a questão confluem para a certeza de que a conjuntura está no seu limite, bem como que a saída terá de ser negociada. Porém, não deverá ser pelos os sírios apenas, tal qual afirmam os russos, nem pelo rebeldes com apoio internacional, seguindo o caminho exclusivamente político de embate com o Governo, como declaram as potências ocidentais.

Ela terá negociada para chegar a um pacto entre Rússia e EUA para determinar uma trajetória que não afete os interesses russos em sua “zona de influência”, mas garanta um espaço para os norte-americanos e ocidentais naquela região. Este é um ponto de intersecção difícil de ser encontrado, talvez, por isso, parte significativa dos observadores ainda estejam apostando no pior cenário, com mais violência, esgotamento das partes em confronto e possível desintegração do país.   

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Imagens (Fonte – Wikipédia):

a. Brasão de Armas da Rússia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rússia

b. Bandeira sobre o mapa da Síria:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag-map_of_Syria.svg

c. “Grande Selo dos EUA”:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos

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* Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Turquia, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos.

** Referência à Rússia.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5g5zE-_tQwzo97la2XSNrdj1SGGdA?docId=CNG.ef55ce2a100885860cf960c8801d6dd7.9f1

[2] Ver:

http://www.tvi24.iol.pt/503/internacional/siria-john-kerry-amigos-da-siria-assad-oposicao-tvi24/1424523-4073.html

[3] Ver:

http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2013/02/26/siria-agradece-ajuda-da-russia/

[4] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_26/Lavrov-extremistas-predominam-no-seio-da-oposicao-siria/

Ver também:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/russia-acusa-oposicao-extremista-siria-de-bloquear-o-dialogo

[5] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/02/22/interna_internacional,352461/oposicao-siria-formara-gabinete-em-territorios-libertados.shtml

Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/02/130222_siria_governo_rebelde_ac_rn.shtml

[6] Ver:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3074801&seccao=M%E9dio%20Oriente

Ver também:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ixuObAO4P0juaVEkJQjNJO7NlJyw?docId=CNG.c463641f8612400b693d267b2e612848.951

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Ver ainda:

http://jornaldeangola.sapo.ao/19/49/o_futuro_que_se_joga_na_siria

Ver ainda:

http://www.parana-online.com.br/editoria/mundo/news/653350/?noticia=KERRY+E+LAVROV+DISCUTEM+GUERRA+CIVIL+NA+SIRIA

Ver ainda:

http://www.marataizes.com.br/noticias/news.php?codnot=291464

Ver ainda:

http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2013/02/russia-pede-oposicao-siria-que-inicie-negociacoes-com-damasco.html

Ver ainda:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2013/02/25/interna_mundo,425245/governo-sirio-se-dispoe-a-dialogar-com-grupos-armados.shtml

ÁFRICAAMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Dilma visita continente africano para “Cúpula América do Sul – África”

A presidente Dilma Rousseff embarcou na quinta-feira, dia 21 de fevereiro, para a capital da “Guiné Equatorial”, Malabo, por ocasião da “3ª Cúpula América do Sul – África (ASA)”, que reuniu 65 países, dos quais 54 africanos e 11 sul-americanos.

O foco do encontro foi fortalecer as relações com o continente africano, especialmente por mecanismos de cooperação Sul-Sul. Além disso, a Presidente destacou a necessidade de reforma dos organismos internacionais, como a “Organização das Nações Unidas” (ONU), o “Banco Mundial” (BM)  e o “Fundo Monetário Internacional” (FMI).

Declarou: “Para o Brasil é urgente a reforma da ONU. Nada justifica que África e América do Sul permaneçam sem representação permanente no Conselho de Segurança. É também urgente a reforma da governança do FMI e do Banco Mundial[1].

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Pesquisa indica que Morales ainda tem apoio da maioria do povo boliviano

Segundo resultados divulgados pela empresa de consultoria IPSOS, em sondagem feita na quinta-feira, dia 21 de fevereiro, 54% da população boliviana apóia a candidatura de Evo Morales para as eleições presidenciais que se realizarão em 2014. A pesquisa foi realizada em 70 cidades, nos 9 Departamentos bolivianos, percorrendo tanto a área rural quanto a urbana e apresenta margem de erro de 2,07%, com estimativa de confiabilidade de 95%, de acordo com o portal online “Vermelho[1], que disseminou  a notícia tendo como fonte a Adital. Ainda conforme divulgado, este percentual corresponde exatamente aquele que elegeu o Presidente em 2005 e a região que mais apóia a indicação de Morales para concorrer novamente ao cargo pelo seu Partido, o “Movimiento al Socialismo” (MAS), é Pando, ao norte da Bolívia.

Observadores analisam as razões deste apoio apresentado ao Presidente (assumindo-se que a pesquisa apresenta confiabilidade), diante de um cenário muito recente em que parte significativa da população voltou-se contra o Governo e o governante Morales perdeu vários apoiadores nos sindicatos, nos movimentos sociais e nos grupos indígenas que se manifestaram, inclusive de forma violenta, contra os projetos de infra-estrutura, mais recentemente contra a construção da estrada de rodagem que passará pelo “Territorio Indígena y Parque Nacional Isiboro-Secure” (TIPNIS).

Os analistas vem destacando que há dois aspectos comportamentais que têm sido ressaltados pelo Presidente ao longo de 2012: (1) a aceleração do processo de estatização das empresas privadas no país, em especial das estrangeiras (nas nacionalizações), e (2) o embate constante com o Chile acerca da recuperação do “Mar Territorial” boliviano.

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Cooperação Brasil-Rússia

Brasil - RússiaBrasil - RússiaOcorreu no último dia 20 de fevereiro, quarta-feira, em Brasília, a “VI Reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação Brasil-Rússia”. De acordo com nota divulgada pelo “Ministério das Relações Exteriores do Brasil”, o encontro teve por objetivo o “aprofundamento da cooperação bilateral em temas de interesse para o desenvolvimento e para a diversificação das matrizes econômicas de ambos os países, com ênfase em ciência, tecnologia, inovação, relações econômico-comerciais, agropecuária, energia e educação[1]. Encabeçada pelo primeiro-ministro da Federação Russa, Dmitri Medvedev, a comitiva russa foi representada por alguns ministros de Estado além de empresários de setores estratégicos.

As relações bilaterais existentes entre Brasil e Rússia, iniciadas em 1828 com o estabelecimento de relações diplomáticas entre ambos os países, nunca demonstraram grande impacto nas respectivas economias nacionais, pois cerca de 95% das exportações brasileiras para a Rússia são pautadas por produtos não industrializados, ou seja, com baixo valor agregado, como açúcar, café, soja, carne e tabaco, além disso, no ranking divulgado pelo “Banco Central” brasileiro[2] com os países de origem dos “Investimentos Estrangeiros Diretos” (IED), a Rússia não se encontra na lista composta pelos 41 citados.

Contudo, nos últimos anos foi possível identificar uma maior aproximação nas relações bilaterais, através de um desenvolvimento progressivo das relações comerciais e políticas. Vladimir Dadidov, membro da “Academia de Ciências da Rússia”, acredita na intensificação da cooperação bilateral, uma vez que parcerias estratégicas e alianças em setores de alta tecnologia começam a ser desenvolvidas [3].

De acordo com esta posição, analistas defendem o abandono do comércio bilateral composto, em grande parte, de commodities, devido às imposições contínuas de barreiras aduaneiras e fitossanitárias, favorecendo uma cooperação no setor industrial, científico e tecnológico [3].

Durante o encontro da comissão, Medvedev reconheceu a importância do constante desenvolvimento das relações bilaterais, enfatizando as conquistas atingidas com a expansão comercial entre os países (em 2012, o comércio bilateral atingiu o valor de 7,2 bilhões de dólares) além de estabelecer uma nova meta.

É muito importante que no decurso destas reuniões nós planejemos novos projetos, comparemos notas sobre os vários aspectos de nossa cooperação comercial e econômica. Eu creio que a tarefa de levar o nosso comércio ao nível de cerca de 10 bilhões de dólares por ano é absolutamente realizável e corresponde ao potencial das nossas economias. Espero que ela seja realizada nos próximos anos. E estamos falando de relações em todas as áreas [4], afirmou o Primeiro-Ministro.

Além disso, destacou a importância do avanço da cooperação na esfera tecnológica. “A aliança tecnológica que podemos estabelecer ajudará nossas empresas, e veremos vários projetos interessantes surgirem nessa e em outras áreas. Esperamos contar com a experiência do Brasil e partilhar também nossa experiência”, afirmou Medvedev [5].

Como resultado da sexta reunião da Comissão, as autoridades políticas dos dois países assinaram Acordos e Declarações de intenções nas áreas de Defesa, Tecnologia, Agricultura, Energia, Educação, Esportes e “Desenvolvimento de Pequenas e Médias Empresas”. Foi ressaltado:

No Esporte.

Tendo em vista as realizações de grandes eventos esportivos nos próximos anos – a “Copa do Mundo da FIFA” de 2014 e 2018 sediadas, respectivamente, pelo Brasil e pela Rússia; os “Jogos Olímpicos de Inverno de 2014”, na Rússia, e os “Jogos Olímpicos (de Verão) de 2016, no Brasil – as autoridades presentes assinaram um “Plano de Ação” que visa a implementação de um memorando de entendimento sobre “cooperação em matéria de governança e legados relativos à organização” dos Eventos.

De acordo com nota publicada pelo Itamaraty [1], a cooperação na área do esporte resume-se na troca de “informações relativas à organização dos respectivos sistemas esportivos, do nível educacional ao de alto rendimento, na esfera pública e na esfera privada”, além de “informações sobre seus respectivos sistemas de controle de dopagem”; na promoção “na área de Ciência e Tecnologia Aplicadas ao Esporte, envolvendo universidades e outras instituições de interesse na área do Esporte”; no “intercâmbio de profissionais, técnicos e especialistas em preparação física, formação profissional, fisiologia, nutrição e psicologia”; na realização de amistosos entre as seleções de futebol; no “intercâmbio de delegações na área de gerenciamento e marketing de futebol”; entre outros.

No Desenvolvimento de pequenas e médias empresas.

Fora assinado um Memorando que busca o desenvolvimento de empresas no âmbito bilateral. Em nota, o Acordo pretende: “fortalecer a cooperação econômica e institucional bilateral” por meio de “relações mutuamente vantajosas com vista ao desenvolvimento das empresas de pequeno e médio porte”; do compartilhamento de “informações sobre boas práticas no desenvolvimento e implementação de políticas públicas focadas no desenvolvimento das empresas de pequeno e médio porte”; da facilitação ao “acesso público a estudos e pesquisas de interesse das empresas” e do “acesso recíproco a eventos governamentais, científicos, comerciais e outros de interesse das empresas[1].

Na Educação.

Os ministros de ambos os países debateram a possibilidade da entrada da Rússia no programa “Ciência sem Fronteiras”, possibilitando o acesso dos estudantes brasileiros às universidades russas, embora o professor da “Universidade de Brasília”, David Flaicher, acredite que “o fato de os brasileiros terem de aprender o russo será uma grande barreira a esse intercâmbio[5]. Além disso, o memorando abre a possibilidade do “intercâmbio de pesquisadores e professores russos e brasileiros; do estabelecimento de laços de parceria acadêmica; e da promoção de seminários, grupos de trabalho e conferências[1].

Na Agricultura.

Os ministérios competentes definiram em acordo os critérios fitossanitários necessários para a liberação do trigo russo no mercado brasileiro. “A parte russa deverá assegurar que cada lote de trigo deverá vir acompanhado por certificado fitossanitário e o lado brasileiro deverá reconhecê-lo como documento que atesta o cumprimento dos requisitos fitossanitários da legislação da República Federativa do Brasil e padrões internacionais relevantes”, explicou o Itamaraty em nota [1].

Na Cooperação técnico-militar.

O “Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas brasileiras, general-de-exército José Carlos De Nardi, e o “Diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar” russo, Alexander Vasilievich Fomin, assinaram uma declaração de intenções que identifica o “segmento de Defesa Antiaérea como uma área de prioridade de investimentos e desenvolvimentos conjuntos” e busca “incrementar, a partir de março de 2013, as negociações bilaterais com vistas à possibilidade de preparação de contrato para futuras obtenções, por parte do Governo do Brasil, de Baterias Antiaéreas, com o desenvolvimento conjunto de novos Produtos de Defesa e a participação de Empresas Estratégicas de Defesa brasileiras nos processos produtivos e de sustentabilidade logística integrada, com transferência efetiva de tecnologia, sem restrições[1].

O Governo brasileiro busca adquirir três baterias antiaéreas do modelo “Pantsir S1” (de médio alcance) e duas baterias do modelo Igla-S (de curto alcance) para aperfeiçoar a defesa do espaço aéreo nacional, uma vez que, o país irá receber dois grandes eventos esportivos nos próximos três anos.

Andrei Beloussov, “Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia”, afirmou a necessidade de criação de parcerias mais intensas nos setores da economia pautados pelo uso de tecnologias sofisticadas, através da criação de joint-ventures entre empresas dos dois países. Mas, para que isso seja possível, torna-se necessária a promoção de políticas públicas eficazes. Para o ministro, “investidores russos se dispõe a implantar no Brasil projetos no valor de US$ 200 milhões a mais de US$ 1 bilhão[3].

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.itamaraty.gov.br

[2] Ver:  

http://www.bcb.gov.br/

[3] Ver:

http://gazetarussa.com.br/internacional/2013/02/20/no_brasil_medvedev_espera_assinar_mapa_de_cooperacao_bilateral_17743.html

[4] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_21/Russia-Brasil-posicoes-e-objetivos-comuns/

[5] Ver:

http://gazetarussa.com.br/internacional/2013/02/22/brasil_e_russia_ampliam_cooperacao_em_defesa_agricultura_e_educ_17777.html

 

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Google será alvo de sanções da “União Europeia” devido a política de privacidade

Quem utiliza os serviços da “Google”, pôde notar em 2012 a integração da conta do usuário do “Gmail” em todos os demais serviços da empresa como o “YouTube”, o “Blogger”, o “GoogleMaps”, entre outros, tornando a experiência virtual facilitada, uma vez que o usuário não necessita mais ter várias senhas e logins para os diversos serviços que a empresa disponibiliza.

A combinação de dados de vários serviços da “Google” pode ser vantajosa para seus usuários. Contudo, esta prática pode trazer sérios problemas de privacidade a quem usufrui deles. Pelo menos é esta a opinião* dos responsáveis da “União Europeia” que se pronunciaram contra a mudança da nova política de privacidade da “Google”.

Em 2012, a empresa consolidou as 60 normas de privacidade de seus serviços individuais em uma norma unificada, combinando dados recolhidos sobre usuários de todos os seus serviços, que incluem o “YouTube”, “Gmail” e a rede social “Google+”. Outro fato importante é que os usuários não tiveram o direito de rejeitar essa unificação de dados e, consequentemente, a nova política de privacidade. A única forma de evitá-las é deixando de usar os sites da Google.

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O retorno de Hugo Chávez

Hugo ChávezHugo ChávezNa segunda-feira, dia 18 de fevereiro, o presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, retornou ao país, após mais de dois meses (71 dias) de afastamento, tendo permanecido no hospital Cimeq, em Havana, para realizar a quarta cirurgia contra o câncer, onde ficou em tratamento até o presente.

Chávez chegou de surpresa a Caracas. No entanto, já na madrugada do dia 18 sua chegada foi recebida com entusiasmo pela população venezuelana, que soltou fogos de artifício com os anúncios que eram feitos pelas redes de TV e com manifestantes se reunindo em várias praças da cidade para comemorar. As declarações foram das mais variadas formas demonstrando o fascínio que o mandatário exerce sobre parte expressiva do povo venezuelano. A situação de euforia levou os seguranças do hospital militar para o qual Chávez se deslocou a pedir para as pessoas que se amontoaram que não perturbassem os demais pacientes [1].

O consultor jurídico, Arnilú Serrano, declarou: “Chegou o filho amado, o filho mimado da Venezuela. Esse grande homem que deu sua vida para o povo e hoje faz as pessoas encherem as ruas de alegria, de grande emoção, porque nosso presidente está em nosso país[1].

Outra cidadã venezuelana, Marta Lucia Yépez, moradora da comunidade “Brisas del Llano” e apoiadora da política chavista afirmou: “Não tenho vergonha de dizer que chorei de alegria. Ele não podia nos deixar sozinhos, ainda que a revolução não tenha parado. Ele sempre esteve no comando, mesmo doente e, através dos ministros, deu instruções que depois recebemos na comunidade, para poder continuar trabalhando pela revolução. Isso não se detém e agora que ele está aqui não para mesmo, continuamos em revolução[2]. O pedreiro Wilmer Ramones disse: “Ele acabou com o show que a oposição tinha montado para nos desanimar com falsas notícias. Seu retorno nos enche de força. Todos somos Chávez[2].