ANÁLISES DE CONJUNTURACOMUNICADO

COMUNICADO

Caros Leitores do CEIRI NEWS (CNP)

Informamos que devido ao Feriado Nacional de Tiradentes, dia 21 de abril de 2020, terça-feira da semana que vem, haverá recesso nos dias 20 e 21, respectivamente, segunda-feira e terça-feira, não ocorrendo publicações. Voltaremos às atividades no dia 22, quarta-feira, com o(s) respectivo(s) artigo(s) agendado(s) para esta data e com as demais postagens para o resto da semana. Apesar de o país estar sob quarentena, lembramos que é adequado que o recesso seja cumprido, por respeito à data comemorativa no Brasil, honrando as tradições do país.

Como é nosso padrão, ao longo dos dias 20 e 21 manteremos as consultas e caso ocorram fatos que exijam acompanhamento mais intenso assim o faremos, postando Artigos Extras sobre os acontecimentos.   

Agradecemos à gentileza de todos os que têm contribuído direta e indiretamente com a reflexão e o estudo dos Colaboradores do Site, bem como com a avaliação dos acontecimentos e a disseminação da informação, de maneira a cooperar com o esclarecimento da sociedade e o seu desenvolvimento.

Antecipadamente, desejamos a todos uma excelente Páscoa.

Fraternalmente,

Conselho Editorial do CEIRI NEWS

ANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Europa dividida entre o impacto social e o econômico

Com mais de 550 mil casos e milhares de falecidos, a Europa continua sob o flagelo do Convid-19, ainda assim, as últimas notícias são encorajadoras. Após sucessivos relatórios nefastos das autoridades locais, a tão temível curva de contágio parece, ao fim, estar sendo controlada, e as medidas de quarentena parecem mostrar seus efeitos.

Os países mais afetados pela pandemia, Itália e Espanha, começam a registrar uma redução do número de contágios e falecidos diários, no entanto, o medo de um novo pico de infecções faz com que as autoridades sejam cautelosas em relação às políticas de quarentena e ao estado de emergência decretado em diversos países do Bloco europeu.

Diante de todas as adversidades produzidas pelo vírus e de uma possível vitória, um fantasma temível se alça na região, trazendo com eles recordações recentes da Crise Financeira Internacional. A recessão econômica avança na União Europeia, concretizando-se nos dados econômicos de duas de suas duas maiores potências: França e Alemanha.

A reunião do Bloco econômico foi infrutífera e não alcançou os objetivos desejados, e os países mais afetados enfrentam a paralisação de sua economia e o acúmulo das dívidas públicas das últimas décadas, que, em muitos casos, supera 80% do PIB.

Reativar a economia europeia resultará em um esforço titânico, seja pela situação financeira dos países do Bloco, seja pelo impacto da pandemia na economia mundial, com a redução de demanda de grandes economias como a dos EUA e da China, ou com a redução dos fluxos de investimentos realizados nos países emergentes da América Latina.

Bandeira para o Brexit

O Brexit, que antes ocupava todas as capas dos principais jornais europeus, foi praticamente esquecido, porém, seus efeitos financeiros não podem ser negligenciados. E mesmo que diversos processos eleitorais tenham sido cancelados ou postergados, grandes players, como a Alemanha, estão em plena corrida presidencial, se preparando para o próximo ano (2021), da mesma forma que o eco da corrida eleitoral americana deste ano (2020) afeta diretamente ao Bloco europeu.

A solidariedade estatal, que é um princípio básico para a manutenção da União Europeia, cada dia encontra maiores barreiras e uma competição eterna ecoa e ganha força. Interesses conflitantes tanto dentro do grupo como entre os membros da OTAN fragilizam a União Europeia. E as medidas financeiras anunciadas parecem não serem suficientes para conter uma forte retração da economia.

O Estado ganhou uma nova importância ao pactuar com o setor produtivo para a manutenção do sistema econômico, porém, existem fortes limitações devido à própria condição dos países europeus e à falta de grandes reservas internacionais, que a Europa não poupou.

A Gran Vía de Madri em 22 de março – o vazio na rua esboça o efeito do isolamento

O único consenso que existe de fato é que, se atualmente o Convid-19 castiga a Europa, amanhã será a crise econômica, o desemprego e o endividamento público. Em alguns países, como no caso de Portugal, o Presidente fez um apelo ao setor financeiro, solicitou a este o mesmo apoio que lhe foi concedido durante a Crise Financeira Internacional. Espanha, França e Itália atuam na mesma linha, pois a grande dúvida que paira é como socializar os prejuízos com uma população inativa ou parcialmente paralisada. O acúmulo do capital na Europa nunca foi tão questionado, e os Estados, independentemente de sua identidade partidária, voltam a abraçar o keynesianismo que fundamentou o continente.

Aqui, da Espanha, a situação, que antes parecia irremediável, aos poucos parece mostrar uma luz no fim do túnel, e todos os esforços do governo para salvaguardar a economia serão colocados à prova após o dia 26 de abril, data limite do Decreto Presidencial do Estado de Alarme, quando, aos poucos, tentarão reativar a atividade.

O governo aprovou a renda mínima, postergou as cobranças, eliminou temporariamente os impostos para as pequenas e médias empresas, porém, a pergunta que paira é se isso foi o bastante. Da mesma forma, questiona-se quais serão os resultados desta pandemia que já contabiliza mais de 16 mil falecidos, em um país que estava aos poucos se recuperando dos efeitos da Crise Internacional, considerada até antes como a maior crise do Bloco. A vida transcorre e as pessoas tentam se adaptar com muitas dúvidas, mas a maior delas é aquela não pronunciada, porém tácita: como sair dessa situação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Partículas de SARSCoV2 (a amarelo) a emergir de uma célula humana. Imagem obtida por microscópio eletrônico de varrimento com coloração digital” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/COVID-19#/media/Ficheiro:SARS-CoV-2_scanning_electron_microscope_image.jpg

Imagem 2 Bandeira para o Brexit” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Brexit#/media/File:EU-Austritt_(47521165961).svg

Imagem 3 A Gran Vía de Madri em 22 de março o vazio na rua esboça o efeito do isolamento” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:22_de_marzo_2020-Gran_Via-Madrid.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

20 anos de Vladimir Putin à frente da Rússia

O Presidente russo, Vladimir Putin. Ex-agente da inteligência soviética KGB, nascido em 1952, em Leningrado (agora, São Petersburgo), Vladimir Putin iniciou sua carreira à sombra de Boris Ieltsin, tornando-se Primeiro-Ministro da Rússia em 6 de agosto de 1999, com meros 1% de aprovação eleitoral. No mesmo ano, a renúncia de Ieltsin escalou Putin a Presidente Interino e, em 2000, foi oficialmente eleito Presidente da Federação Russa. Desde então, nunca deixou a linha de frente da política do país, tornando-se, “sem dúvida, o líder mundial de maior importância desde Winston Churchill”, na opinião do colunista Oliver Carroll, do “The Independent”.    

Ranking do PIB” (Fonte – FMI via Bloomberg)

Pouco após assumir o poder, o sucessor de Ieltsin iniciou uma jornada que levaria a Rússia ao crescimento de 7% ao ano, nos sucessivos oito anos, através de investimentos no campo energético e de petróleo e da expansão da influência russa em territórios nos quais jazia esquecida, por exemplo: estreitando laços com a China; apoiando regimes de poder locais na Síria e Líbia; suprindo aparatos de defesa aérea para a Turquia; cerrando tratados sobre fornecimento de petróleo com a Arábia Saudita; aproximando-se da Alemanha, através do suprimento de energia e construção de gasodutos. Em 2012, o país chegou perto de alcançar o patamar de desenvolvimento de Portugal, e, no mesmo ano, atingiu o pico do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, alcançando oitava posição no ranking mundial.

Embora seu governo seja marcado por alterações no escopo das próprias políticas, Vladimir Putin é reconhecido, mesmo por críticos, por ter alcançado três objetivos: construir um forte Estado Russo, consolidar a Rússia como um poder global e manter-se intermitentemente no poder. No ano 2000, seu índice de aprovação era de 64%, saltando para 80% em 2008, após os 5 dias de conflito na Georgia. Contudo, durante seu termo como Primeiro-Ministro, sob à Presidência de Dmitri Medvedev (2008-2012), sua popularidade caiu novamente para 66% e manteve-se em baixa até o impasse com a Crimeia, em 2014, quando o ex-agente viu o ápice de sua renovada Presidência (eleito novamente em 2012), com quase 90% de aprovação.

Pagamento da dívida russa

Uma das principais características de Putin no poder é sua capacidade de gerenciar o orçamento estatal. Com apenas 8% da equivalência da economia americana, a “prudência fiscal de Putin… tornou as folhas de balanço do governo algumas das mais saudáveis do mundo, ganhando reconhecimento de agências monetárias e mesmo do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, aponta a Bloomberg. De acordo com dados do FMI, a maior parte da dívida russa foi paga pelo governo de Putin. De fato, esse cuidado é refletido no novo gabinete do Presidente russo, que apontou o Chefe do Serviço de Impostos do governo, Mikhail Mishustin, para substituir o ex-primeiro-ministro Dmitry Medvedev, que pediu demissão, após as mudanças constitucionais anunciadas por Putin, em janeiro deste ano (2020).

Ora, a liderança de Putin não foi sempre linear. Gleb Pavlovsky, consultor político do Kremlin durante os primeiros 12 anos de liderança do atual mandatário presidencial da Rússia, afirma que “As pessoas pensam que se você tem um Presidente, você tem apenas uma política. Não é assim de todo. O primeiro termo de Putin não tem nada em comum com o corrente termo”. De fato, um dos primeiros passos de Vladimir Putin ao assumir a Presidência em 2000 foi em consonância com um novo realismo, projetando os interesses econômicos da Rússia, ao mesmo tempo em que reconhecia que sua imagem internacional não era positivamente elaborada, e introduzia uma política externa mais coerente, que conciliasse as visões dos Ocidentalistas (os quais defendem que a Rússia deve abrir-se para a cultura ocidental), Orientalistas (propugnam que a Rússia deve buscar mais diálogo com o oriente) e Nacionalistas.

Putin na Praça Vermelha, em Moscou, 2005

Naquele momento, essa nova vertente de fazer política fez o recém eleito Presidente cair nas graças do então presidente americano Bill Clinton, de modo que, ao se questionar o líder americano sobre a possibilidade de a Rússia juntar-se à OTAN algum dia, obteve-se a seguinte resposta: “Eu não me oponho”. Na época, acreditava-se que Putin seguiria os passos de Ieltsin e procederia com a “Ocidentalização” do país. Após oferecer suporte aos Estados Unidos em virtude do 11 de Setembro, por um breve período de tempo a relação entre EUA e Rússia estreitaram, mas as coisas tomaram um rumo diferente com a Invasão do Iraque e a revolução da Georgia (em 2003) e da Ucrânia (em 2004), que deu início a um “jogo de culpas” que segue até os dias atuais, com Estados Unidos e Rússia constantemente apontando como as políticas de cada um interfere nos assuntos domésticos do outro.

Mais recentemente, Angela Merkel (Alemanha) e Emmanuel Macron (França), embora coniventes com as sanções impostas pela União Europeia em face ao impasse da Crimeia de 2014, o qual também ocasionou a suspensão da Rússia do G8, buscam não comprometer os regalos oferecidos pelo maior país do mundo (sobretudo no campo energético e da agricultura), e o Presidente francês urge que a OTAN pare de ver a Rússia como inimiga, clamando que esta “pertence à Europa”.

Embora a Federação Russa ainda não tenha alcançado Portugal (como Putin inicialmente almejava), o padrão de vida dos russos melhorou e a expectativa de vida aumentou de 64,9 anos, em 1999, para 72,8 anos, em 2018, e a inflação caiu na faixa de aproximadamente 40% para 4%, desde a assunção de Putin ao poder. São feitos prodigiosos, considerando que a economia global sofreu vertigens e a imagem da Rússia no mundo não foi estática. Mesmo com a corrente pandemia global do Covid-19, Vladimir Putin mantém-se uma figura pragmática e imponente, lidando com os impactos de maneira resiliente e garantindo que um possível futuro termo seja melhor que o anterior, nos conformes do legado que tem deixado durante seus 20 anos à frente da Federação Russa.    

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin assume o terceiro mandato, 7 de maio de 2012” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_inauguration_7_May_2012-10.jpeg

Imagem 2 Ranking do PIB” (Fonte FMI via Bloomberg): https://www.bloomberg.com/news/features/2019-12-28/putin-s-russia-is-20-years-old-and-stronger-than-ever-or-is-it

Imagem 3 Pagamento da dívida russa” (Fonte FMI via Bloomberg): https://www.bloomberg.com/news/features/2019-12-28/putin-s-russia-is-20-years-old-and-stronger-than-ever-or-is-it

Imagem 4 Putin na Praça Vermelha, em Moscou, 2005” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Victory_Day_Parade_2005-5.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A economia russa em tempos de COVID-19

Em 26 de março (2020), foi realizado um encontro virtual extraordinário pelo grupo das vinte maiores economias do mundo (G20) para coordenar uma resposta à pandemia do Coronavírus, uma vez que a crise sanitária ameaça a economia mundial de uma recessão prolongada. Conjuntamente, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reitera medidas de contenção cada vez mais rigorosas, necessárias para retardar a propagação do Covid-19, mas adverte que ocorrerão cenários que, necessariamente, levarão a declínios significativos no PIB (Produto Interno Bruto) de curto prazo para muitas das principais economias, de acordo com suas novas projeções.

Secretário Geral da OCDE – José Ángel Gurría

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, revelou as últimas estimativas da Organização mostrando que o bloqueio afetará diretamente setores que totalizam até um terço do PIB nas principais economias. Para cada mês de contenção haverá uma perda de 2 pontos percentuais no crescimento anual do PIB.

A Federação Russa será uma das nações que terão sua perspectiva de crescimento econômico para 2020 afetada pelo desbalanceamento econômico global. A OCDE, através de seu relatório intitulado “Coronavirus: The World Economy at Risk” (tradução – Coronavírus: A Economia Mundial em Risco), cortou drasticamente sua previsão para a economia russa em torno de 25%, onde espera agora que o crescimento anual do PIB da Rússia chegue a apenas 1,2% em 2020 — abaixo dos 1,6% previstos no final de 2019.

Índice russo RTS

O relatório vem depois de uma semana histórica nos mercados financeiros, que viram bilhões de dólares serem dizimados à medida que os mercados de ações caíam. Na Rússia, o índice RTS* caiu 21% nas últimas semanas, pressionado para baixo à medida que os preços do petróleo caíam para US$ 24,63 (cotação do barril Brent em 27/03/20 – cerca de R$ 125,78**), menor valor nos últimos 17 anos. Preços mais baixos do petróleo pressionam o orçamento estatal russo, que ainda depende das exportações do óleo para uma parcela significativa de sua renda.

Reunião com Primeiro Ministro Mikhail Mishustin

A redução de 0,4 ponto percentual na previsão para 2020 para a Rússia foi proporcionalmente melhor do que a economia mundial como um todo, já que os economistas reduziram sua previsão para o crescimento global este ano de 2,9% para 2,4%. Apesar das quedas consecutivas da sua performance econômica, a Rússia se mantém otimista devido acontecimentos mundiais que consequentemente ajudarão na retomada da estabilidade econômica. Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que havia sinais de alguma estabilização no surto da Europa, com os bloqueios europeus começando a dar frutos. Enquanto isso, as autoridades monetárias e fiscais globais continuaram intensificando as medidas de alívio econômico.

A expectativa para a retomada da valorização do rublo (moeda nacional) em relação ao dólar americano é bastante esperada pelo Governo russo, depois de vários dias de negociações após seu dramático colapso assim que o país saiu do acordo de aliança petrolífera da OPEP+, no início de março.

Na última sexta feira, 3 de abril (2020), mercados financeiros do mundo, principalmente o russo, foram alimentados com a esperança de um novo acordo entre Arábia Saudita, Rússia e possivelmente EUA, a ser realizado em reunião que decidirá sobre cortes na produção de petróleo e na restauração do equilíbrio no mercado. O mercado de petróleo continua sob pressão de uma demanda em queda devido a restrições no transporte de pessoas e bens, impostas pelos governos para impedir a propagação da pandemia de COVID-19. Ao mesmo tempo, há um excesso de oferta devido à guerra de preços entre Riad e Moscou.

Para analistas financeiros, no nível global de investimentos, a atenção permanece sobre se os mercados acionários mundiais atingiram seu pior momento, ou se o recente rali para recuperação econômica é sinal de um “salto de gato morto”, ou seja, uma mini recuperação antes de uma queda contínua. Oliver Brennan, da T.S. Lombard, em uma nota de pesquisa publicada na quarta-feira (01/04/20), destaca como a incerteza sobre a disseminação do vírus e potenciais infecções, particularmente nos EUA, não deve justificar o otimismo do mercado ainda.

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Nota:

* O RTS Index (RTSI) é um índice sobre ações das 50 maiores empresas russas (à data de 17 de março de 2017) que são negociadas na Bolsa de Valores de Moscou (RTS Stock Exchange). A lista de ações que compõem o índice é revista trimestralmente pelo Comité de Informação do RTS. O índice foi criado com uma base 100, correspondente à capitalização das suas componentes no dia 1o de setembro de 1995. O mínimo histórico foi de 37,74 pontos no dia 5 de outubro de 1998 e o máximo histórico foi de 2.498,10 no dia 19 de maio de 2008.

** Cotação do dólar do mesmo dia – 1US$ = R$ 5,1066.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tela digital COVID19” (Fonte): https://www.imf.org/en/Topics/imf-and-covid19/Policy-Responses-to-COVID-19

Imagem 2 Secretário Geral da OCDE José Ángel Gurría” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/JoséÁngel_Gurría#/media/File:Angel_Gurria-World_Economic_Forum_Annual_Meeting_2012(cropped).jpg

Imagem 3 Índice russo RTS” (Fonte): https://www.bloomberg.com/quote/RTSI$:IND

Imagem 4 Reunião com Primeiro Ministro Mikhail Mishustin” (Fonte): http://government.ru/en/news/39327/

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

O significado do Brexit para a Ucrânia

Muito se especulou sobre as consequências para a União Europeia após a saída do Reino Unido, o chamado Brexit[1], mas seus reflexos vão além desse Bloco econômico, em especial para países vizinhos como a Ucrânia. Além disso, o distanciamento do Reino Unido tem uma dimensão que não é meramente econômica, afetando a Segurança e a Defesa do continente.

A combinação de crise com o crescente euroceticismo[2], e a necessidade de maior rigor na proteção às fronteiras devido aos fluxos de pessoas e mercadorias, reacende e fortalece movimentos nacionalistas com uma base xenofóbica na Europa. Nesse contexto, países da chamada “periferia europeia”, o que inclui economias menos prósperas do Mediterrâneo, além da Europa Oriental, e fatores de stress geopolítico – como a guerra na Síria – obrigam Bruxelas a identificar prioridades para manter a integridade da União Europeia.

Em termos globais, as disputas comerciais entre Estados Unidos e China, as crises de pandemias por conta de novas doenças que surgem, como o atual Covid-19, e conflitos nas bordas do continente europeu, tornam a situação muito complexa para sugerir quaisquer previsões futuras. Para a Ucrânia, a necessidade de tecer acordos com novos parceiros globais, como o Reino Unido, agora separado do bloco europeu, é urgente. Com a considerada ameaça russa no leste do país, aliada às instabilidades da União Europeia, dividida entre se expandir criando um ambiente de integração e harmonia vs. sua necessidade de segurança e protecionismo, não é criada uma visão segura para a política externa ucraniana. Embora o Brexit seja um afastamento radical de uma organização de longa data e história, a União Europeia, os políticos ucranianos podem usá-lo a seu favor para desenvolver ainda mais as relações britânico-ucranianas, sobretudo para atração de mais investimentos ao país.

COMÉRCIO

comprometimento como aliado do Reino Unido com a Ucrânia existe desde sua independência em 1991 e, provavelmente, será preservado. As regras comerciais, por sua vez, serão mantidas durante o ano de 2020, sofrendo alterações somente em 2021. Juntamente com Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Egito, Rússia e China, o Reino Unido é um dos mais importantes consumidores de alimentos mundiais, comprando mais da metade do que consome. Com sua saída da União Europeia, o Reino Unido poderá obter mais alimentos, particularmente, aves, milho, trigo, malte, sucos e mel da Ucrânia, sem os custos que eram impostos aos exportadores.

Como a União Europeia é um Bloco exportador de alimentos, com restrições à importação de produtos de fora, sua prioridade é proteger agricultores alemães e franceses. Dessa forma, o Brexit é uma grande oportunidade para que um país como a Ucrânia, exportador de itens agropecuários, possa ganhar mercado dentre os consumidores britânicos.

O Reino Unido absorve 42% das exportações metalúrgicas da Ucrânia, 18% dos derivados animais, 13% dos produtos agrícolas e 7,5% dos alimentos. A importação desses itens vai além do consumo humano, pois a criação de bois, cordeiros, porcos e a produção de laticínios, cerca de 2/3 do setor primário[3], dependem dos grãos ucranianos para fabricação de ração. Para manter os benefícios e ampliar o volume de trocas, ambos os países têm que agilizar seus acordos. Os ganhos de produtividade para os britânicos na produção de ração e laticínios apresentam grande potencial a ser explorado, sobretudo agora que as taxas aos produtos importados para proteção dos equivalentes alemães e franceses não irão mais existir.

As exportações da Ucrânia para o Reino Unido totalizaram US $ 580,4 milhões[4] até novembro de 2019 e as importações US $ 638,5 milhões[5]. Dentre os produtos importados pelo Reino Unido destacam-se minérios, como o ferro e derivados, caso do aço, além de milho, óleo e gorduras. Estima-se que o potencial total para negociar chegou a US $ 918 milhões[6], segundo dados de 2017, sendo que, no mesmo período, US $ 500 milhões[7] foram exportados, ou seja, há muito espaço para crescer. Segundo um estudo feito em 2017, o impacto econômico no comércio entre Ucrânia e Reino Unido com a assinatura de um Acordo para a construção de uma Área de Livre Comércio, com base em dados de 2013-2016, levaria a um aumento de cerca de US $ 0,5 milhão[8] em reduções e US $ 335 milhões[9] em cotas tarifárias.

Por outro lado, como a Ucrânia já está negociando com o Bloco europeu, a forma como se estabelecerá o comércio entre ela e o Reino Unido pode ser um obstáculo. As oportunidades criadas vão depender do formato final do acordo entre as partes. Se ainda não houver nenhum consenso entre Reino Unido e União Europeia, as relações comerciais entre ambos serão reguladas pela Organização Mundial do Comércio, com mais regulamentações e tarifas. E por mais estratégico que seja o mercado britânico, é importante que a Ucrânia não perca de vista o potencial de importação e consumo da União Europeia, que abarca mais de 440 milhões de habitantes.

MIGRAÇÃO

Um dos pontos chaves é a questão da migração. As novas regras para migrar ao Reino Unido devem ser efetivadas em 1º de janeiro de 2021. Dentre as mudanças mais drásticas está a atribuição de pontos para selecionar imigrantes que desejam trabalhar no seu território, o que pretende beneficiar a mão de obra especializada em áreas de maior demanda.

O antigo programa de isenção de vistos entre a Ucrânia e o Reino Unido se dava através das regulamentações da União Europeia e, necessariamente, sofrerá revisão. Como Kiev já tomou a iniciativa de liberar vistos para os cidadãos britânicos até 2021, agora espera por reciprocidade do Reino Unido.

UNIÃO EUROPEIA

Os britânicos foram aliados particularmente importantes no apoio à entrada da Ucrânia na União Europeia, que, agora, terá de procurar novos parceiros para atingir o objetivo de ingressar no Bloco. Independentemente da presença ou não do Reino Unido, o que dificulta o ingresso da Ucrânia se deve mais às crises geradas pelos casos recorrentes de corrupção e a guerra no leste.

Putin, Macron, Merkel e Zelensky, 2019

O combate à corrupção é um dos pontos nevrálgicos para participação na União. Em 2018, os parlamentares europeus adotaram uma emenda ao Projeto de Lei sobre Sanções e Lavagem de Dinheiro da Lei Magnitsky, que prevê o congelamento de bens e sanções para violadores dos direitos humanos. A formulação de políticas para os negócios e esforços no combate à corrupção são, praticamente, pré-condições para atração de investimentos britânicos ao país.

SEGURANÇA E DEFESA

O Reino Unido foi um forte apoiador da Ucrânia contra a Rússia[10]. Apesar do temor pelo seu afastamento dos assuntos continentais, o país sempre teve um intenso compromisso contra as agressões aos vizinhos do Bloco europeu. No que tange à Rússia, por exemplo: “Hoje, dificilmente é possível falar sobre qualquer influência significativa da Rússia na política externa de Londres no contexto do apoio à Ucrânia. A Grã-Bretanha imediatamente apoiou a Ucrânia após a anexação da Crimeia e a agressão no Donbass e mudou muito sua política em relação a Moscou, defendendo uma dura política de sanções contra o Kremlin, expulsando a Rússia do G7 e congelando os mecanismos de cooperação bilateral”.

Zelensky em visita à Bruxelas, 2019

Existe, no entanto, a percepção de que, com o Brexit, um aliado na defesa contra a Rússia se foi. Emmanuel Macron já fala em incorporar a Rússia através de um espaço comercial integrado à União Europeia e Angela Merkel é contra as sanções aplicadas às empresas responsáveis pela construção do gasoduto Nord Stream II[11]. Com tantos interesses econômicos favoráveis à Federação Russa na União Europeia, e seu território fragmentado devido à guerrilha fomentada por Moscou, as políticas para a defesa da Ucrânia perderam força. Se uma maior fragmentação da Europa seria um presente para Vladimir Putin, o euroceticismo mostra-se uma força interna que fomenta esta divisão e isto representa um risco para a Ucrânia com a perda de apoio para enfrentar agressões externas: “O Brexit é, sem dúvida, a vitória dos eurocéticos e o golpe para os euro-otimistas, o que causará dificuldades políticas significativas em primeiro lugar para os países da Europa Oriental. Sabe-se que Londres sempre atuou como advogada e parceira da Europa Oriental – Polônia, países bálticos, Escandinávia. (…). Além disso, o Brexit provavelmente desencadeará uma reação em cadeia quando os eurocéticos começarem a agitar as coisas e levantar questões políticas sobre referendos. Nesse caso, Dinamarca, Países Baixos e possivelmente Suécia serão os próximos a deixar a UE”.

Embora o Reino Unido nunca tenha participado ativamente do grupo de discussões para a paz na Ucrânia, o chamado Formato da Normandia[12], sempre foi um aliado próximo, sobretudo após a anexação da Crimeia pela Rússia. No passado, Londres apoiou reformas promovidas por Kiev na modernização do Estado, agora Kiev vai precisar desenvolver a cooperação com outros países, demonstrando a capacidade de seu Ministério das Relações Exteriores.

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Notas:

[1] Brexit é um acrônimo para “British exit”, que significa, em uma tradução literal para o português, “saída Britânica”. A expressão se refere ao processo de saída do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte da União Europeia, após 47 anos como membro.

[2] Euroceticismo, diz-se do sentimento de ceticismo em relação aos propósitos, premissas e desempenho da União Europeia. Há neste movimento desde visões econômicas mais liberais contra as ordens e regulamentações do establishment burocrático europeu, até movimentos díspares, antiliberais, e nacionalistas saudosos de uma ordem política anterior e de matizes protecionistas e isolacionistas na política externa.

[3] Setor Primário da Economia corresponde ao setor mais antigo, extrativismo (mineral, animal, vegetal), agricultura e pecuária.

[4] 3,021 bilhões de reais, no câmbio de 31 de março de 2020.

[5] 3,323 bilhões de reais, no câmbio de 31 de março de 2020.

[6] 4,778 bilhões de reais, no câmbio de 31 de março de 2020.

[7] 2,602 bilhões de reais, no câmbio de 31 de março de 2020.

[8] 2,6 milhões de reais, no câmbio de 31 de março de 2020.

[9] 1,743 bilhões de reais, no câmbio de 31 de março de 2020.

[10] A Ucrânia se situa entre dois principais atores do cenário geopolítico e geoestratégico, a União Europeia/Otan e a Federação Russa, está muito mais próxima, não só geograficamente falando. Como um de seus principais aliados não se encontra mais na União Europeia, resta a Kiev costurar uma nova política externa que busque sustentação e crescimento econômicos. Uma parte disto se encaminha com os acordos feitos fora do continente europeu, seja com a Turquia, seja com Omã e, agora, com o Reino Unido. Se Kiev conseguir fazer o mesmo com Bruxelas, poderá ser um dos sócios preferenciais do bloco econômico, mas, nesse jogo, o difícil será não sofrer nenhuma influência contrária e indireta de Moscou, já que a Alemanha de Merkel e a França de Macron parecem cansar do cabo de guerra com o gigante do leste. Não se trata de uma opção fácil, pois a Europa também necessita muito do gás russo. Kiev tem pressa e a diplomacia ucraniana vai ter que ser ágil o suficiente para compensar qualquer possível perda com os europeus. A Ucrânia é um país com muito potencial econômico, dado por sua demografia, localização estratégica, recursos, solos etc. O que ela necessita é um poder de articulação para criar interdependências entre outros Estados dentro e fora da Europa. Sua autonomia, segurança e paz estão cada vez mais ligadas ao conceito de globalização.

[11] Nord Stream 2 é uma nova linha de transporte de gás da Rússia, através do Mar Báltico, diretamente para seus consumidores europeus. O projeto, implementado pela estatal russa, Gazprom, deverá ser concluído ainda este ano, 2020.

[12] Formato Normandiafoi um encontro diplomático entre os quatro representantes da Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, para apaziguar a crescente guerra no Donbass. Levou esse nome por ocorrer em 6 de junho de 2014, paralelamente às comemorações do desembarque na Normandia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Brexit” (Fonte):  https://www.wallpaperflare.com/breakdown-brexit-britain-british-economy-eu-euro-europe-wallpaper-ecjaz/download/1920×1080

Imagem 2 “Putin, Macron, Merkel e Zelensky, 2019” (Fonte): https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Putin,Macron,_Merkel,_Zelensky(2019-12-10)_01.jpg

Imagem 3 “Zelensky em visita à Bruxelas, 2019” (Fonte): https://ar.m.wikipedia.org/wiki/%D9%85%D9%84%D9%81:Volodymyr_Zelensky_visits_Brussels_2019.j

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Coronavírus: um novo risco nas regiões de conflito do Oriente Médio

Em meio à preocupação com a crise sanitária causada pelo Covid-19 em todo mundo, observada a velocidade de contágio e o número de vítimas que a doença causa (com mais 710 mil casos e 33 mil mortos, confirmado em 29 de março de 2020, segundo o Centro de Pesquisas do Coronavírus da Universidade Johns Hopkins), existe também uma preocupação crescente em como lidar com a doença em zonas de conflito.

Mesmo com cidades enfrentando rigorosas quarentenas e com a construção de unidades de saúde para atender aos casos mais graves, países mais ricos têm enfrentado grandes dificuldades em conter as consequências da pandemia.

Em zonas de conflito, a dificuldade em conter a doença se soma a problemas cotidianos, como a falta de recursos, infraestrutura e mesmo decisões sobre aspectos logísticos para que agentes humanitários possam operar no campo.

Casos de coronavírus foram confirmados no Afeganistão, Líbia, Palestina e Síria, gerando a preocupação de um grande número de contágios, que poderia acrescentar ainda mais complexidade a uma já preocupante realidade. Ainda que em uma situação não tão crítica e que outros problemas pareçam mais imediatos, a possibilidade de uma pandemia pode acrescentar mais complexidade ao cenário.         

Nas regiões em crise política que estão controladas por governos estabelecidos, algumas medidas já foram tomadas. Por exemplo, desde o dia 23 de março, o governo da Síria implementa medidas de distanciamento social, fechando espaços públicos, e aplica esterilização nas cidades que controla. As universidades e escolas no país foram fechadas a partir do dia 13 de março para prevenção. O governo também controlou preços de determinados produtos para prevenir desabastecimento.

Entretanto, nas regiões de conflito e disputa pelo controle territorial, o risco de contaminação gera mais dificuldades para que governos e organizações internacionais continuem provendo a ajuda regularmente ofertada. Aliado a problemas estruturais destes países, as consequências podem ser dramáticas para as mais de 100 milhões de pessoas que, segundo a Organização das Nações Unidas, vivem em regiões de conflito e emergência humanitária.

Em Idlib, no noroeste da Síria, o International Rescue Committee identificou pelo menos 85 ataques a hospitais nos últimos 12 meses até o dia 23 de março. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2016 e 2019 ocorreram em 494 instalações de saúde na Síria.

O Enviado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Síria, Geir Pedersen, alertou que “existe uma carência de equipamento médico necessário e profissionais de saúde”, nesse sentido, uma pandemia deve sobrecarregar um sistema de saúde que já enfrenta grandes desafios.

Além das pessoas que vivem em regiões afetadas por conflitos, a Síria possui 6 milhões de refugiados internos, vivendo em situação de precariedade e que apresentam um grupo de risco para o contágio.

Agente humanitário mede a temperatura de transeunte no Noroeste da Síria

No caso palestino, a Autoridade Nacional Palestina impôs severas restrições para o trânsito entre cidades após a confirmação de casos na região. Ressalte-se que vários países no Oriente Médio e norte da África restringem o trânsito entre suas fronteiras. Estas ações cumprem com as medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para conter o alastramento da pandemia.

No entanto, com restrições à mobilidade, organizações humanitárias têm enfrentado dificuldade em fazer com que remédios e outros mantimentos que são transportados entre fronteiras cheguem às regiões mais carentes. Segundo o Middle East Monitor, um porta-voz do International Rescue Committee afirmou que “a habilidade de muitas organizações humanitárias em atender as necessidades de saúde nos campos de refugiados (…) já foi comprometida”.

O diretor do Conselho de Refugiados da Noruega, Jan Egeland, afirmou que “muitas pessoas dependem da assistência humanitárias”, acrescentando que “se farmácias e supermercados devem permanecer funcionais durante a crise, a entrega de ajuda humanitária também deveria”.

No dia 23 de março, o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou em um pronunciamento que um cessar fogo global é vital para que o mundo possa enfrentar o risco que a pandemia apresenta.

A combinação entre os conflitos e perigo de contaminação dificulta o acesso às áreas de risco e pode criar um cenário onde não haja controle sobre a disseminação da doença. O Secretário Geral da ONU também enviou cartas aos líderes do G20 requisitando apoio para tomar ações em áreas críticas.

Além disso, a ONU lançou na quarta-feira, 24 de março, um programa de ajuda humanitária que destinará 2 bilhões de dólares (cerca de 10,22 bilhões de reais, segundo cotação do dia 27/03) para os países que apresentam instabilidade e necessitam de recursos. Ainda assim, o fundo que deve ser destinado a 53 países não representa um montante alto, frente ao que países têm investido para mitigar a pandemia, e não possui uma data precisa para ser liberado aos que são necessitados.

A operação para mitigar problemas cotidianos em áreas de conflito já é particularmente desafiadora fora de uma crise global. Atualmente, países ricos já se encontram sobrecarregados com a administração de seus problemas domésticos, o que torna o processo de gerir a crise sanitária em zonas de conflito muito difícil, pois não há perspectiva de alocar recursos ou mesmo de dedicar tempo a tomar decisões importantes, como estabelecer uma logística funcional para trabalhadores humanitários se deslocarem entre cidades e países.

Entretanto, é necessário observar que o custo em vidas humanas deve ser extremamente alto em regiões já afetadas pelos conflitos. Somente no noroeste da Síria, mais de 100 mil mortes pelo Covid-19 são projetadas sem medidas de contenção. Uma pandemia afetando essas localidades torna muito difícil abrandar efeitos de conflitos futuramente.

Existe a possibilidade de que esta região se converta em um novo foco a ser combatido da epidemia do Covid-19, que pode, inclusive, se alastrar e voltar a afetar a Ásia e a Europa, sendo esses impactos futuros que devem também ser calculados para considerar uma ajuda às regiões necessitadas, mesmo em um momento de grande dificuldade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Agente da Defesa Civil Síria, conhecidos como Capacetes Brancos, desinfeta uma tenda em um campo de refugiados no país” (FontePágina Oficial da Defesa Civil Síria no Twitter, @SyriaCivilDef): https://twitter.com/SyriaCivilDef/status/1243995925082714114/photo/1

Imagem 2Agente humanitário mede a temperatura de transeunte no Noroeste da Síria” (FontePágina oficial do International Rescue Committee no Twitter @RESCUEorg): https://twitter.com/RESCUEorg/status/1242904102197178374/photo/1