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SIPRI: a modernização de armas nucleares continua

Passados mais de 70 anos dos holocaustos de Hiroshima e Nagazaki, a visão de um mundo sem armas nucleares continua muito distante. Em seu relatório anual, recentemente lançado, o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Stocolm International Peace Research Institute – SIPRI) criticou o desenvolvimento contínuo de novas armas nucleares.

O ano passado (2017) foi um ano especial para aqueles a favor do desarmamento nuclear. Um total de 122 líderes mundiais se alinhou para assinar o Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares (TPAN), se comprometendo a não produzir ou possuir tais armamentos. No entanto, os efeitos desse compromisso ainda não foram notados no sentido de se atingir a meta de um mundo livre de armas atômicas.

Sede do SIPRI em Solna

Segundo as últimas estimativas do SIPRI, ainda existem 14.465 artefatos nas mãos de apenas nove Estados: EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Embora internacionalmente esses nove países sejam minoria, eles não têm absolutamente nenhuma intenção de abrir mão de seus arsenais. Embora o número total neste ano (2018) tenha caído ligeiramente em comparação com o ano anterior, as armas existentes foram modernizadas. Isso significa que as mais antigas estão sendo substituídas, algumas delas na verdade têm 40 ou 50 anos de idade, mas novas armas nucleares também estão sendo desenvolvidas com novas capacidades e novas funções técnicas.

Teste de lançamento de um ICBM Minuteman III

O governo dos EUA confirmou o desenvolvimento de modernos armamentos atômicos em fevereiro, quando publicou uma versão atualizada de sua Revisão da Postura Nuclear. Isso também afeta a Alemanha: embora não tenha armamentos nucleares próprios, como membro da OTAN está sob a proteção do escudo nuclear dos Estados Unidos. Cerca de 20 bombas nucleares B61 são armazenadas na região de Eifel e, nos próximos anos, serão substituídas por outras mais modernas, que podem ser orientadas com precisão para um alvo específico.

Os Estados Unidos estão investindo muito na modernização de seu arsenal nuclear. Até 2026, planeja gastar US$ 400 bilhões (€ 344 bilhões). No entanto, países menores como a Índia e o Paquistão também estão envolvidos em uma espécie de “corrida armamentista estratégica”. Ambos estão desenvolvendo novos artefatos e ampliando suas capacidades de produção de material físsil. As armas atômicas continuam sendo um elemento central das estratégias de defesa nacional das potências nucleares.

Em vista das atuais tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, não está claro como os acordos internacionais de controle de armas nucleares serão eficazes no futuro. O que preocupa no momento é o fato de que a relação político-estratégica entre os dois entrou em colapso e, ressalte-se, ambos possuem 92% de todos os armamentos do gênero.

Decreto assinado por Kim Jong-Un autorizando o teste de uma suposta Bomba de Hidrogênio

Isso também afeta o controle de armas. Quando acordos importantes de desarmamento, como o tratado New Start, expirarem nos próximos anos, os especialistas temem que novos tratados não sejam feitos para substituí-los. Não haveria, portanto, limitações sobre os arsenais. Estamos claramente nos afastando da visão de Barack Obama de 2009, exposta no seu famoso “Discurso de Praga”, sobre um mundo livre de armas nucleares.

Um recente desenvolvimento em particular desperta inquietude: os avanços técnicos que a Coreia do Norte demonstrou em suas armas nucleares e testes de mísseis balísticos de longo alcance nos últimos 12 meses. Resta saber se o encontro entre o líder norte-coreano Kim Jong-Un e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realmente levará ao desarmamento nuclear norte-coreano. É porem um fato incontestável que a reunião abriu as portas para novas medidas de construção de confiança.

Em seu relatório anual de 2018, os pesquisadores do SIPRI reuniram outros dados que destacam a tensa situação política em relação à segurança global. Mais recursos foram gastos com Forças Armadas em 2017 do que em qualquer momento desde o final da Guerra Fria. O total de gastos militares em todo o mundo subiu para 1,739 trilhão de dólares, ou seja, 230 dólares para cada pessoa na Terra. Em 2016, os gastos foram de US$ 227 per capita. Os Estados Unidos ainda têm o maior orçamento de Defesa que qualquer país, US$ 610 bilhões, seguido pela China, Arábia Saudita e Rússia.

A razão para este fato foi o aumento dos gastos militares em algumas regiões, não todas, do mundo. O aumento no leste da Ásia é particularmente impressionante: a China, por exemplo, elevou seu orçamento de Defesa em 5,6% indo para 228 bilhões de dólares. Na Europa, o quadro é mais variado: os países da Europa Oriental gastaram consideravelmente menos com as Forças Armadas em 2017 do que no ano anterior, mas na Europa Central e Ocidental os gastos com Defesa subiram.

De acordo com o SIPRI, outra tendência também está em ascensão: o comércio global de armas aumentou significativamente nos últimos dez anos depois de atingir seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria, no início dos anos 2000. Depois dos Estados Unidos, Rússia e França, a Alemanha é o quarto maior exportador mundial de armas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) após a queda da Little Boy e sobre Nagasaki, após o lançamento de Fat Man” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki#/media/File:Atomic_bombing_of_Japan.jpg

Imagem 2 Sede do SIPRI em Solna” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Stockholm_International_Peace_Research_Institute#/media/File:SIPRI_building.jpg

Imagem 3 Teste de lançamento de um ICBM Minuteman III” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos_e_as_armas_de_destruição_em_massa#/media/File:Minuteman3launch.jpg

Imagem 4 Decreto assinado por Kim JongUn autorizando o teste de uma suposta Bomba de Hidrogênio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_nuclear_norte-coreano_de_janeiro_de_2016#/media/File:Kim_Jong-un%27s_initial_order_on_H-bomb_test.jpg

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Além do Esporte: negócios do futebol mexem até mesmo com a geopolítica da região

Passados pouco mais de cinco meses da apresentação de Neymar Jr. no Paris Saint-Germain (PSG), transação recorde que abalou o mercado do futebol por atingir a cifra de 222 milhões de euros – aproximadamente, R$ 840 milhões –,as consequências vão além de apenas uma ação de marketing e melhores resultados em campo. A mudança do craque brasileiro atrai o foco e dirige a atenção de olhares atentos a um dos problemas mais graves que a Europa vem enfrentando na última década: os ataques terroristas.

Homenagem às vítimas mortas no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Bichat

Em novembro de 2015, a capital francesa sofria uma série de atentados iniciada justamente nas proximidades do Stade de France, onde o então presidente François Hollande acompanhava de perto a partida entre as seleções de França e Alemanha – terminada com o placar de 2 a 0 em favor do time da casa. Hollande foi prontamente evacuado pela sua equipe de seguranças, mas não foi possível impedir que um homem-bomba detonasse seu colete de explosivos na entrada do estádio, culminando em 5 mortos e 10 feridos. Os números finais desta noite de devastação somaram pelo menos 128 mortos e 180 feridos.

O Estado Islâmico (EI) reivindicou imediatamente a autoria destes crimes, o que mobilizou as lideranças internacionais e trouxe à tona o debate sobre o combate às ameaças terroristas. A França tem se colocado como um dos atores mais críticos e atuantes contra a expansão do terrorismo fundamentalista e, talvez, seja este o principal motivo pelo qual foi selecionada como alvo dos ataques. O palco da primeira explosão também foi friamente escolhido, aproveitando-se da popularidade do futebol, dos milhares de espectadores presentes e da transmissão da partida ao vivo para os demais países.

Agora, este esporte volta a ser tema estampado nas capas dos jornais franceses e estrangeiros ao destacar a importância dos gols e assistências deste reforço de peso. Também exaltam a contribuição do camisa 10 para guiar o PSG a manter-se na liderança da Ligue 1, campeonato nacional (com a vantagem de 9 pontos para o segundo colocado, contabilizando os resultados até a décima nona rodada), e seguir avançando no grupo dos times de elite que disputam a Liga dos Campeões da UEFA (atualmente classificado para as oitavas de final, que começará a ser disputada em 13 de fevereiro de 2018, com o PSG jogando a partida de ida no dia 14). Os próximos duelos nestas competições são contra Nantes e Real Madrid, respectivamente.

A esperança de um novo amanhã

Vale lembrar que estamos em contagem regressiva para o maior evento esportivo entre seleções de futebol do mundo: a Copa da Rússia FIFA 2018, com abertura marcada para o dia 14 de junho. Tal proximidade eleva os rumores e a preocupação com a possibilidade de testemunharmos novamente outras investidas do EI contra o continente europeu através de sua estratégia terrorista, utilizando-se até mesmo de ameaças contra a integridade dos próprios jogadores profissionais durante o torneio, conforme já veiculado recentemente pelo grupo em suas propagandas ofensivas.

Vladimir Putin, Presidente anfitrião, assinou um decreto em maio do ano passado (2017) que reforça as medidas de segurança por meio de zonas restritas de voos e navegação durante a Copa do Mundo, assim como foi testado e aprovado na Copa das Confederações 2017, cuja campeã foi a seleção da Alemanha, ao superar o Chile por 1 a 0.

Enquanto isso, o general Alexander Bortnikov, atual diretor do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (FSB), em entrevista à revista Rossiyskaya, alega que todos os esforços de cooperação internacional estão sendo feitos – tanto em âmbito bilateral, como multilateral – para neutralizar as ameaças terroristas e garantir a segurança.

De acordo com ele, foram impedidos 23 atos de terrorismo apenas em 2017, graças à “oposição sistemática de uma ampla gama de estruturas competentes”. Mais à frente, reitera sua posição ao afirmar que “a experiência acumulada de interação será usada para garantir a segurança dos importantes eventos internacionais que se realizarão em nosso país, especialmente a próxima Copa do Mundo na Rússia”.

O sinal de alerta segue ligado e o que vemos, apesar das nítidas divergências da política externa russa com os demais governos ocidentais, é um alinhamento supranacional tendo como plano de fundo a integridade e a segurança da Copa do Mundo. Mais uma vez, o futebol se coloca como ferramenta de união e fortalecimento entre as nações, valendo-se da projeção midiática para transmitir ao mundo uma clara mensagem de força soberana, capacidade inabalável de superação e resiliência contra o “inimigo invisível”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Apresentação de Neymar Jr.” (Fonte):

https://www.psg.fr/img/image/upload/t_image_1290x725,q_auto/gm4fxwo4y4fnn3rweyix

Imagem 2 “Homenagem às vítimas mortas no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Bichat” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/09/Paris_Shootings_-_The_day_after_%2823011898735%29.jpg

Imagem 3 “A esperança de um novo amanhã” (Fonte):

https://www.psg.fr/img/image/upload/t_image_1290x725,q_auto/rn5pqqnqdncfegeyyaht

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalParadiplomacia

Smartcity III, o profissional do setor

Os projetos de Smartcities são uma tendência crescente no cenário internacional e nacional. Ainda assim, existem diversas dúvidas em relação a natureza desses projetos e aos órgãos implicados, bem como aos profissionais que atuam no setor.

Alguns centros de formação no Brasil já oferecem instrução na área, porém, apesar da excelente qualificação dos professores, poucos são os que realmente possuem experiência profissional ou empírica, refletindo novamente as próprias dúvidas que geram os projetos de Smartcity.

Inovação, tecnologia e política são os setores nos quais os centros acadêmicos concentram sua oferta formativa, o que acaba limitando todo o potencial da área e gera uma especialização excessiva e perniciosa, já que, mesmo sendo importante contar com profissionais qualificados para a gestão desses projetos, os mesmos não podem ser limitados a apenas algumas áreas.

É vital compreender que o projeto de uma cidade inteligente envolve a todos os profissionais que atuam nas dinâmicas internas e intrínsecas da cidade, pois é dessa interação entre os diferentes atores presentes no espaço urbano que surge a inteligência e conhecimento para promover mudanças reais e obter resultados. De forma que é preciso separar a figura do especialista ou gestor de projetos de Smartcity dos demais profissionais que participam ativamente dos projetos Smart e que são de outras áreas.

Um médico pode estar envolvido em um projeto de Smartcity da mesma forma que um advogado ou um funcionário público, pois todos formam parte da dinâmica da cidade e todos podem contribuir para a implementação de novos processos, desenvolver novas soluções, gerar sinergia com outras áreas, gerar inteligência. 

BID – Smartcities

Os setores nos quais se desenvolvem as ações dos projetos de Smartcity (E-government, E-Health, inovação, meio ambiente, energias renováveis, mobilidade etc.) contemplam essa multidisciplinaridade e dependem da mesma, de modo que todo profissional pode atuar em um projeto de Smartcity.

No caso daqueles que desejam atuar na gestão ou como especialista em projetos de Smartcity é fundamental reiterar a necessidade de uma visão global, multidisciplinar e integradora, além da capacidade de planejamento a longo prazo.

Mais do que formação, o profissional deve compreender as dinâmicas que existem na cidade, suas interações, reconhecer seu potencial, seus desafios, deve possuir ferramentas capazes de lhe colocar em contato com a inteligência gerada pelos atores e fatores próprios da cidade.

Cursos são importantes para lhe oferecer formação teórica sobre o assunto, além de lhe proporcionar ferramentas e metodologias científicas de análises quantitativas e qualitativas. Porém, a visão do implicado em relação a sua cidade e suas dinâmicas e processos é um fator chave nessa transformação derivada dos projetos de Smartcity, já que da mesma pende a diferenciação entre uma intervenção isolada e uma dinâmica inteligente que irá impactar em toda a cidade.

Projeto de ação Smartcity

O profissional interessado em projetos de Smartcity deve conhecer vários fatores, a citar: conhecer bem a economia da região analisada, suas dinâmicas (social, política, cultural), fatores externos e internos que impactam na mesma, dentre vários. Dessa forma, ele pode desenvolver a intervenção indicada, a qual pode ser um projeto de startup, uma parceria pública privada, um curso de formação, a criação de um cluster das empresas locais, a inovação de uma tramitação pública, a gestão de uma política pública ou de um projeto privado etc. Tudo depende do nível de participação e da área de atuação do mesmo. Caso seja um gestor, seu papel será justamente o de organizar, desenvolver e fomentar esses fluxos inovadores que existem ou que podem vir a existir.

Ao contrário do que muitos acreditam, os projetos de Smartcity não são projetos unicamente focados na política, inovação, tecnologia ou engenharia, mas projetos cuja multidisciplinaridade é fundamental. Não é um setor para especialistas exclusivos, mas sim para todos aqueles que saibam integrar, promover, estimular, criar um projeto funcional, transformando as dinâmicas de uma cidade em um processo inteligente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Foto de Smartcity” (Fonte):

https://www.pexels.com/search/smart%20city/

Imagem 2BID Smartcities” (Fonte):

http://servicesaws.iadb.org/wmsfiles/images/0x0/-39723.jpg

Imagem 3Projeto de ação Smartcity” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Smart_City_Roadmap_by_Dr._Sam_Musa.jpg

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

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Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para a internacionalização das empresas, reiterando que o conceito de internacionalizar uma organização não é apenas a realização de uma transação internacional (comércio exterior), mas um processo de adaptação da mesma para sua inserção no mercado internacional.

Desenvolver uma estratégia de mercado é fundamental nesse processo, além de preparar a empresa em todas as suas esferas. Desde o produto aos recursos humanos, toda a infraestrutura da empresa deverá se adaptar a essa nova realidade, mas muitas corporações não sabem quais são os primeiros passos que devem realizar e como devem proceder perante essas mudanças.

Cabe ressaltar que a aprendizagem empresarial é algo fundamental para o processo de internacionalização e que as empresas devem estar dispostas a realizar as mudanças necessárias, ao mesmo tempo que devem adaptar suas atividades, seus valores e seus objetivos à realidade internacional. Aquela que não realiza essas adaptações está condenando o futuro de todos seus projetos e limitando suas próprias possiblidades.

Atuar no mercado internacional é como começar do zero. Um novo mercado, uma nova legislação, padrões de consumo distintos, uma nova realidade. Nesse sentido, a informação se transforma em um recurso importante, assim como a capacidade de absorção das empresas.

Certo é que cada setor possui suas próprias características e que muitas delas irão se refletir ao longo do processo de internacionalização, porém existe uma série de passos que toda empresa pode realizar para facilitar o processo, dentre os quais podemos destacar:

– Definir metas e objetivos: uma empresa que deseja desenvolver uma estratégia internacional deve ter muito claro quais são seus objetivos. Embora seja importante a busca de novas oportunidades ao redor do mundo, ela deve manter sempre o controle de seus objetivos e, dessa forma, não ceder aos ditados do mercado internacional.

– Buscar orientação e assessoria: A empresa dificilmente irá conseguir realizar o processo de internacionalização sem a orientação de um profissional especializado ou de uma assessoria externa. Existem organismos tanto públicos quanto privados que lhes auxiliam durante todas as etapas do processo de internacionalização.

– Adaptação da empresa: Uma organização que deseja se internacionalizar deve se adaptar à realidade internacional. Precisa disponibilizar sua página web, catálogos e apresentações em um segundo idioma, pois é algo prioritário para se apresentar ao mundo; tem de capacitar seus recursos humanos na aprendizagem de uma nova língua, ou realizar a contratação de novo pessoal; deve avaliar os processos internos e como estes serão afetados pela internacionalização da empresa; além disso, adaptar seus valores, objetivos e a missão da empresa a nova realidade; bem como de ampliar sua rede de informações e networking.

– Benchmarking: Conhecer a atuação de outras empresas do setor no mercado internacional pode ser importante. Da mesma forma, é fundamental conhecer a atuação das empresas do setor nos países ou nos mercados que deseja acessar. A corporação não pode se alimentar somente das informações cedidas pelas assessorias e por órgãos oficiais, ou por publicações, é necessário que a mesma realize diversas prospecções de mercado – que podem ser orientadas pelo consultor ou assessor que está lhe auxiliando no processo de internacionalização – sendo esta uma forma de obter uma perspectiva personalizada do mercado internacional.

Essa ferramenta será importante não somente na adaptação da empresa, mas também no processo de reconhecimento do mercado e das especificidades da demanda. As missões empresariais realizadas por algumas empresas, consultorias e agências públicas são eficientes nesse sentido, já as feiras de negócios possuem um caráter mais comercial, embora também sejam uma fonte importante de conhecimento de mercado.

– Buscar orientação jurídica: Uma empresa deverá realizar uma série de adaptações para poder atuar no mercado internacional. Cada país possui suas próprias exigências, assim como as autoridades brasileiras possuem ferramentas próprias destinadas às empresas que operam no exterior. Desde a exportação, à remessa de dividendos, todos esses conceitos supõem uma nova realidade para a corporação.

– Aprendizagem interna e externa: Muitas empresas falham no processo de internacionalização devido a uma má assessoria ou a falta de adaptação de sua estrutura. Várias não concluem o processo e acabam se transformando em “aventureiras internacionais” que vivem na busca contínua de oportunidades de mercado, permanecendo sob as rédeas das oscilações do mercado global, das divisas e das mudanças geopolíticas.

É importante para empresa promover um sistema de aprendizagem tanto interno quanto externo. Interno no que se refere a adaptação da mesma e a sua capacidade de resposta e definição de uma estratégia; externa no que se refere aos próprios desafios da internacionalização e aos atores que atuam no processo.

Entre todos esses passos talvez seja importante reiterar que as empresas saibam, desde já, que, mesmo solicitando assessoria, existem perfis diferentes de profissionais e poucas são as firmas ou organizações que oferecem uma assessoria completa. A corporação necessita de pessoas que conheçam o processo de internacionalização (consultores internacionais e assessorias especializadas), em alguns casos que dominem conhecimentos sobre o processo de exportação e importação (profissionais experientes em comércio exterior), e pessoas com competência para atuar no direito internacional (advogados e consultores jurídicos). Infelizmente, o que muitas acabam fazendo é concentrar todo o projeto em apenas um profissional, algo pouco funcional e por vezes arriscado.

Embora à primeira vista possa parecer um projeto complexo e demorado, na verdade se trata de um processo contínuo, uma forma de promover um maior controle estratégico para a organização e consequentemente melhores resultados. Do contrário – que infelizmente ainda acontece com muitas ocasiões – o que temos são empresas pouco preparadas que devem sobreviver não somente às oscilações do mercado nacional, como também do mercado internacional. No caso brasileiro, essa situação é numerosa e faz com que o número de casos de êxito de empresas brasileiras internacionalizadas seja ainda pouco expressivo, se comparado com outros países em desenvolvimento, como a China ou a Índia.

O Brasil está classificado no ranking internacional realizado pelo Banco Mundial como um dos países mais burocráticos do mundo, sendo assim, se as empresas conseguem sobreviver a este mercado, sem dúvidas, com preparação, orientação e adaptação certamente vão conseguir conquistar o mercado internacional.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Internacionalização Compondo o Mundo” (Fonte):

http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/Image/ascom/noticias/internacionalizacion.jpg

Imagem 3 Internacionalização Processo” (Fonte Autor):

Slide próprio

Imagem 4 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro uma poucas as empresas brasileiras que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Em prisões israelenses, mais de 1.500 prisioneiros palestinos fazem greve de fome[:]

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Em um dos maiores protestos nos últimos anos, mais de 1.500 prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses iniciaram uma greve de fome no último 16 de abril, domingo retrasado. Os prisioneiros demandam melhores condições de vida e de encarceramento, maior contato com parentes, melhor acesso a tratamento médico e o fim da prática de detenção sem julgamento, informa o Independent. As greves ocorrem de forma concomitante em oito prisões israelenses e foram iniciadas após a publicação de um op-ed no New York Times sobre as razões para a greve de fome nas prisões em Israel. O texto foi publicado pelo líder e parlamentar palestino Marwan Barghouti, atualmente preso no país, condenando o sistema como ilegal por negligência médica, detenções arbitrárias em massa e maus-tratos a prisioneiros palestinos, ao que caracterizou como “tratamento desumano e degradante”.

Tendo passado os últimos 15 anos em uma prisão, Barghouti afirma que depois de esgotar todas as outras opções para obtenção de concessões, decidiu que não havia escolha senão resistir aos abusos, entrando em greve de fome ao lado de outros milhares de palestinos no dia 16 de abril, que marca o Dia do Prisioneiro na Palestina. Barghouti, líder sênior do Fatah, foi condenado em 2004 por liderar a segunda intifada, por cinco acusações de assassinato e por pertencimento a uma organização terrorista. Em retaliação a ação, oficiais prisionais israelense moveram Marwan Barghouti da prisão de Hadarim para a prisão de Kishon, perto de Haifa, e o confinaram à prisão solitária. O porta-voz do serviço prisional israelense, Assaf Librati, afirmou ao Times of Israel que “o serviço prisional começou a tomar medidas disciplinares contra os grevistas e, adicionalmente, diversos prisioneiros foram transferidos para alas separadas”, e continuou: “deve-se enfatizar que o (serviço prisional) não negocia com prisioneiros”.

Barghouti escreve, pulicado pelo The New York Times, que “décadas de experiência provaram que o desumano sistema de ocupação colonial e militar de Israel visa romper o espírito dos prisioneiros e da nação a que pertencem, infligindo sofrimento sobre seus corpos, separando-os de suas famílias e comunidades e fazendo uso de medidas humilhantes para compelir a subjugação”. E que “Israel, a potência ocupante, violou o direito internacional de várias maneiras por quase 70 anos, e ainda tem sido concedida impunidade para suas ações. Foram cometidas violações graves das Convenções de Genebra contra o povo palestino; os prisioneiros, incluindo homens, mulheres e crianças, não são exceção”. Barghouti ainda condenou Israel de ter estabelecido “um duplo regime jurídico, uma forma de apartheid judicial, que concede impunidade virtual aos israelenses que cometeram crimes contra palestinos, ao mesmo tempo em que criminaliza a presença e resistência palestinas. Os tribunais de Israel são uma farsa de justiça, claramente instrumentos de ocupação colonial e militar.

Conforme esclarece o portal G1, estão detidos em Israel, atualmente, 6.500 palestinos, incluindo 62 mulheres e 300 menores de idade. Quase 500 deles se encontram sob regime extrajudicial de detenção administrativa, o que permite uma prisão sem processo ou acusação. Adicionalmente, 13 deputados palestinos, de diferentes partidos políticos estão presos, informa. O Independent reportou que a controversa política de “detenção administrativa” de Israel registra um grande número de palestinos mantidos sem acusação nas prisões, frequentemente suspeitos de ligações com o grupo militante Hamas. Israel negou que os prisioneiros palestinos sejam maltratados e o ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, afirmou que o protesto liderado por Barghouti foi “impulsionado pela política interna palestina e, portanto, inclui exigências irracionais”. Erdan disse à rádio do Exército que “eles são terroristas e assassinos encarcerados que estão recebendo o que merecem e não temos nenhuma razão para negociar com eles”, reportou o Arutz Sheva

Riyad Mansour, embaixador palestino nas Nações Unidas, chamou as manifestações de “expressão pacífica de oposição à ocupação”, enquanto o serviço prisional israelense declarou em comunicado que as greves de fome e os protestos eram atividades ilegais que enfrentariam uma “penalização resoluta”. Em apoio ao movimento, manifestantes marcharam em várias cidades importantes da Cisjordânia, como Belém, Hebron e Ramallah, assim como em Gaza. O Democracy Now reporta que os manifestantes foram atacados por forças de segurança israelenses.

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Imagem 1Retrato de Marouane Barghouti pintado no muro de separação no checkpoint de Kalandia entre Jerusalém e Ramallah” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marwan_Barghouti_painting.jpg

Imagem 2Marwan Barghouti, político e líder militante palestino” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marwan_Barghouti.jpg

Imagem 3Bandeira do serviço prisional de Israel (Sherut Batei HaSohar ou Shabas), agência estatal responsável por supervisionar as prisões no país” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Israel_Prison_Service#/media/File:Flag_of_Israel_Prison_Service.svg

Imagem 4Dr. Riyad H. Mansour, Embaixador e Observador Permanente da Palestina na Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 e, desde 29 de novembro de 2012, embaixador e Observador Permanente ao Estado da Palestina na Organização das Nações Unidas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Riyad_Mansour_2014.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAECONOMIA INTERNACIONAL

[:pt]Internacionalização II: o desafio do Mercado Global[:]

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O mundo globalizado permitiu com que as empresas atuem além de suas fronteiras, gerando diversas possibilidades, mas, também, desafios. As firmas que desejam operar no mercado mundial devem não somente desenvolver uma estratégia de ação internacional, como também se preparar para o mercado global, além de compreender os processos e dinâmicas que fazem parte da realidade internacional.

Nesse sentido, conhecer o fato da política internacional vai além da compreensão da atuação do principal ator político nas relações internacionais (os Estados), pois, para que a empresa possa desenvolver suas atividades, ela deverá conhecer os elementos internos do lugar em que atuará, a sua legislação, além dos acordos que existem e da dinâmica regional. Não é igual atuar em um país do Mercosul e em um país da Europa, e, mesmo dentro das diferentes regiões, existem subdivisões que devem ser conhecidas.

Por esse motivo, as empresas deixam de ser meros agentes econômicos e se transformam em atores do cenário internacional, já que sua atuação vai além da realização de suas atividades, pois, de certa forma, acabam se transformando em representantes de seu Estado de origem e, muitas vezes, são usadas com esse fim por outros atores.

Desse modo, pode-se dizer que uma empresa que passa pelo processo de internacionalização deve estar preparada não somente para enfrentar os desafios produtivos e referentes a sua atividade fim, mas, também, deverá estar preparada para atuar sob a pressão de novos fatores, sejam eles políticos ou econômicos.

Outro elemento que sem dúvidas também deve ser levado em consideração pela empresa é o componente sociocultural, não somente pela sua importância na realização das atividades da corporação empresarial e da conquista de seus objetivos, mas também pelo seu papel na própria organização da empresa, bem como pela sua participação na criação das novas dinâmicas que envolvem a mesma.

Dessa forma, podemos reiterar que o processo de internacionalização de uma empresa vai além de uma mera transação de compra ou venda no mercado mundial. Trata-se de um processo complexo que requer uma estratégia que leve em consideração todos os componentes que irão incidir sobre a empresa, seja em suas atividades, vistas sob um ponto de vista produtivo, seja na conquista de seus objetivos.

Conhecer e atuar em um país estrangeiro supõe descobrir uma nova realidade, onde as dinâmicas e processos sociais, políticos e econômicos podem ser muito diferentes do país natal da corporação empresarial, o que em nenhum momento vai limitá-la, pelo contrário, irá abrir as portas para o mundo.

Uma corporação que se prepara para atuar no mundo globalizado sabe que seus competidores estão além de suas fronteiras, que a tecnologia avança rapidamente mais a frente da inovação, que o mercado de consumo, embora cada vez mais globalizado, possui diversas particularidades em cada um dos países. Por esse motivo, no mercado internacional o grande diferencial empresarial não é o produto em si, mas o grau de conhecimento que se detém. Quanto melhor uma empresa é capaz de responder e de compreender os fatores globais, melhor será o resultado de sua estratégia e, consequentemente, seu resultado operacional.

No Brasil, foram poucas as empresas que passaram por esse processo, dentre elas, podemos citar a Embraer, a Marco Polo e a Petrobrás, e poucas foram as que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo. Porém, atualmente, esta realidade está mudando e, pouco a pouco, pequenas e médias empresas se preparam para dar seus primeiros passos no mercado internacional, visando a conquista de negócios pelo mundo

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo, em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 A Toyota é uma das maiores corporações multinacionais do mundo com sede no Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Multinational_corporation#/media/File:Toyota_Headquarter_Toyota_City.jpg

Imagem 3 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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