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Além do Esporte: negócios do futebol mexem até mesmo com a geopolítica da região

Passados pouco mais de cinco meses da apresentação de Neymar Jr. no Paris Saint-Germain (PSG), transação recorde que abalou o mercado do futebol por atingir a cifra de 222 milhões de euros – aproximadamente, R$ 840 milhões –,as consequências vão além de apenas uma ação de marketing e melhores resultados em campo. A mudança do craque brasileiro atrai o foco e dirige a atenção de olhares atentos a um dos problemas mais graves que a Europa vem enfrentando na última década: os ataques terroristas.

Homenagem às vítimas mortas no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Bichat

Em novembro de 2015, a capital francesa sofria uma série de atentados iniciada justamente nas proximidades do Stade de France, onde o então presidente François Hollande acompanhava de perto a partida entre as seleções de França e Alemanha – terminada com o placar de 2 a 0 em favor do time da casa. Hollande foi prontamente evacuado pela sua equipe de seguranças, mas não foi possível impedir que um homem-bomba detonasse seu colete de explosivos na entrada do estádio, culminando em 5 mortos e 10 feridos. Os números finais desta noite de devastação somaram pelo menos 128 mortos e 180 feridos.

O Estado Islâmico (EI) reivindicou imediatamente a autoria destes crimes, o que mobilizou as lideranças internacionais e trouxe à tona o debate sobre o combate às ameaças terroristas. A França tem se colocado como um dos atores mais críticos e atuantes contra a expansão do terrorismo fundamentalista e, talvez, seja este o principal motivo pelo qual foi selecionada como alvo dos ataques. O palco da primeira explosão também foi friamente escolhido, aproveitando-se da popularidade do futebol, dos milhares de espectadores presentes e da transmissão da partida ao vivo para os demais países.

Agora, este esporte volta a ser tema estampado nas capas dos jornais franceses e estrangeiros ao destacar a importância dos gols e assistências deste reforço de peso. Também exaltam a contribuição do camisa 10 para guiar o PSG a manter-se na liderança da Ligue 1, campeonato nacional (com a vantagem de 9 pontos para o segundo colocado, contabilizando os resultados até a décima nona rodada), e seguir avançando no grupo dos times de elite que disputam a Liga dos Campeões da UEFA (atualmente classificado para as oitavas de final, que começará a ser disputada em 13 de fevereiro de 2018, com o PSG jogando a partida de ida no dia 14). Os próximos duelos nestas competições são contra Nantes e Real Madrid, respectivamente.

A esperança de um novo amanhã

Vale lembrar que estamos em contagem regressiva para o maior evento esportivo entre seleções de futebol do mundo: a Copa da Rússia FIFA 2018, com abertura marcada para o dia 14 de junho. Tal proximidade eleva os rumores e a preocupação com a possibilidade de testemunharmos novamente outras investidas do EI contra o continente europeu através de sua estratégia terrorista, utilizando-se até mesmo de ameaças contra a integridade dos próprios jogadores profissionais durante o torneio, conforme já veiculado recentemente pelo grupo em suas propagandas ofensivas.

Vladimir Putin, Presidente anfitrião, assinou um decreto em maio do ano passado (2017) que reforça as medidas de segurança por meio de zonas restritas de voos e navegação durante a Copa do Mundo, assim como foi testado e aprovado na Copa das Confederações 2017, cuja campeã foi a seleção da Alemanha, ao superar o Chile por 1 a 0.

Enquanto isso, o general Alexander Bortnikov, atual diretor do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (FSB), em entrevista à revista Rossiyskaya, alega que todos os esforços de cooperação internacional estão sendo feitos – tanto em âmbito bilateral, como multilateral – para neutralizar as ameaças terroristas e garantir a segurança.

De acordo com ele, foram impedidos 23 atos de terrorismo apenas em 2017, graças à “oposição sistemática de uma ampla gama de estruturas competentes”. Mais à frente, reitera sua posição ao afirmar que “a experiência acumulada de interação será usada para garantir a segurança dos importantes eventos internacionais que se realizarão em nosso país, especialmente a próxima Copa do Mundo na Rússia”.

O sinal de alerta segue ligado e o que vemos, apesar das nítidas divergências da política externa russa com os demais governos ocidentais, é um alinhamento supranacional tendo como plano de fundo a integridade e a segurança da Copa do Mundo. Mais uma vez, o futebol se coloca como ferramenta de união e fortalecimento entre as nações, valendo-se da projeção midiática para transmitir ao mundo uma clara mensagem de força soberana, capacidade inabalável de superação e resiliência contra o “inimigo invisível”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Apresentação de Neymar Jr.” (Fonte):

https://www.psg.fr/img/image/upload/t_image_1290x725,q_auto/gm4fxwo4y4fnn3rweyix

Imagem 2 “Homenagem às vítimas mortas no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Bichat” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/09/Paris_Shootings_-_The_day_after_%2823011898735%29.jpg

Imagem 3 “A esperança de um novo amanhã” (Fonte):

https://www.psg.fr/img/image/upload/t_image_1290x725,q_auto/rn5pqqnqdncfegeyyaht

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Smart Region: o desafio das metrópoles brasileiras

Embora o conceito de Smartcity (cidade inteligente) seja aos poucos implementado nas cidades brasileiras, ainda existem muitas dúvidas em relação aos processos que envolvem esses projetos e seus resultados.

Para transformar uma cidade em uma Smartcity é necessário identificar as dinâmicas econômicas, sociais e produtivas, e promover a integração das mesmas mediante processos inteligentes capazes de gerar competitividade, aumentar a qualidade da vida e fomentar o desenvolvimento econômico, social e tecnológico da urbe a longo prazo, respeitando o meio ambiente e a sustentabilidade de todas as atividades.

Sem embargo, não somente os fatores internos são os que integram os projetos de Smartcity. Os fatores externos, tais como as condições geográficas e regionais, também são de vital importância para esses projetos.

É fato que em grandes regiões metropolitanas do Brasil e do mundo as divisas entre municípios são muitas vezes imperceptíveis e os cidadãos constroem suas vidas em uma realidade intermunicipal. Muitos moram em uma cidade e trabalham ou estudam em outra. Por esse motivo, é de vital importância que as políticas e os projetos sejam harmonizados, gerando um equilíbrio de interesses entre os diversos municípios ou cidades vizinhas.

SmartCatalonia. Integração de toda região da Catalunha

O conceito de Smart Region ou Região Inteligente surgiu em Barcelona, com o objetivo de integrar a área metropolitana da cidade catalã e posteriormente toda a região, reduzindo as assimetrias decorrentes do avanço do projeto de cidade inteligente da mesma, já que de nada serve concentrar o desenvolvimento em um ponto específico da geografia. Este conceito se estendeu por diversas áreas metropolitanas da Europa, Ásia e América.

No Brasil, embora as áreas metropolitanas sejam constituídas e reconhecidas pelas diferentes esferas de poder, a integração dos serviços está longe de ser uma realidade. O aumento da passagem dos ônibus é um caso recente da falta dessa integração, já que, ainda que haja uma conexão entre os diferentes modais de transporte, a diferença de tarifas gera assimetrias perceptíveis na realidade das pessoas e até mesmo dificulta a implementação de novos projetos, ou a expansão da rede metropolitana de transportes.

Em São Paulo, por exemplo, existe uma grande divergência entre as tarifas do transporte público e apesar de existir uma interconexão com outros municípios a mesma não é completa. Por um lado, existe o Bilhete Único (cartão de transporte que integra os ônibus municipais, trens e metrô) e, por outro, o BOM (cartão de transporte que integra os ônibus metropolitanos, trem e metrô, porém sem a integração com as linhas de transporte municipal). Dessa forma, um passageiro pode ir até Jundiaí, que fica a aproximadamente 50 km da capital, pagando apenas uma passagem de trem (R$ 4,00), porém o passageiro que mora em Guarulhos (segunda maior cidade do estado de São Paulo, cujo centro dista a 23 km da capital, havendo uma conturbação entre ambas) deve pagar um preço superior, utilizando o transporte intermunicipal, cuja tarifa varia entre R$ 4,50 e R$ 5,50.

Rede de transporte metropolitano de São Paulo

Essa falta de integração também existe em outros serviços, pois algumas cidades da área metropolitana da capital paulista possuem diferentes empresas de transmissão elétrica ou de saneamento básico, o que gera não somente assimetrias em relação as tarifas como também uma burocracia desnecessária que força o cidadão a se dividir entre a realidade do município no qual reside e a do município no qual trabalha.

O exemplo de São Paulo se repete em praticamente todas as capitais brasileiras, dificultando dessa forma a concretização dos projetos de Smartcity, já que essas diferenças municipais alimentam a desigualdade e promovem a concentração de serviços, algo contrário ao próprio conceito de cidade inteligente e de processos inteligentes. 

Uma região metropolitana deve conformar uma área inteligente e integrada e, dessa forma, evitar problemas na prestação de serviços, na divergência que existe entre a população de uma cidade e a sua demanda em determinados setores (tais como a saúde ou educação). Somente assim será possível fomentar o desenvolvimento desejado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Principais áreas metropolitanas do Estado de São Paulo” (Fonte):

http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/images/mapa-regioes.jpg

Imagem 2 SmartCatalonia.  Integração de toda região da Catalunha” (Fonte):

https://image.slidesharecdn.com/sergifiguerola-smartcityacitywhichappliestechnologiesmakingthecitymoreusableforcitizens-150722144949-lva1-app6891/95/smart-city-a-city-which-applies-technologies-making-the-city-more-usable-for-citizens-10-638.jpg?cb=1437576634

Imagem 3 Rede de transporte metropolitano de São Paulo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mapa-Rede-Transporte-Metropolitano-SP.png

                                                                                               

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[:pt]Internacionalização III – Passos para Internacionalizar sua Empresa[:]

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Ao longo dos últimos artigos publicado no CEIRI Newspaper sobre internacionalização, analisamos os desafios que enfrentam as empresas brasileiras e também o próprio mercado internacional. Neste último artigo iremos apresentar alguns passos necessários para a internacionalização das empresas, reiterando que o conceito de internacionalizar uma organização não é apenas a realização de uma transação internacional (comércio exterior), mas um processo de adaptação da mesma para sua inserção no mercado internacional.

Desenvolver uma estratégia de mercado é fundamental nesse processo, além de preparar a empresa em todas as suas esferas. Desde o produto aos recursos humanos, toda a infraestrutura da empresa deverá se adaptar a essa nova realidade, mas muitas corporações não sabem quais são os primeiros passos que devem realizar e como devem proceder perante essas mudanças.

Cabe ressaltar que a aprendizagem empresarial é algo fundamental para o processo de internacionalização e que as empresas devem estar dispostas a realizar as mudanças necessárias, ao mesmo tempo que devem adaptar suas atividades, seus valores e seus objetivos à realidade internacional. Aquela que não realiza essas adaptações está condenando o futuro de todos seus projetos e limitando suas próprias possiblidades.

Atuar no mercado internacional é como começar do zero. Um novo mercado, uma nova legislação, padrões de consumo distintos, uma nova realidade. Nesse sentido, a informação se transforma em um recurso importante, assim como a capacidade de absorção das empresas.

Certo é que cada setor possui suas próprias características e que muitas delas irão se refletir ao longo do processo de internacionalização, porém existe uma série de passos que toda empresa pode realizar para facilitar o processo, dentre os quais podemos destacar:

– Definir metas e objetivos: uma empresa que deseja desenvolver uma estratégia internacional deve ter muito claro quais são seus objetivos. Embora seja importante a busca de novas oportunidades ao redor do mundo, ela deve manter sempre o controle de seus objetivos e, dessa forma, não ceder aos ditados do mercado internacional.

– Buscar orientação e assessoria: A empresa dificilmente irá conseguir realizar o processo de internacionalização sem a orientação de um profissional especializado ou de uma assessoria externa. Existem organismos tanto públicos quanto privados que lhes auxiliam durante todas as etapas do processo de internacionalização.

– Adaptação da empresa: Uma organização que deseja se internacionalizar deve se adaptar à realidade internacional. Precisa disponibilizar sua página web, catálogos e apresentações em um segundo idioma, pois é algo prioritário para se apresentar ao mundo; tem de capacitar seus recursos humanos na aprendizagem de uma nova língua, ou realizar a contratação de novo pessoal; deve avaliar os processos internos e como estes serão afetados pela internacionalização da empresa; além disso, adaptar seus valores, objetivos e a missão da empresa a nova realidade; bem como de ampliar sua rede de informações e networking.

– Benchmarking: Conhecer a atuação de outras empresas do setor no mercado internacional pode ser importante. Da mesma forma, é fundamental conhecer a atuação das empresas do setor nos países ou nos mercados que deseja acessar. A corporação não pode se alimentar somente das informações cedidas pelas assessorias e por órgãos oficiais, ou por publicações, é necessário que a mesma realize diversas prospecções de mercado – que podem ser orientadas pelo consultor ou assessor que está lhe auxiliando no processo de internacionalização – sendo esta uma forma de obter uma perspectiva personalizada do mercado internacional.

Essa ferramenta será importante não somente na adaptação da empresa, mas também no processo de reconhecimento do mercado e das especificidades da demanda. As missões empresariais realizadas por algumas empresas, consultorias e agências públicas são eficientes nesse sentido, já as feiras de negócios possuem um caráter mais comercial, embora também sejam uma fonte importante de conhecimento de mercado.

– Buscar orientação jurídica: Uma empresa deverá realizar uma série de adaptações para poder atuar no mercado internacional. Cada país possui suas próprias exigências, assim como as autoridades brasileiras possuem ferramentas próprias destinadas às empresas que operam no exterior. Desde a exportação, à remessa de dividendos, todos esses conceitos supõem uma nova realidade para a corporação.

– Aprendizagem interna e externa: Muitas empresas falham no processo de internacionalização devido a uma má assessoria ou a falta de adaptação de sua estrutura. Várias não concluem o processo e acabam se transformando em “aventureiras internacionais” que vivem na busca contínua de oportunidades de mercado, permanecendo sob as rédeas das oscilações do mercado global, das divisas e das mudanças geopolíticas.

É importante para empresa promover um sistema de aprendizagem tanto interno quanto externo. Interno no que se refere a adaptação da mesma e a sua capacidade de resposta e definição de uma estratégia; externa no que se refere aos próprios desafios da internacionalização e aos atores que atuam no processo.

Entre todos esses passos talvez seja importante reiterar que as empresas saibam, desde já, que, mesmo solicitando assessoria, existem perfis diferentes de profissionais e poucas são as firmas ou organizações que oferecem uma assessoria completa. A corporação necessita de pessoas que conheçam o processo de internacionalização (consultores internacionais e assessorias especializadas), em alguns casos que dominem conhecimentos sobre o processo de exportação e importação (profissionais experientes em comércio exterior), e pessoas com competência para atuar no direito internacional (advogados e consultores jurídicos). Infelizmente, o que muitas acabam fazendo é concentrar todo o projeto em apenas um profissional, algo pouco funcional e por vezes arriscado.

Embora à primeira vista possa parecer um projeto complexo e demorado, na verdade se trata de um processo contínuo, uma forma de promover um maior controle estratégico para a organização e consequentemente melhores resultados. Do contrário – que infelizmente ainda acontece com muitas ocasiões – o que temos são empresas pouco preparadas que devem sobreviver não somente às oscilações do mercado nacional, como também do mercado internacional. No caso brasileiro, essa situação é numerosa e faz com que o número de casos de êxito de empresas brasileiras internacionalizadas seja ainda pouco expressivo, se comparado com outros países em desenvolvimento, como a China ou a Índia.

O Brasil está classificado no ranking internacional realizado pelo Banco Mundial como um dos países mais burocráticos do mundo, sendo assim, se as empresas conseguem sobreviver a este mercado, sem dúvidas, com preparação, orientação e adaptação certamente vão conseguir conquistar o mercado internacional.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Internacionalização Compondo o Mundo” (Fonte):

http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/Image/ascom/noticias/internacionalizacion.jpg

Imagem 3 Internacionalização Processo” (Fonte Autor):

Slide próprio

Imagem 4 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro uma poucas as empresas brasileiras que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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AGÊNCIA DE COOPERAÇÃO BILATERALANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

[:pt]Financiamento e subvenções internacionais[:]

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A União Europeia, o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, o Banco Mundial, o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos – EXIMBANK, o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, entre outras instituições, atuam como vetores do desenvolvimento através de subvenções e financiamentos especiais focados na cooperação internacional e na realização de projetos bilaterais ou multilaterais.

Apesar da grande oportunidade que a existência dessas linhas de financiamento e subvenções supõe para empresas e instituições, são poucas as que detêm o know how necessário para participar dos processos licitatórios ou das convocações realizadas, já que cada órgão possui seu próprio processo e metodologia, além de suas próprias exigências, e faltam profissionais com experiência na área de gestão de projetos e relações internacionais capazes de inserir as empresas dentro desses editais.  

Para as empresas e instituições brasileiras, o financiamento internacional, ou a obtenção de subvenções, são uma forma de viabilizar projetos de inovação, investigação e desenvolvimento, assim como forma de estabelecer parcerias internacionais e transferência de recursos, sejam estes humanos, tecnológicos, financeiros ou materiais.  Embora exista uma enorme oferta de projetos de cooperação internacional, a adesão das empresas ainda é limitada, já que poucas possuem acesso a esse tipo de informação, ou a assessoria necessária para participar dos mesmos. Grande parte das empresas que participam são multinacionais que já têm algum tipo de experiência nessa fonte de recursos, ou são estatais apoiadas em políticas de desenvolvimento do próprio Estado, havendo uma baixa participação de pequenas e média empresas.

Para se ter uma visão dos recursos disponíveis, podemos citar a União Europeia, que possui um orçamento de mais de 66 bilhões de Euros destinados à cooperação Internacional e ao desenvolvimento regional, havendo diversas formas de participar dos processos promovidos pelo DEVCO (Departamento de Desenvolvimento e Cooperação), ou pelo FPI (Instrumentos de Política Exterior) da União Europeia.  A Europa oferece duas possibilidades: a subvenção de projetos e o financiamento de projetos.  Não havendo limites em relação ao porte da empresa.

Outras instituições também possuem fundos de cooperação internacional e subvenções específicas para setores como tecnologia, educação, meio ambiente, desenvolvimento humano, novas energias, pequenas e médias empresas, empreendedorismo, dentre vários, sendo uma alternativa importante aos elevados juros do mercado interno e à limitação de recursos, devido à instabilidade econômica e crise que enfrenta o país.  Por esse motivo, é de vital importância que as instituições públicas e privadas do Brasil sejam conscientes dessa possiblidade.

Muitas empresas e órgãos brasileiros que desejam ter acesso a esses recursos acabam contratando escritórios de advocacia ou assessorias para que lhes ajudem a participar das convocações e editais, porém nem todos possuem o conhecimento necessário para atuar na área de cooperação internacional, já que existem diferenças nos contratos realizados na área de cooperação internacional, em comparação com o setor internacional privado, dentre outros fatores.

As políticas de cooperação econômica são orientadas pelos acordos existentes entre países, blocos ou organizações internacionais, sendo seu principal objetivo promover uma relação de Win-to-Win (Ganha-Ganha) entre os participantes, diferentemente de projetos da iniciativa privada. A cooperação econômica atua como ferramenta política e social com o objetivo de cumprir as convenções internacionais, além da estratégia dos atores internacionais, ampliando áreas fundamentais e promovendo maior integração.

Havendo essa possibilidade, é importante para as empresas do Brasil participar de forma mais ativa das redes internacionais de cooperação e negócios, dos congressos e palestras internacionais, do intercâmbio de profissionais e estagiários de outros países, das ações e projetos internacionais, sendo esta uma forma não somente de obter recursos, mas competitividade, algo que, sem dúvidas, tanto o mercado quanto a produção do Brasil agradecerão.

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Imagem 1 Instituições de Fomento Internacional” (Fonte):

https://oretornodaasia.files.wordpress.com/2014/10/sem-tc3adtulo1.png

Imagem 2 Cooperação construindo o mundo” (Fonte):

https://media.licdn.com/mpr/mpr/AAEAAQAAAAAAAAP3AAAAJDYwMzgwOGRlLWMxZjktNDViZC04MTM0LTZhMDFlZjA3Y2NiNQ.jpg

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Em prisões israelenses, mais de 1.500 prisioneiros palestinos fazem greve de fome[:]

[:pt] Em um dos maiores protestos nos últimos anos, mais de 1.500 prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses iniciaram uma greve de fome no último 16 de abril, domingo retrasado. Os prisioneiros demandam melhores condições…

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[:pt]Internacionalização II: o desafio do Mercado Global[:]

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O mundo globalizado permitiu com que as empresas atuem além de suas fronteiras, gerando diversas possibilidades, mas, também, desafios. As firmas que desejam operar no mercado mundial devem não somente desenvolver uma estratégia de ação internacional, como também se preparar para o mercado global, além de compreender os processos e dinâmicas que fazem parte da realidade internacional.

Nesse sentido, conhecer o fato da política internacional vai além da compreensão da atuação do principal ator político nas relações internacionais (os Estados), pois, para que a empresa possa desenvolver suas atividades, ela deverá conhecer os elementos internos do lugar em que atuará, a sua legislação, além dos acordos que existem e da dinâmica regional. Não é igual atuar em um país do Mercosul e em um país da Europa, e, mesmo dentro das diferentes regiões, existem subdivisões que devem ser conhecidas.

Por esse motivo, as empresas deixam de ser meros agentes econômicos e se transformam em atores do cenário internacional, já que sua atuação vai além da realização de suas atividades, pois, de certa forma, acabam se transformando em representantes de seu Estado de origem e, muitas vezes, são usadas com esse fim por outros atores.

Desse modo, pode-se dizer que uma empresa que passa pelo processo de internacionalização deve estar preparada não somente para enfrentar os desafios produtivos e referentes a sua atividade fim, mas, também, deverá estar preparada para atuar sob a pressão de novos fatores, sejam eles políticos ou econômicos.

Outro elemento que sem dúvidas também deve ser levado em consideração pela empresa é o componente sociocultural, não somente pela sua importância na realização das atividades da corporação empresarial e da conquista de seus objetivos, mas também pelo seu papel na própria organização da empresa, bem como pela sua participação na criação das novas dinâmicas que envolvem a mesma.

Dessa forma, podemos reiterar que o processo de internacionalização de uma empresa vai além de uma mera transação de compra ou venda no mercado mundial. Trata-se de um processo complexo que requer uma estratégia que leve em consideração todos os componentes que irão incidir sobre a empresa, seja em suas atividades, vistas sob um ponto de vista produtivo, seja na conquista de seus objetivos.

Conhecer e atuar em um país estrangeiro supõe descobrir uma nova realidade, onde as dinâmicas e processos sociais, políticos e econômicos podem ser muito diferentes do país natal da corporação empresarial, o que em nenhum momento vai limitá-la, pelo contrário, irá abrir as portas para o mundo.

Uma corporação que se prepara para atuar no mundo globalizado sabe que seus competidores estão além de suas fronteiras, que a tecnologia avança rapidamente mais a frente da inovação, que o mercado de consumo, embora cada vez mais globalizado, possui diversas particularidades em cada um dos países. Por esse motivo, no mercado internacional o grande diferencial empresarial não é o produto em si, mas o grau de conhecimento que se detém. Quanto melhor uma empresa é capaz de responder e de compreender os fatores globais, melhor será o resultado de sua estratégia e, consequentemente, seu resultado operacional.

No Brasil, foram poucas as empresas que passaram por esse processo, dentre elas, podemos citar a Embraer, a Marco Polo e a Petrobrás, e poucas foram as que desenvolveram uma estratégia internacional eficiente e de longo prazo. Porém, atualmente, esta realidade está mudando e, pouco a pouco, pequenas e médias empresas se preparam para dar seus primeiros passos no mercado internacional, visando a conquista de negócios pelo mundo

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo, em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 A Toyota é uma das maiores corporações multinacionais do mundo com sede no Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Multinational_corporation#/media/File:Toyota_Headquarter_Toyota_City.jpg

Imagem 3 Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]Internacionalização: o desafio das empresas brasileiras[:]

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Atuar no cenário mundial se transformou no grande objetivo para diversas empresas de vários setores e portes no Brasil. O mercado internacional oferece a possibilidade de alcançar novos consumidores, obter novas tecnologias, encontrar novos parceiros e fornecedores, aumentar a competitividade da empresa e a lucratividade de suas operações.

São muitas as vantagens para as empresas que conquistam seu espaço no mercado internacional, embora também existam grandes desafios, tais como a competitividade de outras corporações, diferentes modelos de consumo, dificuldade logística e burocrática, além da necessidade de adaptação à realidade global

Por esse motivo, são muitas as empresas que falham no processo de internacionalização ou que não completam o mesmo, fazendo com que suas operações no mercado internacional sejam pontuais e normalmente em substituição do mercado interno, quando este enfrenta uma redução da demanda. As empresas acabam utilizando o mercado internacional como uma alternativa ao mercado nacional e não como uma atividade paralela, não havendo uma estratégia internacional a longo prazo nem uma expansão a nível global de suas atividades.

Essa tendência de substituição temporária do mercado interno pelo mercado externo explica muitos dos fatores da economia brasileira, tais como a balança comercial, a volatilidade dos preços, os fluxos de produção e até mesmo a inflação, mas é o grande motivo pelo qual o Brasil não está inserido de forma eficiente nas cadeias de produção global e também a razão pela qual existem tão poucas multinacionais brasileiras, se comparado a outros países emergentes.

A falta de visão global e de preparação das empresas são alguns dos principais fatores para seu fracasso no mercado internacional, não havendo uma aprendizagem empresarial no processo. Muitas confundem a operação de comércio exterior com a internacionalização de suas atividades, sendo este um processo muito mais abrangente e que requer maior preparação e tempo. O simples envio de um contêiner para o mercado internacional não significa a internacionalização das atividades da empresa, caso não exista uma estratégia capaz de garantir que essa transação seja durável e de longo prazo.

Muitas empresas falham no processo de internacionalização, seja pelo procedimento, sejam pelas vias adotadas e, é importante ressaltar, que o processo atual é diferente do ocorrido nos países desenvolvidos durante a expansão do capitalismo, já que, atualmente, o grau de competitividade é superior, além das dificuldades técnicas, fazendo com que seja necessário que a empresa desenvolva uma estratégia e planifique sua inserção, caso ela realmente deseje participar do mercado internacional.

Por via de regra, muitas empresas buscam consultorias ou órgãos públicos que lhes ajudem a planejar e planificar seu processo de internacionalização, mas, na maioria das vezes, muitas não conseguem concluir o projeto ou até mesmo são frustradas pelos resultados. Isso se deve ao fato de que não existe uma orientação correta por grande parte das consultorias, as quais estão habituadas à promoção do comércio exterior e não a realização da internacionalização da empresa, e também se deve ao fato de que as empresas buscam soluções rápidas no mercado internacional, sendo o processo de internacionalização um processo mais dilatado que a simples compra e venda no mercado internacional.

Entre as vias que as empresas utilizam em sua tentativa de internacionalizar suas atividades, as mais comuns são:

  • – Participar de feiras e rodadas de negócios
  • – Buscar um representante internacional
  • – Realizar projetos por comissão

Embora cada uma dessas vias possam gerar resultados a curto a prazo, nenhuma é capaz de preparar a empresa para manter suas atividades a longo prazo e lhe dar autonomia para que possa conquistar novos mercados, pois é necessário diferenciar o processo de internacionalização de uma empresa de operações internacionais esporádicas que a mesma possa realizar. Dessa forma, a internacionalização deve ser compreendida como um processo resultante de uma estratégia empresarial e não como uma operação no mercado internacional.

As feiras de negócios oferecem a possibilidade de vendas rápidas, mas uma empresa que não esteja preparada para o cenário internacional dificilmente fará com que essa transação seja durável. Os representantes internacionais, por outro lado, conhecem o mercado objetivo, mas, caso não exista exclusividade de suas atividades, a empresa perde o controle de suas vendas internacionais, pois um representante que atue com 10 empresas, se vender o produto de uma das representadas gerará lucro para si, mas as outras nove perdem. E, por último, a realização de projetos por comissão não prepara a empresa para o cenário internacional, mas terceiriza este setor fazendo com que todo o planejamento pertença a um terceiro, não havendo aprendizagem empresarial.

O processo de internacionalização, dessa forma, difere da simples realização de uma transação internacional, não se tratando apenas de uma venda, mas da preparação para o mercado global e seus desafios. Em outras palavras, é como se a empresa estivesse sendo fundada novamente, mas em outro território, sendo necessário desenvolver uma estratégia comercial, conhecer o mercado e a legislação, conhecer os atores e fatores que incidem em suas atividades. Esse é o diferencial das grandes multinacionais que conquistaram o mundo nos últimos anos: a preparação da empresa e a adaptação da mesma a novos mercados.

Por esse motivo, na hora de buscar assessoria, é essencial para a empresa buscar alguém capaz de desenvolver um projeto de internacionalização, uma estratégia internacional e, ao mesmo tempo, é importante que a empresa esteja aberta para a aprendizagem empresarial e para as mudanças necessárias que deverá realizar, sendo ela preparada pela assessoria para enfrentar os desafios e os prazos do mercado mundial, caso contrário, ela sempre será um vendedor itinerante no mercado internacional, como um feirante que trata de competir com as grandes redes de supermercados globais.

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Imagem 1 Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em junho de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Globalização

Imagem 2 Navio portacontentores no porto de Copenhagen” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Container_(transporte)

Imagem 3 O Palácio de Cristal do Porto, construído para a Exposição Industrial Internacional de 1865” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Feira_profissional

Imagem 4 Gráfico de estrutura de uma empresa offshore” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/International_business_company

Imagem 5 Um navio cargueiro em Elliot Bay, Seattle, Washington” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Navio_cargueiro

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